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Original subtitles

AS FILHAS

S� achamos a carteira de estudante.

Eu j� te disse isso pelo telefone.

Talvez saberemos mais quando identificarmos o corpo.

Voc� tem que me ajudar. Por favor!

Eu gostaria, mas n�o � o meu departamento.

N�o h� pistas sobre o paradeiro de sua filha.

Talvez ela j� tenha deixado a cidade ou nunca esteve aqui.

Mas a identidade. Por que estava com a garota morta?

Roubada, vendida, perdida. N�o se sabe.

Eu te darei um conselho: volte para casa.

Se ela resolver voltar, ir� encontr�-la.

- O qu�? - Ryschka est� esperando.

Em cinco minutos.

Bom dia.

N�o consegui dormir. N�o posso ficar nesse quarto.

Qual o problema com ele?

Um barulho estranho. Alto, baixo...

N�o consigo dormir.

Pode ser o ducto de ventila��o.

O seu n�mero de quarto?

312.

Aguarde um momento.

Verei o que posso fazer.

Mas acredito que estamos lotados.

� o que seu colega me disse hoje de manh�.

N�o h� solu��o.

Gentileza sua. Muito obrigada.

- Tudo parece estar bem. - Posso pedir um favor?

Poderia ficar at� eu adormecer?

Preciso voltar para o balc�o.

Boa noite.

Servi�o de quarto.

Duas pris�es.

Algu�m conhece essa garota?

Por acaso algu�m conhece essa garota?

N�o, mas j� esper�vamos isso.

Pode deixar recado ou uma carta. Com sorte ela responder�.

Obrigada.

Como vai?

- Onde quer devolver o carro? - Aqui, eu acho.

E que tipo de franquia vai querer?

N�o quero nenhuma.

Isso aumenta o aluguel em 17 euros por dia. Tudo bem?

E quanto � o normal?

850 euros � o padr�o.

Tudo bem, ficarei com esse.

Tudo bem se aprimorarmos?

Desculpe?

Uma melhoria. Voc� pegaria um carro melhor pelo mesmo pre�o.

Um autom�tico.

Autom�tico?

Melhor eu te mostrar o carro. Por aqui.

Acharam a identidade de Lydia com uma garota morta.

Eu fui identific�-la, mas n�o era a Lydia.

Thomas, n�o era a Lydia.

Ainda n�o disse a ningu�m. N�o sei o que fazer.

Na �ltima segunda escrevi "morrer" (sterben).

Era uma cita��o de Heine e quis dizer "lutar" (streben)

e, de repente, diz "morrer".

Os alunos riram.

Lydia � um problema meu. Por que n�o aceita isso?

- Aqui est�. - Obrigada.

J� acabou?

- Est� tudo bem? - Sim, obrigada.

Gostaria de algo mais ou trago a conta?

Outra ta�a de vinho.

- � por conta da casa. - N�o, eu posso pagar.

Infelizmente, os h�spedes n�o ficam nas mesas bebendo.

Acredite, n�o � a �nica a se irritar.

Est� escrito em minha testa: "Sou solit�ria. Converse comigo"?

Desculpe.

N�o foi nada agrad�vel. Sinto muito.

� t�o escorregadio aqui!

Devo chamar um t�xi?

N�o precisa. Est� tudo bem.

Foi �timo conversar com voc�.

O que est� escrito em minha testa agora?

Olhe mais perto.

Desculpe. Est� muito escuro.

Est� dizendo...

Diz: "Eu precisava disso".

Desculpe.

Deixe-me ajud�-la.

Est� machucada?

Devo chamar uma ambul�ncia, um m�dico?

Claro que me viu. Eu dirigia muito devagar.

N�o entendo. Voc� deve ter me visto.

Devo lev�-la ao hospital? N�o conhe�o essa �rea.

Puta merda, perdi meu sapato!

Tudo bem.

Agora me diga onde devo te levar.

Voc� me atropela e diz: "Est� tudo bem!"

Era uma faixa de pedestre.

Por acaso est� b�bada?

Posso pegar um?

Estava vermelho!

O que est� olhando?

Est� comendo muito devagar.

N�o estou.

As pessoas comem muito r�pido.

H� v�rias doen�as por comer r�pido.

C�ncer de est�mago, c�lculo biliar...

O segredo � a macera��o.

Apparatus digestorius.

As alfa-amilases na nossa saliva dissolvem os complexos de a��car

poli e oligossacar�deos em mol�culas individuais.

Como sabe tudo isso?

Faculdade de medicina.

Como?

- Nunca diria, n�o? - N�o.

Bem, foram apenas dois semestres. Depois joguei a toalha.

Por que desistiu?

Voc� caiu nessa, n�o foi?

Posso te levar em casa agora se quiser.

- S� me diga onde mora. - N�o.

Como assim, n�o?

N�o tem casa?

Ent�o, n�o importa onde vai descer.

Sebastianstrasse 27, se quer saber.

Mas, �s vezes, preciso sublocar meu apartamento quando estou dura.

Sabe onde posso ficar?

N�o sou daqui.

Ah, certo.

Est� de f�rias?

Viajarei em dois meses para pegar um sol.

Tenho amigos na Espanha.

Est�o mostrando algumas pinturas minhas.

Para os turistas de merda. N�o posso fazer nada.

Perto de Almeria.

Ainda existem aut�nticas comunidades hippies nessa praia.

- Ah, claro. - Estou falando s�rio!

Realmente, tenho amigos na Espanha.

Tem medo de mim, n�o �?

Pode falar!

As pessoas n�o admitem que t�m medo. Voc� n�o � exce��o.

Apesar do medo ser o sentimento mais importante da era moderna.

J� leu "Medo no Capitalismo"?

N�o? Deveria.

Sim...

Oh, algo especial!

Qual a ocasi�o?

Uma esp�cie de anivers�rio.

Anivers�rio de quem?

Ines: � um nome espanhol?

N�o sei.

Eu n�o gosto muito.

Mathilda: esse � um belo nome!

- Ines � o nome espanhol para Agnes. - S�rio?

- E qual o seu nome? - Agnes.

Desculpe.

Sinto muito.

Espere por Deus.

Mas se hoje tem a possibilidade,

agora devo me aventurar no gelo escorregadio,

ou andar em uma corda bamba.

Crian�as deficientes...

As pessoas geralmente n�o gostam de mim.

Acredita no acaso?

N�o existe o acaso.

Como assim?

Por que estou sentada no seu carro?

Voc� conhece Lydia?

- Ela te enviou? - O que diabos est� falando?

Ningu�m me enviou.

N�o venho de cima, mas de baixo. Vim por conta pr�pria.

Que loucura.

Isso precisa acabar.

Vamos, acorde!

Acorde!

Quando?

O que posso dizer?

Por que n�o me disse isso antes?

Ainda assim. O desaparecimento de Lydia justifica um pedido desses?

Por que agora?

Entendi.

Sem restri��es! Sem riscos!

Sem amar e nem ficar sozinho.

Sabe o que � estranho quando me ou�o falar?

Eu sinto a mesma coisa.

Quero a mesma coisa que voc�.

Devo ser louca para ter um caso com o professor de violino da minha filha.

MATHILDA

Belo local, n�o?

- Est� louca? - � o seu presente de anivers�rio!

Gostou das cores?

Fique contente. � um presente!

Esse carro � alugado!

Sabe quanto isso ir� custar?

S� queria te dar um presente.

N�o � o meu anivers�rio.

Esque�a.

Sabe o que realmente me irrita?

Se algum artista famoso assinasse, Polke, Baselitz, Rauch,

voc� poderia ganhar at� mais de 100,000 euros por essa merda de carro!

Chama isso de dano?

Eu me sinto um lixo. Desculpe.

Quero ficar sozinha. Voltar para o hotel e dormir.

Eu poderia tomar um banho l�?

Estou fedendo.

Por favor.

Eu tamb�m me sinto um lixo constantemente.

Acho que � bom. � normal.

Somos obrigados a nos sentir sempre �timos e � frente do jogo.

Nossa concep��o de humanidade � uma droga.

S� o que importa � ganhar dos outros.

Olhe para todos esses shows: Competi��o disso ou daquilo.

Deve expulsar todos do campo, ou se arrepender de n�o ter feito.

E se der um passo errado...

- Ponha os cintos. - Trocando um pouco...?

� da� que vem... a loucura.

Fique quieta. Estou com uma terr�vel dor de dente.

S�o seus sapatos?

As toalhas est�o no banheiro.

- Levante-se. - Pare com isso.

Estou com a garganta inflamada.

Preciso ir, tenho um compromisso.

Voc� n�o pode ficar aqui.

Estou doente.

Deixe disse, s� preciso descansar.

N�O PERTURBE

� humilhante perder um filho.

D� para perder um casaco ou bolsa, mas n�o um filho.

Sinto muito. Casos de fam�lia s�o complicados.

Se sua filha n�o quer ser achada, � in�til.

Quando os pais voltam, as not�cias se espalham e as crian�as se mandam.

V� embora!

Saia daqui!

Lohit pode receber visitas j� que se instalou...

Ines?

Ol�?

MINHA PRIMEIRA CARTA PARA VOC�

Apenas para Frankfurt.

Amanh� de manh�.

Sim.

�timo. Muito obrigada.

Agnes!

Sim.

- Onde esteve? - Precisava sair daqui.

Ver pessoas. Estava entediada.

Sou sua prisioneira?

Trouxe algu�m comigo. Ela n�o tinha para onde ir.

Est� dormindo no banheiro.

Ei... apague a luz.

- Quem � ela? - N�o sei.

Mas deve saber quem �.

Ela n�o pode ficar.

S� por uma noite.

Merda!

- V� embora, n�o pode ficar. - Disse que poderia dormir.

Desculpe, ela n�o permitiu.

Merda, para onde vou agora?

Feliz agora?

Voc� me enoja.

Qual o seu problema?

N�o est� ouvindo?

O que houve?

"Eu chorei enquanto sonhava."

"Pela mentira que contou."

"Eu acordei"

"com minhas bochechas ainda molhadas."

"Eu chorei enquanto sonhava."

"Por voc� ter partido."

"Acordei."

"Um choro duradouro e amargo."

"Eu chorei enquanto sonhava."

"Por n�o ter me amado bem."

"Acordei"

"E minhas l�grimas ainda ca�am."

Trouxe pizza.

Mas j� deve estar fria.

A prop�sito, um tal de Thomas ligou.

O qu�?

� o cara que te deixou?

Como assim?

Voc� sabe... "Por voc� ter partido."

"Um choro duradouro e amargo."

Bobagem!

- Sobre o que conversaram? - Conversar?

Ele n�o falou muito. Apenas desligou.

N�o foi muito simp�tico, seu amigo Thomas.

Ou�a!

Esse � o meu quarto, meu telefone e minhas coisas que est� revirando.

- E minhas roupas que est� usando. - Devo ficar nua?

Ali�s, s� bisbilhotei um pouco.

Queria ter certeza que n�o era uma psicopata.

Ah, que engra�adinha!

Agora, tire minhas roupas.

E, infelizmente, na Alemanha, tamb�m. Desde 2009,

a Alemanha vem sendo tratada como um alvo em potencial.

Como a pol�cia e equipes de seguran�as est�o se preparando...

Essa "torrente de l�grimas".

- De onde vem? - Heinrich Heine.

Agora entendi.

Os Pensamentos Noturnos de Heinrich Heine e os rom�nticos alem�es.

Desculpe.

Eu me deparei com os livros quando procurava uma roupa.

"Pensar na Alemanha � noite p�e todos os pensamentos a voar."

Faz mais o meu estilo.

S�rio?

Ent�o n�o entendeu que s�o as mem�rias de sua m�e que roubam o seu sono,

n�o a situa��o da Alemanha, como a maioria pensa.

"Pela Alemanha eu n�o anseio"

"Apenas se minha m�e l� estiver."

N�o odiaria tanto a Alemanha se minha m�e n�o estivesse l�.

Sabe o que � estranho?

Minha m�e tamb�m � uma professora, como voc�.

Mas de arte, n�o alem�o.

O que acha? � o destino?

Tem que parar com essas p�lulas.

Elas n�o ajudam.

N�o tomo e nunca adoe�o.

Bem...

s� quando durmo em quartos superaquecidos como esse.

Ele tem m�os como as suas.

T�o finas e delicadas, mas fortes.

Meu pai sempre se orgulhou de suas m�os.

"Crian�as, minhas m�os s�o a minha riqueza."

Agora, adivinhe com o que ele trabalhava!

Vamos, adivinhe!

Pianista?

Errado.

Tem mais uma chance.

N�o gosto disso.

- Vamos, por favor. - N�o sou boa nesses jogos.

Estraga-prazeres!

Agnes?

Um minuto.

Merda!

E agora ela ficou doente, tamb�m. N�o entende?

Como? N�o est� me ouvindo?

Eu disse que ela est� doente e n�o quer sair.

Imagine-se no lugar dela.

Ol�?

Procuro por Ines.

Eu n�o a vejo h� seis meses.

Aqui n�o � o est�dio de Ines? Ela disse que precisava sublocar.

Meu Deus!

Veja bem...

Ines vem e vai quando quer e pega tudo o que puder.

Eu gosto dela.

- Ela � legal. - Claro.

Por que acha que eu ofereci a ela trabalhar comigo?

Mas ela n�o aguentou! Disse que tinha suas pr�prias coisas.

Tudo bem, pensei. Ent�o eu lhe disse:

Pode trabalhar aqui sempre que quiser.

E ela fez de vez em quando.

Mas quase sempre s� fazia dormir.

Obrigado, Karl.

Ela sempre disse que queria ser julgada pelo presente,

n�o pelo seu passado.

Uma frase t�pica de Ines

para um �lbum de poesia.

- Voc� a acha perigosa? - Perigosa?

N�o.

Ou apenas para ela mesma.

Sabe como a conheci?

Certa noite, havia deixado um amigo na esta��o.

Na volta para o carro, a avistei.

Ouvi um carro freando quando ela parecia atravessar a rua.

Mas o motorista conseguiu desviar.

Ela voltou para a cal�ada

e esperou.

At� o pr�ximo carro virar a esquina.

Ela foi para cima.

Houve uma batida e ela foi ao ch�o.

O carro reduziu, depois acelerou, indo embora.

Fui at� ela

e ajudei a se levantar.

Obviamente, ela fez de prop�sito.

Isso me fascinou.

Eu a convidei para jantar.

Depois, ela me diz que esse m�todo � bastante eficaz.

E voc�?

� alguma parente dela?

Acho que n�o disse o seu nome.

Ah, perd�o.

Meu nome � Wagner.

N�o.

Como explico isso?

Nos conhecemos por acaso.

Com licen�a.

Obrigado.

Voc� n�o precisa ajudar.

Consigo dar conta sozinha.

Como � limpar com um cara no quarto?

Deve ser estranho.

Nunca pegou algum enquanto trabalha?

Deve ser bom se o cara for legal.

Ent�o, j�?

Desculpe, mas prefiro fazer isso sozinha.

Para voc�.

Perto de mim, voc� age como uma boa samaritana.

Sua Lydia � uma gracinha.

Dif�cil acreditar que tem uma filha t�o jovem.

Mas isso � normal entre acad�micos, n�o �?

Ela � a sua cara.

Principalmente o nariz.

Sem d�vida, � o seu nariz.

Talvez, sua filha tamb�m saia com estranhos, n�o?

Me d� essa foto.

Tamb�m bate assim na Lydia? N�o me admira ter fugido.

H� quanto tempo ela se foi?

N�o gosto de falar nisso.

Ela est� morta?

Seu nariz ainda d�i?

Desculpe. N�o tive a inten��o de machuc�-la.

N�o se deve agir assim.

N�o se deve tratar os outros de forma t�o desrespeitosa.

Eu n�o sei lidar com ela.

Pare com isso...

"N�o se deve agir assim. N�o fa�a isso."

Qual o seu problema?

"Desculpe te bater. A culpa foi sua, malcriada."

J� ouvi isso antes.

E, certamente, voc� sabe quem disse.

N�o �?

Mas a Ines malvada se transformou em um anjo...

Um anjo do mal.

Anjos malignos n�o querem andar na linha.

Nem s�o controlados pelas ideias divinas dos outros.

Minha m�e achava que era um desses anjos.

Ela nunca entendeu por que eu cortei rela��es com ela.

Ela ficava perguntando: O que est� errado?

E eu dizia: "Estou enlouquecendo".

"Mas por qu�?", ela perguntava.

Estou sofrendo.

Nunca mais falamos sobre isso.

Ela deve achar que sou doente.

Doente da cabe�a.

Gosto dessa descri��o.

Digamos que eu desacelerei.

E ela realmente achou que eu estava louca.

Eu me encontrei com Madsen no atelier.

Quando parti, pensei:

"Preciso ir. N�o h� escolha."

Machuca tanto.

Fiz minha mochila e me mandei.

Mas n�o sabia pra onde ir.

Ent�o, corri para a floresta

e tentei viver em uma caverna.

Mas era inverno...

estava t�o frio...

Eu subia nas rochas.

E havia uma fenda.

Eu desci

e me permiti cair.

L� estava eu, pendurada sobre esse abismo

e pensei: se soltar, tudo acabar�.

Agnes!

Agnes!

Mam�e, brinque comigo!

Esperei a viagem toda.

Deixe eu acabar aqui, certo?

- � o que sempre diz. - Ent�o, esque�a.

- � o que disse antes. - Ent�o, esque�a de novo.

- Podemos brincar de espi�o. - N�o, tenha paci�ncia!

Mas eu quero brincar!

Em breve chegaremos � Esta��o de Frankfurt.

Poder�o fazer todas as conex�es.

Tradu��o PT-BR: gooz makingoff.org

Legenda base: Rick Minnich

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