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- Queria beber �gua. - Claro. Podem trazer �gua?
Cuidado com o degrau.
Charles Goodwin, Linda Voss.
- Prazer em conhec�-la. - Muito prazer.
- Onde me sento? - Aqui est� bem.
Aqui est� a �gua. Se precisar de algo, eu trago.
N�o sei se consigo fazer isto.
Sente-se e descontraia-se. S� tem de responder �s perguntas.
- Nunca fiz isto. - Vai ser f�cil, prometo.
- Como est�? - Bem.
Podem verificar o som?
Pode dizer umas palavras, s� para o homem do som?
- Que devo dizer? - Qualquer coisa.
Fui sempre uma tagarela. Agora n�o sei o que dizer.
Mais qualquer coisa, por favor?
Para ser sincera, n�o sei se devia fazer isto.
Toda a gente me disse que devia. Disseram "� a BBC e eles s�o profissionais."
- Seremos, prometo. - Est� �ptimo.
Tenha calma. Est� pronta?
- Uma produ��o da BBC. Entrevista... - Queria o livro de recortes?
Mais tarde. Mostramos os clipes de filmes e as fotos.
- Entendo. - Se pudermos anunciar o programa.
- Desculpe. - " A Alemanha de Hitler..."
- Clipes de que filmes? - Vai ver quando acabar. Prometo.
- Est� bem? - Desculpe.
" A Alemanha de Hitler, Parte 5: Mulheres na Guerra." Claquete.
Descontraia-se. Temos todo o tempo do mundo.
- Come�o? - Fale-me da guerra.
Quando � que se interessou por ela?
Os filmes.
Ali est�o eles.
Filmes de guerra. Filmados na Alemanha.
N�o importava se era da Primeira ou Segunda Grande Guerra.
Eu gostava de tudo filmado em Berlim.
Passaram a fronteira.
Desde a minha inf�ncia, a minha av� e o meu pai contavam-me hist�rias
sobre a cidade preferida deles.
- Falavam alem�o em casa? - Com a minha m�e, eu falava ingl�s.
Ela era irlandesa. Nascida em Brooklyn.
Com o meu pai, eu falava alem�o,
mas ele avisou-me para guardar segredo desta l�ngua
porque fora do nosso bairro em Queens, Nova Iorque,
se as pessoas me ouvissem falar alem�o, iam pensar que era simpatizante Nazi,
ou ficavam a saber que era judia.
Em ingl�s, por favor.
Para n�s pobres irlandeses. Obrigada.
" N�o podemos usar mais as casas de banho p�blicas,
nem a Hannah, Sofi ou eu podemos ir ao sal�o de beleza
porque Hitler diz que o cabelo de um judeu � contagioso."
" Ouve-se em todo lado boatos
que os judeus est�o a ser reunidos e mandados embora."
" N�o sabemos para onde."
" Fomos convidados por amigos
para nos escondermos em Berlim."
Foi ent�o que come�ou a fantasia.
Sonhei em saltar de p�ra-quedas na Alemanha e salv�-las...
as minhas duas tias, Hannah e Liesel, e a filha de Hannah, Sofi,
que tocava flauta e era um ano mais nova que eu.
Eu sonhava ver a Sofi num concerto em Nova Iorque,
a tocar flauta, s� para mim.
O ATAQUE ALEM�O � POL�NIA!
A condenada cidade de Vars�via, bombardeada pelas armas de Hitler...
Por isso contactou o Dept. de Guerra para se tornar uma espia.
N�o fazia ideia quem contactar para me tornar uma espia.
Em 1940, quando toda a Europa lutava contra Hitler,
eu era uma jovem que lutava por sair de Queens.
Recordo como a cidade era intimidante.
E recordo-me de ver o homem que podia mudar a minha vida.
Esta n�o � a nossa guerra.
N�o � problema nosso.
Se vai haver derramamento de sangue para manter Hitler longe da Inglaterra,
que seja sangue ingl�s, e n�o americano.
N�o � a nossa guerra, nem problema nosso.
E quem disser que a Am�rica deve envolver-se nesta guerra
� comuna que gosta de judeus, incluindo Franklin Delano Rosenberg.
- Porque n�o vai para casa? - Porque n�o vai voc�?
Temos aqui outro.
Decerto que sabe escrever bem � m�quina, Menina Voss, mas
um curso do Queens Clerical College � um pouco abaixo dos nossos padr�es.
As nossas secret�rias v�m directamente de Vassar.
Decerto compreende.
Oh, eu compreendo.
A menos que acrescente algo para que eu mude de ideias, lamento n�o poder...
Baixar os seus padr�es? Ou�a, eu n�o o iria querer.
Ter� de trabalhar com algu�m que tenha sujado as m�os.
E decerto seria inc�modo para si e para as meninas de Vassar.
Por sinal, eu fui a Vassar.
O carro do meu tio avariou no port�o. Tive de o ir buscar.
Aquilo parecia uma espelunca. Muito obrigada.
Menina Voss.
N�o referiu que fala uma segunda l�ngua.
Como os pedidos de pagamento ficaram sem resposta, como as facturas em Setembro,
nada podemos fazer sen�o confiscar a remessa de vag�es de cimento
at� ser paga a indemniza��o.
Laster � cami�o. Eu disse vag�o.
Voc� disse vag�o de cimento. Laster est� correcto.
Est� muito segura de si, o que � bom. Ter� de estar. Bitte.
Tentamos libertar certas empresas dos seus neg�cios na Alemanha.
Um dos nossos s�cios n�o tem queda para l�nguas, ficando em desvantagem.
Licenciado com distin��o em Harvard, mas reprovou no Berlitz.
Tem tamb�m mau feitio
e contrata e despede secret�rias sem mais nem menos.
At� lhe chamamos de cangalheiro porque raramente se ri.
- Entrem. - Detesta tamb�m mulheres de chap�u.
Viva.
Vi-o na rua esta manh�, com aquele orador?
Sim...
Que foi que lhe disse?
Sugeri que talvez fosse melhor ele ir discursar para outro lado.
Voc� foi �ptimo.
Fez-me lembrar o Jimmy Stewart em A Tempestade Mortal.
Viu esse filme?
N�o.
� um belo filme.
Porque tem tudo �s escuras? Espera um bombardeamento de Hitler?
�s vezes penso melhor no escuro.
Ed Leland, Linda Voss.
90 palavras por minuto, ditado bilingue, trabalha com Mime�grafo,
e fala alem�o com sotaque de mulher de talhante berlinense.
- Que tal? - Mulher de talhante berlinense?
Aprendeu com a av�, que � de Berlim.
Mas n�o era casada com um talhante. O meu av� tinha uma f�brica de bot�es.
At� que ardeu.
A sua... av�, insistia que voc� falasse...
Alem�o? Ela n�o fala ingl�s.
Ela... viveu c� durante...
O meu professor do 6� ano fazia isso.
- Como? - Come�ar uma pergunta e n�o acabar.
Como " A capital de Indiana �...?"
Ela est� neste pa�s h� 18 anos.
A minha pergunta �, se ela vive c� h� 18 anos, porque n�o fala...?
Ingl�s.
Ela prefere alem�o.
- Ela prefere a Alemanha? - Ela � judia.
- Voc� � judia? - Meia.
Isso � problema nesta empresa?
N�o, n�o. S� que voc� tem meia certeza que n�o � espia Nazi.
Ele deve gostar de si, f�-lo rir.
Ela est� bem. Pode levantar-se e virar-se, por favor?
- Por que raz�o o devo fazer? - Porque quer o emprego.
E lhe pedi. � um teste que gosto.
Bem, fa�o-o sentada.
O que lhe ia pedir era para se levantar, virar,
fechar os olhos e dizer-me o que v� aqui. � um teste de observa��o.
Ora, tem problemas com isso?
Fotos de barcos e cavalos de p�lo, livros caros e diplomas,
peixes embalsamados na parede, calend�rio com a data errada,
estantes e carpetes que precisam de ser limpas.
E dois tipos de Harvard surpreendidos por uma rapariga que quer emprego
e n�o se deixa tratar como escrava.
Voc� � sempre assim?
Esqueci-me de dizer, a outra metade � irlandesa.
Combina��o letal.
Senti logo que havia algo em Ed Leland mais profundo.
Em Fevereiro de 1940, uma das raparigas do PBX interceptou a linha dele
e ouviu uma voz que jurou ser do Franklin Delano Roosevelt.
Em Mar�o, Jimmy na sala de correio viu um documento selado na mesa de Ed,
- endere�ado a J. Edgar Hoover. - Ol�, Jimmy.
Em Abril, o pessoal de Ed come�ou a entrevistar refugiados alem�es
para obter detalhes da vida na Alemanha.
E no Outono desse ano, o paradeiro de Ed Leland era imprevis�vel.
Ele desaparecia semanas a fio,
voltando t�o repentinamente como ia, para ditar cartas sem sentido.
Naturalmente, dava que pensar.
Informe que a minha mulher, Sunflower, eu e o c�o dela Rover
volt�mos da praia,
onde vimos um bando de aves - aves marinhas.
Um bando de 14 aves marinhas a mergulhar para apanhar peixe.
Desculpe, eram pelicanos?
Disse que mergulhavam.
Pedi que n�o me interrompesse.
Desculpe, Sr. Leland, mas a l�ngua alem� � muito espec�fica.
N�o diria aves marinhas, mas sim pelicanos.
A n�o ser que seja c�digo, pelo que me deveria dizer para eu n�o incomodar.
Porque diz isso?
N�o, estou curioso. Porqu�?
O nome da sua mulher n�o � Sunflower.
Nem sequer tem mulher.
Isto �, n�o que eu conhe�a.
E assume que � tudo c�digo.
N�o tenho de me virar
para ver que o seu saco est� cheio de camisolas de l� e meias.
N�o exactamente aquilo que levaria para a praia.
N�o em f�rias de praia.
Talvez para o Canal da Mancha, diria eu.
- Mais alguma coisa? - N�o.
- Muito bem. Onde �amos...? - Excepto que o c�digo � �bvio.
14 aves a mergulhar para pescar. � claramente uma frota de 14 submarinos.
� apanhado com um c�digo destes. Os alem�es n�o s�o parvos, Sr. Leland.
Eles fazem melhor nos filmes. Viu Agente de Espionagem com Brenda Marshall?
N�o.
Quando ela falava de submarinos, ela falava do seu "jardim de rosas".
- Jardim de rosas? - Sim. Para n�o haver liga��o.
E para avi�es, falava de figos e t�maras.
Figos e t�maras?
Figos eram Fokkers e t�maras...
n�o me lembro o que eram.
� melhor eu ir ao cinema e ver como eles fazem isto.
A minha mulher, Susan, a quem chamo Sunflower.
A foto foi tirada um ano antes de a levar para um sanat�rio su��o -
uma institui��o psiqui�trica, que visito, e de onde ela jamais sair�.
V� porque � mais f�cil que as pessoas pensem que n�o sou casado?
Lamento.
- Sinto-me t�o est�pida. - N�o... tudo bem.
Sinto-me t�o est�pida que
n�o entendo porque n�o consigo copiar as suas cartas.
Ou porque mudo de bloco de notas cada vez que acabo.
Ou porque escrevo cartas sem fim, mas nunca envelopes,
e n�o sei para onde v�o.
A �ltima vez que estive na Su��a, pedi a mesma coisa ao psiquiatra:
" Por que � que n�o confio em ningu�m?"
Ele acha que tem a ver com a minha educa��o.
Voc� � um espi�o, Sr. Leland.
E voc� viu muitos filmes, Menina Voss.
Os suficientes para reconhecer um.
E esta foto?
Ela chama-se Jennifer Krimm.
Um modelo com quem apenas namorou.
Antes de conhecer Kiki Avondale,
formada em Vassar com quem esteve noivo por 6 meses antes de desistir.
Isto � ultrajante. Isto... Isto...
N�o tenho de ouvir isto. Isto � pura e simplesmente...
Como sabe estas coisas?
Posso ser melhor espia que voc�.
No final de Outubro de 1941
Londres estava a sofrer com as bombas alem�s no chamado Blitz,
e a vida na Am�rica era estimulada com o inevit�vel.
Os jovens desapareciam � noite e eram recrutados para o ex�rcito.
Glenn Miller compunha m�sica de dan�a enquanto havia tempo para dan�ar.
E Ed Leland andava de olhos em mim.
Para n�s, como a guerra, era s� uma quest�o de tempo.
N�o sei. N�o consigo falar alem�o. N�o acerto no sotaque.
- Pelo menos, achou gra�a. - Sim, faz-me rir.
- E � dif�cil, faz�-lo rir? - Bom, tempos s�rios, Linda.
Melhor raz�o ainda.
Charlie Chaplin diz "Um dia sem riso � dia perdido."
Acredita nisso?
Sim. Tento rir uma vez ao dia.
Gosta de Charlie Chaplin?
Para dizer a verdade, nunca o vi.
- Est� a gozar. - N�o.
- Que faz hoje � noite? - Hoje � noite?
Tenho bilhetes para a �pera.
- A s�rio? - Sim.
- Nunca fui � �pera. - Oh?
- Como � que �? - N�o � para toda a gente. �...
V�, o Chaplin � para toda a gente.
- Gosta mesmo do Chaplin? - Sr. Leland...
Porque n�o me chama de Ed?
Ed.
H� 6 estaleiros ferrovi�rios e 3 esta��es principais.
Muito perto de...
- Como se diz Schornstein? - Linda?
Eu? N�o falo alem�o.
J�. Campan�rio de igreja.
Podemos fazer um intervalo?
Schornstein � chamin�, e n�o campan�rio. O tradutor mente.
Ele trabalha como tradutor h� muito anos.
Ele come�ou por dar pequenos erros.
E como ningu�m reparou, os erros come�aram a aumentar.
N�o faz dele um mentiroso...
Ele triplicou o n�mero de ferrovias para a cidade.
Uma frase sobre f�brica de muni��es... Omitiu-a por completo.
O que � que ele �? Um agente duplo?
Mesmo aqui neste escrit�rio?
- Que vai fazer? - Deixar de o usar como tradutor?
- Como sabia que devia calar-se? - The Fighting 69th.
- Brenda Marshall e Cary Grant. - Estou a ver.
Eles cortaram-lhe a l�ngua.
De dia trabalh�vamos juntos. � noite �ramos amantes.
Amantes secretos.
At� uma manh� de domingo em Dezembro em que ouv�amos uma sinfonia na r�dio.
Disse que nunca tinha ido a um concerto e gostava de um dia ir com ele.
Interrompemos este programa para as not�cias.
Os japoneses atacaram Pearl Harbor pelo ar, anunciou o Presidente Roosevelt.
O raid a�reo ainda continua. O fogo anti-a�reo pode ser ouvido
quando se aproximam os avi�es atacantes.
Vamos continuar a receber informa��es que v�o relatar a hist�ria
nos pr�ximos meses.
Para mim, n�o haveriam sinfonias com o Ed.
S� os tambores da Am�rica, a ir para a guerra.
HOMENS �S ARMAS
O que Pearl Harbor tamb�m fez foi expor o uniforme e identidade de
Ed Leland:
o de coronel militar que trabalhava para os OSS em Washington.
Miss�o: coordenar a informa��o que vem das linhas inimigas.
- Ent�o acompanhou-o a Washington? - Ao aeroporto de Washington.
Mas a nossa viagem juntos acabou ali.
- Arranja um gabinete para o Andy. - E apanhou-me de surpresa.
Tudo o que ele disse essa noite foi uma surpresa.
Vou continuar.
Continuar?
Para onde?
N�o sei.
N�o posso dizer.
Que significa isso?
Significa que as coisas mudam.
N�o � o tempo certo para n�s.
N�o quero que esperes.
N�o quero que, nenhum de n�s, se preocupe.
Mas, Ed, para que serve uma guerra se n�o para agarrar o que amamos?
Coronel.
Adeus.
Ele disse que me contactava, mas n�o o fez.
E ningu�m nunca soube que o amava.
Quando a Am�rica entrou para a guerra, Ed desapareceu na Europa.
E eu desapareci no Centro de Informa��es do Dept. de Guerra,
na cave onde centenas de mulheres labutam,
ordenando, arquivando e distribuindo informa��es sobre a Alemanha.
Linda." Trooper".
E onde procurei secretamente pistas sobre Ed Leland.
Pistas e palavras como ''Trooper'', que descobri ser o nome de c�digo de Ed,
e ''Camp Brady'', que significava ''atr�s de linhas inimigas''.
TROOPER VOLTOU A CAMP BRADY
Sabia que ele viajava, e para lugares perigosos.
Sabia tamb�m que n�o me queria ralar.
Seis meses ap�s o in�cio da guerra, a Europa ainda era de Hitler e Mussolini.
Os jovens americanos perdiam a vida aos milhares nas ilhas do Pac�fico
com nomes como Corregidor e Bataan.
E o homem chamado Ed Leland desaparecera da face da Terra.
Quando a primavera chegou a Washington ele era tudo em que pensava
porque acreditei que onde estivesse
a for�a do meu amor por ele o manteria seguro, vivo.
Desculpe, est� com ar solit�rio. Quer dan�ar?
- N�o, obrigada. - De certeza?
Eu dan�o.
- � vontade, senhores. Boa noite. - Meu coronel.
Ol�, Linda.
Ol�, Ed. Que te traz � cidade?
Vim c� por uma raz�o. E vou ficar por uns tempos.
Isso � bom.
Queres dan�ar?
N�o. Est�s ocupado.
Anda l�.
N�o quero dan�ar.
D�o-nos licen�a por uns momentos?
Sim.
N�s estamos ali, est� bem?
Como tens passado?
Nada bem.
N�o?
N�o.
- Quando come�aste a fumar? - N�o sei.
Isso � uma tontice, n�o �?
Sou uma rapariga tonta, Ed.
Acho que �s prova viva disso.
Lamento saber que est�s na cave. N�o acontecia se eu c� estivesse.
Falei com o Andy, e vai ver se arranja emprego melhor.
Eu disse que me despedia se ele n�o arranjar.
Trabalhas para mim enquanto estou c�. Faz sempre jeito uma boa secret�ria.
Isto � tudo t�o civilizado, Edward.
� como gostas, n�o �? Pessoas civilizadas.
Senhoras bem-educadas com pedigrees com bom aspecto na �pera,
que nunca fazem rir muito e nunca nos fazem sentir muito.
Pensei muito sobre isto, e n�o me digas que � a guerra,
esperei meses para saber se estavas morto ou vivo, e entras num nightclub.
- Linda, cheguei ontem. Ia telefonar. - Vai para o inferno.
Cuidado. Podes ter de admitir que me conheces.
- Linda, � a guerra. - �s t�o nobre, Ed.
Prometi-te alguma coisa? Se o fiz, gostava de saber.
Desculpe, pensei que a senhora queria dan�ar.
A senhora est� ocupada.
Adorava dan�ar.
- Vou interromper. - N�o o deixe.
Desculpe, mas a jovem n�o...
Nem tente. Ou saio daqui com a sua ma�� de Ad�o no bolso.
Que queres de mim?
Que deixes de ter pena de ti.
N�o, queres que deixe de sentir.
Como tu.
Tu amaste-me, n�o amaste?
Podia estar enganada.
N�o estavas.
Bem, ent�o como se p�ra?
Porque quero parar.
Ele chamava-se Albert Eckert. Conhecido pelo nome de " Zipper".
Um estilista da sociedade, popular entre mulheres dos oficiais das SS em Berlim.
Isso at� � passada 4� feira, �s 14:00, quando foi visto pela �ltima vez
pelo nosso agente, Sunflower, a comprar rosas no mercado.
Esta foto foi tirada uma hora depois, �s 15 horas.
Talvez algu�m n�o tenha gostado do seu �ltimo vestido.
Aquele homem p�s a vida em jogo,
que � mais do que algu�m aqui vai fazer.
- Pretende substitui-lo? - Imediatamente, mas n�o � f�cil.
O acesso a informa��o vinha da sua rela��o pr�xima com Hedda Drescher,
mulher de Horst Drescher, um jovem Nazi em ascens�o social
que cai nas boas gra�as dos superiores dando festas elegantes em sua casa.
Uma casa confiscada a uma das melhores fam�lias judias de Berlim.
O talento simples do m�todo de Eckert foi trazer � Hedda um vestido novo
para cada uma destas ocasi�es e ajud�-la a vestir-se no escrit�rio,
onde ele podia andar e beber um c�lice de Porto quando a festa come�ava.
Nessa altura, ele trancava a porta e microfilmava certos documentos
que Drescher trazia do Gabinete de Guerra - documentos como este.
E este.
E este.
Documentos que nos fazem acreditar
que algures na Alemanha cientistas est�o a criar uma bomba voadora.
Por isso podem ver a urg�ncia da situa��o. Luzes, por favor.
� preciso voltar ao escrit�rio de Drescher, e depressa,
descobrir onde se faz este trabalho e impedi-lo, antes de progredir mais.
Sugest�es?
E o marceneiro, Meyerhoff? O tipo de Leipzig?
- Se quiserem entrar no escrit�rio... - Faz sentido.
Eles deixavam-no desmontar os arm�rios secretos?
E Eric Erdmann, o professor de l�nguas? Ele � de Munique.
Nasceram os dois na Alemanha, e por isso ser�o amigos de imediato?
- Linda. - O Eckert levou anos a ser aceite.
Acham que algu�m pode l� ir e vasculhar a casa?
Ela tem raz�o.
� isso que precisam, algu�m que possa avan�ar e ir morar para l�.
Algu�m com sotaque berlinense de classe baixa para trabalhar em casa.
Algu�m com o sotaque de mulher de talhante berlinense.
Vamos jantar.
Eu conhe�o os c�digos, a rede, toda a opera��o. Passo por berlinense.
Linda.
Porque �s uma secret�ria, n�o uma espia.
- Porque sou uma secret�ria? - N�o serves. Falta-te treino.
- N�o sirvo? Tu nem falas alem�o. - N�o tens tento na l�ngua.
Vi da primeira vez que te conheci. Sai-te tudo pela boca fora.
- Faz de ti um perigo. - � mais a minha guerra que tua.
- Isso � rid�culo. - Sou judia.
- Sabes o que Hitler faz aos judeus? - Claro. Ainda l� tenho parentes.
- Duvido. - Que estejam escondidos?
- Que saibas o que se passa. - E ent�o?
N�o vou deixar que te suicides.
- Despe�o-me se n�o me deixas ir. - Vou sentir a tua falta.
Eu despe�o-me, diabos.
Despe�o-me.
- Linda. - Ed, prova a minha tarte:
como a minha av� me ensinou a fazer.
Ensinou-me a cozinhar ao estilo alem�o, como o meu av� gostava.
E cozinhava para 50 se fosse preciso. Cinco pratos - como fazem em Berlim.
Nas noites em que n�o tivessem convidados, podia levar ch� e tarte
ao escrit�rio dos Dreschers e p�r aguardente no ch�
para que Horst e Hedda se cansassem e fossem dormir mais cedo,
e ficava sozinha no escrit�rio.
Isto n�o � por ti ou por mim. Quero fazer algo de importante na vida.
Toma, prova.
Prova.
Sabes no que te vais meter, Linda?
Sim. A guerra.
Ele aceitou enviar-me, por 2 semanas,
insistindo quer tivesse �xito ou n�o, eu sa�a de Berlim da� a 14 dias.
Aprendi num curso intensivo a usar uma c�mara de microfilme,
e deram-me uma carteira funcional mas com pouco estilo.
Acima de tudo, s� me restava coragem.
O Ed acompanhou-me at� � Su��a,
e depois entregou-me ao lend�rio Sunflower,
um alem�o que trabalhava para os americanos e me levaria at� Berlim.
Vemo-nos daqui a duas semanas.
Nesta plataforma, daqui a 2 semanas.
- Estou bem? - Perfeita.
� agora.
Ainda queres ir?
- Onde � que ele est�? - Mesmo � tua frente.
- Ali? - N�o.
Ali.
Toma cuidado, Linda.
At� daqui a duas semanas.
Olhos para o ch�o, n�o diga nada. E tente n�o parecer espia.
- Ficou muda? - Disse para eu n�o falar.
- Em alem�o, por favor. - Mas o senhor falou em ingl�s.
Meu Deus, que sotaque.
Que mal � que tem?
Desculpe?
Compreendi porque me tratava assim.
Posso interromper? Reparou que falou em alem�o?
Desculpe.
Lembro-me daquilo em alem�o.
Pode lembrar-se em ingl�s, por favor?
Claro.
- Que tem o meu sotaque? - � de classe baixa.
E � suposto ser. Sou cozinheira.
Drescher n�o aceitaria.
N�o sabe que ele � um homem de grandes vaidades?
Com esse sotaque vulgar, ele n�o a deixa passar da porta.
Meu Deus, que me enviaram eles?
Julgo que n�o o podia culpar.
Konrad Friedrichs, conhecido por Sunflower, tornara-se espi�o,
por volta do ano em que nasci.
Um veterano de duas guerras, era agora meu colega,
para quem a minha �nica habilita��o, como ele bem referia,
era ter nascido de gente da classe baixa de Berlim.
Era minha esperan�a que essa gente ainda estivesse bem escondida,
que os meus parentes judeus tivessem escapado �s tropas de Hitler,
e ainda estivessem vivos.
A sua 1� visita a Berlim. Impress�es?
Escuro como breu, circundava-me.
A cidade estava �s escuras, preparada para raids nocturnos.
Deixe a bagagem.
N�o a sua. Siga-me.
Casa de banho, lavat�rio.
Fica aqui at� eu decidir o que fazer.
Venha.
Tio Putzi.
Desculpe se a assustei. Ningu�m respondeu.
Herr Friedrichs n�o est� em casa.
Bem, discordo do que ele diz sobre o seu sotaque.
� encantador.
Venha. Venha.
Ele disse que se os seus cozinhados fossem como o sotaque, eram para bares.
Vou tirar uma semana para lhe ensinar gram�tica e cozinha alem� chique.
E acredite, vai precisar.
Vamos p�-la na casa dos Drescher daqui a uma semana
para cozinhar para uma festa muito importante para ele.
Ele tem mau feitio quando as coisas d�o para o torto.
- O meu tio n�o lhe disse que eu vinha? - S� cheguei a noite passada, Fr�ulein.
Sou Margrete von Eberstien dos Klaus von Eberstiens.
O meu pai, o bar�o, � amigo de Hitler.
O F�hrer esteve em minha casa.
� da minha m�e que ele gosta. Ela � uma pianista famosa.
E o F�hrer, como Horst Drescher, � um homem de grandes vaidades.
Gostava de conhecer o F�hrer, Lina?
Ed Leland manda cumprimentos.
Eu n�o estava preparada para a Margrete von Eberstien.
E agora, tem de me falar sobre CIark GabIe.
Ele � mesmo casado com a Vivien Leigh?
Mas �ramos como irm�s.
A nossa primeira miss�o era contactar o meu correio, um peixeiro,
que exportava documentos para a Noruega, microfilmes ou mensagens escritas
dentro de caixas de peixe congelado.
� ele?
Como � que fa�o? Vou at� l�?
Mais uma vez, use o sinal para ele saber quem voc� �.
Passe uma mensagem para praticar.
- Que mensagem? - O que quiser.
Escrevi uma mensagem a indicar que procurava parentes.
Hannah, Liesel e Sofi Weiss.
- Quem s�o? - Minha fam�lia.
Soubemos que se escondem em Berlim.
Voc� � judia?
Meia.
Mein Gott, tem muita coragem.
O meu pai chama isso chutzpah.
- O que � isso? - Coisas de espi�es americanos.
Havia uma senha.
- Pronta? - Sim.
Algo acerca de peixe.
Bacalhau.
Est� na �poca do bacalhau fresco?
Est� na �poca do bacalhau fresco?
Est� na �poca do bacalhau fresco?
Est� o bacalhau na �poca fresca?
Estamos fechados.
Queria dizer, est� na �poca do bacalhau fresco?
Que diabo, onde est� ele? Kurt! Ca�ste pela retrete adentro?
Calma. Para qu� tanta pressa?
N�o gosta que o fa�am esperar.
Digam-lhe que Kurt foi � casa-de-banho.
Pap�is?
Comprou-a no Tauschmarkt?
- Sim. - A minha mulher tamb�m.
Quanto deu por ela?
40 marcos.
Isso foi demais.
Boas para esconder dinheiro.
- J� estamos atrasados! - Deixa-a em paz!
- O Comandante espera-nos. - Vamos!
- Pensei que a apanhassem. - O raio da carteira abriu-se.
Ai que tonta voc� �.
E voc� tamb�m.
A minha amizade com Margrete von Eberstien era a mais chegada que tive.
Deseja parar?
Aconteceu alguma coisa � sua amiga?
Ela foi morta?
- Podemos parar um pouco. - N�o.
� importante contar-lhe que ela apresentou-me � m�e.
- Margrete, e se ela suspeitar? - Disparate! N�o suspeita de nada.
Ela s� pensa nela.
- Mas e se me perguntar... - E se? Nunca mais a vai ver.
Amanh� vai estar na casa de um b�rbaro. Nunca mais a v�.
E voc�?
Voltamo-nos a ver?
Venha. Conhecer a pianista favorita de Hitler.
Vai dizer que sou sua cozinheira?
Quero v�-la beijar uma judia.
Vejam se n�o � a minha menina bonita!
Que bom ver-te.
- Onde tens estado este tempo todo? - Oh, m�e.
Esta � uma amiga da universidade. Lina von Klopper.
Von Klopper?
O pai � o Bar�o von Klopper de Pluhn. Conhece, o grande castelo de Pluhn?
Esse von Klopper. Prazer em conhec�-la, minha querida.
Uma semana ap�s a minha chegada, Horst Drescher ia oferecer um jantar
e o seu cozinheiro n�o podia vir.
S� por estar a poucas horas da festa, � que
Herr Drescher abdicava das medidas de seguran�a para
com a jovem enviada para substituir o cozinheiro.
A ideia era impression�-lo com os meus dotes culin�rios
para que n�o prescindisse de mim.
N�o. Chega de bater. Isto deve ir j� para o forno. Oh, meu Deus.
N�o precisa de fazer o caldo.
Ajude-a com as pombas no forno. Por favor.
Deixe-me provar esta sopa.
Desculpe.
Posso perguntar onde est� o 1� prato? J� estamos sentados h� 15 minutos.
Desculpe, Herr Drescher. A sopa j� est� pronta.
Devia ser sopa de pepino fria.
N�s servimo-la quente em Dusseldorf.
As pombas ainda n�o est�o prontas?
As pombas, servimos frias.
� como soubessem que v�nhamos. Estava tudo aqui.
At� os brinquedos para as crian�as.
Roupa de cama e toalhas, e acreditam as iniciais eram HD?
Como as nossas. Perfeito.
Sim, era perfeito. E tamb�m � a comida esta noite.
Para o meu convidado de honra, Herr General Franze-Otto Dietrich,
uma especialidade de Dusseldorf:
sopa de pepino quente.
Ent�o, que acham as crian�as de Potsdam, Herr Dietrich?
N�o acham grande coisa. Sentem falta dos amigos em Munique.
- Potsdam � muito longe. - Deviam ter ido para Berlim.
H� a Juventude Hitleriana em Potsdam. Eles fazem amigos.
Sim fazem.
Vimo-lo nos filmes noticiosos em Berchtesgaden.
Hitler estava �ptimo.
- Sinto muito, Herr Dietrich. - Perdoe-me, mein Herr.
- N�o faz mal, n�o faz mal - De certeza que sai.
A cor fica-me bem.
N�o faz mal
H� uma casa dispon�vel no meu bairro. Perfeita para si e para as crian�as.
- As escolas s�o melhores em Berlim. - Assim o creio.
As minhas desculpas. Ela s� veio hoje.
A s�rio? De onde?
- Dusseldorf. - Ela passou o controlo de seguran�a?
Claro, Herr Dietrich. Consigo c�, garanto que ningu�m entrava nesta casa.
- S� perguntava. - Foi muito recomendada.
�ptimo.
Delicioso.
Faz-me sentir como um lobo.
Que faz por aqui?
N�o sabe que � perigoso?
Espere.
Espere. Sou eu.
A sopa?
- Ele despediu-a? - Sim.
As pombas estavam cruas.
N�o tive tempo. Cheguei �s seis.
E vai chegar a casa �s dez. Quer boleia?
Sim.
Venha.
Ent�o, para onde vai?
Por esta rua abaixo.
Voc� � estrangeira.
De Dusseldorf. Sim?
Sim.
N�o � cozinheira, pois n�o?
As ag�ncias tamb�m me fizeram isso.
Enviaram duas amas que nada sabiam acerca de crian�as.
N�o que as minhas sejam f�ceis.
A m�e morreu h� dois anos. Claro que ficaram tristes.
- Quantas s�o? - Duas.
N�o s�o assim tantas.
O meu pai educou oito.
Com a minha ajuda, claro.
Eu era a mais velha.
Tem forma��o?
N�o foi suficiente para aprender a cozinhar pombas.
Ele comeu tudo para provar que era comest�vel.
Devia t�-lo visto.
Idiota convencido,
comer uma ave crua:
� dif�cil encontrar jovens adequadas
que tenham sido sujeitas ao controlo da Gestapo.
N�o queria deixar escapar uma.
Desapareci aquela noite sem deixar rasto,
sem poder comunicar a ningu�m o que aconteceu, ou porque fui levada.
Mas tendo descoberto os documentos na pasta de Franze Dietrich,
tive de quebrar a promessa ao Ed Leland e ficar.
Isolada fora da cidade, sem qualquer contacto para o exterior,
� espera da altura certa e a trabalhar como humilde empregada dom�stica
num mundo privilegiado alem�o.
Olha. pap�.
- Adeus. - Vamos.
No que me diz respeito, n�o podia ter planeado melhor.
Num salto r�pido, acabei num quarto da elite do Terceiro Reich.
Numa casa frequentada por G�ring, Speer, von Stauffenberg e outros.
Onde tinha a certeza que havia dados cruciais da guerra dos alem�es.
Mas por mais que procurasse, nada descobria,
nem a pasta, nem nada que se parecesse a um documento oficial.
O que quer que trazia para casa era escondido,
e n�o fazia ideia onde.
Olha ali. Dieter.
- Dieter. - Dieter.
Cuidado.
Ol�.
Franze. Franze, hallo.
Stayson. Que surpresa.
Sim, que surpresa.
- Bem, ol�. - Ol�.
Conhece a Menina Albrecht? Stayson von Neest.
Conhece o Capit�o von Haefler do Minist�rio dos Neg�cios Estrangeiros.
- Von Haefler, bom v�-lo de novo. - Claro.
Voc� serviu os patos crus. Eu estava em casa do Drescher.
- O seu velho patr�o quere-la de volta. - Diga ao Drescher que � tarde demais.
- N�o, � o patr�o antes desse. - De Dusseldorf?
N�o, Friedrichs dos Neg�cios Estrangeiros. O velho.
Ele estava triste. Pensou que Drescher a tinha matado.
Disse que ela trabalhou muitos anos para ele.
Como � que ele se chama? O tal dos Neg�cios Estrangeiros?
Herr Konrad Friedrichs. O velho.
.. onde os felizes berlinenses
s�o tratados � vista do F�hrer
tirando tempo para o Dia da Parada dos Her�is.
Onde, numa cerim�nia
no Pal�cio dos Desportos,
ele assistir� os novos recrutas
- a serem empossados... - Pare o filme.
Pare o filme.
Ed, Will, identific�mo-lo. Chama-se Franze-Otto Dietrich.
Mesmo l� no Wehrmacht. Passou o �ltimo Natal com Hitler.
Olha, eles est�o mesmo juntos. Ela tem a m�o nele.
- Quando foi isto tirado? - Chegaram a semana passada via Lisboa.
- Mas quando foram tiradas? - A parada foi h� 2 semanas.
- Contacta Sunflower. Levem-me � Su��a. - Qual � o plano?
Tir�-la de l�.
Fazia ideia que a tinham localizado?
N�o. Nenhuma.
Nem sabia que Franze Dietrich suspeitava de mim.
Senti, no entanto, que o tempo urgia.
Em meados de Outubro um avi�o brit�nico atreveu-se a fazer um raid nocturno,
abalando a ilus�o que Berlim estava imune a ataques.
Ainda de m�os a abanar ap�s 5 semanas,
arrisquei voltar ao peixeiro com uma nota a pedir instru��es,
e enviar um sinal para casa de que ainda estava viva.
Mas Berlim estava agora a mudar,
o raid nocturno alimentou o p�nico de que iriam cair mais bombas.
- Toda esta dist�ncia por um peixe. - Vais gostar do peixe de Berlim.
- Detesto peixe. - Queria ir ao jardim zool�gico.
- Eu sei. - Podes compr�-lo, mas n�o o como.
Est� bem. D�-me a m�o.
- Falo a s�rio. Atiro-o fora. - Est� bem, eu ouvi. Cuidado.
Desculpe.
Em que posso ajudar?
- Est� na �poca do bacalhau fresco? - Dif�cil.
Eu j� tinha desistido. Pensei que n�o gostava do nosso peixe.
Ela adora o vosso peixe. Lev�mos um temp�o a c� chegar.
Ela prefere vir c� do que ir ao zoo.
� assim hoje em todas as lojas, as pessoas a a�ambarcar, a salgar peixe.
Est�o todos com medo.
Olha, enguias.
N�o saiam daqui, est� bem?
Procura algo em particular?
Apenas algo fresco.
A �ltima vez que a vi, procurava algo em particular.
- Descobriu-os? - N�o � f�cil encontr�-los num oceano.
Lutam muito, estes peixes.
Atiraram-lhes as redes duas vezes, e das duas escaparam.
Com este tipo de sorte, talvez ainda estejam frescos.
Tenho aqui...
um tipo de peixe que voc� talvez
queira dar uma vista de olhos.
Tome.
N�o. N�o.
N�o. N�o.
Lina.
Basta! Rua.
- V�, meninos. Vamos. - Rua.
- Que foi? - V�. V�.
- Que aconteceu? - Houve uma briga?
Ela discute por peixe. Adora peixe.
- Que aconteceu? Lina? - Nada. Nada. Desculpem.
Dentro do peixe estava uma nota que dava a morada 99 Kinderstrasse,
onde os meus parentes se escondiam na cave nos arredores de Berlim.
E de repente n�o era mais uma fantasia.
Uma morada tornou-os reais.
Hannah, Liesel, e a minha bonita prima Sofi,
que tocava flauta, e cuja fotografia eu guardava
e agora era for�ada a esconder-se algures no escuro n�o muito longe.
Perguntava se ela estaria numa cama, como eu, ou enrolada no ch�o.
Se estava sozinha e com medo,
ou se sentia que o momento do nosso encontro se aproximava.
Pela manh�, depois de deixar as crian�as na escola,
apenas teria tempo para ir e voltar da cidade.
Ignorando qualquer perigo, estava toda entusiasmada.
Ap�s uma vida a sonhar com isto, ia finalmente a caminho.
Destino?
" Veterano de guerra ferido - n�o pode falar."
A carta da tua irm� em Dusseldorf diz que o teu pai est� a morrer, deves voltar.
Um bilhete de comboio para Dusseldorf, que n�o apanhas.
Vemo-nos no comboio para a Su��a e dou-te um B.I. novo.
- Posso... - Quando disseres ao Dietrich que vais,
diz que viste um casal no mercado - uma cozinheira e motorista...
- Ele tem um motorista. - N�o por muito tempo.
Ed, n�o estou preparada. N�o esta noite.
- Ouvi-te bem? - Encontrei as minhas primas.
- As tuas primas? - Encontrou-as?
- Ajudem-me aqui, por favor. - J� n�o h� judeus nesta cidade.
- Viu-os? - Ainda n�o.
Linda, n�o as podes ajudar. N�o podes fazer nada.
N�o, mas tu podes. Pap�is, passaportes, bilhetes para a Su��a.
Que achas que tenho, uma prensa?
Lina, Friedrichs foi levado ontem e interrogado por Dietrich.
- Pelo teu patr�o. - Franze?
- Sim. Linda, estamos � rasca. - Estamos todos.
- S� mais um dia. - Para fazer o qu�?
Para lhes dar esperan�a.
Para que saibam que as tento ajudar.
N�o saio daqui sem fazer isto.
Este bilhete � v�lido por 24 horas.
Os meus pap�is tamb�m. Caducam amanh� �s seis.
Espero at� l�, mas nem mais um minuto.
Se descobrires que est�o vivos e voltares para onde haja prensas,
podemos tir�-los daqui.
Mas quer os encontres ou n�o, �s 18:00 de amanh� quero-te no comboio.
Obrigada.
Seis horas, Linda.
Se l� n�o estiveres, terei de partir sem ti.
Desculpa, Ed.
A culpa n�o � tua. Nunca te devia ter deixado vir.
Eu tinha de fazer isto.
N�o foi isso que quis dizer.
Nunca te devia ter deixado partir.
Vem, Linda.
Por favor.
Agora n�o posso ir.
N�o me deixes especado amanh� � noite.
Sei que foi a uma sexta-feira que eu e Ed nos despedimos
porque o dia seguinte era s�bado, e n�o tinha onde deixar os mi�dos.
- Que queres ver? - Quero ver todos os animais.
- Quero ver um le�o. - Quero ver os ursos.
Quando � que l� chegamos?
V�. Vamos.
- N�o o estou a ver. - Este � o s�tio errado.
Queria caminhar um pouco at� l�.
- Que fazemos? - Isto n�o � o jardim zool�gico.
Desculpe.
- Procuramos o jardim zool�gico. - Cinco quarteir�es daqui.
� aquele na esquina.
Isto � assustador.
Que fazemos?
- Meninos, esperem aqui. - Onde vai?
Meu Deus.
Socorro. Lina.
Depressa. Lina.
- Socorro. Lina. - Est� bem.
Lina. Socorro.
Depressa. Socorro.
- Sentes-te bem? Est�s bem? - Temos de ir para casa.
Na adega. Conhe�o um esconderijo.
Olha. O jardim zool�gico.
Pap�.
- Pap�. - Pap�.
Pap�.
- Pap�, est�s bem? Bombardearam-te? - Eles bombardearam-nos.
- Um pr�dio inteiro explodiu. - Devias ter visto.
- Estiveram em Berlim? - Fomos ao jardim zool�gico.
- Devia ter-me pedido. - Desculpe.
N�o saia outra vez de Potsdam sem pedir, por favor.
Venham.
Se vierem de novo, vamos para a tua sala secreta, est� bem?
- Sim. - Na adega.
Disseste que l� era seguro. Que ningu�m a conhecia.
- Podemos dormir l�? - Sim. Eles n�o bombardeiam de novo.
- Foi terr�vel, pap�. - Acho que morreram pessoas.
Est�o bem. Isso � o importante.
Meninos.
Lina?
N�o estava no seu quarto.
Receei que nos tivesse deixado.
Porque o faria?
Talvez tivesse obtido o suficiente.
� o que est� a fazer, n�o �? Para o Herr Himmler e amigos.
Para a Gestapo.
A Gestapo?
A infiltrar-se na minha casa para ver se sou brando nos princ�pios do Reich?
Se me obrigam a confessar os segredos?
Pela minha sa�de, n�o sou da Gestapo.
N�o est� certo que uma mulher t�o bela tenha de trabalhar.
N�o tenho op��o.
Tem um vestido de noite?
N�o.
Von Karajan toca Wagner.
� uma celebra��o � nossa coragem.
Veste um vestido da minha mulher
e senta-se a meu lado, amanh� � noite.
Mein Gott, � a Olga Leiner.
Conhece-a?
- Quem? - Olga Leiner. Olhe.
Sim. Ela est� a acenar-lhe.
Deve-me ter confundido com algu�m.
Lina. Lina.
Que bom ver uma cara conhecida. Parece que j� n�o h� c� ningu�m conhecido.
Sou Franze Dietrich, grande admirador.
- Conhece a Menina Albrecht? - Sim.
Andou na universidade com a minha filha.
Tem de voltar ao apartamento, e trazer o seu amigo.
E se vir a minha filha, diga-lhe para me telefonar.
Desculpe.
N�o os consegui deitar. Queriam esperar por si.
- Obrigado, Hilda. Boa noite. - Boa noite.
- Boa noite. - Boa noite.
Eu levo-os l� cima.
Herr Dietrich.
� tarde, Lina.
Muito tarde para falar.
Lina?
- Lina? - Lina?
V�-se embora. J� me ligaram da Gestapo.
Eles v�m para c�. V� ter com a Margrete.
Esconda-se ou eles matam-nos a todos.
Meu Deus, onde � que voc� est�? Andam a passar a cidade a pente fino.
V� at� � janela da frente.
Suba.
Depressa.
- Est� bem? - Sim.
Tudo bem.
- Voc� est� roxa. - Tenho frio.
Entre. Nem imagina como me preocupei.
- Friedrichs telefonou-me. - Ele mandou-me embora.
N�o tinha op��o. Eles vigiam-no.
Tome. Quero que tire essas roupas, tome um banho de �gua quente,
- enquanto pensamos no que fazer. - Margrete...
- Talvez mudar a sua apar�ncia. - Margrete.
- Precisa de pap�is. - Margrete, eu tenho a informa��o.
Em microfilme.
A localiza��o da f�brica. � em Peenem�nde.
Bom.
Muito bom.
E onde est� o microfilme?
Escondi-o. Queria ter a certeza de que estava s�.
- Onde? - L� fora. Na cabine. Caixa das moedas.
- Aquela aqui mesmo? - Sim.
�ptimo. Eu vou busc�-lo.
Tome banho. Corte o cabelo.
Est� a� a tesoura.
Lina? Fingi fazer uma chamada para ningu�m suspeitar.
Oh Deus, perdoe-me.
Desculpe. Desculpe.
Perdoe-me.
Eles em breve est�o aqui. Eles tomam conta de si.
Que m� maneira para n�s acabarmos.
Porqu� agora?
Porque n�o me acusou antes?
Temos vigiado Dietrich.
Quando entrou para a casa dele, pens�mos em us�-la para obter dados.
Se ele fosse leal...
As minhas primas?
Lamento.
Trabalho para o Reich.
E confesso, excepto voc�,
os judeus de nada me servem.
Os sapatos dela e a mala. Ela saltou da varanda!
Procurem no p�tio! Encontrem-na!
Saiam todos! Ela fugiu!
R�pido! Fora!
Ela tem de estar no edif�cio.
N�o teria aguentado tanto tempo na rua.
Veja isto.
Como chegamos � cave?
Desculpa. Calma, calma.
Muito bem.
Isto � para a dor.
Tens de esquecer a dor.
Preciso que fales, est� bem?
P�e o teu bra�o no meu ombro.
Bem? Vamos.
N�o posso ir mais longe. Reconheciam-me logo antes dela.
Boa sorte.
Ol�.
Estou a morrer.
Esquece a morte.
N�o podes morrer.
Nunca te vi antes com medo.
N�o te quero perder.
Quero estar contigo.
Sempre.
Oh, Deus.
N�o dizias isso se eu n�o fosse morrer.
Amo-te.
Fronteira su��a! Saiam todos os passageiros!
Linda.
Fronteira su��a!
Saiam todos para procedimento de seguran�a do lado alem�o!
Muito bem, vamos.
Afastem-se! Esta mulher est� doente!
Afastem-se! Deixem este homem passar!
O que � que ela tem?
D�-me os seus documentos.
D�-me os seus documentos!
O que � que ela tem?
As datas nestes documentos j� n�o s�o v�lidas.
Como oficial, devia saber disso.
Exijo uma explica��o.
Exijo uma explica��o!
V� o que se passa com a garganta dele!
Fa�a qualquer coisa!
Eles est�o do lado alem�o.
Ajudem-nos!
Eles est�o em solo su��o!
N�o surpreendeu ningu�m que Ed fosse demasiado teimoso para morrer.
Com uma bala que lhe estilha�ou o joelho e outra que furou o pulm�o,
ele esteve consciente a ouvir as �ltimas dos bombardeamentos de Peenem�nde
apenas 14 dias mais tarde.
Ent�o conseguiu passar o microfilme?
Sim.
Foi encontrado na minha m�o quando me levaram para o hospital na Su��a.
Tinha-o escondido na luva,
sabendo que seria tirado se fosse examinada por um m�dico,
e ignorado se fosse procurado pelo inimigo.
Muito inteligente.
Como sabia isso?
J� viu o filme Victory at Dawn?
Eu devia saber.
Aqueles s�o os meus filhos. Podem aparecer na TV?
Claro. Seria um prazer.
Eis o meu marido.
Ed, vem. Vem c�.
Ajuda-me.
Sr. Leland.
Muito obrigado a ambos.
Legendas de Visiontext: Jos� A. Fernandes
PORTUGUESE
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