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Tradu��o e Sincronia: JuLima
VERSILIA, ANOS 70
� verdade, Acreditem, aconteceu
De noite sobre uma ponte Olhava a �gua escura
Com a danada vontade De me jogar pra baixo
De improviso Algu�m atr�s de mim
Talvez um anjo Disfar�ado de passante
Me levou consigo
Dizendo-me assim
CineMio Downloads apresenta:
VOLARE: A GRANDE HIST�RIA DE DOMENICO MODUGNO
Quanto o mundo � maravilhoso
Maravilhoso
At� a tua dor
Poder� parecer depois, Maravilhosa
Mas olha em tua volta
Que presentes te deram
Te inventaram
O mar
Tu dizes: "N�o tenho nada"
Te parece nada o sol
A vida, o amor
Maravilhoso
O bem de uma mulher
Que ama somente a ti Maravilhoso
A luz de uma manh�
O abra�o de um amigo
O rosto de um menino
Maravilhoso
Maravilhoso
Mas olha em tua volta
Que presentes te deram
Te inventaram
O mar
Tu dizes: "N�o tenho nada"
Te parece nada o sol
A vida, o amor
Maravilhoso
A noite havia acabado
E te sentia ainda
Sabor da vida
Maravilhoso
Maravilhoso
Maravilhoso
Maravilhoso
Maravilhoso
Maravilhoso
- Bravo! - Obrigado.
- Bravo! - Muito obrigado.
Para mim o mundo � maravilhoso, a vida � maravilhosa.
E nada � �bvio.
Hoje por exemplo, � meu anivers�rio. Um de tantos.
- Parab�ns! - Feliz anivers�rio!
Obrigado.
E quero que seja especial.
Como nunca falo de mim, esta noite quero falar.
Quero contar a minha vida, a minha hist�ria.
E quero come�ar de um lugar escuro.
Onde, quando garoto, vivi meus melhores momentos.
O cinema.
Na minha cidade s� tinha um cinema.
E eu passava dias inteiros dentro dele.
O cinema era minha paix�o. Era o meu sonho.
- Lucia! - Mim�!
Se assistir outra vez, precisarei pagar de novo?
J� assistiu cem vezes, � hora de ir para casa.
Por que n�o me hospeda na sua casa?
- Porque s� tenho uma cama. - Ent�o ficaremos abra�adinhos.
Olha essa m�o! Quer que eu perca o emprego?
N�o, pelo amor de Deus. Trabalho � algo sagrado.
Obrigado por guardar meu viol�o.
Um dia tocarei uma serenata para voc�. Tchau.
Certo, obrigada. Tchau.
Mim�, precisamos encontrar uma solu��o.
Chega de serenatas, poesias, garotas.
Deve achar um emprego, como todos.
- Pai, essa carta � para mim? - Sim. Veio de Roma.
N�o contou que se inscreveu na Escola de Cinema.
Ainda com essa hist�ria de ser ator?
Eu sou como os padres, esta � a minha voca��o.
- A voca��o do cinema � a fome. - O que est� dizendo?
De Sica nasceu numa cidade pior que a nossa,
fez um filme barato e ganhou o Oscar.
- N�o pode acontecer comigo? - Os americanos te aguardam.
Hoje De Sica ganhou o Oscar, amanh� ser� Domenico Modugno.
Para voc� tudo � f�cil.
Como j� abriu, deixe-me ver o que est� escrito.
- Voc� deve ir a Roma. - � mesmo?
- E o que mais? - A resposta sai em dois meses.
E se te aceitarem... Dever� ficar l� por dois anos.
�timo, maravilha.
Mim�...
Entendeu que n�o posso te manter em Roma
nem dois anos, nem dois meses e nem duas semanas?
N�o tenho um centavo para te dar.
O que voc� deveria dar, j� me deu.
Me fez inteligente e bonito.
Me ensinou tocar viol�o e me deixou ser livre.
Lembra quando eu ia nadar e viajava at� a Alb�nia sozinho?
Deixe-me livre novamente.
N�o aguento mais esta cidade, estou sufocando aqui.
- Est� sufocando? - Exatamente.
- Pare com isso. - Obrigado, pai.
O que proponho n�o � empr�stimo, � um investimento.
Voc� me d� uns 110 mil e quando eu ganhar dinheiro,
te devolverei 10 vezes mais.
S� posso te dar 60. No m�ximo.
- Est� �timo. - Investimento n�o me interessa.
- Pior para voc�. - Precisa devolver em um ano.
Mesmo que eu precise me sacrificar, juro.
N�o precisa tanto, basta achar emprego em Roma.
- Eu encontrarei. - Um, dois, tr�s...
- Este � meu primo. - V�o trabalhar.
Cinco, seis.
- Obrigado, Sergio. - Caramba, Mim�.
Obrigado, Sergio!
- Oi, Mim�. - Oi.
Don Ant�nio, preciso de carona para Roma.
Depois pensamos nisso, venha comigo.
- O que aconteceu? - Uma trag�dia na mina.
- Quando foi isso? - Agora h� pouco.
- Mas vai me dar a carona? - Sim.
Uma barragem rompeu, eles tinham avisado dos riscos
para o administrador do Conde di Trabia.
Quem imaginaria que aconteceria justo com o pobre Michele?
Escuta, Mim�, eu cuido do Michele.
Entre l�, pegue o Peppino e o leve aonde te disse, certo?
Agora quem cuidar� da esposa e dos filhos?
Quem contar� para a esposa e para os filhos?
- Frasulino? - Quem vai contar?
Ou�a, vamos entrar e trazer o Peppino para fora, entendeu?
Claro, mas antes me ative.
- O qu�? - Me ative.
Venha, vamos.
- Ali est� ele. - Peppino...
Peppino.
Peppino.
Vem c�, Peppino.
O que foi?
Vou te levar l� fora para conhecer a luz.
A luz � bela.
Voc� n�o pode v�-la, mas poder� sentir na pele.
Devagar, devagar.
Venha, Peppino.
Cavalo, cavalo cego
Da mina
Que puxa cem vagonetas Cheia de pregos
E vai se curvando
Aonde voc� for ser� melhor que esta terra.
Tchau, Peppino.
Venha, venha.
Voc� n�o v� nada, Voc� sabe tudo
Passo a passo
Os anos passam
Ao envelhecer Voltou a ver o sol
Aquele que o sol nunca viu
Sabem do que lembro do dia da minha partida?
Da pra�a na frente de casa, deserta como nunca antes.
Ou talvez sempre tenha sido assim.
E tamb�m do cinema Odeon.
Ser� que naquele dia passou "Ladr�es De Bicicletas"?
Foi isso que permaneceu em mim.
E de longe, o barulho do �nibus. Finalmente tinha chegado a hora.
Obrigado, m�e.
Mim�...
- O que foi? - Por que n�o vira policial?
Seu tio � sargento, com certeza ele ganha bem.
A vida militar n�o serve para mim, certo?
Annunziata, a filha da parteira. � uma bela mo�a.
Poderia se casar com ela e teria do que viver.
Mas casamento n�o serve para mim.
- � muita responsabilidade. - O que significa isso?
Se todos agissem como voc�, ningu�m se casaria.
E n�o seria melhor? Todos livres como o ar.
Quem se gosta fica junto, quem n�o se gosta se separa
e ser�amos mais felizes.
N�o quero despedida.
N�o sou como os infelizes que fogem da fome.
Vou a Roma fazer cinema. Est� claro?
Ent�o voc� � mais infeliz que eles.
- Passou minha camisa branca? - Passei.
Me ajude a fechar a mala.
Fique tranquila, m�e.
Assuntina e Michele.
Onofrio e Nicoletta.
Ande logo voc� tamb�m.
- Ent�o, Mim�? - Estou partindo.
E sua m�e e seu pai?
Est�o em casa. N�o gosto de despedidas.
Germanno.
Mim�?
Caramba, Frasulino! Ainda est� aqui?
Por favor, nada de insultar o sargento e nem se embriagar.
Me acenda, me apague, me ative.
Caramba, Frasulino! Vem c�.
- Pronto, corra. - Tchau, Mim�.
- Tchau, Frasulino. - Tchau.
- Tchau, Frasulino. - Tchau.
Te adoro, Mim�. Tchau.
De todo modo e maneira A esposa � um problema
Se escolher uma pobre Parecer� um campon�s
Se escolher uma rica demais N�o saber� quem manda mais
Se escolher uma muito feia Acabar� passando vontade
Se escolher uma muito bela Precisar� de uma sentinela
Se escolher uma muito gorda Far� a casa inteira tremer
Se escolher uma muito magra Ter� que abra�ar uma vara
Se escolher uma muito pequena Ela vai girar sua cabe�a
Se escolher uma da cidade Ela te destruir� de verdade
De todo modo e maneira A esposa � um problema
De todo modo e maneira A esposa � um problema
- Como est� indo o jubileu? - Est� indo bem.
Mais participa��es, maior senso de espiritualidade.
- Que o Senhor nos ajude. - Agora nos diga onde ficaremos.
As mulheres ficar�o na ala esquerda.
- E os homens na direita. - Eu os levarei. Venham.
- Sejam bem-vindas. - Obrigada.
- O que faz com esse viol�o? - Fa�o m�sica.
Pe�o que s� toque no p�tio e nunca � noite.
- N�o! - Isto � um convento.
� noite, jamais. Prazer, Domenico.
- Posso cham�-lo de Mimmo? - Claro. Como o senhor se chama?
- Padre Mello. - Se precisar, sei tocar �rg�o.
Posso tocar na missa de domingo.
Seria um prazer, mas voc�s ir�o embora sexta-feira.
- Eu n�o. - Voc� veio pelo jubileu?
Claro. O jubileu � o mais importante para mim.
Mas tamb�m farei um teste importante aqui em Roma,
por isso quero ficar mais alguns dias.
E prolongar minha perman�ncia aqui.
Se � para ajudar quem estuda, fazemos com prazer.
- E o que estuda? - Cinema.
- Ent�o voc� ser� ator? - Talvez.
- Cara de ator voc� j� tem. - � mesmo? Espero que sim.
A primeira vez que passei pelos port�es
do Centro Sperimentale e li aquela escrita no alto.
Senti algo indescrit�vel. Eu estava feliz.
Meu sonho de crian�a estava se realizando naquele momento.
- Licen�a, a entrada � esta? - Sim, � essa mesmo.
Bom dia, senhora. Para o exame de admiss�o?
- Por ali. - �timo, obrigado.
Com licen�a. J� come�aram...
J� come�aram.
- Riccardo Pazzaglia. - Domenico Modugno.
Mas na minha cidade me chamam de Mim�.
- Mim�, Mimmo, como preferir. - E como n�o est� nervoso?
Chega belo e tranquilo do sul. N�o est� com medo?
N�o. E como sabe que venho do sul? Pelo sotaque?
Exatamente. Assim como se nota que sou napolitano.
- Mas quem se importa? - Eu n�o.
O dialeto � algo aut�ntico.
Todos chegam aqui engessados pelas escolas de atua��o,
j� decoraram as cenas que far�o.
Eu n�o preparei nada. O que voc� far�?
Eu perten�o a outra categoria.
Meu teste � para diretor, n�o sei se d� para notar.
Mas escrevi um roteiro
inspirado no princ�pio de aproxima��o Zavattiniano.
- Cesare Zavattini? - Isso mesmo.
Zavattini e De Sica para mim s�o o m�ximo.
Ainda assim, n�o sei o que farei.
Acho que o importante � ser original.
Pois os examinadores j� se encheram de ouvir
sempre as mesmas tr�s coisas:
Shakespeare, Leopardi e Pirandello.
Ent�o se posso te dar um conselho, camarada.
Aqui tem um personagem que declama uma poesia
de Salvatore Di Giacomo.
Voc� pode decor�-la e recit�-la.
Voc� tem sorte por n�o precisar dizer nada.
� muito f�cil ser diretor.
Acho que essa � uma palavra horrenda
para definir uma profiss�o t�o sublime.
Soa melhor em franc�s: realizador.
� bem melhor mesmo. Voc� tem raz�o, � mais bonita.
"Um piano � noite...
toca ao longe...
e ouve-se a m�sica ecoar no ar."
Eu atuei sem alma. N�o sabia onde p�r as m�os.
N�o sabia como me mover no palco.
N�o conseguia dominar a voz.
N�o sabe como me senti
quando percebi que estava atuando mal.
Eu sou uma gaivota...
Mas por que estou falando isso agora?
- Eu sei que pare�o louca. - N�o, imagina.
Mas com o caos l� dentro, n�o conseguia...
N�o se preocupe. Voc� � �tima. Finja que sou seu professor.
- Posso me sentar? - Pode.
Continue.
"Agora eu sei, K�stia,
compreendo que no nosso trabalho,
representando ou escrevendo, o que importa n�o � a gl�ria,
n�o � aquilo com que tanto eu sonhava,
mas sim a capacidade de suportar."
Voc� se comoveu com Tchekhov?
N�o. Claro que n�o.
Quis te mostrar que tamb�m sei atuar.
- Eu choro se voc� mandar. - � mesmo?
- Quem � Giulia Lazzarini? - N�o sou eu. Lamento.
Engra�adinho!
- Tchau. - Tchau.
- Mocinha, � a sua vez. - Sim.
- Voc� se acha engra�ado. - Obrigado.
Claquete.
Domenico Modugno. Tomada 1.
Que pancada ele deu!
- O que voc� sabe fazer? - Sr. Zampa, um pouco de tudo.
Eu escrevo poesias, sei pintar, atuar.
Toco sanfona, viol�o e tamb�m canto.
- Que g�nero de m�sica? - M�sica americana.
- Voc� sabe ingl�s? - N�o.
Mas quando canto ningu�m percebe que n�o sei.
Agora queremos te ouvir falar. Improvise algo.
Estou um pouco emocionado, � minha primeira vez
em frente a uma c�mera, diretores, claquete.
� um momento de grande emo��o.
Poderia contar uma piada.
- At� logo, senhora. - Tchau.
E ent�o, como se saiu?
Falou da aproxima��o Zavattiana. Como � o nome?
- Zavattiniana. - Isso mesmo.
Sim, mas fiquei meio decepcionado.
Pois para mim essa teoria significa leveza,
contar a vida cotidiana, a alegria das pessoas.
Porque a maioria das pessoas s�o alegres,
mas com o pessoal daqui, o forte � a den�ncia social,
o cinema das desgra�as.
Tanto que Giulia Lazzarini arrebentou com "A Gaivota".
- E at� recebeu aplausos. - Eu a vi. Ela � talentos�ssima.
Atuou com os olhos marejados. Quando a vi, me senti num sonho.
- Para onde voc� vai agora? - Estou hospedado no centro.
Vou pegar o bonde. O que voc� vai fazer?
Eu prefiro andar um pouco. Me ajuda a pensar.
Eu vim a p�, pois para se tornar um grande diretor,
� preciso andar pelas ruas, estar com as pessoas.
Gostaria de perguntar como acho trabalho.
Posso fazer ponta num filme para pagar o lugar onde durmo.
Est� melhor que eu. Eu durmo no bonde.
N�o acredito! No bonde?
Mas se quiser trabalhar, deve se inscrever na ag�ncia
da Pra�a da Rep�blica.
E toda manh�, venha para os port�es da Cinecitt�.
� aqui?
Me escutem.
Os gerais ficam desse lado e os extra, � direita.
Os figurantes ficar�o com o Cucaracho.
Migliacci, v� com os figurantes.
Agora mesmo.
Para o extra geral precisamos de quatro pessoas bem vestidas.
- Que tipo de roupa? - O que voc� tem?
Duas cal�as, um palet� e duas camisas.
N�o serve, v� para aquele lado.
N�o demonstre que ficou chateado.
Cabe�a erguida e olhar de zombaria.
A prop�sito, prazer, Franco Migliacci.
Domenico Modugno.
Cucaracho, n�o tem nada para n�s?
Talvez amanh�. Come�a a grava��o de um novo filme.
Eu toco sanfona, viol�o e canto bem.
Fiz exame para o Centro Sperimentale.
Todo mundo fez. E muitos, al�m de cantar e tocar,
dan�am, cavalgam e andam na corda bamba.
Posso colocar voc�s numa cena de multid�o.
Senhor Cucaracho, com licen�a.
Tem algo para mim? Olhe meu perfil inteiro.
Com essa roupa, Riccardo?
A cena ter� tigres romanos, escravos, gladiadores.
E voc� n�o tem cara de crist�o jogado para os le�es.
E para fazer o senador malvado voc� � muito jovem.
Uma pena, sei tudo da Roma antiga.
Estudei Hist�ria da Arte.
Muito bem. Aprenda arte e a deixe de lado.
- � o Claudio Villa! - Claudio!
- Quem �? - Claudio!
N�o coloque a m�o no meu cabelo.
Obrigado.
- Claudio Villa. - � o Claudio Villa.
Cante uma m�sica para a gente.
Eu n�o gosto de pedir aut�grafo.
E nem sei se terei vontade de dar aut�grafo algum dia.
A dignidade do artista n�o tem pre�o.
Claro que tem.
Se quiser, fa�o uma lista dos que a perderam.
- Tchau. - Tchau, Claudio.
O reizinho � sempre dispon�vel.
- Migliacci? - Pode falar.
Andei pensando, tem o papel de um rapaz sem pernas,
ele se arrasta pelo ch�o como um verme, e todos insultam:
"Tomate murcho, isca de peixe e ossos quebrados."
Voc� aceita ou n�o?
- Aceito, certo? - Faz bem em aceitar.
- Aceito. - O que faz a dor do jejum.
Napolitano, venha tamb�m. E voc� tamb�m, bigodinho.
- Franco Migliacci, prazer. - Riccardo Pazzaglia.
Cri, cri
Lua, se voc� soubesse Que dor
N�o me faria chorar Toda noite
Desse jeito
Cri, cri, cri
Cri, cri
Venha, venha, venha, Entre no lago
Veja, veja como sou bela
Venha, venha, Venha me abra�ar
E o grilo mergulhou
E por pouco n�o se afogou
N�o se afogou
Cri, cri
Daquela noite em diante, O grilo apaixonado
N�o voltou a cantar Como fazia todas as noites
Para a lua
Que se espelha
Nos canais
- O que est� fazendo? - Padre Mello.
- Estou incomodando algu�m? - A mim.
N�o pode olhar para um princesa com esse olhar de diabo.
Princesa? Achei que fosse a atriz Olga Villi.
� ela mesma, mas ela tamb�m � meio princesa.
Ela vive com o Pr�ncipe Lanza di Trabia,
infelizmente eles ainda n�o s�o casados.
O Trabia da minera��o?
Apesar de ser uma pecadora, ela � uma boa pessoa.
E faz muitas obras de caridade.
Pergunte se ela pode fazer caridade para mim.
- J� perguntei. - Obrigado.
Avisei que precisarei te mandar embora
- porque j� ficou muito tempo. - Eu sei, eu sei.
E como ela j� te ouviu cantar, deixou um endere�o.
- Para mim? - Aqui est�.
Obrigado.
Se te aceitarem, conseguir� um jantar e uns trocados.
C�rculo dos Artistas, Via Margutta. Vou agora mesmo.
� um lugar cheio de comunistas.
- Companheiros... - Pare com isso.
Espero que n�o perca a f� em troca de um prato de comida.
N�o, assim o senhor me ofende.
Se eu tivesse nascido na �poca dos primeiros crist�os
teria acabado na boca dos le�es, tamanha a minha f�.
Senhores, no tempo da Inquisi��o eu teria queimado na fogueira
porque minha �nica f� � o homem.
E na minha cidade h� homens que jamais poderei esquecer.
Os mineiros. E para um deles eu escrevi uma can��o.
Suando, suando
Suando, suando
Sob o sol escaldante
Se rompe, se rompe A montanha
E coloca as minas, Os pavios e as bombas
E grita
"Cuidado com as bombas!"
Se despeda�a a montanha
A terra
Se esfarela
Obrigado.
- Bravo! - Obrigado.
- Queria te parabenizar. - Obrigado.
Sou Raimondo Lanza di Trabia. Sente-se, por favor.
- Boa noite, Mim�. - Boa noite, princesa.
Suas can��es s�o muito comoventes.
E voc� canta como algu�m que realmente ama a vida.
Te invejo muito.
� m�rito da senhora se estou aqui.
Voc� est� aqui porque merece.
N�o deve agradecer a ningu�m.
Desculpe a curiosidade, mas o senhor � um dos Trabia...
Sim, sou um daqueles.
� o propriet�rio de uma mina na minha cidade?
Talvez. Meu irm�o se ocupa dessas coisas.
Acho que ferro, zinco, cobre, n�o durar�o muito.
Pedi que investisse em petr�leo, mas ele n�o me ouve.
- Ent�o invista o senhor. - N�o, eu n�o sei fazer nada.
Fazer significa mudar e n�o acredito em mudan�as.
Creio que uma pessoa s� pode ser aquilo que �.
- E o que o senhor �? - Essa pergunta � impertinente.
Mimmo?
Acho que aquela mo�a tem algo importante para dizer.
J� vou. � para avisar que vai fechar a cozinha
e deve ter preparado algo para mim.
- Estou h� dias sem comer. - Deve ser seu prato preferido.
Meu prato preferido � o cheio.
N�o importa o que tenha nele, o importante � comer.
- At� logo. - Obrigado.
- Obrigado, princesa. - Voc� � talentos�ssimo.
- Muito talentoso. - Obrigado.
At� mais. Com licen�a.
Perd�o. Viva o partido comunista!
Imagine, n�o se preocupe.
� como se tivesse dito sim.
Fique tranquilo, darei um jeito.
Onde acharei um lugar para ficar?
Oi, Gaspare.
� o Mimmo Modugno, lembra de mim?
N�o se preocupe, muito obrigado.
Farei outra coisa. Tchau.
Preciso de um lugar para dormir uns 10 dias, um m�s.
Quanto mais dias, melhor. O que me diz? N�o?
Modugno, hoje voc� ser� uma tocha humana.
Caro primo Sergio, precisar� esperar mais um pouco
para receber o dinheiro que emprestou.
O trabalho � escasso, procurei em todo lugar.
H� dois dias n�o tenho onde dormir.
Na nossa cidade, no ver�o, se pode dormir � beira mar.
Tirando o dinheiro, o mar � o que mais me faz falta.
- Modugno! - Eu passei! Passei!
- Conseguimos! - Fomos aceitos!
Capacitado para me tornar um realizador!
Realizador!
Os dois anos passados em Roma no Centro Sperimentale,
foram os melhores da minha vida. Apesar da fome.
Pois n�o tinha nada para comer. Nada mesmo.
Mas foram os melhores anos.
Eu estava sempre em busca de trabalho.
Sempre correndo, sempre desesperado.
E sempre chegava atrasado.
Desculpe, professora, mas o bonde n�o passou.
Modugno, todo dia voc� inventa algo.
- Mas ele n�o passou. - Sil�ncio.
Leia.
- "Como s�o lentos os dias". - Lentos com o 'e' fechado.
Lentos...
"Como s�o lentos os dias." Lentos.
- "Nenhum fogo podia." - Poderia.
Usa-se o condicional para exprimir condi��es. Repita.
"Nenhum fogo poderia me esquentar."
Assim est� melhor?
Estendo, bra�o na terceira posi��o
e volto para a segunda.
- Rapazes. - O que foi?
Deste lado, elas est�o tirando a roupa.
E os dias no Centro Sperimentale eram cheios de cultura,
de descobertas, curiosidades.
Tanta curiosidade, belas curiosidades.
Mas tamb�m pratic�vamos esgrima.
Estique as pernas.
E lembro que nos faziam ver e rever os cl�ssico do cinema.
- Como vai? - Bem.
- Como � esse filme? - Uma obra prima incr�vel.
Especialmente os grandes filmes russos.
Como voc� � bonita, Giulietta!
Quanta gente! Pazzaglia, deve ter uns 2 mil figurantes.
E assim passou o primeiro ano.
Mas o mais importante para mim, foi o segundo.
Charlotte, que belo nome! De onde voc� �?
Da Noruega.
Foi naquele ano que Franca entrou na minha vida.
O exame de admiss�o � aqui?
- Sim. - Eu sei que me atrasei,
mas o bonde n�o passou e tive que vir a p�.
- Voc� �? - Franca Gandolfi.
Franca... Franca? Ol�!
Me chamo Mimmo, voc� � muito bonita.
- O diretor j� te chamou. - O que farei agora?
Te deixarei fazer seu teste. Vou te explicar tudo.
- Franca, Franca... - Com licen�a.
- Eu? - Venha.
Diga-me, que pe�a voc� trouxe?
Preparei uma cena de "Um Bonde Chamado Desejo".
- Mimmo, voc� tem o texto? - Sim, tenho.
Aqui est� ele. Oi.
Aproximem-se.
- Mais perto. - Claro.
C�mera. Claquete em cena.
Acalme-se, as belas como voc�, sempre passam.
Franca Gandolfi. Tomada 1.
A��o!
Deixe-me... Deixe-me passar!
- Claro. Pode passar... - Fique daquele lado!
H� bastante espa�o para voc� passar.
Voc� est� impedindo minha passagem.
Talvez n�o fosse m� ideia impedir sua passagem.
Nem mais um passo, sen�o...
- O que far�? - Algo horr�vel!
Vou enfiar a garrafa no seu rosto.
- Voc� faria isso? - Farei, se voc�...
Sua gata do mato, lute, resista.
Voc� � bem forte, � uma gata do mato.
Voc� � uma tigresa.
Corta.
Muito bem.
- Faremos outra? - Essa ficou boa.
Franca, aonde vai?
Por que ficou brava por t�o pouco?
- Eu estava brincando. - Bom para voc�, eu n�o estava.
Este teste � a coisa mais importante da minha vida.
Acha que foi f�cil convencer meu pai a me deixar vir?
- Mas por culpa sua, atuei mal. - N�o, voc� estava �tima.
Estava �tima at� voc� me beijar.
- Mas estava escrito na cena. - N�o estava, n�o!
N�o estava escrito que tinha beijo. E voc�...
- Eu o qu�? - Que raiva voc� me d�!
Franca...
Especialista em beijo de l�ngua.
Mas � claro.
Talvez seja por isso que a mocinha ficou brava.
Olha que bela! O que posso fazer para que me perdoe?
Compre flores, obviamente.
Comprar? Essa palavra n�o existe no meu vocabul�rio.
- Ent�o se conforme. - Pois �.
N�o corram de cabe�a baixa feito cabras!
Precisam chorar, gritar, amaldi�oar a guerra!
Est�o sendo bombardeados!
Todos para a direita!
- Uma trag�dia. - Mimmo!
- Todos � direita! - Direita n�o, sou comunista!
Vamos, entre aqui!
Vem c�. Me d� um beijinho.
O que � isso?
Ficou muito boa. Parece que estamos voando.
Eu n�o te disse, mas a produ��o queria cortar essa sequ�ncia.
- � mesmo? - � mesmo.
Eu disse: "Se cortarem esse final,
eu e Zavattini filmaremos nosso pr�ximo filme na Am�rica."
De Sica e Zavattini.
- Voc� fez a coisa certa. - Voc� n�o acha ruim?
N�o, ap�s tantos filmes filmados nas ruas,
n�o me parece real que esse termine nas nuvens.
EXISTE UM REINO ONDE "BOM DIA" QUER DIZER REALMENTE "BOM DIA"!
Muito bem, Vittorio.
Deixe-me entrar, quero um aut�grafo.
Vittorio De Sica n�o d� aut�grafos.
- Eu sei que ele est� a�. - N�o est�, j� foi embora.
Leve o mestre � Via Barnaba Oriani, n�8A.
At� mais, mestre.
Mestre, mestre? Licen�a!
Mestre... Caramba!
Jovenzinho, qual � o endere�o?
- Boa noite. - O que deseja?
- O mestre De Sica. - Marcou hora?
- N�o, mas... - Ele n�o vai te atender.
Com licen�a. Diga ao mestre De Sica
que � uma quest�o de vida ou morte.
- V� avis�-lo, eu espero. - O que � essa gritaria?
O que � essa quest�o de vida ou morte?
Quem est� morrendo? Quem � voc�?
Mestre De Sica, � o senhor mesmo!
O diretor dos pobres, que escolhe atores nas ruas.
Eu sou a pessoa que mais tem ficado nas ruas.
No seu filme roubam a bicicleta do protagonista.
E da�?
Isso nunca aconteceu com meu pai,
porque ele n�o teve bicicleta.
Ele trabalhou muito no mar, pescando.
E � noite voltava para casa b�bado
e nos enchia de pancada.
Mas ele n�o era malvado, a vida era malvada com ele.
- Mas voc� n�o � pescador. - N�o.
Eu sou ator, mas sem um papel.
E voltando ao in�cio: qual seria a quest�o de vida ou morte?
Preciso de um papel de verdade, n�o de figurante,
ou n�o poderei voltar para minha cidade.
Por isso pe�o um papel num filme seu.
N�o posso te ajudar, n�o estou fazendo nenhum filme.
E s� Deus sabe quando farei outro.
Mas tem o Luchino Visconti que est� preparando...
N�o, melhor o De Robertis,
ele est� preparando um filme sobre a campanha da R�ssia.
Fique um pouco s�rio.
Fique de perfil.
Seria apropriado, com essa cara de pobre sulista.
Assim que ele sair do set, voc� se apresenta
e pergunta por De Robertis. N�o se esque�a.
- Obrigado. - E diga meu nome, certo?
N�o sei se resistirei at� esse dia, mas vou tentar.
- Voc� n�o se ofende? - N�o. Obrigado.
- Muito obrigado. - Deixa pra l�.
Continue tentando ser ator.
- Voc� interpretou muito bem. - Obrigado.
Pode dizer que fez um teste com Vittorio De Sica.
E se descobrirem que � mentira?
Por acaso voc� acha que Vittorio De Sica mente?
- Claro que n�o. Perd�o. - E lembre-se de outra coisa.
Os artistas nunca dizem mentiras,
e sim outras verdades.
- Outras verdades. - Muito bem.
E como diz o Pr�ncipe De Curtis, meu amigo Tot�: "J� disse tudo".
- E como voc� se chama? - Domenico Modugno.
Domenico Modugno, ao sucesso!
- Obrigado. - Otelo?
- O que � isso? - Um trabalho que arranjei.
Me pagam � presta��o, � humilhante.
� para uma revista do Partido Comunista.
Mas � assim sem cor? Branco e preto n�o...
Os l�pis de cor s�o caros, n�o tenho dinheiro.
Voc� � muito miser�vel para virar um grande artista.
Voc� acha que Chagal pintava em preto e branco?
E voc� sabe como ele pintava no in�cio? Talvez at� ele...
N�o, at� ele nada. A fantasia deve ser colorida.
Falou o sabich�o.
Mudando de assunto, como est� a mo�a
com quem fugiu no meio do bombardeio?
Ela fugiu como uma enguia. Caramba, se eu a pego.
Eu fiquei nos escombros de uma casa com uma coroa.
Mas como sou fiel ao mote de S�crates que diz:
"Melhor uma trepada do que cem mil punhetas".
Me contentei com o que tinha.
Licen�a...
Voc� � cego de verdade ou cenogr�fico?
Quem dera fosse cenogr�fico. Por qu�?
� que quando estou nervoso, tocar viol�o me relaxa.
- Pode pegar. - Obrigado.
Escute essa.
Olivas
Quem tem olivas?
A primeira parte � o chamado dos camponeses
quando vendem e compram olivas
e eu a transformei numa can��o de ninar.
Olivas quem tem olivas?
De quem � essa can��o?
� minha.
Apare�a aqui amanh� �s 7h, pe�a para falar comigo
- e te explicarei o que fazer. - Quem � o senhor?
- Federico De Robertis. - Eu estava procurando o senhor.
Vim me apresentar em nome do mestre De Sica.
Tem um bilhete assinado por ele?
- N�o tenho. - Por boca n�o vale.
Como assim n�o vale?
Eu estou indo.
Mas voc� n�o era cego?
Voc� tem mais sorte que alma.
- Ent�o, Modugno. - Diga.
Finja que o marechal est� ali. A garotinha est� desesperada.
Voc� quer consol�-la, mas ela � russa
e n�o entende nada, por isso voc� toca.
Certo, vamos gravar. Prontos?
- Posso fazer uma entrada... - Pode fazer.
C�mera. Claquete em cena.
"Carica Eroica", cena 36, tomada 1.
A��o! Chore, garota.
Marechal, eu cuido disso. Vou cantar uma can��o de ninar.
Olivas
Quem tem olivas?
Olivas
Quem tem olivas?
Nana nen�m, Meu querido
Durma, durma E n�o chore
Nana nen�m
Que bela cerejinha
Que todos querem beijar
Nana nen�m
O que farei, o que farei
Com essa crian�a manhosa
E birrenta?
Que n�o quer dormir
Mas brincar a noite toda
Sem parar
- Corta! �tima! - Viva!
- Oi. - Oi.
Queria me desculpar pela cena que fiz aquele dia.
- No fim, fui aceita, ent�o... - Eu que pe�o desculpas,
queria te mandar flores, mas n�o sabia seu endere�o.
Vamos fingir que voc� mandou. Posso me sentar?
N�o, sinto muito, estou esperando a Giulia.
Ela estava aqui e j� vai voltar. Estamos estudando.
- Sim, claro. - Sinto muito.
- Ent�o, tchau. - Tchau.
- Oi. - Oi.
- Giulia. - Tem novidades?
Meu senhorio continua agindo do mesmo jeito.
Diz que se n�o pagar o aluguel, ele me expulsar�.
- Notei que voc� � boa atriz. - Como voc� notou?
- E para arranjar o dinheiro... - Gostaria de perguntar se...
Ele falou do concurso na r�dio chamado "Trampolino".
Disse para eu ir, ganhar dinheiro e pag�-lo.
- Ent�o v� tentar. - N�o quero ser cantor.
Quero ser ator, sen�o por que estou aqui?
- Sen�o vou deixar pra l�. - Obrigada.
Ao envelhecer Voltou a ver o sol
Aquele que o sol nunca viu
E sobe, sobe, Sobe, sobe
Cem metros, Mil metros
No sol
E lembre-se de quando Era forte e galopava
Galope, galope, Galope, galope
Galope, galope, Galope, galope
Galope, galope, Galope, galope
Corra, Peppino Corra, Peppino
Obrigado, � o suficiente.
N�o � o que buscamos para o programa.
Voc� s� escreve e canta em dialeto?
S� em dialeto, mas escreverei em italiano no futuro.
- Acho que seria melhor. - Acha que seria melhor...
Est� certo, obrigado.
- Eu disse que n�o ia funcionar. - Por qu�? Eu gostei.
Mas no r�dio eles querem can��es de amor.
Claro, trai��es, ci�mes,
filhos que morrem, m�es que choram. Que saco!
Acho que ningu�m liga para as minhas can��es.
Talvez precise de algo mais elevado,
algo mais metaf�rico.
O que est� dizendo?
Por que "Vola Colomba" venceu Sanremo?
Pois � a met�fora da It�lia:
tem asas para voar ap�s as desgra�as do fascismo.
E � branca para representar a democracia crist�
- que nos governa. - O que isso tem a ver?
Voc� tem tantas qualidades, tantos talentos,
mas n�o o da met�fora.
Voc� � destitu�do de met�fora.
Est� certo, a met�fora... Tchau.
Ele estava s� brincando.
Era brincadeira.
Precisa falar de met�fora a essa hora?
Ant�nio, de que ano � esta?
Mimmo?
- O que foi? - A can��o que cantou � linda.
- Voc� achou? - T�o bonita que quase chorei.
Eu teria te aceitado s�bito.
Por que n�o nos encontramos a s�s?
Mas voc� n�o est� com a Giulia?
Eu me apeguei a ela, ela � uma boa mo�a.
Mas quando te vejo, Franca.
Com esse vestidinho.
Com essa al�a ca�da.
Voc� n�o poderia colocar um vestido de freira?
O que est� dizendo?
Se nos encontrarmos, eu te explico.
- Voc� quer me ver? - Quero.
- Escondido da Giulia? - Adoro coisas escondidas.
Mas eu n�o gosto.
E amanh� n�o posso, vou ao cinema com o Antonio.
Vai ao cinema com o belo Antonio?
- E da�? - Ent�o por que me seguiu?
Eu n�o te segui. Moro aqui perto.
- E para amanh� � n�o? - Claro que � n�o.
�timo... Ent�o, tchau. Boa noite.
Caipira!
Com a palavra, o mais belo dos belos:
Antonio Cifariello.
Caro Riccardo, estamos aqui festejando o fim do segundo ano.
- Estamos todos meio b�bados. - N�o estamos!
Mas prontos para nos jogarmos no grande mar do cinema.
- Viva! Viva! - � minha vez.
- Segurem-no. - Colegas e cidad�os...
Me escutem. Abram espa�o.
Estou aqui, n�o para honrar o Centro Sperimentale,
mas para dar a ele uma sepultura digna.
E com ele, eu tamb�m serei sepultado.
- Bravo! - Bravo!
E por isso digo adeus a voc�, Antonio.
Digo adeus a voc� tamb�m, Pazzaglia.
- Digo adeus a voc�, Franca. - N�o!
- E digo adeus a voc�, Giulia. - Tchau, tchau.
E tamb�m ao grande mestre Zampa, que sempre diz:
"Modugno, um dia voc� ser� um grande ator."
E Zampa � um homem honrado.
- Sim. - Bravo!
Mesmo que esse Modugno, para sobreviver,
cante can��es com palavras que ningu�m entende.
E s� consegue pap�is de bandido, mafioso, malandro...
- Por que voc� � talentoso! - Claro. Zampa diz:
"Esse Modugno, um dia far� muito sucesso".
E ent�o, meus caros, quero lhes dizer algo.
Se t�m l�grimas para chorar, chorem-nas aqui na minha frente.
- Bravo! - Bravo!
Naquele dia eu e Giulia terminamos.
Lembra disso? Fora daquele bar.
Com ela eu tive uma breve hist�ria
que acabou quase antes de come�ar.
Ela foi para Mil�o,
para se tornar a grande atriz que conhecemos.
E eu continuei trabalhando como a "grande promessa".
Sempre com meus amigos Riccardo e Franco por perto.
Vivemos bons e maus momentos.
E nas horas dif�ceis, eles sempre me ajudaram.
Vamos subir na vida, rapazes.
At� nas mudan�as de casa. Riccardo carregando m�veis.
- E voc�, Franco? - Tamb�m n�o lembro.
Viu s� o jovem ator se exibindo como um pav�o?
S� porque ganhou um papelzinho em "O Burgu�s Rid�culo" de Moli�re.
E o Eduardo o chamou para atuar em "Filumena Marturano".
E n�o podemos esquecer dos filmes de capa e espada.
Como esquecer a obra prima o "Mantello Rosso"?
Podem zoar, no entanto, eu mudei de casa.
E deve mudar de transportadores tamb�m.
For�a, senhor intelectual!
Vou acabar com minha coluna com esse peso.
Realizador! Realizador!
- N�o entendi. - No set onde estou trabalhando,
o diretor me deu o roteiro e incluiu tr�s fala minhas.
E disse: "Pe�a para o Pazzaglia te explicar".
Estou comendo.
Decidi que em breve, me casarei com a Rosi.
- Quem � Rosi? - Minha namorada.
E onde est� escondida?
Est� em N�poles, mas logo vir� para c�.
E voc�, o que est� fazendo?
Hist�ria em quadrinhos, mas ganho pouco.
Eles n�o t�m verba.
Sabem quem est� se dando bem?
- Quem? - Franca.
Trabalha em fotonovela, teatro de variedades, cinema.
Fellini acabou de cham�-la para o filme "Os Boas-Vidas".
- Que nome de filme � esse? - Ele � um diretor �nico.
- Onde voc� viu a Franca? - Numa festa.
- E estava sozinha? - N�o prestei aten��o.
Mas sei que semana que vem,
ela estar� na casa do seu amigo, o Pr�ncipe Lanza di Trabia.
Fa�a com que ele te convide. Se voc� gosta da Franca...
Eu? Gostar da Franca? Eu nem penso nela.
Franca... De onde tirou isso?
- Mimmo. - Boa noite.
- Fique � vontade. - Obrigado. Posso?
- Claro. - Obrigado. Sa�de.
- Pode me passar seu n�mero? - Claro. � 74-42-3.
Me d� licen�a, mas n�o v� sumir.
N�o vou.
Eu j� volto.
- Franca! - Mimmo!
Como voc� est� bonita.
- Est� linda! - � minha noite de sorte.
E agora voc� tamb�m est� aqui.
- Por que, o que houve? - Fellini, voc� o viu?
- N�o, onde est�? - Est� ali.
Grande Fellini!
Ele me contou sobre o filme que faremos e parece lindo.
� um pequeno papel, mas estou t�o feliz.
Muito bem! Que �timo.
E o rapaz com cara de idiota que pediu seu telefone, quem �?
� um agente.
Foi ele que me indicou, por isso devo trat�-lo bem.
Sabia que cochichar � coisa de gente mal educada?
Sim, claro. Eu sabia.
E voc� sabia que � coisa de gente mal educada
n�o cuidar da pr�pria vida?
- Um sulista engra�adinho! - Ele est� sempre brincando.
Ele � assim. Tchau, Mimmo.
- Foi bom te rever. Tchau. - Tchau.
O que est� fazendo?
Olha s� quem apareceu.
- Sr. Palmieri, como vai? - Bem, obrigado.
Franca, quem � esse caipira?
Preciso te parabenizar pela can��o.
Por que n�o aparece na r�dio um dia desses?
- Sim, claro. - Tive uma ideia.
Mas n�o quero falar de trabalho aqui.
Eu falaria de trabalho at� em cima da c�pula da igreja.
Por favor. Vamos separar o p�o do circo.
Estamos aqui para nos divertir.
- � verdade. - Vou ficar te esperando.
- Obrigado. - At� logo.
- Vamos ao terra�o. - N�o, prefiro...
Franca, com licen�a. Me d� um segundo.
- N�o v� que est� atrapalhando? - Vou falar rapidinho com ela.
Est� perdendo seu tempo com esse zero � esquerda.
- E voc� � um Z� Ningu�m. - Ficou ofendido?
N�o me ofendo com nada e voc� � um nada.
Eu te conhe�o, j� te vi cantar no C�rculo dos Artistas.
Esta noite o Pr�ncipe te deixou ser o bobo da corte.
Mas n�o exagere, sen�o te coloco no seu lugar.
- � mesmo? - � mesmo.
O que voc� fez? Voc� enlouqueceu?
- Foi ele que come�ou. - N�o, foi voc�! � culpa sua.
- Mas fiz por voc�. - Eu sei me defender sozinha.
- � assim que me agradece? - Sim, � assim.
Obrigada por estragar minha festa.
Vou embora porque quanto menos te vejo, melhor estou.
Me ajude.
Franca, me desculpe.
N�o se preocupe, ela voltar�.
As mulheres apreciam a coragem.
Modugno, esse � um programa ao qual sou muito apegado.
E voc� dedicar� uma can��o ao nosso grande h�spede.
- E quem seria? - Frank Sinatra.
Sr. Palmiero, me desculpe...
- Palmieri. - Isso, mil perd�es.
Na minha cidade n�o acreditar�o que vou cantar para o Sinatra.
Nem o Frasulino, nem os outros acreditar�o.
V�o dizer que invento essas hist�rias.
Mas o senhor est� me dizendo a verdade?
- Estou. - Caramba!
Em ocasi�o do fim da turn� do Sinatra na It�lia,
a RAI decidiu dedicar a ele, um programa inteiro.
E visto que ele tem origens sicilianas,
pensei em faz�-lo escutar uma can��o da sua terra.
Estou honrado com sua proposta, pois para mim � um grande sonho.
Mas n�o canto em siciliano, minhas can��es s�o puliesas.
- Modugno, quer um conselho? - Pode dizer.
N�o espalhe, mas o dialeto da sua regi�o parece siciliano.
- Mais ou menos. - E o siciliano � mais popular.
E lembre-se: no mundo do espet�culo
aquilo que parece, �.
Bela frase.
- Mimmo, aonde vai correndo? - E voc�?
Vou participar de uma radionovela.
Eu vou cantar para o Sinatra hoje � noite.
E depois de amanh� vai atuar com Gary Cooper.
Vai bancando o idiota. Ligue o r�dio hoje �s 21h.
- Mimmo, 30 segundos. - Sinatra j� chegou?
Claro, est� atr�s do vidro D� uma olhada.
Onde est� ele?
Grande!
Tr�s, dois, um, estamos no ar.
Nana nen�m, Meu querido
Durma, durma E n�o chore
Nana nen�m
N�o sabe quanto lamento n�o ter conhecido o meu mito,
o grande Frank Sinatra.
N�o deu tempo, abri a porta e ele saiu.
O importante � que Palmieri te adorou.
N�o ligo para a opini�o dele. S� ligo para a sua opini�o.
Bela, bela.
- Essa beleza da Via Asiago. - Est� delicioso.
Quem ser�?
Pode dar uma mexidinha, por favor? Mas devagar.
Quem est� enchendo o saco?
- Quem �? - Mimmo, � o Frank.
Eu vim para te ver.
Sou o Frank, Frank Migliacci.
- � um assalto, Mimmo. - V�o se ferrar voc�s dois.
Quer companhia para festejar? Eu trouxe champanhe.
Quero festejar na companhia de duas belas pernas.
Por favor, fora! V�o embora!
Al�?
Oi, Sr. Palmieri.
Sim, claro. S� me d� o tempo de copi�-la.
Est� certo. Obrigado.
- Era o Palmieri. - O que ele disse?
Disse que o Sinatra ouviu a can��o, adorou,
e quer grav�-la na Am�rica. Ele vai cant�-la!
� o reconhecimento dos deuses!
� o destino, Mimmo! � o destino batendo � sua porta!
N�o, Frank! N�o, n�o!
N�o pode ser. Caramba!
N�o, Frank.
Mas � poss�vel que neste pa�s a �nica coisa pontual
- seja esse avi�o? - � um avi�o americano.
E o que voc� disse do destino?
Desde que o mundo � mundo, o destino faz o que quer.
- Ora ilude, ora desilude. - E ora zomba de voc�.
Essas folhas eram para voc�, Frank.
Mas um dia eu irei � Am�rica e voc� cantar� para mim.
Vamos embora.
A megalomania � uma doen�a terr�vel.
E � incur�vel, n�o existe ant�doto.
� uma pena que tenha chegado tarde no aeroporto.
Mas infelizmente s�o coisas que acontecem na vida.
Te liguei porque estive pensando
naquela noite na casa do Pr�ncipe di Trabia.
Quando voc� brigou com sua namorada.
Ali�s, espero que tenham feito as pazes.
E como se chama sua namorada?
- Franca Gandolfi, mas n�o... - Isso, Franca.
- Pensei em te dar um programa. - Para mim?
- Sim. - Pode falar.
Um programa de 15 minutos. Com suas can��es e seu viol�o.
- Tudo centrado no amor. - Perfeito.
Com a particularidade que a falar de amor
ser�o duas pessoas realmente apaixonadas.
Obviamente.
E quem ser�o?
- Voc� e sua namorada. - Sim, claro.
Obviamente para os n�meros entre as can��es,
e depois veremos quem escrever� os textos.
Mas a Franca � mesmo sua namorada?
Claro que sim. Na verdade, ela � mais que isso.
N�s somos muito ligados, quase como uma coisa s�.
Um amor infinito, sem limites. Franca n�o vive sem mim.
- Al�? - Al�, Franca?
Franca?
Bom dia, senhora. Sou um amigo da Franca.
Ela saiu, est� na Cinecitt�, mas creio que n�o demore.
Se quiser entrar...
Obrigado.
Entre.
Fique � vontade.
As rosas vermelhas s�o para a Franca?
Franca falou tanto da senhora que tomei a liberdade.
- Voc� � muito gentil. - Imagina.
Domenico, esse rapaz � um amigo da Franca.
- Mas ainda n�o sei o nome dele. - Domenico Modugno, prazer.
- Voc� dever ser o Mimmo. - Sim.
Nossa filha te adora. Ela falou muito de voc�.
- N�s somos amigos. - Sente-se, vou servir o caf�.
- �timo, obrigado. - Trarei para voc� tamb�m.
- General? - Coronel.
Coronel...
- L� vamos n�s. - Onde fez o servi�o militar?
Em Bolonha, no Ex�rcito Italiano.
Depois me mandaram para o Clube Dos Oficiais
onde eu tocava viol�o e cantava. Ou seja, divertia os oficiais.
Por assim dizer.
Mas eu sentia falta do mar. Sou meio peixe,
- e n�o vivo longe do mar. - Poderia se alistar na Marinha.
N�o pensei nisso, General. Talvez devessem ter me mandado
para a engenharia militar, visto meu intelecto.
Mas eles n�o captaram isso e n�o me chamaram.
� uma piada, s� para rir um pouco.
Caf�...
Caramba! Est� delicioso.
Ap�s dois meses no Centro Sperimentale
eu j� falava corretamente com as vogais abertas.
Parecia que eu tinha nascido em Mil�o.
- O senhor deveria ser ator. - Deveria mesmo.
Tem um olhar cinematogr�fico.
- Querida, finalmente. - Oi, Franca.
- O que est� fazendo aqui? - Vim falar de trabalho.
E sua m�e foi gentil e me convidou para jantar.
Eu n�o insisti, eles me convenceram.
- Ele nem queria ficar. - Imagino.
Venha, Mimmo. Vou devolver os discos que me emprestou.
- Quais discos? - Venha. Nos deem licen�a.
- Eu j� volto. - Eu sei bem quais discos.
Quais discos?
Por aqui.
Este � o seu quarto? Lind�ssimo como voc�.
E estes s�o os livros que voc� l�.
O seu toca discos, a vista da sua janela.
Sua cama e esse colch�o.
- O que veio fazer aqui? - A culpa � sua.
Te liguei v�rias vezes e voc� n�o atendeu.
N�o acha que � porque n�o queria falar com voc�?
Precisa me ouvir, pois tem a ver com voc�.
Palmieri quer fazer um programa que fale sobre o amor.
E como percebeu que estamos apaixonados,
- ele nos chamou. - Ele entendeu tudo errado.
Ser�o s� quatro epis�dios, n�o podemos perder essa chance.
Vamos fingir que estamos apaixonados.
Eu e voc�?! � uma tarefa imposs�vel.
Sabe o que sinto quando te vejo?
- Irrita��o? �dio? - N�o.
N�o diga indiferen�a sen�o me ofendo.
� um tipo de raiva por voc� ser t�o superficial.
Voc� � como uma vespa que voa aqui, voa ali,
pousa aqui, suga o mel, voa outra vez.
Quem suga o mel � a abelha, n�o a vespa
- e n�o � mel, � n�ctar. - Voc� entendeu.
Entendi que est� apaixonada por mim.
O que foi que eu fiz?
Precisamos fazer s� quatro epis�dios.
Voc� atua e eu canto tr�s can��es por semana.
Voc� tem doze can��es?
- N�o. - Ent�o como far�?
Os contratos me fazem ter ideias incr�veis e j� tenho uma.
Voc� ser� uma americana que vai passar f�rias na Sic�lia
e se apaixona pelas pessoas e por aquela terra maravilhosa.
Chega de cantar can��es de amor que falam de pombas, de flores,
de l�grimas que marcam os rostos das m�es
que esperam os filhos voltarem da guerra.
Quero falar de amor, falando de vida real.
Quero falar das pessoas, dos camponeses,
dos pescadores, dos mineradores.
Quero falar de burros, cavalos, grilos que cantam � noite.
O que me diz?
Franca?
Primeiro quero ler algo.
Feito. Ent�o nos veremos na minha casa, a s�s,
assim ficaremos mais � vontade.
- � vontade? Na sua casa? - Sim.
- Eu e voc�? - Por acaso quer ficar aqui?
- Seremos eu, tua m�e e tu? - O que significa isso?
Foi uma can��o que Riccardo escreveu e eu musiquei.
Agora te farei ouvir algo.
Escuta s� essa.
Se chama "La Cicoria".
Puxe, puxe a �gua do po�o Molhe, molhe essa abobrinha
N�o molhe a chic�ria
- A m�e come chic�ria - Sou louca por chic�ria
- A filha come chic�ria - Eu adoro
- O av� come chic�ria - Sou louco por chic�ria
- A av� come chic�ria - Eu tamb�m
Colorido com as cores do arco-�ris
V� ao mercado e compre
Aquela tal de chic�ria Me deixa louco
Escolha quem quiser Se quiser casar
Por�m n�o escolha uma mulher De cabelos encaracolados
Acostume-se com o sal
Branco como a espuma Do mar
N�o, n�o, n�o De cabelos encaracolados, n�o
Coma, coma, coma, Coma, coma, coma
Uma para a m�e, Uma para o pai, uma para mim
Uma para a m�e, Uma para o pai, uma para mim
Uma para a m�e, Uma para o pai, uma para mim
Uma para a m�e, Uma para o pai, uma para mim
Tique-taque, tique-taque, Tique-taque, tique-taque
Eu tenho um despertador
Quando trabalha faz: Tique-taque
Tique, tique, toque, Tique-taque, tique-toque
Mas se a deixo sozinha De manh�
Quando volto ela me destr�i, Me destr�i, me destr�i
N�o posso deix�-la sozinha
O que posso fazer Se ela gosta de mim?
Gosta, tanto, Tanto, tanto
Se me abra�a cheia de amor, O que posso fazer?
Tique-taque, tique-taque, Tique-taque, tique-toque
Oi, Franca.
Boa noite, j� cheguei. Eu sei, desculpa.
Mudei o roteiro, li uma mat�ria no jornal,
tive uma ideia e a escrevi.
Mas n�o d� tempo de ensaiar, iremos ao ar agora.
N�o me interessa. Vamos cantar esta nova.
Quatro, tr�s, dois, um.
Vim at� a praia esta noite para te ouvir cantar.
Mas vejo que est� triste. Por qu�?
� uma hist�ria desoladora, senhorita.
Os pescadores pescaram uma f�mea de peixe espada.
E enquanto puxavam a rede,
perceberam que o macho seguia o barco.
Porque ele queria morrer junto com ela.
Vamos, vamos, Eu o vi
Pegue o arp�o e o mate, O mate agora
Acertaram a sua f�mea
Direto no cora��o
Ela chorava de dor
O barco a puxava
E o sangue se espalhava
E o macho chorava
E o macho
Enlouquecido dizia:
Minha bela, n�o chore, Minha bela, n�o chore,
Me diga o que posso fazer?
Ent�o a f�mea respondeu
Com um fiozinho de voz:
Fuja, fuja, meu amor
Sen�o eles te matar�o
N�o, n�o, n�o, N�o, n�o
Meu amor
Se voc� morrer
Morrerei junto com voc�
Meu amor, se voc� morrer Eu tamb�m morrerei
Queria te dizer que daqui a alguns dias,
assim que acabar aqui no r�dio,
vou come�ar os ensaios de um musical no Teatro Sistina.
- E depois partirei em turn�. - E por que n�o me disse nada?
- E por que deveria? - Porque trabalhamos juntos.
Maldito! Olha s� a velocidade que anda.
Esses filhinhos de papai gastam tudo em belos carros.
E Roma � cheia deles.
Cuidado, eu tamb�m sou uma filhinha de papai.
- Mas voc� � especial. - Claro que sou.
Voc� n�o pede dinheiro em casa, trabalha.
� uma boa mo�a, s�ria. At� demais, na minha opini�o.
Se eu te abra�ar e beijar agora voc� vai me dar um tapa?
- Claro que vou. - Como assim? Caramba!
- Assim eu enlouque�o. - Por qu�?
Porque sempre penso em fazer isso,
depois desisto achando que ficar� brava.
E se n�o fizer, irei embora e n�o conseguirei dormir.
E de um ponto de vista m�dico, isso significa enlouquecer.
Esperei tanto por voc�. Tanto, tanto, tanto.
Agora que te encontrei, n�o te deixo escapar nunca mais.
Nem hoje, nem amanh�, nem depois de amanh�,
nunca mais, nunquinha. Nunca mais.
Como � bom o be... Como � bom o be...
Como � bom o beijo Com peras
Tudo bem, mas... Tudo bem, mas...
Est� dizendo que Franca ganha 15 mil liras por dia
e a turn� durar� um ano?
- Foi isso que voc� disse? - Sim, foi isso.
Ent�o, 15 vezes 365 dias d�...
Mimmo, d� um valor que nem consigo imaginar.
� algo inexplic�vel, � algo infinito.
� justo, ela � talentosa e merece.
Voc� tamb�m � talentoso.
Foi muito bem na r�dio e n�o ganhou nada.
Mas ir� a Mil�o cantar algumas can��es
para o Gramitto, aquele da revista especializada.
Ele detesta o dialeto siciliano e s� quer can��es em italiano.
- No m�ximo, em napolitano. - Querem saber do que mais?
Quem se importa? Vou continuar assim mesmo.
E agora aceitarei tudo.
Se n�o querem que eu atue, ent�o cantarei.
Se quiserem que dance, eu dan�arei, sem problemas.
Se n�o gostam das minhas letras, outros escrever�o para mim.
Ali�s, voc� deveria escrever algo para mim.
Eu n�o sei escrever as suas palavras,
nunca vi um peixe espada, n�o converso com grilos.
Estou tentando escrever algumas can��es para o Mimmo.
Em napolitano, que � uma l�ngua universal e todos entendem.
E se nada der certo, fomos a Mil�o dar umas voltas.
- E eu gosto de Mil�o. - Gosta? Ele gosta de Mil�o.
Eu gosto da neblina.
Tamb�m gosto da polui��o. O clima insalubre e melanc�lico.
Como � bom o beijo Com peras
Mas a verdade, Com sinceridade
� simplesmente Essa aqui
Beijar � t�o gostoso Mesmo sem as peras
Riccardo, pode entrar. Est� aberta.
Bem, n�o me parece o Riccardo.
- Eu pedi que ele n�o viesse. - � mesmo?
- Queria ver como voc� vive. - N�o tem muito para ver.
Ent�o esta � a toca do lobo?
E eu vim por vontade pr�pria.
Isso n�o significa nada para voc�?
Eu, tua m�e e tu Sempre atr�s, coisa de louco
Esta vem tamb�m Na viagem de n�pcias
Vamos ao cinema, dan�ar, Se tentamos dar uma escapada
Como um policial Ela vem nos agarrar
Mas, apaixonado,
Sou resignado, N�o reajo mais
Eu, tua m�e e tu
E que belo ter sua m�e Sempre pegando no seu p�
- � graciosa essa can��o. - Obrigado.
- � divertida. - Sr. Gramitto, licen�a,
ela foi inspirada em algo que aconteceu comigo.
O passeio a tr�s, com a m�e junto
representa uma t�pica tradi��o sulista.
Ela poderia explodir no mundo entre nossos emigrantes.
E poderia fazer sucesso at� na Am�rica.
Mas vamos pensar na It�lia, pois a Am�rica � longe.
E mais do que tradi��es, precisamos olhar para o futuro.
- Certo. - E aqui tudo est� mudando.
O jeito de viajar, de falar, de se vestir, de se pentear.
Sou completamente favor�vel ao seu discurso metaf�rico.
Mas eu e o Mimmo, est�vamos nos perguntando.
Se para o futuro, � poss�vel pensar
num tipo de contrato entre n�s dois e voc�s?
- N�o entendi. Um contrato? - Exatamente.
Eu disse contrato? Me expressei mal.
Quis dizer um tipo de acordo cultural canoro.
O que est� dizendo, Riccardo?
� pecado pensar num contrato real?
N�o �, ent�o vamos assin�-lo.
Me tragam outras can��es.
Vamos unir algumas delas e depois veremos.
Mas sem compromisso.
- Agora podem ir. - At� mais.
Estamos indo, Sr. Gramitto.
Vamos logo.
Caterina, voc� sempre faz essas por��es gigantes.
Eu te adoro.
Por sorte ainda est� aberto.
- Boa noite. - Boa noite, Pr�ncipe.
Com licen�a, eu gostaria de uma boa garrafa de vinho.
Claro, agora mesmo. V� buscar.
- Como vai, Mimmo? - Bem, Pr�ncipe. Obrigado.
Podem continuar, vou ficar s� um pouco.
E depois volto para o caos da cidade pecadora.
A pergunta �: para fazer o qu�?
Senhores, n�s os Lanza di Trabia viramos pe�as de museu.
S� nos restou o passado e esse bord�o:
"Antigamente �ramos corajosos, serv�amos papas e reis.
�ramos cultos e magn�nimos
e ajud�vamos poetas e artistas.
Mas, aten��o, isso foi antigamente."
Mimmo, diga-me voc� que entende das coisas.
Quem s�o os corajosos de agora?
Quem s�o?
� uma pergunta um pouco dif�cil, Pr�ncipe.
Talvez os verdadeiros corajosos sejam os trabalhadores bra�ais
que ocupam as terras que voc�s n�o cultivam.
- E tomam tiros por isso. - Justo, exato.
E quem mais?
Os oper�rios que fazem greve por uma vaga de trabalho.
Certo. E voc�...
- Voc� n�o � corajoso? - N�o, Pr�ncipe.
Para levar a vida que levo n�o � preciso coragem.
Voc� se engana.
� preciso muita coragem para viver a vida que escolheu.
N�o aquela que os outros escolheram por voc�,
mas aquela que voc� escolheu.
Senhores...
Mimmo, tem uma Associa��o de Nobres
que anualmente faz um espet�culo beneficente.
Buscam um ator da sua idade e minha esposa te indicou.
Obrigado.
Voc� se ver� no meio de um monte de aristocratas
que brincam de atuar.
Algo de uma tristeza mortal.
Mas Olga disse que pagam bem.
O mais in�til dos in�teis, deseja a voc�s uma boa noite.
Desejem o mesmo a ele, por favor.
Ele precisa muito.
Boa noite.
- Boa noite. - Boa noite, Pr�ncipe.
Estou aqui para voc�
Estou aqui Para voc� tamb�m
Estou aqui Para todas voc�s
Todas voc�s, Todas voc�s
Estou aqui Para todas voc�s
- N�o! Chega! - Como assim?
Mais leveza quando canta e com as mo�as tamb�m.
Voc� deve ser uma esp�cie de Schubert.
Nesses corpos, voc� deve ver s� formas,
n�o deve toc�-las, abra��-las como se fossem servas.
E a voz tamb�m precisa subir de tom.
- Parece um c�mico. - Senhor Conti.
Quantas vezes devo pedir que n�o atrapalhe quando dirijo?
S� em caso especiais. A casa da mam�e pegou fogo?
N�o. Ligaram do est�bulo. Fanfulla da Lodi est� mancando.
Fanfulla da Lodi, n�o! N�o pode ser!
N�o, meu Deus!
Esse cara � doido.
Bom dia. Estou procurando um ator, posso entrar?
- Claro. Vire � esquerda. - Obrigada.
- Licen�a, o camarim do Modugno? - Primeira porta � esquerda.
Obrigada.
Bela, bela.
S� um beijinho bem pequeno.
Deixe-me te olhar. Levante este vestidinho.
Abaixe esta al�a. Como voc� � bonita!
Levante a saia, mostre-me algo.
Est� com vergonha de mim?
"Te escrevo de Messina, da casa da minha av�.
Me refugiei aqui, aonde eu vinha quando crian�a.
E agora estou aqui te escrevendo.
Quando cheguei em Roma,
fui ao teatro onde voc� estava trabalhando.
Estava muito feliz com a ideia de te rever.
A turn� ia fazer uma pausa de 15 dias.
E pensei em pass�-los com voc�. Na sua casinha.
Sem contar aos meus pais que eu estava na cidade.
Temo que se aceitasse ficar com voc�.
Sim, talvez fosse belo, mas me faria mal.
Talvez para voc� nossa hist�ria seja como tantas.
Talvez eu seja para voc�...
algo sem import�ncia."
"Franca, est� enganada, voc� n�o � sem import�ncia.
Na verdade, voc� para mim �...
Quero te ver logo, imediatamente.
Acredita que um prefeito da minha regi�o
me pediu para cantar numa festa da cidade?
Comprei um carro em v�rias presta��es,
pois n�o quero passar vergonha diante dos meus conterr�neos.
Ele queria uma cantora e eu te indiquei.
E n�o me diga "n�o". Vou te buscar onde quiser.
Eu te amo."
O que foi?
Sabe de quem � esse carro?
Do Tyrone Power, Franca. E agora � nosso.
Vamos?
� bonito, n�o?
Aonde est� me levando?
Estamos indo ensaiar para o espet�culo desta noite.
D�-me um sorriso. Caramba!
O que foi? Parece tensa. N�o confia em mim no volante?
Voc� oscila entre acelerar, ir devagar e correr.
Fique tranquila. Logo tirarei a habilita��o.
- Ainda n�o tem habilita��o? - Claro que n�o.
Primeiro comprei o carro, assim pratico um pouco.
Est�o todos prontos?
�timo. Franca?
Pegue a banqueta. Isso mesmo.
Ent�o... Aqui estamos.
Testando, testando, testando.
Boa tarde, senhores.
Sejam bem-vindos, � bom ver tanta gente na pra�a.
Agora cantarei uma can��o que se chama "Lu Tambureddu".
Para escrev�-la,
pensei nas pessoas que gostam de tarantela.
Que se movem sem parar e querem dan�ar.
E a can��o come�a assim:
Compadre, compadre, Comadre, comadre
Corram, corram
Vamos dan�ar A Pizzica pizzicapoo
E quando chove com sol
Se diz que a raposa copula
E com a chegada do arco-�ris
N�s dan�amos A Pizzica pizzicapoo
Venha, compadre O sol voltou
Corra, comadre O sol voltou
Vamos dan�ar A Pizzica pizzicapoo
E com o pandeiro, Bum, bum, bom
E com o viol�o, Dlin, dlin, dlon
Cantando, dan�ando, La lalala lalala
Os idosos dan�am Com as idosas
E as crian�as Com as caixinhas de dinheiro
E tanto dinheiro ganharam
Dan�ando a Pizzica pizzicapoo
Venha, compadre O sol voltou
Corra, comadre O sol voltou
Vamos dan�ar A Pizzica pizzicapoo
E com o pandeiro, Bum bum bom
E com o viol�o, Dlin dlin dlon
Cantando, dan�ando, La lalala lalala
La lalala lalala Pizzicapoo
- Bravo! - Obrigado.
- O que foi isso? - Nada, fique calma.
Vou te levar para ver um belo lugar.
- Que lugar? - Um lugar lindo da Ap�lia.
- Bonito, n�o? - � maravilhoso.
Polignano, foi aqui que eu nasci.
Passei toda a minha inf�ncia bem aqui.
Eu adorava nadar.
Esse mar bonito, profundo, azul.
E eu nadava para longe.
E virava um pontinho pequeno.
Meu pai gritava: "Mim�, o que est� fazendo? Volte!"
E bem ali, atr�s da torre dos sinos,
fica a casa onde eu e meu pai toc�vamos a noite toda.
Cant�vamos m�sicas napolitanas.
Ele tocava viol�o.
Por que n�o canta?
Porque est� tarde e n�o quero acordar sua m�e.
E qual o sentido de tocar se ningu�m te escuta?
Eu toco para mim mesmo, assim esque�o o que n�o vai bem.
E o que n�o vai bem?
O dinheiro que n�o � o suficiente,
esta casa muito pequena e tantas outras coisas.
Tudo aconteceu numa noite, h� muitos anos.
Ensine-me.
M�o esquerda. Qual � a m�o esquerda?
- Esta. - Isso. Agora um dedo aqui.
Devagar, devagar. Deixa que eu conduzo.
E daquele lado ficava o cinema.
Eu entrava de dia e saia s� � noite.
- Anda logo. - Quero ir ao cinema.
Minha m�e ficava brava: "Mim�, v� para casa."
Me puxava pela orelha e me dava umas palmadas.
E eu sempre dentro daquele cinema.
O cinema! Eu sonhava com os grandes do cinema.
Sonhava em ser o Spencer Tracy, em trabalhar com o De Sica.
Nossa Senhora, como eu adorava o cinema!
� tudo t�o lindo, esse mar, essa luz.
Essas casas. Eu e voc�.
Sinto vontade de chorar.
Pode chorar, chore. Eu enxugarei suas l�grimas.
Franca...
Voc� com esse biqu�ni escandalizou a cidade toda.
Voc� tem ideia do quanto � bonita?
E desde quando nos importamos com isso?
Olha que lindo!
Eu deveria ter nascido golfinho.
Na �gua sinto como se estivesse na barriga da minha m�e.
E essa coisa de voc� nadar como um peixe...
Para mim � um sinal.
- Sinal de qu�? - Deixa que s� eu me entendo.
Como voc� � bonita!
E depois eu e minha fam�lia, mudamos para c�.
Onde te levarei agora.
Eu cresci em San Pietro Vernotico.
Aos 17 anos, eu ficava no fim daquela estrada
e esperava que passassem os caminh�es.
Juro. Eu ficava l� e ensaiava para o dia
em que me agarraria num caminh�o
e fugiria para longe desta cidade.
Sim, para longe, muito longe.
O que foi? Quem �?
A �nica pessoa que eu n�o queria ver.
Meu primo Sergio, ele � engenheiro.
Me emprestou dinheiro faz tempo e ainda n�o devolvi.
- Ele j� passou? - Sim.
Por que n�o quer cumprimentar seus pais?
Sen�o terei que cumprimentar a cidade toda e os parentes.
N�o estou com vontade.
Sabe o que diziam de mim quando ainda morava aqui?
Que eu era estranho por querer ser artista.
Que tenho minhoca na cabe�a.
E o que tem aqui?
Aqui tem a �nica pessoa que quero rever.
Se chama Frasulino.
Olhe para mim. Pode ir.
Ali est� ele.
E de que ele vive?
Ele vive de esmolas.
E no inverno, quando esfria muito,
ele vai at� a delegacia insultar o marechal.
Eles o prendem e o deixam passar algumas noites na delegacia.
E ele tamb�m ajuda o padre na igreja.
- Frasulino. - Mim�.
Me ative, Mim�.
Caramba. Voc� � o �nico que ainda me faz chorar.
Vem c�, venha.
Eu te adoro, Mim�.
Deixe-me olhar para voc�.
Franca, eu fa�o teste atr�s de teste.
E ningu�m diz que devo desistir, trocar de profiss�o.
N�o, todos me dizem a mesma coisa:
"Tem olhos interessantes, mas..."
Sempre tem esse "mas".
"Tem um olhar bondoso, mas tem esse bigodinho."
"Poderia fazer o padre, mas tem um ar de espertalh�o."
"Poderia fazer um oper�rio, mas buscamos um campon�s."
Chega.
Talvez devesse insistir com a m�sica.
Mas com a m�sica n�o � muito diferente.
Tirando a proposta mais concreta de um empres�rio
- que quer eu cante em Paris. - Cantar em Paris?
Sim, em franc�s.
Mas ele est� interessado no que vir� depois.
- E o que seria? - Uma turn� no Canad�.
Mas no Canad� n�o precisar� cantar em ingl�s?
N�o, cantarei para italianos que vivem l�.
Mas n�o � a Am�rica que tanto sonhei.
- E vai recusar? - E o que devo fazer?
Deve aceitar! Voc� precisa ir, precisa tentar.
� melhor do que ficar aqui.
Voc� � talentoso, cedo ou tarde todos notar�o.
Quieta, fique quieta.
Eu sou um homem do sul.
E o conselho de uma mulher � um vento no deserto para mim.
Voc� ir� a Paris!
Sob o c�u de Paris Se evola uma can��o
Ela hoje nasceu No cora��o de um rapaz
Sob a ponte de Bercy
Um fil�sofo sentado
Dois m�sicos, Alguns curiosos
E tamb�m milhares de pessoas
Sob o c�u de Paris V�o cantar
"Querida, Franca. Ontem vi a coisa mais bonita de Paris.
N�o � a Torre Eiffel.
� uma mulher com uma voz maravilhosa.
Se chama Juliette Gr�co.
Ela n�o canta s� com a voz.
Canta com os olhos, com as m�os, com o corpo, com tudo.
Diferente dos nossos cantores com a m�o direita no peito
e a esquerda no cotovelo, como gar�ons."
Tudo se arranja
"E sobre a turn� em Paris, melhor esquecer.
As minhas can��es n�o agradaram muito.
Franca, estou partindo para o Canad�.
J� entendi que o que escrevo s� serve para os pobres coitados.
E por isso vou para l�.
Espero que os emigrantes italianos
sejam mais gentis que o p�blico franc�s."
Nossa Senhora, que frio faz aqui.
De onde voc� tirou esse nome art�stico, Dorelli?
Eu me chamo Giorgio Guidi.
Meu nome art�stico � Giovanni Daurelli.
Mas aqui n�o pronunciam certo. O que posso fazer?
Este �nibus s� anda reto? Quando ser� a pr�xima curva?
- Qual a pr�xima parada, senhor? - Qual �, senhor?
- 70 milhas. - Isso significa?
- 100 km, mais ou menos. - 100 km sem curva?
Caramba! Ningu�m me avisou
que existia um pa�s t�o plano, e t�o frio.
- Al�? - Franca.
Mimmo, finalmente!
Por que n�o me ligou depois de Paris?
- O que aconteceu? - Nada.
Aqui n�o acontece nada. S� a neve, neva sem parar.
S� tem neve aqui. � um lugar estranho,
as estradas s�o retas, n�o tem curva.
Todas as casas s�o pequenas, com chamin� soltando fuma�a.
Estou ficando louco.
Estou ligando para avisar que largarei tudo
e voltarei para casa.
N�o aguento mais ficar aqui.
E tamb�m quero dizer que estou com saudades.
Quando eu estava no Canad�
n�o sabia dizer as palavras que queria dizer.
Para mim, voc� n�o � algo sem import�ncia.
Como dizer isso se estava t�o longe?
Certas palavras n�o podem ser ditas ao telefone.
Para mim, voc� �...
Voc� � uma coisa grande Para mim
Uma coisa Que me deixa apaixonado
Uma coisa Que se voc� olha pra mim
Posso at� morrer assim, S� olhando para voc�
Queria saber Uma coisa de voc�
Se quando te olho assim
Voc� tamb�m Se sente morrer
Por que ent�o N�o fala para mim?
Por qu�?
Diga, diga s� uma vez
Que voc� tamb�m Est� tremendo
Diz que voc� Gosta de mim
Como eu, como eu
Como eu gosto de voc�
Voc� � uma coisa grande
Sim, voc� tinha se tornado uma coisa grande para mim.
Um coisa importante.
Mas eu, o que eu era? Quanto realmente valia?
O rumo que tinha tomado era o certo?
Ou talvez meus pais tivessem raz�o
por n�o querer que eu fosse a Roma.
E diziam que eu deveria ficar na cidade,
arranjar um emprego como meu primo.
E no meio daquela neve, eu me perguntava
se conseguiria me tornar um artista.
E se teria voc� sempre ao meu lado
ou se acabaria desaparecendo como meus sonhos.
Ao meu redor tudo era branco, mas eu n�o enxergava assim.
O que me esperava meu retorno � It�lia?
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