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N�o faz muito tempo, voc� sabe.
As pessoas realmente viviam suas vidas desse jeito.
Isso � t�o est�pido de se falar.
H� um verso antigo de quando era pequena.
Costum�vamos cantar quando est�vamos em seu est�gio evolutivo.
Brilha, brilha estrelinha
Meu pai dirige um carro caindo aos peda�os
Aperta o bot�o do afogador
Desligado, ele vai numa nuvem de fuma�a
Brilha, brilha estrelinha
- Meu pai dirige um carro caindo aos peda�os. - O que � um carro caindo aos peda�os?
Coisas que eles costumavam ter antes de ficarem s�bios.
Voc� � jovem demais para saber sobre essas coisas.
N�o, n�o sou n�o.
Eu sou um menina crescida.
Claro, voc� � uma menina crescida, mas n�o pode saber de tudo ainda.
Mas o lance do verso...
� o que aconteceu depois.
- O que aconteceu depois? - Olhe.
Olhe l� em cima.
� o Cruzeiro do Sul.
Aquele conjunto de 5 estrelas l�.
A pequena � Epsilon.
Qual pequena? N�o consigo ver.
� a quinta, a que n�o � t�o brilhante como as outras quatro.
Aquela � Epsilon.
Eu a vejo.
Eu n�o consigo.
- O que ela tem de t�o especial? - Estou tentando lembrar.
Quarenta anos � muito tempo.
Eu o conheci numa noite como esta.
Sem lua, fria e clara.
Ele era apenas um homem vagando pelo deserto,
muito longe de qualquer lugar.
Andando, vagando.
Tinha caminhado por v�rios dias.
Ele se deparou sem querer com o meu acampamento.
Eu lhe dei algo pra comer e pra beber...
e ele me contou a hist�ria mais fant�stica.
De como ele passou vagando a ermo durante todo esse tempo.
"Come�ou", disse ele, "algum tempo atr�s."
Dias, semanas, meses, anos at�.
Ele n�o podia dizer mais.
Come�ou quando "ela" desceu � Terra.
Ela... da Epsilon.
Disse que ela n�o sabia.
Que n�o sabia onde estava...
e inclusive de como foi parar ali.
Tudo era estranho para ela.
O cheiro.
O lugar.
As cores.
A luz.
Ela foi abandonada num lugar que era ao mesmo tempo hostil...
e majestoso.
Tudo era estranho para ela.
O tempo passou.
O movimento do sol e das nuvens.
A lua e aquelas estrelas que se pareciam.
Nada fazia sentido.
Que lugar era este que ela tinha ido parar?
Essa � uma hist�ria ver�dica, vov�, ou voc� est� s� inventando?
Tenho apenas a palavra nisso.
Mas eu acreditei nele.
- Eu acreditei nele. - O homem que vagava?
O homem que vagava.
"Os dias eram como minutos para ela", dizia ele.
O tempo n�o significava nada.
Por dias e minutos, ela olhava em volta.
Olhava em todos os lugares sem se mover pra qualquer lugar.
Ela ainda n�o conseguia descobrir onde estava.
At� ent�o, ela n�o sabia o que lhe havia acontecido.
Por que ela simplesmente n�o voltou para Epsilon?
N�o era t�o f�cil, minha filha.
Ela desejava voltar para Epsilon,
mas n�o tinha como saber aonde ficava Epsilon...
Ou como se chegava l�.
Ela estava perdida.
N�o exatamente perdida num lugar,
mas perdida em todo o universo.
Ela ficou parada.
Ficou parada mais outro dia e mais um outro minuto...
na mesma posi��o,
mas em outro lugar, olhando.
Olhando em toda parte e pra todo lugar.
Debaixo de um sol alien�gena.
Debaixo de estrelas estrangeiras.
At� que, finalmente, ela voltou ao lugar de onde pousou...
e viu a fogueira dele,
e o viu.
O homem vagando?
Ele era um homem normal acampado no deserto.
Mas ele estava al�m daquele estranho tempo dela.
Para ela, ele parecia...
algum tipo de inseto.
Parecia um inseto humano.
Vov�, isso � assustador.
N�o � exatamente assustador. � mais estranho do que assustador.
- O que aconteceu ent�o? - Ela apenas mudou o tempo.
E foi direto at� o seu acampamento.
Ol�, bom dia.
- Aonde estamos? - Ol�, aqui... no mato.
Voc� n�o tem nada aqui...
- Aqui n�o � Epsilon, n�o �? - N�o, n�o. Eu acho que n�o.
- Aqui. � melhor voc� vestir algo. - Onde?
Eu acho que estamos em algum lugar da Dumbulga Station.
Eu n�o conhe�o isso.
Que sistema estelar � esse?
Voc� est� bem? Aqui, vista isso.
Ficarei bem quando souber aonde estou.
Eu n�o reconhe�o essas estrelas.
Voc� poderia por favor me dizer em qual sistema estelar n�s estamos?
Eu sou um agrimensor, n�o um astr�nomo
Por favor, vista isso. N�o estou conseguindo continuar com essa conversa.
- Como � que vai ajudar? - � s� fazer assim, ok?
N�o tem nada a ver, mas isso vai te ajudar a falar coisa com coisa, ok.
- Coordenadas. - Oh, os bot�es tamb�m.
Eu n�o sei do que voc� est� falando.
- De onde voc� veio? - Vim de Epsilon.
Onde fica Epsilon?
� isso que eu estou tentando descobrir.
Isso n�o parece estar te ajudando, de jeito nenhum.
Vamos come�ar de novo.
Onde... n�s... estamos?
Qual... sistema... estelar?
Dum... bul... ga...
Station, aqui na Terra.
- Voc� disse "Terra"? - sim.
Voc� quer dizer... o planeta Terra?
Vou colocar a chaleira no fogo. Tomaremos uma boa x�cara de ch�.
Voc� � um idiota.
� um maldito idiota est�pido. Como p�de?
Como voc� p�de cometer um erro t�o est�pido?
- Esse del�rio dele � uma brincadeira? - Ei! Ei!
N�o chegue perto de mim, voc� � um exterminador!
Voc� � louco! Louco!
Fazem suas imund�cies e vivem nelas.
E devastam e se reproduzem, e destroem...
e devoram tudo!
N�o chegue perto de mim, seu, seu... pe�onhento!
Me levem embora deste planeta vil!
Pobre homem. Acho que ele ficou mais confuso do que ela.
Ele concluiu que ela devia estar de alguma forma mentalmente perturbada.
E ficou muito cauteloso com o que dizia depois disso.
Era um desenho lindo, n�o era?
Ovos, eu quero dizer. Bem, de formato arredondado.
De um tamanho conveniente.
Voc� n�o vai come�ar de novo?
A pr�pria Natureza, em pequenas embalagens inteligentes.
O seu carro quebrou?
Experimente sangue de boa qualidade. Tamb�m � nutritivo.
N�o vou muito atr�s de todas aquelas teorias sobre colesterol.
Ficou sem gasolina, talvez?
Bem, isso acontece, voc� sabe.
Voc� tem que cozinh�-los certo, entretanto.
A consist�ncia da gema, � a chave.
Voc� fugiu de algu�m?
� compreens�vel,
as coisas que as pessoas fazem em alguns desses lugares.
T�o bom,... mas nem t�o mole.
E a clara tem que ser firme.
Nunca ouvi sobre ningu�m que descesse das estrelas antes.
De como voc� gosta do seu? Ei!
Igual ao meu?
- voc� tem que me ajudar a ir embora. - Eu? De onde?
Daqui. Fora daqui. Da Terra.
- Oh, voc� quer dizer deste planeta vil? - Isso.
Olhe bem para mim.
- � assim porque voc� � como um sapo. - Oh, entendo.
Voc� n�o v� nada. Alguma vez voc� j� cozinhou uma sapo vivo?
Por que eu faria isso?
Voc� poderia aprender alguma coisa.
Quando voc� solta um sapo em uma panela com �gua fervendo,
ele vai pular pra tr�s para se salvar.
Mas se voc� colocar um sapo numa panela com �gua fria
e esquent�-la lentamente,
ele vai nadar em volta muito feliz, at� que a �gua fique muito quente...
e o mate.
E a�?
Voc� � um representante do n�vel de intelig�ncia daqui,
ou � um est�pido em particular?
Na m�dia, eu diria.
Este lugar � pior do que eu pensava.
O que aconteceu com o segundo sapo, � o que est� acontecendo com voc�s aqui...
neste minuto.
E eu quero ir embora antes que a �gua ferva.
Seus ovos est�o queimando.
Ele tinha o in�cio de um problema real em suas m�os.
Ovos?
Ele n�o queria nada mais do que se livrar dela,
mas ela n�o mostrava sinais de partir.
Fiz mais alguns ovos pra voc�. Est�o perfeitos.
E ele n�o conseguia descobrir dentro de si em como se desfazer dela.
Ele come�ou a imaginar como deveria ser o seu plano de a��o.
Ele n�o precisa ter.
Em breve eventos em espiral fora de seu controle.
O que � isso?
Bacon.
- Voc� quer dizer porco morto. - � bacon.
Por que voc� n�o chama de "porco morto" se sabe que � disso que se trata?
Por que voc� n�o me deixa desfrutar do meu caf� da manh�?
Como voc� consegue fazer isso?
Fazer o qu�?
Comer porco morto.
� repleto de recursos.
� cruel ao extremo, e � sintom�tico...
- de uma sociedade imatura e egoc�ntrica. - � muita express�o empolada.
Oh.
Em poucas palavras, isso significa que voc�s s�o uns b�rbaros.
Estou indo.
Te levarei � cidade mais pr�xima, cerca de duas horas daqui.
Ou pra cidade se voc� estiver indo longe. Isso � o melhor que posso fazer.
Nada mau para um sapo.
N�o sei o que n�s vamos fazer com as roupas.
N�o iremos pra cidade. H� muitas pessoas. Eles nunca v�o me achar.
Por mim tudo bem.
Eu estou indo pra cidade, voc� pode fazer o que quiser.
Est� indo nisso?
N�o, tem um helic�ptero chegando em 5 minutos.
Essas coisas s�o muito primitivas,
as coisas mais sujas e gananciosas j� inventadas.
Eu n�o vou ser uma c�mplice no assassinato deste planeta
Sai fora disso! Voc� � louca, sabia disso?
Completamente louca! Estamos a quil�metros de qualquer lugar. Quil�metros!
Vem bater no meu acampamento, perturbar a minha paz,
empresto minhas roupas, voc� n�o comeu meus ovos e agora arru�na o meu caminh�o!
Desculpe.
Desculpe.
Desculpe por perder minha paci�ncia assim.
N�o quis dizer que � louca.
� s�, eu s� terminei de quit�-lo m�s passado.
T� tudo bem. � bom ceder �s suas emo��es.
- Voc� realmente gosta dessa coisa, n�o gosta? - Sim,
trabalhei muito pra isso. Bem, os mec�nicos.
O chassi depois.
E voc� realmente gosta daqui, n�o gosta?
Sim, � um dos meus lugares favoritos.
Olha, me desculpe por te agredir assim.
Eu quero te mostrar uma coisa.
Olhe para l�.
V� a contradi��o?
Esse foi um truque muito bom.
- Como voc� faz isso? - Eu sou de Epsilon.
Desculpe, eu sempre duvidei disso.
Estamos realmente aqui, ou apenas pensamos que estamos aqui?
Estamos aqui de verdade.
Ele foi finalmente obrigado a admitir para si mesmo...
que ela poderia, afinal de contas,
ser quem tinha dito que era.
� uma maneira de viajar bastante �til.
N�o era a �nica surpresa que ela tinha pra ele.
Tava achando isso um pouco dif�cil de engolir.
- Um paradoxo ador�vel, n�o �? - O qu�?
Quanto mais devagar eu vou com voc�, mais r�pido as coisas parecem andar.
Voc� vive sua vida muito apressadamente.
Mais tarde, ele foi dizer que nestes primeiros momentos com ela...
ele se sentia curiosamente sereno,
como se descobrisse este outro mundo...
N�o foi diferente de visitar um lugar novo ou outro pa�s.
Eu acho que a realidade era de alguma forma um pouco diferente...
de sua mem�ria disso.
T� ficando bolado!
Esses conceitos s�o obviamente muito pro seu intelecto incrivelmente limitado.
N�o t� falando disso.
T� ficando bolado com o que t� acontecendo comigo.
- Voc� n�o t� no ponto, est�? - Estou no ponto, ok.
� s� o meu c�rebro, que � um pouco lento pra pegar.
Qu�o sagaz voc� �.
N�s estamos num lugar num segundo,
e a� n�s aparecemos em outro lugar completamente diferente no mesmo segundo.
Ent�o tudo se acelera, e fica escuro e vamos pra mais outro lugar,
e eu mal sei quem eu sou inclusive!
N�o precisa gritar.
- Onde estamos? - Ainda estamos aqui.
- Ainda onde? - Ainda na Terra.
As estrelas! As estrelas est�o se movendo.
As estrelas n�o est�o se movendo.
Isso � a sua Terra girando.
Oh.
Eu sabia disso.
Olhe.
Ela voltou com ele para onde havia come�ado
Mas ele n�o sabia mais quando nem como
ou mesmo se estava realmente l�...
ou em algum lugar estranho em sua mente.
Onde o meu caminh�o foi parar?
Voc� nem acabou de chegar ainda.
Como vou chegar se meu caminh�o quebrou?
Pensei que estaria �bvio para voc� que eu j� o tinha quebrado.
N�o t�o �bvio.
� melhor voltarmos para o presente.
Se estivesse aqui antes de ter chegado aqui,
eles n�o estariam procurando por mim ainda.
E quando mais tarde eles procurarem,
n�o estarei aqui para eles me encontrarem.
�?
�!
E ent�o ele come�ou a pensar sobre o que realmente estava acontecendo consigo.
Isto � incr�vel!
E o que isso poderia significar pra ele se n�o estivesse delirando.
Ele teve uma ideia, veja voc�.
Ser� que � poss�vel estar acontecendo isso comigo?
- O qu�? - Voc� sabe.
� apenas um tipo de viagem instant�nea de um lugar para outro
onde quer que eu imagine ir.
Duvido que voc� tenha a capacidade mental de aprender a fazer voc� mesmo sozinho.
Pensei que estivesse ficado claro pra voc� que eu n�o disse que faria sozinho,
mas � poss�vel?
- Por que, voc� gostaria? - � que me passou pela cabe�a.
Eu acho que sim, enquanto voc� estiver comigo.
Ok. Ok, vou tentar.
Me d� essa m�o. Vai valer a pena.
- N�o olhe. - N�o.
Aonde estamos? Dever�amos estar em outro lugar.
voc� quer dizer l�?
Chegamos perto n�?
Nada mau pra primeira vez. Agora verei se podemos chegar mais perto.
- Nada aconteceu. -Isso � porque eu n�o quis ir l�.
T� brincando? Ali � Las Vegas!
Eu sempre quis ir a Las Vegas. Eu tinha um esquema.
Voc�?
Bem, v� ent�o.
Tchau!
Divirta-se.
Bem, v� ent�o.
Ao tempo normal, quero dizer.
Use o seu c�rebro.
Certo.
Boa sorte!
Ele admitiu que seu primeiro pensamento foi...
de como ele, si mesmo, poderia se beneficiar com essa...
rela��o incomum.
Uma noite no lugar mais ganancioso da Terra, no entanto,
seria suficiente para cur�-lo de tais ideias
Por um momento ele considerou encontrar seu pr�prio caminho de casa.
Mas a fascina��o da oportunidade era muito forte,
e ele se viu voltando pra ela.
Me desculpe, fiquei te esperando muito tempo.
N�o foi nada, s�rio.
Tivesse eu tempo pra isso!
- Eu tava num enrosco. Foi maneiro. - Seu esquema funcionou?
Bem, ele funciona. S� que dessa vez n�o.
Legal, hein?
A vida � uma longa busca por divers�o.
Algumas pessoas jamais v�o encontr�-la.
N�o critique quando algu�m conseguir.
- Ah t�. Ent�o voc� realmente pensa! - �.
Sobre a vida, quero dizer.
Eu apenas n�o dou bola pra essas coisas, s� isso.
Eu entendi sua quest�o. Os caminh�es, o engarrafamento.
� s�... n�o h� respostas f�ceis.
Ele estava certo.
N�o existem respostas f�ceis.
Mas ela estava determinada a induzi-lo a pensar sobre as quest�es.
O que voc� v� l� embaixo?
Uma cidade coberta de fuma�a.
Dez milh�es de sapos fervendo lentamente at� morrer.
Para mim �
inimagin�vel que pessoas como voc� optem por viver assim.
H� dez milh�es de pessoas l� em baixo.
Elas tossem, reclamam, suas crian�as ficam doentes.
Aqui na Terra voc�s t�m uma express�o.
"Enfiar a cabe�a na areia." A mentalidade do avestruz,
pois � isso que os avestruzes fazem pros problemas desaparecerem.
No resto do universo, temos uma express�o que significa quase a mesma coisa.
E � "Respirar o ar podre."
Se n�s dissermos que algu�m est� respirando o ar podre,
queremos dizer que esse algu�m tem a mentalidade da Terra.
� quase o pior insulto que voc� pode fazer a algu�m...
porque ter a mentalidade da Terra � a �nica coisa...
que � verdadeiramente imperdo�vel no resto do universo.
Podemos ir para outro lugar, por favor?
Em algum lugar onde eu possa ver algumas estrelas.
Ele sabia que a esta altura...
que nada em sua vida jamais seria igual.
Eu me sinto melhor agora.
O que voc� quis dizer com o resto do universo?
Voc� sabe o que se entende por "formas de vida inteligentes"?
Claro que sim.
- Bem, voc� n�o � uma dessas. N�o?
N�o s� voc�.
A ra�a humana n�o � considerada em termos universais,
uma forma de vida inteligente.
- E suponho que voc�s s�o muitos? - Sim, claro.
Uma de v�rias.
Ela come�ou a falar com ele.
Falar de como as formas de vida inteligentes no universo...
chegaram a conclus�o de que a Terra passou dos limites.
A Terra provou ser ela mesma a mais irracional de todos os lugares conhecidos,
o menos disposto a escutar as coisas mais �bvias.
Ele negou, � claro.
Mas quando ela disse que a Terra j� havia sido deixada pra se destruir a si mesma...
por suas pr�prias m�quinas,
ele ficou em sil�ncio.
"Por que, ent�o, que ela tinha vindo aqui?", ele finalmente perguntou.
E ela n�o sabia. Ela n�o podia lhe responder.
Ela pensou que devia ter sido um erro,
e esperava que logo seria descoberta e resgatada.
Sabendo pelo menos, que algo daquilo que ela disse tinha sido verdade,
o fez rir.
Riu em voz alta da reviravolta bizarra em sua vida.
Fico feliz por voc� ser capaz de levar isso com t�o bom humor.
Voc�s terr�queos sempre foram excepcionalmente bons em negar a realidade.
Eu acho que dev�amos estabelecer um relacionamento.
Se importaria?
Dem�nios. Pe�o perd�o.
Sinto a necessidade de ter um relacionamento.
Em todo caso estamos juntos,
ent�o � perfeitamente l�gico estarmos tendo um relacionamento
- Mal nos conhecemos um ao outro. - Isso � bastante f�cil, na verdade.
Trataremos cada um com respeito e gentileza,
e teremos um relacionamento.
- Exatamente assim, hein? - Isso � t�o dif�cil?
N�o, n�o. T� legal assim.
Algumas regras b�sicas devem ser seguidas.
Diga o que pensar, pense no que dizer.
N�o fique ofendido por nada que eu diga ou fa�a,
independentemente de qu�o duro possa ser pra voc�...
at� depois de termos concordado em terminar o relacionamento.
N�o retenha seus sentimentos,
concorde para discordar,
respeite ponto de vista do outro.
Isso � o que vai ser mais dif�cil pra mim. Ok?
- Parece bastante f�cil. - Caramba!
Isso est� decidido ent�o.
Se estamos tendo um relacionamento,
eu acho que voc� deveria colocar sua blusa pra dentro.
Se � isso que gostaria... querido.
Isso tudo t� indo um pouco r�pido pra mim.
Voc� se importaria de n�o usar essa palavra
at� que o nosso relacionamento esteja pouco mais estabelecido?
- Claro. - Obrigado!
- Vamos nessa. - E foi assim que eles come�aram.
Mas o desenrolar n�o se mostrou de acordo com as expectativas dele.
Aonde estamos agora?
Ainda no mesmo lugar.
� �bvio que estamos num lugar diferente
N�o consigo ver a diferen�a.
Voc�s epsilonianos certamente tem uma maneira diferente de ver as coisas.
N�s n�o, voc�s � que est�o fora do compasso.
Com o resto do universo?
- Isso n�o afetar� o nosso relacionamento? - N�o, n�o tem nada a ver.
- Pode me emprestar seu cinto? - O que meu cinto tem a ver com isso?
Obviamente voc� me acha atraente.
Ent�o pra ajudar neste come�o de nossa rela��o,
Eu gostaria de colocar seu cinto em minha cintura pra acentuar minha silhueta feminina.
Quando voc� olhar pra mim, e voc� faz com muita frequ�ncia,
o sinal pro seu c�rebro ser� mais forte,
o que significa que sua libera��o de horm�nio ser� maior.
Assim, a rela��o vai melhorar... do seu ponto de vista, em todo caso.
N�o sei o que isso tem a ver comigo.
O cinto?
� sobre sentimentos?
Estou falando de coisas muito mais poderosas que sentimentos.
T� falando de horm�nios.
Nunca penso muito sobre eles em mim.
Voc� se importaria de n�o fazer isso sem me avisar?
� muito desconcertante.
Voc� vai se acostumar com isso.
Devo dizer, que � a �ltima coisa que algum dia imaginei.
Ter um relacionamento com um terr�queo.
Deve ser por causa de seus poderosos horm�nios,
tendo que aturar um b�rbaro comedor de porco.
- Voc� � estranho. - Exatamente o que eu queria ouvir!
Finalmente comecei um relacionamento, e ela acha que eu sou esquisito.
Quantos avisos voc� quer?
Ok.
- Aonde estamos agora? - No mesmo lugar.
N�o, n�o estamos n�o. Estamos em algum lugar diferente.
Estamos no mesmo lugar, ainda na Terra.
Sim, mas aonde na Terra?
Voc� acha que essas �rvores est�o tentando morrer por si mesmas?
Que elas apenas decidiram crescer e morrer sem uma boa raz�o?
Bem, e voc� acha?
Ou voc� n�o pensa sobre isso?
Talvez elas tenham contra�do um fungo ou algo assim.
Talvez voc� tenha contra�do um fungo em seu c�rebro.
Ele sabia que n�o era um fungo.
Ele sabia porqu� as �rvores estavam morrendo.
Igualzinho a tantas pessoas naqueles dias,
ele n�o queria admitir que sabia.
Ele teria se condenado, toda sua forma de viver,
seus amigos, seus vizinhos.
No fundo, ele sabia que tinha matado aquelas �rvores
tanto quanto qualquer outra pessoa, que tamb�m tem matado aquelas �rvores...
embora ele jamais as tenha visto,
e jamais tocado.
Mas mesmo assim, pra ela, ele n�o podia admitir isso.
Ent�o n�o me pergunte "Aonde na Terra?"
- � tudo o mesmo lugar. - Certo.
O que voc� est� fazendo?
O que voc� est� fazendo?
O que voc� est� fazendo?
- Olhando por sapos. - Ah.
V� algum?
Ainda n�o.
Por que voc� est� procurando sapos?
Sapos s�o o term�metro da sa�de de um lugar.
Pensei que talvez voc� fosse ferver um pra mim.
- Por que, gostaria que eu fizesse isso? - Eu poderia aprender alguma coisa.
Ei!
Nenhum sapo por aqui.
Ela podia ter um senso de humor...
coisa que ele j� tinha esquecido.
Ela come�ou a... balan��-lo.
Ele come�ou, � sua pr�pria maneira,
a se abrir para ela.
Meu rel�gio est� se comportando muito estranho com todos esses saltos pra l� e pra c�.
E eu n�o quero uma aula sobre o tempo.
S� t� falando, s� isso.
� estranho pra mim, � isso.
Isso � legal pra voc�.
T� ficando totalmente apaixonado por voc�, voc� sabe.
Isso deve ser ainda melhor pra voc�.
H� algo que tenho tido vontade de perguntar.
H� algum, tipo, limite em nossa rela��o?
- O que quer dizer com limites? - Bem, limites, sabe?
Como... por exemplo, limites f�sicos.
Eu n�o sei se te conheci h� 5 minutos ou h� uma semana, meu rel�gio t� biruta.
Mas eu achei que n�o faria mal perguntar, sabe?
Diga o que t� querendo e tudo mais.
O que voc� quer dizer?
Bem... voc� sabe.
Se aquela ideia sua de dizer o que quiser,
independentemente deste lugar estar em tamanho caos.
- Sabe onde estamos agora? - N�o, mas sim.
Sim, eu sei.
- Aonde elas est�o? - Quem?
- As pessoas que viviam aqui. - Ningu�m nunca viveu aqui.
- Eles viveram, sabe. - Bem, n�o vivem agora.
Eles ficaram juntos no limiar do mundo em outro tempo,
um agrimensor solit�rio e uma mulher de outro planeta.
Nesse momento, ele disse,
que se sentiu t�o pr�ximo de outro ser humano como jamais esteve.
S� que ela n�o era na verdade um ser humano.
Ela era de Epsilon,
e achava que os seres humanos eram tolos, rid�culos, desarrazoados.
Ele n�o deixou o seu ser humano det�-lo.
Ele foi ficando encantado com ela.
Pode devolver o meu cinto?
N�o.
- Por que voc� quer que seu cinto de volta? - S�o meus horm�nios.
Sua forma de viol�o t� deixando eles loucos.
E voc� n�o respondeu minha pergunta sobre os limites f�sicos.
- Voc� t� esquisito. - N�o diga isso!
Por que n�o? N�o h� nada de errado em ser esquisito.
Tem sim, quando estou tentando n�o ser.
Estamos num relacionamento. Voc� n�o tem que tentar ser nada.
N�o gosto de ser considerado estranho quando estou num relacionamento.
Mas voc� �.
- Isso sempre acontece comigo. - O qu�?
As mulheres tendem a pensar que eu sou o seu melhor amigo em vez de...
Voc� sabe.
N�o, eu n�o sei. Diz a�.
Eu tive uma namorada uma vez.
No final das contas terminamos.
Uma semana depois ela voltou pra me visitar, ver se eu estava bem.
Ela se sentou na mesa da cozinha e disse que tinha um namorado novo.
"Quanto tempo isso tinha acontecido?" Eu perguntei. Ela disse: "Uma semana."
"Foi r�pido, n�o �? N�s terminamos s� h� uma semana. Ele gosta de qu�?"
Ela disse que ele n�o era t�o bom quanto eu, e isso me fez sentir melhor.
Mas que ele era um namorado melhor, o que me fez ficar p�ssimo.
"O que quer dizer com isso?", perguntei.
Ent�o ela disse que gostou dele.
Fiquei s� olhando pra ela. Tava com o cora��o partido.
Ela me entendeu mal e pensou que eu n�o sabia do que ela estava falando.
Ent�o ela disse "voc� sabe, voc� tamb�m era bom em me excitar na cama."
A� falei, muito irritado "O que voc� quer? Um animal?"
E ela respondeu, "sim."
Relacionamentos interessantes que voc�s t�m aqui.
- S�o todos assim? - Normalmente s�o bem mais complicados.
Mais complicados?
Oh.
Espero que voc� n�o tenha a expectativa que o nosso seja algo assim.
Eu n�o.
Ficar dentro das regras b�sicas, iremos evitar esse tipo de problema.
Vamos.
Ent�o n�o se sinta ofendido quando te chamo de esquisito.
Essas regras n�o deveriam ter algum tipo de prioridade?
O que voc� quer dizer? Regras b�sicas s�o regras b�sicas.
Sim, mas se eu disser que fiquei ofendido, t� quebrando as regras...
Porque de acordo com as regras n�o me � permitido ficar ofendido.
Mas se n�o disser que fiquei ofendido, tamb�m quebro as regras...
Porque de acordo com as regras, tenho que dizer o que penso.
Seu poder de racioc�nio � particularmente subdesenvolvido.
Ah, ent�o a culpa � minha de as regras serem inconsistentes.
N�o s�o as regras! � a forma de voc� interpret�-las.
A forma de eu interpret�-las me deixa louco!
Ok. A rela��o vai funcionar se n�s seguirmos as regras, certo?
T� certo.
E voc� est� numa posi��o em que, por causa do que pensa,
est� sendo for�ado a quebrar as regras.
- Exatamente. - Ent�o, mude o jeito de pensar!
Mude a forma de pensar sobre ser chamado de esquisito.
Divirta-se com a ideia. Exalte-se nela.
E a� voc� n�o vai ficar ofendido.
E a� voc� n�o vai quebrar as regras.
Ent�o, voc� acha que eu sou esquisito, n�?
sim, voc� �.
Bem, v� se pode. Eu esquisito!
Voc� �.
Isso � tudo?
O que voc� quer dizer?
Voc� n�o acha que eu sou... muito esquisito?
Voc� sabe, muito, muito esquisito?
Ent�o voc� podia me beijar de novo.
O que estamos fazendo aqui, de repente?
O mesmo que no lugar anterior, o mesmo que em todos os lugares anteriores.
O que � isso?
- Tentando achar lugar pra sair. - Ah!
Me parece...
que aqui foi realmente aonde a dificuldade come�ou.
Ele n�o tinha pensado nisso.
Que ele estava em casa,
mas que ela queria ir pra casa.
Que ele estava onde queria estar,
mas que ela estava num lugar que n�o gostava,
num lugar que n�o tinha futuro pra ela.
Pensei que n�s acabamos de come�ar um relacionamento.
E da�?
Bem, eu s� achava
- N�o gostaria de fugir se tivesse uma chance? - N�o.
- Isso � completamente irracional. - N�o, n�o � n�o.
Por que n�o?
Eu gosto daqui.
Voc� gosta disso aqui.
Voc� gosta disso aqui.
Bem, n�o "daqui" daqui.
Mas, sim, eu gosto daqui.
E qu�o mais distante esse "aqui" ser� aqui?
Eu n�o sei. Mas enquanto for aqui, eu gosto daqui.
Al�m disso, pra onde mais eu iria?
Digo a voc� que poderia ir pra Epsilon.
N�o sei nada sobre Epsilon. Poderia n�o gostar de l�.
Ser� que eles bebem cerveja l�?
- Ser� que eles fazem sexo? - Que pergunta mais est�pida. Claro que fazemos.
Oh! Estava come�ando a pensar que talvez voc�s n�o fizessem.
- E o que te levou a achar isso? - Bem, voc� n�o d� muita pista.
Nem voc�!
Isso � f�cil de consertar. Que tal isso?
- Que tal o qu�? - Isso. Voc� sabe, o que eu disse antes.
- Voc� quer dizer sexo? - Isso.
- Entre n�s?. Que tal isso? - �.
- Vamos fazer. - Vamos fazer o qu�?
Voc� sabe, sexo.
Como far�amos... isso?
voc� quer dizer, como � que vamos come�ar?
Ok, como � que vamos come�ar?
Bem, eu chego mais perto.
- Ent�o o qu�? - Eu chego mais perto ainda.
- � mesmo? Ent�o o qu�? - Eu te beijo.
- N�s j� fizemos isso. - Voc� j� me beijou. Eu n�o beijei voc�.
- Por quanto tempo voc� quer me beijar? - N�o sei. N�o existe limite de tempo.
- E a�? - Ent�o...
Bem, seria apenas uma esp�cie de preliminares de l�.
Preliminares de onde?
Voc� t� fazendo perguntas dif�ceis.
E voc� t� sendo muito t�mido em respond�-las.
Tudo bem ent�o. Acho que eu come�aria tirando sua blusa.
N�o tenho certeza, mas acho que � isso que eu faria.
Quando te encontrei pela primeira vez,
tudo que voc� queria fazer era colocar uma camisa em mim.
e te disse que n�o fazia o menor sentido.
- O que eu fa�o enquanto voc� tira minha blusa? - Voc� tira a minha.
N�o � meio confuso, tirar a camisa um do outro ao mesmo tempo?
Pode ser estranho, mas � o que as pessoas fazem quando est�o prestes a fazer sexo.
- Por que cada um n�o se despe? - Poder�amos.
Mas n�o seria o mesmo.
Isso significaria que � s� sexo e nada mais.
E n�o � disso o que estamos falando? Sexo?
Pode ser do que voc� esteja falando.
N�o � o que eu estou falando.
Ent�o eu n�o tenho a menor ideia do que voc� t� falando.
Vem c�, vamos pra outro lugar.
N�o podemos.
- N�o podemos o qu�? - Ir para outro lugar.
Estamos condenados a ficar sempre no mesmo lugar, sobre a Terra.
Voc� pode ser, mas eu n�o.
Voc� tamb�m poderia enfrent�-lo. Voc� provavelmente vai ficar aqui por um longo tempo.
N�o, eu n�o vou.
Claro que n�o. De jeito nenhum!
Aqui n�o � t�o ruim, voc� sabe.
Tenho uma casinha confort�vel na cidade.
Sei que o ar n�o � perfeito, mas fa�o ficar ok.
Vamos na floresta um pouco. Conversamos com os amigos.
Vamos ao futebol quando pudemos. � um vida boa.
Eu tenho um quarto extra se voc� quiser.
- Uma casinha confort�vel, n�? - �.
Tenho muito orgulho disso.
Quer v�-la?
Ainda n�o.
Ali�s gostaria de ir a um outro lugar agrad�vel.
Como uma �rvore.
- Voc� tem uma �rvore favorita? - Tenho.
Pode me mostrar?
Com certeza.
Mais uma vez, ele ficou completamente equivocado com ela.
s� que desta vez, os acontecimentos que se desenrolaram...
iam repercutir em sua vida para sempre.
Eu morava n�o muito longe daqui quando crian�a.
Vinha at� essa �rvore, e falava com ela.
"Oi �rvore," eu falava.
Dizia a ela como foi legal o que vivi naquele dia,
ou o que estava me preocupando.
Voc� vai achar que isso � bobeira, mas pra mim ela era o irm�o que nunca tive.
Olhe aquela marca ali. � onde a �rvore e eu troc�vamos de sangue.
Coisa de crian�a.
Mas mesmo hoje em dia, eu �s vezes ainda venho aqui.
Voc� tem um machado?
- Aqui n�o. T� no meu caminh�o. - Tudo bem.
S� quero conseguir um.
- Voc� pegou o meu machado! - Sim. Eu disse que o queria.
Por que voc� quer meu machado?
- Pra derrubar sua �rvore. - Voc� n�o faria isso!
Faria? N�o esta �rvore!
Por favor! Qualquer outra �rvore.
Escolha outra, h� uma floresta delas. Por favor!
N�o teve meios de det�-la.
Ela tinha os poderes, a for�a, o machado.
Ele s� tinha tristeza e seus equ�vocos.
Cada golpe dado era como um golpe em seu cora��o.
Mas o mais importante, cada golpe era um golpe em sua apatia,
em sua indiferen�a para com o seu lugar no mundo.
Mas ele n�o sabia.
Ele n�o sabia.
Ele jamais conheceu algu�m como ela.
Algu�m t�o... t�o certa.
Algu�m t�o inabal�vel.
Ele a viu derrubar sua �rvore.
Ele a viu ficar angustiada.
E ele come�ou a compreender algo sobre ela.
Sua solid�o.
Seu isolamento daqueles menos guiados,
aqueles como ele.
Mas ele se recusava a entender.
Ali. Eu destru� um pouco mais o seu planeta agora.
Satisfeito?
Por que?
Por qu�?
Porque voc� quer que eu fique aqui!
S� de eu ficar aqui vou fazer isso v�rias vezes.
Vou come�ar a viver como voc�s vivem.
Bang! Outra �rvore abaixo.
Vou come�ar a querer as mesmas coisas que voc�s desejam.
Bang! Outra �rvore abaixo.
voc�s n�o precisam de mim aqui.
Ele remoeu as palavras dela em sua mente,
tentando encaix�-las em sua vis�o limitada de mundo.
Mas ele se sentia tamb�m afastado dela.
E ele desejava voltar para o simples,
pro f�cil, pro familiar.
Voc� foi muito excessiva pra mim.
Excessiva?
N�o sou excessiva.
Eu sou perfeitamente normal e sens�vel.
Eu falo de suas atitudes. Das coisas que voc� faz.
Voc� � uma pessoa com um comportamento excessivo.
Todo o seu modo de vida s�o de pessoas excessivas.
Voc� est� enganada.
Meu modo de viva � perfeitamente normal.
At� poderia ser normal, mas n�o �. Deixe de ser excessivamente est�pido...
Quero terminar nosso relacionamento.
Isso te agradaria?
- � uma pena. - Por que?
Eu estava ficando apaixonada por voc�.
Isso deve ter sido bom pra voc�.
Ent�o, estamos terminados?
Acho que sim.
Legal.
Eu n�o respeito o seu ponto de vista.
N�o posso concordar pra discordar.
Fico ofendido com as coisas que voc� diz e faz.
E eu n�o acho que voc� diz o que pensa nem que pensa no que diz tanto quanto eu.
E eu gosto guardar alguns dos meus sentimentos.
Isso causa um monte de probleminhas.
Isso � bobagem que talvez funcione pra voc� em Epsilon,
mas n�o funciona pra mim aqui.
Tudo bem.
Bem,
- e agora? - � melhor eu ir.
Continue tentando.
- Voc� ficar� bem? - Acho que sim.
�, vai me levar um tempo pra descobrir como consertar essa coisa.
Ent�o eu vou seguir o meu caminho tamb�m.
Ok, ent�o.
Tchau.
Tchau.
Suas roupas, ainda estou usando elas.
Tudo bem. Pode ficar com elas.
- Ah. - Nunca se sabe.
Voc� pode encontrar algu�m. A� voc� ia precisar delas.
�, voc� pode estar certo. Obrigado.
Isso � bom.
Foi um prazer te conhecer.
Adeus ent�o.
Tchau.
De certo modo foi engra�ado.
Nenhum dos dois queria realmente dizer adeus,
mas ambos disseram.
E s� ent�o eles foram capazes de se dar conta totalmente...
do que tinha acontecido entre eles.
Aha! Intelecto incrivelmente limitado, hein?
Eu respiro o ar podre.
O que mais posso fazer?
Isso � o que me faz quem eu sou.
Oi! T�... de volta.
Pra ela, nada era tarde demais.
N�o h� nada de errado em ser esquisito.
- H� sim, quando estou tentando n�o ser. - Estamos num relacionamento.
- Ela voltou... - N�o temos que tentar ser nada.
na hora.
N�o gosto de ser considerado esquisito quando estou num relacionamento.
Mas voc� �.
- Isso sempre acontece comigo. - O qu�?
As mulheres tendem a pensar que eu sou seu melhor amigo, em vez de, voc� sabe.
Eu sei o que est� dizendo. Mas diz a�.
- Eu tive uma namorada uma vez. - Eu sei!
Sabe? Como?
Voc�... falou disso antes.
Oh. N�o me lembro.
De qualquer forma, n�s finalmente terminamos.
Uma semana depois ela voltou pra me visitar, pra ver se eu estava bem.
Eu meio que sinto que j� te contei essa hist�ria antes.
- Me interrompa se j� contei. - N�o, vai em frente.
Ok.
Onde eu estava?
Voc� tava dizendo que ela se sentou na mesa da cozinha e disse que tinha um novo namorado.
Tava a�? Oh.
"Bem, quanto tempo isso t� acontecendo?", eu perguntei.
- Ela disse: "Uma semana". - Isso foi r�pido. Voc�s terminaram uma semana antes.
Foi isso que eu disse! Como voc� sabia?
Voc� j� tinha me contado.
Contei? Quando?
Ainda agora.
Tem certeza que n�o te contei essa hist�ria antes?
Antes n�o.
N�o, definitivamente antes n�o.
Fico recebendo esses flashes como se tivesse.
Fico muito confuso quando tento falar com voc� a s�rio.
Como ele era?
- Quem? - O namorado.
Ela disse que ele n�o era t�o legal quanto eu.
Ele n�o seria.
O que quer dizer?
Ela t� certa. Ele n�o era t�o legal como voc�.
- Voc� o conhece? - Claro que n�o.
- Mas voc� - Eu n�o tenho como conhec�-lo. Conhe�o voc�.
Desculpa.
N�o acho que voc� seja totalmente esquisito.
Acho que deve ser bom, ser capaz de tentar uma outra forma de agir,
e a�, se as coisas n�o funcionarem bem,
dispensar o resultado das consequ�ncias...
e tentar outro modo de agir para obter melhores resultados.
Mas a vida na Terra n�o � assim.
Temos que viver com as consequ�ncias de nossas a��es.
Normalmente nos � dado apenas uma chance.
O homem que vagava recebeu uma segunda chance,
embora s� soubesse disso mais tarde.
Ele disse que era uma coisa muito peculiar.
N�o se lembrava ent�o de nada do que tinha acontecido com ele,
ou do que n�o havia acontecido,
Dependendo de como voc� olha pro passado.
Fico feliz de que n�o haja limita��o de tempo pra essas coisas.
Ent�o eu tamb�m.
No entanto, ele se sentia diferente.
Pensava de modo diferente,
como se ele tivesse sido transformado por esses eventos, no entanto.
Mas por enquanto, pra ele,
havia apenas o presente.
Se tivesse terminado ali,
se de alguma forma eles tivessem vivido felizes para sempre,
o resultado teria sido muito diferente.
As consequ�ncias seriam muito mais graves.
Mas ainda n�o tinha terminado totalmente.
Qual � o problema?
T� triste.
N�o est� triste.
Claro que eu estou triste.
N�o h� motivos pra ficar triste.
Ainda n�o acabei de ficar triste.
Ah.
Agora terminei!
O que te deixou triste?
Fiquei triste com...
Se eu ficar, nunca mais verei Epsilon novamente.
E se for, nunca mais te verei novamente.
O que for o que eu pense, me deixa triste.
Ah.
Qual deles te deixou menos triste?
Vai me mostrar sua casinha confort�vel agora?
Aquela com o quarto extra?
S�o meus horm�nios. Voc� fica mandando neles descontroladamente.
Como � que voc� sabe sobre a minha casinha confort�vel e o quarto extra?
� um pouco... complicado.
Voc� me disse em nosso passado anterior.
N�s tivemos um passado anterior, voc� e eu?
Acabamos tendo uma discuss�o e terminamos nos despedindo.
Ent�o eu voltei e te reencontrei antes de termos tido a discuss�o
e agora estamos aqui.
Voc� teve uma briga que voc� n�o queria ter tido,
ent�o � s� voc� voltar e n�o brigar.
Uma forma pr�tica de resolver problemas.
- Qual foi a discuss�o? - Voc� achou que eu fui muito excessiva.
N�o fiz isso! N�o acho voc� excessiva de jeito nenhum!
- Eu nunca ia pensar isso. Nunca! - Eu sou um pouco �s vezes.
Voc� n�o � excessiva. Voc� s� sente as coisas apaixonadamente.
Coisas que s�o importantes.
- Eu derrubei sua �rvore de inf�ncia. - Voc� o qu�?
Cortei sua �rvore, sua �rvore favorita, a que voc� costumava conversar.
Voc� n�o fez isso!
- Voc� n�o se importa? - Voc� deve ter tido uma boa raz�o.
Andei pensando sobre algumas coisas, sabia?
Todas as coisas que voc� tem dito sobre a Terra e tudo mais.
Tudo faz sentido, mas...
voc� ficou meio deprimida sobre isso no come�o.
Pensando em como apenas uma �nica pessoa n�o faz qualquer diferen�a no todo.
O que posso fazer, afinal? E tudo isso.
Ent�o eu pensei sobre a guerra.
Quando h� uma guerra,
quando seu pa�s e seu modo de vida s�o amea�ados
As pessoas n�o hesitam em mudar suas vidas completamente, sabia?
Pra arriscarem tudo.
Seus empregos, suas carreiras,
suas vidas, suas fam�lias e amigos.
Se desfazem de um monte de coisas pra se alistarem na guerra.
Eles est�o pronto a arriscarem tudo.
E que � como tem que ser para se ganhar a guerra.
N�o faz o menor sentido, n�o �?
Assim � uma guerra.
Isso � mais do que uma guerra.
Mas nos metemos nas situa��es como se estiv�ssemos apenas brincando.
Eles me encontraram.
O qu�?
Eles me encontraram.
Isso � muito mais s�rio do que qualquer guerra.
Mas nos metemos nas situa��es como se estiv�ssemos apenas brincando.
N�o ouviu o que eu disse?
Escutei o que voc� disse.
Diga-lhes para irem embora.
N�o posso.
E se decidirem n�o me levar agora? N�o podemos simplesmente continuar fazendo isso.
Voc� t� certa. N�s consigo pensar, pensar com clareza. Me deixe pensar.
Temos que voltar ao seu caminh�o.
Voc� sabe, no caso deles decidirem me levar,
voc� foi deixada sozinho no meio do nada.
- Na hora errada. - Certo.
Vamos.
Voc� acha que se eu apenas ficar com voc� o tempo todo, eles n�o poderiam...
N�o.
Acho que n�o.
Mas poder�amos tentar.
Quero saber qual deles �.
Eu acho que tem algu�m...
no final dessa esp�cie de trilha.
V�? � isso que vou olhar.
Eu poderia acenar pra voc�.
Acho que poderia me tornar um astr�nomo se voc� for.
N�o faria isso se fosse voc�.
Por que n�o?
- Voc� vai estar fora do emprego em poucos anos. - Por que disso?
Este cen�rio est� desaparecendo.
Voc�s n�o conseguir�o ver nenhuma estrela em breve, enfim.
- E a� � melhor n�o se tornar um astr�nomo. - N�o.
Eu pensei que conseguiria te ver atrav�s do telesc�pio.
Que express�o boba � essa?
� a minha "Eu serei um bom pai", olhe.
Se n�o �amos trazer filhos ao mundo, n�o h� motivo de se salv�-lo.
N�o h� raz�o de se trazer filhos ao mundo at� voc�s o terem salvo.
Acho que podemos concordar em discordar nesse ponto.
Poder�amos voltar a quando nos encontramos pela primeira vez...
e apenas ficar indo e voltando no tempo entre o antes e o agora.
Eu n�o acho que eles estejam vindo.
N�o os sinto mais.
Eu sinto voc�...
e aqui,
mas n�o eles.
Eu sinto...
que poder�amos fazer algumas coisas juntos.
� um sentimento agrad�vel.
O que foi isso?
Chamo de minha dan�a do barco � vela.
E alguns dias depois disso eu o encontrei.
Apenas uma �nica vez, por poucas horas para contar sua hist�ria.
Ent�o ele dormiu brevemente, acordou,
pegou sua bolsa e saiu pela noite...
dizendo que tinha algumas hist�rias pra contar,
algumas estrelas pra salvar.
Ele desapareceu?
N�o, ele n�o desapareceu.
Alguns anos mais tarde, eu vi sua foto no jornal.
- Eu o reconheci imediatamente. - O que � um jornal?
� uma coisa que eles costumavam ter antes de ficarem s�bios.
- Voc� � jovem demais para saber. - Eu n�o sou muito jovem.
Na �poca, ele come�ou a aparecer na televis�o.
Come�aram a escrever sobre ele, conversavam sobre ele.
Espalhando suas ideias que ele dizia que eram suas.
No come�o, consideraram-no louco.
"Epsi-loon" eles o chamavam.
Parece que eram mais loucos do que ele.
Nem todos. Havia outros como ele.
Passados os anos, quando a l�gica do que ele estava dizendo quase...
quase n�o podia ser contra argumentada,
mudavam a maneira de pensarem sobre ele,
e lhe davam um nome diferente.
- O Homem das Estrelas? - O Homem das Estrelas?
voc� se encontrou com o Homem das Estrelas?
Sim. Eu fui realmente a primeira pessoa que o conheceu.
Porque antes disso, ele n�o era ele ainda.
Isso � incr�vel. Voc� n�o imagina o quanto isso � incr�vel.
Ah, sei sim!
Eles dizem que se n�o fosse por...
voc� n�o poderia ver as estrelas de forma alguma hoje em dia.
E isso seria uma l�stima, n�o seria?
Eu posso v�-las!
Brilha, brilha estrelinha
Como eu queria saber quem voc� �
Levanta o mundo t�o alto
Como um diamante no c�u
Brilha, brilha estrelinha
Como eu queria saber quem voc� �.
FIM
Com carinho,
Parceru's Studio
Revis�o: .:MGross:.
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