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N�o sei porque volto.
N�o tem muito sentido voltar depois de oito anos ou quase nove.
Voltar a um lugar que j� n�o existe.
Sigo fazendo coisas sem pensar bem.
Sem medir as consequ�ncias.
Mais ou menos como voc�.
As leis da gen�tica nunca falham,
diria Mam�e.
Quando lhe disse que viria, ela me olhou
como se eu estivesse doente.
Por sua forma��o profissional, suponho.
Mas n�o fez perguntas.
Entendeu menos quando lhe disse que voltaria amanh�.
Sequer ficaria uma noite.
Entendeu menos, ou entendeu tudo.
Com mam�e nunca se sabe.
Para que gastar dinheiro em hotel?
O �nibus chega pela manh�
e retorna �s 10h da noite.
Eu tenho doze horas de viagem at� Buenos Aires,
para pensar e quase o dia todo
para pedalar alguns poucos quil�metros.
E tentar descobrir porque eu vim.
Turista eu n�o sou.
As paisagens n�o me emocionam.
Dos conhecidos j� n�o h� quase ningu�m.
Amigos nenhum.
Na melhor das hip�teses, venho para falar um pouco
com voc�.
Para te contar algumas coisas que me aconteceram.
Para te contar o que penso fazer.
Estou em uma idade de merda,
na qual sou obrigado a tomar decis�es.
E a �ltima coisa que tenho vontade de fazer
� tomar decis�es.
N�o se preocupe.
N�o volto para saber quem � o meu pai.
Nem para te conhecer de verdade.
Nem para descobrir seu lado escuro.
N�o � por a� a coisa.
Voc� sempre foi um cara transparente.
S�lido como uma parede, mas transparente.
E se �s vezes eu n�o te entendia
n�o era culpa sua.
N�o era culpa minha, tampouco.
Eu era muito novo para entender certas coisas.
Quando comecei a entender as coisas dos mais velhos,
Foi porque sem me dar conta,
havia deixado de ser crian�a.
Talvez tenha voltado para relembrar bem de tudo
que se passou naquele inverno.
Eu gostaria de conhecer a sua vers�o.
Eu s� conhe�o parte da hist�ria.
Alguma coisa eu vivi.
Outras escutei ou espiei.
Talvez eu vim porque percebi que
mem�rias foram desaparecendo.
N�o se pode ser t�o est�pido.
H� coisas que um n�o consegue esquecer.
N�o tem que esquecer.
Ainda que doam.
Vamos Dumas!
Vamos!
Vamos Dumas!
Vamos!
Vamos Dumas!
Voc� est� louco? Se quer se matar,
pede para algu�m chutar sua cabe�a.
Estou treinando para a festa.
Leve tudo isto ao hotel.
Espere.
Como voc� chama?
Ernesto.
Eu sou Hans. Vou te pedir um favor.
Aqui dentro tem instrumentos delicados.
Que estragam... que estragam s� de olhar.
Tente evitar os buracos.
E se vem um trem, uma avestruz ou uma lebre
mantenha a calma, tudo bem?
O trem passa aos s�bados, e j� chegou.
E aqui n�o t�m avestruzes.
Sobram as lebres.
E os buracos.
Sim, e os buracos.
N�o se preocupe.
Obrigado.
Isto � para sua m�e, cada vez lhe mandam menos.
Posso alugar um carro aqui?
T� tudo arrumado. Te dou um meu.
N�o, tamb�m n�o precisa disso.
Se mudar de ideia e n�o se sentir confort�vel no hotel,
v� para minha casa. H� lugar de sobra.
N�o, eu n�o quero incomodar.
Se fosse um par de semanas,
mas eu vou ficar muito tempo.
Voc� acabaria me expulsando.
Deixe isso, � meu! As pedras s�o minhas.
O que est� acontecendo? N�o, isso n�o � meu.
Seu idiota! Eu te disse que eram meus.
N�o o insultes, nene!
Carrega pedras a�?
Me mostra uma?
Voc� junta pedras?
Muito bonita.
Eu tamb�m junto pedras.
Para que?
Vivo disso.
Aqui. Algum dia voc� vai me deixar tentar vencer o trem.
Vamos ver se eu ganho. T�?
T�.
O que aconteceu?
Tive que ir ao povoado.
Levei um estrangeiro ao hotel.
Um turista? Aqui n�o v�m turistas.
N�o, � um ge�logo alem�o.
Veio trabalhar para Andrada.
Procurar petr�leo ou algo assim.
� alem�o mas fala como um espanhol.
Ela est� atendendo?
Sim, est� com Elsa.
Se voltar a ter o problema, deite-se
e mande me chamar. Hum?
N�o se fa�a de forte, combinado?
Tome meia pastilha destas por dia.
Em duas semanas nos vemos.
Obrigada.
De nada.
Patr�cia?
Trago as amostras.
Menos mal que ainda me resta algum amigo.
Guarde-as no arm�rio.
Ol�.
Sabe que toda essa hist�ria de petr�leo,
me parece um del�rio?
Eu estou apenas repetindo o que as pessoas dizem.
Se o nosso vereador Andrada est� envolvido,
deve ser algo sujo.
Talvez este homem nem seja ge�logo.
Pode ser que n�o.
Dinheiro ele tem.
Me deu vinte d�lares de gorjeta.
Se tem dinheiro, n�o � ge�logo.
O que voc� vai fazer com tanto dinheiro?
N�o te faz falta?
Guarde-o ou compre um perfume.
Assim para de usar o meu.
Voc� vai � missa?
J� venho.
N�o se meta.
- Oi. - Oi.
Como est� sua irm�zinha?
Parece melhor.
N�o vai entrar?
N�o h� missa.
Mesmo assim se pode rezar.
N�o sou cat�lico.
Voc� � judeu?
N�o, n�o sou. Minha m�e � judia, mas meu pai n�o.
E voc� o que �?
E o que vou ser? Nada.
Alguma coisa tem que ser. N�o acredita em Deus?
N�o.
Voc� � estranho.
Vai ficar aqui?
Te vejo depois.
N�o quer entrar?
Anda, n�o tenha medo. N�o vai te acontecer nada.
Para com isso, Nelda.
Nem que seja para assustar os seus pais.
O padre Damian nos pede desculpas, mas
ele n�o poder� vir � missa
at� �s festas do Patrono. Avisem aos outros.
Fa�am uma lista
com as crian�as que queiram batizar ou
tomar a primeira comunh�o.
Os que querem se casar aproveitem
para pensar melhor.
E se algu�m tem inten��o de morrer
� melhor esquecer por agora.
A Cooperativa se re�ne no galp�o.
Pe�o por favor a quem tenha que repor algo,
que retire s� o indispens�vel.
J� que n�o temos dinheiro para comprar nada
at� depois da esquila.
As coisas est�o um pouco complicadas.
Mario lhes explicar�.
Na sua idade, a��car n�o � bom.
Na minha idade eu n�o preciso de vitaminas.
Mel com mate n�o combina.
Bem, melhor tomar estas p�lulas, Dom Greg�rio.
Uma por dia. Elas fazem maravilhas.
Sim? Vai tomar? Necessita algo mais?
Os cafajestes nos pressionam, mas n�o mostram suas cartas.
Que todo mundo se d� conta que s�o eles que mandam.
Eu lhes pe�o que aguentemos um pouco mais.
Se algu�m tiver problemas,
vamos tratar de ajudar.
N�o podemos demorar a esquila.
N�o pode!
Eu n�o digo isto. Faremos a esquila, mas guardamos a l�.
A oferta de Andrada n�o � ruim. Quanto podemos perder? 10 ou 15%.
Eu calculo 30%.
Talvez mais.
Pode ser, mas � melhor ter o dinheiro agora
que em um m�s.
E se dentro de um m�s n�o queira comprar?
N�o acredito, mas existe um certo risco.
Neste pre�o � melhor jogar fora.
Fa�a o que achar melhor, Juan.
Isto � uma Cooperativa, n�o uma cadeia.
Se quiser abrir, azar.
Perd�o, dom Mario o dr. Andrada quer falar com o senhor.
Pediu pra dizer, quando quiser passar pela inst�ncia.
Ele o espera.
N�o lhe disse para que era?
Neg�cios, disse. Urgente, disse tamb�m.
Diga-lhe que vai ter que esperar mais uns dias.
Vinte ou trinta.
At� que seus amigos digam qual ser� o pre�o da l�.
Ent�o falamos.
Est� bem, assim vou dizer.
Tamb�m mandou uma mensagem para voc�, dom Juan.
Que quando puder v� retirar o cheque.
Se puder ser hoje, melhor.
N�o irei, Zamora.
Diga ao doutor que vendi minha l� � Cooperativa.
Que ele vai ter que falar com Dom Mario.
Direi, mas ele n�o vai gostar.
Est� me amea�ando?
Eu sou um homem de paz, dom Juan.
Falo como amigo.
Agrade�o, Zamora, mas at� onde eu sei
voc� n�o � amigo de ningu�m. Guarde seus conselhos.
Obrigado, Juan. Eu acredito que vamos nos sair bem.
Andrada tem que comprar, porque tem
que vender.
Para voc�.
Por que est� me dando?
''O Chamado da Selva'', tenho dois destes.
Obrigada.
� muito bonito. � sobre um c�o no Alaska.
Voc� vai gostar. Quando terminar me conte.
Eu n�o sei ler, Ernesto.
N�o guarde esse dinheiro, porque n�o � seu. Voc� vai devolver.
O sujeito se equivocou.
Mam�e disse que estava bem!
O que eu disse?
A gorjeta, para guardar!
Sua m�e tamb�m se equivocou.
O sujeito te deu esta quantia, mas n�o tem ideia de quanto vale.
� como se o roubasse.
Al�m disso � gorjeta. Porque tem que aceitar gorjeta?
Cobre o que tiver que cobrar.
- N�o aceite esmola. - Tem raz�o.
Seja forte, garoto. �s vezes voc� tem que saber perder.
Isto n�o quer dizer que voc� pode usar meu perfume!
Que perfume?
Perfume? Quem disse perfume?
Eu n�o sei.
P�e a mesa que a comida est� pronta.
Cada vez estou pior do ouvido.
Com licen�a.
Tchau Ernie. Bom descanso.
Por que n�o se troca e deita?
� muito tarde. Voc� tem que dormir.
N�o tenho sono.
Depois vai andar como um son�mbulo o dia todo.
Voc� est� dormindo tr�s ou quatro horas.
Vai se sentir mal.
Tchau, at� amanh�.
A chuva caiu intensamente durante tr�s dias.
Muito bem. "A chuva caiu intensamente
durante tr�s dias".
Sujeito desta ora��o?
- A chuva. - Muito bem.
''caiu intensamente durante tr�s dias'' � o?
Predicado.
Muito bem. Predicado.
A chuva, o que aconteceu com a chuva?
O que fez a chuva?
Prestem aten��o.
Pai, pai!
Sim?
� o ge�logo.
Vem comigo.
Terminem de copiar.
- Bom dia. - Bom dia.
Perdoe-me. N�o era minha inten��o vir at� aqui.
Tudo bem. Sem problema.
Estou um pouco perdido.
� este o caminho para o Valle Bermejo?
Est� certo. O caminho passa pelo meio do povoado.
N�o, n�o vou ao povoado.
Voc� �... o que est� fazendo aqui? Veio � escola?
N�o, eu moro aqui. N�o tenho mais rem�dio.
� meu filho.
Obviamente voc� n�o o deixa faltar a aula.
Mas eu n�o vou ao povoado.
Eu vou ao vale, aos campos de Andrada.
Tem um desvio, passando pelo povoado.
H� uns dez quil�metros, mais ou menos.
Mas com isso n�o passa.
N�o tem estrada. Ainda faltar� um bom peda�o.
Chegarei at� onde possa,
tenho boas pernas.
Ernesto quer te dizer algo.
Desculpe-me, tenho que continuar com minha aula.
Obrigado.
Voc� se enganou. Me deu demais.
Foi justo pelo trabalho.
Sim, mas isto � gorjeta. Eu cobrei pelo meu trabalho.
N�o posso aceitar.
Perd�o. N�o queria ofender.
Vamos! Vamos!
Vamos!
Creio que � chegado o momento de meter meu orgulho hisp�nico
no cu e aceitar sua sugest�o.
Alugo o cavalo.
Dumas? Eu n�o alugo o Dumas.
Podemos perguntar a dom Cosme.
Tem algum que vale a pena?
S� o Dandy. O resto s� serve para fazer salsicha.
Posso mant�-lo aqui?
O hotel � bom, mas n�o tem est�bulo.
- Eu cuido dele para voc�. - Bom.
Pe�a para dois meses, ou tr�s, ou quatro talvez.
N�o sei.
E o que vai fazer no vale, Hans?
Petr�leo. O conselheiro Andrada est� convencido
de que em suas terras h� petr�leo.
Um del�rio.
Bem, se n�o houver qualquer �leo, eu vou arrumar minhas coisas
e voltar a Madrid.
A Madrid? Eu sou de Madrid!
Mesmo? N�o diga!?
Vivemos em Madrid oito anos. E Ernesto nasceu l�.
E onde morava em Madrid?
Cuatro Caminos.
Eu vivo ao lado da Plaza de Castilla,
em Colonia del Carmen.
- Oi. - Oi.
Ana, minha mulher. Este � Hans.
Hans Mayer.
Os amigos de Andrada n�o s�o bem-vindos nesta casa.
Oi.
Eu n�o sou seu amigo. S� trabalho para ele.
De qualquer forma, j� tenho que ir.
Empresta-me suas cal�as?
Sim, claro.
Se � verdade o que voc� diz, voc� pode ficar.
Desculpe-me.
Eu aceito suas desculpas,
mas eu preciso ir.
Toma.
Toma. Pegue isto. Isto n�o � gorjeta.
Isto � por ter me salvo das areias movedi�as.
-Tchau. -Tchau.
Tchau.
O que ele fez, beijou sua m�o?
N�o, fez assim.
� assim que eles cumprimentam na Espanha?
S� com as princesas. Sua m�e � uma princesa.
N�o tinha te contado, mas eu perdi meu pal�cio.
E este homem me descobriu.
E n�o sei o que fazer com minha vida!
Deixe as r�deas frouxas. Guie com os joelhos.
Bem, o que mais?
N�o puxe demais ou ele empaca.
O que mais ele gosta � de trotar.
De vez em quando fa�a-o trotar, e n�o lhe tenha medo.
Se voc� tiver medo, ele percebe e perde o respeito.
Como disse que ele se chama?
Dandy.
Por que se ele gosta que falem seu nome.
- E para que ande? - Use os calcanhares.
Um privil�gio de classe. Os meninos da alta sociedade
sempre tiveram aulas de equita��o.
Bom dia.
Meu patr�o est� na cidade.
At� amanh� n�o volta.
Mas se mudou de ideia
eu posso telefon�-lo.
N�o, n�o vim para vender a l�.
Quero falar sobre sua filha.
Luciana?
Como n�o, diga.
Meu filho falou que ela n�o sabe ler.
Nunca foi � escola?
N�o. Desde que morreu sua m�e ela teve que
cuidar das crian�as, da casa, da comida.
Quando pode d� uma m�o aqui �s mulheres.
Ganha algum dinheiro. N�o � muito, mas ajuda.
Ela � muito boa, muito trabalhadora.
N�o pode perder tempo.
N�o seria oportuno buscar outra op��o?
Gostaria que ela fosse � escola.
Mesmo que n�o fosse todos os dias.
At� que ela aprenda a ler e escrever, nada mais.
Ela lhe pediu?
N�o, mas n�o acredito que diga que n�o.
O que ela diz n�o conta.
Quem diz que n�o, sou eu.
Veja Zamora, voc� � um bom pai.
N�o � f�cil para um homem criar os filhos sozinho
como voc� tem feito.
Mas algum dia v�o ter que se defender sozinhos.
V�o ter que lutar para ganhar seu dinheiro.
E a� v�o se lembrar de voc�.
Porque ela pode conseguir trabalho melhor que um analfabeto.
Quando Luciana for maior de idade, o patr�o vai coloc�-la de empregada.
Como foi sua m�e.
N�o tem porque andar por a�
procurando um trabalho melhor.
Em nenhum lugar estar� melhor do que aqui.
O que foi bom para sua m�e
vai ser bom para ela.
N�o lhe meta ideias erradas na cabe�a, dom M�rio.
N�o se meta na minha vida.
� dif�cil ensinar algu�m a ler?
Se outra pessoa est� disposta a aprender, n�o.
Se voc� me mostrar como se faz, eu lhe ensino.
Est� bem, mas que o velho n�o fique sabendo.
Se Zamora te pega,
ele te enche de chutes.
Ele n�o vai saber.
O mais importante � cuidar de que
o estudante n�o se entedie. Neste caso sua aluna.
Pode usar o livro que voc� lhe deu.
Vai mant�-la sempre lendo.
E como fa�o?
Voc� vai ter alguma ideia.
Be-ri-lo.
� uma variedade escura da esmeralda.
E aqui temos a av� do transistor.
Isto � a Galena.
� como se tivesse uns raminhos pequenos dentro, sabe.
Tem cristais que s�o sens�veis �s ondas de r�dio.
Usando uma agulha e um pouco de paci�ncia,
voc� pode escutar r�dio.
Voc� nunca teve problemas?
Sim. V�rios, por sorte!
Puta merda! Desculpe irm�, mas esta pimenta
arde como o inferno!
� uma pimenta pequena e muito picante.
� chamada de "Puta-que-o-pariu."
"Puta-que-o-pariu"? Isto � certo!
Por sorte o padre vem poucas vezes.
Chamaram-me a aten��o, mas nada mais.
Mas se quiserem, eles podem me expulsar da congrega��o.
Voc� n�o usa h�bito porque � novi�a.
N�o uso h�bito porque sinto que p�e dist�ncia.
� como dizer �s pessoas:
"Aten��o que n�o sou igual a voc�s."
E isso n�o tem nada a ver com o que eu penso.
Se voc� ainda � novi�a,
ainda tem uma oportunidade.
Sou freira. Feita e direita.
Ela est� dizendo isto para mant�-lo afastado.
Embora freiras tamb�m possam largar o h�bito.
Ou levant�-lo.
Cada vez que aparece um tipo que vale a pena
eles organizam um destes jantares para comprometer-me.
Mas n�o o fazem por me querer bem.
Mas porque s�o ateus e anticlericais.
Voc� � muito bonita Nelda.
� dif�cil acreditar que queira estar casada s� com Deus e ningu�m mais.
Te pegou, Nelda.
Vamos l�, arremessa seu chinelo!
O que devo fazer? Deixar tudo e ir para a Espanha?
Um momento, um momento que eu ainda n�o prometi nada.
� uma proposta circunstancial.
Uma "cantada".
Ei, n�o seja vulgar!
Ernesto, n�o escute.
Falando s�rio Nelda, o que a fez se tornar uma freira?
Eu n�o consigo detectar em voc� qualquer vest�gio de
misticismo hist�rico.
Ah! Outro herege. Se eu n�o fosse freira eu n�o poderia fazer o que fa�o.
Eu gostaria de ter uma fam�lia.
Mas entre a fam�lia e as pessoas,
escolhi as pessoas.
E nunca chegou a sentir nada
por ningu�m?
Apaixonar-se voc� quer dizer?
Sim, acredito. Uma vez. Mas preferi n�o descobrir.
Descobriu, mas lhe deu p�nico.
P�nico de certa cunhada!
N�o se d� por vencido, espanhol.
Mas se n�o tem chances. Se algum dia eu mudar de ideia,
n�o ser� com um homem casado e
com quatro filhos.
E como voc� sabe que sou casado?
Na sua idade, n�o est�s casado?
Ent�o eu devo ser gay ou ter algum problema mental?
Bom, nem um nem outro. Muito l�cido n�o estou,
mas casado sim, duas vezes.
E divorciado. N�o tenho filhos, e me chateia n�o t�-los.
N�o me importaria em nada reincidir com voc�
se voc� garantir que teremos uma
menina e que vai ter seus olhos.
Bem. Parece que...
- Para que? - Ernesto, n�o escute!
O cozido est� pronto. Se quiserem podemos comer?
Comecei a assinar Plaza
porque estava cheio de repetir que n�o era alem�o.
Mayer Plaza com "Y"?
Sim.
Mayer Plaza soa muito chique.
Soa a um hotel cinco estrelas.
Agora, as pessoas n�o perguntam se eu sou alem�o.
Agora dizem "Hans de Mayer Plaza".
E passo a vida explicando que n�o alugo quartos.
- Mayer � judeu? - N�o, � Nazi.
- Nazi? - Sim, Nazi.
Meu pai era da Legi�o Condor.
Algum republicano fez um buraco em seu avi�o,
e ele teve que pular de p�ra-quedas.
Se atrapalhou um pouco com as cordas e caiu mal,
ralou um pouco as paletas
e levaram-no a um hospital.
Minha m�e era enfermeira, e cuidou dele.
O oficial prussiano e a senhorita de bem se apaixonaram.
Para eles acabou a guerra, ele desertou.
E desertaram a minha m�e.
A nobre e endinheirada fam�lia de minha m�e
lhe virou as costas.
Eu cheguei na hora errada, como de costume.
Quando eu nasci eles eram dois p�rias, n�o tinham uma pila.
Um tost�o.
At� chegar � idade de Ernesto, doze?
At� os doze est�vamos � p�.
- Muito mal. - Entendi.
Pior que mal. At� que um dia morreu meu av�
e n�o se sabe se n�o quis, ou esqueceu de
deserdar minha m�e. Foi maravilhoso.
Mam�e era filha �nica
e de um dia para outro milion�rios!
Compramos uma casa, dois carros
contratamos uma empregada, uma governanta.
Mas come�aram a se entediar. O oficial prussiano
foi atr�s de meninas. A pequena come�ou a beber,
meu irm�o, tr�s anos mais novo, saiu do ex�rcito
e virou anarquista.
Descobri minha voca��o profissional
catando pedras para atirar � pol�cia de Franco.
Voc� se tornou um desertor?
N�o, n�o, n�o tive coragem para desertar.
- Bem pelo contr�rio. - Voc� desertou,
igual a seu pai. Repetiu a mesma hist�ria.
Desertou de tudo que se esperava de voc�.
"At� que ele matou seu pai.
S� ent�o ele se tornou uma pessoa digna. Algu�m com verdadeiro potencial."
Meu pai � vivo.
Voc� n�o sabe onde se meteu. Em cinco minutos elas v�o te provar...
que voc� estava errado.
N�o te disseram que aqui a psican�lise caseira � mais popular do que o futebol.
Pode parar com o vinho.
- Acabei de come�ar. - Em um momento ele vai dizer
"o melhor psicanalista
� um barman''.
O melhor psicanalista � um barman.
A palavra geradora aqui � "chamada".
Muda, chama, d�-me, mede. Copie at� aqui.
Para come�ar est� bem.
Era um apartamento antigo, com uma luz b�rbara.
Lind�ssimo!
E antes disso vivemos quase um ano em Paris.
Mas como Madrid n�o h�.
- Buenos Aires. - N�o, nada a ver.
Objetivamente n�o se pode compar�-las.
Agora, se voc� colocar seus sentimentos no meio
� outra coisa.
Eu n�o os meto, os sentimentos est�o l�.
Mas eles tamb�m est�o em Madrid.
Eu sinto mais falta de Madrid do que de Buenos Aires.
Fomos muito felizes em Madrid.
N�o sei porque diabos n�s voltamos.
N�s voltamos porque nunca fomos realmente.
T�nhamos que voltar, n�o havia escolha.
Voc�s faziam parte dos Montoneros?
N�o, apenas Peronistas.
Nem era isso.
Nossos "camaradas" demitiram Mario da universidade.
Ele tinha uma C�tedra de Sociologia.
Eu fui o idiota �til.
N�o vale a pena falar disso agora.
Depois as coisas come�aram a ficar mais dif�ceis.
Come�aram a desaparecer amigos,
amigos �ntimos.
Uma noite voltamos para casa e havia militares l� dentro.
Escapamos por milagre.
N�s escapamos, mas eles pegaram Ernesto.
Ernesto era meu irm�o.
Ele n�o tinha nada a ver com isso.
Estavam procurando por mim.
N�s est�vamos no Brasil neste momento.
Hav�amos nos escondido em Buenos Aires,
em seguida cruzamos a fronteira para o Brasil.
N�s nunca dissemos nada para meu irm�o,
para evitar-lhe problemas.
Foi pior. O que poderia dizer se ele n�o sabia de nada?
- Fa�o mais caf�? - N�o, eu vou fazer.
Hans, quando tiveres um pouco de tempo
gostaria que falasse �s crian�as.
Dar-lhes uma palestra sobre geologia.
Sem pressa.
Sim, eu posso conversar.
Quanto ao ensino, eu n�o sou paciente com crian�as.
E essas coisas sobre rochas n�o podem ser ensinadas
como as letras ou n�meros.
Perdoa a p�lida, Hans, mas j� passou.
- A p�lida? - A p�lida. E olhos vermelhos.
Este � o risco de cair na caverna do ermit�o, te alugam a orelha.
Mas j� passou. N�o se preocupe.
Eu n�o estou preocupado.
E voc� n�o deve de desculpar, ao contr�rio.
Eu creio que voc� vai muito bem, h� quanto tempo voc� est� aqui?
Tr�s anos?
- Quatro anos. - Quatro anos em um lugar como este,
Eu n�o estaria p�lido, eu estaria cirr�tico.
E falando sozinho.
N�o tem nada de mais, este lugar � igual a qualquer outro.
Nem melhor, nem pior.
Isto sim � misticismo. Mas seu caso � mais complicado.
Eu entendo que voc� queria deixar Madrid,
mas por que deixar Buenos Aires?
Voc�s n�o s�o hippies nem ativistas verdes,
nem monges franciscanos.
Era uma quest�o de escolher, Hans.
Viver como turista em seu pa�s,
ou vegetar como profissional de classe m�dia em Buenos Aires.
A culpa foi de Nelda.
Ela nos disse o que estava fazendo aqui.
Que se sentia s�, triste e abandonada. Nos convenceu.
Isto � uma grande mentira. Foi ideia deles.
T�nhamos alguns d�lares que juntamos na Espanha,
e com isso come�amos a Cooperativa.
Constru�mos o galp�o para a capela,
financiamos as primeiras compras comunit�rias.
O que fazemos � concreto, pode ser visto. E isso
faz-nos sentir muito bem.
D� saudades, mas � poss�vel aguentar.
Ent�o voc�s tr�s controlam
a educa��o, sa�de, f�
e a economia do Valle Bermejo,
e seus arredores. Estou certo?
Dito assim soa perigoso, por favor n�o repita porque
podemos ter problemas.
N�o controlamos nada, ajudamos um pouco, nada mais.
Por tr�s desta mod�stia vejo flanear a bandeira vermelha da revolu��o.
Prolet�rios do mundo sigam nosso exemplo!
Mas que prolet�rios? Nem sequer campesinos!
Alguns deles t�m o arrendamento da terra, mas a maioria
dos membros da Cooperativa s�o pequenos propriet�rios.
Eu teria preferido outra coisa,
mas algo � algo.
� um bom come�o. O povoado,
ent�o a cidade, prov�ncia, o mundo.
Que Deus te ou�a!
Seu idealismo � muito comovente.
E isto � bom ou mau?
� de outra �poca, de outro mundo.
Acredita que � de outro mundo que as crian�as morram
de desnutri��o?
Voc� acha que eles v�m � escola para poder aprender?
N�o! Eles v�m porque aqui pelo menos comem uma vez ao dia!
Voc� deve ser realista!
Isto � o sul do Rio Grande, camaradas!
Se n�o se importa, companheiros.
Quando repartiram o mundo,
a pior parte ficou para voc�s, companheiros.
Pareces um padre fascista:
"Deus quis assim meus filhos, fodam-se e n�o chiem."
Deus n�o, as corpora��es multinacionais.
N�o discuta com as meninas, Hans.
S�o ferozes e v�o massacr�-lo.
Se ele mereceu.
Afinal, estamos todos do mesmo lado:
dos perdedores.
Eu n�o digo perder uma batalha, mas n�o a guerra.
Eu digo se a guerra foi perdida,
pelo menos me dei o luxo de ganhar uma batalha.
Contigo n�o h� quem possa, heim?
Com Mario sim. Mas voc�? Voc� � um machista.
Um primata. A guerra foi vencida pelos primatas.
A for�a das esp�cies contra Cristo,
contra Marx, contra Bakunin.
A volta triunfal � Idade das Sombras.
Cada um na sua pr�pria �rvore. E a lutar. Liberdade, Fraternidade, merda!
Soa muito bem. Soa muito bem, mas isto � muito chato.
Somos primatas, e n�o podemos mudar.
O risco nos faz sentir vivos. O risco, a aventura e a luta pela vida.
Nada nos agrada mais que derrotar quem est� do nosso lado,
e comer o seu f�gado.
Mas sempre acrescentando um pouco de alho e salsa,
para tornar civilizado.
Vamos, Dumas.
Puta que pariu!
Vamos Dumas.
Luciana.
- Luciana. - O que voc� est� fazendo aqui?
Seu pai est�?
Nos s�bados vai para os campos,
retorna somente � noite.
N�o lhe diga que estive aqui. Te trouxe uma coisa.
Vou te ensinar a ler, se voc� quiser.
N�o sei. Sou muito burra.
N�o quero que perca seu tempo.
Apenas tente.
� muito dif�cil para mim. J� te disse. Sou muito burra.
N�o � isto. � que voc� � canhota.
Para os canhotos � mais dif�cil.
Voc� n�o percebeu que tudo � feito para os destros?
Se fosse judia n�o teria problemas,
porque l�em ao contr�rio.
Voc� escreve em hebraico tamb�m?
Algumas palavras soltas.
- Escreva algo. - Agora n�o. Outro dia.
Agora, siga com isso.
Est� me enganando, voc� n�o sabe.
D�-me o papel.
O que � isto?
� o que canta minha av�, sempre.
� uma can��o de ninar de algum tipo.
O que significa?
Linda como a lua,
brilhante como as estrelas.
Anda, continua.
- Aqui est�. - Obrigada.
Crian�as, devagar que est� quente.
Aqui, termine de servir.
Esta caixa � para que?
Um teodolito. Sua luneta. Seu trip�.
� usado para medir. Mas n�o sei explicar.
Porque n�o vem para ver como funciona?
N�o posso, tenho aula.
Depois, ent�o.
Voc� gostaria de ser ge�logo?
- Voc� ganha muito dinheiro? - Depende, como qualquer trabalho.
Um pouco de talento, muita sorte
e um pouco de "sim senhor".
Se o que te importa � o dinheiro, voc� o ter�.
Ser�s um merda como eu,
mas com dinheiro.
Hans!
Oi. Achei que n�o viria.
Tenho algo para voc�. Olhe.
Um equinodermos, um f�ssil. Para sua cole��o.
Se olhar por a�, encontrar� mais.
Para que s�o este projetos? Andrada quer
fazer um dique?
N�o, ele pensou que poderia ser �til.
S�o de um velho projeto, j� n�o t�m valor.
Andrada n�o quer �gua, quer petr�leo.
Ele gosta de dinheiro, como voc�. Anda vem,
eu vou te mostrar como isso funciona.
Caminhe com respeito
estamos pisando no fundo do mar.
Olhe para l�.
N�cleo externo, manto, e c�rtex.
Provavelmente voc�s como quase todos, achar�o as montanhas deprimentes.
E como n�o estamos aqui para nos deprimir,
vamos caminhar sobre uma bola de fogo.
Fascinante,
uma grande aventura.
E se eu disser que j� o fazemos todos os dias?
Dia e noite voc�s caminham sobre um
tapete muito grosso,
mas na realidade, pisam em fogo l�quido.
Porque, por mais estranho que possa parecer,
nada est� parado,
nem nada � o que parece.
Por exemplo, diz-se que quando algu�m fala com as pedras,
est� louco.
E est� certo, em parte.
Porque n�o se deve falar para elas...
temos que deixar que elas falem.
Claro, que para falar com as pedras, � preciso entender seu idioma.
Assim como com as pessoas, certo?
Est� bem.
O que me diz esta pedra?
Veja voc�.
E voc�? A pedra lhe diz algo?
E a voc�?
Eu sim. Eu posso ouvi-la, porque conhe�o sua linguagem.
Me conta hist�rias. Me fala de milh�es de anos,
de tormentas, de ventanias e de chuvas.
Vejo c�us escuros e rel�mpagos,
e animais e plantas, que como esta folha
foram arrastados pela tormenta
e foram se amontoando, pouco a pouco. At� formar isto.
Isto, que parece uma pedra boba.
Nada � bobo, nada � insignificante.
O gelo, por exemplo, � o pior inimigo da montanha.
Quando chove, a �gua se infiltra entre as frestas,
e ao chegar a noite, se transforma em gelo.
Aumenta de volume e rompe a pedra.
Pouco a pouco, a desintegra.
A montanha sabe disso, e se queixa,
n�o pode defender-se, mas se queixa.
Antes da tormenta se escuta um zumbido,
"canto de abelhas", lhe chamam
Porque � como um crepitar de fa�scas,
como o zumbido das abelhas.
Algumas pessoas dizem que � o ar
que se carrega da eletricidade, mas eu prefiro pensar
que � a montanha que se carrega.
Quanto mais se sabe mais pr�ximo se est� da magia.
Isto n�o � m�gico, mas � fant�stico.
Esta luzinha se chama "luz ultravioleta".
Com ela descemos ao fundo das cavernas
e paralisamos os monstros.
Aproximem-se todos.
E n�o somente... Escute! E n�o somente paralisa os monstros,
esta luz serve para outras coisas.
Mas para comprovar, temos que estar nos escuro. Na completa escurid�o.
Ernesto, apaga a luz.
S� na escurid�o se pode ver a alma das pedras.
Olhem esta.
Veem! Cada uma tem a alma de uma cor,
e de uma forma diferente.
Esta se chama axinite, que vem do Grego.
Quando os antigos gregos
falavam desta pedra
a chamavam axinite, ou algo parecido.
Aqui, toma,
mas com cuidado, n�o vire.
Esta luz n�o se pode olhar de frente, prejudica aos olhos.
Ela n�o funciona com as pessoas,
s� funciona com as pedras.
Para as pessoas, ainda n�o foi inventado nada.
"Uma e outra vez ao observar os brutais castigos
"Buck entendeu a li��o:
"Um homem armado de um garrote...
"era o que ditava as leis, um amo que devia ser obedecido,
"embora n�o necessariamente amado"
O que aconteceu em seu rosto?
Onde? Ah nada, Eu cortei me barbeando.
"N�o necessariamente amado."
"Deste sentimento Buck nunca foi culpado,
"mas ele viu outros c�es vencidos a pancadas
"que adoravam ao homem, e abanavam o rabo
"e lambiam suas m�os.
� voc� agora.
"Uma e outra vez...
"Uma... e outra vez ao
- ..."observ... - ...Observar. Olhar.
Eu sei que � olhar, n�o sou t�o est�pida.
Est� bem, siga.
"Ao observar... os bru...
N�o consigo. Vamos parar. N�o consigo.
Vamos, outra vez.
Eu volto a ler. Quer?
N�o, me deixe.
Continuamos outro dia. Mas fa�a os exerc�cios.
Isto vai te ajudar.
N�o posso. N�o tenho tempo.
� noite, antes de dormir.
N�o posso. Eu durmo!
Ernesto, melhor deixarmos.
H� pessoas que estudam � noite.
Estudam coisas muito mais dif�ceis que ler.
� preciso ter vontade, nada mais.
Eu tenho vontade, mas n�o consigo. � muito dif�cil.
Sou muito burra. J� te disse!
E n�o � dif�cil limpar a merda dos patr�es?
Voc� gosta disto? Vai seguir assim toda sua vida?
Algu�m tem que faz�-lo!
Mas n�o voc�!
Mesmo que eu aprenda a ler, eu vou continuar fazendo.
Eu nunca vou sair daqui.
Quem te disse? Seu pai? Ele diz isso,
porque nasceu para escravo, mas voc� n�o.
Porque n�o? Porque voc� diz?
Deixe-me em paz! Se leio ou n�o...
ou continuo limpando merda, � problema meu. N�o importa a ningu�m!
A mim sim! A mim sim, importa!
Por que?
Porque sim!
Ele est� em boa forma, parab�ns.
M�rito do meu filho.
Voc� percebe Vallejo?
N�o pensa em ganhar com este cavalo.
Aposte, Andrada. Aposte.
Est� bem. Eu n�o gosto de roubar dos pobres.
Mas vou apostar.
Venha Juan, vamos tomar um vinho.
Este amigo de Buenos Aires quer conhec�-lo.
N�o te deixes subornar, Juan.
Isso seria jogar dinheiro fora.
J� pensaram o que v�o fazer com a l�, Dominici?
A oferta segue de p�.
Pensei que n�o gostava de roubar dos pobres.
Quando sair o pre�o oficial, conversamos.
Quando sair o pre�o oficial,
voc�s ir�o meter a l� no cu.
N�o posso acreditar que ningu�m guarda nada.
Se guardar eles descobrem e desperdi�am.
N�o vale � pena.
Meu pai disse que voc�s s�o comunistas.
Enganam as pessoas.
S� fazem bagun�a.
E voc� acredita?
S�o as palavras de Andrada.
Ele � o �nico enganar as pessoas.
Fan�ticos da igreja antiga! Que diabos.
Esta n�o � uma linguagem pura, Irm�.
Vamos homem, voc� n�o pode recusar.
N�s temos que celebrar.
Luciana, o que aconteceu, onde est�o as crian�as? J� comeram?
J� os trago, est�o brincando.
Espere-me na capela.
O que foi?
Venha.
"Uma e outra vez, ao observar...
"os castigos brutais...
"Buck entendeu a li��o:
"Um homem
"armado...de um garrote...
"era o que
"ditava as leis. Um amo que
"devia ser obedecido,
"embora n�o necessariamente amado."
Obrigado.
Voc� leu muito bem.
Eu entendi o que voc� disse, Irm�.
Mas nada justifica...
sua recusa em usar o h�bito. � elementar.
Ele transforma suas palavras...
em palavras de Deus!
As palavras de Deus s�o palavras de Deus, padre.
Se eles n�o a ouvem mais, n�o � por causa do meu h�bito.
Deus � para os seres humanos, e antes de falar sobre Deus...
eu devo conseguir que vivam como seres humanos.
Passe, Padre. Espere um momento, em seguida estarei contigo.
� s� o que me faltava.
O que est�o fazendo?
N�s est�vamos lendo.
Sim, claro. Quando eu for para a sacristia, caiam fora!
N�o quero que o padre os veja.
Ei, Andrada! Onde est� o Juan?
Eu o vi um momento atr�s.
andava festejando.
Queiram apostar, senhores...
- No Jengibre... - Jengibre.
10.000 no Jengibre!
Algu�m encara?
A� vem.
Aqui estou... Aqui estou!
Est� tudo bem.
- Venha Dumas... - Este � Dumas.
Muito esperto, Andrada...
Eu n�o fiz nada. Ele se embebedou sozinho.
Eu n�o estou b�bado, estou contente!
E ainda que b�bado, de Zamora eu ganho igual!
Cuidado.
Que cagada que voc� fez, Juan!
Vendi a fazenda, dom Mario.
Vendi para o forasteiro, como n�o vou festejar.
Ajude-me, eu consigo...
N�o, n�o... Fique calmo, homem...
Suspendemos a corrida. Deixamos para outra vez.
Ningu�m mais pode correr?
Ernesto pode correr... e vencer.
N�o o deixe, Mario.
N�o, n�o... Claro que n�o. Isto n�o � para crian�as.
E quanto ao Hans? � fraco mas sabe montar.
Muito engra�ado, Irm�. N�o, n�o. N�o contem comigo.
Ele � melhor do que eu. Melhor do que Zamora.
E qualquer outro.
Bom, parece que est� decidido.
Est� decidido que eu n�o corro.
Ele n�o pode correr. Ele � amigo de Andrada.
N�o pode correr contra.
Empregado, somente empregado.
Vamos, coragem, Mayer. Se ganhar eu o demito,
mas n�o se preocupe, n�o consegue ganhar.
Isto � para os gastos.
O resto nas patas de Dumas!
Est�s louca? Este � o dinheiro da Cooperativa!
Conte Andrada. Veja se encara.
N�o � necess�rio contar. Eu encaro.
Continuamos sem ginete. Quem o monta?
Mario.
Quais s�o as regras do jogo?
- Chegar primeiro. - Ahn.
Tenha cuidado doutor. Posso lhe dar...
talaga�o.
V� se ferrar!
- Pronto? - Ok...
D�-lhe Zamora!
Venha aqui velho espanhol. Voc� � um ga�cho nato!
Espero que tenha esta sorte para encontrar petr�leo.
Vou precisar de um par de po�os,
para recuperar o que eu perdi hoje.
Ernesto! Ernesto � o vencedor!
Ernesto, Ernesto!
- Bom dia. - Bom dia.
Venha ajudar-me, Ernie.
Mova-se! O que h�? Est� dormindo?
- Papai. - Sim?
Pode falar com a Mam�e?
Claro que posso. Sobre o que?
Fizeste alguma besteira?
Estava com Luciana na Igreja
e Nelda nos encontrou.
E?
Ela nos expulsou..Est�vamos atr�s do altar,
Ela entrou com o padre, e...
E o que aconteceu? O que estavam fazendo?
Nada, s� lendo...Mas Nelda n�o acreditou em n�s.
E � certo que vai contar para a Mam�e.
Lendo?
Sim, � verdade.
Est� bem, eu falo com ela.
Estou fazendo um ch�. Algu�m quer?
Bom...
E Nelda como est�? Ela queria alguma coisa?
Ela est� bem. Veio conversar um pouco.
Achei-a meio preocupada. Algum problema?
Nada, coisa de mulheres.
Cag�o... Nelda n�o � uma cagueta, bob�o!
Algu�m me disse onde est�o as vacinas...
est�o no hospital em San Luis.
Temos de ir busc�-las.
Uma boa not�cia, finalmente.
Quando vamos?
S�bado. Podemos ficar s�bado e domingo.
O que te parece?
Vamos ir ao cinema?
Claro que sim.
Eu n�o posso. Tenho que ir a Las Salinas.
O que realmente me atrai em voc�...
� esta euforia juvenil... este amor pela vida.
Sacode este mofo! Voc� pode ir para Las Salinas na sexta-feira.
E s�bado vamos � capital.
Ordens m�dicas!
N�o se discute.
Papai, ladr�es!
Est�o no curral!
Fiquem aqui, n�o saiam!
Mario!
N�o, n�o, n�o!
Deixe-os ir, Ernie!
N�o � nada Ernie, n�o te preocupes.
Est� quebrado?
N�o, mas faltou pouco.
Apenas alguns dias quieto j� estar� bem.
At� que voltem a te bater.
Porque isto n�o vai parar. At� que nos chutem para fora.
Bom, que n�o parem! J� fui mandado embora uma vez.
N�o me mandam outra.
Isto � comigo. Voc� n�o � judeu.
Eu j� estou um pouco cansada de jogar
o her�i an�nimo.
N�o � com voc�. Eles fingem que s�o nazistas para assediar.
Isto � coisa de Andrada para pressionar...
para fazer vender a l�.
E o que vais fazer?
Vou quebrar seu pesco�o.
Para que te metam na cadeia.
Voc� n�o tem nenhuma prova contra ele.
Ernie v� dormir.
Precisa acordar daqui a duas horas.
Fa�amos uma coisa. N�o vamos dizer nada a ningu�m.
Que a Cooperativa n�o fique sabendo.
Muito bem. Te portaste bem.
Eu vou tosquiar as ovelhas e cobrir com cal.
Agora?
Antes que as crian�as �s vejam!
Posso te ajudar? Vou preparar a cal.
O medo funciona Anna, sabemos como.
Algu�m descobre, fica assustado...
e vai querer vender.
Porque n�o prepara um mate?
- J� passou... - Estou cansada, Mario.
Eu estou doente e cansada.
Tudo isso � in�til, absolutamente.
N�o temos m�quinas agora.
Estou com as pessoas doentes, mas minha mente est� em outro lugar.
Tenho que ir a Las Salinas mas n�o quero ir.
Devo dizer-lhes que vai ficar curado?
Que eu sei que n�o vai se curar. Tudo segue igual.
Que lhe digo se ele bebe todos os dias?
"Homem n�o beba, �lcool faz mal... voc� est� se matando...n�o se mate
a vida � linda?"
Por favor! E eles continuam parindo e trazendo...
filhos para este mundo de merda.
N�o se d�o conta?
Acredito que sim, Ana.
Mas eles tamb�m t�m a voc�, e isso os faz pensar...
que nem tudo � uma merda.
Vem, v� para cama.
N�o chegou o momento para tratar disto.
Vamos falar durante a viagem.
N�o irei.
V�o voc�s. Eu quero ficar sozinha.
Eu n�o posso dirigir com este bra�o.
Eu sei, mas n�o me obrigue por favor.
Deixe-me s�.
Luciana.
O que faz aqui? Voc� est� louco?
Podemos ser vistos! Por que voc� veio hoje?
Falamos s�bado!
Eu vou a capital. Por isso estou aqui.
vim te avisar.
Voc� est� indo embora? Para viver?
N�o, passear, n�o viver. Segunda-feira volto.
Te trouxe mais exerc�cios.
Vai faz�-los, certo?
Est� bem, anda logo que v�o v�-lo. Tchau.
Te vejo s�bado... no outro.
- Tudo pronto? - Sim, tudo.
Est� levando dinheiro para o hotel?
Tudo. Levo tudo. Sim.
Cuide-se. Fecha a casa � noite com tranca.
N�o abra se voc� ver algo estranho, ok?
N�o vai acontecer nada. Eles n�o v�o tentar de novo t�o cedo.
Mas em todo caso.
Se houver tormenta n�o se assuste com os trov�es.
E se eles quiserem te estuprar, relaxa e goza.
N�o seja besta, n�o me d� medo.
Divirtam-se! Cuide de teu bra�o!
E cuida do Ernesto...
Voc� trouxe sua escova de dentes?
Espera, eu vou traz�-la.
Tudo isto porque � �nico.
Se fossem quatro seria diferente.
Quatro escovas de dente?
Tem raz�o. As m�es judias s�o piores do que as italianas.
Minha m�e era igual � Ana.
Por que n�o tiveram mais?
N�o vieram ou n�o quiseram?
Eu n�o quis. Quer�amos o segundo...
mas levou muito tempo.
Mais tarde, eu n�o quis continuar tentando.
Tenho 52 anos. E uma marcada tend�ncia familiar
a morrer jovem.
Me d� medo n�o estar a� para v�-lo crescer
e proteg�-lo.
Estou com medo com Ernesto,
imagine com um rec�m nascido.
Do que nos esquecemos? O que trazes a�?
Roupas...
N�o vou ficar dois dias sem trocar-me!
Eu sou louca, mas muito limpinha.
No domingo 25, de manh� at� a noite...
na capela do Valle Bermejo
Eu quero pedir �s pessoas que venham, � importante...
com suas crian�as
para vacin�-las. Vamos ter uma camionete,
perd�o, dois carros, porque um amigo espanhol
nos ajudar� a trazer as pessoas
dos povoados vizinhos.
Domingo 25, vacina��o massiva para Sabin e Tripla
na capela de Valle Bermejo!
Precisamos de t�nis, roupas velhas,
leite em p�, �lcool, band-aids. Tudo o que voc�...
possa enviar, ser� �til.
Eu n�o gosto de pedir para a caridade, mas...
a situa��o � grave.
Est� bem. H� um bem aqui. Sim.
John Wayne, este � o melhor!
Por favor, ele � um fascista!
Quem mais pode enfrentar 20 caras...
armados at� os dentes...
e ansiosos para mat�-lo,
e ele escapa, fazendo seu cavalo andar para tr�s?
No entanto, faz voc� acreditar que ele era...
o mais perigoso? Ele podia estar b�bado,
baleado, derrotado, apaixonado... Mas...
ele nunca perdeu a dignidade!
Eu acredito que voc� gosta dos filmes de cowboys.
Eu tamb�m gosto!
Muito bem!
A fic��o tem que ser...
maior que a vida... Maior! Mais importante.
Este lugar � car�ssimo...
Se � bom, entramos e pronto... n�o olhamos os pre�os.
Eu convido!
Voc� foi convidando todo o dia, Hans. � o suficiente...
Bem, entramos...com uma condi��o. Eu pago.
N�o sou eu que pago. Quem paga � meu amigo Andrada!
Vamos tomar um copo?
- Outro? - O pen�ltimo!
- Desistimos... - Desta vez eu convido.
Eh... O bar est� aberto?
Atendemos a noite toda. Bom.
Quarto 406, por favor...
Apenas um copo e me vou!
Vamos?
Ol�. Voc� tem cigarros?
Obrigado.
Voc� tem...?
- Eu j� volto. - Aonde vai?
Voc�s v�o continuar? S�o quatro horas da manh�,
me parece que a esta hora voc�s precisam dormir.
Eu o acompanho at� seu quarto e volto.
N�o, n�o, deixe que eu me oriento.
- � mais acima... - O que?
Ainda falta um andar
Errei um andar.
Eu te acompanho.
Onde? Por aqui?
Bom!
J� venho!
E, quem vai traz�-lo de volta?
Eu lhe trago. N�o se preocupe.
Que l�stima. Como est�o os dois.
Pa�s! Pa�s!
� sobre um sujeito completamente b�bado,
junto a Puerta del Sol, e algu�m lhe pergunta...
N�o! Era v�spera de Ano Novo, e eles estavam
comendo uvas, em Madrid se come uvas com
bem, n�o importa. Tem um tio que est� perdido,
mas muito perdido... e algu�m lhe pergunta
''Poderia dizer me onde estou?''
E o outro responde ''Diabos, na...
Puerta del Sol''
''N�o, n�o... O pa�s! Pa�s!''
Pa�s! Pa�s!
Shh! Vamos ser expulsos.
V�o embora, por favor.
Volto em seguida.
Eu preferia que n�o. Se beberam juntos
fiquem juntos at� passar!
Eu n�o suporto b�bados!
Um momento, um momento!
Voc� n�o tem nenhum direito de falar assim.
Este � um grande cara, � um fronteiri�o.
B�bado ou derrotado, um fronteiri�o,
nunca perde sua dignidade.
Quero dizer que estou como estou,
mas eu sei o que digo.
� um fora de s�rie.
E voc� tamb�m.
� uma mulher maravilhosa.
N�o o deixe s�. Ele te ama muito.
E eu tamb�m.
Os amo, muito.
Tenho sono e fome.
Falta pouco. Tem biscoitos em minha bolsa.
Tome um ar, dirigir sozinha � muito aborrecido
Os co-pilotos t�m a obriga��o de falar
e esses dois est�o definitivamente fora.
Alguma vez te embebedastes?
N�o posso. Cada vez que bebo demais vomito,
e depois durmo.
Sempre perco a parte divertida.
Porque divertida?
�s vezes � divertido. Se te d� uma depress�o,
pode ser muito triste.
Voc� perde o controle. Voc� se atreve a dizer coisas e
fazer coisas que nunca fez. Como a luz das pedras,
se pode ver o lado oculto das pessoas.
Pode ser desagrad�vel, mas
tamb�m pode ser maravilhoso.
Voc� vai descobrir sozinho.
Eu n�o gosto de beber.
Logo vais gostar. Voc� ainda � muito jovem.
As leis da gen�tica nunca falham
e este que est� a� atr�s � seu pai.
Eu preciso ver a doutora. � urgente!
Aconteceu algo?
N�o, o que vai acontecer?
Preciso ver a doutora!
O que se passa?
Doutora, por favor, voc� pode
me levar at� a cidade?
Um momento Andr�, olhe que estou atendendo.
Quando terminar, voc� pode me levar?
N�o tem problema! Voc� est� muito bonito,
voc� vai � uma festa?
Vendi o rancho doutora!
Eu tenho que ir assinar os pap�is.
O amigo do doutor Andrada comprou. Este da capital.
Aquele que comprou de Juan.
O mesmo!
Vai ter que me esperar um pouco.
Vendi o rancho, vou viver na capital!
Perdoe-nos, vossa Alteza,
por interrompermos vossas profundas medita��es,
mas n�s trouxemos as vacinas para o seu s�ditos leais!
O que fazes aqui? N�o sentes frio?
Como foi? Entregaram as vacinas
sem problemas?
Sem problemas, porque afinal tamb�m fui com...
- Hans? - Com Mario e Ernesto.
Passamos bons momentos.
Eu imagino.
Que irritada! O que se passa?
Veja.
Me promoveram.
Me mandam a Roma fazer um curso por um ano,
e volto a Buenos Aires
a um semin�rio para formar novi�as.
N�o podes dizer que n�o?
Eu sou freira, Ana. Fiz um voto de obedi�ncia.
Anda, leve as vacinas Ernesto.
Deixe-as na sacristia!
Ou detr�s do altar, sabes onde �, n�o?
Sim.
Voc� sabe quando vai? Te disseram?
N�o, eu n�o sei. Pode ser em um m�s ou dois,
quando chegar minha substituta.
Alguma m�mia que n�o vai tirar o h�bito,
nem para dormir.
Se deixar de ser freira voc� pode ficar.
Vontade n�o me falta. Mas n�o posso.
Voc� poder�.
Deixe-a comigo!
N�o gostam nada do que estou fazendo.
Nunca gostaram, mas o informe do padre,
foi decisivo. Aquele filho da puta disse que sou
uma anarquista, apostata e anticlerical.
Menos linda, tudo.
A� se equivocou, porque voc� � linda.
Mas em tudo o mais ele tem raz�o.
Se voc� n�o fosse freira n�o te incomodaria,
ao contr�rio, seria um elogio.
Aonde voc� vai, ga�cho? Est� perdido?
Eu venho ver o sr. Zamora,
para avisar que amanh� ter�o as vacinas, na capela.
Parece que n�o est�. Saiu a pouco.
Bem, d� na mesma. Te deixo a mensagem.
Tchau!
Desta vez, eu fiz todos eles. Como voc� disse.
Quando todos dormem, me levanto e estudo.
Quer ver se est�o corretos?
Est� muito bom. Voc� fez muito bem, Luciana.
Eu n�o sei porque n�o te ensinei antes, mas me parece
que falta pouco para voc� poder ler e escrever
o que quiser.
Como saberei que estou pronta?
Voc� vai ser capaz de ler e escrever!
Eu j� sei, tolo! Quero dizer, se vou te ver...
se voc� vai continuar vindo.
- Se voc� quer, sim! - Bom.
Leio o que marcaste?
Ok.
"Buck aprendeu a retirar o gelo
acu-mu-la-do em seus dentes"
Lu...
Est� muito ruim?
Me parece que te amo.
Melhor que se v�, � muito tarde.
Por que se aborreceu?
N�o estou aborrecida.
Ent�o o que �?
Eu sei que voc� n�o vir� mais aqui!
Por que dizes isso? J� te disse que virei.
Eu sei que voc� disse, mas voc�
vai embora.
Para onde eu vou?
Eu sei que voc� vai sair... Vai voltar � capital
Porque voc� n�o � daqui, � da capital.
E os da capital sempre se v�o.
Ernesto! Parem! Deixem-no em paz!
Eu vou te mostrar, sua puta!
N�o, papai! Deixe-o ir, por favor!
Escute-me, moleque, voc� tem sorte de eu n�o deixar seu lombo...
marcado. Voc� vai sair por onde veio...
mas n�o quero voltar a v�-lo!
Entendeu?
Se voc� gosta de transar, procure uma
das suas, mas minha filha n�o, deixe-a em paz.
Est� claro?
E agora v� embora.
V� � merda!
Ernesto, deixe o que est� fazendo...
e v� com seu pai, r�pido.
- Aonde ele vai? - Vai falar com Andrada,
n�o o deixe se meter em problemas.
� est�ncia? Mas eu estou classificando...
minhas pedras!
Voc� pode deixar para depois. Anda!
- Hans est� aqui! - Melhor.
Espere aqui, volto em seguida.
Eu vou com voc�!
Porque n�o vai ver Luciana?
Ol� Zamora, como vai?
O que, professor?
Conversar um pouco, se � poss�vel.
N�o temos nada para falar.
Contigo n�o, mas com seu patr�o.
N�o sei o que tem a ver com isso o patr�o.
N�o sei que mentiras lhe contou este ranhento,
mas n�o me interessa discutir contigo!
O que eu disse eu mantenho, n�o o quero ver por aqui
Assim, fa�a o favor de lev�-lo!
No momento vai ter que ver...
porque est� comigo, e n�o se vai, ficou claro Zamora?
A menos que voc� queira chutar para fora n�s dois.
Vou falar com seu patr�o. A mim tamb�m n�o interessa discutir contigo.
Me parece que desta vez voc� fez uma cagada.
Eu n�o fiz nada, juro. Deixe que eu te explique.
Agora n�o...Em casa falamos.
N�o toque em nada, garoto.
Tome devagar, que � dos bons.
N�o tenho paladar para o u�sque,
o nacional teria o mesmo gosto para mim.
Antes que comecemos a regatear, deixe-me dizer-lhe
que o pre�o baixou. � o mercado.
Azar. Mas eu n�o vim falar sobre a l�.
O que est� acontecendo com as terras, Andrada?
Voc� anda comprando tudo.
Do velho Gregorio, de Juan,
Eliseo.
Dizem que h� mais. A terra � in�til.
Para que �s quer?
Eu n�o comprei nada.
Deixe de me enrolar, Andrada.
Deixe-nos a s�s um momento, garoto. V� andar.
Fique, Ernesto.
Os garotos falam demais.
Ele n�o � mais crian�a!
N�o penso em dizer nada que ele n�o possa ouvir,
voc� sim?
Eu n�o sei muito bem o que queres saber...
nem sei porque se mete no que n�o lhe importa.
Me importa o que prejudica minha gente!
Ningu�m prejudicou ningu�m!
Voc�s da esquerda sempre pensam,
que todos os empres�rios s�o todos ladr�es.
Mais-valia. Explica-lhe em que consiste a...
Mais-valia.
Ele j� sabe disso. Ele vive dela.
Deixe de comprar os piores terrenos...
da prov�ncia.
Falemos s�rio, professor.
Um cliente de Buenos Aires...
encarregou-me de adquirir um campo para construir...
um country club, com piscina e tudo mais.
Turismo de fim-de-semana. O que h� de mal nisso?
O que tem de mal � que eu n�o acredito.
Problema seu.
Nem country nem merda nenhuma.
- O qu�? - Nem country nem merda nenhuma!
Um complexo hidroel�trico, uma represa.
Lembra-se daqueles planos que lhe mostrei?
Um projeto antigo que foi abandonado,
vai ser constru�do com capital espanhol.
Por isso estou aqui. Nem petr�leo ou Country Club,
merda nenhuma!
Voc� ficar� por pouco tempo aqui!
Seu contrato diz expressamente que...
voc� n�o pode falar sobre os projetos!
Ah merda! � verdade, esqueci.
E porque foi posto isso? Ser� para ganhar tempo...
e comprar estas terras de merda que...
v�o ficar embaixo d'�gua?
Est� vazando o vaso de merda...
H� crian�as, por favor.
Onde est� o lucro? Na expropria��o?
O governo est� obrigado a expropriar...
estas terras, mas vai pagar mais, muito mais...
do que tem pago aqui meu amigo...
por elas.
- Isto est� para se ver... - Ent�o voc� n�o estava...
ferrando ningu�m, eh?
A ningu�m! Isto � absolutamente legal.
Se n�o acredita em mim, denuncie-me...
eles vendem, eu compro.
N�o estou prejudicando a ningu�m!
Eu arrisco meu capital, para fazer um bom neg�cio,
se der errado, quem perde sou eu!
N�o sei se j� comprou tudo, ou falta algumas,
mas vou falar com as pessoas, na d�vida,
para que voc� n�o siga arriscando seu dinheiro.
Fale a eles, e veja o que acontece,
diga para n�o venderem, esperem pela expropria��o.
Diga que fazem trinta anos que se est� por construir...
a represa e nunca se fez.
Desta vez se faz.
Amanh� sai um decreto e para tudo!
Mas est� bem. V� e lhes diga que esperem.
Diga que quem sabe o governo lhes pague em b�nus...
ou em quotas de cinco anos.
Eu vou com voc�. Coloco o dinheiro sobre a mesa...
e vamos saber a quem escutam!
Vai lhe sair mais caro.
Eu tenho reservas, eles n�o.
Eles est�o morrendo de fome agora! Hoje!
Mas est� bem, v� e lhes diga que esperem.
Eu vou dizer.
Voc� ainda vive em um mundo ut�pico, professor.
Tamb�m vou lhes dizer,
o grande filho da puta que voc� �.
N�o sei porque, mas me d� a impress�o de que j� n�o vamos
mais ser bem recebidos nesta casa.
Voc� sabia desde o princ�pio.
Poderia ter me dito algo!
Para que? Para ele me despedir.
Eu sou um ge�logo, n�o Jesus Cristo.
Me encarregaram de um trabalho, eu fa�o e ponto.
O resto n�o � de minha conta.
Est� bem!
Voc� sequer � propriet�rio de terras...
porque tenho de avisar? Andrada tem raz�o...
n�o podes fazer nada!
- N�o? - N�o!
Aqui � o sul do Rio Grande, v� se entende!
E eu vivo em Utopia!
Escute aqui.
- Eu sou um mercen�rio... - Havia dito ge�logo.
Aonde me pagam, eu vou. E as que melhor pagam...
s�o as multinacionais. Se voc� se comportar, claro!
Se voc� n�o fizer isso, � melhor fazer outra coisa!
E agora que tudo mudou. O que mudou?
N�o mudou nada!
Voc� abriu sua boca diante de Andrada.
Isto � se comportar?
Bom, um mau dia qualquer um tem.
Se vai tudo � merda, Ernie.
Ok, andem.
Est�o esperando, querem falar contigo.
- Onde? - No galp�o.
As reuni�es s�o para falar.
Quem se anima?
As coisas v�o mal, dom Mario,
temos que vender.
As pessoas n�o aguentam. Estamos sem nada.
Falta muito pouco,
alguns dias mais e conseguimos.
N�o queremos passar fome,
fizemos a Cooperativa para n�o passar fome.
N�o s� para isto. Quando cada um era por si?
O que acontecia?
''Sim senhor'', ''Sim patr�o'', e se fodiam.
Compravam tudo no armaz�m de Andrada,
e pagavam o que ele dizia.
N�o pagavam, ficavam devendo
e assim ele os mantinha preso pelos ovos!
At� que se juntaram.
O que t�nhamos quando come�amos?
N�o t�nhamos nada! A horta, nada mais.
E o que fizemos?
Em vez de cada um comer o seu, nos juntamos
e repartimos entre todos.
Passamos seis meses antes de comprar
dos atacadistas, mas conseguimos.
N�o t�nhamos fartura,
mas tamb�m n�o havia fome.
Por que n�o podemos fazer o mesmo agora?
Podemos, mas n�o estamos como no come�o.
Agora temos a l�, e podemos vend�-la,
se nos d�o um pouco menos, azar.
De qualquer forma, nos ajeitamos.
Acredito que estamos a ponto de ganhar um melhor pre�o.
� uma cagada entregar agora!
Mas esta � minha opini�o. A maioria decide.
O dr. Andrada disse que se n�o vendermos agora,
depois n�o compra.
Nos chamou e nos disse.
Ent�o, agora voc� o chama de dr. outra vez...
Estiveram na est�ncia?
Quer�amos saber logo. Eu estive perguntando...
e est�o todos de acordo, dom Mario...
exceto voc�.
Falaram com Nelda?
A irm� disse que n�o, mas ela disse que vai embora.
Quem fica somos n�s.
Eu tamb�m fico, e n�o estou de acordo.
Andrada quer meter o dedo em nosso rabo.
Eu n�o concordo.
Se o deixam ganhar agora, vai ganhar sempre.
Isto � o que eu penso!
Isto � o que pensavam voc�s,
at� alguns dias atr�s.
Estou enganado, ou j� decidiram que sim?
Me parece que vai parir a qualquer momento,
a bolsa estourou. - Fique tranquila, Elsa.
A cada quanto lhe v�m as dores?
Com frequencia.
Coloquem na ambul�ncia!
- Ernesto, traga minhas coisas e chame o Papai.
Ele est� na reuni�o!
Diga-lhe que � urgente!
Eu lhe digo.
Nelda, vai conseguir sozinha?
Claro. Falta pouco. Boa sorte.
Papai...
Papai!
O que fazes aqui? V� j� para dentro!
Para onde voc� vai? O que aconteceu?
Nada! Vou ver se Nelda necessita ajuda.
V� para dentro! Eu j� volto!
Fique a�! N�o chegue mais perto!
N�o tenha medo, Ernie, Eu n�o estou louco.
Algum dia voc� vai entender.
Agora vamos ter que come�ar de novo.
J� n�o t�m merda nenhuma a perder.
- M�e, ontem � noite. - Eu sei.
Nelda me contou tudo. E seu pai?
L� dentro, no quarto.
E as crian�as? N�o teve aula hoje?
N�o, ele lhes deu de comer e os mandou de volta.
Obrigado por tudo.
N�o foi culpa sua, certo?
O que aconteceu? Chegaram l� a tempo?
O garoto nasceu morto. Anda vai com sua m�e,
n�o a deixe s�.
Cuidado! Voc� vai quebr�-lo!
Isto � fr�gil!
Voc�, tente se apressar, por favor?
Tenha cuidado, � fr�gil!
PROJETO HIDROEL�TRICO DE VALLE BERMEJO
Eu vou entregar os certificados para
os que acabaram o s�timo.
Na verdade, nenhum de voc�s merece isto.
N�o, falando s�rio. Cada um fez o que pode,
e deram o melhor de si.
Se aprenderam muito ou pouco, n�o importa...
aprenderam a pensar e a conviver.
E � isto que vale. Aqui, Esteban...
N�o percam os certificados, sim? Quando...
houver trabalho na represa, servir�o
para que lhes paguem um pouco mais.
N�o muito, por�m um pouco mais. Aqui, Rita
Roque, parab�ns. Um para ti, Jorge.
Cuidem-se, hein!
Quando terminar as aulas, n�o deixem de vir.
O refeit�rio estar� aberto durante todo o ver�o.
J� sabem.
Venha Ernie!
Sente-se Ernie.
Estivemos falando com a mam�e sobre voc�...
de col�gio, e que j� passa da hora...
de tudo isso.
Ainda falta um ano antes de voc� ir...
para o secund�rio, mas...
seria melhor se n�s j� soubermos
o que vamos fazer.
Voc� gosta de pedras de fato?
Quer estudar geologia?
Eu gosto. Tamb�m gostaria de...
ser professor.
Para qualquer das duas coisas,
voc� tem que estudar.
Isso � o que eu n�o gosto.
Voc� n�o gosta que te mandem, n�o?
Quanto mais voc� souber, menos ordens que voc� receber�.
Em San Luis tem um Col�gio Nacional, mas � h� uma bagun�a,
voc� n�o pode ir e voltar todos os dias.
E numa pens�o n�o vai ficar. Voc� � muito jovem.
Um internato. Venho nos finais de semana!
Voc� teria que viver com os padres. N�o h� outra.
N�o, obrigado.
O melhor � que v� para Buenos Aires,
terminar a escola prim�ria, com sorte conseguimos um...
que tenha o secund�rio.
Assim j� ficaria no mesmo col�gio.
Eu vou sozinho a Buenos Aires?
Com mam�e. Apenas at� terminar os estudos.
V�o ficar na casa de sua av� at�...
que mam�e consiga um trabalho e se possa alugar algo.
E voc� n�o vem?
Eu n�o posso, Ernie.
N�o posso deixar tudo isto.
Quando algu�m encontra seu lugar j� n�o pode ir-se.
De qualquer maneira vamos nos ver sempre.
Uma vez ao m�s, ou mais.
Eu vou para l� ou voc� vem.
N�o vai sentir saudades.
N�o quero ir.
Eu sei, eu sei.
Anda. Guarde a bandeira.
A filha de Zamora mandou isto para voc�.
Sinto, venha, me d� uma m�o.
Se voc� tivesse alguns anos mais, n�s...
ir�amos por a� beber umas, e acabar�amos...
debaixo de uma mesa, chorando...
pelas mulheres que perdemos.
N�o se preocupe. Dizem que o importante � amar...
e n�o que te amem. Os que dizem isto s�o uns...
idiotas est�pidos!
O que me incomoda � que n�o h�...
chance de dizer "talvez...
eu estou enganado''... Mas n�o,
sempre � igual. Aqui, na Espanha, em todas as partes.
Quanto v�o demorar?
Cinco anos? Digamos sete.
Sete anos de boa vida, bom sal�rio, casa nova...
comida. E depois? Quem os faz voltar?
Quando for finalizada a represa...
que pode dizer-lhes para voltar para as ovelhas,
a horta, a colheita?
N�o, n�o podem voltar.
O lugar que era deles mudou, n�o existe mais.
Eles v�o acabar se prostituindo em Buenos Aires,
vivendo na mis�ria.
N�o se queixe.
Em sete anos de tempo vai haver...
muito mais gente pronta para lutar pela "causa"
Voc� ainda est� em Utopia, o espanhol.
Que tal se n�o falta um pouco de aguardente.
N�o, n�o...Eu estou prestes a falar bobagens.
Ningu�m notaria a diferen�a.
Voc� sim, porque fico lascivo...
e vou atr�s das virgens.
Menos mal! Eu estava com medo voc� poderia...
ir atr�s freiras.
Ernesto, a que horas chega o trem no s�bado?
�s nove e meia, e sai �s 10:00.
Bem, n�o v� para a esta��o. Voc� j� tem...
um cliente. Passe pelo hotel cerca de oito horas.
- Para onde vamos? - Eu vou para Madrid.
Voc� vai? E agora que nos diz?
Voc� terminou seu trabalho?
Ainda n�o, mas eles preferiram...
me pagar agora e enviar-me para casa.
Em lugar de ficar por aqui...
estragando as coisas.
Se voltarem os milicos, aqui est� sua casa.
E se n�o, tamb�m. D� uma volta por a�,
�s vezes.
Eu vou estar perto.
Total: duas horas de avi�o.
Um final de semana comigo, e...
te devolvo ao convento que nem a madre superiora a reconhecer�.
Vamos escrever.
Claro, v�o me dizer como as coisas est�o indo.
Eu n�o prometo responder.
Sou um desastre para estas coisas.
V� l� espanhol, umas poucas linhas!
O endere�o � f�cil Mario Dominici,
Valle Bermejo, San Luis, e chega.
Tchau Espanhol, cuide-se.
Voc� tamb�m professor, e n�o
brigue muito!
N�o, n�o, n�o, quietos aqui. Quero-os aqui.
Prefiro record�-los assim como est�o...
e n�o fora acenando adeus como tolos.
Irm�, vai ser duro mas tente me esquecer.
Foi um prazer te conhecer.
E espero que quando voltarmos a nos ver...
o prazer seja mais profundo
Tchau, louco. Boa sorte e uma boa viagem.
Quando voltarmos a nos ver voc� ter�...
que cumprir todas as promessas que est� fazendo.
Farei o que puder.
Madame...
com o maior respeito.
Este � o endere�o de minha av� em Buenos Aires,
para que nos escreva.
N�o � necess�rio.
Por que voc� deu a ele o endere�o da av�?
Porque vai escrever, se n�o a conhece.
N�s n�o vamos?
N�o.
E o col�gio, aonde vou?
Eu � que sei? N�s temos um ano para pensarmos.
Em um ano convencemos ao seu pai...
e nos vamos todos juntos.
Algu�m quer caf�? Ainda est� quente.
- N�o, obrigado. - Passo.
Acredito que vou tomar uma grappa.
- Eu tamb�m. - Idem para mim.
Posso tentar?
S� um golinho, hein?
Senhor, por favor!
Respeite a linha. Para se registrar voc� tem
que aguardar na fila. � s� um garoto, n�o creio...
que h� trabalho.
N�o busco trabalho. Venho ver Hans...
Mayer Plaza...
Quarto 13, � direita.
Obrigado.
Pronto. N�o esqueci nada? Certeza que sim.
Em cada hotel,
eu deixo uma recorda��o.
Voc� est� deixando a luz.
Isto � para voc�. Pegue!
Se descarregar a bateria, ligue em 220v.
E lembre, n�o apontar para os olhos.
Vamos.
E as malas. N�o levamos as malas?
Deixe-os fazer isso. Vamos l�.
- O que eu levo? - Voc� leva a mim, diabos!
N�o �?
Vamos.
Vamos, Dumas! Vai!
- Vai, Dumas! - Vai Dumas!
O que � uma cabe�a de merda!
- Vamos! - Vamos, Dumas!
Vamos Dumas, vamos!
D�-me cinco!
Anda Dumas! Vamos. Que esta � a �ltima! ���!
Um �ltimo favor. N�o espere que o trem
saia, ok?
Ok. Obrigado pela l�mpada.
Obrigado pela viagem. Adeus, garoto.
Adeus.
Hans anda pelos Estados Unidos, no Texas...
ou andava, onde tinha vontade de ficar para sempre.
Pelo menos era o que dizia o �ltimo...
postal, h� mais ou menos dois anos.
Quando voltamos a Buenos Aires, Mam�e...
conseguiu trabalho em um hospital.
Trabalha muito, e ganha pouco.
N�o � pelo dinheiro. Eu tamb�m trabalho...
e mais ou menos nos arranjamos.
Eu acredito que trabalha muito porque n�o quer ter tempo...
para pensar.
Ainda lhe custa acreditar que voc� morreu.
Fala de voc� com bronca, como...
se o enfarto tenha sido sua culpa.
Eu tamb�m �s vezes fico com raiva...
de n�o t�-lo ao lado para podermos conversar.
�s vezes voc� nos faz muita falta, velho.
Depois que voc� faleceu, em dez dias liquidamos o pouco...
que t�nhamos, e nos mudamos para Buenos Aires.
Eu terminei o prim�rio em um col�gio que tinha...
o secund�rio, como voc� queria.
As pedras, eu ainda �s tenho...
mas n�o fui para este lado. Optei pela medicina.
J� estou no terceiro ano, e agora consegui uma bolsa de estudos.
Eu vou para a Espanha.
N�o sei muito bem o que vou fazer
quando terminar a bolsa de estudos. Posso procurar trabalho na Europa...
ou, n�o sei, voltar para Buenos Aires...
se as coisas melhorarem.
Gostaria que tivesse me dito como a gente faz...
para saber qual � seu lugar.
Eu at� agora n�o o tenho.
Suponho que vou me dar conta quando...
esteja em um lugar e n�o possa partir.
Suponho que seja assim.
Logo vai aparecer.
Ainda tenho tempo para encontrar.
Tradu��o: lilianalcantara
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