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Original subtitles

Legendas por: RosaeCrucis

- Achas que s�o mesmo revolucion�rios? - Cala-te!

Aten��o!

Direita, volver!

Apresentar armas!

N�o se aproximem mais!

O que querem voc�s?

Queremos ver um homem chamado Lenin.

Para tr�s!

J� vos disse para recuarem!

N�o se aproximem mais!

J� vos disse para recuarem! � uma ordem!

Fa�am o que vos disse!

S� queremos ouvi-lo falar!

J� vos disse para recuarem!

Ali est� ele!

Vi-o numa fotogafia. � ele! � o Lenin!

- Lenin! - Lenin!

Paz!

Paz!

Paz! Paz!

� ele!

� ele!

Lenin, fale connosco!

S�o camaradas. Quebrados mas cheios de esperan�a!

S� querem umas palavras e depois v�o-se embora satisfeitos!

Eu posso falar com eles.

O Radek � a melhor op��o.

Ele pode explicar-lhes a raz�o de n�o lhes poder falar e mand�-los embora!

Camaradas!

- Camaradas! - Calem-se! Vamos ouvi-lo!

Sou Karl Radek, do Partido Social-Democrata polaco.

Onde est� o Lenin?

Onde est� o Lenin? Queremos ouvir falar o Lenin!

Lenin vai a caminho da R�ssia

para dar inicio a uma revolu��o mundial.

Mas ou�am, Lenin est� num comboio que � extraterritorial.

Ele deu a sua palavra em como n�o faria discursos na Alemanha

e tem de cumprir essa promessa.

� como se estivesse para l� das fronteiras do seu pa�s.

J� foi derramado demasiado sangue! Deponham as armas!

Mataram os nossos filhos e os nossos maridos! Queremos a paz!

- Queremos a paz! - Paz!

- Paz! - Paz!

- Queremos a paz! - Paz!

Tal como iremos dizer aos nossos irm�os russos.

Deponham as armas!

- Corram com os imperialistas. - N�o, n�o, n�o!

Acabem com este fraticidio.

E combatam a �nica luta que vale a pena ser combatida!

A guerra contra os inimigos do povo!

Que pensa ele que est� a fazer?

Perdeu o ju�zo?

Paz! Paz!

Lenin! Lenin!

N�o h� alegria maior do que esta!

A de ouvir o povo alem�o a gritar por uma revolta!

Viva o Socialismo! Viva a Revoluc�o! Viva Lenin!

N�o, n�o, n�o!

Viva o Socialismo! Viva a Revoluc�o! Viva Lenin!

P�ra! Raios te partam!

Sabes o que est�s a fazer? Est�s doido?

Passem � pr�tica as vossas palavras!

Corram com os militares! Corram com o Kaizer!

P�ra com isso! J� foste longe de mais!

Basta, Radek! Est�s louco?

Eles v�m a�.

Sil�ncio!

Parem com a gritaria!

Voc�s s�o militares! Acabem com a rebeli�o!

Sil�ncio!

Guarde j� essa arma!

Volodya, n�o v�s, por favor!

Vai para dentro! Todos para dentro!

Fa�am o que vos digo! Para dentro!

Municiem as vossas armas!

Quero o nome de todos aqueles que gritaram contra o Kaizer!

Quer que cheguem relatos deste incidente a Berlin?

Idiota! Entre para o comboio!

Ponha este comboio em movimento!

O Radek faz um comicio...

Camarada Abromovich n�o interessa fazer disso uma discuss�o. Agora, entre para dentro!

Sargento!

- N�o reporte nada disto. - Sim, senhor.

- Eu mesmo tratarei disso. - Sim, senhor.

Esque�a tudo isto!

- � uma ordem! - Sim, senhor.

- Onde est� o comboio com os russos? - J� partiu.

J� acabou.

Aquela gente s� est� � procura de uma desculpa

para nos dar um tiro na cabe�a.

Venha, vamos embora.

Platten!

Tenho de falar consigo!

Voc� � o respons�vel pelo comportamento desta gente

e falhou com as suas obriga��es!

Pe�o humildemente que me desculpe, Major.

N�o voltar� a acontecer. Prometo-lhe.

Se voltar a acontecer, voc� ser� imediatamente preso,

eu terei de reportar aos meus superiores

e toda a miss�o ser� suspensa!

Zinoviev.

Concordo inteiramente consigo, a miss�o deveria ser suspensa.

Claro que n�o devia!

Apenas quis que acreditassem que sim.

Mas eles quebraram o acordo!

Eu obede�o aos meus superiores e voc� obedece-me a mim!

Voc� esteve prestes a causar uma cat�strofe!

Tenha mais cuidado ou ser� voc� que ser� preso!

N�o use a �gua toda!

Repartimo-la justamente, pelo que n�o comece a lamuriar-se, camarada Levitski!

Fa�a um ch�.

N�o era minha inten��o ser picu�nhas.

Louvado seja Deus, sabe-se l� o que poderei apanhar.

V�-se que voc� teve uma bela educa��o.

Importa-se? Gostava de beber o meu ch� em paz.

Lenin quer ver-te.

Lenin quer ver-te.

Em Zurique atir�mos um tal de Oscar Bloom para fora do comboio, Radek.

O sentimento geral � que ele poderia p�r em risco esta miss�o

mas n�s n�o cont�vamos contigo, pois n�o, Radek?

J� desconfiara de ti em Crac�via.

E tinha raz�o.

Passou-me isso pela cabe�a, mas estupidamente ignorei-o

encantado pelo teu entusiasmo juvenil.

De que lado est�s, Radek?

�s um revolucion�rio dedicado?

Ou est�s a soldo do Governo Provis�rio com a miss�o de me eliminares e � nossa miss�o?

Queres que cheguemos a Petrogrado, Radek, ou queres eliminar-nos?

Ou n�o passas de um perigoso lun�tico? Ou de um louco?

N�o preciso de pessoas dessas junto de mim!

Por favor, acalme-se!

Volodya, n�o te devias exaltar tanto!

Queria a tua opini�o, Nadya. O que achas?

O camarada Radek, comporta-se como um individualista.

Tal conduta � contr�ria � pol�tica do partido e como tal � inadmissivel.

Deixei-me levar.

Vi-me defronte de uma multid�o de alem�es.

Alem�es esses que querem uma revolu��o

e eu..

Eu errei, confesso.

Confesso.

Por causa do Radek, os alem�es podem recuar no acordo

e p�r-nos a todos num campo de prisioneiros.

O que fizeste enquanto ele falava para a multid�o?

Tentei par�-lo.

Dei-me conta do que se estava a passar, mas ele nem deu por mim.

Isso � uma mentira descarada!

Parecia que estavas possu�do.

A verdade � que te mantiveste calado at� eu ter terminado.

Vejo-o de maneira diferente...

Isto s� prova que a prepara��o pol�tica do camarada Radek n�o � a adequada.

A tua � melhor?

N�o passas de um Fronkie!

N�o quero saber das vossas quest�es pessoais!

Est�s no Comit� central, o que sugeres?

Com grande pena, e no interesse do partido, proponho

que o Radek seja expulso

e que saia do comboio na pr�xima paragem.

Ele...

Nadya?

Concordo com o Zinoviev.

O Radek, tem de perceber que embora doloroso para n�s, n�o temos outra alternativa.

N�o acho que tenha necessariamente de ser expulso do partido.

E se decidirmos que ele tem de sair do comboio

ter� de ser na Su�cia pois aqui na Alemanha ele ser� preso

como desertor do Ex�rcito Austro-H�ngaro.

Inessa?

E tu?

Antes de condenarmos o Radek

acho que nos deviamos perguntar quem deixou passar a informa��o.

Como � que aquela multid�o sabia que n�s estavamos neste comboio?

� uma boa quest�o.

- Isso � bem mais s�rio. - Quem ter� sido?

Deve ter sido o Platten.

Como podes estar t�o certa?

A multid�o, os camaradas alem�es

vieram da cantina, do 'bufet' da esta��o.

O Radek permaneceu no comboio.

O Platten foi o �nico a ir l�.

Por que n�o lhe perguntamos?

N�o podemos acusar o Platten, precisamos dele!

Nesse caso, gostaria de terminar com esta inquiri��o

dizendo que o Zinoviev n�o fez qualquer tentativa de silenciar o Radek

at� que a situa��o j� estava fora de controlo.

De facto, e para come�ar, n�o te comportaste como um simpatizante ansioso e atento?

V� l�, camarada, admita-o!

O Platten � culpado por revelar informa��o secreta,

o Radek por difundi-la

e o Zinoviev por n�o o ter evitado.

E eu tamb�m sou culpada, pois eu estava l�

e tamb�m eu

fiquei presa na emo��o daqueles alem�es que pareciam simbolizar a revolu��o mundial.

O camarada Lenin � o �nico que n�o pode ser censurado, juntamente com a Nadya.

Radek, parece que arranjaste um bom advogado.

A Inessa � uma verdadeira camarada.

Ouvi o Major dizer que n�o queria que fosse elaborado qualquer relat�rio.

O adjunto n�o concordou, ouvi-os a discutir, mas o Major levou a melhor.

Camaradas...

Eu sei que estamos todos nervosos e cansados,

mas n�o vou tolerar mais nenhum incidente do g�nero.

Camaradas...

Proponho que quando chegarmos a Petrogrado

a camarada Armand fa�a parte do Comit� Central.

Tu e a Inessa s�o a prova da dist�ncia que separa os homens das mulheres.

Julguei apressadamente o Radek

apesar de ele, desta vez, ter ido demasiadamente longe.

Mas ele � necess�rio, tal como o Platten e, j� agora, o Zinoviev.

Sabes, foi com homens destes que nos �ltimos 20 anos constru� o que constru�.

Fui eu que falei de mais.

N�o pensei.

O assunto est� encerrado, Platten, entre e sente-se.

Este ch� � para um bom camarada sui�o.

For�a.

� bom.

Zinoviev.

Um camarada � mais do que um amigo.

� mais do que um irm�o, n�o achas Zinoviev?

N�o te dou o direito de me dares serm�es, Radek.

Foi um truque nojento!

- Fiz o meu dever enquanto bolchevique. - Isso s�o desculpas.

- Est�s a ser infantil. - Parem, ambos!

Zinoviev, est�s a ser rid�culo.

N�o me escondo atr�s das saias da favorita de ningu�m.

Favorita?

Que tipo de livros andas a ler?

Favorita de quem? V�, diz!

- Como se atreve a insultar a camarada Armand? - Camarada David, o que est�s a fazer?

Ponho-os a ambos fora do comboio!

- Pe�a-lhe desculpa! - David!

Venha para aqui!

Se o camarada Lenin souber disto

bem podes morrer de vergonha!

Sabes, � verdade o que Lenin disse.

Trazemos connosco o fedor da burguesia!

- Inessa, eu... - Deixa-me sozinha, por favor.

Fomos cobardes.

N�o teria sido dif�cil.

Basta s� ter coragem.

Coragem?

Para qu�?

Para nos vermos livres dele.

De quem?

De Lenin?

Ele carrega uma praga que no fim acabar� por nos matar a todos.

� melhor perder.

- Perder? - A guerra.

Uma derrota militar n�o ser� o fim do mundo.

Veja o que fizemos � Fran�a h� 47 anos atr�s

e mesmo assim eles erradicaram o socialismo.

E foi por causa disso que se conseguiram levantar novamente.

O nosso maior inimigo, hoje em dia, � aquele homem.

Ele tem de ser morto.

Pense s�...

N�s podiamos faz�-lo.

Pelo nosso pa�s.

Voc� e eu.

D�-me a sua pistola.

- N�o pode pedir isso a um Oficial. - Fa�a o que lhe dizem!

Se voc� causar problemas

terei de reportar.

Ent�o sempre � verdade, as trompetas do sucesso impedem-nos de dormir.

Ainda n�o sou membro do Comit� Central,

se � a isso que te referes.

S�-lo-�s.

A Nadya apoiar-te-�.

Para ela s� h� um partido e ele chama-se Lenin.

E tudo o que Lenin queira...

Inessa, se a raz�o de n�o entrares e te sentares for eu, pe�o desculpa.

J� estou farta das chamadas diferen�as pessoais.

Eu concordo.

Temos de nos manter unidos para o que o futuro nos reserva.

Queres com isso dizer

que vais votar pela minha nomea��o para o Comit� Central?

Com certeza.

Obrigada, Zinoviev.

Posso sentar-me aqui?

Preciso de ar fresco.

Os primeiros pagamentos j� chegaram.

Metade a Estocolmo, metade a Copenhaga.

Dr. Helfand.

Quem esse julga esse Lenin que �?

Pelo menos podia ter vindo � janela acenar aos seus camaradas alem�es.

Ele est� a obedecer �s minhas instru��es.

N�o queremos uma fanfarra � volta deste comboio

e dar assim vantagem aos nossos inimigos pol�ticos.

Acha que o podem prender quando ele chegar a Petrogrado?

N�o sei.

Darem-lhe um tiro, talvez?

N�o fa�o ideia o que o amador do Kerensky e o seu grupo andam a planear.

E se o fizerem, o que vai fazer?

Tento novamente, com outra pessoa.

Talvez com o Trotsky.

Podia faz�-lo desde j�, o Trotsky est� de regresso da Am�rica.

Pelo menos n�o haveria qualquer problema com comboios alem�es e trai��es.

Mas o Lenin � o Lenin.

Ele estar� disposto a acatar ordens?

O homem n�o � nenhum tolo.

Ele sabe que fui eu que o pus naquele comboio.

E que posso tir�-lo de l� se assim o quiser

mediante certos fatores...

Como o descreveriam?

Decisivos.

O lado financeiro, se � que me entendem.

Seja como f�r, por que raz�o me desobedeceria?

Estou a dar-lhe a sua amada R�ssia e os seus mujiques.

Mas, caros camaradas...

Mal a revolu��o alastre � Alemanha

chegar� a nossa altura de viajar.

Muit�ssimo.

Mam�, j� estamos na R�ssia?

N�o, quem me dera que estivessemos.

Estamos perto de Berlim.

Quando � que chegamos l�?

Aqui, est�s a ver? Aqui � Berlim.

Depois vamos por aqui em dire��o ao mar.

Aqui?

Mam�, como � o mar?

Lembras-te do lago em Zurique? O mar � muito maior.

Muito largo.

- Temos de atravess�-lo de barco. - Num barco grande?

Sim.

E levar-nos-� at� � Su�cia.

Aqui.

Esta cidade chama-se Estocolmo.

Depois apanhamos outro comboio que nos levar� quase at� ao P�lo Norte.

E depois tornamos a descer.

E aqui estaremos, por fim, na R�ssia.

Onde todos s�o boas pessoas.

R�ssia!

Como vou saber que estamos na R�ssia?

Vais ver muitas �rvores altas com ramos manchados de branco.

- Como se chamam? - B�tulas.

Nessa altura saber�s que estamos na R�ssia!

Sem miseric�rdia. Porqu�?

O czar tem de ser julgado e executado, quanto a isso n�o hajam d�vidas.

N�s, os russos, fomos educados a amar o czar,

especialmente os camponeses e isso tem de ser tido em conta!

Exato!

Vejam o que os franceses fizeram ao rei deles!

Executaram-no porque ele era culpado!

Assim n�o havia como voltar atr�s.

Esse tipo de senten�a ter� de ser devidamente avaliada por Lenin.

Est�s quase expatriada!

N�o costuma ser t�o f�cil passar uma fronteira!

Acho que vamos estar parados umas horas em Berlim.

J� sente o cheiro da Teresa?

N�o lhe admito que fale assim da mulher com a qual pretendo casar.

Tenho o maior do respeito por t�o maravilhosa criatura.

A vi�va de um corajoso oficial que preferiu trabalhar num hospital da cruz vermelha

a frequentar toda e qualquer reuni�o da alta sociedade.

N�o, meu amigo, tenho o maior respeito por ela e invejo-o por poder estar com ela.

N�o vou sair deste comboio.

N�o vai querer ver a Teresa?

Um Oficial alem�o n�o vai a lugar nenhum desarmado.

Quando � retirada a arma a um Oficial

isso significa que ele est� sob deten��o ou sujeito a um Tribunal Marcial.

Major Von Planetz.

Capit�o von Buhring.

Estes senhores s�o do Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros.

Onde est� ele?

Na �ltima janela, acol�.

Quais s�o as ordens?

De momento � para aguardar.

Ent�o � ele.

Que cara estranha, parece o chefe dos bandidos.

De onde � ele? Da Mong�lia?

- De Simbirsk. - Onde raio fica isso?

Algures ao longo do Volga.

- Como se tem ele comportado? - Impec�velmente.

Eles querem saber se ele est� disposto a uma troca de ideias.

No comboio, coronel?

N�o. Acho que podiamos suspender esta charada extra-territorial por um bocado.

Com licen�a.

Platten!

Importa-se de se juntar a n�s por um minuto?

O jardim zool�gico tem visitas.

N�o tarda e est�o a atirar-nos nozes.

Eles querem falar consigo.

De modo n�o oficial.

Aceito com uma condi��o.

O Parvus n�o poder� estar presente no encontro,

nem poder� saber que teve lugar.

Mas isso muda tudo!

Compromete tudo!

Faz�-lo de outra maneira tamb�m compromete tudo.

Porqu�?

N�o compreendo.

N�o posso chegar a Estoclmo com o Parvus a manietar-me como um fantoche.

E se os alem�es decidirem apoiar o Parvus ao inv�s de si.

Estar�o errados.

V� l�, camarada, ponha-se a andar.

- Foi exatamente isso que ele disse? - Foi.

Tem a certeza?

Palavra por palavra.

Vou retransmitir a mensagem.

Major.

Coronel.

Com licen�a.

J� chega, crian�as!

Major...

Autoriza que as crian�as saiam por uns instantes?

- Isto aqui parece uma pris�o. - N�o vejo por que n�o?

- Podem descer todos. - Obrigada.

Mas fiquem juntos ao comboio!

Os passageiros v�o descer. Fique de olho neles.

Sim, senhor.

N�o � inven��o, coronel, vi-o com os meus pr�prios olhos.

Algum problema, coronel?

O capit�o Von Buhring contou-me algo de surpreendente, major.

Segundo ele, esse Ulyanov n�o devia ser autorizado a chegar ao seu pa�s de origem.

O capit�o Von Buhring tem estado sob enorme tens�o, coronel.

Uns quantos panfletos assinados por esse Ulyanov foram distribuidos na unidade dele...

Para sermos mais precisos,

um Manifesto pacifista a denunciar o Kaizer, o Ex�rcito...

J� lhe tentei explicar que os Manifestos subversivos desse Ulyanov

prejudicam mais o pa�s dele do que o nosso.

Tal como os nossos pr�prios Altos-Comandos observaram.

Eles sabem o que fazem.

Pe�o desculpa por lhe termos feito perder tempo precioso, coronel.

Cavalheiros.

Por amor de Deus, voc� comporta-se como um louco!

Pare!

Lembre-se que � um Oficial alem�o.

Pe�o-lhe autoriza��o para me ausentar por duas horas.

Para qu�?

- Por causa da Teresa? - Quem mais?

Temos preparativos a fazer para o casamento.

Devia reportar isto.

Mas, por fim, voc� come�a a fazer sentido.

D�-lhe cumprimentos meus.

Espero que voc� seja o meu padrinho.

Rua Edeleiss.

Despache-se!

- � ele? - � sim, senhora.

- Onde est� ele? - No sal�o de entrada.

Leva-o para a sala de estar.

- Tira isto daqui e areja o local. - Sim, senhora.

- Pensava que ele estava na Frente. - Tamb�m eu. Toma.

Despacha-te Vemo-nos depois.

A senhora vem j�.

Teresa, querida.

Qu�o ador�vel tu est�s!

Tens estado constantemente nos meus pensamentos.

E tu nos meus.

Meu querido, pareces t�o cansado.

Como se n�o dormisses. Que guerra!

Ia tomar o pequeno almo�o.

Faz-me companhia.

H� caf�, algo para comer, marmelada, mel.

Que luxo. Tal como quando eramos crian�as.

Quando roub�vamos os bolos.

As coisas por aqui n�o mudaram nada.

Como consegues?

Esquece a guerra.

N�o me queres beijar?

Desculpa, Teresa. N�o estou em mim.

Preciso da tua ajuda, j�! � muito importante.

Preciso que fales com o teu tio por mim.

Ele � amigo �ntimo do ministro Von Burgen.

E da�?

Tenho de me encontrar com ele!

Queres uma audi�ncia com o ministro, � isso?

Tenho de v�-lo o quanto antes, antes que o comboio saia de Berlim!

Que comboio?

S� tenho hora e meia. S� isso!

Est� bem.

Est� bem!

Eu vou j� telefonar-lhe.

Toma o pequeno almo�o.

O meu tio conseguiu-te uma audi�ncia com o ministro para agora.

Ele vai ligar de volta daqui a nada.

O que se passa, querido?

Ulrich! O que foi?

Ulrich!

Ulrich!

Ulrich! Aonde vais?

A verdade!

A verdade! Mais tarde ou mais cedo todos descobriremos a verdade!

Ulrich!

- Sigo por outro caminho? - Porqu�? O que se passa?

Uma manifesta��o. Da classe trabalhadora.

- Paz! P�o! - Paz! P�o!

Mas n�s lutamos pelo nosso Pa�s!

Por v�s!

Quer ver as sepulturas dos nossos rapazes?

Quer ver as nossas feridas?

Quem fizer greve durante a guerra ser� considerado um traidor!

N�s somos o povo, respeite-nos!

Voc�, respeite os seus oficiais!

Repita isso. Repita o que acabou de dizer, se se atreve!

Afastem-se ou eu disparo!

A Pol�cia!

N�o tem frio?

Prefiro o frio ao cheiro que vai naquele comboio.

Voc� n�o disse grande coisa aquando da discuss�o acerca do czar.

Queres saber se ele vai ser condenado � morte?

Quero.

Ele � respons�vel pela morte de um grande n�mero de russos.

Mas n�s n�o somos como ele,

n�o podemos fazer o mesmo que ele.

N�o.

N�s somos diferentes, claro.

Lenin diz que todos podemos ser corrompidos pelo Capitalismo.

Levam v�rias gera��es a enganar-nos.

Para sermos diferentes temos de mudar as palavras.

As palavras?

Estava a pensar no Radek.

Est�vamos a discutir acerca do que ele fez.

E de repente eu percebi que se tratava de um julgamento.

E ele aceitou-o.

Ele admitiu o erro. Ele disse: "Eu confesso".

"Eu confesso."

Est�s a ver o que significa?

Por que raz�o utilizou ele aquela palavra?

Um erro pol�tico � algo que tu admites, n�o o confessas.

Confessas um crime, um assass�nio.

N�o um erro.

N�o ligues...

Acha que o prenderam?

Talvez se v� encontrar com algu�m.

Mas o carro n�o sai dali.

Ent�o, obviamente algu�m est� l� dentro.

Mas quem poder� ser?

Algu�m importante, que toma decis�es.

Talvez um ministro.

Talvez queiram ter a certeza de que Lenin far� a paz.

Talvez.

Pergunto-me o que ele lhes dir�.

Dir-lhes-� que n�o � ele que est� no poder na R�ssia, mas que no entanto,

ir� lutar pela paz no interesse do seu Pa�s.

N�o se vai comprometer?

N�o, � uma declara��o de princ�pios que o Socialismo sempre defendeu.

Sim, eu sei que essa sempre foi a posi��o de Lenin.

Mas desconfio que eles o consigam fazer comprometer-se.

Vai ver.

Seja como f�r, n�o creio que seja esse o t�pico da discuss�o deles.

Ent�o, do que estar�o a falar?

O teu compatriota Stalin andou a assaltar bancos para o Partido.

Dinheiro.

N�o est�s a tentar dizer-me que ele sujou as m�os com subornos dos alem�es.

Tu n�o sujarias as m�os pela revolu��o?

N�o pegavas em armas?

Eu tentei e falhei, mas pelo menos n�o me enganei quanto ao inimigo.

N�o suporto v�-lo de m�o estendida em busca de contribui��es capitalistas.

Uma revolu��o � dispendiosa, camarada Suljashvili.

N�o.

N�o.

Foi apenas uma conjetura. Talvez esteja enganada.

Est� enganada.

Provavelmente.

O que pensa verdadeiramente dele?

Por que me perguntas?

Camarada Armand...

Por vezes voc� � estranha.

Como se estivesse a pensar noutras coisas.

�s vezes, penso nos meus filhos.

Isso � estranho?

O mais velho tem quase a tua idade.

Regressem ao comboio!

Sr. Oficial.

Pode levar os seus homens.

J� n�o precisam mais de n�s.

Daqui a umas horas estar�o num barco a caminho da Su�cia.

Meu Deus, o que lhe aconteceu?

Nada.

Foi atacado?

Por quem? Fale, homem!

- N�o pode andar por a� assim. - Tenho que me juntar � minha unidade!

Tenho que me juntar aos meus homens.

Sim, claro, mas...

- Tenho que regressar � Frente. - O que aconteceu?

N�o estou louco, s� pe�o que me ajude.

- Preciso da sua autoriza��o. - Eu j� percebi, mas o que aconteceu?

Tenho que me juntar aos meus homens.

Lenin chegar� a Estocolmo amanh� e estar� � nossa espera.

- Despache-se, por favor. - Sim.

J� n�o se consegue ver a linha de costa.

Adeus, Alemanha!

Mal ponhamos os p�s em Estocolmo t�m de ir aos correios enviar um telegrama

aos nossos camaradas em Petrogrado a inform�-los que estamos a chegar.

E se f�r intercetado por agentes governamentais?

Enviem-no ao cuidado do meu cunhado. Ele mobilizar� o Partido.

Qual de v�s � o Sr. Ulyanov?

Sou eu.

Recebeu um telegrama, senhor.

O Dr. Helfand, tamb�m conhecido por Parvus, envia-nos os seus cumprimentos cordiais

juntamente com o endere�o da sua firma em Estocolmo,

para o caso de precisarmos.

Um cavalheiro pensa sempre em tudo.

Ele pode causar-nos problemas.

C� nos desenrascaremos sem ele, mas ele ainda n�o sabe.

O que dizem os jornais suecos acerca da Frente Leste?

Que � demasiado sangrenta.

H� noticia de deser��es em massa nas tropas russas.

Obrigado.

Est�o presos por um fio.

A situa��o pode explodir a qualquer momento.

O Governo Provis�rio n�o sabe lidar com isso.

Podem ver-se for�ados a sair da guerra.

Espero que n�o.

T�m de prosseguir.

Se fizerem a paz enfraquecemos consideravelmente a nossa posi��o.

N�o, a paz � a nossa maior arma.

Pois �.

Esperemos que isso nunca venha a ocorrer ao Kerensky.

N�o ocorrer�.

N�o t�m nem a coragem nem a imagina��o

para se libertarem das grilhetas cl�ssicas da opress�o:

O patriotismo.

Fogo!

�s suas ordens, Excel�ncia.

S�o desertores, Excel�ncia.

Revoltaram-se contra os seus oficiais.

E traziam com eles panfletos subversivos.

Excel�ncia.

Aten��o!

Apresentar armas!

Excel�ncia, estes homens pertenciam a uma das melhores divis�es da minha companhia.

Tratou-se mesmo de uma revolta, General?

Sim, foram incitados por esses malditos bolcheviques.

Revoltaram-se contra os oficiais e mataram o pr�prio capit�o.

Foi por isso que dei a ordem para que fossem fuzilados imediatamente.

Tal como p�de ver, Excel�ncia.

O que vai fazer com esta gente?

Estes homens n�o estiveram envolvidos no motim,

apenas desobedeceram a ordens enquanto estiveram na Frente.

No entanto, Excel�ncia, � minha inten��o pegar nalguns deles

e fuzil�-los como exemplo.

N�o.

Somos uma democracia,

necessitamos de soldados e n�o de mais cad�veres para enterrar.

Sei-o de fonte segura que em Fran�a

quando se dava um motim no meio das tropas, os respons�veis eram abatidos,

e isso fez maravilhas pela disciplina, Excel�ncia.

N�o precisamos de li��es de civismo,

nem mesmo dos franceses.

Mande retirar esses guardas armados.

Eu vou falar-lhes, inclusiv� com os amotinados.

Excel�ncia...

N�o pode fazer isso!

Ser� poss�vel que o lend�rio patriotismo dos russos se tenha perdido t�o depressa?

Soldados!

Venham at� aqui! Cheguem-se a mim!

Quero falar-vos aqui mesmo!

N�o me perceberam?

Quero os meus soldados aqui defronte do meu carro.

Por favor!

Voc�s tamb�m! Venham!

Venham para aqui!

Quero falar aos meus soldados!

Cheguem-se!

Soldados, eu compreendo o vosso problema.

At� a voc�s, homens acusados de desobedi�ncia.

Eu falo para todos v�s.

Levantem-se! Aproximem-se! Venham c�!

N�o ser�o castigados!

V�o recuperar o vosso uniforme.

E voltar�o a lutar com honra.

Soldados, eu dou-vos a minha palavra

que, quando a R�ssia ganhar esta guerra,

todos os privil�gios inter-classe ser�o abolidos

e todos v�s ir�o vivenciar uma nova liberdade.

Ser�o efetuadas reformas

e o novo Governo criar� leis

que protejam os vossos direitos enquanto homens

os quais foram, durante muito tempo, ignorados pelo regime do czar.

Sou um socialista

que passou a vida a combater a injusti�a

e isso d�-me o direito de vos pedir

para defenderem a vossa P�tria contra o inimigo.

Sr. Ministro, trago novidades.

Os cabecilhas dos bolcheviques sairam da Alemanha

e est�o agora em Estocolmo.

Conhe�o bem o Ulyanov, somos da mesma aldeia,

o meu pai ensinou-lhe a escrever.

O irm�o dele era um sabotador irrespons�vel e ele tamb�m o �. N�o se preocupe com ele.

Deixai-o vir para a R�ssia, ele pr�prio j� se condenou.

E com as pr�prias m�os.

- Quem pagou tudo isto? - Os nossos camaradas suecos, claro.

Camarada Lenin!

Os nossos camaradas suecos oferecem-lhe um refresco.

Ele vai morder-te!

H� uma data de tempo que n�o comia assim!

Esta comida � �tima!

N�o h� necessidade de decidir t�o depressa.

Enquanto aqui est�, gostaria me enviasse isto.

Muito bem. Muito bem.

- Fique com esse, fico com este. - D�-me esses.

N�o � nada que n�o soubessemos j�, Zinoviev!

Que lindo quarto!

Que belo perfume!

Achas que dariam pela falta dele se o guardasse na carteira?

Tem vergonha!

Como podes sequer pensar nisso?

Est� bem.

Estava apenas a brincar.

D�s-me licen�a?

Usa este.

N�o � necess�rio.

J� est�o quase todos brancos.

Tamb�m j� come�o a ter alguns.

A irm� do Volodya diz que eu pare�o

um peixe.

Trata-me por arenque.

Oh, n�o! Um arenque n�o!

A irm� do Lenin faria melhor em deixar de dizer disparates.

Tens um sorriso lindo.

Apesar de raramente o vermos.

Talvez ela quisesse que ele se tivesse casado com uma mulher mais nova.

E os teus filhos?

Eles sabem que est�s de regresso a casa?

Nem tive como avis�-los.

Nem sei quando os poderei ver.

Vladimir Ilyich, o Dr. Helfand pediu-me que o levasse at� ele.

David!

Se eu fosse fotografado dentro de um carro destes...

- Queres experimentar, Radek? - � o sonho da minha vida.

Preciso de uma pessoa de confian�a aqui em Estocolmo.

Sou devotado a si e � causa, camarada Lenin.

- Pode confiar em mim. - Tem agora a oportunidade de o provar.

Siga!

Vladimir Ilyich...

Tenho a dizer-lhe, em nome de todos,

que mesmo que se recuse a andar em carros de luxo,

tem de arranjar um novo par de botas, e depressa.

Mas eu gosto tanto destas.

E as cal�as tamb�m t�m de ir.

Com as botas velhas as cal�as n�o tinham t�o mau aspeto.

- Os remendos davam um aspeto terr�vel ao Volodya. - Duraram bastante tempo.

Acho melhor passarmos ao departamento seguinte.

Que material maravilhoso!

E que tal um casaco, Vladimir Ilyich?

Como se gastou t�o pouco dinheiro, eu sugiro...

N�o vou para a R�ssia para apresentar o �ltimo grito da moda masculina.

Entre!

Voc� outra vez? Onde est� o Lenin?

- N�o veio! - E quando � que vir�?

N�o veio, Parvus.

Por que raz�o o cavalheiro de Simbirsk n�o me vem ver pessoalmente?

Esteve ao meu lado na �ltimo golpe revolucion�rio.

Costum�vamos ser amigos. O que mudou?

Voc� mudou, Parvus.

Agora � alem�o!

Um negociante rico com gostos caros.

Champanhe, orgias.

Sorte a sua!

Parece esquecer-se que durante anos esvaziei a minha carteira

para ajudar os revolucion�rios no ex�lio, caro camarada.

Se voc� for honesto,

e se se recordar dos seus gostos pol�ticos de juventude,

desaparecia.

Voc� deixou de ser cred�vel enquanto revolucion�rio.

Se n�o levar a mal que lho diga,

t�-lo por perto dificilmente nos vai ajudar a causar boa impress�o junto do povo.

E o Lenin diz-me isso agora?

Depois do o tirar da prateleira.

Por que raz�o n�o mo disse antes?

Ah, claro, eu compreendo.

Primeiro tinha que c� chegar.

Ele acha que se desenrascar� sem dinheiro?

Claro que n�o.

Precisa dele para a Organiza��o.

Aonde vai arranj�-lo?

Talvez n�o tenha percebido...

Os alem�es deixaram-no cair, Parvus.

N�o vai receber mais nenhum dinheiro deles.

Mas ele j� c� est�.

Em Estocolmo e em Copenhaga.

Mas n�o em seu nome.

Como assim?

Telefone ao banco e confirme.

Lenin lamenta imenso ter-lho feito, acredite.

Mas n�o teve alternativa.

Seus tolos idiotas!

Deram cabo do trabalho de uma vida!

A minha obra prima!

E voc�...

Voc� pretende ser o intermedi�rio entre Lenin e eu, seu palha�o est�pido!

Um verme saido dos guetos de Crac�via que se faz passar por um jesu�ta.

E que conversa � essa de orgias?! Como se atreve?

Gosto de mulheres! Isso � uma ofen�a � revolu��o?

Sempre as tratei bem! Pergunte-lhes!

O que voc� n�o percebe � que:

Se n�o fosse eu, com a minha per�cia, a minha diplomacia,

os meus conhecimentos na finan�a,

Lenin nunca seria bem sucedido.

Onde � que voc� estaria agora se n�o fosse eu?

Por que n�o fala com o Lenin?

Fa�a-o ver o quanto ele precisa de mim.

Eu tenho de l� estar com ele.

Explique-lhe o qu�o �til eu lhe posso ser.

Tenho o direito de l� estar juntamente com voc�s.

Lenin n�o lhe vai virar as costas,

mas voc� tem de permanecer em segundo plano.

Em segundo plano...

Mas como um igual, politicamente falando.

N�o, eu � que represento Lenin.

Voc� responde diretamente a mim.

N�o, eu nunca concordaria com isso!

Acredito que vai mudar de ideias.

- Vai ficar aqui? - N�o, vou consigo.

Fa�am uma boa viagem, camaradas.

D�em cumprimentos meus a Petrogrado!

- Por que n�o vem connosco? - Arranjei uma sueca que � louca por mim!

Vamo-nos casar!

Casar consigo? Ela deve estar louca!

Muito provavelmente ela deve ser velha e rica e est� a nadar em dinheiro!

E assim o Radek vai poder aposentar-se sem mais problemas!

Voc� est� � com inveja, camarada.

Adeus, Inessa! Caros camaradas!

Camaradas, saudemos o Radek!

Volodya!

Est�s bem?

Nadya!

O que podemos fazer?

H� algum m�dico no comboio?

Ele n�o quer que ningu�m saiba.

Ele precisa de ajuda. Vou ver se arranjo algu�m.

Ouviste o que eu disse?

Ele nunca nos perdoaria.

- O que se passa? - Ele est� doente.

Nadya...

Se n�o chegar a Petrogrado...

Que est�s para a� a dizer, Volodya?

...diz aos camaradas...

Todo o poder para os sovietes!

Claro que digo. Acalma-te.

N�o te preocupes!

Acalma-te!

Levanta-lhe a cabe�a!

Sovietes, soldados e camponeses!

Acalma-te!

�gua.

Pronto... Pronto.

V�... V�.

Isso... Isso.

Adormeceu.

Nunca te atrevas a comentar isto com quem quer que seja.

H� campos como este na Pol�nia.

Sabes que nome lhe d�o em polaco?

Blon. Lenin chamava-me Bloni.

Costum�vamos dar grandes passeios pelo campo.

Com a Nadya, claro.

Descobriu o que aconteceu?

Do que est�s a falar?

- Se ele... - Com licen�a.

Se ele recebeu dinheiro dos alem�es.

Ele recebe-lo at� de outros, mesmo do Parvus, quando � mesmo necess�rio.

Ele falou-me disso uma vez

e disse-me que era insignificante.

Se n�o compreendes,

se n�o achas insignificante

ainda vais a tempo de voltar para tr�s.

Pensa nisso, camarada.

- Como est� ele? - Est� bem.

Obrigada.

S�o apenas umas ideias.

O que achas?

Qual delas?

A segunda.

Ainda tocas piano?

A 'Appassionata'.

Tu preferias a 'La Pathetique'.

Tivemos as nossas discuss�es � conta disso.

Tal como aquelas acerca do "amor livre"?

Nunca concord�vamos.

Eu concordei.

Convenceste-me que as mulheres n�o deviam casar por seguran�a, apenas por amor.

Qual � o prop�sito de uma uni�o quando j� n�o existe amor?

O amor libertino � um conceito burgu�s.

N�o � coisa do proletariado.

� tudo pol�tica, Inessa.

Nadya...

Est�vamos a tentar decidir qual a nova denomina��o para o Partido.

Temos tr�s sugest�es.

O que te parece?

Eu prefiro a segunda.

N�s tamb�m.

David!

Chame toda a gente para uma reuni�o.

Camaradas! Camaradas, venham c�!

O camarada Lenin quer falar-vos.

Camaradas, venham c�!

O camarada Lenin quer falar-vos.

Sentem-se no ch�o.

Quero ver as vossas caras.

Camaradas, tenho uma coisa importante a dizer-vos

que tem de ficar entre n�s

at� chegarmos ao nosso destino.

O Partido tem um novo nome.

At� agora auto-denominavamo-nos "Bolcheviques Sociais-Democratas",

mas isso j� n�o descreve o que somos.

Ou o que representamos.

N�s n�o somos uns insignificantes burgueses democratas.

Nem tampouco socialistas chauvinistas.

H� uma frase de Engels que parece assentar-nos na perfei��o.

Os verdadeiros partidos pol�ticos n�o t�m uma denomina��o que lhes assente na perfei��o.

Porque o Partido desenvolve-se,

enquanto o nome permanece o mesmo.

Camaradas...

N�s n�o eramos Sociais Democartas,

e nunca mais voltaremos a ser.

Camaradas...

N�s somos o Partido Comunista Bolchevique!

Tragam vinho para os camaradas suecos!

Brindemos ao Partido!

Obrigado.

Inessa.

Pensei que a tivesse perdido.

Encontrei-a no fundo de uma gaveta quando estava a fazer as malas.

E guardei-a na minha bolsa.

29.

Foi quando nos mandaram para a Sib�ria.

V� s� pelo que j� pass�mos, Nadya!

Essa j� n�o sou eu.

Nenhum de n�s est� a ficar mais novo.

Tu n�o mudaste, Volodya.

J� estamos pr�ximos da fronteira finlandesa.

Um dos oficiais sui�os disse-me que os jornais ocidentais

est�o cheios de hist�rias acerca de n�s.

Eu sei.

Aparentemente a imprensa francesa escreve

que o Governo Provis�rio vai levar-nos a julgamento.

Achas que � verdade?

Nadya, vamos?

Vamos.

Achas que deviamos alertar os nossos camaradas da nossa verdadeira situa��o?

J� n�o temos como voltar para tr�s.

Quais achas que s�o as acusa��es?

Provavelmente, as piores.

A Sui�a j� ficou bem para tr�s de n�s.

Exato.

Passageiros que v�o embarcar no comboio!

V� l�, despachem-se! Subam a bordo!

Subam a bordo!

Voc�s que v�m da Su�cia entrem no barrac�o!

Entrem no barrac�o para inspe��o alf�ndeg�ria!

Por aqui!

Voc�s que v�o para o comboio, despachem-se!

Despachem-se! V� l�, toca a mexer!

Por aqui!

Estamos de volta

� grande m�e R�ssia.

Ainda h� dias eu vendia livros em Genebra.

E agora, aqui estou eu, na R�ssia,

com os meus camaradas e com Lenin!

Prontos para mudarmos o Mundo

com liberdade e igualdade para todos.

Vamos para dentro! Prepare os seus documentos!

Ainda n�o foi aceite na R�ssia!

Eu sou russo.

Dispam os casacos e os sobretudos.

Se t�m armas, devem entreg�-las.

Repito, todas as armas devem ser entregues.

Todo o dinheiro estrangeiro deve ser apresentado.

Perceberam?

Todas as armas e dinheiro estrangeiro devem ser entregues.

Ele n�o transporta quaisquer armas!

P�ra, por favor!

Oficiais Brit�nicos, cuidado!

Qual de voc�s � o Ulyanov?

Sou eu.

Os pap�is dele?

Vladimir Ilyich Ulyanov.

Por que raz�o lhe chamam Lenin?

Os meus amigos gostam de o fazer.

- O que significa? - � uma alcunha.

Qual a sua raz�o de ser?

Ouviu certamente falar de um campe�o de boxe chamado James Cobert.

Era conhecido pelo "Cavalheiro Jim", n�o era?

O meu nome vem da�.

Quer dizer que Lenin significa cavalheiro?

Grosseiramente traduzido.

- Ocupa��o? - Jornalista.

- Religi�o? - Russo ortodoxo.

- Praticante? - Quando posso.

Convi��es pol�ticas?

Em Inglaterra n�o acredito que fosse obrigado a responder a isso.

Recusa-se a responder?

Social Democrata.

Ent�o, n�o tem qualquer desaven�a com o atual Governo?

N�o.

Ent�o, por que raz�o em Petrogrado andam a reunir provas contra si?

� o que pretendo descobrir.

Vladimir Ilyich?

N�o querem deixar-me entrar.

Ele � Sui�o.

A Sui�a � um pa�s neutro.

Temos ordens para deixar entrar apenas russos.

O Sr. Platten tem o direito de entrar na R�ssia.

Ele foi preso pela pol�cia do Czar,

saiu sob cau��o e pretende recuper�-lo de volta.

N�s responsabilizamo-nos por ele, n�o � verdade camaradas?

Este homem n�o poder� entrar na R�ssia

sem uma autoriza��o escrita do Ministro dos Neg�cios Estrangeiros.

Lamento.

Eu tamb�m lamento, Vladimir Ilyich.

Grandes coisas o esperam e eu ficarei a observ�-lo � dist�ncia.

Nunca esquecerei o que fez por n�s.

Mal consiga essa autoriza��o

voc� juntar-se-� a n�s em Petrogrado.

Claro.

Voltaremos a encontrar-nos.

Mam�, as b�tulas!

Achas que a Inessa vai conseguir afastar a Nadya?

A Inessa est� pronta para tudo.

� Nadya, falta-lhe firmesa de car�ter.

- Est�o ali muitos soldados a cavalo! - S�o soldados a cavalo!

� este o comboio que transporta um pol�tico chamado Lenin?

Quero a verdade! Ou retiro-vos a todos do comboio!

- Quem o mandou? - O povo russo.

Quero falar com Lenin.

O que pretende?

� voc� que quer que a R�ssia se renda � Alemanha?

Camarada Oficial, apenas n�o quero que mais russos morram chacinados na Frente!

O nosso dever � claro!

Temos de dar cabo dos alem�es de uma vez por todas.

Eles j� perderam a guerra!

Se n�o hoje, seguramente amanh�.

Os soldados russos t�m de sobreviver

para regressarem a casa e se juntarem � revolu��o!

Se ainda n�o percebeu isso

como pode dizer que representa o povo russo?

Ou foi voc� que se auto-nomeou para falar por ele?

Pergunte aos agricultores e aos oper�rios o que eles querem!

�queles que trabalham a terra e �queles que trabalham nas f�bricas!

Pergunte aos seus pr�prios homens!

Mas n�o enquanto Oficial, mas enquanto camarada!

Prossiga!

Para Petrogrado! Prossiga!

- Prossiga! - Prossiga!

Cobardes!

Traidores!

Traidores!

Traidores!

Temos que refor�ar a Organiza��o quando mobilizarmos a imprensa

e lhes falarmos de programas de que ningu�m ouviu falar.

Pus a� uma nota acerca da tua proposta de cria��o

de um setor dedicado �s camaradas mulheres e seu recrutamento.

Sempre lutaste pela emancipa��o.

� uma obsess�o tua de h� j� v�rios anos, n�o �?

O que me dizes?

Sim, acho que a Inessa devia ficar encarregue desse setor.

Ser� o Comit� Central a decidir isso.

Finalmente, estamos num comboio russo!

E com camaradas russos.

C� estamos n�s!

Esta noite chegaremos a Petrogrado juntos.

Lembram-se o que esta noite significa, camaradas russos?

� a P�scoa!

� a P�scoa! � a P�scoa!

Passaremos finalmente a P�scoa em casa!

E ainda por cima tamb�m � a P�scoa dos judeus. Deve ser o destino!

Abramovici, � uma pena que tu n�o a celebres!

Mas celebrarei a nossa chegada a Petrogrado!

N�o celebremos ainda!

Est�s triste?

Estava a pensar na minha m�e.

Do quanto ela gostaria de ter voltado � R�ssia.

Nem pude trazer as cinzas dela comigo.

Por que n�o?

O Volodya disse que n�o tinhamos tempo de as ir buscar.

Andavamos t�o ocupados.

Um dia, talvez.

Sim. Sim, claro.

Seja como for, a Alf�ndega sui�a t�-la-ia confiscado.

Tenho confian�a plena em ti.

Farei o meu melhor.

N�o ter�s muito tempo para te dedicares � m�sica.

Aviso-te j� que n�o poder�s dedicar-te a duas paix�es ao mesmo tempo.

Parece-me que j� ouvi isso antes.

H� muitos anos, em Paris.

S� que n�o est�vamos a falar de m�sica.

O que diriam as pessoas se a primeira coisa que soubessem

era que o Secret�rio Geral do Partido Bolchevique,

deixou a mulher por uma mulher mais nova?

J� deviamos saber, n�o deviamos Inessa?

Onde vais ficar, em Petrogrado?

A Nadya e eu...

Para j�, vamos ficar em casa da minha irm�.

Tenho que falar aos camaradas. D�-me licen�a.

Por favor, juntem-se aqui todos.

O camarada Lenin gostaria de vos falar.

Podem tirar essa mala para que sirva de mesa.

Camaradas, chegou-me aos ouvidos que o Governo Provis�rio

planeia levar-nos a julgamento por trai��o.

Tudo porque us�mos um comboio alem�o para aqui chegarmos.

Redigi uma declara��o onde digo que estou preparado para ir para a pris�o.

Vou usufruir do direito para defender a atitude que tom�mos

seja em que tribunal deste pa�s for.

Repito, o direito de usarmos quaisquer meios � nossa disposi��o

para regressarmos � nossa P�tria e tomarmos parte do seu destino.

Camaradas, a minha vida n�o faria qualquer sentido

se n�o procedesse desta maneira.

A Nadya e eu vamos assin�-la.

Aqueles de voc�s que a quiserem assinar,

fa�am-no, por favor.

Aqueles que preferirem sair agora,

eu mando parar o comboio e fa�o-os sair em seguran�a.

Obrigado, mas tu ainda n�o podes assinar.

Os alem�es t�m um comboio pronto para n�s. Podemos partir imediatamente!

Iriam dizer que imit�mos o Lenin.

Que seguimos as pegadas dele!

� melhor que sermos deixados de fora. Lenin est� prestes a chegar a Petrogrado!

Est� bem, est� bem!

N�s vamos.

Mas primeiro vamos ver o que lhe acontece.

Estamos a abrandar! Cheg�mos!

- Conseguimos finalmente! - Cheg�mos!

Cheg�mos a casa. Petrogrado, conseguem acreditar?

- Em casa, finalmente! - Preparem-se!

- Est�o ali pessoas para nos receber. - N�o, n�o me parece que seja isso!

V�em alguns soldados?

Soldados.

- � uma armadilha. - V�o prender-nos a todos.

Fomos apanhados numa armadilha.

N�o tenho medo de morrer.

Pessoas! Oper�rios!

Est�o aqui! Est�o aqui por n�s!

Eles esperaram por n�s!

Como gostava que o meu marido aqui estivesse!

H� uma data de pessoas com bandeiras vermelhas!

E soldados.

Vamos ver que tipo de rece��o o Governo Provis�rio nos preparou!

Inessa!

Inessa!

Inessa!

PETROGRADO - MOSCOVO

Camaradas!

Inesa Armand n�o tornou a ver Lenin.

Trabalhou para o Partido no C�ucaso e morreu de c�lera em 1920.

No funeral dela, de acordo com testemunhas oculares,

Lenin chorou � vista de todos.

A sa�de de Lenin continuou a deteriorar-se at� � sua morte em 1924.

Parvus tamb�m morreu em 1924.

Abandonou a pol�tica e ficou a viver no seu castelo na Sui�a.

Nadya Krupskaya viveu como um s�mbolo pol�tico

� sombra de Staline e cuidou dos filhos de Inessa.

Morreu em 1939.

Zinoviev foi vitima das purgas de Staline tendo sido fuzilado em 1936

Radek testemunhou contra ele no "julgamento".

Radek foi acusado por Staline de conspira��o contra a Uni�o Sovi�tica.

Foi sentenciado a pena de pris�o e nunca mais se soube dele.

Em Junho de 1988, Zinoviev e Radek foram "reabilitados"

pelo Governo da URSS liderado por Gorbachev.

Legendas revistas por: RosaeCrucis

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