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Os vizinhos ouviram-nos a discutir durante duas horas, o que era normal.
Depois, ouviram os dois disparos.
Foi um crime passional.
A paixão está escarrapachada na parede.
Agora, só falta despachar a papelada
O miúdo assistiu a tudo.
O quê?
O miúdo?
Que raio de pergunta é essa?
Vamos ficar radiantes por nos vermos livres de ti.
Se o miúdo viu? Que raio importa isso?
Está morto. A mulher matou-o.
O resto não nos diz respeito.
Detective Somerset?
Sou o Detective Mills.{
Cheguei à cidade há 20 minutos, e mandaram-me logo para aqui.
Olha...
Mills?
Mills... E se fôssemos conversar para um bar calmo?
Se não se importa, prefiro ir directo para a esquadra.
Tinha uma pergunta quando falámos ao telefone.
Sim.
Porquê aqui?
Não estou a perceber.
Porquê tanto empenho em ser transferido?
Foi a primeira coisa que me passou pela cabeça.
Pelas mesmas razões que tinha, antes de decidir reformar-se.
Acabou de me conhecer.
Talvez não tenha percebido a pergunta.
É muito simples.
Você fincou o pé para ser transferido para aqui.
- Eu nunca tinha visto isso acontecer. - Achei que podia ser útil.
Seria bom se não embirrássemos um com o outro.
- Mas o senhor é que manda, Tenente. - Sim.
Por agora, quero que observe e que oiça.
Não era segurança do Pingo Doce. Trabalho nos homicídios há 5 anos.
- Não aqui. - Bem sei.
Bem, durante os próximos 7 dias, Detective, faça o favor de me lembrar.
SETE PECADOS MORTAIS
SEGUNDA-FEIRA
Está?
Sim?
Como?
Pensei que nos tínhamos mudado para aqui para fugir do barulho dos tractores.
O "Sérpico" tem de ir.
Bem, deves querer ver-te livre desta pequena...
remela, Sérpico.
- Tiraste-a? - Tirei.
Bem.
Café?
Não toquei em nada, deixei tudo como estava.
Estabeleceram a hora da morte?
Tal como disse...
não toquei em nada...
mas ele tem a cara no esparguete há 45 minutos.
Esperem. Não verificaram se tinha sinais vitais?
Serei gago? Para estar vivo, tinha de respirar molho de esparguete.
- É assim que actuam, aqui? - Desculpe, detective.
O tipo está sentado na trampa dele. Se estivesse vivo, já se tinha levantado.
-Certo. - Obrigado.
Obrigado, eu!
Pergunto-me...
Qual era exactamente o objectivo daquela conversa?
Não sei. Quantas vezes é que o Barney Five encontrou mortos que estavam vivos.
Esqueça.
Liguem para o Guinness, temos aqui um recorde!
Melhores casas e jardins.
Quem disse que isto era um homicídio?
Ninguém.
O tipo deve ter um coração...
do tamanho de um presunto.
Se não foi enfarte...
bem...
... não sei o que terá sido.
Curioso!
Uma vez, tivemos um caso...
... um tipo morto no chão...
com uma faca nas costas.
Só podia ser crime, certo?
Merda!
Só que o tipo tinha um seguro chorudo,
então pegou numa faca...
e espetou-a nas próprias costas.
Mas não acertou logo... tinha várias faca...
Importa-se de estar calado?
Espere aí...
Que foi?
Está aqui um balde.
O que tem dentro?
Merda!
Isto é vomitado!
Tem sangue?
Não vi nenhum. Sirva-se à vontade.
Acha que foi veneno?
Que ambiente requintado!
Foi veneno, Somerset?
As meninas têm os tipos da morgue lá fora.
Podemos não caber.
Há espaço, a luz é que é o problema.
- Olá! - Olá!
Mills, ajuda os agentes...
a interrogar os vizinhos?
Como?
De caminho, mande entrar os da morgue.
Está morto.
Obrigado, Doutor.
Leu o meu dossier? Conhece os meus casos?
Não.
Já tive a minha conta de andar a bater de porta em porta...
- E - O meu distintivo diz...
"Detective", tal como o seu.
Tomei uma decisão...
Tinha de salvaguardar a integridade do local,
sem me preocupar se teve tempo para a analisar.
Ouça...
Não me foda. É tudo que peço. Não me foda.
Ele estava morto...
há muito tempo. E não foi envenenamento.
Como é que alguém chega a este estado?
Foram preciso quatro homens para o meterem em cima da mesa.
- Como é que o cabrão do gordo cabia na porta? - Obviamente que não saía de casa.
Olhe. Veja como o estômago é enorme.
E o estranho é que dilata.
Olhe para o tamanho do orifício cardiaco, onde a comida...
Estou a ver. O que significa isso?
Ok, tem pregas de distensão...
por todo o duodeno,
e a parede interna do estômago foi rasgada.
Este homem comeu até rebentar?
Não foi bem rebentar, mas uma hemorragia interna.
Tem um hematoma no recto, e...
- os músculos abdominais... - Morreu porque comeu demais?
Sim e não.
E estas nódoas negras aqui?
Ainda não percebi o que serão.
Uma arma encostada à cabeça?
Com muita força, talvez.
Sim...
Tem as marcas do cano na testa.
Senhoras e senhores, aqui temos um homicídio.
O assassino pôs-lhe um balde à frente e continuou a servi-lo calmamente.
O médico diz que poderá ter durado mais de 12 horas.
A vítima tinha a garganta inchada, devido ao esforço,
e deve ter perdido os sentidos.
Depois, o assassino golpeou-o...
- e ele rebentou. - Estupor sádico, não?
Quando queres alguém morto, passas por ele e disparas.
Não se perde o tempo que este acto implica.
- A não ser que o acto tenha um significado. - Anda lá.
Alguém tinha um problema com o gordo e torturou-o. É tão simples como isso.
Nos sacos nas compras...
havia dois recibos, o que significa que o assassino teve de voltar...
ao supermercado.
E depois...?
Ei, isso não interessa. Estive à chuva o dia inteiro.
- Isto é o princípio. - Temos...
um morto e não três.
Sem motivo.
Nem comeces com ideias mirabolantes...
sobre este caso, o.k.?
Dê-me outro caso.
Que conversa é essa?
Este não pode ser o meu último caso.
Vai durar uma eternidade.
Faltam-te seis dias para a reforma.
Não seria a primeira vez que deixas um caso a meio.
Levei os outros casos até onde era humanamente possível.
- Posso ser franco? - Estás entre amigos.
Este não devia ser o primeiro caso dele.
Eu já sabia! Não é o meu primeiro caso, cretino.
É cedo de mais para ele.
Estou aqui. Diga-mo na cara. Capitão?
É cedo de mais para si.
Capitão...
Podemos falar em particular?
Isto é pessoal.
Cale-se, Mills.
Não tenho mais ninguém...
para colocar neste caso, bem sabes. Fala ao Metro.
- Não queres apenas esquivar-te. - Dê-mo a mim.
Ele quer sair, que se foda. Adeus, passa bem.
Dê-mo a mim.
Não. É a si que vou destacar para outro caso.
Pode sair, Mills.
Lamento, mas parece que vais ter de ficar...
a limpar o caso do gordo.
Terça
CRIME INSTALA-SE EM BAIRRO DA ALTA
ADVOGADO DE DEFESA ENCONTRADO MORTO.
Vamos a isto. Tenham calma...
Acalmem-se, por favor!
Tenham calma e não façam barulho!
É assim que vai funcionar:
Responderei às questões durante 10 minutos, e somente 10 minutos.
Ou as fazem de forma calma e ordeira, ou vou-me embora.
Detective? Detective?
- Dá-me um minuto? - Não.
Não vou discutir os pormenores deste caso, por isso escusam de perguntar.
O que têm para mim?
Por enquanto, nada.
E se fossem tomar um café?
{y:i}Notícia de última hora. {y:i}Vamos até ao centro da cidade,
{y:i}Eli Gould foi encontrado morto.
{y:i}O Promotor Martin Talbot {y:i}responde aos Jornalistas.
{y:i}Há conflito de interesses {y:i}entre os seus agentes?
{y:i}Isso é ridículo e ofensivo. {y:i}Não existe nenhum conflito,
{y:i}Consta que o seu sócio pode ser suspeito. {y:i}Vou responder a isso...
{y:i}Vim de uma reunião com a Polícia, {y:i}onde me garantiram
{y:i}que têm os melhores homens {y:i}a tratar do assunto.
{y:i}Este caso será {y:i}um exemplo perfeito
{y:i}de Justiça célere.
AVAREZA.
Com licença, George.
Somerset?
Entre.
Ouviste as notícias?
Não ouvi nada.
O Eli Gould foi encontrado morto esta manhã.
Alguém entrou na sua firma e esvaiu-o em sangue.
Escreveu a palavra avareza no chão.
- Avareza? - Sim, com sangue.
Entreguei a investigação ao Mills.
Desculpe, desculpe.
Pode parar com isso?
Ainda bem para ele.
Que raio vais fazer...
durante a reforma, Somerset?
Hei-de sobreviver. Compro uma quinta, arranjo a casa...
Já a tiveste?
Já tiveste aquela sensação?
De que já não és policia.
É essa a ideia.
Não acredito que consigas deixar tudo isto.
Não podes deixar isto.
Um gajo a passear os cães.
Sé atacados.
Roubam-lhe o relógio e a carteira.
Enquanto está indefeso...
deitado no passeio...
o ladrão fura-lhe ambos os olhos.
Isto aconteceu ontem, a quatro quarteirôes daqui.
Eu li.
Já não compreendo esta cidade.
Está como sempre esteve.
-Talvez tenhas razão. - Este trabalho é aquilo para o que tu foste feito.
Acho que não podes negar isso.
Talvez esteja enganado.
O médico legista mandou isto para ti.
Estavam no estômago do gordo...
misturados com a comida. Parecem bocados de...
- plástico. - Põe-nos na secretária.
Foi forçado a engoli-los.
Santo Deus!
GULA!
Isto foi encontrado atrás do frigorifico, na cena do crime do gordo.
{y:i}Longo e árduo é o caminho...
{y:i}que do inferno nos guia até à luz.
É do Milton.
Paraíso Perdido.
Está bem.
Estou confuso.
Significa que é apenas o começo.
GULA!
Isto também estava atrás do frigorífico,
escrito com banha.
Os pecados mortais são sete, Capitão.
Gula...
avareza...
preguiça, ira...
orgulho, luxuria...
... e Inveja.
Sete.
Espere.
Esta não é a minha secretária.
Pode contar com mais cinco crimes.
Espera aí!
Não posso envolver-me nisto.
Somerset.
Ele queria o caso.
Merda.
Já estou envolvido.
Para onde vai?
Para bem longe daqui!
- Venho só fazer umas consultas. - O.k..
Senta-te onde quiseres.
Como estão todos?
Hiya, Smiley.
George, as cartas estão à espera!
O dever chama-me.
Cavalheiros! Cavalheiros...
Nunca hei-de perceber.
Todos este livros...
um mundo de conhecimento...
e vocês que fazem?
Jogam Póquer a noite inteira.
Nós já temos Cultura!
Certo, a sair-nos pelo cu!
Isto parece-te culto?
CONTOS DE CANTERBURY. CHAUCER.
A DIVINA COMÉDIA. DANTE.
VÍTIMA OBRIGADA A AUTOMUTILAR-SE.
Mills, consulte estas obras sobre os sete pecados mortais.
Purgatório de Dante Contos de Canterbury
Sabes Smiley...
vais sentir a nossa falta.
É provável.
PURGATÓRIO DIAGRAMA DO INFERNO DE DANTE
O PARAÍSO TERRENO.
QUARTA-FEIRA
Merda de Dante!
Poeta panasca!
Cabrão!
Bom trabalho, Sr. agente!
Obrigado, Deus.
Peço desculpa.
Saio imediatamente.
- Quer a cadeira? - Vá à frente.
Sim?
O telefone...
Vem incluído no gabinete.
Mills.
Querida...
Estás bem, sentes-te bem?
Tinha-te pedido que não ligasses nas horas de serviço.
Sim, porquê?
Porque?
Okay.
É a minha mulher.
Como...?
Quer falar consigo.
Fala o Detective Somerset.
O prazer é todo meu.
Agradeço o convite, mas...
Nesse caso, terei muito gosto.
Sim, muito obrigado.
Adeus.
Querida?
Então?
Desculpe?
Fui convidado para cear em sua casa e aceitei.
- Em minha...Como? - Hoje à noite.
Olá, meus senhores.
- Olá, falhada. - Olá, idiota.
Esta é a Tracy. O Somerset...
Olá.
Muito prazer. Tenho ouvido falar muito em si.
Só não sei o seu primeiro nome.
William.
É um bonito nome.
William.
William, gostava que conhecesse o David.
- David, este é o William. - Está bem! Já volto.
Como estão as crianças? - Bem, estão na sala. Venha, entre.
Como estão os meus lindos meninos?
- Cheira bem. - Como?
Claro... Quer dizer, obrigada.
Sente-se, por favor. Quer tomar algo?
Não obrigado, prefiro esperar.
Atire isso para onde quiser. Desculpe a desarrumação.
Ainda estamos nas mudanças.
Soube que vocês se conheceram no liceu.
Vulgar, não acha?
Sabe uma coisa?
Assim que o vi, soube que era com ele que ia casar.
A sério?
Era o rapaz mais engraçado que tinha conhecido.
A sério?
É muito raro, nos dias que correm...
... um compromisso tão forte.
Não se aflija.
Não as vou usar à mesa.
Não interessa...
por mais armas que veja,
não consigo habituar-me a elas.
Nem eu.
- Porque não se casou, William? - Tracy!!
Que diabo...
Estive perto, um dia.
Mas não aconteceu.
Surpreende-me bastante.
A sério.
Bem...
Qualquer pessoa que passe um bocado comigo me acha desagradável.
Pergunte ao seu marido.
Verdade.
É realmente verdade.
Há quanto tempo vive aqui?
Há demasiado.
Estão a gostar?
Demora algum tempo.
Há-de ser bom.
Passado uns tempos habituam-se.
É assim em todos os lados.
- O Metro! - Daqui a nada passa.
O cabrão do agente imobiliário... Peço desculpa.
Mostrou-nos a casa várias vezes.
Achei que era eficiente. A Tracy simpatizou com ele.
Depois comecei a interrogar-me porque cá vínhamos somente 5 minutos de cada vez.
Descobrimos na primeira noite.
Um lar tranquilo, descontraído e vibrante!
Peço desculpa.
Isso, riam à vontade.
Não percebo porque te ris.
Pronto, já chega!
Teve de entrar no escritório, antes de fechar, por causa da segurança.
O Gould devia estar a fazer serão.
Era o advogado de defesa mais famoso da cidade.
- No mau sentido. - Encontraram-no na terça de manhã.
O escritório esteve fechado na Segunda, deve ter entrado na Sexta...
esperado pela saída do pessoal da limpeza,
e depois este sábado, domingo e segunda com o Gould.
Repare nisto.
O Gould estava amarrado mas tinha a mão direita livre.
Estava a segurar uma faca de talhante.
Veja a balança.
Meio quilo de carne.
{y:i}Meio quilo de carne, {y:i}nem mais nem menos.
{y:i}Nada de cartilagens ou ossos,
{y:i}apenas carne.
Mercador de Veneza.
Não conheço.
{y:i}Acabada a obra, ficarás livre...
A cadeira estava empapada de suor.
Claro, o assassino deu-lhe todo o tempo do mundo...
para decidir que bocado...
cortar primeiro.
Imagine isto.
Tem uma arma na sua cara.
Que parte do seu corpo é dispensável?
O pneu.
Cortou tudo o que havia à volta do estômago.
Vamos analisar de novo o caso.
O corpo está lá. Tente ultrapassar o choque inicial.
O truque é encontrar uma pista e estudá-la...
até à exaustão.
Vou buscar outra cerveja. Quer?
Prefiro vinho, por favor.
Ele está a pregar um sermão.
É o castigo.
Os pecados eram usados nos sermões medievais.
Sete virtudes cardinais e sete pecados mortais,
- usados como instrumentos de ensino. - Como no "conto do Pároco", do...
- Dante. - Leu os livros.
Li excertos. Lembra-se de que, no "Purgatório",
o Dante e o amigo vão subindo e observando os pecadores?
- Os sete terraços do purgatório. - Sim.
Mas lá o orgulho vem primeiro, não a gula.
Por agora, imaginemos que os livros inspiraram o criminoso.
Os sermões falavam de expiação dos pecados,
mas estes crimes são uma contrição forçada.
Contri... quê??
Arrependimento pelos pecados, mas não porque...
- amas Deus, - Mas porque tens uma arma encostada à cabeça.
Sem impressões digitais.
Não
- Vítimas não relacionadas - Pois.
E nem uma testemunha.
O que eu não percebo...
o cabrão teve que sair dali.
Numa grande cidade, controlar a tua própria empresa é uma ciência.
Na prevenção da violação, a primeira coisa que ensinam...
é a não gritar "socorro", mas sim "fogo".
A "socorro", ninguém liga.
Mas a "fogo", todos acodem.
Isso é lixado.
Ele deve ter deixado outra peça do "puzzle".
Obrigado por discutir o caso comigo, mas tenho que dormir,
Passear os cães.
Isto é só para matar a curiosidade.
- Para a semana, já não estarei cá. - Merda! Espere.
A mulher do Gould que estava fora naquele dia.
- Pode ter visto alguma coisa. - E se for uma ameaça?
Metia numa casa de abrigo. Não ficou lá muito satisfeita.
E se não foi algo que ela tivesse visto,
mas sim que deveria ter visto e não teve essa hipótese?
Mas o quê?
Não sei.
Mas é só o que temos.
Eu assino pelos dois.
Viemos falar com a Srª. Gould.
Srª. Gould?
Srª. Gould, acredite que lamento profundamente.
Não percebo...
Preciso que olhe para estas fotografias,
com muita atenção,
e veja se há alguma coisa estranha ou fora do lugar.
Seja o que for.
Não vejo nada.
Por favor, não consigo fazer isto.
Okay.
Tem de ser agora
Pode haver algo que nos tenha escapado.
Espere...
O que foi?
Aqui.
Este quadro está ao contrário.
- Os seus homens não lhe mexeram? - Não.
Foram tiradas antes da entrada do pessoal da morgue.
Nada.
Tem de haver qualquer coisa.
- Ele mexeu na moldura para virá-lo? - Sim.
Que merda é essa?
Uma ponta e mola.
Fodas.
Tem de haver qualquer coisa.
Não foi ele que o pintou.
Ele está a gozar connosco!
Veja isto, somos nós.
Espere aí...
- O Somerset em cima da mobília. - Espere um bocado.
Está a gozar comigo.
Chame o pessoal das impressões digitais.
Honestamente...
já alguma vez viu uma coisa deste tipo?
AJUDE-ME.
O padrão dos assassinos diz-me que estas não são...
as impressões das vitimas.
Não sei.
Eu digo que ele é suficientemente maluco.
Não bate certo.
Ele não quer parar.
Quem sabe?
Os malucos que andam por aí não querem parar...
As vozes obrigam-me...
A Jodie Foster obrigou-me...
Pode demorar...
três dias a encontrar de quem são, por isso podiam ir ...
fazer figas para outro lado.
Sentiu o que disse à Srª. Gould, não sentiu?
Acerca de apanhar este gajo.
Desejava continuar a pensar como você pensa.
O que julga que estamos a fazer?
A apanhar os destroços.
Estamos a reunir provas,
a tirar fotografias, a juntar objectos,
a assentar tudo, a anotar a que horas se deram os crimes.
É só?
É.
Amontoamos tudo numa pilha e preenchemos a papelada,
na remota hipótese de isto chegar a tribunal.
Procuramos diamantes numa ilha deserta
e guardamo-los, para o caso de sermos salvos.
Tretas!
Até as pistas mais promissoras conduzem, em geral, a outras.
Tantos corpos são enterrados por vingar.
Não tente dizer-me que não sentiu a adrenalina.
Eu vi-o.
Garanto-lhe que estamos a progredir.
QUINTA-FEIRA
Acordem, manos gémeos.
Temos vencedor.
O tipo é conhecido por Victor, mas chama-se Theodore Allen.
São as impressões dele que estavam na cena do crime.
Tem uma longa história de doença mental.
Os pais deram-lhe uma educação religiosa sulista e severa,
mas parece que ele descambou.
O Victor meteu-se na droga, praticou alguns roubos,
foi parar à prisão por tentativa de violação de menores,
mas o advogado conseguiu diminuir-lhe muito a pena.
Advogado esse que foi a vítima do crime da "Avareza".
Vamos resolver isto hoje, Senhoras e "vermes".
O Victor tem andando fora de circulação, mas sabemos onde mora.
- Não estão a acreditar nisto? - Não parece....
o nosso homem, pois não?
Explique-se melhor.
O nosso parece mais determinado.
Já foi baleado?
Em 34 anos de serviço, nunca. Graças a Deus.
E só saquei da minha arma...
3 vezes com intenção de a disparar.
Nunca puxei o gatilho.
Nem uma vez.
Você?
Nunca levei um tiro,
mas saquei da arma e disparei uma vez.
- A sério? - Foi a minha primeira vez numa missão deste tipo.
Éramos a unidade secundária.
Tremia como varas verdes. Era novato.
Rebentámos com a porta à procura do agarrado e o cabrão desatou aos tiros.
Um agente foi atingido no braço.
Qual era o nome dele?
Foi tudo muito rápido, mas, para mim foi tudo em câmara lenta.
Lembro-me...
de ir com ele na ambulância,
onde acabou por morrer.
Céus! Qual era o nome dele?
Primeiro, as Forças Especiais.
Eles adoram isto.
Policia!
Livre.
Bom dia, amor.
De pé, cabrão.
De pé, monte de merda!
Porra!
Piços!
Venham cá ver isto.
Piços!
Jesus.
Victor?
- Mas que raio? - É apenas o Victor.
- Chamem uma ambulância. - Que raio.
Ouviram??
E os patologistas.
Mande sair os seus homens.
Ninguém toca em nada!
O tipo parece uma escultura de cera.
PREGUIÇA
Raios o partam!
As fotos foram tiradas há três dias.
Esta deve ser a primeira.
Olhe.
Tem a data de há exactamente um ano.
Tenho uma amostra de cabelo,
de fezes, urina,
unhas.
Ele está a rir-se de nós.
Tiveste o que merecias.
Está vivo! O sacana está vivo!
Baixem as armas!
Baixem as armas! Uma ambulância, depressa!
- Está a brincar connosco. - Não me diga!
Não se deixe envolver pelas emoções.
Por mais que custe, concentremo-nos nos pormenores.
Está a ouvir-me?
Sim, estou a ouvi-lo.
- Desculpe. - Que está a fazer?
- Isto é o local de um crime! Desapareça! - Eu tenho o direito de estar aqui.
Sou um fotógrafo.
Tenho a merda do direito de estar aqui!
- Desaparece. - Anormal.
Tenho a tua fotografia!
Detective Mills. M-l-L-L-S vai-te foder.
- Ena! Sabes soletrar! - Vai-te foder!
Como é que chegam tão depressa?
Pagam à policia pela informação, e bem!.
Desculpe.
Estes tipos põem-me louco.
O.k..
É impressionante ver um homem alimentar-se das emoções.
Diria um ano de imobilidade,
as amostras de sangue mostram uma série de drogas no sistema
e até um antibiótico, quiçá administrado para evitar que as feridas infectassem.
Ele já tentou dizer alguma coisa?
Mesmo que o cérebro não estivesse morto, o que está,
ele já comeu a língua há muito tempo.
Doutor.
Haverá alguma hipótese de ele sobreviver?
Detective, se lhe apontar uma lanterna, ele morre de choque.
Já teve mais dor e sofrimento do que qualquer pessoa que eu já tenha visto,
e ainda tem o inferno pela frente.
Boa noite.
{y:i}Olá William.
{y:i}É a Tracy.
Tracy?
Está tudo bem?
{y:i}Sim, está tudo óptimo.
O David?
{y:i}Está mesmo aqui ao lado, {y:i}no duche.
{y:i}Desculpe o atrevimento.
Não faz mal. Posso ajudá-la?
Preciso de desabafar com alguém.
Podemos encontrar-nos num sítio qualquer,
talvez amanhã de manhã?
Não percebo.
{y:i}Sinto-me estúpida {y:i}por ter ligado,
É a única pessoa que conheço aqui.
Não existe mais ninguém.
{y:i}Se puder...
{y:i}telefone-me, o.k.?
{y:i}Tenho de desligar.
{y:i}Boa noite.
Boa noite.
SEXTA-FEIRA
Quer dizer...
conhece tão bem a cidade...
vive cá há tanto tempo...
Pode ser difícil.
Nem sei porque quis falar consigo.
Porque não fala com ele?
Diga-lhe o que sente.
Não posso ser um fardo, muito menos agora.
Hei-de habituar-me.
Queria falar com alguém,
que vivesse aqui há muito tempo.
Na nossa terra, o ambiente era completamente diferente.
O David disse-lhe que sou professora do 5ºano? Ou fui.
Falou nisso por alto.
Tenho andado a procurar escolas,
mas as condições são...
horríveis.
Há colégios privados.
Não sei...
Porque não me conta o que realmente a perturba?
O David e eu vamos ter um bebé.
Oh, Tracy. Eu...
Não serei a pessoa indicada,
para falar nisso.
Odeio esta cidade.
Um dia, tive uma relação,
era quase um casamento.
Íamos ser pais.
Foi há muitos anos.
Lembro-me de me levantar de manhã para ir trabalhar.
Seria um dia igual aos outros,
se não fosse o dia depois de ter sabido da gravidez.
E senti um medo terrível,
pela primeira vez desde sempre...
... lembro-me de ter pensado...
como posso pôr uma criança num mundo assim?
Como pode alguém crescer rodeado de tudo isto?
Disse-lhe que não o queria.
E nas semanas seguintes,
insisti com ela.
Eu quero ter filhos.
Agora posso-lhe dizer...
eu sei, quer dizer...
tenho a certeza de que,
tomei a decisão correcta.
Mas não há um único dia, em que eu não deseje,
que tivesse tido outra decisão.
Se não...
ficar...
com o bebé, quer dizer, se for essa a sua opção,
nunca lhe diga que esteve grávida.
Se resolver ter o bebé,
estrague-o com todos os mimos que puder,
em todas as ocasiões possíveis.
É o único conselho que lhe posso dar, Tracy.
Tenho que ir.
William.
Obrigada.
Gula Avareza Preguiça Inveja Ira Orgulho Luxuria
O senhorio do Victor diz que ele recebia um envelope com dinheiro
no primeiro dia de cada mês.
Cito:
{y:i}Nunca tive queixas {y:i}do inquilino...
{y:i}do apartamento 306, e nunca {y:i}ninguém se queixou dele.
{y:i}O melhor inquilino que alguma vez tive.
O sonho dos senhorios:
Um inquilino paralisado, sem língua.
Que paga a renda a horas.
Estou doente de tanto esperar.
Este é o nosso trabalho.
Porque não andamos por aí.
Porque temos de ficar à apodrecer à espera que esse lunático...
mate outra vez.
Não cometa o erro de o considerar um tarado.
O tipo é demente!
Provavelmente, neste momento, está a dançar com as cuecas da avó vestidas.
barrado com manteiga de amendoim.
O quê?
Não me parece.
A sorte dele há-de esgotar-se.
Ele não depende da sorte.
Entrámos naquele apartamento exactamente um ano depois
de ele amarrar o Victor à cama, tal como ele queria.
- Não temos a certeza disso. - Temos, sim.
Pelo recado que deixou,
pelas primeiras palavras que nos dirigiu:
{y:i}Longo e árduo é o caminho...
{y:i}que do inferno nos guia até à luz.
Que se foda! E depois?
Até agora, ele tem razão.
Imagine a paciência para manter um homem amarrado um ano inteiro,
para cortar a sua mão e depois usá-la
para deixar impressões digitais,
para lhe inserir tubos nos genitais.
Este gajo é metódico, exacto,
e, pior de tudo, paciente.
É um tarado!
Lá porque o cabrão tem um cartão da biblioteca não faz dele um Yoda.
Tem dinheiro?
50. Tenho 50 dólares.
Vamos dar uma volta!
Vamos fazer uma lista sobre o purgatório
e com tudo o que está ligado aos sete pecados mortais.
- Pergunte a si mesmo. - Espere.
Pense no que terá estudado para fazer o que fez.
Quais são os interesses dele?
Jack, o Estripador...
- Onde vamos? - Biblioteca.
Copões. Copões. Copões grátis. Descontos.
Copões de desconto.
Devem ter tido pelo menos 50 violações de saúde durante o último ano.
Não quero que pensem que andamos juntos
Dê-me o seu dinheiro.
Eu dou-lho, mas gostava de saber o que andamos a fazer.
Olá Somerset, como vai isso?
Não esperava um "ménage à trois".
Tudo bem, senta-te.
Só por ti é que faço isto. É um risco muito grande.
- Acho que ficamos quites. - Combinado.
Dá-me aí uma hora.
Esteja à vontade.
Foi dinheiro bem gasto!
Está bem.
Ao contar-lhe isto, estou a confiar mais em si do que costumo.
Óptimo! Estava prestes a dar-lhe um murro.
Provavelmente não é nada, mas mesmo assim, não custa tentar.
Este tipo é um amigo meu do F.B.I.
Quem? O fedorento?
Durante anos o F.B.I. guardou informações sobre as requisições nas bibliotecas.
- Para controlar as multas? - Não, os hábitos de leitura.
Olhe.
Alguns livros estão marcados,
Livros sobre armas nucleares, o "Mein Kampf"...
Quem os pede passa a fazer parte das listas do FBl.
Espere aí. Isso é legal?
Legal, ilegal. Esses termos não se aplicam.
Pode usar a informação directamente. É apenas um guia.
Pode parecer estranho, mas não consegue o cartão da biblioteca sem o BI
e uma conta do telefone corrente.
- Introduzem isso na lista? - Exactamente.
Se quer saber quem anda a ler o
O Paraíso Perdido e "O Diabo a Sete",
os computadores do F.B.I. Dizem-nos.
Pode-nos dizer um nome,
de um jovem de um colégio a escrever um trabalho
acerca do crime do século 20.
Pelo menos está fora do escritório.
Corte o cabelo.
Como sabe isso.
Não sei.
- E você também não. - Certo.
Divina Comédia
há um chamado "Assassinos e Loucos".
Investigação do Homicídio Moderno, "A Sangue Frio",
- "Servidão Humana"? - Não é o que pensa.
- Marquês de Sade. - Está bem..
Trabalhos de St. Thomas Aqualquer coisa...
Saint Thomas Aquinas. Aí.
Ele escreveu sobre os sete pecados mortais.
É isto.
Sim.
- Vamos experimentar. - Jonathan Doe?
Seja lá quem for.
Temos a certeza do nome, certo?
Temos, também o leu.
Mas se quiser ir embora, vamos.
Vamos falar com ele, primeiro.
Isto é de doidos.
Vamos apenas falar com ele.
Desculpe senhor. Por acaso é um assassino em série?
Fala você com ele.
Dê uso a essa língua de veludo.
Tem falado com a minha mulher?
Atrasado.
Parecemos os idiotas dos "Anjos de Charlie".
Um nome saído de um computador...
Mills!
- Está ferido? - Não!
Ele vai a descer!
Quinto andar!
Polícia! Há uma saída nas traseiras?
Tranque a porta.
Meta-se em casa, faz favor.
Para o chão!
Para o chão caralho.
Merda!
Saiam da frente! Mexam-se!
- Estás bem? - Estou.
Aonde é que vais?
- Vou entrar. - Não, espera!
O quê? O Cabrão disparou sobre mim.
Não podes entrar.
- Precisamos de um mandado. - Temos causa provável.
Pensa. Como é que viemos até aqui?
- Não posso dizer a ninguém acerca do F.B.I.. - Sai da frente.
Não temos razões para estar aqui. Estás-me a ouvir?
- Sai de cima de mim! - Pronto, desculpa...
Ouve o que te digo!
Com um buraco destes não o podemos condenar.
O cabrão vai fugir. É isso que queres?
Eu não alinho nessa.
Precisamos de um motivo para bater a esta porta!
Pensa nisso!
Okay?
Okay, okay.
Tens razão, estou todo baralhado.
Quando tens razão, tens razão.
Bem...
Agora, já não vale a pena discutir sobre o assunto.
A não ser que saibas consertar portas.
Grande idiota!
Quanto dinheiro ainda nos resta?
Reparei que ele saía sempre que se davam os crimes.
- Então eu... - Chamastes o detective Somerset?
Ela chamou o Somerset.
Chamei, porque me borrava de medo do tipo
Pronto, já lhe contei o resto. Assentou tudo, certo?
Mande-a assinar. Tens de assinar.
- Muito bem. - Fiz o que me disse.
Toma, e vai comer qualquer coisa, sim?
Fiquem todos cá fora.
Victor.
Fodas.
Somerset!
- O que foi? - Tivemo-lo!
Como assim?
Era o cabrão do fotógrafo, na merda das escadas!
Tivemo-lo e deixámo-lo fugir.
Tem a certeza de que é ele?
Sim, mande distribuir.
Não encontrámos extractos de conta, agendas, moradas...só este recibo.
Continuem à procura.
Veja isto. Estava debaixo da cama.
- Será o único dinheiro dele? - Boa! Temos toda a massa dele.
Não vai acreditar nisto,
mas não encontrámos uma única impressão digital.
Pois não. Continuem à procura.
Mais agentes vinham a calhar.
Estou a dar o meu melhor. O que já descobriste?
Há dois mil blocos de notas nas prateleiras.
Cada um tem 250 páginas.
E quanto aos crimes?
{y:i}Que ridículas e doentias marionetas que nós somos, {y:i}e em que palco nojento dançamos.
{y:i}Divertimo-nos a dançar e a foder
{y:i}Sem nos ralarmos. {y:i}Sem sabermos que não somos nada.
{y:i}Não somos aquilo que estava programado.
Espera, há muito mais.
{y:i}Hoje, no Metro, {y:i}um homem meteu conversa comigo.
{y:i}Era um solitário. {y:i}Falou do tempo, etc.
{y:i}Tentei ser simpático e educado,
{y:i}mas a minha cabeça latejava {y:i}com tanta banalidade.
{y:i}Quase sem dar por isso...
{y:i}de repente vomitei para cima dele,
{y:i}ele não ficou contente...
{y:i}e eu não consegui parar de rir.
Não têm data.
Foram postos nas prateleiras sem qualquer ordem aparente.
São apenas os pensamentos dele postos no papel.
A obra de uma vida!
Mesmo com 50 homens a ler em turnos de 24 horas,
levaria uns dois meses. - Eu sei, eu sei.
O telefone, o telefone!
Silêncio!
{y:i}Admiro-o muito.
{y:i}Não sei como me descobriu, {y:i}mas fiquei surpreendido.
{y:i}Cada dia respeito mais {y:i}os agentes da lei.
Agradeço-lhe muito, John, mas...
- Eu digo-lhe... {y:i}- Não, quero que me ouça.
{y:i}Terei de ajustar os meus planos, {y:i}devido à pequena contrariedade de hoje.
{y:i}Apenas telefonei para expressar a {y:i}minha admiração. Desculpem a dor
{y:i}num de vocês mas não tive alternativa.
{y:i}Aceita as minhas desculpas? Adorava dizer {y:i}mais coisas mas estragava a surpresa.
Gravaste?
Regressem ao trabalho.
Tinha razão.
Ele está a pregar.
Os crimes são os sermões.
Sabemos quem são este, este e este.
Quem é a loira?
Parece uma pêga.
Talvez.
Caçou a atenção do john Doe.
Sim, veio buscá-lo ontem. SÁBADO
- Este homem? - Sim, o John Doe.
O nome é fácil de lembrar. Ele coxeia.
- Que é que fez para ele? - Tenho uma fotografia...
É uma obra e tanto.
Pensei que fosse um daqueles artistas
Vocês sabem, daqueles
que mija numa chávena em palco e depois bebe tudo.
Pois.
Acho que lhe cobrei pouco.
Fez isto para ele?
Já fiz merdas bem mais estranhas.
Encontraram a loira.
A fotografia!
A fotografia!
Malditos bófias!
- Preciso que saia. - Hei-de sair, mas...
Saia da sauna!!
Estive nesta jaula o tempo todo.
Por aqui.
- Pode fazer alguma coisa acerca da musica - Estamos à procura deste tipo.
São dos Homicídios? Têm de vir ver isto.
LUXÚRIA
Tirem-me isto de cima!
Meu deus, tirem-me isto de cima!
Tirem-no já daqui!
Quero voltar a ouvir.
Conte outra vez.
Não ouviu nada estranho, não viu nada estranho.
Perguntou-me se era casado.
- Vi-lhe uma arma na mão. - Onde estava a rapariga?
Quem? Quê?
A prostituta. Onde estava?
Quem entra no seu estabelecimento
com vontade de fazer... Seja o que for,
tem de passar,por si, não é? - E.
Mas não viu ninguém
com um embrulho, uma mochila, algo debaixo do braço?
Toda a gente que lá vai traz embrulhos debaixo do braço.
Há quem apareça com malas cheias de coisas.
Ela estava sentada na cama...
Quem a amarrou, você ou ele?
Gosta daquilo que faz?
Das coisas que vê?
Não, não gosto.
Mas é a vida, não é?
Ele tinha uma pistola e...
e fez com que acontecesse.
Obrigou-me a fazer aquilo.
Enfiou-me aquela coisa...
... e obrigou-me a usá-la.
Depois, mandou-me comê-la.
E eu obedeci, eu comi-a!
Meu Deus, meu Deus...
Deus do Céu! Ele enfiou-me a pistola na boca!
Enfiou-ma pela garganta abaixo!
Fodas.
Deus, Deus.
Por favor, Deus, ajuda-me!
Isto não vai acabar bem.
- Não é possível. - Eu já fico feliz se o apanharmos.
Se apanharmos o John Doe, e se revelar o diabo,
se for o Satanás em pessoa,
talvez corresponda às expectativas.
Mas ele não é o Diabo.
É apenas um homem.
Tu praguejas, queixas-te, dizes-me todas essas coisas...
Se pensas que me estás a preparar para tempos difíceis,
obrigado mas...
Mas tens de ser o herói.
Queres ser um campeão.
As pessoas não querem campeões, querem é chesseburguers,
- jogar loto e ver televisão. - Como é que ficaste assim?
Quero saber.
Não foi por uma única coisa, acredita.
Anda lá.
Acho que não consigo continuar a viver num sitio
que acolhe e cultiva a apatia como se fosse uma virtude.
Não és diferente. Não és melhor.
Não disse isso, sei que não sou.
Até concordo. Até concordo plenamente,
que a apatia é uma solução.
É muito mais fácil perdermo-nos nas drogas do que suportar a vida.
É mais fácil roubar do que ganhar. É mais fácil
bater numa criança do que criá-la. O amor dá trabalho, exige esforço.
Falamos de pessoas mentalmente doentes, de pessoas que são totalmente doidas.
- Não, não estamos. - Hoje estamos.
Não, falamos do dia-a-dia.
Não te podes dar ao luxo de ser tão ingénuo.
Vai passear.
Devias ouvir-te a ti próprio.
Dizes que
o problema é as pessoas não se ralarem.
então, também não me ralo.
Não faz sentido nenhum. Sabes porquê?
Tu ralas-te?
Podes ter a certeza.
E vais fazer a diferença?
Não interessa. O que interessa é que
não desistes porque acreditas
nas coisas que dizes.
Tu queres acreditar nelas...
porque vais desistir.
Queres que eu concorde contigo e que diga: "Tens razão, é tudo uma porcaria!"
"Devíamos de ir todos viver para o meio do mato".
Mas não o vou dizer.
Não o vou dizer.
Não concordo contigo. Não concordo.
Não posso.
Vou para casa.
Mas obrigado.
Amo-te.
Tanto...
Eu sei.
DOMINGO
Qual é a emergência?
Pode repetir?
{y:i}Eu matei outra vez.
ORGULHO.
Que é que temos?
Comprimidos para dormir...
colados numa mão.
Telefone colado na outra.
Vês o que lhe fez?
Cortou-a toda...
e depois ligou.
"Pede ajuda e viverás,"
"mas ficarás desfigurada."
"Ou acaba já com o tua miséria."
Anda lá.
Cortou-lhe o nariz.
Para troçar com o rosto dela.
Foi há pouco tempo.
Ouve...
Decidi ficar até o caso estar resolvido.
Das duas, uma: ou apanhamos o John Doe,
ou ele mata os sete, e o caso fica pendente.
Não me faças favores. Obrigado mas eu resolvo isto.
Mantém-me como teu parceiro, por mais uns dias. És tu que me fazes um favor.
Sabias que eu diria que sim. Estamos aqui.
A sua mulher ligou. Compre um gravador de chamadas.
Detective!
Depois disto estou fora.
- Sem grande surpresa. - Detective!
Estão à minha procura.
Não te mexas.
No chão.
- Afastem-se. - Já na merda do chão..
Eu conheço-o
Já. Deita-te.
Deita-te sobre o estômago.
Já monte de merda.
Todo.
Chão. Cabrão.
Rápido.
Mais depressa cabrão.
Nariz no chão.
Mas que merda é esta?
Gostava de falar com o meu advogado, por favor.
Raios o partam!
Ele raspava a pele das pontas dos dedos,
por isso não encontrámos nenhuma impressão.
Parece que já faz isto há algum tempo.
E as contas nos bancos? E as armas?
Por agora, nada.
Nem empréstimos, nem empregos...
Tem conta no banco há 5 anos e só faz depósitos em dinheiro.
Estamos a tentar através da mobília.
Tudo que sabemos acerca dele,
é que é independente,
culto
e totalmente doido.
É um John Doe (anónimo) por opção.
- Quando é que o interrogamos? - Não interrogam. Vai já para tribunal.
Não faz sentido. Não havia hipóteses de ele se entregar.
Ali está ele sentado.
Não é para fazer sentido.
Ele ainda não acabou.
Mija-nos em cima, e nós aceitamos, feitos parvos.
Sabes o que quero dizer.
Pela primeira vez, estamos os dois totalmente de acordo.
Ele não parava simplesmente.
Então que se passa?
Está a dois assassínios de completar a obra-prima.
Veremos como se declara.
O meu cliente diz que há mais 2 victímas. Mais 2 corpos escondidos.
Levará os Detectives Mills e Somerset até esses corpos, e só eles,
e somente às seis da tarde.
Porquê nós?
Diz que os admira.
Faz parte do jogo.
Se não aceitarem esta proposta, os corpos nunca serão encontrados.
Se quer que lhe diga, estou inclinado a deixá-los apodrecer.
Temo-lo...
lá em baixo, trancado a sete chaves,
Vai ter roupa e cama lavada, TV cabo.
que nem a minha mulher tem... Porque discutimos isto?
Alguma coisa cheira mal. E você nesse seu fato de 3000 dólares,
com esse sorriso idiota na cara, ainda negoceia por aquele merdas!
Mills!
Sou obrigado por lei a fazer tudo pelos meus clientes...
Não fazemos acordos, Dr. Swarr.
O meu cliente refere também que, a não aceitarem,
invocará insanidade mental.
Deixa-o tentar...
gostava de ver...
É bem possível que eu o safe.
Não vou deixar esta acusação derrapar.
Se aceitarem as suas condições,
ele assinará uma confissão a declarar-se culpado.
É o vosso caso. Tomem uma decisão.
Confissão total.
Eu alinho.
Têm de ser os dois.
Se é para invocar insanidade,
então esta conversa é admissível.
Ele está a fazer chantagem connosco.
O meu cliente recorda que ainda faltam dois cadáveres.
Os jornais iriam adorar saber
acerca desses corpos.
Se é que há mais dois corpos...
Chegaram as amostras do laboratório.
O laboratório analisou a roupa e as unhas do Doe.
Encontraram sangue dele, de cortar a pele dos dedos,
sangue da mulher que ele esquartejou
e uma terceira parte,
ainda por identificar.
Escoltariam um homem desarmado...
Acabemos com isto.
Se a cabeça do John Doe se abrir e sair uma nave,
não te surpreendas.
Está bem.
Se cortasse um mamilo por acidente, o seguro pagava?
Acho que sim.
Se fores homem suficiente para isso,
compro-te um do meu bolso.
Se continuo a chegar tarde a casa, a minha mulher desconfia.
Sabes?
Sei.
Que queres dizer?
Quem é você, John?
Quem realmente é você?
Que quer dizer?
Nesta fase, que mal tem falar um pouco sobre si?
Não interessa quem eu sou. Quem eu sou não quer dizer nada.
Vire à esquerda.
Para onde vamos?
Já vai ver.
Não vamos só buscar mais dois corpos, pois não?
Não seria chocante.
E há que pensar nos jornais.
Se queremos que os outros nos ouçam,
já não basta bater-lhes ao de leve no ombro,
há que usar um martelo.
É a única maneira de nos darem toda a atenção.
Mas a pergunta é:
o que o torna tão especial, para que as pessoas o devam ouvir?
Não sou especial.
{y:i}Nunca fui excepcional.
{y:i}Isto é difícil. O que eu faço.
{y:i}Este é o meu trabalho.
- O seu trabalho, John? - Sim.
Não vejo nada de tão especial nele, John.
Isso não é verdade.
Não, é verdade. E daqui a dois meses, ninguém se importa,
ninguém quer saber, ninguém se vai lembrar.
Ainda não está a ver o quadro completo.
Mas quando estiver feito,
quando tiver acabado,
irá ser...
A pessoas dificilmente serão capazes de o perceber,
... mas não poderão negá-lo.
O anormal poderia ser mais vago?
Deixe lá, John, que o seu plano de mestre...
Mal posso esperar que veja,
vai ser espantoso.
Não se preocupe, vou estar mesmo ao seu lado.
Portanto, quando estiver a acontecer previna-me,
não quero perder pitada.
Não se preocupe,
não vai perder.
Não há-de perder nada.
Qual é a excitação?
Já falta pouco.
Tenho tentado perceber algo. Talvez me possa ajudar...
Quando uma pessoa é louca, o que claramente, você é,
tem consciência disso?
Talvez quando está a ler,
masturbando-se nas próprias fezes.
Será que pára e pensa:
"É incrível! Sou completamente doido"
É assim que pensa?
É mais cómodo para si classificar-me de louco.
Sim, muito cómodo.
Não esperava que você aceitasse,
- mas eu não escolhi, fui escolhido. - Claro!
Não importa...
Não duvido que acredite nisso,
mas parece-me que
está a entrar numa contradição.
Qual?
Ainda bem que pergunta.
Se foi escolhido
por um poder mais alto,
se a sua mão foi forçada,
parece-me estranho sentir tanto prazer com o que fez.
Você gostou de torturar aquela gente,
isso não se encaixa com um mártir.
Duvido que tenha gozado mais do que o Mills gozaria
se estivesse sozinho comigo numa sala isolada.
Não é verdade?
Não gostaria de me poder espancar impunemente?
Está a ser injusto. Eu nunca...
Só por temer as consequências.
Mas vejo-o nos seus olhos.
Não há mal nenhum em termos prazer no nosso trabalho.
Não nego o meu objectivo de virar cada pecado contra o pecador.
Espere aí. Pensei que apenas matasse pessoas inocentes...
Inocentes? lsso é para rir?
O homem obeso,
tão nojento que mal se punha em pé.
Um homem que seria alvo da chacota de toda a gente?
Um homem que deixaria qualquer um sem apetite?
Depois, foi o advogado. Devem estar-me secretamente agradecidos por esse.
Era um homem que dedicou a vida
a ganhar dinheiro, mentindo com todos os dentes,
para manter à solta homicidas e violadores
- nas ruas. - Homicidas?
- Uma mulher... - Homicidas como você?
Uma mulher... tão feia por dentro que não aguentava viver
se não continuasse bonita por fora?
Um traficante, um traficante pedófilo. E não vamos esquecer...
a puta que espalhava doenças.
Só num mundo vil como este,
é que podem chamar-lhes inocentes sem se rirem.
Mas a questão é essa.
Vemos pecados mortais em cada esquina,
e em cada lar.
Toleramo-los.
E toleramo-los, por serem comuns.
São triviais.
Toleramo-los de manhã, à tarde e à noite.
Acabou-se.
Eu estou a dar o exemplo.
O que eu fiz será analisado,
estudado e imitado...
para Sempre.
Tem a mania das grandezas.
Devia-me agradecer.
E porquê John?
Porque será recordado, depois disto.
Compreenda Detective. Só está aqui porque eu assim o quis.
Não. Teríamos acabado por apanhá-lo.
A sério?
Que estavam a fazer, davam tempo ao tempo? Brincavam comigo?
Permitiram que cinco "inocentes" morressem,
até que lhes apeteceu fechar a armadilha?
Qual era a prova irrefutável
que iam usar contra mim, antes de eu ir
ao vosso encontro e pôr os braços ao ar?
John. Acalma-te.
Lembro-me de te bater-mos à porta.
Pois é.
E parece que me lembro de lhe esmurrar a cara.
Só está vivo porque eu não o matei.
Recoste-se.
- Eu poupei-o! - Recoste-se!
Lembre-se disso sempre que se olhar ao espelho,
o resto da sua vida.
Ou melhor, para o resto de vida que o deixarei ter.
Encosta-te seu anormal do caralho...
Cala-me essa boca de merda.
Não és nenhum Messias. És um filme da semana,
uma T-shirt na melhor das hipóteses.
Não me peçam para chorar essa gente.
Choro-os tanto como aos milhares que morreram em Sodoma e Gomorra.
Acha, pois, que fazia a obra do Senhor?
Misteriosos são os caminhos do Senhor.
Vê aquelas torres de alta tensão?
É para lá que vamos.
{y:i}Estou a ver. Vira à {y:i}esquerda e segue a estrada.
É certo de que não é uma emboscada.
Não há aqui nada.
Devem estar a aparecer atrás de nós.
Quero que subas.
Daqui a 30 segundos, digo-te para virares para leste.
Vou tirá-lo do carro.
{y:i}Sai.
Devagar.
Quieto!
Fica.
O que vês?
Um cão morto.
Não fui eu.
Que horas são?
Porquê?
Gostava de saber.
7:01.
Está quase.
Vamos ver.
É por aqui.
Baixa-te!
Vigia-o!
Lá vai ele...
{y:i}Ainda bem que temos {y:i}tempo para conversar.
O gajo de vermelho. Mantenham as miras no gajo de vermelho.
Aproxima-se uma carrinha.
{y:i}Vinda do norte.
Preparem-se para tudo, mas esperem um sinal meu.
Saia da carrinha!
{y:i}Saia.
Por amor de Deus, não dispare!
Afaste-se!
Vire-se e ponha as mãos na cabeça!
{y:i}Que raio se passa?
{y:i]Que faz aqui?
Só vim entregar uma encomenda a um tal David...
... Detective David Mills.
Tire-a, devagar.
Um tipo deu-me 500 dólares para entregar isto...
às sete horas em ponto.
Pouse isso.
{y:i}- Temos uma caixa. - Chamem os tipos dos explosivos!
Brigada anti-minas. Temos uma caixa.
Cara virada para a carrinha.
Mão ao ar.
Vire-se.
Desapareça.
{y:i}Desapareça.
Mandei o condutor embora, a pé.
{y:i}Vai para norte. Recolham-no.
O que é que eu faço?
Vou abri-la!
Quando disse que o admirava, senti o que disse.
É sangue.
Tem uma boa vida, deve sentir-se orgulhoso.
Cala a matraca, pedaço de merda!
Califórnia, mantenham-se afastados.
Mantenham-se afastados. Já. Não, não, não venham.
{y:i}O que quer que ouçam, mantenham-se longe.
John Doe controla a situação. Mills!
Aí vem ele.
- Deita a tua arma fora! - Quê?
- Quem me dera ter vivido como tu. - Cala-te.
Mas que merda estás a dizer?
Está a ouvir-me, Detective?
Estou a tentar dizer-lhe o quanto
o admiro e à sua mulher.
Quê?
Tracy.
- Mas que merda estás tu a dizer? - É perturbante...
É perturbadora a facilidade com que um jornalista
obtém informações na sua esquadra.
Mas que merda??
{y:i}Deita a pistola ao chão!
Visitei a tua casa esta manhã,
depois de teres saído.
Tentei brincar aos maridos,
experimentar como vive um homem simples.
Deita-a fora!
Não resultou.
Por isso, trouxe uma recordação...
... a linda cabeça dela.
- De que é que ele está a falar? - Dá-me a arma.
Que há ali dentro?
És capaz de baixar a arma?
Vi-te abrir a caixa! O que tem dentro?
porque invejei a tua vida normal.
Larga a arma, David.
Parece que a Inveja é o meu pecado.
- Que há na caixa? - Não te digo enquanto não me deres a arma.
O que está na merda da caixa?
Acabei de lho dizer...
És um mentiroso da merda! Cala-te.
É isso que ele pretende. Quer que tu o mates.
Diz-me tu... Diz-me que não é verdade...
- Não é verdade. - Vinga-te, David.
Diz-me que ela está bem!
Entrega-te à Ira...
Diz-me que ela está bem!
Se matares um suspeito...
... deitas tudo a perder.
- Ela implorou pela vida... - Cala-te!
Implorou pela vida e pelo bebé que trazia dentro dela.
Ele não sabia.
Dá-me a pistola, David.
David, se o matares...
... ele vence.
Deus! Meu Deus!
{y:i}Ele matou-o!
{y:i}Santo Deus! Chamem Alguém!
Cuidaremos dele.
Se ele precisar de alguma coisa...
Onde estarás?
Por aí.
Andarei por aí.
Ernest Hemingway escreveu:
{y:i}O mundo é um local maravilhoso {y:i}e merece que se lute por ele.
Concordo com a segunda parte.
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