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Original subtitles

HOLOCAUSTO

A HIST�RIA DA FAM�LIA WEISS

- 1a. parte - �A REUNI�O DA ESCURID�O"

Karl, beije a noiva! -N�o estou acostumado em p�blico.

N�o est� acostumado; vamos Karl... beija logo !

Karl n�o est� acostumado em p�blico. Eu vou mudar isso.

Josef, penso que � hora dos brindes.

Meus amigos, em primeiro lugar, um brinde ao feliz casal.

Por Inga Helms Weiss, novo membro de nossa fam�lia...

E por meu filho Karl.

E j� que os Weiss e os Helms fortaleceram a rela��o,

Proponho um brinde pelos os pais da noiva, o Sr. e a Sra.Helms.

Seu filho Hans

E todos parentes e amigos.

E agora um brinde por meu irm�o Moses Weiss,

Que veio especialmente de Vars�via para este acontecimento.

E pelos meus queridos sogros, Sr e Sra. Palitz.

Menos apresenta��es e mais champagne.

Moses Weiss?

Algu�m falou com sua irm� antes da celebra��o?

N�o, ningu�m falou com ela.

Papai, agora � sua vez.

Eu acho que nossa fam�lia n�o � t�o famosa quanto a sua, Dr. Weiss.

N�o, Sr. Helms, todos somos amigos aqui, todos bons berlinenses.

Moses tamb�m ?

Brindo pelos rec�m casados,

Por minha amada esposa

E pelo meu filho Hans... que faz seu servi�o militar.

N�o h� melhor educa��o para o rapaz, em que arma?

Infantaria

Eu tamb�m servi na infantaria.

Capit�o do segundo batalh�o de metralhadoras.

Meu Kaiser me concedeu isto:

A Cruz de Ferro de primeira classe.

Bem, j� falamos bastante.

Desejo a todos: felicidades e muita sa�de.

Karl vamos... vamos ver se dan�a melhor do que beija em p�blico.

Dan�a comigo?

-N�o, n�o aguento seu perfume. -N�o uso perfumes.

Seu bobo, sou doce por natureza.

Meus parab�ns novamente.

Moses, sei o que est� pensando, que deveria ser uma cerim�nia judia, n�o �?

Josef, eu o compreendo.

N�o me julgue. Ainda celebraremos a p�scoa.

Por favor, chega de desculpas. estou feliz por Karl.

Tio Moses, dance comigo.

Minha pequena Ana, eu dan�o como um elefante.

Por favor vamos, vamos.

Vai se arrepender.

-Voc� est� feliz, Berta ? -Se Karl est� feliz, eu tamb�m estou.

-N�o respondeu minha pergunta. -Respondi da melhor forma.

S�o pessoas encantadoras, formam um belo par.

Veja, Karl est� t�o apaixonado por Inga.

Sim, � verdade.

Moses hein, Helms?

N�o � da nossa conta, � uma boa fam�lia.

N�o l� os jornais?

Um dia Inga poder� se lamentar. -Isso n�o acontecer�.

Olha, s�o bons judeus.

O pai � m�dico, e o av� foi um her�i.

Pena que n�o adiou o casamento. -O que voc� quer dizer?

Dizem que o partido proibir� matrim�nios intra raciais

Evitaria muitos problemas.

N�o precisa fazer esta cara, talvez fique tudo bem.

Calma, calma, fique tranquilo. Tome, beba um pouco disto.

Simples rea��o da nicotina. Um gole de ch� e ficar� bem.

Como se sente ? -Estou melhor, obrigado.

N�o tenho problemas com champagne.

Acho que foi o charuto.

Hans, o uniforme n�o faz de voc� um homem.

Ele sempre teve problemas de est�mago. Espero que o ex�rcito o alimente bem.

Claro, tenho certeza que sim.

Al�m do mais, agora voc�s t�m um m�dico na fam�lia.

Desculpem.

Qual a sua especialidade, Dr. Weiss?

Todas.

Comporte-se, Rudi.

�h, cl�nica geral. tenho um pequeno consult�rio.

Estranho que exer�a sua profiss�o aqui, j� que seu irm�o � polon�s.

Eu tamb�m sou polon�s de origem.

E exerce a medicina em Berlim.

Sou t�o alem�o quanto minha esposa. Estudei medicina aqui.

Como polon�s, o que o pensa da situa��o pol�tica atual ?

Meu amigo, nunca falo de pol�tica. Pergunte-me de medicina e responderei

De pol�tica, nunca.

Creio que desde minha �poca o ex�rcito mudou muito

Esteve no front ?

Oh, sim. Verd�n, Chemin de Dame, Metz.

Oremos por uma paz duradoura. Guerras, nunca mais.

Um brinde por suas palavras, senhora.

O marechal de campo Von Hindenburg � um bom militar, corajoso, honesto.

O anci�o ?

Ainda � o melhor.

Esses s�o os homens que deveriam cuidar da Alemanha.

Os generais.

Algum dia os velhos generais enfrentar�o essa multid�o.

Que multid�o ?

Posso ver o que voc� est� usando.

Basta um punhado de bons militares para faz�-los correr.

Fant�stico, os militares est�o do lado de sua fam�lia.

Meu av� pensa que est� de uniforme.

Mam�e diz que ele deveria voltar para o ex�rcito.

E o que pensam os poloneses, Moses Weiss?

Tenho uma pequena farm�cia em Vars�via. S� posso falar de receitas.

Que tal mudarmos de assunto ?

Chega de pol�tica.

Por que n�o cantamos algo?

Karl, por favor, pe�a uma m�sica bem bonita.

Uma m�sica conhecida. O que voc�s acham de "Lorelay"?

� proibido toc�-la.

Por favor, toque. Os versos de Hainer s�o adequados para a ocasi�o.

Senhora, eu gostaria muito, mas... -Por favor, toque-a.

Por favor, adoro essa m�sica.

A bola � sua, menino ?

Desculpem-me, o consult�rio est� desorganizado.

Est� tudo bem, Dr.Weiss.

Sra. Dorf,

A Sra. tem um ligeiro sopro card�aco.

Facilmente percebido, mas n�o h� motivo para preocupa��es.

Mas tem tratamento ?

Vou receitar um t�nico para anemia. Pode ser a causa do problema.

Evite trabalhos pesados. Recomendo bastante repouso.

Imposs�vel, com dois beb�s em casa

Marta, uma empregada pode ajudar por uns dias

Erik, n�o temos condi��es -Bem, tenha calma.

N�o queira ser uma perfeita dona de casa.

Lavando, passando...

� muito nova para isso.

Procure-me se os sintomas persistirem.

Quero v�-la daqui a um m�s, certo?

O Sr. garante de que n�o � grave? -N�o me esconda nada, doutor.

Tem a minha palavra.

� um ligeiro sopro. Poder� levar uma vida normal.

Ficar� curada da anemia E se sentir� bem como antes.

Dorf... Dorf...?!!!

Por acaso voc� � parente dos padeiros da rua Klains ?

Sou filho. -Por n�o me disse antes?

Meu marido n�o gosta de presumir antigas amizades, doutor

Presumir? Eu o curei de var�ola, quando tinha 10 anos.

Diga-me, como est�o seus pais?

Meu pai morreu faz uns anos. Perdeu a padaria durante a depress�o.

Minha m�e est� morando em Munique.

Sinto muito. Lembro-me muito bem deles.

E dos past�is deliciosos que faziam �s ter�as-feiras.

Acho que era �s quartas.

Eu preparava os past�is.

Ah, ent�o era voc�.

� lament�vel.

Muitas pessoas ficaram arruinadas, naqueles dias dif�ceis.

Por isso tenho orgulho de meu marido. -Marta, por favor.

Formou-se em Direito, apesar de tudo.

Tem motivos para se orgulhar.

Avise-me se melhorar.

O t�nico vai ajudar, e n�o se preocupe !

Obrigado Dr. Weiss.

Quem � o pr�ximo ?

Por favor, entre Sr. Lowy

Ajudante de pedreiro,

ajudante de cozinha,

vigilante,

muito pouco para um advogado.

Tenha paci�ncia, Erik.

Paci�ncia ?

Como vou pagar as consultas ?

O doutor n�o cobrar� at� que tenha um emprego.

N�o quero viver assim.

Sem poder pagar as contas, pedindo favores.

Meus pais podem ajudar.

J� ajudaram muito.

Querido,

voc� � muito modesto.

Assim n�o convencer� ningu�m.

Oh, sim.

A n�o ser que sou um advogado desempregado.

Absolutamente. Por que n�o tenta outra profiss�o ?

Minha incans�vel esposa,

sua vontade � mais forte que seu cora��o.

Venha, vamos tomar um sorvete.

Dr. Weiss disse para se alimentar.

Erik, n�o desconsidere minhas sugest�es.

Marta, s�o sempre as mesmas. -Sim, deixe que meu tio...

"Fale com Heydrich sobre o jovem e inteligente Dorf".

Pelo menos, marque uma entrevista.

Marta, n�o sou pol�tico.

Meu pai era socialista. O que diria se eu me unisse a seus perseguidores.

Os tempos mudam.

Al�m do mais h� muitos socialistas no partido.

Sei que n�o se importa com pol�tica. e que n�o quer ser funcion�rio p�blico.

Sou um fracassado.

N�o, voc� n�o �.

Erik... te amo tanto

Eu quero o melhor para voc� e para as crian�as.

Heydrich me olhar� e me far� seu ajudante.

N�o sirvo para o trabalho policial. Odeio armas, odeio desfiles.

Sou um advogado, filho de padeiros.

Que tem uma esposa jovem e maravilhosa.

Uma esposa que n�o se alimentar�,

e que sofrer� do cora��o...

Se seu marido n�o aceitar este favor.

Isto � chantagem!

Voc� me convenceu.

Erik Dorf; idade 24 anos;

natural de Berlim; graduado pela universidade da Alemanha.

Sem filia��o ao partido. -Pois �, at� o momento n�o.

E qual o seu interesse ? -Preciso de trabalho.

Gosto de sua sinceridade.

N�o tem id�ia de quantas mentiras tenho que ouvir.

Hip�critas, bajuladores,

Cheios de amores pelo Partido, pelo F�hrer, pelo Reich.

� um al�vio encontrar uma pessoa que apenas procura trabalho.

Respeito o Partido e admiro o trabalho do F�hrer.

Naturalmente.

N�o se levante.

Jovem advogado,

boa educa��o,

N�o exerce a profiss�o

porque alguns judeus ou socialistas lhe tomaram o emprego.

Eu n�o tenho desculpas.

Por que n�o ? Conhecemos nossos inimigos.

O que sabe sobre n�s ?

Que s�o uma organiza��o social e pol�tica,

Respons�veis pela seguran�a interna e externa do estado.

Confesso que n�o entendo as diferen�as entre SS, SD e GESTAPO.

Nem n�s. Mas n�o importa, controlo as tr�s.

Com a autoriza��o do Reich, o F�hrer Hitler, � claro.

Qual a sua opini�o sobre os judeus? -Sou neutro.

Admiro sua honestidade.

Espero que n�o me considere ing�nuo.

N�o, nada disso.

O fanatismo dos verdadeiros crentes � admir�vel.

Mas algumas vezes � melhor ser neutro,

anal�tico

frio.

Porque a conspira��o judia mundial,

e o compl� bolchevique e capitalista para dividir a Alemanha,

� algo frio e anal�tico.

Envenenamento racial dos judeus,

infiltra��o em nossa vida nacional,

trai��o aos ideais da Alemanha, tudo repugnante, Dorf.

Conhe�o os ideais do F�hrer.

Ent�o voc� sabe a import�ncia de nossa pol�tica racial.

Essa � a id�ia central de nosso programa. Resolveremos a maioria dos problemas:

econ�micos,

militares,

governamentais,

simplesmente atacando os judeus.

Sim senhor, se os outros concordam.

Um futuro emocionante.

Ter� que esquecer alguns conceitos que aprendeu na faculdade.

Estou aberto a novas id�ias.

�timo

Gosto das pessoas com mente aberta.

Especialmente quando tem uma boa mente.

Voc� estava entre os 10 primeiros da classe,

recomendado por seus professores.

General, receio que n�o tenho perfil militar.

Jamais usei um revolver e uniformes, s� no tempo de escoteiro.

Essa � a parte f�cil do trabalho.

Hoje em dia qualquer um usa uniforme.

Aguarde uma comunica��o. Faremos uma investiga��o.

Por seguran�a ?

Simples rotina: pureza racial, filia��es pol�ticas.

Imagino que n�o viria aqui se n�o fosse um aut�ntico ariano.

Isso n�o ser� problema, general.

De qualquer maneira terei que investigar.

Hitler disse uma vez que n�o descansaria

enquanto houvesse problemas,

para qualquer alem�o, ser um advogado.

� uma piada.

Seja bem vindo, Dorf.

Obrigado general.

Muito bom !

Sem que eu tenha insinuado.

Peter, olha o papai.

Marta, por favor,

� melhor coloc�-lo no ch�o.

Peter, como o papai est� ?

� o papai !

O uniforme o assustou.

� impressionante at� pra mim.

Erik, voc� parece um her�i.

As botas est�o muito apertadas.

Mas n�o vou us�-las sempre. -Pois deveria.

Todos o respeitariam.

Se os comerciantes soubessem. Poder�amos ganhar muito com isso.

Minha amada, n�o podemos fazer isso.

E por que n�o? Porque n�o usar o poder, influ�ncia?

Sim, por que n�o. Peter!

Peter, n�o gostou do papai de uniforme?

Meu primeiro dia como policial � um verdadeiro fracasso.

Como uma cena da Il�ada.

Heitor coloca seu brilhante... capacete com plumas

e seu filho corre aterrorizado gritando, assustado com o aspecto do pr�prio pai.

N�o lembro da sequ�ncia, algo sobre Heitor pedindo a Zeus...

Que fa�a seu filho mais valente. -Farei de voc�s, dois valentes.

Quem � o pr�ximo?

Ah, Sr. Dorf! Entre.

Sente-se.

Suponho que veio por sua esposa. Uma pena que...

n�o voltei a v�-la. -Ela est� bem.

Cansada, de vez em quando. -Lembro que seu estado n�o era grave,

mas que devia tomar precau��es.

Ent�o, hoje voc� � o paciente. -N�o vim como paciente.

Ent�o ?

Servi�o de Seguran�a. Tenente Erik Dorf. Que � isso ?

Conhece uma mulher chamada Elga Kudman?

-Sim, uma pobre vi�va. -Dr. Weiss, sabe que �...

ilegal tratar de pacientes arianos?

Fa�o por costume. Sempre atendi quem n�o podia pagar.

Inclusive a voc� e a sua esposa. -N�o queria que fosse assim,...

mas � para o seu pr�prio bem. -Eu compreendo.

N�o costumo fazer estes servi�os,

meu trabalho � administrativo. -N�o faz visitas, ...

� um especialista. -Sim

Algo parecido. Me disseram que tratou de um ariano.

Achei melhor avis�-lo, antes que outros venham.

N�o posso evitar. Faz alguns anos que examinei...

sua esposa, neste mesmo consult�rio.

Fui m�dico de sua fam�lia. -Porque n�o deixou a...

Alemanha? N�o � um homem pobre. -Boa pergunta.

V� embora. Antes que seja tarde.

E os judeus doentes, precisam de atendimento m�dico.

Se todos os m�dicos forem embora quem cuidar� deles?

S� ficar�o os pobres e os velhos. -Doutor, as coisas v�o ficar piores...

para voc�s. -E o que mais pode piorar?

Tiraram nossa cidadania, n�o temos direitos,

nossos bens podem ser confiscados, n�o temos hospital

e nem rem�dios. Em nome da Humanidade,

o que mais pode nos acontecer?

N�o deve contar com minha ajuda.

Nem sequer em nome de nossa antiga amizade?

Nenhuma s�plica. Voc�s t�m outros recursos. V�o embora.

Ir embora, n�o � t�o simples.

Bravo, bravo! -Oh, Josef.

Papai, n�o pode entrar assim. Est�vamos ensaiando.

Anna tem raz�o. Ia ser uma surpresa para seu anivers�rio.

De Mozart, seu preferido. � uma partitura muito dif�cil.

Foi maravilhoso. N�o posso imaginar que algu�m...

o interprete melhor.

Anna, pode nos deixar sozinhos por alguns minutos? Quero falar...

com sua m�e em particular. -Eu sei qual � o assunto,

N�s vamos embora ou ficamos? -Anna.

Lembra da fam�lia Dorf? -Os padeiros?

Que tantos anos voc� atendeu? E que nos devem muito dinheiro?

O filho me procurou. -Para pagar as d�vidas?

O jovem Dorf � oficial da GESTAPO.

Advertiu-me para n�o atender os n�o judeus.

-Disse que dever�amos deixar o pa�s. -Muita gentileza dele.

Berta,

Talvez dev�ssemos nos mudar. J� se passou muito tempo,

dev�amos ter ido tr�s anos atr�s, depois do casamento de Karl.

Est� insinuando que eu decidi que ficar�amos?

N�o, meu amor. Foi nossa decis�o, n�s decidimos que ficar�amos.

Josef, n�o precisamos de joguinhos. Eu disse nesta mesma casa..

..quando come�aram os ataques, que esta era minha p�tria..

..tanto como a sua. que n�o dever�amos temer esses b�rbaros.

N�o � necess�rio que se culpe. Fa�o falta aqui.

Olha essa gente em meu consult�rio. � curioso que...

os nazistas insistam que todos os judeus s�o ricos,

deveriam ver meus pacientes. -Meu querid�ssimo marido.

� verdade! A decis�o foi nossa. As coisas v�o melhorar.

Hitler � s� outro pol�tico. Como seu pai disse, tudo passar�.

E lhe obrigou a justificar minha insensatez.

Talvez n�o seja tarde. Existe um ferrovi�rio que conhece Inga...

Falaremos sobre isso mais tarde.

Pelo menos deixe os meninos ir. Berta, temos feito o...

jogo dos nazistas h� bastante tempo. Temos cruzado os...

bra�os esperando a pr�xima explos�o. Quando penso em...

Karl e em Anna e em Rudi.

N�s sobreviveremos. Esta � a p�tria de Beethoven,

Schiller e Mozart.

� uma pena que n�o estejam no consult�rio agora.

Chame Karl e Inga, Berta. Convide-os para o jantar.

Temos que rever quest�es importantes.

Eh! Isto � falta. Por que n�o marcou?

Judeu sujo.

Tirem ele de cima de mim.

Parem, parem. Weiss, Ulrich, chega de brigas.

� pr�prio dos judeus, jogar sujo.

Vamos Ulrich, fora do campo ent�o.

Judeu sujo, porque deixa que ele jogue?

Soltem-me !

Ulrichm tem raz�o. Fora Weiss! -Como fora ?

Joguei todas as partidas este ano !

Est� expulso por brigar! -N�o pode fazer isto!

Vamos, fora do campo. -Me larguem!

Sinto muito, Rudi.

Meu amigo ferrovi�rio disse que pode comprar a sa�da de voc�s,

Mas que vai custar muito dinheiro.

Podemos arranjar isto. Qual destino ele sugeriu?

-N�o sugeriu. -J� n�o existem lugares para ir, papai.

Tem certeza disso? Fran�a, talvez Su��a?

Os su��os est�o deportando os judeus, os franceses tamb�m.

Ningu�m nos aceita. -� verdade, ouvi um boato,

que os EUA n�o querem deixar entrar mais judeus para...

n�o encher o contingente alem�o. Alguns j� est�o retornando.

Podemos ficar! Estamos juntos. N�o � verdade, m�e?

-Claro, Anna. -Estou envergonhada. Talvez se eu...

falasse outra vez com esse homem. -� in�til. J� esperamos demais.

Tentaremos nas embaixadas, americana, brit�nica. Talvez...

possamos ir � Pol�nia. Tecnicamente continuo sendo cidad�o polon�s.

Papai, isto � quase a mesma coisa.

N�o iremos a lugar nenhum. N�o vamos mais falar sobre isto.

-Mam�e sempre com suas id�ias. -Talvez porque sempre tenha raz�o.

Hitler tem a Tchecoslov�quia, tem a �ustria, que mais ele pode querer?

J� tem bastante para digerir toda essa torta austr�aca e...

toda essa cerveja checa. -Acredita mesmo nisso?

� um pol�tico. Todo �dio contra os judeus � pol�tico.

Enquanto conseguir o que quer se esquecer� de n�s.

Mam�e tem raz�o. Alguns n�o est�o contra n�s, � s� pol�tica.

Meu pai disse que os generais n�o concordam com...

o que est� acontecendo. Estas coisas horr�veis.

Sim, creio que podemos ser otimistas.

-Anna, pode tirar a mesa? -Eu ajudarei. No se levante mam�e.

...uma a��o covarde e criminosa da conspira��o judia internacional.

-Aumente o volume, Rudi. -... o prisioneiro foi...

identificado como Herschel Grynszpan, um judeu polon�s...

que disparou a sangue frio contra Von Rath, sem ser provocado.

Aumentaram as manifesta��es espont�neas anti-semitas.

O povo alem�o se levantar� furioso para vingar...

o assassinato de Von Rath. -Rudi, desliga o r�dio.

-N�o, quero ouvir isto. -... Von Rath foi baleado fora...

da embaixada. Os m�dicos garantem que seu estado...

� cr�tico. -Muito bem, Grynszpan!

Embora devesse mat�-lo. -Rudi, desliga isto!

Rudi, fa�a o que sua m�e disse.

Calma, fiquem tranquilos. Sou respeitado neste bairro.

Covardes.

Al�? tenente Dorf. Oh, n�o. Sim, j� estou indo.

-M�s not�cias? -Von Rath acaba de morrer.

-Pobre homem. -Tenho que ir.

Temos que tomar algumas medidas de seguran�a.

Papai, os homens maus mataram Von Rath?

-Sim Peter, mas vou castig�-los. -Os judeus o mataram.

-Os judeus s�o maus. Papai vai castigar os homens maus. Por isso leva pistola.

Sinto-me rid�culo com esta pistola.

� simb�lica Erik, ningu�m espera que voc� saia atirando.

Ficariam surpresos se me pedissem isso, n�o tenho...

a m�nima id�ia de como manej�-la.

-J� come�ou. -Que?

-Repres�lias. -Voc� disse "medidas de seguran�a".

Goebbels leva muito tempo pensando nisso. Heydrich deveria...

control�-lo de algum modo. Espero que isto n�o atrase...

minha promo��o. Quase tr�s anos e continuo tenente. Eu seria promovido...

a capit�o mas agora Heydrich ter� outras coisas em que pensar.

Esta pode ser sua chance para impression�-lo. Querido,

n�o seja t�mido. Voc� � mais inteligente do que os...

in�teis que est�o ao seu redor. -Marta, n�o sou um oportunista.

N�o gosto de brigas nem dizer a outros que briguem.

Mas voc� tem c�rebro, Erik. Era advogado. Um homem que conhece...

as leis e entende as pessoas. -O general sabe disso.

Ent�o, fale com ele. N�o seja um garoto de recados, aconselhe-o.

Heydrich n�o precisa de meus conselhos, � brilhante.

Pois o ajude. Mostre seu valor. Ele conhece sua intelig�ncia. Ele espera...

um pouco de a��o de sua parte. -Sim, a��o.

-Mam�e, os maus vir�o aqui? -N�o, Peter. Estamos a salvo.

Maldito intrigante e incompetente Goebbels! Deixar soltos seus...

psicopatas e assassinos para que ataquem os judeus, queimem casas...

sem um plano, sem pensar. -N�o agiu sob ordens?

Duvido. acho que quer ganhar pontos e os parab�ns do F�hrer.

Mas, as repres�lias n�o eram necess�rias?

Sim, mas assinamos acordos com aliados no pacto de Munique.

Somos gente honrada e pac�fica, n�o � verdade, Dorf?

At� a imprensa estrangeira tem falado bem de n�s.

Mas, depois disto, viol�ncias, inc�ndios,

maldito Goebbels! -Se me permite, senhor,

N�o � sequer sua �rea de responsabilidade.

N�s somos a pol�cia. -Sim, mas seria muito pior se...

nossos homens uniformizados incendiassem as sinagogas.

Que fa�am em trajes civis. Sem bandeiras do partido,

sem ins�gnias e principalmente sem uniformes: GESTAPO, SS, SA, nada.

A justa ira do povo alem�o revoltando-se contra os assassinos.

-Como se fosse uma a��o civil. -Sim, senhor.

-Cidad�os irados. -Naturalmente, podemos...

fazer um acordo com a pol�cia para que n�o interfira.

Advertiremos as unidades para que tomem as medidas adequadas,

ou seja, que n�o intervenham. -Estou surpreso, Dorf.

Comunique a ordem. Come�o a entender o que uma excelente...

mente jur�dica pode fazer. -Obrigado, senhor.

� uma na��o maravilhosa. Que fa�am logo.

E como pode imaginar Dorf, nenhum dano a propriedades alem�s.

E mande atirar naqueles que resistirem.

Traga-me o processo de promo��o a capit�o do tenente Dorf.

Parem, parem ! Sou o capit�o Heinrich Palitz! Pol�cia, pol�cia!

Muito bem capit�o Palitz, toque o tambor.

Marche capit�o!

... sobre as informa��es do plano... -Al�? Mam�e! mam�e! que est� acontecendo?

...de assassinato. Est�o sendo detidos judeus suspeitos de haverem...

...tomado parte do atentado.." -Meu Deus! N�o, feche as portas.

O que est� acontecendo?

-Meninos, por favor saiam. -N�o. Voc� tamb�m pode ficar.

Mam�e, o que aconteceu? -Seu av� foi atacado,...

agredido e levado pela rua. Incendiaram a maioria...

das lojas de sua rua. -Ele est� ferido?

Mam�e n�o me disse. Oh Josef, o que vamos fazer?

Espero que Karl e Inga cheguem a salvo em casa.

-Chamarei a pol�cia. -A pol�cia? Est�o do lado deles.

Eu vou trazer o vov�. -N�o! N�o, espera, espera.

Devemos esperar at� que isto termine.

Espere a senhora. Eu n�o espero.

-Rudi! -Rudi!

Rudi, n�o pode sair e lutar com eles. Est�o dispostos a matar,

s� precisam de um pretexto. -Seu pai tem raz�o,

n�o deve enfrent�-los. -J� t�m todos os pretextos.

Rudi! Rudi!

-Rudi, espere por mim! -Anna! Anna, eu te pro�bo!

Judeus fora, fora judeus! Judeus fora, fora judeus!

� o vov�, Anna. E olha quem vai com eles.

Judeus fora, fora judeus! Judeus fora, fora judeus!

-Satisfeito? -Cale-se! Sabe o que voc� �?

Lixo, � o que voc� �! -Rudi.

-Fique aqui, eu vou at� l�. -Lixo! Lixo!

-Deixe-o, est� ferido! -O que voc� tem que ver com isto?

Deixe-o em paz, ele � s� um velho. Se quer lutar, lute comigo.

� o cunhado de Inga, Rudi Weiss. Por que n�o os deixamos ir?

Saia das ruas, Weiss.

Judeus fora, fora judeus! Judeus fora, fora judeus!

Vov�.

Vov�, eles machucaram o senhor? -N�o, tenho os ossos muito duros.

Sobreviverei. -Heinrich! Heinrich!

Heinrich, querido, meu amor.

Meus livros, meus livros.

-V� para cima vov�, eu recolho os livros. -N�o!

Escute!

Wagner, um g�nio.

Relat�rios das a��es, senhor. 36 mortos. N�o creio que...

a imprensa estrangeira d� import�ncia. 70 sinagogas incendiadas.

Quase 800 lojas e casas judias queimadas.

-Quantos detidos? -30.000

30.000? Em uma noite lotaremos o campo de Buchenwald.

Os jornais j� acharam um nome nome: "A noite dos cristais".

A noite dos cristais quebrados.

-Um copo? -N�o, obrigado senhor.

N�o tem v�cios eh, Dorf? Voc� quase n�o bebe, n�o fuma.

Um pai de fam�lia perfeito.

N�o acredita que mexemos em casa de marimbondos com esta a��o?

Haver� protestos, talvez represarias, boicotes, tudo isso.

-Algo mais? -Pouca coisa. Poucos governos...

sair�o em defesa dos judeus. A persegui��o dos hebreus � sempre...

bem vista. Diria que existe um precedente moral para castig�-los.

Isso � maravilhoso, precedente moral.

-Desculpe se eu disse uma bobagem. Nada disso. Precedente mora,

e precedentes religiosos e, principalmente, precedentes raciais.

Posso voltar para casa, senhor?

Saskia, meu amor.

-Quem? -Saskia, a esposa de Rembrandt.

Ele nunca cansou de pint�-la.

� mais prov�vel que ele n�o podia pagar modelos.

Sempre t�o realista. Imagino que os dois motivos s�o verdadeiros.

Eu n�o sou Rembrandt, certo? S� outro artista comercial...

sem trabalho. -N�o diga isso.

� verdade, meu pai sabe disso. Queria que eu estudasse medicina...

E eu sonhando em ser outro Picasso. -Karl, voc� � um excelente artista.

Adequado. Inga, por favor sente-se.

Recusam os judeus em todas as partes. E claro...

agencias tamb�m. N�o tenho um servi�o h� meses.

Bem, daremos um jeito.

Sempre fizemos.

Meu Deus, como eu te amo.

N�o mais do que eu te amo.

Agora, quer sentar, por favor?

N�o.

Inga,

N�o h� necessidade que se prejudique por mim. N�o quero que...

ocorra nada de mal com voc� por minha causa. -N�o, n�o quero escutar isto!

Meus pais sempre defenderam voc�s. Olhe pra mim, olhe.

Vejo a mulher mais bonita de toda Alemanha.

E a mais inteligente. Vou tentar conseguir novos documentos...

de identidade pra voc�. -Inga.

Ent�o iremos a qualquer parte onde n�o nos conhe�am.

Bremen, Hamburgo, E poderemos trabalhar.

Inga, voc� est� sonhando. Isto est� acontecendo em toda Alemanha.

A sinagoga de Munique foi incendiada, grupos de...

pessoas cheias de ira pelo dom�nio dos judeus ...

nos bancos e na imprensa atacaram hoje o bairro hebreu matando ...

Chega!

Olhe pra mim.

Deve me deixar.

Para sua pr�pria seguran�a.

Me beije.

Isso n�o melhorar o mundo.

Tamb�m n�o far� mal.

A pol�cia, est�o perguntando por Karl.

-Mam�e, devia ter nos avisado. -� in�til, est�o por toda...

vizinhan�a. Policiais, da GESTAPO.

-Poderia ter mentido. -Poder�amos ser presos...

por esconder um deles. Inga, nos p�e em perigo.

-Karl Weiss? -Sim.

Tem dez minutos para fazer uma mala e nos acompanhar.

O que ele fez? Por que querem lev�-lo?

Interrogat�rio de rotina.

N�o, n�o, qual � o seu crime? O que ele fez?

N�o sei. Cumpro ordens. Responder� o interrogat�rio e...

ser� liberado. -Estou pronto.

N�o, conhe�o os interrogat�rios. Conhe�o as visitas da GESTAPO.

As pessoas v�o e nunca voltam.

Inga, ficar� tudo bem.

-Sou a esposa dele, tamb�m vou. -Como quiser senhora, mas...

n�o permitir�o que fique. Vamos Weiss!

Fale com Hans, com algumas pessoas...

que conhecemos. Pe�a que nos ajude. -N�o farei isso. Vai nos trazer...

desgra�a. Deixe que os judeus sofram pelo que fizeram,

n�o nossa fam�lia.

Inga, n�o v�! N�o querem voc�!

Inga, n�o procuram por voc�! Inga!

-Cuidado doutor. -Voc� apanhou muito, n�o?

Seis energ�menos. Destru�ram minha prensa e...

danificaram os moldes. -N�o me surpreende. Fizeram o mesmo...

com a loja do meu sogro. -N�o existe lugar onde...

se esconder. Ainda vir� o pior, G�ring ficou com raiva...

de Goebbels pelas a��es e por ter perdido o prest�gio,

assim, convocou os seus capangas. Pode acreditar, doutor?

Senhor Lowy, J� n�o sei em que posso acreditar.

Esta persegui��o aos judeus, o foi que fizemos a eles?

Tudo isso pela morte de Cristo? Foi h� muito tempo.

Acho que os nazistas pouco se importam com Cristo ou...

sua doutrina. Mas eu n�o sou te�logo, e sim um m�dico.

Bem, terminamos. Com licen�a.

-Josef. -Eu j� volto.

Mam�e.

-Esta � sua nova casa. -Perdemos tudo.

Isto � tudo que salvamos. -Roubaram tudo. Alguns "her�is".

Aqui estar�o a salvo.

Mam�e, ficar� acomodada no quarto de Karl.

N�o temos o direito de incomodar voc�s.

N�o diga tolices. � uma honra receb�-los aqui.

Rudi, Anna, levem as coisas para o quarto de Karl.

N�o tem sentido. A Alemanha precisa de uma economia forte,

e n�s somos parte dessa economia.

Vov�, vou ajud�-lo a desfazer as malas.

-Pobre vov�. -Rudi.

Doutor Weiss falando. Ah, Inga!

Karl? Sim, entendo. Mas o que disseram? O que disseram a voc�?

Nada!. Voc� quer que v� algum de n�s?

Certo. -O que aconteceu?

Aconteceu algo com Karl? -Acaba de ser detido.

Levaram-no para o quartel general da GESTAPO.

Inga est� l�. Ela vai ligar de novo.

-Mam�e, Karl nunca fez nada de errado -� verdade. Logo ser� solto.

Estamos sendo castigados por meu orgulho e por minha teimosia.

N�o, n�o.

Vou ver se meus pais est�o bem acomodados.

V� fazer as compras. A lista est� dentro do cesto.

Procure descansar. Tome um calmante, certo?

Estou bem. Tem um paciente esperando no consult�rio.

Vou atend�-lo.

JUDEU.

Porcos bastardos.

O que voc� quer ver? La Boheme, Traviata?

Heydrich quer nos levar a �pera.

Erik, n�o estou preparada. Tantas senhoras elegantes.

Voc� ser� a mais jovem de todas. Devemos ser mais soci�veis, Marta.

Fico feliz em cuidar de meus filhos. E esperar por meu marido,

o capit�o Erik Dorf. -N�o posso crer.

Algumas sugest�es, umas id�ias desperdi�adas e nota minha presen�a.

E pensar que um dia quase desistiu, como disse? Trabalho policial.

� impressionante como ele confia em mim. Hoje eu resolvi um...

problema para Heydrich. As empresas de seguros...

da Alemanha estavam dispostas a pagar os vidros quebrados.

Eu disse, que paguem e o governo poder� confiscar o dinheiro...

sob o pretexto de que foram os judeus que provocaram as confus�es.

Mas essa � a verdade, n�o?

Sim, claro que � verdade.

Beijem o papai.

Filhos, s�o como as flores na primavera.

-Eu n�o sou uma flor. -Mas � doce como sua m�e.

Papai, por que todo mundo odeia os judeus?

Porque mataram Cristo. N�o aprendeu na catequese?

Vamos crian�as, para a cama.

Erik n�o v� dormir muito tarde. Quem ser� a esta hora?

Vou atender.

-Senhor Dorf. -Doutor Weiss.

-Posso entrar? -R�pido.

Desculpe, mas pensei que se lhe telefonasse n�o me atenderia.

Eu o avisei doutor, n�o devia pedir minha ajuda.

N�o tenho a quem pedir. Senhor Dorf, meu filho Karl foi detido.

N�o sabemos nada dele, onde est�, nada. Ele nunca se envolveu...

com pol�tica, � um artista. -N�o posso ajud�-lo.

Que mal fizemos a voc�s? Que crime cometemos?

Meu sogro � um veterano de guerra condecorado. Incendiaram...

a casa e a loja dele. Minha fam�lia, meus filhos, somos...

t�o alem�es quanto voc�s. -Essas medidas n�o s�o ...

contra o Sr. ou sua fam�lia. -Isso n�o melhora as coisas.

Correspondem a um plano de largo alcance, tanto para o bem de voc�s...

como para o nosso. -Mas as vidas, sangues...

derramados, pessoas arruinadas por qu�?

N�o posso discutir isso com o Senhor.

Por favor Dorf, voc� tem influ�ncia, � oficial da SS.

Ajude meu filho. -Eu disse que n�o viesse.

-Erik, algum problema? -N�o querida. J� vou terminar.

Quem sabe sua esposa compreenda. Como ela se sentiria em meu lugar.

O que sente pelo seu filho n�s sentimos pelo nosso.

Dorf, voc� foi a minha cl�nica, confiou a sa�de de sua esposa...

em minhas m�os. -Erik.

� o Dr. Weiss? O que ele est� fazendo aqui?

-Algo relacionado com seu filho. -E quer que voc� intervenha?

Sim.

Mande-o embora. N�o pode arriscar a sua carreira.

Diga que n�o pode ajudar.

Eu j� disse isso.

-N�o posso ajud�-lo. -Seus chefes, talvez. Uma palavra..

sua s� para saber onde ele est� e o que podemos fazer para...

que seja solto. -N�o posso.

-Por favor Dorf, eu imploro. -Boa noite.

Calma filho, isto vai doer um pouco, mas...

� s� por um momento. Fique quieto, n�o se mova.

Por favor, estou atendendo um paciente.

-Departamento de imigra��o. -O Sr. Dorf enviou voc�?

N�o conhe�o nenhum Dorf. O senhor � o Dr. Josef Weiss?

Garnish strase 22? Nascido em Vars�via, Pol�nia?

Tem um visto especial? -Sim.

Tenho ordens para deport�-lo para a Pol�nia. Apresente-se na...

na esta��o Henhakel amanh� �s seis horas. Com comida...

para um dia e uma maleta. -E minha mulher e meus filhos?

A ordem se refere apenas ao senhor. Entregue isto amanh�...

ao oficial encarregado.

Fique tranquilo, filho. Sua m�o ficar� boa.

Golbeck Morris. Pantailer 34, Berlin.

-Nome da prostitua que lhe deu a luz. -Minha m�e n�o � prostituta.

Todas as mulheres judias s�o prostitutas.

Nome da prostituta que lhe deu a luz! -Ela n�o � prostituta!

Nome, endere�o, profiss�o.

Karl Weiss, Balemun Strase, 12. Berlin. Sou artista.

Um desses cartunistas judeus mentirosos. Pintor de...

propaganda bolchevique. Aqui diz que foi denunciado...

como membro do partido comunista judeu.

S� sou um artista comercial. Quem disse isso de mim?

-S� responda as perguntas! -Nome da prostituta que lhe deu a luz.

Quem quis me denunciar?

Eu disse, nome da prostituta que lhe deu a luz!

Minha m�e n�o � prostituta.

N�o me diga. Nome da prostituta?

Berta, Berta Palitz Weiss.

-E do bandido que a estuprou? -Doutor Josef Weiss.

Quais crimes voc� cometeu para que o mandassem para Buchenwald?

-Eu n�o fiz nada. -Repito, quais crimes voc� cometeu?

Eu j� lhe disse. Nenhum.

Rezemos em sil�ncio pelos filhos de Abraham.

A� fora est� em chamas uma sinagoga que, como esta igreja,

tamb�m � casa de Deus. Em muitas igrejas foram distribu�dos...

panfletos advertindo-nos que se mostr�ssemos sentimentos...

para com os judeus, cometer�amos trai��o. Esta igreja e...

seu p�roco rezaremos pelos judeus. Rezaremos por todas as v�timas,

por todos os que enfrentam essas provas terr�veis,

por todos os inocentes.

Idiota. Vamos embora.

-Padre Lichtenberg? -Sim?

Meu nome � Erik Dorf.

Capit�o Erik Dorf, pol�cia de seguran�a.

Eu escutei atentamente o seu serm�o.

E o que voc� aprendeu, meu filho?

Que o senhor � um bom homem, mas est� mal informado.

Eu sei o que est� acontecendo aos judeus.

O Papa Pio firmou um acordo com Hitler.

O Vaticano nos considera o �ltimo bast�o...

entre a Europa crist� e o bolchevismo.

Isso n�o justifica os tormentos aos inocentes

-Ningu�m est� sendo atormentado. -Tenho visto judeus...

sendo atacados nas ruas e enviados para a pris�o, sem motivos.

S�o inimigos do Reich, estamos envolvidos em uma guerra, padre.

Una guerra contra inimigos armados ou

contra judeus indefesos? -Padre, imploro que seja mais...

moderado em suas observa��es. -Seguirei minha consci�ncia.

Que o conduza para um caminho errado. Deve saber que a maioria dos...

l�deres religiosos ap�iam ativamente nossas medidas.

Ent�o voc� sabe a distin��o entre mestres da cristandade e...

aqueles que distorcem e modificam esses ensinamentos.

Um homem t�o inteligente como ele, Um dom raro para esta nova era.

O trem especial com os deportados para a fronteira com a Pol�nia, partir�...

dentro de cinco minutos. Todos os passageiros ser�o...

identificados com a letra J.

-Berta, ficarei muito triste se voc� chorar. -N�o estou chorando, Josef.

Como ficaremos sem voc�? -Talvez isto seja o melhor que...

poderia nos acontecer. Meu irm�o Moses estar� esperando,

conseguirei trabalho. Quando Karl estiver livre voc� poder� vir.

-Josef, eu vou com voc�. -N�o Berta, n�o, os meninos...

precisam de voc�. Voc� e Inga devem continuar tentando libertar...

Karl da pris�o. -Josef, Por que aconteceu isto com a gente?

N�o � nossa culpa. Agora vejo as coisas de modo mais claro,

tudo isto abrir� nossos olhos. -Fiz uma promessa.

Minha querida esposa, nada de besteiras.

Venda a casa e a cl�nica, procure um lugar menor.

E voc� n�o deve esquecer-se de ligar todas as noites.

Use botas e luvas para a neve Faz muito frio na Pol�nia.

N�o venda o piano, Anna deve continuar estudando.

Sigam os guardas at� o trem. Fa�am fila para entrar".

-Anna, Rudi, despe�am-se do pai de voc�s. -Papai! Logo iremos te encontrar

Tio Mois�s vai conseguir uma casa e voc� vai voltar a trabalhar?

Sim, claro, claro. Mas neste momento temos que pensar em Karl.

Eu estarei bem.

Continue estudando m�sica Anna, e ajude sua m�e.

Rudi, talvez devesse voltar a estudar, a vida n�o acabou...

com o futebol, voc� tem que se preparar para uma carreira.

Eu sei papai, eu tentarei.

Inga.

Nunca poder�o nos vencer o tempo nos dar� raz�o.

Lembra o latim, Berta: "amor omnia vinci",

O amor sempre vencer�.

O trem especial com os deportados para a fronteira da Pol�nia sair�...

imediatamente. Todos os passageiros devem se apresentar, na porta...

principal, os documentos ser�o verificados no trem. Os que...

n�o tem ordem de deporta��o ser�o retirados do trem.

As fam�lias dos deportados devem se manter atr�s...

das portas principais. Cada passageiro s� poder� levar...

uma maleta com seus pertences. Mantenham-se em fila,...

-Doutor Weiss. -Senhor Lowy.

O senhor tamb�m? Creio que veio a maioria de n�s.

Conhece minha esposa? -Encantado senhora.

Esta vendo, Berta? Sou o �nico m�dico que � deportado com sua pr�pria...

equipe de pacientes. -Os passageiros desde a letra...

A at� o G, dever�o subir no trem pelo port�o 3. Da letra H a...

M pelo port�o 5. Da letra N a S port�o 4. Da letra T a ...

Z port�o 6.

Dev�amos ter fugido. Nunca far�o isso comigo.

Voc� � t�o tolo! O que voc� far� quando forem procur�-lo?

Como fizeram com Karl e com papai -Eu lutarei.

Vamos embora.

L� no final.

Bom dia, sou Weinberg, de Bremen.

Weiss, Berlim.

Agrade�a por estar aqui, que faz calor. La fora...

n�o viveria nem duas semanas. � alfaiate?

Artista. Fa�o alguns desenhos em tecidos por isso me...

mandaram para o dep�sito de roupas. Diga-me...

algu�m j� fugiu daqui? -Trabalhem, nada de conversas.

Como vou ensin�-lo?

Comece pelo lado esquerdo. Um modo para...

diferenciar os prisioneiros: tri�ngulo roxo, prisioneiros...

pol�ticos. Em outras palavras, quem n�o concordar com eles.

Verdes, deliquentes comuns. Talvez tenham contado uma piada...

sobre Hitler. P�rpura, Testemunhas de Jeov�. Negro, os que eles...

chamam de elementos in�teis: vagabundos, meliantes. Rosa, homossexuais.

Marrom para os ciganos. -Ciganos?

Buchenwald est� cheio de ciganos, ajustar�o suas contas com Deus.

Ontem dois deles foram enterrados vivos. Cortaram...

suas l�nguas e penduraram como salsichas.

-J� sei para quem s�o estes. -Para os judeus.

-E estes? -Doidos, mong�licos,

doentes mentais. -Quais crimes eles cometeram?

S�o in�teis. Deveria ver os guardas quando se ocupam...

deles, golpes, patadas. -Weinberg, n�o posso acreditar.

Por que n�o? Existe um lugar para onde levam os loucos, lun�ticos,

deportados, inv�lidos. S�o mortos com g�s.

-G�s? -Menos conversa e mais trabalho.

Boa m�sica. Meia Filarm�nica de Berlim est� aqui. Os judeus.

Diatermia, mesa de luz,

autoclave, medicamentos.

Aqui est�o as chaves, doutor. Cl�nica, garagem,

porta principal e porta de servi�o. -� muito gentil, senhora Weiss.

Sinto n�o poder dizer o mesmo de sua gente.

Lamento o modo como isso foi feito. Conheci...

profissionalmente o seu marido.

Antes de o senhor tir�-lo do Hospital Geral.

Outros tempos, outros costumes, senhora Weiss.

Quanto � indeniza��o, quando receberemos?

-O partido est� analisando seu caso. -Estaremos neste endere�o,

aos cuidados da fam�lia Helms, caso tenha alguma not�cia.

N�o v�o nos procurar, mam�e. Tomaram nossa casa e a cl�nica do papai.

Vamos, mam�e. -Um momento, Rudi.

Mam�e, podemos levar o piano?

Talvez depois, Anna. N�o temos muito espa�o.

Realmente, agora devemos ir embora. -J� sei! Vamos tocar...

o "Lorelay". Cantamos no casamento de Karl e Inga. Lembra?

Vamos.

Rudi, diga a seus av�s que j� estamos saindo.

Sim, mam�e.

Vov�, vov�, temos que ir.

Vov�?

VIENA

-Bem, quem quer outro refrigerante? -Digam "n�o, obrigado...

comandante Eichmann". -N�o, obrigado comandante Eichmann.

Mam�e, podemos montar nos cavalinhos?

Com tantos refrigerantes e past�is, v�o revirar o est�mago.

Se passarem mal talvez o comandante nos consiga m�dico.

Quer que eu os acompanhe, Marta?

N�o, deixe que eu os levo. Fique olhando, meu est�mago pode n�o resistir.

Desculpe.

Vamos, mam�e!

Sua esposa est� doente?

Tem um sopro no cora��o. Se cansa facilmente, mas est� bem.

Uma mulher encantadora. Ah! Sempre me agrada quando vejo o modo...

de vida dos berlinenses. Programa��o de trens, dep�sito,

procedimentos. Agora que tomamos a Tchecoslov�quia,

existem outros 250.000 judeus para voc� se preocupar.

Dizem que o senhor obt�m �timos resultados e sem tumultos.

Uma quest�o de organiza��o. Ficaria surpreso em saber que...

l�deres judeus colaboram. O mel atrai as moscas, n�o o alho.

Isso e a obedi�ncia �s ordens que recebo.

Voc� fala franc�s. -Sim, como sabe disso?

Eu li seu curr�culo. Procuro ler todos eles.

Seu pai Karl Dorf, padeiro, suicidou-se em 1933.

Disparou um tiro com uma Luger aparentemente era socialista.

Estou impressionado.

Ir� se acostumar, Dorf. Espionagem, contra-espionagem, assim sobrevivemos.

N�o tenho a inten��o de sobreviver assim.

Como, ent�o?

-Obedecendo a ordens, como o Senhor. -Excelente. Entretanto...

sempre � uma boa id�ia conhecer os pontos fracos.

Inclusive Heydrich teve problemas, dizem que existe um judeu...

em sua �rvore geneal�gica. -N�o acredito.

Procurou os tribunais para acabar com os rumores.

Antepassados suspeitos. Pelo menos, � o que dizem.

-Me pergunto o que dir�o de mim. -Trabalhador, ajudante...

inteligente do chefe da GESTAPO e do servi�o de seguran�a.

Os relat�rios de Heydrich est�o muito mais leg�veis desde que...

voc� come�ou a redigi-los. Reassentamento, recoloca��o, redefini��o...

do problema judio. Magn�ficos sin�nimos para enganar os hebreus....

e privar-lhes de seus direitos.

Sempre gostei de provocar a risada de um companheiro de farda.

-Ficou constrangido? -N�o estou constrangido.

N�o � necess�rio. Todos temem Heydrich: Kimbler, G�ring, Goebbels.

�s vezes penso que at� mesmo o F�hrer.

Heydrich tem um dossi� de cada um.

Vamos, mam�e!

� muita emo��o para eles e para mim.

Marta, creio que dever�amos ir para o Hotel descansar.

-Vamos outra vez nos cavalinhos? -N�o, Peter.

-Tem certeza que quer ir? -Sim.

-Deixe que eu levo. -Obrigado.

-Papai, depressa, vai come�ar. -Muit�ssimo obrigado comandante,

por este maravilhoso dia. Nunca o esqueceremos.

Estou t�o feliz quanto voc�s. Seu marido � um homem de sorte.

Eu sei. Tendo chegado t�o longe em seu trabalho, com a...

confian�a de Heydrich e a sua.

Sorte por ter a esposa que tem, pelos filhos preciosos. Isso � o que...

realmente significa Alemanha: Propriedade, fam�lia, honra.

E pensar que tive que empurr�-lo para que entrasse na pol�cia.

Mudou, tal como n�s mudamos no servi�o. Uma nova ordem,

principalmente para nossas crian�as.

Mam�e!

A FRONTEIRA ALEMANHA-POL�NIA

Judeus.

Alto!

Coloquem as malas no ch�o, esvaziem os bolsos.

S� podem sair da Alemanha com 10 marcos.

Os judeus roubaram o povo alem�o e reclamamos...

o dinheiro em seu nome. -Simples canalha.

D�-me o dinheiro.

Muito bem.

Que � isso? -Um presente de minha esposa quando...

formei-me em medicina. -Isto n�o � importante...

para os porcos poloneses. Eles n�o sabem o que � m�dico.

Podem abrir! Vamos andando. Os familiares juntos.

Vamos, vamos. E em sil�ncio. � proibido falar.

-Tem fam�lia aqui, doutor? -Sim, escrevi ao meu irm�o.

-� proibido falar! -� farmac�utico em Vars�via.

Minha mulher e eu n�o temos nenhum.

Mostrem os documentos, certificados de nacionalidade.

Vamos, vamos. Deixe-me ver seu passaporte. Muito bem, ande.

-Josef, voc� veio. -Moses.

-Como foi a viagem? -Bem, n�o foi...

nenhum Orient Express. Desviaram-nos v�rias vezes.

Poeira, a maldi��o da Pol�nia Em sua carta n�o dizias muito.

mas temos escutado coisas ruins. -Karl continua na pris�o.

Nem disseram onde ele est� -Sim, eu sei.

Alguma not�cia de Berta?

Creio que est� me escondendo alguma coisa.

Berta ligou para mim ontem � noite.

Sim?

Os Palitz morreram. Os velhos cometeram suic�dio.

-Santo Deus! O que disse Berta? -Disse que morreram em paz.

Lamento que seja eu a dizer.

Pobre home, t�o orgulhoso de ser alem�o.

E ela, uma senhora t�o distinta. N�o lhe deixaram nada, Moses.

Eu ouvi dizer que as coisas v�o melhorar de agora em diante.

Pouco a pouco deixam os judeus, de vez em quando abrem as pris�es.

Venha comigo para Vars�via. Tenho procurado trabalho para voc� em...

um hospital e em minha casa voc� ter� um quarto, se n�o se importa...

viver em cima da farm�cia. A esta��o n�o est� muito longe.

N�o, deixe que eu levo. Pegaremos o trem para Vars�via e...

aqui est� o nosso almo�o. -Como nos velhos tempos.

Lembra quando �amos pescar?

Pesc�vamos muitos peixes mas com�amos muito sandu�ches.

Doutor,

Ouvi tudo. Eu sinto muito. Conhecia o senhor Palitz,

era um aut�ntico cavalheiro. -Obrigado, senhor Lowy.

Meu irm�o Moses. Um de meus pacientes, o Sr. e a Sra. Lowy.

Bonito modo de nos conhecermos, entre a Alemanha e a Pol�nia.

N�o marcam as estradas em Km, e sim com anti-semitas.

Doutor, venho pensando. Minha mulher e eu n�o temos...

para onde ir, todos nossos parentes foram mortos.

Importa-se se formos com voc�s? Nada de caridade, sou um gr�fico.

Seria maravilhoso estarmos junto a pessoas que conhecemos.

-Bom, Vars�via n�o � um para�so. -Faz muito tempo que...

renunciamos o para�so. Nos conformamos com uma cama e...

uma x�cara de ch�.

� claro, venham conosco. Vamos.

Deixe que eu levo a mala.

- LEGENDA REVISADA E SINCRONIZADA POR CASATLE -

- FIM DA 1� PARTE -

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