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PAE.
� a abreviatura de Prova para Anormais Empedernidos.
Esta � a primeira parte da PAE.
Para a primeira parte, t�m 30 minutos.
No ano passado, dois milh�es de mi�dos fizeram esta prova,
para entrarem para a faculdade.
Os resultados foram de 500, "Vais para a faculdade p�blica, num autocarro",
at� 1600, "Pertences � "Ivy League" e vais ao volante de um Porsche".
� uma prova padronizada, o que quer dizer que nos acham todos iguais.
Um mi�do � um mi�do � um mi�do.
Por exemplo, este mi�do, o Kyle.
� bom rapaz e sabe o que quer fazer na vida,
mas, por enquanto, a PAE interp�e-se entre o Kyle e o sonho dele.
Est� a dizer-lhe: "� apenas... "
''M�DIO''
Tempo.
Depois, h� a Anna, a grande empreendedora. Sabem como �.
Uma futura Professora Doutora, com um belo R-A-B-O.
Boas ac��es e boas notas, mas a PAE n�o quer saber disto.
Quer sejamos g�nios, alunos m�dios ou est�pidos como uma porta,
quando entramos nesta sala, aquilo que somos n�o importa.
A PAE tem que ver com aquilo que seremos.
S�o 1020, Sr. Dooling.
Bem, j� vi pior.
Preciso de 1430. Candidatei-me a Cornell.
Quais s�o as outras escolas que escolheste?
N�o escolhi outras.
� um pouco arriscado, n�o �?
Estou a olhar para o teu processo, e, embora a tua m�dia seja boa,
o teu resultado na PAE preliminar n�o foi grande coisa.
N�o achas que 1 430 � um pouco...
Sr. Dooling, quando tinha 7 anos, fiz uma cabana com paus de gelado.
Cinco dos primeiros seis mi�dos com quem falar
n�o far�o ideia daquilo que querem fazer na vida.
Eu sei, desde os 7 anos.
Quero ser arquitecto.
Desde que soube que h� uma escola de onde saem os melhores arquitectos,
que quero ir para l�.
- A Universidade de Cornell. - Cornell?
O tipo que projectou o nosso barrac�o dos autocarros
andou numa faculdade p�blica no fundo da rua.
O Dooling disse que n�o vais conseguir?
Este � o Matty, o bra�o-direito do Kyle.
Dizem que a tristeza adora companhia. Bem, ela adora mesmo o Matty.
Ele disse que as provas padronizadas dizem que eu n�o vou conseguir.
Tiveste 1020? Jesus! � quase t�o mau como o meu, p�.
- O que disseste aos teus pais? - O que � que achas?
PARAB�NS PELO TEU RESULTADO
Nunca nos sentimos t�o orgulhosos, filho.
� bom.
143. Foi o meu resultado. Lembras-te, m�e?
Bem, v� o lado positivo. Pelo menos, um de n�s vai para a faculdade.
Ol�, Maryland.
A namorada do Matty, a Sandy, � caloira em Maryland,
e ele estava prestes a ir ter com ela, no Outono.
- Abre a carta, Matty. - Sim, tens raz�o.
Por que � que o facto de estares lixado haveria de estragar o meu grande dia?
Oh, merda!
Resultado insuficiente na PAE!
Esta merda n�o � justa. A Sandy vai ficar de rastos.
Sabes, ao menos, o que significa PAE?
- Prova para Anormais Empedernidos? - Prova de Aptid�o Escolar.
Depois, acabaram com isso. Sabes o que significa, agora?
PAE.
- O qu�? - PAE significa PAE. Nada mais.
- Que confus�o! - Sim, eu sei.
Para Aniquilar Emo��es. PAE.
Bem posso acabar tudo com a Sandy. Tem de haver algu�m a quem recorrer.
- N�o podemos falar com algu�m? - Todos os mi�dos querem ir ao SPE.
Se deixarmos entrar um, temos de deixar entrar todos.
E ela?
A menos que o vosso pai seja dono do edif�cio...
- Vamos repetir a prova. - � daqui a duas semanas.
N�o temos tempo para nos prepararmos e, se o tiv�ssemos, o que adiantaria?
� melhor telefonar � Sandy.
Ela vai adorar isto.
Fala do quarto da Sandy.
- Foi um tipo que atendeu. - O namorado da colega de quarto.
- Ele disse: ''Quarto da Sandy.'' - E ent�o?
Ent�o, a colega de quarto � a Pam. Ele teria dito: ''Quarto da Pam.''
- Quarto da Pam. Pam. - Est� bem, Matty.
- Est�s tenso. � do ''Red Bull''. - N�o.
A culpa � da PAE. A PAE est� a gamar-me a namorada.
Raios!
Temos de fazer alguma coisa. Est�o a mexer com as nossas vidas.
A administra��o da faculdade ganhou milh�es de d�lares, no ano passado.
- Achas que se ralam connosco? - Ouve-me. Eu n�o sou um tipo est�pido.
Sei coisas. Pergunta-me quem tem os melhores lan�adores, no basebol.
Ou pergunta-me como se recupera o carburador de um Buick de 1 97 1 .
- Pergunta-me algo sobre h�quei, bolas. - Explica-te.
Onde raio est� tudo isto, na prova? O resto aprende-se na faculdade.
Vou a uma entrevista, com um tarado por ci�ncias e outro por n�meros.
Quem fica com o lugar? O tipo que emborca o dep�sito de �gua at� ao fim.
O tipo que vomitou no teu ''Cutlass'', depois do concerto dos Radiohead.
- Eu. Sou eu. Eu fico com o lugar. - Continuo a n�o perceber.
Eles n�o est�o a fazer jogo limpo. Por que � que n�s havemos de fazer?
Sabemos onde est�o as respostas. No SPE.
Se calhar, dev�amos ir l� busc�-las.
Queres roubar as respostas da PAE?
Tens um dom. Fazes coisas com papel e l�pis que eu nunca faria.
- Mas nunca passar�s na prova. - Muitos mi�dos passam mal com isto.
- N�o justifica um furto. - N�o?
Viste o cami�o do meu pai, na entrada?
� aquele que tem uma sanita grande em cima.
N�o est� l� escrito ''Desentupimentos Matthews''.
Est� l� escrito ''Desentupimentos Matthews & Filho''.
Se n�o entrar em Maryland, terei uma vida de merda. Literalmente.
E a merda nem � minha.
Kyle. Ouve isto, p�.
Ouve. � bestial. Repara.
Obrigado, Princeton, Nova J�rsia!
''Smoke On The Water''.
Ouviste?
Estou preocupado contigo, Kyle.
Vais tentar recuperar esta juventude perdida e meter-te numa alhada.
� isso que est�s a fazer? Vivendo em casa e batendo no secador de roupa?
N�o vivo em casa. Vivo por cima da garagem. � uma habita��o separada.
Tenho a minha pr�pria linha telef�nica.
Ol�, querido. Queres ajudar-me a classificar trabalhos?
- Estamos a ensin�-los a porem cruzes. - Mi�dos da primeira classe?
A maioria desses mi�dos ainda nem sabe ler.
Bem, custa-me dizer isto,
mas a escola recebe mais dinheiro por ensinar isto do que por ensinar a ler.
Finalmente, ele percebeu.
� uma quest�o de dinheiro.
Os testes padronizados est�o a impor-se,
e come�am muito antes do liceu.
''SOCORRO''
Os resultados das provas aumentam e as escolas recebem mais dinheiro.
Em alguns casos, at� os professores s�o pagos.
VIVAM AS PAES
lsto faz-nos perder as estribeiras.
Quando sentimos que tudo est� a escapar-nos
e que vamos ficar para tr�s,
para grandes males, grandes rem�dios.
Matty, se quisesses ir l� buscar as respostas, como farias?
A rapariga do SPE, aquela que o guarda deixou passar...
... sabes quem �?
� a Francesca Curtis.
A rapariga da p�gina da lnternet?
A Francesca Curtis.
Um aut�ntico fruto proibido.
ESCOLA DA TRETA DAVENPORT
PROFESSORES GRATIFICADOS OU ALUNOS TRAMADOS?
Eh...
Sabem como se chama o mi�do viciado em ''Percocet''?
N�o? N�o?
Se t�m algo para a minha p�gina, escrevam-no e metam-no no meu cacifo.
Depois, falamos. Se n�o sabem onde �, � porque s�o mesmo est�pidos.
Na verdade, n�o � bem isso.
Ent�o, v�o roubar as respostas da PAE?
�ptimo. Aquilo � contra muitas merdas, mas, sobretudo, � contra as raparigas.
Reduz-nos � Matem�tica e �s Letras.
A faculdade queixou-se de que a PAE preliminar favorece quem tem test�culos.
Ent�o, vais ajudar-nos?
- N�o. - Por que n�o?
Tu e o Dawson n�o s�o capazes. T�m um plano?
Estamos a trabalhar nisso.
Est� bem. Est�o a fazer-me perder tempo.
N�o achas rid�culo que nos digam para mantermos a nossa individualidade
e que nos d�em uma prova padronizada, como se f�ssemos todos iguais?
Desmond Rhodes, o maior!
Espera. 100 milh�es por ano, dos quais talvez 60 milh�es de raparigas,
a lutarem contra um tirano que n�o faz jogo limpo?
Quantas raparigas v�o lixar-se com esta prova?
O que � que isso vai fazer � auto-estima delas, acima de tudo?
- Est�s a dizer o Pai Nosso ao vig�rio. - Eu sei.
Foi por isso que viemos ter contigo. Precisamos da tua ajuda.
Que se lixe! Vai ser divertido.
Eu bem te disse.
Desmond Rhodes, o maior!
Desmond Rhodes, � um campe�o, mas as notas dele s�o um cagalh�o.
O que � que achas?
Fico bem de vermelho, mas preferia o vermelho dos ''Philadelphia 76ers''.
Foi por isso que ainda n�o fizeste as PAEs?
Talvez.
- Posso ser sincero? - Por favor, gostaria que fosse.
Des, quero que v�s para St. John,
mas, na verdade, ainda n�o jogas suficientemente bem.
Se fores comigo, farei tudo o que puder para fazer-te chegar � NBA.
Mas, Deus nos livre, se n�o conseguires,
ter�s um diploma e estar�s preparado para a vida depois do basquetebol.
Est�s a ver? � isto que eu quero dizer.
- Ent�o, o que � que vamos fazer? - Bem, isso � contigo.
Sabes, a tua m�dia � um pouco baixa para St. John,
mas podemos resolver isso.
Precisas de 900, ou mais, nas PAEs.
- Matty, n�o te passes, est� bem? - Com qu�?
- N�o te passes. - N�o me passo. O que �?
O que � que est�s a fazer?
Lembras-te da fot�grafa que estava no jogo,
a rapariga na linha de demarca��o?
- Contaste � Anna Ross? - Disseste que n�o te passarias.
- Antes de saber que disseste � marrona. - Sim, bem...
Desculpa, Matty. Talvez n�o sejamos os �nicos a estar neste barco.
- Qual barco? � a Anna Ross! - Eu sei.
O que � que ela disse?
Sabes, eu nem te conhe�o, mas, mesmo que te conhecesse,
aquilo que est�s a dizer n�o se faz.
- � uma vigarice. - � um crime sem v�timas.
Est� bem. Uma situa��o hipot�tica...
Vais a conduzir. � tarde. Apanhas um sinal vermelho no meio de nenhures.
Passas com o sinal vermelho?
Est�s a ver? N�o passas. Esperas.
Porque um crime sem v�timas n�o deixa de ser um crime. N�o compensa.
Talvez compense. Talvez eu passe o sinal. Depende.
De qu�?
Estou a tentar chegar a um s�tio importante?
- Ent�o, ela vai ajudar? - Ela disse que n�o.
Pois, mas est� a par do assunto.
- Gostas dela? - Matt...
N�o, se est�s a tentar com�-la...
N�o foi isso. Tive um palpite...
Algo me diz que ela precisa tanto disto como n�s.
Est� bem. Algo te diz para ires ter com a Anna Ross
e convid�-la a assaltar o SPE, para roubar as respostas da PAE?
- Ouviste uma voz interior? - Foi isso, Matt.
lsso � bestial, Kyle.
NOME DO ALUNO: RO Y
Ol�, sou eu.
GPA: N�O TEM CLASSIFICA��O NA TURMA: 281 /281
N�o � por elas serem cada vez mais novas que tu vais rejuvenescer.
Aqui est� ela. O jogo acabou tarde, querida?
- A Anna � a fot�grafa do livro do ano. - Mais ou menos.
Este � o Tom, um velho amigo, que talvez possa ajudar em rela��o a Brown.
Ol�, Anna. Tenho muito gosto em conhecer-te.
Anda, querida. Senta-te. D�-me isso.
- � o material fotogr�fico dela. - Querida...
Muito bem, muito bem...
Ent�o, Anna, quais s�o os teus interesses, al�m da fotografia?
Fala-lhe da campanha que coordenaste.
Pedimos a estudantes para participarem numa campanha contra a droga...
- Teve muito �xito. - lsso � �ptimo.
Ela tamb�m est� envolvida em muitos outros projectos comunit�rios...
PAE DE GRUBER
Ol�, mi�da. Correu bem.
Acho que vencemos.
Sim, eles venceram.
O teu pai e eu repar�mos no esfor�o que tens feito para repetir a prova.
- E se eu voltar a fazer asneira? - lsso n�o vai acontecer.
Vais safar-te lindamente.
Orgulhamo-nos muito de ti, querida.
Ol�, quem fala?
Cleo... acho que me enganei no n�mero, mas conhe�o a tua voz.
Qual � a disciplina que tens � ter�a-feira de manh�?
lngl�s Medieval? Eu tamb�m.
Sim.
Ouve, n�o vou empatar-te mais.
As minhas colegas de quarto e eu est�vamos a discutir algo.
Talvez possas ajudar.
Qual foi o resultado mais baixo na PAE com que algu�m entrou na Brown?
Obrigada.
- O SPE ocupa todo o �ltimo piso. - Consegues fazer-nos chegar l� acima?
Bem, provavelmente, e depois?
N�o estamos a falar de um grande assalto.
� entrar, procurar as respostas, fazer uma c�pia e sair.
Temos apenas de planear a maneira mais f�cil de faz�-lo.
- Reuniste uma equipa de primeira. - O que querias que eu fizesse?
Ele sabe tudo. Tramar-nos-ia.
A Anna Ross tamb�m sabe, mas n�o est� aqui.
- Contaram � Anna Ross? - Ele teve um palpite em rela��o a ela.
Sentiste o palpite nas virilhas?
Malta... tenho uma ideia.
O servi�o de correio � comum a todo o edif�cio.
Contratam imensa malta acabada de sair do liceu.
N�o v�o reconhecer-vos. Comportem-se como se fossem de l�.
- Para ti, � f�cil. �s de l�. - N�o querem saber o que nos espera?
Vai correr tudo bem.
- Cornell ainda merece o esfor�o? - Sim.
- A Sandy? - Sim.
- �ptimo. - Agora, j� estamos metidos nisto.
Posso ajudar-vos?
Estes s�o os novos escravos do correio. Esqueceram-se dos distintivos.
Falhados! Toca a andar. Sejam mais atentos.
- O que fazes aqui? - Al�m de salvar-vos o coiro?
- Como entraste aqui? - Eu sou o fantasma, meu.
A prop�sito, para ficarem a saber, a recolha de correio foi esta manh�.
- � esperar at� ao �ltimo minuto, n�o �? - Ol�.
Olha para isto.
Boa. Obrigado.
- Achas que podes ajudar-me nisso? - Nas fotografias?
N�o, nisso.
- N�o, n�o posso. - V� l�, Anna. Por mim?
J� ouviste o termo ''vulnerabilidade ao estere�tipo''?
H� alunos que se espalham na PAE, pois sabem que � isso que se pretende.
A quem o dizes.
Se fizeres asneira na PAE, tens de viver com isso.
Se isso me acontecer, vai aparecer escrito no ''USA Today''.
''O Desmond Rhodes � um imbecil.''
Sabes, como eu jogo basquetebol,
os professores nunca puxaram muito por mim.
N�o estou a dizer que a culpa � deles, pois n�o �. Eu fiz o que fiz.
Se houvesse uma maneira de safar-me disto...
Estou apenas a tentar dizer que � mais importante para mim, agora.
Desculpe...
Quem � voc�?
Quem sou eu? Quem � voc�?
Este gabinete � meu.
Pois.
Sou do correio.
Tem alguma coisa para mim?
Tenho.
Pode dar-ma?
Posso, sim.
Que desastrado! Eu apanho.
Posso fazer mais alguma coisa por si, j� que estou aqui?
Eh, tu!
- �s da reprografia, n�o �s? - Sim.
�ptimo. Preciso de duas c�pias disto para ontem.
Uma vem para mim, a outra para a Ann Clark e o original � arquivado na 510.
- Claro. - �ptimo.
- O que � que andas a fazer? - Ando a controlar a cena.
RESPOSTAS DA PAE
Obrigado.
Se levarmos isto, podem suspeitar. Podem alter�-las at� ao pr�ximo s�bado.
Fotoc�pias.
Diz ''ol�'' ao teu futuro, Matty.
- Para Acabar no Esgoto. PAE. - Ent�o, p�? Foi uma boa tentativa.
Qual tentativa? N�o houve tentativa alguma.
Pois, fosse o que fosse, acabou-se.
A Francesca tinha raz�o. Est�vamos tramados.
Bem, pelo menos, ela n�o trouxe a b�fia.
Ou talvez n�o.
Se eu quisesse fazer aquilo de que fal�mos...
... precisarias de saber porqu�?
N�o, mas n�o creio que seja poss�vel, agora.
Posso fazer-te uma pergunta?
- Por que te espalhaste na prova? - N�o me espalhei.
Vi a tua folha de respostas. Estava praticamente em branco.
Estava a ir bem. Depois, cheguei a uma pergunta de interpreta��o.
Uma mulher entra num comboio, em Nova lorque, � meia-noite.
Tr�s horas depois, entra um homem.
Por algum motivo, n�o consegui passar dali.
Para onde ia a mulher? Por que estava sozinha?
Sei que deve parecer uma loucura, mas isto mexeu comigo.
Quis estar naquele comboio e ir-me embora para um s�tio qualquer.
Acho que bloqueei.
Quando cheguei a casa, percebi como os meus pais ficariam desiludidos.
Preciso de ter um �ptimo resultado nesta prova.
Pois. Bem, tal como eu disse, �...
- Se queres dinheiro, podemos pagar-te. - N�o � dinheiro. �...
N�s?
Sim, h� mais algu�m al�m de mim.
Por favor, n�o digas que n�o.
- N�o. Que raio de bicho te mordeu? - � s� mais uma pessoa.
� o Desmond Rhodes. Ali�s, ouvi dizer que ele ia tornar-se profissional.
Ele n�o � suficientemente forte, nem suficientemente r�pido.
N�o sabe usar a m�o esquerda e o jogo dele precisa de ser trabalhado.
N�o estou a ver.
A Anna Ross, n�o � bom, mas sabes como o Desmond � convencido?
Ele quer participar. A Anna diz que ele precisa e que podemos confiar nele.
''A Anna diz que ele precisa.'' N�s somos a Sopa dos Pobres ou qu�?
E, segundo, julgava que n�o havia maneira de fazermos isso.
Tenho andado a pensar.
Ol�. O teu pai desconfiou?
N�o. Para desconfiar, teria de interessar-se.
Tamb�m h� c�digos de seguran�a.
T�m de dar uma c�pia ao dono do edif�cio, em caso de emerg�ncia.
- Sim, eu posso arranj�-los. - Est� bem.
- Est� bem. - At� ter�a-feira.
Est� bem. At� ter�a-feira.
- Francesca... - Sim?
- � assim t�o mau? - O meu pai?
N�o, n�o interessa. A hist�ria da pobre menina rica est� um pouco gasta.
� a mais velha hist�ria do mundo, n�o �?
Se for a tua hist�ria, n�o.
- At� ter�a-feira. - At� ter�a-feira.
Adeus.
E, por vezes, � t�o simples como isto.
H� merda. As pessoas juntam-se � causa.
Avan�amos para algo que n�o plane�mos.
Quando damos conta, os planos de um tornam-se os planos de seis.
E os planos de seis tornam-se um s�.
Eh...
Estamos a comer.
- Estou. - Tudo bem, meu?
- Quem fala? - � o Roy.
Daquela coisa da PAE.
- Como descobriste este n�mero? - Sou o fantasma.
D� c� isso.
Quem fala, por favor?
� o... Roy.
Bem, Roy, estamos a jantar. lnterrompemos-te o jantar?
Bem, eu n�o tenho hora de jantar.
� pena. Tens alguma coisa com o meu filho?
Bem, neste momento, eu ando...
... a ajud�-lo a preparar-se para a PAE.
E estava a pensar
se ele poderia vir buscar-me, logo � noite,
pois estou sem transporte.
A PAE? Ainda h� esperan�a para ti, Roy.
- Por que n�o me d�s a morada? - Agrade�o, minha senhora.
E, se me d� licen�a...
... tem uma voz atraente.
� muito agrad�vel.
- Uma voz jovem. - A morada, por favor?
Triumph Street, 4207. Com um T.
Triumph. Est� bem. Ele estar� l�.
Obrigada, Roy.
Meu Deus.
S� pontual.
Francesca, esta � a Tiffany. Tiffany, esta � a minha filha, a Francesca.
- Ol�. - Tudo na boa.
Tudo na boa.
N�o. Tudo na m�.
Ela est� a brincar.
Fixe.
As minhas meias.
Baril!
Qual foi a escola que te deu isto?
� do meu tio, meu.
Ent�o, qual foi a escola que deu isto ao teu tio?
- Por que dizes que �s o fantasma? - Na escola, ou�o coisas e vejo coisas.
Mas ningu�m me ouve nem me v�.
- Achas? - Descobri o n�mero do teu telem�vel.
E ent�o?
Tu tens o meu?
Este tolo � louco.
N�o toques nas minhas merdas.
- S�o 20h00. - O teu irm�o n�o est� l�?
N�o te preocupes. Temos aquilo por nossa conta. Ele prometeu.
Oh, merda.
� o meu irm�o.
O que � que se passa?
Desculpa, mano. Espero que a n�doa saia.
- O que � que se passa? - Disseste que pod�amos vir para aqui.
Era esta noite? Esta noite, � ter�a-feira de prova de vinhos.
O que � que se passa?
- O que � isto? - Ter�a-feira de prova de vinhos.
Que bom!
Ouve, Larry. Tu prometeste.
Sim, eu sei. Talvez possamos faz�-lo na pr�xima ter�a-feira.
lsto � o SPE.
Tudo isto � t�o giro...
- Lamento. Foi um malentendido. - Que raio est� ela a escrever?
- Estou apenas a tomar notas. - lsto � o SPE.
- Quem tirou a fotografia? - Foi a Anna.
N�o sei se estou � vontade em rela��o a isto.
Pareces estar, com essa camisola. Tens de passar a vestir-te assim.
- Eu fiz alguma coisa? - Tens m�dia de 4.
Francesca, p�ra com isso, est� bem?
Sabem qual � a falha fatal, na maior parte dos golpes?
� confiar na equipa. Gostaria de saber o que faz aqui a melhor da turma.
- N�o sou a melhor. Sou a segunda. - lsso explica tudo.
Toda a gente tem os seus motivos. N�o precisamos de saber.
Precisamos. Em ''The Breakfast Club'', eles drogam-se e fazem confiss�es.
Baril!
Talvez todos dev�ssemos dizer exactamente por que estamos aqui.
- O Kyle disse que n�o era preciso. - Eu acho que �. Eu come�o.
Estou aqui para fazer novas amizades. E por causa do vinho, claro.
- E tu, vedeta? - Estou aqui porque a PAE � racista.
- S� faltava essa, n�o �? - Achas que n�o?
Quem criou o teste? Brancos ricos. Quem obt�m resultados mais altos?
Raparigas asi�ticas da classe m�dia que v�em menos de uma hora de TV por dia.
N�o sabem conduzir, mas conseguem arrasar na PAE.
N�o interessa. Por que est�s aqui?
N�o sou suficientemente esperto, ao contr�rio deste g�nio.
� injusto para certos grupos.
- Melhores alunos lambe-botas. - Eu n�o sou a melhor aluna.
- �s a segunda melhor. - Basta!
lsto � a planta das instala��es do SPE regional.
Aqui, est�o as especifica��es das c�maras de vigil�ncia.
- � frutado, mas tamb�m � amadeirado. - Roy, presta aten��o. Por favor.
A Francesca tem os c�digos de abertura e sabemos onde est�o as respostas...
- Sim. - lsto � c�nhamo?
- lsto nunca vai resultar. - Vai correr tudo bem.
Vamos safar-nos. O telefone da Liga n�o p�ra de tocar...
O Roy est� a tentar fumar o cachecol do Larry.
Roy! Estou a falar a s�rio. Vou p�r-te na rua.
Merda. � uma merda.
- Precisas de ajuda? - N�o.
A n�o ser que saibas c�digo de Visual Basic.
- O que fizeste? - N�o sei.
Uma merda qualquer com as vari�veis din�micas.
- Ent�o, vamos fazer isto? - Vamos fazer isto.
- Desliga o teu telefone. - Tens alguma coisa contra mim?
- N�o, contra quem pode lixar-nos. - Est� bem. N�o preciso desta merda.
- Anna, vais alinhar nisto? - Viram o Desmond na televis�o?
A jogar pelo St. John?
Ele ganhou 25 a 10 � equipa da Carolina do Norte.
Matty, viste, n�o viste? Estavas no teu apartamento com a Sandy, em Maryland.
N�o vi. Tive um encontro.
Mas a minha colega de quarto, em Brown, disse que foi �ptimo.
Foi, sim. Vi tudo do meu quarto, em Cornell.
- Roy, tu tinhas apostado. - Espero que tenhas coberto a diferen�a.
N�s podemos fazer isto. Podemos chegar aonde queremos ir.
Mas temos de confiar uns nos outros.
Falas bem, mas acho que a tua m�e vem a� trazer-nos uns petiscos.
lsto � uma coisa s�ria. Alguns de n�s t�m muito a perder.
- Acho que todos temos muito a perder. - Sem d�vida. Ou�am-me.
Quem n�o gostar do plano pode ir-se embora.
Est� bem.
Na sexta-feira � tarde, a Francesca vai entrar pelo �trio.
Como em qualquer outra sexta-feira.
Ela vai marcar entrevistas para mim e para o Matty, na empresa do pai dela.
E se ele te reconhecer?
- Ele n�o vai reconhecer-me. - Pode acontecer.
Para baixo! Quietos!
M�os no ar!
Ele n�o vai reconhecer-me.
Quando eu estiver l�, o Matty entra e vai ter ao gabinete do pai da Francesca.
- Onde � que eu vou estar? - Vais estar � espera na mata.
Com aquele corvo est�pido?
Sozinho?
N�o, com o Desmond e com a Anna.
- Roy. - Sim, boneca. Sentes?
- D�-me isso. - Quem � o teu paizinho, agora?
Talvez dev�ssemos ir todos juntos.
Precisamos que fiquem l� fora, para quando o guarda fizer as rondas.
A rota��o deles n�o � exacta e n�s vamos usar lanternas.
N�s ficamos atentos aos guardas, para vos dizermos para as apagarem.
A Francesca vai pedir ao guarda para desligar o alarme das traseiras,
dizendo que vai descarregar caixas, que � algo que ela j� fez.
N�o se mexa.
O Matty e eu temos 20 segundos para chegar �s escadas.
Subimos at� ao telhado e esperamos pelo cart�o de acesso da Francesca.
Depois disto, � como se j� estiv�ssemos em casa.
Entramos, pegamos nas respostas e sa�mos.
Pouco depois da meia-noite, isto sou eu.
�s 00h25 de s�bado e muito mais perto do resto da minha vida.
Quem � que vai comigo?
Est� bem.
Fumas?
Os beijos ficam a saber mal.
N�o vamos beijar-nos, pois n�o?
N�o, eu estava s� a...
Por que est�s aqui?
- Preciso das respostas. - Para ir ter com a Sandy, a Maryland.
O que � que ela tem de t�o fant�stico? Al�m de ser ''sem fumo''...
N�o entenderias.
- Explica-me. - Est� bem.
Eu n�o tenho grandes notas nem sou muito bom em coisa alguma.
Mas isto era algo em que eu era muito bom.
Eu era muito bom a estar com a Sandy.
Conseguia faz�-la rir. Conseguia adivinhar o que ela estava a pensar.
E era... bestial.
Era bestial.
E?
E estou ansioso por voltar a ser muito bom.
Estamos aqui por causa do dinheiro do banco, e n�o por causa do vosso.
Lembrem-se das vossas fam�lias. N�o arrisquem a vida.
Sentem-se no ch�o e ponham as m�os em cima da cabe�a.
E o dia chegou.
T�nhamos planeado tudo.
Estava na altura de pormos as m�os na massa.
- Sim. - Sou eu.
P�e o teu telefone em modo de vibra��o. Liga-me.
A partir daqui, usamos a remarca��o. Diz a mesma coisa ao Roy.
Obrigada.
Merda. Esqueci-me do corta-parafusos.
- O qu�? - Estava a brincar.
Que piada!
Vamos a isto. M�scaras.
- Trouxeste as tuas b�ias? - Foi a �nica coisa que arranjei.
Muito bem. Estamos aqui. As respostas est�o aqui.
N�o tirem as m�scaras at� passarmos pelas c�maras. Mais vale prevenir.
- Andas muito? - A minha m�scara est� embaciada.
H� uma c�mara ali � frente. Baixem-se e v�o junto � parede.
O que � que acontece, se ela nos vir?
Tr�s a seis meses e muito servi�o c�vico.
N�o vou olhar para a tua roupa interior.
Quem disse que eu tenho roupa interior?
Matty, est�s bem?
N�o vejo... ! N�o consigo ver com esta m�scara est�pida.
Avan�a.
Para a direita.
- Para aqui. - Para onde � que eu vou?
D�-me a m�o.
- Obrigado. - Por aqui.
- A Natureza chama. - Sim, � impressionante, n�o �?
N�o. A Natureza chama.
Posso fazer-te uma pergunta?
Por que fumas charros?
Para fazer alguma coisa.
Por que r�is as unhas?
� aqui. Francesca.
Senhoras e senhores, apresento-vos...
... uma grande perda de tempo.
Por que trancam a porta disto?
Era aqui.
Matty, juro, era aqui. As respostas vieram para a 510, para as arquivarem.
''Vieram'' n�o nos ajuda agora, pois n�o?
Tive as respostas nas minhas m�os...
''Uma vem para mim.''
Kyle... o que...?
Merda!
O que � que est�s a fazer?
- Tu... - Quem raio era aquele?
Era o Bernie, o guarda da noite que bate em toda a gente.
- Ele veio cedo. - Onde � que ias?
''Uma vem para mim.''
O tipo que me mandou fazer as c�pias disse: ''Uma vem para mim.''
- Queres telefonar para casa dele? - Quero descobrir o gabinete dele.
Roy, que horas tens?
Estas horas.
Consegues ver o extremo do edif�cio, daqui?
Vou procurar um �ngulo melhor.
Merda.
O meu telefone. O meu telefone.
Merda.
Roy. Roy, o guarda.
- O meu telefone tem um problema. - Que problema?
Telefona.
- Estou. - Apaguem as lanternas.
- Sim? - Desculpem.
- Est� tudo bem. - Diz ao Roy que vou dar cabo dele.
Encontrei. � o gabinete 545.
Talvez esteja aqui.
Sabem o que isto significa.
Est�?
� para ti.
� uma mi�da?
- Estou. - Roy, precisamos da tua ajuda.
Quem fala?
� o Kyle, Roy.
- ''Clyde's''... - Dave, � o Matty.
- O que � que se passa, meu? - Quero mandar entregar flores.
- Diz-lhe que queres rosas. - Quero rosas.
E achas que eras capaz de arranjar uma garrafa de champanhe?
- Sim, p�, acho que consigo. - Boa. E preciso de um cart�o assinado.
''Da tua admiradora secreta.''
''Da tua admiradora secreta.'' Vou dar-te o nome e a morada.
Se pudesses fazer o que quisesses da tua vida e o dinheiro n�o fosse entrave,
o que farias?
Tudo o que eu quisesse?
Quando era mi�do, passava horas a jogar um jogo de v�deo.
O ''Street Fighter ll''.
E lembro-me de pensar: ''H� gente que � paga para fazer isto,''
''para imaginar o jogo e para criar as personagens.''
Havia uma personagem, o Blanka.
� meio homem e meio lagarto, e come os advers�rios.
Destr�i-os com um raio ou arranca-lhes a cara � dentada.
- � muito fixe. - Ent�o, criarias jogos de v�deo.
N�o. Gostaria de ser o Blanka.
Eu estava a pensar que, um dia, talvez gostasse de ser actor.
Em vez de acabar com a fome no mundo ou de curar uma doen�a terminal?
- Percebes o que quero dizer? - Eu teria um abrigo para animais.
Ou... seria m�e.
N�o seria apenas m�e. Seria uma m�e a s�rio.
Que se ralaria mais com este t�tulo do que com o que tem no cart�o de visita.
Ou pornografia.
Malta, o Dave chegou.
- Quando ela abrir a porta, mexe-te. - O que � que eu fa�o?
Esperas aqui comigo. Eles s� precisam do Roy.
Est�s pronto?
Tens de deixar de fumar aquilo.
- Estou aqui. - Espera. Ainda n�o. Espera por mim.
- Eles s� precisam mesmo do Roy? - S� do Roy.
Roy, prepara-te.
- � o Bernie? - Sou.
Uma entrega.
- Vai. - Vai.
Vai.
Raios, n�o.
Merda.
- Ele est� c� dentro? - O que raio foi aquilo?
Francesca, ele est� c� dentro?
- Ele est� c� dentro. Mais dois. - O qu�?
Bolas! Degraus, n�o!
Achamos que as respostas est�o aqui, mas h� uma palavra-chave.
- � deste tipo? - Sim.
PALAVRA-CHAVE lNCORRECTA
�s um homem perverso, Arnie.
- Como chamam a esta coisa? - Respostas da PAE.
''PAE de Mercer County. Enunciados para o Outono de 2004.'' lmprime.
lmprime. Vamos embora daqui.
S�o precisas mais tr�s palavras-chave e mais tr�s utilizadores, para imprimir.
Consegues resolver isso?
D�-me seis meses e o computador central da CIA.
- Que piada! - O exame est� aqui.
S� precisas das respostas.
Exactamente.
J� percebi. V� l�, pessoal. Faz todo o sentido.
Fazemos a prova agora, para podermos roubar as nossas respostas.
Depois, fazemo-la com as respostas que rece�vamos que estivessem mal.
� bom. � mesmo bom.
- Ent�o, quem quer panquecas? - Malta, o exame est� aqui.
� complicado para uma pessoa s�, mas n�o pode vencer-nos aos seis.
- V� l�. - Ou�am isto.
''Se 15 pessoas levam oito horas a fazer 100 objectos,''
''quantas horas levar�o 6 pessoas, a trabalharem ao mesmo ritmo,''
''para fazerem metade dos objectos?''
10?
- 10 horas? - D. 10.
Ela � a segunda melhor da turma.
''Uma mistura de 10 quartos consiste em 1 parte de sumo para 9 de �gua.''
Quem � o tenrinho que est� a fazer esta bebida?
''Se se juntar x quartos de sumo e y quartos de �gua para fazer 27 quartos,''
''que consiste em 1 parte de sumo para 2 de �gua, qual � o valor de x? ''
9.
- O C � 9. - N�o.
Diz: ''Se se juntar x quartos de sumo, qual � o valor de x? ''
J� temos uma parte de sumo. Por isso, 9 menos 1 � igual a x.
- 8. - Sim.
- O D � 8. - Ele tem raz�o. Desculpem.
N�o, n�o pe�as desculpa. J� l� v�o duas.
Poder�amos ir embora, mas para qu�?
Acho que devemos tentar, todos juntos.
- N�s conseguimos fazer isto. - A n�o ser que o tempo se esgote.
Consegues aceder a isto, de outro computador?
- Desde que esteja neste gabinete. - Certo.
Algu�m tem de tentar fazer a parte de Letras. Francesca?
N�o. Eu e as palavras n�o nos entendemos.
A Anna e eu fazemos a parte de Letras. Algu�m tem de fazer a Matem�tica.
Eu fa�o.
- Tens a certeza? Pode ser... - J� ouviste o termo ''Vai-te lixar''?
A Matem�tica n�o me assusta. Tratem s� da parte de Letras.
- Quem vai ajudar o Des? - Bem, eu acho que posso ajud�-lo.
Mas apenas em equa��es quadr�ticas,
geometria coordenada e visualiza��es alg�bricas.
- Se quiserem... - Sim.
Hasselhoff, isto � para n�s. Vamos vigiar o �trio.
N�o tens de ficar a� � espera. O guarda s� volta daqui a umas horas.
A Sandy gostava deste tom de azul.
Azul arroxeado.
J� n�o gosta.
Disseste ''gostava''. Disseste: ''A Sandy gostava.''
Gosta. N�o interessa.
Qual � o problema? Ela deixou de telefonar?
Ela telefona.
Sim, mas n�o como dantes.
Ela anda ocupada.
Matty, acabou-se.
Nunca mais voltar� a ser como era.
N�o...
- N�o sabes nada sobre isto. - Sei que n�o � saud�vel.
E enfiares-te numa p�gina da lnternet porque o pap� n�o gosta de ti?
Desculpa. N�o queria dizer isto.
Ent�o, por que o disseste?
Porque ela deixou de telefonar.
Lembras-te de quando disseste que eras muito bom como namorado da Sandy?
N�o eras.
lsso � simp�tico. Por que � que n�o...
N�o eras muito bom como namorado de uma rapariga, Matty.
Apenas encontraste algu�m que te deixava estar bem contigo pr�prio.
- x est� para y... - ... como esta merda est� para seca.
Qual � o resultado que precisas de ter no teste?
- 900. - E est�s a fazer a Matem�tica por n�s?
Tive receio da parte de Letras. Posso safar-me em Matem�tica e n�o ter 900.
- Por que n�o te tornas profissional? - N�o conheces a minha m�e, meu.
Ela liga imenso a graus acad�micos. Tem tr�s empregos.
Se lixar o joelho na faculdade, recebo apenas cr�ditos.
Se lixar o joelho na NBA, tenho um contrato por quatro anos. Milh�es.
O que � que ela diz, quando lhe dizes isso?
N�o posso.
- Tu n�o conheces a minha m�e, meu. - Tudo isto por falares com ela?
- Tu consegues falar com a tua? - A minha m�e morreu.
Mas se ela n�o tivesse morrido...
Sim, acho que conseguiria falar com ela.
Deixa-me entrar a�. Vamos a isto.
Sabes, muita gente acha que estas perguntas s�o dif�ceis.
- Eu, n�o. - N�o?
N�o. Todas estas perguntas t�m resposta.
- Estamos despachados? - Sim.
Vamos embora daqui.
- Roy, o que � que levas no saco? - Nada.
Precisava de material escolar.
- Roy, n�o podes levar estas coisas. - Por que n�o?
Se desaparecer alguma coisa, a Francesca ser� apanhada.
- Por que trouxeste a foto do tipo? - A mulher � o m�ximo. Olha.
- Eu ajudo-o a levar as coisas de volta. - N�s esperamos aqui.
A Anna e eu estamos no telhado.
N�o posso acreditar. lsto � fant�stico!
Tens as tuas respostas.
Sim, mas � tudo isto.
Conseguimos.
Ainda n�o fizemos nada. O que � que se passa contigo?
N�o sei. Estou a divertir-me, acho eu.
Eu sei como as pessoas me v�em.
Como uma dessas raparigas perfeitas a quem tudo corre bem.
Sempre quis dar um murro na cara a uma delas.
N�o sou um aut�mato. N�o fiz grande coisa... ainda.
Tamb�m h� muita coisa que eu ainda n�o fiz.
Sim, mas eu nunca fiz mesmo nada.
Quero dizer, nunca cheguei tarde a casa, nunca me baldei �s aulas
e nunca... estive na marmelada, em cima de um telhado.
Merda!
- O que aconteceu? - Est� aqui algu�m.
- Merda. - D�-me a m�o. Eu puxo-te para cima.
Primeiro, a Francesca. Espera.
- O que � que se passa? - A Francesca n�o vai conseguir.
- Temos de ir. - N�o vamos deix�-la assim.
- N�o temos alternativa. - N�o.
- Eu vou. - Rhodes, vais lixar-te.
- A Francesca e tu conheciam os riscos. - Ele tem raz�o. Anda.
- Vamos. - Esta merda estragou-se.
Anda.
Anda, Roy.
Matty.
Matty, anda.
Eu fico.
O qu�? Matty, anda. D�-me a m�o.
- Eu fico, Kyle. - Matt. E a Sandy?
O que � que tem?
O resto � comigo.
N�o se mexa. Ponha as m�os no ar.
Kyle, temos de ir.
- N�o posso fazer isto, malta. - Kyle, est� feito.
Sa�mos com o cart�o de acesso. Voc�s, para a direita. N�s, para a esquerda.
Encontramo-nos no carro. Eu levo c�pias disto, amanh� de manh�.
Ent�o, como � que correu?
- Tu n�o dormes? - Esta noite, n�o.
O que � que te aconteceu, mi�do?
O que � que me aconteceu? O que � que te aconteceu, Larry?
Devias ser o meu irm�o mais velho.
- E ent�o? Sou o morto em p�? - Bastante. Quero dizer...
- Como achas que os pais se sentem? - Como achas que eles se sentem?
- N�o sei. N�o muito bem, se calhar. - Deixa-me fazer-te uma pergunta.
O que � que preferes: o filho que vive por cima da garagem,
ou o filho que faz vigarice para entrar para a faculdade?
Para a pr�xima, n�o deixes os teus planos em cima da minha cama, idiota!
O Matty foi preso.
Achas que isso � justo?
Acho que n�o � pergunta que se fa�a.
Pelo menos, est�s a come�ar a falar como o meu irm�o mais novo.
Talvez esteja algures aqui dentro.
H� alguma coisa que n�o saibas?
H� muita coisa que n�o sei.
Mas vou dizer-te uma coisa que n�o sabes.
Sabias que, todos os Natais, depois de ires para a cama,
o pai, a m�e e eu ficamos a comentar como nos orgulhamos de ti?
Como � �ptimo ver este mi�do com todo este futuro pela frente,
e como ele o merece,
pois � bom rapaz e faz aquilo que est� certo.
Todos os Natais, desde h� quanto tempo?
N�o sei. H� cerca de dez anos.
N�o achas que eu teria gostado de estar convosco?
Sim, mas n�s ficar�amos pouco � vontade.
Boa noite, maninho.
- Um conselho. - Por que n�o?
Nunca aceites conselhos de algu�m que vive por cima de uma garagem.
H� quanto tempo morreu a tua m�e, boneco?
H� nove anos. Eu tinha 8 anos.
Que pena.
O meu filho disse-me que o incentivaste a falar comigo.
�s um rapaz esperto, Roy. Por que fazes algo de est�pido como drogares-te?
Para fazer alguma coisa.
''Para fazer alguma coisa.''
J� ouviste dizer: ''Gra�as a Deus, a minha m�e n�o est� viva para ver isto''?
N�o.
Mas est� aqui a m�e de algu�m, e isto n�o me agrada.
Eu... pe�o desculpa.
Vai tomar um duche e vestir roupa lavada. N�s esperamos.
Vou preparar-te um pequeno-almo�o, antes do exame. Est� bem?
Estive a pensar nisso, Sra... m�e do Desmond.
N�o vou fazer o exame.
Quero dizer, sejamos realistas. Eu n�o vou para a faculdade.
E, mesmo que fosse,
estaria a tirar o lugar a algu�m
que quer estar l� mais do que eu.
�s um rapaz esperto, Roy.
Mas, boneco, est�o a sair-te muitos disparates pela boca fora.
Ouviste o que eu disse em rela��o a um duche e a roupa lavada?
Sim, minha senhora.
H�s-de descobrir que n�o gosto de repetir-me.
- Mexe esse rabo! - Sim, minha senhora.
lsto n�o se aplica a toda a gente, mas o ar de criminoso fica-te bem.
Espera at� sentires o cheiro.
Sabes o que estive a pensar? Tenho de habituar-me a estar sozinho.
Ou n�o.
J� te disseram que beijas muito bem?
N�o t�o bem como o Ram�n, o meu companheiro de cela, mas n�o �s m�.
- E o exame? - Ent�o, � assim...
Depois de passar a noite na cadeia com a pior vers�o do que poderia ser,
a PAE n�o � nada.
E tu? Vais ficar bem?
Sim. Acho que vai ser um dia agrad�vel.
Paran�ico, Anormal e Enrolado. PAE.
Paix�o, Amor e Envolvimento.
N�o estou a reconhecer-te.
� inaceit�vel. Passas a noite fora a fazer sei l� o qu�, sei l� com quem.
A dar cabo de tudo o que fizemos, na v�spera do dia da tua vida.
lsto � o mundo real. Lembra-te disso.
Se est�s sob press�o, aguenta-te. N�o passes a noite fora.
Est�s a ouvir? � a tua �ltima hip�tese de entrares para Brown.
Sabes uma coisa? Agora me lembro. Eu n�o vou para Brown.
Agora, aguenta-te.
Olha para ti.
Acabei de dizer � minha m�e que n�o vou para Brown.
- Os mi�dos de l� ficar�o desiludidos. - As mi�das de l� ficar�o desiludidas.
- Ent�o, para onde vais? - N�o sei.
Para a Europa, talvez. Depois, para a faculdade.
O que � que se passa?
- N�o. - A s�rio?
J� tratei da Matem�tica e, al�m disso, tu n�o conheces a minha m�e.
- Roy? - Porra, p�. N�o conheces a m�e do D.
Quis voltar para tr�s para ir buscar-te, mas o Kyle disse que te lixasses.
Pareces uma pega.
- Eu gosto. - Obrigada.
- Desculpa, p�. - Cala-te. N�o pe�as desculpa.
Al�m disso, n�o � assim t�o mau.
- N�o, n�o preciso. - V� l�, p�. Toma.
Estou a falar a s�rio. Fiz a prova. N�o vou voltar a faz�-la.
- Foste preso. - Chega.
- lncr�vel. Francesca? - N�o.
- Malta, o que vem a ser isto? - N�o fiz aquilo pelas respostas.
- Ali�s, tive 1460 no �ltimo semestre. - N�o nos disseste.
N�o me perguntaram.
- Esperem. Tu tamb�m n�o queres? - Tenho ar de precisar das respostas?
Tens ar de precisares de um chulo.
Depois de tudo isto, ningu�m vai usar as respostas?
Tu vais, n�o vais?
- N�o. - Kyle, � o teu sonho, meu.
Sim, mas se querem classific�-lo, quero que se lixem.
Eu sei quem sou.
- Sabes? - Sei.
Quando tiveste esse momento de clareza?
No momento em que o parvo do meu melhor amigo foi preso.
Ent�o, tudo isto para nada?
Eu n�o diria que isto � nada.
Que se lixe!
T�m 30 minutos.
Est� bem, n�o fiz trapa�a na prova,
mas nem pensar em desperdi�ar aquelas respostas.
O pr�ximo ano, em Harvard, PAE significar� Passas, Amores e �xtase.
Por falar em faculdade, o Desmond saiu-se bem na prova
e decidiu jogar basquetebol na Universidade de St. John.
A m�e dele ficou contente e, acreditem, � bom que a m�e do D esteja contente.
O Matty sobreviveu � liberdade condicional e a muito servi�o c�vico.
Uma vez, ele disse-me que talvez gostasse de ser actor.
Se n�o fosse, seria apenas feliz.
Est� a trabalhar para ambas as coisas.
A Francesca vendeu o primeiro romance dela.
� sobre seis mi�dos que conspiram para roubar as respostas da PAE.
Se fizerem um filme sobre isto, quem ir� interpretar a minha personagem?
� bom que ele seja bem "fornecido" como um cavalo.
O Kyle safou-se bem no exame. A Anna arrasou-o.
Ele est� em Syracuse, mantendo o sonho de vir a ser arquitecto.
A Anna foi para a Europa
e acabou por entrar para a faculdade, nas condi��es que queria.
Em Nova lorque, quando uma mulher entra num comboio � meia-noite,
e um homem entra no mesmo comboio,
j� sabemos o que acontece.
� a vida, o romance, a aventura.
As coisas que n�o encontraremos num teste.
Tive o resultado mais alto do condado,
mas isto n�o contrabalan�ou a minha m�dia de 0.
Acabei por ser obrigado, ou melhor, incentivado a fazer a PGA.
Continuo a gastar grande parte do meu tempo em jogos de v�deo.
O jogo mais vendido no ano passado foi criado por mim.
� isso mesmo, querida. Padroniza isto!
Tradu��o: Ana Cordeiro
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