All language subtitles for Los.Perros.(2017).1080p.WebRip.x264-BulIT.AMARELO+NEGRITO

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Original subtitles

CACHORROS

- Olá. - Olá, Mariana.

Como vai, Willy?

Olá.

Não vou poder ir.

Devia ter me contado essa história.

- Me pegou de surpresa. - Mas são coisas do passado!

Sim, mas isso vai ter consequências.

- Olá. - Como vai?

- Então, não veio à reunião? - Não me avisaram.

- Você se aborrece rápido. - Mentira, você é que pensa.

Você é que não deve gostar de estar aí com os velhos.

- Me avise para a próxima. - Farei isso.

- Até mais. Nos vemos depois. - Tchau!

E realmente não se preocupa com essa história.

Está tudo combinado.

Esta multa está paga.

Precisamos da assinatura do resto dos acionistas.

Por que não me avisou da reunião, pai?

Você mesma me pediu para não vir a todas as reuniões.

Quando estivesse viajando.

Quero ajudar, ainda mais se vão vender a Florestal.

Preciso que você leia a ata e a assine.

Não, não vou assinar. Não concordo.

Vocês não podem vendê-la.

Você disse que nunca ia vendê-la.

- Bom, mudei de ideia. - Como assim?

Vamos vendê-la porque este é um bom momento para vender.

É isso.

Como você está, querido?

Como você está?

Ele não gosta de ficar lá fora.

Netuno!

Vem cá. Vem cá.

Pedro?

Pedro, é você?

Olá.

Por que não me respondeu? Você me assustou.

Por favor, quem mais poderia ser?

Sei lá.

Mimi, por que o cachorro está em cima da minha cama?

Qual o problema? Ele está impecável.

- Tire-o daqui. - Fala "oi, papai".

- Por favor, tire-o daqui! - "Oi, papai".

- Netuno, para o chão! - "Não, papai".

Está ótima. É de ontem?

Não. Fiz hoje, mas de manhã.

É uma boa combinação.

- É a última vez! - O que houve?

É a última vez que devolvo o seu cachorro.

É a terceira vez que o pego na minha casa.

- Desculpa. - Por que ele não está preso?

Eu não o prendo.

- Os cães deviam ficar presos. - Eu não prendo o meu!

Precisa prender o seu cachorro! Tenho crianças em casa.

- Da próxima vez... - O Netuno é muito meigo.

- Não se afaste! - Está me machucando.

Da próxima vez, dou um tiro no seu cachorro.

Lembre-se da marca Glock.

- Não é uma maquiagem. - O que foi?

- É como fazemos as coisas aqui. - Sabe onde vou enfiar ela?

Sai da minha casa, ordinário de merda!

- Ele estava na minha casa! - Fora daqui!

- Onde está o Netuno? - Está aqui.

Chegou cedo!

- Como vai? - Bem.

O Husar continua machucado?

E essas suas botas? Acha que isto é um shopping?

Não.

Anda, hoje você vai montar assim. Ponha isto.

Aqui está o seu cavalo. À sua espera.

Este é um bom cavalo.

- Pronta? - Estou.

Abaixe os calcanhares.

Aperte bem os músculos aqui.

Não está respirando.

Respire aqui devagarinho e solte.

Profundamente.

Antonia, faça este cavalo andar.

- Você veio! - Vá com a sua amiga.

Não ria de mim, covardona!

- Deixem de papo furado! - Ela está zoando, professor.

Parem com isso!

Está rindo de quê?

Antonia, abaixe as mãos.

Socorro!

Vai buscar alguma coisa para parar o fogo!

Depressa!

Depressa com isso!

- Você está louco! Vem cá! - Mexam-se, por favor.

Não há nada para ver aqui. Fora daqui!

- Hora do incêndio? - 17h.

Foi às 17h. Cinco da tarde.

Origem do incêndio?

Desconhecida.

Ninguém viu nada.

- Recebeu alguma ameaça? - Não, nenhuma.

Quer que eu o leve para casa?

Não, muito obrigado.

Olha só esse imbecil.

Lá no final, vire à esquerda.

Aqui. A minha casa é essa.

- Essa? - Sim, aqui.

É aqui. Obrigado.

Muito obrigado.

Desculpe.

Tudo bem. É onde guardo toda a minha música.

- Estava vendo seus discos. - Gostou de algum?

- Gostei. - Qual?

Camilo Sesto. Posso colocar?

É claro que sim.

Obrigada.

Minha mãe costumava cantar todas as canções dele no banho.

Era tão engraçado!

Mel ou açúcar?

- Mel. - Uma ou duas?

Duas.

- Gosta de coisas doces. - Gosto.

Quero te dizer, amor, Não significa nada

As palavras sinceras Que têm valor

São as que saem da alma

- Como você é romântica! - Como?

- Como você é romântica! - Sim, mas fique calado!

- Por quê? - Porque me torturam em casa.

Quem?

Meu marido diz que eu gosto de música brega.

Que simpático o seu marido...

Um amor como o meu Não pode afundar

Como uma pedra no rio

- Você é esse da foto? - Claro.

Isso foi no Uruguai. Fiquei em primeiro lugar.

Grande salto!

Ficou com medo?

Não, nada.

Nunca tive medo.

Sempre fez equitação?

Sim. Meu avô montou a cavalo, meu pai também.

Aos 3 anos, me puseram em cima de uma égua.

Com sonhos dolorosos

Você sabe...

Preciso saber

Se você quer ser O meu amor...

Não estou falando para você.

Então, sempre viveu aqui?

Trinta anos.

E, mesmo assim, ainda estou pagando a casa.

E o que aconteceu com a sua mulher?

- Se foi. - Assim, só isso?

Sim. Só isso.

- Pobrezinho! - Não, nada disso!

Estou muito bem assim.

Se você quer ser O meu amor

Sempre me atraiçoa a razão E me domina o coração

Não sei lutar contra o amor

Sempre vou me apaixonar Por quem por mim não se apaixona

E é por isso Que a minha alma chora

Isso é hipocrisia.

Os tchacos foram proibidos em Bruxelas

porque são armas fáceis de esconder.

Olá. Conheçam o meu professor de equitação.

Que bom que vieram! Este é o Pedro.

Pedro, este é meu professor de equitação.

O meu pai, Amal, Jules. Todos são simpáticos.

Há quanto tempo, coronel...

Já se conhecem?

Naquele tempo, eu ainda tinha cabelo.

Eu era igual ao Marlon Brando, não é verdade?

A vida passa!

Você parece bem.

- Obrigado. - Tudo em ordem?

Sim, com os meus cavalos. Se é disso que estamos falando.

Dois para o papai, pois é aniversário dele.

- O que está fazendo? - Colares de flores

para ficarmos todos felizes.

Vamos ficar incríveis nas fotos.

Obrigado...

Quando você mete alguma coisa na cabeça...

Imagino que ela faça com você o que quer.

Sua filha é um doce.

Você pode calar a boca daquele cachorro?

- Prendeu ele de novo? - O que queria?

O que te aborrece?

Ele estava correndo de um lado para o outro.

- Viu as calças do Osvaldo? - Não tem que prender ele.

- Mostre suas calças! - Ele gosta de cães!

- Eu também gosto. - Não, não gosta!

- Eu gosto, sim. - Aí vem o bolo!

- Rosita! - Olha o bolo!

Rosita, vem cá. Esperem um pouco.

Cuidado com as velas.

- Já estou indo. - Vamos soprar as velinhas.

A ideia era fazer uma festa.

Bom...

Eu estava me sentindo como se estivesse no Taiti!

Aqui está! Com cachorro e tudo. Muito bem!

Vamos cantar os "Parabéns",

com grinalda feliz e com o cãozinho feliz,

ao meu paizinho do coração.

Vamos contar até três. Um, dois, três.

Parabéns para você

Nesta data querida

Muito aborrecido?

Não.

Mas você veio sozinho para cá.

Sim, eu gosto de estar sozinho. Estou bem aqui.

Tem certeza?

Vou trazer o bolo.

Este café está horrível. Onde o arranjou?

Acho que é igual.

Não é o mesmo.

É o mesmo.

Quem o comprou? A Rosa no supermercado?

Por favor, antes de convidar estranhos para minha casa,

pelo menos me peça antes.

É o meu professor de equitação.

Ele é um militar, Mimi.

Um militar?

A família dele é de militares. Qual é o problema?

Você não vê? Esse é o seu problema.

Não ver qual é o problema. Você não vê nada.

Você parecia feliz ontem à noite.

A piscina precisa de um pouco de cloro.

Boa.

Boa.

Muito bem.

Trote. Vamos.

Mãos para baixo.

Respire calmamente.

Muito bem.

Muito bem.

- Anto, olá! - Olá, Antonia.

- Como vai? - Bem, obrigado.

Coronel, podemos conversar?

E o oficial Castillo?

Trocaram-no de unidade. Eu trato dos casos novos.

Tome, Mariana. Leve o seu cavalo.

Antonia, leve este ao picadeiro e me espere lá.

- Onde está o meu chicote? - Está ali.

-Oi. -Estou ouvindo.

Veio por causa do incêndio no carro?

Não, o coronel foi acusado.

- Acusado de quê? - Várias coisas.

Não o visitou na prisão militar quando ele esteve lá?

- Não, eu não sabia. - Nicolas teve que substituí-lo.

Eu pensei que ele estava doente.

Não, tinham prendido ele. Pensei que você soubesse.

Vem.

Não saem do lugar.

- Como é? - Eles não saem do lugar.

Eu estava pensando em usar apenas a psicologia.

- Precisa de um chicote. - Pode ser.

Você veio por causa do incêndio?

- Incêndio? - O carro do coronel

queimou há pouco. Não soube?

Sim, eu soube, mas não vim por isso.

Muito obrigado.

É verdade que o coronel esteve preso?

- Há quanto tempo o conhece? - Pouco.

O coronel foi processado por causa de direitos humanos.

- Está aguardando julgamento. - Ele foi acusado de quê?

Neste país desapareceram milhares de pessoas, sabia?

Era uma pergunta sincera. Não seja tão irônico!

Bom, o caso é confidencial. Muito obrigado.

E podemos conversar outra hora? Não sei. Outro dia?

Por favor?

Sim.

Javier Rojas. E você?

Mariana Blanco. Pode pesquisar no Google.

Agora já sabe. Chicote!

- Obrigado, Mariana. - De nada.

Ei, Mariana! Me ouviu?

Não sei, parece que foi processado.

- Sim, mas por quê? - Não sei. Não faço ideia.

Parece que vão ter que mudar de professor, não?

- Por quê? - Como assim?

Não percebe a gravidade da situação?

E desde quando o "parzinho" liga para direitos humanos?

O que quer dizer?

Bom, tirando quando ouço você falar mal dos Kirchners,

você e sua família nunca falam de direitos humanos.

Nem do seu país nem do meu.

Não, perdão! Não ligo para os direitos humanos!

Não sei, a única coisa que ouço é sobre o botox das senhoras,

das bolsas delas, que são ladras...

Coisas assim.

Você quer me dizer mais alguma coisa?

- Não, era só isso. - Só isso?

Alguém incendiou o carro, não é?

Alguém?

Não, com certeza pegou fogo sozinho!

Combustão espontânea!

Pode ser.

Mariana, será que seu cérebro ficou no 2º andar do shopping?

E o seu?

Você esqueceu seu sistema empático, não foi?

- Sua brincadeira custou caro. - Ela está descontrolada.

Desordem hormonal. É tanta injeção...

Você tem que dar uma dura nela. Precisa ter pulso firme, sempre.

Senão está ferrado.

- É a sua vez. - Já vou.

Esta casa que está ali em ruínas...

Um sujeito com muito dinheiro a construiu para sua amante.

No dia da inauguração,

ela descobriu que ele tinha outra e ateou fogo.

- Onde você ouviu essa história? - É verdade!

- É, eu também já a ouvi. - Viu só?

Como vai, Mariana?

Eu? Melhor do que a gente desta casa.

- Quando acabam os comprimidos? - Esta terça.

Cinco dias depois da sua menstruação,

começamos com as injeções.

O Pedro me contou que você estava tendo aulas de equitação.

Não há nenhum problema com isso

até o dia da transferência do embrião.

Nesse momento, acho que devia suspendê-las.

Eu te disse.

Além disso, não devia fumar.

E devia reduzir o álcool

a uma taça de vinho de vez em quando.

De qualquer maneira, eu não fumo.

Olá.

- Posso ajudá-la? - Pode.

Estou procurando de Javier Rojas.

Tem hora marcada com ele?

Não.

Como se chama?

Mariana Blanco.

Espere.

Entre.

Mariana Blanco está te procurando.

- Olá. - Olá.

- Entre. - Obrigada.

Seu escritório é bonito.

Estou curiosa.

Com o quê?

Quero saber do que acusam o coronel.

Pergunte a ele. Ou você está com medo?

Por que eu teria medo?

Porque este país está cheio de monstros.

- Você achou engraçado? - Não!

É que eu rio quando fico nervosa.

Se eu contasse os detalhes dos crimes,

- garanto que você não ia rir. - Não...

Cinco segundos.

Tudo bem. Já passou.

Seu pai é Francisco Blanco, dono da Florestal Blanco, não é?

Perdão.

- Andou me investigando? - É o meu trabalho.

E?

Sou perigosa?

Ainda não tenho certeza.

Ele está sendo acusado de quê?

Isso é confidencial. Já te disse, pergunte a ele.

Isso não tem graça.

Não, desculpe. Não se pode fumar aqui.

Três tragadas?

Vou soprar para fora da janela. Por favor?

- Que insistente! - Muito.

É bem difícil falar com alguém que não pode falar de nada.

A conversa não avança.

Então você não faz ideia de quem é seu professor?

Não.

Quer almoçar comigo?

Não posso, estou ocupado.

Como você é chato...

Muito chato.

É um idiota! Como é que pode não me entregar os planos?

Amanhã?

Mas é claro que é amanhã!

Santiago, não vou chamar o cliente

para dizer a ele que não tenho os planos

porque o idiota que você contratou não pôde fazê-los!

O que é isso?

Uma mina terrestre.

Isso é uma piada?

Não. Foi um amigo meu de Cabul que me trouxe.

Seus amigos são todos idiotas, pai.

Não dê tanta importância!

São coisas que compram por 15 dólares.

Para trazer uma mina terrestre tem que ser doente da cabeça.

Tenho que ir correndo, porque tenho uma reunião.

Te vejo em casa?

E obrigado por tudo, Pancho.

E o que se passa com você? Você está com uma cara...

Você conhecia o coronel.

De onde o conhecia?

Da vida, eu suponho.

Com esta idade, conhece-se muita gente.

É um país pequeno.

De onde o conhece?

Já disse, de muito tempo atrás.

Ele é uma grande pessoa.

Para mim é muito difícil pedir

que você pare com as aulas de equitação

a partir de agora.

Não quero receber mais ordens hoje.

Busquei o açúcar, trouxe, servi.

Chega de ordens!

Por favor, deve estar esgotada com tanto trabalho!

Realmente extraordinário!

- Descanse! - Sim, estou descansando aqui.

- Você bateu a cabeça? - Não, mas vou bater na sua.

Vou bater na sua cabeça com a mina terrestre

se continuar me dando ordens.

Eu não sinto cócegas.

- Não, eu não sinto cócegas! - Sente, sim, pai.

Bom dia.

- Está atrasada. - Peguei muito trânsito.

Devia ter saído mais cedo.

Como está, Patito?

- O que foi? - Eu que pergunto.

O que deu em você para subir por esse lado do cavalo?

Sobe-se sempre pelo lado esquerdo. Sempre!

Assim não vai se esquecer nunca mais.

Suba.

- E as suas luvas? - Esqueci.

- Difícil esquecer as luvas. - Mas me esqueci.

Ande.

Abaixe calmamente os tornozelos.

Abaixe os tornozelos.

Direitinha.

Lembre-se de pôr a coluna um pouco mais para trás.

Isso.

Não, não, não!

Ande primeiro.

Eu já disse, abaixe os calcanhares!

Ainda chateada com a palmada?

Não seja rancorosa.

Você era da Diretoria de Inteligência Nacional?

- Por que não me contou? - Não há nada para contar.

Mas trabalhou para eles ou não? Estou perguntando.

Milhares de pessoas trabalharam na Inteligência.

Mas você foi acusado.

Sim, fui acusado. Estou aguardando julgamento.

O que você fez?

Qual é a acusação?

Eu só cuidava do serviço de guarda-costas, nada mais.

Como gosto de você, vou lhe dizer uma coisa:

não sujei minhas mãos de sangue, se é isso que te preocupa.

É para cá que você traz outras mulheres?

Não saio com mulheres como você.

Também não saio com policiais.

- Como você é engraçada! - Acha mesmo?

-Já falou com seu professor? -Falei.

E?

Ele disse que só estava a cargo do serviço de guarda-costas.

- É verdade? - Sim, é verdade.

Olha.

Militantes de esquerda desapareceram entre 1973 e 1976.

A unidade do seu coronel operava no mesmo lugar

onde essas pessoas desapareceram.

Está dizendo que ele é um criminoso?

Não.

Estou dizendo que seu coronel deve saber onde elas estão.

- Você gosta dele? - De quem?

Do coronel.

É um bom professor.

Uma boa pessoa. Simples, sensível.

Sensível.

- Não gosta dele nem um pouco? - Não.

Gente como seu pai pagava a ele para fazer o trabalho sujo.

Por que está falando do meu pai?

- Sei muita coisa sobre ele. - Por que se intromete?

Você sabe quem ele é ou não?

Sei que o meu pai estaria feliz aqui, ouvindo tango.

Duas tequilas, por favor.

Com limão.

Olha, querida.

O problema aqui não é o tango.

O problema é que neste país há muitos cúmplices passivos.

Você é um ressentido social. Esse é o seu problema.

Me conte, do que você gosta no seu coronel?

Porque presumo que você já saiba que ele vai acabar na prisão.

Devíamos beber mais uma, não?

- Traga mais duas, por favor! - Vá buscá-las.

- Gosta mesmo de dar ordens. - E você?

- Gosta ou não? - Às vezes.

Nota-se.

- Gosta de tango? - Não.

Eu gosto de música piegas.

- As que ouve com sua empregada? - Sim. Cantamos juntas.

E você, tem empregada?

- Não. - Não acredito.

- Duas vezes por semana? Uma? - Não.

- Quem cuida das suas coisas? - Eu mesmo.

Mentiroso. É a sua mãe.

Ela cozinha para você? Prepara sopinha?

- Sou autossuficiente. - Não acredito.

A sua namorada? Esposa?

-Quem faz as coisas para você? -Quer me interrogar?

Tenho um detector de mentiras.

Quem faz as coisas para você? Responda.

A sua mulher?

Ou o seu marido?

Você é um mentiroso.

Consegue dirigir?

A não ser que você queira me levar presa.

Pôr algemas em mim...

Policial fetichista!

Fica bem!

Mimi, o que foi?

- Levante-se. Minha irmã chegou. - Que chato!

Já viu as horas, Mimi! Vamos lá!

- Quer beber algo? - Um cafezinho.

- Café? - Sim.

E você, Mimi?

Faz um para ela. Assim ela acorda.

Vou preparar o café. Levante-se!

- Rosa! - Aconteceu alguma coisa?

- Não. - Rosa!

Não sabia onde encontrá-lo.

Não seja mentiroso. Sabia, sim.

Caso contrário, não andaria atrás do coronel.

Mas ouça, quero ir direto ao assunto.

Pode falar.

Meu coronel, asseguro que ele não disse absolutamente nada!

- Aquele cigano o está acusando. - Não, não me arranje problema.

Estou farto dos policiais. Eles vêm quase todos os dias.

Mas, por favor, perceba!

- Sempre tive estima por você. - Então prove!

E digo mais. Você foi como um pai...

- Olá. - O que faz aqui?

Estou com dor de cabeça.

Estamos ferrados.

Não tenho nada a ver com o que você está me acusando.

Meu coronel, por favor. Escute.

Quero que a situação fique clara.

Quem era o seu amigo?

Ninguém.

Falei com o policial que te procurava no outro dia.

- Falou? - Falei.

Ele me disse que, no quartel onde você trabalhava,

muita gente desapareceu.

É verdade?

Eu já disse que não tenho nada a ver com isso.

E os mortos?

Você estava lá, não?

Por que você não colabora?

Escute! Estou falando com você.

Porque não sou traidor.

Ele me disse que, se você colaborar,

o juiz pode ajudar você.

E assim a justiça pode ser feita.

Que justiça?

Sim, a justiça.

De que justiça está falando?

Não me arrependo de nada.

Não tenho que pedir perdão a ninguém.

Pergunte ao seu pai se ele se arrepende de algo.

- O que o meu pai tem a ver? - Vá para casa.

- Não me dê ordens! - Vista-se e vá para casa.

Olá!

- Olá! - Olá!

Eu sou Mariana Blanco. Nos falamos de tarde.

Sim.

Eu vim te convencer.

- Para expor na sua galeria? - Isso!

E qual seria o acordo, digamos?

- Bom... - Sabe por quê?

Sei que a sua sócia não gosta de mim.

Mas eu não sou a minha sócia. Eu estou aqui.

- Sim, eu sei. - E gosto muito do seu trabalho.

- Sei. - É muito bom.

Deixe-me pensar nisso.

Me faça uma proposta. Mas isso é sério mesmo?

É tão sério que quero sair daqui com algo seu!

- Jura? - Sim.

Não quero nenhuma injeção hoje.

Preciso te dar todas as doses, senão o tratamento não funciona.

Não importa.

Se parar o tratamento, tem que começar tudo de novo.

Não importa.

Preciso falar com o doutor.

Não posso parar sem pedir ao doutor.

Eu não quero mesmo tomar. Desculpa.

Eu me responsabilizo por isso.

Vai falar com o doutor então?

Uma manta para se sentar.

Sente-se.

E outra.

Aqui é para colocarmos as coisas.

Só as coisas boas.

Droga...

- O que foi? - Tinha um saca-rolhas aqui.

Não sei onde o deixei.

Pegue.

- Tinha um na sua bolsa? - Tinha.

Que bonito este lugar...

É lindo.

Quando quero estar sozinho ou estou cansado, venho para cá.

Eu gosto muito.

- O que foi? - Nada.

Por que não atende?

Não quero.

Teimosa!

Que maldade anda fazendo por aí para te perseguirem tanto?

Olha quem fala!

Insolente!

- Saúde! - Saúde!

Cavalgando, quanto tempo demora até Mendoza?

Não sei.

Quanto tempo demoramos?

Uns dez dias.

Não é tanto assim...

Em que está pensando?

Eu que pergunto.

O que faríamos lá? Abriríamos uma pizzaria?

Uma sorveteria?

Gosto mais de sorvete.

Como você é gulosa!

Tudo bem aí?

Onde você estava?

- Mimi, não me escutou? - Está doendo.

Não sei o que passou pela sua cabeça.

Não faço ideia.

Em que está pensando?

Que pode parar o tratamento assim,

sem me dar nenhuma explicação?

Você não atende o celular. Vá embora!

Faz ideia de quanto isso me custa?

Não sei se quero continuar o tratamento.

- Como assim? - Isso mesmo.

Mas era o que nós dois mais queríamos.

Não é só um projeto meu. É nosso.

Sim, eu sei.

Mas não sei se quero continuar.

Você tem 42 anos.

Não tem muito mais tempo.

Vamos, vamos.

Vamos.

Vamos.

Vamos, vamos! Ponha o cavalo a trote.

Mantenha distância, Mariana!

Um cavalo, pelo menos!

Vamos.

Devagarinho, lindo...

Calma. Cuidado!

Tudo bem, Tomás?

Isso, disfrute o cavalo.

Fique aí, não se mexa!

Patito!

Posso saber o que aconteceu?

O cavalo se assustou, e, infelizmente, ela caiu.

E você não estava lá para ajudá-la?

São os riscos da equitação, Pedro.

Por isso ela não vai praticar mais.

- Mimi, dói muito? - Não.

- O que foi? Não puseram gesso? - Não foi preciso. Não é grave.

Ela deve repousar por duas semanas

e tomar anti-inflamatórios.

Mas pelo menos deram uma receita?

Está aqui a receita.

- Obrigado. - De nada.

Mariana, levante o pijama.

E não pare o tratamento.

Não vai voltar a acontecer, já falamos com a Mimi.

Bom, estou dizendo a ela. A você!

Prometo.

E os gêmeos do Martin?

Extraordinário. Dois meninos no tempo certo.

E eles, felizes, nem sabem o que lhes espera!

Não, agora é que complica!

Bom, mas eles têm ajuda. A mãe, a sogra...

Sim, é um momento maravilhoso.

Papai!

Eu trouxe as trufas de que você tanto gosta!

Olá, paizinho!

Meu lindo!

Me diga, você está querendo ficar paralítica?

Não.

Já pensou se você quebra a coluna?

Nem quero pensar.

Tem gente que só aprende levando tombos na vida.

Obrigada, Rosita.

Senhor Francisco, vai querer café ou almoço?

Um cafezinho, sim, Rosita!

Não vou demorar muito. Só vim ver a doente.

Não estou doente. Só tive um acidente.

É a mesma coisa, não?

Além disso, preciso que você assine uns papéis.

Precisa ser agora, pai?

Preciso disso agora.

Deixa aí, e eu leio depois com calma.

Não, não. Preciso levá-los para o escritório agora mesmo.

Não precisa ler.

Faça uma rubrica aqui e assine a página no final.

Não, eu vou ler.

- Tudo? - Sim, tudo.

Se você me ouvisse uma vez na vida,

as coisas seriam bem diferentes.

Você tem problema na cabeça, como a sua mãe.

- Que feio falar assim da mamãe! - Por quê?

Porque é feio.

Deve ser muito normal abandonar a família!

Papai...

Ela era esquisita.

Às vezes ela gostava de falar com o mundo todo, menos comigo.

Ela falava com o motorista, com o empregado...

Pai, pare! Estou com dor de cabeça.

Não consigo me concentrar para ler.

- Não posso assinar agora. - Mas não precisa ler!

- Assina e pronto! - Preciso descansar!

Deixe os papéis aí. Eu assino depois.

Mimi, fazer uma rubrica não dói!

Eu sei que... Escute aqui!

Há um momento em que é preciso fazer o que deve ser feito.

A vida não é só shopping o dia inteiro.

Papai, não vou assinar agora. Preciso descansar. Por favor!

Preciso disso agora!

Olha, está aqui o seu papel.

E, se quiser, leve o chocolate. Toma.

- Você ficou doida! - Fiquei.

Não!

Estes papéis são importantes!

- Você está louca! - Estou.

- Não quer mesmo um chazinho? - Não, estou com pressa.

Seu pai me perguntou

se ele precisa ir ao tabelião ou se você vai assinar?

Ele que vá. Quem é que gosta de ir ao tabelião?

Bom, não as incomodo mais.

- Tchau. Passar bem. - Até mais.

O Sebastián tem pânico do seu pai.

Todo mundo tem medo do meu pai.

Pobrezinho...

Às vezes gostaria que ele estivesse morto.

Como consegue falar isso?

Não sei. Eu simplesmente falo o que me passa pela cabeça.

Depois me passa outra coisa.

Não!

Sério?

- Lindeza. - Que incrível!

Obrigada.

Quem gostou do quadro?

Nunca imaginei!

Já viu como é bonito?

Não acredito!

Que beleza!

De quem é?

Lorca.

- E? - Adorei!

O que vai fazer?

Me desfazer do azar, ora!

Patito!

Não posso subir no cavalo.

Por que não?

-Não posso mexer esta perna. -E a outra?

Viu como ele fica contente quando a vê?

Vamos. Vá. Eu vou ajudá-la.

Vamos.

Isso.

Tem certeza?

Certeza absoluta.

Ponha a perninha boa ali.

Isso.

Me dê o joelho.

Isso.

Calma. Devagarinho, devagarinho.

Devagarinho. Isso.

Tudo bem aí?

Não sabe cozinhar então?

Não. Sei torrar o pão e passar manteiga.

Isso não é cozinhar. Como você é mimada!

- Olá. - Olá.

- Como vai? - Bem, obrigado. Boa noite.

Eu não sabia que teríamos visita.

O professor veio me tirar da cama.

Tem sopa.

Vou me servir.

- A Rosa já foi? - Já.

- Ela saiu mais cedo. - Sim, eu dei permissão a ela.

Não sei por que a pagamos.

Ela ia ao dentista.

Bom, vamos acabar logo com isso.

Coronel, vou ser totalmente franco com o senhor.

Não gosto nada do seu passado.

Vocês deviam estar todos presos.

Não se preocupe. Vamos para lá.

A família do meu marido também é cheia de militares.

Mas argentinos.

Militares argentinos.

Algum deles está preso?

Sim.

Por acaso, estão todos.

Em prisões comuns.

Está contente, Mariana?

Gostou do número?

Vai dormir, sua covarde de merda!

Não quero.

Vai. Agora mesmo.

Não quero voltar a ver você nunca mais na minha casa.

Sua casa?

Imagino que seja um presente do seu sogro, não?

Agora está calminho.

Vai. Josefina, vem.

Vamos, meninos. Trotando!

Vamos.

Todos trotando. Vamos, vamos!

Patito, corta a água!

Bateu com força no cavalo. Quase assustei.

Eu não estava batendo, estava educando.

Me dá água?

Ainda sai um pouco.

Esse cavalo já derrubou duas vezes uma moça.

Os cavalos gostam de pôr à prova quem os conduz.

Por isso é preciso educá-los.

A que horas venho amanhã?

Não muito cedo. Preciso ir ao advogado.

- Aconteceu algo? - O que pode acontecer?

Isso pode durar anos.

Chegamos.

O que foi?

Assassino!

Abre a porta!

Filhos da puta! Me deixem em paz!

Assassino! Assassino!

Cuidado!

Filho da mãe!

Alerta, vizinhos!

Perto da casa de vocês mora um assassino!

É uma pena essa gente cheia de ódio...

Vítimas?

Eles são as vítimas?

Como se nós não tivéssemos os nossos mortos.

Maldito assassino!

Bastardo de merda!

Militar genocida, vamos te entregar!

Assassino!

Obrigada por ter vindo.

Os meninos ficaram muito tristes.

Rezo todos os dias por vocês.

Mesmo que você não creia em Deus,

Ele crê em você.

Você vai ver.

- Ave Maria - Ave Maria

- Cheia de graça - Cheia de graça

- O Senhor é convosco - O Senhor é convosco

Bendita sois Vós Entre as mulheres

E bendito é o fruto Em Vosso ventre, Jesus.

- Santa Maria, Mãe de Deus - Santa Maria, Mãe de Deus

- Rogai por nós, pecadores - Rogai por nós, pecadores

- Agora e na hora de nossa morte - Agora e na hora de nossa morte

- Amém. - Amém.

Ave Maria...

Saúde!

E que não acabemos presos!

- E o mesmo digo eu. - Isso é o que todos esperamos.

Saúde!

Você está bem?

Estou.

Disseram que você emprestou o Black Lake.

O cavalo da Joaca estava lesionado.

Venha sábado para vê-lo saltar.

Assim você vê o seu cavalo.

Se não me prenderem,

daqui a um ano vou vê-la saltando como os deuses.

Seria bom.

Patito e eu estávamos pensando

em arranjar um forno de barro e vender empanadas aos domingos.

Acha uma boa ideia?

Parece boa.

Eu acho uma boa ideia.

Saúde então!

Com o copo vazio dá azar.

Saúde!

Saúde!

Gosta do seu vinho, não é?

Sou gulosa.

Eu gostaria de ter sido outra pessoa.

- Eu não sou bom. - O quê?

Eu não sou bom.

Me deixa...

Me deixa em paz.

Sei do que estou falando. Acredite.

Saia da frente!

- Olá. - Olá.

Oi, pai.

- Olá! - Podemos conversar?

- Pode ser outra hora? - Não.

- Bom, volto num instante. - Tudo bem. Estaremos aqui.

-Sua foto saiu no jornal, pai. -Estou bonito, não?

- Estão o acusando de colaborar. - Ah, sim! Não tem importância.

Já apresentei queixa contra o jornal.

- É verdade o que dizem? - O quê?

- Que emprestou os caminhões. - É claro que sim.

Se os militares me pedem algo, acha que eu vou negar?

- Sabia para o que iam usar? - Claro que não!

Papai, eu te conheço! Diga a verdade!

Eu já disse...

Desculpe, mas você não pode falar assim com o seu pai.

Devia ter orgulho por ter um pai com noção de honra.

- De quê? - Noção de honra!

Os mais jovens não se lembram do que tivemos que passar.

Você era muito jovem. Era um bebê.

Estou com fome. Vou embora.

Não precisam fazer caso. Vamos almoçar.

- Aonde vai? - Ao clube.

Há um concurso.

- Você não me avisou. - Eu não tinha te visto.

Combinamos de almoçar com o Eduardo

há mais de um mês, lembra?

O meu professor foi condenado.

Não sabe que ele contratou um chef para cozinhar?

Um chef? Diga que estou doente. Pode ser?

- Não vai mesmo sair? - Não.

Cumprimentos ao seu coronel.

Você é muito mais forte do que imagina.

Precisa confiar mais em si mesma.

O que vai fazer?

Nada. O que posso fazer?

Está com medo?

Não conheço o medo.

Vá!

Vá embora.

E você?

Vou ficar aqui.

- Não, também quero ficar. - Vá agora. Eu já disse.

Pegue.

O que é isso?

É para você.

Olha quem está aqui!

Alguém muito importante.

O que é isso?

Este é o Saturno.

Um dálmata?

- Posso pegar? - Pega, pega!

Ai, não. Olha só!

- Olha para ele! - Que lindo!

Você não foi ao velório.

Não gosto de mortos.

- Como foi tudo? - E você gostou ou não?

Bom, eu proponho um brinde,

porque ganhamos a causa contra o jornal por difamação.

Como deve ser!

Graças a você, Osvaldo!

Como poderia não ganhar com um advogado argentino?

O que esperava?

Ainda mais com uma queixa escrita com os cotovelos.

Conheço o jornalista, sabia?

Sério? De onde?

- Bom, conheço muita gente. - Claro.

- Conheço todos. - Que bom...

Saúde!

- Obrigado! - Por favor...

Isso está ótimo!

O que está fazendo aqui sozinha?

O que você vai fazer?

Com isto, você põe seu pai na cadeia.

Meu pai nunca será preso.

E de quem são os outros nomes?

Rosita!

Já vou!

- Tudo bem? - Tudo bem.

- E você? - Nada de novo.

Aqui.

Aqui.

Pronto. Não tenho mais nada.

E você? Tem algo?

Sim. Acho que sim.

Meu amor!

As crianças, por favor. Cuidado com o fogo.

Senhor.

- Ao fogo! - Trouxe a bolsa!

- Deu a bolsa inteira? - Dei.

Carteira, celular, chaves... Não preciso de mais nada.

Você ficou doida!

Não, não, não! Isso, não!

Parem de brincadeira! Me deem a bolsa!

Mariana, eles estão com a bolsa!

Parem!

Parem!

Pedro!

- Pedro! - O quê?

- Ouviu um latido? - Não ouvi nada.

Legenda: Raquel Pereira

Ajustes e Revisão final: gustavohdh

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