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Original subtitles

GETTYSBURG, PENSILV�NIA POPULA��O: 7636

BOB A DRAG QUEEN

EUREKA O'HARA

SHANGELA LAQUIFA WADLEY

Cheg�mos! Trabalhar.

Estamos em Gettysburg, Pensilv�nia.

Ol�, pessoal! Vamos dar um espet�culo, ter�a � noite.

- Meto-lhe medo? - N�o.

- Deixo-o nervoso? - N�o.

D� c� um abra�o.

� t�o querido! Adeus!

Sou a mulher mais elegante de roxo.

Sou o roxo, mas vers�o mais preta. O "pretoxo."

Estamos a fazer cenas em Gettysburg.

Onde � a sec��o de crian�as pequenas?

- Est� a rir-se de qu�? - Que sapatos t�m?

T�m o tamanho 45, 46?

- N�o sei se tem o 45 nessa sec��o. - N�o.

- J� assistiram a um drag show? - N�o.

- N�o? - N�o.

Vamos dar um espet�culo de drag queens.

- N�o! - Sim!

Vamos pegar em residentes de Gettysburg

e transform�-los em drag queens poderosas.

Isso, jeitosa!

Vamos dar um espet�culo e peras.

Obrigada. Adeus!

Pode dizer � senhora que acabou. Nunca mais compro nada aqui.

- Estas aberra��es... - Est� bem. Adeusinho.

1� TEMPORADA | EPIS�DIO 1 - Gettysburg, Pennsylvania -

Legenda da HBO Portugal Ressincronizada por Fuzzco News

Muito bem. C� vamos n�s.

J� est�.

Pronto.

Obviamente, cheg�mos.

Trouxemos os nossos ve�culos reluzentes.

Estamos lindas, jeitosas, fabulosas.

Esta almofada homossexual vai para aqui.

N�o sabemos o que esperar.

N�o sabemos se toda a gente vai aceitar-nos.

Vamos preparar um local seguro

para eu, a Shangie e a Miss Bob termos um espa�o

para n�s e os nossos, onde estejamos confort�veis.

H� sempre pessoas que n�o se sentem confiantes para serem elas pr�prias.

Espero que ao fazermos estes drag shows nestas comunidades

consigamos dar aquela sensa��o, "N�o estou sozinho."

Muito bem. Vamos l� a isto.

HUNTER

Estou t�o entusiasmado.

Vejamos...

Algu�m chamou um profissional?

- N�o! - Sim, querido!

Ouvi dizer que gostarias de participar num drag show.

Eu estou aqui para apoiar isso e falar contigo sobre drag queens.

- Sou profissional! - Pois �s.

�s t�o querido.

- Tens tempo hoje? - Sim.

- Pintas as pessoas aqui? - Muito.

- Queres retocar? - Sim.

- Sim. D�-me qualquer coisa. - Boa.

Anda ao meu escrit�rio.

- � aqui. � perfeito. - Genial.

- Quero esta luz. - Senta-te.

Vamos retocar a sobrancelha um bocadinho.

Tiveste mentores ou amigos gay?

Tenho uma pessoa muito importante. Ele e eu somos melhores amigos gay.

Agora ele est� muito bem, est� a viver a vida.

- Onde? - Em Filad�lfia. Vou l� muito.

- Uma cidade grande. - Sim.

Como te sentiste quando ele foi embora?

Foi dif�cil, porque pass�vamos o tempo todo juntos

a fazer tudo o que � gay.

Quando perdemos uma parte de n�s assim...

- N�o nos sentimos n�s mesmos. - Tu queres fazer o mesmo?

Eu j� me mudei v�rias vezes, mas sempre que o fa�o,

algo acontece na minha vida que me faz regressar.

� um pouco deprimente

voltar para onde n�o queres estar.

Sou uma pessoa confiante, mas n�o adoro o lugar onde estou.

- O que sabes sobre drag queens? - Conhe�o bem o meio.

J� transformei amigos em drag queens,

mas nunca me envolvi pessoalmente.

Uma coisa que adoro em ser um artista drag queen

� ter um certo n�vel de confian�a, que pode ser contagiante

e inspirador para outras pessoas.

Antes de sa�res desta terra,

quero que sintas que tens um prop�sito em todos os lugares.

O drag � uma quest�o de capacita��o.

Transformas-te numa vers�o mais confiante de ti pr�prio,

onde te sentes mais confort�vel em ser tu mesmo.

Quem s�o estas pessoas lindas? Ol�! Tantas divas! Ol�.

- Ol�! - Sou a Shangela.

- Muito prazer. - Muito gosto.

Sou o primo do Hunter da cidade.

C� para mim, voc�s costumam dar umas voltinhas aqui.

Antes de ir, temos de fazer um desfile. Est� bem?

Anda c�, Beyonc�.

Anda para aqui. Muito bem. Eu come�o.

- Espera! - Eu vou primeiro.

Prontas? Eu come�o e dou a m�sica.

Prontas? Cinco, seis, sete, assim.

Uma voltinha extra.

Fofo, mostra o meu corpo inteiro.

Apanhaste tudo? Estou a desfilar.

Quero que se vejam os passos todos.

Seis, sete, agora o Hunter.

� bom que o fa�as!

Exibe esse quimono.

Exibe o quimono. Isso!

Vai por ali, por ali.

Anda l�, diva. Baby Beyonc�!

Cabelo!

Vamos l�. Pose, aqui.

Forte. E vira.

Agora o ombro. N�o aguento. Adoro!

Fiquem bem.

Hei de voltar para usar o meu desconto. Sou profissional!

DARRYL

Quando vemos estes monumentos do Sul t�o bonitos,

� tipo: "T�m uns belos trof�us. Por perder."

Sou de Gettysburg, Pensilv�nia, nascido e criado.

Sou o Subdiretor de Admiss�es e Coordenador

de Admiss�es Multiculturais na Faculdade de Gettysburg.

O racismo e a intoler�ncia fazem parte do lugar onde estamos.

Adorava ver esta comunidade a mudar e a evoluir.

Portanto, gosto muito de ser conhecido nesta cidade

como um aliado h�tero das pessoas gay.

Se n�o estiver disposto a viver na pele de algu�m que faz drag,

como poderei esperar que entendam as minhas experi�ncias enquanto negro?

- Chamo-me Bob. - Eu sou o Darryl.

- Obrigado por virem c�. - Com todo o gosto.

Ol�, chamo-me Eureka, David, ou seja, todas as op��es.

- � o teu drag? - Sim. � a minha filha drag.

- Isso existe? - Sim. Agora sou a tua m�e.

O que significa seres a minha m�e drag? Dragmam�?

Vou ensinar-te o que significa ser drag queen.

- Est� bem. - Muitas vezes, a m�e drag

� quem te veste de drag a primeira vez.

- Ou algu�m a quem pe�as que o seja. - Est� bem.

� algu�m que te ensina a ser drag queen.

Se vou ser o teu filho drag, tenho de ficar ultrabonito.

- Ultrabonito. - �s a minha filha drag.

Filha! Tens de me ensinar!

- Est� bem. - Vou ser a tua...

Vou ensinar-te, filha.

- Vou conferir-te conhecimento. - Vou ser tua filha drag...

e quero ficar linda. - Vais impressionar as crian�as.

Isto. Quero ficar linda.

Ter um membro negro proeminente na comunidade de Gettysburg

a abra�ar a contracultura � bom para as comunidades.

Preciso de um nome drag.

Posso ser a Darrylina of The House of Joneses?

- Acho que est� escolhido. - J� est�.

- Adoro. - Darrylina of The House of Joneses.

- Darrylina of The House of Joneses. - Adoro!

- Sou a filha que nunca fui. - Filha.

A liga��o m�e e filha � a coisa mais linda do mundo.

Meu Deus!

ERICA

- C�ezinhos! - Ol�.

Ol�, Erica. Como est�s? Anda c�.

- Sou o David, conhecido por Eureka. - Ol�! Tudo bem?

- Que ador�vel. Tu primeiro. - Anda.

- Este � o meu marido, o Adam. - Ol�, Adam.

Vamos ser fam�lia, por isso, mais vale abra�ar j�.

- Posso sentar-me? - Sim.

Meu Deus! Ent�o, como te sentes?

- Bem. - Nervosa?

Sim, um pouco.

Tiveste uns problemas na tua fam�lia.

Queres falar sobre a Hailey?

- � por ela que c� estamos. - Sim.

- � um t�pico sens�vel, n�o �? - �.

Eu tamb�m sou sens�vel.

Os meus filhos sa�ram de casa h� oito meses para morar com o pai.

N�o os vejo h� oito meses.

- O que se passou? - Foi quando a Hailey se assumiu.

Ela assumiu-se na noite do concerto dela.

Ela fazia parte do coro da escola.

Disse-me: "Tenho uma coisa para te contar. Acho que sou bissexual."

Certo.

Eu disse: "Amo-te na mesma.

Mas Deus n�o quer isto para ti, e tu sabes."

N�s crescemos num mundo crist�o muito conservador.

Foi como perder a minha filha para o inimigo.

Para Satan�s.

Eu dizia-lhe coisas como: "Tu n�o �s gay."

O olhar dela. Ao pensar, lembro-me do olhar dela e simplesmente...

Em janeiro, encontrei o di�rio da Hailey.

As coisas que ela tinha escrito nele assustaram-me.

Como � que fui capaz de fazer a minha filha sentir que n�o queria viver?

N�o consigo respirar.

Est� tudo bem. Respira.

Est�s a admitir muita coisa, a ser sincera

e a libertar muita emo��o. Est� tudo bem, prometo.

Vais ficar bem.

Tenho tantas saudades deles.

Imagino.

Todos os membros da sociedade LGBTI passam por um processo assim.

Eu compreendo. A minha m�e � tudo para mim,

mas, quando me assumi como gay, ela n�o me falou durante seis meses.

Disse-me que n�o queria que eu voltasse a tocar-lhe.

Tentei suicidar-me.

Fui para o Peninsula Hospital, em Knoxville, Tennessee.

Quando a minha m�e l� foi, acho que a ideia de me perder

a fez entender que tinha de me ouvir.

Portanto, h� esperan�a.

O que lhes dirias agora?

- Desculpa. - Sim.

Temos muito a fazer.

Vamos abordar o aspeto da performance drag,

porque acho que o objetivo � mostrar � Hailey, especificamente,

uma representa��o de como mudaste. Contar uma hist�ria.

N�o arranjar desculpas. Assumir responsabilidade e mostrar mudan�as.

O objetivo � esse.

N�O TENHAM MEDO

- Obrigada. - De nada, passem. Cheg�mos.

Vou tentar abordar os residentes.

Ol�, como est�? �timo! Vou dar um espet�culo ter�a � noite.

J� assistiu a um espet�culo drag?

- N�o. - N�o?

Vamos dar um espet�culo na ter�a. Leve a fam�lia.

At� l�!

Ol�, como est�o? Ol�!

N�o se desviem, venham por aqui. N�o tenham medo.

N�o se assustem! Estou a brincar.

Senhor! Espere, querido.

- H� muita gente gay aqui? - Acho que � meio, meio.

- N�o presto aten��o. - Meio, meio?

Achas que 50% das pessoas

aqui � gay? - N�o sei.

Voc� cresceu em Gettysburg. Qual � o tom nesta cidade?

Ainda � um pouco conservador, mas est� a fazer progressos.

No final de contas, o sangue de ambos � vermelho.

� um ponto v�lido.

� como pessoas escuras.

Tinha um amigo na escola...

N�o podes dizer "escuras."

- N�o � adequado. - Desculpa.

N�o estamos nos anos 30.

Sabes o que � interessante? Fiz alguma pesquisa na tua cidade.

Acho que � justo dizer que n�o h� muita diversidade em Gettysburg.

- Eu diria o mesmo. - Certo?

Portanto, ser uma pessoa queer, uma pessoa gay,

imagino que n�o haja muita gente gay assumida.

Acho que h� muita gente que...

n�o tem os recursos ou um n�vel de conforto para se assumirem.

- T�m medo. - T�m medo.

Vamos � cave, porque a cave � bonita.

� muito b�sica, mas tem tudo o que preciso.

Muitos sof�s.

Nunca imaginei, ap�s terminar o ensino secund�rio,

ainda estaria a morar na cave dos meus pais.

� uma vergonha.

Normalmente, uso este espa�o

para experimentar maquilhagem e coisas assim.

A primeira vez que experimentei maquilhagem, andava no secund�rio.

Coloquei um pouco de r�mel da minha m�e.

S� queria sentir-me melhor.

Sempre fui uma pessoa que se destaca dos outros.

Quando ponho maquilhagem, destaco-me ainda mais.

Isso deu-me uma raz�o para dizer:

"Agora as pessoas olham porque puseste pestanas falsas."

"Est�o a olhar porque tens batom."

Quando maquilho a cara toda,

isso protege-me e torna-me mais forte.

� quase como se fosse a minha pintura de guerra.

CERVEJA MUNI��ES

MOTAS HARLEY-DAVIDSON

Isto � a zona do bar.

Fiz uma mesa para bra�o de ferro e para trabalhos manuais.

A minha esposa faz trabalhos manuais na minha mesa de carvalho.

Tenho ali as minhas coisas do TomCat.

Os TomCats eram os meus favoritos na Marinha.

No que toca � ca�a, tenho ali as minhas ca�as de arco.

O que est� montado foi ca�ado com espingarda.

Quando o Hunter nasceu pesava 5 kg. Foi o meu filho mais pesado.

A Wynette e eu escolhemos o nome de Hunter (ca�ador).

Foi ent�o que comecei a ca�ar.

Mas ele n�o fazia mal a uma mosca.

- N�o. - N�o fazia, n�o.

Eu sabia que ele n�o viria a ser ca�ador.

Mas mantivemos o nome.

Achas que algu�m na tua fam�lia conhece essa experi�ncia?

Acho que n�o.

Acho que n�o entendem o qu�o dif�cil foi minha inf�ncia.

Sentia que carregava a mochila mais pesada de sempre

e ao andar queria tir�-la, mas tinha de continuar.

Alguma vez fizeste algo gay a que a tua fam�lia tenha ido?

Uma marcha de orgulho gay, uma conven��o de maquilhagem?

Nem por isso.

Eu j� fiz coisas muito gay.

- Fiz uma performance de cabar�. - Sim!

Praticamente n�o tinha nada vestido.

- Eles foram? - N�o.

Lembro-me de a minha m�e dizer que n�o se sentia � vontade com isso.

Acho que o meu pai simplesmente decidiu que n�o queria ir.

Como te fez isso sentir?

� um pouco desanimador.

Como se sentiu quando o Hunter se assumiu?

- Ficou nervosa ou preocupada? - Tive medo por ele.

Preocupada n�o chega. Eu fiquei foi com medo.

Eu percebi antes de ele se assumir.

Quando �amos �s lojas e coisas assim. Ele teve muitas dificuldades.

Nesta cidade, n�o d�o hip�tese.

A escola secund�ria � o pior.

Eu era como tu, tinha pele boa, era magro.

Era bonito demais, por isso mudei. Fiz tatuagens, cortei o cabelo.

Estava farto de ser o mi�do magrinho e bonito.

Eu cresci numa cidade pequena e ouvia as pessoas comentar.

Eu amo-o acima de tudo neste mundo.

Ficava t�o triste quando...

ele me contava as hist�rias do que passava na escola.

Ningu�m devia ter de passar por isso.

Isto tamb�m me emociona.

Eu sei que n�o foi sempre f�cil.

Para ele usar maquilhagem, ser quem �, adorar maquilhagem

e poder mostrar isso � preciso ser super corajoso e confiante.

Andar de mota � algo que voc� adora.

Pode fazer isso que ningu�m se vai importar.

Se eu for a desfilar pela rua e a fazer death dropping,

vai haver gente a olhar de lado.

- Mas seguiriam. - Sim.

Quero-me juntar.

Queres desfilar comigo?

- Vamos l�! - Adoro!

E voc�, pap�? Randy!

- Vestir-se-ia de drag? - N�o.

Sim, nunca.

Um homem n�o usa maquilhagem.

Um homem n�o usa peruca. Um homem n�o se veste de mulher.

O pai do Hunter tem de entender que ao dizer que nunca usaria maquilhagem

e que nunca se vestiria de drag queen leva a "�s menos homem se fores gay."

Demos abra�os a tanta gente em Gettysburg.

- Meu Deus! - A s�rio?

O Free Mom Hugs era algo novo e era o segundo ano da marcha.

- Terceiro. - Terceiro em Gettysburg?

Eu ia a sair do estacionamento e dois jovens a sair da loja

olharam para a minha t-shirt e perguntaram: "� a s�rio?"

Eu disse: "Sem d�vida. Deem c� um abra�o."

S� pensei: "Meu Deus, isto � fant�stico!"

Muitos pais deserdam os filhos quando estes se assumem,

n�o os aceitam, n�o os tratam com amor.

N�s vamos ser esse amor para as pessoas que n�o o recebem.

Receberam algum tipo de negatividade? Tipo, pessoas que n�o aceitaram?

S� depois da marcha.

Havia placas com o arco-�ris a dizer: "Arrepende-te."

Horr�vel! Vizinhos meus, que eu achava serem boas pessoas.

- Sim. - N�o s�o.

E a mensagem que passam � juventude.

Infelizmente, eu conhe�o bem essa mensagem, pois era uma delas.

Magoei a minha filha.

- Eu lembro-me de ti! - Sim.

Encontraste a Hailey na marcha?

Disseram-me que ela vinha atr�s de n�s...

e afastou-se.

Ela est� magoada.

Para mim, foi muito importante estar l� a dar abra�os, como que a...

- A pedir desculpa. - Sim.

O meu marido e eu lev�mos uma placa

a dizer: "N�s costum�vamos ser Crist�os assim."

Eu lembro-me.

N�o tens de ser assim e ser Crist�o.

Por isso � que o Free Mom Hugs � uma ideia t�o importante.

Acolher toda a gente tal como �.

Quero agradecer-vos. Isto significa muito,

porque a minha m�e faleceu h� dois meses.

Desculpem. Tenho saudades de a abra�ar.

Percebem?

Fiquei triste de repente. As vossas hist�rias s�o t�o bonitas.

Isto tem impacto em todos n�s, de todas as idades.

H� pessoas que n�o t�m m�e.

- Mas eu tenho cinco. - Agora tens.

- Tens muitas m�es agora. - Cinco!

Desculpem. Bem, n�o � preciso pedir desculpas.

- N�o! Agora tens muitas m�es. - Sim.

Fiquei emocionado porque perdi a minha m�e h� pouco tempo

e n�o consigo imaginar a Hailey sem a m�e na sua vida.

A Hailey tem de ver a m�e vulner�vel no espet�culo,

porque acho que as aproximar�.

C�us. Estou um pouco ansioso, um pouco nervoso,

porque tenho de ligar ao Fernando, o pai da Hailey, ex-marido da Erica.

Quero saber se ele quer falar sobre o lado dele da hist�ria.

Espero que fa�a isso e que possa ser o meu canal at� � Hailey

de alguma forma. Vou fazer o meu melhor, isso eu sei.

Meu Deus, tenho de levar esta mi�da ao espet�culo.

O que hei de dizer? Devia ter pensado nisso.

Estou sim, Fernando. Chamo-me David. Como est�?

N�o sei aquilo a que est� disposto.

Estas situa��es podem ser sens�veis, n�o quero desrespeitar isso.

Obrigado por falar comigo tanto tempo ao telefone.

Est� bem, amor. Adeus.

O PAI DE HAILEY ACEITOU CONTAR-LHE SOBRE O ESPET�CULO DRAG DE ERICA.

ENGASGAR � BOM

Fant�stico!

Isto � a forma mais certa de eu partir todos os ossos do meu corpo.

J� usaste saltos altos?

- J� usei saltos. - Eu sabia, gay.

P�e as costas direitas, fofo.

Ao andares, �s um peixe.

Uma perna em frente � outra, em linha reta.

Ali est� uma hospitaliza��o.

Muito bem. Um pouco de movimento.

Ador�vel. � bom que andes.

- Sim. - S� um bocadinho.

- Sou uma mulher hoje. - E sinto-me bem.

E sinto-me bem! Anda l�, s� um peixe!

Um, dois, tr�s.

Olha para a frente.

Vou afastar-me um pouco e tu vais andar at� mim.

Como um beb�.

Estou super entusiasmado com esta situa��o.

- Entusiasmada? - Sim.

- �s a diva. - Estou menos nervosa.

Vais ficar nervosa na hora.

Vais ter vontade de fazer coc�. Mas controla-te.

Cabelo. Quero que seja comprido.

Temos aqui uma loira mais cinza e uma loira mais quente.

Gosto das duas.

Queres experimentar?

- Sim, p�e a peruca. - Pronto?

Meu Deus!

� isto que acontece

quando p�es uma peruca num rapaz gay, fofa!

� um facto.

Meu Deus! Que inveja! Eu vivo para esta cor!

Est�s sensual?

- Que fofa. - Est�s a viver a tua vida gay?

Que fofa!

A minha vida gay.

Vai ser fant�stico.

- Quero-te entusiasmada. - Eu estou. Adoro esta cor.

Um tema ardente, gosto muito. Parece uma f�nix.

- Uma f�nix a renascer das cinzas. - Das cinzas.

Vais ficar orgulhosa de ti.

O teu tema � a guerra civil. Saiotes grandes.

Queres grande cara, ficar muito drag...

Ele n�o sabe o que significa.

Quando dizemos grande cara, significa que pegas no pincel

e no p� e a tua fronha fica grande cara.

- � frente tem estes fechos de metal. - �timo.

H� muito a�o envolvido nisto.

Vou fazer um tema da guerra civil com o Darryl

pois vamos usar o drag como uma janela

para aquilo que � ser uma pessoa de cor em Gettysburg.

O meu p�ncreas ficou esmagado.

- N�o faz mal. - Ainda n�o viste nada, Miss D.

At� te vais engasgar.

Engasgar significa: "Isto � fant�stico."

Um engasgar bom.

Grande cara � bom. Engasgar � bom.

H� muita coisa que achas que � m�, mas, na verdade � boa.

- De matar. - Se fores de matar,

isso � algo bom. - �s a maior rainha.

- Grande cara, de matar, engasgado... - N�o. Tu �s de engasgar.

Eles � que ficam engasgados por tu seres de matar.

Ficamos engasgados por seres de matar.

Tu matas-nos. N�s engasgamo-nos.

H� uma escola drag para aprender estes termos?

As ruas!

- A Gloria tem uma cal�adeira. - J� enfiei.

Isto � hilariante.

- Se conseguir, incr�vel. - O sapato serve, Cinderela!

- Nem por isso, mas o meu p� entrou. - Sim, mama.

RESTAURANTE E BAR THE BIKE

Muitos rapazes gay n�o t�m uma rela��o boa com os pais.

Foi bom.

O Randy � tipo: "Amo o meu filho, mas n�o me visto de drag."

Mas acho que o pai do Hunter estaria do lado dele em qualquer momento.

Contudo, o Hunter nunca viu o pai estar l� para ele desta forma.

Tenho de derrubar esse muro.

Ao falar com o Hunter ontem, ele disse: "Pai."

Quase chorei. "Passar o dia contigo foi o melhor dia da minha vida."

- S� vou estar aqui uns dias. - Est� a ter um impacto.

Quero dar-lhe confian�a.

E vou partilhar isto consigo.

Ele diz que a vida lhe parece uma mochila de tijolos.

- Que anda... - Espere, ele disse-lhe isso?

- Ou foi voc�? - Ele disse-me.

Ele disse: "�s vezes, a vida parece uma mochila cheia de tijolos

que eu tenho de carregar.

E eu continuo, continuo a andar, mas � pesada."

Ele tem uma rela��o pr�xima consigo, que quer que seja ainda mais pr�xima.

Ele quer lev�-lo mais para o mundo dele,

pois sente que voc� vai at� certo ponto, mas n�o mais.

Ele diz: "Sinto que estou a tentar chegar l�

mas n�o sei se alguma vez serei suficiente."

N�o, ele n�o tem de tentar.

Eu e os meus amigos viemos c� para fazer um espet�culo.

O Hunter vai fazer parte.

Eu adoraria que voc� tamb�m fizesse parte de alguma forma.

O que o faz dizer que nunca se vestiria de drag queen?

Como hei de explicar...

Acho que � algo em que nunca pensei.

N�o estou...

N�o � tentar ser mulher.

N�o � parecer-se mulher.

- Continuar� a ser atraente. - J� pareci uma mulher.

- O qu�? - � isso.

Foi o que fal�mos ontem.

Era magro, cabelo comprido...

Voc� detestava, porque gozavam consigo.

N�o gozavam, mas era tipo...

- Chamavam-me "bonitinho". - Sim.

- Eu era. - Voc� �.

- Agora n�o. - Tem boa pele, bons olhos.

- Pap�, sabe que � jeitoso. - Acho que n�o o faria.

Se n�o consegue fazer isso, o que n�o faz mal,

estaria interessado em apresentar-me?

- Sim! - Na mota?

- Eu vestido de drag. - Seria uma honra.

- Sim. - Sim?

- Fico t�o feliz. - Obrigado.

Obrigado, agrade�o imenso.

Ent�o depois combinamos tudo.

- Est� bem. - Perfeito.

Acho que a masculinidade do pai do Hunter foi posta em causa no passado.

Que loucura.

Quero ensinar o pap� que vestir-se de drag o tornar� mais forte.

Mostra ainda mais for�a.

P�r uma peruca n�o o faz menos homem.

- Vai ser um grande espet�culo. - Estou pronto! Nervoso.

- Est�s nervoso? - Um pouco.

Eles v�o enfrentar a comunidade e v�o estar nervosos.

Temos de juntar as mi�das, aumentar a confian�a

e vamos l� divertir-nos, fofa!

Est� a dar m�sica?

- Vamos dan�ar. - Sim.

Ei! Bra�o no ar!

Erica, tens de fazer esta.

Eu n�o dan�o!

- Anda l�! - Fa�o o qu�?

Qualquer coisa, Erica.

Chega-lhe!

Anda l�, Huntie!

- A minha filha vai dar um pontap�! - Sete, oito...

Volta para aqui.

L� vai ela!

Sim!

Eureka, olha a tua filha.

- Sra. Franklyn. - Deem-me espa�o.

Bestial!

- Sim! - Vamos l�!

- Ela est� a dar tudo. - Sim!

Sim!

Direita, esquerda.

Vamos l�, direita, esquerda.

Eureka! Eureka!

Estou t�o entusiasmado e sinto-me el�trico.

Vai ser �timo.

Mas ainda h� mais a fazer.

- Entusiasmado? - Sim.

- Mam� drag. - O drag � divertido.

- Ao menos, � divertido. - Estou pronto.

- Estou t�o orgulhoso de ti. - Obrigado.

Desculpa, eu arranjo.

Uma filha minha n�o vai para casa a parecer mal.

MUITO JOAN CRAWFORD

Vou dizer uma coisa.

- Vou ser mais r�gido. - Eu quero isso.

Quero que d�s o teu melhor.

Quero sentir que, quando sair deste ensaio,

est� tudo nas tuas m�os e tu est�s em controlo, sim?

- A mam� vai ser m�. - S� m�.

Muito Joan Crawford.

Cinco, seis, sete...

O ensaio � a altura em que eu trabalho.

N�o tenho tempo para ser fofo.

Para dar abra�os. N�o. Fofo faz. Fofo faz j�.

Tenho de deixar-te guiar.

- Pois �! - �s o general.

A melhor forma de fazer playback � cantando.

- Se quiseres, d� tudo. - N�o.

N�o tenhas medo.

Quero-te super confiante. Quando andas, quero passos.

Sim. Agora sim!

Eu inclino-me para ti.

Tu fazes o mesmo a mim.

- N�s damos uns passinhos. - Um, dois, tr�s.

- Vamos tentar de novo. - Est� bem.

- Est�s nervosa? - Estou.

- Fala comigo. - A parte do desempenho.

A possibilidade de a Hailey aparecer � assustadora.

N�o esperarei sentada.

Acho que isso � boa ideia,

mas, ao mesmo tempo, gosto de falar das coisas.

Quando a Hailey aparecer, vai ser intimidante,

mas � isso que vamos dizer. Queremo-la l�.

Vou emocionar-me.

N�o faz mal, mi�da. Abra�a-me.

Podes contar at� quatro?

N�o posso contar no palco.

N�o d� para dizer: "Um, dois, tr�s..."

Confiante. Passos. Tu trabalhaste para isto.

Disseste-lhes que sobreviverias. Sobrevive!

Vamos l�.

Temos 20 minutos e tu tens um espet�culo amanh�. Cinco, seis...

Adorava sair de Gettysburg a dizer:

"Tenho c� uma filha ador�vel." Mas ela tem de dar tudo.

Conseguir� libertar-se das adversidades?

Do bullying?

Da press�o social desta terra pequena

para ser a rainha que � suposto ser?

- � o que �, Cookie Tookie. - Vi-te a ensaiar.

Meu Deus! Est�s a tentar sabotar a minha filha?

Estava a dar a minha opini�o. Para ela sair � fam�lia Shangela,

tem de fazer uma das quatro famosas dan�as.

- Quais s�o? - Vou mostrar-vos.

As quatro famosas dan�as Shangela.

H� sempre esta...

Sim, essa � uma delas.

A da manivela.

Salta! Sim!

- J� s�o duas. - Depois, a pas de bourr�e.

- Adoras isto. - A dan�a dos saltinhos.

- J� l� v�o tr�s. - Ela est� sempre a ir a algum s�tio.

E para a quarta, os meus joelhos n�o aguentam.

- Em c�mara lenta. - Dobra a perna.

Sim!

AP�S FALAR COM EUREKA SEM C�MARA, HAILEY ACEITOU SER ENTREVISTADA.

O Cristianismo foi sempre importante nas nossas vidas.

Rez�vamos antes das refei��es, �amos � igreja ao domingo

e ela tentava controlar aquilo em que acredit�vamos

e as coisas em que pens�vamos.

Se fizeres algo de errado, cuidado, podes ir para o inferno.

Sabendo que sou bissexual, pensei: "Talvez me assuma � minha m�e."

A minha m�e fez um olhar que n�o consigo explicar.

Eu queria chorar. Foi um olhar muito forte.

Ela pediu na igreja para rezarem por mim por ser bissexual,

pois achava que eu iria para o inferno.

Fiquei magoada quando soube disso.

Est�o a organizar um espet�culo e a tua m�e vai participar

com o David, acho que � esse o nome dele.

Pedir desculpa n�o adianta.

Dizer: "Estou a fazer coisas."

"Participo no Free Mom Hugs. Fa�o parte da Alian�a LGBT."

Isso n�o ajuda nem um pouco.

Sei que a tua primeira rea��o ser� n�o.

- Tipo: "Vai-te lixar." - Correto.

Mas vamos conversar.

A quest�o que temos de responder �...

N�o me interessa. N�o quero saber.

- Tens de te importar um pouco. - Tenho?

HORA DA VERDADE, MI�DA

- Que calor. - Queres �gua?

- Ol� a todos! - Ol�!

Ol�! Camarins, camarins.

�timo! Sim, adoro!

- Como est�s? - Bem e tu?

Bem. Hora da verdade, mi�da!

O Hunter nunca fez drag, � a primeira vez dele.

Cuidado ao andar, porque h� muitos degraus.

- Estas vigas antigas. - Est� bem.

- N�o te distraias. - Sim.

O Hunter vai enfrentar a fam�lia,

pessoas da cidade, amigos.

Ser� que lhe pedi demais?

Ir� cair? Ir� trope�ar?

Ainda nem consegue andar bem de saltos.

Deixa-me perguntar-te, queres que fique muito drag,

ou queres algo mais suave?

Suave, pois tenho uma peruca comprida.

- N�o sei... - Resposta errada.

- Como estamos? - Bem.

- Est�s a adorar? - Sim.

- Est�s em �timas m�os. - Sim.

Estou nervoso? Sem d�vida!

Nos ensaios, a Erica estava t�o nervosa que me deixou nervoso.

Foco de luz nela quando ela disser: "Esta � a minha hist�ria."

E � poss�vel que a filha que ela n�o v� h� oito meses venha assistir.

Tu vens daqui e eu apare�o assim.

N�o sei como � que Gettysburg vai reagir a um drag show,

mas sei como reagir�o a um espet�culo mau.

Ningu�m gosta de um espet�culo mau. Temos de dar tudo.

Dar o nosso melhor e apresentar um espet�culo fant�stico.

H� mais gente na fila do que a capacidade do espa�o.

Infelizmente, n�o poderemos deixar entrar todos.

Aumenta o volume.

Lembram-se quando a Shangela disse, "Eles n�o v�o gritar"?

"As pessoas n�o enlouquecem em Gettysburg."

Sabem, quando me disseram, "Querida, vais a Gettysburg." Eu disse, "Qu�?"

Ser� que algu�m vem?

Ir� aparecer algu�m?

Pelo que estou a ver, algu�m apareceu mesmo!

Sim! Adoro!

Vamos celebrar a individualidade, a aceita��o e o amor.

Muito obrigado a todos.

Em Gettysburg, vejo principalmente uma cidade muito amig�vel.

Por�m, se pensarmos no que as pessoas negras passaram,

ent�o ainda temos de ir mais al�m pelas pessoas gay e l�sbicas

e pelas pessoas trans.

P�e-te no lugar delas, para as pessoas te apoiarem.

� assim que eu vivo.

Para algumas das mi�das hoje, ser� a primeira vez delas em drag,

por isso, mostrem o vosso amor e entusiasmo,

porque elas t�m trabalhado e preparado esta noite,

para expressarem individualidade e partilharem o amor de Gettysburg.

Est� bem? Vamos l� mostrar esse amor?

Est�o prontos para se divertirem?

�timo! Um aplauso para a minha irm�.

Deem as boas-vindas a Bob a Drag Queen!

Visto roupa justa E uso saltos altos

Isso n�o significa Que sou prostituta, n�o, n�o!

Gosto de m�sica rap Visto roupa de hip hop

Isso n�o significa Que vendo erva, n�o n�o!

Antes de me avaliares Tens de aprender a entender-me

Abre a tua mente O resto acontecer�

N�o ligues � cor N�o sejas superficial

Abre a tua mente O resto acontecer�

N�o ligues � cor N�o sejas superficial

Eu sou uma mi�da Pago tudo em dinheiro

Isso n�o significa Que tenho mau cr�dito

Para qu� disputar Desperdi�ar o meu tempo

Porque achas Que o pre�o � alto para mim

Abre a tua mente O resto acontecer�

Abre a tua mente!

Vamos l�, Gettysburg!

Um grande aplauso

para a Darrylina of The Legendary House of Joneses!

Fala-me da tua experi�ncia desta semana louca.

Bem... Louca � dizer pouco.

- Entusiasmada? - Sim.

- Sim? - Sim.

Quando me assumi � minha m�e eu era muito novo.

D�-me a m�o.

Ela n�o queria ter aquela conversa.

Era muito religiosa e queria muito condenar-me.

S� o tempo pode curar isso.

Tens de deix�-la ser ela pr�pria. Tem de processar isto, tal como tu.

Estou entusiasmada com esta parte da minha hist�ria, mas tenho medo.

Se a Hailey estiver ali, espero que veja uma pessoa diferente.

Que veja que estou aberta a coisas diferentes

e que n�o estou a tentar impedir que ela seja quem �.

Isto foi a minha ora��o.

- Tens alguma rela��o com a tua m�e? - N�o.

As vossas palmas para a Eureka O'Hara e a Trinity Rose O'Hara!

Porra! � a minha m�e!

Todos os dias S�o t�o maravilhosos

E de repente Fica dif�cil respirar

De vez em quando Sinto-me insegura

De tanta dor Fico t�o envergonhada

Tu �s linda N�o importa o que eles digam

As palavras N�o podem deitar-te abaixo

N�o, n�o

Tu �s linda De todas as maneiras

As palavras N�o podem deitar-te abaixo

N�o

N�o me deites abaixo hoje

N�o importa aonde vamos N�o importa o que digamos

O sol ir� brilhar sempre

N�s somos lindas De todas as maneiras

As palavras n�o podem Deitar-nos abaixo

N�o

N�o me deites abaixo hoje

Sim

N�o me deites abaixo Hoje

Um grande aplauso para a minha filha, Miss Trinity Rose O'Hara.

Primeiro, quero pedir

desculpas � comunidade. - S� honesta. N�o faz mal.

Pela forma como vos tratei antes.

Voc�s aceitaram-me a 100%

e � imposs�vel retribuir a quantidade de amor que voc�s me deram.

Obrigada.

- Estou t�o orgulhoso de ti. - Estou orgulhosa.

- Ainda bem que fizeste isto. - Sim.

O pedido de desculpa foi sincero. Esta experi�ncia era para isso.

Para aquele momento. Agora somos fam�lia drag para sempre.

A tua av� est� aqui.

- Ela alguma vez viu um drag show? - Nunca, mi�da.

Os meus melhores amigos e os meus pais est�o na primeira fila.

Mi�da! Que entusiasmante!

Chamo-me Hunter Gray Zeitwer.

Tenho 23 anos e moro em Littlestown, Pensilv�nia.

As pessoas t�m de abrir os olhos.

T�m de perceber que Littlestown, Pensilv�nia, n�o � tudo.

Se as pessoas virem isso, ser� incr�vel.

De in�cio tive medo Fiquei paralisada

Pensava que n�o sobreviveria Sem ti a meu lado

Mas depois passei muitas noites A pensar em como me fizeste mal

E tornei-me mais forte E aprendi a recompor-me

Depois tu voltaste

Sabe-se l� de onde

Acabo de entrar e encontro-te Com aquele olhar triste na cara

Eu devia ter mudado a fechadura Devia ter ficado com a tua chave

Se tivesse imaginado Que voltarias para me incomodar

N�o, eu n�o Eu sobreviverei

Enquanto eu souber amar Sei que me manterei viva

Tenho a vida toda para viver

Tenho o meu amor todo para dar

Eu sobreviverei Eu sobreviverei

Eu sobreviverei Eu sobreviverei

Estou a caminhar pelo fogo Por favor, n�o me largues

Leva-me at� ao rio Preciso que tu saibas

Preciso que tu saibas Vamos l�, meninas

Eu estou a arder, apaga o meu fogo Apaga o meu fogo

Eu estou a arder, apaga o meu fogo Apaga o meu fogo

Eu estou a arder, apaga o meu fogo Apaga o meu fogo

Eu estou a arder, apaga o meu fogo Apaga o meu fogo

Estes �ltimos dias

t�m sido os mais intensos de toda a minha vida.

Estou a dan�ar com a Shangela!

� uma loucura, � muito forte,

� muito poderoso sentir que finalmente tenho uma voz.

N�o conseguiria ter feito isto sem a minha fam�lia, que � t�o aberta,

t�o simp�tica e doce.

O maior obrigado, do fundo do meu cora��o,

mesmo a s�rio, vai para a Shangela.

Sinto que ela conseguiu ver em mim algo que eu n�o via.

Ela pressionou-me e disse: "Esta gaja tem qualquer coisa."

Eu n�o podia pedir melhor sistema de apoio.

Ver o meu pai t�o entusiasmado, feliz e a divertir-se tanto...

O facto de ele l� estar, de me apoiar,

da minha m�e e de toda a gente ter vindo � uma loucura.

N�o esperava que viessem todos.

Senti-me poderoso hoje. Senti-me muito forte, e ainda sinto.

Toca a arrumar, malta.

Bom trabalho, Darrylina From The Legendary House of Joneses.

Reparaste numa certa pessoa?

- N�o. - A Hailey veio.

- Veio? - Sim.

Viu a tua atua��o toda. Ficou at� ao fim. � verdade.

Espero que a Hailey mude de ideias.

O mais dif�cil para um pai � perceber que o seu filho j� n�o � uma crian�a.

Se a Erica encontrar for�as, a filha mudar� de ideias.

O primeiro passo � aparecer.

Acredita sempre em pessoas que aparecem.

- Porque ela apareceu. - Sim.

- Deste passos importantes, n�o foi? - Mi�da, dei mesmo.

Tens coisas �timas pela frente, mas tens de continuar.

Se est�s habituado a sentir-te um estranho

e n�s pudermos ir � tua cidade e nesse dia te sentires visto,

n�o seria fant�stico?

Este � do amor mais inclusivo que existe.

� capacitador. � o que esta comunidade precisa.

Talvez seja poss�vel sentires-te confort�vel

numa cidade pequena sem teres de fugir por te sentires diferente.

Talvez a comunidade seja maior do que pare�a.

Se acontece em Gettysburg, tamb�m pode acontecer a�.

A todas as filhas envolvidas neste processo,

a todos os que v�o ao espet�culo,

�s pessoas que nos viram chegar,

espero termos tido impacto. Acho que sim.

Querida, Gettysburg n�o se esquecer�!

Shangela Laquifa Wadley, Bob The Drag Queen e Eureka. Acredita!

Legendas: Susana Lino

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