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Subrip: Pix Sincronia by DanDee
Acaba com ele, Ziad!
Bate nessa cara de merda!
Vão ver só, filhos da puta...
Seu bostinha!
Anda!
Abra logo o armazém!
Está vindo um carro.
-Vá para casa! -O que aconteceu?
Ajude a levá-lo.
Filho de uma puta.
Arrasta o cara, rapidinho!
Isso não é verdade.
Está mentindo. Conte a verdade!
-Estou contando. -Não está, não.
Dizem que seus irmãos estavam lá.
-Não, eu estava sozinho. -Eles o ajudaram a matá-lo.
Se tivesse alguém lá, teria me ajudado.
Seus irmãos o ajudaram. Quem atirou no sujeito?
Ele foi morto por acidente enquanto brigávamos pela arma.
Não.
Está mentindo.
Diga a verdade. Posso ajudá-lo.
-Quem o matou? -Eu contei o que aconteceu.
Jad não pretendia matá-lo.
-Foi acidente? -O cara o ameaçou com uma arma.
Então o que aconteceu?
Garanto que o gatilho foi apertado por acidente.
Está mentindo.
-Conte a verdade. -Estou contando.
Admita.
O que está dizendo é mentira.
Não está contando a verdade. Quem matou o homem?
-Jad o matou. -Não, foi você.
-Não fui eu, não. -Seus irmãos dizem que você o matou.
Admita o que ocorreu e vamos acabar logo com isso.
-Aconteceu assim. -Seu irmão Ziad tem ficha criminal.
Ele tem problemas com o homem, certo?
Não tem nada a ver com isso.
-Não tenho nada a ver com isso. -Eu sei!
-Está me ameaçando? -Não.
Não tem o direito de fazer isso.
-Cale a boca! -Não vou me calar.
-Vai, sim! -Não tem o direito...
Estava presente na cena do crime,
e seus irmãos dizem que o matou.
Nem você nem seus irmãos precisam ser espancados.
Quando Ziad saiu correndo da casa, eu vi que Jad estava encrencado.
Cheguei lá depois, e o sujeito já estava morto.
Parece que Jad estava tentando se defender.
-Você tem armas em casa? -Não. O pai proíbe.
-Quem matou o homem? -Beleza...
-Quem o matou? -Beleza, bata outra vez.
Continue batendo! Não tem o direito de me bater!
-Cale a boca! -Não calo!
-Pare de falar! -Bata novamente!
Mais!
Conte a verdade. Quem matou o homem?
Foi um acidente.
Quero a verdade!
Está me ouvindo?
Bom dia!
Esse é o pedido de Charbel?
Sim.
-Já está indo? -Sim, tenho de chegar às 13h.
Diga a ele que mandei um abraço.
Esta é a fatura dos legumes, e enchi o tanque da minivan.
Se um fornecedor pedir dinheiro...
diga que pagamos semana que vem.
A chave da moto. Quero que lave.
CINCO ANOS DEPOIS
-Como vai, Ziad? -Bem. E você?
-E o ombro? -Melhorando.
-Abu Ali está aqui? -Ele o aguarda.
Vamos lá.
Olá.
Olá!
Bem-vindo, meu filho.
-Oi! -Tudo bem?
Saudades.
-Coma um pepino. -Não, obrigado.
Coma! Eu que planto. Sem químicos nem nada.
-Também quer um? -Não, obrigado.
-O que anda tramando? -Nada. O de sempre.
-Como vocês vão? -Jad será solto semana que vem.
Uma produtora italiana veio rodar um filme no Líbano.
Começaram a preparar uma grande produção!
Com tanques do exército e tal.
Nós soubemos... Na verdade, falavam...
que estavam contrabandeando haxixe e ópio nas latas de filme,
pois só se abre uma lata de filme dentro do laboratório.
Você tira o filme da lata, ou pega uma vazia,
enche com drogas,
e passa uma fita ao redor para ninguém abrir.
É brilhante, Sr. Georges.
O que pode nos contar
sobre sua ida ao Festival de Cannes?
O que o cinema libanês ganhou...
Desculpe, mas o entregador de pizza chegou.
E daí? Estamos filmando.
-Ele quer entregar a você. -Diga que estamos filmando!
Ele insistiu!
Muito bem.
Sr. Georges, dê uma licencinha. Preciso resolver isto.
Obrigado.
Consegue carregar mais?
Sim. Quer que eu pague?
Não, eu cuido disso.
Muito obrigado.
Trouxe a minha, né?
Esta é a sua especial.
Quanto lhe devo?
Eu seguro para você.
São 71 libras libanesas, e cem pela especial.
Certo, 71 libras libanesas.
Aqui estão 30...
Cinquenta...
Sessenta...
Setenta.
E 71.
-Depois pago a especial ao Joe. -Não vai dar.
Não me falaram isso.
Sim, eu sei. Não se preocupe. Ligo pra ele amanhã.
Não posso entregar se não me avisaram antes.
Ligo amanhã pro Joe. Sou freguês...
Ligue agora para confirmar.
Não posso ligar agora. Estamos filmando lá dentro!
Não se preocupe. Eu pago depois.
O que está fazendo?
Tome. Ligue agora.
Como foi com o Abu Ali?
Mal. Ele não aceitou.
Disse a ele que é pelo Jad?
Não, falei que é pra tia Josephine.
Deixou claro que não queremos mais fazer isso?
Jogue isto para mim.
Sério? Quer que eu continue fazendo isto?
Venha me trancar.
VENDIDO! - COLOQUE FICHA
UM GRANDE PLANO
Jad é preso. Não eu. Se eu for, vou passar a vida inteira.
Ele?
Como ele ainda era menor de idade...
pega dez anos no máximo.
Mas meu primo é advogado.
Ele deixa por cinco.
Sabe o que são cinco anos?
O cabelo pode chegar até aqui.
Mas agora tudo mudou.
Chega de bobagem.
Parei com bobagens.
Eu compro o restaurante pro Jad.
Restaurante bonito.
Tudo certinho. Mesas, balcão...
E Jad não fará nada como eu.
Começará uma vida nova.
Vamos começar uma vida nova.
-Qual é o motivo? -Podemos conversar em particular?
O que você quer?
Como vai? Tudo bem?
Tudo. O que você quer?
Vim informar que uma carga nova deve chegar à Síria amanhã.
E daí?
Você deve fazer o transporte.
Eu?
Mas quando falei com Abu Ali,
contei que não quero mais essa vida.
Foi por isso que Abu Ali disse que eu deveria contar a você.
Faça isso por ele, e ele o ajudará no restaurante.
Ele contou sobre o restaurante?
Na verdade foi o Hussam. Não tenho contato com ele.
Com licença.
Alô.
Estou na frente da padaria.
-É o Hussam? -Não, é o motorista na Síria.
Siga reto. Vai nos encontrar à esquerda.
Sabe guardar segredo?
Conte.
Vá desarmado.
a colaboração entre os dois lados começou
em Teerã com discussões sobre estratégia nuclear...
Alô.
Estou na fronteira sírio-libanesa.
Está bem.
-Bom dia. -Olá.
Documentos, por favor.
Desça do caminhão, por favor.
Faça o registro.
Sim, está feito.
Cruzei a fronteira.
Sim, já estou vendo agora.
-Tudo bem? -Tudo ótimo.
-Como foi a viagem? -Perfeita.
Vá com esse cara na moto dele.
Por quê? Cadê o carro?
Aconteceu uma coisa e...
Ele vai me levar para Beirute nisso?
Não vamos para Beirute hoje.
Houve uma pequena mudança de planos. Depois eu explico.
Vamos andando logo.
-Conte direitinho o que aconteceu. -Não temos tempo.
-Querem que eu entregue a carga. -Posso ir junto. Vamos!
Hussam disse que eu devia fazer a entrega.
Sério, o Hussam disse isso?
Querem me ver dirigindo sozinho.
Por favor, vamos andando.
Não entendi. Desde quando vai sozinho?
Pergunte ao Hussam. Deve ter a ver com o que rolou da última vez.
-A culpa foi sua! -Eu sei...
Você pisou na bola da última vez. Por que ele vai mandar você e não eu?
-Sei que... -Vamos seguir você?
Não me sigam. São ordens do Hussam, não minhas.
-Tem alguma arma? -Claro que não.
-Falei pra vir desarmado. -Não esquenta, eu vim.
Muito bem, Ziad, escute-me.
-Fique calmo. -Estou calmo.
Depois eu explico os detalhes.
-Quando tempo ficaremos aqui? -Hussam é quem sabe.
-Mas estamos seguros. -Beleza.
Está tudo acertado com as pessoas com quem ficará.
-Levo minhas coisas, né? -É melhor.
-A gente se vê lá. -Certo.
Olá.
Oi!
Espere.
Para trás. Preciso vestir a camisa.
Vá mais para trás.
Ziad!
Caramba!
-Calma! -Estou calmo! Acalme-se você!
Falamos para não trazer armas!
Filhos da puta!
Joe!
Joe?
Está me ouvindo?
Escute...
Estou voltando da Síria. Ninguém pode estar na padaria.
Não quero ver ninguém lá, entendeu?
E aí, galera?
Entre.
-Abul Zouz! -Que saudade, amigo!
Senti muito sua falta.
-Como vai? -Bilal, este é o Jad.
É você, Bilal.
É um prazer finalmente conhecê-lo!
Ele parece com o Joe, né?
Sem chance! Joe é feio pra diabo. Este aqui é um anjo.
Vai se ferrar!
Cuidado. Vai queimar esse cabelo lindo.
-Você tem cheiro de homem de verdade! -O que quer beber?
Você emagreceu.
Oi.
-Meu amigo! -Oi, como vai?
Vamos, estamos com fome!
Olá, Ziad.
Escute. Não tenho uma casa de caridade.
Quando pedir algo, você paga!
Sem grana, sem entrega. Entendeu?
Entendi. Estava sem grana. Pago até o fim da semana.
Vá se divertir.
Ele chutou a cara do homem e perguntou: "Cadê o boné vermelho?"
O boné vermelho!
Lembra uma piada sobre o serviço secreto sírio.
Os caras barra-pesada.
Uma vez, eles distribuíam folhetos,
dizendo que as pessoas podiam perguntar tudo que quisessem.
A maioria ignorou os folhetos.
Menos um bobalhão!
Ele parou para ver o folheto.
Depois olhou o espião e perguntou:
"Posso perguntar qualquer coisa sem apanhar?"
O espião disse para ele experimentar.
Tudo bem?
Ele perguntou: "Pra que serve o governo?"
E logo se afastou, assustado.
Mas o espião não reagiu.
-O abestalhado continua: -Onde é o banheiro?
"Onde está o presidente? Ele não se importa com o povo?"
Aonde vai? Estou contando uma piada.
Estou ouvindo. Continue.
Ele se anima. "Cadê o presidente?"
Aonde vão me levar?
Cadê a luz? Onde estou?"
Entenderam?
O que foi?
No final, eles o pegaram. Foi levado embora!
Essa é boa.
Jad, conte algo engraçado sobre seu tempo na prisão.
Por que não conta sobre aquela filmagem? Para que era aquilo?
Estávamos filmando...
um documentário.
É sobre um velho cineasta libanês.
Tem alguma estrela no filme?
Não é ficção.
É sobre a carreira dele.
É o primeiro cineasta libanês que foi a Cannes.
Conhece o Festival de Cannes, né?
-Não. -É um festival de cinema famoso.
O primeiro filme libanês exibido lá era dele.
Ele é velho, tem quase 86 anos agora.
Quantos anos tem o Georges Nasr?
-Uns 86? -Sim.
Deviam ouvi-lo contando sobre a indústria do cinema no Líbano.
Que indústria do cinema? Que conversa é essa?
A indústria aqui é muito rica.
Temos muitos talentos, mas poucas oportunidades a explorar.
Os atores são talentosos, mas não têm oportunidades.
Cite um ator daqui que se compare a Sylvester Stallone.
Sylvester Stallone.
Existem muitos atores talentosos.
O problema é que eles não saem da sombra.
É engraçado, mas mesmo assim...
Por exemplo, estou escrevendo um filme bem promissor.
-Falei disso, né? -Do que se trata?
É sobre...
um muçulmano e uma garota cristã.
Eles se encontram, ainda que seus mundos não.
No filme vão se encontrar e...
Sim, entendi. A guerra e tal...
Não é clichê. Não é o de sempre!
A guerra não aparece no filme.
Vemos as consequências da guerra sem ver combate de verdade.
A trama do filme rola numa época de guerra.
Mas não tem guerra e... ela está ocorrendo! Entenderam?
Sim, o tipo de filme em que é preciso ter doutorado para ver.
-Não, qual é? -Não precisa ter doutorado para ver.
-Taxistas e doutores podem curtir. -São filmes para todos.
É só assistir, sem pré-julgamentos.
Vamos ao cinema nos divertir, não pra ficar deprimidos.
Nem sempre o filme deve ser...
Ele não está aqui. O que foi?
Está bem.
-O que está dizendo? -Existem filmes excelentes.
Fazem muito sucesso na Europa.
É verdade.
Sinto muito dizer que o Líbano não é um país europeu.
É tudo uma questão de gosto.
Alguns têm bom gosto, outros precisam saborear meu saco.
Um brinde a isso.
Ao Jad! Saúde.
Ao Jad.
Por que o Abu Ali não foi à festa?
Jado, sente-se ali.
Não respondeu. Por que Abu Ali não foi?
Por que ele viria?
Sei lá. Achei que o conheceria.
Melhor não conhecer. Acredite.
Olá, meu bem.
Olá.
Como vai?
Você...
Olha quem está aqui.
Ai, meu Deus.
É o seu irmão.
O herói.
Veja.
Jado, o herói!
Ele é bonitão, como você.
Ele, hoje, feliz.
É claro.
Traga suas amigas. Duas...
Duas garotas,
uma loura e uma morena.
Gosta disso?
Chique, né?
Teremos um balcão novo em folha.
A cozinha está toda equipada.
Uma, duas...
três mesas.
Podemos tirar isso e aquilo.
E botamos mais três mesas aqui.
Trocamos a pintura, e escolhemos algo ao estilo europeu.
Está me entendendo?
Gostou?
Nada mau. É bacana.
-Imaginava outra coisa. -Não gostou do quê?
Achava que era maior.
Maior? Elas abrem.
Não se preocupe. Faremos um terraço.
Colocamos quatro mesas lá fora. Não se preocupe.
Um espelho! Podemos pôr um espelho. Vai parecer maior.
É muito escuro.
Continua muito escuro?
-Gosta ou não? -Gostei.
Mas precisa fazer muita coisa.
Não se preocupe. Ligamos para o dono.
E o dinheiro?
Vendemos a casa do papai.
Não se preocupe.
E o Joe?
Esqueça o Joe. Ele se sai bem na padaria.
Ele não quer vender nada, só quer complicar as coisas.
A decisão não é dele. Você é o dono da casa.
Pode vendê-la e isto será seu.
Falou com o Abu Ali a respeito?
Falei, sim.
O que importa agora é que goste do lugar.
Quero que tome a decisão.
Então?
Não sei, não.
Beleza.
Este aqui.
Tudo bem?
O grandão chegou!
Abul Zouz, meu amigo!
Vamos tomar café com eles.
Não, tomamos depois. Venha comigo.
Ainda comemorando?
Isso mesmo!
Está com fome? Quer comer alguma coisa?
Não, obrigado. Já comemos.
Por aqui.
Estou indo.
Tranque a porta!
Ziad, o que é tudo isto?
O que fez neste lugar?
Espere só para ver.
Entre.
Gostou?
Show de bola!
Esta é a suíte real.
É isto que Abu Ali pode fazer por nós.
Dê uma olhada.
-O que é isto? -Captagon.
O que ele quer que você faça com isto?
Ele será um bom menino e vai devolver.
Estou falando com seu irmão. Não se meta.
Não peguei você na prisão porque estava na Síria.
Fui mandado para supostamente entregar essa carga.
Mas eu sabia que estavam armando para mim.
Abdel Sater até pediu pra eu ir desarmado.
É assim que vai contar a história?
Por favor, ouçamos sua versão. Talvez a saiba melhor.
Diga que Abu Ali...
Já chega! Estou falando!
Antes de você ser solto,
pedi para Abu Ali me emprestar dinheiro.
Falei que não queria mais trabalhar para ele.
Ele não gostou nadinha. Saquei que ele tramava algo.
Por que foi sozinho à Síria?
Para não nos foderem aqui! Seu irmão acabou de ser solto!
-Estamos a salvo agora? -Calma, vocês dois.
O importante é saber o que fazer com isto.
Devolvemos logo pro Abu Ali!
Feche essa boca de merda e vá lá brincar com a massa de pizza.
Que esperto. Desta vez, vamos todos presos.
Jad, está gostando disso?
-Joe, vá brincar lá fora! -Responda, Jad.
Joe, porra, não fale com ele! Vaza, caralho!
Faça como quiser,
não me meta nisto e tire essa merda da minha padaria.
Some daqui e faça um café enquanto estiver lá fora.
Sente-se.
É meu direito!
Queriam me matar, agora é minha propriedade.
Vieram perguntar disso?
Não, só estão ligando agora.
Temos de tirar isto daqui.
Com certeza vão revistar o lugar.
Que venham. Não vão achar nada aqui.
Sabe quantos comprimidos temos?
Não sei direito, uns 600 mil ou 700 mil.
-Quanto valem hoje? -Jad...
Não se preocupe com isto. Só estava mostrando.
Quero que se concentre no restaurante,
e tudo vai ficar bem.
Deixe isto comigo.
Comece uma vida nova.
Quer que eu seja sincero?
Que se danem a padaria e o restaurante.
Temos de 600 mil a 700 mil pílulas aqui.
Vamos tirá-las do país e viver de verdade.
Chega de miséria!
Entendi, mas não se preocupe.
Quero falar com Roger sobre isto, e talvez despachar para Erbil.
Não quero que se envolva...
-Não quer o melhor para mim? -Sabe que quero.
Então, faça o que é melhor para mim e me envolva nisto.
Só quero o melhor para você.
Falou que quer o melhor para mim. Então, vamos meter as caras juntos!
Não quero mais ter vida de cachorro.
Contando quantas pizzas vendemos, como o pai fazia.
Vamos fazer isto e dar um jeito na vida!
Essas são especiais ou comuns?
Quatro especiais.
-Para quem é? -Charbel.
Levem de volta.
Entreguem para mim.
Para quem é a entrega?
Charbel.
Quem fez o pedido? Ele ou a princesinha?
Não disse para não mandar nada antes de ele pagar o que deve?
Por que se importa?
Tem planos maiores agora.
Não esquente com a padaria. Nós nos viramos sem você.
Vá pegar quatro comuns.
Deixa pra lá. Feche a mochila.
Jad, entre e comece a embalar.
Abul Zouz, pode abrir o armazém?
-Quer que eu vá junto? -Não, tudo bem.
Ziad, oi.
-Olá. -Como vai?
-Bem? Muito obrigada. -O Charbel está aqui?
Sim, está. Quanto lhe devo?
Eu cobro do Charbel. Onde ele está?
Lá dentro. Quer que eu o chame?
Não, eu prefiro entrar.
Está tudo bem?
Uma produtora italiana veio rodar um filme no Líbano.
Começaram a preparar uma grande produção.
Com tanques do exército e tal.
Quando a filmagem começou...
Cadê minha grana, cuzão?
Mas que porra, Ziad?
Ziad, por favor!
Que merda eu falei?
Juro por Deus que pago até o final da semana!
-Cadê o relógio? -Que relógio?
-O que estava usando. -Juro que não é meu.
Por que pediu quatro de uma vez?
-Juro que é só... -Acha que sou burro?
Estavam contrabandeando haxixe e ópio.
Cala a boca, porra.
Você abre a lata de filme... enche com drogas...
Eu juro...
Não brinque comigo. Não sou seu amigo, Charbel. Sacou?
Eu juro.
Sente-se.
Ponha os óculos.
É isso o que queria?
Tome!
Agora me deve US$ 500.
Juro por Deus. Pago no fim da semana!
É só entregar este projeto. Juro por Deus.
Quem é ele?
Georges Nasr.
Do que ele está falando?
Sobre coisas que aconteceram...
Responda à pergunta, caralho!
Sobre uma produtora italiana que fez um filme no Líbano.
Mandou que ele falasse isso?
Não, é verdade. Um amigo dele trabalhou com os italianos.
-A história é verdade? -Sim, é.
-Era um filme real? -Era.
Toque de novo!
Uma produtora italiana veio rodar um filme no Líbano.
É isto aqui.
É onde botamos as drogas?
Não, mas foi o que os italianos fizeram.
Como o Sr. George explicou, tiraram o filme e botaram haxixe.
Legal, né?
São essas que não podem abrir?
Sim, isso mesmo.
Na verdade, esta é diferente, porque o filme foi revelado.
Antes de revelar, não podem abrir nem passar no raio X.
Tem alguma dessas aqui?
Sim, é parecida com esta, mas não é revelada.
Tem as latas aqui?
-Sim. São iguais. -Mostre.
E aquela grandona ali?
Esqueça. É para projeção.
Esta aqui é igualzinha.
Mas só pode abrir num laboratório específico,
para não danificar o filme.
Ziad...
Ziad, vai me ferrar. É igual. Por que abrir?
Veja, é igualzinha.
Igualzinha? Ficou cego?
Olhe mais de perto.
É igual. Só muda a embalagem. O conteúdo é o mesmo.
Agora fodeu!
-Todos têm esse cheiro? -Sim.
Beleza.
Embale quatro dessas.
Jado, venha me ajudar aqui.
-Jado? -Estou aqui.
Dá uma mão.
Venha cá.
Eu cuido disso.
-Tire. -Certo, feito.
Ponha tudo no armário, e o Captagon dentro do sofá.
No armário do pai?
Ponha esse lixo no armário dele, e o Captagon no sofá.
Vou pegar o resto.
Olá.
-Você assume daqui? -Sim, claro.
Oi, amigo.
Pode desovar o cara do caminhão?
Engraçadinho. Some daqui. Anda!
Não quer dar um último passeio?
-Bom dia. -Olá.
Isso não pode passar no raio X.
Não pode passar sem examinar.
Mas são rolos de filme de cinema.
-Estou vendo. -O raio X vai estragar.
Tem autorização?
Autorização? Qual?
Da Segurança Geral para transportar sem passar na máquina.
Autorização da Segurança Geral.
O que foi? Por que o atraso?
Nada. São só filmes de cinema.
Vão estragar se passar na máquina.
-Aonde vai? -Erbil.
Ponha tudo na máquina e venha comigo.
Faça como eu falei.
-Olá. -Olá.
O Ziad está aqui?
Não.
-Você é o Jad, né? -Exato.
Muito prazer. Sou o Hussam. Trabalho para o Abu Ali.
Muito prazer.
Como podemos encontrar o Ziad?
Para quê?
Precisamos falar com ele.
Tem algo a ver com Abu Ali.
Eu é que devia perguntar como podemos encontrar o Ziad.
Não temos notícia dele desde que ele foi à Síria.
O Ziad não está na Síria.
Então, por favor, peça para Abu Ali avisar quando tiver notícias do Ziad.
Nós dois estamos muito preocupados.
Está bem, então.
A gente vai se falando.
Se o encontrarem, peçam para o Ziad nos procurar.
Abu Ali o aguarda.
Mande lembranças.
O que está acontecendo?
Nada. Só fique aqui agora. Não faça nenhuma entrega.
Meu bem, dá uma olhada nisto aqui.
Meu bem, está incrível.
Ziad!
-Como vai? -Bem. E você?
Sente-se.
Quer um café, um chá?
-Não, obrigado. -E um suco?
-Algo para refrescar? -Venha, sente-se.
Como vai?
Bem. E você?
Água?
Não, obrigado. Como eu faço um filme?
-Como é que é? -O que é preciso para rodar um filme?
Como assim?
Quero fazer um filme. Do que preciso?
Quer fazer um filme?
Bem...
eu não sei!
Precisa do roteiro.
De dinheiro, equipe de produção,
diretor, atores e muitas coisas.
A parte da grana... Qual é o mínimo necessário?
Depende.
Depende do roteiro.
Faça uma estimativa.
Como posso explicar para você? Não posso dar uma estimativa.
Depende do roteiro, das locações, das cenas,
-da câmera usada... -Qual é o mínimo?
Não existe mínimo.
Eu não sei.
-Pense num número! -Sei lá. US$ 300 mil talvez.
Mas também se faz um filme com orçamento de US$ 100 milhões!
Entendeu? Não existe uma média.
US$ 300 mil incluindo os rolos de filme e tudo mais?
Não entendi. Quer rolos de filme ou fazer cinema?
Quero fazer cinema e quero rolos de filme.
Quer fazer cinema?
Que palavra não está entendendo?
Só estou confuso.
Também não quer fazer cinema?
Quero, mas este é o meu trabalho.
Também quero fazer cinema. Eu pago, e você faz sua fita.
Mas eu fico com os rolos do filme.
Ziad...
Como posso falar? Não é assim que acontece.
Não pode fazer um filme assim.
Mas que porra!
Mas que porra, cara!
Cacete!
Só estou tentando entender.
Quero rolos de filme e uma autorização.
Fechado.
Quero fingir estar fazendo um filme para não suspeitarem de nada.
Alô.
Estou tentando ligar faz uma hora.
Ziad veio aqui falar novamente com Charbel.
Como assim "e daí"?
Parece assustada.
Não estou.
Com quem estava falando?
Rita.
Por que desligou?
A conversa terminou.
Ziad passou aqui.
Sim, eu o vi. O que ele quer?
Ele conseguiu verba.
Para quê?
Para o filme.
Seu filme?
Sim, o nosso filme. O meu filme.
De onde?
Não sei.
Ele veio, ofereceu a verba e mandou começar a fazer o filme.
Não se importa com a origem do dinheiro?
Conhece o Ziad, meu bem. Não pode perguntar demais.
-Que esquisito. -Sei que ele tem seus motivos.
Vai ver gostou da história que contei no jantar.
-Fala sério? -Sim.
Por que não? A história é legal e vende. O roteiro é bom.
Eu sei, mas é estranho. Ziad não manja nada de cinema.
O que tem no micro-ondas?
É muito esquisito e não gosto disso.
Quem se importa com a fonte do dinheiro?
Não quer fazer esse filme?
Claro que quero, mas prefiro as coisas esclarecidas.
O que não está claro? Ele quer fazer um filme.
E tem o dinheiro para isso. Eu devia dizer não?
Aceitou?
O que esperava que eu falasse?
-O que quer aqui? -Por que Jad está sozinho na padaria?
-Ele também anota os pedidos? -Preparei umas pizzas.
Não estou me sentindo bem. O que você quer daqui?
Não tome decisões sozinho. Não o quero na padaria!
O que está procurando?
-Por que quer esses documentos? -Tire as mãos.
Ponha de volta!
Chega de baboseira!
Caia fora.
Filho da puta!
-Devolva os documentos! -Abra a porta!
Só vou abrir se fizer o que eu mandar!
Abra a porta, Joe.
Não quero!
Não vou deixar me jogar na rua.
Quer que eu more onde? Na padaria?
Deixa de ser criança. Abra a porta.
Você é que está sendo infantil! Jad é maior de idade.
Desta vez todos nós seremos presos!
Abra a porta, Joe!
Ziad, pelo papai... Imagine se ele ainda estivesse vivo.
Abra a porta, droga!
Abra a porra dessa porta!
Como pode ser tão burro?
Você se acha casca-grossa?
Daqui não saio, daqui ninguém me tira!
Charbel trará cem latas de filme.
Os filmes costumam ser revelados na França ou na Europa.
A gente deveria fazer um filme
no Líbano e Erbil, para ser revelado na França.
Espere aí. Não estou entendendo.
Foco.
Vamos fazer um filme?
Concentre-se.
Não podemos levar as drogas por solo sírio.
Tem de ir de avião.
-Certo? -Claro.
Rolos de filme não passam no raio X
do aeroporto se tivermos a autorização.
Para ter autorização, devemos começar a filmar.
Um filme de verdade?
O mais verdadeiro que der.
Seu nome...
idade e profissão?
Meu nome é Issam. Tenho 24 anos.
-Trabalho numa floricultura. -Pode sair de lá para filmar?
Sim, posso dar um jeito.
Sua vez. Leia a primeira página do roteiro.
Vamos tentar uma frase.
Fale com a câmera como se fosse a sua namorada.
Diga para ela: "Escute-me, meu bem".
Esses...
Metade dos rolos será filmada no Líbano.
E essa é a cara deles.
A outra metade, com os novos,
será filmada em Erbil.
Todas as latas de filme
serão abertas e recheadas com Captagon.
A câmera se aproxima, começamos os sons...
-Está me entendendo? -Quando é escuro demais?
Está escuro.
Abul Zouz, precisamos de uma molecada jogando bola.
Ninguém mais joga bola nas vielas.
Sempre jogamos bola nas vielas.
Por que quer filmar aqui?
Pergunte a uma criança onde eles jogam bola.
Ele dirá que no campinho.
Sim, mas a cena ficará legal com crianças na viela.
Vai parecer real.
Vamos lá, ele que faça o que quiser.
Só estou dizendo, pelo bem do filme...
Charbel.
Charbel.
Olha o que eu achei aqui.
Pergunte se ele joga bola na viela.
Mostre a ele seus dentes.
O futebol fez isso a ele.
Não podemos fingir que estamos filmando?
Parecem todos iguais. É só tirar as fitas.
Os italianos deram a mesma mancada.
Fingiram rodar um filme, mas as pessoas desconfiaram.
Abu Ali e Hussam já suspeitam de nós.
Temos de fazer um de verdade para ninguém duvidar de nada.
Beleza.
Pode mostrar uma cara triste?
Sem palavras.
Isso. Vai.
Muito bem!
Obrigado.
-Você me liga? -Sem dúvida.
-Nós ligaremos. -É? Ótimo.
"Se você vê, então existe".
Não é isso.
"Se você não vê..."
Devia entender o significado.
-Entendo, sim. -"Se você não vê,
não significa que não existe".
"Se você vê, então existe".
Não.
"Se você não vê, não significa que não existe".
"Se você não vê, então existe!"
Muito bem, já chega! Obrigado.
Próximo.
Filmes costumam ser mais caros.
Para montar e todas as outras coisas.
Por ora, precisamos de US$ 300 mil para começar.
Vai cobrir os rolos de filme e as despesas iniciais.
Onde vamos arrumar essa grana?
Vendemos a casa do pai, é claro.
Quem é?
Sou eu, o Joe!
Mas que porra, cara?
O que deu em você?
Nada.
Seu irmão é burro pra caralho!
Calma aí.
-Quer guerra com Abu Ali? -Calma, Joe.
-Não diga para me acalmar! -Fale mais baixo!
-Os vizinhos não podem ouvir. -Dane-se!
-Pare de defendê-lo. -Fale baixo!
-Cinco anos preso foram pouco? -Acalme-se!
Ligue agora pro Abu Ali, e devolva o Captagon dele!
E peça misericórdia!
-A gente não resolve coisas assim. -Vá brincar em outro lugar.
Tenha calma.
Se não resolverem agora, vou fazer alguma coisa.
-Vai se foder! -Como assim "fazer alguma coisa"?
Nós três não resolvemos as coisas assim!
Pela última vez, fala baixo, porra!
É só se acalmar!
Curtiu ficar na cadeia? Não sacou que ele é retardado?
Você se acha fodão?
O que vai fazer, bichinha?
Quer ligar pro Abu Ali e contar onde estão os comprimidos?
Faça isso!
-É esperto... -Seja um herói do caralho!
Acha que dá conta do Abu Ali?
Vai, pica a mula!
E pergunte pro Abu Ali se ele dá conta da minha bunda, caralho!
Fadi, pelo amor de Deus, por que está sorrindo?
Quantas vezes falei que está sendo pressionado,
e que as coisas deram errado?
Dê um bom motivo para sorrir!
Quer que eu fique bravo?
Não é ser bravo, é só ser real.
Posso ficar bravo se quiser.
Escute! Quero sentimentos reais!
A câmera está na sua frente. Está falando com seus pais.
Está fingindo tudo!
Pode me olhar quando disser a fala.
É uma cena decisiva antes de você ser raptado.
Faça o que fez durante o teste!
Vamos lá!
Meu bem, do começo.
Está bem, vamos?
"Meu nome é Stephanie. Sou uma cristã casada com um muçulmano.
Viemos aqui porque não aguentamos mais morar com vocês".
"Meu nome é Mustafa, e sou..."
Corta! É um dia comprido e estamos cansados.
Deixe o roteiro de lado. Amanhã continuamos. Mais tarde eu ligo.
Deixe o roteiro de lado. Mais tarde nós conversamos.
Obrigado.
Caramba!
Como alguém pode ser tão ruim?
Pare de rir e dê um cigarro.
-Desde quando você fuma? -É só dar um.
Precisa ter doutorado para dizer uma fala?
-Ele é ruim, concordo. -É um desastre!
É um ator ruim. Não é tão difícil.
"Sou Mustafa, um muçulmano casado com uma cristã".
É moleza.
Alia, meu amor, venha cá.
Joe, tire o avental.
Pode falar como fez lá fora?
Sem exagerar nem nada. Pode tentar?
Sim, claro.
Vou explicar para você. Está apaixonado por Alia, entendeu?
Stephanie.
Sim, meu bem, Stephanie.
Está falando com seus pais através da câmera.
E dizendo que estão indo embora porque se cansaram deles.
Só quero que fale como fez lá fora.
Meu bem, dê o roteiro a ele.
Seja genuíno, como fez antes. Foi muito bom.
-Certo. -Podemos tentar?
Escute, você ama a Alia. Concentre-se nisso.
Ajude-o, meu bem.
Vamos lá.
Começo em francês pra tirar sarro dela, depois continuo em árabe?
Exato.
Vamos começar. Com o guarda-chuva.
"Meu nome é Stephanie. Sou uma cristã casada com um muçulmano.
Viemos aqui porque não aguentamos mais morar com vocês".
"Meu nome é Mustafa. Sou um muçulmano casado...
Pare, Tofi, diga em árabe.
"Meu nome é Mustafa. Sou um muçulmano casado com uma cristã.
Decidimos mudar para cá porque não aguentamos mais morar com vocês.
Nossa relação é mais forte do que suas tradições imbecis.
Eu a amo demais. E quero que ela fique comigo".
O que foi isso?
Fala sério?
Não falei direito?
Está tudo bem. Foi sua primeira vez.
Foi perfeito!
É um ator nato! O que faz na padaria!
Foi brilhante pra caralho!
Sentiu a emoção?
Foi incrível!
Não vai funcionar.
Mas, Ziad, você precisa vê-lo. É um ótimo ator, cheio de talento!
Por que não filma uma cena aqui...
com ele fazendo pizza?
Podemos economizar uma grana. Não precisamos lhe pagar nada.
É bom para todos nós.
E ele é perfeito!
Pegue o Jad. Ele é bom!
-Jad? -Sim, o Jad sabe atuar.
-E se parece com o Joe. -Verdade.
Como se eles fossem irmãos, né?
Boa.
Beleza, vou ver com a Alia.
Se o Jad não for bom, voltamos ao Joe, certo?
Não pergunte nada sobre nada.
Use o Jad.
Oi, Ziad.
-Gilo, meu velho. -Como vai?
-Boa noite. -Olá.
-Como vai tudo? -Ótimo. E você?
Muito bem, está arranjado.
Tudo mais está excelente.
-Jad. -Sim, claro.
-Muito prazer. -O prazer é meu.
E então?
Meu amigo!
-Tudo bem? -Tudo. E você?
Quem é o sujeito?
-Até o avião. -Perfeito.
Para quem vai mandar os produtos?
Para o meu primo, Roger. Você o conhece, o advogado.
-Em Erbil? -Exato.
Essa é fácil.
Achei que era uma coisa maior.
Não, os produtos são sensíveis.
Como assim "sensíveis"?
Quer dizer...
Esperem. Vamos fazer direito.
Certo? Rodar som, depois a câmera para não perder película.
-Rodar som. -Rodando.
-Rodar câmera. -Rodando.
Claquete.
E...
Ação!
"Meu nome é Stephanie. Sou uma cristã casada com um muçulmano.
Viemos aqui porque não aguentamos mais morar com vocês".
-Corta. -Cortando.
Jad, é aqui que deve dizer sua fala.
-Esqueceu? -Nada disso.
Esqueça todo mundo aqui.
Concentre-se na câmera, como a Alia, e sinta o momento.
É só sentir o momento.
Você consegue!
Muito bem, vamos lá.
"Meu nome é Stephanie. Sou uma cristã casada com um muçulmano.
Viemos aqui porque não aguentamos mais morar com vocês".
Corta. Jad...
Jad, escute. O que foi?
Se tiver algo errado, resolvemos agora mesmo.
Diga o que você quer.
Espere um pouquinho.
-Precisa de algo? -Espere!
-Ajude-o um pouco, amor. -O que devo fazer?
Diga: Este é meu marido muçulmano, ele falará com você.
Ele só tem de dizer uma fala.
-Querida, motive-o um pouco. -Motive você.
Tudo bem, Abul Zouz?
O que foi?
O que está errado?
Não vou dizer que sou muçulmano.
Por que não?
Está todo mundo me olhando. Não vou dizer que sou muçulmano num filme.
E se alguém visse? Não sou muçulmano.
-Charbel? -Sim, querido.
-Venha cá. -Diga-me.
Jad não vai dizer que é muçulmano.
-Por que não? Combina bem com você. -Ouça.
Aceitei me vestir de bichona, mas termina aí!
Por que está fazendo isto? É atuação. Não é de verdade.
Entendi, mas ele não dirá que é muçulmano.
E daí? Deixe que ele pule essa.
Quem dera, mas não é tão simples.
É sobre um muçulmano que ama uma cristã.
Mude para um cristão que ama uma muçulmana.
Teremos de mudar o roteiro inteiro.
Será justamente o oposto, compreende?
Teremos de mudar muitas cenas para funcionar desse jeito.
-Não temos esse tempo. -Sei consegue modificar.
Espere aí.
Veja. Quero mostrar uma coisa.
Se nós saltarmos...
esta cena aqui não fará sentido mais,
já que vamos falar desse assunto.
Quanto a esta aqui...
terei de apagar esta parte inteira.
-Esta aqui também. -Mostre. Onde?
-Mostre o roteiro. -Terei de mudar tudo.
-Por que complica as coisas? -Esta aqui?
Sim, esta terá de ser reescrita.
Vamos ensaiar a cena juntos.
-Esta também? -Sim.
Assim é melhor para você. É...
Acabou.
Funciona? Terminamos essas cenas.
Vamos lá, ação.
Ziad, o trato não era esse. Nós concordamos que eu...
Sim, esse era o nosso trato!
Vá fazer as mudanças, e dê uma versão alterada do roteiro.
Sou o encarregado agora!
Dez minutos de intervalo, gente!
Venha cá, Alia.
Verifique a filmadora.
-Que diabos aconteceu? -Filho de uma puta!
O que foi?
-Quer um cigarro? -Não.
Não tenho escolha. Quer que eu pare de filmar?
Ele está financiando o filme. O que posso fazer?
Não quero que pare de filmar.
-Mas vai deixá-lo fazer o que quiser? -O que posso fazer?
-Coloque-se no meu lugar. -Ache outro ator.
Não posso trocar de ator agora.
Por que não? Ainda não filmamos nada!
Não posso! E a ideia não é tão ruim.
O problema é como ele falou comigo, mas a ideia não é tão ruim.
Afinal, sou cristão e você, muçulmana. Vamos manter a realidade!
Charbel, passou dois anos escrevendo esse roteiro!
Tudo bem, podemos mudá-lo. De cara, não gostei.
Então, se pegarmos a autorização,
está tudo bem, certo?
Gilo está vendo umas coisas, mas, muito provavelmente, sim.
Olha quem está aqui.
Olá, pessoal.
Olá.
Ziad, entre no carro. Precisamos conversar.
Podemos conversar aqui.
Queremos falar da muamba de Abu Ali, então é melhor em particular.
Podemos falar diante deles. Não tenho nada a esconder.
Prefiro falar pessoalmente com Abu Ali.
Não banque o espertinho.
Onde está a muamba de Abu Ali?
Na Síria.
Pergunte ao seu amigo Abdel Sater.
Pare de enrolar.
Abdel Sater está morto, e a muamba desapareceu.
Queremos saber o que aconteceu.
Que ele descanse em paz. O que posso dizer?
Onde está a muamba?
Fiz minha parte como um favor a Abu Ali.
Embora tenha dito a ele que não queria mais fazer.
Pergunte a seu amigo falecido Abdel Sater
o que ele fez com a muamba na Síria.
Ziad...
vamos continuar amigos. Não nos faça revistar tudo.
Fiquem à vontade! Eles ajudam na revista.
Abul Zouz, abra o armazém. Vamos. Reviste o lugar.
Abra o armazém.
Aconselho a não se dar ao trabalho.
Não vai achar nada aqui.
Viemos em busca de soluções, não complicar a situação.
Não é assim que se acha soluções.
Deixe-me falar com Abu Ali, e acharemos a solução certa.
Corta!
Abul Zouz, corta! Mandei cortar, Abul Zouz!
Desligue, Bilal.
Dê toalhas a ele.
Falamos que a chuva devia parar assim que ele abrisse o guarda-chuva!
Não estou ouvindo. A bomba d'água está ligada.
Além disso, a água continua pingando.
Não espere o meu sinal. Olhe para o Jad.
Quando abrir o guarda-chuva, desligue a água.
Não tem como desligar a água de imediato! Vai continuar pingando.
Abul Zouz, comece a desligar quando ele levantar o braço.
Estamos perdendo a luz. Vamos!
Assim, quando ele abrir o guarda-chuva, a água cessa, entendeu?
Já viu chuva parar repentinamente? Continua chovendo um tempinho.
Quer dirigir o filme? Desça e assuma o meu lugar!
Eu falei que isso é um sonho!
Depois que ele é raptado, ela começa a ter pesadelos!
Nos sonhos, fazemos o que bem entendemos!
Eu entendi direitinho, mas pelo menos seja lógico.
Abul Zouz, o que você quer? Eu imploro, por favor!
Abul Zouz!
Deixa a água saindo. Não desligue.
Exato, isso mesmo!
Como o Ziad falou, deixe a bomba d'água funcionando.
Charbel, a luz está acabando. Anda.
Vamos nessa!
Liguem a máquina de fumaça. Preciso de fumaça.
Vamos lá. Quero mais fumaça!
-Prontos? -Esperem.
Rodando, claquete.
Abul Zouz! Faça chover.
-Que cuzão. Ligue, mano. -O cara é uma coisa de louco.
Ação, Abul Zouz! Deixe chovendo.
-Ele é um bom ator, né? -Sim, é.
Alia, caminhe na direção da escada.
Parem de filmar, agora!
Cortem agora! Corta!
Que diabos esse cavalo faz aqui?
Ela estava dizendo que me ama.
Eu devia ter dito alguma coisa.
Abul Zouz deixou chover em cima disso.
Mano, ele não entendia. Fiz o possível. Acredite.
Viu que grande ideia foi trazer o cavalo branco?
Olá.
-Falando em burrice... -Quem está ganhando?
A sua mãe.
Ziad, onde estaciono?
Estacione perto do forno.
Tome cuidado. O piso está molhado!
Não, fala sério?
Na vaga de estacionamento, cara!
Ah, sim!
Vejam só isto!
-Não se apresse. -Não sei o que aconteceu.
Devia dirigir um andador de bebê.
Foda-se.
Aposto que ele fez alguma burrice agora.
Os filmes estão no porta-malas e no banco traseiro.
Sabe que fechamos às 22h?
Obrigado, Abul Zouz.
Eu trouxe todas.
Os filmados estão na geladeira,
os virgens, na caixa de papelão.
Perfeito.
Só troquei o que filmamos por rolos velhos usados.
Não te contei?
-O quê? -Por que fez isso?
Não é nada. Eu guardo para revelarmos depois.
Só troquei por velhos. Não é nada.
O que tem na cabeça? É burro?
Juro que nada mudou. As latas continuam as mesmas.
Que burrice está tentando fazer agora?
Juro que não quero fazer nada.
-Vamos fazer piquenique? -Guarde lá atrás, Abul Zouz.
Os filmes usados estão agora comigo.
Só troquei por velhos.
-Só isso! Nada mais. -Por que fez isso?
Para revelar a filmagem.
Beleza.
Eu juro, confie em mim!
Não se anime.
Para não acabar como os italianos.
Faça seu trabalho e não se preocupe com o resto.
-Quer mais alguma coisa? -Não, obrigado.
Gente, posso jogar?
Bem, a gente se fala.
Só se você quiser jogar com meu bilau.
Joe.
Venha tomar café.
Corta!
Jad, não importa o que rolar, não olhe para nós. Vá atuando.
Mas ela não veio. Ela não devia estar aqui?
Sim, mas ela está preparando algo lá fora.
Quando ela entrar, fique louco.
Enquanto espera, faça o sinal da cruz.
Sim, para dizer que sou cristão, e ela, muçulmana.
Lembre-se: Está visitando seus pais e está estressado.
Fique zanzando, talvez olhe o relógio.
-Mas não tenho relógio. -Sem problemas. Não podemos ver.
Deixe claro o sinal da cruz!
Aconteça o que acontecer, continue atuando, entendeu?
Aconteça o que acontecer?
Sim, você terá surpresas.
-Beleza. -Vai na onda.
Continue atuando!
Vou passar a mão no cabelo e fingir que estou com raiva.
-Ainda rodando! -Atenção.
Dê para mim e cuide do Sr. Ziad.
-Certo. Cena 4.1. Tomada dois. -Claquete.
E...
Ação!
Meu bem, pode segurar, por favor?
O que é isso na sua cabeça?
O cabelo está aparecendo?
O que é isso na sua cabeça?
-Não gostou da cor? -Faça com que ela tire.
-Quem falou em cor? -Tire agora.
Desde quando você usa véu?
Por que não?
Vamos visitar meus pais, é por isso.
E daí? Vamos logo.
-Você não pode subir assim! -Não toque em mim!
Saia daqui! Não pode entrar com isso na cabeça!
Saia e tire agora!
-Não me toque. -Tire!
-O que tem na cabeça? -Faço o que bem quero!
-Abaixe a voz ao falar comigo! -Não, abaixe você!
-O que foi? -Não é da sua conta.
É, sim.
-A briga é com minha noiva. -Não pode pedir pra tirar o véu.
-Posso, sim! -Não vou tirar.
Quem é esse cara?
-Ele não faz parte da cena? -Não.
-Como pode pedir para ela tirar? -Não me toque!
Alia, vai na onda!
Ela não vai tirar. Afronta sua religião.
-Ela vai tirar agora. -Você não tem o direito!
Isso não está certo!
Tira isso já!
Mas que porra!
-Que merda você tem? -Cai fora!
Corta!
Estamos filmando uma cena.
E daí?
É só uma cena para o filme.
E daí? Ele tirou o véu dela.
-São atores. -Ainda assim, é errado.
Ele não pode pedir para ela tirar o véu!
Abul Zouz, cuide disso.
Mesmo se for atuação, está errado.
O que foi? Não entende?
Sabe o que está acontecendo?
E se eu tirar o rosário do peito dele?
E se eu fizer isso?
Quer tirar meu rosário? Vem mostrar como vai fazer!
Tira se for homem!
Gente, por favor!
O atirador não está preso porque quando ele disparou...
todos fugiram.
-Sei que a polícia vai achá-lo. -Lembra bem do seu rosto?
Sim, nós o descrevemos à polícia, que está seguindo o caso de perto.
Alguém ficou ferido?
Não, ninguém se feriu com os tiros.
Isso vai afetar o resto da filmagem?
Vai ter coragem de filmar essas cenas outra vez?
"Nada vai nos impedir" é nosso lema. E nós não temos medo!
O filme veio dizer que...
O lema nasceu do confronto, certo?
Não, usamos desde o começo, e agora estamos mais fortes.
Fale sobre seu filme. Do que se trata? Qual é a mensagem?
Alô?
Folgo em saber.
Quando chegamos lá,
um grupo de homens barbudos armados nos atacou.
Abdel Sater saiu do caminhão e me mandou ficar.
De repente, começaram a atirar ao acaso.
Atiraram em Abdel Sater e seu amigo, depois miraram no caminhão.
Atirei de volta e fugi.
Abu Ali, não olhei para trás. Só fugi.
Era muito perigoso voltar.
Claro que pegaram. Garanto que têm tudo agora.
Abandonei o caminhão lá para salvar minha vida.
Agora Jado está solto. Estamos trabalhando em outra coisa.
Estamos fazendo um filme.
Sim, virei cineasta. Seus homens estão sempre de olho.
Sinto muito, Abu Ali, mas não dá.
Filmamos o dia inteiro, e mal consigo dormir.
Não dá. Sinto muito.
-Boa noite. -Olá!
Não precisava...
É o que merece quando fica famoso.
Entre. O que é isso?
-Doces libaneses. -Que delícia!
O que está cozinhando? Que cheirinho bom!
Estou requentando o que sobrou. Quer comer?
Sim. Por que não?
Entre. Já estou indo.
Quando eu era criança...
a mãe do meu amigo vivia fazendo esse prato.
O interessante é que ela recheava uns com carne
e outros...
com batata.
Está bom?
Sim. Coma.
Sempre que como isso, queria que tivesse alguns com chocolate.
Entende?
A cada mordida, há um sabor diferente.
Sempre quis alguma coisa doce.
Podemos tentar com os doces libaneses.
Faremos isso mais tarde.
Charbel...
gosto sinceramente do que está fazendo.
Estou muito feliz. Tomara que o resultado seja satisfatório.
Para, a cena da briga com Alia de véu...
-Legal, né? -É.
Se tirarmos uma foto...
da Alia com véu,
e Jad com a camisa aberta, mostrando o rosário tatuado no peito.
E fazermos um pôster de sete metros.
A gente coloca na bilheteria.
Jad é...
incrível.
Combina com ele, e ele está feliz em filmar.
-Sério? -Ele sempre fala nisso.
-Fico feliz que fale. -Quero fazer uma pergunta.
Alia...
Você fica incomodado que ela beije outros rapazes e tal?
É tudo atuação. Ela é uma atriz.
Melhor fazer filmando do que pelas minhas costas, né?
Mas é claro que incomoda um pouco.
Tento ter mente aberta e apoiar sua carreira de atriz.
A briga não foi ruim no fim das contas.
-Mandou continuar rodando... -Criou um belo bafafá.
Devia ver agora...
o novo filme que estou escrevendo.
Não é estranho chover hoje?
-Sim, chuva de verão. -E está tão quente.
-Como veio aqui? -Na minivan.
Certo.
Preciso que me faça um favor.
Quero fazer uma cena parecida com a briga.
Mas dez vezes maior!
Como assim? Uma briga pra valer?
Sim. Viu como todos falaram sobre nós.
Você falou sobre o filme na TV.
Desta vez quero algo maior.
Quero que a nação inteira fale sobre nós.
Entendi.
-O que acha? -Entendi.
-Tem uma cena. -Conte.
Quando vão conhecer os pais da garota.
O cara decide se vingar.
Ele vai vestido de padre.
-Bacana. -O pai dela se irrita.
A mãe começa a gritar. É uma cena bem poderosa.
Mas quero que amplifique isso.
Porque ela é um pouco pequena, entendeu?
Quero algo maior. Sacou?
Se quiser, podemos fazer na sacada.
Não, deve ir além dessa família pequena.
Quero que o bairro inteiro se envolva.
Então, tem outra cena...
quando saem do prédio, o primo dela vê o casal
e ele bate no Jad.
Se quiser, podemos envolver mais pessoas.
Ele está com raiva. "Tire as mãos da minha prima!"
E bate no Jad. Nessa hora todos se envolvem.
Pode acrescentar alguma ação? Talvez uns tiros?
Podemos começar com a briga, que vai crescendo.
Tem uma rua onde reunir uma grande multidão?
Na frente da padaria.
É isso.
-Na frente da padaria... -Passe os doces.
Uma briga grande. Uma grande multidão.
Tiros. Algo enorme.
Quanto mais confusão...
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-O que me diz? -Gostei.
-Posso reunir minha galera lá. -Conhece todo mundo. Aposto que sim.
Eu gostei.
-Vamos fazer. -Fechado.
Coma uns doces. Experimente com pepino.
-Pepino? -Sim, é bem saboroso.
Tudo bem?
Estamos fazendo um bom filme, cara.
Não tenho tanta certeza.
Qual é? Sua ficha ainda não caiu. Eu sei.
Mas temos uma cena boa, na chuva.
Vamos filmar uma cena excelente aqui. Não se preocupe.
Sim, mas a cena anterior...
Eu sei. Não se preocupe. Vou arrumar tudo na pós.
-Não esquenta. Confie em mim. -Certo.
-Charbel. -Sim, querido.
-Posso xingar se me irritar? -Melhor não.
São quantos desta vez?
-Dois homens e suas mulheres. -Falou a eles sobre a briga?
Porque eu posso bater de verdade neles.
-Tudo bem. Faça o que tiver de fazer. -Ótimo.
Vamos movimentar a câmera.
Não temos o dia todo, gente.
Coloquem nessa posição, aí. Bom.
Muito bem.
Coloquem os véus.
Bato nele de verdade?
Sim, claro. Quero uma cena realista.
Ele sabe que vou bater?
Sim, eu contei. Ele é um ator, vai entrar na onda.
Bata nele para parecer real!
Lea, por favor, venha cá.
Lea, vamos nessa!
Abul Zouz,
está pronto?
Não, estamos ensaiando com o Sr. Stallone.
Quero o mais barulhento possível. Todos devem ver o que está rolando.
Cuide da sua vida. Eu sei o que faço.
Vamos lá, Abul Zouz.
Pronto?
Vamos lá!
-Rodar som. -Rodando.
-Rodar câmera. -Rodando.
Claquete.
Preparar!
E...
ação!
Ação, Abul Zouz.
Perdeu a cabeça?
Nunca mais venha ver meus pais!
Ficou demente?
Demente é você.
Acha que não vou batizar meus filhos?
Sim, vai mergulhá-los numa água.
Para virarem bandidos feito o pai!
-Que diabos deu em você? -Não me toque!
Vai cuidar da sua vida, cuzão!
Corte agora.
Corta!
Abul Zouz, cadê você?
Gente, houve um problema técnico. Vamos recomeçar do início.
-Charbel? -Sim, querido.
Minha posição não está certa. Acho que eu...
Boa noite. Hoje, uma explosão cinematográfica desbanca a política.
A câmera capturou o momento, e eles viraram a cena.
Estavam filmando o Líbano para refletir seu espírito intrépido.
Em vez disso, o Líbano refletiu sua realidade bruta,
e manchou suas lentes com sangue e violência.
O cinema virou outra vítima da corrupção e da destruição?
Escutem.
Quando ele começar, ninguém fala nem se mexe. Não quero ouvir um pio.
Recebo hoje aqui no estúdio, na primeira parte do programa de hoje,
o jovem produtor, Ziad Haddad,
que testemunhou a explosão.
Boa noite. É um prazer recebê-lo,
e, graças a Deus, está a salvo.
Boa noite, Sr. Marcel.
Boa noite.
A explosão causou danos materiais.
Certo? Ninguém se feriu?
Sim, ninguém, graças a Deus.
É claro,
mas quem será o responsável pela explosão?
Quem é o responsável?
Alguém que não quer que falemos dos assuntos que abordamos.
Alguém que não quer que façamos esse filme.
Sim, mas está ciente da situação.
Uma explosão de vez em quando,
por que acreditar que a explosão visava vocês,
e não tem relação política com os eventos das eleições locais?
Por que acha que você é o alvo?
É coincidência demais para ser mero acaso.
Além disso, já fomos atacados, mas de outra forma.
Esse não foi o primeiro incidente?
Nunca achamos que terminaria nisso.
Não levamos a sério.
Nunca pensamos que tivéssemos inimigos.
Não conhecemos ninguém capaz de um crime desses.
Quem está atrás de Ziad Haddad e equipe,
para você se considerar o alvo?
Explique para mim.
Se não me convenceu,
como vai convencer os telespectadores?
O filme é sobre um cristão...
que ama uma muçulmana.
Eles querem ficar juntos, mas enfrentam muitos obstáculos.
É como no nosso país.
E querem se encontrar num lugar neutro.
E?
Nessa hora eles se deparam com problemas sociais e obstáculos.
Começamos a rodar e parece que tais problemas e obstáculos nos perseguem.
Como se o filme tivesse se tornado realidade.
Considera-se perseguido por alguém que não quer que trate desse assunto?
É um partido político que se opõe à mensagem do filme?
O filme é uma oportunidade única na vida, uma chance de ouro!
-De ouro? -Sim.
Chance de ouro para quê?
Para a fama, pois estamos aqui
dando os primeiros passos nessa área
e talvez alguém queira nos impedir.
Mas nós ficaremos famosos, graças a esse filme.
Então, você não produz filmes, só quer ficar famoso?
Cinema é fama. Cinema é realidade...
Quer produzir um filme com mensagem ou só quer a fama?
As duas coisas!
Quero abalar o país falando de questões e problemas que vivi.
Não deixarei que o terrorismo se intrometa.
Agora é terrorismo?
É claro que sim. São crimes contra o cinema.
A única revolução real no nosso país é o cinema,
e querem impedi-la!
Torço para os telespectadores se convencerem.
Obrigado pela entrevista, Sr. Ziad Haddad.
Só quero dizer mais uma coisa.
-Quer encerrar? -Não.
Talvez convencer mais telespectadores.
Só quero dizer a todos
que vamos filmar daqui a dois dias no Porto de Beirute.
Quero convidar a imprensa e você, é claro.
Também convido as forças de segurança...
Viu o que ele está fazendo?
O que foi agora?
Veja.
para ver o que fazemos.
Quero convidar também o criminoso.
Seja ele quem for, que nos encontre nesse dia
para testemunhar como o cinema vai derrotar o terrorismo!
É isso aí! Esse é o cara!
Se o filme fracassar, vai voltar à padaria?
A padaria sempre existirá.
Obrigado pela entrevista, Ziad Haddad.
Que ótima festa!
Falou com o Joe? Não consigo achá-lo.
Sabe quando ele vai chegar?
Não se preocupe. Ele logo virá.
Então a autorização não serviu pra nada?
Mano...
escute.
Garantimos a autorização da segurança.
Ela garante que a muamba não vai passar na máquina.
Nada de raio X!
Mas se suspeitarem de algo, podem pedir inspeção manual.
E eu posso negar!
Vão revistar manualmente todas as caixas?
Não sei.
Podem pedir para abrir algumas latas e ver o conteúdo.
Tenho uma solução.
Não tem latas inúteis de filme?
Algumas descartáveis.
-Claro que sim. -Ótimo.
Entregue para mim, e eu boto em cima.
Caso abram alguma...
Mostro as inúteis. Que inspecionem o quanto quiserem.
Acredite. Vai funcionar.
Já tem sua passagem, né?
-Sim. -Perfeito.
Não embarque antes de ligar para você.
Fechado?
-Fechado. -Alguma dúvida?
-Nenhuma. -Posso voltar a dormir agora?
-Vá dormir. -Obrigado!
Jado.
Jado...
Falou com o Joe?
Ainda não consegui falar com ele. Tem alguma coisa errada?
Não, volte a dormir. Vá dormir lá dentro.
Não, estou bem aqui. Precisa de alguma coisa?
Alô?
Ziad apareceu?
Beleza.
Obrigado.
-Olá. Como vai? -Bem. E você?
Que dia.
O valentão chegou.
Uma lenda viva.
Olá.
O diretor está aqui!
É o diretor!
Pode falar mais sobre o caso?
Tem medo de filmar hoje?
Como vou saber? Como saber quem é o terrorista?
Quem os está ameaçando?
Não sei de nada.
Mostre a cena que vamos filmar hoje.
Dizem que raptaram alguém da equipe.
Não é verdade. Hoje vamos filmar a cena em que o herói é raptado.
-Onde está o produtor? -Ziad está vindo.
A cena que filmaremos hoje é essencial.
É quando o herói descobre que a namorada o traiu.
Antes de ser sequestrado...
-Novidades da investigação? -Quem são os suspeitos?
-Não sei. -O que os investigadores dizem?
Mesmo que soubesse, não poderia falar.
Uma palavrinha em francês. Quem os ataca?
Nós somos o alvo...
de alguém que não quer ver o filme...
nos cinemas.
-Mas por quê? -Este é o Líbano. Não sei por quê.
Gilo, fale comigo.
O que posso dizer? Eles nos foderam. Abriram todas as caixas.
Você desmaiou?
É brincadeira, mano! Nunca duvide do grande Gilo.
É o Ziad. Alô?
Abul Zouz, Joe apareceu?
Ainda não.
Sim, Charbel está aqui. Ele falou com a imprensa.
Sim, está cheio de policiais.
Os homens de Hussam nos vigiam desde cedinho.
Muito bem, então. Ação!
Lea, venha comigo.
Que surpresa agradável. Vai viajar agora?
Com quem devo falar?
Seu irmão.
Espere aí. Pare de chorar. Onde está?
Já chega.
Escute bem, Ziad. Você tem duas opções.
Ou teremos um final triste ou você escolhe um feliz.
A escolha é sua.
Ou vai conosco para Erbil
e tudo volta ao normal...
Sabe o quanto é precioso para mim,
ou mantém a guerra e esta será a última vez que ouve a voz do Joe.
Vamos sentar e conversar.
Vamos conversar no avião.
Não tenho a sua muamba.
Abu Ali, está partindo à toa.
Irá a Erbil sem motivos.
Um anúncio especial.
Por motivos de segurança,
nunca deixe sua bagagem desacompanhada
até ela ser despachada.
Bagagem abandonada será levada imediatamente para inspeção,
e pode ser danificada ou destruída.
CINCO SEMANAS DEPOIS
Parem, todos.
Pessoal...
Venha cá.
Explique para ele o que aconteceu
e o que deseja dele.
Ziad...
"Quem trabalha,
realiza uma parte do sonho mais longínquo da Terra".
"Quem trabalha, realiza uma parte do sonho..."
Sr. Ziad?
-Só um instante. -Vamos começar agora.
De volta à última parte do nosso programa.
Vamos terminar o episódio de hoje com algo iniciado algum tempo atrás.
Ziad Haddad muda do cinema para a política.
Após sua primeira entrevista,
em que falou ser o alvo de uma explosão,
outra locação de filmagem foi atacada.
O interessante hoje na volta de Ziad Haddad ao programa,
e após tudo que ocorreu durante seu primeiro longa libanês,
é que ele volta para anunciar sua candidatura ao Parlamento.
Boa noite, Sr. Ziad.
Boa noite, Sr. Marcel.
Subrip: Pix Sincronia by DanDee
Legendagem: Leandro Woyakoski
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