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- Peter... Peter?
- O quê?
- Oh, ei Roger!
- Oi...
- Oh, cara... o que fizeram com você?
- Fizeram eu lavar meu cabelo.
- Nazistas! Não poderiam ter ficado satisfeitos somente por ter prendido você?
- E então, o que está rolando?
- Todo mundo se mandou, cara.
- Eu tenho ficado só por aí, esperando por você.
- O que está acontecendo?
- É bem terrível...
- Acharam o corpo da Janice, atrás do shopping.
- Ela foi assassinada.
- Eles sabem quem foi?
- Não...
- E quanto a Michelle?
- Caiu fora...
- Eu acho que foi para Frisco.
- Ei, tem lugar para ficar esta noite?
- Está olhando para ele...
- Mas depois do que acabou de me contar, acho que não seria uma idéia muito boa.
- Vamos, eu te dou uma força.
- E então, para onde estamos indo?
- Para um apartamento abandonado perto do aeroporto. Uns amigos arrumaram ele para nós...
- Além disso tem um cara que sempre aparece por lá, com comida, bebida, o que a gente quiser!
- E ele está a fim de quem?
- De ninguém! Trata todos como se fossem seus próprios filhos!
- Sei...
- E então, quem é esse homem gentil que gosta de jovens?
- É um cara grande, tem uma cicatriz na bochecha e usa um tapa-olho...
- Ora, Peter, não pense que vai me assustar! Não sou sua irmãzinha!
- O que foi isto?
- Ratos... eu acho...
- Este sujeito com cicatriz e tapa-olho... como é que se chama?
- É... Skorzeny.
- Ah, Skorzeny, me sinto bem melhor... Se seu nome fosse Smith, aí sim eu ficaria preocupado.
- Eu não sei quanto a você, Peter, mas amanhã cedo eu caio fora daqui.
- O que acha da gente ir encontrar a Michelle em Frisco?
- Ah, eu não sei cara...
- Eu estava pensando em talvez voltar para casa.
- Pois eu acho que você deve fazer isso, Pete.
- Eu gostaria de ter um lar para voltar...
"UMA GAROTA MATERIALISTA"
"Você não preferia estar pescando?"
- Por favor... não atire, senhor!
- Oh, meu Deus... Não se preocupe, não vou atirar.
- Você é da polícia?
- Não... Vamos sair daqui.
- Ouvi disparos...
- Fui eu.
- Alguém foi morto?
- Não...
- Acho que ouvi... não sei... alguns rosnados. Está atrás de algum tipo de animal?
- É... alguma coisa do tipo.
- Sente-se!
- Quem diabos é você? O que está fazendo aqui?
- Michelle. Eu moro aqui...
- Ah, ótimo!
- Eu não vou contar a ninguém sobre você. Eu juro!
- Você ainda tem tempo para cair fora daqui. O guarda da segurança deve chegar em cinco ou dez minutos!
- Você não sabe com o que está lidando! Não vai chegar nenhum guarda da segurança! Ele está morto!
- Desculpe... Desculpe, nós dois precisamos nos acalmar.
- Vamos começar de novo... que baboseira é essa de morar em um Shopping Center?!
- Eu moro! Eu vivia pelas ruas, com os meus amigos...
- Não é fácil, mas não tem ninguém para lhe dizer o que fazer.
- Você não vai me machucar, vai?
- Não Michelle, não vou te machucar. Eu não machucaria alguém que poderia ser minha irmã caçula.
- De qualquer forma, um dia apareceu um homem que começou a cuidar de nós. Ele costumava nos alimentar, nos dar dinheiro...
- Nós esperamos, para ver em quem ele estava interessado... No começo não estava em ninguém... e então em mim...
- E o que você fez?
- Não fiquei confortável com aquela situação, então caí fora.
- Sabe os tiros que você ouviu? Eu não te contei contra quem foram...
- Skorzeny?
- Ele está armado?
- Não...
- Então estamos bem.
- Não estamos não... Só me resta uma única bala.
- Tem algo que você precisa saber... Janice não foi a única...
- Houveram outros garotos e agora o segurança...
- Temos que achar um lugar seguro! Onde ele não possa te encontrar.
- Eu sei onde nós dois podemos nos esconder.
- Por ali!
- O que vai querer? Eu tenho caviar, chocolate, salmão defumado e... aqui está: azeitonas recheadas!
- Sou completamente viciada em azeitonas recheadas com amêndoas!
- Quer um pouco?
- Ah, não. Não, obrigado.
- Olha, eu sei que os shoppings perdem grandes quantias com roubos todos os anos... mas você não está aumentando isso?
- Não sou uma ladra, eu devolvo tudo...
- Exceto a comida...
- Tenho que te perguntar isso... o que tinha em mente ao vir para cá?
- Digo, por que um shopping?
- Ah, está brincando?! Eu sei tudo sobre shoppings!
- Tive meu primeiro cartão de crédito aos 13 anos.
- Não há nada que você não possa encontrar ou fazer em um shopping.
- É o sonho de todo mundo, não é?
- Freqüentar shoppings estava apenas começando, quando eu era criança.
- Eu passava a maior parte do tempo estourando meus tornozelos em um Mustang velho.
- Com meu melhor amigo... um cara chamado Ted...
- Ele tinha uma irmã caçula...
- Enfim, não entendíamos o que era tão interessante nos shoppings.
- Num shopping, pode-se ver uma vida toda.
- Atrás de você, fica uma loja de brinquedos, uma doceria. À frente, discos e vídeos...
- Lá em cima ficam as jóias, peles, roupas... perfumes caros.
- Apenas uma garota materialista em um mundo materialista?
- E daí?! É isso que conta, não é? - Apenas uma garota materialista em um mundo materialista?
- E daí?! É isso que conta, não é?
- Eu sei que, toda vez que meus pais tinham um problema... conseguiam fazer ele desaparecer usando cheques ou cartões de crédito...
- Então, quando eu comecei a fazer a mesma coisa foi: "Oh! Michelle!"
- Então eu fugi.
- Nada demais...
- Acho que os pais são todos iguais, os seus não?
- Não...
- Não, meu pais eram de um tipo próprio...
- Eles não enxergavam sempre as coisas da minha maneira, mas me davam o benefício da dúvida.
- Acho que se estivessem vivos, seriam ótimos amigos.
- Sabe do que mais me lembro deles? A foto de casamento.
- Papai parecia um colegial assustado, usando terno alugado e a mamãe parecia uma lider de torcida.
- Tão jovens...
- Mais jovens do que eu sou agora.
- E é isso o mais assutador. Eles pareciam ter todas as coisas ali na frente deles...
- Ao invés disso, eu nem sei o que aconteceu com a foto do casamento.
- Ah... estava me ouvindo. Chega disso.
- E mais uma coisa, quero que fique bem aqui, não importa o que ouça ou o que aconteça, promete?
- Sim, Eric, eu prometo.
- Eric?
- Eric?
- Eric?!
- Eric?
- Michelle?
Legendas: André Bozzetto Junior e Rodrigo Zioli
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