All language subtitles for La Jetee (1963) Criterion (1080p BluRay x265 afm72)

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Original subtitles

A Plataforma

Legendas by @FilmesObscuros

Esta � a hist�ria de um homem marcado por uma imagem da inf�ncia.

A cena que o afligiu por sua viol�ncia,

E cujo sentido ele n�o compreenderia sen�o muito mais tarde,

teve lugar na grande plataforma de Orly,

alguns anos antes do come�o da Terceira Guerra Mundial.

Em Orly, ao domingo, os pais levam suas crian�as para verem os avi�es prestes a partir.

Deste domingo,

a crian�a cuja hist�ria contamos,

reveria por muito tempo o sol fixo,

o cen�rio armado na extremidade da plataforma,

e um rosto de mulher.

Nada distingue as mem�rias de outros momentos:

n�o � sen�o mais tarde que se fazem reconhecer, por suas cicatrizes.

Este rosto que seria a �nica imagem do tempo de paz

a atravessar o tempo de guerra,

ele se perguntou muito tempo se ele verdadeiramente o vira

ou se criara este momento de do�ura

para resistir ao momento de loucura que estava por vir.

Com este barulho s�bito,

o gesto da mulher,

este corpo que cai,

E o alarido das pessoas na plataforma, perturbadas pelo medo.

Mais tarde, ele compreendeu que ele vira a morte de um homem.

E, algum tempo depois, veio a destrui��o de Paris.

Muitos morreram.

Alguns se consideraram vencedores,

outros foram aprisionados.

Os sobreviventes se estabeleceram na rede dos subterr�neos de Chaillot.

A superf�cie de Paris e, provavelmente, a maior parte do mundo,

estava inabit�vel, corrompida pela radioatividade.

Os vencedores montavam guarda sobre um imp�rio de ratos.

Os prisioneiros eram submetidos a experi�ncias

que pareciam muito preocupar aqueles que se entregavam a elas.

Ao t�rmino da experi�ncia, uns estavam desapontados,

outros mortos

ou loucos.

� para conduzi-lo � sala de experi�ncias que vieram, um dia, procur�-lo entre os prisioneiros,

o homem de quem n�s contamos a hist�ria.

Ele tinha medo.

Ele ouvira falar do chefe de trabalhos.

Ele pensava que iria se encontrar diante de um cientista maluco,

de Dr. Frankenstein.

Ele viu um homem sem paix�o,

que o explicou pausadamente que a ra�a humana estava ent�o condenada,

que o Espa�o lhe estava fechado,

que a �nica liga��o poss�vel com os meios de sobreviv�ncia passava pelo Tempo.

Um buraco no tempo e talvez far-se-ia passar por ele

v�veres, medicamentos, fontes de energia.

Tal era a meta das experi�ncias:

projetar emiss�rios no Tempo,

convocar o passado e o porvir em socorro do presente.

Mas o esp�rito humano trope�ava.

Acordar-se em outro tempo

era nascer uma segunda vez, adulto.

O choque era muito forte.

Depois de ter assim projetado em diferentes zonas do tempo corpos sem vida ou sem consci�ncia,

os inventores se concentravam agora em sujeitos dotados de fortes imagens mentais.

Capazes de imaginar ou de sonhar um outro tempo,

eles seriam capazes talvez de se reintegrar a ele.

A pol�cia do campo espiava at� mesmo os sonhos.

Esse homem foi escolhido entre mil

por sua fixa��o por uma imagem do passado.

No come�o, nada mais do que o distanciamento do presente e de suas escoras.

Recome�am.

O sujeito n�o morre,

n�o delira.

Ele sofre.

Continuam.

No d�cimo dia de experi�ncia,

imagens come�am a surgir como confiss�es/testemunhos.

Uma manh� do tempo de paz.

Um quarto do tempo de paz. Um verdadeiro quarto.

Crian�as verdadeiras.

P�ssaros verdadeiros.

Gatos verdadeiros.

T�mulos verdadeiros.

No d�cimo sexto dia, ele est� na plataforma.

Vazia.

�s vezes, ele encontra um dia de felicidade,

mas diferente;

um rosto de felicidade, mas diferente.

Ru�nas.

Uma jovem que poderia ser aquela que busca.

Ele cruza com ela na plataforma.

De um carro, ele a v� sorrir.

Outras imagens se apresentam, se misturam,

em um museu que � talvez aquele de sua mem�ria.

No trig�simo dia, o encontro tem lugar.

Esta vez, ele est� certo de reconhec�-la.

�, ali�s, a �nica coisa da qual est� certo,

neste mundo sem data, que o assombra, primeiro, por suas riquezas.

Ao redor dele, materiais fabulosos:

vidro, pl�stico,

tecido esponjado.

Quando sai de sua fascina��o,

a mulher desapareceu.

Aqueles que conduzem a experi�ncia reasseguram seu controle,

o reenviam no encal�o.

O tempo se enrola mais uma vez, o instante repassa.

Esta vez, ele est� perto dela; ele lhe fala.

Ela o recebe sem assombro.

Eles n�o t�m mem�rias, nem projetos.

Seu tempo se constr�i espontaneamente em torno deles,

tendo como �nicos pontos de refer�ncia o gosto do momento que eles vivem

e as marcas nas paredes.

Mais tarde, eles est�o em um jardim.

Ele se lembra que havia jardins.

Ela o interroga sobre seu colar,

o colar de combatente que ele usava no come�o dessa guerra que estourar� um dia.

Ele inventa uma explica��o.

Eles param diante de um corte de sequoia, coberto de datas hist�ricas.

Ela pronuncia um nome estrangeiro que ele n�o compreende.

Como em sonho, ele lhe aponta um ponto fora da �rvore e ouve-se dizer:

"Eu venho de l�..."

E a� recai, no limite de suas for�as.

Depois, uma outra vaga do Tempo o soergue.

Provavelmente deram-lhe uma nova inje��o.

Agora, ela dorme ao sol.

Ele pensa que, no mundo do qual ele acaba de retornar,

durante o tempo de ser reenviado a ela, ela est� morta.

Desperta, ele lhe fala novamente.

De uma verdade muit�ssimo fant�stica para ser absorvida,

ele mant�m o essencial: uma terra distante,

uma longa dist�ncia a percorrer.

Ela o escuta sem escarnecer.

Acaso � o mesmo dia?

Ele n�o sabe mais.

Eles v�o fazer uma infinidade de caminhadas semelhantes a essa,

em que crescer� continuamente uma confian�a muda entre eles,

uma confian�a em estado puro.

Sem mem�rias, sem projetos. At� o momento em que sente

na frente deles uma barreira.

Assim se encerrou a primeira s�rie de experi�ncias.

Era o come�o de um per�odo de ensaios

em que ele a reencontraria em momentos diferentes.

Algumas vezes, ele a encontra diante de suas marcas.

Ela o recebe naturalmente.

Ela o chama de seu "espectro".

Um dia, ela parece ter medo.

Um dia, ela se inclina sobre ele.

Ele nunca sabe se ele se dirige a ela,

ou � dirigido,

se ele inventa ou se ele sonha.

Perto do quinquag�simo dia,

eles se encontram em um museu cheio de bestas eternas.

Agora, a dire��o est� perfeitamente ajustada.

Projetado ao instante escolhido,

ele pode a� permanecer e se mover sem dificuldade.

Ela tamb�m parece familiarizada.

Ela aceita como um fen�meno natural as passagens deste visitante

que aparece e desaparece, que existe, fala,

ri com ela, se cala, ouve-a

e se vai.

Quando se encontrou novamente na sala de experi�ncias,

ele sentiu que alguma coisa mudara.

O chefe do campo estava l�.

Das palavras trocadas ao redor dele,

ele compreendeu que, diante do sucesso das experi�ncias em rela��o ao passado,

era no porvir que pretendiam agora projet�-lo.

A excita��o de uma tal aventura lhe escondeu por algum tempo

a ideia que esse encontro no museu fora o �ltimo.

O porvir era melhor defendido que o passado.

Ao t�rmino de outros ensaios ainda mais insuport�veis para ele,

ele acabou por entrar em resson�ncia com o mundo futuro.

Ele atravessou um planeta transformado,

Paris reconstru�da,

dez mil avenidas incompreens�veis.

Outros homens o esperavam.

O encontro foi breve.

Visivelmente, eles rejeitavam estas esc�rias de uma outra �poca.

Ele recitou sua li��o.

Uma vez que a humanidade sobrevivera,

ela n�o podia recusar a seu pr�prio passado os meios de sua sobreviv�ncia.

Esse sofisma foi aceito como um disfarce do Destino.

Deram-lhe uma central de energia

suficiente para rep�r em andamento toda a ind�stria humana.

E as portas do porvir foram fechadas novamente.

Pouco tempo depois de seu retorno,

ele foi transferido para uma outra parte do campo.

Ele sabia que seus carcereiros n�o o poupariam.

Ele fora um instrumento em suas m�os,

sua imagem de inf�ncia servira de isca para condicion�-lo,

Ele respondera a sua expectativa e cumprira seu papel.

Ele n�o esperava nada mais sen�o ser liquidado,

com, em alguma parte nele, a mem�ria de um tempo duas vezes vivido.

Do fundo desses limbos que ele recebeu a mensagem dos homens do porvir.

Eles tamb�m viajavam no Tempo,

e mais facilmente.

Agora estavam l�,

e lhe propunham aceit�-lo entre eles.

Mas seu pedido foi diferente:

Ao inv�s que esse porvir pacificado,

ele pedia que lhe entregasse o mundo de sua inf�ncia

e esta mulher que, talvez, o esperava.

Uma vez na grande plataforma de Orly,

neste quente domingo de antes da guerra, em que ia poder permanecer

ele pensou com um pouco de vertigem que a crian�a que ele fora

devia se encontrar l� tamb�m, a ver os avi�es.

Mas primeiro procurou o rosto de uma mulher,

na extremidade da plataforma.

Ele correu na dire��o dela.

E quando reconheceu o homem que o seguira desde o campo subterr�neo,

ele compreendeu que n�o se escapava do Tempo,

E que este momento que lhe fora dado ver quando crian�a,

E que nunca cessara de obsed�-lo,

era aquele de sua pr�pria morte.

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