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O Pimpinela Escarlate
Valentin Gautier Argumento de
Baseado nas obras de
Ch�teau de Rochambeau, Oeste da Fran�a
Viram-nos? Viram-nos? - N�o sei!
Temos de chegar � costa esta noite!
Vai ser parado. A carruagem tem o seu bras�o, milord!
Ent�o, temos de a abandonar e ir a cavalo!
S�o mais de 100 quil�metros!
N�o, pai... N�o posso! N�o posso!
A crian�a est� doente!
O convento... O Convento da Visita��o! Deixem-me l�!
N�o!
Por que n�o, senhor? Estar� segura. - N�o posso deix�-la...
Tem de ser! Tem de chegar a Inglaterra!
Por favor, pai!
Est� bem...
O convento! Para o convento!
O que ir� fazer? - Ficarei em Cholet. Tenho de ficar.
E se o encontrarem?
O povo vai esconder-me. O meu lugar � com eles.
Escapou? O Marqu�s escapou?
Sim, cidad�. Com a filha e o padre.
Onde est�o?
Demore o que quiser.
Onde? - N�o sei...
Mas tem de saber, cidad�o. E estou certa que sabe.
E daqui a pouco, mesmo muito pouco, querer� dizer-me.
Querer�.
Coragem, Helene!
Quem vem l�?
� o Padre Joseph.
Trago comigo o Marqu�s de Rochambaud
e a filha.
O ch�teau est� a ser atacado!
Tem de esperar, senhor.
Virei busc�-la. Juro.
Por favor, pai. Serei protegida aqui. N�o v�?
Mas, Helene...
Tem de se lembrar que uma parte de mim
estar� sempre consigo.
Minha filha...
Padre Joseph... - Tem de nos ajudar, Madre Superiora.
Levem a rapariga l� para dentro.
Imploro-lhes... Mantenham-na segura.
Manteremos, senhor. Nenhum mal lhe acontecer�.
Deus vos aben�oe.
Adoro-o.
Venha, senhor, temos de ir. - Sim...
A grande felicidade do meu melhor e mais nobre amigo
no seu noivado com a Menina de Tourney
e a alegria que tanto Lady Blakeney quanto eu
sentimos pela sua feliz uni�o,
s�o tais ocasi�es para regozijo que, verdade seja dita,
mal sei por onde come�ar.
Desde que saiba onde terminar!
Pe�o-lhes que ignorem os ditos espirituosos de Lady Blakeney
como ignoro o zumbido dos moscardos.
Os poetas dizem-nos que o amor � cego...
Mas o milagre do casamento abre-nos os olhos.
Seria uma coisa monstruosa uma mulher da moda adorar um marido,
especialmente se for o dela.
Os esponsais deste encantador casal, em honra de quem damos esta festa,
fizeram com que a bela musa da poesia voltasse a colocar-se comigo...
Assim podemos todos descansar.
Portanto, dedico esta breve ode ao Andrew e � Suzanne.
"Casamento", por Sir Percival Blakeney.
O casamento � como uma vela flamejante
Colocada � janela Numa quente noite de Ver�o
Convidando Todos os insectos do ar
A a� colocarem As suas belas asas.
L� fora, D�o com as cabe�as na janela
L� dentro, Ferem-se para voltar a sair.
Um brinde aos pombinhos, estas rolas, estes inocentes apaixonados.
Cavalheiros, senhoras,
todas as felicidades para o Andrew e a Suzanne!
Ao Andrew e � Suzanne!
Parab�ns. - Obrigado.
Outra francesa que se saiu bem.
Senhor. - Obrigado.
Se n�o fosse o Pimpinela Escarlate,
eu e o Andrew nunca nos ter�amos conhecido.
Qu�o maravilhosamente rom�ntico.
Daria tudo para lhe agradecer. Para lhe dizer o qu�o feliz estou.
Talvez ele saiba.
Acha que ele pode estar aqui? - � poss�vel.
Para qu� perder tempo com especula��es?
O sujeito n�o as merece.
N�o as merece, Sir Percy? Como pode diz�-lo?
O Pimpinela � o mais nobre e corajoso dos homens!
Bem, o emproado aborrece-me tremendamente.
Ou inveja simplesmente a sua reputa��o?
Por que deveria, minha senhora?
Procura apenas a v� gl�ria! E a mulher dele � pior.
A mulher dele! - Sim, a mulher dele.
F�til, extravagante ao m�ximo.
� por causa dela que passa a vida a ir a Fran�a.
Deveras?
Quer dizer que conhece o Pimpinela, Sir Percy?
Se o conhe�o-o? Toda a vida conheci o enjeitadinho.
Bem, ent�o diga-nos! Quem � ele? - Sim, quem � ele, Percy?
V� l�, diga-nos!
V�, conte-nos, Percy! Quem � ele?
Sinto-me bastante tentado...
Charles! - Marguerite, eu...
Perdoe-me. � a �nica amiga a quem posso recorrer.
Sem d�vida posso confiar que sejam discretos?
Bem, o Pimpinela Escarlate...
... �...
... nada mais do que...
Raios partam, o pedinte pediu-me segredo!
Se ao menos pudesse persuadir o Pimpinela a vir comigo...
Isso � imposs�vel...
Ele e os seus amigos trabalham sozinhos.
Eu pagaria bem.
Ent�o, insult�-lo-ia, Marqu�s. N�o pode ser comprado.
Perdoe-me, mas estou desesperado para salvar a minha filha.
Helene j� n�o est� segura no convento!
Percy!
As guerras civis s�o mesmo coisas turbulentas.
Nunca estamos certos qual � o partido que os outros tomam.
At� o senhor.
Sou realista, senhor!
Mas escolheu o ex�lio � resist�ncia.
N�o compreende? A causa realista est� perdida!
E agora, o governo republicano
decretou a destrui��o total de Vendee.
Faz ideia do que isso poder� significar?
Um banho de sangue de vingan�a!
E a Helene est� encurralada nele.
Ela � tudo o que tenho.
Tem de perdoar o Percy, Marqu�s.
Eu compreendo, n�o esperavam a minha chegada.
Sei que os ingleses ficam muito envergonhados
com demasiada emo��o.
Mas espero que ele perdoe o meu rompante.
Est� t�o cansado.
Sim, estou cansado...
... e desesperado.
Compreenda, estou sozinho... num pa�s estrangeiro.
Eu sei, eu sei...
A Helene �-me t�o preciosa. - Eu compreendo.
Sabe, nunca tive filhos. Sempre a encarei como meu sangue.
E agora que a m�e dela morreu, eu...
Tem de dormir. Preparei um quarto. Venha.
Cholet...
Est� deitado?
O Convento da Visita��o. Fica no territ�rio dos rebeldes.
� onde vive o couteiro do Rochambeau, o Sr. Carnot.
Quando partir�? - Em breve.
Qu�o em breve?
E se a rapariga estiver morta? - Rezemos para que n�o esteja.
Ele parecia t�o perdido.
A fam�lia Rochambeau � senhora de Vendee desde h� 200 anos.
� l� que ele pertence.
Vamos deitar-nos, Margot.
E onde perten�o eu, Percy? - Aqui, comigo.
E basta?
N�o deixe que as venerandas harpias a firam.
O ex�lio n�o � uma ferida que sare.
Cidad� Damiens!
N�o pode entrar, Vanel!
O que foi?
Temos raz�es para acreditar que o padre do Rochambaud
est� a ser escondido aqui em Cholet.
Ent�o, encontre-o, Vanel!
Sim, cidad�.
Mesmo debaixo do meu nariz...
Carnot.
Sr. Henri!
Quantos? - Seis.
Pague-lhe.
Esperam mais azuis republicanos aqui em Cholet.
Duas colunas. Talvez tr�s.
Quando? - N�o sei, senhor. Mas em breve.
E a Gabrielle Damiens?
Ainda est� a ca�ar a filha do Marqu�s.
Helene de Rochambeau.
Mais alguma coisa? - N�o, nada mais, senhor.
Venha ter comigo daqui a uma semana. - Virei, Sr. Henri.
Anda!
Cidad�o Chauvelin...
Fumier, sirva-se.
Eu n�o bebo!
N�o bebe, pois n�o? Tem v�cios mais invulgares.
Mandaram-me vir busc�-lo. - Vir buscar-me?
Robespierre chama por si.
Robespierre. � alguma piada? - N�o.
Robespierre.
Muito aconteceu desde o seu afastamento.
Continuo a servir a Rep�blica.
Mas numa capacidade muito menos exaltada.
Deve ser constrangedor
para um homem com as suas capacidades e ambi��o.
Imagino que seja.
Sente-se.
Nasceu em Vendee, n�o foi?
H� anos que n�o vou l�, mas conhe�o a regi�o.
Ent�o, deve ter ouvido falar da Menina Guilhotina?
Gabrielle Damiens. Uma doida.
Tem uma �nsia de sangue especial por padres reaccion�rios.
O seu sistema de informa��o permanece imaculado,
se bem que altamente colorido.
O zelo dela poder� ser excessivo,
mas o Governo precisa de pastores e de carniceiros.
Voltaire.
Deveras.
O Marqu�s de Rochambeau escapou para Inglaterra.
J� ouvi dizer.
Onde estou certo que falar� mal de mim
em folhetins escandalosos como este.
Quer que o silencie? - N�o, n�o.
J� temos m�rtires realistas que bastem.
Ent�o, como pretende amorda��-lo? - A filha dele ainda est� em Vendee.
Tem a certeza? - A Damiens tem.
Se ela a encontrar, mata-a.
E preciso da rapariga viva.
Para vergar a eloqu�ncia do pai. - Exactamente.
O General Marc� diz que � dif�cil combater na regi�o de Vendee.
Ele deve saber. Perdeu a maioria dos homens.
E os sobreviventes perderam as m�os. - N�o apenas as m�os.
Os rebeldes surgem das �rvores,
matam quem podem e voltam a desaparecer.
� uma loucura segui-los. - Poderia encontrar a rapariga?
Ou�a-me, Chauvelin.
O Comit� de Seguran�a P�blica � agora o verdadeiro governo da Fran�a.
E eu controlo-o.
Se for bem sucedido,
poder� voltar a tornar-se um homem de poder.
Um pol�tico. N�o � apelativo?
N�o desejo regressar a Vendee.
Porqu�? Tem esqueletos no seu arm�rio provinciano?
Os fantasmas podem ser descansados, assim como as pessoas.
J� avisei a Cidad� Damiens de que vai a caminho.
� absurdo! - Ent�o, agora sou absurda?
N�o disse que era absurda, disse... - Mas inferiu.
N�o ande � pesca, minha senhora. Nunca inferi nada do g�nero.
Andrew. Alguma vez inferi... - Deixe Sir Andrew de fora.
Ele conhece todas as circunst�ncias, do princ�pio ao fim.
N�o conhece, Andrew?
Bem, se me der a conhecer o argumento...
Lho der a conhecer? Sou ensurdecido por ele!
A minha ida para Fran�a. - A sua ida para Fran�a.
Est� a ver? O Andrew concorda.
Raios partam, mulher! N�o compete ao Andrew decidir...
A minha resposta foi exclamativa, n�o afirmativa.
N�o fale como um advogado. A hipocrisia da l�ngua inglesa!
Pare de congeminar, minha senhora. Este assunto � demasiado perigoso.
E diga-me, senhor, como pensa entrar
no Convento da Visita��o de Santa Maria?
A ordem � de clausura. N�o admitem homens.
Pode ser um mestre do disfarce, Sir Percy,
mas n�o o consigo ver no papel de freira.
Minha nossa, Margot, n�o est� preparada para uma viagem assim!
A mala de Sua Senhoria, Sir Percy. Onde a ponho?
Percy, ainda est� zangado comigo?
N�o. Porqu�, deveria estar?
Ent�o, por que n�o olha para mim?
Porque conhe�o extremamente bem a sua apar�ncia.
Est� a amuar.
N�o, minha senhora, estou a tentar dormir.
Mas devido ao seu chinfrim incessante e aos abanos constantes do barco...
Pois claro. Os abanos constantes do barco.
Como adoro os abanos constantes do barco.
Qu�o ardentemente a proa penetra nas ondas indomadas...
E qu�o ardentemente, qu�o voluntariamente,
se separam perante o seu poder pujante
e batem suavemente nos lados.
Minha nossa, Margot, tem uma l�ngua mesmo marota.
Viva a Rep�blica!
Quanto tempo at� Cholet?
N�o chegar� antes do anoitecer, Capit�o.
Ent�o, precisarei de pernoitar algures.
Em campo aberto, longe do arvoredo.
Sei o s�tio certo, Capit�o. E n�o fica longe daqui.
Posso oferecer-lhe um copo de vinho? Queijo? Salsichas?
Pensava que a hospitalidade em Vendee
tinha mais a ver com uma faca espetada nas costas.
N�o somos todos rebeldes.
N�o s�o?
Sabia que o Marqu�s de Rochambeau escapou para Inglaterra?
Escapou? - Sim, mas a filha n�o.
Mas � evidente que n�o saberia onde ela est�, n�o?
Como bom republicano.
Nem por 30 dinheiros de prata.
Ou 30 dinheiros de ouro?
Isso � muito dinheiro.
Quem me dera poder ganh�-lo. Quem me dera, Capit�o.
� Rep�blica. - � Rep�blica.
Cidad�os.
A cada dia que continuarem a albergar este padre renegado,
executarei cinco cidad�os de Cholet.
N�o tenham ilus�es.
A causa rebelde est� perdida e eles sabem.
S� podem esperar criar anarquia em lugar da ordem.
Atravesse a ponte e v� at� ao descampado no cimo do monte.
Estar� seguro l�.
O que tem tanta piada? - Republicano o tanas!
� o Valentin Gautier. O filho do Leon Gautier!
Um burgu�s rico.
Tinham uma grande propriedade perto de Boissy.
Vinhas e umas quantas quintas.
Era mesmo estouvado.
Partiu � pressa, deve ter sido h� quase 20 anos...
Gloria Patri, Gloria Filio, Gloria et Spirictu Sancto!
Sicut erat in principio et nunc, et simper et in saecula saeculorum.
Amen. - Amen.
Se esta ta�a n�o se afastar de mim, excepto para a beber,
seja feita a Vossa vontade.
Deus vos acompanhe.
Sr. Carnot? - Quem vem l�?
Sou amigo do Marqu�s de Rochambeau.
Uma posi��o bastante adequada para um padre.
Quem o estava a esconder?
Uma vi�va vistosa, sem d�vida.
Muito ansiosa por servir o seu padre de todas as formas.
Foi por isso que demorou tanto a entregar-se?
N�o h� serm�o?
Estou surpreendida.
N�o h� necessidade que algu�m morra por minha causa.
"Livrai-me, da culpa sanguinolenta, Senhor."
Est� a ver? Tamb�m sei fazer cita��es desta colec��o de disparates.
Assim como o Diabo.
Levante-se!
Como padre reaccion�rio numa zona de insurrei��o
ser� entregue ao tribunal militar e executado dentro de 24 horas.
Onde est� a rapariga?
Estava presente quando deixaram o ch�teau.
Deve saber onde ela est�.
Talvez na fronteira espanhola?
Chegou a sair de Vendee?
N�o chegou, pois n�o?
Portanto, onde est� ela?
Em Cholet?
N�o, mas num local pr�ximo. Algures n�o muito longe do ch�teau.
Num s�tio... que conhece bem. Sim?
Diga-me, celebrou missa no Convento da Visita��o?
Coloque a m�o naquela B�blia e jure que n�o o fez!
O seu sil�ncio � de ouro, Padre.
Imploro-lhe, por amor de Deus...
Vanel!
Helene de Rochambeau est� no convento.
Amanh�, far-lhe-emos uma visita.
H� muito mais... - Obrigado, Menina Carnot.
Gosto de homens com apetite.
E ele tem imenso, n�o �, Andrew?
Ele era um bom amo, um bom amigo do rei.
Por isso � que ela queimou o ch�teau.
Ela? - Gabrielle Damiens.
A chefe da nova administra��o em Cholet.
Chamam-lhe Menina Guilhotina.
Parece ser uma mulher a evitar.
E evitar�...
Se se mantiverem nesta estrada, n�o passar�o por Cholet.
E a partir daqui... poder�o ver o convento.
N�o h� como errar.
Partiremos ao amanhecer. - �ptimo, est� decidido.
Cavalheiros, ao rei!
Ao rei!
Vieram buscar Helene de Rochambeau. - Sabem onde est�?
No Convento da Visita��o. � perto de Cholet.
A sua lealdade para com Rochambeau parece ser question�vel.
As coisas mudam.
N�o lhe pagam o suficiente?
Sim, pois bem... S�o espi�es ingleses, n�o?
Bem, a mulher � francesa. Isso faz dela uma traidora, n�o?
Isto �, a Fran�a est� em guerra com a Inglaterra.
E Vendee est� em guerra com a Fran�a!
� complicado para si, n�o? Ou ser� muito simples?
Est� bem, est� bem,
posso n�o ser republicano, mas nunca gostei dos ingleses.
Est�o sempre a interferir.
E estes dois s�o t�picos.
O que se chama Andrew n�o tira os olhos da minha mulher,
presumo que pense...
Andrew. Chama-se Andrew? - Sim.
E a mulher? Descreva-a.
Linda. Com cabelo escuro e um belo corpo...
E tem os olhos azuis? - Sim, s�o.
� imposs�vel n�o reparar neles.
N�o, � mesmo imposs�vel... E o outro homem � o l�der deles, n�o?
Conhece-os! - Sim, conhe�o-os muito bem.
V�o partir de madrugada. Conhe�o a estrada que v�o tomar.
Diga-me.
Pagamento com resultados, cidad�o.
Blakeney!
V� para o convento! V�!
Quero-a viva!
Que Deus nos salve, meu caro Andrew. A vida � mesmo cheia de surpresas!
Seu cobardolas desprez�vel!
Pensava que era comandante, n�o um rufia.
Mas at� os rufias fazem ref�ns. - Bem, nunca fa�o ref�ns.
Ent�o, � um tolo, para al�m de um assassino.
N�o me aponte isso. N�o estou impressionado.
J� vi bem maiores.
Poderia mat�-lo. - Facilmente.
A essa dist�ncia, seria dific�limo falhar.
Guarde-a antes que a tenta��o o assoberbe.
J� fez o suficiente.
� muito arrogante, senhor! - Sou ingl�s.
N�o gosto dos ingleses. - Isso � tipicamente franc�s.
Conhe�o este vil�o e prometo-lhe que � mais �til vivo.
Ou�a-me!
E ouvirei, senhor.
Mas n�o aqui fora,
com imensos republicamos mortos a sujar a paisagem.
Merda!
Quem vem l�?
Posso ver a Madre Superiora? - Ela n�o pode ver ningu�m.
Vim de Inglaterra. Da parte do Marqu�s de Rochambeau.
Veio sozinha? - Sim.
Voltaram!
Essa gravata est� uma desgra�a, Chauvinista.
Parece o len�o de uma rameira.
E quem � o senhor?
Sentir-me-ia mais inclinado a responder
se eu e o meu amigo n�o estiv�ssemos amarrados.
Chamo-me Percival Blakeney
e este cavalheiro � Sir Andrew Ffoulkes.
E eu sou o Visconde Henri du Vergier de la Rochejaquelein.
Comandante da Companhia do Sagrado Cora��o.
Ele chama-se Chauvelin e � agente secreto de Robespierre.
Como o conhece t�o bem?
� uma hist�ria longa e fastidiosa.
Basta dizer que somos velhos advers�rios.
Prendam-no com os porcos.
Isso � um grande castigo para os porcos.
Estamos-lhe gratos pela sua interven��o fortuita,
n�o �, Andrew? - Deveras.
Por que vieram a Vendee?
Minha nossa, senhor, a sua curiosidade � felina.
Para levar Helene de Rochambeau para Inglaterra.
Estou a ver...
� poss�vel que Chauvelin tamb�m tenha vindo atr�s dela.
Parece que sim.
Temos aqui uma carta de Robespierre a apresent�-lo a Gabrielle Damiens.
Onde est� a rapariga? - No Convento da Visita��o.
Ent�o, esperemos que a encontrem l�.
Os meus homens escolt�-los-�o nestes bosques.
Cavalos para os ingleses!
A sua cortesia deixa-nos sem fala.
Vejamos como as noivas de Cristo gozam da harmonia conjugal.
Avan�ar.
Vir de t�o longe para descobrir
que a Helene j� n�o se encontra connosco.
Quando partiu ela?
Uns dias depois do pai a deixar aqui.
Recuperou rapidamente da doen�a, se � que alguma vez esteve doente.
Depois, ficou perturbada, desencorajada,
quase como se este lugar sagrado se tivesse tornado uma pris�o.
Ningu�m a conseguia consolar.
Pobre Helene.
Isolou-se de todos.
Qualquer que fosse o seu fardo, era profundo.
E depois, desapareceu simplesmente, sem deixar uma mensagem, nada.
Mas porqu�?
Isso � algo que poderemos nunca vir a saber.
Queira Deus que ainda esteja viva!
Sinta-se � vontade para os acompanhar.
Creio que os homens s�o mais do que bestas,
ao contr�rio de si e dos seus camaradas.
� por isso que enchem barcas com pessoas nuas
e depois as afundam no Loire?
N�o deveria acreditar em tudo o que ouve.
Fa�o-o no que diz respeito a porcos republicanos.
N�o h� nada mais letal do que os preconceitos.
Estou certa de que matou o suficiente
para saber que uma espada nas entranhas � mais letal.
N�o me parece ser o local indicado para quem n�o aprova viol�ncia.
� a viol�ncia a sangue frio que me enoja.
O seu l�der matou os meus homens a sangue frio.
Depois de nos termos rendido.
Deve ser t�o conveniente ser cat�lico.
Deus perdoa tudo.
Ele est� do nosso lado.
Ent�o, por que est�o a perder?
� verdade que matou os homens de Chauvelin?
Sim.
Depois de se terem rendido...
Isso n�o lhe diz respeito, Helene.
Claro que diz.
N�o, n�o lhe diz respeito.
Escolhi ficar consigo, quero fazer parte disto.
Decerto poderemos discutir isto noutra altura.
Quando poderemos? - N�o � mesmo o momento apropriado.
N�o fale comigo como se fosse um dos seus soldados rasos.
Helene, por favor.
Mudou desde que vim para aqui, n�o costumava ser assim.
Tive not�cias de Cholet. O seu padre, o Padre Joseph...
Diga-me.
Foi executado.
A culpa � minha.
Agora estaria a salvo, com o meu pai...
Escolheu ficar. - N�o escolheu. Eu enganei-os.
N�o se pode culpar pelo homic�dio do homem!
Helene, ou�a-me... Uma morte como a dele...
� por isso que devemos continuar a lutar.
Porqu�?
Porque estamos do lado de Deus, do Rei e do que � certo.
Devemos todos estar preparados
para morrer por aquilo em que acreditamos.
Tem raz�o, eu sei que tem.
� que, por vezes, � dif�cil estar � altura.
Temos de ser corajosos.
Por vezes penso que a �nica coisa em que acredito � em si.
Madre Superiora!
Madre Superiora!
Sai da frente!
O que significa isto?
O significado, sua vaca trai�oeira? Vim buscar a rapariga. Onde est�?
A rapariga? - A filha de Rochambeau.
Foi-se. - Mentirosa!
Onde est�o as outras noivas de Cristo?
Somos as �nicas que restam.
F�-las fugir, n�o foi? Para enclaves realistas no Sul!
� l� que ela est�?
Vanel!
Cidad�.
Fa�a uma busca a este bordel.
Isto � sacril�gio!
Quem �?
Sra. Bottin de St. Nazaire.
Por que estava escondida?
Estava com medo.
� realista, cat�lica e est� presa.
Parem! V�o!
O que � isto? Um pouco de compaix�o cat�lica?
A sua fam�lia est� aqui consigo?
Talvez esteja aqui contra vontade deles?
N�o tenho nada para lhe dizer. O que est� a fazer em Vendee?
Fui enviado.
Para encontrar uma agulha no palheiro.
E encontrou-a?
N�o, gra�as ao seu nobre l�der.
Mas, pelo menos, agora sei em que palheiro procurar.
Onde? - A jovem est� num convento.
Presumo que o Sr. Henri seja muito sedutor,
se gostamos desse tipo de coisas.
A sua paix�o por aquele idiota � correspondida?
O Sr. Henri est� ansioso por morrer. - Basta.
Ele vai fazer com que morra tamb�m, sabe?
N�o tenho medo de morrer.
Ent�o ainda � mais infantil do que pensava que era.
Devia estar em casa com a sua m�e.
A minha m�e morreu e gra�as aos seus bravos soldados,
nem sequer pode descansar em paz.
Os seus corajosos soldados destru�ram a campa dela em Boissey.
Boissey? Conhe�o Boissey. - J� n�o existe.
Marguerite!
Estes documentos servem para uma inspec��o de rotina,
mas h� pequenos erros.
Por exemplo, a licen�a de viagem de St. Nazaire
data do m�s passado e est� assinada por Jean Tavernier,
um oficial que deixou St. Nazaire quase h� um ano
e que agora trabalha em Montaigu, para mim.
Ent�o?
Odeia-me, consigo v�-lo.
Isso � bom.
N�o quero que me diga quem �, isso estragaria tudo.
Vou gostar de descobrir sozinha.
N�o lhe vou dizer nada, sua cadela assassina.
O inc�ndio pode ser visto a quil�metros de dist�ncia.
As irm�s foram todas assassinadas.
Eu pretendo castigar esta barb�rie, esta blasf�mia.
De madrugada atacaremos Cholet
e a Companhia do Sagrado Cora��o tornar-se-� uma espada de vingan�a.
N�o devemos ter piedade,
nem miseric�rdia.
As coisas que faremos em Cholet nunca ser�o esquecidas.
Nunca.
V�o.
O nosso objectivo � verdadeiro
e Deus ajudar-nos-� ser bem sucedidos
neste dia importante.
Se lhe desse algo para comer,
creio que o seu desprezo pela minha fraqueza
seria muito maior do que a sua gratid�o.
T�o perspicaz para algu�m t�o jovem.
Trabalhei perto de Boissey quando era jovem.
Para um burgu�s rico. Um vinicultor.
E posso ter conhecido a sua m�e.
E como se chamava o vinicultor? - Leon Gautier.
J� ouviu falar dele?
O filho dele era meu pai. O meu pai verdadeiro.
Deixou a minha m�e antes de eu nascer.
Talvez tenha recorda��es felizes
da forma como o senhor e toda a aldeia
lhe chamavam prostituta.
Fede, cidad�o.
A Cidad� Damiens, Tenente? - Est� nos seus aposentos.
Sozinha? - Sim, cidad�o.
Leve-nos a ela.
Mas ela ordenou... - Imediatamente!
Cidad�o.
Espere aqui, cidad�o...
Cidad�o, n�o pode...
Cidad� Damiens? - Vanel!
Quem raios pensa que �?
Chamo-me Chauvelin e este � o meu criado, Fumier.
Sigo ordens directas do Cidad�o Robespierre.
O Cidad�o Robespierre informou-me da sua vinda.
Ent�o, deve saber que venho ajud�-la
a encontrar a filha do Marqu�s de Rochambeau.
A n�o ser, � evidente, que j� a tenha encontrado.
N�o, cidad�o.
Apesar de s� hoje ter descoberto que estava escondida num convento
a apenas alguns quil�metros daqui.
E foi l�?
Fui. S� para descobrir que tinha fugido.
Estou a ver. Desalentador.
Este l�der rebelde, o Sr. Henri, creio que conhecia o Marqu�s?
Claro. A nobreza conhece-se toda.
Vai para a guilhotina junta.
E eram bons amigos?
Durante uns tempos, de acordo com os criados.
Pois, os criados. Podem ser bastante �teis, n�o?
Diz que durante uns tempos?
Mas depois, uma noite, discutiram e Henri nunca regressou.
O que acha que esteve por detr�s da quez�lia?
Disseram-me que prestava demasiada aten��o � rapariga.
E Rochambeau desaprovava.
Vinho, cidad�o? - Obrigado, menina.
Robespierre falou-me do seu zelo
na luta contra as for�as reaccion�rias em Vendee,
pelo que, juntos, seremos bem sucedidos.
E encontraremos a rapariga.
Decerto. - Obrigado, menina.
Vinho?
Obrigado, cidad�.
Confesso que n�o esperava
que um agente municipal tivesse o seu aspecto.
Que aspecto esperava?
Para ser sincero, que fosse mais velha e mais feia.
� raro encontrar beleza aliada � capacidade e � intelig�ncia.
O mesmo se pode dizer nos homens.
� Rep�blica. - � Rep�blica.
� Rep�blica. - � Rep�blica.
Foi um dia longo. Por isso � que me encontraram...
� vontade. - Deveras...
Dever�o perdoar-me.
Com todo o gosto.
Mas h� algo mais que deve saber, cidad�.
Um c�lebre espi�o ingl�s, um aristocrata,
parece estar em Vendee.
Tamb�m ele procura Helene de Rochambeau.
Com a inten��o de a levar para Inglaterra.
Ele e a mulher, uma francesa, juntamente com um companheiro,
planeiam...
Vanel!
Tenha cuidado, Percy. - Tenho sempre cuidado.
O vinho � excelente, n�o?
Poderei ter uma surpresa para si.
E tenho uma para si, minha querida.
V� buscar a prisioneira. - Cidad�.
� o segundo filho da Jeanne que morre.
Pois, voluntariou-se para a causa.
Henri, sei que lhe causa dor ver morte assim.
N�o me causa dor, estamos do lado de Deus.
Nenhum de n�s deveria ter medo de morrer.
N�o dever�amos, mas talvez tenhamos.
Sabe qual era a miss�o de Chauvelin?
Encontrar pessoas como n�s e matar-nos.
Venha.
Entre.
Deixe-nos, Vanel.
Ora, Lady Blakeney, n�o esperava voltar a ver o Chauvelin, n�o?
Portanto, � esta mulher?
Onde est� Sir Percy?
Tenho de lhe dar os parab�ns.
� a mulher do infame Pimpinela Escarlate!
Quem?
O Pimpinela Escarlate. J� deve ter ouvido falar dele.
Esse nome rid�culo n�o significa nada para mim.
Mas o homem � uma lenda!
Ilus�rio, corajoso, engenhoso para al�m do acredit�vel.
Um espinho venenoso na Rep�blica... - E grande demais para as suas botas.
� verdade, Fumier.
A sua presun��o acabar� por ser a sua queda.
Tenho a certeza, cidad�o.
Por que veio Sir Percy at� Vendee, Marguerite?
Isso cabe-lhe a si descobrir.
Paul.
Eu conhecia-a em Paris antes dela casar com ele.
Conhecia-a muito bem.
Era actriz, uma espertalhona, e, na altura, uma suposta republicana.
Ainda sou republicana.
A trabalhar com um inimigo jurado da Fran�a?
Casada com ele? Com um aristocrata? � essa a sua no��o de republicanismo?
O meu republicanismo � o de Rousseau e Thomas Jefferson.
N�o do Terror de Robespierre. - Estou a ver.
Sei que � uma mulher tortuosa, mas eventualmente, dir-me-� tudo.
N�o lhe vou dizer nada.
O senhor acima de todas as pessoas,
deveria saber que eu nunca trairia o Percy.
Porqu�? Porque pensa que ele a ama?
Eu sei que ama. Arriscou a vida para me salvar.
Qu�o nobre da parte dele.
Deixe-a comigo, cidad�o. Eu solto-lhe a l�ngua.
Ouviu isso, Marguerite?
A Cidad� Damiens vai soltar-lhe a l�ngua.
Imagino que possa ser bastante doloroso.
Posso sugerir que espere at� de manh� para a interrogar?
Uma ideia excelente. E poder� observar-me.
Esperarei ansiosamente.
Apesar dela ter pouca import�ncia face ao Pimpinela.
N�o consigo imaginar por que a trouxe com ele.
Obrigada, Paul. Lembrar-me-ei disso.
Se apanharmos o Blakeney, Robespierre vai recompens�-la.
Mais poder, cidad�.
Talvez o controlo de todo o distrito, reportando directamente ao Comit�.
O que acha? - N�o � mais do que mere�o.
E estou determinado a que tenha o que merece.
Sim?
O que foi agora, Vanel?
Est� ali um homem que diz que tem de a ver, cidad�.
Quem �?
Bem, diz que se chama Chauvelin.
Deveras?
Mas est� coberto de estrume,
assim como o homem que o acompanha.
Diz que acabaram de escapar dos rebeldes do Sr. Henri.
Poder� ser o Blakeney? - Quem mais poder� ser?
Veio busc�-la.
Traga-os, Tenente.
Quem acreditaria em tamanha impud�ncia?
Percy! - Blakeney!
Percy Blakeney!
E Sir Andrew Ffoulkes, diabos me levem!
O Pimpinela Escarlate!
Percy, seu tolo!
Eu sou Chauvelin! - Gritar n�o faz de si Chauvelin.
Ou�a-me, cidad�!
N�o � suficiente, Sir Percy. Nem se parece comigo.
Ele est� a engan�-la! � ele o Pimpinela Escarlate!
Percy! Percy!
N�o tem a menor hip�tese, Blakeney. Desta vez estragou tudo, n�o foi?
Eu salvei-o! Ele � o Chauvelin, juro!
E presumo que seja o Fumier.
O que acha, cidad�o?
Sem d�vida que � Sir Andrew Ffoulkes,
apesar de esperar algu�m mais bem-parecido.
Estou farta desta charada! Prendam-nos!
Por amor de Deus, mulher! Como pode ser t�o est�pida?
Isso vale-lhe um chicoteamento.
Achou mesmo que podia entrar por aqui,
a cheirar a esgoto, e sair com a sua mulher?
A sua presun��o traiu-o finalmente. Levem-nos para as celas.
Fora!
V� com eles, cidad�o. E mantenha-os separados.
V�, vamos.
As vezes em que aquele vil�o se me escapou por entre os dedos.
No entanto, finalmente entra por aqui adentro,
atrevido como um macaco b�rbaro,
s� para ser apanhado pela Menina Guilhotina.
A f�mea pode ser letal, n�o?
� sua, cidad�. - Cidad�o.
N�o pode ser evitado. - Morrer�o inocentes em Cholet.
� essa a natureza da guerra, Helene. - O que ganharemos com isso?
A morte de Gabrielle Damiens.
Estou certo que v� qual seria o ganho.
Henri, por que me mentiu acerca do Chauvelin?
la a caminho do convento. - J� n�o � importante.
Acho que andava � minha procura. Achou que eu teria medo?
Talvez.
Depois de tudo o que vimos juntos,
ainda pensa que preciso de ser protegida, n�o?
Sim.
Amo-o.
Era Condessa de Colbert antes de se tornar minha cozinheira.
O que provocou a transforma��o? - O dom miraculoso da dor.
Por vezes, desejo ter sido homem. - Estou muito contente por n�o ser.
Est�, Paul? - N�o est�, Gabrielle?
Agora n�o seremos perturbados. - Mas eu j� estou perturbado.
E agora, Cidad�o Chauvelin?
Um ataque surpresa.
J� estava � espera.
Sim, mas luta contra uma for�a superior!
Que vai estra�alhar as suas defesas externas.
E devo contra-atacar? - N�o.
Ent�o, devo retirar?
E deixar que ocupe a sua posi��o central?
Mas ent�o, os meus flancos ficar�o expostos.
Pois ficar�o, n�o �?
Diria que est� numa situa��o desesperada.
Pois estou.
N�o sei se consigo aguentar muito mais tempo.
Ent�o... renda-se.
Esteja quieta, ou estrangulo-a!
Muito melhor.
Quieta, quieta.
Presumo que a deveria matar,
mas h� demasiadas pessoas que reclamam o acto.
Lamento n�o ter conseguido acomod�-la, cidad�.
Mas para lhe dizer a verdade, n�o sei se teria est�mago para isso.
As celas, Tenente. - Ali, cidad�o.
V� buscar os nossos cavalos. E um para a mulher.
A mulher, cidad�o? - Sim, Tenente. A prisioneira!
Vou lev�-la para Nantes! - Esta noite?
Tenho de repetir tudo?
E o marido e o outro?
Est� a questionar-me? - N�o. N�o, cidad�o!
Ent�o, v� buscar o raio dos cavalos!
Ouviram-no! - Sim, Tenente.
As chaves.
Lady Blakeney...
V�. L� para dentro.
A rapariga est� com os rebeldes. Tenho a certeza.
Lamento a partida s�bita, Chauvinista.
Espero que explique tudo � Menina Damiens.
Apesar de recear que, de momento, esteja ocupada.
Ponha-a no cavalo!
Suba!
Desejo-lhe boa viagem, Capit�o!
Transmita � Menina Damiens os mais sinceros agradecimentos
pela sua hospitalidade.
F�-lo-ei, cidad�o.
Apanhem-nos!
Parados!
Portanto, � o verdadeiro Chauvelin. - Sou.
Fumier diz que os rebeldes planeiam um ataque.
Quando? - Amanh� de manh�.
Henri disse que era vingan�a pela destrui��o do convento.
Um ataque a Cholet? - Foi o que ele disse.
Henri deve ser louco.
Considere-se com sorte, cidad�o.
Chegou a Cholet a tempo de ver o fim do Sr. Henri.
Parados!
O seu ju�zo parece t�-lo abandonado, Henri.
Surpreende-me que n�o v� atacar Paris.
Paris n�o, Cholet.
Tamb�m n�o pode tomar Cholet.
Nem pretendo faz�-lo. Isto servir� como castigo.
Quem �? - A minha mulher, Lady Blakeney.
Ao seu servi�o, minha senhora. - Visconde.
Regressem a Inglaterra, senhores.
O que se passar aqui n�o lhes diz respeito.
Poder� ser, caro Visconde, mas h� algo que nos diz respeito.
A seguran�a de Helene de Rochambeau.
Mentiu-me.
Tento na l�ngua, Blakeney.
Lembre-se que foi o senhor que me disse que ela estava no convento.
S� o ajudei a l� chegar. - Sim, com muita vontade.
Por que n�o me disse que andavam � minha procura?
N�o era importante.
Claro que era. Vieram da parte do meu pai.
J� tinha decidido ficar comigo.
O que pensou?
Que se soubesse por que aqui estavam, mudaria de ideias?
Pensou, n�o foi?
Preciso que esteja comigo.
Est�o a ver como �. N�o posso ir convosco.
Vai partir o cora��o do seu pai. - E o meu.
Amou-me mais do que qualquer pai verdadeiro poderia.
� tudo o que ele tem.
Mas se explicarem, estou certa que tentar� compreender.
O meu lugar � com Henri, n�o enjaulada em seguran�a.
Helene.
Gostava de lhe pedir perd�o.
Ent�o, n�o h� nada mais a dizer.
Por Deus e pelo Rei!
Agora. Depressa.
Raios partam a rapariga! Raios a partam! Venham!
Pare, Helene, pare!
Helene!
Por Vendee!
Henri!
N�o, Helene, n�o!
V�o atingi-la! Parem!
N�o venha!
Suspendam fogo!
� ela! Abatam-na!
N�o!
N�o!!!
Henri?
Amo-a. - Amo-o.
Henri...
Henri.
Henri!
N�o, n�o... - Est� morto.
Matou-o! Matou-o!
N�o vou perd�-la para o Chauvelin.
V� buscar os cavalos e espere fora dos port�es.
N�o, vou consigo. - N�o vem n�o!
Vou sim!
N�o temos tempo para achaques, senhora.
V� com ela, Andrew. - Porqu�, Percy?
Porque eu digo!
Quem � que manda aqui?
V�o! - N�o! N�o!
Vamos.
Henri! Henri!
Por que n�o me deixou para morrer com ele?
Vai viver. - Para enfrentar a guilhotina.
N�o. Para viver.
Para viver.
Seu mentiroso!
Vanel!
Afaste-se!
Helene!
Pela Inglaterra, cidad�o!
Levem-na para Inglaterra.
Parem! Parem-nos!
Helene?
Acha que o Henri me amava um pouco? - Estou certa que sim.
Estou a morrer, n�o?
N�o deve falar assim.
Pense no seu pai.
Foi t�o bom para mim...
Tornou-me dele quando casou com a minha m�e.
Quando estava a morrer, ela contou-me do meu pai verdadeiro.
O amor n�o � estranho? - Sim, muito estranho...
Helene, tem um pai que sempre a amou.
E um que nunca amou...
Valentin Gautier...
Sempre tive tanto medo de morrer.
Fingia que n�o tinha. O Henri costumava tro�ar de mim.
� um acto t�o solit�rio, n�o?
N�o vejo nada... abrace-me...
Tenho frio... tanto frio...
Partiu.
Legendas por: Lucile_7
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