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Original subtitles

Taryn Brumfitt, de 35 anos, está a agitar a Internet

com a sua série de fotografias pós-parto.

Aprendeu a amar o corpo

e está empenhada em ajudar outras a fazerem-no.

Ela suporta tudo para encorajar as mulheres a gostarem do seu corpo.

Taryn publicou as fotografias como parte da campanha

para enfrentar as imagens negativas do corpo.

Ela diz que depois do nascimento do terceiro filho,

ficou obcecada com a ideia de voltar a ter o corpo que tinha antes da gravidez.

Era um domingo vulgar,

eu estava com algumas amigas

e estávamos a falar do nosso corpo.

E elas diziam que se debatiam

com o corpo em mudança, com o envelhecimento físico.

MOV. IMAGEM CORPORAL

Quando ia para casa, pensei: "O que posso fazer para as ajudar?"

Assim, mais tarde, nessa noite,

publiquei uma fotografia do antes e do depois no Facebook.

ANTES DEPOIS

As fotografias tradicionais do antes e do depois têm uma mulher antes.

Ela é mais pesada no antes, não está muito feliz

e depois perde peso e aparece milagrosamente feliz.

Portanto, eu troquei o meu antes e depois.

Sê leal para com o teu corpo, ama o teu corpo, é o único que tens.

Soube logo que publiquei que teria reações

porque os computadores e os telefones lá de casa

não paravam de dar sinal.

Que raio?

O meu marido, Matt, estava na sala de estar

e gritou: "Que se passa?"

E eu: "Nada. Não se passa nada."

965 "GOSTO".

Sim, a seguir, a Taryn gritou: "Está a tornar-se viral!"

E eu: "O que queres dizer com isso?"

Corri para o escritório, vi a fotografia

e indaguei: "O que fizeste com ela?"

Ela disse: "Publiquei no Facebook e tornou-se viral."

Eu: "Que queres dizer com está no Facebook e tornou-se viral?"

Milhares de pessoas

puseram "gosto", partilharam e comentaram.

E eu: "Estás a falar a sério? Publicaste..."

É que, essencialmente, era a Taryn em pelo.

Em pelo com bom gosto, mas nua na mesma.

A fotografia do antes e do depois espalhou-se por todo o lado.

Foi título de jornais em Paris,

em Londres, no Líbano, no Canadá,

nos Estados Unidos, na Coreia... em todo o lado.

As pessoas ficaram sideradas ao pensar

que uma mulher pudesse gostar do corpo depois.

ESTAMOS PRONTOS PARA O REAL?

Quer dizer, para mim, viver uma vida normal com os meus três filhos,

trabalhar como fotógrafa

e ter uma equipa de filmagens russa a passar dois dias comigo?

Bom, é esquisito.

Olá. Chamo-me Taryn Brumfitt.

Para o mundo exterior, parecia que estava num turbilhão de média.

Ficou chocada com a reação que obteve

quando publicou aquele antes e depois?

Fiquei!

Mas o que ninguém viu foi o que estava a acontecer à porta fechada

e que era eu estar a ver e-mails até às duas ou três da manhã,

a tentar ler milhares de e-mails

que recebia de mulheres e de homens também.

E as histórias deles eram,

credo, as histórias eram desoladoras.

"Tenho uma filha de quatro anos e nunca nadei com ela

porque não quero usar fato de banho."

"Não tenho intimidade com o meu marido há três anos

porque acho que sou repugnante.

Ele diz que me ama,

mas não consigo estar nua diante dele."

"Fui vítima de abuso sexual quando era criança e nunca contei a ninguém.

Comi como forma de aliviar a dor, mas agora estou gorda.

E ninguém sabe a minha história, toda a gente me julga

como se eu fosse uma porca preguiçosa e não sou.

Estou só a tentar sobreviver."

Muitas pessoas perguntam-me:

"Como aprendeu a gostar do seu corpo e o que fez?"

E acho que, para mim, não foi assim.

Nem sempre gostei do meu corpo.

Cresci como a maioria das mulheres,

a fazer dieta, a perder peso, a engordar,

a pensar: "Quem me dera não ter celulite",

ou "quem dera ser mais pequena aqui", fosse o que fosse,

mas sempre tive uma imagem corporal razoavelmente saudável.

Mas depois de ter tido o primeiro filho, tudo mudou para mim.

Estar grávida foi do melhor que há.

Adorei fazer crescer um bebé, adorei tudo.

- Vinte para as três. - É rapaz.

Adorável! Ele...

Lembro-me de tomar um duche umas horas depois

e a barriga que tinha aprendido a amar durante aquele tempo...

Olhei para baixo. E pensei: "O que é que aconteceu aqui?"

Era uma massa informe horrível.

CORRA - NÃO FUJA DE "A BOLHA"

ASSUSTA COME-NOS VIVOS!

Pois, inicialmente, quando vi,

pensei: "Taryn, acabas de dar à luz.

Não te preocupes com isso por agora, vai melhorar."

Esperei que melhorasse,

mas lembro-me de que, por volta do mês e meio do Oliver,

pensei: "Pronto, está na altura de recuperar o corpo."

Pois, saltei para o campo e joguei arduamente,

e em dada altura fiz uma interceção

e senti uma coisa quente a escorrer-me pelas pernas.

Disse: "Meu Deus", e fiz chichi pelas pernas abaixo.

Foi devastador.

Nos três anos seguintes,

tive mais dois belos e saudáveis filhos,

mas no que se refere ao meu corpo, as coisas iam de mal a pior.

Tinha mamilos do tamanho de pratos,

em momentos íntimos, saía leite dos meus seios

e houve uma altura em que evacuei diante do Matt

porque o meu pavimento pélvico estava fechado.

Acabei por odiar o meu corpo.

Parecia que tinha o corpo estragado.

Fazer uma operação era uma escolha óbvia como solução rápida

e marcámos a cirurgia, e tudo o que eu tinha passado,

o ódio, a repugnância pelo meu corpo,

ia ser reparado. Era tão empolgante.

E depois, estava a ver Mikayla a brincar

e tive um momento:

"Como é que vou fazer a operação?"

Que mensagem transmite isso à Mikayla?

O que fará isso por ela?

- Mikayla! Olá. Olha o passarinho! - Olha o passarinho!

E queria que ela aceitasse e gostasse do corpo dela como era

e fiquei destroçada, enquanto mãe, ao pensar

que a minha opção de mudar o corpo

podia fazer com que a Mikayla quisesse também mudar o dela.

Olhei para ela e pensei:

"És perfeita, tenhas o aspeto que tiveres."

Por isso, não consegui fazer a operação. Não era capaz.

Queria fazer a escolha por ela,

mas continuava a ter um corpo que detestava.

Desde esse momento, bati no fundo.

Estou presa a este corpo horrendo até ao fim da minha vida.

Tinha uma amiga que era personal trainer

e disse-lhe um dia:

"Não consigo tirar isto da cabeça.

Qual é a sensação de ter um corpo perfeito?

Mudar-me-ia? Far-me-ia feliz?"

E ela disse: "Porque não treinas e entras num concurso de bodybuilding?

Eu: "Estás a brincar comigo?"

E quando dei por mim, estava todos os dias no ginásio às 5h00 da manhã,

a treinar sem parar.

E mudei completamente a minha dieta e a forma como vivia.

Houve muito sacrifício pessoal,

mas o Matt e os miúdos também se sacrificaram muito.

Durante 15 longas semanas, tive cuidado com o que comia e treinei arduamente

e sabem que mais? Consegui.

... para Taryn Brumfitt.

Ali no palco, esperava sentir que tinha chegado

ao patamar onde tinha querido estar toda a vida.

Tinha um corpo perfeito para biquíni.

É o que muitas mulheres pensam e o que as motiva.

E nesse momento, só me ocorria:

"Para ter o que tenho agora,

foram precisos demasiados sacrifícios, demasiado tempo,

demasiada energia, obsessão e não vale a pena."

Senhoras e senhores...

Lembro-me de estar nos bastidores a ouvir as conversas

das outras mulheres.

"Quem me dera ter mais isto." "Quem me dera ter menos aquilo."

"Esta parte não é ótima." Foi um choque.

Pensei: "Credo, vocês também pensam isto."

... Clássico de Adelaide.

Ali estava eu, no meu momento de glória,

com o corpo perfeito e não estava feliz.

E algumas mulheres à volta também não estavam felizes.

E isso fez-me refletir.

"Como raio vão as outras pessoas estar felizes com o seu corpo?"

Senhoras e senhores...

Foi uma grande revelação para mim e um ponto de viragem na minha vida.

Portanto, no dia seguinte, levantei-me e retomei a minha vida,

mas com o clique da mudança na cabeça, que era:

"Este meu corpo não é um ornamento.

É um veículo, por isso, tenho de o abastecer bem

e quero mexê-lo e estar saudável,

mas quero fazê-lo à minha maneira."

Portanto, correr colina acima e chegar ao topo era bom

por causa das endorfinas e de ser ótimo estar junto da natureza,

e não tanto devido ao número de calorias que queimei

e a comida tornou-se outra vez um prazer.

Eu adoro comida e adoro boa comida.

Foi realmente um alívio. Foi realmente libertador.

De facto, a melhor época da minha vida foi depois do concurso,

ser apenas eu, mover-me, ser feliz e estar equilibrada.

ESTA MULHER QUER MUDAR A FORMA COMO VEMOS O NOSSO CORPO

Nesta fase, a fotografia antes e depois

fora vista por mais de cem milhões de pessoas.

ISTO É BOM PARA TODOS

A resposta foi avassaladora

e tornou-se claro para mim que este assunto era muito mais importante

do que eu tinha imaginado.

ODEIO O MEU CORPO

Pode descrever-me o seu corpo em algumas palavras?

Não é perfeito.

Flácido?

Atarracado.

Muito na média.

Pequeno.

Não gosto das minhas ancas. Acho que são largas.

Não é bom de ver.

Não gosto deste corpo neste momento, sinceramente.

Quem me dera poder cortar alguma coisa.

Odeio-o. Sinto-me repugnante.

Repugnante.

Sinto-me repugnante.

Era desolador e uma história tão familiar.

Apesar de eu saber o que resultara comigo e como fiquei em paz com o meu corpo,

não tenho respostas para toda a gente.

Não só pessoas que se debatem me contactaram,

mas também pessoas inesperadas e realmente fascinantes.

Por isso, vou para o mundo

conhecer algumas delas numa viagem de nove semanas.

Tem cuidado.

Sinto-me impelida a tentar compreender porque é que tanta gente

detesta o seu corpo e o que pode ser feito para mudar isso.

Primeira paragem, Sydney.

Vim ter com Mia Freedman.

Ela era a mais jovem editora da revista Cosmopolitan

e há anos que tem tratado o tema da imagem corporal.

Sempre fui obcecada por revistas.

COFUNDADORA REDE MAMAMIA

Adorava-as porque nas décadas de 1970 e 1980

era o único tipo de meio de comunicação feminino

e era o único sítio onde se podia ler sobre assuntos das mulheres

e ver fotografias de mulheres, além das revistas para homens, acho eu.

Sabia o que era chegar ao fim de uma revista

de que gostava e sentir que eu não era suficiente.

Não era suficientemente alta, nem magra,

não era suficientemente loira, não era... Nada era suficiente.

Eu não era suficiente.

E quando eu própria me tornei editora,

queria mesmo fazer algumas alterações.

Primeiro deixei de publicar dietas.

Depois, comecei a usar modelos

de diferentes formas, tamanhos e cor de pele.

A primeira coisa que fiz foi uma sessão de moda de lingerie

com uma modelo que era tamanho 48.

Na altura, as revistas femininas faziam talvez uma

simbólica sessão anual com uma modelo grande

e normalmente era uma rapariga vestida com casacos largos.

E eu era editora da Cosmo.

Queria vesti-la ao estilo Cosmo.

Queria que ela ficasse sensual

como a rapariga da capa estaria vestida,

como uma rapariga tamanho 40 vestia.

A editora de moda ficou horrorizada

e vinha ter comigo a dizer: "Não arranjo roupa."

Eu: "Não fabricam roupa para tamanho 48? Acho que fabricam."

E ela disse: "Sim, fabricam,

mas os estilistas não querem que as suas marcas

estejam associadas a ninguém que vista mais de 40."

Fiquei muito chocada com a hipocrisia daquilo,

que não se importassem de lucrar com todos os tamanhos,

até ao tamanho 54 ou maior,

mas não queriam que se soubesse que era o segredo sujo deles.

Por isso, disse: "Bom, arranje alguém que nos mande roupa."

E ela acabou por conseguir

e o fotógrafo não quis o nome dele na sessão,

a maquilhadora não quis o nome na sessão.

Foi uma batalha e continuou a ser

nos sete anos seguintes, enquanto fui editora da revista.

CURVAS MODERNAS

Portanto, Mia, porque foi tão importante

levar a diversidade corporal à revista?

Se olharmos para as revistas femininas

nos últimos 30, 40, 50 anos, podíamos ser perdoadas por pensar

que só existe um tipo de mulher em todo o mundo

e que ela tem 1,80 m de altura, anda na casa dos 17 anos,

normalmente é loira, com olhos azuis, pele com ar de plástico

e, de facto, é extraterrestre,

porque foi criada em computador.

E as mulheres, consciente e inconscientemente, fazem comparações.

E se estamos sempre a comparar-nos

com uma coisa que não existe realmente,

como podemos sentir-nos bem ao espelho

ou quando olhamos para nós?

E é preciso ser sempre sensual e magra.

Na gravidez, temos de ser sensuais.

Só podemos ter uma barriguinha.

Quando se dá à luz, é preciso ser uma mãe apetecível.

O MEU CORPO VOLTOU

... é preciso ser pantera,

é preciso ser sensual em todas as idades e etapas.

E esse é um fardo e uma indiciação chocantes

de como a nossa cultura desvaloriza as mulheres só pelo aspeto.

Habituámo-nos tanto a ver só um tipo de corpo.

Está por todo o lado. À nossa volta.

Nos autocarros, nos cartazes, nas capas de revistas.

Porém, acontece que mesmo a rapariga da capa

não tem o aspeto com que aparece na revista.

Não admira que tantas mulheres estejam insatisfeitas com o corpo.

Talvez tenhamos esquecido como é um corpo médio.

AUSTRALIANA MÉDIA: 161,8 CM

PESO: 71,1 KG TAMANHO: 44

STEFANIA ALTURA: 173 CM

PESO: 70 KG TAMANHO: 44

70 % DAS RAPARIGAS ESTÃO INSATISFEITAS COM O CORPO

Demorei muito tempo a conseguir ser modelo.

O meu tamanho foi responsável porque era considerada demasiado grande.

Vestia tamanho 42.

Neste momento visto tamanho 44,

e várias agências me rejeitaram...

MODELO, AUSTRÁLIA

... e foi-me dito que seria modelo de tamanho grande.

Aquilo a que chamavam modelo de tamanho grande era ridicularizado por estilistas

e por modelos de tamanhos médios por ser mais curvilínea,

e éramos muito vistas como inferiores,

quase usadas como truque.

45 % DAS MULHERES NA GAMA SAUDÁVEL DE PESO

PENSAM QUE TÊM PESO A MAIS

As pessoas fora do meio das modelos

que veem as modelos como eu, com tamanhos maiores de roupa,

tidas como "tamanho grande", enviam uma mensagem distorcida da imagem corporal

porque quando uma jovem olhar para aquela mulher

igual a ela ser vista como "tamanho grande",

isso é uma mensagem que diz que ela não é magra que chegue.

É extremamente traumatizante,

especialmente com os manequins nas lojas, que são minúsculos.

Muito poucas são naturalmente assim.

Se uma mulher entra numa loja e vê a roupa

que fica lindamente no manequim e a quiser usar,

vai provar na sala de provas,

e se não lhe cair bem, se não salientar a figura

é muito traumatizante, é perturbador e frustrante.

Pensamos que somos nós o problema.

90 % ANOREXIA, BULIMIA MULHERES

A mulher não é o problema. É a roupa e os estilistas.

Vi tantas mulheres lutarem com a imagem corporal.

AUSTRALIANOS GASTAM 1 MIL/DIA EM DIETAS

Quando se odeia o corpo, isso reflete-se em todos os aspetos.

Reflete-se no trabalho, na educação,

na família, nas relações.

Um pensamento que muitas raparigas têm é "odeio o meu corpo"

e não se concentram em nada.

MAIS DE 50 % DAS RAPARIGAS 5-12 ANOS QUER PERDER PESO

Tive depressão e ansiedade por odiar o meu corpo.

MAGRA É MODA

Não saía do quarto.

Torturava-me ao ver revistas femininas.

Queria ter um distúrbio alimentar, queria a anorexia para ser magra,

e no mundo da moda há muita pressão

pelos tamanhos mais pequenos, com medidas minúsculas

e eu vi coisas loucas.

Vi raparigas desmaiarem nos bastidores.

Vi raparigas que comem bolas de algodão para encher o estômago.

Viu raparigas comerem bolas de algodão?

Bolas de algodão. Embebem em refrigerante e comem, sim.

Viu com os seus olhos?

Elas fazem-no e desmaiam, ficam revoltadas

e o principal tema de conversa é a comida.

Ficam obcecadas.

Quando começaram a passar modelos,

eram naturalmente magras, com 14, 15 anos,

chegam à puberdade, começam a ter ancas

e começam a ter curvas.

Mas a única opção para se manterem como modelos

é contrair um distúrbio alimentar, já que não mantêm o tamanho.

Quando vejo modelos assim

na passarela da Semana da Moda Australiana,

fico mesmo revoltada porque perpetua o mito

de que um corpo magro é o ideal

e se as modelos têm de ter medidas tão estritas

para se manterem naquele tamanho, é de admirar

que tantas mulheres estejam infelizes com o seu corpo?

Não sei, tem sido intermitente desde a escola primária.

Não comia ao almoço e não levava comida de propósito,

para ver quanto estaria sem comer.

Conseguimos um dia e pensamos: "Isto é bestial.

Agora faço dois dias."

E não sei, é mais ou menos...

De certa forma, dá-nos força,

e pensamos: "Consegui alguma coisa."

Acho que ficamos mais duras para connosco.

Não sei, introduz-se exercício esgotante

e torna-se cada vez mais difícil.

O meu irmão, ao falar com amigos sobre miúdas que viram numa festa,

ia dizendo: "Aquela é uma gorda."

Não queremos ser assim.

Quem me dera descobrir uma coisa mágica

que fizesse com que nunca engordássemos.

Não tínhamos de nos preocupar com o que comíamos,

fazíamos o que nos desse na gana e estava tudo bem.

Não teríamos de viver assim.

Ninguém devia ter de passar fome

para encaixar no visual de uma revista.

Quer dizer, não sou tão magra naturalmente

e muitas modelos não são naturalmente magras.

Têm de ter muito cuidado com o que fazem

e isso leva-nos a vida, entendem?

ESTILO DE VIDA PRO-ANA SEMPRE

É desolador saber que há sites que defendem a anorexia,

que encorajam cada vez mais

jovens e mulheres a tomarem decisões que podem custar-lhes a vida.

MAGRINSPIRAÇÃO

O que se diria a uma jovem que sente que odeia o seu corpo

e que quer deixar de comer e viver a vida que tem?

O que diria a essa rapariga?

Por favor, não pares de comer.

Não te forces a fazer isso porque...

... é demasiado difícil sair e piora de dia para dia.

MIÚDAS GIRAS NÃO COMEM

NÃO QUERO SER LEMBRADA COMO GORDA

SALTA O JANTAR, FICAS MAGRA

A atual retórica sobre a obesidade contribui para isto...

PROFESSORA, PSICOLOGIA

... porque se se pinta a gordura como sendo muito má

e a magreza como sendo boa, então, ser magra é melhor

e mais magra é do melhor que há.

OBCECADA É O TERMO DOS PREGUIÇOSOS PARA DEDICADAS

Coletivamente, basicamente foi-nos incutido o chavão

de que a magreza é saúde...

BASTA TRABALHO E DIETA

... gordura é doença, por definição, e não é nada disso.

Há muitas pessoas magras e pouco saudáveis em muitos aspetos.

Comem mal, têm tensão arterial alta, seja o que for,

e há pessoas gordas que são muito saudáveis.

A razão para a ideia de ter um corpo magro

e de a imagem se ter tornado tão importante,

é atribuída essencialmente à globalização dos média.

Até num local como as Fiji,

que tradicionalmente valorizava um corpo maior e mais gordo,

presumivelmente como sinal de riqueza e saúde,

pouco depois da introdução da televisão,

as mulheres mais jovens começaram a querer ser magras

e pela primeira vez começou a haver distúrbios alimentares.

Tudo isto acontece muito rapidamente.

Pais bem-intencionados tentam elogiar os filhos,

especialmente as raparigas, e dizem-lhes que são bonitos

e provavelmente não é boa ideia

porque, mais uma vez, o foco está na aparência.

Não importa se é positivo ou negativo.

Diz que a aparência é muito importante.

Portanto, seria útil, especialmente no que se refere às raparigas,

se os pais pudessem, em consciência,

fazer os seus elogios e comentários sobre o que as raparigas fazem,

mais do que sobre o aspeto que têm.

Durante anos, a sociedade disse às nossas raparigas para serem bonitas

e às mulheres para serem bonitas,

como se fosse a coisa importante que elas podem ser.

PARTIDAS

Pelo bem da minha filha e dos nossos filhos,

isto tem de mudar.

DE TODOS OS PROCEDIMENTOS COSMÉTICOS

NO MUNDO

86,3 % SÃO FEITOS EM MULHERES

IRÃO, CAPITAL MUNDIAL

DAS PLÁSTICAS AO NARIZ

COM MAIS DE 200 000 NARIZES

MODIFICADOS ANUALMENTE

NA COREIA DO SUL UMA EM CADA CINCO MULHERES FAZ OPERAÇÕES PLÁSTICAS

NOS EUA MAIS DE 4 MILHÕES DE TRATAMENTOS COSMÉTICOS

SÃO EFETUADOS ANUALMENTE

Vim aos Estados Unidos ter com umas pessoas

e a primeira que vou encontrar é um cirurgião plástico.

CIRURGIA COSMÉTICA

Vou perguntar-lhe o que pensa do meu corpo.

A forma normal do seio é mais assim.

Por outras palavras, os mamilos estão no centro do seio.

Portanto, para dar um aspeto jovem...

MÉDICO E DIR. CLÍNICO

... alguma projeção, temos de colocar um implante

para dar o volume de que precisa

e também um pequeno lifting do mamilo onde falamos de...

Para elevar o mamilo para onde deve estar,

no centro do seio,

em vez de estar na parte inferior do seio.

Precisa de aumentar o seio e aquilo a que chamamos lifting de mamilo.

Provavelmente, cerca de 65 % do meu trabalho é no corpo

e o resto no rosto,

nos olhos, no nariz, enchimento, Botox e transplante de pestanas.

Podemos facilmente remover toda esta gordura dos lados,

do abdómen em cima e em baixo,

e conferir-lhe um visual mais magro e esguio.

Definitivamente, podemos pôr a gordura nos lábios,

se quiser ter lábios mais cheios,

especialmente quando se olha de perto ao espelho,

coisa que estou certo que vai fazer em casa,

o lado esquerdo do lábio superior é mais fino do que o direito.

Podemos pôr um pouco mais aí.

De facto, deixe-me dar-lhe um espelho para mostrar.

Enche-se um pouco mais.

Podemos tirar a gordura de que falámos

e injetá-la na zona das nádegas

para que fiquem mais firmes.

Podemos sem dúvida livrar-nos destas zonas, o interior das coxas,

para nos livramos disto e ficar com pernas mais pequenas e elegantes.

Assim, as coxas podem não ficar separadas,

mas sem dúvida que deixarão de tocar-se como agora.

Temos muitas senhoras que nos dizem:

"Meu Deus, vi uns filmes

e a minha não tem esse aspeto."

Querem ter melhor aspeto lá em baixo.

Muitas jovens que tivemos nunca tinham tido relações sexuais

porque tinham vergonha.

Têm um pouco de tecido a mais,

e houve algumas senhoras que tinham provavelmente

cinco ou seis vezes mais do que vemos aqui.

E o objetivo é, basicamente, remover a pele extra

e fazer com que fique com um aspeto menos volumoso.

As mulheres nunca veem a sua vulva ou raramente a veem.

CONSULTORA SEXOLOGIA

Os homens veem os seus pénis.

Brincam com eles e fazem o que é preciso com eles,

mas as mulheres nunca veem a vulva de outras.

Quando ultrapassam essa vulnerabilidade,

quando têm a coragem de partilhar:

"A tua vulva é diferente da minha

e a minha é diferente da tua,"

e não é o que vemos na pornografia, é a vida!

Somos todas tão bonitas e tão diferentes.

Quando olhou para o meu corpo, achou que tem um ar saudável ou não?

Tem bom aspeto, mas uma vez mais, podia melhorar em relação aos seios.

Os seus seios não voltam ao normal.

Não são Slinkys que pode puxar para baixo e depois para cima.

Claro que não são Slinkys.

Forneceram 4000 refeições aos meus três filhos

e não merecem ser desprezados!

Merecem uma estrela dourada no Passeio da Fama.

Força, mamas!

E enquanto eu consigo rir

do absurdo de injetar a gordura do rabo nos lábios,

preocupa-me muito que haja a noção

de como deve ser o corpo de uma mulher.

E estou certa de que existem exemplos positivos.

De facto, lembro-me de ver o filme Laca,

no qual Ricki Lake faz de heroína improvável.

Ela tinha uma forma de corpo que não vemos no grande ecrã.

Tive uma relação muito complexa e complicada...

ATRIZ, APRESENTADORA

... uma relação amor-ódio com o meu corpo, e acho que a maioria tem.

LACA

A minha carreira começou porque John Waters me escolheu

para ser a miúda gorda no filme.

Corny, achas que sou suficientemente boa?

- O que acham, miúdos? - Sim!

Fui a Tracy Turnblad original,

e que personagem espantosa, que exemplo.

Sou grande, loira e linda.

Entendo porque me escolheu.

O filme subverte a narrativa de Hollywood do tamanho único.

A miúda gorda fica com o tipo e ganha o concurso de dança.

Vamos dançar!

Mas também tinha inseguranças internas quanto ao meu corpo,

quanto à minha aparência, era muito jovem

e não era alguém que atraísse rapazes.

Era uma sobrevivente de abuso sexual,

por isso, misturei tudo e não queria ser atraente para os homens

e acho que comia como forma de me proteger.

Sentia que era uma contradição ambulante.

Por um lado, publicamente, tornei-me uma estrela no papel de gordinha adorável.

mas por dentro continuava a tentar encontrar-me

e a sentir-me bem na minha pele,

e penso que grande parte da vida adulta foi assim.

E ser famosa e ter essa luta tão publicamente

é também uma confusão.

Durante muito tempo senti... porque emagreci, engordei,

tive um filho, ficava... Era uma montanha russa.

Já pesei 54 quilos e já pesei 117.

Neste momento, adoraria perder nove quilos.

Fiz 46 anos há uns dias e tenho tudo,

tenho mesmo tudo, mas continua a ser...

Olho para o espelho e belisco o braço.

É como se desejasse ser uma daquelas mulheres

que conseguem ultrapassar e não...

... e sentir-me bem como o que tenho hoje.

RICKI EM IOIÔ

E senti-me acusada durante tanto tempo

porque ali estava depois de ter perdido peso

e estava na capa de uma revista em fato de banho.

Ou seja, que mensagem estava a enviar?

Porém, estava muito orgulhosa de mim.

É um feito enorme para mim.

Ser uma das capas mais vendidas de todos os tempos.

Eu, quer dizer, nem era assim tão famosa.

Mas percebo. Uma parte de mim não ficou surpreendida

porque também sou essa pessoa que quer saber como conseguiu.

COMO VENCI LUTA DO PESO

Mas também me pergunto se presto mau serviço

ao divulgar tanto uma coisa que deveria ser trivial.

Devíamos estar a falar do ambiente e da paz mundial.

Portanto, Ricki, já se perguntou como seria

não ter de se preocupar com o peso?

Não faço ideia de como seria

porque a minha vida nunca foi assim.

Nem sequer imagino...

A minha mãe era tão obcecada com comida e dietas

que eu cresci com isso.

Tinha sempre vergonha de comer

aquele prato extra de comida

ou comer uma sobremesa era um prazer culpado enorme.

Mas é a minha norma e a da maioria das mulheres.

É uma verdadeira luta e incomoda-me o facto

de tantos dias e horas terem sido gastos

a detestar a minha aparência quando me olho ao espelho.

Continuo a ansiar chegar a um nível

em que me sinto 100 % à vontade na minha pele.

Estou quase lá. Estou a melhorar.

E é melhor despachar-me porque não estou a ficar mais jovem.

É reconfortante ouvir alguém com um perfil de figura pública

partilhar experiências com que todos nos identificamos.

CORISTAS - MILHARES DE LINDAS E 3 FEIAS

Uma pessoa que contactei via Twitter foi a Amanda de Cadenet,

a mais jovem fotografa a fotografar para a capa da Vogue

e não se importou de partilhar as suas ideias sobre imagem corporal.

Todas têm histórias sobre o corpo.

É ver se estão dispostas a ser honestas.

FUNDADORA E CEO

É um assunto que afeta praticamente todas as mulheres e raparigas que conheço.

Quando o meu corpo começou a mudar de rapariga para mulher,

e em três meses, literalmente, passei

de um corpo arrapazado

para seios grandes e curvas...

De repente, era alvo

de avanços sexuais indesejados de completos estranhos,

e comecei a não querer o corpo que tinha.

E comecei a não comer tanto

para perder peso e o meu corpo não ter tantas curvas.

Somos vistas de certa forma quando se tem um corpo como o meu.

Podia vestir um saco de batatas,

mas se não fosse um saco comprido

ou não me cobrisse o suficiente,

podia ser visto como um fato sexual.

Estou em City Clocks, em Islington, com Flava Flav dos Public Enemy!

Engravidei aos 18 anos.

Na altura, trabalhava em televisão no Reino Unido

e as pessoas comentavam o quão diferente eu estava

e quanto tinha engordado

e era muito criticada por ter um corpo de grávida

e ainda mais por ter um corpo pós-gravidez

e isso foi doloroso para mim.

Uma vez mais, recebi a mensagem de que, se formos magras, somos melhores.

Infelizmente, a sociedade não espelha muitas opções para nós.

Por isso, sentimos que temos de encaixar no que nos é apresentado.

Mas sabem que mais? Quando estou na praia em Barbados,

ninguém olha para uma rapariga sem rabo.

Nas Bahamas, isso não é beleza para eles.

Culturalmente, por todo o mundo, o ideal de beleza é diferente

e penso que tem de ser assim para nós.

Os nossos ideais de beleza têm de ser diferentes tendo em contra quem somos.

LOUCOS ANOS 20

SEM MAMAS, LISA DE ALTO A BAIXO, PETITE

ERA HOLLYWOOD

GRANDES MAMAS, CINTURA ESTREITA, CURVAS

OS ANOS 60

MAGRINHA, ALTA, DELICADA

ERA SUPERMODELO

ATLÉTICA, GRANDES MAMAS, PERNAS COMPRIDAS

A MISERÁVEL DOS ANOS 90

ESQUELÉTICA, PÁLIDA, MUITO MAGRA

ATUALIDADE

GRANDES MAMAS, RABO TONIFICADO, COXAS SEPARADAS

Sempre que tenho de fazer algo que seja muito público,

quer seja lançar um novo programa de TV ou uma ronda de conferências de imprensa,

várias sessões fotográficas, sei que vai ser um pesadelo para mim

porque a roupa não serve,

vou ser criticada pelo corpo pelas pessoas da sessão,

do género: "Pode provar aquele tamanho amostra?"

Não tentem pôr-me a provar um top tamanho 32

porque eu sou 38 DD.

Um dos meus mamilos não caberá naquilo.

Sei o que vai acontecer

e penso: "Devia perder peso."

E depois penso: "Não, isso são ideias malucas e antigas."

Não vou fazer isso e não vou torturar-me.

Um amigo disse-me antes de o último programa estrear:

"Amanda, as pessoas não ligam o televisor

para verem como estás vestida ou o teu peso,

ou se estás muito avantajada ou pouco.

As pessoas ligam o televisor por causa das tuas ideias.

E se não comes como deve ser, a tua mente não funciona."

Quando estava mais magra as pessoas diziam:

"Meu Deus, estás espantosa! O que andas a fazer?"

E o que eu queria dizer era: "Nunca estive tão infeliz na minha vida,

sinto-me completamente destroçada."

Estava a passar a pior fase da minha vida

e nunca tinha estado tão magra, não conseguia comer.

Sei o que é preciso para o meu corpo ser um tamanho médio.

É preciso obsessão, desviar a minha atenção dos meus filhos,

desviar-me da minha vida,

faz-me estar obcecada com comida, exercício e calorias,

se posso ou não posso comer aquilo,

a que horas posso comer

e "não posso comer porque tem aquilo

e não posso comer por ter isso."

É um inferno. Um inferno na Terra.

Sabem que mais? Se quero comer a porra de um biscoito que o meu filho fez,

vou comer a porra do biscoito que o meu filho fez.

Não podia estar mais de acordo.

Foi-nos incutida a ideia de que, se fizermos dieta e formos magras,

estamos saudáveis e só podemos ser felizes,

mas isso não é simplesmente verdade.

Não queria acreditar nas coisas que escreviam sobre o meu corpo

quando publiquei a fotografia antes e depois.

"É nojento ser teu marido.

O sujeito achou que estava a sair-se bem,

mas tornaste-te uma porca gorda.

Grande é feio. Estás grande, por isso, estás feia."

"Vai fazer ginástica, sua cabra gorda."

"Comia-a sóbrio na fotografia do antes.

Precisaria de uns copos valentes na do depois."

Qualquer coisa sexual, especialmente quando se refere à minha mulher,

deixa-me completamente furioso.

Não casei com a Taryn por causa das coxas afastadas ou do tamanho das mamas.

Casei com ela pela pessoa alegre e amorosa que ela é.

"O facto de teres tido filhos não te dá

desculpa para te manteres fora de forma,

isso é preguiça!"

"Se és gorda, prepara-te te chamarem gorda.

Estou farto de as mulheres procurarem desculpas para estarem gordas.

Vai para o ginásio!"

Nem sei como explicar o quão errados estão os que insultam por causa do corpo.

Só porque o meu corpo não está de acordo

com os ideais tacanhos de como deve ser um corpo,

não significa que não estou saudável.

Estou certa de que não se pode correr uma maratona quando se é uma porca gorda,

e apesar do que os que insultam pensam,

o meu corpo está em forma, é capaz e é forte.

E eu quero que a minha filha cresça a amar e a apreciar o corpo dela

por todas as coisas que pode fazer, não só pelo visual.

Miúdas bombardeadas

com ideias estereotipadas e normativas do que é ser mulher.

COFUNDADORA

Pensam que deviam ter aquele aspeto.

Se não tiverem, são irrelevantes. Nada têm a oferecer ao mundo.

Bem podem desaparecer.

Quando erotizamos as raparigas,

quando as reduzimos à soma dos órgãos sexuais,

quando lhes dizemos que têm de ser magras e sensuais

e que nada mais importa,

contribuímos para um rol negativo de resultados em saúde mental e física.

A forma como as estilizamos e apresentamos em anúncios,

como sugerimos que as meninas são sexualmente interessantes,

sexualmente maduras e disponíveis,

sugerimos que as meninas são mais velhas e mais maduras do que são realmente.

E os rapazes são formados para ter um sentido de direito

sobre os corpos das mulheres e raparigas.

Vamos para um sítio mais romântico.

Grand Theft Auto V, onde os rapazes pagam a uma mulher prostituta

para ter sexo e matam-na para recuperar o dinheiro.

Os rapazes da escola primária jogam isto.

Sopra.

E o que atrai num jogo como o Grand Theft Auto V

é não ser passivo.

O rapaz não está a ver uma coisa.

Ele está a participar. Está a fazê-lo, representa.

Sente o carro abanar durante o sexo.

Sente-se a matá-la com a arma.

O impacte é ele vê-la sangrar e morrer.

Assim, se nos importamos genuinamente com os jovens,

devíamos fazer alguma coisa para abordar a paisagem cultural

com a qual muitos nos debatemos

para criar filhos felizes, saudáveis e resistentes.

Porque é que os interesses próprios dos anunciantes

são postos acima do bem-estar das crianças e dos jovens?

Para onde quer que vá, há uma noção comum de desespero.

Os pais estão preocupados com o impacte que a erotização das meninas

e a objetificação das mulheres está a ter nos filhos.

Num mundo ideal, as mensagens transmitidas à minha filha seriam...

VICTORIA, CANADÁ

... muito diferentes.

Seriam inclusivas de todos os tipos de corpos,

incluindo o nosso tipo de corpo, o dela e o meu.

E num mundo ideal,

eu não teria de fazer constantemente...

Qual é o termo?

Controlo de danos.

Controlo de danos. Sinto que... Estou a emocionar-me,

mas parece que estou a apagar mil fogos todos os dias,

através dos média, das mensagens,

da televisão, de tudo.

Estou a afogar-me num mar de meios de comunicação.

SÊ UMA INSPIRAÇÃO

25 % MAIS OLHOS JOVENS

1 SEMANA, TESTADO

PERDE PESO À TUA MANEIRA

MIÚDAS LOUCAS E VIVAS

Por mais desmoralizante que seja, há esperança.

Pessoas como Jes Baker, que estão a debater-se

contra os ideais tóxicos sobre aparência, sentimentos e comportamento.

BLOGGER IMAGEM CORPORAL

Há uns anos, estava a iniciar-me nos blogues,

e os média só falavam do CEO da Abercrombie & Fitch.

Ele tinha feito declarações

de que não vendiam roupa de tamanhos enormes para mulheres...

"Muitas não cabem nem podem."

"Só temos gente bonita nas lojas.

Porque as pessoas bonitas atraem outras."

... porque só vendiam a miúdos giros

e não valorizavam mulheres maiores.

"A Abercrombie só quer gente de barriga lisa,

com ar de quem usa a prancha de surf."

Assim, em resposta a isso, decidi colaborar

com uma fotógrafa local e outra modelo

para recriar um anúncio da Abercrombie & Fitch.

ATRAENTE E GORDA

As pessoas ficaram em choque.

As pessoas não sabiam o que fazer daquilo.

Adoraram e detestaram absolutamente

e tudo entre os extremos e em todos os lados do espetro.

Foi realmente incrível ver tanta emoção

a sair de uma imagem.

O mundo quer, eles adoram, precisam.

Adoram o fator choque do anúncio.

E é assim que recondicionamos o cérebro,

que vemos novas imagens, diferentes,

para substituir e equilibrar as antigas.

Portanto, Jess, dietas. O que achas delas?

Bom, na maioria são um fracasso. Em geral, são emocionalmente desgastantes.

Tendem a lixar-nos o corpo de forma negativa.

E têm sido uma coisa que me provocou

muito sofrimento emocional e físico toda a vida.

Não sou a favor das dietas. Sou contra as dietas.

E a indústria das dietas ganha milhões de dólares todos os anos.

É espantoso para mim, há investigação

que mostra que mais de 90 % das dietas não resultam.

Isso é tão verdadeiro.

De facto, aprendi a nunca confiar numa palavra

quando as primeiras três são "die" (morre).

No início de uma dieta, temos grande esperança

porque estamos empolgadas e decididas a comer menos

e reparamos provavelmente que perdemos peso.

A coisa que a seguir notamos

é que começa a ser mais complicado manter.

Agora, passamos a vida a pensar em comida,

temos mais consciência dos cheiros

e queremos mesmo quebrar a dieta.

Quando o corpo é privado de calorias,

faz com que pensemos em comida.

PROF., INVEST., AUTORA

Garante que nos concentramos menos noutras coisas,

para nos concentrarmos em arranjar comida e cuidar de nós.

Altera até a perceção do paladar na boca,

para que uma gama maior de sabores nos interesse,

para que estejamos mais dispostos a comer seja o que for para obter calorias.

Mas o corpo pode abrandar o metabolismo,

gasta-se um pouco menos de energia

e, portanto, apesar de estar a comer menos,

a dieta está a provocar aumento de peso.

Não é que as pessoas estejam a falhar.

As dietas é que falham às pessoas.

Não paramos para pensar o quão incrivelmente fantástico o corpo é.

Em vez disso, concentramo-nos num pormenor limitado que é o peso.

PLANO DE DIETA

Devo dizer que deitar fora o livro da dieta

foi uma das coisas mais libertadoras que já fiz.

VICTORIA - CANADÁ

De vez em quando, vemos trabalho de alguém que provoca mesmo impacto.

Depois de anos a trocar e-mails com a colega fotógrafa Jade Beall,

estava empolgada por, finalmente, conhecê-la pessoalmente.

Desde os meus dez anos que vivia obcecada com a imagem,

especificamente de mulheres magras

que pareciam não ter poros,

que pareciam ter uma beleza inatingível.

E fiz algumas fotografias de mim própria

para tentar encontrar paz com o facto de não ser uma pessoa retocada em Photoshop.

Tinha tido um filho.

Estava mais em baixo do que nunca, um falhanço.

Estava gorda, estava feia,

tinha uma grave depressão pós-parto,

e tirei fotografias a mim própria, nua,

e chamei-lhes Linda.

Revolucionário!

Publiquei-as no meu site e na página de fotógrafa no Facebook

e as pessoas adoraram, tal como estavam,

a salientar a minha celulite,

a salientar as olheiras escuras

de tentar arranjar soluções para a nova vida,

de me sentir assustada, gorda e alegre

e não apagar todos os pormenores do momento.

Aqueles pequenos pormenores são lindos.

Tornam-nos insubstituivelmente belas.

Fui uma adolescente com muito acne

e adorava ver uma rapariga,

uma adolescente com manchas na cara,

na capa da Seventeen a quem chamassem bonita.

Não consegui ver-me ao espelho durante três anos

por causa das manchas e sentia-me repugnante,

absolutamente repugnante,

só por causa da textura da minha pele.

A primeira mulher que fotografei depois de publicar o autorretrato

nunca tinha mostrado a barriga.

É bailarina.

E revelou as embaraçosas estrias.

E os filhos dela gostam tanto da mamã deles.

Foi um momento perfeito e ela tem muito orgulho na fotografia.

A fotografia foi a todo o lado, por todo o mundo.

Também gosto de chamar a isto fotografia terapêutica

porque é um processo, é um treino, uma espécie de ioga.

É preciso treinar para começar a sentir realmente a pose.

É preciso treinar vermo-nos sob diversas luzes,

com as nossas rugas, com a borbulha do dia.

As pessoas dizem: "Jade, podes remover a borbulha?"

E eu percebo. É temporária.

Mas é também um sinal de como a vida está sempre a mudar.

E não vou remover a borbulha.

A maioria das que tinham um ar alegre mandam e-mail, no dia seguinte.

Por exemplo: "Sinto-me vulnerável."

Uma pequena ressaca de vulnerabilidade.

Algumas mulheres assim que saem...

"Pela primeira vez, gosto de mim."

E querem voltar. "Vamos fazer outra sessão."

Sim, são fabulosas.

Sem dúvida que não veem um corpo aclamado.

Diversidade, etnicidade, forma de corpo,

com membros, sem membros,

todas as formas diferentes como chegamos ao planeta

ou aquilo em que nos tornamos, como mudamos no planeta,

e o quão espantoso isso é.

Não há dois corpos iguais.

E todas estas coisinhas tornam-nos únicos.

E ser visto é incrivelmente fortalecedor.

Quando vemos imagens de Photoshop,

dizemos: "Quero ter aquele aspeto,

mas não faço ideia de como chegar lá."

Em vez de: "Ela parece-se comigo e é linda."

- Está? - Olá, Mickey! Como estás?

Recebi outro...

Viajar tanto como viajo pode ser cansativo,

mas a melhor parte do meu dia é falar com a família.

Como foi o encontro com a Jade?

Foi bom. Ela foi tão positiva.

Divertimo-nos muito e falámos horas a fio!

Uma coisa que me intriga é a quantidade de tempo e dinheiro...

REPÚBLICA DOMINICANA

... que as mulheres gastam a desafiar a idade.

E num mundo onde tantos

tentam erradicar as estrias e rugas,

vim ter com alguém que se habituou a amá-las.

E, Renee, vou pedir-lhe

para fazer vários movimentos com a cara

e vou pedir que faça cada movimento duas vezes.

Quero que mantenha cada posição até eu dizer para descansar.

- Sim. - Preparada?

- Sim. - Muito bem.

A primeira é levantar as sobrancelhas.

Comecei a ser modelo aos 12 anos.

E tinha a aspiração de ser supermodelo

como a Linda Evangelista...

COFUNDADORA

... Cindy Crawford e Claudia Schiffer.

E depois, de repente, eu tinha 29 anos,

estava a escrever no meu diário um dia

e escrevi: "Há qualquer coisa de errado em ti.

Vais morrer."

TENS DE SABER O QUE É OU MORRES

Muitos meses e muitos médicos depois,

lembro-me de estar diante da máquina de Raios-X,

olhei para cima e fiquei siderada

ao ver a minha cabeça com um enorme tumor cerebral.

O médico a dizer:

"A boa notícia é que este tipo de tumores nunca é canceroso,

mas a má notícia

é que esta é uma das mais perigosas formas de cirurgia cerebral

e tem de ser operada imediatamente."

O MEU NEUROMA ACÚSTICO

Acordei cerca de 13 horas depois da cirurgia

a ouvir as pessoas minha volta a falarem de algo ter acontecido,

alguma coisa tinha corrido mal.

A única coisa que sustentava o meu nervo facial

era o próprio tumor,

portanto, logo que começaram a retirar o tumor

o meu nervo facial desmoronou-se.

De um lado do rosto, nenhuma ruga nem marca

e deste lado do rosto

vi a pessoa que conheci toda a vida como sendo eu

e vi...

Vi as minhas linhas de sorriso

e eu tinha trabalhado arduamente para as ter,

porque tinha vivido muito.

E senti toda a minha experiência de vida de um lado da minha cara

e do outro lado, nada.

E solte.

Para baixo e juntas.

Tente uma vez mais. Para baixo e juntas. Aguente.

Todos os dias ia para a frente do espelho,

olhava para os meus olhos e dizia ao lado direito da minha cara

para se comportar como o lado esquerdo da minha cara

e depois, gradualmente, eu conseguia ver

parte de um dentinho quando me ria,

e depois outro surgia e, finalmente, viam-se dois dentes.

Quando ia ter com pessoas, diziam: "Meu Deus, é milagre!

Eu dizia: "Sim! Meu Deus, é milagre!"

E depois retirava-me

e dizia que era um milagre e que estava grata,

mas não me sentia muito bem.

Sinto falta de mim. Sinto...

Entrar numa sala com um grupo de amigos

e como me sentia quando o meu sorriso aparecesse.

Pensei: "Renee, podes ficar deprimida por causa disto,

para o resto da tua vida,

ou podes arranjar maneira de continuar a brilhar

com a luz que tens dentro de ti."

Comecei a fazer vídeos para as redes sociais.

Para mim, era uma das coisas mais ousadas que podia fazer,

pimba, mostrar a cara diante da câmara.

No início, julguei que estava a fazê-lo por mim

e através do processo de partilhar com tanta abertura e vulnerabilidade,

podia ver o coração das pessoas a abrir-se.

Via a minha história e os meus defeitos tocarem as pessoas.

Saltar os defeitos é ótimo, aceitá-los é maravilhoso,

e depois celebrar realmente?

Quando fazemos isso, permitimos o mesmo espaço aos outros.

Deixamos de julgar tanto os outros.

As outras pessoas deixam de julgar tanto.

É mesmo um caminho para a paz.

Adorei a ideia de não julgar e, nas minhas viagens,

ouvi muitas histórias de inspiração,

de desafio e de determinação,

mas nem toda a gente está no caminho para a paz.

Imperfeito.

Queria ser mais magra.

Não gosto.

Demasiado grande e gorda.

Talvez seja um nadinha gorda.

Gorda.

Há dias em que me apetece chorar.

Parece incrível que tantos de nós

tenham perdido a perspetiva do que importa.

Lembra-me uma mulher que conheci

que corrige a história sobre o que é realmente importante.

60 MINUTOS

Aos 24 anos, esta brilhante engenheira de minas

inscreveu-se para uma maratona de 100 km no deserto australiano.

Eis Turia na pista, em setembro de 2011.

Está a dar ânimo a Kimberly,

mas poucas horas depois

estaria a lutar pela vida

depois de ter sido apanhada num incêndio na mata.

Foi uma época de choque porque acordamos todas as manhãs

e olhamos para nós quando escovamos os dentes

e, de repente, acontece-nos alguma coisa

e quando vamos ver-nos ao espelho,

não sabemos quem está a olhar para nós.

Era mais ou menos como se a pessoa no espelho

não fosse eu.

Eu não me via assim.

ESCRITORA, ORADORA

Mas agora, quando olho o espelho, vejo-me,

o que soa bastante ridículo, porque quem mais poderia eu ser?

Talvez tenha sido a melhor coisa que me aconteceu.

Consegui criar uma vida para mim

pela qual estou mesmo apaixonada.

O meu acidente deu-me voz e a oportunidade de ser ouvida,

e deu-me os recursos

para canalizar a energia para algo que me apaixona,

a trabalhar com a Interplast e na minha fundação.

Podia ter sido a pior coisa que me aconteceu ou a melhor.

Não sei. Acho que ninguém sabe.

Lembro-me de alguém ter parado o Michael na cidade

e de perguntar porque continuava comigo.

Quando soube, fiquei destroçada.

Pensei: "As pessoas só pensam isto de mim?"

Eu era apenas uma miúda bonita?

Sou muito mais do que a minha aparência.

Tenho imensa sorte por tê-lo.

Presumo que não seja mesmo sorte. Eu sou incrível.

Com a capa da Woman Weekly, recebi muitos e-mails de mulheres.

Diziam: "Odeio o meu corpo, odeio a minha cara,

odeio as minhas pernas, os braços."

É um desperdício de energia as pessoas passarem

o tempo todo preocupadas com a aparência,

em vez de se preocuparem com o que podem contribuir.

Penso que está tudo na mente.

Se nos sentimos constrangidos com alguma coisa,

muita gente vai reparar,

mas se o encaramos, as pessoas não se importam.

As pessoas estão demasiado enredadas na vida delas

para se importarem com o que estamos a fazer.

Passei por uma coisa grande pela qual a maioria das pessoas não passa,

por isso, penso: "Se consegui começar a minha vida do zero,

não sei porque será que os outros não podem."

E isso talvez soe um pouco cruel,

mas é assim que sinto.

SAÍDA

LONDRES

Para qualquer um, ter de enfrentar a crítica interna

pode ser um dos maiores desafios.

Vim a Londres para ver pessoas

que conseguiram ultrapassar a crítica,

aceitar-se e amar-se como são.

Um dia, olhei para o espelho e pensei: "Credo."

Depois fomos ao médico.

O diagnóstico foi ovários poliquísticos,

o que provocou o nascimento de muitos pelos faciais.

Costumava ir à esteticista para tirar os pelos.

ATIVISTA

Voltavam a crescer em força e por toda a cara.

Sim, e mais escuros, mais espessos e compridos.

Passei anos e anos a remover os pelos faciais

e detestava o meu corpo pelo seu aspeto,

por isso, fazia-lhe mal e punia-o, fazendo-me mal.

Era terrivelmente doloroso.

O meu quarto era o meu refúgio.

Ia para a escola e voltava diretamente para o quarto.

Não saía nem tinha vida social.

ABERRAÇÃO

Não conseguia conhecer pessoas nem fazer amigos.

O ponto de viragem foi o dia em que decidi pôr fim à vida.

Acho que as pessoas não percebem quanta força é precisa

para acordar um dia e dizer: "Queres saber?

Hoje quero acabar com a minha vida."

É preciso muita energia e, para mim, era energia negativa.

E pensei: "Bom..."

Estava literalmente sentada na cama

e estava pronta para avançar

e pensei, numa fração de segundo: "Porque não transformas

esta energia negativa em energia positiva,

assumes o controlo da tua vida

e aprendes realmente a ser feliz?"

Lembro-me de estar sentada na cama,

e de passar por todas as etiquetas negativas

e, de facto, colocar etiquetas positivas em mim.

Quando alguém me chamava feia, eu dizia: "Não, sou linda."

Se alguém me chamasse gorda, dizia: "Não, sou sensual."

Acho que é isso que devem fazer.

Acho que as mulheres têm de começar a encontrar palavras positivas para o corpo

e a gravá-las no coração.

Tens de te sentir bonita. Tens de sentir amor por ti.

Tens de sentir compaixão por ti.

É o ponto de viragem interno que é preciso mudar antes de mais.

Adoro a minha barba.

Sim, tenho as mais diversas reações.

Alguns ficam intrigados e outros são muito maus.

Chamam-me coisas como "mulher-homem" e "mulher-macho".

Ou dizem-me logo que preciso de me barbear,

que sou feia, mas eu não me sinto feia.

Sinto-me muito bonita, por isso, quando se aproximam

com comentários desses,

afasto-as porque sei que não é verdade.

Sei que é o que pensam de mim.

E para elas, essa opinião pode ser real, mas para mim, não.

Vivo uma vida diferente e isso é bom.

Estou feliz com ela.

Não há uma resposta definitiva sobre o que é a beleza.

A beleza é o que se faz dela.

Somos todos tão diferentes.

Temos de celebrar o facto de sermos diferentes,

e isso, em si, é a beleza.

Amem o vosso corpo pelo que ele é

porque o vosso corpo é o único que têm

e porque se queixam de um corpo tão bonito?

Ando em viagem há muito tempo.

Sinto falta de casa, da minha cama, e sobretudo dos meus filhos.

Através das redes sociais, pude contactar com pessoas espantosas.

Uma mulher com a minha paixão

pela mudança de atitudes na imagem corporal

é a atriz alemã Nora Tschirner.

Convidou-me a ir a Viena, a um acontecimento de passadeira vermelha

e estou entusiasmada por ir aos bastidores

e ouvir as opiniões dela sobre este mundo.

VIENA

Acho...

Não sei bem, mas acho que devia vir de vestido comprido.

Não me disse que era preciso!

É uma coisa formal. Não é para usar vestido de noite?

Isto tem ar de vestido de noite...

Talvez na Austrália.

Merda!

Centrarmo-nos no visual

é uma corrida que podemos vencer durante uns anos

e depois acabou porque começamos a envelhecer.

ATRIZ, REALIZ., PROD.

Nunca ouvi ninguém dizer que venceu.

Mas então, mesmo assim, quando se é atriz e a cara aparece no ecrã

e é uma coisa grande...

... há momentos em que começamos a pensar:

"Bom, quer dizer, este lado tem melhor aspeto."

E tive de me obrigar a não ser muito rígida nesse aspeto.

Não, mas a sério, tento não ir muito a esses acontecimentos.

Porque é demasiado: "Meu Deus, viste quem estava lá?"

O cenário Gossip Girl,

uma vez que já não tenho 16 anos, é muito desgastante para mim.

- Sim. - Acho eu.

Fiz sessões fotográficas em que achava graça ao "Meu Deus",

e com ar de quem nunca tinha sorrido na vida

e tudo era super intenso

e tinha tinta por todo o corpo e tretas...

Sei como fazer isso e já o fiz, mas era muito jovem.

Agora também digo: "Caraças, porque gostava tanto disso?"

Quando olho agora, sinto que é estúpido.

Nos filmes mais bem-sucedidos que fiz, tinha o papel de patinho feio,

do género que nunca se transforma em cisne.

É uma personagem fabulosa. Adoro-a. Anna Gotzlowski.

É uma espécie de marrona que usa casacos tricotados largos...

É mesmo uma marrona.

E tem óculos, mas ela escolheu o estilo.

Falou-se inicialmente em deixar que mudasse de estilo na história

e pô-la a usar lentes de contacto,

mas desistimos da ideia e deixámo-la manter-se assim

e sempre que ela começa a aperaltar-se

e se torna outra pessoa para um encontro ou assim,

corre tudo mal, e isso era fixe.

Nora, passou muito tempo sob as luzes da ribalta.

Qual é a sensação de ser julgada?

Se é comigo, não dou muita importância.

Tento envolver-me muito emocionalmente

se vejo isso acontecer na televisão,

em programas de escolha de elenco,

em que adultos que devem saber que são modelos

falam às pessoas do espaço entre coxas,

isso vai levar à próxima geração de pessoas

que estão ainda mais centradas em coisas sem importância.

Senti que era sempre mais feliz quando ia caminhar

durante o inverno e tinha um casaco grande

e a cara ficava vermelha por estar frio,

não me maquilhava e cheirava a raposa velha.

Melhor Vestidos e Pior Vestidos 2000 e qualquer coisa

num jornal alemão e eu disse: "Não é muito bom",

e de repente, vi-me.

Onde estava? Em que lado da lista?

Vou desiludi-la. Não estava no lado bom.

E o que se passa é que ela dizia: "A forma como está maquilhada,

o penteado, o ar desmazelado,

é uma bofetada na cara do estilista."

- Está a brincar! - Não, a sério.

É horrível.

Esta é a Nora.

A esbofetear pessoas.

A esbofetear pessoas na cara.

Sinceramente, hoje é ganhar ou perder.

É Guerra dos Tronos. Posso morrer.

Porque se der mais uma bofetada a um estilista por não usar maquilhagem

ou não usar a certa...

Nora, a que me trouxeste?

Não sei. Não disseram. Achei que era uma gala de gatos.

A roubar-me o dia mau.

Estou ali, com 20 pessoas a gritar para mim,

a tentar obrigar-te a fazer uma coisa e tentamos fazer...

São assustadores.

E acaba com eles a serem...

Sinto sempre que os desiludo.

O prémio para a atriz mais popular...

Nora Tschirner!

NOVA IORQUE

É bom estar em NI para a sessão fotográfica

que celebra a diversidade corporal.

Atrás da câmara está um homem que fotografa para Ralph Lauren,

Gucci, Victoria's Secret e por aí fora.

Algumas destas mulheres que se veem nos filmes, em anúncios

ou em revistas fazem-nos pensar: "Caramba, são perfeitas."

Pois bem, na cabeça delas não são.

Pedem que não as fotografemos em determinados ângulos,

que não as fotografemos de formas que achem pouco lisonjeiras

porque têm problemas com a imagem corporal.

E toda a gente tem isso.

Toda a gente tem críticas interiores...

... que as inibem e funcionam como obstáculo

à realização e à felicidade.

Vou pô-las muito maiores do que as dela.

O que me espantou sobre estar aqui com estas mulheres,

e há grande variedade de pessoas,

foi uma mulher bastante pesada,

uma mulher com problemas físicos...

Fica muito bem.

... uma modelo transgénero.

O denominador comum era o afeto e a aceitação uns dos outros.

Boa. Não, meninas, estão ótimas. A sério.

E penso que se houvesse mais afeto e aceitação,

em vez de crítica, palavras odiosas e apontar de dedos,

o mundo seria muito melhor.

Um, dois, três.

As pessoas com incapacidade visível

são alvo de olhares

e pormo-nos diante de uma câmara controla o olhar

e dá-nos uma sensação de poder.

Sim, está a olhar para o meu corpo,

mas vou controlar a forma como olha para o meu corpo

e faça comentários sobre o que sinto em relação ao meu corpo,

e não me diga as suas perceções do meu corpo.

Vou controlar o que vê e como me vê.

E vou escolher o olhar e sentir-me com poder

colocando o corpo diante da câmara.

Foi uma nova experiência para mim.

Quando ouvi falar daquilo, imediatamente, a minha mente disse:

"Não, de modo nenhum. Não é uma opção."

E não parava de pensar naquilo,

no facto de poder ajudar pessoas.

Depois comecei a pensar que não...

As minhas inseguranças não importam.

Esperava que pudesse inspirar outras pessoas com problemas "trans"

no mundo delas a gostarem do seu corpo, acho eu.

Foi uma jornada para mim. Ainda estou a trabalhar nisso.

Esta noite mudou-me. Mudou completamente a forma como me vejo.

Ver outras mulheres com outro tipo de corpos

à vontade e confiantes em relação ao corpo

fez-me ficar mais forte.

Não se trata de sermos nós contra elas.

Trata-se de mulheres unirem-se

e dizerem: "Vejam, somos bonitas. Somos todas confiantes.

Trabalhemos juntas.

Vamos mostrar ao mundo que podemos ser todas bonitas juntas."

Espero que haja por aí uma mulher de tamanho grande

que não goste muito do seu corpo,

que me veja de sutiã e cuecas

e que pense: "Não é assim tão mau." Estão a ver?

Especialmente as mães.

O peso está associado a ter filhos,

algumas estrias e um pouco de celulite.

No fim de contas, ninguém olha para nós e diz: "Que nojo."

Tu é que dás cabo de ti

e crias o palco para as pessoas olharem com desprezo,

mas quanto mais gostares dele, mais os outros vão gostar.

Não tenho problema nenhum.

É bom gostarmos de nós como somos.

Eu tenho um princípio.

Quando está na minha presença não é permitido

falar mal de si própria.

É contagioso.

Podemos contagiar de forma negativa ou positiva,

por isso vamos em frente com o positivo e contagioso.

Não há alternativa.

A sensação de que uma pessoa consegue ser aceite,

de ser incluída, é uma sensação maravilhosa,

por isso, penso que se queremos sentir-nos melhor,

abrimos os braços e aceitamos os outros.

Estou de regresso à Austrália.

Primeira paragem, Sydney, e depois para casa.

Estou tão entusiasmada! Mal posso esperar.

Recebi um telefonema de um sujeito chamado Nigel Marsh.

Convidou-me a participar um evento de natação nudista

no Porto de Sydney e eu disse: "Quem é o senhor?"

Quase desliguei porque pensei que era um tarado,

mas depois de o conhecer, decidi que participar

no Sydney Skinny parecia ser uma excelente ideia.

As pessoas despem-se, mas não tem que ver com nudismo.

FUNDADOR DO SYDNEY SKINNY

É libertador e só pensamos: "Que bom."

Se calhar, devia deixar de ficar angustiada com o meu pneu,

ou com a perda de peso. Não faz diferença.

Ficar em forma, não ficar, ninguém se importa.

Não é o ponto principal da vida,

passar a vida angustiados

por não termos a forma corporal

com que os média insistem que devemos preocupar-nos.

Portanto, aí vamos nós!

As pessoas não refletem no que é importante para elas,

não por serem más, mas por viverem com pressa.

Sabemos o que é ter filhos, empregos e assim

e é preciso uma das grandes quatro antes de refletirem como deve ser.

São elas: morte, doença, divórcio, redundância.

E todos conhecemos pessoas que tiveram tragédias na vida.

Dizem: "Pensei e o que é importante, a sério, são estas coisas."

Mas se não tivessem tido essas tragédias,

não teriam parado para pensar.

E o interesse em nadar é poder ajudar alguém

a refletir sem ter de passar pelas Quatro Grandes.

Não espere até a sua mulher o deixar ou até ter uma doença horrível.

Que tal pensar:

"Estou a viver o tipo de vida que quero?"

Acabei a prova de natação

e sinto-me completamente empolgada, muito feliz e...

Conheci duas mulheres na praia.

Uma estava junto de mim, era uma completa estranha,

deu um guincho e disse:

"Há outra mulher com uma mama, tal como eu!"

Correu e abraçou a mulher que também tinha perdido uma mama.

E estas mulheres gostam do seu corpo, mesmo só com uma mama.

E foram corajosas

e eram mulheres muito bonitas.

E isso, para mim, vale ouro.

Diagnosticaram-me cancro da mama há quatro anos,

quando estava grávida do meu segundo filho.

Vou fazer 40 anos este ano e foi a oportunidade perfeita

para aceitar quem sou e o meu corpo

enquanto mãe e mulher, esta é a pessoa que sou agora

e não me importo.

Em grande medida foi graças ao meu marido.

Ele disse: "Que importa? É só uma mama."

E os meus filhos não se importam. Tenho dois rapazes.

Eles acham alguma piada e até é fixe

a mãe deles ter uma só mama, serve até para se gabarem.

E tenho uma espécie de ditado. Quando saio do duche, em casa, digo:

"Para onde foi a minha mama?"

E eles dizem: "Está num frasco algures, num laboratório científico."

Há mais de dois meses,

decidi descobrir o motivo de tantas pessoas odiarem o seu corpo

e o que podemos fazer para melhorar.

Acho que tive algumas respostas

e tive a imensa sorte de conhecer e de me relacionar com pessoas incríveis.

Editores de revistas são criticados pelo que põem na capa

e pelo recurso a modelos e Photoshop

e dizem: "É isso que as mulheres querem."

Não é o que elas querem,

porque a circulação de revistas diminuiu muito.

Sinceramente, as mulheres não querem isso

e agora votam com a carteira.

Nós somos a nova revista.

Nós definimos o que é a verdadeira beleza,

o que é sentirmo-nos realmente confortáveis na nossa pele,

o que é ter uma imagem corporal positiva.

Começa por as pessoas partilharem as suas histórias.

Começa por as pessoas se livrarem da vergonha.

Começa por as pessoas aceitarem os outros como eles são

e não tolerá-los apenas

ou apenas aceitá-los,

mas verdadeiramente encontrar aquela coisa no outro

que vemos como peculiar, ou diferente, ou única

e gostar das pessoas como elas são.

Estando na fase em que estou, em que gosto do meu corpo,

digo que é fabuloso e que me orgulho dele.

Posso centrar-me em algo mais importante.

Olha para ti nua.

Diz que és bonita mesmo que não acredites.

Finge até conseguires.

Eu diria que o meu corpo é exuberante, suave e...

É reconfortante para os meus filhos e para o meu marido.

Diria que mudo de forma.

Sou suave.

E cheiro bem.

É meu. É a minha casa.

É meu amigo. É a minha alma gémea.

É grande, é bonito

e perigosamente curvilíneo.

Há tanta bondade no mundo

e eu estou ansiosa por partilhar convosco tudo o que aprendi.

Na vossa vida haverá pessoas

que vão tentar dizer-vos que têm de mudar,

mas não é verdade.

O objetivo da vossa vida não é ser um ornamento para olhar,

mas antes para levar a cabo, sentir, conseguir e contribuir.

Querida rapariga, não cometas os meus erros.

Não desperdices um único dia da vida em guerra com o teu corpo.

Aceita-o.

HÁ 7,5 MIL MILHÕES DE HABITANTES NA TERRA

DE TODAS AS FORMAS E FEITIOS

É a resposta perfeita!

PERFEITA

EU ACEITEI... ACEITAS?

JUNTA-TE AO MOVIMENTO

Legendas: Ana Cristina Ferreira

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