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George Washington foi o pai de seu pa�s
Assim como os outros pais que podem citar
-Tem o pai Nickerbock -Que nos tirou do prego
Ele devia entrar no hall da fama
Vamos falar bem do pai dos Whistlers
E o pai Hanson, o pai do beisebol
Mas, quando vejo meus filhos enfileirados
Vejo que o mundo � meu
pois sou o maior pai de todos
Ah, que turminha linda.
N�s os filhos �ramos uma turminha linda, sim.
N�o sei como o velho aguentou.
Sou Charlie Foy,
e h� muito tempo era o segundo garoto � direita no palco.
Quem est� na frente com o nosso pai � o Eddie J�nior.
O ano � 1913 e essa era a nossa abertura no Palace, na Broadway.
Os outros furac�es dan�antes s�o meus irm�os e minhas irm�s,
Erlyn Madlyn e Mary Richard Brian.
N�s crian�as finalmente chegamos ao sucesso.
Provamos de uma vez por todas que somos do Show Business,
n�o � preciso talento, s� coragem.
Felizmente nosso pai tinha coragem por todos n�s.
Observe os sapatos que ele est� usando.
Papai era supersticioso.
Em todos aqueles anos de palco ele jamais os trocou.
Era dif�cil acreditar que um dia foram novos.
Mas um dia foram.
Os velhos tem em Chicago por volta de 1898
quando ele n�o era amado, n�o era casado, n�o tinha filhos,
era solit�rio e decidido a permanecer assim.
Esta � a hist�ria de seu tr�gico fracasso em permanecer solteiro.
Ed, volte para o palco.
Este era o nosso pai.
Um homem de fam�lia de antigamente.
Ed, o que faz entre o show?
Vou jogar bilhar em Flatchstreet, mulheres n�o entram.
Quando vai mudar de ideia e sair com uma garota?
Fala com o homem errado, eu sou o Foy, solteiro profissional.
N�o carrego peso.
N�o digo o mesmo de voc�.
Hoje � noite.
Barney Green est� atr�s de voc� para o schubert's.
Esque�a a cerveja e trate de voltar a tempo.
Eu nunca me atrasei.
Voc� n�o sabe, mas perdeu uma grande chance.
Tome, precisa mais de uma bebida do que eu.
Viu o n�mero das irm�s? Direto da It�lia.
Voc� devia mostrar a elas os nossos costumes.
N�o estou interessado em c�es, mulheres e nem crian�as,
nessa ordem de import�ncia.
Vai conseguir, maninha. Confio muito em voc�.
-Mas n�o confio muito em mim. -"Escaussie, senhore."
N�o conseguimos ningu�m para nos ajudar com as malas.
N�o falamos bem a sua l�ngua. Faria essa gentileza.
-Parrer Idotch. -N�o.
Mas eu n�o sei falar outra coisa.
Pensou que eu n�o ia sair, n�?
Mal educado, tirano, ignorante... Est�pido!
Da pr�xima vez ele trar� a minha mala.
Para qu�?
Ele s� est� se fazendo de dur�o.
Que hist�ria � essa de ceder o meu camarim?
Estou aqui h� tr�s semanas, elas mal chegaram.
Duas garotas naquele buraquinho ao lado
e al�m disso est�o loucas para casar.
�, tem que ser estrangeiro para ser algu�m.
N�o � irland�s?
Claro, todo mundo n�o �?
Olha, falei para elas que ia conversar com voc�.
N�o falam bem o nosso idioma.
O bastante para conseguir cartaz.
Por que n�o me arranja um espelho sem ferrugem?
Quer dizer que a resposta � n�o.
A quase todas as perguntas.
Quem �?
Sinto muito, garotas, ele n�o cede.
E eu falei! Am�rica.
Nenhum italiano deveria vir para c�.
Maldito Crist�v�o Colombo.
O Sr. Foy tem um Coliseu
e n�s temos que ficar nesse forno de pizza.
N�o tem lugar nem para pendurar a nossa roupa.
Aqui.
O que est� fazendo?
Escaussie, senhore. Procuro um arm�rio.
-Est� nele. -Madeleine!
Um momento.
O que quer?
Deixa eu fazer a sua maquiagem?
-Deixa que eu fa�o a sua. -N�o, n�o � nada.
-Nada? -Estou com o bal�.
E estou o tempo todo assim.
N�o � a toa que a It�lia � superpopulosa. Sai! Pra fora!
Ei! Onde voc� foi criada, num banho p�blico?
-Eu queria ajudar. -Fora.
N�o vai adiantar nada mesmo.
N�o vai conseguir esse camarim, fa�a o que fizer.
Imagino que faria mesmo. D� o fora.
-Que homem horr�vel. -E nem estou me esfor�ando.
-Seu rosto. -Eu sei.
Est� todo errado. Eu conserto.
Espere um pouco, eu gosto assim.
O palha�o tem que sorrir. Na It�lia n� fazemos.
El Besotarssi, o Palha�o. Ele vem da It�lia.
Queria que voltasse. Mas que ideia � essa?
Sua boca, assim.
Pronto. Agora o seu rosto est� feliz.
Por dentro pode estar triste, infeliz, irado, nervoso, o que quiser.
Mas por fora est� feliz.
Muito obrigado. Voc� me ajudou e muito.
Adeus.
Voc� � t�o gentil. N�o trouxemos o nosso.
Arrivederci.
Ei! Espere um pouco. Paguei 80 centavos por esse pote.
Bem, por fora voc� est� feliz.
Naquela noite as irm�s Morando
come�aram a trazer cultura a Chicago.
Mas Chicago n�o estava preparada para aquilo.
O homem impaciente no camarote � direita era Barney Green,
empres�rio, poderoso, experiente...
o dedo do destino com roupas de celul�ide.
Estava ali para ver se um c�mico chamado Eddie Foy estava preparado
para a Broadway, mas durante uma hora e meia
ele s� viu uma bailarina ador�vel e graciosa.
Eddie havia esperado muito tempo para subir ao palco
a fim de ser descoberto por Barney.
Ia ser uma noite dura.
Terceiro bis e ningu�m est� aplaudindo.
Eu falei para voc� ceder o camarim.
J� est�o no palco h� tanto tempo que dispensam camarim.
Ei, Mec, o que o Barney est� fazendo?
T� olhando para o rel�gio outra vez.
Tem que assistir o show do Majest daqui a dez minutos.
N�o v� embora ainda.
Ele foi por ali.
Ol�, sou Eddie Foy, fa�o o pr�ximo n�mero do show.
Estou esperando a minha vez h� tanto tempo
que o meu material j� saiu de moda.
Esta franga est� procurando um galo h� muito tempo
se ajudarmos a encontrar, poderemos ir para casa.
Tem um galo na plateia, ent�o o que est� esperando!
Muito prazer, sou o pr�ximo n�mero.
N�o vai arranjar marido com esse tipo de m�sica.
Saia do palco ou arranco seu cora��o!
O que vai apresentar no bis, olha que m�sica bonita, toque esta.
Tem algum m�dico a�? Ela est� na muda.
Voc� � irm� ou irm�o dela?
Olhe, est� tomando o banho matinal.
O galo se junta a ela. Tem apenas um peda�o de sab�o.
Mais �gua?
Recue sen�o vai se molhar.
Opa!
Jogue um pouco em mim. Um pouco atr�s das asas.
Nas costas.
Volto j�.
Ainda bem que estamos perto de um lago.
Peguei ele.
L� vem os ca�adores! Salvem-se quem puder!
Foy, sou um homem de poucas palavras.
Eu preciso de mais um c�mico.
Devia estar Majestic agora mesmo assistindo Ivete Gilbert.
� uma garota inteligente. Se voc� quiser te dou o meu camarote.
Afinal sou o sujeito que descobriu Burt Williams.
A minha vida � descobrir novos talentos.
Descobri mais um esta noite. Podia lhe contar hist�rias.
Mas sou homem de poucas palavras e n�o vou falar nada.
Elaborei este contato aqui para voc�.
Shansiuri Garavita, dupla de produtores jovens.
Zunick e Jake Schubert's, show novo,
pr�prio e $500 por semana garantia de quatro semanas.
Sou homem de poucas palavras, aceito.
V� ao meu escrit�rio amanh� com a assinatura das garotas.
Garotas? O que significa: garotas?
As bailarinas.
Aquelas italianas atrapalhadas.
J� estava preocupado com o seu hor�rio, por isso invadi o palco.
-Foi isso. N�o estamos juntos. -N�o estamos juntos?
Ent�o por que eu estava rindo?
Voc� acha que os Shugarts querem um bobo com cal�a frouxa.
Bal�, arte, mas que at� eu possa gostar.
Sabe qual � o segredo do meu sucesso.
Eu tenho o gosto mais pobre de Chicago.
Se eu gostar, qualquer um vai gostar, estou certo?
Deve estar.
Quem sabe melhor do que eu o que � um show.
Quem convenceu os dois Cohans a terem filhos
para se transformarem nos quatro Cohans.
-Eu os transformei num show. -Espere um pouquinho.
Olhe, depende de voc�.
Se voc� quiser chegar a Broadway, esse � o �nico jeito.
Pegue as assinaturas, vou lev�-lo a um restaurante maravilhoso.
Vamos comemorar com vinho franc�s e cookie de ma��.
Como a mam�e fazia.
N�o a sua m�e, a minha.
Voc� ri bastante, eu devia dar champanhe a plateia.
A minha irm� estava t�o errada.
Foi pena ela n�o vir.
Ela n�o confia em voc�.
Mas voc� s� queria se desculpar, n�o?
� isso.
Voc� agiu como um porco idiota e sente muito, certo?
Bem, n�o diria exatamente isso.
Voc� me mandou flores.
J� havia mandado flores para alguma mulher?
Sim, mandei uma vez a uma trapezista
que caiu da corda bamba. Todos mandaram flores.
Todos os homens do continente que conheci s�o t�o gentis.
Os homens civilizados levantam o est�mago
Voc� � acatavelmente vulgar.
Sabia que ia gostar.
Champanhe, flores e oferece o seu camarim tamb�m.
E de voc� � p gesto supremo.
J� estava na hora de agir como um ser humano.
E eu sei porque n�o agiu assim antes.
Conhe�o o seu segredo, Sr. Foy.
� mesmo?
O duro, o mal, o cruel, Sr. Foy.
Era muito t�mido.
Tome mais champanhe.
Gosto muito de voc�, Eddie Foy.
Est� vendo? N�o sou t�mida.
Um brinde a falta de timidez.
Enche o meu copo de novo.
Isso � que eu chamo de trabalhar r�pido.
S� vim aqui comer um pouquinho.
Aqui est� voc�, aqui est� a garota.
Sou um homem de poucas palavras. Cad� a assinatura.
Srta. Morando, o finado Barney Green.
Srta. Morando, est� vendo em mim
um dos maiores amantes do bal� de toda Chicago, pode perguntar.
Mas quando Eddie deu ao seu n�mero o que faltava,
alguns tombos engra�ados... eu sabia que era isso.
Vai adorar trabalhar com os Schubert's.
Mas quem s�o esses Schubert's?
N�o h� Schubert's na It�lia?
Deve haver um irm�o em algum lugar por l�.
Vai ser um grande n�mero, Foy e as Morandos.
Minha irm� me espera, me excuse.
-Disse algo errado? -Disse tudo.
Com duas garrafas de champanhe era muito cedo. Pague a conta.
Ei! Pare!
Pare!
Srta. Morando.
Eu n�o pegaria um resfriado se fosse voc�.
Sua irm� n�o pode trabalhar sozinha.
Muito bem, eu tinha um contrato preparado no bolso para voc� assinar.
Foi bom o Barney aparecer.
Vai devagar, sen�o deixo voc� se molhar.
Descobri que voc� � o tipo de mulher
de quem passei a vida inteira fugindo.
O tipo da casa no campo.
Ora, n�o preciso de voc�, nem da sua irm�, nem de ningu�m mais.
Trabalho sozinho. Vou conseguir chegar a Broadway sozinho.
At� aqui ningu�m me ajudou.
Cuidado com essas possas, por favor, essa roupa � alugada.
-Talvez um dia uma mulher, sim? -S� por um dia.
-Tenho pena de voc�. -Por qu�? O grada-chuva � meu.
Voc� � t�o vazio.
Eu s� quero o meu nome num cartaz.
-Nada mais? -O que mais existe?
O resto do mundo!
O que o mundo fez por mim?
Voc� j� ouviu a can��o que eu fiz para Elias Cam?
N�o.
Quando as nuvens de chuva saldam a vida
E para mim n�o resta nada mais do que a dor
Quem vem aliviar a minha cabe�a dolorida?
Ningu�m.
Quando o inverno vem com granizo e neve
Eu sinto fome e meus p�s est�o frios
Quem me d� alguma coisa para comer?
Ningu�m?
J� est� entendendo.
Eu nunca fiz nada por
ningu�m!
Eu nunca recebi nada de
Ningu�m.
Nunca.
E at� eu receber algo de algu�m
Um dia
N�o pretendo fazer nada por ningu�m
Jamais
Quando me esfor�o e planejo ficar o melhor poss�vel
Quem diz: "Olhe aquele bonit�o"?
Ningu�m.
Ningu�m.
O dia inteiro tudo d� errado
Vou para casa a procura de paz
Quem me d� um beijo apaixonado?
Ningu�m?
Assim que recebi o seu recado eu vim correndo.
Assinaram o contrato?
Aqui est�.
Tem alguma data em aberta na costa oeste?
O qu�?
Tenho que desaparecer daqui depressa, antes que percebam
estarei com filhotes de c�es e beijando beb�s.
Pode valer apena o Schubert's, grande com�dia musical, Broadway.
Voc� � casado?
Claro. Uma mulher maravilhosa.
Comemoramos o nosso 15� anivers�rio de casamento.
15 anos com a mesma mulher, 4 filhos bonitos.
Depois do trabalho vou para casa toda a noite.
Isso vale a pena?
Vou te conseguir uma data na Costa Oeste.
Eddie foi para o oeste sem se despedir.
Madeleine e Clara resolveram embarcar no primeiro navio para a It�lia.
Ent�o ele fugiu.
Foi a primeira vez que foi gentil por voc�.
Vamos voltar para a It�lia onde h� d�zias de jovens
que dariam a vida para te fazer feliz.
"Grazia Dio" que n�o veremos mais o senhor Foy.
Vamos esperar e vamos ver...
e a� talvez daremos "gra�as a Deus".
No fim do ver�o papai acreditava que uma mulher � s� uma mulher.
Mas um bom charuto � melhor.
� claro que ele nunca fumou um bom charuto na vida.
Sr. Foy. Por que o senhor n�o joga fora esse charuto velho?
N�o jogo n�o. T� na fam�lia h� muito tempo.
Mas por que n�o compra charutos novos?
Pre�o especial, dois d�lares a caixa.
Quanto voc� quer para me deixar em paz?
� mesmo um grosseir�o, seu est�pido!
-Ei! Sabe ler em italiano? -� claro que leio em italiano.
Leia isto para mim.
Como � que conheci uma garota em Milano.
Logo em Mil�o do mundo inteiro. O que diz a�?
Ela diz na carta que est� para esposar-se. Casar-se.
Daqui a dois meses depois que fizer o teste para uma escala.
-Est� muito felice porque... -J� chega.
ele � um �timo rapaz. O pai dele tem muito dinheiro.
-E ela disse que vai ter muitos filhos. -Cala a boca!
Ela vai morar em Roma.
Ela ser� muito felice, muito felice em voc�.
� a garota mais afortunada do mundo.
Ela n�o escreveu isso, � por minha conta.
-Isso � tudo? -$1,90.
Pra mim chega, j� ouvi demais.
S�o 11.229 km de S�o Francisco a Mil�o na It�lia,
entre Scala e o �pera House, mas o meu velho foi at� l�.
Fingindo sempre que tinha ido s� passear.
1, 2, 3, 4.
1, 2, 3, 4.
1, 2, 3, 4.
-Ol�. -Sr. Foy.
Mas que surpresa.
�, imaginei que seria, � que eu estava passando por Mil�o
a procura de talentos para o Schubert's e resolvi procurar voc�.
Muito gentile.
Sabe, acabo de pensar.
Voc� n�o estaria interessada em se ligar a mim?
Em me ligar?
Sim, n�s tr�s juntos. Bal�-com�dia, voc�, eu e sua irm�.
Barney j� arrumou todo. Podemos come�ar na Bradway.
Sinto muito, tenho oferta melhor.
Clara te obrigou?
N�o, um jovem rapaz. Recebeu a minha carta?
Sim, sim, � muito interessante. Guardei o selo.
E eu vou me casar. Os Schubert's fazem oferta melhor?
N�o, n�o. Eles n�o podem.
Entendi.
Vai ficar em Mil�o?
N�o, estou pensando em partir amanh�.
Para falar a verdade, comecei a pensar em partir hoje � noite.
-Sinto muito. -�.
Bem... continue o ensaio.
Tenho uma oferta melhor.
Quando?
Agora mesmo, antes que eu recorde o ju�zo.
-Ent�o me diga. -Dizer o qu�?
O que qualquer giovani vinda la signorina
quando deseja fazer tal proposta.
Francamente passei a vida inteira evitando descobrir.
Eu quero descobrir.
Est� bem, quer se casar comigo?
Fala como se estivesse envergonhado.
Diga para que todas possam ouvir.
Pra qu�? Elas n�o entendem a minha l�ngua.
Essas l�nguas todas as mulheres entendem.
O que voc� quer? Sangue?
Sim. Quero que fale alto.
No palco, pela Escala de Milano.
A casa de verde. Puccini, Memba.
Para que mi ricordo per tutta la minha vita
-Devo cantar palha tch� na hora... -Se desejar.
-Quer se casar comigo? -Mais alto.
-Quer se casar comigo? -Por qu�?
Por qu�? At� onde voc� quer ir?
At� voc� dizer que me ama.
Eu te amo. Quer que grite mais alto?
N�o.
J� � cosi.
Tomara que os Schubert's reconhe�am
o que estou fazendo por eles.
Eles se casaram e passaram a lua de mel na ilha de Capri, na reviera.
N�o havia nada que o meu pai n�o fizesse pelos Schubert's.
Dois meses depois ele levou o n�mero para Nova York.
Minha mala, voc� esqueceu.
Mais alguma coisa? Tenho uma perna livre aqui.
-Eddie! -Barney!
-Eddie. -Ol�, Barney.
Meus parab�ns. Por onde andou?
Os ensaios j� coma�aram h� tr�s semanas.
� minha culpa, Sr. Green.
A vida inteira sonhei com a lua de mel em Capri.
Ent�o ficamos. Foi maravilhosa.
-Chuva, vento. -Ela era a nossa guia. Que guia.
Vamos. Tenho um t�xi esperando.
S� um minuto. Ainda n�o examinei toda a bagagem.
Tudo que vem da It�lia tem que ser inspecionado.
� minha! Est� tudo declarado.
Todos dizem a mesma coisa.
Que pa�s � este aqui? Am�rica, inspetores de calcinhas, burros, idiotas.
Leve essa mulher para um canto qualquer
antes que nos mandem de volta para a It�lia.
N�o ter�amos tanta felicidade. Ei, espere! N�o me empurra!
Temos que nos apressar.
Prometi que estar�amos todos no teatro daqui a meia hora cantando e dan�ando.
A minha irm�, n�o.
-U�! Por que a sua irm� n�o? -Est� com crian�a.
Com que crian�a ela est�? Filha de quem?
Eu n�o vi crian�as por aqui.
Madona, como se diz... ela est� gr�vida.
N�o me importa como se diz isso, n�o pode fazer isso comigo.
Eu mandei adiantamento. Por que o Foy n�o me avisou?
-Porque n�o avisamos a ele. -Ele deve imaginar.
-N�o. -Por que n�o?
Eu n�o confio nele.
Voc� n�o confia nele? Sua irm� deve confiar nele.
Por essas coisas s� acontecem comigo?
Ela � jovem, tolinha. Aconselhei a n�o se casar com esse vagabundo.
Opini�o sua.
Em Capri ela me disse que vai ter um filho.
Pedi para que n�o contasse a ele.
Ele vai te deixar, vai embarcar num navio para a Am�rica sozinho.
-E eu estaria certa, n�o? -Teria vindo nadando.
Vamos logo. Barney, eu passei a vida inteira esperando por isso.
-Provem. -Quando � a estreia do show?
Quando s� em 15 de maio a orquestra toca em percuss�o
e voc� aparece uns nove meses depois.
Explique isso direito para mim, eu passei muito tempo fora do pa�s.
Muito tempo e com o meu dinheiro. Pode dizer adeus a Broadway.
Mas eu ainda n�o disse ol�. O que voc� sabe que eu n�o sei?
Conversei com a sua representante europeia,
devia conversar com ela de vez em quando, � uma mina de informa��es.
Sr. Foy, n�s vamos ter um beb�.
Eu queria te contar, mas Clara mandou esperar.
Se est� interessado, aconteceu em Capri.
Oh, obrigado. Muito obrigado a todos voc�s
pela gentileza de me informar a respeito.
Alguma outra not�cia para dar?
Parece que voc� sabe de tudo. E o que vai ser? Menino ou menina?
Vai ser um italiano.
� uma coisa que n�o declaramos na alf�ndega.
-Est� zangado? -N�o.
S� que n�o � certo fazer isso com uma crian�a, ter um pai como eu.
A Broadway ficou para tr�s.
O beb� chegou na data prevista.
Papai o batizou em homenagem a William James Bryan e Abraham Lincoln,
Bryan Lincoln Foy.
Se esse garoto optasse pela cidadania italiana, teria dificuldades.
Uma cidade atr�s da outra com o correr dos meses.
O meu velho podia ser o �ltimo nome dos cartazes.
Mas ainda era o primeiro nos sal�es de bilhares.
O dinheiro era providencial, agora que havia mais uma boca a alimentar,
al�m da tia Clara.
Eddie, d� a mamadeira ao Bryan.
Sa�de.
Vamos l�, tome logo. Tenho uma matin� amanh�.
N�o abuse da sua sorte, voc� est� nessa fam�lia de carona, sabe.
T� saindo leite?
-Capri. -H� algo errado?
Tudo errado. N�o nasci para esse tipo de servi�o.
Cheguei a conclus�o que esse menino � o �ltimo da dinastia,
j� existem Foy suficientes no mundo.
-Ela n�o te contou? -O qu�?
Estamos gr�vidas de novo.
Midi-wake.
Pra ouvir a semana inteira.
� todo que tem a dizer?
Isso n�o significa nada para voc�?
Claro. Vamos ter que abrir mai uma gaveta.
Vou dizer uma coisa, estou cansado de morar em pens�es.
Preciso tentar me fixar em um show para tentar me instalar,
ficar em algum lugar.
Um dia teremos uma casa grande no campo.
Grama, �rvore. Uma cabra.
Como era na It�lia.
Quando falo em me instalar,
estou falando de um apartamento no Hotel Sherman.
Voc�s v�o se sentir em casa,
tendo um monte de cabras velhas no sagu�o.
Mas que vida. Como pode viver com este cigano? Ele s� sabe insultar.
Eu adoro quando ele fica zangado. Est� zangado o tempo todo.
Quantas mulheres conseguem amar o marido o tempo todo?
Essa � a terceira cal�a que esse menino estraga.
Ent�o, querem que eu durma na gaveta?
Agora � tarde.
Tia Clara fez quest�o de batizar o filho seguinte
com o nome de Giovane Victorio Emanoel.
Meu pai me chamava de Charley.
E estou contente.
Agora havia mais uma boca a alimentar,
e o apetite da Tia Clara n�o parava de crescer.
Papai teve que se tornar famoso por pura necessidade.
E o esfor�o estava come�ando a aborrec�-lo.
Estou cansado
Estou t�o cansado
As conversas
sempre me cansam
Estou cansado
Estou t�o cansado
Estou terrivelmente
C-A-N-S-A-D-O
MAIS UM FILHO
Estou cansado
Estou t�o cansado
Estou terrivelmente
C-A-N-S-A-D-O
Toda na��o ouviu falar do teatro
mas para o meu pai era assunto particular entre ele e Bryan.
Quer dizer que seu pai � famoso.
Eu n�o quero ver.
� o maior show da hist�ria de Chicago.
Eu sou muito, muito engra�ado nele. Voc� vai adorar.
Eu n�o quero, eu quero mais doces.
O que est� dizendo? Est� planejando ingressar na carreira?
Vamos l�, Bryan. Tenho que fazer a minha maquiagem.
Vamos voltar para a confeitaria.
Quer fazer o favor de vir? Olhe.
Bryan, olhe pra mim.
A ideia n�o foi minha.
Sua m�e me fez prometer que no seu anivers�rio
eu traria voc� para ver Foy e a sua Barba Azul.
� um sucesso, todas as crian�as da cidade v�m.
Voc� vai sentar na conchinha onde poder� ver tudo o que acontece.
Que presente melhor voc� poderia ganhar?
Mais bala.
Que lindo, muito lindo.
Mais um cent�metro para a direita e n�o haveria matin� hoje.
Vamos, Bryan, voc� vai ver o Foy e gostar, quer voc� queira ou n�o.
Eu n�o quero ir, eu n�o quero ir!
Eu n�o quero! Eu n�o quero!
N�o fa�a isso.
ENTRADA DE SERVI�O
Ora, que garotinho elegante! Ele � o seu filho, Eddie?
N�o, ele n�o � meu pai.
Vamos l�, estranho.
Ele n�o riu assim quando eu estava em cena, carcamano.
Olha!
Est� pegando fogo no teatro.
Socorro!
Tirem meu filho da�!
Botem a corda para ele descer.
Fique calmo.
Aqui em cima, eu quero descer.
Bryan, sai! Pule, pule!
N�o, n�o!
-Papai, socorro! -Venha, venha!
-Papai, papai! -Agora sou papai, n�?
Jack! Jack! Me ajude.
Cuide bem dele, ele me chamou de pai.
-E voc�? -Vou descer.
Vai, vai logo! Vai em frente, vamos!
Sai da frente! Sai da frente!
N�o h� perigo! Acalmem-se! Ningu�m corre do show do Foy.
Todos saem andando. Devagar com calma, assim.
Aquele p� de anjo, engra�ado ajudou a aliviar o p�nico.
Salvou muitas vidas.
Anos depois o velho falava com mod�stia sobre o incidente.
Ele n�o mencionou mais do que duas ou tr�s mil vezes.
Depois do inc�ndio havia teatros fechados no pa�s inteiro.
Por�m quando reabriram, Eddie Foy havia finalmente chegado a Broadway.
Era mais uma manchete do que um astro.
Fazia oito shows por semana no teatro
e matin� na catedral de S�o Patr�cio.
Mary Helen Foy, v� com Deus e que o Senhor esteja contigo.
Am�m.
Obrigado, padre. Ainda vou alcan�ar o segundo ato.
EDDIE FOY EM A OQU�DEA
Madeleine Atonete Foy, v� com Deus e que o Senhor esteja contigo.
-Am�m. -Am�m.
-Bem pontual, padre. -N�o sou sempre?
EDDIE FOY EM O BOM DIA A GAROTA
Eddie Felix Foy J�nior, v� com Deus e que o Senhor esteja contigo.
-Am�m. -Am�m.
Deviam dar um bilhete m�ltiplo ao papai.
EDDIE FOY EM O SENHOR HAMLET NA BROADWAY
Irving Foy, v� com Deus e que o Senhor esteja contigo.
-Am�m. -Am�m.
Am�m.
A �gua benta est� acabando, padre.
Oito anos depois papai nos levou para passear no interior.
N�s imaginamos que ele estava planejando um assassinato em massa.
As senhoras recolhem as cal�adas daqui.
Olhem, nem existem cal�adas.
Quando o seu pai tiver a gentileza de nos levar a passear no domingo...
O que mais pode fazer? O sal�o de bilhar est� fechado hoje.
Pensei que t�nhamos filhos e n�o um grupo de humoristas.
Ah, o ar fresco. Que bono. Respirem, respirem.
As crian�as n�o deviam passar a vida dentro de um hotel.
Aqui � o lugar que elas devem estar. E n�o s� aos domingo.
Aqui no meio do mato?
H� anos que venho lhe pedindo, mas � como falar com uma parede.
Se eu desse ouvidos a voc�s acabaria numa casa escondida como aquela,
abrigo dos vendedores de ma��,
longe do copo de cerveja mais pr�ximo.
-Mais que linda. -Foi o que pensei.
Podem descer, comprei esta casa ontem.
O que �, papai? Est� doente?
Clara, una casa no campo. O que sempre sonhei.
-Que tal? -Est� caindo aos peda�os.
�, como algu�m que eu conhe�o. Respirem, respirem!
� muito distante, n�o vou poder ver as minhas amigas.
E eu n�o posso ser feliz aqui.
Que bom. N�o queremos que isso aconte�a. A It�lia fica pra l�.
Eddie, Clara � nossa h�spede.
Depois de 14 anos j� � inquilina.
Bem, n�o me agrade�am todos de uma vez.
Aposto que n�o h� garotas � quil�metros.
Se o problema � dist�ncia, est�o h� anos de dist�ncia.
O senhor n�o vem muito em casa, n�o �?
Por que o senhor trouxe a gente para esta casa?
Ei! A cerca est� quebrada.
-Saiam do caminho. -Est� bom.
Espere, espere! Provavelmente isso ainda n�o foi pago.
Estou t�o feliz.
Isto � quase tudo o que eu queria.
Eu tinha que comprar um presente de anivers�rio.
Hoje n�o � o meu anivers�rio.
Seja ou n�o, este � o presente.
Um bode.
Obrigada. Muito obrigada.
Agora a Clara tem com quem conversar.
Deixou amarrado sem tra�os da fam�lia Foy.
-Eu nunca amarrei ningu�m. -�, eu sei.
Acho que foi por isso que funcionou.
Me disseram que n�o existiam mulheres como voc� por aqui.
Tive que importar uma.
Estou t�o feliz por ter passado pela alf�ndega.
Eu roubei isso numa pequena joalheria do Bronx.
Sei que vai odiar.
-Um anel de noivado. -Achei que j� estava na hora.
�, vai ser bom as crian�as saberem que estamos noivos.
Sou inexperiente, est� um pouco largo. Vou devolv�-los.
N�o! � do tamanho exato.
Calma, menina, ou vou ter que comprar um par de alian�as.
Bem, tenho que voltar a Nova York.
-Voc� n�o vai entrar na casa? -J� vi a casa.
Est� tudo l� dentro, inclusive as compras.
Encomendei at� massa de tomate.
Mas pra onde vai.
O pessoal vai oferecer um jantar a George Cohan.
Tenho que ser o mestre de cerim�nia.
Se for o mestre de cerim�nia, talvez aceite jantar com a gente algum dia.
Obrigado. Desce da�.
-Adio, papa. -Arrivederci.
E uma grande manh� para voc�s todos.
Foi por isso que ele comprou a casa,
para nos esconder aqui no mato
e voltar correndo pra cidade para se divertir.
Espera. Est� fazendo a volta.
� melhor voc� aprender a contar.
Ah, Sra. Foy.
E onde est� o Sr. Foy nesta linda manh�?
Dormindo, � claro.
Ele chegou em casa s� �s 4 da manh�.
Da pr�xima vez o papai vem a igreja. Eu prometo.
Sempre diz isso.
Se n�o houvesse tantas provas em contr�rio
eu nem acreditaria que existe um Sr. Foy.
No dia em que ele subir esses degraus
todos os carrilh�es da cidade v�o tocar em triunfo.
Pra isso ele deve vir.
V�amos muito pouco o nosso pai quando estava em cartaz na Broadway.
A� ele resolvei excursionar com o �ltimo sucesso.
Papai se sentia um tanto culpado
e fez quest�o de nos ver antes de partir para Boston.
Jamais esquecerei aquela noite.
Adeus, Madeleine, Richard, Eddie, Bryan, Mary, Charley, Irving.
Tchau.
-Quem � aquele acenando? -� um amigo da mam�e.
Ele n�o teve culpa se a Boston Livet n�o parava em New Rochelle.
E como ele podia saber que a tosse da mam�e
n�o era por causa da friagem noturna?
Com o passar dos tempos mam�e ficou muito doente.
O m�dico estava sempre em nossa casa.
Papai ainda estava excursionando e n�o sabia de nada.
Pensava que estava tudo muito bem em casa.
Toda semana chegava uma carta dele.
Tia Clara levava ao quarto de mam�e.
Mam�e nunca mais saiu da cama.
Onde ele est�?
-De onde veio a carta? -Tubuque.
E existe esse lugar Tubuque?
Tobique.
Por que voc� n�o escreve e diz que est� muito doente?
Eles podem substituir ele. Por que preocupar?
Como pode passar tantos anos com este homem?
Um estranho na pr�pria casa, uma visita para os filhos.
Nem um sinal do que ele sente.
Eu sei o que ele sente.
-N�o necessita modific�-lo. -Mas ele modifica voc�.
O que ele diz?
485 d�lares. Ele ainda te ama.
Vai tentar ligar novamente? O n�mero est� certo?
Ent�o continue tentando.
A linha est� ocupada desde que o meu trem chegou.
H� alguma coisa errada em casa.
Ter algu�m no telefone j� quer dizer que o mundo est� chegando ao fim.
Desligue. Voc� vai para casa logo ap�s o jantar. Fa�a surpresa.
Que import�ncia tem eu ver o George Cohan fazer outro discurso
sobre ele mesmo?
Eu n�o queria contar, o discurso � sobre voc�.
Vai receber um pr�mio.
Cohan vai me entregar um pr�mio?
Ent�o vamos correr,
quero saber quem vai apontar uma arma contra ele.
Em todos esses anos, os Pryors tem conseguido
pr�mios a muitos homens de talento especializado.
Mas ningu�m chegou t�o longe em seu campo de especialidade.
E � uma honra entregar a Eddie Foy
O trof�u Pryor de pai excepcional deste ano.
Obrigado, Sr. Cohan, eu sei o quanto deve ser doloroso
entregar um pr�mio que n�o seja a si mesmo.
N�o faz mal, Foy, eu n�o estava concorrendo para este pr�mio.
Falando s�rio. Eu queria ter 7 filhos
para perpetuar o nome dos Cohan.
Desde quando precisa de ajuda?
Quando um irland�s vai envelhecendo,
gosta de ter uma fam�lia perto dele.
Sabe o que eu daria para adotar os seus sete filhos?
Sabe o que eu lhe daria para adot�-los?
Conhe�o os seus filhos, n�o poderia pagar.
Pelo menos voc� teria p�blico,
e vai precisar dele quando Foy estrear em frente a voc�
com Zig Feld Colin.
Que novidade um velho como voc� tem a mostrar ao p�blico?
Zig Feld mais precisar de 100 mulheres bonitas no palco.
E o que elas t�m para me mostrar de novo?
Ah, elas sabem. Mas n�o estou preocupado.
Broadway Jones ainda estar� correndo
quando Foy estiver s� andando.
Quando entrei no ramo, Cohan j� estava se aposentando.
Voc� ouviu os aplausos, n�o ouviu?
Toda vez que voc� agitava a bandeira americana.
Depois de sete filhos voc� nem a levanta.
Ora, eu ainda estou em �tima forma.
Observe isto.
Vejamos se o menino prod�gio mais velho do teatro faz melhor.
Limpem a mesa, e preparem-se para o n�mero principal.
N�o fique assustado. Suba at� aqui, papai.
Ajudem o velhinho a subir aqui.
Harry, toque Yankee e don de ni.
Voc� n�o dan�a m�sicas que n�o foram compostas por Cohan?
N�o h� nenhuma.
-Gostou, papai? -Isso n�o vai substituir a dan�a.
Willie, assuma o piano. Uma musiquinha do Foy.
Doce, linda e original.
Que tal isso para um velhinho?
Muito velho.
Conhece os meus n�meros de sapateado?
Conhe�o todos os n�meros que voc� j� viu. Eu fiz primeiro.
E eu fiz certo.
Professor, a Little Mary.
-Ol�, padre. -Boa noite.
� um pouco tarde, n�o?
�, as outras pessoas j� foram embora.
As outras pessoas?
A Sra. Foy tinha muitos amigos.
O que quer dizer: tinha muitos amigos. O que est� havendo?
Ela faleceu hoje � tarde.
Do que o senhor est� falando? Ela est� bem, recebi uma carta dela.
-Estava doente h� muitos meses. -Muitos meses?
Espere um pouco. Ela teria contado para mim.
Me d� licen�a, estou tentando localizar o marido.
Eu sou o marido.
Ora, me desculpe, Sr. Foy.
Ent�o finalmente nos conhecemos.
Eu � que lhe pe�o desculpas, padre.
-Clara, eu nem estava aqui. -Como sempre.
Devia estar feliz agora, n�o precisa voltar para casa, nunca mais.
O pai do ano.
Meus parab�ns.
Quem �?
Ningu�m.
Ol�, pai. Est� s� de passagem?
COMPAHIA ADAMS Brinquedos e artigos esportivos.
Crian�as, mangiare, almo�o. Crian�as, comportam-se.
Ah, mocinho, eu te pego.
Ol�, Clara. O Eddie est�?
Este � o problema. Ele est�.
Olha s� o que ele comprou para eles, balan�o, gangorra.
Ningu�m pode punir, ningu�m pode bater,
presentes, presentes, sempre presentes.
�, ele est� tentando agradar os filhos, conquistar.
Filhos, eles cospem neles.
Se eu tiver direito vou levar todos para a It�lia.
Mary, Bryan, Madeleine, venham almo�ar.
-Eu te peguei! -N�o pegou n�o!
-Eu peguei sim! -Pegou nada!
-Ol�, Eddie. -Bem-vindo � culin�ria.
O velho Russ Bud conseguiu um p�blico muito grande no s�bado,
-Preciso voltar as atividades. -� melhor sair um pouquinho.
Quer cerveja? Abra a geladeira e sirva-se.
Se a geladeira ainda existir.
A temporada de outono j� est� fechada.
Voc� n�o faz nada h� seis meses.
Mencionei o seu nome para Sam Harris e ele me disse:
-Quem � Eddie Foy? -Quem � Sam Harris?
O que voc� vai fazer? Passar o resto da vida
assistindo os seus filhos se serrarem ao meio?
No momento em que eu sair, Clara vai nadando pra Mil�o
com meus filhos entre os dentes.
Vai ser melhor para eles do que isso.
Que hist�ria � essa? Ele t�m tudo aquilo que querem.
Eles n�o t�m nada.
Se n�o quiser a cerveja, v� embora.
Sou empres�rio, ganho a vida ouvindo gritarem comigo.
-Isso � viver. -Ou�a o que eu digo.
Voc� est� interpretando um personagem.
-Ouvi o que disse. -Eu nunca vi coisa mais nojenta
-na minha vida. -Eu sei.
-V� trabalhar, Eddie. -Preciso de dinheiro.
-Volte para o palco. -E os meus filhos?
-Leve com voc�. -Vem logo!
-Esses sete desordeiros? -Estou indo.
Seria �timo, n�o? Ol�, Billy.
Voc� imagina o que eles fariam no quarto do hotel
enquanto eu estivesse no palco?
Eles jogariam as camareiras do quinto andar.
Leve-os para o palco. Divide um n�mero.
-Poderia? -Assim voc� fica de olho neles.
Mas eu fa�o com�dias musicais. Sou um grande astro.
N�o nesta casa.
-Esque�a. -Sou um homem de poucas palavras.
Eddie Foy e os 7 Pequenos Foy
est�o escalados para o teatro de Baile em Pittsburgh daqui a tr�s semanas.
Eu afiancei.
Voc� afian�ou, espera que eu acredite nisso?
-Voc� n�o me pega. -Pego sim.
Que empres�rio escala um n�mero sem ver antes?
O meu cunhado. Foi por isso que tive que financiar.
Ent�o diga a ele que esque�a,
as crian�as v�o ficar aqui onde tem que ficar.
Ent�o, sou um homem de poucas palavras e muitas ideias ruins.
Com certeza.
O que me fez pensar j� que os Cohans sa�ram t�o bem
os Foys tamb�m se sairiam.
Eles tinham um pai.
Ei! Eu pensei que a gente nunca mais ia apanhar.
Vamos mudar o n�mero.
Aquela noite papai tentou nos fazer trabalhar.
Mandamos Irving buscar refor�os.
Sil�ncio! J� est� na hora de sair da vadiagem...
para ajudar a sustentar o seu pai.
-Aqui, aqui, isso. -O que est� fazendo com eles?
Estou dando a eles uma chance �nica na vida,
Irving, entra ali no fim da fila.
-Eu n�o quero trabalhar. -Eu tamb�m n�o.
V�o todos trabalhar no teatro comigo.
No teatro, pai?
Fique aqui.
Eddie Foy e os sete pequenos Foys, o que acham?
Ei! Por que o seu nome na frente?
Meu empres�rio � esperto, s� isso.
Teatro! Mas n�o � lugar para criar os filhos.
-� isso mesmo. -E eu n�o vou tolerar isso.
Sente-se no seu piano e ganhe o seu p�o.
-N�o, nunca! -�timo, vamos viajar sem voc�.
Abalei a fera.
-N�s n�o queremos excursionar. -Eu n�o gosto dessa droga.
Eu tive que trazer voc�s aqui no chicote.
Qualquer pessoa de New Rochelle ficaria feliz de sair de New Rochelle.
Pensem em todas as cidades grandes que vamos ver:
Pittsburgh, Filad�lfia, Baltimore.
N�s n�o queremos viajar.
-Mas voc�s... -T� vendo.
N�o deve afastar as crian�as do lar, da escola e dos amigos.
E eu vou p�r a jantar na mesa.
sente a�, pra que precisam de amigos? Voc�s s�o sete,
j� t�m amigos e inimigos de que precisam aqui em fam�lia.
E tamb�m sabemos quem eles s�o.
�, e quanto a escola, vou levar um professor junto com voc�s.
-O qu�? -Vai ser assim, precisa estudar?
O senhor s� aprendeu a contar at� sete para saber quantos somos.
Olhe, continue assim e s� terei que contar at� seis.
Vamos l�, para tr�s. Aten��o! Primeiro vamos ensaiar a abertura.
E teremos fazer um passo preciso com est�mulo simult�neo.
Todos os Foys. Bryan, venha aqui.
Fa�a um passo comigo aqui na frente.
Toque um pouco, Clara. Agora, vamos l�.
Pare, pare.
-Quem disse que voc� sabe dan�ar? -Voc� foi o primeiro.
Senta a�, senta a�. Charley, tente esse passo, por favor.
Venha c�, siga-me. L� vamos n�s, Clara.
N�o sei cantar tamb�m.
Deve haver algum gr�ozinho de talento escondido em algum lugar,
eles s�o meus filhos, n�o s�o?
Eles finalmente provaram.
Vamos andando, eu vou servir o jantar.
N�o, ningu�m come antes de fazermos tudo direito.
T� morrendo de fome.
O que temos aqui? Um bando de c�micos.
-Eu conto as piadas. -Conte quando comemos.
Devagar, algu�m aqui deve ter alguma coisa a mais
-al�m do que apetite. -Eu sei dan�ar.
Guarde suas opini�es para si.
Mary e eu cantamos.
Eu sabia. Eu sabia que t�nhamos algu�m de talento aqui,
voc�s, seus vadios, podem rolar, enquanto apresento
essas duas garotinhas no palco vestidas com roupas lindas.
Puxa vida, a plateia vai dizer: Ah, essas meninas.
Vamos montar um n�mero s� com elas.
Vamos l�, bonequinhas, a luz est� em voc�s,
fa�am o que sabem e levantem o p�blico.
H� sorrisos, sim, h� sorrisos que nos alegram
H� sorrisos, sim, h� sorrisos que nos entristecem
H� sorrisos que secam as l�grimas
como o calor do sol seca o orvalho
Ah, tomara que a for�a do teatro n�o seja boa.
Depois disso papai come�ou a nos ensaiar dia e noite.
N�o era suficiente.
Ele nos mostrou todos os truques que aprendeu.
Em desespero recorreu a camuflagem
de sete crian�as enfileiradas, seria um alvo certeiro.
Irving achava que era muito jovem para correr,
mas papai estava determinado.
Queria o maior n�mero poss�vel de crian�as entre ele e a plateia.
Partimos para Pittsburgh, prontos ou n�o dev�amos ter ficado na mala.
Ocupamos metade de um vag�o dormit�rio e um banheiro inteiro.
Ei! Eu divido do lado.
Desculpe.
Vista Eddie.
Prontinho.
Este � do Charley.
Me abotoa, Eddie Foy.
Como se faz isso?
Deixa que eu fa�o.
Voc� n�o serve pra nada.
Espere at� n�o ter ningu�m por perto, a� vai me chamar.
Agora durmam.
Tudo em ordem?
Bom, eu n�o achei o sabonete, n�o tenho onde tomar banho
-e tem um cisco no meu olho. -Lar doce lar.
Do que est� reclamando? Eu tenho que dormir no s�t�o.
-Qual � o problema? -E se importa?
Me importa muito.
Por que trouxe a gente pra c�?
Ora, pensei que meus filhos gostariam de estar comigo.
-Por qu�? -Isso pode ser
um grande choque pra voc�, mas eu sou o seu pai.
Eu sei que foi um grande choque para mim.
Voc� trouxe a gente. N�s n�o temos amigos aqui,
nem brinquedos, nem coisa nenhuma.
N�o tire conclus�es. Eu mandei a Clara trazer tudo para voc�s,
brinquedos, livros, conchinhas. Tudo, tudo.
-Tudinho? -Tudinho.
E o nosso bode?
N�o trouxe, ele n�o gosta de peixe.
Ent�o n�o trouxe tudo.
Juro, trouxe todas as porcarias.
Tive que deixar de trazer tr�s ternos.
Voc� trouxe "meu" boneca?
� claro, eu sabia que isso ia acontecer.
-Pode me dar? -De manh�.
-Ah, voc� n�o trouxe. -Claro que trouxe.
Est� na mala do vag�o bagageiro.
Eu n�o posso dormir sem minha boneca.
�, mas voc� n�o quer que eu saia ca�ando no vag�o bagageiro
no meio da noite s� pra procurar por uma... por...
isto �... pensariam que eu sou... quer dizer, por favor... eu...
-Est� bem, eu tento. -Obrigada, papai.
se voc� ao menos soubesse cantar.
Era isso que estava procurando?
Sim. Feche as malas, por favor.
Vamos.
Durma bem.
Tome, quase tive que comprar passagem pra ela.
-Leve de volta. -Ora, voc� n�o me pediu para...
S� queria ver se voc� ia buscar. Boa noite.
Boa noite, filha.
Voc� foi muito bem educada.
Ol�, somos casados.
SUSIE HELENA CANTANDO BUKKER HILL
EDDIE FOY E OS SETE PEQUENOS FOYS
At� o papai estava com medo de pisar naquele palco.
Oh, n�o. Nada disso.
Fiquem juntos, sen�o eles v�m aqui pegar a gente.
Mais aplausos!
Sabem, me deu a maior trabalheira ensaiar este n�mero.
Quem � esse?
Ah, j� sei. Esperem.
Fique aqui fora, com todos n�s.
Muito bem, caprichem, fa�am parecer um grande n�mero.
Bem, c� estamos n�s. A fam�lia inteira.
Isso mesmo.
Se nos mudarmos para Filad�lfia, ela vira uma cidade.
� engra�ado.
N�o temos outra op��o a n�o ser come�ar o nosso n�mero
do jeito que est�.
Professor, pode come�ar a trag�dia.
Sabem, se eles n�o fossem meus filhos eu sairia do teatro.
Por que voc�s n�o saem?
O que est�o olhando?
N�o � lugar pra crian�as.
S� crian�as podem ser pe�as impunes.
N�o estou neste show, s� vim aqui pra defend�-los.
Agora, Mary e Madeleine v�o cantar,
para os seus eleitos, pro meu � que n�o �.
Johnny Jump, tinha um lindo barquinho
E queria levar todas as garotas para passear
Ele tinha namoradas na praia
Garotas lindas as d�zias
Johnny era muito espertinho, sabia?
Namorava firma com a Flo
Todas as tardes de sol
ele ia namorar no barco
Ele remava, remava, remava Rio acima ele remava, remava
Dava um bra�o nela e a beijava de vez em quando
Ela dizia a ele quando, come�ar a namorar a se beijar de novo
A� ele remava, remava, remava e remava mais um pouco
Depois ele largava os remos, namorava mais
e remava, remava, remava
Para o barco!
Em frente!
Irving? Irving?! Irving?
Saia j� da�. T� querendo se afogar?
-N�o mude nada. -Eles gostaram?
Escute s�. Eles adoraram, � um sucesso.
� o pior n�mero que j� vi num palco.
-Estamos roubando dinheiro. -E eu levo 10%.
Devia se envergonhar fazendo os bambinos de palha�os.
�, j� estamos quites.
Volte l�, est�o pedindo que voltem.
Pra mim parece que eles querem sangue.
N�o, eles adoraram.
Verdade. Muito bem, filhos, vamos l�.
-Ei, pai! -O qu�?
-Quando vai me dar aumento? -Ah, volte pro palco, por favor.
Depois de Pittsburgh, voltamos a excursionar.
Papai nos deu aumento, mas nos obrigou a pagar os quartos de hotel.
Ent�o fizemos quest�o de assinar o registro.
Ei!
Mesmo que viaj�ssemos para muito longe,
nos meses seguintes n�o conseguimos nos livrar da escola.
Papai contratou um professor
que n�o nos dava tempo nem pra tirar a maquiagem.
Ent�o a terra come�ou mesmo,
o pr�ximo vento a soprar do norte nos trar� aos ouvidos o estrondo
das armas retumbantes.
Como n�s j� vimos nos campos de batalha.
Por que devemos ficar parados?
Vamos ver o que temos.
Ganhei.
...ser comprada ao pre�o das correntes da escravid�o
que o Deus supremo nos livre.
Eu n�o sei o que os outros far�o, mas quanto a mim...
Dei-me a liberdade, eu dei a minha parte.
-Vai! -Obrigada, muito obrigada!
Aula encerrada. A pr�xima apresenta��o ser� amanh� � tarde.
D� pra ser melhor do que isso?
Nem Beth Pinheiro conseguiu tantas rever�ncias.
N�o � melhor que New Rochelle?
Claro, aqui eles aprendem muito mais.
Eu te mostro.
Olha l�, olha l�, vai d�, vai d�.
T� com sorte, muita sorte. Vou de novo.
-A�! -Charley.
O que est� fazendo?
Sr. Foy, a sua vez.
Vamos entrar, pai. Voc� nunca perdeu uma deixa.
Vamos...
Se eu os pegar jogando dados com meu filho novamente
tiro voc�s do circuito. Depois de partir os seus cr�nios.
�tima escola, n�?
O que h� de mal em jogar dados?
� a melhor maneira de aprender a somar.
Ah, sim. E quando ao Natal?
Vai passar aprendendo a jogar bilhar.
O Natal � logo depois de Siracusa, n�o �?
Todo ano Madeleine e eu.
A �poca mais alegre das crian�a � no Natal.
A �rvore, a neve em New Rochelle.
Pendurando as meias no p� da cama.
Crian�as devem passar o Natal em casa.
Pai, a cortina est� abrindo.
Chinatown, minha chinatown
Onde as luzes s�o fracas
Ah, que vilarejo tranquilo.
Cora��es que n�o conhecem outro lugar
Indo para c� e para c�
Por ali, Bryne.
On�rica, on�rica Chinatown
Olhos castanhos amendoados
Os cora��es bem a luz
E a vida � brilhante
Na or�nica Chinatown
Ent�o aqui � Chinatown. O misterioso bairro chin�s.
O que ser�?
Quais ser�o os estranhos horrores que espreitam por tr�s das paredes?
Voc� quer ver os mist�rios da China?
Quer ver os c�maras de horror?
Gostaria de ver muitas coisas estranhas?
Mais do que voc�?
Paguei pra ver. Entrei no jogo pra valer.
Venha comigo.
Eddie, eu nunca te pedi nada antes.
T� bem, t� bem.
Um feriado, pro bem das crian�as.
Eu disse que t� bem. N�s temos uma semana livre mesmo.
Vamos todos para New Rochelle, vamos fazer a festa do Papai Noel.
E eu vou dizer para as crian�as assim que elas terminarem.
Grazie.
�timo, vou esper�-la quando estiver descendo pela chamin�.
Chinatown... minha Chinatown
Yink, Yink, Ming Toy Adoro um garotinho chin�s
Onde as luzes s�o fracas
Navegando no Sanpan, jogando fanf�
Cora��es que n�o conhecem outro lugar
Indo pra l� e pra c�
� muito divertido navegar no Yantzee
On�rica, on�rica Chinatown
Cante uma can��o de amor Fogue Mah Fong
Olhos castanhos amendoados
Onde est�o as pombinhas? Fa�a um pequeno ninho de amor
Os cora��es veem a luz e a vida � brilhante
E l� tudo � bonito Tem neve e arroz
Para voc� e para mim.
Papai nos contou que �amos passar o Natal em casa
depois de mais uma volta pelo circuito.
J� sent�amos o cheiro do pudim de ameixa.
Agora vou provar que sou o melhor empres�rio do ramo.
Qual � o �ltimo lugar do mundo
onde algu�m colocaria esses sete incompetentes?
-Onde? -Onde �?
T� brincando!
-No Palace Broadway. -Mais lavoro.
Eddie Foy e os Sete Pequenos Foys.
No Palace.
Esperei 20 anos e voc�s chegam l� em seis meses.
Sem voc�, ter�amos chegado em cinco.
V�o estrear na semana do Natal.
-Natal! -Melou.
-� a melhor semana do ano. -No Natal!
Ah, puxa vida.
N�o falou s�rio. Na semana do Natal, Barney?
N�o marcariam esse tipo de palha�ada na semana do Natal.
-Foi dif�cil, mas consegui. -Ah, n�o.
Bem, ningu�m vai me agradecer?
-D� o fora. D� o fora. -O que foi que eu fiz?
Que coisa terr�vel! Que crime eu cometi?
Saia. Eu falo com voc� depois.
Voc� n�o vai fazer isso, voc� prometeu.
O Natal � o momento da fam�lia, n�o de trabalho.
� o que essa fam�lia faz, trabalha junto.
E o que h� de mal trabalhar juntos no Natal?
Mama mia, at� nos feriados
e os filhos t�m que cavar p�o e manteiga para voc�.
Pra n�s dois. Voc� n�o sabe o que o Palace �?
-O que �? -N�s n�o podemos recusar.
Se as crian�as trabalham no teatro, eu quero que estejam num ano alto.
Foi pra isso que n�s trabalhamos, pra chegar l� em cima.
-Este esp�cime � seu, n�o �? -Sim, o que ele fez?
Calma, essa � minha orelha boa.
Ele estava atr�s do ba� no camarim das bailarinas olhando por cima tampa.
-E ainda usa cal�as curtas. -Certo, muito obrigado.
O senhor n�o vai tomar provid�ncias?
Claro, vou lhe dar cal�as compridas.
Se ele fosse meu filho apanharia na cara.
E o que voc� fazia no camarim das bailarinas?
Eu vou falar com o seu pai.
� assim que se fala, pai.
Ei! Por que fez isso?
N�o sei, achei que devia fazer. Mas acho que n�o adianta nada.
N�o pude bater com for�a, para n�o te impedir de crescer.
Voc� quase fez isso no outro dia.
Se sua m�e estivesse aqui saberia o que fazer.
Eu cuido disso, est� vendo?
Natal, namoro, camarim, bailarinas,
� o �ltimo lugar para se criar os filhos.
N�o pode culpar o teatro, podia ter acontecido em New Rochelle.
� claro, tem bailarinas a granelli em New Rochelle.
-O garoto est� sendo normal. -Eu te pe�o.
Deixa eu levar as crian�as, voc� fica no teatro,
� o seu lugar, n�o o deles.
Eu lhes dou um lar.
O n�mero vai para o Palace, voc� n�o vai impedir.
Eu tinha esquecido. Precisa das crian�as para ter o nome em cartaz.
Eddie Foy e os Sete Pequenos Foys.
Devia mudar de nome, n�?
Eddie Foy e os Sete Pequenos �rf�os.
Olha, estou fazendo que posso,
estou tentando ser pai e m�e dessas crian�as.
Vou chorar por voc�. Agora vai ser pai, m�e e tia, porque vou embora!
Voc� t� indo embora h� 15 anos,
eu ainda n�o vi as costas do seu vestido.
-Mas agora vai ver, eu vou! -Muito bem, n�o vou implorar,
eu vou te encontrar l� em New Rochelle.
New Rochelle, n�o. Eu vou para a It�lia.
Pra mim est� �timo, mas a vida na It�lia � dura.
Vou compra s� bilhete de ida.
Eu sinto muito, tia Clara.
Bryan, voc� � o mais velho.
Agora � o respons�vel. Deus tenha piedade.
Ah, tia Clara...
Mary, voc� vai ser a mama agora, cuide bem de todos.
Sim, tia Clara.
Procurem estudar bastante, e toda noite fa�am suas ora��es.
-Por que devemos pedir? -Pelo seu pai.
N�o posso pedir uma bicicleta?
Primeiro o seu pai, depois a bicicleta.
Tia Clara, por favor, n�o v�.
Eu tenho que ir.
Richard, traga o len�o que est� na minha bolsa.
Voc� vai chorar?
Eu s� vou soar o nariz.
Depois eu descubro um jeito de afastar voc�s dele.
Na v�spera de Natal, partimos para Nova York, para o Palace,
mas papai desembarcou na primeira parada.
Olha, eu tenho sete filhos dormindo naquele trem,
� v�spera de Natal.
Se n�o tiver sete meias, eu perco o meu ganha p�o.
-N�o tem esp�rito natalino? -O que � isso?
Al�m do mais elas pertencem a c�mara de com�rcio de Bel�m.
-Dou dez d�lares por elas. -Quinze.
-Doze. -Quatorze.
-Treze e cinquenta. -Vendidas.
Embarcar!
Oh, torre pequenina de Bel�m, com voc� mudou em 2 mil anos.
Feliz Natal pra todo mundo! Feliz Natal!
Feliz Natal.
Nova York, cidade de Nova York!
Mary.
-Acordou. -Est� vindo.
Muito bem, o que est�o tramando?
N�s votamos.
Mas � Natal, voc�s n�o querem presente de Natal?
Podemos comprar com nosso dinheiro.
-Estamos todos trabalhando. -Para sustentar o senhor.
Quando prometeu que ir�amos para casa.
Est� bem, n�o esperem que eu implore.
Eu j� fiz tudo o que sabia.
N�o somos mais uma fam�lia, s� vamos atuar juntos no Palace.
No Natal.
N�o se preocupem, vai ser nossa despedida.
Dispenso voc�s.
Eu sempre me dei muito bem sozinho.
-O que aconteceu com ele? -Cale a boca.
PALACE - EDDIE FOY E OS SETE PEQUENOS FOYS
Ent�o finalmente chegamos l�. Est�vamos no palco do Palace.
E pelo menos para a plateia, �ramos uma fam�lia muito feliz.
Papai ainda desejava que aquela n�o fosse a apresenta��o de despedida.
Tia Clara foi assistir a nossa estreia, mas havia algo que n�o sab�amos.
Seus dois amigos eram funcion�rios
da Sociedade de Preven��o a Crueldade com Crian�as.
Feliz Natal, pai.
George Washington foi o pai de seu pa�s
Assim como outros pais que podemos citar
Tem o pai Nickerbock
que nos tirou do prego
Ele devia estar no hall da fama
Que beleza.
Vamos falar bem do pai dos Whistlers
E do pai Hanson, o pai do beisebol
Mas, quando vejo meus filhos enfileirados
Vejo que o mundo � meu
Pois sou o maior pai do mundo
Pois ele � o maior pai de todos
Mal saiu do palco, papai recebeu a intima��o.
Tia Clara havia descoberto um jeito.
Os estatutos da cidade de Nova York n�o deixam d�vida nesse ponto.
A pessoa que emprega, ou manda empregar,
ou treina para finalidade de exibi��o qualquer crian�a menor de 16 anos
em pe�as ou bal�, ou tocando algum instrumento musical,
-est� cometendo contraven��o. -A lei deve ser modificada!
Senta!
Excel�ncia, sou um homem de poucas palavras, olhe essas crian�as,
elas parecem subnutridas, exploradas, cansadas...
Barney, Barney, por favor.
Merit�ssimo, gostaria de poupar tempo para todos.
-Vou me declarar culpado. -Culpado! Como culpado?!
Quer perder seus filhos?
V�o entregar as crian�as para essa leoa aqui.
�. Acho que ser� melhor pra eles.
Dei um passo maior que as pernas quando quis ser pai.
S� tentei, porque sabia que a m�e deles queria que eu tentasse.
Eu devia muito a ela.
N�o conhe�o nada al�m do teatro.
Passei a vida inteira no palvo.
Pensei que n�o havia nada de errado
em querer os meus filhos ao meu lado.
Se eu fosse carpinteiro, estariam eles no of�cio,
e ningu�m me traria ao tribunal.
Talvez o seu pai tenha sido juiz. Isso � tudo o que sei.
Sou cantor e bailarino.
Acha que n�o � muito, mas o senhor teria ficado feliz
se alguns dos meus filhos quisessem permanecer no ramo.
Foi a� que cometi meu grande erro.
Eu n�o estava criando atores, estava criando carpinteiros.
Eles detestavam tudo o que faziam.
Acho que o melhor para eles seria que eu voltasse a viajar e...
mandasse um cheque pra casa toda semana.
S� espero que me deixe fazer uma visita a eles de vez em quando.
Estou acostumado com eles.
Quero que o senhor saiba que esse foi o esfor�o
mais longo que fiz sem ningu�m dar risadas.
O que me admira, Sr. Foy.
� que o senhor n�o tomou esta decis�o antes.
Segundo esta peti��o,
j� faz quase um ano que estas pobres crian�as v�m sendo obrigadas
a um estilo de vida em que n�o tenha um lar e nem tem inf�ncia.
-Como pode ser t�o invenc�vel... -Ah, dispense ele, juiz.
Isto ainda � um tribunal, meu jovem.
Contra a vontade delas essas pobres crian�as
foram arrastadas de cidade em cidade...
-O palco � a minha segunda casa. -�.
-O senhor deveria experimentar. -�, seu bode velho!
Se os seus filhos continuarem a perturbar,
vou mandar expuls�-los daqui.
Ah, isso � �timo. Voc� sabe como tratar as crian�as, n�o?
Mande-nos para a cadeia.
Em que faculdade voc� se formou, hein?
-Sil�ncio! -Eu n�o vou me calar,
esse � o problema, n�s nunca dissemos a ningu�m,
n�s gostamos do teatro.
N�s somos horr�veis, mas gostamos muito.
Claro que n�o �amos contar para ao papai.
Porque ele achava que n�s �amos chegar perto dele e dizer:
Pai, estamos nos divertindo muito e voc� � o maior.
-Ele esnobava a gente. -Claro que sim.
Queremos os pais n�o somos qualquer um.
Quer�amos que ele ficasse final de ano.
O que ele quer que a gente fa�a, lave a m�o dele?
E por que ele est� sempre zangado?
Podemos gostar de tia Clara tamb�m.
O pa�s � livre.
N�s n�o somos exatamente anjos.
Acho que j� fizemos coisas bem horr�veis,
mas com o velho n�o fazemos duas vezes.
Ele sabe como cuidar de n�s.
-Ele j� fez de tudo. -� claro que sim, muita vezes.
Somos muito bem educados, ele tomou conta de n�s.
Isso mesmo, juiz, at� o pequeno Irving aqui.
Ele nem est� na idade de ir para a escola ainda.
N�o, ainda n�o.
Diga ao Sr. juiz, qual � a capital dos Estados Unidos?
Baltimore.
�, at� que ele foi bem, errou s� por 57 Km.
A gente nunca esteve l�.
T� vendo? N�o � f�cil lidar com a gente.
E n�s somos muitos tamb�m.
Eu n�o gostaria de ser o pai dessa turma.
-Eu tamb�m n�o. -Considerando o material
que ele tinha, o papai fez um trabalho excelente.
E voc� que sente no sapatear do papai,
eu n�o vou deixar, n�o sei o que aos outros far�o, mas quanto a mim
Dei-me a liberdade ou dei-me a morte!
As senhoras e os senhores j� terminaram?
Eu me lembrei, a capital dos Estados Unidos � divers�o.
Irving, s� fale quando eu mandar.
Ah, Sr. Foy, se eu interpretei corretamente essa �ltima interfer�ncia
os seus filhos est�o lhe pagando um d�vida de gratid�o
que muitos carpinteiros gostariam de receber.
Excel�ncia, sou um homem de poucas palavras...
J� falou todas, sente-se!
Eu tenho a plena certeza de que h� um relacionamento familiar saud�vel
antag�nico, mas saud�vel.
Eu gostaria de me entender t�o bem com os meus filhos.
Mas a lei n�o me d� escolha.
Pelo menos quanto a apresenta��o em palco na cidade de Nova York.
Essas crian�as s�o menores, e sinto muito Sr. Foy
mas o seu compromisso com o Palace deve ser cancelado.
S� um minuto, Sr. juiz, eu n�o fiz faculdade de direito,
mas pelo que sei as exce��es s�o um dos assuntos mais importantes.
O que est� insinuando?
Ora, aquela coisa que o senhor estava lendo sobre uma pessoa
que emprega crian�as menores para...
finalidade de cantar, dan�ar ou tocar instrumento musical
comete contraven��o.
�, Mary, Madeleine, venham c�.
Deem ao juiz uma amostra do seu talento aqui na frente.
Veja isto, Sr. juiz. Muito bem, podem cantar.
H� sorrisos, sim, h� sorrisos que nos alegram
H� sorrisos, sim, h� sorrisos que nos entristecem
Chega, chega, chega. Acha que isso � cantar?
Richard, Charley. Sua vez.
Fa�am o seu n�mero de dan�a de reme, reme, reme.
Um, dois.
O senhor acha que isso � dan�ar?
Irving!
Mostre o seu n�mero ao juiz.
Vamos l�.
Alguma dessas crian�as tocam instrumento musical?
Ah, n�o sabemos.
-Oficial Harrison? -Sim, senhor.
-Oficial Driscoll? -Sim, Merit�ssimo.
Est�o dispostos a jurar que este � o calibre da apresenta��o
que voc� testemunharam no palco?
Sim, Merit�ssimo. Um pouco melhor.
S� poderia chamar-se de entretenimento
com um grande esfor�o da imagina��o.
Caso encerrado.
Obrigado, juiz. Obrigado.
O domingo foi um grande dia. Tia Clara resolveu ficar na Am�rica.
Bom dia. Mandaram eu te servir.
O que aconteceu? Cad� todo mundo?
-� domingo. Foram todos a igreja. -E por que n�o foi?
Eu vou aos s�bados.
Cad� as minhas cal�as? Sempre h� uma primeira vez.
Padre, eu sou Eddi Foy.
A minha fam�lia j� chegou aqui? Sabe, as sete crian�as?
Sr. Foy. O senhor � cat�lico, n�o �?
-� claro. -O senhor � bem-vindo...
mas esta � uma igreja episcopal.
� que eu sou estrangeiro nesta cidade.
Onde fica a igreja cat�lica?
N�s n�o dev�amos dar este tipo de informa��o,
mas acredito que � naquela esquina.
Oh, obrigado.
Por favor, diga ao sacrist�o para tocar todos os sinos da igreja,
-e chame os Presiden. -Agora mesmo.
Ei!
Posso entrar nesse n�mero?
Se eu vou, todo mundo vai.
FIM
Tradu��o e sincronia: virtualnet
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