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Original subtitles

Sexta feira, 30 de novembro de 1962

Acorde, comece a dizer: "Eu e agora. "

Jennifer, pare! N�o me fa�a repetir.

Acordar nos �ltimos oito meses foi realmente muito doloroso.

A constata��o do frio lentamente materializa que ainda estou aqui.

Nunca gostei muito de despertar.

Nunca fui de pular da cama e saudar o dia sorrindo, como Jim.

�s vezes, pela manh�, eu queria soc�-lo por ficar t�o feliz.

Sempre dizia a ele que s� os tolos saudam o dia com um sorriso,

que s� os tolos podem escapar da verdade simples.

Que agora n�o � t�o simples.

� um lembrete frio. Um dia depois de ontem,

um ano depois do �ltimo,

e que, mais cedo ou mais tarde, chegar�.

Ele ria de mim e me dava um beijo na bochecha.

Pela manh�, levo tempo para me tornar George.

Para me ajustar ao que esperam de George e de como se comportar.

Quando termino de me vestir e coloco a �ltima camada de brilho

no George de agora, levemente austero e quase perfeito,

sei exatamente o que devo interpretar.

Olho no espelho que me devolve o olhar, n�o de um rosto,

mas da express�o de um dilema.

Vamos l� enfrentar o maldito dia.

Um pouco melodram�tico, eu acho.

E de novo...

Meu cora��o est� partido.

Eu sinto como se estivesse afundando, afogando,

n�o consigo respirar.

- N�o vai dizer nada? - Est� brincando? � espetacular.

O que est� fazendo?

Pare... Pare.

Acho que n�o est� pronto para viver numa casa de vidro.

As cortinas, meu velho.

� voc� que sempre diz que somos invis�veis.

N�o foi exatamente isso que eu quis dizer.

Pela primeira vez na vida n�o consigo ver o meu futuro.

Cada dia passa como uma n�voa.

Mas hoje decidi que vai ser diferente.

Finalmente.

Sabia que choveu o dia todo

e fiquei preso em casa esperando voc� ligar?

Lamento. Devo ter ligado errado.

Quero falar com Sr. George Falconer.

Desculpe, pensei que era outra pessoa.

Ligou para o n�mero certo.

Como posso ajud�-lo?

Aqui � Harold Ackerley. Sou primo de Jim.

Claro. Boa noite, Sr. Ackerley.

Receio estar ligando com m�s not�cias.

Houve um acidente de carro.

Um acidente?

Nevou muito e as estradas congelaram.

Quando Jim foi para a cidade, perdeu o controle do carro.

Foi instant�neo, aparentemente.

Aconteceu ontem bem tarde, mas os pais dele,

n�o quiseram te avisar.

Entendo.

Na verdade, n�o sabem que estou ligando,

mas senti que deveria saber.

Obrigado.

Sei que isso deve ser um choque, foi para todos n�s.

Sim, � verdade.

Haver� funeral?

Depois de amanh�.

Ent�o eu devia desligar o telefone...

e reservar um voo.

O funeral � s� para a fam�lia.

Para a fam�lia, claro.

Obrigado por ligar.

- Sr. Ackerly? - Sim?

O que aconteceu aos c�es?

C�es?

Havia um c�o com ele, mas morreu. Havia outro?

Sim, uma f�mea pequena.

Eu n�o sei, desculpe.

N�o ouvi mencionarem outro c�o.

Obrigado por ligar, Sr. Ackerly.

At� logo, Sr. Falconer.

Venha, querida!

Jennifer, venha!

Ol�, Charley.

Como sabia que era eu?

Charlotte, ningu�m mais me liga antes das 8 da manh�.

Eu n�o liguei muito cedo, n�o �? Voc� parece irritado.

N�o, s� estou com dor de cabe�a.

la te ligar mesmo. � tarde para mudar de ideia sobre esta noite?

N�o, claro que n�o! N�o te vejo h� uma semana.

Morreria se n�o o visse.

Eu sei, sinto muito.

Eu a verei esta noite. Preciso correr.

Estou atrasado para o trabalho.

Te ligo mais tarde da escola.

Combinado. Te vejo depois.

- Tchau, garota. - Tchau, meu velho.

Bom dia, Sr. George.

Senhor, n�o parece bem hoje.

Bom dia, Alva. N�o dormi nada bem.

Esqueceu de tirar o p�o do freezer.

Assim fica fresco.

Estava fresco demais essa manh�.

H� alguns pap�is na minha mesa, devem ficar l�.

- E a caneta manchou a cama toda. - Tudo bem, senhor.

- Alva? - Sim, senhor?

Obrigado, voc� � maravilhosa.

- Professor Falconer? - Sim.

Esta manh� um aluno pediu seu endere�o.

O meu endere�o?

- Voc� deu a ele? - Sim, senhor.

Eu dei.

Espero que n�o se importe.

Calculei que n�o devia, mas ele era t�o gentil e

Antes que eu percebesse...

Seu cabelo fica muito bonito desse jeito.

Voc� � sempre t�o bonita.

T�o cheia de vida.

Tem um sorriso ador�vel.

- "Arpege". - Como?

Realmente linda.

- Bom dia, Don. - Bom dia, George.

Bom dia, George.

Bom dia, Grant.

Voc� est� horr�vel, o que tem feito?

Olhe ao seu redor, Grant.

A maioria destes alunos n�o aspiram mais que um trabalho corporativo.

As crian�as crescem bebendo Coca Cola em frente � TV

e quando aprendem a falar, cantam vinhetas da TV

- e quebram coisas com martelos - Est� me assustando, George.

N�o diga que para voc� � f�cil com os alunos.

�s vezes me encaram num tipo de torpor obtuso

como se ensinasse outra l�ngua.

Por qual raz�o n�o aniquilamos todos?

Para voc� tudo � uma piada.

Vivemos num mundo onde a guerra nuclear � uma amea�a real.

N�o entendo como n�o se preocupar.

- Fala s�rio mesmo? - Sim. � s�rio.

George, chegou a ler os artigos que te dei sobre abrigo antia�reo?

O nosso est� quase pronto, tivemos 3 empreiteiros diferentes

e estamos disfar�ando com plantas para ningu�m saber onde �.

S�rio?

Se souberem que temos um abrigo melhor,

todos tentar�o entrar l� quando acontecer algo.

E da�?

N�o haver� tempo para sentimentos quando dispararem o m�ssil.

N�o quero viver em um mundo sem sentimentos, Grant.

"Ap�s Muitos Ver�es Morre o Cisne"

Acredito que todos leram o romance de Huxley

que solicitei h� tr�s semanas.

Que rela��o existe entre o t�tulo e a hist�ria?

- Sim, Sr. Mong. - Nenhuma.

� sobre um sujeito rico que teme ser velho demais para uma garota...

Se pensar no que um jovem faria...

Russ.

Sim, Sr. Hirsch.

Na p�gina 79, o Sr. Propter diz

que o trecho mais est�pido da B�blia �:

"Eles me odiaram sem motivo. "

Ele quis dizer que os nazistas estavam certos em odiar os judeus?

- Huxley � um anti-semita? - N�o.

O Sr. Huxley n�o � um anti-semita.

Os nazistas erraram ao odiar os judeus,

mas o �dio aos judeus n�o foi sem raz�o.

Mas o motivo n�o era real.

Foi imagin�rio.

O motivo foi o medo.

Deixem de lado os judeus por um momento.

Pensem noutra minoria, uma que...

Que pode passar despercebida, se necess�rio.

Existem minorias de todos os tipos, loiras, por exemplo.

Ou pessoas com sardas.

Mas uma minoria s� � reconhecida como tal

quando constitui amea�a � maioria.

Amea�a real ou imagin�ria.

E a� reside o medo.

E se essa minoria � de algum modo invis�vel...

O medo � ainda maior.

E esse medo � a raz�o pela qual as minorias s�o perseguidas.

Portanto, h� sempre uma raz�o. A raz�o � o medo.

Minorias s�o apenas pessoas.

Pessoas como n�s.

Posso ver que os desorientei um pouco.

Vamos esquecer o Sr. Huxley por hoje.

Vamos apenas falar sobre o medo.

Afinal, o medo � o nosso verdadeiro inimigo.

O medo est� tomando conta do mundo.

Est� sendo usado como ferramenta de manipula��o em nossa sociedade.

� atrav�s dele que os pol�ticos disseminam sua pol�tica.

Que a Madison Avenue nos vende coisas que n�o precisamos.

Pensem sobre isso.

O medo de sermos atacados.

O medo de que haja comunistas espreitando em cada canto.

De que um pa�s do Caribe n�o aceite nosso modo de vida e nos ameace.

Medo que a cultura negra domine o mundo.

Medo dos quadris de Elvis Presley.

Bem, talvez esse seja um medo real.

Medo de que o nosso mau h�lito possa arruinar nossas amizades.

Medo de envelhecer e ficar sozinho.

Medo de ser in�til, de que ningu�m se importe com o que temos a dizer.

Tenham um bom fim de semana.

Senhor, posso Ihe falar por um momento?

Por que n�o fala assim conosco o tempo todo?

Acho que n�o foi t�o bem recebido.

O medo das coisas me persegue o tempo todo.

Mas n�o posso falar sobre isso com algu�m e bancar o idiota.

- N�o pode falar nem com Lois? - Acho que ela n�o tem medo de nada.

Todos t�m medo de alguma coisa, Kenny.

De que tem medo, senhor?

De carros.

Como pode viver em Los Angeles e ter medo de carros?

Talvez n�o possa.

�s vezes o medo das coisas quase me paralisa.

Um p�nico profundo me atinge e sinto como se fosse explodir.

- Posso perguntar algo pessoal, Sr.? - Se quiser.

J� se dopou?

- Que idade acha que tenho? - Bem, voc� j� usou drogas?

Claro, Kenny.

Por exemplo?

Eu n�o deveria discutir isso com voc� no campus, Sr. Potter.

� a �nica forma de fugir, �s vezes.

- J� experimentou mescalina? - N�o � a minha droga preferida.

Raspei uma sobrancelha sob o efeito de mescalina. N�o fiquei bonito.

- Como? - Eu me olhei no espelho.

Um erro quando alucinado pela mescalina.

Decidi que minhas sobrancelhas invadiam meu rosto

e a� raspei uma.

Usei um Band-Aid por 6 semanas, at� crescer. Foi bem constrangedor.

- N�o usou mais depois disso? - Kenny, voc� me escutou?

Eu raspei minha sobrancelha.

Queria uma experi�ncia, Sr. Potter, n�o uma carreira no palco.

Quando quiser se dopar, Sr., normalmente tenho alguma droga.

Voc� � realmente louco, n�o �?

Me desculpe, senhor. Talvez se incomode por falar disso.

Por que diz isso?

Lois acha que voc� � do tipo cauteloso.

Como essa manh�,

enquanto ouvia as bobagens que fal�vamos de Huxley

Nem todos.

Voc� n�o abriu a boca.

Estava te observando.

Nos deixou divagar naquela conversa confusa e depois nos esclareceu.

Mas nunca diz tudo que sabe sobre um assunto.

Pode ser verdade, at� certo ponto.

N�o � que eu queira ser cauteloso.

� que n�o posso discutir certas coisas abertamente na escola.

Algu�m pode entender mal.

Eu tentei fazer isso hoje. Mas n�o funcionou.

- O que queria comprar, senhor? - Nada.

Eu estava indo � reitoria.

Andou tudo isso s� para falar comigo?

- Por que n�o? - Pois bem.

Acho que merece algo por isso, Sr.

Pegue um, escolha.

- Por minha conta. - Obrigado.

Pensei que pegaria o azul.

- Por qu�? - O azul n�o � espiritual?

O que o faz pensar que sou do tipo espiritual?

E voc�? Vermelho?

- O que o vermelho significa? - Um monte de coisas.

Raiva. Lux�ria.

Mesmo?

Bom, Senhor...

Eu o vejo por a�.

Al�?

O que est� fazendo, menina?

S� tentando terminar um livro. Como foi seu dia?

�timo.

Estou saindo da escola

e queria saber se precisa de algo para hoje.

Obrigada, que gentil.

Acho que tenho tudo.

Seja ador�vel

e traga gin, Tanqueray.

Eu adoro a cor da garrafa.

Voc� ama o que est� dentro. A que horas me quer?

�s 19h00 seria �timo, se estiver bem para voc�.

Perfeito, at� mais.

At� mais, tchau Geo.

Tchau, menina.

Linda!

- Sim, Sr. Potter? - Vai a algum lugar, Sr.?

� para isso que as pessoas entram em seus carros.

- Quero dizer, indo de f�rias ou... - O qu�?

Eu o vi esvaziar o escrit�rio.

O que voc� quer exatamente, Kenny?

Eu pensei que poder�amos sair para beber ou coisa assim.

Por qu�?

Eu n�o sei, senhor.

Pensei que podia gostar disso e...

Voc� parece precisar de um amigo.

- Acha mesmo? - Sim, senhor. Voc� precisa.

Talvez voc� tenha raz�o.

Mas ter� que ser outra hora. Estou atrasado.

Obrigado pelo convite.

E obrigado pela conversa de antes.

E fique longe da mescalina.

Ol�, Sr. Falconer.

- Ol�, como est� hoje? - Estou bem, senhor.

- Quer acesso � sua caixa? - Sim, obrigado.

Venha comigo.

Aqui est�, senhor.

Pode assinar aqui?

Obrigada.

Me fale de sua amiga Charlotte.

O que quer saber?

Eu n�o sei, acho que parecem muito �ntimos.

Como se j� tivessem ficado juntos ou coisa assim.

- Voc� j� dormiu com ela? - Sim.

E?

Algumas vezes, quando �ramos mais jovens.

N�o � que n�o significou nada para mim,

mas significou mais para Charley.

Isso foi h� muito tempo, em Londres.

Eu amo Charley.

- Somos amigos pr�ximos. Isso � tudo. - Estou confuso.

Se fica com mulheres, por que est� comigo?

Por que me apaixono por homens.

Me apaixonei por voc�.

E afinal, todos n�o dormem com mulheres quando jovens?

- Eu n�o. - Est� brincando.

N�o, n�o estou.

- Nunca me interessei. - Voc� � pavorosamente moderno, n�o?

Foi a primeira coisa que notei em voc�,

de como era seguro de si.

Como pode ter tanta certeza na sua idade?

Acha que sou seguro de mim?

Claro que �.

Eu terminei, obrigado.

Sim, Sr. Falconer?

H� algo mais em que posso ajud�-lo hoje?

N�o consigo achar meu tal�o de cheques e preciso de dinheiro.

Receio que hoje n�o � o meu dia. Com licen�a.

Mam�e diz que sobrancelhas espessas s�o comuns, mas acho as suas bonitas.

Acho as suas bonitas tamb�m.

Por que est� t�o triste? Quer conhecer Charlton Heston?

Ben Hur.

Nosso escorpi�o.

Toda noite jogamos algo novo para ele e observamos enquanto mata.

Papai diz que � como o Coliseu, a� meu irm�o Tom colou as colunas.

Ele quer ser designer.

Ele n�o comeu a aranha ainda,

pois est� cheio com a mariposa de ontem.

Papai diz que gostaria de jogar voc� no Coliseu.

S�rio? Por qu�?

Ele diz que voc� 'anda efeminado em seu mocassim',

mas voc� nem os usa.

Acho que meu irm�o, Tom, 'anda efeminado de mocassim',

mas ele usa Keds.

Semana passada, ele fez um tratamento de condicionador no meu cabelo,

com ovos.

Ficou brilhoso?

Querida, est� incomodando o Sr. Falconer?

Ela n�o me incomoda nada, Susan. Como est�?

Fico feliz em v�-lo, George.

Receberemos uns amigos hoje � noite.

Adoraria se pudesse se juntar a n�s.

Obrigado. � gentil, mas tenho planos.

Ent�o em uma outra hora.

Deixe o Sr. Falconer com suas opera��es banc�rias.

- At� logo, George. - Tchau, Susan.

Tchau, Jennifer!

- Posso ser �til, Sr.? - Gostaria de balas para essa arma.

Sim, senhor. Esta � mesmo uma arma muito antiga.

Oferecemos duas pistolas pelo pre�o de uma.

- Talvez uma para a sua senhora? - Obrigado. S� as balas, por favor.

- Aqui est�. Mais alguma coisa? - N�o, obrigado.

US$ 2,29.

Obrigado.

Desculpe-me, espero que ele n�o tenha rosnado para voc�.

Fica nervosa quando preciso deix�-la no carro.

Ela � linda. Qual � o nome dela?

�ndia.

Afaste-se.

Venha c�, querida.

Tive um fox terrier manchado. N�o os vemos com frequ�ncia.

Cheiro de torradas com manteiga.

Ela ainda � filhote, n�o?

Bem...

- Boa noite. - Para voc� tamb�m.

Boa noite, �ndia.

- Me desculpe por isso. - Tudo bem.

- Foi minha culpa, compro outro ma�o. - Tudo bem, n�o se incomode.

N�o, eu insisto.

Obrigado.

Desculpe pelos cacos de vidro.

- Aqui est�. - Obrigado.

Ei, quer um?

N�o, obrigado.

Na verdade sim, por que n�o?

Obrigado.

- Carlos. - O que voc� disse?

Carlos, � o meu nome.

Voc� est� bem?

Estou.

Estou, me desculpe.

"Voc� tem algo especial. "

"Um rosto incr�vel. "

"Aproveite. � uma d�diva. "

"Seu espanhol � perfeito. "

"Obrigado. "

"Devia t�-lo praticado mais. "

"Bom, nunca � tarde. "

O que est� fazendo?

N�o iremos para algum lugar?

N�o, mas obrigado.

"A polui��o � que produz essa cor. "

Eu nunca tinha visto o c�u dessa cor.

"�s vezes as coisas mais horr�veis t�m seu pr�prio encanto. "

Pode me dar outro cigarro?

Claro.

Tem certeza que n�o quer dar uma volta?

Tenho.

- De onde �? - Madri.

Madri? E como veio parar aqui?

� uma longa hist�ria.

Conheci um cara de LA no hotel que trabalhei, ele me disse

que eu poderia viver com ele e que me arranjaria um agente.

N�o levei em considera��o meu sotaque espanhol.

Eu gosto do seu sotaque, voc� fala muito bem.

Onde aprendeu ingl�s?

Minha m�e teve um namorado americano.

Sua m�e est� em Madri?

Est�. Ela corta cabelo.

Ela cortou o meu antes que eu viesse. Gosta?

Achei que me fez parecer James Dean.

Est� mais bonito que James Dean.

S�rio? Obrigado.

Ningu�m jamais me pegou sem querer algo em troca.

Acho que foi voc� que me fisgou.

Hoje � um dia dif�cil para mim.

Deixe disso. O que pode ser dif�cil para algu�m como voc�?

Acho que s� estou tentando esquecer um amor antigo.

Minha m�e diz que amores s�o como �nibus.

Basta esperar um pouco e l� vem outro.

Eu tenho que ir.

Parece que tudo que precisa � de algu�m que goste de voc�.

Obrigado.

Estou indo.

� a sua vez de trocar.

�, mas n�o vou trocar, � a sua vez.

N�o gostar� do que vou colocar.

Dou 5 d�lares se trocar. Estou velho para levantar.

Voc� s� � velho quando � conveniente.

- O que est� lendo, afinal? - "A Metamorfose"

Deus, essas coisas deprimentes de novo!

� para minha aula.

E qual obra intelectual de fic��o voc� estaria lendo?

"Bonequinha de luxo"

N�o seja t�o presun�oso.

Que vida ele tem.

- N�o o inveja? - Por qu�?

Por que ele cheira todos os rabos que quer?

Que simpatia.

N�o, porque ele s� faz o que o quer. Como ontem.

Eu estava no jardim e Susan chegou para conversar.

O moleque dela, Christopher, veio correndo com aquela maldita arma.

Bem, nosso c�ozinho foi at� ele, levantou a perna

e mijou no t�nis novo de Christopher.

Na verdade, no Christopher inteiro!

Eu tive que fingir que estava bem aborrecido.

Perfeitamente executado. Gostaria que tivesse visto.

Depois de todas as vezes que essas crian�as torturaram o pobre c�o.

Devia aprender com ele.

N�o fica acordado a noite toda preocupado.

Apenas calcula como nos levar a fazer exatamente o que ele quer.

Basicamente, s�o pequenos parasitas sofisticados.

Bom, as criaturas mais est�pidas s�o as mais felizes, veja sua m�e.

Ele simplesmente vive o momento.

Como agora.

O que pode ser melhor do que me aconchegar aqui com voc�?

Se eu morresse agora,

tudo bem.

N�o estaria nada bem para mim,

ent�o cale a boca e troque o disco.

Boa resposta.

Pensei em lev�-los comigo para Denver na pr�xima semana, se concordar.

Minha m�e o adora.

Provavelmente � a afinidade � mente similar.

Fique a�, meu velho.

"Fa�a um n� Windsor"

N�o. Eu n�o me esqueci do gin. Vejo voc� em dez minutos.

Christopher, gostaria que eu o matasse?

Eu n�o sei.

Se continuar com isso, vai descobrir.

Ent�o volte para casa e pare de atirar nas pessoas.

Estou t�o feliz por te ver.

Entre.

Que cheiro bom! Estou com tanta fome! Onde est� Louisa?

Dei folga a ela. Eu mesma cozinhei.

- Voc�? - Eu tentei fazer algo novo.

- Charley, voc� cozinhar � algo novo. - Engra�adinho.

Estou de bom humor hoje e serei divertida.

Eu fiz duas resolu��es de ano novo.

N�mero um:

n�o falar mais de odiosos ex-maridos ou filhos ingratos.

- E a outra? - Outra o qu�?

Resolu��o.

N�mero dois:

fumar mais, beber mais e fuder com todos!

Vamos, me prepare uma bebida.

Quero gin t�nico, por favor.

- Cuidado comigo, querido! - Saindo.

- Foi t�o gentil em vir esta noite. - Gentileza n�o tem a ver com isso.

- Eu precisava te ver. - Deixe disso.

Sempre que faz algo meigo, tem vergonha de admitir.

�s suas resolu��es de ano novo.

A elas.

A prop�sito, quais s�o as suas resolu��es?

Esquecer o passado. Completamente,

inteiramente e para sempre.

Acende meu cigarro?

Querido, voc� n�o parece bem.

Lembra-se do pequeno ataque card�aco que teve h� um ano?

- N�o foi um ataque. - N�o importa. N�o parece bem.

Estou bem, nunca estive melhor.

- S� cansado, n�o tenho dormido bem. - Geo, � normal.

Esteve com Jim por dezesseis anos.

Penso em Richard todo dia.

� duro ficar sozinha.

Pelo menos voc� tem um trabalho, uma vida.

Vamos jantar agora, podemos?

Porque eu trabalhei tanto!

- Do que est� falando? - S�rio. N�o existe mais "velho".

Ontem um aluno me chamou de "senhor de idade".

N�o me importo de n�o existir "velho",

mas "idoso" tamb�m n�o serve.

Tudo se tornou t�o ins�pido. N�o vim � Am�rica para isso.

� um total colapso da cultura e das boas maneiras.

Os jovens n�o t�m boas maneiras.

No outro dia, no lava-carro, um rapaz me olhou de cima abaixo

e me perguntou se eu era loira natural.

- O que disse? - Olhei-o nos olhos e disse:

"Digamos que, pela minha cabe�a,

seria uma morena natural com respira��o ofegante. "

- N�o falou! - Falei!

O engra�ado � que era isso que estava na cabe�a dele!

Voc� nunca teve papas na l�ngua, desde os tempos de Londres.

Se lembra daquela coroa l�sbica que te jogou bebida na cabe�a

porque voc� perguntou se o p�nis dela era igual a um donut?

Oh, Geo.

Sempre podemos voltar para Londres. N�s dois.

- N�o, obrigado. - Voc� sabe que tem saudades.

�s vezes eu sinto saudades.

Talvez se Jim estivesse vivo.

Ele adorava a Inglaterra. Queria passar o fim da vida l�.

Acha mesmo que teriam se mudado?

Eu n�o sei, in�til falar disso agora. Foi um sonho.

O que � isso?

� o anel de casamento de minha m�e.

Eu o encontrei quando fui limpar uma gaveta.

Charlotte querida, ambos precisamos de outro drinque.

Espere, espere!

Adoro essa!

- Voc� est� louca! - Venha, meu velho!

N�o se mexa.

Obrigada.

- A relaxante op��o do cigarro. - Sempre quis fazer isso.

Voc� nunca fumou!

N�o nos �ltimos 16 anos, Jim odiava cigarro.

O que me impede agora? N�o � como se isso fosse me matar.

� t�o bom ficar aqui com voc�.

Nunca sentiu falta disso?

Do que poder�amos ter sido?

Ter uma rela��o de verdade e filhos?

Eu tinha Jim.

Eu sei, mas falo de uma rela��o real.

Geo, vamos ser honestos, aquilo que tiveram foi maravilhoso,

mas n�o foi para substituir algo mais?

� o que realmente pensa depois de todos esses anos?

Que Jim era um substituto para o amor verdadeiro?

Jim n�o foi substituto para nada.

Entendeu?

N�o h� substituto para Jim!

Em lugar nenhum!

A prop�sito, o que foi verdadeiro em seu relacionamento com Richard?

Ele a deixou ap�s nove anos!

Jim e eu ficamos juntos por 16 anos

e se n�o morresse, ainda estar�amos juntos!

Onde diabos est� o irreal disso?

Desculpe, me desculpe.

Eu sei o quanto se amavam.

Acho que sempre tive ci�mes, pois nunca tive esse tipo de amor.

Na verdade, nunca tive um amor desse com ningu�m.

Acho que Richard nunca me amou,

exceto a minha apar�ncia.

E Clay... Eu n�o sei.

Voc� cria um filho, ama-o, a� ele cresce e vai embora.

N�o h� nada de errado com sua vida.

Apenas sente pena de si mesma. Um de seus grandes prazeres.

E n�o � um dos seus?

Voc� � t�o pat�tico quanto eu.

N�o sinto prazer em ter pena de mim!

Nem eu! N�o gosto nem um pouco.

Tentei segurar Richard o m�ximo,

mesmo quando era �bvio que tinha acabado.

Agora Clay � adulto.

O que estou fazendo aqui, Geo? Diga-me! O qu�?

Voc� est� cheia de amigos. Vai ficar bem.

Sim! Tenho amigos. Mas nenhum precisa de mim. E sim, tenho voc�.

E se n�o fosse um maldito boiola, poder�amos ter sido felizes!

S� est� aqui agora porque perdeu Jim.

Perderei-o quando achar algu�m. N�o � f�cil para uma mulher.

Fiz tudo o que devia e tudo o que tenho

para me fazer companhia � uma garrafa de gin.

Talvez devesse tentar donuts com seu gin.

V� se ferrar!

Charlotte, voc� � dram�tica.

Quase me convenceu.

Uma pequena l�grima at� se formou no canto dos meus olhos.

Agora pare.

Voc� ainda � bonita de tirar o f�lego

quando se anima a sair da cama e para de se lamentar por 5 minutos.

Volte para Londres, mude sua vida.

Se n�o � feliz como mulher, pare de agir como uma.

Voc� tem todas as respostas.

N�o, eu n�o tenho nenhuma.

J� que � esperto, por que n�o d� uma reviravolta em sua vida?

Por que n�o aceita o cargo em Stanford?

Por que ficar numa pequena escola se pode ter o cargo que quiser?

Acho que o que fiz valeu a pena.

Desculpe, desculpe.

Eu n�o devia ter dito isso.

Por mais apavorante que seja, acho que voltarei a Londres.

Por que est� apavorada?

Quando morava em Londres, eu era jovem, entusiasmada, tudo.

Vir para a Am�rica foi um sonho. A cereja em cima do bolo.

Voltar para casa � derrota.

Nada aconteceu da forma que planejei.

A maioria das coisas n�o acontece como as pessoas planejam.

Voc� vive no passado, precisa come�ar a pensar no futuro.

Viver no passado � o meu futuro.

N�o tem que ser o seu. Voc� � homem.

E voc� est� chato hoje.

N�o podemos apenas sentir pena de n�s mesmos um pouco mais?

- Vamos tomar outro drinque? - Acho que n�o.

- Por favor! - Preciso ir.

- Estava t�o divertido! - Vamos l�.

Quando o verei de novo?

- Vai voltar para a Inglaterra? - Nunca farei isso!

� esfor�o demais para mim.

E al�m disso, Jim n�o ia querer que eu o deixasse s� em Los Angeles.

N�o se preocupe comigo, ficarei bem. Tenho todas as respostas, lembra-se?

O que vai fazer neste fim de semana?

Acho que vou ficar bem tranquilo.

Nunca me levou realmente a s�rio, levou, George?

Eu tentei, Charley, lembra-se? H� muito tempo.

N�o deu certo, deu?

Boa noite, Charley.

Durma bem.

Patrick, uma cerveja e um ma�o de Lucky Strike.

Est� muito quente l�.

Sim, est�.

- Cigarro? - N�o, obrigado. Eu n�o fumo.

- Esse lugar � sempre cheio assim? - S�bado � noite �.

Mas geralmente n�o tanto assim.

Muita gente vem aqui, pega algu�m e a� v�o � praia.

Sim. � bem incivilizado por l�.

Estranho a pol�cia n�o acabar com a festa.

- � sempre assim? - Desde o fim da guerra.

Acho bacana, na verdade. Meio pag�o.

- Jim. - George.

� um prazer, Jim.

la encontrar uns amigos, mas n�o os achei.

Eu s� queria sair de casa, mas a cerveja gelada me tentou.

Mora aqui perto?

No Canyon.

- H� tempos? - Desde 38.

- De onde �? - Colorado.

Mas eu gosto daqui. � perto da praia.

Talvez eu fique depois da dispensa.

Eu n�o sei, talvez eu seja um pouco pag�o.

- Depois de voc�. - N�o, por favor.

Desculpe.

Com licen�a.

- Ol�! - Oi.

Me ofereceria uma bebida?

Receio estar acompanhado.

Que pena. Que pena.

Outra cerveja?

Patrick, uma garrafa de u�sque e um Lucky Strike, para levar.

Cancele, Patrick.

Ol�, Sr. Potter.

Ol�, senhor.

- O que estamos bebendo? - U�sque.

Pois bem.

Eu sempre venho aqui,

moro na esquina, mas voc� sabe disso.

Na Camphor Tree Lane.

Continua carregando por a�.

Sempre se deve apreciar os pequenos presentes da vida.

O que faz aqui?

- Sa� para dar uma volta de moto. - S� isso?

Eu n�o sei.

Estava me procurando?

Talvez, eu n�o sei.

Minha cabe�a est� cheia de coisas.

Que tipo de coisas?

- Coisas como as que falou na aula. - Definitivamente n�o � importante.

N�o, aquilo � importante. Sua aula � excelente.

Mas, de alguma forma,

parece que estamos sempre falando do passado.

O passado n�o me interessa.

- E o presente? - Mal posso esperar que acabe.

� uma 'fossa total'!

Bom, esta noite � uma exce��o.

O qu�?

Essa noite, sim! O presente, n�o!

Vamos beber a essa noite!

A essa noite.

Se o passado n�o conta e o presente � uma 'fossa total', e o futuro?

Que futuro? Cuba pode nos mandar pelos ares.

- A morte � o futuro. - Desculpe. N�o quis ser deprimente.

N�o � deprimente. � verdade. Pode n�o ser seu futuro imediato,

mas � o que todos compartilham.

O futuro � a morte.

Acho que est� certo.

Se algu�m n�o gosta do presente,

n�o h� muita chance do futuro ser melhor.

�, j� pensei nisso.

Mas a verdade � que nunca se sabe.

Veja essa noite.

Na verdade...

Me sinto sozinho a maior parte do tempo.

- Mesmo? - Sim.

Sempre me senti assim.

Nascemos sozinhos, morremos sozinho.

E enquanto estivermos aqui,

estaremos totalmente vedados nos pr�prios corpos.

Realmente estranho.

Pensar nisso me deixa louco.

S� podemos vivenciar o mundo exterior

atrav�s da percep��o parcial que temos.

Quem sabe o que realmente gosta.

S� vejo o que acho que voc� gosta.

Sou exatamente o que aparento ser.

Se olhar bem de perto.

A �nica coisa que fez a coisa toda valer a pena

foram aquelas

poucas vezes que fui capaz de me conectar de verdade com outra pessoa.

Tive uma intui��o sobre o senhor.

- Teve? - Sim, senhor.

De que voc� pode ser um verdadeiro rom�ntico.

Sabe, todo mundo sempre diz que,

quando se est� mais velho, ter� toda essa experi�ncia,

como algo fant�stico.

Grande merda, a cada dia nos tornamos mais insensatos.

- Mesmo? - Definitivamente, sim.

Ent�o toda sua experi�ncia � in�til?

Eu n�o diria isso.

Como diz Sr. Huxley:

"A experi�ncia n�o � o que acontece ao homem,

� o que homem faz com que aconte�a a ele. "

- Vamos nadar? - Est� bem.

- O qu�? - Foi um teste.

Pensei que estava blefando sobre a insensatez.

A� pensei: "Vou propor fazer algo bem extravagante

e, se ele resistir ou hesitar, saberei que ele s� fala merda. "

Eu n�o blefei, e voc�?

Diabos, n�o!

Venha, Sr. Eu o ajudo a descer.

Vamos l�.

Venha, senhor!

Venha!

Senhor!

Senhor!

J� chega disso, senhor.

- Estou bem. - Eu n�o, estou com frio. Vamos.

Podemos ir para sua casa, Sr.?

Claro, onde mais?

- Onde mais? - Perdeu o ju�zo?

- Qual � o problema? - N�o pode ir para casa assim.

Somos invis�veis. N�o sabe disso?

Sr, n�o ia conseguir sair sozinho. Poderia ter entrado em s�rios apuros.

Eu tiraria de letra.

Sua testa est� sangrando.

O banheiro � no fundo do corredor, se quiser tomar um banho.

Vai tomar um banho tamb�m, Sr.?

Estou bem, sou ingl�s. N�s gostamos de ficar frios e molhados.

Antes precisamos cuidar desse corte, Sr.

Tem Band-Aids?

- Vai acampar, senhor? - Estou bem, realmente.

Fique a�, eu j� volto.

Sente-se.

Incline a cabe�a para tr�s.

Agora n�o precisar� da desculpa da mescalina para explicar o curativo.

Acho que precisamos tirar essas roupas molhadas.

Sim, senhor.

- N�o est� com muito frio? - N�o, estou �timo.

- Quer uma bebida? - Uma cerveja, se houver.

Receio que � s� isso que temos.

Duas cervejas saindo.

- Mora sozinho, senhor? - Agora sim.

Eu dividia a casa com um amigo arquiteto.

Os rapazes da minha idade sonham com um lugar desse.

O que mais pode querer?

Pode ficar em paz e ir e vir quando quiser.

� essa a sua ideia da vida perfeita?

O que h�? N�o acredita em mim?

Se quer viver sozinho, onde Lois se encaixa nesse plano?

Lois? O que ela tem a ver com isso?

Tive impress�o de que estavam juntos.

N�o mesmo. Ela � uma menina bem legal.

Somos bons amigos, mas...

Acho que o quer saber mesmo � se dormimos juntos.

- E dormiu? - Sim, uma vez.

Por que s� uma vez?

Eu disse uma vez, n�o uma �nica vez.

Pare, Lois � a �ltima coisa que quero falar.

Que horas s�o?

Meu rel�gio parou.

Quer que eu v�?

Nem brinque. Pegue mais cerveja!

� uma ordem, senhor?

Pode ter certeza que �.

Pat�tico.

Disse algo, Sr.?

Por que est� aqui?

Por que pediu meu endere�o � secret�ria?

S� queria v�-lo em um lugar que n�o fosse a escola.

Por qu�?

�s vezes acho que estou louco porque vejo as coisas diferente dos outros.

Sinto que posso falar com voc�.

Para ser sincero, hoje estava preocupado com voc�.

Comigo?

O que h� para se preocupar?

Eu estou bem.

Eu...

Eu estou bem.

Poucas vezes em minha vida tive momentos de absoluta clareza.

Como quando, por alguns segundos, o sil�ncio abafa o ru�do

e eu posso sentir mais do que pensar.

As coisas parecem t�o claras.

O mundo parece t�o renovado.

� como se o mundo todo come�asse a existir.

N�o posso prolongar esses momentos.

Me apego a eles,

mas, como tudo, eles se desvanecem.

Minha vida foi vivida nesses momentos.

Eles me trouxeram de volta ao presente

e percebi que tudo � exatamente como deveria ser.

E simples assim, ela chegou.

ReSync: GuiZahn

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