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Merda!
E ENT�O? ONDE ANDAS, MARU?
ESTAMOS DE SA�DA. ABRE A PORTA!
ONDE ANDAS, BAILARINA DO BAIRRO?
Ainda n�o percebi porque viemos a esta farsa de casamento.
Olha s� para eles? Sem vergonha!
Ningu�m acredita em voc�s!
Por isso � que nunca vou casar.
Tu n�o te vais casar, Maru,
porque o teu companheiro nunca te deu um anel.
Cala-te, est�pida.
Sim! Um viva aos noivos.
E h� duas semanas atr�s?
Ele, tamb�m?
- Sim. - O Arthur?
N�o fazes ideia do que ele � capaz.
D�-me!
Muito bom.
Um viva aos noivos!
Apreciem o casamento.
Ol�, como est�o?
Posso ajudar? Como se chama, senhor?
Somos dois. Dois.
- Como se chama, senhor? - Camilo Escobar.
Escobar. E voc�, senhor, como se chama?
- Eu? Renato. - Renato qu�?
- Zamarripa. - Zamarripa. Escobar.
Desculpem, mas n�o est�o na lista.
- O qu�? - N�o est�o na lista.
Isso � um problema, porque temos de entrar
para falar com o Arthur, meu.
- Adeus. - N�o! N�o posso, desculpem.
N�o, n�o est�o na lista. N�o posso.
Calma.
Est� bem. Obrigado.
N�o posso.
A s�rio, Cad�ver!
Vieste para Acapulco sem ser convidado?
Tu �s qualquer coisa, meu!
Eu fui convidado, meu! O Arthur convidou-me.
Ele disse, "Est�s convidado, Cad�ver. N�o percas a festa."
Bem, n�o est�s na lista, meu. N�o est�s.
Quando � que te falhei? Espera.
Ele pode morrer, certo?
N�o sabe a mulher que deixou.
N�o sabe mesmo. N�o vai encontrar outra como tu.
- Nunca! - "Minha pequena Maru, querida,
porque � que temos de casar?"
E depois deixa-me e vai para Cuba!
Adeus, tchau, sayonara!
O teu nome era...
Gelo! Chegou o gelo!
�s o maior!
Sa�de!
- Meu, est� ali a Maru. - Quem � a Maru?
V�s aquela de vestido vermelho? A que est� ao lado dela.
Est� sempre na mesma.
E ent�o, Maru?
- N�o te lembras de mim? - N�o.
Dou-lhes um ano.
Mandei-te um pedido de amizade pelo Facebook.
- H� seis meses atr�s. - Ai sim?
- Porqu�? - Para podermos falar e...
- Ei. - O qu�?
- Vamos. - Espera.
Meninas, podemos sentar-nos?
Meninos, porque n�o v�o procurar os vossos pais?
Essa foi boa. Muito boa.
Muito boa.
Que nojo.
- Limpa-te. - N�o me toques.
O qu�?
Para onde est�s a olhar?
Senhoras e senhores, que a festa comece.
Despacha-te ou mijo-me toda!
Raios!
Est�s bem?
- Porque me est�s a agarrar? - Quase ca�ste.
Porque continuas a olhar para mim?
Queres beijar-me ou qu�?
Pau!
Dani!
UM M�S DEPOIS
Maru, est�s bem?
Sim.
N�o acredito!
Temos de nos encontrar!
N�o acredito, Maru! Vamos ser tias.
- Parab�ns! - Espera s� um segundo.
Deixa-me ver. N�o fa�as essa cara, Maru. Agora estou preocupada.
O Juan Pablo n�o o quer ter?
� que... o filho n�o � do Juan Pablo.
O qu�?
Lembras-te com quem eu estive no casamento?
- Est�s a gozar, certo? - N�o, n�o estou.
N�o me lembro com quem estava.
- Fiz as contas e ele � o pai. - N�o tomaste precau��es?
Parei de tomar a p�lula quando o Juan Pablo me deixou.
Nem pensar! Podes deixar o leite, o �lcool, as gorduras.
- O gl�ten. - Isso.
- O gl�ten � mau para ti. - Podes deixar de fazer sexo,
mas mesmo assim n�o podes deixar de tomar a p�lula! Maru!
Como � que ia adivinhar que iria acabar
- com um tipo que n�o conhe�o? - N�o. Como foi isso acontecer?
N�o estavas na reca�da
depois de passar cinco anos com um tipo que n�o te prop�s em casamento.
- Isso teria sido... - Paulina...
...o melhor dia da minha vida, n�o estavas meia b�bada.
- Pareces a minha m�e! - Como aconteceu isso, Maru?
- Poupa-me! - Preciso saber quem ele �.
Maru, ele n�o usou preservativo?
- Que nojo! - N�o sei.
O que far�s se tiveres SIDA?
- Uma ferida! - Clam�dia!
- Gonorreia! - S�filis!
- Triconom�ase! - O qu�?
O que � isso?
- Existe, d� uma comich�o do cara�as... - J� apanhaste?
- ...contaram-me. - Est� bem.
Obrigada!
A s�rio? N�o te lembras de nada, Maru?
Merda!
As fotos!
As fotos do casamento!
Claro, as fotos.
Aqui est� uma.
Dani.
- Elimina isso! - N�o, n�o elimino.
Apaga essa foto, Paulina. Ajuda-me aqui.
N�o devias ter mijado de porta aberta.
Fizeste pose para isto. Est�s lixada.
Isso � mesmo baixo, p�!
Quem � este baixote? Ele aparece em muitas fotos.
N�o foram eles que se sentaram � nossa mesa?
Pois foram! J� me lembro!
Olha eles aqui.
- E aqui. - E aqui.
- N�o! - O qu�?
Acabei de me lembrar.
Sim...
� ele, Maru?
- Ele podia ser teu filho! - Ele � mesmo novo.
Quem � ele?
E ent�o?
Lau, como est�s? Onde est�s?
Boa, acabamos de chegar ao Dubai. � um espet�culo!
Lua-de-mel no Dubai.
Que viagem, volta logo!
- Nem pensar. N�o arrisca, n�o petisca. - Sim, claro.
S� uma perguntinha...
A Daniela mandou-te uma foto no WhatsApp.
Diz-me se conheces o gajo da foto.
O que est� vestido � vintage.
Deixa ver.
Quem? Esta beleza?
- Conhece-lo? - N�o fa�o ideia.
Pode ser um dos amigos do Arthur, certo?
N�o creio, nunca o vi antes.
- Porque n�o lhe perguntas? - Deixa ver.
Amor, � a Paulina. Ela quer saber se conheces este tipo.
Quem, esse gajo? Claro que n�o o conhe�o.
Olha bem para ele, � um z�-ningu�m.
- Porque haveria de o conhecer? - Certo, relaxa.
N�o fa�o ideia.
- Porqu�? Gostas dele? - Achas? Depois conto-te.
Se ele se lembrar, ele que lhe ligue.
N�o fazes ideia de quem seja?
N�o. Deve ser um fura casamentos.
Est� bem, Lau, vou desligar. Um beijo. Diz ol� ao Arthur.
E por favor traz-me um milion�rio do Dubai.
Est� bem. Adoro-te. Adeus.
Ningu�m sabe quem ele �.
Est�s mesmo lixada.
Rana, o Sapo!
- La Rana! - O que foi? Isso � uma posi��o?
O tipo da foto de quem me perguntaste.
Chama-se Rana.
- A s�rio, Arturo! Que raios? - Sim. � amigo do Cad�ver.
Quem diabos � o Cad�ver?
� o colombiano, o traficante.
N�o. N�o pode ser.
- O qu�? - Como assim, o qu�?
Estou quase a vir-me e est�s a pensar em sapos?
CHAMAM-LHE LA RANA. � AMIGO DO CAD�VER. CUIDADO!
AGORA DEIXA-ME VOLTAR AO SEXO, � A MINHA LUA-DE-MEL!
OBRIGADO POR LIGARES, LAU.
Porque n�o aprendes a abrir a porta, seu incompetente.
Nem pensar!
Est� tudo bem, Maru?
- J� passou algum tempo! - Como est�s?
Bem.
Que bela surpresa. O que te traz por c�?
Bem, Plutarco, podes esperar um pouco no carro?
- Queria pedir-te um favor. - Queres entrar?
Sim. Talvez seja melhor.
- Est�s de mudan�as? - N�o, n�o � contrabando.
Bem-vinda.
- D�-me s� um segundo. - Aqui?
Desculpa. Ele foi vacinado?
Sim.
Pronto.
TRABALHOS SEXUAIS
Meu Deus!
- Raios! - Raios!
Raios, Rafa! Porque v�s aquela porcaria no meu computador?
Vou contar � m�e.
Desculpa, � que...
Tenho um irm�o adolescente
que est� a explorar o corpo e leva-me as coisas emprestadas.
Ent�o... que bela surpresa.
- Quem te deu a minha morada? - O Arthur.
- O maldito do Arthur! - Sim, ele.
Est� bem, vivo aqui com a minha av�.
� tempor�rio. Vou mudar-me para uma casa minha.
- Isso � bom. - Sim.
Ouvi dizer que tens um amigo chamado Rana?
- Renato? - N�o sei.
- Chamam-lhe Rana. - N�o.
- N�o? - N�o.
Foste ao casamento com ele.
Vi-te nas fotos com ele.
- Essa Rana! - Sim.
- Rana, sim. - Sim, Rana.
- Ele assaltou-te? - O qu�?
Maldito Rana, aquele bastardo.
Vamos a casa dele e eu parto-lhe o focinho.
N�o, n�o que eu saiba, mas...
Sabes onde ele vive?
N�o.
Mas disseste, "Vamos a casa dele e..."
Sim.
- O meu filho vem j�. - Obrigado, senhora.
Onde conheceste o Renato?
Num casamento.
Pensei que andassem na mesma escola.
Escola?
N�o, eu... j� acabei a universidade.
Tenho um mestrado em Desenvolvimento Social.
Uma licenciada!
Ent�o �s mais velha que o meu pequeno Renato.
Gostas deles novos. Ca�a meninos.
N�o, nem por isso, senhora.
N�o fazes ideia de como as vizinhas andam em cima dele.
Por isso, digo-lhe sempre, se andar a fornicar,
- que use preservativo. - Bem, devia dizer mais vezes
porque por vezes ele esquece-se.
N�o me digas que...
- Sortuda! - N�o, nem pensar.
- Nem pensar, senhora. - Pensei que ele ainda era virgem.
Tu n�o, o meu Renato.
Ele nunca me conta nada, sabes?
Vou dar-te um conselho, de mulher para mulher.
N�o te fica bem andar atr�s dele.
N�o vais conseguir nada.
Os homens n�o prestam, querida.
Mostras-lhes um pouco de interesse, e eles usam e deitam fora.
Foi o que aconteceu com o pai dele, quando eu era mais nova.
Encontr�vamo-nos sempre num hotel rasca.
Ali na Rua Alvaro Obregon.
- Hotel Niza, conheces? - N�o, ainda n�o tive oportunidade.
N�o perdes nada. H� melhores.
Ent�o, o bastardo...
era casado e com dois filhos. Pequenos.
Devias t�-lo ouvido,
sempre a prometer-me que se ia divorciar.
Que a esposa dele n�o o entendia
e que eu era o amor da vida dele.
Costumava chamar-me pequena uva.
Mas foi culpa minha, sabes porqu�?
Porque tudo o que ele queria de mim, era sexo!
E um dia, eu disse: "� assim que queres?" Ent�o engravido.
Bem, parece que � de fam�lia.
Ei, m�e.
Merda! Pensava que era outra pessoa.
Maru! Espera!
Espera, Maru. Posso ajudar-te?
Nada. Ainda nem acabaste a escola secund�ria.
Nem pensar! Vives com a tua m�e. Era s� o que me faltava.
- Espera, n�o v�s. - N�o me toques!
- O que � que queres? - Eu?
V� l�. Vieste � minha procura
e de repente, levantas-te e sais.
O qu�? Como � que sabias onde vivo?
O teu amigo, o traficante, disse-me. E veste-te!
Achas que �s todo bom?
- �s deplor�vel, meu amigo. - Estava a tomar banho.
Espera.
Vamos para dentro, eu visto-me e depois podemos falar.
N�o te preocupes, digo-te aqui.
Estou gr�vida.
O qu�?
- Parab�ns. - Parab�ns?
� assim t�o mau?
N�o, n�o � mau. � lixado!
Maru, espera. Se houver algo que possa fazer.
Muito obrigada! Que querido! A s�rio?
N�o, nunca nos conhecemos ou nos cruz�mos, n�o...
N�o te quero voltar a ver.
Porque n�o?
Porqu�? Porque da pr�xima vez devias ouvir a tua m�e
e usar preservativo. Imbecil!
Sabes que mais? Faz-me um favor.
O que pensaste? "Vou apanhar a riquinha?"
N�o cago ouro! Espero que mostres
alguma responsabilidade e pagues metade do aborto.
- E n�o penses que fica barato. - Como assim, aborto?
Sim, aponta o meu contacto. Tenho de ir.
- Vais fazer um aborto? - Aponta o meu n�mero.
- Tenho de ir. - Onde? N�o trouxe...
Est� bem, d�-me o teu.
55-44-22...
Espera, esse � o da minha m�e.
Desculpa, � que...
... come�am os dois por 55-44...
... 23-78-82.
- Mas n�o tenho saldo. - O qu�?
N�o tenho saldo.
N�o te preocupes. Eu pe�o emprestado 100 pesos � minha m�e.
N�o te preocupes. Sei onde vives.
Arrasaste mesmo.
Foste a um casamento sem convite,
e arrasaste!
Ficaste com a rapariga mais gira da festa e...
N�o te rias!
Aproveitaste-te de mim. Vieste ao meu quarto
e fodeste-me sem eu saber e depois desapareceste.
�s um maricas.
Como o teu pai!
Como � que sabes que o meu pai � assim?
INFORMA��ES DE ABORTO
Um aborto, � a sa�da mais f�cil.
N�o concordo. � a minha opini�o.
Daniela, ela n�o vai ter um beb� de um gajo qualquer
que ela nem conhece. Ele n�o vai �s aulas,
n�o tem emprego, est� teso.
Vive com a m�e, uma louca.
Da pr�xima vez, v� bem com quem te metes.
- Que cabra. A s�rio? - Porqu�?
E como correu com o brasileiro?
- Ol�. - Ol�.
Dani. Estava � tua procura.
Ele n�o � brasileiro, � argentino.
E?
E foi nesse fim de semana que acabei com o Adrian.
Pois. Ele viu uma abertura e lixou-te.
Voltaste a estar com ele na segunda, n�o?
Sim, nunca trai o Adrian.
- Nunca. - Ol�.
Podemos falar, Maru?
Juan Pablo, o que est�s aqui a fazer?
Bem deixo-vos. T�m muito que conversar, certo?
Pensa bem no que vais fazer, Maru e...
E pediria conselhos ao Juan Pablo.
- Sobre o qu�? - Ela que te conte.
Maru, liga-me.
Seja o que decidires, eu apoio-te.
- Obrigada, Pau. - N�o estou a falar contigo.
N�o tens nada a ver com isto.
N�o v�s.
Posso sentar-me?
- A s�rio, meu. - Gr�vida?
N�o me contaste, cretino.
Fodeste a Maru. Raios, meu.
Arrasaste mesmo!
E o que � que vais fazer?
Sou um homem, certo? Vou correr atr�s.
Nem pensar!
N�o percebes?
- O qu�? - Vou ser pai.
Pois, d� a� uma passa para celebrar.
Um pai.
Sabes onde � que a Maru vive?
Estou a pensar no que lhe vou dizer, meu.
- Que posso eu dizer? - Isso mesmo!
Isso mesmo! Que pensaste no assunto. Para te dar uma oportunidade.
Que vais tomar conta do puto.
Apresenta-te seguro, respons�vel, cretino.
E depois, mudas-te para casa dela.
D� para imaginar?
Ele deve ter duas criadas, meu.
Para te fazer quesadilhas e levar-te � cama.
Nada de lavar loi�a ou fazer a cama.
Os pais dela provavelmente te comprar�o um carro, meu.
- Acho que n�o. - Como assim?
E depois de ganhares confian�a...
convidas-me para assistir aos jogos.
N�o. Espera.
- N�o, nem sequer saias. - Qual � a dele?
A mulher do teu filho com outro.
Isso n�o est� bem, meu.
Por favor, d�-me outra oportunidade. Juro, n�o te desiludirei.
Devias ter pensado nisso antes ires para Cuba.
N�o, Maru. Juro que n�o andei com ningu�m.
Pois. E eu nasci ontem. Sabes que mais? Esquece.
Maruchi, ouve. Eu...
Quero casar contigo.
O qu�?
Maru, n�o abortes.
Pensei melhor. Eu tomarei conta do beb�.
- Quem � este cretino? - cretino?
Sou o pai da crian�a dela, seu cretino! Quem �s tu?
Ei, calma!
Merda.
Juan Pablo, o que se passa contigo?
Est�s bem?
Vou rebentar-te todo, cretino!
QUE DESILUS�O! A RECRIMINARES-ME POR CUBA,
ENQUANTO IAS PARA A CAMA COM UM MI�DO!
�S UMA PUTA, JURO!
DEIXA-ME EM PAZ!
Maru, espera
N�O FA�AS ISSO! O BEB� N�O TEM CULPA!
- O que est�s aqui a fazer? - Podemos conversar?
- Maru, olha o que eu te trago. - Que vergonha!
O que est�s a fazer com isto? Como sabes onde trabalho?
O que est�s a fazer? O que se passa contigo?
- Maru, n�o te enerves. - A s�rio, que vergonha.
- D�-nos uma hip�tese, sim? - A n�s? Quem ou o qu�?
Como assim quem? A mim. Ao nosso filho.
Ouve, apareces aqui outra vez
e pe�o ao Plutarco para te p�r outro olho negro. Percebeste?
- Maldito perseguidor! - Porqu�?
- Plutarco! - Menina, por favor...
- Por favor, sim? - Sim, n�o se preocupe.
Maru, pensa bem, est� bem?
Acalma-te um peda�o, puto, est� bem?
E mant�m-te assim, meu. � assim que funciona com as mulheres.
Ainda estamos a tempo.
O feto est� a crescer, � consigo.
E como � que ser�?
Terei de ficar hospitalizada ou...
N�o. Ser� aqui mesmo no consult�rio.
� r�pido, n�o mais que meia hora.
E se tudo correr bem...
Como assim?
Bem, � uma interven��o e h� sempre riscos.
S�o m�nimos, mas h�.
E fica tudo bem?
Sim, fica tudo bem.
De prefer�ncia, devida trazer o seu companheiro nesse dia.
Para estar mais relaxada.
N�o tenho namorado. N�o tem um que me apresente?
N�o, j� est�s velhinho.
� melhor eu trazer uma amiga.
Est� bem, marco para quando?
- O tempo est� a acabar. - Sim.
- N�o vais colaborar? - D�s-me uma passa?
- Desde quando fumas? - � de impulso.
- D�-me uma passa. - N�o.
- S� uma. - N�o, vais babar isto tudo.
- Toma, leva um. - S� uma passa, nada mais.
Vou falar com o Francisco mais tarde.
Maru, o que est�s a fazer?
N�o fumes, � mau para o beb�!
Olha para ela, toda assanhada.
Nem sei quem ele �.
Ele � giro, n�o �?
Est� bem, calma. Vai correr tudo bem.
Sabes, eu pensei e prefiro...
entrar sozinha.
- Tens a certeza? - N�o, acompanha-me!
Maru...
- Por favor, ouve-me. - N�o, deixa-me ver...
Por favor, ouve. Ainda h� tempo...
Desculpa, j� foste longe demais. Isto n�o tem piada.
- N�o o fa�as. - A s�rio, j� chega.
Maru...
Ei, poupa-a.
� por ali.
Foi o que me disseram.
N�o, assim como n�o querem que aborte?
N�o fui capaz.
O qu�?
N�o me atrevi.
- Ent�o, o nosso filho est�... - Aqui mesmo! Vem por aqui!
Como assim o nosso filho? Tenho-o na minha barriga, seu palerma.
- Ranita, est�s vivo, filho! - O que se passa contigo?
- Sou o teu pai. - Larga-me!
Vou ser pai!
- Amo-vos aos dois. - N�o, cala-te.
Ningu�m ama ningu�m aqui!
Ou volto j� e aborto!
- Vou abortar. - N�o digas isso.
O nosso filho vai ouvir isso. Eles j� sentem coisas.
- Entra. - A tua m�e est� em casa?
A tua sogra? N�o est�.
Ela n�o � a minha sogra. Tomara ela.
Renato, eu e tu precisamos de ter uma conversa s�ria.
Ela � a tua sogra.
Seu sortudo!
- Merda! - A s�rio, meu.
E quando te vais mudar para casa dela?
N�o sei, ainda n�o falamos sobre isso, mas...
em breve, acho eu.
Desta vez ela estava mesmo diferente, assim como...
muito querida.
Ter o beb� � uma coisa,
mas isso n�o significa que quero alguma coisa contigo, est� bem?
Muito bem, meu. � uma quest�o de tempo. Ela j� caiu!
Sim, estivemos a falar do nosso futuro.
Foi espetacular.
N�o temos futuro como casal, por isso n�o fiques com ideias.
V�o ter mais filhos?
Acho que sim. Quer dizer, ela ainda n�o disse que sim, mas...
d� para sentir isso.
Podes crer que sim! Est�o ligados! � o universo.
Merda!
J� escolheste o padrinho?
N�o.
Ainda n�o falamos disso.
Bem, estou dispon�vel, meu.
Se quiseres, eu posso...
- Isso seria espetacular. - Sem compromisso.
N�o, claro. Feito!
Compadres, meu!
Fixe!
Agora s� precisamos da madrinha.
Porque h� sempre dois,
- mas ela que escolha. - Claro.
Sim, ela que escolha.
Podia ser, n�o sei,
algu�m, e pod�amos sair os quatro.
Os quatro na farra!
A festejar!
Podia ser a Dani ou a Pau.
Ou ela tem uma amiga ainda mais jeitosa?
N�o sei. Acho que n�o.
Que seja a Dani, ent�o. Ele � muito boa.
Lembras-te daquele vestido vermelho que ela usou no casamento?
Meu, ela n�o estava a usar suti�.
Dediquei-lhe umas quantas, tu n�o?
Nem pensar, � a amiga da minha namorada!
Est� decidido! Ela ser� a comadre.
O que � que vais fazer com ele?
- Porque n�o lhe d�s uma hip�tese? - Hip�tese de qu�?
- Apesar de tudo, ele � o pai. - Nem pensar, Paulina. Como poderia?
Vale a pena tentar.
Se ele for um irrespons�vel, acabas com ele.
Deixa-te de coisas, Paulina. Deixa-te de disparates.
N�o te podes casar com ele.
- N�o penso casar com ele. - N�o s�o disparates.
- N�o estou a dizer que se casem. - Qual � a tua ideia?
- Podiam viver juntos. - O qu�?
Ali�s, ele � lindo.
A� tens! Terias um festim para os olhos todos os dias
como uma m�e sensual.
E vais ser uma, mereces.
Ali�s, o beb� vai ser bonito.
- E isso � importante. - Por favor!
E a prop�sito, o que � que o deputado e a primeira dama t�m a dizer?
Onde conheceste este jovem?
Chama-se Renato. � o melhor amigo do Cad�ver.
- Tira o casaco. - Porqu�?
O Cad�ver?
Amigo do Arthur. O que casou com a Lau.
- Conheci-o no casamento. - Conhecemo-nos no casamento.
O Cad�ver.
Com uma alcunha dessas n�o me parece de confian�a.
Claro que �, m�e. O Cad�ver � um tipo porreiro.
- N�o �? - Sim, muito.
E qual � a celebra��o, mi�da?
Raramente comes connosco.
Est� a agir estranhamente, n�o?
Pai! � s� um amigo.
S� o queria apresentar-vos. Calma.
Ent�o s�o amigos, certo?
Estou feliz porque me pareces
muito novo para a minha filha.
- �s paneleiro, Renato? - Julian!
Claro que n�o, senhor. Nunca na vida!
Uma vez que a minha filha diz que s�o s� amigos e tal Cad�ver...
N�o sei se sabes, mas ela tem namorado.
- N�o tenho namorado. - Para com isso.
Vais voltar para ele.
- Prefiro morrer, m�e. - Ent�o �s uma tola,
porque o Juan Pablo � um bom rapaz e de boas fam�lias.
E um advogado muito bom com carreira pela frente.
Vou lev�-lo na minha campanha.
Faz grandes discursos, n�o fazes ideia.
Sim, olha, mandou-me um.
"Ol�, cabra. Espero que tenhas gostado de foder com o pequeno larilas."
�s tu. "Provavelmente ir�s apanhar uma doen�a.
Quem me dera nunca te ter conhecido. Arde no inferno, sua puta."
A lata deste gajo, juro...
Tenho mais discursos dele, se quiseres.
Porque � que esse cretino escreveu isso?
Porque � o que ele �, pai, e porque...
o Renato e eu vamos ter um filho.
- O qu�? - Estou gr�vida.
Come.
Bom apetite.
Ele � t�o novo.
Nem por isso. Ele vai crescer, n�o?
Como � que ele te vai sustentar? Do que � que v�o viver?
Ele n�o me vai sustentar, m�e. Vamos viver separados.
Como assim, separados?
Do que � que est�s a falar, Maria Eugenia?
M�e, n�o vou casar com ele.
Cometi um erro, n�o vou cometer outro.
S� queria que o conhecessem. N�o foi uma boa ideia.
N�o. Porqu�? Meu Deus, porqu�?
O que fiz eu para merecer isto?
- O que � que eu fiz? - M�e, est�s a exagerar.
Tomaste os teus comprimidos?
Porque n�o tomaste a p�lula?
Claramente, n�o �s paneleiro, cretino!
Eu disse-lhe.
Como � que aconteceu? Como foi isto acontecer?
Quer que lhe conte como foi?
Sim. N�o!
Porque a sua filha matar-me-ia.
Mas como p�de a Maru escolher-te?
Tenho o meu encanto.
- Que idade tens? - Vinte e um.
- Vinte e um, senhor. - Vinte e um?
Merda!
Andas ao menos a estudar?
- Na universidade? - Estou a tratar disso...
- N�o estou a perceber! - Houve uns problemas
com um professor e pegaram comigo!
Ele n�o gostou de mim e reprovou-me.
Por isso, para o ano, vou para a universidade.
Ent�o �s um vadiolas?
- N�o seja mau. - O que � que fazes?
- Tens emprego? - Agora?
- Sim, agora. O que fazes? - Estou num ano sab�tico.
Nunca tirou um ano sab�tico?
Mas esta situa��o muda tudo, certo?
A gravidez, o beb�.
Vou para a universidade, senhor.
E vou come�ar a trabalhar j� para poupar, percebe?
Est� tudo bem. N�o se preocupe.
Que raio de emprego vais arranjar?
Nem acabaste a escola secund�ria, cretino!
Merda!
Isto � pior do que eu pensava.
N�o � assim t�o mau.
Ol�, duas pizas.
- Ol�. - Marusita,
chega aqui por um segundo, filhita.
O que se passa?
Senta-te, queremos falar contigo.
Ent�o, querida,
o teu pai e eu fal�mos sobre a tua situa��o e...
e achamos que a melhor coisa a fazer �
esquecer aquele rapaz.
- Renato. - Como queiras.
O que aconteceu foi um erro. Eu serei respons�vel.
N�o se preocupem, n�o planeio uma vida junto dele. Acalmem-se.
Ainda bem, querida.
Nesse caso, podes juntar-te de imediato ao Juan Pablo.
- O qu�? - Ser� o melhor para ti, Maru.
Quanto mais cedo melhor, ningu�m precisa de saber.
Do que � que est�o a falar?
N�o tencionas ter o beb� sozinha, pois n�o?
- Mas o Juan Pablo n�o � o pai. - Como assim?
Para mim, � muito claro que �.
Sim, concordo.
- N�o acredito nisto. - Maru, por favor.
Confundiste as datas.
Ser� assim que nos livraremos dele.
Ali�s, ainda bem que foi para Cuba.
- Pai, o que se passa contigo? - V� l�, Maru, estamos nas elei��es.
Um esc�ndalo significa menos votos. Sim ou n�o?
Filha...
- O que foi? - Senador, parece que
o noivo, est� l� fora, bem, o pretendente,
bem, o namorado...
O qu�?
O que � que fazes aqui? Ningu�m mandou vir pizas.
- N�o? - S�o de qu�?
Tu �s mesmo um palerma.
O que foi? Vim ver a sua filha.
Ouve, tenho uma oferta para ti.
Dar-te-ei dinheiro e tu esqueces a minha filha.
- O que � que achas? - Nem pensar.
� para teu benef�cio. Ser� uma boa gorjeta.
Assinas um contrato a dizer que nunca mais a ver�s.
E j� est�. Podes entregar pizas pela cidade toda,
- como est� previsto no teu futuro. - Quem pensa que eu sou?
Vou lutar para ficar com a Maru e o meu filho.
Tu n�o tens nenhum filho, palerma.
Desaparece daqui, imediatamente.
Porque me trata assim? Eu sou o seu genro.
- Nos teus sonhos, palerma. - Como queira.
Mas sou o pai daquela crian�a, e n�o renuncio a isso.
Ouve, pr�ncipe encantado,
n�o �s bem vindo na nossa humilde casa.
N�o gosto de ti, a minha esposa n�o gosta de ti,
a minha filha n�o gosta de ti.
At� o Boris, o c�o, n�o gosta de ti.
S� um homem! Tem dignidade, palerma.
O que se passa contigo? Porque falas assim?
- Vai para dentro. - Porque lhe falas assim?
Volta para dentro, Maru.
- Maru. - Vamos.
- Onde? - Vamos.
Sobe para a mota.
Maru, n�o subas para essa mota.
N�o?
V� s�.
N�o est�s a usar capacete.
Sim, aqui est� o capacete. P�e.
Maria Eugenia, est�s gr�vida! N�o sejas irrespons�vel, por favor!
CENTRAL DE PIZAS
Agarra-te bem!
Renatito, eu disse-te para usares preservativo.
O que � que vais fazer?
Como assim? Vamos ter o beb�.
Vou abrir uma conta com o meu sal�rio.
E eu tamb�m trabalho, e estou a safar-me bem, por isso...
Isso � bom, filha, porque
n�o acho que o Renato te possa sustentar.
N�o, essa n�o � a ideia, senhora.
E onde � que v�o viver?
- Estamos a tratar disso. - Estamos a ver, sim.
Sabes que podes viver aqui, filho.
Mas deixa que te diga uma coisa.
Mas tens de ajudar nas despesas.
- N�o posso acartar com tudo. - Obrigada, senhora, a s�rio,
muito obrigada. Mas ficarei na minha casa
e o Renato ficar� aqui consigo.
Isso n�o vai mudar, n�o se preocupe.
O que decidirem. N�o interfiro, � convosco.
Vou para a cama, estou muito cansada.
D�i-me o c�ccix.
Est� bem.
Podem jantar se quiserem.
- Obrigada, senhora. - Obrigado, m�e.
Se quiseres dormir aqui, n�o me importo.
Fechem a porta e n�o fa�am barulho, est� bem?
N�o precisam de mostrar o que os outros n�o t�m. N�o sejam maus.
Maru, anda c�!
- N�o, amanh�, por favor. - Anda c�!
Quero ir para a cama. Estou cansada
e tenho uma reuni�o de manh�. Por favor.
Maru, o teu pai est� a falar contigo.
- O que foi agora? - O que � que vais fazer?
N�o sei. N�o sei o que fazer. Preciso de pensar.
Bem, n�o tens muito tempo, filha.
Maru, reconsidera o Juan Pablo.
M�e, isso n�o vai acontecer. Est�s maluca?
N�o. Ent�o n�o me deixas outra alternativa.
- O que est�s a dizer? - Ter�s de casar
- com o rapaz da piza. - O qu�?
- N�o � fixe, pois n�o? - Pois n�o.
Foste apanhada de surpresa, filha?
Maru, n�o podes ser m�e solteira.
N�o vou casar com ele ou seja com quem for. O que se passa convosco?
Volta para o Juan Pablo
e acaba com isto sen�o ter�s de casar com o outro.
- Nem um nem outro! - Ou um ou outro, escolhe!
E se eu n�o quiser?
O qu�? N�o sei,
podemos tirar os fundos da Funda��o.
- Como? - N�o podes fazer isso.
Claro que posso. E posso fazer coisas piores.
Sabes isso muito bem. E tu tamb�m.
Ando a trabalhar nesse projeto h� um ano.
N�o me podes fazer isto, pai.
O que tem a ver o meu trabalho com isto? M�e, por favor.
Foi o que eu disse, filha.
O que � que isto tem a ver com aquelas crian�as pobres?
Sem ajuda, abandonados, com os olhos remelosos...
� desumano, filha. Desumano.
Por favor, pensa nisso, querida, antes que se comece a notar.
N�o acredito nisto.
N�o, eu n�o acredito!
Maria Eugenia, anda c�!
Pensa bem!
E quando decidires
avisa-me.
- Isso � extors�o, Maru. - Eu sei.
- O que posso fazer? - Diz-lhe para ir bugiar.
Sabes quantas crian�as a Funda��o apoia?
Sim, mas casar com um tipo que sabes que n�o � a melhor op��o...
Ali�s, o teu casamento, iria parecer-se com uma primeira comunh�o.
O gajo � mesmo teso? Porque n�o parece.
� pior que isso. Caso-me com ele e acabo por viver na "Vila Mis�ria"
com a m�e dele, a stripper.
Ena! Que horror.
Talvez...
eu tenha de...
casar contigo.
Sim, est� bem. Perfeito.
Sem problemas!
- Daqui a duas semanas... - Ouve-me!
Os meus pais est�o a for�ar-me.
� por isso que o estou a fazer.
Porque, se n�o casar contigo ponho em causa muitas coisas
e n�o poderia nem comprar leite para o beb�.
Porqu�? Tu trabalhas, eu tamb�m.
- Estamos nisto juntos. - N�o digas parvo�ces. Ouve.
Eu trabalho numa Funda��o que ajuda crian�as necessitadas.
Vivemos de donativos de v�rias organiza��es.
E o meu pai � um dos maiores patrocinadores.
Se ele tira o dinheiro, as crian�as ficam sem abrigo
com fome, incluindo o nosso.
E n�o podemos aliment�-lo com piza, pois n�o?
- N�o, acho que n�o. - N�o, claro que n�o.
Por isso, estive a pensar.
E acho que � boa ideia se n�s nos tornarmos
s�cios.
- Como assim, s�cios? - Sim, s�cios.
Assinamos um contrato. Alguns chamam-lhe de "casamento".
Mas isso n�o me interessa. N�o significa nada para ti.
- N�o h� nada entre n�s. - Espera um pouco, Maru.
N�o entendo. Porque vens aqui, d�s-me esperan�as,
dizes que me amas, que queres casar comigo?
Espera. Eu n�o disse que te amava.
N�o te estou a dar esperan�as.
Por um grande acaso, engravidaste-me
e agora temos de casar. S� isso!
Isto � resultado de uma loucura passageira
misturada com muita merda. Por isso, n�o fiques confuso.
Se o fa�o, � por interesse. E n�o necessariamente por ti.
Est� bem?
Raios!
Raios!
Est�s a partir-me o cora��o, de verdade.
V� l�!
Quantas vezes te disse?
Para com as merdas, Maru.
S�cios?
S�cios.
- S�cios! - Vou pensar nisso.
- J� pensaste? - Estou a pensar.
S�cios! Isso s�o tretas!
- O que devo fazer? - Faz uma festa total.
Como em Acapulco.
O oceano, a praia, um par de mi�das.
A s�rio, meu.
O que deves fazer? N�o � este o teu sonho?
Estar com uma rapariga mais velha como a Maru?
Sim, mas n�o assim, contra a vontade dela.
N�o como s�cios. O que raio � isso?
Calma, meu, ela est� a fazer-se de dif�cil,
mas d� para ver a milhas, que ela est� interessada em ti.
- Achas? - S�o todas iguais, meu.
E sabes qual a melhor parte?
Disseste-lhe que ias pensar.
Sabes do que � que n�o gostei? Ela disse que viver�amos separados.
Ent�o, para qu� casar? Tretas.
Deixa ver. N�o disseste que os pais dela s�o conservadores?
Eles nunca aceitar�o isso.
- N�o v�o, pois n�o? - J� disse que n�o.
Alinha no jogo dela
e ver�s.
Mas n�o lhe d�s muita aten��o.
Apenas ignora-a.
Achas que a Maru s� me quer usar?
Raios, Rana.
Para com isso! Casa-te e depois logo se ver�.
No pior dos casos, divorcias-te e isso � bom,
porque ficas com metade de tudo.
Espera. Ningu�m aqui falou em div�rcio.
Bem, isso n�o vai acontecer. N�o � o que queremos.
Ei, Rana, concentra-te.
Quem � que foi a tua casa procurar-te?
- Foi ela. - Foi ela.
E quem pediu para casar.
- Bem, foi ela. - Foi ela. E ainda assim, duvidas?
N�o fazes ideia, meu.
Ela tem necessidades. Ela est� desesperada.
Ela n�o vai chegar a ti e dizer,
"Ei, pequeno sapo, estou excitada!
Quero que fa�as amor comigo aqui! D�-me com for�a!"
Isso n�o vai acontecer. Ela � pretensiosa, eu conhe�o esse tipo.
Isso n�o vai acontecer. Ela est� � procura de uma maneira.
Fica esperto! N�o fazes mesmo ideia.
Tens raz�o, meu.
Cad�ver, tens raz�o!
E, sabes que mais?
- Vou dizer-lhe que sim. - Feito.
Teremos uma despedida de solteiro como nunca antes vista.
Arranjarei erva da Col�mbia. Vais ver.
N�o, meu.
N�o v�s que vou ser pai?
E? J� verifiquei, n�o vai afetar o beb�.
N�o, mas � um mau exemplo para o puto.
N�o quero que cres�a um drogado.
Ele ainda nem nasceu.
- Uma �ltima passa. - N�o.
- A �ltima. - J� disse que n�o.
- A do adeus. - N�o!
O que vais dizer ao pequeno sapo?
- Que pequeno sapo? - O teu filho, meu.
- Rana, Ranita. - Quando ele chegar e perguntar:
"Pai, como conheceste a m�e?"
- Percebes? - Sim.
- N�o, meu. - O que � que vais dizer?
"Conheci a tua m�e num casamento,
eu e o Cad�ver, o teu padrinho, furamos esse casamento.
E apanhamos uma bebedeira,
e fomos para a praia nus.
A tua m�e estava muito b�bada e fizemos amor no quarto dela,
e por tua causa, cas�mo-nos."
N�o, meu, assim n�o.
N�o � fixe.
Assim traumatizar�s o Ranita.
Isso � verdade.
E se fiz�ssemos um v�deo?
Um v�deo?
- Maru... - Espera um pouco.
Temos de ter uma hist�ria. Porque a nossa n�o presta.
N�o h� hist�ria. Para de ter essas ideias.
J� chega, por favor.
� por isso que temos de inventar uma.
Uma que seja bonita, como tu.
O Ranita vai querer saber como nos conhecemos.
Sobre o nosso primeiro beijo.
Quando te dei o anel.
O nosso casamento.
Isso vai acontecer, mas temos de gravar, certo?
A nossa lua-de-mel e tal.
- Fixe. - Lua-de-mel? Pois.
Vou ter de pensar nisso, rapaz das pizas.
Porque me chamas de rapaz das pizas?
Desculpa, Renato.
Estou a fazer isto pelo nosso beb�.
N�o o fa�o por mim.
Desculpa, mas o que dizes n�o faz sentido algum.
J� te disse, Maru. � pela crian�a.
Continua a ver a tua novela.
� uma s�rie.
A��o, Maru!
N�o.
N�o, Maru. Corta!
- O que foi? - O que foi isso?
Eu fiz o que me pediste. Andei, virei-me e disse n�o
- e virei-me. - Estavas a exagerar.
Parecia uma novela. N�o est� fixe.
Est�s a dizer que sou uma m� atriz?
Vamos ver se tu consegues.
- Espera, calma. - Estou calma.
Est�s bem. N�o mexas no cabelo.
- Vamos fazer outra vez. - Est� bem.
- Diz-me quando estiveres pronta. - Estou pronta.
Credo, ele pensa que � realizador de cinema. Pronta.
Est� bem, a��o, Maru!
Est�s calma, a pensar encontrar os amigos no caf�.
Sentes-te estranha.
Viras-te lentamente.
E este gajo, o que ele quer?
N�o me pare�o assim t�o perigoso.
De facto, at� gostas de mim e relaxas.
Que sorriso lindo.
Continua a andar, mais relaxada agora.
�s muito pretensiosa, n�o?
E dizes, "N�o, nem pensar!"
O que se passa, Maru?
Isso!
Agora est�s a improvisar.
Agora j� nos conhecemos melhor. Come�as a soltar-te.
Namorisca um pouco.
Ela parece ainda mais bonita.
ALFAIATARIA SILVA VESTU�RIO � MEDIDA - DAMAS E CAVALHEIROS
Faz tu. J� te beijei.
Corta!
Corta!
Corta!
Raios, Rana. �s um grande ator.
E tu, Maru, brilhaste.
J� percebi agora.
Sabes bem beijar, minorca.
Ol�!
Abre.
Abres ali.
O qu�? Vais ter um casamento religioso?
Claro. � melhor.
N�o percebo. Como assim, melhor?
O qu�? Sem casamento civil?
- Claro que n�o. - Porqu�
Foi ideia do meu pai.
E se te quiseres divorciar daqui a duas semanas?
Precisas de advogado e de todo o trabalho chato de burocracia.
Sabes onde � o tribunal? Em Arcos de Belen.
Ser�s assaltada.
E para n�o falar, se o rapaz da piza n�o aceitar o div�rcio?
N�o tinha pensado nisso.
- Boa ideia. - �, n�o �?
Sim.
O que se passa com os conselhos do teu pai, Maru?
E? Gostaste dos convites, ou n�o?
- Sim, s�o simp�ticos. - "Simp�ticos".
- Foste tu que os desenhaste? - Sim, fui.
Claro, achas que eu faria algo assim t�o empertigado?
- Ei, sabes que mais? - O qu�?
�s a primeira de n�s as tr�s a casar-se.
Raios!
A� est� o tesourinho. Sou f�.
N�o te esque�as de filmar a entrada da Maru, por favor.
- Calma. - Estou a confiar em ti.
Trouxeste outra cassete para a c�mara?
Trouxe. Agora, acalma-te.
N�o consigo, meu. Isto assusta-me.
Isto � mais dif�cil do que um exame falso.
- Acredita em mim. - Aguenta-te.
Tu consegues, meu.
A� vem ela, meu. Vai!
Saiu-te a sorte grande, sem comprares bilhete, cretinozinho.
J� chega.
Uma salva de palmas para a noiva!
Hip, hip, urra!
A noiva!
- Pai, tens de o abra�ar. - O qu�?
- Tens de o abra�ar. - A mim?
J� est�.
Continua.
Plutarco, para este lado, champanhe.
Para este lado, as coisas baratas.
Est�s bem?
Maru, tem a certeza que quer continuar com isto?
Sim.
Padre, eu gosto deles novos.
Continue, padre.
Irm�os, estamos aqui hoje para celebrar o santo matrim�nio
da nossa irm�, Maria Eugenia Lamacona de la Barquera,
e o nosso irm�o...
- o Sapo. - O Sapo?
Renato.
- Renato qu�? - Zamarripa.
Zamarripa.
O nosso irm�o, Renato Zamarripa.
No in�cio, Deus, criou o homem e a mulher.
Por isso, o homem deve renunciar ao seu pai e m�e
e juntar-se � sua esposa.
A palavra do Senhor.
E devem ser apenas um s�.
O que Deus uniu, nenhum homem poder� separar.
O noivo pode beijar a noiva.
Beijo!
Beija-me, palerma.
Sim, conseguimos!
O casamento correu bem, n�o correu?
Sim.
Que estranho, nem acredito que estou casada.
Bem, adeus, esposa.
Adeus, marido. Tem cuidado.
Falamos mais tarde.
- Sim, no WhatsApp. - Est� bem.
Adeus.
Adeus.
Toma bem conta deles, Plutarco.
Querida, trouxe um dos centros de mesa.
E uma pequena gaiola...
- Conduz com cuidado. - ...para o can�rio.
Sim, menina.
Senhora. Mesmo que n�o durmam juntos,
ela agora � uma senhora.
Pois �.
Vamos.
O que mais me irrita � que este coitado n�o p�de apreciar tudo.
Olha para ele. Parece que foi a um vel�rio.
Mas sem o funeral, certo?
Plu, fazes-me rir.
Gosto mesmo de ti.
Bem, a noite � longa, como se costuma dizer.
E n�o � todos os dias que te casas.
A quem o dizes. Nunca me casei.
O que disse?
Sobre o qu�?
Bem,
ele deveria divertir-se um pouco.
Sei que te lembrar�s
Tenho a certeza absoluta
Ir�s ver outro amanhecer
Outros bra�os e pele
Mas nunca amor verdadeiro
Como o meu!
Tudo o que te dei
A minha vida, o meu eu todo
Amei-te com a minha alma
Mas estava enganado no teu amor
N�o tens sentimentos
Eu irei...
Esquecer-te
Irei esquecer-te Juro por Deus
Ir�s sofrer, ir�s chorar
Para sentires o que sinto...
Raios te partam, Maru!
Ir�s lembrar-te
Dos beijos que demos
E ir�s voltar
Ao lugar onde nos conhecemos...
Acapulco!
Sei que te ir�s lembrar...
Ele est� morto por ir para casa.
Est�s melhor agora?
Toma. Leva isto.
Espera! Ele est� a conduzir!
- Uma inspe��o de rotina. - Claro, sr. agente.
Quantas bebidas tomou?
S� duas. Est�vamos com calma.
Pois.
E voc�, jovem? Como foi a festa?
Espetacular.
E a prostituta?
Onde � que a apanharam?
Ela n�o � prostituta, � a minha m�e.
Achas que �s algu�m, s� porque usas a farda.
Calma, Rana.
Deixa-o comigo, filho. Eu trato dele.
Parceiro!
- A quem est� a chamar isso? - Espera, Rosi!
- Est� a chamar-me de puta? - N�o.
- Com todo o respeito, senhora. - Voc� desrespeitou-a!
Voc� desrespeitou-a!
Parceiro! Chama por refor�os! Com esta Diva, perto de Garibaldi.
� isso.
Sou uma senhora e mere�o ser tratada como tal.
Al�?
Podem trazer refor�os para este maricas?
- Este mariquinhas. - Vamos resolver isto.
Pare, senhora. Calma.
J� chega.
Preciso de refor�os aqui com esta Diva, perto de Garibaldi. R�pido!
Sou o deputado Lamacona e estou aqui por causa da Diva de Garibaldi
e do filho dela.
Sim, por favor, est�vamos � sua espera.
Senhor Deputado, por favor.
Espera aqui, filha.
- Pai... - N�o te envolvas.
Est� bem, um, dois, tr�s e...
Plutarco.
Desta vez lixaste tudo. Perfeito.
Deputado, s� tom�mos duas bebidas, mas n�o pass�mos o alcool�metro.
Falamos mais tarde.
Algu�m gravou isto?
- N�o, ningu�m gravou nada. - Cala-te, palerma.
Abra a porta.
Eu sabia. Pessoas de primeira classe.
Pessoas de cima.
Por aqui.
Sogro, fico a dever-lhe uma.
N�o, espera um pouco. Recuem.
De qualquer forma, lembrem-se, Lamacona para Senador.
Lamacona para Senador.
Iremos lutar por igualdade de g�nero.
J� sabem isso.
Agora feche.
- Maricas. - Lixem-se, ingratos!
Obrigado, querido.
- Est� tudo a�, certo? - Sim.
Obrigado.
Que grande farra!
Foste comemorar?
- Mais ou menos. - Maru...
- � o que acontece quando n�o me convidas. - Maru!
Obrigado.
Trouxeste esta m�quina!
N�o, senhora.
- V� l�. - O que se passa contigo, pai?
Est�s bem?
Pai, o que est�s a fazer? Vamos dar-lhes boleia.
� um carro desportivo. S� cabem dois.
Sim, sogro, n�o se preocupe, n�s entendemos.
OL�, MARU. PRECISO QUE VENHAS C� A CASA. PODES VIR?
A vista � linda, n�o �?
Era por isto que me querias ver, para admirar a vista?
Vamos em lua-de-mel, Maru.
Olha, todo assanhado. J� percebi.
�s louco.
Porqu�? J� estamos casados?
Foi um casamento a fingir.
- N�o te esque�as disso. - A fingir?
Desculpa, mas para mim e para os outros, foi real.
Sim? E o que � que digo no trabalho?
Vejo-te por a�.
Vou em lua-de-mel com o rapaz das pizas.
Est� bem, continua a gozar, sua parva.
Desculpa, mas todos t�m lua-de-mel.
Est� bem, para onde me levarias?
At� Tepetongo, acho eu.
Para as piscinas de Las Estacas?
- A onda? - Para com isso.
- Para a praia. - Pois.
- Seria bem fixe, certo? - J� percebi. Claro.
Queres enroscares-te comigo outra vez.
V�s, apanhei-te. Claro.
N�o. Tudo o que quero � continuar a fazer o v�deo.
Para que o Ranita veja o v�deo da nossa lua-de-mel.
Claro. Que consider�vel tu �s.
Consider�vel?
Sabes que mais? Se n�o quiseres, n�o venhas.
Quando o teu filho perguntar onde foste na lua-de-mel, o que vais dizer?
Que o pai dele era um pregui�oso e que n�o me levou a lado nenhum.
E n�o leves a mal.
Se queres ir para a cama comigo, diz logo. Sem problemas.
Isso � o que tu queres agora.
N�o precisamos de viajar para isso.
Podemos faz�-lo agora, aqui.
- Aqui? - Sim, no telhado.
A s�rio?
�s igual aos outros.
S� tens sexo na cabe�a. Juro.
Sabes que mais, foste longe demais. Para com isso!
Nem carro tens, como me levarias?
Raios.
Convence-me, meu.
Anda l�, seduz-me.
Tens de ir para a frente. N�o fazes ideia.
Maru, faz as malas, eu trato do resto.
- Assim, sem mais nem menos? - Sim.
Faz as malas.
A s�rio?
- O que tem de mal? - Onde � que arranjaste isso?
� do Regresso ao Futuro.
V� l�, pedi emprestado ao Cad�ver.
Se calhar roubou-o. N�o chegar� a Iguala.
Devias ter-me dito, vamos no meu carro.
N�o, vamos neste.
Verifiquei-o todo, est� prontinho.
Pneus, �leo, tudo.
Ali�s, quero mostrar-te que come�amos por baixo.
Este tipo � qualquer coisa.
Nem todos come�am assim tesos. Alguns n�o precisam.
Mas eu sim, entra.
Raios, Rana. Eu disse-te!
Raios, Renato, eu avisei-te, palerma.
Raios, Rana. Eu disse.
Desculpa, Maru, por favor, n�o agoires.
- O beb� ouve-te. - N�o havia necessidade, pois n�o?
"Eu verifiquei-o.
N�o, eu verifiquei, est� tudo bem."
Bem, e verifiquei mesmo.
Sim, v�-se.
Merda!
Raios te partam, Cad�ver!
Raios.
Eu era feliz
Com o meu namorado e carreira
N�o percebi quando � que a minha vida mudou
E agora estou encharcada de suor
No meio de nenhures Gr�vida deste falhado
Que pesadelo, que semana
Acabei com um sapo
Quero voltar atr�s em tudo
Mas n�o, filha, ir�s casar-te
Tudo porque ele entrou no meu quarto
Isto � espetacular.
Este lugar � fant�stico.
Sim.
Achas-te inteligente. Porque � que s� h� uma cama?
O qu�?
S� h� uma cama.
N�o h� quartos com duas.
A s�rio?
Estavam todos ocupados.
Muito bem!
Este era o �nico.
- Azar do cara�as. - Azar do cara�as.
Ficas com a rede, querido.
O qu�?
A rede.
A s�rio?
Os quartos duplos est�o ocupados, certo?
Podes vir para o quarto se quiseres.
N�o, deixa estar.
Como queiras.
Porque est�s a fazer tudo isto, Renato?
Pelo nosso filho.
S�?
Sim, s�.
- Maru, onde estamos? - Nas ilhas Fiji!
Isso n�o � verdade.
Perto de Acapulco.
E o que estamos a fazer?
Estamos na nossa lua-de-mel!
Este peixe � delicioso!
O teu pai pescou-o.
Foi nadar esta manh�
e trouxe para eu e tu comermos.
O problema agora �, quem vai pagar a conta.
Foi uma piada.
Calma.
V� l�.
Tamb�m tens de aparecer no v�deo.
Para de gravar.
J� chega, Maru.
Paga a conta.
Sa�de!
�s t�o bonita.
Sa�de, amigos!
Anda c�! Mais perto!
Mais perto!
Renato!
- E ent�o? - O que fazes com estas putas?
- S�o minhas amigas. - Ela � tua namorada?
� a minha s�cia.
N�o, n�o sou a s�cia dele. Sou a esposa dele, cabra.
Vou ter um filho dele. Percebes?
Vais ser pai?
- � o que ela diz. - �s muito novo para isso.
- Est�s de quanto tempo? - N�o me toques, sua porca.
Vamos, Renato.
Porqu�?
Porque eu estou a dizer.
Ouve a tua m�e. Vai com ela, pequenote.
Cala-te, drogada.
Volto j�.
Volta, o cara�as.
- Eu arranjo maneira. - N�o te demores.
Obrigado.
Ela � de Espanha. Cumprimentam-se com dois beijos.
Aqui chamamos-lhe b�nus.
Eu trago mais cerveja.
Adeus, bonit�o.
Ele � todo jeitoso.
Sa�ste-me um grande anormal.
Como todos os outros.
N�o somos nada um ao outro.
N�o? Somos casados, caso ainda n�o tenhas reparado.
Disseste que era a fingir.
Isso n�o interessa.
Vieste comigo e tens de me respeitar.
Sim, vim contigo.
- Est�s com ci�mes. - Ci�mes?
- N�o te percebo. - Querido!
N�o, querido, nem nos teus sonhos.
- Ent�o, n�o tens ci�mes? - N�o.
Vou ter com a rapariga espanhola, ela era toda boa.
Aonde � que vais, seu palerma?
Fica aqui! Anda c�!
O que se passa contigo?
Pensava que n�o querias saber.
N�o me interessa com que fazes com a tua vida.
- E? - � uma quest�o de respeito.
Vieste comigo, ficas comigo.
Estamos numa praia deserta. E se algu�m chega?
Estou sozinha...
�s um irrespons�vel.
Est� bem, Maru, calma.
Quando adormeceres, eu vou.
E eu corto-te os tomates.
Olha...
O que se passa?
N�o est� a faltar algo nesta lua-de-mel?
N�o, gravei tudo.
Tens a certeza?
Sim.
Anda c�.
O que foi?
Foi um pequeno deslize, est� bem?
N�o vai ser sempre assim.
Foi s� para de um pouco de realismo.
Est� bem.
M�sica?
Desliga essa porcaria!
Est� bem.
Est� bem.
N�o � culpa minha.
Estava a dar.
SEIS QUILOS MAIS TARDE
- O que foi, doutor? - O que foi?
Querem saber o sexo do beb�?
N�o, � melhor n�o.
Sim. Sei que � um rapaz.
Est� bem, diga-nos.
Veem isto aqui?
� uma pilinha.
Claro que �!
- Isso? - Desculpe, doutor!
Aqui!
Eu sabia. Eu sabia desde o in�cio. � um rapaz.
Parab�ns.
Tem certeza de que � isso mesmo?
Maru, � um rapaz.
Continua.
- Agora? - Sim.
Ol�, querido.
Estou?
Estou, Rana. Lembra-te que hoje � a aula de profilaxia de Lamaze.
O qu�?
Profilaxia de Lamaze, Rana. Falo disto h� meses.
Est� bem.
Est� bem, encontro-te l�. � muito importante.
� uma coisa de casais.
Sim, encontro-te l�.
Adeus.
E ent�o, Rana?
Meu, preciso que me fa�as um favor.
Oito semanas de prepara��o,
- para uma experi�ncia... - Boa tarde.
Ol�.
Ol�, menina.
Entre, se quiser. Por ali.
Estamos a come�ar. � o seu marido?
Nem pensar! O que fazes aqui?
Mais tarde. Poso tirar os sapatos?
- Sim. - Feito.
Onde est� o Renato?
Apareceu algo, mas estou aqui.
Desculpe, podemos continuar?
Por favor...
- Sim, desculpe. - Sim, est� bem.
O que temos de fazer?
Est�vamos a falar sobre humanizar o parto.
- Humanizar? - Sim.
No que diz respeito � mulher...
O que � que aconteceu? O qu�?
Respeita a mulher.
- O desejo dela. - O desejo dela.
Cala-te. N�o �s a professora.
� isso. Sintam a gravidade. Sim.
Onde coloco as m�os?
Depois levantamos as quatro
e descansamos os bra�os.
Olha. Pressiono e solto.
Por favor, diga-lhe para me deixar em paz.
O qu�?
Aqui, nas costas. Com a m�o toda, n�o em suspenso.
- Ajuda-me? - Sim, ajudo.
- Espere. - Para onde vai esta m�o?
Espere. Vou-lhe mostrar como. Aqui, na anca.
- Aqui mesmo, e depois pressiona. - Est� bem.
- O que se passa contigo? - Estava nervoso.
Maru?
Estou?
Estragaste tudo, palerma!
Espera, Maru.
Raios.
Est� bem.
Ol�. Encomendou uma piza de pepperoni e duplo queijo?
Ainda est� quente?
Caramba!
N�o tem troco mais pequeno? N�o trouxe moedas...
Querido, tens trocos?
Querida, disse-te que n�o queria piza, estou de dieta.
Apanhado!
N�o fiques com ideias. Ela � a minha irm�.
Claro que �.
E eu sou o Cristiano Ronaldo, certo?
- Conhecem-se? - Sim.
Vejo-o mais tarde, sogro.
Espera. Anda c�.
Anda c�, seu cretinozito!
Olha todos estes presentes, Ranita! Que simp�ticos da parte deles.
Eles ama-te.
Os teus tios e tias.
A tua av�.
Ol�, vov�.
Vou dar um ol�, com licen�a.
- Agora n�o, eu... - Tu o qu�?
- Estou a ter mem�rias. - Ei, Renato.
Renato, filho. Anda para aqui com os homens.
Ouve, pensei muito e
quero que fa�amos as pazes.
A s�rio?
Porque haveremos de continuar a discutir?
Tem raz�o.
Achei que se a Maru e tu se amam,
quem sou eu para me intrometer?
Que o amor prevale�a!
Ali�s, apercebi-me de que �s um bom rapaz.
A s�rio?
E quando � que se apercebeu disso?
Ontem � tarde, n�o te fa�as de parvo.
Claro, na casa da sua irm�.
Exatamente.
N�o a trouxe para aqui.
- Ela teria gostado. - Baixa a voz, cretino.
Ouve, eu deixo-te em paz e tu n�o viste nada, est� bem?
Ali�s, quero que te despe�as da pizaria e venhas trabalhar para mim.
O que queres? O partido? O Senado?
Combinado?
N�o sabes com quem te metes, palha�o!
Estou a brincar.
N�s falamos assim.
O que � que lhe disseste?
Nada.
Disse que dever�amos fazer as pazes, mas n�o.
Sim, n�o me digas.
Se n�o acreditas em mim, pergunta-lhe.
Disse-lhe que n�o me metia entre voc�s,
se ele deixasse aquele emprego das pizas.
Eu disse, "Rapaz, anda trabalhar comigo no Senado, no partido."
Mas n�o, o palerma ficou ofendido e foi-se.
N�o sei porqu�, mas n�o acredito num palavra.
V� l�, filha.
Porque � que mentiria?
Achas que consegue te sustentar ao entregar pizas?
Maru, querida, pensa bem.
N�o estragues a tua vida por causa daquele rapaz.
Porque me for�ou a casar com ele?
Eram as elei��es, Maruzita!
Por favor, pensa nisso.
Precis�vamos de estabilidade social.
E o que � que querias? Ser m�e solteira?
Claro que n�o. Era o m�nimo que podias fazer depois do teu erro.
Erro � viver com voc�s nesta idade
e permitir que me chantageiem.
A porta est� aberta se n�o gostares.
Sim? Bem, n�o gosto.
Porque tratas o Renato assim? Ele n�o te fez nada.
Achas que o teu dinheiro e influ�ncia podem manipular
- e comprar as pessoas? - Sim.
Sim? Encontraste algu�m que n�o se deixa comprar.
- Maru, querida. - Deixa-a ir.
A birra passa-lhe.
UM POL�TICO COVARDE
Podes dar-nos abrigo?
Entra.
Obrigada.
E onde � que vive esse cretino?
Nos sub�rbios, senhor.
Na periferia da cidade.
Merda!
E quando � que ela saiu?
Ningu�m sabe a que horas foi?
Ontem � noite, acho eu.
Hoje, quando fui ao quarto dela, j� n�o estava.
E foi para correio de voz, outra vez.
Deixa. Plutarco.
Senhor?
Certifica-te que a menina est� com o cretino.
Sim, senador.
Faz isso direito.
Adeus. Beijo.
Quero que d�s uma boa tareia a esse cretino,
- mas n�o deixes marcas. Est� bem? - Sim, senador.
E que ningu�m grave. Sem telem�veis.
N�o quero problemas.
Quarta-feira.
Tenho aqui, para o caso.
Ol�.
Bom dia.
Obrigada.
De nada.
O que est�s a fazer?
Estou a terminar o v�deo.
A s�rio?
Queres ver?
Esta hist�ria come�a assim...
E depois...
Encontrei-te.
Como podes ver, ainda n�o nasceste.
Mas j� �s o mais amado beb� do mundo.
- Amamos-te, Ranita. - Muito.
Esta hist�ria... Espero que continue.
Obrigada.
Podes perdoar-me?
Tratei-te mesmo muito mal.
Tenho sido uma parva.
Queres ser o meu namorado?
Mas agora a s�rio, est� bem?
- Sim. - Sim?
Quero.
Ol�, Plutarco. Como est�s?
Ainda bem que a encontro. Est� tudo bem?
Sim, est� tudo bem.
Os seus pais mandaram-me procur�-la. Est�o muito preocupados.
Est� bem, agora j� viste que est� tudo bem.
Diz-lhes ol� por mim.
Raios.
O que se passa, meu?
O senador est� muito chateado.
At� me pediu para te dar uma tareia.
Mas eu disse: "Calma, senhor.
O Rana � um bom rapaz. A sua filha est� em boas m�os."
Boa, meu.
- � para isto que servem os amigos. - Podes crer. Fixe. Obrigado.
E o que anda a fazer a Rosi?
Quem?
Rosi!
Est� ocupada, a tratar da roupa.
- Percebo. - Sim.
- J� tomaste pequeno-almo�o? - Sim.
Boa.
Bem, despede-te dela por mim.
Claro.
- Temos de o fazer de novo. - Est� bem.
- Mas da pr�xima vamos de t�xi, - Para n�o facilitar.
Sim, passaste-te mesmo naquele dia.
Eu digo ao senador que est� tudo bem com a Maru.
E que te deixei uma lembran�a.
Para que me cubras com isso. E para que ele relaxe.
Meu, �s o maior.
Obrigado por ajudares.
Vemos-nos depois.
Onde vais?
- Vou-me embora! - O que est�s a fazer?
� por ali.
Pois.
Fixe. At� mais.
Aquilo n�o resultou.
Renato, o que est�s a fazer?
A estudar, chefe.
Queria saber se podia chegar mais tarde.
Tenho um exame amanh� �s oito da manh�.
Com esse acabo a escola secund�ria.
- Um exame? - Sim.
- Escola secund�ria? - Sim.
Seu desgra�ado. H� uma entrega para Anzures.
- Vai logo. - Mas posso atrasar-me?
Depois vemos isso. Depressa.
Estou?
Rana, rebentaram as �guas.
Que �guas?
As minhas! Vais ser pai!
A s�rio, Maru. Ainda n�o passaram nove meses.
Eu sei!
Filho, o puto adiantou-se.
Eu levo-a para a cl�nica de t�xi.
Est� bem, m�e.
- Se come�ares a ter contra��es. - Sim.
Vai.
Vai ter de entregar a piza!
Vou ser pai!
- Vais ser pai? - Sim!
Parab�ns!
Respira!
O beb� est� a caminho.
Nem pensar! N�o me sujem os bancos.
Cala-te!
Rosi, liga aos meus pais. Informa-os.
Fiquei sem saldo. Detesto isso.
Hospital Pedi�trico "Dolores Sanz"
� aqui!
J� vai.
- D�-me o cart�o. - Tenho-o aqui.
N�o, o seu n�o.
O da m�e. Ou tamb�m vai dar � luz?
- Pare�o-lhe gr�vida? - N�o sei.
E quem me vai pagar?
N�o v�s a merda toda que est� aqui a acontecer?
Poupa-me.
S� a atendo se ela tiver o cart�o.
Se quer dar � luz, tem de ter cart�o.
Sen�o, n�o posso prestar-lhe nenhum servi�o.
Pr�ximo!
Pr�ximo, por favor!
Pronto. Est�s bem?
Filho, esta cretina n�o quer atender a tua esposa
porque ela n�o tem cart�o.
O que � que me chamou?
Ela n�o tem cart�o e a senhora tem raz�o.
- Anda. - O que podemos fazer?
Vamos a um m�dico. Vamos sair daqui para fora.
Sim. Espera. A tua mala.
O qu�?
Sogra, mudan�a de planos.
Vamos para o hospital irland�s.
Traga o cart�o dela.
Est� bem, sim. Eles v�o para o hospital irland�s.
- Despacha-te. - Pensei que era a seguran�a social.
- Plutarco, vamos. - Est� bem, agarre-se bem, senhora.
- M�e! - Est�s bem?
Est� tudo bem, querida? D�i?
Menina, a minha filha est� prestes a dar � luz.
Por aqui, por favor. N�o!
- Desculpe, mas n�o pode entrar. - Porque n�o?
- S� o pai. - E?
Ele � o pai. Deixe-o entrar.
Desculpe, pensei que era o irm�o mais novo dela.
Por aqui.
Ei, ele � o pai.
Maru!
Calado. Para a sala de partos.
- Ela vai dar � luz. - Ser�o sete meses, senador.
N�o, porque ela chegou ao limite. As �guas dela rebentaram.
A s�rio?
Pessoas ricas.
Respira.
Puxa.
Isso.
Boa, est� a chegar.
J� nasceu.
Como est� a minha filha?
- Est� bem. - S� bem?
Sim, n�o se preocupem.
Doutor, como � que correu?
Como sabem, o beb� � prematuro.
Mas correu tudo bem.
A sua filha est� no recobro e j� lhes trazem o beb�
para o conhecerem.
- Est� bem. - Ele � giro.
Parece-se com ele.
Ol�.
O que se passa, filho?
- Senador. - Que foi?
N�o, nada.
Que diabos, Rana. Pensei que ainda t�nhamos duas semanas.
Ele veio mais cedo.
A� vem ele.
Aqui est�!
Chin�s.
Ele � lindo.
Menina, por favor, uma pergunta.
N�o trocaram o beb�?
Nem pensar, senhora.
Este � o beb� da senhora Maru Lamacona.
Que merda!
O qu�?
N�o sei, n�o percebo.
As fotos.
O teu telefone. As fotos.
Certo, as fotos.
Nem pensar!
Que diabos?
Tanto quanto eu sei, todos os beb�s t�m assim os olhos.
Porque quando o puxam para fora fazem assim.
� assim, meu.
Mas depois passa, eventualmente.
Para com as merdas, meu.
O qu�? Li sobre isso.
Isto � terr�vel.
Estou devastado.
Sai daqui!
Estou gr�vida.
Parab�ns.
Estou a faz�-lo pelo beb�.
� a �nica raz�o?
Sim, �.
Vais ser pai?
Foi o que ela disse, mas...
Como est�s?
Bem.
Amo-te, Maru.
Ol�, Ranita.
Eu sou o teu pap�.
Como est�s, filho?
Afasta-te.
Ranita, ol�.
Ol�, Ranita.
Quando vires este v�deos ser�s mais velho.
E a fazer asneiras.
E eu? Espero ter acabado a universidade
e a trabalhar em algo que n�o seja a entregar pizas.
Prometo.
Deves perguntar-te porque n�o somos parecidos.
Ou que andas ser gozado na escola.
N�o os ou�as.
Isso acontece � vezes.
Eu tive um av� que se parecia muito contigo.
Acho que sais a ele.
Filho,
nunca duvides do amor que tenho por ti
e o quanto amo a tua m�e.
Voc�s mudaram a minha vida.
Sem voc�s,
sem voc�, eu seria um z�-ningu�m.
N�o tive a oportunidade de ter um pai.
Mas acredita em mim...
a ti nunca te ir� faltar um.
Estarei aqui para...
para tomar conta de ti...
para te proteger...
para te ajudar no que precisares.
Irei ver-te a crescer, est� bem?
Quero ver-te feliz.
Eu amo-te, Ranita.
UM ANO DEPOIS
M�e? Acorda, m�e!
- D�-lhe os comprimidos. - Cala-te!
Est� bem, vamos cantar os parab�ns ao meu neto, Ranita.
V� l�!
Aqui vai!
Com um tom mariachi.
- Isto � a s�rio? - N�o, apenas ignora.
Que mau gosto.
Nunca ouviste esta can��o, pois n�o?
Para! J� chega!
Quem foi o palerma?
Foi o Cad�ver, quem mais?
Filho da...
Pai!
O que se passa contigo? Eu fiz isto com amor!
Espera!
Controla o teu sogro!
Ele � muito intenso.
Ranita, diz ol� ao tio Cad�ver.
� assim mesmo.
Parem de namorar os dois! O meu filho tem um ano.
Vamos cortar o bolo.
D� uma trinca!
Nem pensem nisso.
Est�s t�o lixado agora!
- Filho da... - E agora, o que � que eu fiz?
O que aconteceu?
O que se passa?
- Fizeste o beb� chorar. - Limpa tudo.
Ei, meu...
Meu, os meus tomates?
N�o prefere uma cerveja?
Uma foto, n�o?
Venham todos, pai! Prepara-te para a foto.
Claro! Uma foto!
- Merda, Cad�ver! - E agora o que foi?
Que b�rbaro. Est�s descontrolado.
Depressa, querida! Tira a foto.
Um...
N�o vais aparecer na foto.
Olha o passarinho!
Um, dois e tr�s!
Olha o passarinho!
Traduzido por: Patr�cia Abreu
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