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Os escritores no nosso pa�s, melhoram de dia para dia.
Dantes era habitual virem para estes encontros liter�rios de bicicleta...
mas agora chegam de carro.
No ano passado, eu tamb�m tinha uma bicicleta...
mas tive que vend�-la para publicar o meu romance.
Vamos. - Sim.
Respeit�vel presidente, Dr Banerjee, Dr Kulkarni e cavalheiros...
Agrade�o ao Fundo Rustomji Petit, atrav�s desta associa��o liter�ria...
por anunciar o pr�mio Saraswati e encorajar os escritores.
Este pr�mio � atribu�do ao melhor livro do ano.
Este ano, o facto mais surpreendente � que...
este � o primeiro trabalho do escritor.
E o escritor � um m�dico. Doutor Bhaskar Banerjee.
Ele n�o � apenas famoso na sua �rea medicinal e de �lcool...
Por favor, refira-se apenas � medicina.
Pe�o desculpas, o Dr Banerjee � conhecido pela sua medicina e...
n�o pelo �lcool.
� um not�vel especialista em c�ncro.
Apesar de estar rodeado por tais situa��es ...
escrever um romance como "Anand" � de espantar.
Antes de dar o pr�mio, pe�o que Dr Banerjee...
diga algumas palavras sobre o seu romance "Anand".
Onde e como encontrou inspira��o para escrev�-lo.
Eu...
Desculpem-me, mas eu n�o sei o que dizer...
Para falar com fraqueza, eu n�o sou escritor.
O meu h�bito de escrever inicia-se e acaba com o meu di�rio.
E o que voc�s assumem como a minha hist�ria ou o meu romance...
n�o passa de alguns extractos do meu di�rio.
Se pensam que "Anand" � fic��o ou imagina��o minha...
ent�o a culpa � da minha escrita. � de facto uma falha minha.
O Anand adorava fazer amigos.
Para onde quer que fosse, estava sempre � procura de um amigo.
Por essa raz�o � que publiquei o meu romance.
Para que se possa espalhar a sua amizade por esse mundo fora.
Quando conheci o Anand, sentia-me inst�vel.
Estava muito desiludido com a minha profiss�o de m�dico.
depois de ter visto todo o tipo de doen�as, pobreza e cat�strofes...
tinha perdido todas as esperan�as na vida. Sentia-me desamparado.
Conseguia combater as doen�as, mas como podia lidar com a fome e a pobreza?
tentei combater, mas n�o tinha as armas adequadas.
reparei que muitas pessoas tinham falta de vitaminas.
Mas quando morriam de fome, de que serviam as vitaminas?
Os medicamentos poderiam curar doen�as mas n�o a pobreza.
Mesmo depois de tantos anos de independ�ncia...
as pessoas n�o t�m dinheiro para comprar sal.
Como posso pedir-lhes para coprarem medicamentos?
Doutor. - N�o depende de mim.
Doutor, por favor fa�a algo. - Que posso eu fazer. Eu sou Deus?
S� resta rezar.
Doutor, coma uns docinhos, a Laxmi teve um rapaz.
O meu neto.
Um acabou de morrer e outro nasceu j� preparado para morrer.
Eu admito que a vida � mais forte que a morte.
Mas esta vida n�o � pior do que a morte?
Quando me graduei, jurei salvar vidas.
E agora, a cada passo, sinto que estou a salvar mortes.
Munna. - Sim?
N�o vais comer?
Coma o tio. Se me apetecer, como qualquer coisa mais tarde.
Que g�nero de m�dico �s tu?
O teu pai tamb�m era m�dico.
Ele trabalhava dia e noite, mas nunca deixava de fazer as suas refei��es.
Ele tamb�m ganhou dinheiro e comprou esta propriedade.
Tu nem sequer te preocupas em ganhar dinheiro.
S� trabalhas no duro.
O teu amigo Prakash, construiu um hospital enorme.
Tio Raghu, deixe-me em paz.
Fazes-me um favor? - O qu�?
Traz uma nora para esta casa...
e a� poderei voltar para a minha aldeia.
Estou a falar a s�rio. Eu criei-te, e por isso...
n�o consigo ver-te nesta situa��o, mas tamb�m n�o posso deixar-te s�zinho.
Ei, tio Raghu.
Va l�, sirva-me a comida. Antes isso que o casamento.
Estaciona ali em frente.
Ol� doutor. - Espere por favor, estou a examinar este senhor.
Mas estou com pressa. - Pode vir amanh�.
Est� bem, ent�o eu espero.
V� a esta morada e fa�a um Raio-x.
� mesmo necess�rio esse Raio-x?
Agora tenho estado a dar 2 li��es extra de m�sica...
por isso a minha garganta deve ter-se ressentido e est� a sangrar.
Pode ser qualquer coisa, por isso v� e fa�a o Raio-x.
O que foi? - N�o... nada, mas o Raio-x...
O doutor sabe da minha situa��o.
N�o precisa de pagar. Eu telefono ao meu colega...
o Dr Prakash Kulkarni. V� l� ter com ele.
Doutor, os meus relat�rios j� chegaram?
Sim. Sente-se por favor. O senhor est� �ptimo.
Parece desapontado. - N�o.
O Dr Kulkarni disse-me que o senhor era especialista em c�ncro.
Especialista em qu�? Em dar ou em curar o c�ncro?
Est� bem doutor. Mas eu desenvolvi outra complica��o.
N�o consigo dormir e sinto-me cansado durante o dia.
D�-me um bom medicamento.
O senhor adora tomar medicamentos, n�o �?
Se eu lhe der uns comprimidos ou c�psulas coloridos...
ou receitar-lhe um medicamento n�o dispon�vel nas farm�cias...
ent�o j� se contenta e acredita que eu sou um bom m�dico?
Se me pode receitar um medicamento, ent�o fa�a-o...
� que, n�o faltam por a� m�dicos que o fa�am.
Saia, por favor.
Qual � o pre�o das suas consultas?
Eu cobro pela consulta n�o por incutir bom senso nas pessoas.
O Dr Kulkarni, por favor? � o Dr Banerjee.
Prakash, aqui o Bhaskar.
Mandei-te um rapaz para um Raio-x. Ele chama-se Ranjit.
Examina-o por favor.
Tens as amostras da estreptomicina? Guarda-me algumas, por favor.
Carta de quem? - Trivedi.
O ginecologista de Deli, escreveu depois de tanto tempo?!.
Vou ao laborat�rio esta tarde...
e estarei l� por volta das 16H.
CASA DE REPOUSO KULKARNI
Irm�. - Bom dia, Dr Banerjee.
O Dr Kulkarni est�. - Sim, ele est� � sua espera.
Lembre-se, Sra Sanyal, toma as c�psulas verde e vermelha juntas...
e depois de meia-hora, os comprimidos cor-de-rosa.
A seguir, as c�psulas verde e amarela...
e meia-hora depois os comprimidos cor-de rosa.
Ah, sim, os comprimidos brancos que receitei, continue com eles...
Um de manh� e outro ao final da tarde.
Desculpem. - Tudo bem, Bhaskar, entra.
Ah, esqueci-me de mencionar uma coisa.
H� algo de errado comigo nestes dias...
Sinto-me assustada. - Porqu�?
Mandei apertar as minhas blusas o m�s passado, e agora est�o-me muito apertadas.
� material encolhido de f�brica.
N�o, Sra Sanyal n�o menospreze os sintomas.
Quero verificar o seu colesterol sangu�neo. Passe por c� no s�bado.
Oh n�o,no s�bado n�o,tenho a festa Kitty (festa organizada por senhoras em datas espec�ficas,com fins diversos).
N�o posso vir na 6� feira?
Sexta,... deixe-me ver.
Pode ser.6� feira �s 9 da manh�. - Est� bem.
Aqui tem o cheque de 500 rupias referente ao m�s passado.
Obrigado. - Ahn!
Quero dizer, por este cheque.
Tudo bem, doutor. Adeus.
Anda, Bhaskar... senta-te por favor.
Estavas a falar-lhe do colesterol, que sabe ela sobre isso?
H�s-de permanecer sempre um m�dico.
Se eu n�o impressionar, como posso eu fazer com que ela ganhe confian�a?
Eu sei o que lhe dirias, se ela fosse ter contigo.
O mesmo que disseste ao Chandranath que o deixou furioso.
"Ande 2 horas de manh� e jogue 2 horas ao fim da tarde...
Ao fim de 15 dias ela n�o precisava de ti nem de mim.
Havia de jogar badminton por puro prazer...
e n�s a mendigar nas ruas.
Se querias fazer isto, porque � que cursaste medicina?
Poderias ter aberto uma loja.
Se eu vendesse leite, haveria de juntar-lhe �gua...
E se fosse advogado...
Extorquia dinheiro do conflito e salvava-o a ele.
Eu consigo reduzir as dores de est�mago e de dentes, nesta profiss�o.
E achas que isso est� correcto?
N�o h� nada de mal nisso, Bhaskar.
O rapaz que me mandaste para o Raio-x.
Sim, o que tem ele?
Tem vest�gios de tuberculose no pulm�o esquerdo.
Disse-lhe para c� vir tomar uma injec��o todos os dias.
Achas que ele pode pagar isso?
Para compensar esses tratamentos, tenho que "sacar" dinheiro de pessoas como a Sra. Sanyal.
Ela paga e n�o est� livre de impostos.
Eu sei que ela n�o est� doente.
Mas tem d�vidas acerca da sua sa�de...
Eu curo essas d�vidas. Que h� de mal nisso?
Eu compreendo, Prakash.
Mas n�o achas que algo est� errado?.
Esquece. N�o vais entender e nem eu te posso obrigar a isso.
Esta � a carta do Trivedi. Ele mandou o hist�rico do caso.
Hist�rico do caso de quem?
L�. Ele tem um amigo, Anand Sehgal.
Conheci-o h� cinco anos em Deli.
Tornamo-nos amigos e ele � muito divertido.
o que � que ele tem? - Linfossarcoma intestinal.
Linfossarcoma. Fizeram-lhe uma bi�psia?
Que vantagens h� em mand�-lo para c�?
O Trivedi n�o sabe que n�o h� cura?
Sabe. Mas o Anand n�o tem ningu�m.
E ainda est� em fase de ambulat�rio.
Ele pode passear e gostaria de visitar Bombaim.
E quer encontrar-se connosco.
Podemos ministrar c� o tratamento que ele faz l�.
Esta � a radiografia dele... d� uma olhadela.
O que h� para ver?
Em poucos meses, haver� a distens�o do est�mago...
e o tumor vai rebentar.
Ou haver� anemia aguda e ele ter� dificuldade em respirar.
N�o se aguentar� mais de 4 a 6 meses.
Senhor, um Sr Anand Sehgal chegou.
O Anand de Deli. Ele s� vinha amanh�.
Mande-o entrar. - Aonde vai ele ficar?
Tratei das coisas aqui no hospital.
Ele � o melhor amigo do Trivedi.
Vai c� estar 3 a 4 meses e depois vai-se embora.
E enquanto c� estiver, temos que...
Amigo... - Ol�, amigo.
Eu disse-te que nos encontrar�amos de novo, n�o disse?
Senta-te. - Ouvi dizer que te casaste.
Como est� a tua esposa? - Muito bem.
Algum filho?... - Ainda n�o.
J� est�o casados h� 3 anos...
e ainda n�o t�m um rebento?...
� melhor consultarem o Trivedi. - Como est� o Trivedi?
O seu planeamento familiar est� em curso. Dois filhos � mais que suficiente, para cada fam�lia.
E os filhos dele? - Os filhos?
Sim , dois mais tr�s s�o cinco, o que � suficiente.
Anand, apresento-te o Dr Bhaskar Banerjee.
Babumushai(forma de se dirigir a um homem em Bengala). As raparigas chamavam-no de Babumushai na faculdade.
O Dr Trivedi contou-me tudo.
Ouvi dizer que muitas raparigas tinham um fraquinho por si.
Anand, s� te esper�vamos amanh�.
� um h�bito meu.
Quando eu nasci, o m�dico havia avisado...
que eu nasceria a 21, mas eu cheguei mais cedo.
Se o doutor anunciar a data da minha morte...
eu morro mais cedo.
Mantenho os meus haveres no teu escrit�rio.
A minha mala e o meu gravador.
Tenho roupas mas n�o tenho cama.
N�o te preocupes, tens um quarto preparado l� em cima.
Podes ficar aqui.
Estava a mostrar a tua radiografia ao Dr Banerjee.
Oh, ent�o o meu filme estava a ser exibido aqui.
Ei Babumushai, o que � que achou?
Eu informo o Trivedi, n�o se preocupe.
Mas isso diz-me respeito... porque � que n�o devo preocupar-me?
O que � que pretende saber? - Fale-me da doen�a.
O que � que vai ganhar em saber?
Nada, mas diga-me na mesma.
Se eu lhe disser que o senhor tem um linfossarcoma...
o que � que vai entender? - O qu�? Repita l� por favor.
Linfossarcoma intestinal.
Espl�ndido! Que nome! Parece um nome da realeza.
Que grande doen�a!
O senhor � um grande m�dico, Babumushai.
Linfossarcoma intestinal.
Parece um an�ncio de r�dio.
Se as mulheres sofressem de uma doen�a destas...
pareceria que tinham adoptado uma crian�a inglesa.
Isto n�o � nehuma brincadeira. Sabe o significado dum linfossarcoma?
Sabe o que � esta doen�a?
Tenho um tumor horr�vel no est�mago...
e n�o viverei mais de 6 meses.
Talvez esse seja o nome t�cnico para esta doen�a.
Mas, porque � que assim de repente ficou zangado?
Ah, percebo. O senhor n�o est� zangado comigo mas consigo pr�prio...
Porque n�o pode curar-me.
Tanto amor, n�o � bom.
Por uma vez, posso examin�-lo? - Porqu�? Tenho algo de errado?
D�-me a sua m�o. - O pulso � aqui.
Nem pensar. Que idade tem? - Trinta.
Trinta. Se de 100 tira 30, quantos restam?
Setenta.
Setenta. N�o viver� mais de 70 anos.
Sabe qual � o seu problema?
O seu corpo est� a deteriorar-se lentamente.
O que quer dizer com isso?
Qual � a diferen�a entre 70 anos e 6 meses?
A morte chega num segundo.
Mas nestes 6 meses, eu viverei cada momento.
Babumushai, a vida deveria ser fabulosa... n�o longa.
Se tiver medo da morte... qual � a ess�ncia dela?
Enquanto estiver vivo, n�o estou morto.
Quando estiver morto, j� n�o existo.
Ent�o, porqu� ter medo da morte?
Desculpe, Sr Anand.
Babumushai, a vida � curta e o tempo � fugaz...
Temos que viver depressa, e ser r�pidos...
pelo menos acabe com esse "senhor".
O que � que achas? - Sim, ele far� isso...
Irm�, h� um quarto preparado l� em cima. Leve-o para l�...
Eu j� l� vou ter.
Anand, vais ser examinado daqui a dois dias.
Certo. Este ser� o �nico exame...
em que, quem examina n�o est� a estudar o caso...
mas o examinado, tem que faz�-lo.
Desculpe-me.O Trivedi avisou-me que n�o deveria fazer brincadeiras consigo...
mas que poderia eu fazer? � j� um h�bito meu.
Bhaskar, ele sabe que est� a morrer...
No entanto, � t�o cheio de vida...
Se calhar � por isso que ele... O que � que pensas do caso?
Achas que � poss�vel fazer algo? -N�o,nada.A doen�a � de tal ordem...
que enquanto n�o existem sintomas secund�rios, n�o a detectamos de todo.
Quando finalmente o conseguimos, j� � tarde.Nada se pode fazer.
Deixe as coisas aqui.
Se precisar de alguma coisa, toque a campainha.
Para onde vai, irm�? - Eu estou a trabalhar.
Mas quem cuida de mim? - Eu cuido, n�o se preocupe.
Sente-se para conversarmos. Estou aqui s�zinho.
Tem medo de ficar s�zinho?
N�o, n�o tenho. Mas queria conversar com algu�m.
Pode fazer uma coisa. H� ali um espelho...
Sente-se em frente dele e fale.
J� tentei isso. � aborrecido.
A nossa matrona vem a� agora. Vai conhec�-la.
Ela � muito querida.
o que � que faz aqui? - Estava ali no quarto...
N�o sabe o hor�rio das visitas?
N�o. N�o sei.
N�o pode visitar nenhum paciente antes das 16 horas.
E se eu quiser falar com um m�dico?
V� ali � secretaria. Ali encontra o regulamento.
N�o podemos quebr�-lo de vez em quando?
Certo, certo... mas porque haveriamos de faz�-lo?
Anand, o que � que fazes aqui?
Mas... aqui toda a gente me faz a mesma pergunta.
Isto � um hospital ou uma escola?
Uma professora, acaba de me fazer essa mesma pergunta.
Agora o director do hospital.
Doutor, n�o est� nenhum paciente no quarto.
O paciente � um maroto, irm�.
Vai ter que usar uma vara para o p�r na ordem.
Anand,apresento-te a nossa matrona, a Sra. D'sa.
Irm�, ele � o nosso paciente... O Anand.
Vamos, irm�. Vamos para o quarto.
Entre, irm�. Sente-se por favor. Ent�o a senhora � a matrona.
Ouvi dizer que fala muito. - Cale-se.
� assim que fala?
N�o me ouviu? Deite-se e cale-se.
A pessoa n�o pode morrer em sil�ncio, irm�...temos que emitir algum som.
Em 24 horas, passamos 8 a dormir...
e 4 horas a comer e beber.
Se eu viver um ano,n�o aproveito 6 meses dele.
Se vivo 6 meses, 3 deles v�o-se.
se vivo 3, perco 1 m�s.
J� lhe disse para se calar e deitar-se. Deite-se!.
Hoje, conheci o Anand Sehgal de Deli.
Senti como se um tornado tivesse invadido a sala.
Ele riu-se e brincou a toda a hora...
mesmo sabendo que a sua morte est� pr�xima.
Pergunto-me se ele estaria a rir-se da morte ou da vida.
O Babumushai est�? - Babumushai?
Sim, o doutor. - Est� sim. Como se chama o senhor?
Diga-lhe que est� aqui o Anand.
Sr Anand. - O que � que n�s decidimos?
Est� bem.Como � que vieste para c�?
Fugi. Que raio de amigo �s tu?
Deixaste-me ali fechado e desapareceste.
Se me queres l�, tens que ficar comigo.
Eu n�o fico l� s�zinho.
Mas � necess�rio que l� fiques.
N�o, n�o � n�o.
Se eu tenho que viver, tenho que rir.
Eu adoe�o naquela enfermaria.
Eu n�o vim c� para o tratamento. Eu sei disso tudo.
Eu vim para c� para estar convosco.
Babumushai, nem eu nem tu temos companhia...
enquanto eu estiver vivo, deixa-me ficar aqui, por favor.
Est� bem. mas informaste l� na casa de repouso que vinhas embora?
N�o, mas deixei um bilhete para a matrona.
Telefona ao meu amigo por favor, e conta-lhe tudo.
Tio Raghu...Onde tens a bagagem? - Ficou l�.
N�o h� problema. Tio Raghu leve-o l� para cima...
ponha-o no quarto ao lado do meu.
Vou ligar ao Prakash a inform�-lo de tudo.
Tio Raghu, sente-se. Podemos ver isso do quarto mais tarde.
Diga-me, quem � que cozinha aqui? - Eu.
Espero que cozinhe bem. Eu tenho 2 hobbies na vida...
Falar e comer. Quando falo muito, tamb�m como muito.
N�o v� como estou robusto? Vamos. Leve-me para a cozinha.
Estou, o Prakash est�? Para onde foi ele?
Fala o Banerjee.
Para a minha casa, os dois? �ptimo.
Estou a ligar de casa.
Entra, Prakash, onde est� a tua mulher?
Est� a� a chegar. Como � que soubeste?
Acabo de ligar para a tua casa.
Ol� cunhada, ent�o resolveram fazer-me uma surpresa.
Suman veio fazer-te um convite.
Convidar-me? Sou um sortudo. alguma ocasi�o especial?
H� tr�s anos atr�s, cometi um erro, que ela quer celebrar.
Ah,o vosso anivers�rio de casamento!
Ele � esperto. Acertou logo no erro que eu cometi.
Ele cometeu o erro, mas eu � que fui apanhada nele.
Entrem.
Babumushai. O teu Raghu Kaka (tio) fez um excelente...
fui apanhado!
Como � que vieste c� ter?
N�o � culpa minha. O Babumushai obrigou-me.
Eu disse-lhe que ias ficar zangado, mas ele disse que depois explicava...
e tu n�o dirias nada.
N�o fiques zangado com ele, coitado, ele est� muito s�zinho.
Sim. Eu compreendo. - Sim?
Olha, esta � a Suman, a minha...
Ol�, cunhada.Desculpa-me, n�o te tinha visto.
Ele est� a tentar apresentar-nos.
Na verdade, eu vim de Deli para te conhecer.
A mim? - Eu tinha uma tarefa importante.
Que tarefa?
Cantar aquela can��o que cantaste antes do vosso casamento...
para o meu amigo.
Que amigo!E que local bonito para se cantar uma can��o!
Quem te contou isso?
Como se n�o soubesses. H�s-de ter sido tu, quem lhe contou.
N�o gosto nada disto. Envergonhas-me perante outras pessoas.
Mas, juro-te que n�o lhe disse.
Sim, ele n�o me contou.
� a astrologia. Eu sei ler a cara das pessoas.
O teu pai bateu-te antes do casamento.
N�o, isso nunca.
N�o mintas, e n�o sejas t�mida.
Lembra-te, foste ver um filme no cinema Metro...
E sentaste-te no restaurante Kit-Kat, em frente...
ao cinema e jantaste com o meu amigo.
numa noite, o teu pai viu-vos e deu-te uma tareia...
Agora diz-me que n�o lhe contaste nada!
Sim, diz-lhe.
O Trivedi deve-lhe ter contado. - O que quer dizer que contaste ao Trivedi.
Do que vos vale discutir agora? por favor, Bhabhi (cunhada).
Sim, Bhabi - Sim. Bhabi.
Porque � que me tratas por Bhabi?
Segui a maioria.
Eu estou a dizer a verdade.Eu n�o canto.Ele est� apenas a provocar-me.
Anand, depois de amanh� � o nosso anivers�rio de casamento.
Est�s convidado, vais com o Bhaskar. - Certamente que sim.
Bhabhi, quais s�o as tuas flores preferidas? Vou comprar um ramo enorme.
Tu n�o podes ir. - Porqu�?
N�s n�o aceitamos presentes. - E aceitam dinheiro?
N�o vamos fazer uma festa. O convite � s� para voc�s.
N�o te sintas obrigado.
Eu n�o, mas voc�s v�o sentir-se.
Tem que haver uma variedade tal de comida...
para que nunca tenha o est�mago vazio.
N�o h� problemas, eu ponho-te montes de comida em sacos.
Mas com uma condi��o. - Qual?
Tens que nos cantar uma can��o, agora.
Sei que cantas muito bem. - Como � que sabes?
A velha astrologia! - Queres dizer,tamb�m l�s na cara?
Sim, eu sou o astr�logo dela. Eu contei-lhe. Agora canta.
Aqui tens o �rg�o para te acompanhar. - Vamos a isso.
Deixa-me sentar.
"Seleccionei sete cores de sonhos, apenas para ti.
Sonhos, sonhos melodiosos.
Seleccionei sete cores de sonhos, apenas para ti.
Sonhos, sonhos melodiosos.
Uns s�o alegres, e outros tristes.
Mem�rias soculentas, roubadas das sombras dos teus olhos.
Seleccionei sete cores de sonhos, apenas para ti.
Sonhos, sonhos melodiosos.
Poucas palavras.
Grandes mem�rias s�o feitas de poucas palavras.
N�o me esqueci de um s� momento que pass�mos.
Poucas palavras.
Grandes mem�rias s�o feitas de poucas palavras.
N�o me esqueci de um s� momento que pass�mos.
Em cada vida os meus olhos procuraram por ti nesses caminhos.
Seleccionei sete cores de sonhos, apenas para ti.
Sonhos, sonhos melodiosos.
Noites tristes.
Tornei-me amigo das noites, quando estas eram tristes.
E �s vezes procurava as manh�s do dia anterior para te oferecer.
Noites tristes.
Tornei-me amigo das noites, quando estas eram tristes.
E �s vezes procurava as manh�s do dia anterior para te oferecer.
Sem ti, mas s� para ti, acendo as luzes � noite
Seleccionei sete cores de sonhos, apenas para ti.
Sonhos, sonhos melodiosos.
Seleccionei sete cores de sonhos, apenas para ti.
Sonhos, sonhos melodiosos.
Anand, espera no escrit�rio do Prakash. J� l� vou ter.
Quando � que chega a matrona?
Quem? A Sra. D'sa? - Sim.
J� c� est�. - Ent�o sou um homem morto.
Porqu�? O que � que aconteceu? - Nada, n�o te demores.
Ei, gorducho.
Murarilal, que est�s aqui a fazer? Est�s bom?
N�o me reconheces? Sou o Anand.
Bebemos umas cervejas no Qutub Minar e apanh�mos uma bebedeira.
Como est� o teu neg�cio de a��car mascavado?
N�o me chamo Murarilal nem vendo a�ucar mascavado.
Eu chamo-me Chandranath e negocio no ramo das gasolinas.
Ent�o viraste-te para as gasolineiras. - N�o.
� j� um neg�cio familiar de h� muito tempo.
E que import�cia tem, Murarilal? Qualquer neg�cio � igualmente bom.
J� lhe disse que o meu nome � Chandranath.
O que � que h� num nome?
Se o teu nome fosse outro qualquer, serias diferente?
N�o. Terias o mesmo neg�cio e havias de me conhecer.
V� l�.Aperta aqui.Tenho muito gosto em conhecer-te. Tu tamb�m?
Ent�o Sr. Chandranath, o que o traz por c�?
Tenho uma nova complica��o. Umas dores alternadas.
Dores alternadas. J� tive isso. N�o h� m�dico melhor para isso.
Primeiro tive a dor aqui...
Depois subiu e sa�u-me pela cabe�a.
Onde � que a sentes? - Nos joelhos.
Isso vai levar muito tempo. Problemas.
Doutor,existe algum medicamento que mude a dor para que ela saia pelos p�s?
Sim, doutor, d�-me esse medicamento.
Est� bem. V� at� a secretaria e preencha a ficha de admiss�o.
Est� bem, vou fazer isso. - N�o te preocupes, Murarilal.
N�o me chamo Murarilal! Chamo-me Chandranath.
Anand, queres acabar com o meu neg�cio?
Porque � que estavas a provoc�-lo?
Provocar? N�o! Eu estava a louv�-lo.
Posso entrar, senhor? - Matrona! � meu Deus!
Entre, Sra. D'sa.
Senhor,o Dr Banerjee est� � sua espera.
�ptimo.
O que est� a fazer aqui? - Estava a rezar.
Para onde � que fugiu? - Para casa.
Para casa? - A casa do Dr Banerjee.
Porque � que n�o me contou isso? - Porque estava com medo.
Sabe que o Dr Kulkarni me repreendeu por sua causa?
E ent�o? A senhora tamb�m me est� a repreender.
O senhor fala demais. - Sim, eu sei.Foi por isso que eu fugi.
N�o sobrevivo sem falar...
e a senhora mandou-me deitar e calar.
Sou rigorosa para o meu pr�prio bem estar.
Tenho que tomar conta de crian�as como o senhor.
Uma m�e n�o tem que repreender os seus filhos?
Sim, eu percebi isso mais tarde.
Porque � que toda a gente a trata por irm�?
Deviam cham�-la de M�e. A m�e matrona.
H�-de seguir os conselhos desta m�e.
Sim, agora somos amigos, m�e.
Ent�o venha para o quarto.
N�o, para o quarto n�o. L� eu morro s�zinho.
Leve-me para a sua casa.
Eu amarro-o. - Ningu�m me pode amarrar, m�ezinha.
Eu fujo pelo meu pr�prio p�.
Bom dia, Sra. D'sa.
Bom dia, doutor. O Anand vai ficar consigo?
Sim. Ele n�o gosta da vossa casa de repouso.
Onde quer que ele fique, ele leva sempre a melhor sobre toda a gente.
Estava ainda agora a dizer que as pessoas n�o deviam tratar-me por irm�.
Deveriam tratar-me por M�e Matrona.
Ele tem raz�o.
Dr Banerjee, o que � que ele tem?
Ele... um linfossarcoma intestinal.
Oh! Isso est� no in�cio? Ele ter� melhoras?
N�o irm�, est� na fase final.
Deus te aben�oe. Que o Senhor te aben�oe com muitos filhos.
Malvado.
Quem? Eu ou Deus? - N�o tens vergonha?
O que foi que eu disse? Enquanto um cresce, H�-de nascer um mais novo...
e a seguir a esse, haver� outro...
Cala-te. N�o digas disparates.
Est�s a fazer pouco de Deus.
Sra D'sa - Entre por favor.
N�o me convidaram, mas como poderia esquecer o vosso anivers�rio?
As suas flores favoritas, filha.
N�o, tenho que dar aos dois juntos, senhor.
A senhora � muito parcial, Sra D'sa Tratou-me por senhor....
e a ela por filha.
Hoje n�o o trato por senhor. Rezarei pela vossa felicidade.
Deus a aben�oe, querida. - Entre.
N�o, baixe a cabe�a primeiro, para n�o me dizer que sou parcial.
Agora prepara-te.
Mas porqu�? S� v�o c� estar o Anand e o Bhaskar.
O Anand tamb�m vem? - Sim.
Ent�o vou-me embora. - Porqu�?
Desde que soube da sua doen�a, n�o consigo encar�-lo.
O que h� de mal com o Anand?
Nada, ele ficar� bem. - Eu vou-me embora, senhor.
Senhor, de novo?. - Oh, Tenho que ir, querido.
Coma pelo menos uns doces.
Tenho que ir � igreja.
N�o sabe que eu n�o como enquanto n�o acendo as velas?
Pronto, vou andando.
Escuta... - Sim?
Afinal o que se passa com o Anand? - Est� doente, mas vai ficar bem.
Ent�o porque � que a Sra. D'Sa tem medo de encar�-lo?
Ela � assim, um pouco sentimental.
Tem medo de todos os pacientes.
A Sra D'sa � uma matrona rigorosa.
Tenho a certeza que o caso � s�rio. Por isso � que est�s a esconder.
O padre ainda nem acabou o serm�o...
e a noiva j� est� ao lado do noivo.
Diz-me uma coisa, que tratamento � que ele te est� a dar?
O que � que se passa contigo? - � uma gripe normal.
Diz-me a verdade, n�o brinques.
Esse � o problema. Eu disse-te o termo em Hindu...
Mas se te falo em termos t�cnicos linfossarcoma do nariz...
acreditas em mim? - Est�s-me a mentir.
N�o sou teu irm�o. �s minha cunhada.
N�o sou n�o. Sou tua irm� e tu �s meu irm�o.
Est� bem. De agora em diante, vou tratar-te pelo teu nome, Suman.
J� chega, cunhado. Senta-te!
O que te deu assim de repente?
Ele est� a� de p� h� tanto tempo.
N�o tens vergonha? Como se sentir� ele?
Suman, ele tem raz�o. Tu �s minha irm� e ele � meu cunhado...
Deixa-o tratar-me como tal.
Bhaskar, sei que tu n�o me mentes.
Diz-me a verdade. O que tem o Anand?
Porque � que est�s a perguntar a ele? Os m�dicos n�o sabem nada.
N�o te preocupes comigo.
Um astr�logo disse-me que eu viveria at� aos 80 anos.
Ainda n�o consultei nenhum at� agora.
Ent�o tamb�m acreditas em astr�logos e Sadhus (m�stico que abdica de todos os valores materiais).
Porque n�o? - Ent�o vens comigo?
Eu tenho um tutor, que � um sadhu famoso.
O Mouni baba, ele n�o fala.
Oh meu Deus, estou feito. Ele nunca fala?
N�o, j� mandei muita gente ter com ele.
Ent�o, queres dizer que hoje em dia, todos os teus pacientes v�o para ele?
N�o admira que ele se queixe que o neg�cio n�o vai bem.
N�o brinques,vens ou n�o? -Claro.O teu professor,tamb�m � meu.
"Prasad" (uma b�ns�o de Deus). Reza por n�s.
Achas que precisas de nos dizer isso. Eu rezo sempre por voc�s.
Chamei-te de irm�o, por isso deixa-me tomar a tua b�ns�o.
A tua Bens�o. Vou preparar um ch� para voc�s.
Com que posso eu aben�oar-te?
Nem sequer posso pedir a Deus que te d� a minha vida.
"Algures, l� longe, quando o dia acaba"
"O crep�sculo insinua-se lentamente como uma noiva t�mida"
"Algures, l� longe, quando o dia acaba"
"O crep�sculo insinua-se lentamente como uma noiva t�mida"
"No meu jardim, de entre os pensamentos"
"Algu�m acende as luzes dos sonhos"
"Algures, quando o dia acaba"
"A noiva em forma de crep�culo, insinua-se de corpo escondido"
"�s vezes, quando sem mais nem menos o respirar se torna pesado"
"Quando as l�grimas humedecem os olhos sem raz�o aparente"
"�s vezes, quando sem mais nem menos o respirar se torna pesado"
"Quando as l�grimas humedecem os olhos sem raz�o aparente"
"Ent�o algu�m, muito ternamente"
"toca-me mas n�o pode ser visto, � invis�vel"
"Algures, l� longe, quando o dia acaba"
"O crep�sculo insinua-se lentamente como uma noiva t�mida"
"Umas vezes, estes cora��es nem sequer chegam a encontrar-se"
"e outras vezes, os la�os est�o l� de outras vidas passadas"
"Umas vezes, estes cora��es nem sequer chegam a encontrar-se"
"e outras vezes, os la�os est�o l� de outras vidas passadas"
"Muito pesado � o dilema, e estranho � o meu cora��o"
"que sendo meu, tolera a dor e a tristeza dos outros"
"Algures, l� longe, quando o dia acaba"
"O crep�sculo insinua-se lentamente como uma noiva t�mida"
"O conhecimento, conhece todos os meus segredos profundos"
"Como os meus sonhos foram realizados"
"O conhecimento, conhece todos os meus segredos profundos"
"Como os meus sonhos foram realizados"
"Estes meus sonhos, s�o apenas meus"
"Nem mesmo as suas sombras me deixar�o"
"Algures, l� longe, quando o dia acaba"
"O crep�sculo insinua-se lentamente como uma noiva t�mida"
"No meu jardim, de entre os pensamentos"
"Algu�m acende as luzes dos sonhos"
"Algures, l� longe, quando o dia acaba"
"O crep�sculo insinua-se lentamente como uma noiva t�mida"
Anand.
Ei, Babumushai... Quando � que chegaste?
Estiveste a ouvir a minha can��o em sil�ncio? - Sim.
E gostaste? - � linda, mas um pouco triste.
Mas a melancolia n�o � bonita, Babumushai?
Sim, mas sempre te vi sorrir e � por isso...
Queres dizer que todo o sorriso � cheio de alegria mas...
�s vezes a tristeza...
Anand, tu compartilhas sempre a tua alegria com os outros...
Partilha hoje as tuas tristezas comigo.
N�o, Babumushai, nunca as partilharei com ningu�m.
Perdoa-me, mas nisso, sou muito ego�sta.
O Anand parou de repente enquanto me dizia qualquer coisa...
Ele escondeu de mim as suas tristezas.
Talvez essa tristeza seja hoje a ess�ncia da sua vida...
De outra forma, como seria poss�vel a um homem...
cuja sa�de se deteriora dia a dia, ter uma mente t�o est�vel?
N�o sei qual a raz�o da sua tristeza, mas n�o procurei saber...
Mas se � este o poder que o mant�m vivo...
ent�o que as suas dores sejam escondidas para sempre.
Pede a sua b�ns�o.
Baba(pai), ele � meu irm�o. Ele est� doente. Cure-o, por favor.
Espera, Suman.Tu est�s a conseguir que o teu trabalho seja feito.
Primeiro,deixa-me falar com o Baba.
Como � que vais falar com ele?
J� n�o te disse que ele n�o fala? Ele fez votos para n�o o fazer.
Disseste sim. Mas, Baba, o senhor fez um juramento para a vida?
Nunca ir� falar?
Estou feito. Nunca conseguirei falar consigo.
Diga-me, Baba; n�o o incomoda estar sempre calado?
Eu morro se ficar calado por 5 minutos.
N�o abuses do tempo dele! Baba, aben�oe o meu irm�o.
Tenho a certeza de que, se o senhor quiser, ele ficar� bem.
Ele consegue isso? - Sim, consegue.
Baba, pode fazer algo para que eu possa viver por 200 anos...
e enquanto viver, n�o seja afectado por doen�a nenhuma?
Eu n�o poderia adoecer...
e os term�metros de todos os meus amigos m�dicos manter-se-iam hirtos.
Que significa isso?
O que est� a morrer no meu corpo.
Baba, ent�o porque haveria eu de lhe pedir t�o pouca coisa?
A coisa que est� a morrer � o meu corpo.
Aben�oe a minha mente para que eu possa sorrir e fazer os outros sorrirem tamb�m.
Baba, aben�oe-me para que eu possa falar o mais poss�vel...
e falar bem dos outros e nunca mal, nem que seja por engano.
Poder� ser assim, Baba?
porque � que n�o deixas as cebolas em paz? Porque � que andas atr�s delas...
N�o ando. Elas � que andam atr�s de mim. At� me fizeram chorar.
Porque � que vieste para a cozinha? Eu fa�o isso.
Vai para o teu quarto.
Pode mandar-me embora agora...
Mas quando ela chegar e tomar conta de tudo, n�o vai poder faz�-lo...
Esse dia n�o est� no meu destino.
N�o estou a falar de si, tio Raghu, estou a falar do Munna.
E eu tamb�m. Achas que eu poderia casar-me com esta idade?
Porque � que n�o lhe arranja um casamento? - Mas, ele tem que concordar.
Encontre uma boa rapariga para ele. Eu conven�o-o.
Ele n�o me d� ouvidos. Costumava vir c� uma mo�a simp�tica...
mas deixou de vir.
Quem era ela?
Ela era simp�tica e eu acho que o Munna tamb�m gostava dela.
Mas sabes como ele �.
Diz-me, achas que alguma rapariga se declarar� a um homem?
Nunca.
Marcar uma data de casamento, trazer o padre...
apanhar o Munna e faz�-lo casar. Isso alguma vez acontecer�?
N�o, nunca.
O Munna n�o entende. Ele est� a fazer servi�o social...
e nunca se preocupou consigo pr�prio.
Babumushai,o que � que est�s a fazer aqui s�zinho? Vem,vamos sair.
Para onde? - Qualquer s�tio, vamos.
Vamos. Ningu�m pode discutir contigo.
Mas n�o vamos no teu carro. - Ent�o?
Daqui ao Terminal Vict�ria (Victoria Terminus) e do terminal at� Vict�ria.
Quer dizer, em charrete a cavalo. - Porqu�?
Victoria tem a sua grandeza...
parece que os ricos anci�os tais como...
o Lucknowi Raibahadur e o Murarikhan Sharif, est�o a chegar.
Anda, Babumushai, vamos embora.
Tens que esperar 1 hora pelo autocarro.
E da�, Babumushai? - Ei, Murarilal...
O qu�?
N�o me reconheceste? Bebemos cervejas no Qutub Minar e...
embebed�mo-nos...
Est� enganado, eu nunca estive em Deli.
Tens a mem�ria muito fraca.
Estou a dizer-lhe a verdade. N�o me chamo Murarilal,chamo-me Jagdish.
Tenho um amigo chamado Murarilal e parece-se consigo...
E da�? J� conheci outro Murarilal com este pretexto...
Aperte a�, tenho muito gosto em conhec�-lo. O senhor n�o tem?...
Tenho sim.
N�o se esque�a de mim. Agora pode seguir o seu caminho.
Anand, deverias certificar-te de que o senhor era o Murarilal.
N�o conhe�o ningu�m com o nome de Murarilal...
J� alguma vez pensaste que n�o conheces uma pessoa...
que te ajudou, e ainda assim nunca gostaste dela?
J�.
�s vezes, podes conhecer uma pessoa que nunca te ajudou...
mas ainda assim, gostas dela.
Sim, mas porqu�?
Sim, diz-me.
Porque essa pessoa...
Eu digo-te. Todo o ser humano � um transmissor e um receptor.
Houve uma vibra��o do corpo do Jagdish e eu recebi-a.
� uma teoria e p�ras, Babumushai...
Se fizeres pesquisa acerca dela, poder�s ganhar um pr�mio Nobel.
Que loucura � essa?
Babumushai, chamas a isto loucura?
Tu conheces um homem, fazes amizade e tocas nele...
de que mais precisas tu? Olha... l� vai mais um Murarilal.
Aonde vais? Mant�m-te aqui.
Babumushai, Murarilal...
Senhor, por favor compre flores para a sua esposa.
Babumushai, achas que compre para a minha cunhada?
Sim, vamos comprar.
Arranje-me duas, mas bem cheirosas.
Eu colho-as nos jardins(gardens), senhor. - Que coroas (garlands)?
N�o, flores. - Ah, assim sim.
Se eu n�o tivesse comprado estas flores, nunca me terias dito.
Diz-me quem � ela? Onde � que ela vive?
Est�s a falar de quem? Pensei que as flores fossem para a Suman.
N�o fujas ao assunto. Dizes-me onde ela vive e quem �?
Mas est�s a falar de quem?
A rapariga com a qual tens a tua continuidade...
Continuidade! Que continuidade?
Em Hindu, � amor - e em Bengal�s tamb�m.
Senhoras e senhores. Existem homens...
que n�o sabem nada de amor. - Anand! O que � que est�s a fazer?!
Ent�o conta-me. - N�o h� nada a contar.
Mais mentiras. Senhoras e senhores...
Est�s a chantagear-me. - Preto no branco.
Vais ter que me contar.
Mas o que queres que te diga? - Quem � ela?
Tem que haver algu�m que te fa�a bater o cora��o.
Babumushai, os teus olhos revelam que existe algu�m.
Babumushai, diz-me por favor. Sabes que eu...
Ela era minha paciente e sofria de pneumonia...
Enquanto a tratava, eu...
Compreendo. Como � que ela se chama? - Renu.
Onde � que ela vive? - � professora.
Beijaste-a? - O qu�?!
Alguma vez a beijaste? - Malvado.
Tens vergonha de qu�? - Anand, n�o sejas pateta.
Isto � um estranho amor Bengal�s. O amor devia ser como aquele.
Quem �?
O doutor est�? - Est� sim.
Pode cham�-lo por favor? - Com certeza.
Sente-se por favor. Diga-me, qual � o seu problema?
N�o se preocupe. O doutor � um m�gico.
No momento em que ele o toca, o paciente levanta-se...
e come�a a jogar cricket.
Mas a menina � uma senhora; ent�o jogar� badminton.
Est�-se a rir? Estou-lhe a dizer a verdade.
N�o encontrar� um m�dico como ele.
Anand, com quem � que est�s a falar?
Renu! Est�s a�? - Estou tramado.
Tramado porqu�? Renu, este � o meu melhor amigo, Anand.
Babumushai, ela n�o � a tal da continuidade?
Por quem o teu cora��o bate e passas noites sem dormir?
Anand! Que est�s tu a dizer?
N�o, tu n�o me disseste que passas noites sem dormir...
Renuji,a menina d� aulas numa escola? - Sim.
E sofreu de pneumonia. - Sim.
E ele curou-a. - Sim.
Como � que eu sei? Ele contou-me tudo.
Ele � muito reservado e t�mido. - Anand.
Desculpa, ainda n�o posso cham�-la de cunhada.
Mas porque � que est�s a gritar comigo?
Est�s apaixonado por ela e n�o lhe podes dizer.
Calas-te, por favor?
Quando Salim e Anarkali n�o falam sobre o assunto...
Mughal-E-Azam fala por eles.
Mas Renuji, eu estou a dizer a verdade.Ele est� apaixonado por si.
J� estou de sa�da.
Espero que n�o tenhas acreditado no Anand. - N�o.
Porque n�o? Ele disse a verdade.
O que eu n�o consegui dizer durante muito tempo, o meu amigo acabou por dizer.
Mas Renu, se estes sentimentos n�o s�o rec�procos, por favor diz-me...
para que eu n�o me envergonhe mais tarde.
O teu amigo tinha raz�o; �s mesmo muito t�mido.
� isso mesmo. Estava tudo perfeito.
Agora que o Anand quebrou as barreiras...
Eu sinto vontade de revelar tudo o que me reprimia o cora��o.
Ent�o faz isso. - Vamos dar uma volta. Podemos?
V�o sair?
Sim, Anand, vamos dar uma caminhada. Queres vir connosco?
Porque � que fazes essa cara? Vens ou n�o?
Sim, vou. Vou s� buscar o casaco.
Porque � que o convidaste? - Estava a ser cortez.
Que idiota sou! Ele concordou de pronto!
N�o h� problema, vamos embora. Porque � que eu preciso do casaco?
Vamos, Babumushai... vamos embora.
Reparaste na cor da �gua?
Parece que o sol da tarde se derrete e...
Raios! Sinto-me como um mi�do que caiu...
partiu o nariz e sangra profusamente.
Seu pateta, se a amas, agarra-lhe na m�o...
e declara-te a ela.
Porque � que lhe est�s a mostrar o mar e o c�u?
T�mido! Hip�crita.
Odeio-te.
Nunca antes tinha visto este teu amigo.
Ele chegou de Deli h� cerca de um m�s, para um tratamento.
O que � que ele tem?
Tem uma doen�a fatal. Sabes...
ele n�o vai sobreviver mais de 2 a 3 meses.
A menos que Deus fa�a um milagre.
Tu nunca acreditaste em Deus.
Agora apetece-me acreditar n'Ele.
N�o me importo de acreditar em qualquer coisa pelo bem do Anand.
Ele � t�o divertido. Por favor n�o lhe digas nada.
Ele sabe. Ele sabe de tudo.
E no entanto...
N�o admira que at� os deuses n�o possam passar sem ele.
"O que � a vida, sen�o um puzzle
Que �s vezes nos faz sorrir e outras vezes chorar
O que � a vida, sen�o um puzzle
Que �s vezes nos faz sorrir e outras vezes chorar
�s vezes a alma e o cora��o sonham, n�o acordam
O que mant�m os sonhos vivos
�s vezes a alma e o cora��o sonham, n�o acordam
O que mant�m os sonhos vivos
Um dia o sonhador
Ir� para al�m do sonho, para onde ir� ele?
O que � a vida, sen�o um puzzle
Que �s vezes nos faz sorrir e outras vezes chorar
As pessoas que aqui organizam festas
As pessoas que encaramos, e que partilham momentos felizes e momentos tristes.
As pessoas que aqui organizam festas
As pessoas que encaramos, e que partilham momentos felizes e momentos tristes.
Essas mesmas pessoas, discretamente e em segredo
Para onde v�o s�zinhas? Conversas sobre a morte
O que � a vida, sen�o um puzzle
Que �s vezes nos faz sorrir e outras vezes chorar
Vem, Bhaskar. T�o cedo pela manh�?
O Anand n�o veio contigo? - N�o.
Foi para a esquadra da pol�cia. - Esquadra? Porqu�?
Ele ia a algum lado. Quando lhe perguntei para onde,ele respondeu...
Vou � esquadra da pol�cia, Babumushai...
buscar um mandado para ti.
Ele estava a brincar.
J� lhe disse v�rias vezes para n�o sair s�zinho...
Nunca me falas nada sobre o Anand.
O que se passa com ele?
Primeiro arranja mais uma ch�vena para o Bhaskar.
Senta-te.
Prakash, tenho m�s not�cias. - Porqu�, o que se passou?
Temos que informar o Trivedi o mais breve poss�vel.
O Anand n�o conseguir� andar por a� durante mais tempo.
O que � isto? Recebe-lo apenas com um ch�?
O que � que vais querer?
Oh! E tens que lhe perguntar?
O bolo que compr�mos ontem...
Vais parti-lo no teu anivers�rio do pr�ximo ano?
Tu n�o me largas o p�.
O Trivedi ligou-me ontem de Deli.
O Anand escreveu-lhe uma carta imensa.
Ele diz que enquanto n�o "arranjar" o teu casamento...
e acabar o seu trabalho...
Enquanto n�o terminar o seu trabalho,n�o regressar� a Deli...
nem ir� para outro lugar qualquer.
Prakash, h� uma coisa que me intriga.
Como � que os familiares dele podem viver sem ele?
Eu n�o conseguiria estar um �nico dia sem ele.
O Anand n�o tem ningu�m, Bhaskar.
Que queres dizer com "ningu�m"?
Tem que haver algum familiar.
N�o, ele � um �rf�o que foi para Deli durante a parti��o (separa��o da �ndia em estados soberanos)...
Ele viveu com familiares durante algum tempo.
Quando come�ou a ganhar o seu dinheiro, fugiu de casa.
Os familiares sempre pensaram que ele estava a tentar fugir.
Ele gosta muito da Suman e contou-lhe tudo.
Tamb�m lhe disse, que gostaria de escolher os amigos...
assim como os familiares.
Tamb�m disse que depois de nos conhecer...
Come�ou a acreditar em relacionamentos duradouros.
Acredita, quanto mais nos preocupamos com ele...
mais ele se preocupa connosco.
Eu sei Prakash.
Tamb�m sei que este amor � a sua for�a.
E � por esse amor que ele pode sobreviver.
Se fosse outra pessoa qualquer,j� estaria confinada a uma cama.
�s vezes tenho medo que os restantes meses que ele tem...
acabem muito depressa.
Quando eu o deixo s�zinho de manh�...
sinto pavor de n�o o encontar no regresso a casa � noite.
Desculpem. Uma professora chamada Renu vive por aqui.
Podem dizer-me o n�mero da sua casa?
Renu...uma de tran�as compridas...
e uma bola vermelha na testa...
Uma de sorriso rasgado? - Sim.
Ent�o quer saber o n�mero da casa dela!
Primeiro tem que nos dizer o seu n�mero. - O qu�?
Tem que nos dizer o seu n�mero.
O que quer dizer com isso?
Aqui toda a gente tem um n�mero.
O primeiro � o de um homem alto, que n�o vive c�...
mas que �s vezes, passa pela casa dela.
O segundo � o meu e o terceiro o dele.
Aqui, todos n�s temos um n�mero.
Se a quer cortejar, ponha-se na fila.
Sim.
Agora diga-me o n�mero da casa dela.
Vinte e cinco. - Vinte e cinco. Obrigado.
E ent�o, qual � o seu n�mero? - N�mero dez.
Deixa-o voltar. J� lhe damos um n�mero.
M�e?
A m�e � �ptima. Reconheceu-me assim que me viu.
� a m�e da Renu? - Sim.
Deus te aben�oe.
Desculpa-me, mas n�o te reconheci.
A senhora n�o me conhece mas a Renu conhece-me. Vim visit�-la.
Ela hoje vem mais tarde. -Foi por isso que eu vim mais cedo.
N�o te sentes a�. - O que tem? Sente-se tamb�m.
Tenho que fazer uma coisa com a sua ajuda.
Que coisa?
O que outrora foi feito pelos mais velhos, hoje tem que ser feito por um irm�o.
N�o estou a entender.
Tenho uma proposta para a Renu.
Quero que ela seja minha cunhada.
Que posso eu dizer? Ela decidir� por ela.
Os tempos mudaram...
As raparigas j� n�o precisam de concordar com os pais, para se casarem.
Hoje em dia, a menos que um rapaz e uma rapariga se conhe�am...
Eu compreendo.
O rapaz e a rapariga j� se conhecem...
e eu j� os vi trocando olhares.
Por isso � que vim falar consigo.
O Raghu Kaka e eu, j� aprovamos a rapariga.
Se quiser conhecer o rapaz, esteja � vontade.
Ele � m�dico e quando a Bhabi...
quero dizer - a rapariga - sofria de pneumonia, ele curou-a.
Quem, o Bhaskar? - Sim, ele � meu irm�o.
Verdade ? Sou uma afortunada.
Bhaskar � uma j�ia de pessoa.
A Renu passa a vida a louv�-lo.
Ent�o pronto. Est� decidido.
Desculpe,m�ezinha.O que quero dizer � que j� deve ter percebido tudo.
J� sim. Se eles concordam, � �ptimo. Mas...
porque �s irm�o dele, tenho que te dizer...
que n�o tenho nada para dar em troca da m�o da minha filha.
Porque � que est� preocupada com isso?
O que � que pensa que o noivo pode dar...aspirina ou penicilina?
Ent�o a alian�a est� concretizada. Est� tudo pronto.
Arranje-me um hor�scopo.Trataremos de arranjar uma data em uma semana.
Mas n�o podemos fazer nada durante tr�s meses.
Tr�s meses? Porqu�?
O pai da Renu morreu h� nove meses e por isso...
Ent�o � dif�cil. N�o vou poder assistir ao casamento deles.
Porqu�? Vais a algum lado?
Sim, vou-me embora daqui a um m�s e meio.
E para onde vais? - Para muito longe.
E n�o podes voltar para o casamento?
N�o, � dif�cil e h� muita pressa.
Do s�tio para onde eu vou, n�o h� bilhete de volta.
Mas a m�e pode come�ar a preparar o casamento.
Bom, agora tenho que ir. Tenho muito o que fazer.
Come um doce. - N�o, n�o me apetece.
Mas volto daqui a dois dias e vai ter que me dar o almo�o.
Pode ser, n�o pode?
Filho,trouxeste essa proposta para a Renu, estou t�o feliz...
mas ao mesmo tempo sinto-me assustada.
S� tenho esta filha. Como irei sobreviver s�zinha?
Mas agora sinto a minha filha como uma estranha...
e tu �s o meu filho.
Espero que Deus te d� uma vida longa.
� senhor, ent�o n�o respeitou a ordem e foi-se embora?.
N�o pude evitar. Tratava-se de uma emerg�ncia.
Temos que dar uma li��o a ele e ao outro mais alto.
Vamos imobilizar a rapariga. Assim nem ela sai daqui...
nem ningu�m pode vir c�.
Entendeu tudo? - O senhor parece ser uma pessoa sensata.
Espero que n�o tenha a ousadia de voltar c�.
O que � que est� a dizer? Eu tenho que c� voltar.H� aqui vibra��es fortes.
Quer dizer que nos encontraremos de novo? - N�o s� nos encontraremos como vai haver porrada.
O que � que ele quis dizer com aquilo?
Quis dizer bater. - Ele est� a amea�ar-nos.
H� algum problema?
Sauda��es. - Sauda��es.
O que queres de n�s? - P�. Quero um pouco de p�.
Isto � uma arena de luta livre; n�o encontras aqui p�.
Quero o p� dos seus p�s.
O senhor � a ep�tome da for�a. Quero estar a seus p�s.
Se queres desenvolver o f�sico, tira a roupa.
E tens que pagar os meus honor�rios.
N�o, pai, n�o quero ser treinado por si...
Eu vi a sua for�a e pedi o p� dos seus p�s.
Olhe para mim; sou um in�til.
N�o me valho a mim nem � minha fam�lia.
O que se passa? Algu�m te anda a chatear?
H� ali uns homens, ao fundo da rua...
Que provocam a minha cunhada todos os dias.
Quero dizer,n�o posso vir livremente � casa da minha futura cunhada.
Jeetu, eu j� volto.
Anda, vamos l� ver quem � que te anda a chatear. Eu dou...
Sim, venha por favor.
Ali est�o eles, pai.
Deixe-me ir primeiro. Quando eles me quiserem bater, o senhor chega.
Pai, por favor venha logo de seguida sen�o eles fazem-me em papa.
Tens medo deles? Vai l�.
Devo ir?... - Sim, vai l�.
L� vem ele de novo.
Ei, senhor... com quem � que veio lutar...
Connosco, ou com a sua Julieta?
Primeiro vamos ensaiar... depois fica mais f�cil para si.
Sim, vamos a isso.
Pai!
Seu porco! Andas a provocar a irm� dele.
V�, corre...
Espera. Como se chama isto? - Cal�as de ralo .
Que quer isso dizer? - Quer dizer ralo sujo.
Da pr�xima vez que te vir a us�-las, jogo-te pelo ralo abaixo.
Pai, O senhor � o m�ximo.
� um verdadeiro Bhaimsain. - Deus te aben�oe Ghatodkach (personagem hist�rica da India).
Deus, permite que o Anand melhore. Imploro-te.!
Suman. - O que foi?
Est�s aqui sentada a falar com Deus e eu � tua procura.
Trouxe-te estes bombons. - Bombons, para qu�?
Vem c�, senta-te. O meu Babumushai est� curado.
Que tinha ele? - Uma doen�a horr�vel.
Agradece-me, pois reparei nos sintomas e procurei um rem�dio.
Mas antes que o pudesse encontrar, a medicina encontrou a paciente.
Estou confusa. Quem encontrou quem?
A Renu encontrou o Babumushai. - Renu qu�?
A Medicina do Babumushai.
Tu n�o sabes, Suman.
O Babumushai tratou a Renu...
e em troca, caiu doente de amores por ela.
Como � que sabes disso? - Ouvi-o do pr�prio interessado.
A gente conhece-o bem, mas ao mesmo tempo n�o conhece.
Eu descobri o que se passava. Tu n�o te preocupas com outras pessoas.
N�o rezes apenas por ti. Reza tamb�m pelos outros.
Mas hoje pedi a Deus uma coisa especial para mim.
O qu�? O que � que pediste?
Ah, j� sei. Devo comprar brinquedos?
Eu sou tio dele. Que dir� o meu sobrinho?
Pediste o qu�? Um sobrinho ou uma sobrinha?
N�o te sintas envergonhada. Diz-me, o que foi que pediste?
Rezei pela vida do meu irm�o.
Aquele patife contou-te tudo.
Olha para mim. Tu �s minha irm�, Ainda assim, choras.
�s t�o fraca.Rezas a Deus todos os dias...
� esta a for�a que Ele te deu?
Est�s a chorar com medo que eu te deixe?
Eu estou vivo, hoje. N�o est�s feliz? N�o podes sorrir?
Renu, entra. Senta-te por favor.
Onde � que aprendeste isso?
Aprendi com um amigo culturista. Ele � muito forte.
Ei, Babumushai. - Eu vim para falar contigo.
Comigo? - Sim,contigo.N�o com o teu amigo.
Ent�o fala baixinho, sen�o ele fica verde de inveja.
Fala-se no diabo e... ele aparece.
Chegaste h� muito tempo? N�o Babumushai, vai-te embora.
� engano.
Ela veio falar comigo. Diz-lhe.
Sim, vim para falar contigo.
Certo! Ele est� com ci�mes.
Muralilal. Tu fala com ele. Eu vou ter com o Murarilal.
Quem � esse Murarilal - Aprecia e ver�s.
Ei, Murarilal o que fazes por aqui?
Para qu� essa barba como a do rei Shahjahan.
N�o me reconheceste?
Bebemos umas cervejas no Qutub Minar e embebed�mo-nos?
Jaichand!Tu �s o m�ximo!
Deixaste Deli depois daquelas duas pegs (bebida alco�lica).
N�o eram duas, eram quatro.
N�o. Eram duas pegs mas bem grandes.
Anda, queres l� ir de novo?
Deixei de beber.E tu?
Eu n�o. Agora � um v�cio.
Babumushai, vem c�.
J� te casaste ou ainda est�s solteiro?
Ainda n�o. O meu pai n�o aprova a rapariga que eu quero.
Ele diz que ela � muito nova.
E a rapariga que ele aprova, eu n�o quero por ser velha.
Mas fala-me da tua namorada.
Ela tinha uma estatura m�dia, n�o era?
O que foi, Anand?
Babumushai. N�o te disse que um dia conheceria o Murarilal?
Pois encontrei-o.
Murarilal, este � o Dr Bhaskar. Eu vivo com ele.
O Jaichand e eu somos amigos de inf�ncia.
Ele sempre foi um maroto.
Ele n�o se chama Jaichand, mas sim Anand.
E eu n�o me chamo Murarilal, mas sim lssa bhai.
Issabhai Suratwala. Lembras-te de mim?
Espero que te chames Bhaskar. - Sim.
Professor, aonde vais? Estava � tua procura.
Estiveste magn�fico.Vamos tomar um ch�.
N�o posso. Tenho os meus ensaios hoje.
Ensaios?
Sim,tenho uma companhia de teatro. N�s fazemos espect�culos.
D�-me um papel. Tamb�m sei representar um pouco.
Eu acabei de ver a tua representa��o.
Vem da�.
Babumushai, toma conta dela. Eu vou para a companhia de teatro.
Ent�o vou-me embora? - Tu vieste mesmo para falar com o Anand?
Sim, tamb�m pensava estar com ele.
Estiveste com ele. E eu?
Senta-te comigo por algum tempo.
N�o tens que ir trabalhar?
� uma coisa de meia hora. Fa�o-o noutra altura qualquer.
N�o, vai fazer o teu trabalho. Eu espero aqui.
Sauda��es, Panditji.
Senta-te por favor. Vamos ensaiar?
Sim, vamos.
Mas assim n�o est� criado o clima.
� um drama Urdu; vistam os trajes.
Rajni, est�s pronta? - Sim.
Muito bem. P�e a cassete. Onde est� o meu turbante?
Sua Excel�ncia.
Sinto-me envergonhado. Apesar de seres um principe...
est�s apaixonado por uma rapariga vulgar.
Pai, se ela � vulgar... aproxima-te um pouco mais.
Se n�o podeis nomear algu�m melhor do que ela...
At� posso,mas n�o posso dar permiss�o para l� ires...
Eu compreendo, pai.
Envergonho-me de ter gerado um filho como tu.
� dever de qualquer homem, ter vergonha dos seus erros.
Calado,seu doido. Eu enterro-te vivo.
N�o duvido.Sois capaz de me enterrar, a manter-me vivo.
Porque � que n�o morreste no dia em que nasceste?
A vida e a morte est�o nas m�os de Deus, sua Excel�ncia.
Nem sua Excel�ncia nem eu, podemos mudar isso.
Somos apenas marionetas em cordas...
e as cordas s�o manobradas por Ele.
Quando,quem e como as cordas s�o manejadas, ningu�m pode dizer.
Formid�vel! Estiveste soberbo.
�ptimo, agora vamos fazer um intervalo para o ch�.
Ent�o que tal achaste? - Maravilhosa.
Quem? - Como quem?A que te referes?
Perguntei-te do ensaio.
O ensaio foi �ptimo, mas a rapariga � muito bonita.
Qual delas? - Aquela da faca.
Oh Rajni. - Ela deve ser tua irm�.
Queres que te apresente? - Sim.
Rajni, chega aqui num instante.
Este � o Anand, um bom actor de Deli.
Ele quer conversar contigo.
Que pe�as � que fizeste em Deli?
Estou feito. Eu n�o represento, apenas canto.
O que � que est�s a dizer? N�o falas Guzerate (uma das linguas faladas na �nda)?
Que posso eu falar com ele?
Tens raz�o. Tu n�o falas Hind� e ele n�o fala Guzerate.
Raios, falhei com a l�gua.
Sim, � verdade.
N�o, n�o consigo decidir-me...
sem ti... sinto-me insegura...
N�o, n�o consigo decidir-me sem ti... sinto-me insegura...
N�o me lembro quando � que perdi para ti o meu cora��o...
Senti-me aliviada quando voltaste para mim...
Sem ti, n�o saboreio a vida...
N�o, n�o consigo decidir-me.
N�o posso viver sem ti.
Se alguma vez fores para qualquer s�tio, a qualquer altura...
Faz com que o tempo p�re para mim.
Esse tempo ficaria comigo para sempre...
N�o, a minha mente est� insegura sem ti.
Tio Raghu , onde est� a Renu? - L� em cima.
Finalmente chegaste. Estou � espera h� horas.
Que queres que fa�a? A vida de um m�dico � assim.
O Anand gosta de fazer grava��es?
Sim. Ele adora falar. Quanto est� cansado, p�e a cassete.
Onde estiveste, Anand?
O dia inteiro? Quero dizer, a Renu estava a tua espera.
O que foi, porque � que est�s sem f�lego?
N�o � nada, Babumushai. Descobri uma rapariga para ti...
e hoje fui � procura de uma para mim.
E encontraste alguma?
Sim, encontrei,mas falhei na l�ngua.
Porqu�? O que aconteceu?
Ela � uma rapariga Guzerate e n�o fala outra l�ngua.
Mas ainda n�o perdi as esperan�as. Comprei quatro livros de Guzerate.
N�o serei capaz de aprender Guzerate num ano?
Eu sei. Se n�o agora, pelo menos na pr�xima vida.
Vou andar com uma c�mara de filmar.
Na minha pr�xima vida, vou-me apaixonar aos 10 anos.
V�o sair, �? - Sim, mas tu n�o vens connosco.
Ouviste isto? Um homem t�mido a repreender-me.
Est� bem, est� bem.
Anand, chegou uma carta do Trivedi. L�-a.
N�o me vou embora,nem que o Trivedi ou a lndira Gandhi me convidem.
N�o h� s�tio como Bomba�m.
Punjab, Sind, Gujarat, Maratha, Dravid, todos assentam arraiais aqui.
Decidi que vou viver e morrer em Bomba�m.
Hoje, o Anand ficou sem f�lego enquanto falava.
Estes s�o os seus �ltimos sinais.
Na profiss�o de m�dico chega-se a um ponto em que nenhum tratamento serve...
E o m�dico tem que esperar pela morte do paciente.
Ningu�m pode perceber esta situa��o desesperante, sen�o um m�dico.
Oh Deus! � um desamparo assustador.
N�o vou deix�-la partir t�o facilmente, m�ezinha.
O que estava a� em sil�ncio a murmurar?
Estava a rezar a Deus.
E o que � que lhe estava a pedir?
Pedi a Jesus pela tua...
Estou feito.O que � que foi fazer? - Porqu�, o que � que fiz?
N�o sabe? eu sou disc�pulo de Lord Shiva...
e a senhora rezou a Jesus. E se eles agora lutam entre eles?
Seu doido.
M�ezinha, a m�e n�o sabe... Shivji � muito temperamental.
N�o faz mal. Deus n�o conheceu o meu temperamento.
Se ele interferir...
eu nascerei seu filho na pr�xima vida.
Qual � a sua opini�o, m�ezinha?
Ah,ainda bem que aqui est�s. Ser�s a testemunha.
Fiz um contrato com a m�ezinha.
Vou nascer para ela na minha pr�xima vida.
� doido. � um tagarela.
N�o �s meu filho agora? Porqu� esperar pelo pr�ximo nascimento?
Sim, � verdade.
Ent�o ele j� n�o anda por a� passeando? - Sim.
J� vi tantas mortes, mas esta n�o vou conseguir suportar.
Estamos a tentar o nosso melhor.
O que � que estamos a fazer? O homem chegou � lua.
At� no espa�o conseguimos fazer certas coisas mas...
que fizemos n�s para combater as doen�as humanas, a dor e o tormento?
Nada! �s vezes sinto-me t�o desamparado, Prakash.
Querida, n�o vais ver o Anand?
Vai v�-lo desta vez. Ele n�o sobrevive por muito mais tempo.
N�o, Bhaskar, n�o tenho coragem.
Agora tenho que ir, filho. Tenho que ir � igreja.
Senta-te aqui e conversa com ele. Eu volto, querido.
N�o � bom fazer os outros chorar? - Porqu�?
Queria que a m�ezinha se risse e ela sa�u daqui a chorar.
Eu tento que toda a gente se ria, mas todos choram.
Tu n�o percebes. Quando h� muita alegria...
as l�grimas caiem dos nossos olhos.
A tua m�ezinha n�o chorou de tristeza...
mas de felicidade. Aonde havia ela de encontrar um filho como tu?
E aonde vais tu encontrar um irm�o como eu?
Vais ver o que eu tenho para ti. Espera aqui. Vou buscar.
Anand tu... tu �s doido...
N�o me repreendas em Bengal�s.
N�o estou a faz�-lo. Disse que eras doido.
Porque � que tiraste a flor do meu cabelo?
Vou conserv�-la no meu livro de poesia. - Porqu�?
Tal como a poesia nos recorda os tempos passados...
para mim, esta fl�r ser� a poesia.
J� te disse, tu �s doido. -Sou, e sou doido por ti.
�s vezes sinto que se te envolver nos meus bra�os...
tu dissolves e torn�mo-nos apenas um.
Ficar�s nos meus bra�os para sempre.
Quando respirasse, deveria ouvir o teu respirar dentro de mim...
e tu chamarias por mim, Anand... Anand...
Quem � ela? - Quem?
Esta rapariga. - � a minha namorada bengalesa.
Tu �s esperto. Quiseste saber tudo do teu irm�o...
e escondes os teus pr�prios assuntos.
Quem � ela? Como se chama?
Se souberes o que � que vais fazer?
Onde � que ela vive? - Em Deli.
Mas em que s�tio de Deli? - Em casa do seu marido.
Oh, ent�o ela � casada. - N�o, n�o o era quando nos conhecemos.
Ele � um homem bom,o marido. Ele ama-a muito.
Ela vai ser feliz.
Se ela se casasse comigo, j� estaria morta.
Sabes, v�s tinhamos muito pouco tempo para nos encontrarmos.
Por isso eu gravava a sua voz, �s escondidas.
E quando ela se ia embora, ouvia uma vez e outra, e outra e outra.
Quando � que ela se casou?
H� tr�s meses e sete dias.
Quando � que vieste de Deli? - Eu...
H� exactamente tr�s meses e sete dias.
Esquece isso. Para qu� entrar em detalhes agora?
Olha o que eu tenho para ti. Gostas?
Posso pedir-te uma coisa?
Usa-os enquanto eu estou vivo, por favor.
Ei Babumushai, o que est�s a fazer aqui s�zinho?
Oh, Est�s a pensar nela!
O amor � tal. A pessoa apaixona-se e o amor prega-nos partidas...
Anand, deixa-me s�zinho por um bocadinho, por favor.
Se te deixo s�zinho agora, vai haver problemas.
Vamos para o outro quarto para eu te gravar a voz.
Anand, vai para o teu quarto, por favor. - Eu vou, mas levo-te comigo.
J� te disse que quero ficar s�zinho. - E eu n�o quero que fiques s�zinho.
Anand, porque me persegues?
Porque � que achas que eu devo fazer tudo o que queres que eu fa�a.
Tu ris-te e esperas que eu me ria...
Desculpa, Babumushai.
Anand, n�o fiques magoado. Sabes que eu...
Babumushai, quantas vezes vais-me lembrar que os meus dias est�o a acabar...
O meu fim est� ao virar da esquina.
Babumushai, nunca ningu�m enfrentou a morte.
Mas sou t�o desafortunado que, todos os dias, a todo o momento, a todo o segundo...
na tua cara...
nos teus olhos...
N�o, Babumushai, eu posso enfrentar a morte...
mas n�o suporto v�-la na tua cara assustada.
Eu vou-me embora. Parto amanh�.
N�o, Anand, daqui n�o sais.
Tu n�o tens ningu�m...
Se alguma vez morreres, morrer�s nos meus bra�os.
Esse � o esp�rito.
Sabes qual � o meu problema?
O nosso esp�rito de felicidade � sempre envolvido pela melancolia...
e isso envenena a nossa alegria.
Babumushai, eu n�o vou morrer hoje. Mas mesmo que eu morra...
N�o te deixarei s�zinho. Hei-de estar sempre aqui.
Sim, Anand, eu sei que �s parte de mim...
uma parte da minha vida.
Mas vou sentir falta de uma coisa. - O qu�?
Da tua voz, desta tagarelice. - Ent�o vamos gravar esta tagarelice.
Mas primeiro, gravemos o teu poema. - Qual deles?
Aquele que escreveste nos teus dias de faculdade.
Oh morte! � um poema...
"A morte � um poema...
Mas eu prometi a este poema que um dia a hei-de encontrar...
Quando o sono se sobrepuser mesmo ao doloroso afundar dos nervos...
e a lua amarela sobe lentamente aos c�us...
Quando o sol se p�e no crep�sculo e a noite surge no horizonte...
N�o � escuro nem claro, nem noite, nem dia...
Quando o nosso corpo j� n�o vive, e a nossa alma come�a a respirar...
Eu prometi a este poema que um dia a hei-de encontrar..."
Agora diz qualquer coisa. - O qu�?
Qualquer coisa, tens que dizer algo em meu favor.
Sim, tens raz�o.
Babumushai, a vida e a morte est�o nas m�os de Sua Excel�ncia, Deus.
Nem tu nem eu, podemos mudar isso.
Somos apenas marionetas num palco.
Cujas cordas s�o amnipuladas por Ele.
Quando,como e quem se vai, ningu�m pode dizer...
Anand, senta-te.
Munna. - Sim, tio Raghu?
Podes-me emprestar 50 rupias?
Sim, est�o no arm�rio l� de cima.
Preciso de me ausentar por quatro ou cinco dias.
Ausentar? Vai-se ausentar? O tio sabe do estado do Anand...
Estou a faz�-lo por ele. Quero ir � minha aldeia.
H� l� um templo duma Deusa que � muito poderosa.
Vou pedir a sua bens�o para ele.
J� vi mortos regressarem � vida.
Ent�o v� depressa tio Raghu. j� resta muito pouco tempo.
Ent�o vou no comb�io das 11h00 e esatrei de volta em dois dias.
N�o te preocupes, Munna, o Anand vai ficar bem.
Jaichand. - Entre, lssa bhai.
Sente-se, por favor. - Estou com pressa.
Hoje v�o ser os ensaios finais. Tenho muito o que fazer.
Por favor chame o Jaichand, depressa.
Ele n�o pode vir. - Aposto que ele vir� de certeza.
Diga-lhe s� que a Rajni Bahen...
que a Rajni tem ensaios e que ele ir� falar com ela em Guzerate.
O problema � esse...
Okay, Munna. - J� vai tio? Regresse depressa.
T�o breve quanto poss�vel.
Este tratamento pode curar veneno, febre, c�lera, c�ncro ou qualquer outra doen�a.
N�o, tio Raghu. Qualquer doen�a pode ser curada menos o c�ncro.
Pode sim. At� isso pode ser curado.
Vai uma aposta? - Sim, eu aposto.
Vai perder. Eu nunca perdi uma aposta.
O meu pai tamb�m foi um m�dico famoso...
Ele sempre disse que quem apanha essa doen�a horr�vel...
morrer� de certeza.
Isto n�o � um tratamento m�dico.
Que medicina � essa? - Chama-se acreditar. Bom,agora vou-me embora.
Tenho a certeza que esta c�ncro vai ser curado.
Mas quem � que tem c�ncro? Algu�m que eu conhe�a?
Sim. Algu�m que me � muito chegado.
Quem? - O Anand.
Por isso � que eu disse que ele n�o pode ir consigo.
Eles est� nos seus �ltimos momentos.N�o sei quando � que...
Ele sabia... n�o sabia, doutor?
Mesmo no seu leito de morte, o aluno deu uma li��o de vida ao professor.
Mant�m as tristezas para ti e d� alegrias aos outros.
Doutor, posso v�-lo pelo menos uma vez?
Claro. Venha, por favor.
Anand. - Gurudev.
Hum.. est�s a sair � socapa, hein?
�s muito esperto. Recebeste os aplausos...
e deixaste as cadeiras vazias para n�s.
Que posso eu fazer? Os meus di�logos acabaram...
sen�o havia de te desafiar.
Aposto que sim. Mas n�s encontramo-nos l� em cima.
Prepara a trupe do Anand e a tua pr�pria pe�a.
Depois encontramo-nos. Se precisares de alguma actriz daqui, � s� pedir...
eu levo-a comigo.
Bom, agora vou-me embora. V�mo-nos mais tarde.
Aonde?
Aqui. Venho ter contigo aqui. N�o dexarei a cortina baixar.
Espero que o tio Raghu ganhe a aposta.
Estas s�o algumas p�ginas sobre a vida de Anand...
alguns dos seus �ltimos dias.
A Renu tinha raz�o.Deus precisa de pessoas boas,tanto quanto n�s.
Ningu�m pode ir contra a sua vontade.
�s vezes diz-se que uma ora��o faz milagres...
E eu sei que por esta altura, toda a gente deve estar a fazer justamente isso.
Mas todos n�s sabemos do climax.
E esperamos com ansiedade.
N�o!
Anand, toma o oxig�nio... Vais-te sentir melhor.
Babumushai, abre as janelas todas, por favor.
Prakash, eu vou ao Dr Shastri...
Ouvi dizer que existe um tratamento homeop�tico...
que em certas ocasi�es pode criar milagres.
N�o sejas doido. Sabes bem que j� nada pode ser feito.
Como podes afirmar isso?
Outros milagres j� aconteceram noutras alturas.
Babumushai... - Anand, eu j� volto.
N�o te v�s embora, Babumushai.
N�o te preocupes. Num instante estou de volta.
Renu, eu n�o quero morrer. Salva-me por favor.
Ele est� muito fraco. N�o vai conseguir suportar a minha morte.
O Babumushai j� voltou? - Ele j� vem.
O Babumushai j� voltou?
Amigo. - Sim, Anand?
Liga a cassete, r�pido.
A morte � um poema...
Mas eu prometi a este poema que um dia a hei-de encontrar...
Quando o sono se sobrepuser,mesmo ao doloroso afundar dos nervos...
e a lua amarela sobe lentamente aos c�us...
Quando o sol se p�e no crep�sculo e a noite surge no horizonte...
N�o � escuro nem claro, nem noite, nem dia...
Babumushai!
Prakash, o Dr Shastri...
N�o, n�o te vou deixar assim em sil�ncio...
Tenho ouvido a tua tagarelice nos �ltimos seis meses...
tu mastigaste-me o c�rebro.
Fala comigo agora. Fala comigo...
Babumushai!
Babumushai, a vida e a morte est�o nas m�os de Sua Excel�ncia, Deus...
Nem tu nem eu, podemos mudar isso.
Somos apenas marionetas num palco, cujas cordas s�o manipuladas por Ele.
Quando,como e quem se vai, ningu�m pode prever...
O Anand nunca morre. A alegria nunca morre.
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