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Chamo-me Isabella York.
E esta é a minha prisão.
Só abrigamos raparigas de posses, as suas criadas e professoras,
uma escola de raparigas separada do mundo por muros altos.
Todas as suas alunas
são de famílias respeitáveis ou vão casar numa dessas famílias.
Sou, sem dúvida, uma das segundas.
Ela pode ir onde quiser.
Mas eu não.
Posso apresentar-me?
É um prazer estar ao seu serviço.
Sou a Boneca de Automemória,
Violet Evergarden.
O que faz uma boneca aqui?
A sua família instruiu-me para a ajudar a ter sucesso como debutante.
Debutante?
Daqui a três meses?
Sim.
Serei a sua professora de cultura, conversa, etiqueta e dança,
tudo o que é digno de uma senhora.
Servirei nessa qualidade até à sua estreia.
As bonecas também fazem esse tipo de trabalho?
Não, costumamos escrever cartas para os nossos clientes.
Se não fosse a apresentação da família real Drossel,
eu teria recusado.
Pareces snob.
Detesto pessoas assim.
Ouvi dizer que é propensa a ataques de tosse.
Não me toques!
A tua mão...
É uma prótese.
Perdi-a na guerra.
Uma boneca que serve a família real?
Não, sou uma boneca civil. A nossa empresa está em Leidenschaftlich.
Leiden...
É a nação mais a sul.
Fica a quatro dias daqui, se só usar comboios locais
na ferrovia transcontinental.
Podes ir aonde quiseres.
A trabalho, sim.
Se o dizes.
Vou ficar consigo até terminar o meu trabalho.
Não quero ser tua amiga.
Por isso, fala só quando for absolutamente necessário para a minha educação.
Estás outra vez com aquele ar rabugento. É assim tão difícil?
Sim, é um pedido para a Violet.
Querem que ela ensine a filha de um aristocrata.
Tutora?
E por três meses.
Não posso dizer não à família real.
Mas três meses?
E se eu fosse vê-la de vez em quando?
É um colégio interno para raparigas. Não são permitidos homens.
Um colégio interno para raparigas...
Estas cartas de amor públicas fazem sonhar.
Fiz isto no outro dia.
É adorável.
Podes ficar com ele, se quiseres.
Olha para isto.
Quem é ela?
Nunca a tinha visto.
Conhece-la?
Não, também nunca a vi.
Bom dia, Mna. York.
Quem temos aqui?
- Ela... - Sou a criada da Mna. Isabella.
Chamo-me Violet.
- Bem, sou... - A Mna. Lancaster, presumo?
Já ouvi o nome.
Ela é tão bonita.
Parece mais uma princesa do que uma criada.
Por favor, use a faca mais afastada.
Menina, deixou de trabalhar.
Tem de continuar a lição.
É um currículo obrigatório.
Não apetece-me...
Diga "me apetece" em vez de "apetece-me."
Taylor.
Mana!
Taylor!
És o meu mundo, Taylor.
Mna. York, em que salão vai entrar?
O salão da Mna. Lancaster, claro, certo?
Os Lancasters, a família do primeiro-ministro
e os York, os titãs do comércio, têm ambos ligações aos Drossels.
Lamento imenso.
A Mna. Isabella é frágil e passou grande parte da vida sozinha.
Está agora a tentar adaptar-se a viver com outros.
Pode dar-lhe mais tempo?
Sim, claro.
Que sonho. Ela é como um cavaleiro de uma história de amor.
Mna. Isabella.
Perdoe-me por a ter deixado.
Só de te ver,
fico infeliz.
Taylor.
Bom dia, Mna. York.
Depois disto, vamos fazer uma festa de chá no dormitório.
- Se quiser... - Deixa-me em paz.
Desculpa, o que foi aquilo?
Lamento muito.
O meu mestre instruiu-me a limitar
as suas interações com os outros até se tornar debutante.
Uma verdadeira princesa cavaleira.
Muito bem, vamos esquecer que isto aconteceu.
Bom dia.
Só me veem pela família que tenho.
É como se estivesse presa.
Imagino.
Tu não és diferente.
Isto é simplesmente um trabalho.
És mesmo perfeita em todos os sentidos.
Até podias passar por realeza.
Sou órfã.
Vais mesmo ficar três meses?
Então?
Disse-me para falar só quando for necessário para a sua educação.
Esquece isso agora.
A nossa empresa tem outras bonecas, por isso o negócio continua...
Não foi isso que perguntei.
Não vais ter saudades de ninguém?
Então, vais.
Há alguém, mas...
... não podemos ver-nos.
Ai é?
Espero que a Violet esteja bem.
Taylor.
Não, sou eu, a Violet.
Como te sentes?
Ficaste acordada toda a noite?
Tive treino de resistência,
por isso, deixar de dormir...
Não é problema.
Ouve...
Quero falar com raparigas da minha idade, mas não sei como.
Muito bem.
Mas diga-me do que quer falar.
Por exemplo...
O que foi?
Está na hora de se arranjar.
Vai chegar tarde à escola.
Nesta escola,
é costume praticar com alunas como parceiros de dança.
Mna. Isabella, vamos fazer o papel da mulher.
E eu serei o homem.
- Que sonho. - É uma princesa cavaleira.
- Que inveja. - Que bonito.
Mas vou pisar-te os pés.
Eis o segredo.
Relaxe o corpo e siga-me.
Mna. Isabella.
Anda, junta-te a mim.
Não, obrigada.
As amigas devem tomar banho juntas.
É isso que fazem?
Sim, exatamente!
Então, vá lá.
Entra.
Na verdade, é a primeira vez que tomo banho com alguém.
A sério?
Anda cá.
É isto que as amigas fazem?
Não sei.
Dormi assim com a minha irmã mais nova.
A sério?
Abre bem, Taylor.
É bom?
Mana!
Porque...
Os passos básicos estão quase perfeitos.
Hoje vamos adicionar novos passos.
Está pronta.
Obrigada.
- Usas sempre o mesmo penteado. - Sim.
Mna. Isabella?
Calma.
Não pode ser. Vai perder a palestra da manhã.
Não te preocupes.
Costumava fazer o penteado à minha irmã mais nova.
O teu cabelo parece veludo.
Aposto que vale muito.
Vai vendê-lo?
Claro que não.
E pronto.
Gostas?
Pode bloquear a minha linha de visão numa emergência.
A sério? Mas é tão giro!
Pronto, que tal isto?
Pronto! Tal como pãezinhos de canela!
Mna. Isabella, parece estar a divertir-se.
Fui demasiado óbvia?
Olha,
vamos esquecer a escola. Não podemos ir para outro sítio?
Onde?
Onde quer que seja.
Só nós as duas.
Não podemos fazer isso...
Mna. Isabella.
Agora, vamos tentar outra vez.
Mna. Isabella?
Não consigo.
Nunca seria uma senhora, de qualquer forma.
- Aprendeu a dançar e... - Não preciso dos teus elogios!
Não consigo fazer tudo bem como tu!
Não sou como tu.
Não é como eu?
Isso mesmo. Totalmente diferente!
Não é justo.
Tens tanta sorte, não achas?
Lamento.
Está só um pouco cansada.
Que tipo de cartas escreveste?
Escrevi muitas cartas.
Cartas dos filhos aos pais e vice-versa.
Cartas de irmãs para irmãos. Até cartas de amor.
Cartas de amor? Uma rapariga inocente como tu?
- Sim, foram bem recebidas. - A sério?
Estavam todas cheias de amor.
As cartas deixam-nos expressar
o que normalmente não podemos dizer.
Estava a pensar.
Sou tão má,
e tu és tão simpática comigo.
Sou simpática?
Sim, és.
Estou só...
a fazer o que aprendi.
Se não conseguir dormir, Mna. Isabella, posso falar-lhe das constelações.
Aprendi sobre elas quando trabalhei num observatório.
Muito bem, vou contar-lhe uma história sobre as estrelas
que brilham nesta altura do ano.
O que é isto?
É do seu pai.
Tem de usar isto quando se tornar uma debutante.
Isto é para ti.
O que é isso?
"Estás a divertir-te?"
Mas que raio?
É um vestido da minha empresa.
E provavelmente foi entregue por um dos meus colegas.
Aposto que quer dizer que te quer ver o mais depressa possível.
Vais-te embora hoje, não vais?
Sim, vou-me embora esta noite.
Então...
vamos divertir-nos muito no baile.
Podes acompanhar-me?
Seria um prazer.
Estão todos a olhar para ti.
Passa-se alguma coisa?
Não, tonta.
És tão linda.
Estão todos tão bem vestidos.
Mas tu és a mais bonita.
Não saias do meu lado, está bem?
Está bem, prometo.
Mna. Isabella.
Violet...
obrigada.
De nada.
Está cansada?
Sim, mas...
foi divertido.
Nem sequer te pisei.
Não.
O que vais fazer agora?
Vou voltar a escrever cartas.
Eu...
quero que me escrevas uma carta.
Para quem?
Para a minha irmã.
Não nasci na família York.
Amy.
Vê se fazes melhor da próxima vez.
É difícil lá fora com a guerra.
Onde está a tua mãe?
Outra criança abandonada.
Mesmo que a pudéssemos vender, provavelmente não vale muito.
- Já me decidi. - O quê?
Ela será a minha irmã mais nova.
Não sejas estúpida. Como a poderias sustentar?
Quer dizer, ainda és um miúdo.
Trata-se de vingança.
Fui obrigada a viver assim.
Esta criança devia ter o mesmo destino.
Mas vou garantir que ela tenha uma vida feliz.
Posso não ter nada, mas vou dar-lhe uma oportunidade de lutar.
Chamas a isso vingança?
Não tenho culpa se vocês morrerem.
Agora és a minha irmã mais nova.
Sou a Amy.
Eu serei a tua irmã.
Ma...
Mana!
Cheguei.
Mana!
Abre bem, Taylor.
Está bom?
Mana!
O nosso quarto era imundo.
E não tínhamos quase nada.
Mas, naquela altura,
não havia mais nada que pudesse fazer.
Amy Bartlett, presumo?
Como te atreves a vir aqui?
Então, esta é a filha daquela mulher.
O sangue da família York corre nas veias dela.
Ela é minha filha.
Deixa o teu nome e o teu passado para trás e vem comigo.
Faz isso e certificar-me-ei que a criança é bem-tratada.
É do interesse dela.
Achavas mesmo que podias continuar a viver assim?
Mana?
Não tinha nada para oferecer.
Nem sonhos, nem esperança.
Se significasse uma vida melhor para ela...
Mana!
Mana!
Mana!
O meu desejo de a proteger, de a salvar...
tornou-se a minha razão de viver.
Foi o dia em que vendi a minha liberdade ao homem que disse que era meu pai.
E assim acabou a Amy, a pobre.
Estou separada da Taylor desde então.
Não nos podemos encontrar.
De certa forma...
... entendo-te.
Nunca conheci os meus pais. Fui encontrada abandonada
e fui criada como arma humana.
Mas alguém novo entrou na minha vida.
Ele ensinou-me a escrever.
E criou-me, tratando-me sempre com bondade.
Até me deu um propósito na vida.
Nunca dei nada a ninguém.
Isso não é verdade, Mna. Isabella.
Deu-me o meu primeiro presente de amizade.
E...
... ensinou-me que
dar as mãos aquece o coração.
E acredito que deu à Taylor mais do que alguma vez saberá.
Uma carta permitir-lhe-ia expressar sentimentos.
Querida Taylor...
Um dia, recompensar-te-ei.
Não tenho nada para dar agora, mas retribuirei a tua bondade.
Não é preciso.
Porque não? Eu quero.
Não sei porquê, mas...
Não quero que o faça.
Bem...
voltarei a ver-te?
Não sei.
Mas lembre-se, Mna. Amy...
Sou uma Boneca de Automemória.
Vou para onde os meus clientes desejarem.
Então, a princesa cavaleira desapareceu.
Finalmente, podemos falar.
Claro.
A tua valsa no baile de estreia foi linda.
Foi tudo graças à Violet,
Mna. Lancaster.
Por favor, chama-me Ashley.
Desejo falar contigo
sem ter em conta a tua família ou posição.
Olá.
Tenho umas cartas para ti.
Para a Taylor?
Isso mesmo. Toma.
Você aí. Ela sabe ler?
Não.
Que sorte.
Eu leio-tas.
Preparada?
- Taylor! - Pronto, aqui vai.
Mano.
Não sou teu irmão.
Como queiras. Ouve.
A primeira carta é da minha colega, a Violet Evergarden.
Esta ideia é, venha ver-me se precisar de ajuda ou se quiser apoiar-se.
O próximo não tem nome ou morada.
Onde estamos?
"Eis uma palavra mágica que te vai proteger.
Diz: 'Amy'."
É isso.
Taylor,
já não sou conhecida como Amy.
Abandonei o meu nome porque te amo.
Mas se continuares a dizer isso como uma palavra mágica,
a minha esperança de teres uma
vida melhor nunca desaparecerá.
Mana!
Então, por favor, Taylor...
Amy.
"DIZ O MEU NOME QUANDO ESTIVERES SÓ"
Correio.
Correio!
O que se passa?
O Sr. Field não está em casa outra vez.
Que estranho. Ele faz sempre tanto barulho à noite.
Posso ficar com o correio dele.
Não, é uma encomenda à cobrança. Voltarei esta noite.
Então! Larguem a bicicleta!
Corre! Que bicicleta velha e estúpida!
Correio.
Correio?
Obrigado.
Sempre ao seu dispor.
Para onde foi o carteiro?
Correio.
Um momento, por favor.
Que raio é aquele edifício alto?
Já te disse que é uma torre de rádio!
O que é um rádio?
Não me vai dar dores de cabeça, pois não?
Não é nada disso.
A guerra já acabou há quatro anos.
Estão a fazer muitos progressos.
Apesar do progresso mundial,
o trabalho de um carteiro não mudou.
É a mesma coisa todos os dias.
Que trabalho aborrecido.
É o mesmo símbolo.
Mano!
Mano!
Meu Deus...
Estás perdida?
É a tua mana, Benedict?
Ou talvez seja o amor dele.
Poupa-me. Ela está de visita.
Eu...
... sou a Taylor!
Taylor Bartlett!
O quê? És uma rapariga?
Então, é a Mna. Taylor?
Sim!
És a Violet Evergarden?
Ela está a delirar.
Esta é a carta que escreveste há três anos.
Dizia para vir ter contigo, se precisasse.
É por isso que estou aqui.
É aquela miúda?
Estás em apuros?
Quero pedir-te um favor.
Eu...
... quero trabalhar aqui!
Aqui?
"Se alguma vez saíres do orfanato
e achares que precisas de ajuda, por favor, vem procurar-me.
Atenciosamente, Violet Evergarden."
Estou a ver.
Taylor, fugiste do teu orfanato?
A carta é dirigida a um orfanato em Drossel.
Não imagino que deixem uma rapariga da tua idade andar sozinha.
É verdade?
Sim.
Além disso, tens de ser um pouco mais velha para poderes trabalhar aqui.
Não, por favor! Estou sem dinheiro!
No entanto...
... tenho um favor a pedir.
Violet?
É a preciosa irmã
de uma querida amiga.
Quero saber.
Quero saber o que significa "amo-te".
Bem, acho que vai demorar algum tempo a mandá-la de volta.
Exigirá algumas perguntas.
E então?
Claro, podes cuidar dela até lá.
Parece-te bem?
Viva!
Vais ajudar os roteiristas.
Não, não vou.
Quero entregar correio!
Correio?
Entregar correio?
Não queres ajudar os escritores fantasmas?
Decidi que queria ser carteira antes de vir para cá.
É impossível uma miúda fazer esse tipo de trabalho!
Não digas isso! Por favor, mano!
- Não sou teu irmão! - Farias isso por mim?
Vá lá, malta.
Ela tem razão. Benedict...
... ela veio até aqui. Porque não lhe mostras como se faz?
Ouviste o chefe.
Ouve.
Pode parecer fácil, mas entregar correio é um trabalho árduo.
Vamos começar por entregar este correio.
Onde?
Nas moradas que estão nos envelopes.
Toma, lê.
Vamos ver...
Dois, um...
Diz: "2125 Rua Alexander, Distrito de Mier, Leiden."
- Não me digas... - Sim!
Distrito de Mier! Eu sabia!
Aqui?
Sim.
Próxima morada.
Não há caixas de correio.
Isso significa que vamos a cada unidade.
- No quarto andar? - A seguir.
É tudo por hoje.
Vamos voltar.
Ena.
Entregas tanto correio todos os dias?
E nunca viste um mapa!
Isso é fantástico!
Qualquer carteiro que se preze tem toda a sua rota memorizada.
Mano.
Não, espera.
Posso chamar-te "Professor"?
Estás a brincar? Nem pensar!
Acendeu-se sozinho!
Estão a mudar para luzes elétricas por toda a cidade.
A sério?
Porque querias ser carteira?
É uma pergunta tola!
É porque os carteiros trazem felicidade!
Posso dormir aqui?
Sim.
Onde é o teu quarto?
É o do outro lado da escada.
Tenho este quarto só para mim!
Professor!
Ensine-me outra vez amanhã!
É o seguinte. Ainda não sabes ler.
Hoje não leste uma única morada.
Só leste os números.
Sim.
Não sei ler.
Tenho dificuldade em aprender o alfabeto.
As freiras liam sempre as cartas que recebia.
"Eis uma palavra mágica que te vai proteger.
Diz: "Amy'."
Irmã...
... lê outra vez.
Não te contei tudo.
Desculpa.
Mna. Taylor,
eu ensino-te o alfabeto.
A sério?
Sim. Amanhã treinamos juntas.
Treinar?
Na verdade, queria dizer estudar.
Estuda muito e vamos transformar-te numa boa e jovem carteira.
Violet!
Sim, sou a Violet.
Achas que sou um bebé, porque não consigo dormir sozinha?
Não.
Está a olhar lá para fora?
O meu é um urso!
Eu dormia na mesma cama com a tua irmã.
A sério? Dormiram juntos?
Sim.
Está bem.
Será que eu também dormia com a mana?
Quero saber mais sobre a mana.
Toca a acordar, Mna. Taylor.
Bom dia.
Só com duas mechas, desfazem-se.
Se entrançares três mechas, ficam no lugar.
Bom dia.
Bom dia!
Bom dia, aprendiz adorável.
Sr. Lawrence, pensei que se tinha reformado.
Tenho tanto tempo livre que não consigo evitar.
E tu, Violet?
Ouvi dizer que hoje vais ajudar nas entregas.
"A" de animais "I" de igreja
"U" de uva Mas o tempo está bom
"E" de estrela
Violet?
Luculia.
Há quanto tempo!
Espera, porque estás assim vestida?
Estamos a entregar correio!
A entregar correio? Com esta menina?
Ela é aprendiz e estou a ajudá-la a aprender.
Estás a ajudá-la a aprender?
Para onde vais?
Newtown.
É do outro lado da ponte.
Luculia!
Muito bem, até logo, Violet.
Sou a Taylor!
Boa sorte com o teu trabalho, Taylor.
Quem era?
Ela também é uma boneca.
E aquele homem?
Não sei.
Nunca o vi antes.
- Isto é Newtown? - Sim.
Tenta ler a morada.
Muito bem, 812 Re-tri-ka... Retrika.
- O que diz aqui? - Leiden.
Lei-den. Leiden.
Já sei ler!
Aqui está!
Mna. Taylor.
Por aqui.
O que é isto?
Chamam-lhe elevador.
É um novo dispositivo a ser introduzido nos edifícios mais recentes de Newtown.
Como é que funciona?
Acho que usamos isto.
Não resultou.
Está a mexer-se!
Era o nosso andar!
Vou fazê-lo descer.
Conseguimos!
Teria sido mais rápido pelas escadas.
Olá.
Meu Deus...
Correio!
Obrigada.
É da minha mãe.
Marty!
Tens um presente da tua avó!
A sério?
O que é?
Mais devagar!
São doces!
Viva!
Parecia mesmo que eu os queria tanto?
Sim.
A sério? A Luculia está em Leiden?
Sim. Estava lá com um cavalheiro.
Será que era o homem com quem ela se casou?
Acho que o casamento significa que deixou de ser boneca.
Não, ela disse que não desistia.
Vai continuar a trabalhar, mesmo depois de casar.
A sério?
Os tempos mudaram.
Mudaram?
A vida duma boneca é mais do que encontrar o homem dos seus sonhos e reformar-se.
Essa é a vida ideal para uma boneca?
Sim, pelo menos até agora.
Vocês partilham esse ideal?
O quê?
Não o chamaria de ideal.
Mas quero tornar-me a melhor boneca do mundo.
Quero escrever romances. É o meu sonho.
- Romances? - A sério?
Na verdade, já escrevi e enviei um conto.
Tantos sonhos e ideais.
Bem, e tu?
O meu ideal?
Professor!
Não sou teu professor.
Está na hora das entregas da tarde.
Mna. Taylor!
Está mesmo tudo bem?
Sim.
Nunca ninguém me comprou roupa!
A sério?
No orfanato, é tudo emprestado!
Adoro ter algo só meu! Será como um tesouro.
Tal como isto!
Vou guardar o meu ursinho de peluche como um tesouro.
Ter algo para guardar como um tesouro.
É...
... maravilhoso, não é?
Será que a mana fazia isto por mim?
Esqueci-me de quase tudo.
"Eis uma palavra mágica que te vai proteger.
Diz: 'Amy'."
Mna. Taylor, porque queres ser carteira?
Quero ser como o professor, porque ele entregou-me a carta da mana.
Esqueci-me de como era quando vivia com a mana,
mas ainda tenho esta carta.
Faz-me lembrar dela e do seu amor por mim.
Foi isso que o professor me deu.
Deu-me felicidade.
A entrega de correio é uma carreira maravilhosa.
Amy...
Também quero entregar felicidade.
Porque não escreves uma carta à tua irmã?
Mas ainda estou a aprender a ler.
Além disso, nem sei o que escreveria.
Mna. Taylor.
Sou uma boneca.
Por favor,
deixa-me ajudar.
Achas que a mana vai gostar?
Diz-lhe o que sentes.
Querida mana...
O quê?
Já viu que horas são?
De volta ao orfanato?
Não. Gostaríamos que entregasse uma carta.
Escreveste isto?
Aprenderia a ler e a escrever.
Vais enviá-la à Amy Bartlett?
Qual é a morada?
Não a temos.
A Amy Bartlett é...
... a Isabella York.
Frequentou uma escola de raparigas como herdeira da família York,
mas o seu paradeiro atual é desconhecido.
Não é tua amiga?
Trocámos cartas durante algum tempo.
Contudo...
... ela deixou de escrever.
Imagino que tenha casado com um aristocrata importante.
Mas não temos forma de saber quem.
Estão a pedir-me para a encontrar?
- Mas isso... - Por favor.
Por favor!
Professor.
Tenho de entregar essa carta à mana.
Todas as cartas devem ser entregues.
Mas tenho uma condição.
Calculei que estivesses aqui.
O trabalho árduo é ótimo, mas também precisas de dormir.
Obrigado.
Isto sim!
Quase me esqueci. Chegou uma carta para si.
Encontrei.
Esta era a condição dele?
Sim. A bicicleta dele estava a dar as últimas.
Tem cuidado, Taylor.
Terei.
Vamos.
Está bem.
Violet.
Sim?
Obrigada...
... Violet.
De nada.
Boa sorte, Mna. Taylor.
Que o teu amor...
... seja entregue.
Parece que a família York fez de tudo
para esconder a verdadeira identidade da Isabella.
Mas é de uma das grandes casas ligadas à família real Drossel.
Então, havia apenas alguns pretendentes dignos.
Agora é apenas um processo de eliminação.
Ela vive aqui?
Esta é a mansão do Conde Neville.
Os aldeões locais dizem que costumam ver muito o conde,
mas nunca viram a senhora da mansão.
No entanto, os comerciantes que aqui vêm
por esta altura,
vislumbraram-na nas traseiras da mansão.
Com licença.
Tenho uma carta para si.
Para mim?
Sim, é para a Isabella...
Ou seja, Amy Bartlett.
Aqui tem.
Taylor...
... Bartlett.
Não acredito.
Querida mana...
As freiras disseram-me o que aconteceu.
Disseram
que foste para longe por minha causa.
Mas, ainda assim, enviaste-me uma carta.
É por isso...
... que eu sei que...
"Eu sei que sou a Taylor Bartlett.
A irmã mais nova...
... da Amy Bartlett."
A minha...
... mana.
Bom dia, Taylor.
Mana.
A Violet ajudou-a a escrever.
Ajudou?
Estou tão contente.
Fico muito contente.
Mana.
São unha e carne.
Ela já sabe escrever.
Era tão pequena quando a vi pela última vez.
Vou escrever uma carta à Taylor.
E à Violet também.
Pode entregá-las?
Claro.
Mas, um dia, pode ser outra pessoa.
Professor, vi-o a chorar.
Tu é que estavas a chorar.
Sim, mas você também.
Já chega.
Então...
... não tens dúvidas de não a conhecer?
Não.
Quando for uma verdadeira carteira,
entregarei as minhas próprias cartas!
Ainda não desististe?
- Claro que não! Porque os carteiros... - Entregamos...
... felicidade.
Certo?
Amy...
Taylor Bartlett foi adotada pela família Evergarden.
E quando tiver idade para trabalhar...
Viva!
... voltará a ser carteira.
Correio.
Um momento, por favor.
Quando é que o edifício grande vai estar acabado?
Um dia.
Tudo a seu tempo.
Taylor!
"DIZ O MEU NOME E OS NOSSOS LAÇOS DURARÃO PARA SEMPRE"
Legendas: Maria Costa
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