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Original subtitles

Conforme o crep�sculo traz a penumbra,

a escurid�o se enche de vida.

Essas luzes dan�antes ao meu redor s�o produzidas por vagalumes,

criaturas que possuem a estranha capacidade de produzir luz.

A bioluminesc�ncia.

E os vagalumes n�o s�o os �nicos.

Cientistas encontram cada vez mais estranhas e maravilhosas

formas de vida brilhantes ao redor do mundo.

Luz viva sempre me fascinou.

E as descobertas de cada vez mais criaturas luminosas criam

mais e mais quest�es.

Por qu�? Para que serve a luz? Como ela � gerada?

Nos �ltimos anos,

os cientistas tentam encontrar respostas para estas perguntas.

E ao faz�-lo,

nos trazem um mundo muito diferente do nosso.

Por mais impressionantes que estas imagens possam ser, s�o todas reais.

Com o auxilio de novas c�meras, feitas especialmente para este filme,

podemos revelar este fen�meno extraordin�rio

como nunca feito antes.

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A bioluminesc�ncia guarda in�meros mist�rios.

Mas n�s sabemos os vagalumes a utilizam para atrair o sexo oposto.

Cada esp�cie possui seu c�digo de flash, e n�s podemos entrar na conversa.

Eu vou usar esta haste para pescar vagalumes.

Ela foi utilizada pelo cientistas que foi o primeiro

a decifrar os variados chamados luminosos dos vagalumes.

E h�, pelo menos, 15 esp�cies ao meu redor.

Cada uma com seus pr�prios sinais.

O bi�logo Jim Lloyd usou a haste para imitar vagalumes machos

e ent�o decodificou in�meros padr�es de luz.

Ele descobriu que o sinal de chamada consiste, em parte,

a trajet�ria de voo de cada esp�cie.

Aqui, por exemplo,

alguns vagalumes se movimentam horizontalmente, deste jeito.

E h� outros que

piscam conforme ascendem, assim.

Mas em adi��o ao padr�o de voo, eles piscam um sinal em particular.

Mais ou menos como C�digo Morse.

Eu posso, ent�o, usar esta luz para ilustrar.

H� uma f�mea entre estas folhas,

que ir� emitir um �nico flash.

E o macho de sua esp�cie aguarda por 4 segundos cravados,

e a responde com um flash.

Ela, ent�o, emite um outro flash, como este.

E o macho descobre quer ele � um visitante bem-vindo.

Mas, recentemente, constatou-se que as mensagens s�o mais

um simples sinal sexual.

A f�mea julga a qualidade dos genes do macho

pela precis�o de seu timing e pelo brilho de sua luz.

Ela encoraja seu pretendente ao focar sua luz nele.

E parece que este macho cumpriu todas as suas exig�ncias

N�s descobrimos atualmente

que esta linguagem luminosa possui seus dialetos locais.

Ao longo dos meses de ver�o, da Fl�rida ao sul do Canad�,

jardins, campos e florestas iluminam-se com estas mensagens de amor.

Fotografia em time-lapse revela

a extraordin�ria extens�o de suas cortes.

Algumas esp�cies brilham apenas durante o crep�sculo.

Outras preferem os doss�is para seus shows de luzes.

Algumas esp�cies aumentam a pot�ncia luminosa ao escolher

os locais mas escuros para brilhar.

Eu n�o posso ver praticamente nada al�m dos flashes aqui.

E esta esp�cie em particular possui outro truque.

Ela sincroniza suas exibi��es.

Os indiv�duos piscam juntos.

Cada animal � seguido por seu vizinho,

e logo ondas de luz pulsam pelo bosque.

Acelerado, algo fica claro.

Entre as ondas,

uma f�mea impressionada pode responder com dois flashes.

E os machos se direcionam a ela.

Mas ela s� pode escolher um.

Estas exibi��es acontecem apenas em algumas noites de junho,

o que pode explicar o motivo de ter sido descoberta apenas recentemente.

Porque eles piscam juntos ainda � um mist�rio.

� surpreendente o qu�o pouco sabemos sobre a bioluminesc�ncia.

Vagalumes s�o, talvez, os mais bem estudados

mas algumas luzes vivas continuam desconcertantes.

Como amanhecer, os sinais sexuais dos vagalumes s�o ofuscados

pala crescente ilumina��o do ambiente.

Os vagalumes buscam ref�gio na relva,

distantes da vis�o dos predadores diurnos.

Mas neste exato momento,

luzes s�o produzidas por formas de vida no solo abaixo de meus p�s.

As hifas de certos fungos formam uma rede incandescente subterr�nea.

Mas por que fungos brilham na escurid�o permanente do solo?

N�s n�o sabemos.

E, por anos, a bioluminesc�ncia de fungos,

como muitas outras luzes vivas, foram descritas como

um belo subproduto evolutivo, sem fun��o.

Mas algumas esp�cies brilham acima do solo, apenas de noite,

quando suas luzes verdes intensas s�o bem �bvias.

Se s�o apenas um acidente bioqu�mico, como se acreditava,

elas deviam brilhar o tempo todo.

O brilho certamente atrai insetos

e a teoria � que esses visitantes espalham os esporos dos fungos.

Ent�o aqui, assim como com os vagalumes,

n�s aprendemos coisas novas a todo momento.

Mas muitas luzes vivas continuam sendo um belo enigma.

Ao longo da hist�ria,

contos de bioluminesc�ncia eram tratados como pura fic��o.

Na d�cada de 1870, J�lio Verne, o novelista de fic��o cient�fica franc�s,

escreveu isso em seu livro, 20.000 L�guas Submarinas:

"As sete da noite, nosso navio, imerso pela metade,'

'viajava por um mar de leite.'

'Ao primeiro sinal, o oceano pareceu se lactinizar.'

'Todo o c�u era negro em contraste com'

'a alvura das �guas."

J�lio Verne talvez baseou sua hist�ria

em um mito contado a ele por marinheiros.

Mas em 1995, o capit�o de um navio ingl�s escreveu

um evento real em seu di�rio de bordo.

"As 18:00 horas em uma noite clara sem lua,'

'a 150 milhas a leste da costa da Som�lia,'

'um brilho branco foi observado no horizonte.'

'E cerca de 15 minutos depois, o navio foi completamente cercado'

'por um mar cor de leite, com uma fraca luminesc�ncia uniforme.'

'E pareceu que, por um momento, o navio navegava'

'por um campo de neve ou por entre as nuvens."

Registros como esse s�o t�o raros quanto os supostos avistamentos

do Monstro do Lago Ness.

E n�o h� evid�ncias fotogr�ficas.

Alguns cientistas, como o bi�logo marinho Steven Haddock,

estavam curiosos, e encontraram confirma��es vindas do c�u.

N�s sabemos que pod�amos encontrar nestes registros de navega��o

onde eles recordaram estes mares de leite,

e encontrar dados de sat�lite que cubram

aquela �rea no mesmo tempo.

Ent�o nos valemos de imagens de sat�lite a partir do relat�rio de 1995

e o que se seguiu foi um momento eureca.

N�s tratamos a imagem de sat�lite

que mapeamos a partir dos registros n�uticos e essa forma de 300 km

emergiu do mapa exatamente onde o navio havia reportado.

Foi um momento realmente incr�vel.

Pudemos documentar a extens�o completa do mar de leite

por tr�s noites sucessivas, em rota��o com as correntes.

Ent�o imagens de sat�lite da era espacial validaram

uma pe�a do folclore marinho.

Em raras ocasi�es, os oceanos brilham.

Mas o que causa um brilho t�o poderoso

que pode ser visto do espa�o?

A resposta pode ser obtida em uma geladeira abandonada.

Ap�s alguns dias, este pargo come�a a brilhar.

O peixe em si n�o possui a habilidade de produzir luz.

De fato, o brilho prov�m de bact�rias que s�o encontradas

em praticamente qualquer �gua do mar, quando come�am a decompor peixes.

Em raras ocasi�es, quando correntes e temperatura causam uma explos�o

de algas no oceano, estas bact�rias tamb�m se nutrem de algas mortas.

Quando atingem certa concentra��o,

suas secre��es estimulam outras a brilhar.

Elas brilham em tal n�mero que podem ser detectadas

por um sat�lite em �rbita.

Bact�rias est�o entre as mais antigas formas de vida,

ent�o possivelmente foram as primeiras criaturas a brilhar.

Mas o motivo delas fazerem isso ainda � debatido.

Atualmente, alguns animais roubaram os genes das bact�rias,

os incorporando ao seu pr�prio DNA.

Outros simplesmente sequestraram as bact�rias.

Estas luzes s�o produzidas por cativos,

que s�o pastoreadas em �rg�os especiais sob os olhos dos peixes-lanterna.

Eles aproveitaram o brilho bacteriano para fins diversos.

N�s s� os enxergamos porque nossas c�meras especiais usam luz infravermelha.

Mas para um predador, os peixes est�o assim.

Uma confus�o de luzes que dificultam mirar em um �nico alvo.

Pouco antes de mudar de dire��o, o peixe pisca repentinamente.

Essas luzes tamb�m possuem outras fun��es.

Elas funcionam como faroletes que iluminam o fundo do mar

enquanto os peixes buscam alimento.

Elas tamb�m podem auxiliar um peixe a flertar com o sexo oposto.

Ao contr�rio da bact�ria cativa,

peixes-lanternas usam suas luzes para fun��es que hoje entendemos.

Mas como a luz � feita?

Pode parecer m�gica,

mas na verdade trata-se de uma simples rea��o qu�mica que ocorre

quando uma subst�ncia se mistura com uma enzima em particular, como esta.

Em um piscar de olhos, luz!

A f�rmula qu�mica varia de acordo com a esp�cie.

A rea��o � muito semelhante ao meio em que as bact�rias produzem energia.

De fato, � bem poss�vel que a primeira bioluminesc�ncia

seja um subproduto deste processo.

Um acidente evolutivo que foi assimilado pelos peixes

para auxili�-los na sobreviv�ncia.

A qu�mica envolvida � inofensiva.

De fato, voc� pode comprar um pirulito que,

quando em contato com �gua, brilha.

Mas, para ser sincero, eu n�o o acho muito tentador.

Talvez, em meu subconsciente, h� uma mem�ria

de bact�rias em um peixe podre, que me dizem

que coisas que brilham n�o s�o boas para comer.

Bact�rias podem ter gerado as primeiras luzes vivas,

mas muitos outros organismos tamb�m desenvolveram essa habilidade.

De �guas-vivas a fungos e insetos,

a bioluminesc�ncia evoluiu independentemente em cerca de 50 casos,

e hoje � produzida por milhares de esp�cies diferentes.

E a defesa parece ser uma fun��o comum.

Mil�pedes s�o encontrados por todo o globo.

Muitos s�o ativos durante o dia,

percorrendo o solo �mido de florestas.

Eles podem fazer isso tranquilamente, pois ostentam venenos mortais.

Suas cores brilhantes s�o uma mensagem clara aos predadores:

"N�o me coma, estou cheio de cianeto!"

Mas e em rela��o aos mil�pedes noturnos?

Eles n�o s�o menos t�xicos do que os diurnos.

Mas, � claro, as cores n�o importam tanto de noite.

Ser� que essa luminesc�ncia � uma forma

de alertar os predadores da noite?

Esses mil�pedes extraordin�rios s�o encontrados

apenas nas altas montanhas da Calif�rnia.

Sua bioluminesc�ncia nunca foi filmada.

Eles n�o podem enviar sinais uns aos outros porque s�o cegos.

Suas luzes vivas evolu�ram separadamente das bact�rias,

de um processo qu�mico que auxilia os mil�pedes a conservarem �gua

em ambientes secos.

Mas desde que os mil�pedes contenham cianeto,

a luz evoluiu com uma fun��o.

Aos meus olhos, ele n�o parece t�o brilhante.

Mas meus olhos n�o s�o os olhos de um predador noturno,

ou mesmo nossa c�mera especial.

E para eles,

isso pode parecer muito brilhante e, por ora, um perigo a ser considerado.

Quando cientistas fizeram modelos destes mil�pedes,

metade do quais brilhavam,

os predadores noturnas tendiam a atacar os que n�o brilhavam.

Este experimento simples produziu um resultado claro.

Luz viva pode atuar como um aviso.

Mas provar a fun��o da bioluminesc�ncia nem sempre

� algo f�cil, como estudos recentes mostraram.

Estas s�o, com certeza, criaturas de fic��o cient�fica.

Minhocas luminosas.

Alguns anos atr�s,

uma senhora que vive em Loire Valley, no centro da Fran�a,

saiu de casa � noite atr�s de seu cachorro, que cavara um buraco no jardim.

E no meio do buraco, o solo estava brilhando.

Foram essas minhocas. Ela mal podia acreditar em seus olhos.

Ela contou �s pessoas o que havia visto,

e poucos acreditaram nela.

A esp�cie de minhoca, como j� se sabia, se encontra

em boa parte da Fran�a, mas nunca havia sido vista brilhando.

Talvez porque poucos saem de sua casa, no meio da noite,

e cavam um buraco, especialmente se luz.

Mas eventualmente, a ci�ncia descobre essas criaturas.

Mas por que elas brilham na escurid�o do solo?

Ningu�m sabe.

Essa luz azul n�o foi noticiada pela ci�ncia at� 2010,

quando o bi�logo Marcel Koken viu esse brilho estranho pela primeira vez.

N�s estamos tentando descobrir o motivo deste animal produzir luz.

Uma coisa que vive no subterr�neo. Por que ela brilha?

Aparentemente, n�o h� uso.

� apenas um subproduto de uma via qu�mica?

Ou o brilho serve para espantar agressores?

Estes besouros-tigre s�o predadores vorazes que amam minhocas.

As minhocas parecem normais at� a luz esmaecer.

Nossas c�meras especiais nos d�o

uma vis�o privilegiada do que acontece na escurid�o.

Os experimentos de Marcel mostraram que as minhocas

podem controlar seu brilho.

Quando o besouro toca parte da minhoca, a luz se torna mais brilhante.

Pode ser que, em um ataque onde � mordido,

a luz aumenta, o que assusta o predador.

O predador bate em retirada e a minhoca pode escapar.

O besouro ataca, e o corpo inteiro da minhoca

brilha enquanto ela luta para se desvencilhar.

Mas o besouro n�o se sentiu amea�ado pela luz.

Se � para defesa, n�o funcionou com essa aqui.

Marcel ainda procura entender a fun��o.

Talvez outros predadores se intimidem ou talvez as minhocas

usam a luz para se localizarem.

Por ora, essa bela luz possui uma fun��o

que ainda n�o entendemos.

O mundo das luzes vivas � cheio de mist�rios.

As minhocas francesas n�o foram noticiadas por tanto tempo

porque sua luz estranha � produzida no subsolo.

Mas h� raras ocasi�es

em que a vida luminosa se revela.

Maio de 2015.

Enquanto a aurora austral iluminava o c�u noturno,

o mar produzia uma estranha luminesc�ncia azul.

Cada onda causava um estopim intenso de cor.

Os animais da ba�a foram os primeiros a serem informados.

Aves limn�colas foram atra�das por pequenos crust�ceos

tra�dos pelo brilho.

Cada movimento alertava outros deste raro espet�culo.

As pessoas se juntaram para apreciar esse evento em uma vida.

� incr�vel!

Eu nunca vi algo assim em minha vida.

Que loucura!

Pode parecer algo relacionado � Fant�stica F�brica de Chocolate,

mas este fen�meno � real.

Uma explos�o em massa de micro-organismos causada por

uma rara combina��o entre clima e nutriente.

Neste microsc�pio, eu tenho uma gota de �gua do mar comum.

E ela est� cheia de pequenos organismos, invis�veis a olho nu,

chamados dinoflagelados.

E se eu os estresso de alguma maneira,

eles combinam dois qu�micos em seus corpos para produzirem um flash de luz.

Observe.

Dinoflagelados s�o uma das maiores

criaturas unicelulares conhecidas.

Eles s�o 1.000 vezes maiores do que as bact�rias.

N�o s�o nem animais nem plantas,

mas possuem caracter�sticas de ambos,

e quando as condi��es s�o boas no mar, como foi na Tasm�nia,

eles explodem e n�meros imensos.

Mar�s bioluminescentes como esta s�o raras.

Entretanto, dinoflagelados s�o encontrados em massa ao longo do mundo.

Eles est�o entre os mais distribu�dos seres bioluminescentes.

Onde quer que existam,

essas criaturas unicelulares brilham qualquer coisa que se move.

Mas por que os dinoflagelados se comportam assim?

Certamente n�o � para nos entreter, embora o fa�a.

Bem, pode ser uma esp�cie de alarme,

como quando um camar�o, ou outro animal,

que se alimenta de dinoflagelados filtrando-os,

comece a se alimentar e,

em consequ�ncia, ilumina a si mesmo.

Isso atrai a aten��o de peixes grandes,

que se alimentam do camar�o.

Assim como um alarme intermitente alerta a pol�cia de um ladr�o,

os dinoflagelados exp�e seus atacantes aos predadores.

O camar�o � revelado a uma s�pia, com resultados fatais.

E assim, a s�pia pode ca�ar na escurid�o total.

Mas enquanto a luz dos dinoflagelados pode ter essa fun��o,

ainda � debatido se � o real motivo deles brilharem.

Qualquer que seja o motivo, a m�gica das luzes pode ser

um dos mais incr�veis espet�culos da natureza.

Golfinhos na proa de barcos se revelam nos mais belos contornos.

Quando estas luzes aparecem, o jogo entre se ver-sem-ser-visto nos oceanos

muda totalmente.

Talvez os golfinhos se orientem pela luz dos dinoflagelados

para encontrar suas presas.

Apenas atualmente podemos filmar estas cenas com tamanha clareza.

Mas todas as noites, luzes espetaculares brilham

em algum lugar dos vastos oceanos.

O real motivo da bioluminesc�ncia dos dinoflagelados continua

sem provas, outros casos

do efeito alarme foram claramente demonstrados.

Os recifes de corais do caribe s�o uns dos

pontos de mergulho mais frequentados do mundo...

..durante o dia.

De noite, � um mundo diferente.

Um caranguejo procura alimento.

Isso � o que ele estava procurando,

os tent�culos delicados de um ofiur�ide, um parente das estrelas-do-mar.

Mas o ofiur�ide possui uma defesa espetacular.

Quando incomodado, ele desencadeia uma arma deslumbrante, soando o alarme.

Sendo revelado, o caranguejo tenta escapar.

E o caranguejo bem camuflado se torna um alvo f�cil

para o polvo, mesmo na escurid�o.

Foi apenas recentemente que os pesquisadores provaram

que a luz auxilia o ofiur�ide a encarar seus predadores,

ou melhor, os transformar em refei��o.

� em �guas abertas, onde n�o h� esconderijo,

que os alarmes s�o mais efetivos.

Peixes detectam pequenos invertebrados pela silhueta acontra a luz da noite.

Ostracodes, pequenos crust�ceos n�o maiores do que um gr�o de areia,

emergem do recife.

Peixes-cardeais s�o predadores comuns destes pequenos incautos.

Mas quando eles capturam um ostracode,

eles obt�m mais do que desejavam.

Os ostracodes descarregam uma bomba bioluminescente,

uma das mais brilhantes luzes vivas.

E o peixe-cardeal rapidamente o cospe.

A luz � t�o brilhante que pode ser vista atrav�s

do corpo do peixe, temporariamente o cegando,

e o peixe invis�vel subitamente se torna um alvo f�cil.

Ostracodes, com sua bomba de flash,

s�o encontrados pelos oceanos do mundo.

Mas no Caribe,

eles usam seu brilho para atrair tanto quanto para repelir.

� algo que os pesquisadores Gretchen Gerrish

e Trevor Rivers estudam.

A espetacular exibi��o de acasalamento dos ostracodes.

Mas eles n�o podem come�ar o trabalho at� que a lua desapare�a.

Uma noite de lua cheia n�o � t�o escura aos olhos de um organismo

que depende de sua pr�pria luz, e a escurid�o perfeita

� um c�u estrelado, sem sinal de lua.

Mergulhando sem lanternas em uma escurid�o quase completa,

Gretchen e Trevor entram em um mundo pouco visto.

Voc� est� imerso na escurid�o, imerso na �gua.

E pode ver essas estrelinhas flutuando ao seu redor,

produzidas por esses pequenos crust�ceos que mal s�o compreendidos.

Liberando uma pequena quantidade de l�quido incandescente ao nadarem,

os ostracodes machos deixam uma trilha luminosa para tr�s.

A s�rie de pontos � precisamente cronometrada e indica a uma f�mea

onde ele estar� em exatamente meio segundo.

Mas quando um macho come�a a se exibir, outro e outro se juntam a ele.

E conforme eles sincronizam,

eles aumentam a pot�ncia deste espet�culo pirot�cnico.

� uma das coisas mais inspiradoras que eu j� vi.

A cada viagem de coleta, Trevor e Gretchen descobrem novas esp�cies,

cada uma com sua pr�pria linguagem.

Ostracodes e vagalumes usam bioluminesc�ncia

para encontrar parceiros em potencial.

Pode ser um meio eficiente de trocar mensagens,

mas n�o � infal�vel.

Essas mensagens podem ser hackeadas.

H� uma fraude amorosa nessa situa��o.

Aqui, h� uma f�mea de uma esp�cie em particular que,

ao ver machos de esp�cies diferentes passando,

respondem com um sinal espec�fico, atraindo-os.

E quando eles chegam, preparados para acasalar,

ela tem outra maneira de tratar a situa��o.

Ela imita os flashes de outras esp�cies.

Um macho ing�nuo � atra�do.

Vagalumes possuem toxinas que os protegem de muitos predadores.

Mas esta femme fatale n�o se rebaixa.

E o come vivo.

Talvez ela esteja interessada nas pr�prias toxinas.

Ela n�o pode produzir os qu�micos.

Ent�o engana e devora machos de diferentes esp�cies para obt�-los.

Se os machos n�o v�o at� ela, ela vai atr�s deles.

E um bom lugar para procurar � em uma teia de aranha.

Um vagalume macho � enganado.

Conforme o veneno da aranha faz efeito,

os flashes se tornam um brilho constante.

A femme fatale � alertada pelo brilho ofuscante

e voa ao redor da teia para roubar a captura da aranha.

Conforme a aranha luta para manter sua presa,

ela a hipnotiza com sua lanterna.

Usando sua luz, o vagalume pode claramente ver a aranha

e evitar a teia.

A aranha confusa perdeu desta vez.

Em uma paisagem cheia de luzes vivas, os predadores

se tornaram bastante criativos.

Como a superf�cie der uma planeta alien�gena,

estes cupinzeiros possuem inquilinos em suas paredes.

As larvas luminosas de besouros-tec-tec aguardam nos buracos.

Insetos s�o atra�dos at� a morte pela sua luz verde,

como mariposas em l�mpadas.

E a larva de besouro garante

um suprimento de v�timas ing�nuas.

Estes predadores trabalham individualmente.

H� outro inseto mestre na arte de enganar.

Mas trabalha ao longo de comunidades com milhares deles.

Do lado de fora, esta caverna n�o parece t�o especial

como � em seu interior.

A entrada est� cheia de cortinas de seda,

tecidas pela larva de um tipo de mosquinha.

Eles se movem para tr�s e para frente ao longo das rochas,

deixando cordas de saliva pegajosa pendendo pelas paredes.

Quando a noite cai,

as paredes e teto desta caverna parecem um planet�rio natural.

A armadilha est� montada.

A luz azul fria produzida pela cauda das larvas � o engodo.

Outros insetos que eclodem

e emergem nesta caverna institivamente voam para o c�u..

Mas este n�o � um c�u estrelado: � uma armadilha mortal.

A bioluminesc�ncia � uma poderosa ferramenta

para as formas de vida que a possuem.

Mas efeito se d� apenas na escurid�o.

A cada manh�,

o brilho dos raios solares oprimem as luzes vivas.

Para todas as maravilhas da bioluminesc�ncia,

nas plan�cies e bosques da Terra,

h� apenas um lugar onde a luz viva � a chave para a exist�ncia.

O mundo das trevas eternas, as profundezas do mar.

O Western Fire � uma das mais avan�adas

embarca��es de pesquisa do fundo do mar.

Nas profundezas escuras n�o existem limites.

Sem fronteiras, sem esconderijos.

Predadores e presas s�o for�ados a desenvolver

estrat�gias extraordin�rias para se manterem vivos.

E muitos o fazem com o aux�lio da luz.

O Dr. Steven Haddock passou os �ltimos 25 anos estudando

a parte menos conhecida do nosso planeta, as profundezas do oceano.

Acredito que as pessoas veem a bioluminesc�ncia,

essa habilidade de produzir luz, pensam que � uma coisa m�gica,

mas a partir do momento em que voc� v� a diversidade de uso e fun��es

da bioluminesc�ncia para os animais marinhos,

fica claro que ela � parte de toda a ecologia

de seu sistema.

At� recentemente, era totalmente imposs�vel

coletar criaturas bioluminescentes vivas das profundezas.

Mas este submers�vel remoto, conhecido como Doc Ricketts,

� equipado para fazer exatamente isso.

Eles est�o atr�s de novas formas de vida

e pistas para entender como a produ��o de luz evoluiu de maneiras t�o diversas.

Na sala de controle, a milhares de metros acima,

Steve e sua equipe capturam formas de vida de outro planeta.

Que beleza.

Mas na verdade, n�s somos os alien�genas aqui embaixo.

Mesmo altamente tecnol�gico, as c�meras remotas

do Doc Ricketts n�o s�o sens�veis o bastante para gravar bioluminesc�ncia,

ent�o eles usam luzes brilhantes para encontrar e filmar essas criaturas.

Sem poder observar seus poderes luminosos,

a equipe de pesquisa precisa traz�-los para a superf�cie.

Suc��es fracas e vasilhas remotamente controladas

delicadamente sugam e prendem estas criaturas.

Uma lula-vampiro.

Isso!

Peixe-v�bora.

Perfeito.

Oh, veja isso!

E peixe-drag�o.

Eles n�o apenas lembram algo de hist�rias de marinheiros,

monstros de fantasias, eles parecem com eles, tamb�m.

Este � um dos poucos peixes-drag�o que foram vistos vivos.

E um dos ainda mais raros capturados ilesos.

- Isso! - Oh, meu Deus.

Uma vez trazidos ao navio, milhares de metros acima

de seu ambiente natural, n�o h� tempo para demora.

A enorme diferen�a de press�o � suscept�vel

de impedir as habilidades bioluminescentes.

A corrida � para tentar observar tais habilidades

e entender como funcionam.

Em algumas esp�cies, parece ser defensivo.

Como os flashes circulares da �gua-viva Atolla sp.

Ou os feixes de luz ondulante da b�roe.

Em outras esp�cies, como no peixe-v�bora,

as luzes n�o s�o usadas apenas para defesa, mas tamb�m para atrair presas.

Os Pyrosoma sp., col�nias de min�sculas criaturas transl�cidas,

usam a luz para comunicarem-se dentro da col�nia.

Os experimentos da equipe mostraram que, quando uma col�nia come�a a brilhar,

seus vizinhos brilham como resposta.

O que podem estar dizendo?

Gra�as aos delicados m�todos de coleta do Doc Ricketts,

a equipe est� pronta para observar um peixe-drag�o,

vivo e brilhante, um fen�meno que poucos viram.

Qualquer que seja sua fun��o,

h� algo que une todos os tipos de bioluminesc�ncia:

sua beleza sobrenatural.

E esta beleza � resultado de corridas armamentistas evolutivas,

em que a luz � uma arma para cegar ou iludir.

Em resposta, alguns animais desenvolveram os olhos

mais bizarros e sofisticados do planeta.

O raro olhos-de-barril possui olhos que s� podem olhar para cima,

ao longo do topo de sua cabe�a transl�cida.

Em busca de presas no alto.

Ele � t�o raro,

que o vislumbre de um vivo � uma grande realiza��o.

E o mesmo vale para a lula-estr�bica.

Ela possui um olho normal e um estranho, virado para o alto.

Nestas profundidades, � demasiado escuro para o olho humano.

Mas a mais fraca luz da superf�cie,

a meio quil�metro acima, pode chegar � zona doo crep�sculo.

Lulas-vagalume normalmente vivem a estas profundidades.

Para prevenir de serem vistas de baixo,

elas se escondem usando luz.

� um estranho paradoxo.

Neste mundo sombrio, luz � usada como camuflagem.

De perto, as c�lulas emissoras de luz, chamadas fot�foros,

s�o facilmente vistas.

Mas a dist�ncia, elas quebram o contorno da lula

e ela se mescla ao fundo.

� uma solu��o elegante utilizada por diversas criaturas

quando suas silhuetas podem ser uma senten�a de morte.

Em �guas mais rasas, a cor de suas luzes muda

ent�o as lulas, mais pr�ximas da superf�cie, usam fot�foros verdes.

As vidas das lulas-vagalume s�o curtas.

Quando possuem apenas um ano,

f�meas fertilizadas fazem sua jornada final � superf�cie para desovar.

Mas mesmo em seus momentos finais, elas s�o espetaculares

e valiosas.

Por toda essa costa,

estas lulas, que morrem naturalmente ap�s desovarem,

se re�nem como uma iguaria local.

Boa parte do conhecimento que temos sobre as lulas-vagalume

se devem a estas pescarias.

Como muitas criaturas do fundo do mar,

suas vidas di�rias ainda permanecem um mist�rio.

O que sabemos agora � que suas vidas dependem da bioluminesc�ncia.

Tivemos um longo caminho desde os vagalumes

nos bosques da Pensilv�nia.

Organismos que produzem luz em terra podem ser excepcionais,

mas no mar,

criaturas que o fazem, como estes cten�foros,

s�o, de fato, normais.

Nos oceanos e em terra,

criaturas vivas dos mais diversos tipos aproveitaram os poderes da luz

de modos extraordin�rios para acasalar,

mentir,

e mesmo se esconder em uma explos�o de luz.

Mesmo com as mais modernas c�meras e tecnologia,

n�s apenas come�amos a entender a vida das criaturas luminosas.

Elas ainda guardam in�meros mist�rios.

Mas que belo mundo elas criaram.

E que belo mundo aguarda os cientistas no futuro.

Ao longo deste programa, utilizamos c�meras

que s�o muito mais sens�veis do que nossos olhos

e t�o sens�veis quanto muitos dos animais que filmamos.

O olho � um dos grandes feitos da evolu��o.

E a natureza certamente desenvolveu alguns exemplos

engenhosamente complexos e sens�veis.

Alguns desenvolveram-se especificamente para enxergar a bioluminesc�ncia.

Quando estamos no escuro, mal notamos a bioluminesc�ncia.

Mas em poucos minutos, mudan�as fisiol�gicas

fazem nossos olhos distinguirem luz viva.

As c�meras sempre tentaram copiar

os feitos do olho humano,

mas com c�meras sens�veis � baixa luminosidade,

podemos agora registrar luzes t�o bem,

e por vezes melhor do que conseguimos.

Mas estar apto para filmar as luzes � apenas parte da solu��o.

Para realmente entender a luz na Terra, voc� precisa registrar

as pr�prias criaturas que brilham.

Essa c�mera permite filmar

em baixa luminosidade de forma completamente inovadora.

O feixe de luz entra pela lente �nica,

mas ent�o � dividido em dois, com uma c�mera com certa

frequ�ncia de luz, e outra outra frequ�ncia distinta.

Uma das c�meras � sens�vel � luz infravermelha,

invis�vel � maioria dos animais, mas que � registrada pela c�mera no escuro.

A segunda c�mera registra a bioluminesc�ncia,

que geralmente � azul ou verde.

As suas imagens s�o combinadas em uma �nica.

E desta maneira voc� consegue imagens de baixa luminosidade,

n�o apenas dos animais bioluminescentes,

mas mesmo do ambiente em que vivem.

Esta t�cnica pioneira do realizador Martin Dohrn,

nos permite entrar no mundo das criaturas bioluminescentes,

e tamb�m contribui para a ci�ncia.

Com este tipo de c�mera, h� v�rias coisas

que posso ver nas imagens que n�o veria em situa��es normais.

No passado, o cientista Marcel Koken era impossibilitado

de estudar as minhocas e besouros sem usar luz.

Mas quando o fazia, a luz assustava os besouros

e diminu�a a bioluminesc�ncia das minhocas.

Com o aux�lio da c�mera de Martin, Marcel est� apto para observar

e registrar o encontro dos besouros e minhocas pela primeira vez.

Como se trabalhar com duas c�meras simultaneamente j� n�o fosse dif�cil,

a equipe decidiu lev�-la para debaixo das ondas.

O objetivo era filmar

a bela exibi��o de acasalamento dos ostracodes,

pequenos crust�ceos de um mil�metro imersos na escurid�o,

em turbilh�o no seu ambiente natural. Uma tarefa herc�lea.

- Martin, como foi essa noite? - Tivemos alguns problemas.

Mas ficou tudo bem. Foi calma, bem calma.

Muito do que vi era absolutamente incr�vel.

O sistema de divis�o de feixes de Martin o permitiu filmar

a bioluminesc�ncia dos min�sculos ostracodes, conforme deixam

sua trilha luminosa pelo caminho.

Por outro lado, os cientistas ainda n�o est�o felizes.

A bi�loga marinha Gretchen Gerrish espera que o sistema

auxilie a filmar grupos de machos que n�o est�o brilhando,

nadando ao redor dos indiv�duos que brilham.

Algo visto apenas em laborat�rio.

Estes machos, chamados de furtivos, s�o invis�veis �s c�meras normais,

pois n�o deixam uma trilha luminosa.

Mas nossa c�mera, apelidada Bertha, pode mudar isso.

- Ent�o, como Bertha se saiu? - Bertha foi �tima.

Ela filmou os furtivos e d� at� para v�-los nadando.

Eles s�o sem-vergonha.

O que voc� acha, Trevor? Fizeram uma boa tomada?

Foi espetacular.

Isso abre muitas portas.

Os cientistas est�o preparados para ver

as imagens combinadas de Bertha.

O infravermelho mostra um grupo em espiral de machos,

com a inten��o de interceptar a f�mea antes que ela alcance o macho

que fez o trabalho duro de atra�-la.

E h� mais machos competidores

do que os cientistas esperavam.

� uma sopa de ostracodes. H� milhares deles.

O que, aos nossos olhos, � uma bela exibi��o ordenada, de fato,

� um cada um por si ostracoidal.

V�rios machos tentando se aproveitar dos esfor�os de poucos.

A quantidade de informa��o que voc� pode tirar disso

n�s tentamos obter nos �ltimos cinco anos.

Temos um artigo bem aqui...

..neste pequeno v�deo?

Quase isso.

Mas aparatos high-tech foram apenas parte da hist�ria.

J� que muito da bioluminesc�ncia � pouco conhecida,

encontr�-las por si s� j� era dif�cil.

A equipe est� pronta para conseguir suas tomadas mais ambiciosas.

Hoje, iremos tentar encontrar

e filmar algo que conhecemos por todo o mundo,

e acontece todas as noites em todos os oceanos, em qualquer lugar

e ainda assim, em termos de levar informa��es �s pessoas,

de onde podemos encontr�-lo

e a melhor �poca para v�-lo, n�o h� quase nada.

Conforme a noite cai, eles rumam para longe das luzes artificiais.

E logo, eles est�o navegando em �guas cheias de dinoflagelados.

Esses flashes azuis podem ser vistos

em qualquer oceano de noite, sem luzes.

Mas a equipe n�o veio para film�-los sozinhos.

Eles est�o esperan�osos em encontrar visitantes especiais.

Trabalhar em um barco que se mexe na mais completa escurid�o

com uma prot�tipo de c�mera foi um dos mais dif�ceis trabalhos

da carreira de Martin.

Ap�s uma semana de patrulha pelo mar escuro, eles encontraram.

Golfinhos.

Estar no barco de noite, com o c�u claro e a luz das estrelas,

com todos esses flashes de luz ao seu redor,

e chegam os golfinhos, o show fica ainda mais extraordin�rio.

� certamente uma das coisas mais incr�veis que vi em minha vida.

Cenas como essa est�o acontecendo por todos os oceanos,

ainda que esta � uma das poucas vezes que j� foram filmadas.

Novas tecnologias e ideias est�o criando

uma revolu��o na maneira como vemos o mundo.

E no entendimento da vida que brilha.

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