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Fiz uma coisa muito má.
Vais dizer-me ou queres que adivinhe?
-Já te disse que a Marnie dorme nua? -A mim não.
Todos os dias, ela enfia-se na cama nua, só para dormir.
A Audra nunca dorme nua.
Não. A Audra só fica nua quando tem mesmo de ser.
No banho. Ou se lhe tirar a roupa durante o sexo.
Queres falar disso ou ouvir o que eu fiz?
Quero ouvir. Mudaste o assunto para a nudez da tua mulher.
-Eu só aproveitei. -Não.
-Está relacionado. -Certo.
Não devia ser surpresa
que a nossa vida sexual abala quando começamos a formar família.
Desde que tivemos filhos, fizemos sexo uma dúzia de vezes.
-O mais velho tem 11 anos. -Eu sei a idade dos meus filhos.
Talvez fossem duas ou três dúzias.
Mesmo assim, três dúzias em 11 anos.
-Isso são 3,3 vezes por ano? -Para de fazer contas.
A questão é que a Marnie não tem interesse em foder comigo.
-Tentas seduzi-la? -Neste momento, já estou farto.
Uma coisa era se ela tivesse engordado.
Talvez nem quisesse tanto comê-la, mas ela está ótima.
Tem tempo para montar a elíptica mas não tem tempo para montar a minha gaita.
-Nem vontade. -Pois.
Por isso é que estou a aproveitar
enquanto tentamos ter um filho.
Sim. Aproveita, porque nós fazíamos sexo sete vezes por semana.
Vocês devem fazê-lo uma vez por semana. Portanto, quando a Audra engravidar,
a próxima vez será quando os miúdos forem para a universidade.
Eu engravidei do meu namorado no secundário.
Então, sabes que não és tu. O esperma do Noel não presta.
Não necessariamente. Talvez o Greg tivesse um esperma poderoso. Não sei.
-Engravidaste e fizeste um aborto? -Não, eu não abortei.
Sofri um aborto antes de contar aos meus pais.
Isso foi sorte. Não tiveste um filho durante o secundário?
Safaste-te de boa.
O Greg ofereceu-se para casar comigo aos 17 anos. A minha vida teria acabado.
Seria um marido e pai horrível.
Já o Noel é um excelente marido que seria um pai incrível.
-Se não tivesse esperma fraco. -Não temos a certeza.
Como reagiria se soubesse da gravidez?
Mal. Essa informação devia ficar enterrada.
Os casais precisam de segredos.
Diz-me lá o que fizeste de mal.
Ontem, avancei e ela deu-me com os pés, como de costume.
Virou-se, adormeceu.
Eu fiquei ali, com uma tremenda ereção roxa,
e comecei a bater uma, mesmo ali, na cama, ao lado dela.
Estava frustrado.
Ressentido. Dizia coisas horríveis sobre ela em voz baixa.
-Ela não acordou? -Não, tem o sono pesado.
Quando estava prestes a explodir, ajoelhei-me e vim-me nas mamas dela.
-Meu Deus. -Fiquei ali. A olhar para ela.
Com um grande sorriso no rosto.
Levantei-me, fui à casa de banho, peguei numa toalha húmida,
dei-lhe um beijo na testa e limpei-a.
Ela nem imagina.
-Pete, isso é mau. Muito mau. -Mas eu gostei.
Fiquei eufórico, porra.
Hoje, o meu casamento é 100 vezes melhor do que era ontem.
Talvez seja um monstro. Não sei. Profanei a minha mulher.
Foi a melhor sensação dos últimos meses.
-Queres outra cerveja? -Sim, mais uma.
-Pega na almofada. -Levanta.
Certo.
Sabes,
acho que devíamos oferecer-nos para cuidar dos filhos da Marnie e do Pete.
Porquê?
Acho que a Marnie gosta da babysitter.
Não, referia-me ao fim de semana ou algo do género.
Para eles estarem sozinhos.
-O Pete disse-te alguma coisa? -Sobre o quê?
Sobre quanto sexo fazem?
-Sobre fazerem pouco sexo? -Sobre não fazerem sexo?
-O que disse a Marnie? -O que disse o Pete?
Não devíamos falar disto.
-Está bem. -Certo.
Acho que eles faziam muito sexo antes de terem filhos
e deve ter sido uma grande adaptação para eles.
Estás a dizer que por nunca termos feito tanto sexo,
não será tão percetível quando pararmos?
-Sim. Sim, exatamente. -Tudo bem.
-Amo-te. -Também te amo.
Harriet, o que raio se passa aqui?
Não se passa nada.
O que aconteceu ao nosso lar feliz?
Não estás feliz agora?
Marnie, estás acordada?
Queres que te ajude a pôr a mesa?
-Marnie? -Eu ponho.
-O quê? Está bem. -Marns.
-Não quero discutir. -Não estou a discutir.
Nem eu. Só estou a iniciar uma conversa normal.
Faz como quiseres.
Claro. Como eu quiser. É como deve ser.
O marido e pai deve ser o chefe de família.
Tem sido assim desde o início.
Merda.
-Estás bem? -Sim.
Não pareces bem.
Já te falei da Holly, certo?
-Holly. -A minha colega da universidade.
Certo. Sim, a Holly.
Com quem te zangaste por algo estúpido.
Algo estúpido.
-Foi o que eu disse? -Acho que foram as tuas palavras.
-Morreu? -Não. Porque dizes isso?
Desculpa. Estás com ar
de quem soube que alguém próximo, mas com quem não falavas,
está, sabes, morto.
-Há um ar para isso? -Tu estás com esse ar.
Ou muito parecido. É esse ar.
Ela está viva. Enviou-me uma mensagem no Facebook.
-O que disse? -"Encontrei-te aqui.
Pensei em pedir amizade. No entanto, decidi espiar-te.
Espero que estejas bem e que já não me odeies.
Vou a trabalho para a tua área e gostava de te ver. Beijo e abraço, Holly."
"Beijo e abraço"? Não transmite animosidade nenhuma.
Não falamos há 12 anos.
Porque se zangaram?
-Foi por causa de um tipo? -Não.
Ela era um pouco rebelde e desinibida demais para mim.
Vais convidá-la para vir cá?
Não.
-Não queres saber o que é feito dela? -Não.
Voltei a fazê-lo.
-Que raio se passa contigo? -Não sei.
Talvez devesse traí-la como um marido menosprezado.
Não a traias e não te venhas em cima dela.
-Falar é fácil. -É fácil falar.
É fácil dizer que em circunstância nenhuma
está certo masturbares-te em cima da tua mulher a dormir.
A maioria dos homens casados passa por algum tipo de frustração sexual.
-É normal. -Sim.
E a masturbação alivia um pouco dessa frustração.
Por algum motivo,
masturbar-me em cima da minha mulher a dormir alivia quase toda a frustração.
Tudo o que se possa fazer para melhorar o casamento
sem magoar a esposa devia ser considerado.
Há quem defina o que fazes como agressão sexual.
Que se fodam. Não sabem do que falam.
Ela prometeu ser fiel, amar-me e respeitar-me.
Estás a dizer que um desses não cobre isto?
Sim, estou a dizer isso.
Está bem.
Sim, está bem. Ouve. Eu sei que o que faço é desonesto.
Mas os outros não decidem o que é aceitável no meu casamento.
-Isso é comigo e com a Marnie. -Mas ela não sabe o que fazes.
Exato, e se soubesse, podia aceitar.
Podia preferir isso a fazer sexo comigo,
ou divorciar-se ou que eu a traia.
-Certo? -Certo.
Já pensaste em trair a Audra?
Tipo imaginar foder outra mulher
ou pensar mesmo no assunto?
-Pensar no assunto. -Nunca.
Talvez a Marnie me esteja a trair. Talvez seja por isso que não fazemos sexo.
Deve ter a pila que quer e não é a minha.
-Sabes que não é verdade. -Não sei de nada, meu.
A sério.
Achas que sabes o que os outros pensam e fazem quando não estás a ver?
Achas mesmo?
Não sabes nada.
Vamos de viagem este fim de semana. Vamos a algum lado, ou a Vegas.
Porque vais engravidar e vai ficar tudo mais difícil.
É uma ótima ideia.
Acho que mudei de ideias.
Sobre ter um filho?
Não, não. Claro que não.
Desculpa. Sobre ver a Holly.
Ela vai estar cá este fim de semana e pensei
em convidá-la para vir cá no sábado.
Sim. Sim, acho uma ótima ideia.
-Certo. Vou enviar-lhe uma mensagem. -Acho que devias.
"Até sábado."
Pronto. Já está.
Escuta.
Noel, preciso de falar contigo.
-Ouve. -O que foi?
Tens de saber uma coisa sobre a Holly.
-Agora? -Sim, por favor.
Está bem.
-Queres que ligue a luz? -Não, não. Está bem assim.
Certo. Como digo isto?
Sabes que na universidade fazem-se coisas que não é costume?
Fazemos as nossas escolhas pela primeira vez.
Somos livres para ser...
Eu e a Holly experimentámos...
Curtimos.
Sexualmente. Fizemos coisas.
Estás bem?
Fizeste sexo com a tua colega de quarto?
Foi só uma vez.
Só uma vez.
Que aconteceu cinco ou seis vezes.
A sério?
Nem parece meu. Não sei quem era essa pessoa.
Universidade...
-A minha esposa teve um caso lésbico. -Sim.
-Audra. -Eu sei.
A Audra teve um caso lésbico.
Porque dizes isso assim?
Estou admirado, só isso. Estou muito, muito admirado.
Ela é lésbica?
Não é lésbica. Nós éramos apenas duas... amigas.
Audra Dinwiddie.
Nunca pensei que fosses capaz disso. Mesmo.
Agora acho que tenho de te contar sobre aquela vez em que chupei uma pila.
Só que nunca aconteceu.
Estudante universitário.
Faculdade de Direito. Sete anos. Nada de pilas.
-Digo-lhe para não vir? -Por mim, não.
Porque quereria que não visses a tua amiga
que beijaste, lambeste, acariciaste e talvez chupaste os mamilos?
Masturbaste com os dedos, fizeste um minete?
Não queres que te diga tudo o que fizemos, pois não?
Estou disposto a ouvir tudo o que quiseres dizer.
Sim. Vamos deixar como está. É passado.
Ela nem se deve lembrar.
-Porque não se lembraria? -Para ela era normal.
De certeza que teve outras mulheres. Ela bebia e drogava-se.
As memórias dela devem ser uma sucessão de libertinagem.
A vossa amizade acabou por se terem beijado, lambido, acariciado...
Não... Não quero falar nisso.
Só precisava de te dizer.
Está bem?
-Sim. -Está bem.
Vamos descansar.
Obrigada.
Não percebo.
Não consigo compreender.
O problema é que não estás a ver pelo lado positivo.
-Ele está bem? -Sim, está bem.
Descobriu que a esposa fez cenas lésbicas na universidade.
-Boa. -É o que lhe estou a tentar dizer.
-Vês? -Obrigado. Fico grato.
-Não me importo que o tenha feito. -Não é o que me parece.
Mas não faz sentido, dado o que sei sobre ela.
A Audra é sexualmente conservadora.
Sabes quantas vezes fizemos sexo que não fosse na posição de missionário? Dez.
Sabes quantas vezes fodemos sem ser na cama?
Uma vez no banho, outra no carro e é só. Esta é a minha vida sexual.
Como é que esta pouca ambição na cama se traduz numa atividade lésbica?
Tens de a tirar da zona de conforto,
porque agora sabes que a zona de conforto é maior do que pensavas.
-O que devo dizer? -Não tens de falar disso.
Se lhe queres comer o cu, não lhe digas.
-Quem disse que quero isso? -Fazes o seguinte.
Compra muito lubrificante e põe-no perto da cama, ao teu alcance.
Estás a fodê-la, certo?
Vais pô-la a gemer, certo? Ela estará a adorar.
Quando ela estiver quase a vir-se, sais. Deixa-la a meio.
Fazes um grande aparato a lubrificar a gaita, certo?
Não queres esconder. Nem ser sorrateiro.
Estás a comunicar sem falar.
As tuas ações dizem: "Estou a preparar-me para algo diferente.
E a minha gaita tem de estar escorregadia."
Ela vai perceber. E se não perceber,
vai perceber quando começares a pincelar-lhe o cu.
E se ela não disser nada, se não te impedir, se não te bater...
...é consentimento tácito.
Isso é a pior coisa que já ouvi e nem penses que vou fazer isso.
-Então, nunca farás anal. -Nunca disse que queria fazer anal!
-Porque estás sempre a falar de anal? -Ias adorar.
A Marnie adorava. A Audra iria adorar.
A Audra deve tê-lo feito antes de te conhecer. Não sabes.
Não digas isso.
Não quero pensar... Falemos... Nem devia ter falado disto.
Foda-se. Esquece. Podemos correr, por favor?
E não digas nada à Marnie!
Costumavas fazer minetes?
Meu Deus... Eu contei-lhe ontem, às três da manhã.
Quanto tempo achas que um homem demora a contar aos amigos
que a mulher gostava de ratas?
Não gosto. Podes ter uma experiência com alguém do mesmo sexo
e não necessariamente gostar de ratas.
Tens de estar orgulhosa. Comeste uma miúda.
Eu não dei detalhes, o que ouviste é suposição.
-Não lhe devia ter contado. -Não te zangues com ele.
Não estou zangada. Estou nervosa por ver a Holly.
A nossa amizade acabou mal.
Achei que se contasse ao Noel seria mais fácil.
Devia saber que ia piorar tudo.
Estou contente por não seres tão conservadora como pensava.
Ainda vamos jantar a vossa casa?
Achas que o Pete vai olhar para mim a noite toda?
Com certeza.
Deve estar a bater uma a pensar em ti com outra mulher.
-O quê? -Viste o Instagram da Holly?
-Porque estás a ver isso? -Queria associar um rosto à história.
-Por amor de Deus. -Digo-te,
a tua mulher tem bom gosto em namoradas. Vê só isto.
-Eu sei. Ela é boa. -É.
Esta miúda não parece um gajo. É uma lésbica sexy.
-Como está isso? -Vamos comer!
-Vamos comer rata. -Por favor.
Foda-se.
Eu sei que sabem. Sei que contaste ao Pete e o Pete contou à Marnie.
Desculpa, referes-te a quê?
Todos sabem. Não te faças de desentendido.
Caramba, Marnie.
Pediram-te segredo a ti, não a mim. Eu guardo segredos.
Não deves dizer o segredo
à pessoa que contou o segredo.
Desculpa, Noel. Pensava que a minha esposa quarentona sabia como funcionam os segredos.
Quarentona?
É segredo? Eles sabem a tua idade.
Estou ótima e não só para a minha idade.
-Estou ótima. -Estás maravilhosa.
Não disse que pareces velha. Disse que estás velha.
Não consegui guardar segredo. Tentei, juro. Mas não consegui. Desculpa.
O que aconteceu exatamente? Parece que o Noel não sabe detalhes.
Eles vão negar,
mas acho que falo por todos quando digo que queremos saber.
Não queres falar sobre isso? Está bem.
Sentir-te-ias confortável em fazê-lo com a Marnie?
-Talvez? -Lamento desapontar.
Nunca gostei de mulheres e a Audra não está na universidade.
Eu não gostava de mulheres.
Foi só uma mulher. Foi um caso isolado.
Uma mulher, pois, mas fizeram-no mais do que uma vez.
Nada do que dissesses me faria abraçar-te.
As mulheres estão mais confortáveis com essas coisas.
O toque, abraços, beijos
e banhos coletivos que não são precedidos de uma atividade atlética.
Por isso é que as cenas lésbicas não surpreendem.
Continua a ser surpreendente quando se trata da tua mulher.
Quem me dera que a Marnie gostasse de mulheres.
Quando a Holly vier, vai ser difícil não as imaginar juntas.
-Até para mim. -É infantil, mas não consigo evitar.
Não, não é infantil. És só tu a seres gajo, está bem?
A sociedade faz-nos pensar que temos pensamentos infantis.
Mas não. São pensamentos de gajo.
Noel.
-Noel, Noel, Noel. -O que foi?
Farás isto acontecer?
O quê?
A Audra, a Holly...
...e tu.
-Cala-te. -Não, ouve-me.
Tens uma oportunidade viável de ter um ménage à trois em breve. Tens mesmo.
Isso é...
Não tenho nada.
Noel!
És um tipo certinho, Noel. E não estou a falar num mau sentido.
Mas tu achas que as pessoas pensam como tu.
Se vires bem, percebes que não são tão certinhas como tu.
-Eu não sou assim tão certinho. -Não quero dizer que é um defeito.
Mas subestimas o quanto as pessoas gostam de coisas mais picantes.
Só porque a Audra curtiu com uma miúda aos 19 anos
não significa que queira um ménage.
Meu Deus, és como as pessoas que veem porno
e acham que as pessoas só se comportam assim no porno.
Vou-te dizer,
metade das pessoas faz o que tu achas que só acontece na pornografia.
A sério? Metade da população faz anal seguido de oral?
Anal e oral talvez não. Talvez não metade.
Mas garanto-te que, neste momento, no nosso bairro,
há quem esteja a enfiar o punho, a ser regado de mijo,
quem deixe o cão lamber manteiga de amendoim dos genitais.
Que tipo de porno é que vês? Eu e a Audra não vivemos nesse mundo.
É o mundo em que vivem. Não estão a contribuir para ele,
mas não significa que não aconteça.
Onde queres chegar?
Os ménages à trois não acontecem só aos outros.
São coisas que acontecem a quem faz com que aconteçam
quando veem uma oportunidade viável.
Os ménages à trois acabam com o casamento.
Os filhos acabam com o casamento. Não nos impede de os termos.
A Audra não vai querer um ménage à trois.
Acredita. E se quiser, mas não quer,
não há razão para pensar que a colega queira fazer sexo comigo.
És tão pessimista. Adoravas ter um ménage à trois, não adoravas?
Última coisa que vou dizer.
Quando te juntas a uma miúda, não muda nada.
Casas-te, não muda nada. Ganhas dinheiro, não muda nada.
Quando têm filhos, muda tudo.
Vais engravidar a Audra, vais ser um bom pai.
Significa que as atenções deixarão de ser para ti.
As atenções vão para a mulher e os filhos, para os filhos e a mulher.
-Sim, eu sei. -E não há problema.
A maioria da nossa vida é supérflua e vazia. Tudo bem.
Porque só precisamos de dois ou três momentos extraordinários
para nos lembrarmos e dizer: "Isto...
Isto fez tudo valer a pena."
E se não fizeres esse ménage à trois,
deixarás passar um momento extraordinário.
Pronto. Já chega.
Bom dia.
Bom dia.
O que se passa?
-Parece que se passa algo? -Estás a tomar um banho relaxante.
Usaste sais de lavanda. Estás a fazer isso da respiração.
Eu estou bem.
Se estás nervosa devido à Holly a ponto de tomar um banho relaxante de manhã,
porque não cancelas?
-Diz que surgiu algo. -Estou a ser parva.
Fui ao Facebook dela.
E?
Ela diz que está numa relação poliamorosa com o Barack e a Michelle.
Diz que agora trabalha para o KGB.
Diz que deu à luz séptuplos siameses
e tem uma montagem de um bebé com sete cabeças.
Deve estar a gozar com a cultura das redes sociais.
Talvez, mas as pessoas normais usam-nas para fingirem que têm uma vida muito boa.
Não para inventar uma vida. É o princípio.
Sempre fez o que quis. Nunca achou que as regras se aplicavam a ela.
Não sabes, ela pode ter mudado. Passou muito tempo...
Ela chegou.
Ela chegou.
O quê? Pensei que só vinha de tarde.
Pois, tarde, oito da manhã, é tudo igual.
-Deve ser o Pete ou a Marnie. -Eu queria arrumar.
-Ia fazer uma tábua de queijos e crudité. -Calma.
-Não estou pronta para sair do banho. -Não deve ser ela.
Olá. Cheguei tão cedo.
Desculpa. Tu deves ser o Noel.
Sou, sim. Olá, Holly.
Estou tão animada que conduzi a noite toda e aqui estou.
-Olá. -Posso voltar mais tarde, se preferirem.
Não. Não sejas parva. Entra. É um prazer conhecer-te.
A Audra ainda não está pronta.
Seria estranho, visto que vim tão cedo.
Obrigado pela cesta de presente.
O prazer é meu, Noel.
Posso pedir um grande favor?
Conduzi durante 30 horas e não queria que me conhecesses assim.
Posso tomar um banho rápido e dormir uma sesta?
-Desculpa, a mala é pesada. -Tudo bem. Descontrai.
-Tens uma casa linda, Noel. -Obrigado.
Está tudo bem.
-A Audra está a dormir? -Acho que se está a preparar.
A casa de banho é ali.
E este é o quarto de hóspedes. Podes descansar aqui.
É exatamente como imaginei a vida da Audra.
Nos subúrbios.
Um quarto com um sofá-cama, um marido bonito.
E cheira tão bem. Que cheiro é este?
A sério? Não faço ideia. Nem notei o cheiro.
Deves estar habituado. É o mais triste do ser humano.
Temos sorte por ter o que queremos e depois tornamo-nos imunes.
Pode ser isso ou eu tenho um olfato fraco.
Seria a explicação médica e não filosófica.
Eu sabia que a Audra se casaria com um tipo engraçado.
Sabes... Estou nervosa por vê-la.
Não quero insinuar nada, mas acho que ela também está nervosa.
-Está? -Sim.
Éramos muito chegadas e...
...deixámos de o ser.
O que te traz aqui?
Noel, temos tanto que pôr em dia
e estou ansiosa por vos contar tudo e saber tudo de vós.
-Mas agora, tenho de fazer xixi, está bem? -Sim.
Ela pode ter morrido de overdose de heroína,
no quarto de hóspedes.
Ela injetava drogas?
-Fumava muita erva. -Erva.
Fumei muita erva na universidade e nunca sofri uma overdose de heroína.
Bem visto.
-Vou ver se ela está bem. -Sim.
Sim, ela parecia muito cansada, portanto, vou deixá-la dormir...
...mais tempo.
Está bem.
-Vamos fazer amor. -O quê?
Vamos fazer amor.
-O que estás a fazer? -Devíamos foder.
Calma, calma.
-Podemos foder? -De onde vem isso?
Não sei. Vem desta forte atração pelo meu marido
com quem decidi ter um filho.
Calma, calma. A Holly pode acordar.
Está bem.
Então, não queres...
Não queres fazer sexo comigo?
Sim. Claro que quero, mas...
Ela pode descer a qualquer momento.
Isso foi forçado.
-Vamos ficar aqui sentados. -Sim.
Sabes o que não me surpreenderia?
Se ela não viesse cá para me ver.
Se viesse aqui tomar banho e dormir uma sesta a caminho de algum lugar.
Parece que estou a gozar, mas ela é daquelas que come e foge.
Como foste amiga dela se tens tanta hostilidade por ela?
Não é hostilidade. É inveja.
Ela está a dormir há 11 horas.
A última vez que dormi 11 horas, era criança.
Eu apoio-te se quiseres dormir uma sesta.
Apoiar-me-ias se quisesse ser uma vadia egoísta, manipuladora, negligente
e descuidada?
Vadia? Referes-te ao Charlot, tipo uma vagabunda?
Ou à Mae West, uma mulher sexualmente promíscua?
Acho que ambos.
Ela é uma vagabunda sexualmente promíscua.
-Devia ir acordá-la. -Está bem.
Vá lá.
Papá, o telemóvel está a tocar.
Papá, o telemóvel está a tocar.
Papá, o telemóvel está a tocar.
Papá, o...
Olá. Tudo bem, mano?
Desde que vi a Holly, não paro de pensar no ménage à trois.
Faz com que aconteça.
-Como? -Não sei.
Alguma sugestão?
Tive um aos 20 anos com uma empregada de mesa e outro tipo.
E ela iniciou tudo.
-Portanto, não. -Isto é culpa tua.
Sim, puseste-me esta ideia na cabeça.
Não sentia isto desde os 15 anos, quando a Renee Lovaglio me mostrou os peitos.
Alguma delas mostrou sinais de interesse?
Absolutamente nenhum.
Tens de fazer algo. Apalpa o terreno.
Namorisca com a Holly. Ou mostra a gaita, vê o que acontece.
Sinto-me um mau marido.
Não te sintas mal agora. Não fizeste nada. Sente-te mal depois.
Certo. Obrigado por não me ajudares.
Holly.
Estás viva?
Não queria dormir tanto.
-Ainda é sábado? -Por pouco.
São sete menos um quarto.
Merda.
Odeias-me muito?
Por teres desperdiçado o meu dia ou por tudo o que fizeste no passado?
Eu queria que a visita corresse bem. Desculpa.
A sério. Desculpa por tudo o que fiz.
Desculpas aceites.
-Não achei que fosse tão fácil. -Está tudo bem.
Foi há muito tempo. É passado.
Aproxima-te.
Quero ver-te.
Olá.
É bom ver-te.
Queres saber algo triste?
Ainda és a melhor amiga que tive.
O jantar está quase pronto.
Estás linda.
Tu também, Holly.
Dás-me um abraço?
-O jantar está ótimo. -Obrigada.
Audra, esta casa é incrível.
Obrigada. Adoramos viver aqui.
Estão a sair-se muito bem.
Nunca duvidei.
-Vocês trabalham juntos ou... -Não, não.
Não. O Noel trabalha em direito fiscal e eu na área do direito criminal.
Vejo que ainda pintas.
Não tanto como queria.
Sempre a achei muito talentosa e que poderia ter sido uma profissional.
Eu sei que fizeram sexo.
O que estás a fazer, Noel?
Achei que ela devia saber que eu sei.
Só para dizer.
-Já disseste. -Ela não me deu detalhes.
-Só sei que fizeram sexo... -E continuas.
...mais do que uma vez.
Não voltarei a falar nisso.
Eu...
Acho que encontrei uma carreira adequada para mim.
Comecei uma empresa de space cakes.
Space cakes?
Bolos feitos de canábis?
Isso mesmo. Sempre gostei de cozinhar e de ficar pedrada.
Então, encontrei uma forma de juntar as minhas duas paixões.
Então, aquela cesta de brownies e bolachas que trouxeste, são...
Sim, são da minha empresa, Delícias e Bolos da Holly.
-Fizeste isto tudo sozinha? -Sim.
-Parecem deliciosos. -Obrigada.
Deviam provar um.
Nós não comemos disso.
Nunca consegui deixá-la pedrada. Tu já conseguiste?
-Não gosto do fumo. -Ela odeia fumar.
-Odeio. Já tentei muitas vezes. -Claro.
-Várias vezes. Não é para mim. -Isso é o melhor dos bolos.
Não precisas de fumar nada.
Mas se comeres uma bolacha inteira, ficas toda pedrada.
Não queremos provar agora, obrigada.
Não. Pois.
Mais tarde.
Tiveste sucesso com este... empreendimento em particular?
Não, ainda não.
Tenho ido a dispensários para os convencer a ficar com os produtos.
A resposta tem sido ótima. A palavra tem passado, já é algo.
-Isso é muito ambicioso. -Nasci a 4 de março.
É o dia perfeito para nascer, certo?
O universo está a dizer-me para ir em frente e conquistar algo, portanto...
-Gostei. -Sim.
E como está a tua vida pessoal, se é que posso perguntar?
Devo ser um pouco melhor em relações desde a última vez que me viste, mas não muito.
-Nunca te casaste? -Não.
Mas já me pediram em casamento cinco vezes.
Esperem, não, foram seis vezes. Seis vezes.
-Seis? -Meu Deus.
-Sim. -Havia imensos tipos
-que se queriam casar com ela. -Acredito.
Acho que incentivo isso nos homens. E nalgumas mulheres.
És muito acessível.
Digo-te já, se não te importas que faça a observação.
Obrigada, Noel.
O que significa isso?
-Acessível? -Sabes?
Algumas pessoas deixam-te à vontade, só isso.
E também significa que os homens interpretam mal os teus sinais.
Havia idiotas que se atiravam a mim só porque era simpática.
-Odeio isso. -Queria fazer t-shirts a dizer:
"Só porque sou simpática, não quero foder contigo."
-A sério? -Claro.
Mas acabava por foder muitos deles.
Suponho que a idiota seja eu.
Nunca acreditaste no amor.
Não sou a mesma pessoa que era.
Desculpa. Não queria insinuar isso.
-O erro foi meu. -Não faz mal.
-Mas desisti do sexo casual. Outra vez. -Desististe?
És celibatária?
Não diria isso. Diria que decidi fazer uma pausa.
Tirei um ano, um ano sem pilas.
E acabou há umas semanas e, desde então, eu...
Estou a tentar não ir para a cama com alguém só por estar excitada.
Acho que quero que seja sério.
Sim, pila séria.
Sim.
-Pois. -Pila séria.
-Sim, uma revelação. -Isso é ótimo.
-Espero... Espero que a encontres. -E vocês?
Admira-me não ver pequenotes por aqui.
-Pois. -Bem...
Não estamos preparados.
Portanto...
Vou lavar a loiça para não ficar para logo.
-Eu ajudo. -Não. Senta-te. És convidada.
-Não demoro. -Está bem.
Mais vinho?
-Sim. Obrigada. -De nada.
Então, onde se conheceram?
-No curso de Direito? -Em Direito, em Chicago.
-E vocês? -No primeiro dia da universidade.
Melhores amigas desde o início.
Até eu estragar tudo.
Sim. A Audra nunca entrou em detalhes acerca disso.
Sim, é melhor. Não fico bem vista nessa história.
Sabes, não acredito que vocês...
Desculpa. Não é nada típico dela.
Acho que sou uma má influência.
Ou boa.
-Dás-me licença? -Claro.
Olá.
Desculpa, sou só eu. Sou só eu.
-Está tudo bem? -Sim.
Está tudo bem contigo? O que sentes pela Holly?
Estou a ser idiota?
-Não. -Estou?
-Bem... Está bem. -Sê sincero.
-Talvez? -Não estás a ser muito simpática.
Eu sabia.
Sabes porque te amo, Noel?
-Pensei que havia mais do que uma razão. -Há três razões, no mínimo.
-Tentei elogiar-te. -Desculpa. Continua.
Uma das razões para te amar
é porque sempre me senti eu mesma contigo.
Já a Holly deixa-me nervosa.
E a vida mostrou que se for à maneira dela, as coisas...
...descontrolam-se.
Sim, mas, às vezes, isso é bom.
Eu sei. Devia beber vinho e comer um monte de erva.
Pouca, mas sim.
Está bem. Vou relaxar. Estás aqui.
-Ela não vai incendiar a casa. -Não.
-Nem magoar-se. -Somos adultos. Está tudo bem.
Não a vou deixar incendiar a casa.
Mas, Audra...
...talvez seja bom para nós descontrolarmo-nos um pouco.
-Está bem. -Está bem?
Está bem.
A Audra mostrou-me esta canção. Lembro-me sempre dela quando a ouço.
-Boa. -Sim.
Podemos... Podemos falar de uma coisa?
Sim, claro.
A questão é que eu...
Isto pode parecer direto, mas acho que o posso ser contigo.
Com certeza.
-Eu e a Audra somos um casal feliz. -Eu sei.
-Eu noto. Isso é muito querido. -Obrigado.
No entanto, se tivesse de apontar algo que é um pouco dececionante,
é o sexo, que é... Não é...
Quer dizer, é bom. Não, é bom.
É que... É que não há...
Descrevê-lo-ia como...
...comum.
Sabes que mais? Esquece. Esquece. Isto é muito parvo.
Noel, diz o que queres dizer.
Tive uma ideia estúpida
e preciso que me digam que é estúpida, me batam e me chamem idiota.
Qual é a ideia que faz de ti tão idiota?
Pensei que nós os três...
Que nós... Que nós os três...
Que nós os três... Que fosse algo divertido.
Um ménage à trois?
Como já disse, esquece.
Podemos recuar no tempo para antes de eu perder a cabeça?
É uma loucura termos esta conversa.
-Mal nos conhecemos. -Noel. Noel.
-Esquece o que disse, por favor. -Noel.
Achas que a Audra iria gostar?
Não sei. Nunca achei que se envolveria com uma mulher...
Porquê? Tu gostarias?
O problema dos ménages
é que nem sempre são dois mais um, igual a três.
Ou um mais um mais um, igual a três.
Sim. Essas são as contas possíveis. Desculpa, não estou a perceber.
Não são só contas.
Temos o fator das emoções envolvido.
-Está bem. -Sim.
Achas má ideia.
É má ideia se os três pensarmos que é má ideia.
É uma boa ideia se os três pensarmos que é boa ideia.
Eu acho boa ideia.
Achas que é boa ideia?
É capaz de ser uma ideia ótima. Talvez, dependendo da Audra.
Eu não persuadi a Audra a ir para a cama comigo.
-Certo. -Não, beijei-a e...
...ela hesitou, porque é cautelosa,
mas ela queria tanto como eu, portanto, aconteceu.
Se alinhares nisto, e parece que sim,
podemos trabalhar juntos para convencer a Audra, certo?
-Está bem. -A sério?
Certo. Certo. Boas notícias. Como é que isto funciona?
Namorisco contigo? Ou tu comigo? Não, namorisca com ela.
-É isso. -Noel.
-É inteligente. -Certo. Vamos com calma.
Veremos onde a noite nos leva.
O plano é esse? Não gosto e digo-te porquê.
Porque enquanto solteiro, usava essa estratégia com as miúdas.
Ia com calma, via onde me levava. Quase sempre, não levava a lado nenhum.
Mas os tipos que não iam com calma, vê só,
a noite levava-os exatamente onde queriam.
Eu entendo, mas não somos adolescentes no primeiro encontro.
Não queremos que alguém faça algo de que se arrependa.
-Isso é importante. -Ótimo.
Temos um objetivo, lembra-te disso. Age normalmente.
Sim. Acho que é o melhor.
O que é o melhor?
Olá. Ela assustou-me. Assustaste-me.
Meu Deus.
Impostos. Estava a falar dos benefícios de uma conta PPR
para fins fiscais, com o crescimento do negócio.
Sim, como freelancer, isso faz todo o sentido.
O Noel quer um ménage à trois.
Eu alinho completamente. O que achas?
Então... Então... Desculpem. O que...
Com licença.
Não fizeste o que falámos.
-Não, fiz o oposto. -Sim. O engraçado é que
o plano era teu, lembras-te?
Era teu e estragaste-o logo.
Eu sei. Mas a seguir, não me pareceu a forma correta.
Meu Deus. E agora?
-Devias ir falar com ela. -Sim.
Pediste-lhe para fazer um ménage à trois?
Perguntei se ela estaria interessada num, caso tu quisesses.
Era por ti e pelo que quisesses fazer.
É normal? Perguntas às mulheres se querem ir para a cama connosco?
Nunca. Não. Claro que não.
Achaste que por termos um passado, faria sentido saltarmos para a cama?
Há uma certa lógica, sim.
-Parece que nem te conheço. -Está bem.
Por um lado, diria para não sermos dramáticos.
Por outro lado, diria
que foi essa reação que eu tive quando disseste que dormiste com ela.
Parecia que nem te conhecia.
E, depois, percebi
que não era assim tão chocante.
Não é chocante quereres fazer sexo com outra, fora do casamento?
Dentro do casamento. Dentro, contigo.
Acho que sou mais fácil de agradar do que tu.
Acho... Não sei. Amo-te. Adoro estar contigo.
Eu também te amo.
E adoro a intimidade, mas isso é uma parte do sexo.
Não estou a falar disso, estou a falar de foder.
Concordaste que era bom descontrolarmo-nos um pouco.
Não imaginei que estávamos a falar disso.
Estou a falar de experimentar algo novo.
Estás a sugerir incluir outra pessoa na cama.
Queres estar dentro de outra mulher.
Não se trata de outra mulher. Esquece isso.
Não se trata da Holly. Trata-se de nós.
Nós os dois, para ver se conseguimos ir mais além sexualmente.
Eu tentei foder-te no sofá.
É justo. Certo, sim.
Fazer sexo com um convidado por perto parece ser um bom começo.
Devia ter aceitado. A culpa é minha.
Mas estava a guardar-me para um ménage à trois.
A sério? Estás a admitir isso?
Estou a tentar ser o mais sincero possível.
Estou a ser bastante sincero e não vou tentar conter-me.
Aqui vai.
Pensei no ménage à trois porque vi uma oportunidade.
Podemos pensar em grande.
Podemos pensar em grande e, depois, assentar num meio-termo agradável.
Meu...
Isto é muito para digerir, Noel.
É muito.
Que queres que faça? Que a mande embora?
Não, a culpa não é dela. A culpa é tua.
Diz-lhe que não vamos fazer um ménage.
Ela pode ficar. Só preciso de um tempo a sós.
Desculpa.
Chega, querido.
Ela está muito zangada?
Zangada não é a palavra certa.
Não, ela parece consternada.
-Mudei o plano quando lhe mentiste. -Entrei em pânico.
Sou novo nisto. O que devia ter feito?
Não mentir.
Não é assim que se faz.
-Queres que fale com ela? -Não, não. Ela já vai descer.
Como queres lidar com isto agora?
Não há nada para lidar, Holly. Ela não quer um ménage à trois.
Vai descer e fingir que nada disto aconteceu.
E nós vamos fazer o mesmo.
Está bem. Se é o que queres fazer.
Não quero que a minha mulher me odeie.
Ouve, a pior parte já passou.
Está na hora das consequências.
Conhecendo a Audra...
...lá no fundo, ela quer.
Eu estou bem. Está tudo bem.
-Vou acabar a loiça. -Eu lavei-a.
Obrigada.
O Noel acha que não devemos falar do ménage à trois.
Porque queres fazer sexo comigo e com o meu marido?
Porque não quererias?
-A sério? -Sim.
Há... Há várias razões.
Eu sei as razões óbvias e são chatas.
-Não precisas de me dizer. -São óbvias porque são universais.
Acho que posso dizer que estamos atraídos uns pelos outros.
E quando o Noel falou do ménage à trois,
achei que podia ser a melhor versão que alguma vez imaginei desta noite.
Uma ótima conversa, um ótimo jantar, vinho.
Talvez um... brownie de erva.
-E sexo com a minha melhor amiga e o marido. -"Sexo com a minha melhor amiga e o marido"?
O sexo em grupo nem sequer é uma possibilidade para pessoas comuns.
Não tens nada de comum, Audra.
Não faças isso. Não tentes elogiar-me. Tu percebeste.
Está bem.
Esquece as razões porque não devemos foder uns com os outros
e pensa:
de um a dez, qual é a tua vontade?
-Noel? -Dez.
Dez em dez, sinceramente.
E eu também.
Quanto mais falamos nisto, mais empolgante se torna.
Esta conversa é estranha, não é? É estranha. Quem tem conversas destas?
Eu não tenho.
Quero que esta conversa acabe.
Sim.
De certeza que é boa ideia?
Provavelmente não.
Um pedaço grande.
Comi a dose certa?
É muito bom.
Sinto o sabor da canábis. Veem?
Consumi drogas.
São deliciosas.
Porque me consideras a tua melhor amiga depois de tanto tempo?
Não é uma questão de tempo.
Nem o quanto me magoou quando acabaste com a amizade.
Eu sei que nem sempre fui a amiga que devia. Eu sei disso.
E tenho saudades tuas.
Diverti-me imenso contigo.
E ensinaste-me mais coisas sobre mim mesma
durante aqueles dois anos do que alguma vez aprendi.
Foste a amiga certa, no momento certo.
Não há nada mais precioso.
O que aconteceu?
O sexo estragou a amizade?
Nem por isso.
Há quem dê mais trabalho do que vale.
Sempre foi o meu problema.
Foi tanto culpa tua como minha.
É a melhor bolacha que já comi em toda a minha vida.
Está prestes a melhorar.
Lembras-te de quando me convenceste
a conduzir 17 horas para ver uma chuva de estrelas no deserto?
Sim. É verdade.
Isso foi dois dias antes dos exames. Qualquer pessoa normal estaria a estudar.
Tu querias ir. Estavas tão empolgada. Levaste roupa para uma semana.
-Sou uma pessoa preparada. -Eu sei.
Havia muitos sacos para sandes.
Quinze horas depois, do nada,
vimos uma família à beira da estrada.
E tivemos de os ajudar.
-Estávamos no meio do nada. -Podiam ser assassinos.
-Assassinos? -Está bem, não eram assassinos.
Era uma família adorável a caminho da quinceañera.
E ela tentava convencer-me
que a chuva de estrelas iria ser a coisa mais incrível que veria na vida.
Iria ser incrível. Lindo.
No entanto, dei por mim com sete estranhos no meu Honda Civic,
a ir na direção contrária, a caminho de uma quinceañera.
-Foi uma noite memorável. -Foi uma boa noite.
Muito bem, eu vou nadar, portanto...
Está muito frio.
Não está nada. Vou nadar.
-Venham. Está ótima. -Não está nada.
Tens uma piscina.
Quando foi a última vez que nadaste nua na tua piscina, à noite?
Nunca.
-Não. -A última vez foi nunca.
-Não! Está muito fria. -Bem visto. Bem visto.
Sim, apanha-a!
Não quero! Deixa-me...
Não! Não!
Desculpa!
Não posso comer mais.
A sério? Está bem.
Na verdade...
Meu Deus.
É o melhor brownie que já comi.
-Disseste o mesmo da bolacha. -Porque é verdade.
São deliciosos, porra.
-Obrigada. -De nada.
-Noel. -Diz.
Devíamos investir na Delícias e Bolos da Holly.
Alinho. Vamos a isso.
Certo, descontraiam. Estão pedrados.
Eu estou bem e estou pedrada.
E quero investir na tua empresa.
-É tão bom. -Eu alinhava.
-Obrigada. -Ganhamos dinheiro. Imenso.
Não somos estúpidos com ele.
Temos contas poupança para filhos que ainda nem sequer existem.
Quando precisar de investidores, serão os primeiros a quem vou ligar.
Ótimo.
Não fui sincera contigo.
Nós estamos a tentar ter um filho.
Tentamos há um ano e ainda não aconteceu.
Vai acontecer.
Queria que achasses que era tudo perfeito. Não queria estragar a ilusão.
Sim, o Noel fez isso quando...
...me falou da vossa vida sexual nada fantástica.
Sim, é um pouco...
...comum.
-Como era entre vocês? -Não respondas.
Do que me consigo lembrar,
a Audra beijava muito bem.
Pois.
Já beijei muitos homens e bastantes mulheres e ela foi...
Ela foi, sem dúvida, a melhor.
É verdade.
É verdade. De tudo o que disse lá em cima, devia ter dito que beijas bem.
Acho que podemos dizer que a Audra é boa com a língua.
-Ela faz minetes como uma campeã... -Certo.
Certo. Vai com calma.
-É verdade. -Meu Deus!
Já não precisamos disto.
-Sim, já comi muito. -Sim. Pois comeste.
-Certo. O que é isto? -Estou só...
-Estás a sentar-te em mim. -Sim.
Estou a ver até onde posso ir.
Estava a pensar se podia receber um desses beijos.
Noel?
"A única forma de te livrares da tentação é ceder."
Oscar Wilde.
Diz-me para parar.
Sim. Sim, é como me lembrava, definitivamente.
-Vai atender. -Está bem.
-Ele veio-se em cima de mim! -Merda.
A tua mulher?
Eu estava a dormir e ele veio-se em cima de mim!
Foda-se.
Ela falou logo em divórcio.
Logo. Como se estivesse à espera.
Ela disse isso? Divórcio? Ela pediu o divórcio?
Não, não pediu. Pontapeou-me, bateu-me, repreendeu-me.
Exigiu o divórcio.
Não quis ouvir nenhuma explicação.
Tenho medo de perguntar, mas o que aconteceu?
Ela acordou na pior altura possível.
Porque eu estava em cima dela, a bater, a bater, percebes?
E fechei os olhos, porque estava quase.
E, quando estava prestes a vir-me, abri os olhos...
...e ela estava a olhar para mim.
A olhar.
Está bem. Certo.
Olhou o suficiente para perceber que não foi...
Não sei, um acidente ou um engano?
Ela podia estar a olhar para mim a tentar vir-me há...
...trinta segundos, não sei.
Não sei o que te dizer.
Se ela procura uma razão para se divorciar, essa é boa.
Não me digas "eu avisei-te".
Desculpa, meu. Tens razão.
Lamento.
Queres entrar? Talvez possamos conversar convosco ou...
A Holly não está aí?
Está.
Na verdade, acho que estávamos prestes a começar um ménage à trois
quando vocês estragaram tudo.
Não me digas.
Não. Credo.
Agora sinto-me ainda pior.
Pois.
Que animal faz aquilo, certo?
Credo!
Pensava que conhecia aquele cabrão.
Mas não, ele consegue surpreender-me.
Certo, eu estou pedrada, mas o que posso fazer?
Como posso ajudar? Queres água?
Queres tomar um banho? Dormir aqui?
Ligo à Polícia? Posso ligar.
-Devíamos ligar. -Não tens de fazer nada.
Só precisava de sair de casa antes que o matasse.
Está tudo bem.
-Certo, ele está a entrar. -Está?
No que estavas a pensar, idiota?
É justo. "Idiota" é justo. Sou idiota.
Ele é idiota. Concordamos todos.
-Posso explicar, por favor? -Há uma explicação racional para isto?
Não sei se é racional, mas há uma explicação.
Qual era a tua ideia?
Sinto-me impotente, Marnie.
Tu não te importas com o que quero, os miúdos também não se importam.
Sinto que a minha vida já acabou
e que não há nada que possa fazer.
Era uma vida ótima. Agora não presta.
Ninguém quer saber.
E é suposto sentir pena por causa disso?
Basicamente, descreveste o que é ser adulto.
Que é o que tenho de ser pelos dois.
Eu lido com as merdas todas para as quais não tens paciência.
Só estás preocupado por não fazer sexo suficiente contigo.
Sim, porque adoravas fazer sexo comigo.
Sim, também adorava consumir cocaína. As coisas mudam.
Não consumir cocaína não é o mesmo que não foder o marido.
Não. Mas são duas coisas que me davam muito prazer
e agora já não me interessam.
O que devo fazer acerca disso?
Não sei.
Não sei, Pete.
Mas não te podes vir em cima de mim.
Sabes que mais? Talvez possas.
Mas se falasses comigo, só falar, quem sabe?
Quem sabe, Pete? Talvez eu goste.
-Até posso gostar. -Gostas?
Não, idiota!
Isto estragou a noite toda.
Se permitirmos.
Estão sempre a acontecer coisas horríveis no mundo inteiro,
coisas muito piores do que o fim de um casamento.
Não podemos pensar sempre nisso.
A nossa tarefa é fazer do nosso pequeno...
...mundo o mais feliz possível.
-É o que acho. -Espera.
Estás a sugerir continuarmos?
-Sim. Claro. -Depois de vermos o acidente?
Vimos o acidente, mas não estamos envolvidos.
E podemos sentir pena deles e devemos,
porque, quer dizer, mas que raio?
Mas podemos celebrar por estarmos vivos.
Para continuar a analogia do acidente,
o casamento deles já ia em direção ao muro há muito tempo.
Quer sobrevivam ou não,
não vai depender de nada que façamos aqui hoje, certo?
Não.
Vamos mesmo fazer isto?
Desculpa. Desculpa.
-Sim. -Está tudo bem?
Desculpa.
Desculpa.
-Trouxe água. -Obrigada, querido.
Caso estejam... sedentas.
Isto foi...
...divertido.
-Amo-te, Audra. -Também te amo.
Posso ligar ao meu pai e contar-lhe o que se passou?
-Não podes contar ao teu pai. A ninguém. -Estou a brincar.
Parece que tens vergonha do que fizemos.
Só tenho um desejo normal e saudável por discrição.
Quando fazemos sexo, só nós, não fazes tanto barulho.
Podemos não analisar isto agora?
-Desculpa. -Por favor.
Como alguém que já o fez algumas vezes, devo dizer que...
...saíram-se muito bem.
Não só no desempenho, mas lidaram com isto muito bem.
Avalias-nos no final? É assim que funciona?
Não, só fiz uma observação.
Mas tiraram nota 20.
Isto foi um erro.
Porquê? O que se passa?
Não fui sincera contigo, Noel.
Eu estava apaixonada pela Holly.
Não era só amizade, eu estava apaixonada.
Não sei como aconteceu. Nós éramos amigas.
E, depois, apaixonei-me por ela.
Apaixonei-me tanto por ela como por qualquer homem.
Não a amava tanto como a ti,
mas amava-a mais do que alguma vez tinha amado alguém.
Não achas que devias ter dito isso antes de fazermos sexo?
Tu é que querias esta fantasia. Eu nunca o faria. Estar com ela...
-...tem efeito em mim. -Merda.
Meu Deus.
Nunca te disse o que sentia, mas, para mim, não eram só curtes.
Para mim, estávamos numa relação.
E depois, começaste a dormir com outras pessoas...
...e isso fez-me sentir estúpida.
Por isso é que não podia ser tua amiga.
Minimizaste tanto quando disseste que só tinham ido para a cama umas vezes.
Eu sei, eu sei. Não estava pronta para admitir mais.
Estava nervoso a pensar que tinha causado problemas no casamento
porque fodi outra mulher, e agora eu é que estou ciumento.
Inacreditável. Tenho ciúmes da outra mulher. Foi assim que acabou.
Eu também te amava.
Desculpa?
Nunca tinha amado ninguém e estava aterrorizada.
Eu...
Eu sabia que também me amavas.
Estava apaixonada por ti e não sabia lidar com isso. Desculpa.
Olá. É o Noel outra vez.
Não podes fugir e tornar-te lésbica. Sabes isso?
Não vou a lado nenhum, Noel. Não te passes.
Agora é um pouco difícil.
Então, fizeste-me sentir como outra...
Nunca foste só outra. Sempre foste especial para mim.
Não sei o que fazer. Não sei mesmo. Deixo-vos a sós?
Digo-te para te ires embora? Não sei.
Espera. Preferes fazer sexo comigo ou com ela?
Contigo.
Demoraste muito a responder. Muito.
Não tem comparação, Noel. É...
Nem consigo comparar. São muito diferentes.
Queres roubar a minha mulher? É isso?
Não.
Muito bem, isto não foi ideia minha.
Agora, eu...
Vou-me embora.
Acho boa ideia.
Adeus.
Calma, calma!
O que se passa aqui? Parem com isso.
É um beijo de despedida.
Não tens de ir, Holly. Somos adultas.
Ficou intenso porque os sentimentos antigos
estão a subir à tona.
Por isso é que ela tem de ir.
Eu sei que é complicado, Noel.
Está bem? Mas és meu marido.
Fazes-me feliz. Estamos comprometidos para sempre.
Está bem. Mas não voltem a fazer aquilo.
A sério, não podem. Eu impus limites.
Sim, é um pouco difícil.
És uma droga para mim, então...
Não podes falar com ela assim.
-Está bem. -Eu sei como te sentes, Noel.
Impossível. Nem eu entendo como me sinto.
Porque não nos acalmamos e falamos sobre o que sentimos?
Conversamos calmamente.
Está bem. Por mim, tudo bem.
Acho que sinto uma atração sexual...
...irresistível por ti
e quero continuar a foder-te.
Plano B. Se é assim que te sentes, não vamos falar.
Só fui sincera. Pensei que era suposto.
Não podemos.
Não podemos. Podemos?
Não. Se tenho voto na matéria, prefiro que não o faças, Audra.
Sim, é melhor ficarmos por aqui.
Tu dormiste 11 horas, mas nós precisamos de dormir.
Vai para o quarto e vemo-nos amanhã.
Ou podemos dormir juntos.
Não!
Pois.
Boa noite.
Tenho de te dizer outra coisa.
O quê?
Engravidei no secundário.
Sofri um aborto, mas engravidei, sem sequer tentar.
Portanto, em termos de fertilidade...
Não te disse porque não queria que achasses que a culpa é tua.
O quê? Porque te estás a rir?
Fui à médica fazer uns exames, há uns meses.
Ela disse que o meu esperma está bom.
Portanto, não sou eu.
E não és tu.
Simplesmente não aconteceu.
Mas acontecerá.
Bom dia.
Então?
Então...
Ontem foi...
...uma loucura.
No mínimo, sim.
Holly, ouve,
não quero que aches que estou chateado nem triste nem nada.
Basicamente, tivemos o que queríamos.
Aconteceu que foi mais do que eu esperava.
Fiz o pequeno-almoço.
Tem ótimo aspeto. Obrigado.
Só há dois pratos. Não ficas connosco?
Não. Acho que já estivemos juntos o suficiente para uma visita.
Na verdade, é melhor ir indo.
Noel, posso dar-vos um abraço de despedida?
-Sim, acho que um abraço é razoável. -Sim.
-Adeus. -Adeus, Holly.
-Adeus. -Adeus, querida.
Talvez voltemos a repetir, daqui a dez anos.
Certo. Não me levem à porta.
-Comam enquanto está quente. -Está bem.
-Obrigada. -Adeus.
As panquecas têm canábis.
Estava a pensar se devia contar ou não. Desculpem.
Não, na verdade, não lamento.
-Ainda é fim de semana. -És inacreditável.
Já me disseram.
Adeus.
-Aquilo aconteceu. -Pois foi.
A Holly Dormiu Cá
Os últimos meses têm sido fantásticos. A nossa terapeuta é incrível.
As merdas que ela diz deixavam-te parvo.
Ai sim? Tipo o quê?
Então, ela olha para a Marnie, diretamente nos olhos,
e diz: "Quer que este casamento funcione?
Faça sexo oral ou masturbe o seu marido uma vez por semana."
-Não acredito. -"É algo que o Pete precisa."
-A sério? -Sim.
E eu também tenho de fazer coisas pela Marnie.
Ela gosta de massagens nos pés.
Eu acho que os pés são nojentos, mas ela deve pensar isso do meu escroto.
-Tu e o Pete parecem recém-casados. -Eu sei.
Ganhámos uma nova estima um pelo outro.
É bom estarmos juntos após uns meses separados
e vê-lo a trabalhar genuinamente na nossa relação.
Não sei. É como se me libertasse de anos de ressentimento para com ele.
Além disso, caguei em cima dele.
-O quê? -Sim.
Sinto que ficámos quites e que precisávamos disso.
Estou a brincar. Não caguei no Pete, mas queria.
A Holly Dormiu Cá
Tradução das legendas: Daniela Gomes
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