Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
"THÉRÉSE RAQUIN"
Muito boa bola.
Só há uma jogada a fazer.
No lugar dele...
-eu estouraria a bollnha. -Falta só conseguir.
Formidável! Exatamente como eu disse.
Se vocé quisesse, teria sido o melhor.
Onde está Thérése?
Ela nunca se ¡nteressa por nada.
Fica vendo a água correr.
Thérése?
Está fazendo o qué?
Nada.
E nada é mais empolgante do que ojogo?
É tudo igual.
E o Ródano? Alguma vez muda?
Receio que pegue um resfriado. Vamos para casa.
-Como quiser. -Feche o cachecol.
Meu pobre Camille.
Se dependesse de Thérése para cuidar de vocé...
-Posso me despir sozinho. -Deixe.
Eu sabia que o passeio náo Ihe faria bem.
Fazia frio no bonde, tive calafrios, mas passou.
Um resfriado, para voce, equivale a uma bronquite.
Sente-se.
Náo é táo d
Mas quando náo se pensa em nada...
Thérése!
-Bolsa de água quente! -Sim. Vou esquentar.
Ouviu?
Essa é a diferenga entre uma esposa e uma máe.
Se fosse eu, a água já estaria quente.
Ponha logo o pijama e vá para a cama.
Eu vou buscar a bolsa.
Essa bolsa vai ficar pronta?
-Um instante. -De¡xe comigo.
Vai dizer que náo é sua culpa?
-O tempo estava bom. -Havia nuvens.
Faz calor e, de repente, frio. Vocé devia saber.
-Eu quis ¡r ao cinema. -P¡or ainda.
Para respirar mlcróblos vendo pessoas se beijarem...
estamos melhor na rua.
E filmes náo Ihe fazem bem. Vocé sonha demais.
0 amor náo tem nada de romántico.
No fim, o amor...
é zelar pela saúde do marido.
Ponha nos pés dele.
I Náo na barriga. E ruim para o fígado dele.
Como está se sentindo?
Mamáe se preocupa.
Se a ouvisse, eu viveria na cama.
Pronto.
-Precisa de algo mais? -Náo.
Eu já estava pegando no sono.
Dormir é bom.
E náo custa nada.
Pois durma bem.
TRANSPORTES MALABERT
É para Malabert. Sáo seis caixas.
E temos pressa.
-Car¡mbou a nota fiscal? -Aqu¡.
Seis calxas.
Perguntei se o fiscal carimbou a nota.
É para Malabert ou náo?
-Náo interessa. Passe pelo fiscal. -E onde está o fiscal?
Náo está, hoje. Estou no lugar dele.
Pois Veja a minha nota. Está em ordem, náo?
Aqui náo. No escritório.
0 regulamento é para todos. Até mesmo para estrangeiros.
Náo gosta de estrangeiros?
0 senhor fiscal náo vai com a cara deles?
Náo vem ao caso.
Mas se vocé sair sem passar pelo escritório, se arrependerá.
Meu velho.
Acorde. Já chegamos.
-Onde? -Na sua casa.
Agora desga.
Vai ou náo vai?
Laurent. Acho que perdi as pernas.
Eu ajudo.
É sério, Laurent.
-Delxe¡ minhas pernas no café. -Náo se preocupe com isso.
Vamos recuperá-las.
-Pode descer. Eu seguro. -Náo consigo, Laurent.
-M¡nha cabega. -Perdeu a cabega também?
Náo. Mas está girando. Girando.
Pois o senhor fiscal está em mau estado.
Encomenda expressa para a casa Raquin.
-Houve um acidente? -S¡m.
Um copo a mais.
Camille nunca bebe.
Justamente.
Nós discutimos feio.
Mas náo guardo rancor.
Entáo, eu náo quis deixar assim...
e fizemos as pazes.
Ofereci uma bebida, ele ofereceu outra...
e assim por diante, até que o trouxe.
Agora é deixá-lo dormir.
-Onde o coloco? -O quarto é lá em cima.
Eu ajudo.
Náo é preciso.
Ele náo pesa nada.
É Irmá dele?
Desculpe-me.
Entáo...
se quiser me mostrar o caminho...
Por aqui.
Ele pode náo pesar nada...
mas tem altura..
-Estou constrangida. -Náo se preocupe.
Onde é o quarto?
Por aqui.
Será melhor ele se sentar antes de deitar.
Ponha um pouco de água no rosto dele.
Laurent.
-Náo me abandone. -Náo se preocupe.
Estou aqui. Estou tomando conta.
É bom.
Obrigado, Laurent.
E voce?
Laurent é meu amigo. Meu irmáo.
Eu tinha um ¡rmáo e náo sabia.
Ela é Thérése.
E vocé, Camille.
Laurent! Onde está?
Estou aqui. Fique quieto e durma.
Durmo, desde que vocé venha na quinta-feira.
Combinado.
Bom, entáo fico quieto.
Dez vezes ele me fez jurar vir na quinta.
0 que há na quinta?
A Sra. Raquin recebe amigos.
Ele val dormir.
Vá embora. Por favor.
Estou envergonhada.
Por um copo a mais?
Encontros acontecem ao acaso.
E acho que o importante...
foi nos encontrarmos, náo?
Quatro e trés! Pulei!
Aqui é hora de langar os dados.
Pare! Náo fez os dados rolar.
-Náo rolei os dados? -Eu protesta!
Sr. Grivet, saiba que Camille náo trapaceia.
-Já o senhor... -Eu trapacei 7
Se Camille tem de ganhar sempre...
é melhor eu entregar logo meus 40 centavos.
-Ou joga ou dá o dinheiro. -Vou jogar.
E eu jogarei os dados.
Trés... e dois.
Calma! Isso náo dá seus.
Desculpe-me. Errei.
Um e dois.
0 senhor chegaria mais rápido de bicicleta.
Vocé, Lau rent.
Ás corrldas, só fui uma vez, em Turim, com meu pai
Ele era entendido.
Ele preparava seu jogo a semana inteira...
mas perdia cada corrida.
Eu tinha oito anos e dizia: "Jogue no quatro".
Mas ele, náo. Náo era científico.
Na última, ele me comprou um ticket.
E o quatro ganhou.
Fiquei eufórico. Pensei ter ganhado o cavalo.
Mas náo foi o que ganhei.
Foi minha maior tristeza de crianga.
Contar episódios de ¡nfáncia a cada jogada náo dá. Jogue.
Cinco e quatro.
27. Quebrou a pata.
Náo joga mais e ainda paga 20 centavos.
Thérése...
abra a garrafa que o Sr. Laurent trouxe. Camille vai ganhar.
I-Quer que a ajude? Eu saí. -E ruim de corrida, Sr. Grivet.
Trés e dois.
Sou eu.
Duplo cinco.
-Bom, com duplos a cada lance... -Levo a corrida como entendo.
Há quem náo tenha espírito esportivo.
A Sra. Raquin faz alusáo a quem?
Entáo, foi derrotado?
Parece que meu cavalo quebrou a pata.
Vocé nunca joga?
Náo.
-Faltou-me entusiasmo. -Du plo seis!
Eles brigam assim o tempo todo?
Toda quinta-feira, há 17 anos.
-Aqu¡. -Obr¡gada.
Quatro e cinco.
-Ganhe¡! -Bem!
-O vinho. Camille ganhou. -Eu aceite...
mas náo me orgulharia dessa vitória.
Choveu e meu cavalo detesta pista pesada.
A verdade é que Camille é muito bom.
Eu salto mal, mas no plano sou mais rápido.
Mas o melhor tempo em subida quem fez fui eu.
Ao vencedor.
Á mulher do vencedor.
-Laurent nág vai almogal'? -Fo¡ a Saint-Etienne ontem.
-Mas o camlnháo está aí. -Pode ser, mas náo o vi.
-O que vai beber? -V¡nho tinto.
-Um tinto, mesa quatro. -Um minuto.
Sim? Quem?
Fala de quem?
Laurent já voltou?
0 caminháo está aí, ele deve estar.
Náo desligue. Vou chamar.
HpTEL DE LA TERRASSE CAFE HOTEL DE LA TERRASSE
Laurent!
Telefone!
É da Malabert!
Laurent! Vocé está aí?
Laurent!
Laurent! Está ai?
Lá em cima.
Tem alguém em casa?
Minha sogra.
Bem.
Só nos vlmos duas vezes.
Náo é muito.
Mas, de certo modo...
é o suficiente, náo é?
Náo tenho nada. Só meu caminháozinho.
Se me canso de uma cidade, parto para outra.
Mas em mlnha vida náo há ninguém.
Com vocé é diferente.
Há Camille.
Ele náo pesa nada, mas está aí.
Entáo, se vocé me der a máo...
¡remos aonde vocé quiser.
Na Franca, na ltália... Outro lugar.
Outro talvez se tornasse amigo de Camille.
Na quinta, jogaríamos cavalinho e domingo...
sairíamos juntos.
E, um dia...
Thérése.
Se vocé hesitar...
fará com que todo mundo seja infeliz.
Virei e revlrel a sltuagáo na minha cabega...
e o melhor seria partirjá. Sem nenhuma dúvida.
Partil'? Sem saber aonde?
Sem dizer nada, como ladróes?
É o único meio, Thérése.
Um corte seco.
Para causar um mal menor.
Está com medo?
Medo?
Náo.
Mas eu o adm o, Laurent.
Vocé é forte, é livre.
Só pensa em vocé.
Precisa ter o que o quer sem esperar.
Talvez vocé prefira sua seguranga.
Sua vidlnha.
Onde náo acontece nada.
Engragado.
Pensei que me daria a máo sem hesitar.
E se eu estiver me contendo?
E se eu também o quisesse?
Vocé náo sabe o que é, para uma mulher...
pensar em um hornem de verdade.
0 tempo todo.
A ponto de náo saber mais o que faz...
ou onde está.
E acordar, de repente...
olhar á sua volta...
e ver que nada mudou.
Quando se ama um homem...
quando se confia nele...
fica fácil partir com ele.
Fácil?
Um dia contarei como minha tia teve pena de mim...
quando perdi meus pais.
Tanta pena, que a obrigou a se casar com o filho.
Eu morava com ele, já era prima dele.
Virei mulher dele, nada mudou muito.
Vocé náo acha ¡sso monstruoso?
Cuidei de Camille quando ficou doente.
Talvez o tenha salvado da morte.
Mas náo quero matá-lo ¡ndo embora.
Prefere desperdigar sua vida?
Quatro e trés.
-Pule¡ o rio. -Me desculpe! Caiu no rio!
Eu estava na 47. 47 e 7 sáo 54.
Estava na 46! E 46 com 7 dáo dentro do rio!
Mamáe. Eu estava na 46 ou na 47?
Camllle tem razáo.
Ora, ele sempre tem razáo! Mas o rio é para todos!
-E Camille trapaceou! -Sr. Grivet!
-Náo fosse amigo há 30 anos... -0ra, ora. 0 jogo os cega.
Apelo á arbitragem imparcial do Sr. Laurent.
Pego desculpas.
Náo prestei muita atengáo.
Vou explicar. Eu estava na 47, aqui.
-Por minha honra. -Estava na 46. Al¡!.
-Ponho a máo no fogo. -Thérése.
Prepare verbena, para acalmar os senhores.
-Proponho jogar de novo. -Ser¡a fácil demais.
E antes de estar na 46, vocé estava na 39.
E tirou cinco e dois!
Estou mentindo, Sra. Raquin?
Acho que o Sr. Grivet tem razáo.
Se todos estáo contra mim, meu cavalo abandona.
Mas aviso: se náo rolar os dados...
Eu náo jogo honestamente? Pois Veja.
Doze!
E ganhe
Ganhei.
Náo falemos dos meios.
Náo sáo nem 22h. Oferego sua revanche.
Vai se arrepender.
Será sem mim.
-Lamento, parto ao amanhecer. -O senhor avisou. Náo insisto.
Náo se ¡ncomode ou perderá a largada.
Boa noite a todos e que o melhor ganhe.
Sei que serei eu.
-Boa noite. -Boa noite. Sabe o caminho.
Se eu náo olhar o Sr. Grlvet, ele comegará com duplo seis.
Podemos jogar uma vez, uma só, sem dizer essas coisas?
Sra. Raquin!
-Náo rolou os dados! -Sr. Grivet...
RESTAURANTE DeNgANTE M OU LIN BRU LE
Vocé achou que eu náo viria?
Mas náo pude vir antes.
Eu nunca saio e precisen achar um pretexto.
Eu disse que estava com dor de dente.
Fingi ter dor.
Náo é muito esperto...
mas ainda náo aprendi a mentir.
Náo diga nada. Vocé veio.
É o que conta.
Quando me viu, vocé ficou pálido.
Eu náo aguentava mais.
Há uma semana a espero, todos os dias.
Todos os dias.
Thérése...
se vocé quisesse...
Que lugar grande.
É que está vazio.
Mas aos domingos e fer¡ados..
Flca cheio de rapazes e megas que se gostam.
Como vocé e eu. E que danqam a noite toda.
-Vocé está llnda, assim. -E para vocé.
Vocé vinha aqui, antes?
Já me aconteceu.
Vocé gosta de dangal'?
Dangar...
Nunca aprendi.
Só sei fazer coisas trlstes.
Costurar...
cuidar...
contar dinhelro...
Coisas tristes náo sáo para vocé.
Vocé é forte, é linda.
Tem um corpo feito para dangar.
Para amar.
Náo pode mais Viver assim, Thérése
atrás de um balcáo ou na cama de um doente.
É pior do que a morte.
Vocé tem razáo. É pior.
Mas eu náo sabia.
Estava sossegada.
Mas quando estamos juntos, náo penso mais.
Só que nunca estamos juntos...
Isto aqui náo vale.
Devia ter me ouvido, Thérése.
Deveríamos partir.
Náo era possível.
Gratidáo e piedade andam juntas.
E o que será de nós?
Vocé vé que náo podemos ficar um sem o outro.
Náo dá mais.
Eu a desejo demais, Thérése.
Eu também tenho vontade de estar com vocé.
Ouga, Laurent.
Há um meio, se quiser.
Um meio?
Combinar. Combinar.
Náo é simples como pensa, Sra. Noblet.
Leva-se cinco minutos, sim, mas 30 anos de experiéncia.
Sua nora me dlsse que acharia facilmente.
Ela náo sabe nada.
Ficar atrás de um balcáo náo basta para ser comerciante.
Afinal, ¡sto deve convir.
-De quanto precisa? -1,25 m.
Sua nora náo está?
Está com enxaqueca.
Se alguém tem dor de cabega, hoje em dia, descansa.
E quando tem dor de dente, vai ver um dentista.
Vocé acha mesmo que ninguém vai subir.
Está com medo?
Náo, mas náo estou á vontade, náo sei, no quarto dele.
É meu quarto.
-M¡nha cama. -Náo gosto de me esconder.
Thérése.
Eu querla que fóssemos l¡vres..
Que pudéssemos dormirjuntos, comer e sair juntos.
Vocé quer tudo.
Como quem sempre foi feliz.
Também quero tudo isso, um dia.
Com certeza.
Mas, antes de vocé...
a vida náo me deu nada.
Sempre ás ordens, Sra. Noblet.
E quando voltar, pega que Thérése me chame.
É mais prudente.
Sr. Pompon, o que faz aí?
Pode subir já. E bem rapidinho.
Seu lugar é na sala de jantar.
Ou com Thérése, que gosta de vocé.
Quantas vezes deverel
que é proibido arranhar os tecidos da Sra. Raquin?
Vá rasgar as cortinas de Thérése.
Se ela quiser vocé.
Thérése?
Thérése!
Continua com dor de cabega?
Estou tentando dormir.
Se dormir agora náo dormirá á noite.
Tome. Devolvo o Pompon.
-Eu gostaria de ficar sossegada. -S¡m, sim.
Náo costumo Importunar ninguém com minha presenga.
Ela desceu?
Sim.
Mas lamento ela náo ter entrado.
Ela teria me visto.
-E saberia. -Se ela o visse...
-avisaria Camille. -Tanto melhor.
De umjeito ou de outro, ele acabará sabendo.
Entáo, quanto mais cedo, melhor.
Vocé náo conhece Camllle.
É um covarde. Vai chorar.
-Va¡ ficar doente. -A máe cuidará dele.
E quando vlr que náo pode fazer nada, vai se acalmar.
Conhego Camille.
-Náo suportará a verdade. -Po¡s eu náo suporto a mentira.
Ele teve vocé seis anos.
Já' basta. Acabou! E a minha vez!
E se ele morrer?
Tanto pior.
Entre vocé e ele...
há bens?
0 que eu tinha, a Sra. Raquln colocou em sua loja.
Pois que fique para eles.
Amanhá mesmo...
Irei ver Camille.
Laurent.
Mesmo que ele se descontrole...
prometa-me ficar calmo.
Náo farei mal a ele.
Náo tema.
E vocé, náo ouga nada.
Só pense em vocé. Em mim, em nós.
Náo ceda.
E depois de amanhá, encontro na taberna.
-Thérése está aí? -Náo cumprimenta mais?
-Boa tarde. Onde está a Thérése? -Lá em cima. 0 que foi?
Nada.
-O que ela fez, agora? -Nada.
Náo me ouviu chegal'?
Sabe quem acabei de ver?
Sabe o que ele me disse?
Que teria sido melhor minha máe deixá-la morrer.
Náo era difícll de prever, com pais como os seus.
Vocépáo é mais Thérése Dubois! E a Sra. Camille Raquin!
E a lei a manda me obedecer e respeitar!
Thérése.
Olhe para mim.
Exijo que olhe para mim.
Um camlnhoneiro. Com que cara eu ficaria?
E estrangeiro, por cima.
Nem se sabe de onde vem.
Thérése, diga que náo é sério.
Náo se esquega do que gastamos com sua educagáo e alimentagáo.
Quer uns tapas?
Se vocé for embora, o que será de mim?
Éramos táo felizes.
Eu náo era feliz.
Vocé, vocé, vocé. E só vocé que conta.
Sabe que se a rnatasse eu seria absolvido?
E podefia matá-lo também. E meu direito.
Thérése.
Diga que ainda gosta de mim.
Pois náo precisa ¡r embora.
Vou me deitar.
E náo val demorar para eu morrer.
Já estou com frio.
Prefiro sua raiva a essa chantagem.
Que chantagem?
Sem vocé, eu estaria morto. Lembre-se.
Quando eu era pequeno, eu náo tomava remédio.
Mas vocé tomou comigo, para que eu tomasse.
Náo a censura...
-mas devla me deixar morrer. -Náo fale sempre de sua morte.
Por que náo, se vocé quer me matar agora?
Ouga.
Um amor, assim, repentino, náo é amor.
É uma febre.
Tenho uma ideia.
Que tal ¡rmos alguns dias a Paris?
Grivet pode me dar duas passagens.
Ficaremos na casa de tia Henriette...
e usaremos o dlnheiro para ¡r ao teatro e gastar.
Pobre Camille. Trés dias em Paris náo mudaráo nada.
Eu acredite.
Náo me recuse essa chance, mesmo pequena.
Ou só me resta me atirar no rio.
Na volta, vocé fará as mesmas ameagas.
Juro por Deus que náo.
E também juro que, depois...
se ainda quiser me deixar...
eu...
Só pego trés dias. Nada mais.
Obrigado, Thérése.
Iremos amanhá á noite.
Mamáe.
Nem uma palavra.
E entáo, criangas. Náo se almoga hoje?
Esperávamos pela sen hora.
Náo costumo fazer perguntas..
Mas me surpreende vocé náo me contar nada.
Thérése e eu ¡remos a Paris amanhá.
Para agradá-la, é certo.
Enquanto eu, sua máe, tenho vertigens.
E minhas pernas só pioram.
Náo posso dizer nada.
Mas está acontecendo algo grave.
Náo quero me envolver, é claro.
Mas quando os vi juntos, ache mprudéncia nossa.
Uma mulher que nos deve tudo.
Náo tenho nada com isso...
mas vocé é ¡ndulgente demais para com ela.
Indulgente demais?
Sabe o que decidi? Vou levá-la á tia Henriette...
e vou trancá-la lá. Sem cartas, sem telefone.
Sem um tostáo.
Ela val aprender comigo o que é um marido.
Aló?
E voce?
Fale alto. Estáo fazendo um casamento aqui.
Náo posso gritar, ligo da loja.
Da loja? 0 que está acontecendo?
Náo posso ir.
Camille me pediu para viajar trés dias com ele...
e me prometeu que, depois, eu estaria livre.
Aonde ele quer il'?
Por favor, fale perto do telefone.
A Paris.
-Vamos hoje á noite, de trem. -Esta noite? A Paris?
Mas por qué?
-Ele espera me enternecer. -O qué?
Me enternecer.
E eu espero que ele aceite, quando estiver longe da máe.
Ouga.
Náo estou entendendo. Estou ouvindo mal.
Quer que eu vá já?
Náo. Deixe comigo.
Só diga que confia em mim.
Sim, Sr. Legris.
Reservarei a pega e poderá pegá-la quando quiser.
Era o Sr. Legris.
Para que mentil'? Náo perguntei.
Vá fazer sua mala. Ficarei na loja.
Plataforma número um.
Trem de Marselha, Avignon, Valence...
com destino a Mácon, Chalon-sur-Saóne...
Dijon e París. Dez minutos de parada.
Lyon Perrach e. Parada gastronómica.
Plataforma número um.
Trem de Marselha, Avignon, Valence...
com destino a Mácon, Chalon-sur-Saóne...
Dijon e París. Dez minutos de parada.
Aqui está bom.
Vocé poderá se deitar. Como em um vagáo-dormitório.
Me ajude.
Vocé prefere o canto?
Sente-se ali. Será melhor.
Passageiros para Mácon...
Desculpe-me.
A mala está pesada e estou ensopado.
Embarque imediato.
MÁCON - 22 KM
° que foi?
Está calor. Vou ao corredor.
Durma. Náo se preocupe.
Por que vocé está aqui'?
Essa viagem náo me ¡nspirou confianga.
Náo pude recusar. Ele queria se matar.
Ele val tentar de novo.
-Val Inventar outra coisa. -Ele me jurou.
Juramento ou ameaqa, já chega.
Vamos descer em Chalon.
Pegamos o caminháo e fugimos. Ele nunca mais saberá de vocé.
Náo pode ser, Laurent. Prometi a ele.
Pois náo devla. Ele trama algo, é certo.
Primeiro, usa de gentileza. Náo deu resultado? Violéncia.
Thérése.
Se Ihe acontecesse algo...
-Eu querla que ele entendesse... -Ele jamais entenderá.
Quando fui falar com ele, ele me ofereceu dinheiro...
para eu Ir embora. Depois vieram as ameagas:
tirar minha permissáo de trabalho e o resto.
Como prometí a vocé, fiquei calmo.
Mas para todos, Thérése, creia-the...
será melhor vocé e eu descermos em Chalon.
Muito bonito.
Camille, eu náo sabia que ele...
Laurent faz o que quer. Vocé é diferente. Venha.
Largue Thérése.
-Calma ou puxo o alarme. -Vocé foi avisado. Acabou.
Vamos descer em Chalon.
É ¡sso que tramaram?
Pois vamos descer os trés.
Em qualquer local, a lei está comigo.
Camille, fomos pacientes. Mas agora chega.
I Agora chega? E o que vocé pensa.
Casei-me com Thérése para sempre.
Ela ¿'e minha e ficará. E meu direito!
Ela náo o ama mais.
-Nunca o amou. -Que finja! Já me basta!
Pobre infeliz.
Vocés váo ver. A lei está comigo.
Eu os persegunren. Mandarei a policia ¡nteira!
Vocé quer me deixar nervoso?
-Quer que eu perca a cabega? -Nunca a terá! Nunca!
-Cale a boca. Cale-se. -Sáo todos iguais.
Vocés sao aceitos aqui, alimentados...
-e se aproveitam de nós! -Já que náo quer se calar...
já que vocé náo quer, eu o farei se calar!
Náo!
0 que vamos fazel'?
Vamos chegar a Chalon.
Só eu descerei. É Isso.
E dlrel a eles.
E eu? E nós?
Náo.
Ouga.
Vocé vai descer sozinho em Chalon...
mas náo dirá uma palavra.
Ninguém saberá onde vocé embarcou nem onde desceu.
E vocé vai voltar a Lyon o quanto antes.
Sozinha, terei uma chance.
Pobre Thérése.
Que chance vocé teria?
Fazem um belo service, em Chalon.
Passagem, por favor.
Passagem, por favor.
Onde estamos?
Passamos Chalon. Obrigado.
Senhora?
Meu marido tem as passagens. Ele está no corredor.
Mas náo tem ninguém lá.
Ele já saiu faz tempo?
Náo sei. Acho que o ouvi sair
Eu estava dormindo.
E vocé, marinheiro, náo viu nada?
Eu?
Náo. Estava dormindo. Como ela.
Ás vezes, á noite, há quem náo ache mais sua cabine.
Deveria ¡r ver.
Achou a porta aberta depois de Chalon?
-Dez minutos após a partida. -lsso ainda vai dar o que falar.
Pode significar que alguém tenha descido em Chalon.
Talvez seu marido.
Meu mando náo tinha motlvo para descer em Chalon.
Aló? Sim.
Ligue com Chalon.
Antes de pensar no pior...
saiba que há passageiros que descem, assim.
Á toa, uma fuga...
Aqui é Dijon. Marceroux.
Tudo bem, meu velho...
só uma porta aberta e um passageiro desaparecido.
Avise as equipes.
Náo sabemos. Logo antes ou logo depois de Chalon.
Vocé liga? Obrigado.
E na cabine, ninguém viu seu marido sail'?
Só havia um marlnheiro, que dormia também.
Perguntei a ele, ele náo viu nada.
Logo saberemos.
Será melhor a senhora náo se afastar...
caso a policia quelra ¡nterrogá-la.
Ele náo caiu sozinho. Foi empurrado.
Quem o empurrou? Quem o matou?
Eu já disse. Náo sei. Eu dormia.
CORPO TOTALMENTE MUTILADO DE UM COMERCIANTE DE LYON...
ENCONTRADO NA VIA FÉRREA PERTO DE CHALON-SUR-SEINE.
O CASAL, MUITO UNIDO...
QUE TEM UMA LOJA DE TECIDOS EM LYON...
TINHA DECIDIDO PASSAR ALGUNS DIAS EM PARIS.
Cam e, se su dar?
Na temperatura 37,6“ ele se deitava.
Com 37,7“ chamava o médico.
Ele passou a vida se recusando a morrer.
Camllle assassinado, entáo? Pior ainda. Quer dizer...
parece ainda mais louco.
Assassinado. Por quem? Por qué?
Por que o médico está demorando tanto com a Sra. Raquin?
Eu náo sei.
Laurent.
É Thérése.
Minha pobre amiga.
Eu digo, de coragáo sincero e chocado: é terrível.
Obrigada, Sr. Michaud.
Grivet pede desculpas. Ficou retido no escritório.
Mas virá assim que possível.
-E minha tia? -Gr¡vet e eu a avisamos.
Quando nos vlu chegar, um domingo...
ela logo viu que havia algo.
Procuramos as palavras, mas ela adivinhou.
E foi ela quem disse: "Camille está morto!"
Nós nos assustamos.
Ela arregalou os olhos, abriu a boca e caiu.
Um ataque.
0 médico está com ela.
E vocé, Thérése? E verdade que a policia ousou.
Ora.
-É normal. -E por que náo chamou Grivet?
Com a posigáo que ocupa nas ferrovias, ele poderia .
0 pessoal da ferrovia foi muito correto.
Já a policia...
Foi penoso.
Senhora...
minhas sinceras condolénclas.
E entáo, doutol'?
Paralisia total.
Pode-se Viver assim anos. Ela está lúcida.
Ela vé e ouve...
mas perdeu o uso da palavra.
Ficar assim ou estar morto... 0 que será mais terrível?
No momento, o que posso dizer é que náo há perigo imediato.
Senhora.
Minha pobre amiga.
Náo se emocione. Mas Thérése está aí.
Ela pode vir beija-la?
Entre.
Vá descansar.
Ficarel com ela.
Va mos .
Náo entre.
Fui ¡nterrogada horas.
-Estáo desconfiados. -Podem procurar.
-Náo acharáo nada. -Desde que náo nos vejamos.
Eu precisava vir. Ninguém teria entendido.
Vocé fez bem.
Mas eles sáo tenazes.
Náo terminou.
E minha tia sabe.
Eu sei. Vi nos olhos dela.
Entáo, espere. Eu o chamarei.
Uma Imprudéncla e estaremos perdidos.
E voce?
-E Thérése voltou? -S¡m.
Leu os jornais? Viu o que está havendo?
Designaram um julz de instrugáo.
Os policias estiveram com meu patráo.
E em meu hotel também.
Mostraram sua foto para saber se nos viram juntos.
Mas ninguém a viu.
Ninguém nos viu juntos.
Eles náo me meteram medo.
Eles?
Vocé desconfiou de mlm?
Como vocé póde ficar 37 dias sem me ver?
Sem telefonar?
Ao levantarem aquele cobertor, sabiam o que estavam fazendo.
É uma ¡magem que náo se esquece.
Náo pude mais dormir, nem comer sem vomitar.
Para apagar esse horror, a vontade é gritar a verdade.
Isso também, eles sabiam.
-Náo era preciso matá-lo. -No primeiro dia, Thérése...
propus a vocé partirmos.
Eu náo me esqueci.
Por ¡sso suportei tudo.
Mas sempre que penso em vocé...
revejo o cobertor e o que ele cobria.
Laurent, o que vocé fez foi pior do que nos deixarmos.
Vocé veio me dizer Isso?
0 juiz me convocou amanhá.
Acabou, estou quase certa.
Passado o perigo, deve sair de Lyon.
Desaparecer.
Passado o perigo?
Se vocé se salvar, terei feito tudo por vocé.
Eu matei por vocé. Isso náo conta?
-Náo devia té-lo matado. -Vocé fez algo para me detel'?
Foi vocé quem o matou. Náo eu.
Fomos nós. Juntos.
Vocé é táo culpada quanto eu.
Vocé abriu a porta e o empurrou. Vocé o matou.
Thérése.
Que ¡cho a mordeu? Está ficando louca?
Sim, estou ficando louca.
Fizemos o que fizemos para sermos livres.
Vocé náo devia matá-lo.
-Cam¡lle morto pesa demais. -Ou9a-me bem.
Eu a amo. Ele estava entre nós.
Eu o matei.
Eu o matei sozinho, assumo tudo eu.
Vocé náo fez nada.
Mas eu faria tudo de novo!
Vocé náo sabe o que diz! Cale-se. Vocé náo o viu.
Náo me toque mais.
Nunca mais me toque.
-Muita gente? -Um vendedor. Volta amanhá.
Um senhor ligou duas vezes, náo disse o nome.
Ligará de novo.
-Vocé viu a Sra. Raquin? -S¡m.
Mas ela me assusta. Parece sempre assombrada por algo.
-Des9o a porta de ferro? -Eu mesma desgo.
Vocé pode ir.
E com ojuiz, foi tudo bem?
Respondi ás perguntas dele.
Há gente que diz, por aí...
Náo me interessa.
De todo modo, quando quiser que eu fique na loja, eu virei.
Obrigada, minha Frangoise. Boa noite.
Boa noite, senhora.
Aló?
Aló?
É Vocé?
Thérése?
Aló?
Por que náo atende?
Sinto que Vocé está ai.
Por que náo quer atender?
Já que náo quer falar, oupa.
Náo podemos nos deixar assim.
Thérése.
Só quero dizer que a amo.
Está ouvindo?
Eu a amo.
Th érése, quero vé-Ia.
Thérése! Por que náo responde?
Está muito quente. Um momento.
Náo pode me olhar de outro modo?
Eu a visto, troco, lavo e dou de comer.
Isso náo basta?
Vocé quer saber, náo é? Eu dormia. Náo sei nada.
Perguntem cem vezes. Náo sei. Eu dormia.
Ninguém cré em mim.
Em seu olhar, ao menos, fica claro.
Os outros baixam os olhos, mas pensam igual!
Se a Sra. Madoux ou Sra. Chardon perdessem o marido assim...
ninguém as acusaria.
Mas eu sou jovem. Estou viva.
Entáo, de repente, todos deram de perceber...
que Camille e eu náo demos certo.
Nao sabem o que aconteceu, mas sabem que acabaria mal.
E, no entanto...
no dia do casamento.
Todos vieram felicitar Camille e sua boa máe.
Bela festa, náo?
E Thérése entrava na cama de Camille para aquecé-lo.
Nesse momento, quem disse que acabaria mal?
Mas tinha de acabar mal.
Pode me olhar, sabe?
Quem quis esse casamento?
Quem pós na cabega achar para Camille um enfermeira.
Bonitinha e complacente?
E se terminou em uma fatalidade...
de quem é a culpa?
Se Camille foi assassinado...
quem decidiu assim?
Náo foi no trem náo.
Foi naquele dia...
enquanto tocavam a marcha nupcial...
e a senhora chorava de alegria.
Tome. Coma.
E feche os olhos ou náo cuidarei mais da senhora.
Quem é?
-Quem é? -Polícia.
A bra.
Achel que a polícla náo incomodasse, á noite.
Sinceramente. Tenho cara de ser da policia?
Por que a policia viria perturbá-la?
Entáo quem é vocé?
Um viajante.
Viajei muito de navio.
E um pouco de trem.
Vé-se muita coisa quando se viaja.
Acho que o reconhego.
Vocé é bem esperta.
E a senhora? É máe dele?
0 que vocé quer?
Conversar. Quando viajamos juntos...
é ¡nteressante confrontarmos nossas impressóes.
Náo?
Venha.
-Entre. -Posso?
Venho de Paris. Náo jantei.
Se pensa me ¡mpressionar com sua fleuma, perde tempo.
Meu tempo é barato. Já minha fleuma, como diz...
Estive na guerra do Japáo.
Conheci florestas onde eles se escondiam nas árvores.
Damos um passo, esperamos a rajada de metralhadora.
E, se ainda estivermos vivos...
damos mais um passo e esperamos de novo.
Aprendemos a náo nos enervarmos.
Vivo de vender tecidos a gente que náo sabe o que quer.
Também é um meio de aprender a manter o sangue-frio.
0 que vocé quer?
Ora...
sabe...
tenho gestos modestos.
Quero ser sóclo de um amigo que vende bicicletas usadas.
Para isso, preciso de um pequeno capital.
Entende?
Náo sei se vocé fez a guerra no Japáo...
mas sei que é um pequeno crápula.
Precisar de dinheiro náo é pior do que matar o marido.
-Náo matei meu mando. -Náo é servigo de mulher.
Concorde.
Mas um viajante atencioso...
talvez Ihe tenha dado uma máozinha.
Meu marido morreu enquanto eu dormia.
Náo dormiu o tempo todo.
Vocé saiu da cabina antes de seu marido.
E voltou depois de um tempinho.
Mas ele nunca voltou.
Entáo? Perdeu a fala?
Bem.
Quando um amlgo levava um tiro na barriga.
Ficava como vocé, de boca aberta.
Olho arregalado.
0 tempo de entender que estava perdido.
Lindas, suas ameixas.
Sua sorte é que vi navíos explodirem...
cidades queimando e camaradas caírem..
Entáo, um a mais ou a nenes...
Só que...
o que quero é vender bicicletas usadas. Sim.
Para isso, preciso...
de 500 mil francos.
Vocé te m?
Náo.
Que bom.
E o outro? 0 viajante táo atencioso?
Táo complacente.
Meu marido se acidentou e vocé náo viu.
Estava dormindo! Disse ¡sso ao fiscal e está no processo.
Agora, vá embora.
Por hoje, conversamos o essencial.
Mas, em minha op
o outro deverá aconselhá-la a ser mais compreensível.
Saia pelo fundo, á esquerda. E se voltar...
Vai chamar a policia?
Boa noite.
Com seis ferlmentos...
e um pouco torturado pelo inimigo...
em quem acreditaráo? Em vocé?
Ou no soldadinho Valente?
I Dá para o pátio. E mais sossegado.
De manhá, toque e terá água quente.
Está conveniente?
Sim.
Quer que eu abra a cama?
Se quiser.
Um travesseiro basta?
Por hoje, sim.
Se receber, seráo 50 francos a mais.
A privada fica no fim do corredor.
-Para ela náo há cobranga extra? -Quer fazer piada?
Só de vez em quando. Mas raramente.
-Como é seu nome? -Georgette.
Georgette.
Como se dlZ Isso de modo apaixonado?
Por que ri de mim? Para náo pagar os 50 francos?
Tome. Náo sou rico, mas é para vocé.
Hoje estou bonzinho.
Bonzinho com alguém, assim, sem motivo.
Vai me dar 100 francos por nada?
Exatamente. Por nada.
Boa noite. Estou exausto.
Pronto.
Terminou.
Peg uei muito pesado.
Mas eu estava ressentido demais.
Vocé náo se dá conta.
Thérése.
Pensei...
já que náo me amava mais .
Imbecil.
Imbecil irrecuperável.
Quanto ele quer?
Quinhentos mil.
E ele? Como ele é?
Zombador.
Com olhos de gato quando olham um pássaro.
Mesmo se tivéssemos o dinheiro...
ele pedi
Com certeza.
Ficaria atrás de nós a vida inteira.
Vocé disse a vida toda?
Sim.
Engragado.
Ele veio para nos prejudicar...
mas acabou nos reunindo.
Fiquei louca de preocupagáo desde ontem.
Náo aguentava mais náo vé-lo.
Mas náo tinha coragem.
Depois do que Ihe disse.
Mas, de repente, resolvi.
Náo quero que vocé seja pego.
Eu o amo.
Verdade?
Verdade?
Devíamos ter comegado por aí.
É o que me dá forgas para lutar.
Estamos juntos. Diga. Estamos juntos.
Sim.
Náo há um minuto a perder. Vamos dizer aló ao marinheiro.
Eu a levarei como vocé é, sem nada.
Assim como propus o primeiro dia.
Esta noite estaremos na ltália.
Esse bastardo poderá nos procurar para sempre.
Se alguém entrar, estou no poráo.
É só chamar.
ENTRADA DO HOTEL
É ele.
Venha.
Váo viajan'?
Sem pagar a conta, náo ¡ráo longe.
Para vocé fazer o que faz...
falta-Ihe competéncia.
É claro que há riscos. Mas, seguindo a senhora...
eu sabia que chegaria a vocé.
Vamos tentar nos entender?
Se tiver tempo a perder...
Só há dois copos. E uma garrafa vazia.
Náo banque o palhaqo.
Seu ponto náo vale nada.
Ela e eu náo temos dlnheiro.
E agora?
Para que serviría nos denuncian'?
Para nada.
E me seria até desagradável.
Quer uma prova? Ao ler ojornal, logo vi com quem lidaria.
E náo fiz nada.
A ¡deia veio quando meu amigo propós a bicicletaria.
E minha vontade é ter um negócio próprio.
Náo vim chantagear ninguém.
Só estou pedindo uma ajuda.
Sou camlnhoneiro.
Náo tenho um tostáo.
E ela? Tem um comércio. E móveis.
0 amor perfeito náo merece um pequeno sacrificio?
Por favor.
Ele é violento?
Ele adoraria apertar minha garganta.
Ou me atirar pela porta.
Como o outro.
Mas cuidado: sempre há uma testemunha.
E testemunhas...
sáo como qualquer colsa: caríssimas para quem é pobre.
E preciso do dinheiro muito depressa.
Como vamos fazel'?
Ta befes?
Para que, nessa discussáo séria?
Eu disse que os 500 mil eram urgentes.
Note que o prego náo subiu, apesar de seus maus modos.
Como vamos fazel'?
Laurent!
Ele é telmoso e meio burro.
Mas sei boxear, aviso.
Se vocé recomegar, vou me defender.
E me defendo bem.
Laurent!
Sabe, no campo de batalha...
aprendi todos os modos de sair de uma situagáo crítica.
Afinal, a guerra serve para alguma coisa.
Estranha juventude, náo?
Só que fui muito bem treinado.
Mas zombaram de mlm um pouco demais.
Entáo, já que enfim sou alguém...
que vocés se virem por mim.
Vocé náo terá um tostáo.
Vamos ver.
Ligarei para ela sexta-feira para marcar um encontro.
Venha com o dinheiro...
ou o juiz será felicitado...
pelo modo como conduzlu a investigagáo.
E náo tentem voar, vim a Lyon zelar por vocés.
Exclusivamente.
Fujam...
e uma hora depois .
Clic.
Dizem que o amor tem asas
mas a policia tem também.
Náo se esquegam.
Sexta-feira.
Sou eu, minha amiga.
Estou incomodando?
Com va ndo?
I Desculpe. E o hábito fazer perguntas.
Parece estar melhor. E parece descansada.
É uma terrível provagáo, mas sairá dessa. Sim.
E trago boas notícias.
A corcundinha me disse que Thérése saiu .
E logo subi para preveni-la.
Minha amiga...
a ¡nvestigagáo terminou. Foi arquivada.
Afinal reconheceram que Camille morreu por acidente.
E tem mais.
A porta aberta i ca uma falha da ferrovia...
e sua responsabilidade.
Na ferrovia, logo entenderam.
E esperam uma citagáo absolutamente legítima.
É aqui que intervenho.
Represento as ferrovias.
E sou seu amigo.
Um processo custa caro e pode durar anos.
E é sempre arriscado.
Para se defender, a empresa alegará dúvida.
Para atacar...
o advogado de Thérése citará outras histórias de porta aberta.
Será desagradável para as duas partes.
Um acordo é sempre preferível.
Entendo seu olhar.
A morte de um filho e marido náo tem prego, é claro.
Mas se, pela morte do pobre Camille...
Thérése puder ganhar um belo montante...
e de imediato...
AO SR. JOULIN“ JUIZ DE INSTRUCAO
PALÁCIO DA JUSTICA LYON
(RÓDANO)
Vocé tocou, Riton?
-S¡m. -Para eu fazer a cama?
Náo.
Para Ihe pedir um favor.
0 sapato branco de tiras que vimos ontem, na vitrine.
Vocé ainda quel'?
-Mas vocé náo tem dlnheiro. -Posso arranjar.
Náo quelra entender. E complicado demais para vocé.
Ouga. Vou Ihe confiar esta carta.
Se eu náo tiver voltado ás 17hs, vocé a porá no correio.
Se quiser, posso pór já.
Ouga-me bem.
Vocé a porá ás 17h em ponto...
se eu náo tiver voltado.
Repita. Quero ver se entendeu.
Vocé me comprará o sapato branco de tiras...
se eu colocar esta carta na caixa as 17h em ponto.
-Se...? -Se vocé já náo tiver voltado.
Muito bem.
Talvez vocé e eu estejamos nos despedindo.
Se náo voltar antes das 17h é que terá partido?
É isso.
Partido.
Eu o esperava ás 15h.
Problema mecánico. A moto náo dava partida.
Suba.
Entáo val ser lá em clma?
Vou avisando que náo sou moleque.
Ele também náo.
Entáo, ele está aí?
Suba.
Como combinado.
E ntáo?
Náo está muito calmo, está?
Está bem menos fanfarráo do que outro dia.
Ás vezes, há coisas desagradáveis a fazer.
Mas as fazermos assim mesmo, náo é?
Está com grana?
Quando nos despedimos, outro dia...
tomei uma decisáo de imediato.
Acabar com vocé.
Está virando trabalho em série.
De quem é a culpa?
Mas ela náo quis.
Perdáo. Se eu soubesse, teria trazido flores.
Náo banque o espertinho e sobretudo náo me deixe nervoso.
Thérése ganhou um dinheiro.
-Flnalmente algo posltlvo. -Ma¡s ou menos o que vocé pediu.
Eu tinha previsto vocé pechinchar.
Deixe-me falar!
Ela náo quer ficar com esse dinheiro.
E náo preciso explicar.
Náo pedi explicagóes.
Náo queremos dinheiro.
Só que nunca mais queremos ver vocé.
Nunca.
Quanto a isso, tem minha palavra.
Pois ¡sso náo nos basta.
Estamos na sua máo?
Pois bem.
Também queremos vocé na nossa.
Até o pescogo.
Por um papel que o ¡mpega de voltar.
Um recibo, digamos.
Com o motivo.
Ele náo é táo bobo.
Concorda?
Thérése, papel e tinta.
Viu que concordamos? Nem vocé é criminoso de verdade...
e nem eu sou chantagista de verdade.
Sáo circunstáncias, assim.
Sente-se.
Um aviso: para me ensinarem a usar uma metralhadora...
foram muito rápidos.
Já para escrever, houve menos pressa.
Dite a ele.
"Recebi da Sra. Thérése Raquin..."
"Thérése...
Raquin..."
Quase derrubei uma gota.
"...400 mil francos"...
"Quatrocentos mil .
Ora...
É tudo o que temes.
Pobre Riton.
Vocé será sempre o trouxa.
"Por ter ocultado da polícla
ocultado, falta o "l .
Desculpe.
.Da policia o que eu sabia"...
"Eu sabia..."
...sobre a morte"...
"...sobre a morte do marido dela."
Bom. Este papel, para mim, náo convém largar por aí.
Assine.
Está aí.
Mas o recibo náo está timbrado.
Arrlsco levar uma multa..
-Além de pegar trabalho forgado. -Mostre.
Calma lá.
Mostre o dinheiro.
Dé a ele.
Co nte .
Aqui.
Conte antes.
Náo.
É constrangedor.
Ponha ¡sso na mesa.
Nunca tive muita serte, entendem?
Pontapés no traseiro foram minha infáncia.
E tiros de fuzil, minha juventude.
Esta é minha primeira chance.
Por ¡sso náo queria perdé-Ia.
Agora que ela e eu nos conhecemos...
espero que náo nos deixemos.
Tudo bem.
Suma.
Náo se queixe. Uma mulher como ela...
vale bem mais do que bicicletas usadas.
É isso.
Obrigado.
DeSculpel-me s ¡r de costas. E o hábito.
Uma vez, em Xanga
um cavalhelro atirou em mim pelas costas.
Só tenho um lugar.
Para a primeira que decidir.
Depois que a moto se decidir.
Depressa.
Chame um médico.
A carta...
A carta...
Que carta?
A carta!
A carta!
Que carta?
0 que vocé fez?
0 que mais vocé fez?
Responda.
Responda!
Responda, vamos!
Responda!
Responda!
Espere!
Espere. Mais uma.
Essa náo ficará para trás.
Pode pór. Sou carteiro dos namorados.
CORREIOS
FIM
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.