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MISS MARPLE: UM CORPO NA BIBLIOTECA Primeira Parte
Entre.
Est� um cad�ver na biblioteca, minha senhora! Eu... Eu...
Arthur! Acorda!
Arthur.
DoIIy.
A Mary acabou de dizer que est� um corpo na biblioteca.
Repete l� isso.
Est� um cad�ver na biblioteca. A Mary acabou de o dizer.
Imposs�vel. Deves ter imaginado isso.
N�o imaginei.
J� te disse, querida, para n�o leres estas coisas antes de dormir.
Arthur...
Porque � que a Mary n�o abriu os cortinados?
Arthur...
N�o vou l� abaixo perguntar se est� um cad�ver na minha biblioteca!
Arthur...
Dei ordens para n�o fazerem nada at� descer, sir. chamo a pol�cia?
Lorrimer, quer mesmo fazer-me crer que est� um cad�ver na biblioteca?
Talvez queira confirm�-lo pessoalmente, sir...
Sim. Pol�cia.
Certo. Bill, � para ti!
Para mim?
Quem fala?
E ent�o?
Sim, est� l�.
Mas, Arthur...
Eu sei. � completamente absurdo.
Quase temos de nos beliscar, n�o?
Um cad�ver na nossa biblioteca?
Meu Deus.
E, no entanto... Ali est�. Grande como...
Olha, querida, isto vai ser uma confus�o. E se arranjasses companhia?
Que bela id�ia, Arthur.
Sim, est� muito bem, Esther.
Lembra-te de o fazeres sempre como uma bela montanha pontiaguda...
... e n�o como um monte anafado. - Sim, minha senhora.
O lat�o est� muito bem. Bom trabalho. - Obrigada, minha senhora.
Meu Deus... Bem... Perguntou-me se... hoje cedo...
Saint Mary Mead, n.35.
� voc�, Jane?
Levantou-se muito cedo, DoIIy.
Querida, encontr�mos um cad�ver na nossa biblioteca.
Vou busc�-la, para voc� a ver antes do agente PaIk c� chegar. Pode ser?
DoIIy, de que est� a falar? Qual cad�ver?
Precisamente. Nunca a tinha visto antes.
Seria uma bela partida, se ela n�o estivesse morta.
� loura, loura platinada. Na nossa biblioteca.
Vem, n�o vem?
� isso. Est� a� o lnspector Slack? J� chegou o lnspector SIack?
Tens a farda maI abotoada. Ouve, acerca do Coronel...
Como � que o Coronel n�o sabe de nada, se foi na biblioteca dele?
Bill!
Onde vais?
A Gossington Hall.
Espera por mim!
O Arthur est� a ser problem�tico.
Diz que de modo algum devo participar nisto.
Mas eu nem conhe�o a rapariga e � estranho, mas...
Ela nem parece real, se � que me entende.
C� est�, Jane.
Est� a ver o que quero dizer? - Sim, estou.
Concordo que ela n�o parece real.
� muito jovem.
Sim, suponho que seja.
� o agente Palk.
Deixa estar, Mary, eu vou. Podes... E melhor...
Espera a�.
PaIk, meu caro.
Bom dia, Coronel. Talvez se...
N�o me disse que trazia o chefe da Pol�cia consigo.
N�o... Eu...
Ol�, Bantry. J� soube das novidades. Pensei em passar por aqui.
Fez muito bem.
O lnspector SIack j� chegou? - O SIack? N�o.
Que coisa horr�veI. Na biblioteca, presumo?
Entre, senhor agente. Eu j� l� vou.
A Mary indica-lhe o caminho. Mary? Acompanha o senhor agente.
Obrigado, Coronel.
Entre.
Deve ter sido um choque tremendo para si. Como est� a DoIIy a reagir?
Sabe, ela � muito forte. Muito bem, no conjunto...
Minha senhora. Miss MarpIe. - Bom dia, Bill.
N�o se preocupe, senhor agente. N�o toc�mos em nada.
At� uma leitora inexperiente de hist�rias de detectives sabe isso.
E diz que nunca viu a rapariga antes? - Nunca lhe pus a vista em cima.
Como vai, Coronel MeIchett?
Ol�, Sra. Bantry. E a not�vel Miss MarpIe.
Estou a ver que chegou primeiro do que eu.
Bom dia, senhor chefe da Pol�cia.
� o adjectico certo para si, Jane, ''not�vel''. N�o sabia que se conheciam.
Sim, somos velhos amigos. H� muito que defendo que a Miss MarpIe tem...
... o que eu chamaria de uma intui��o Forense quase genial.
Sinceramente, Coronel MeIchett.
Resulta, segundo ela, da educa��o de uma vida numa aldeia IngIesa.
V�em-se muitas coisas m�s, InfeIizmente.
Mas, se tenho realmente intui��o, ser� que a posso utilizar...
... para sugerir que a minha presen�a lhe causa desconforto?
� essa a raz�o dos seus elogios, suponho.
J� me tinha ocorrido que seguisse os nossos morosos actos oficiais...
Sinceramente, MeIchett. Isto tem sido muito desconcertante.
A DoIIy pediu � Jane que viesse, simplesmente... de mulher para mulher.
Pode parecer que est� a reagir bem, mas com estas coisas nunca se sabe.
O qu�?
Sobrou alguma coisa do pequeno-almo�o, Arthur?
N�o comi quase nada.
Talvez n�o se saiba qual � o meu estado, mas estou esfomeada. Jane?
Bom... � melhor ir ver a biblioteca, ent�o.
Eu mostro-lha.
Obrigada, Lorrimer.
Obrigada, Lorrimer.
E ent�o, Jane?
Suponho que ela me lembra a filha mais nova da Sra. Cheffy, a Edie.
Acho que � por a pobre rapariga roer as unhas.
A Edie tamb�m gostava de adornos baratos.
- O vestido barato que ela trazia? - De muito m� qualidade, realmente.
Mas o que estaria ela a fazer na biblioteca do Arthur?
- N�o estava vestida para um assalto. - N�o, antes para dan�ar.
Ou para uma festa.
Sim. Mas n�s n�o damos festas. Pelo menos n�o esse g�nero de festa.
Damos? N�o pode ser!
Mas, Jane, eu conhecia a m�e dele.
� igual.
A SeIlha BIake � do mais simp�tico que possa imaginar...
... e tem um jardim maravilhoso no campo.
Saiba que o Arthur quase tem um ataque quando se fala no BasiI BIake.
Ele foi terrivelmente Incorrecto com o Arthur.
Tiveram uma discuss�o horr�vel acerca do ex�rcito, do Imp�rio, essas coisas.
E o BasiI BIake chamou ao Arthur panel... Enfim.
E aquelas roupas que ele usa!
Penso que as roupas formam um padr�o com a linguagem,
e destinam-se a ter o mesmo efeito.
Mas ele era um beb� ador�vel!
De acordo com a fotografia no jornal de Domingo,
o assassino de Cheviot tamb�m era um beb� ador�vel.
N�o pode estar a falar a s�rio, Jane.
N�o, n�o, estou a tentar justificar a presen�a daquela jovem aqui.
E o BasiI BIake d� festas, sabe?
Lembra-se no ano passado?
Passaram carros por St. Mary Mead durante toda a noite.
Sim, mas penso que fossem aquelas pessoas dos filmes, sabe.
Bem, ele agora recebe uma rapariga quase todos os fins-de-semana.
Uma loura, uma oura pIatinada?
Menina, diga ao Coronel Bantry que vamos selar a biblioteca
e todos os pontos de acesso. E que ningu�m saia de casa.
Excelente, SIack. A menina vai mostrar-lhe onde �.
V�, rapazes, sigam a menina.
Anda, FIetcher. PringeI, mexe-te.
V� l�, n�o temos o dia todo!
Os inerrogat�rios preIiminares n�o demorar�o.
- Em breve entrego-lhe o relat�rio. - Logo falo consigo.
Com certeza, sir.
Quem era aquele?
Era o lnspector SIack. Que nome t�o Inapropriado. D�-me dores de cabe�a.
Os procedimentos s�o os habituais.
N�o toquem em nada at� eu ter visto tudo pessoalmente.
Depois prossigam com as vossas tarefas.
Continuo a pensar que ajudava se me dissesse o que fez ontem � noite.
O que fiz?
Talvez surja algum pormenor no qual nem tenha reparado.
Muito bem. Por onde come�o?
Jantou em casa? - Sim, �s 7.30n, como sempre.
Acho que me levantei de mesa �s 8.1 5 porque ia de carro at� Much Benam.
Sabe, sou Tesoureiro na Associa��o de Much Benam.
Foi uma boa reuni�o... N�o demorou muito, ao contr�rio de algumas...
Estava a chover a c�ntaros quando sa�mos.
D� cumprimentos � sua mulher, Coronel.
- Obrigado, para a sua tamb�m. - Muito obrigado. Boa noite.
Bolas!
- Ent�o �s 11:45 estava em casa. - Sim.
Foi � biblioteca? - N�o.
Que pena. - Bem, n�o precisava de l� ir.
Estava cansado e ensopado. Fui logo para a cama maI mudei de roupa.
Entre.
Desculpe-me, sir. - Sim, diga.
O que foi, SIack?
Posso dar-lhe uma paIavrinha? - Com certeza.
Com licen�a.
chegou o Dr. Heydoc. Pouco posso fazer enquanto durarem os rituais.
- Acabei de falar para a central. - E o que t�m eles a dizer?
Pessoas desaparecidas.
Pensam ter um candidato prov�vel.
Uma jovem de um dos grandes hot�is na costa, em Danemouth.
Em Danemouth?
Sei que fica a 25km daqui, mas de carro � apenas meia nora.
- Muito bem. - Vou investigar, ent�o.
Sim, fa�a isso.
Ent�o, onde t�nhamos ficado?
- Eu tinha ido para a cama. - Sim. Estava mais algu�m acordado?
N�o. A DoIIy estava deitada. O Lorrimer retira-se perto das onze.
O que sabe sobre o Lorrimer?
Bem, ele era o meu ordenan�a.
Um homem �s direitas. Todos os criados s�o da sua responsabilidade.
Eu praticamente cresci com ele.
Desde a guerra que temos de nos desvencilhar com o que temos.
Penso que n�s pr�prios tivemos de ajudar nas tarefas di�rias.
Mas a DoIIy diz que tivemos muita sorte.
N�o, n�o. Olha por todos eles.
Olhe, Bantry...
Quero que jure em como nunca viu esta rapariga antes.
� preciso descaramento.
Aqui entre n�s, se de algum modo estava relacionado com esta jovem
� melhor que o diga agora.
N�o digo que a tenha morto,
mas poder� ser constrangedor, entende?
N�o podemos ignorar o facto de que ela est� ali, morta na sua biblioteca.
J� lhe disse, MeIchett. Nunca vi a rapariga antes.
Est� bem assim?
E agora, se me d� licen�a... Poder� tomar caf� na sala de jantar.
Sim, Nichols, e mais umas quantas impress�es digitais aqui, por favor.
- N�o pode entrar aqui, sir. - N�o posso?
Mas sir, eu...
Vou � caca.
Desculpe, sir, ele irrompeu pela sala. N�o pude impedi-lo.
Estou a comer como um cavalo.
- Jane, de certeza que n�o quer nada? - N�o, obrigada, DoIIy.
Meu Deus.
O Arthur disse que encontraria caf� aqui...
Claro, Coronel MeIchett, entre.
O Arthur est� transtornado.
Sei sempre quando est� preocupado, porque vai para a Quinta de Home.
Temos l� porcos.
H� algo de muito apaziguador nos porcos.
S�o os fil�sofos do relho animal.
Mas quando o Arthur leva a arma, � sinaI de que est� mesmo aborrecido.
Como assim?
S� eva a arma para fingir que n�o vai para a Quinta de Home;
o que significa que est� a fingir que nada o preocupa.
O que significa, claro, que est� muito transtornado.
Temo que seja por culpa minha. � muito constrangedor interrogar um vizinho.
Estou certa de que foi cauteloso. Mas tudo isto foi um choque para mim.
Coitado. Ele j� nem vai � ca�a.
Bem, Coronel MeIchett, h� algo mais que eu possa fazer por si?
N�o. Mas talvez a Miss MarpIe possa. Provavelmente, j� descobriu tudo.
N�o, de modo algum. Isso posso garantir-lhe.
Disparate. Ela tem o caso praticamente resolvido. Fale-lhe de BasiI BIake.
Ent�o, DoIIy!
- Sim? - Coronel MeIchett. chefe da Pol�cia.
Uma amiga da sua m�e pediu-me para falar consigo.
- Foi? - Sem ser oficialmente.
Talvez n�o tenha notado, mas j� n�o sou propriamente uma crian�a...
Sr. BIake, gostaria que a minha visita fosse o mais discreta poss�vel,
mas estou aqui na qualidade de agente da autoridade.
Posso entrar?
Porque n�o?
Faca como se estivesse em sua casa.
Obrigado...
Come�a a lida dom�stica muito cedo, Sr. BIake?
De todo. Ainda n�o me deitei.
Estou a ver.
Isso � relevante, senhor chefe da Pol�cia?
- Provavelmente n�o. - Estive numa festa num est�dio.
- Toda a noite? - Sim.
Era uma orgia.
H� coisas que l� se passaram que excedem a sua imagina��o profissional.
Voltei de madrugada. Quer uma bebida?
N�o, obrigado. Sr. BIake, est� sozinho este fim-de-semana?
Parece que sim, n�o parece?
Sei que normalmente tem visitas, uma jovem. Loura, se n�o me engano.
� esse o crime?
A gentalha da aldeia andou a contar-lhe hist�rias?
Quando puseram a fornica��o rural nos estatutos?
Estou aqui por causa de uma jovem - uma jovem loura - que foi assassinada.
Meu Deus!
- Onde? - Em Gossington Hall.
Gossington? Na casa do velho Bantry? Esse militar depravado!
Sr. BIake, agrade�o-lhe que...
N�o � meu h�bito arranjar louras para aristocratas decr�pitos.
E para mim tamb�m n�o.
N�o perdi a minha.
Nem sequer me esqueci onde a deixei.
O enredo revela-se, senhor chefe da Pol�cia.
Parece ser a loura pr�diga.
Devia ter tomado aquela bebida.
Blake!
BIake, seu sacana, onde est�s?
BIake, o que julgaste que estavas a fazer quando me abandonaste ontem?
Quando te levo a uma festa, espero que te saibas comportar.
N�o � para andares metida com H�ngaros balofos e, caso o fa�as,
ao menos f�-lo longe da vista de toda a gente.
Tem as suas limita��es, como espet�culo.
Seu hip�crita!
Posso apresentar-te o senhor chefe da Pol�cia?
Como est�?
Aqui tem, Coronel. A minha loura est� bem viva e assanhada.
Porque n�o vai antes ver o que se passa com o Bantry?
O recepcionista j� o atende.
Quero falar com o gerente. � urgente. Muito urgente. Podia cham�-lo?
- Quem devo anunciar? - O Detective lnspector SIack.
Quem � o senhor?
Starr. Raymond Starr. Sou instrutor de t�nis. E de dan�a.
E acompanhante para todas as ocasi�es.
- N�o digas isso, Ray. - E voc� o recepcionista?
Quero falar imediatamente com o gerente. � importante.
Eu sou o gerente, AIistair Prescott. Qual � o assunto, Sr...
lnspector SIack.
N�o se importa de vir at� ao meu gabinete, lnspector?
Bom dia, Sr. Starr.
Bom dia, Sra. Jefferson.
Est� bem, seja, Ray. Foi um carro da pol�cia que vi ali fora?
Sim. O lnspector Lestrade e o Prescott est�o a discutir algo importante.
- J� encontraram a Ruby? - Penso que n�o.
Acho que n�o seria t�o oficioso se tivesse sido bem sucedido.
Quando souber alguma coisa, diga-me.
Tenho de ir. O m�dico est� com o velho.
MaI saiba de alguma coisa, Ray...
Com certeza.
chama-se Ruby Keene. E a nossa anfitri� de dan�a.
� bastante magra, de m�dia estatura, talvez a puxar para o baixo.
Tem 1 8 anos, cabelo louro pIatinado, olhos azuis, penso. E muito calada...
- Nunca se meteu em sarilhos. - Muito bem. Tem fotografias dela?
Sim, ela trouxe uma, por causa da publicidade.
Foi roubada da nossa vitrine, h� uma semana.
Provavelmente, por um admirador. Acontece. Pe�o desculpa.
Ent�o preciso de algu�m que identifique o corpo.
Corpo? Meu Deus! Mas n�o disse nada!
- Foi um acidente de carro? - Assass�nio.
- Meu Deus! Meu Deus! - Acalme-se. N�o foi nas redondezas.
Ainda aqui est�? Ainda bem.
- Tem um registro di�rio? - Sim.
- Acerca da rapariga... - A Ruby? Encontraram-na?
Encontr�mos um corpo.
- � ela? - N�o sabemos.
Precisamos que a identifiquem. Algu�m que a conhecesse bem.
Estou a ver. Bem, todos a conhec�amos, mas... Ela tem uma prima, a Josie.
Cuidado!
Posso ajudar?
lnspector, o meu nome � Josephine Turner. Posso ajud�-lo?
Espero que sim, Menina Turner.
Sim. Sim.
Lamento que tivesse de passar por isto, Menina Turner.
N�o faz maI.
N�o tem d�vidas?
N�o, temo que n�o tenha. E mesmo a Ruby.
N�o, obrigada.
- Como foi que... O que aconteceu? - Foi estrangulada.
Pensamos que com o cinto do pr�prio vestido.
N�o deve ter demorado muito, se ela foi surpreendida.
N�o ofereceu muita resist�ncia nem houve interfer�ncias.
- O relat�rio � claro, ela era virgem. - Estou a ver. Obrigada.
Aconteceu entre as dez noras e a meia-noite.
Pobre Ruby. Os homens s�o uns porcos.
Sim, penso que � aceit�vel partir do princ�pio que foi um homem.
Tem em mente algum homem em particular?
N�o, n�o. A Ruby mantinha esses assuntos em segredo.
N�o me teria contado.
Tal como disse, ela n�o deve ter tido um namorado. Um regular.
Embora eu tenha ficado desconfiada, na noite passada.
Fale-nos dela.
Disse que foi id�ia sua traz�-la para o Majestic.
Exactamente.
Sou anfitri� de dan�a e de bridge. J� l� estou h� tr�s anos.
Tentamos agrupar equipas de bridge que se entendam bem, e coisas assim.
� uma quest�o de bom senso e experi�ncia... e depois h� a dan�a.
Todas as noites fa�o umas exibi��es com o Raymond.
Que tamb�m � o instrutor de t�nis.
A temporada come�ou muito bem, mas depois parti um osso do tornozelo.
Foi muito desagrad�vel. Eu n�o queria que o hoteI arranjasse outra pessoa.
N�o queria que me estragassem os planos. E lembrei-me da Ruby.
Ela � uma boa dancarina e � da fam�lia, pensei.
Ela ficou encantada. Eu devia contimuar como anfitri� do bridge...
... e a Ruby ocupava-se da dan�a durante o resto da temporada.
- H� quanto tempo foi isso? - H� cerca de um m�s.
E a Menina Keene fez sucesso?
Portou-se bem. O Raymond � muito esperto e conduzia-a.
Sabem, ela era bonita e as pessoas pareciam gostar dela.
Importa-se de nos contar exactamente o que aconteceu ontem � noite?
Estive a jogar bridge com uma fam�lia, os Jefferson, a partir das 1 0.30n.
A Ruby devia estar a dan�ar com algum dos seus pares nessa altura.
E, de facto, esteve at� �s 1 1h, pelo menos.
O Ray disse que ela n�o aparecera para a sess�o da meia-noite.
Ent�o, fomos os dois procur�-la.
- Dev�amos ter actuado h� uma nora... - Eu sei...
- J� procur�mos no... -... �s respons�vel por ela, Josie.
N�o sei, estar� no terra�o l� ao fundo?
S� podemos l� ir a partir dos quartos do Prescott. Onde est� ela?!
- Vamos procurar noutro lado. - Josie, j� procur�mos a�.
Anda. S�o 2.1 5h. � muito tarde para te zangares com quem quer que seja.
Logo acordas essa irrespons�vel de manh� cedo, para ela aprender.
Boa id�ia.
- Quem a deu como desaparecida? - Jefferson. Um Sr. Jefferson.
Suponho que seja um dos vossos parceiros do bridge. N�o?
�, sim.
Penso que houve alguma resist�ncia por parte do gerente do hotel, sir.
Mas este Sr. Jefferson � um dos seus h�spedes mais abastados.
Sim, mas porqu� ele?
Acho que ele tinha um fraco pela Ruby. E um inv�Iido. Fica muito agitado.
Compreendo. Bem, n�o duvido que falaremos com ele na devida altura.
A sua prima alguma vez se referiu a Gossington?
Gossington?
- Sim. Gossington Hall. - Nunca ouvi falar.
Foi onde encontraram o corpo dela.
Gossington Hall! Isso � extraordin�rio.
Por acaso conhece o Coronel, ou a Sra. Bantry?
N�o.
Um Sr. BasiI BIake?
Esse nome n�o me � estranho.
Desculpe, sir. Posso falar consigo? Em privado?
Muito bem. Com sua licen�a, Menina Turner.
O Coronel Ban... O Coronel Bantry jantou no Majestic na semana passada.
Estava no registro das reservas do hotel.
O que est� a insinuar, SIack?
Sei que o Coronel � seu amigo, sir... - E depois?
Acho que dev�amos levar a Menina Turner a Gossington Hall.
Pode ser verdade que ela n�o conhe�a o Coronel... mas tamb�m pode n�o ser.
Menina Turner, importava-se de nos fazer s� mais um favor?
Importava-se de nos acompanhar a Gossington Hall?
Ela estava ali. No tapete em frente � lareira.
N�o consigo compreender. Sinceramente.
E n�s muito menos.
Quer dizer, n�o � o g�nero de s�tio...
De facto. E � isso que torna tudo t�o interessante, n�o acha?
Ser� que o seu marido se vai demorar?
Adeus, Lucinda.
Esta esp�tula � in�til.
Lorrimer! Os meus sapatos de andar por casa?
Dolly. Se n�o queres lama para casa,
dizes ao Lorrimer para arranjar aquela esp�tula,
ou ent�o arranjas-me sapatos de andar por casa.
A guerra j� acabou, sabias?
Como est�o?
Esta � a Menina Turner.
Arthur Bantry.
Prazer em conhec�-lo.
A Menina Turner esteve na morgue para identificar o... corpo, Arthur.
Era prima dela.
Que desagrad�vel.
Sinto muito.
- Mora nesta zona? - Ela trabalha no Majestic.
- No Majestic? - Sim.
- Em Danemouth? - Sim.
- � extraordin�rio. - Porque diz isso, sir?
Bem, o Jefferson est� Hospedado no Majestic.
Ele falhou-me, sabem?
Mandou-me um cart�o, e acabou por n�o aparecer.
Desculpe, Bantry. Importa-se de desenvolver?
Claro. Quer o relat�rio completo.
Recebi um recado do Conway Jefferson.
Dizia que estava c� para as f�rias da primavera.
A Associa��o de Magistrados ia reunir-se em Danemouth,
por isso marquei jantar no Majestic.
Quando foi isso? Quinta passada, mas o velho Jeff n�o estava muito bem,
e o Mark e a Adelaide tinham ido ao cinema.
Portanto, jantei sozinho.
O cozinheiro tem folga � quinta-feira e n�o fazia sentido
que o Arthur viesse para casa comer carnes frias e salada.
Aqui est�; primeiro n�o tinha �libi. Agora isto.
- Incrimina-me perfeitamente, n�o? - N�o sejas t�o derrotista, Arthur.
Estou certa de que a Jane j� deslindou tudo.
- Jane, podes esclarecer-nos? - Bem, eu tenho uma explica��o.
Mas � s� uma opini�o minha.
Sim, Tommy Bond e a nossa nova professora, a Sra. Martin.
Ela foi dar corda ao rel�gio e de l� saltou um sapo.
Eu espero por si no carro, Menina Turner.
- Como est� o velho Conway? Melhor? - �ptimo, tendo em conta... Alegre.
E a fam�lia? O Mark e a Adelaide? Est�o bem?
Sim.
Menina Turner, eles est�o bem, n�o est�o?
Tanto quanto me lembro, s�o boas pessoas.
Sim. S�o mesmo...
Ent�o adeus.
Bantry, talvez eu pudesse... Espero que compreenda...
- SIack! - N�o demoro nada, Menina Turner.
Sir?
Talvez a Ruby Keene n�o tivesse um namorado nas �ltimas semanas,
mas penso que deve ter havido algu�m, a certa altura.
Investiga isso, est� bem?
Ainda h� o outro tipo, o BIake. Diz que esteve a noite toda numa festa.
Quero saber a que noras ele saiu.
Eu sei que amanh� � domingo, mas gostava que come�asses no hotel.
E tenta manter a imprensa afastada, ou ent�o torna-se imposs�vel,
e marca uma nora com esse Jefferson.
Eu vou contigo. Telefona-me.
Entendido, sir.
E acerca do Coronel Bantry.
Sir?
Bom trabalho. � melhor certificarmo-nos sempre.
Jane, o que pensa da Menina Turner?
Algo me preocupa naquela rapariga.
Estava muito bem at� se falar nos Jefferson; a�, alterou-se.
N�o pareceu muito transtornada com a morte dela. Mesmo nada.
De facto. Penso que ela n�o gostava da prima.
Penso que ficou mais furiosa do que outra coisa.
O que foi?
Nada.
- Encontrei um cad�ver. - Malcom, tu ainda me matas.
Encontrei um cad�ver!
Ficaste um pouco excitado, n�o? Acho que todos fic�mos.
- Quando o v�o levar? - J� o levaram.
Agora s� falta resolver o crime.
O que foi?
- � o meu cad�ver? - N�o, n�o. N�o � teu, rapaz.
- Fui eu quem o encontrou. - N�o, n�o, foi a Mary.
Fui eu! � o meu cad�ver! - Malcom, Malcom!
Est� bem. Est� bem, podes dizer que foste tu, se quiseres.
Acho que a Mary n�o se importa.
Tenho de ir. D� cumprimentos � tua m�e.
Jane, gostaria de passar uns dias no Majestic, em Danemouth?
Podia ver onde trabalhava esta pobre rapariga, e coisas assim.
O que me diz?
Bem, DoIIy... N�o me sinto muito bem em hot�is, mas se acha mesmo...
Eu tamb�m vou. Pod�amos partilhar uma su�te.
N�o sei... Gostaria que o ambiente se tornasse mais leve por aqui.
Transtornou-me um pouco... tudo isto.
Quero que tudo se esclare�a. N�o quero ver o Arthur taciturno.
N�o faz parte da sua natureza, n�o lhe fica bem.
Penso que podia fazer reservas para n�s para amanh�.
Sim, penso que um pouco de ar do mar seria agrad�vel.
- Compreende, n�o, Jane? - Sim, sim, compreendo.
Imagino o que as pessoas ir�o dizer. E t�o injusto.
�s vezes, tem queda para jovens bonitas que v�m jogar t�nis. E s�.
� uma coisa tola e avuncular. Ele n�o tem segundas inten��es.
Porque n�o haveria de o fazer? Eu tamb�m tenho o meu jardim.
- Falamos primeiro com o Jefferson? - SIack...
Acho que vou lidar pessoalmente com o Jefferson.
� menos intimidante.
Prepara a sala que eu dou uma vista de olhos antes de sair.
- O Sr. Jefferson gasta dinheiro? - Sim, sim.
Fica na su�te Princesa EIizabeth. A fam�lia janta a la carte.
Bebe sempre Burgundy. Que em nada � inferior a um Pommard.
Sim, espera sempre o melhor, e n�s providenciamos.
De facto, �s vezes acho que nunca ouviu falar de racionamento.
A nora, a Sra. Adelaide Jefferson, est� numa su�te adjacente.
Os seus dois filhos morreram num acidente de avi�o.
O Sr. CaskeII, o seu genro, est� no andar seguinte.
Bom dia, Sra. Jefferson. Este � o Coronel MeIchett.
- Ele gostaria de falar... - Obrigada, Sr. Prescott.
- Compreendi perfeitamente. - Com certeza.
O meu sogro est� � sua espera, senhor chefe da Pol�cia.
Mas ficar-lhe-ia grata se n�o lhe tomasse muito tempo.
Ele n�o tem estado muito bem e isto foi um choque para ele.
Bom dia, Coronel MeIchett. Eu sou o Conway Jefferson.
Obrigada. E muito simp�tico.
Obrigada pela gentileza. Quer�amos caf�, por favor.
- Com certeza, minha senhora. - Obrigada.
Jane...
diga l� se isto n�o � uma maravilha!
O ar do mar!
Jane?
Est� a pensar?
Tanto quanto sei, foi o senhor quem insistiu
para que o gerente do hotel chamasse a pol�cia ontem de manh�.
� verdade.
Posso perguntar-lhe que Interesse tinha na rapariga?
Estava mais do que Interessado.
Ia adopt�-la.
A Ruby Keene estava prestes a tornar-se minha filha.
Aqui temos, Jane. N�o � agrad�vel?
Sou mesmo uma cabe�a oca!
A Jane? - Mas sou mesmo!
As ideias surgem e desaparecem. Aqui e ali...
N�o sei o que s�o nem o que fazem.
Esta pobre crian�a que foi assassinada...
Falta alguma coisa, sabe?
H� algo relacionado com tudo isto que ainda n�o foi encontrado.
N�o sei o que �.
Encontrei... encontrei mesmo um cad�ver.
O segundo epis�dio vem ja de seguida..
AGATHA CHRISTIE'S MISS MARPLE
UM CORPO NA BIBLIOTECA Segunda Parte
� demasiado rid�culo! N�o venho para a costa h� anos.
E agora, em vez de fazer o que se costuma fazer na costa,
estou aqui a investigar como uma louca para limpar o nome do meu marido.
� de loucos, n�o �?
Olhe em redor. Algu�m poderia imaginar que, h� 24 noras
uma jovem desconhecida seria encontrada morta na nossa biblioteca?
E aqui estou, consigo, a investigar suspeitos num hoteI de cinco estrelas.
''Crime no Majestic.''
Desculpe, Jane, estava a pensar?
O qu�? Talvez estivesse, sim.
Ent�o, vou manter-me calada.
Jane, o que foi?
- Essa m�sica! - Sim?
N�o sei. Fiquei a pensar...
Bem, � apenas uma can��o.
Talvez a chave disto tudo seja o facto de terem terminado oito anos de luto.
S� agora me apercebi disso... gra�as a ti, Addie.
A mim?
Sim. Se n�o lutasses para te afastares um pouco de mim nestas f�rias,
ent�o duvido que...
Meu Deus. Pobre Ruby.
Pe�o desculpa, Sr. Jefferson.
N�s, os pol�cias, n�o conseguimos dar �s pessoas um intervalo decente.
Assim �. Mas eu quero ajudar, senhor chefe da Pol�cia. Mesmo muito.
O que quer que lhe diga?
Bem, tanto quanto sei, no acidente de avi�o, h� oito anos,
n�o perdeu apenas a sua esposa, perdeu um filho e uma filha,
que deixaram marido e mulher, respectivamente?
Nomeadamente, a Sra. Jefferson, que aqui est�, e o Sr. Mark GaskeII?
Sim. Fomos levados a aproximar-nos, como deve imaginar.
O Mark e a Adelaide foram muito bons para mim.
Por vezes penso que Ines devo a minha vontade de viver.
Saiba que me tornei mais independente,
com o passar dos anos.
Talvez fosse necess�rio.
D�-me licen�a, Coronel?
Tenho mesmo de ir procurar o meu filho... Peter.
Sim, com certeza.
Vemo-nos em breve, Jeff.
Sr. Jefferson, quando disse que queria adoptar a Ruby Keene como filha...
... qual foi a reac��o da Sra. Jefferson e do Mark GaskeII?
N�o ficaram muito satisfeitos, mas penso que aceitaram bem o facto.
Foi a reac��o que esperava?
Sim, foi. N�o estava � espera que eles gostassem.
Tinha-lhes assegurado uma boa fortuna quando desposaram os meus filhos.
Sim?
Por isso, n�o esperava que se comportassem de modo irracional.
A experi�ncia diz-me que � isso que as fam�lias fazem.
Mas juntos, t�nhamos passado por muito, n�o se esque�a.
E eles n�o s�o sangue do meu sangue.
� verdade.
E, quando decidiu adoptar a Ruby Keene,
contou-lhes quanto tencionava deixar-lhe?
N�o s�o est�pidos. Devem ter feito um c�lculo bastante correcto.
Quanto era, ao certo?
Cem miI.
Sim... Suponho que isso constitua motivo.
Mas n�o queria estar no seu lugar,
se tentar provar que o Mark ou a Adelaide s�o assassinos.
Jane, francamente!
Ningu�m consegue desvendar um assass�nio com areia nos sapatos.
- Quero almo�ar. - Claro, DoIIy, querida. V� andando.
Desculpe se n�o lhe tenho feito muita companhia.
V� l�, Jane, vai dizer-me ou n�o?
Perd�o?
Por amor de Deus! Quem estrangulou a Ruby Keene
e porque deixaram o corpo na nossa biblioteca?
- Ah, isso. Bem... - N�o � nisso que tem estado a pensar?
Sim, de certo modo.
Claro que � �bvio quem poderia ter sido, mas...
Mas, tal como disse, falta qualquer coisa. Sim.
Quero uma linha para a sede assim que puderem.
E carros � disposi��o 24 noras por dia.
Sim. A mesa do Inspector SIack � ali. Afastem estas aqui. Toca a despachar.
Sim, Sr. BarIett.
A Ruby Keene estava satisfeita por dan�ar consigo?
Nunca tinha pensado nisso.
Bem, era o trabalho dela, na verdade.
Sim, penso que ela estava bastante...
Eu dan�o relativamente bem, sabe?
- Quando acabaram de dan�ar? - Desculpe. N�o fa�o ideia.
- Nenhuma ideia? - Desculpe. O tempo � aquela coisa...
- O que fez depois de terminarem? - Bem... Sabe como �.
Pensei que talvez tivesse sorte, que fosse dar uma volta com algu�m.
Mas ela foi-se embora.
- Quem? - A Ruby. Depois da �ltima dan�a.
- Lake! - Fartou-se de bocejar o tempo todo.
Depois disse que estava com dor de cabe�a.
Fui a �ltima pessoa a v�-Ia? Quer dizer, sem ser o...
- Para onde foi ela? - Para o quarto, segundo disse.
- E o que fez voc�? - O que fiz? Estou a perceber...
De facto, pode ter sido qualquer coisa.
- Mas o que fez, realmente? - Provavelmente tomei uma bebida.
Costumo faz�-lo depois de dan�ar.
Penso que andei por a� e fui dar uma volta l� fora.
Detesto quando o tempo est� abafado. Odeio!
Claro! Foi isso! S� pode ser! Porque foi a� que o vi.
O qu�?
Eu n�o o vi, porque n�o estava l�. Desculpem. Mas vi que n�o estava.
- O qu�? - O carro.
- O seu carro? - Com certeza.
Desculpem. Apresentei queixa na esquadra de Tningummy Road...
Ser� que voc�s poderiam...
Parecem-me um pouco mais inteligentes do que os tipos de l�.
� um Vauxhall Coaster, vermelho, com...
Perd�o, Sr. Bartlett. Estamos a investigar um crime.
Sim. Desculpem. Meu Deus. Tinha-me esquecido. Desculpem.
Estava aqui sozinho.
Entrou na Quarta e tencionava sair na Segunda.
E... Bem, obrigado por ter vindo. N�s n�o...
- Desculpe voltar a incomod�-la. - N�o faz maI.
Precisamos de estabelecer...
- Lake! - Sir.
Talvez pudesse...
Sim... Posso ajud�-la?
Ackroyd!
Sra. Perkin... Em que posso ajud�-la?
Ent�o, menina Turner.
Temos de saber a nora exacta das ac��es da sua prima e, claro est�,
de todos os outros envolvidos.
Claro, com certeza.
Disse nas suas declara��es anteriores que ela fez a exibi��o de dan�a...
... com o Sr. Starr...
Sim. Eram 1 0.30n. Ou mais ou menos.
Ela costumava estar ansiosa por actuar.
Senhoras e Senhores - a Menina Ruby Keene.
Onde estiveste, Mark?
Desculpem, desculpem. Estive a escrever cartas.
V� l�, Mark. A Ruby vai come�ar a dan�ar.
A actua��o seguinte estava marcada para a meia-noite.
Foi pouco depois disso que o Ray veio at� � minha mesa.
N�o estava nada satisfeito.
Pe�o desculpa pela interrup��o.
De maneira nenhuma. Desde que n�o mude o curso das cartas...
Desde que o fa�a.
Josie, a Ruby n�o apareceu. Dev�amos ter come�ado a actuar h� 5 minutos.
Ela estava a dan�ar com o menino rico.
O George Bartlett n�o a v� h� meia nora. Ela n�o est� no quarto.
Quem me dera que ela n�o fizesse estas coisas. D�o-me licen�a?
Pe�o desculpa.
- Ela n�o est� no quarto. - Isso sabemos n�s.
- Dev�amos estar a actuar agora. - Sim.
- �s a respons�vel. Onde est� ela? - Acalma-te. Vai ficar tudo bem.
- Bridget, viste a Ruby? - Ela n�o deveria estar contigo?
Ray, temos de ser n�s a fazer uma vers�o mais comedida.
Vou mudar de roupa num instante. Vai pensando em passos.
Vistosos, mas lentos; nada de muito atl�tico.
Talvez at� volte a p�r esse tornozelo no s�tio.
E ficou acordada � espera dela?
At� perto das 2n, at� que o Sr. Starr me convenceu a ir para a cama.
- Quando come�ou o bridge? - As 1 0.30n.
Come�aria mais cedo, se o Sr. GaskeII n�o tivesse de escrever cartas.
Pelo menos foi o que ele disse.
Penso que foi uma desculpa, bem vejo que ele n�o gosta muito de bridge.
Mas ele voltou a tempo de ver a Ruby dan�ar?
Sim.
E algu�m deixou a mesa antes da Ruby ter sido dada como desaparecida?
N�o.
Eu sabia o que fazia.
Talvez lhe digam que a Ruby me ''divertia''.
Era mais do que isso.
At� certo ponto, ela estava a representar;
era uma contadora de hist�rias nata.
Estava-lhe no sangue.
Os seus pais eram do mundo do teatro.
Que inf�ncia!
Alojamentos miser�veis.
Apanhavam o comboio aos domingos e n�o iam � Igreja.
Tinham de partir em digress�o e n�o podiam falhar as datas.
Este g�nero de coisa fascina-me,
e at� as anedotas mais horr�veis tinham sempre uma risada no fim:
era o riso dela.
Nada de queixas. Nada de coment�rios.
Divertimento puro e simples.
Ela tinha um maravilhoso conhecimento da vida,
que a deixara imaculada.
- Imaculada? - Sim.
Quero que isso fique bem claro.
Ent�o, tem de vender cem ac��es da Whitney Marknam.
Desculpe.
- J� falou com o Sir Henry? - N�o, sir.
E porque n�o? Voc� esta caduco, Edwards!
Eu disse-lhe que era urgente.
Ainda n�o falei com o Sir Henry porque ele n�o estava em casa.
Mas deixei recado com a empregada, que disse que o contactava.
N�o duvido que ele estar� aqui antes do almo�o, conforme solicitado.
Se me d� licen�a, sir, vou confirmar os preparativos.
Edwards!
O que foi? Ligue-me amanh�!
Perd�o, � da Scotland Yard?
Sou o Peter Carmody. N�o tenho Jefferson no nome,
porque a minha mam� j� foi casada antes.
O meu pai verdadeiro morreu na guerra.
Gosta de hist�rias de detectives? Eu gosto. Da maioria.
Tenho muitos aut�grafos. Dickson Carr. H.C. BaiIey e Dorothy Sayers!
- O assass�nio aparecer� nos jornais? - Sim.
Vou voltar � escola na pr�xima semana
e poderei dizer aos meus colegas que a conhecia mesmo.
- Conhecias? - Sim.
- O que pensavas dela? - N�o me agradava muito, de facto.
Era bastante grosseira. A mam� e o tio Mark tamb�m n�o simpatizavam muito.
S� o av�. Ela estava sempre a intrometer-se.
- Est�o felizes por ela ter morrido. - Como sabes isso?
O tio Mark disse: ''Era a �nica sa�da'', e a mam� concordou.
Tamb�m disse que foi horr�veI, ou coisa assim,
e o tio Mark disse que n�o fazia sentido ser hip�crita.
- Sir. - Obrigado, SIack.
Achei que devia ver o quarto da Ruby Keene pessoalmente.
Claro, sir. Est� no seu direito, sir.
Era o filho da Sra. Jefferson, n�o era?
Tinha alguma coisa a dizer?
Ele pensa que foi a m�e quem a matou, ajudada e incitada pelo tio.
N�o me diga...
As criadas s� limpam os quartos uma vez por semana,
por isso nada foi mexido.
Nada de impress�es digitais por registrar.
Foi este o vestido que ela usou na actua��o de dan�a?
Sim, senhor.
Segundo sei, deixou o George Bartlett �s 11:30h. Mais ningu�m a viu.
Supostamente ela veio ao quarto
e trocou este vestido pelo vestido branco que usava
quando foi encontrada. - Sim, senhor.
Quem ocupa os restantes quartos neste andar?
S� a Josie, no quarto em frente. Os outros quartos est�o vazios.
O pessoal que contratamos para o Ver�o usa-los mais tarde.
Ningu�m poderia t�-la visto.
Esta escada tem pouca luz � noite.
Ela poderia ter descido com a certeza de que ningu�m iria v�-Ia.
Sim. E h� apenas um motivo para uma rapariga mudar de vestido.
Sim. Ia encontrar-se com algu�m.
Lamento que tivesse de cancelar a sua reuni�o. Eu estava ansioso.
Toda a gente sofre do mesmo maI.
Os Naylors ligaram ontem � noite a cancelar.
N�o tem import�ncia. Sim, sim. Bem, d� cumprimentos � Sra. Duffy.
Adeus.
Anda l�, Malcom, v� l�.
Disseste que querias ver o Coronel, agora n�o podes voltar atr�s.
Tens de contar. V� l�.
Assim sim, �s um bom rapaz.
Ol�, Malcom. Como vai a vida?
O Malcom fez uma descoberta, sir.
Ah, foi?
Encontrei um corpo.
O qu�?
Encontrei um corpo.
Partindo do princ�pio que ela ia encontrar-se com algu�m.
Talvez com um namorado que tinha um temperamento dif�cil.
O tipo de pessoa que ela desejaria manter em segredo
para n�o arruinar as hip�teses com o Jefferson.
N�o � surpreendente ningu�m ter ouvido falar dele.
E supondo que ela lhe diz que o Jefferson a vai adoptar.
Ele n�o gosta nada disso.
Vai fazer com que ela saia da sua classe social. Claro que a vai perder.
Talvez n�o tencionasse mat�-la, mas � est�pido e n�o sabe a for�a que tem.
Entra em p�nico.
Aperta-lhe o pesco�o.
Anda �s voltas, de carro, durante algum tempo.
MaI sabe onde se encontra.
Passa por Gossington Hall.
� uma casa grande. F�cil de arrombar.
Deixa-a ali para desviar as aten��es e parte para Londres.
Talvez seja a melhor hip�tese que temos at� ao momento.
Claro que tamb�m h� o motivo financeiro mas, nesta altura,
a Sra. Jefferson e o GaskeII parecem ter um �libi s�lido como ferro.
Bom, tenho de ir.
SIack, quero que me entregue um relat�rio no final de cada dia;
assim que terminar.
Os Bantry s�o meus vizinhos.
Sir.
Lake, diga ao Prescott - � o gerente - que quero falar com aquela bela pe�a,
o instrutor de t�nis; como � que ele se chama? Starr.
Bridget, v� ao campo de t�nis e pede ao Sr. Starr que aqui venha.
J� deve ter terminado.
Pronto. Eu digo ao Sr. Starr para ir at� ao quarto que vos cedemos.
Obrigado, sir.
Que est�pida!
Posso ajud�-la? Minha senhora?
Algo. Algo, algo que vi, mas n�o sei o que �.
Minha senhora?
- Perd�o? - Posso ajud�-la, minha senhora?
Quem me dera que pudesse.
�s vezes acho que n�o controlamos
o que os nossos olhos decidem ver, ou n�o.
� isso, sim. Quero comprar um desses jornais...
- N�o, n�o. Oferta da casa. - Obrigada. Muito obrigada.
S� a conhecia enquanto meu par de dan�a.
Parecia ser uma jovem agrad�vel. Embora reservada.
E quanto a homens?
Bem, sempre a considerei muito inocente, fiquem a saber.
Passava maior parte do tempo com os Jefferson.
Calculei que sentisse saudades da fam�lia.
Sabia que o Sr. Jefferson tencionava adopt�-la legalmente?
Mas que menina t�o astuciosa!
J� n�o acha que fosse assim t�o reservada?
Bom dia.
chamo-me Clitnering.
Importa-se de ligar para o quarto do Sr. Jefferson? Ele aguarda-me.
Assim �. Sir Henry Clitnering. Vou ligar agora para a su�te, sir.
Obrigado.
O Sir Henry Clitnering est� na recep��o.
Obrigada.
A su�te do Sr. Jefferson � no primeiro andar, sir.
- O secret�rio aguarda-o nas escadas. - Obrigado.
Acha que a Josie Turner estava a par deste assunto da adop��o?
N�o sei. Geralmente, estava a par de todos os assuntos.
A Josie � muito esperta.
Ali�s, n�o me admirava que tivesse sido ela a planear tudo,
mais do que se fosse a Ruby a faz�-lo.
Porque diz isso?
A Josie ficou t�o furiosa quanto eu quando a Ruby n�o veio dan�ar.
Na altura perguntei-me porqu�.
Faria sentido que a Josie lhe tivesse dito para n�o arranjar sarilhos, n�o?
D�-me apenas um minuto, minha senhora.
- Desculpe, est� aqui uma senhora... - Estou ocupado, Lake.
A actuac�o de dan�a era... O que se passa consigo?
Ela n�o se vai embora, sir.
- Quem �? - N�o sei. Uma Miss MarpIe.
Deixe que entre.
- Por aqui, minha senhora, por favor. - Obrigada.
Perdoe-me por interromp�-lo, Inspector,
mas � t�o importante que achei que devia saber.
� aquela colegial desaparecida, que vem no jornal.
- Sim, minha senhora. E depois? - Ela �...
Bem, n�o sei o que ela �, mas sei que � importante.
Temo n�o estar a expor devidamente a quest�o, mas...
Porque ser� que Mozart n�o me sai da cabe�a?
E a jovem... Porque teimo em pensar que � demasiado tarde?
- Conhece a jovem, Miss MarpIe? - Isso � outra coisa.
Neste assunto, ningu�m parece conhecer ningu�m.
Neste assunto?
Est� a sugerir que a colegial desaparecida est� relacionada
com a morte de Ruby Keene?
- Claro. - Como?
Bem, n�o sei como.
Mas o que est� a ser feito acerca desta jovem colegial?
Temo que esse n�o seja o meu departamento.
Ter� a ver com o departamento local. O meu � distrital.
Se est� mesmo preocupada, Miss MarpIe, v� � pol�cia de Danemouth.
Fica em Harold Road. Sabe onde �?
Meu Deus, meu Deus.
Bem, de qualquer maneira, talvez seja demasiado tarde.
- Alguma pista? - Uma jovem.
Eu e a Ruby fizemos juntos a actuac�o de dan�a das 1 0.30n.
Depois disso, n�o vi o que lhe aconteceu.
Tinha de olhar pelas minhas parceiras.
Quando ela n�o apareceu � meia-noite, vi o George Bartlett.
Ele disse que n�o a via desde as 11:30h, mais ou menos.
Por isso, fui procurar a Josie.
Pe�o desculpa pela interrup��o.
Josie, a Ruby n�o apareceu.
O George Bartlett n�o a v� h� meia nora.
Quem me dera que ela n�o fizesse estas coisas. D�o-me licen�a?
Pe�o desculpa.
Rapariga leviana!
Ela n�o pode fazer estas coisas. Vai arruinar todas as suas hip�teses.
Ela n�o est� com aquele tipo do cinema, ou est�?
Mudou de roupa.
Deve estar com algu�m. Rapariga idiota.
Sabe Deus que justifica��o vou dar aos Jefferson.
Aos Jefferson?
Deixa l�, anda.
Fala o Lake.
O que acha que a Josie queria dizer quando se referiu ao tipo do cinema?
� um tipo que aqui vem �s vezes. Um BasiI quaIquer-coisa.
Tem uma casa de fim-de-semana algures aqui perto.
Suponho que fosse a ele que ela se referia.
- Desculpe, sir. - Ent�o?
Era da sede. Pensam ter encontrado uma jovem colegial...
- Pensam? - Parece que o corpo est� carbonizado.
Est� num carro que ardeu numa pedreira abandonada 5km daqui.
A pedreira de Venh... O carro � um Vauznall Coaster, sir.
- Onde vivem os pais? - Em Westcliff, sir.
Temos de admitir que tem todos os ingredientes de um mau thriller.
Extraordin�ria!
�, realmente, uma hist�ria extraordin�ria!
Em casa do Arthur Bantry!
O que quer que fa�a?
O que eu faria, se n�o estivesse nesta maldita cadeira.
Que descubra quem matou a rapariga?
Sim. Voc� � o profissional.
Faz muito tempo que n�o investigo nada.
Suponho que, agora que me reformei da Scotland Yard,
posso meter o nariz em tudo sem incomodar muita gente.
Ainda bem.
- Por�m... Posso fazer uma sugest�o? - Faca.
Sabia que l� em baixo, na sala de estar,
est� uma das mais brilhantes mentes criminologistas de Inglaterra?
A s�rio?
Sim. E aposto em como nunca diria que ela � semelhante pessoa.
Ela?
Ali est� ela, uma velha solteirona.
Doce, pl�cida, nunca julgar�amos... No entanto, a sua mente j� perscrutou
as profundezas da perversidade humana, como se fosse rotina.
- Como a envolvemos? - Espero que j� esteja envolvida.
Vive em St. Mary Mead, a poucos quiI�metros do Arthur e da DoIIy.
� extraordin�rio.
Conhece o mundo atrav�s do prisma da aldeia e do seu quotidiano.
Ao conhecer t�o detalhadamente a aldeia, parece conhecer o mundo.
Miss MarpIe!
- Sir Henry! Que grande sorte! - Que grande prazer em v�-Ia!
� muito simp�tico da sua parte.
- Est� aqui hospedada? - Sim, de facto.
Partilho uma su�te com a pobre DoIIy Bantry.
Calculei que estivesse envolvida. J� encontrou uma analogia com a aldeia?
- Bem, na verdade... N�o. - N�o me parece certa.
Estava a tentar compreender o apre�o do Sr. Jefferson
pela jovem que foi morta, tenho de o admitir.
Veio-me � mem�ria o Sr. Harbottle e tamb�m o Sr. Badger, o qu�mico.
Eu sabia que n�o me deixaria ficar maI.
Miss MarpIe, o Conway Jefferson pediu-me para estudar o caso:
sem ser oficialmente, claro.
Posso consuIt�-la? De igual modo, sem ser oficialmente?
Claro, Sir Henry. Se acha que as minhas opini�es poder�o ser �teis...
�ptimo. Posso pedir-lhe, a si e � Sra. Bantry, que jantem comigo hoje?
MaI posso esperar para ouvir a tese do Harbottle e do Badger.
Ent�o, vemo-nos logo.
- Qual era o nome? - Reeve. Major Reeve.
A rapariga chamava-se Pamela. Pamela Reeve.
Reeve.
Major Reeve?
Sim.
- Podemos entrar, sir? - Meu Deus... Meu Deus.
CampbeII...
Entre.
Jane, n�o creio que o Conway Jefferson seja um velhno malvado.
Claro que n�o! N�o! N�o quis insinuar isso, nem por um instante.
N�o. Apenas acho que ele procurava uma jovem alegre para tomar o lugar
da falecida filha, e esta rapariga viu a oportunidade e n�o a deixou escapar.
Como a jovem criada em casa do Sr. Harbottle.
O Harbottle. �ptimo.
Uma rapariga comum. Tinha um bonito modo.
A irm� do Sr. Harbottle cuidava-lhe da casa
e foi-se embora para dar assist�ncia a um parente moribundo.
Quando regressou, encontrou-a n�o no lugar que lhe competia,
mas na sala de visitas, a rir e a conversar, sem o uniforme.
Houve coment�rios, mas acho que n�o existia familiaridade entre os dois.
Penso que o velho apenas achou que seria mais agrad�vel
ter uma jovem simp�tica a dizer-lhe como ele era divertido e inteligente
do que a Miss Harbottle a apontar-lhe cada defeito.
Sim.
- Ent�o pensa que foi um embuste? - Sim, senhor.
Pensamos que ela foi morta antes de ser colocada no carro,
e que algu�m tentou destruir as provas.
Encontr�mos recipientes para v�rios litros de combust�vel.
Compreendo.
Acha que ela foi...
Pensamos que foi morta por ter sido testemunha involunt�ria doutro crime.
N�o acreditamos que o motivo tenha sido...
... n�o acreditamos que o motivo tenha sido, de modo algum, pessoal.
- Quer dizer, sexual? - Sim, senhor.
Outra jovem foi morta e pensamos que a Pamela
possa ter encontrado algo que a tornou perigosa para o assassino.
Sente-se capaz de responder a algumas quest�es, sir?
Queremos apanhar esta pessoa e precisamos de toda a ajuda poss�vel.
Com certeza.
De acordo com as suas primeiras declara��es,
quando a deram como desaparecida em Harold Road,
a Pamela saiu de Westcliff para ir a uma concentra��o de Guias em Danemouth,
e esperavam-na � nora de jantar, correcto?
Sim.
Ela deveria voltar para casa de autocarro?
A pol�cia local interrogou alguns dos seus amigos
e todos disseram que a Pamela ia at� WooIworths
e depois apanharia o autocarro na esta��o.
Ela fazia isso muitas vezes?
E n�o tinha outros planos?
Tanto quanto sei, n�o.
N�o tinha um namorado, ou algo parecido.
Gostava de jogar jogos... era uma desportista...
E quando o Sr. Badger descobriu que a menina Hart
andava com um jovem muito inapropriado, ligado �s corridas
e que at� tinha penhorado alguns dos presentes do Sr. Bagder... Bem.
Ficou furioso.
Ficou, certamente, ofendido.
N�o sei se o Sr. Badger seria capaz de algo t�o decisivo como a f�ria.
A Sra. Badger recebeu um casaco de peles � conta disso.
Acha que o Sr. Jefferson seria capaz de ficar furioso?
O Conway? Sim. Tem tend�ncia para isso.
Tenho a certeza de que � capaz de grande f�ria.
O que lhe parece, DoIIy?
Sim. Acho que sim. Porque pergunta, Jane?
Miss MarpIe! Acha? O Conway? Certamente n�o pensa que...
N�o, n�o. Eu n�o acho, Sir Henry, n�o.
Mas � um assunto muito obscuro e digo apenas
que o seu amigo Jefferson � um homem rico, poderoso e engenhoso
e iria detestar que o enganassem.
- � s� isso. - Miss MarpIe, Miss MarpIe,
porque nunca se tornou advogada?
Teria sido uma excelente advogada de acusa��o!
� verdade. � magn�fica!
N�o, n�o teria gostado absolutamente nada disso.
Toda aquela pompa e presun��o. E demasiado teatral.
Deus me livre, n�o. N�o teria sido nada bem sucedida.
Descubram tudo acerca do Bartlett. Ningu�m pode ser t�o doido.
Confirmem se este ''tipo dos filmes'' a que a Menina Turner se referiu
� o BasiI BIake. Se for, quero saber sobre as suas idas a Danemouth.
Investiguem-no junto dos est�dios de cinema. O costume.
O relat�rio forense preliminar. �ptimo.
Havia um tapete de p�lo comprido naquela biblioteca?
N�o. O tapete da lareira tinha...
... um padr�o, qualquer coisa de oriental.
Parece que o vestido dela tinha uns p�los compridos agarrados.
P�los brancos.
N�o eram de l�.
Pensam que ser�o de cabra; provavelmente, de cabra mont�s.
Um tapete de cabra mont�s?
Acho que nunca vi nenhum. Em que casa ir�amos encontrar um desses?
E se fosse numa de estilo ex-coIonial?
A ocupa��o favorita de quem est� farto de olhar pelo Imp�rio
seria ca�ar uma cabra ou duas nos Himalaias.
- O qu�, o Bantry? - Porque n�o?
Ele pr�prio admitiu que estava no carro entre as 10 e as 11:45 dessa noite.
Sem testemunhas.
Esteve no Majestic na semana passada.
Conhece os Jefferson.
Mas seria est�pido ao ponto de largar um cad�ver
na pr�pria biblioteca?
Ou inteligente a esse ponto...
Penso que, se a Ruby tivesse um namorado, teria tido muita cautela
em mant�-lo em segredo.
E ser� que o jovem ficaria aborrecido com isso?
Sim... � plaus�vel. Sabem, quando a prima, a Menina Turner,
esteve ontem em Gossington,
pareceu-me zangada com a jovem falecida.
Claro que pode ter sido porque esperava tirar partido
desta hist�ria da adop��o.
Voltando ao Conway e, na sua opini�o, o que fez despoletar
aquela simpatia pela jovem? - Isso � f�cil.
Tanto quanto entendi, os la�os entre ele, a nora e o genro
eram mais de desgosto do que de respeito e amor.
O Sr. GaskeII e a Sra. Jefferson s�o ambos jovens.
Come�am a sentir-se menos desgostosos, � apenas isso.
Come�aram novamente a olhar para o mundo e sabem como os cavalheiros
podem facilmente sentir-se negligenciados.
Sim. Sim, penso que... D�o-me licen�a?
Eu... Vou s� telefonar para o Arthur.
Sei que voc�s os dois t�m muito que conversar.
Jane, tomaremos o pequeno-almo�o juntas.
Claro, DoIIy. Sem d�vida, querida.
- Boa noite, Sir Henry. - Boa noite.
Porque se referiu � Sra. Bantry como ''pobre DoIIy'', esta tarde?
Bem, este parece-me o g�nero de crime que nunca se resolve.
Como os assass�nios dos vag�es em Brignton.
Isso seria desastroso para os Bantry.
As pessoas v�o pensar que n�o h� fumo sem fogo.
Algumas v�o at� diz�-lo.
Ser�o discretamente ostracizados.
O Coronel Bantry � muito sens�vel.
Vai fechar-se sobre si mesmo, isolar-se. Provavelmente j� come�ou a faz�-lo.
Penso que isto poder�, literaImente, mat�-los.
Compreende, Sir Henry... Temos de descobrir a verdade.
Mas � um caso t�o aberto, n�o acha?
S�o 25km at� Gossington.
A �ltima vez que a Ruby Keene foi vista aqui foi �s 11:30h.
� meia-noite, ou mais cedo, estava morta.
Qualquer carro poderia ter feito o percurso nesse tempo,
assumindo que era meia-noite.
Mas porque haveria algu�m de a matar e depois levar o corpo para Gossington,
ou lev�-la para Gossington e mat�-la l�?
� algo que me ultrapassa.
Claro que ultrapassa, porque n�o aconteceu.
- Acha que n�o foi premeditado? - De modo algum.
Penso que um plano foi feito muito cautelosamente.
O que aconteceu foi que o plano correu maI.
O que foi?
A orquestra... aquela m�sica.
A DoIIy estava a traute�-la esta manh�. Sabe o que �?
Tem estado a perseguir-me, e l� est�o eles a toc�-la.
- Sabe que m�sica �? - N�o estou a par dos �ltimos �xitos.
� Mozart, Sir Henry... Porque ser� que n�o consigo deixar de pensar nela?
� muito agrad�vel.
� um mist�rio.
Mas todos somos, n�o � verdade? At� para n�s pr�prios...
Principalmente para n�s pr�prios.
Entre.
- � a pol�cia outra vez, n�o? - Temo que sim, sir.
N�o � preciso ter medo, Lorrimer.
N�o, sir.
- Viu tabaco por a�? - N�o, sir.
Acho que vou comprar algum.
- Afinal, o que querem eles? - Perguntaram se havia em casa...
... algum tapete branco de p�lo comprido, sir.
- E h�? - Branco, n�o, sir. Temos bege.
Querem levar amostras.
- Do qu�? - Dos p�los dos tapetes.
Dos p�los dos... Bem! Deixem-nos revistar a casa.
Se abriu a �poca de ca�a a tapetes peludos, deixem-nos andar � solta.
Porque n�o?
Est� bem, prossigam. Virem a casa do avesso.
A casa da liberdade. Liberdade.
Obrigada, Sr. Brogan.
Bom dia, Sra. EIIis.
Bom dia, Sr. Brogan.
Bom dia, Coronel, o que deseja?
Quero uma lata de 60g do meu tabaco habituaI, por favor.
Com certeza, sir.
- Obrigado. Ponha na minha conta, sim? - Bem... Sim.
- Passa-se alguma coisa? - Nada, sir.
N�o se passa nada, Coronel. Faca favor...
� um dia triste, Sr. Brogan.
Um dia triste.
Ia recusar-lhe o cr�dito, n�o ia?
S� porque um louco deixou um corpo na casa dele,
de repente transforma-se num proscrito.
Meu Deus, que s�tio este. Prefiro a BabiI�nia, em qualquer circunst�ncia.
Coronel...
O que foi, BIake?
- S� queria dizer que lamento, sir. - Lamenta? Lamenta o qu�?
Essa hist�ria do corpo na sua casa. N�o deve ser muito... agrad�vel.
�s vezes, tem uma maneira muito engra�ada de dizer as coisas, BIake.
Talvez. Deve ser horr�vel. Algo de tal modo inexplic�vel...
� mesmo inexplic�vel. Sem d�vida.
- S� espero que n�o seja... - Olhe, acho que vou andando.
Se houver algo que eu possa fazer...
Olhe, BIake, n�s nunca nos demos muito bem no passado, n�o foi?
Obrigado pela oferta e tudo isso, mas n�o vejo que a situa��o se altere, sim?
Tenha um bom dia.
Sim, a culpa foi toda da Addie.
Foram li��es de t�nis a mais com aquele jovem bem-parecido.
Mark!
O Jeff sentiu-se negligenciado. N�o admira que procurasse a dan�arina.
Tu tamb�m n�o lhe prestaste muita aten��o, propriamente.
N�o, mas a chave disto reside na companhia feminina, como tudo o resto.
Sim, mas, uma rapariga... como a Ruby Keene.
Sem d�vida. O Jeff sempre foi um homem com ideias bem definidas.
Os cavalheiros nem sempre s�o t�o sensatos quanto aparentam.
Como est� o Conway hoje? Pareceu-me bem, ontem,
mas soube que tinha estado doente.
Sim. Ele est� bem.
Diga-me, como era realmente a Ruby?
Santo Deus!
N�o vejo porque n�o podemos falar nela.
Era uma oportunista vulgar.
- Mark! - E sabia o que fazia.
Nunca demos por nada. Sorte a dela: t�-la-ia estrangulado.
Mark! Por amor de Deus!
� apenas uma maneira de falar, Addie.
Fomos idiotas, n�o vimos logo quais eram as inten��es dela, Sir Henry,
e eu fiquei... zangado. Foi s� isso.
Estou certo de que a Addie e eu somos fortes suspeitos.
O Jeff tencionava dar uma verdadeira fortuna a essa vigarista principiante
que, supomos n�s, nos iria prejudicar.
Bem, bem.
�s mesmo uma pessoa sem escr�pulos, Addie.
- Aquele n�o � o Hugo McLean? - E. A Addie s� precisa de assobiar
que ele vem logo, a abanar a cauda.
� o homem mais fidedigno de toda a Inglaterra.
Espera despos�-la, claro. Aceita esta saca de batatas para marido? N�o sei...
Bem, d�o-me licen�a? O meu dever di�rio: passear o Jeff.
Uma volta r�pida � cornija, na cadeira de rodas. Adeus.
Bem, o que acha dos principais benefici�rios do crime?
Acho que a Sra. Jefferson devia casar novamente.
� uma mulher atraente. Seria uma boa companheira.
N�o admira que o Sr. Jefferson sinta a sua falta.
- E o Mark GaskeII? - � um fulano deprimente.
- Analogia com a aldeia, por favor... - O Sr. Cargill, o construtor.
Levou uma s�rie de pessoas a fazer mais altera��es nas suas casa
do que elas desejavam, e depois cobrou-lhes os olhos da cara.
Tamb�m casou por dinheiro, como o Sr. GaskeII.
- Ent�o, n�o gosta dele? - Sim, sim, gosto.
Sim. Acho que � atraente. Mas n�o me convence.
Um tipo enganador que fala um pouco demais, � o que me parece.
E aqui est� outra pequena hist�ria.
Quer dizer que...
Est� a sugerir que esse Starr est� com ideias de casar com a Sra. Jefferson?
Porque, se est�...
DoIIy, disseram-nos que aquele Hugo McLean pensa assim.
E quem quer que pense em casar com a Adelaide Jefferson...
N�o gostaria de a ver deserdada. E bem certo.
Sim.
Ainda tenta dizer-me que quando h� motivo, n�o h� oportunidade,
e que quando h� oportunidade, n�o h� motivo?
Quem iria tirar proveito, sir?
A Sra. Jefferson e o Sr. GaskeII.
Estiveram ambos a jogar bridge desde a actua��o de dan�a da Ruby Kenne
at� depois da meia-noite.
T�m imensas testemunhas. �libis intoc�veis.
Passa-se o mesmo com o Starr.
- E ent�o o BIake? - Esteve numa festa at� de madrugada.
Pensamos que conhecia a Ruby Keene, mas n�o tem motivo aparente.
O Bartlett?
� verdade que teve oportunidade,
e n�o tem testemunhas dos seus actos � nora que ela foi morta.
E a jovem Reeve estava no seu carro. Mas nada mais aponta para ele.
N�o h� motivo - em nenhum dos casos.
� do tipo jovial; completamente pateta.
Estamos a investig�-lo, mas � uma hip�tese remota.
A prop�sito, sir... A Ruby Keene estava mesmo morta � meia-noite, n�o?
J� me interroguei sobre isso.
Por isso, telefonei ao Doutor Haydock s� para confirmar.
Ficou bastante irritado, por acaso.
Ele estabelece a meia-noite como limite absoluto.
Sim, aqui est�. Parece que a drogaram antes de a matarem. Um barbit�rico.
O que n�o parece ser viol�ncia espont�nea, sir.
Quer dizer, um assass�nio fortuito? Um psicopata? N�o. N�o, n�o me parece.
MeIchett.
Fala o Lake, sir. - Sim, Lake.
Contact�mos o guarda-nocturno e parece que o Basil Blake
foi visto a sair da festa por volta das 1 1h.
Obrigado.
- Telefono ao Inspector Slack? - N�o, ele est� aqui. Eu digo-lhe.
- Muito bem, sir. - Sim. Adeus.
Parece que o BasiI BIake foi visto a sair do parque de estacionamento da festa
por volta das 11h na noite em quest�o.
Teria tido tempo?
Sim, sir, teria.
- O que est�s a fazer? - O que te parece?
Isso tresanda. Est�s a queimar o teu gato?
N�o. Por acaso, estou a queimar a minha avozinha.
AGATHA CHRISTIE'S MISS MARPLE
UM CORPO NA BIBLIOTECA Terceira Parte
Meus senhores e minha senhora.
Sinto muito. N�o tenho nada a ver com isso. Reformei-me.
E, para mais, estou de f�rias.
Sir Henry!
Pe�o desculpa pelo que vem no jornal.
- Um chorrilho de disparates. - E muito desagrad�vel.
Tentei impedir que acontecesse, mas algu�m falou � imprensa.
- Bom dia, DoIIy. - Isto � chocante.
Ou�am isto.
''Coronel Arthur Bantry, latifundi�rio na pequena aldeia de St. Mary Mead,
disse � Pol�cia n�o poder explicar o cad�ver da loura platinada,
a esplendorosa cantora de clubes nocturnos, Ruby Keene,
encontrada estrangulada na biblioteca da casa do Coronel, Gossington Hall,
�s primeiras noras da manh� de S�bado.
Tanto quanto sabemos, a Sra. Bantry viajou at� � costa...''
Tenho de telefonar imediatamente ao Arthur.
Sabe Deus o que poder� pensar, se ler algum deste lixo.
Com licen�a, Henry.
- J� pensou mais sobre o assunto? - Sim.
- chegou a alguma conclus�o? - Sim.
E vai dizer-me, ou n�o?
Bem, quem matou a Ruby Keene, matou a Pamela Reeve.
E temo que, em breve, tentar�o levar a cabo o terceiro assass�nio.
- Em resposta � sua carta de dia 1 4... - Entre.
- chamou-me, sir? - Sim, SIack.
J� chegou o relat�rio sobre os p�los dos tapetes em Gossington Hall?
Sim, senhor. Os testes foram inconclusivos.
Penso que o tapete estaria no carro do assassino.
Suponho que faz sentido.
O que disse o tipo do parque de estacionamento acerca do BIake?
O guarda nocturno viu o BIake sair do parque pouco antes das onze.
Tem a certeza.
Quando os carros passam pelo seu cub�culo, a luz incide no condutor.
E qual � a dist�ncia entre os est�dios e St. Mary Mead, segundo me disse?
30 quiI�metros.
Portanto, ele poderia t�-lo feito.
Mas tamb�m temos provas em como o BIake esteve na festa at� �s 2n.
Quer dizer que ele poderia ter regressado para estabelecer um �libi?
Exactamente, sir.
Ela bem disse que era o BIake, desde o in�cio.
Quem, sir?
A Miss MarpIe, quem haveria de ser?
SIack, fiquei com a impress�o de que voc� n�o a leva muito a s�rio.
- Leva? - De que modo, sir?
Deixe-me dar-lhe um conselho.
A velhinha tem ideias mais fortes, maior cinismo e maior intelig�ncia
do que maior parte dos advogados que voc� vai conhecer
ao longo do que espero ser uma longa e brilhante carreira.
D�-me licen�a.
Sim?
O Sir Henry CIithering? L� em baixo?
Bom dia.
Miss MarpIe.
- Bom dia, Sr. GaskeII. - Bom dia.
- Hoje n�o joga t�nis, Sra. Jefferson? - Jogo mais tarde.
Com certeza.
Com o devido respeito, Sir Henry, j� recolhemos depoimentos
de todas as amigas da Pamela Reeve.
Das amigas da escola e das jovens que estavam na concentra��o de Guias.
Mas a hip�tese da Miss MarpIe � que uma delas deve saber mais,
que a jovem Reeve era uma rapariga normal
e que todas as raparigas normais t�m uma amiga especial, sua confidente.
Se assim �, n�o encontrou essa amiga, pois n�o?
N�o, sir, n�o encontrei, se assim �...
Inspector, compreendo que esta seja uma grande imposi��o.
Compreendo que tenha muito com que se preocupar.
Nada de que n�o estejamos a par, Sir. - N�o, n�o, claro que n�o.
Ia apenas sugerir que, se pudesse, organizasse uma tarde de entrevistas,
talvez conduzida por um dos seus oficiais mais jovens
e que a Miss MarpIe pudesse estar presente.
Muito bem, Sir. Vou tratar disso.
- Mais alguma coisa? - Obrigado, Inspector.
Mantenha-me informado.
- Bom dia, Sir Henry. - Bom dia, Inspector.
- Desculpe, � detective? - N�o, n�o sou.
Algu�m me disse que o senhor era um detective importante de Londres,
O chefe da Scotland Yard, ou qualquer coisa assim.
- Miss MarpIe... - Sir Henry.
Vejo que h� pelo menos uma pessoa a divertir-se com o assunto horr�veI.
Estou, bastante.
J� bisbilhotei, a ver se conseguia encontrar alguma pista, mas n�o...
Tenho uma lembran�a, apesar de tudo.
A minha m�e disse para a deitar fora. Pais... francamente!
Veja isto. � uma unha. � dela.
''A unha da mulher assassinada.''
O que lhes parece? � bom, n�o �?
Onde a arranjaste?
Foi uma sorte, porque na altura ningu�m sabia que a iam matar.
Foi na noite em quest�o, est�o a ver?
A Ruby prendeu uma unha partida no xaile da Josie.
Por isso, a minha m�e cortou-lha e disse-me para a jogar fora.
Pu-la no meu bolso para a jogar fora mais tarde e esqueci-me.
Acham que � quase nora de almo�o? Tenho muita fome.
Josie! Josie! Ol�!
- Ol�, Peter, como est�s? - Bom dia, Menina Turner.
- Est� tudo bem? - N�o posso sair do hotel.
Os jornalistas. N�o se ralam, n�o �? N�o me atrevo a sair do edif�cio.
Que chatice.
De qualquer maneira... Tenho de ir.
Josie! Quero interrog�-la!
H� quanto tempo conhecia a falecida?
Tinha estado a preocupar-me, como explicar as unhas dela...
- As unhas dela? - Sim, eram muito curtas.
Uma rapariga assim geralmente tem umas pequenas garras muito elegantes.
Mas penso que, se partiu uma,
teria de cortar as outras para ficarem iguais.
Penso eu... n�o sei.
Bem, eu... Ali est� o SIack.
Vou perguntar-lhe.
Inspector...
Sim, Sir Henry.
S� um pormenor.
Encontrou unhas cortadas no quarto da rapariga?
Sim.
- Bastantes, no cesto dos pap�is. - �ptimo. Obrigado.
J� conseguiu organizar as entrevistas?
Estou a tratar disso agora, Sir.
Depois digo-lhe.
Miss MarpIe?
- Amadores! Livrem-me dos amadores! - Sir?
N�o s� temos um inspector reformado como se estivesse de servi�o
como temos de lidar com as intromiss�es de uma velha solteirona.
Prefiro um assalto normal, com viol�ncia!
- Mais alguma coisa sobre o BIake? - Sim, bastante.
Apanhei-te.
- N�o quero! - Mas, sir...
Sai daqui.
Edwards!
Edwards!
Sr. GaskeII...
O que se passa, Edwards?
Est� com um ar preocupado.
N�o sei se ele quer receber visitas, sir.
O que se passa hoje? As tristezas dos gritos?
N�o quer tomar os medicamentos, sir.
Isso � mau.
E se for eu a tentar?
- Pode tentar, sir... - �ptimo. Traz l� isso.
Com certeza, sir.
Bom dia, Jeff.
O que andou a fazer?
A empilhar mob�lia?
- Merece um castigo por exagerar. - Vai para o Inferno!
Jeff, n�o gostava que a Adelaide subisse e tomasse caf� consigo, hoje?
Sai daqui! Sai daqui!
� um homem dominador...
Por vezes, de temperamento incontrol�vel.
E a sua fraqueza � precisar de pessoas sobre as quais dominar.
Que interessante.
Quando eu e o Frank cas�mos...
... o Jeff deu-nos tanto dinheiro que o Frank n�o tinha nada por que lutar.
De certa forma, o dinheiro foi um modo de impedir que o Frank
arranjasse um meio de se realizar.
E o Jeff sabia que ele n�o iria lidar com isso convenientemente.
Odeia o Jeff?
A senhora � extraordin�ria! N�o.
Ele � ego�sta, � um coleccionador de almas...
Mas amava a Rosamund e o Frank.
Vive a vida no fio da navalha. Pode morrer a qualquer momento.
N�o, n�o o odeio.
Mas penso que � altura de me tornar independente dele.
Vai casar novamente?
Que divertido!
Como est� o Hugo?
Sim, ele quer casar comigo - suponho que era isso que queriam saber.
De qualquer modo, n�o aceitei.
Perdoe a pergunta, Sra. Jefferson, mas gostava da pobre falecida, a Ruby?
Era uma oportunista reles e vulgar.
N�o, n�o gostava dela.
Quando descobri o que andava a tramar fiquei muito zangada.
Estava capaz de a matar!
Adelaide, por amor de Deus!
Ol�, Hugo.
Certo.
Sabemos que o BIake saiu dos est�dios e voltou,
dando-lhe tempo para levar a cabo um ou os dois assass�nios.
Sabemos que esteve em Danemouth em tr�s ocasi�es diferentes,
e pelo menos uma vez no Majestic.
Sabemos que conhecia a Ruby Keene.
O BIake mentiu acerca da nora a que saiu da festa nos est�dios.
Mentiu acerca da sua presen�a no Majestic.
Acho que � altura de darmos uma vista de olhos ao carro do Sr. BIake, n�o?
Diz-lhe que precisamos de um depoimento de rotina.
Podemos ver o autom�vel dele enquanto isso durar.
- J� organizou as entrevistas? - Sim, sir.
As raparigas na turma da Pamela Reeve pertenciam �s Guias.
E os interrogat�rios relacionados com o dinheiro?
- A Sra. Jefferson e o Sr. GaskeII. - Sim, est�o ambos falidos.
O GaskeII tem d�vidas. Pensava que t�nhamos desistido deles.
T�m �libis muito s�lidos.
Cem miI verdinhas � um grande motivo, mas n�o serve, neste caso.
N�o, acho que vamos ver o carro do Sr. BIake.
N�o mude de m�o, Adelaide - com calma.
Linda menina - mantenha as pernas fectidas - n�o mude de m�o.
- N�o Ines consigo chegar. - Foi azar.
Dobre as pernas - sim.
Quando estiver l� atr�s, siga a jogada...
Linda menina...
Dobre os joelhos - linda menina.
Preste aten��o � maneira como pega na raquete.
Adelaide, eu mostro-lhe.
� a pega, v�? � a pega.
Descontraia e deixe-me ensin�-la.
V�, dobre o polegar assim - assim... Segure com firmeza. V�?
- Sim, estou a ver. - Linda menina, Adelaide.
Mas mantenha o movimento a direito.
Muito bem - linda menina.
Penso que temos li��o marcada para as 11:30h de amanh�, Adelaide.
- Est� bem assim? - Est� muito bem, Ray.
Vemo-nos amanh�.
Estou a fazer progressos, n�o acha?
Hugo, n�o seja t�o rabugento!
- Ray! - Sra. Cumperton, sempre pontual.
- Sim. - Ent�o vamos l�.
Aquele tipo quase...
N�o gosto mesmo nada dele, � s� isso.
Hugo, deixe de ser presumido.
N�o consigo deixar de me sentir assim, Adelaide, � a minha maneira de ser.
Pensava que era mais importante para ti do que isto.
Sabia que o Hugo McLean estava em Danebury Head quando se deu o caso?
N�o teve de viajar de muito longe quando foi convocado, pois n�o?
- Que coincid�ncia. - �, n�o �?
Sim, Inspector.
Sei onde est�.
� perto da rua Castle...
De maneira nenhuma, vou � sede esta tarde.
Obrigado.
� apenas rotina.
Quer dizer, a pol�cia tem mesmo de me interrogar.
O que se passa, BIake?
BIake?
Tenho de te contar uma coisa, D. Lee.
Est� bem, Griselda. Obrigada, querida.
Tenho de regressar a Gossington.
A Griselda contou que as pessoas dizem que me vim embora
porque n�o conseguia suportar a humilha��o.
Deve significar que pensam que eu acredito
nas coisas horr�veis que est�o a dizer.
Vou manter esta su�te, Jane.
Vai ficar, n�o vai, para esclarecer tudo isto?
Jane, � t�o esperta... Porque n�o resolveu ainda este mist�rio?
Parece que n�o avan��mos nada.
Pensei que saberia de imediato.
N�o, querida, n�o soube de imediato.
- Nem durante algum tempo. - O qu�?
Quer dizer que agora j� sabe quem matou a Ruby Keene?
Sim.
Isso sei, mas ainda h� a quest�o dos outros.
Quem mais, est� a compreender...
Jane! N�o brinque comigo! Diga-me imediatamente quem foi
e o que quer dizer com isso.
N�o, isso... Isso n�o pode ser, querida DoIIy.
- Porque n�o? - Porque a DoIIy � muito indiscreta.
Iria contar a toda a gente, ou dar pistas, pelo menos.
N�o, n�o. Ainda h� um longo caminho a percorrer...
Muitas coisas ainda est�o por revelar.
D� a volta, sir. H� l� um lugar para si.
Est� bem.
Bom. Vamos come�ar pela mala do carro.
Quando o SIack diz dez minutos - quer dizer cinco.
Muito bem, sir.
Muito honestamente, Sir Henry,
uma vez ultrapassado o desgosto - se � que alguma vez o fez,
a �nica coisa que mant�m o Sr. Jefferson vivo � a sua raiva.
Raiva contra os deuses, � como lhe chamo.
Ele n�o vai cair sem dar luta.
H� alguma coisa em particular que o deixe furioso?
A incompet�ncia. Os que perdem tempo. A crise do petr�leo.
Tudo aquilo que o impe�a de continuar em frente.
O embuste.
Sim... o embuste.
- Posso falar abertamente, Sir Henry? - Por favor, fa�a-o.
Houve um incidente...
Est� a ver, Sir, a jovem de quem o Sr. Jefferson gostava tanto n�o era digna.
Ela era, para falar sem rodeios, uma rapariguinha muito vulgar.
Acho que ela nem sequer gostava muito dele...
Aconteceu certa tarde...
...h� cerca de uma semana...
... quando a Menina Keene estava com o Sr. Jefferson.
N�o iria acreditar - era a mesma senhoria...
... que tinha o c�o em Huddersfield.
''''The Striking Cur''!
Tinha-se mudado!
Sente-se bem, Jeff?
- Foi um gr�o de poeira... - N�o fa�a isso. E muito pior assim.
Deixe estar que eu fa�o.
V� l�, seja valente e abra o olho.
V� l� - � isso mesmo - olhe para cima.
V� l�, seu medricas.
J� est�! Apanhei. Algu�m andou a limpar a chamin�.
- O que � isto? Caiu da sua mala. - O que �?
Isto. Quem � ele?
Boa pergunta, Jeff. Isso n�o � meu.
Mas, gatinha, acabou de cair da sua mala.
Como? N�o vejo como possa ser poss�vel.
''Ser-te-ei fiel, Minha querida Ruby, a ti...
''... a ti.''
Deixas-me ver, Jeff?
N�o sei, n�o tenho a certeza...
Ent�o, gatinha...
J� sei quem �! Vem c� �s vezes. J� dancei com ele.
Diz que est� no neg�cio dos filmes, ou assim. Um maluco de primeira.
O idiota deve ter enfiado a fotografia dele na minha mala.
Sinceramente, Jeff, aqueles rapazes s�o t�o est�pidos!
Est�o sempre a gamar a minha foto da vitrine na sala de estar.
Sempre a qu�?
A gamar a minha foto, claro.
A gamar a minha foto.
Penso que o Sr. Jefferson n�o acreditou verdadeiramente nela.
Estava muito irritado nesse dia.
Perdeu as estribeiras com o seu corretor, nessa tarde, ao telefone.
Claro que as coisas regressaram � normalidade...
... mas acho que ele a vigiou mais, da� para a frente.
Fazia mais perguntas acerca das actividades dela.
Viu a fotografia?
N�o, Sir.
O que acha que ele teria feito se descobrisse que ela tinha um amante?
Muito honestamente, Sir, penso que...
No seu estado de sa�de, penso que teria sido o seu fim.
- Obrigado por ter vindo. - Espero ter ajudado.
Espero que n�o sinta que perdeu o seu tempo.
De modo algum.
Para o Laborat�rio Forense.
V� com cuidado, sir.
At� � vista, Inspector.
Adeus.
Vai contar ao Inspector o que sabe acerca do vestido, n�o vai?
Estamos a falar do vestido da Ruby Keene, n�o �?
Claro. A ideia � que ela mudou de vestido e foi encontrar-se com algu�m.
Um homem, supostamente.
- � o que todos pensam. - Bem, mas n�o foi isso.
Se a Ruby ia usar aquele g�nero de vestido que trazia,
certificar-se-ia de que era o melhor vestido que tinha.
As raparigas fazem isso.
Porque n�o o fez ela?
� essa a chave para toda esta hist�ria.
Bom. Penso que n�o tenho mais perguntas para lhe fazer agora.
Obrigada, Jenny.
J� entrevistei as seis raparigas, Miss MarpIe.
N�o me parece que... - Sim. Sim.
Gostaria de falar com a Florrie SmaII.
Reparou nela quando saiu?
Ficou descontra�da demasiado rapidamente.
Florrie SmaII?
Florrie SmaII?
Est� tudo bem. S� queremos falar mais um pouco consigo.
Acho que vai correr bem.
Tem a certeza, Florrie, que nos contou tudo?
Gostar�amos de a ouvir diz�-lo em voz alta.
Sim.
Tem de ser uma menina corajosa e confessar o que se passou.
Florrie SmaII, se a menina se recusa a contar-nos o que sabe...
... teremos aqui um assunto muito s�rio - muito mesmo.
De perj�rio, praticamente.
E, como sabe, pode ser enviada para a pris�o por causa disso.
Eu n�o sei...
Vamos, Florence, n�o minta. Diga imediatamente tudo o que sabe.
A Pamela n�o ia para WooIworth's, pois n�o?
Era algo relacionado com filmes, n�o era?
N�o era, Florrie?
Sim!
Era, sim!
Miss, nunca estive t�o preocupada!
N�o posso contar-lhe.
MaI tenho comido. Tem sido horr�vel.
Compreende, eu prometi � pobre Pammie... prometi-lhe...
Tudo o que o Edwards me p�de dizer foi que a Ruby Keene
disse que o tipo na fotografia tinha alguma coisa a ver com filmes.
Outra vez o BIake.
� o favorito do lnspector Slack.
Mentiu sobre as suas ac��es na noite do crime e agora encontr�mos
alguns cabelos nos estofos do seu carro.
Mand�mos compar�-los com os que encontr�mos no vestido da Ruby.
Em rela��o a esse vestido...
- Gostaria de sugerir uma coisa. - Diga.
Ou�a, MeIchett, acha que eu estou a interferir?
Suspeito que v� novamente falar sobre a Miss MarpIe, n�o �?
Est� bem, o que lhe pediu ela que me dissesse?
- � acerca do vestido da rapariga. - Mas n�s estivemos a...
A Miss MarpIe diz que � a chave de tudo isto.
Demore o tempo que quiser, Florrie, e diga-nos o que a Pammie lhe contou.
Foi quando est�vamos a andar pela rua para apanhar o autocarro...
�amos a caminho da concentra��o
quando ela me contou.
A Pammie perguntou-me se eu conseguia guardar um segredo.
- Ent�o, consegues ou n�o? - Claro que sim.
- Juras? - Juro. Prometo que n�o conto.
Lembras-te da �ltima vez que fomos �s compras?
Sim.
N�o foi a �nica coisa que fiz. Conheci um homem.
Pammie!
- N�o h� problema. N�o � nada disso. - Ent�o o que �?
Ele engatou-me, n�o h� d�vida. De caras. Come�ou a falar comigo.
Sobre o qu�?
Adivinha onde vou esta tarde, depois da concentra��o?
- Pammie, n�o fa�as isso. - N�o � isso, parva!
- Desisto. - Fazer um teste. Entrar num filme.
- Est�s a brincar! - Foi o que eu pensei, no in�cio.
Ele disse-me que n�o devo ficar desapontada.
Disse que est� � procura de um g�nero em particular e que s� me pode dizer
depois de me ter filmado.
- Mas como sabes, Pammie? Sabes... - Ele foi muito profissional.
Se houver contrato, ele disse que os meus pais devem contratar
um solicitador para dar uma vista de olhos.
E eu estarei acompanhada durante o teste.
Estar� l� uma mulher para me ajudar, algu�m que sabe o que se passa.
Pammie, isso � fant�stico.
Onde deveria a Pamela encontrar-se com ele?
No hotel onde ele estava.
Sabe qual era?
N�o, ela n�o disse.
E onde teria lugar esse suposto teste para o filme?
Ele disse que tinham um pequeno est�dio em Danemouth.
Estou a ver.
Eu devia t�-la impedido. Devia. Devia mesmo.
Entre.
Ainda bem que o apanho, sir.
O que foi, SIack?
O laborat�rio, sir. Os cabelos que encontr�mos no vestido dela
s�o iguais aos que encontr�mos no carro do BIake.
Parab�ns. Bom trabalho.
Pressenti que seria com o procedimento normal da pol�cia
que ir�amos desvendar este caso, sir.
E quanto ao segundo assass�nio? J� resolveu esse?
Penso que � apenas uma quest�o de tempo.
O laborat�rio diz que, de manh�, teremos algo � prova de advogados.
Depois, vamos buscar o BIake.
Com uma acusa��o consistente
conseguirei que confesse o segundo assass�nio num instante.
N�o teria tanta certeza.
Porque diz isso, sir?
Eu pr�prio andei a investig�-lo.
Foi um objector de consci�ncia durante a guerra.
- Isso era de esperar. - Alistou-se como bombeiro auxiliar.
Ganhou a Medalha George.
Boa noite, SIack.
- Ainda bem que est�. Posso entrar? - Claro. Porque n�o?
Abanque a�.
- Desculpe? - Estacione o...
- N�o se quer sentar? - Sim, obrigada.
O que foi desta vez?
Desta vez?
At� agora, j� recebi o Fundo de Restauro da Nave da Igreja,
a Guilda das Bordadeiras e o Apelo do Bispo para Pescadores de Alto Mar.
A senhora, de que faz parte? Escuteiros ou M�es Solteiras?
Est� bem.
N�o responda.
S� veio dar uma vista de olhos.
J� pensei em fazer visitas guiadas e cobrar dois xelins.
Por onde gostaria de come�ar?
Pela cozinha?
- Vim dar-lhe alguns conselhos. - Meu Deus, a Liga do Decoro!
Que espero serem �teis nos tempos dif�ceis que se avizinham.
De que est� a falar?
Quero aconselh�-la veementemente. N�o use o nome de solteira na aldeia.
N�o tarda, vai precisar de toda a simpatia que puder arranjar.
E h� preconceito, em pequenas localidades campestres e retr�gradas
contra pessoas que n�o s�o casadas e vivem juntas.
� divertido que se chame a si pr�pria Menina Lee
quando na verdade se chama Sra. BIake.
Ajudou a manter todos � dist�ncia, excepto os mais curiosos.
Mas o tempo para esses jogos chegou ao fim.
- Como soube que �ramos casados? - Minha querida...
Pelo modo como discutem.
Discutem como pessoas com um relacionamento
que vai para al�m de um simples caso amoroso.
A senhora � espantosa.
Pensei que tivesse ido a Somerset House, ou coisa assim.
Somerset...
- E mais? - Perd�o?
Porque vamos precisar de toda essa simpatia?
Porque de certeza que, durante o dia de hoje, v�o prender o seu marido.
- Mas ele n�o fez nada. - Eu sei que n�o fez, querida.
Mas n�o � isso que interessa agora.
Ainda bem que ele lhe contou.
N�o devia ter-se livrado do tapete. O que fez com ele?
Queimei-o.
Mas n�o limpou devidamente as coisas.
Olhe. Isto seria o suficiente.
E quanto ao seu carro, qu�o meticuloso foi?
O carro!
N�o tenho mesmo voca��o para isto, pois n�o?
O que sabe acerca disto?
- Gostaria de saber mais. - Est� bem, eu conto-lhe.
Eu e a Dinah tivemos uma discuss�o.
Eu sa� da festa no est�dio mais cedo.
A verdade � que eu tinha bebido imenso.
Ol�.
Uma visita, quem diria.
Acorde!
Acho que entrei em p�nico.
S� sabia que a tinha de levar dali para fora.
N�o fazia ideia para onde ia.
Fartei-me de conduzir.
Louco!
Quando dei por isso, estava a passar por Gossington Hall.
Pareceu-me ser a resposta, subitamente.
Sei que parece uma loucura, mas achei que seria uma bela partida.
�s vezes, o Bantry consegue ser um idiota irritante e presun�oso.
Parecia ser t�o deliciosamente incongruente...
... uma rapariga daquelas na biblioteca dele.
Foi uma partida cruel.
Eu sei.
Mas n�o sabia quem era?
N�o, eu maI conhecia a Ruby Keene.
- E o rosto estava... - Sim, sim.
O que vamos fazer acerca disto, BIake?
Posso sugerir que contratem o melhor dos advogados?
� a Pol�cia...
- N�o demoro nada, Inch. - Sim, minha senhora.
Jane, ainda bem que aqui est�.
Temos tentado contact�-la toda a manh�. Entre.
N�o posso ficar, DoIIy, mas achei que devia trazer-lhe as novidades.
Novidades?
O BasiI BIake acabou de ser preso pelo assassinato da Ruby Keene.
O BIake?
- Ele n�o � culpado. - Como sabe?
Contudo, colocou o corpo na vossa biblioteca.
Como o Tommy Bond e o seu sapo.
N�o gostava da professora e, por isso, p�s-lhe um sapo no rel�gio
e ele saltou para cima dela.
O BIake? Na minha biblioteca? Porque fez ele isso?
Acho que lhe quis pregar uma partida.
- O qu�? - Claro que estava b�bado.
Estava? Ent�o foi isso. Est� bem.
Ent�o, quem � o culpado?
Penso que a resposta est� em Londres.
Sim, Londres, agora.
Se nos apressarmos, apanhamos o comboio das 1 0n.
- Vamos l�. - Sim, senhora.
N�o me parece que devesse ser visto comigo, meu velho.
- Porqu�? - Suspeito n�mero 1 .
- Primeiro na lista. - GaskeII, deixe-se disso.
O que foi?
Algu�m com quem eu n�o quero ser visto, de certeza.
Pe�am desculpa ao Rei de Wimbledon, sim?
N�o � das pessoas mais subtis, pois n�o?
N�o sei porque tem de ser t�o indelicado acerca disto.
MaI falei com o homem.
- O que est� a beber? - Escute uma coisa, Starr.
H� algo que deve compreender. Acerca da Adelaide.
O que �?
Compreende que a Adelaide acredita no c�digo dos Jefferson, n�o?
O que quer isso dizer?
Apenas que os verdadeiros Jefferson n�o costumam casar com tenistas.
� apenas isso.
Mais um u�sque, por favor.
Boa tarde, Ray.
Ray? O que se passa?
O Sr. Jefferson est� � sua espera.
- Certo. Vou-me embora, ent�o. - Que sorte.
- Vamos comer e beber qualquer coisa? - Nem pensar.
Vou voltar � sede. Mais uma sess�o com o BIake.
� teimoso, ele?
At� � meia-noite. Uma confiss�o - assinada e selada. Apostamos?
SIack.
Posso falar consigo?
Claro, sir.
- Miss MarpIe? - Sim. Sim.
Voltei agora de Londres, de Somerset House,
e pensei que talvez...
A nosso pedido, o Conway Jefferson disse � Sra. Jefferson e Sr. GaskeII
que, uma vez que a Ruby Keene est� morta, ele vai criar um fundo
com as cem miI libras que lhe eram destinadas.
Este fundo ser� destinado a um abrigo para jovens bailarinos em Londres.
Tamb�m Ines disse que ia acertar os pormenores com o solicitador, amanh�.
O que quero que fa�am � o seguinte.
Em breve ser� noite, portanto, temos de agir rapidamente.
George, ponha-me isso na mala, sim? Obrigado.
Mary, cancele o meu pequeno-almo�o para amanh�, sim? Vou � cidade.
Lamento imenso.
Se algu�m quiser falar comigo hoje, que ligue para o meu apartamento.
Venho na lista. Volto amanh� � nora de almo�o, est� bem?
N�o se esque�am, a banda re�ne-se �s 3n.
V� l�.
Agora!
Sra. GaskeII, presumo?
Estou certa de que o fez, Jane.
Antes que cheguem os Jefferson e os BIake
tem de nos contar como conseguiu.
Por favor, minha cara. Temo n�o estar a entender nada.
E voc�, MeIchett?
Sim, mas a Miss MarpIe devia explicar.
H� duas ou tr�s coisas que n�o percebi muito bem.
Temo que considerem os meus m�todos terrivelmente amadores.
Que disparate!
Sil�ncio, todos. Jane, tem de nos contar.
Sim.
N�o conseguia esquecer as cem miI libras. Eram a chave, acreditava eu.
Mas, quer a Sra. Jefferson, quer o Sr. GaskeII, me iludiram.
Ambos tinham �libis s�lidos.
E foi apenas quando a Dinah se referiu a Somerset House que...
Casamento! Claro!
E, como descobrimos, o Mark GaskeII era casado com a Josie Turner
e iriam manter o segredo at� que o Sr. Jefferson morresse,
o que eles esperavam que fosse em breve.
- Est�o a ver? - N�o, Miss MarpIe. Temo que n�o.
N�o estou a perceber nada.
Claro que foram as unhas o que me preocupou.
Embora a Ruby Keene tivesse cortado as unhas muito curtas
a pobre rapariga na biblioteca tinha ro�do as dela.
N�o fazia sentido - demasiado teatral para ser verdade.
Claro que acabei por perceber que o corpo na biblioteca
n�o era da Ruby Keene.
De quem era, ent�o?
Da Pamela Reeve.
E o produtor de filmes falso de quem ela falava era o Mark GaskeII?
Sim, mas a pessoa por detr�s disso era a Josie.
Ficou claro desde cedo que ela era uma mulher muito capaz
bem capaz de arquitectar todo o esquema.
Era um plano bastante claro e sem sombra de remorso.
O Mark GaskeII era o seu bilhete para a riqueza e uma boa posi��o,
e nada, muito menos a pequena Ruby Keene, a ia impedir.
Foi tudo pensado por ela, o duplo assass�nio e o corpo substituto.
E, a sangue frio, escolheu o BasiI BIake para principal suspeito.
Colocou a fotografia dele na mala da Ruby.
Falou num tipo do cinema � pol�cia
e obviamente foi a acompanhante da pobre Pamela no teste para o filme.
Oxigenou-lhe o cabelo, pintou-lhe as unhas ro�das
e f�-la passar por Ruby Keene; vestiu-lhe um dos vestidos da Ruby
e, finalmente, drogou-a, preparando-a para as aten��es letais
do Mark GaskeII.
Que completou o plano, levando-a para a casa do BIake pouco depois das 1 0n.
Matou-a e regressou ao hotel.
Portanto, na nora em que o m�dico estabeleceu a nora da morte,
eles tinham um �libi perfeito.
Tinham estado a jogar bridge, a ver a verdadeira Ruby viva e a dan�ar.
Depois de, noras mais cedo,
ter dado � Ruby algo que lhe causou dor de cabe�a e sono,
a Josie disse-lhe que fosse ao seu quarto - ao da Josie -
e se deitasse at� � pr�xima dan�a. Sabia que a droga teria total efeito.
Foi quando foi mudar de roupa para a actua��o que a Josie a matou.
Estrangulou a pobre crian�a enquanto esta dormia.
Nessa noite, ela e o GaskeII vestiram-na com o uniforme das guias,
roubaram o carro do Bartlett, foram at� � pedreira do Venh
e pegaram-lhe fogo.
Diga-me, aquela m�sica, a que n�o lhe sa�a da cabe�a - Mozart, n�o era?
Como se relaciona com o caso?
Ah, sim, � muito interessante.
As Bodas de F�garo. E o tema de Suzannah.
Foi porque Suzannah estava vestida como sendo a Condessa.
Era o vestido errado. Foi s� isso.
Ent�o, tudo se resume a unhas e a Mozart.
Sim, efectivamente.
Dedicado � fant�stica Ilda.
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