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Estou explorando o fascinante mundo das plantas,
Da mais bizarra � mais bela.
Com novas tecnologias e em 3D,
Podemos revelar seus segredos mais profundos.
Podemos mudar nossa escala de tempo para a delas.
Podemos ver como elas lutam umas com as outras,
Como conseguem ajuda de alguns animais
E como enfrentam outros,
E sobrevivem apesar das adversidades.
E podemos assistir a todos estes dramas
De uma forma que seria imposs�vel na natureza
Em uma �nica institui��o.
Nos Jardins Bot�nicos Reais de Kew.
Neste laborat�rio vivo,
Podemos descobrir as adapta��es para sobreviv�ncia mais extremas das plantas
E podemos vislumbrar as diminutas armas de Kew
Em sua batalha para proteger o futuro de todas as plantas -
As sementes.
O REINO DAS PLANTAS COM DAVID ATTENBOROUGH
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Desde que as primeiras plantas sa�ram da �gua para colonizar a terra,
O reino vegetal tem avan�ado para lugares cada vez mais secos
Foram desenvolvidos conjuntos especiais de adapta��es
Que permitem que elas fa�am isso.
Atualmente os desertos cobrem cerca de um ter�o da superf�cie da terra
E est�o aumentando rapidamente.
Mas algumas plantas desenvolveram estrat�gias realmente extraordin�rias
Que permitem que elas sobrevivam no mais seco dos lugares.
SOBREVIV�NCIA
Nos desertos onde a �gua � escassa,
A principal estrat�gia � ficar passivo durante o dia
Quando as temperaturas sobem
E s� se tornar ativo no frio da noite.
Este deserto, no Conservat�rio Prince of Wales em Kew,
Cont�m plantas de todas as regi�es do planeta.
E no meio do ver�o,
Uma destas plantas faz algo realmente espantoso.
N�o se deixe enganar pela apar�ncia murcha e desarrumada deste c�ctus.
Este �, na verdade, um dos mais not�veis membros da fam�lia dos c�ctus,
� chamado Hylocereus -
"A rainha da noite".
Ele vive no M�xico
Onde, no meio dos dias de ver�o,
As temperaturas podem chegar a terr�veis 50 graus cent�grados.
Ent�o, durante o dia, ele n�o faz muita coisa.
Mas uma vez por ano,
Por apenas uma noite
Ele se torna um ser de estonteante beleza.
As flores normalmente abrem em uma noite de lua cheia.
E quando elas fazem isso, exalam um odor
Que atrai animais voadores noturnos, pequenos e grandes.
E quando eles chegam perto,
Podem ver as grandes flores brancas,
Brilhando na luz da lua cheia.
E eles v�o at� elas para sorver o n�ctar
E, quando o fazem, polinizam o c�ctus.
Pode parecer estranho, at� mesmo arriscado
Uma planta restringir sua flora��o a apenas uma noite por ano.
Mas esta estrat�gia funciona para a Hylocereus.
Suas flores s�o as maiores e mais brilhantes da vizinhan�a
E oferecem um banquete de n�ctar a seus polinizadores:
Os morcegos.
Com ajuda da tecnologia, podemos imagin�-los,
A milhares de milhas de dist�ncia de seu habitat natural,
Aqui em Kew.
Os morcegos polinizam todos os tipos de c�ctus.
Na primavera, nos desertos da Am�rica do Sul,
H� sempre um c�ctus de um ou outro tipo florescendo.
Uma multitude de esp�cies competem pela aten��o dos polinizadores noturnos
Usando p�talas brilhantes e poderosos perfumes.
Os perfumes mais doces atraem os insetos.
Mas as flores polinizadas por morcegos
S�o muito mais pungentes.
Elas emanam o cheiro de fruta podre.
Para os morcegos que se alimentam de n�ctar,
Este cheiro � irresist�vel.
Eles voam de c�ctus a c�ctus,
Sugando o n�ctar.
Cada morcego pode consumir mais de uma vez e meia seu peso em n�ctar.
Em uma s� noite.
Esp�cies com colunas muito altas
Produzem flores bem no topo de seus caules
Onde s�o facilmente farejadas e vistas,
E facilmente alcan�adas.
Algumas t�m facilidades especiais.
A espostoa guentheri da Bol�via
Brota uma pista de aterrissagem entre suas flores,
Um peda�o de pelo com o qual os morcegos podem se alinhar
Sem danificar suas asas nos espinhos.
Mas no M�xico, os morcegos e os c�ctus
T�m uma rela��o ainda mais extraordin�ria.
Todo ano os morcegos migram por mais de 1.500km de deserto
Do centro do M�xico ao Arizona.
F�meas gr�vidas, cem mil delas,
Est�o a caminho de cavernas especiais para maternidade no norte
Onde v�o dar a luz a seus filhotes.
Os morcegos recolhem todo n�ctar que precisam para se sustentar em sua viagem
E, de troco, polinizam o c�ctus.
Esta migra��o anual de morcegos coincide exatamente
Com a florada dos c�ctus de flor noturna,
Ent�o os morcegos podem voar por um corredor de n�ctar
E, assim, eles cruzam um peda�o do deserto
Que, de outra forma e em outros tempos,
Seria imposs�vel para eles.
Quando os morcegos voltam com seus filhotes
Os c�ctus est�o novamente dispon�veis para sustent�-los,
Desta vez com suas frutas.
Os morcegos carregam em seus est�magos as frutas
Junto com as sementes que elas cont�m.
E, no devido tempo,
Eles depositam estas sementes junto com um belo pacote de fertilizante
Em um ponto qualquer do corredor.
Assim os corredores se perpetuam.
Os morcegos, na verdade, s�o fazendeiros de c�ctus.
Talvez a coisa mais extraordin�ria
Sobre estes c�ctus de flora��o noturna
� que, apenas algumas horas depois que as flores se abrem,
Elas come�am a fechar.
Quando o sol aparece,
Elas j� murcharam e morreram.
Tudo isto � parte de sua estrat�gia de sobreviv�ncia.
As p�talas fechadas formam um escudo protetor
Por cima das sementes rec�m polinizadas
Guardando sucos vitais em seu interior
A luz de um novo dia
Revela a bizarra natureza das plantas da zona seca.
Estas s�o certamente algumas das mais visualmente estranhas esp�cies
E suas estranhas formas
S�o uma resposta direta �s dif�ceis condi��es.
Estas plantas ficam torrando no sol para receber a luz que precisam,
Mas elas tamb�m precisam manter sua umidade.
V�rias delas fazem isso transformando suas hastes verdes
Ou suas folhas enceradas em reservat�rios.
Este extraordin�rio c�ctus do M�xico
Est� coberto por uma espessa cabeleira branca.
� chamado "o homem velho".
Esta pelagem n�o apenas fornece sombra,
Mas restringe a circula��o do ar pela superf�cie do caule
O que reduz a perda de �gua.
At� nos climas mais quentes e secos,
Algumas plantas evitam o sol de qualquer forma.
Esta � a fenestraria -
A planta janela.
Ela cresce no deserto de Kalahari
Com a maior parte de seu corpo enterrada no solo.
S� as pontas lisas e chatas de suas folhas ficam expostas.
Cada uma cont�m pequenas lentes
Que transmitem a luz do sol desde a folha vertical
At� suas c�lulas verdes de fotoss�ntese.
Algumas plantas do deserto que vivem em condi��es ainda mais quentes e secas
Tomam medidas excepcionalmente dr�sticas.
As folhas s�o muito finas e t�m uma superf�cie bem larga
E assim perdem muita umidade com o calor.
V�rias plantas do deserto sobrevivem sem absolutamente nenhuma.
Ao inv�s disso, o valioso pigmento verde se desenvolve no caule.
Assim, os caules no deserto s�o grossos e compridos
Permitindo que a planta armazene �gua neles.
N�o apenas isso,
Mas algumas plantas do deserto t�m pregas nestes caules
De forma que quando h� uma tempestade s�bita,
Estes vincos podem sugar toda umidade enquanto ela ainda est� l�.
Se expandindo para armazen�-la.
Os caules de algumas destas esp�cies incham em tal grau
Que se tornam quase esf�ricos.
Uma esfera tem a menor �rea de superf�cie para qualquer dado volume
E isto permite que a planta armazene a maior quantidade poss�vel de �gua.
Esta � a copiapoa do norte do Chile,
Um lugar onde nunca chove.
Mas ela, na verdade, nem precisa.
Sob um microsc�pio, podemos ver porqu�.
H� milhares de pequenas estruturas irregulares
Onde o orvalho da manh� condensa
De forma que a planta pode colet�-lo.
Mas a abordagem definitiva � desta planta.
Ela est� escondida entre estes seixos coloridos.
A blossfeldia da Argentina.
Esta � a �nica planta florescente
Que pode resistir � disseca��o total
Por meses a fio.
E ent�o, com um banho de chuva ou um pouco de �gua,
Ela volta � vida e produz uma pequena florzinha.
Esta habilidade de esperar pelas condi��es favor�veis
� a carta trunfo que permite que v�rias plantas
Sobrevivam nas zonas secas.
Em v�rios desertos,
As plantas precisam sobreviver meses, as vezes anos de seca.
Elas fazem isso desacelerando seu metabolismo
Entrando em um estado de quase dorm�ncia.
Mas quando a chuva finalmente chega,
As plantas como estas de repente voltam � vida.
Seus tecidos ressecados absorvem �gua como esponjas.
E depois que se expandem,
Elas usam a umidade para crescer.
Esta planta primitiva em dorm�ncia do deserto de Chihuahuan no M�xico
� um musgo espinhoso, selaginella.
Ela tamb�m � chamada "planta da ressurrei��o".
Por causa de sua habilidade de se recuperar de uma aparente morte.
A chuva inicia uma mudan�a bioqu�mica complexa em suas c�lulas
Que a permite acelerar seu metabolismo
E crescer muito rapidamente enquanto pode.
Mas a mais espetacular consequ�ncia da chuva no deserto
� uma explos�o de cores.
As flores do deserto s�o coloridas como em qualquer lugar.
Elas precisam atrair rapidamente seus polinizadores
Antes que o deserto seque novamente.
Mas a umidade do solo pode evaporar quase t�o r�pido quanto chega
E ap�s uma r�pida flora��o, elas morrem.
As plantas do deserto s� podem crescer quando as condi��es s�o adequadas
E isso talvez por apenas alguns breves per�odos do ano.
Assim v�rias plantas do deserto
Levam um longo tempo para chegar a seu tamanho total.
Aquele agave, por exemplo, tem mais de 40 anos de idade.
Mas durante todo este tempo,
Ele preparou comida e acumulou �gua
E os armazenou em suas folhas grandes e gordas,
Mas ainda n�o est� adulto.
Este aqui est�.
Este agave come�ou a retirar �gua e comida de suas folhas.
Ent�o agora elas come�am a secar e amarrotar.
E elas usam a comida
Como combust�vel para fazer crescer este grande caule em forma de mastro
Que cresce de seu centro e guarda as flores.
E ele alcan�a seu tamanho completo em uma velocidade extraordin�ria.
Ele pode crescer um quarto de metro todo dia.
Ele alcan�a tamanha altura
Que aqui, na estufa de Kew,
� preciso remover pain�is do teto para deix�-lo passar.
Esta flora��o sem frequ�ncia definida
Deu a estas esp�cies de agave um apelido:
"A planta s�culo".
Mas por que o agave cria um mastro t�o alto?
Bem, algumas plantas s�o polinizadas por insetos
E voc� pode atrair os insetos com odores.
Mas esta planta � polinizada por p�ssaros.
Beija-flores.
E os p�ssaros n�o t�m muito olfato, as vezes n�o t�m nenhum.
Para atra�-los � preciso explorar sua vis�o bastante agu�ada.
� preciso produzir flores que s�o muito brilhantes
E coloc�-las bem em cima de um poste bem alto.
Crescer em uma taxa destas requer um esfor�o consider�vel.
Para o agave � um esfor�o fatal.
O ato de produzir este mastro
� a �ltima a��o da vida desta planta.
Uma vez feito isto e tendo sido polinizado, ele morre.
Gra�as a suas extraordin�rias estrat�gias de sobreviv�ncia
As plantas do deserto conseguem prosperar em lugares
Onde outras morreriam.
Mas isto as torna alvo de muita aten��o indesejada.
Como uma desvantagem do sucesso de uma planta do deserto,
Quanto mais �gua ela armazena,
Mais tentadora ela � para um animal sedento que tenta roub�-la.
Assim as plantas do deserto precisam ter boas defesas.
As t�cnicas que elas usam podem nos dizer algumas coisas
Sobre os herb�voros que tentam se alimentar delas.
Esta echinopsis da Argentina
Desenvolveu espinhos longos e fortes
Como defesa contra animais de pasto de grande porte.
As lhamas.
Mas estas defesas tamb�m criam esconderijos
Onde um inseto ou uma aranha podem se manter fora de perigo.
H� outras maneiras de uma planta se defender.
Ela pode se disfar�ar,
E ficar quase invis�vel
Como estas plantas pedra fizeram.
Isto n�o s�o seixos como poder�amos pensar.
S�o plantas vivas.
Estes s�o lithrobs do deserto da �frica
E suas marcas combinam perfeitamente com sua vizinhan�a.
Al�m disso, eles variam as cores
De acordo com as pedras nas quais eles crescem.
Estes cresceram em pedras claras,
E estes em pedras avermelhadas.
Ou voc� pode misturar a �gua que cont�m
Com uma qu�mica particularmente forte
E que os animais achem desagrad�vel.
Este � o peiote do M�xico
E sua seiva n�o s� afasta os animais,
Mas tem propriedades analg�sicas,
Ent�o os habitantes locais a utilizam para reduzir dores
E em seus rituais religiosos
Pois ela tamb�m � alucin�gena.
Em regi�es mais frias,
Os pinheiros tamb�m precisam conservar �gua
Pois durante o inverno
A �gua do solo congela e fica fora de alcance.
Suas folhas permitem pouca evapora��o
Porque elas foram reduzidas a pequenas agulhas duras.
Como os c�ctus,
Elas tamb�m produzem qu�micos de sabor ruim.
O cheiro caracter�stico que sentimos quando andamos por entre pinheiros
Vem de �leos vol�teis
Que as �rvores produzem em suas folhas.
� uma forma de defesa.
A maior parte dos insetos n�o consegue suportar,
Mas um consegue,
O pulg�o do pinheiro
Mas quando ele ataca,
Os pinheiros t�m uma segunda linha de defesa.
Eles produzem aquele �leo vol�til nos cortes feitos por insetos
Em maior quantidade
E isto muda crucialmente a natureza dos odores em volta das �rvores.
As infesta��es de pulg�es disparam uma complexa rea��o em cadeia nos pinheiros.
Cada vez que um pulg�o morde,
O pinheiro exala vapor de �leo de sua ferida
Saturando todo ar em volta.
Isto dispara a libera��o de mais �leos vol�teis de outros ramos,
At� mesmo de outras �rvores.
O efeito se multiplica
At� que toda a floresta fica coberta por aroma de pinho.
Este nuvem de odor atrai joaninhas predadoras.
Elas s�o sens�veis a ela
Como os tubar�es s�o sens�veis a sangue.
Esta � a joaninha de olhos
E ela preda pulg�es de pinheiros.
Ela localiza uma infesta��o
Seguindo a trilha de �leos vol�teis.
E quando chega l�,
Acaba rapidamente com sua presa.
� um arranjo mutuamente ben�fico.
A joaninha consegue uma refei��o f�cil
E o pinheiro se livra de uma praga.
Algumas plantas de zonas secas usam �leos
Para se defender de outros perigos,
N�o de insetos mas de outras plantas.
Este � um eucalipto,
Famoso pelo �leo de suas folhas.
Ele produz este �leo em tal quantidade
Que, sob certas condi��es,
Pode formar uma n�voa azul sobre a �rvore.
Na verdade, as Montanhas Azuis de Nova Gales do Sul na Austr�lia
Recebem seu nome da n�voa
Que as vezes fica sobre a floresta de eucaliptos.
Quando as folhas caem ao solo e apodrecem,
Seu �leo impregna o solo.
E, assim, refor�ado por mais �leo liberado pelas ra�zes,
Age como um inibidor
Que evita que sementes de outras plantas cres�am em volta de sua base,
Reduzindo, assim, a competi��o para o eucalipto.
Outra esp�cie usa �leos de forma diferente
De um jeito mais dram�tico.
Se a temperatura chega a 32 graus cent�grados,
Estas subst�ncias nas folhas desta planta cistus do Mediterr�neo
Podem se incinerar espontaneamente.
As chamas reduzem o cistus a cinzas
E a pr�pria planta nunca vai se recuperar.
Mas este n�o � um acidente desastroso.
O Cistus evoluiu para queimar.
Este extraordin�rio sacrif�cio garante uma forma diferente de sobreviv�ncia
A sobreviv�ncia de seus brotos.
As chamas tamb�m destroem todas as outras plantas
Da �rea em volta
E isto d� ao Cistus
A chance de estender seu territ�rio.
Das cinzas,
Uma nova gera��o de Cistus surge rapidamente.
As sementes do Cistus escapam do estrago
Porque s�o protegidas por c�psulas resistentes ao fogo.
Adicionalmente, o surto estimula sua germina��o.
Levou milh�es de anos
Para estas complexas adapta��es evolu�rem.
Mas hoje,
As plantas das zonas secas e pr�ximas
Enfrentam uma nova amea�a.
Das florestas tropicais a zonas montanhosas,
As evid�ncias s�o de que as plantas por todo o mundo
Est�o desaparecendo em variedade e n�mero
Mais r�pido que em qualquer outra era na hist�ria da terra.
Os seres humanos reduzem mais e mais os lugares selvagens,
Mas a interven��o humana tamb�m pode ser a chave para sua futura sobreviv�ncia.
Kew est� na vanguarda deste esfor�o.
Suas caracter�sticas �nicas permitem que os cientistas daqui
N�o apenas me�am a perda de esp�cies
Mas tamb�m descubram como prevenir extin��es antes que seja tarde.
E uma arma fundamental nesta luta
� guardada aqui neste pr�dio
O Herb�rio.
Sua cole��o de esp�cimes preservados e secos
Cont�m amostras de 90% de todas as esp�cies conhecidas de plantas da terra.
Aqui, quase que inacreditavelmente,
H� registros de cada esp�cime que j� foi enviado para Kew.
Ele foi fundado em 1853.
Atualmente a equipe processa cerca de 50 mil esp�cimes
Que s�o enviados a cada ano de todos os lugares do mundo.
Ele cont�m cerca de oito milh�es de esp�cimes.
� o maior reposit�rio de dados bot�nicos do mundo.
E � a maior arma de Kew na guerra
Para salvar as plantas do planeta.
Este vasto banco de dados
Tem um papel vital no monitoramento da sa�de global das plantas.
Ele � dirigido pelo curador David Mabberley.
Este herb�rio, com oito milh�es de esp�cimes,
�, na verdade, um registro da vegeta��o da terra atrav�s do tempo.
H� alguns que j� foram completamente extintos
E tudo o que se sabe deles s�o apenas alguns esp�cimes herb�rios.
Por exemplo, esta � um parente da azeitona,
Que era encontrado apenas em uma ilha da costa da Calif�rnia.
- E n�o � encontrado desde 1873. - � mesmo?
Mesmo assim, foram apenas tr�s e isso � tudo o que nos resta agora.
Meu Deus!
Mas estes esp�cimes s�o refer�ncias, n�o s�o? Para identifica��o.
Sim, estes s�o os padr�es.
E aqueles que est�o em envelopes vermelhos como este s�o os reais.
A partir dos quais a descri��o original de uma planta foi feita,
O chamado tipo-esp�cime.
E portanto este � como o padr�o dourado.
Se algu�m quer realmente conhecer algo sobre um nome de planta,
� preciso se referir ao tipo-esp�cime.
O caminho para salvar esp�cies amea�adas sempre come�a aqui.
Por exemplo, em 1874,
Esta amostra foi enviada
Da Ilha Rodrigues no Oceano �ndico
De uma �rvore que eles chamavam caf� marrom
Um tipo de caf�.
Ela foi preservada aqui,
Recebeu um nome em latim e foi colocada no herb�rio.
A�, cerca de 50 anos depois,
As pessoas em Rodrigues perceberam que o caf� marrom havia desaparecido.
Ent�o, em 1979, algu�m encontrou uma planta.
Seria ou n�o um caf� marrom?
Enviaram uma amostra para c� e ela foi comparada a este esp�cime.
E, de fato, se provou que era o caso.
Ent�o, daquela �nica planta,
Foi retirada uma muda que foi enviada aqui para Kew para propaga��o.
Daquela �nica muda,
Os horticultores produziram um punhado de clones.
Mas, apesar deles florirem com frequ�ncia,
Nunca produziram uma semente vi�vel.
Sem a capacidade de reprodu��o,
O caf� marrom ainda estava condenado.
Ent�o a planta ganhou um apelido
"a morta viva".
O desafio de resgat�-la
Foi enfrentado pelo especialista em esp�cies de plantas amea�adas
Carlos Magdalena.
Depois de v�rios meses de experi�ncias com luz e calor,
Ele finalmente conseguiu induzir a planta a produzir sementes.
Mas quando elas germinavam,
Os brotos tinham folhas t�o diferentes do caf� marrom que ele conhecia,
Que ele pensou que havia cometido um erro.
Isto � bem diferente do caf� marrom.
� bem diferente, n�o �?
Cor diferente, forma da folha diferente.
Ent�o, voc� ficou surpreso?
Bem, eu fiquei surpreso de um jeito que nunca fiquei antes.
Esta estranha planta n�o parece em nada com a amostra herb�ria.
A princ�pio, ningu�m poderia ter certeza de que eram sequer da mesma esp�cie.
Mas a medida que cresceu,
Ela mudou
E, eventualmente, se modificou
Em uma planta adulta que podemos reconhecer.
Mas qual seria o motivo desta mudan�a dram�tica
quando o caf� marrom amadurece?
A resposta � camuflagem.
Este � o mais famoso habitante
Da Ilha de Rodrigues.
Uma tartaruga gigante.
Ela ama bananas.
Continue.
Mas tamb�m gosta de folhas verdes
E este � seu principal alimento.
Assim, qualquer planta que cres�a perto do ch�o,
Tem muito pouca chance de sobreviver
Com criaturas como esta circulando e se alimentando delas.
E esta � a chave do mist�rio do caf� marrom.
Quando ele � pequeno, produz folhas
Que s�o muito finas e nem s�o verdes.
E a tartaruga, cuja vis�o n�o � muito boa,
Nem chega a v�-la.
Assim ela nem percebe as folhas como esta
E o caf� marrom pode crescer.
A medida que cresce,
Ele se torna um pouco maior
E ainda
Com folhas finas e escuras
E bastante discretas.
E � apenas quando
Ele est� realmente alto
Que o caf� marrom produz suas folhas verdes caracter�sticas
E suas flores.
Mas nesta �poca,
Ele est� bem longe do alcance da tartaruga gigante.
E esta � a solu��o
Do mist�rio da caf� marrom
Criou ao produzir dois tipos diferentes de folhas
Como uma defesa contra ser comida.
A sobreviv�ncia do caf� marrom
� um tributo �s habilidades desenvolvidas aqui em Kew.
Mas � apenas uma esp�cie.
O objetivo final � salvaguardar todas as esp�cies de plantas.
E talvez a forma de fazer isto
Seja usar estas estruturas extraordin�rias
As sementes.
Um microsc�pio 3D amplia as sementes em cerca de 200 vezes.
E revela qu�o extraordinariamente complexa
A superf�cie de uma semente pode ser.
N�o h� duas esp�cies iguais.
Estas imagens receberam colora��es artificiais,
Mas v�rias de suas formas ainda n�o t�m explica��o.
Algumas estruturas, por�m, t�m fun��es claras.
Elas ajudam a semente a alcan�ar um de seus objetivos prim�rios
Viajar.
V�rias sementes confiam em correios animais.
O carrapicho americano
Se liga ao pelo ou pele de qualquer animal que passa
Que acaba sendo fisgado por esta barba de espinhos.
A fascinante estrutura adesiva destas caroneiras
Inspirou a inven��o do Velcro.
Algumas sementes carregam um pequeno pacote de gordura nutritiva
Que persuade uma formiga a lev�-la para seu ninho subterr�neo.
Onde, ap�s entregar sua gordura como ped�gio para as formigas, a semente
Pode germinar em seguran�a.
As sementes de orqu�deas s�o min�sculas
E s�o produzidas aos milh�es.
Elas s�o levadas pelo vento como poeira.
Ao contr�rio, esta semente muito maior tem uma membrana chata
Que serve como asa
De forma que ela pode flutuar por grandes dist�ncias usando o vento.
Outras sementes que se espalham usando o vento como o pincel amarelo
T�m textura de um favo de mel.
Estas esculturas complexas
Permitem que as sementes peguem a menor corrente de ar
E navegue por t�rmicas
Percorrendo longas dist�ncias a partir de suas plantas m�e.
Mas estas imagens tamb�m revelam
A incr�vel resist�ncia da c�psula externa da semente.
A resist�ncia talvez seja a chave
Para a sobreviv�ncia de todas as plantas
Porque as sementes podem sobreviver a todos os tipos de dificuldades.
Esta planta � chamada pincushion.
E cresce no sul da �frica.
E esta amostra em particular � algo como um milagre.
Em 1803,
Um navio de guerra ingl�s capturou um navio mercante holand�s
Que voltava do Cabo da Boa Esperan�a.
E a bordo, no compartimento de carga, encontraram um pacote de sementes.
Quando chegaram de volta � Inglaterra,
As sementes foram para a corte de Londres e l� ficaram por muito tempo.
Mas, eventualmente, conseguiram chegar aqui em Kew
E una delas,
Germinou e produziu esta planta
Depois de 200 anos,
S� para mostrar quanto tempo as sementes podem sobreviver mesmo sem ajuda.
Esta habilidade de durar
Inspirou o �ltimo projeto revolucion�rio de Kew.
Seu objetivo final � garantir a sobreviv�ncia
De cada esp�cie de planta existente na terra.
O trabalho � realizado no subsolo
Em um labirinto de cofres selados
Que s�o cercados por a�o e concreto.
� o chamado banco de sementes do mil�nio de Kew.
Seu conte�do � t�o valioso
Que ele foi especificamente desenhado para resistir ao impacto
De bombas ou desastres a�reos.
Dentro destes cofres h� sementes
Recolhidas de plantas por todo o mundo.
Na verdade, cerca de 10% das esp�cies conhecidas do mundo
Est�o representadas aqui.
O cora��o do Projeto de Banco de Sementes
� este gigantesco congelador
Cheio de sementes em potes selados.
As condi��es aqui dentro s�o perfeitas para armazenamento por longo tempo.
Mas o trabalho tem a ajuda da pr�pria natureza das sementes.
A semente � o est�gio no qual a planta pode permanecer dormente
Esperando pelas condi��es corretas para germinar.
Dentro da semente, h� uma reserva de comida.
Por fora h� uma forte c�psula protetora
Que a protege contra predadores ou danos.
Na verdade, a semente � uma esp�cie de c�psula do tempo
Que pode sobreviver as vezes por uma d�cada,
Outras vezes por s�culos.
O objetivo do banco de sementes
� prolongar este per�odo pelo maior tempo poss�vel.
Para fazer isso,
Eles limpam as sementes,
Secam
E as colocam em potes como este,
E as mant�m aqui na temperatura de -20�C.
Por quanto tempo elas conseguem sobreviver nestas condi��es?
Ningu�m sabe,
Mas � certo que ser� por um per�odo de tempo bem grande.
Novas amostras chegam ao banco de sementes todos os dias.
Elas s�o primeiro identificadas e estudadas em detalhe microsc�pico
Pelo morfologista chefe, o Dr. Wolfgang Stuppy.
O �ltimo relat�rio israelense conta que
Sementes de palmeiras foram encontradas
no Grande Pal�cio do rei Herodes em Masada.
E germinaram dois mil anos depois.
Sabemos, ent�o, que � poss�vel e este
� o princ�pio apoia o "Banco de sementes":
Que as sementes podem sobreviver por mil anos se necess�rio.
A longevidade da maior parte das sementes n�o � conhecida,
Ent�o elas precisam ser verificadas regularmente.
Periodicamente amostras de sementes s�o removidas dos cofres para germinar
Se a maior parte cresce,
O lote inteiro retorna para os cofres por mais uma d�cada.
E as vezes uma amostra falha,
Como estas sementes de anemona,
Que, apesar de germinarem em condi��es esterilizadas,
Foram contaminadas por fungos.
Quando isto acontece,
Os cientistas precisam descobrir o porqu�
E como evitar que aconte�a novamente.
O projeto do Banco de Sementes ainda est� em sua inf�ncia
Mas h� evid�ncias de que n�o h� tempo a perder.
Aqui j� h� sementes armazenadas de plantas
Que agora est�o extintas na natureza.
O problema �, bem, v�rias pessoas n�o entendem,
Que se uma esp�cie � extinta,
Quer dizer que foi embora para sempre.
Houve cinco extin��es em massa na hist�ria da terra.
Ap�s cada extin��o em massa,
Levou cerca de 4 a 20 milh�es de anos
Para que a biodiversidade chegasse perto dos n�veis de pr�-extin��o
Mas n�s n�o podemos esperar quatro milh�es de anos,
Para que a vida volte ao normal.
Ent�o, se n�o guardarmos aqui as sementes,
E esta esp�cie de planta for extinta,
Ser� perdida para sempre para a humanidade.
Por sorte h� um grande apoio
Por tr�s do projeto do Banco de Sementes.
Pelas pr�ximas poucas d�cadas,
Estas prateleiras ser�o preenchidas at� o fim de sua capacidade.
H� espa�o o bastante aqui para guardar sementes
De cada esp�cie de planta deste planeta.
Mas este lugar n�o � apenas uma ap�lice de seguro
Contra o apocalipse definitivo.
Isto tem grande valor no momento.
Pois quando descobrimos
Que uma planta est� chegando � beira da extin��o,
Podemos agora aumentar seus n�meros com sementes daqui
E, assim, garantir que nenhuma esp�cie de planta do planeta seja extinta.
A estimativa � de que
Existam 400,000 esp�cies de plantas no planeta.
N�o podemos entender as vidas de cada uma delas.
Mas aqui, nos jardins bot�nicos de Kew,
Um dos ber�os da bot�nica cient�fica,
Come�amos a vislumbrar seu mundo extraordin�rio.
Kew ainda est� na vanguarda da pesquisa bot�nica
Ajudando a garantir que n�o s� entendemos as plantas,
Mas as protegemos em toda sua atordoante variedade.
E aqui, podemos ver
Como as plantas de todos os habitat e ambientes
Est�o intrincadamente conectadas com os animais
E com os fungos.
As plantas n�o s� d�o ao mundo muito de sua beleza,
Mas elas s�o a pr�pria base
De toda a vida na terra.
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