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Original subtitles

Espera, espera, espera!

- Mostra o sorriso que vais fazer. - Por favor, F�lix, n�o tem piada!

Feliz anivers�rio!

Feliz anivers�rio, minha querida!

Obrigada, M�e.

Dezoito anos! � t�o estranho...!

CI�ME

Parecem apaixonad�ssimos. Prepara-te para ser av�.

Nunca mais uses essa palavra!

Eles s�o insepar�veis.

Ele � F�lix para aqui, F�lix para ali...

Devo dizer que ele � fant�stico.

Melhor. Gosto de a ver assim!

Fico muito feliz por ela.

Sentes mais press�o para celebrar os meus anos?

Vais fazer anos? Quando?

Que gracinha, M�e... Isso � o qu�? Humor dos anos 80?

V�...

- Faz qualquer coisa. - Toma, faz qualquer coisa.

Parab�ns, a Mathilde est� encantada!

Sim, era o objectivo.

N�o te contei...

Encontrei um charro no quarto dela.

- E o que fizeste? - Fumei-o!

Achas que a Mathilde fuma com ela?

A Santa Mathilde? Nunca na vida!

Al�m disso, � dif�cil dan�ar se estiveres pedrada.

Sim, e como ela j� n�o tem uma grande dose de neur�nios...

Que parva! Porque dizes isso?

Estava a brincar.

Sophie! Anda c� ver!

Que lata a dele! Trouxe-a!

� mulher dele...

S�o servidos?

Toma, Alain. Vai passando, sim?

- Est� tudo bem? - Sim.

- Posso trazer-vos alguma coisa? - N�o, obrigada!

Que ser�o encantador! A s�rio, os meus parab�ns!

Obrigada.

S� de pensar que h� um ano ela tinha 17 anos...!

Sim.

� l�gico.

N�o pude ajudar muito, desculpa. Estou atolado em trabalho.

Estamos os dois. Felizmente, n�o tarda, estamos no Club.

No Club?

No Club Med. Nas Maldivas. Num "4 Tridentes"!

Deixo os pais a conversar. Vou comer. N�o comi nada todo o dia para ter fome.

Maldivas?

Tratas-te bem! Enfim...

N�o tenho nada que ver com a tua nova vida, faz como quiseres.

Mas a mim, levavas-me a Dijon, � casa dos teus pais.

� nojento!

Estou t�o deprimida...!

Seja como for, o ser�o foi um grande sucesso.

Toda a gente me disse que a minha filha est� bela e maravilhosa.

Ningu�m me elogiou.

Mas n�o estou nada mal, pois n�o?

P�ra com isso, sabes muito bem que n�o!

- Al�m disso, n�o sou est�pida. - Pois n�o.

Tenho uma licenciatura, porra!

Ent�o? � preciso ser burra para nos levarem �s Maldivas?

A outra a gabar-se: "Hotel 4 Tridentes".

Ela nem sabe o que � um tridente!

- Passa-me a garrafa. - Chega por hoje. Bebeste o suficiente.

Sophie, d�-me a garrafa, merda!

N�o acredito! D�-ma!

Infelizmente, j� n�o h�. Lamento.

Acabaste com ela? �s t�o ego�sta!

Produ��o

Um filme de

Por favor... Procuro a aula de Literatura 2.

A esta hora, duvido que a deixem entrar.

Sim, mas diga-me onde � a aula, por favor.

J� lhe disse que � tarde demais! J� n�o vai fazer grande coisa.

Ol� a todos!

Desculpem o atraso.

Tiveram tempo para se preparar.

Espero que tenham lido o "Confiss�es" este fim-de-semana.

Estou ansiosa por saber o que acharam.

O Rousseau � sincero?

Transforma os sentimentos em literatura?

- Atrasaste-te esta manh�? - Isto � pior do que a Stasi!

- Qualquer um se atrasa dez minutos! - Ouve, n�o � uma censura.

N�o estou � habituado. Passa-se alguma coisa?

- N�o h� nada, n�o te preocupes. - Ainda bem.

Menina Pick.

Precisamente. Nathalie...

Queria apresentar-vos.

Ela vem substituir o Henri.

- Vem substituir...? - Ol�.

Nathalie P�cheux...

Sim, j� nos conhecemos.

Desculpe, esta manh� tomei-a por uma aluna.

Os professores s�o cada vez mais novos. Ou somos n�s que envelhecemos...

Eu tenho 28 anos.

A Melanie tem um percurso invulgar. Vem duma editora.

Sim.

Quando me licenciei, surgiu a oportunidade de ir para a Hachette.

Resolvi experimentar, mas n�o me dei bem.

Porqu�?

Porque queria dar aulas, que � o que eu gosto. E estava � espera dum lugar.

Mas o Henri vai voltar, n�o?

Ainda n�o tive tempo de te dizer.

A situa��o � mais grave do que se pensava.

Ele precisa de descansar. Penso que j� n�o volta este ano.

Que pena...

Eu tinha tantos projectos com a turma dele!

Ainda podemos concretiz�-los...?

Sim, podemos. Logo se v�.

Para o semin�rio de autobiografias, pensei que pod�amos convidar escritores.

Como tenho muitos contactos...

Falamos disso depois.

- Tenho de ir. - Sim.

- Eu acho uma excelente ideia! - Obrigada.

Temos de ser mais din�micos.

Ela � sempre assim?

Assim, como?

N�o sei... pouco acolhedora.

Que tal estou?

O qu�?

Que tal estou?

Fant�stica!

- O vestido n�o me faz mais gorda? - N�o, M�e, est�s linda!

Tens um encontro?

Vou jantar a casa do Thierry e da Sophie. Eles querem apresentar-me a algu�m.

Que fixe! Espera, tenho uma coisa para ti.

Magn�fico!

E ent�o?

Sim, � muito bonito.

Fant�stico!

Eu tamb�m tenho de ir.

- Vou ter com o F�lix. - Vais assim vestida?

Sim.

- Sebastien? - Sim, obrigado.

- A vossa casa � muito simp�tica. - Sim, tamb�m gostamos muito.

Est� bem projectada.

O quarto da Emma fica l� ao fundo, fica independente, tem casa de banho...

- Emma � um nome bonito. - Gostas?

Podemos agradecer � Nathalie, � a madrinha dela.

Adoro Flaubert.

Muito bem.

Ela tamb�m tem uma filha de 18 anos, a Mathilde. S�o as duas muito amigas.

Tive-a quando tinha 12 anos.

Realmente a Nathalie parece muito mais nova...

Eu tamb�m tenho um filho de 13 anos.

Infelizmente, vejo-o pouco. A m�e vive em Nova Iorque.

Realmente � longe para fins de semana alternados.

Fica comigo nas f�rias e vou visit�-lo entre miss�es.

E acabaste de entrar para a empresa do Thierry?

Antes disso, trabalhava em Ecologia.

Estive alguns anos num sistema de reconvers�o vegetal.

- O que quer isso dizer? N�o percebo. - N�o, Sophie!

- E tu �s professora? - � um verdadeiro cr�nio!

� licenciada e d� aulas de Literatura na Buffon, uma escola �ptima.

- Vais responder sempre em vez dela? - Desculpa.

Bom, agora j� sabes tudo.

N�o sei, Sophie, queres acrescentar alguma coisa sobre os meus passatempos...

o meu passado...

... as minhas qualidades, talvez?

A Nathalie � �ptima na cama.

Mas tu est�s parva?

Estava a brincar!

Seja como for, n�o sei! Nunca dormi contigo. Enfim, at� hoje...

V�s o humor dela? Percebes porque me atiro ao trabalho?

Vamos, o assado n�o espera.

Ouve, Sebastien, n�o �s vegetariano ou �s?

� que hoje uns n�o comem gl�ten, outros, lactose, outros s�o vegan...

- J� nem sabemos o que servir! - Eu gosto de tudo.

Gostas? � Coltrane.

Sim, gosto muito.

Conheces?

N�o, mas � muito bom... A s�rio.

Col...?

Coltrane.

- Nem me deixaste acabar! - Desculpa.

� ali.

Ali.

Convidas-me para um �ltimo copo?

N�o seria sensato, j� bebemos o suficiente.

- N�o, quis dizer... - Sim, eu percebi.

Era uma piada... Enfim, uma tentativa falhada.

N�o, mas...

Prefiro ficar por aqui esta noite.

Esta noite.

Eu compreendo.

Espero voltar a ver-te em breve.

Boa noite.

Na verdade...!

Sou t�o est�pida!

Mathilde, est�s aqui?

Sim, sou eu.

N�o, o que achas?

Ligo-te porque estou sozinha, sen�o n�o te ligava.

N�o, n�o estou irritada.

Sim, �ptimo.

N�o, mas...

Fui uma est�pida.

Sei l�! Quis parecer digna, tipo: "N�o dormimos juntos na primeira noite",

mas de repente...

N�o, gostei dele!

O que disse o Thierry?

Ligo-te mais tarde, a Mathilde acabou de chegar.

Isto s�o horas de chegar?

- Boa noite! - Boa noite, n�o!

N�o podes entrar e sair assim sem avisar!

N�o � por teres 18 anos que podes fazer o que te apetece!

Quando n�o vens, avisas! Isto n�o � um hotel!

S�o onze horas, falas como se fossem quatro!

Falo como m�e.

- Anda, F�lix, vamos para a cama. - Boa noite.

Boa noite, F�lix.

� melhor o F�lix n�o dormir c�, tens audi��o daqui a uma semana.

Precisamente, estou aqui para lhe dar apoio.

N�o � a sair at� �s tantas que a apoias!

� para teu bem, Mathilde.

� melhor que o F�lix n�o durma c� esta noite.

Vais mand�-lo para casa a esta hora?!

Sim, vou.

V� l�, M�e!

Tudo bem, ligo-te amanh�.

Adeus.

Boa noite, F�lix.

N�o voltes a fazer-me isto! Que vergonha!

Est�s com o per�odo ou qu�?

Toma, preparei-te umas bolachas.

N�o tenho fome.

Mathilde...

Isto � rid�culo, n�o vais ficar chateada...!

N�o me apetece falar contigo.

Desculpa, n�o devia ter feito aquilo.

Mas francamente, passaste dos limites.

Cheguei �s onze, e atacaste-me como uma doida!

N�o � disso que eu falo. D�s-te conta da forma como me falaste?

P�ra! Deves ter tido um ser�o horr�vel e eu fui o bode expiat�rio.

N�o tenho culpa que tenhas uma vida de merda.

N�o me fales assim!

Entendido?

Al�m disso, se queres saber, tive um ser�o maravilhoso.

Bebi um vinho excelente, um boa companhia...

Claro...! E voltaste para casa cedo s� para me chatear?

Nunca me tinhas batido assim.

Que se passa?

N�o sei o que tenho, tenho altera��es de humor...

Aparentemente, est� tudo bem.

Irrito-me por tudo e por nada.

Mesmo aqui, por exemplo. J� c� vim muitas vezes.

Nunca tinha reparado nesse bibelot atr�s de si.

E agora n�o consigo deixar de olhar. � hediondo!

� um macaco de Angkor que a minha cunhada me trouxe.

- Fogo...! - Talvez possa evitar olhar para ele...

N�o � f�cil, atrai os olhares.

H� alguma coisa que a preocupe, Sra. P�cheux?

N�o propriamente.

Tenho as preocupa��es de toda a gente.

Sinto-me desconfort�vel comigo mesma.

Isso que est� a sentir � extremamente t�pico.

Se n�o houver uma causa em especial, � em grande parte hormonal.

- Com a aproxima��o da menopausa... - Espere l�, porque me diz isso?

Porque n�o � dum dia para o outro, � progressivo...

- H� uma esp�cie de zona de tr�nsito. - Uma zona de tr�nsito...

... em direc��o � menopausa? - Que pode durar v�rios anos.

Anos?

N�o tenho qualquer interesse em estar em tr�nsito.

Acho essa palavra horr�vel, "tr�nsito"...

N�o se preocupe.

Passado algum tempo, as coisas acabam por voltar ao normal.

N�o pode tirar da� o bibelot?

O macaco est� a provocar-me, � insuport�vel!

- Bom dia, minha senhora. - Bom dia.

Desculpe incomodar.

O meu marido reservou noutra ag�ncia uma viagem �s Maldivas.

Num Club 4 Tridentes, sabe?

Com certeza.

Infelizmente, tivemos uma morte na fam�lia e vamos ter de cancelar a viagem.

Lamento imenso. Os meus sentimentos.

Iremos noutra altura, mas agora � imposs�vel.

Queria saber qual a pol�tica de cancelamento.

Tem o n�mero da reserva?

Onde � que o pus...?

Desculpe, estamos de tal forma em estado de choque...

Eu compreendo. Resolve-se de outra maneira.

Pode dar-me o seu nome, por favor?

Sim. � P�cheux, com um X no fim.

- O passaporte, se quiser verificar. - N�o � preciso.

De 1 a 10 de Fevereiro para dois adultos, � isso?

Exactamente.

Vejo que n�o subscreveu o nosso seguro "Ecr� Total"...

Lamento imenso, mas n�o vamos poder fazer um reembolso total.

N�o faz mal, ele � podre de rico.

Tenham um bom dia.

Quando � a aula que foi cancelada, esta sexta-feira ou a pr�xima?

- Esta. - Obrigada, Valentine.

- Posso falar consigo? - Claro, Lin.

Queria saber porque � que s� tive 14 no meu teste.

Mas 14 � boa nota. Dei-te 14, porque fizeste um...

porque te enganaste no sujeito no fim, s� isso.

Mas eu acho que �s brilhante. Tem confian�a em ti, sim?

- Vou rever e depois mostro-lhe. - Isso.

E se precisares de ajuda, diz, est� bem?

- Obrigada. - N�o te preocupes.

N�o queria desencorajar-te, mas...

Ol�, Nathalie.

- N�o parem, parecia divertido. - Fal�vamos do projecto da M�lanie.

Interessa-me muito para Hist�ria Contempor�nea.

N�o sei de nada...

Pensei que pod�amos escolher autores que abordem v�rias mat�rias.

Assim, podemos estudar o aspecto hist�rico com o Yves,

o aspecto liter�rio connosco,

e alguns livros podem servir para Filosofia, Sociologia, Hist�ria de Arte...

Podia ter-me contado.

Eu tentei.

� uma excelente ideia.

E o professor de gin�stica, ignoramo-lo?

Talvez um escritor possa explicar-nos como jogar basquetebol, n�o?

Pensei que seria uma oportunidade de trabalharmos juntos.

E pode ser muito interessante para os alunos.

N�o digo o contr�rio, sou a favor da interdisciplinaridade,

mesmo n�o sendo uma ideia nova.

Tent�mos um ano e correu mal, n�o foi, Fabienne? Lembras-te?

Acima de tudo, tem de ser pensado antes. J� preparei as minhas aulas deste ano.

A menos que tenha o telem�vel do Jean-Jacques Rousseau.

Se assim for...

� o humor da Nathalie. N�o ligues.

Com licen�a.

Diverte-a ridicularizar-me publicamente?

Voc� � que faz figuras tristes.

S� chegou h� dois dias e j� se julga um Andr� Malraux.

Dou-lhe um conselho.

Sinceramente: seja um pouco mais discreta.

N�o � por ter 28 anos que pode fazer tudo o que quiser.

Din�mica!

Pirueta!

E gira!

E alto!

Aten��o, ombros em baixo.

Isto n�o � uma valsa.

Din�mico!

D�boul�, d�boul�...

E fica!

Muito bem. Melhor.

Prontos?

Vamos l�.

Tinha pensado que para me redimir

pod�amos convidar o F�lix para jantar esta noite.

- Como corri com ele daquela maneira... - Realmente...

Importas-te de entrar aqui um instantinho?

Tenho uma aluna asi�tica, que � extremamente brilhante.

Est� em Fran�a h� 4 anos e trabalha muito.

E como tem falta de confian�a, queria dar-lhe uma prenda, vou dar-lhe isto.

O que �?

� o "Everyman" do Philip Roth, um dos meus livros preferidos.

- Nunca me falaste dele. - N�o ligas muito aos livros.

Que exagero, eu gosto de ler.

N�o fiques melindrada. Privilegiaste o corpo sobre o esp�rito.

� incr�vel, M�e, pareces desprezar as minhas escolhas.

De maneira nenhuma!

Digo a toda a gente que dan�as divinalmente!

E a mim, dizes-me?

Sim, claro...!

Seja como for, ainda bem que tens uma aluna brilhante.

Ora, Mathilde! N�o te vais p�r com ci�mes!

Ela � chinesa!

Espero l� fora, vou ligar ao F�lix.

- Ainda bem que encontrei o �lbum, n�o �? - � verdade.

Esta � um cl�ssico, lembras-te? Sujaste-te toda.

Sim, lembro-me. Obrigada.

E aqui o pacote completo: aparelho nos dentes e acne.

- Adoro. - Obrigadinha.

Todos temos momentos embara�osos. O F�lix tamb�m deve ter, n�o?

- Carradas deles. - Vamos jantar.

�s t�o sisuda!

Obrigada.

Comecem a comer, eu vou ver quem �.

Boa noite! Desculpe incomodar, acab�mos de nos mudar aqui para a frente...

Boa noite.

A Sra. Renaud j� n�o vive ai?

N�o... Se nos mud�mos, foi porque a casa estava livre.

Apare�a para beber um aperitivo, para nos conhecermos melhor.

� uma boa ideia.

Um aperitivo?

Sim, vamos a isso. Mas fica para outro dia.

Atrevi-me a tocar, porque ainda n�o temos nada.

Vinha ver se me arranja um pouco de sal.

- Sal? - Sim, sal.

N�o tenho.

N�o tem sal?

N�o. Sou diab�tica, tenho de evitar o sal.

- Lamento imenso! - N�o faz mal, n�o tinha como saber.

Boa noite.

Eram os vizinhos novos. Sabias que a Sra. Renaud se foi embora?

Ela veio despedir-se.

Pois foi...

Esqueci-me completamente.

E como s�o eles?

Um casal jovem, muito simp�ticos.

- Ent�o, F�lix, est�s a gostar? - Est� delicioso. Obrigado.

� verdade! Ainda n�o te felicitei pelo emprego na investiga��o.

- Obrigado. - Ali, s� contratam 7 pessoas por ano.

Os teus pais devem estar muito orgulhosos.

Al�m disso, �s t�o bonito. Deves ter imenso sucesso, n�o?

Queres vinho?

Mathilde?

N�o, eu n�o. Tenho a minha audi��o.

V� l�, s� desta vez!

S� um pouco.

Pronto...!

� o Sebastien!

- A dizer o qu�? - Que quer voltar a ver-me.

Devo ter-lhe agradado um bocadinho...

Claro!

Achas que responda j�?

F�lix, diz-me...

Se uma rapariga te respondesse logo, n�o te parecia demasiado desesperada?

N�o sei, depende do que quer.

Est� bem, respondo j�.

O que fa�o? Convido-o para jantar amanh�?

Boa ideia.

N�o � demais? Demasiado directo?

E como acabo? "Fica bem"?

- N�o vou mandar beijinhos. - Que stress, M�e!

Gostei dele. Por isso, sim, que stress!

- "Fica bem", � bom. - Achas? Est� bem. "Fica bem".

E pronto... Seguiu!

� incr�vel como isto agora � complicado!

Agora fico aqui � espera, especada como uma idiota,

amarrada ao telefone...

J� estou a imaginar.

Ele n�o vai responder j�.

Tem de se mostrar dispon�vel, mas n�o demasiado dispon�vel.

Respondeu!

Aceitou! Vem jantar amanh�!

V�s? Preocupaste-te para nada.

Para voc�s, � f�cil. Est�o apaixonados.

Mas eu...

� o pai, vou atender.

� o teu rival. O pai � o amor da vida dela.

Eu sei.

Repara que digo isto...

mas � a primeira vez que a vejo assim, est� muito apaixonada.

Eu tamb�m, estou muito apaixonado.

Que mudan�a...

Ela costumava saltitar tanto!

Um rapaz aqui, um rapaz ali...

Ainda bem que estabilizou. Farta-se sempre t�o depressa!

A s�rio?

Mas ela j� teve muitos namorados?

N�o sei dizer, n�o os contei.

- Querias falar comigo? - Sim, entra.

Senta-te.

A Melanie Pick contou-me das vossas conversas.

Que bufa!

Enquanto respons�vel por este estabelecimento,

� importante estar a par dos problemas que possa haver entre os professores.

Mas francamente, fiquei surpreendido.

N�o costumas sert�o desagrad�vel.

Eu n�o sou nada desagrad�vel!

� ela.

N�o tem sentido de humor, leva tudo � letra...

� o primeiro emprego dela, tens de a ajudar um pouco!

Vou ser sincera contigo: n�o a suporto, � visceral.

Far�s o que bem entenderes, enquanto "respons�vel pelo estabelecimento",

mas n�o me pe�as que me d� bem com ela.

Conhecemo-nos h� muito, mas n�o podes falar assim comigo.

E vais fazer o qu�? Um alerta oficial?

Essa agressividade � rid�cula.

Ela anda toda armada em boa! N�o te d�s conta?

Acho incr�vel! Como vem de uma editora, ficam todos a babar-se...!

Quero l� saber das editoras, porra!

N�o te cabe questionar as minhas decis�es. Entendido?

A ideia dela � brilhante.

Muda de comportamento e come�a a colaborar.

A colaborar?

� mesmo a express�o adequada...

� tudo o que tens a dizer?

- Sim. - Muito bem.

J� decidiu?

Estou s� a ver.

Levo este.

Moras aqui h� muito tempo?

Comprei a casa com o meu ex-marido.

E quando ele me deixou, fiquei aqui.

- E mant�m uma boa rela��o? - N�o � m�.

Fiquei aliviada com o div�rcio. J� n�o nos am�vamos, coabit�vamos.

No entanto...

No entanto, o qu�?

A nova vida dele incomoda-me. Eu sei que � mau...

N�o, eu compreendo.

Podemos aceitar uma separa��o, mas quando o outro arranja algu�m...

Quando vemos, n�o � f�cil.

� mesmo um lugar-comum! Ele arranjou uma mulher mais nova e mais burra...

Devia precisar de descanso depois de mim... � isso.

E a tua mulher?

Est� com um homem mais velho e mais rico.

Mas n�o estou cedo que seja mais inteligente do que eu.

Estou certa que n�o �.

- Isto est� delicioso. - A s�rio?

Mas n�o comeste grande coisa...

N�o tenho muita fome, ando muito stressado.

Eu tamb�m.

S�o esgotantes, n�o s�o? Estes primeiros encontros...

H� que parecer descontra�do, simp�tico, divertido, aberto...

- Tudo o que n�o somos. - Exacto!

Porque somos sinistros, depressivos e desesperados...

Al�m disso, mal v�s o teu filho...

Desculpa.

N�o queria...

Sou t�o est�pida!

N�o �s nada.

O Thierry e a Sophie v�o ficar radiantes.

Somos os seus candidatos para um reality show.

Exactamente.

Desculpem incomodar, venho s� buscar �gua.

Boa noite.

Boa noite.

Queres os bin�culos?

Como?

Viste como olhaste a minha filha? Gostaste dela, � isso?

N�o, porque dizes isso?

J� n�o tenho fome.

Mas...

- Prefiro que te v�s embora. - O qu�?

Pega nas tuas coisas e vai.

Nathalie...

Toma.

- Que disparate, Nathalie! - Pois...

Veste o casaco e vai para casa.

Boa noite!

Que se passa?

Tinhas de te ir pavonear � frente do meu gajo?

O qu�?!

Queres que te imite? "Desculpem, vinha s� buscar �gua."

Que disparate! Tinha sede!

Bebesses antes!

Foi a �ltima vez que me fizeste uma coisa destas, ouviste?

E ent�o?

Sim, L�a?

Tens algum tema que pode interessar � turma?

N�o? Ent�o as conversas privadas s�o para ter l� fora, est� bem?

Quem quer falar?

Hugo.

H� uma personagem que marcou profundamente o Rousseau.

A Madame de Warens.

Ele estava loucamente apaixonado e isso...

... ocupa quase todo o primeiro volume de "Confiss�es".

#Vemo-nos logo?#

#Perfeito#

Ele estava loucamente apaixonado e � um pouco...

Desculpem, foi uma emerg�ncia.

Portanto, Hugo, queres dizer algo sobre...

... a Madame de Warens?

Quando partem?

Daqui a 10 dias.

- Vai fazer-vos bem. - Estou exausto.

J� escolheram?

Sim, eu quero a salada do dia.

- Usam �leo de noz? - N�o sei, mas vou perguntar.

Deixe, traga a salada sem molho, s� com lim�o, por favor.

Tudo bem. E o senhor?

Um bife t�rtaro.

- Com batatas fritas ou salada? - Ambos.

Registado.

Que se passa com a tua m�e?

N�o sei.

� s� altos e baixos.

Num dia, � toda beijinhos queridos,

no dia seguinte, cai-me em cima sem raz�o.

Antes de ontem estava a jantar com um tipo, eu fui buscar �gua,

e ela expulsou-o porque ele olhou para mim. - A s�rio?

Est� a passar um momento dif�cil.

Est� sozinha.

Eu estou feliz, � compreens�vel.

Vem passar uns dias l� a casa.

N�o te preocupes, isso j� lhe passa.

Espero que arranje algu�m depressa. J� n�o a posso aturar.

O importante � concentrares-te na tua audi��o.

Est� a correr bem?

Sim, tenho um bom professor, mas...

� dif�cil.

Compreendo.

A tua disciplina impressiona-me.

Herdaste isso da tua m�e.

Quando eu a conheci, ela estava na faculdade

e trabalhava 16 horas por dia.

Pois, e v� o resultado! N�o quero acabar como ela.

N�o ter�s exagerado?

De maneira nenhuma.

Acredita que n�o exagerei.

Acho que ele � simp�tico. E gostou de ti.

A s�rio?

Claro, gostou bastante de ti.

- E contou ao Thierry? - Claro!

A s�rio?

Pe�o-lhe j� mais um. Pode trazer.

J�?

Quando ele acabar de a preparar, j� acabei esta.

Estou com sede.

Andas a beber muito.

Achas?

- Andas a vigiar-me? - N�o � o meu estilo.

Mudemos de assunto.

E com o Thierry? Como v�o as coisas?

V�o bem. Ele trabalha muito.

Eu tamb�m, de resto.

Esqueci-me de te dizer!

Ele quer levar-me a Veneza pelo nosso 20� anivers�rio. � querido, n�o �?

Veneza...

N�o � um bocado banal?

Acho que n�o, sempre quisemos ir.

J� est�o juntos h� 20 anos?

Sim, h� vinte.

E ainda se desejam?

A s�rio?

Traga-me j� mais um.

Ningu�m me leva a Veneza...

Acabaste de dizer que � banal.

Sim...

Mas eu gosto de banalidades.

� s� um per�odo, vais ver.

Todos n�s passamos por fases e depois passa.

As fases m�s nunca s�o fases.

Acredita que isto j� passou da fase.

� a minha vida.

Seja como for, quando estamos em tr�nsito, n�o acontece nada.

Em tr�nsito para onde?

Esquece.

Tu n�o podes compreender, a vida corre-te bem.

E al�m disso, a tua filha � feia.

Desculpa.

Perd�o...

Por outro lado, n�o deixa de ser verdade.

A Emma � um bocado estranha, n�o �?

Acredita que nem sabes a sorte que tens.

Vou esperar pelo t�xi l� fora, preciso de ar.

O que foi?

Sophie, o que foi?!

Bom dia, querida.

Comprei-te biscoitos de fibras, d�o imensa energia.

Que simp�tica, obrigada!

- Queres caf�? - Sim.

Est�s bem? Pareces tensa.

� o teu exame hoje. Eu sei que � impor- tante para ti. Tenho um n� no est�mago.

Que querida...! Vai correr bem.

Que rid�culo, tu � que me tranquilizas!

As bolachas s�o deliciosas. Obrigada.

Ainda bem que achas. Atravessei Paris ontem para as comprar,

porque li que s�o �ptimas antes de um exame.

� uma audi��o, mas vai quase dar ao mesmo.

Que se passa? Foi alguma coisa que eu disse?

Desculpa, s�o os nervos.

� que...

N�o � nada, obrigada.

Obrigada, Menina.

Respira fundo...

Vai correr tudo bem.

Obrigada, Menina.

Querida, foste maravilhosa!

Vais representar a escola na audi��o nacional para a �pera de Paris! � colossal!

Parab�ns, estou muito orgulhosa.

Est�s contente?

- Estou, mas um bocado assustada. - Isso j� passa, n�o te preocupes.

Vou ter com o F�lix.

Porque est�s aqui enfiado?

N�o queria incomodar-te.

� incr�vel como ela dan�a bem!

Mas olha que os outros n�o eram muito bons.

Podes parar de ser sempre t�o negativa?

Eu n�o sou negativa!

Foi s� uma observa��o!

Eles n�o eram muito bons.

V� l� se fazes um esfor�o. A tua atitude perturba a Mathilde.

Passa-se alguma coisa?

Nada, est� tudo bem.

E n�o tenho qualquer interesse em discutir isso contigo.

Obrigada por teres atendido.

Desculpa aquela noite, tinha bebido demais...

Eu sei.

Queria dizer-te que a Mathilde passou na audi��o.

- Agora vai poder concorrer � �pera. - A s�rio? Fant�stico.

A s�rio, foi extraordin�rio! Devias t�-la visto!

Ela merece-o.

V�o comemorar?

- N�o, ela vai ter com os amigos. - Queres jantar c�?

- O Thierry tem trabalho, chega tarde. - Aceito com muito gosto.

At� j�.

Lamento, mas n�o temos pop franc�s.

N�o vim procurar isso, queria comprar um disco de jazz.

Tem alguma ideia mais concreta?

Sim, queria um disco do Col...

- Cole Porter? - N�o.

- Coltrane. - � isso!

Incr�vel, nunca me deixam acabar de dizer!

Temos o cl�ssico "A Love Supreme".

As baladas s�o bastante acess�veis.

Desculpe, mas n�o tem mais pequeno?

Como assim? Em CD?

O jazz ouve-se em vinil. Tem um gira-discos?

E tamb�m n�o tenho um walkman.

Deixe estar, n�o faz mal. Vou tentar encontrar em CD.

Mas � uma pena.

- Porqu�? - Porque o verdadeiro som � o antigo.

O verdadeiro som � o antigo.

Tenho aqui um em segunda-m�o.

Espere.

Diz-me que para ouvir o Coltrane com o som verdadeiro...

tenho de comprar um gira-discos?

� prefer�vel, sim.

Deitei fora o meu gira-discos h� 20 anos!

E agora tenho de comprar outro...

A s�rio, sendo assim, vou vender o meu corpo,

e recupero aquele de h� 20 anos.

Certo...

Fique � vontade.

Compraste um gira-discos?

Queria um som a s�rio.

Mas isto n�o muda nada.

Deixei-lhe mensagens, e ele n�o me responde.

- C� para mim, acabou. - Sabes l�...

Fazes bem em pedir desculpa.

Quando � s� cama, � f�cil, nunca tive problemas com isso.

Os gajos querem sempre.

Mas uma verdadeira hist�ria de amor...

C� para mim, acabou-se.

� bom ouvir-te ser t�o positiva!

E tu?

�s feliz?

Porque est�s sempre a perguntar-mo? N�o te pare�o feliz?

Sim, pareces...

Toma.

- Fuma isso em casa, vai fazer-te bem. - Porque me d�s isto?

M�e, vou andando!

Est� tudo bem?

Estamos s� a tagarelar.

Excelente not�cia, a da Mathilde.

Da Mathilde?

A audi��o.

Sim, sim, estou muito feliz!

Vou com ela a casa do Raffi, os pais emprestaram-nos a casa.

- N�o chegues tarde! - Prometo!

Emma, queria dizer-te...

Est�s verdadeiramente...

... deslumbrante!

- A s�rio? - Sim, assim ao natural...

Est�s perfeita!

Obrigada.

Tenham um bom ser�o. Beijinhos.

Escusas de exagerar!

N�o, a s�rio, adoro-a! Ela � fant�stica!

Adoro a vossa rela��o.

� t�o simples.

N�o � sempre assim t�o simples.

Sim, claro, mas... entendem-se.

N�o sei.

Sim.

Tu fazes tudo t�o bem.

Vi o Thierry com outra mulher.

O qu�?

Uma loura.

Estatura mediana, bonitinha.

Estavam a fazer compras.

Porque me contas isso?

Achei importante saberes. �s minha amiga.

Achaste importante eu saber?

E se te metesses na tua vida? N�o tens problemas de sobra?

Quem �s tu para achar que � importante que eu saiba?

Estamos juntos h� 20 anos.

Temos os nossos altos e baixos, mas amamo-nos.

Eu sei que ele �s vezes se sente tentado,

e se queres saber, dado que a senhora acha t�o importante saber tudo...

... tamb�m j� me aconteceu. - A s�rio?!

Mas nunca me contaste!

N�o.

N�o te conto tudo.

Se eu tivesse visto o teu marido...

enfim, o teu ex-marido, j� que ele se pirou e at� se entende porqu�...

Se eu o tivesse visto com outra, teria ficado calada.

E ser achasse a tua filha feia, tamb�m n�o te dizia nada.

� que �s vezes...

... h� que preservar os amigos.

Mas eu nem sei se somos amigas.

Tu queres espalhar a tua amargura.

Ouve...

Desculpa, eu... Pensei mesmo que estava a fazer bem.

Ent�o para de pensar!

Sobretudo, n�o penses por mim. � melhor para todos.

Ouve...

Acho melhor ires-te embora.

Sophie...

Lamento imenso!

- Desculpa, mas... - Mas o qu�?

Mas o qu�?

Entre.

N�o cheguei tarde?

Estava � sua espera.

Venha, podemos sentar-nos aqui.

Surpreendeu-me que tenha partilhado a nossa conversa com o Sr. Germain.

Quero dizer, surpreendeu-me desagradavelmente.

E eu fiquei desagradavelmente surpreendida pela forma como me falou.

Mas j� estou habituada. Mulheres do seu g�nero, � beira da menopausa,

super-amargas, que j� ningu�m quer comer, j� conheci muitas.

- N�o � muito original. - Isso � maneira de me falar?

Falo como quero. Vai fazer o qu�? Apresentar queixa?

J� percebi o seu joguinho.

Est� a ver se me provoca para eu perder a cabe�a...

Eu tamb�m j� vi muitas arrivistas est�pidas do seu g�nero, que todos comem.

- Acha-se muito original? - J� chega!

J� despej�mos o nosso veneno, podemos mudar de assunto?

O Sr. Germain quer que trabalhemos juntas.

Ponha as frustra��es de lado para bem dos alunos.

Frustra��es?

Mas voc� nunca se questiona?

Chega, diz bom dia e p�e-se logo a mandar...

Talvez.

Talvez eu tenha feito mal em avan�ar t�o depressa.

Mas na verdade somos iguais.

Sim, voc� � insuport�vel, mas v�-se que adora os alunos.

Sim.

E ent�o?

Pense nas minhas ideias.

"Ideias"? N�o ser� um termo algo forte?

Pare.

Estou certa de que era igualzinha a mim, na minha idade.

Tente lembrar-se.

Mesmo que tenha de recuar muito...

Ol�, Sebastien.

Atrevo-me a ligar-te novamente,

mesmo sabendo que n�o queres falar comigo,

Porque...

N�o quero ser uma chata que est� sempre a mandar mensagens,

embora que afinal esteja a faz�-lo.

Mas queria pedir novamente desculpa.

Se ouvires a mensagem, queria tamb�m dizer-te que...

Seleccione asterisco para ouvir a sua mensagem.

Merda!

Sebastien Corti. Deixe mensagem.

Sebastien, sou eu outra vez. Desculpa.

Lamento.

Ligo, pois n�o acabei a outra mensagem, por isso n�o � mais uma mensagem.

Considera esta mensagem a continua��o da outra.

N�o � que te tenha ligado duas vezes.

Queria dizer-te que...

J� me esqueci... Sim, j� sei! Estava a dizer...

Seleccione asterisco para ouvir a mensagem...

Mas que merda! Porra! Que chatice!

N�o interessa, vou voltar a ligar.

Vou acabar.

Sebastien Corti. Deixe mensagem.

Lamento imenso, vais pensar que te persigo, mas n�o.

Queria dizer que comprei um disco do Coltrane.

Porque sei que gostas muito.

E mesmo sabendo que n�o queres falar comigo,

queria dizer que quando o ou�o, � um pouco como se estivesses l�.

Espero que estejas bem e... Fica bem.

Era a Nathalie, claro. Adeus.

- Obrigada por ter tirado o macaco. - N�o tem de qu�.

E ent�o, como se sente?

Mal.

Muito mal.

Sinto que j� n�o me controlo. Ajo impulsivamente e arrependo-me.

Por outro lado, quando n�o estamos bem, a felicidade dos outros incomoda-nos.

Sim, � verdade...

Fa�o tudo mal.

� como se o mundo se tivesse tornado hostil.

Mas n�o � s� uma impress�o.

Por exemplo, no trabalho, h� uma arrivista est�pida que todos...

Desculpe interromp�-la, Sra. P�cheux.

Eu sou cl�nico geral. Perguntei-lhe como est�, fisicamente.

Sim, claro, mas...

Conhecemo-nos h� algum tempo. Podemos falar um pouco, n�o?

N�o sei... Talvez fosse melhor consultar... um psiquiatra?

Porque as suas an�lises est�o �ptimas.

Sim, mas est� tudo ligado, n�o?

Se o meu corpo n�o estiver bem, n�o consigo relacionar-me com os outros.

O Sr. Dr. � que me falou em "tr�nsito", se bem se recorda.

E quanto tempo vai durar isto? � que eu j� estou farta...

Devia procurar descontrair-se. N�o sei, fa�a...

... ioga, talvez?

Ioga?! N�o, acho sinistro!

O dedo indicador e o dedo do meio no ch�o.

Expirem e soltem...

... e regressem � posi��o cadeira.

Aten��o, Tania, tem as costas demasiado arqueadas.

Muito bem.

J� est�s demasiado para tr�s. Como te chamas?

Nathalie P�cheux.

Basta Nathalie.

Encontra o teu ritmo, sim? O que importa � a viagem, n�o o destino.

Pousem as n�degas no ch�o

e fa�am uma transi��o para a posi��o do arado.

Onde est� toda a gente?

Foram-se embora, a aula acabou.

J�?

Tens os bilhetes?

Bom dia, senhor.

Muito obrigado.

Est�o 32 graus em Kani.

- Que felicidade! - Bom, P�cheux...

Est�o 32 graus em Kani!

P�cheux, P�cheux...

N�o vos vejo na lista.

Como � poss�vel?

Tem a certeza que reservou esta viagem?

Claro que tenho! Reservei-a h� um m�s.

Realmente... Deixe-me verificar.

H� algum problema?

N�o nos encontra.

A s�rio? Mas estamos aqui!

N�o nos encontra na lista.

Desculpa, percebi mal.

- V�s se tens ai P�cheux com X no fim? - H� algum problema?

Ao que parecem, voc�s anularam a vossa viagem...

... no dia 13 de Janeiro, e os vossos lugares foram vendidos.

Que disparate! Estamos aqui, portanto n�o anul�mos nada.

Ter�o de ver com o vosso agente de viagens, mas...

Lamento.

Para de dizer que lamenta e encontre os nossos nomes!

P�cheux.

Calma, arranjamos-lhe lugar na pr�xima viagem.

N�s queremos ir agora, n�o daqui a seis meses!

O que fazem aqui?

- A nossa viagem foi anulada. - O qu�?

Ou melhor, algu�m a anulou.

- Quem poderia fazer tal coisa? - Tenho as minhas suspeitas.

� �bvio que foi ela. Vi a cara que ela fez nos teus anos quando lhe disse que �amos.

Esperem, talvez n�o tenha sido ela.

- S� h� uma maneira de descobrir. - A s�rio? Como?

Liga-lhe e diz-lhe que partimos.

Se ela estiver mais do que 3 segundos em sil�ncio, � porque foi ela.

- Onde foste buscar isso? - Vi numa s�rie.

V�, Mathilde.

Ol�, querida!

- Ligo em m� altura? - N�o, � bom ouvir-te.

Est� tudo bem?

Sim, estou a trabalhar.

- Estou sozinha em casa, sabe-me bem. - Eles j� partiram?

Sim, o pai ligou antes de descolarem.

Vai fazer-lhes bem apanhar sol.

Sim, ele est� muito feliz. Espera j� te ligo, tenho aqui outra chamada.

- Porra, foi ela! - Vou ligar-lhe.

- Deixa-me ligar-lhe eu. Vou arras�-la! - N�o quero.

Porqu�?

Se ela fez isso, � porque est� muito mal, � escusado salient�-lo.

Para a pr�xima, n�o lhe contamos que vamos.

Est�s muito zen...

Ela j� � suficientemente pat�tica...

- Desculpa, n�o devia ter dito isso. - N�o, tens raz�o.

Acho que devias voltar para casa.

Porqu�?

Se a deixas, ela vai-se abaixo, e ningu�m quer isso.

Tamb�m viste isso numa s�rie?

Est�s bem?

- Precisas de alguma coisa? - N�o, estou bem.

Conheces o Coltrane?

Conheces?

Devias ter-me dito!

#Lamento imenso.#

Vens jantar?

Estou a experimentar penteados para a audi��o.

Quando eu era pequena, adoravas pentear-me.

� verdade.

- Vens comer? O jantar est� pronto. - Vou j�.

Que se passa?

Mathilde! Que se passa?

Bebe �gua.

Bebe, querida.

Bebe.

Olha para mim.

Respira fundo. Levanta a cabe�a.

Jean-Pierre!

E ent�o?

Est� tudo bem, est� a descansar.

Posso v�-la?

N�o, eles disseram que ela agora precisa de calma.

C� est� o m�dico...

Sou o pai da Mathilde. Como est� ela?

Demos-lhe uma injec��o de cortisona e ela reagiu muito bem.

Vamos mant�-la sob observa��o duas horas, e se tudo estiver bem, podem lev�-la.

Ela mencionou uma audi��o.

Lamento, mas n�o vai poder participar.

O que aconteceu?

Ela sofreu um angioedema muito grave.

Mas sem choque anafil�tico. Achamos que � uma reac��o al�rgica.

Sabem se ela faz alergia a algum alimento?

Tem de evitar as nozes e os amendoins.

E acha que pode ter comido algum?

N�o, fui eu que lhe preparei a comida...

� melhor verificar.

Por vezes encontram-se em alguns pratos cozinhados.

Obrigado, Sr. Dr.

Eu fico com ela.

Descansa, querida.

Boa noite, querida.

Que se passa? O que fazes?

O que � isto?

Sim, mas...

Sabes bem que nunca o uso com a Mathilde.

N�o, n�o sei.

N�o posso ter usado. � imposs�vel.

Na v�spera da audi��o. J� te deste conta?

- J� disse que n�o fui eu. - N�o h� aqui mais ningu�m!

Tenha sido de prop�sito ou n�o, vai dar ao mesmo.

Est�s doente, Nathalie. Tens de te tratar!

Deixo-a dormir aqui e durmo no sof�, mas amanh� levo-a para minha casa.

E tu n�o te aproximas mais dela, entendido?

N�o quero que voltes a aproximar-te dela!

Jean-Pierre, acredita em mim!

Eu seria incapaz de fazer tal coisa!

N�o fui eu!

Eu n�o podia...

N�o podia fazer isso...

N�o fui eu.

� imposs�vel.

Est�s bem, Nathalie?

Sim, desculpa, eu...

Tive um problema.

Nada de grave, espero?

N�o te preocupes, a Melanie Pick ocupou-se dos teus alunos.

- Os meus alunos? - S� hoje.

Mas tu est�s doido?!

Mathilde!

Jean-Pierre?

- Onde est� ela? - Em minha casa.

- Preciso de falar com ela! - Trata mas � de ti.

Alunos, venham comigo.

- N�o pode interromper assim a aula! - E roubar-me os alunos? Pode-se?

- N�o roubei nada! Voc� n�o estava... - N�o tenciono discutir.

Vamos l�, meninos!

Est�o todos aqui?

- Qual � a nossa sala? - � a 114.

Pois �!

Ol�.

Nathalie, o que fazes?

Vou dar aula aos meus alunos. Normal�ssimo num liceu.

S�o 12h25. Toca daqui a 3 minutos.

A s�rio?

Est� bem.

V�o almo�ar.

Depois compensamos...

... a aula noutra altura.

Estou t�o chateada comigo mesma...

A culpa n�o � tua, Isabelle.

N�o podias imaginar...

O teu professor ligou, quer vir c� ver-te.

N�o sei... Est� tudo perdido.

Porque dizes isso?

Fazes a audi��o daqui a umas semanas. Agora tens � de descansar.

Obrigada.

Obrigada por tudo.

A tua m�e queria vir ver-te, mas o teu pai n�o deixou.

Fez bem.

N�o acredito!

�s tu...

- Est�vamos preocupados, n�o atendias. - Eu n�o lhe fiz mal de prop�sito.

Eu sei.

- Queres beber alguma coisa? - N�o, obrigada.

Ainda bem, n�o tenho nada.

N�o sei o que aconteceu.

J� n�o consigo controlar nada.

H� semanas que n�o est�s bem.

Mas n�o te podes deixar ir assim.

Eu nunca recuperarei.

Vou matar-me.

Que disparate!

Ela acabar� por perceber.

- Achas? - Sim.

Obrigada!

�s mesmo uma boa amiga!

Puseram-me de baixa.

Perdi os meus alunos.

Tens de te tratar, Nathalie.

Falaram-me duma pessoa muito boa.

� especialista em rela��es m�e-filha. Fazia-te bem falar com ela.

A s�rio!

N�o, mas... N�o gosto de falar assim...

... com desconhecidos, fico t�o desconfort�vel.

Vou marcar-te uma consulta.

N�o sei se depois vou. Al�m disso, tenho imenso que fazer.

#N�o te esque�as da consulta. � importante.#

Foi a sua amiga que lhe marcou a consulta.

Apercebeu-se de que a senhora precisava...

Est� de acordo com isso?

Eu?

Pergunta-me se estou de acordo? Bom...

N�o fa�o ideia. A Doutora � que sabe, n�o?

Geralmente, nos conflitos m�e-filha,

eu tamb�m vejo a filha.

Est� bem.

Veio sozinha?

Sim.

N�o a trago aqui na mala.

- Desculpe. - Onde est� ela?

Desde que tentei mat�-la, mas n�o foi de prop�sito...

Desculpe.

- Desculpe, eu sei que n�o tem piada. - Realmente, n�o.

Tem �gua? Estou com imenso calor. Tenho a l�ngua toda seca...

� como se estivesse no deserto. Apetece-me nadar.

Muito obrigada.

Muito obrigada.

J� me sinto melhor.

E a Doutora? Tudo bem com a sua filha?

N�o estamos aqui para falar de mim.

N�o tem filha.

Que parvo�ce!

Como pode ser especialista em rela��es m�e-filha, se n�o tem uma filha?

� como pedir a um vegetariano que fa�a uma tese sobre os talhos.

Sra. P�cheux, acho que tomou qualquer coisa.

Vou envi�-la a um colega que est� muito mais...

- N�o fique zangada. - N�o estou zangada.

Ele � muito melhor para si. Aqui tem.

- Aborreci-a? - De maneira nenhuma. Tome.

A s�rio?

Sabe bem!

Sabe-me imensamente bem!

N�o sei porque � que nunca mais c� vim!

Eu venho c� nadar todos os dias.

A s�rio? Bravo!

Chamo-me Monique.

Eu sou a Nathalie.

- Bom dia, Nathalie. - Muito prazer.

Vivo aqui h� 30 anos, mas sou do norte.

Vim por causa do meu marido,

mas ele agora est� morto.

- E a senhora, � casada? - N�o.

Enfim, fui, mas divorciei-me.

Tenho uma filha.

Que bom!

N�o tive essa sorte.

Que idade tem ela?

Tem 18 anos, � bailarina.

Que maravilha! Adoro espect�culos de dan�a!

Se um dia precisar de companhia, irei com muito gosto!

- Claro. - E a senhora, o que faz?

Sou professora de Literatura.

Mas estou de baixa.

Dizem que n�o estava no meu estado normal.

E � verdade, eu n�o estou bem.

N�o estou bem h� j� algum tempo.

E n�o sei se poderemos ir ver um espect�culo de dan�a dela,

porque a minha filha n�o fala comigo.

Que triste...

� natural.

Faltou � audi��o por minha causa.

Eu compreendo...

N�o sei como fazer as pazes.

E os meus pais j� morreram.

Tenho tantas saudades da minha m�e...

Pensamos sempre que eles s�o eternos, mas um dia...

Estamos s�s.

Desculpe, n�o sei porque lhe digo tudo isto.

� a piscina.

Tem sempre este efeito, na primeira vez.

Por favor, passei o dia � tua espera!

- Acho que n�o � boa altura. - Gosto muito de ti, mas n�o te metas.

Ele tem raz�o. N�o te quero ver. Respeitas isso?

Sim, respeito.

Mas respeita como eu sofro sem poder falar contigo, para te explicar.

Certo, eu cometi um erro.

- Achas mesmo que fiz de prop�sito? - Isso n�o muda nada!

Tu mentes, �s ciumenta, estragaste-me a vida!

Trabalhei meses como uma doida!

Eu sei, por isso, nunca poderei perdoar-me.

- Mas agora vou � piscina. - E depois?

E tamb�m ando no psiquiatra. Vai voltar tudo ao que era, acredita.

Agora n�o.

Ent�o quando?

Est� delicioso!

Muito obrigada por me terem convidado.

Para de p�r esse ar de refugiada que acolhemos.

N�s n�o te vamos abandonar.

Felizmente, tenho-vos a voc�s.

Conta l� da psiquiatra.

� formid�vel!

� uma mulher verdadeiramente extraordin�ria.

Eu sabia! Estou contente! Tinha a certeza! Quando voltas l�?

Para a semana.

Preciso de tempo para digerir tudo isto.

Mas j� me sinto muito melhor.

E voltei � piscina.

Excelente! � um bocado simb�lico.

Porqu�?

Para lavares os teus erros.

A s�rio? Agora deste em psiquiatra?

Sim, talvez... N�o tinha visto isso assim.

Achas que todos os nadadores fizeram asneiras?

N�o vou t�o longe.

Seja como for, a cicatriza��o de uma dor passa pelo corpo.

Est� irreconhec�vel, desde que trabalha com japoneses.

A prop�sito...

Como vai esse projecto?

Ainda � o Sebastien que...?

Vai fazer em Bercy um jardim inspirado em Kyoto.

O que faz ela aqui?

Como podem convid�-la?

� de loucos! Ela quis matar a filha e voc�s jantam calmamente?

Tem calma, Emma.

J� agora, convidem a outra louca que congelou os beb�s!

Ficava um ser�o infanticida completo!

O que achas, Nathalie? Seria simp�tico, n�o?

Emma, p�ra j� com isso.

- N�o paro nada! - Chega!

- N�o a quero c�! - Chega!

Fica com a tua amiguinha e deixa-me em paz!

Inacredit�vel!

Desculpa l�...

Eu compreendo.

Somos amigos h� muito tempo, n�s conhecemos-te, Nathalie.

Obrigada.

Podes contar connosco.

Sabes que estou aqui?

N�s percebemos que tu n�o estavas em ti. Todos passamos momentos dif�ceis.

Todos fazemos coisas que lamentamos.

Impulsivamente.

E se queres mesmo saber, eu tamb�m te perdoo.

Pelo qu�?

A Sophie contou-me o que lhe disseste.

Primeiro, fiquei furioso.

Achei t�o profundamente mal�fico.

Ela disse-te...

Sim, n�o escondemos nada um ao outro.

Tu viste-me com a minha prima.

Ela raramente vem a Paris, e soube-me bem ir com ela �s compras.

Estou a ver...

Ela admite que foi longe demais, mas n�o quer pedir desculpa.

N�o faz mal.

- De que falavam? - Da minha prima.

Hoje acho-a mais triste.

N�o sei...

Tudo me parece...

t�o dif�cil...

Eu sei que tem for�a para compor tudo.

Ali�s, o seu nome �...

Nathalie.

"Nathalie" significa...

... "nascimento".

Portanto, vai renascer.

Acha?

Sei que sim.

Gosto muito de si.

Eu tamb�m.

Posso fazer-te uma pergunta?

Claro, querida.

Nunca ficas triste por...

... n�o ter um filho?

Sim.

Claro que sim.

Mas � assim, � a vida.

O corpo � que decide.

� como com as alergias. N�o sabemos porque...

... rejeitamos este alimento ou aquele. � a mesma coisa.

Talvez seja por isso que dan�as.

N�o vejo a rela��o...

� uma arte em que dominamos o corpo.

Percebes?

Nunca tinha visto isso assim...

Mas duvido que dance por causa das alergias...

J� pensaste em dan�ar o "Quebra-Nozes?"

- Falas a s�rio? - Sim.

�s vezes, � dif�cil perceber se est�s ou n�o a ser ir�nica.

N�o, n�o estou a ser ir�nica.

Acho eu.

Bom dia!

Gostamos muito de estar aqui. � um bairro muito simp�tico.

E quando bebemos o nosso aperitivo?

O nosso aperitivo?

Venha l� a casa beber um copo.

Sim, mas... Agora n�o posso, vou � piscina.

- H� uma piscina no bairro? - V�s? Olha a tua sorte!

Querias voltar a nadar de costas.

� simp�tica, a senhora.

Bom dia, desculpe incomodar.

Queria contactar uma senhora idosa que vem todos os dias. S� sei que se chama Monique.

A Sra. Mougins. J� sei quem �.

Devem ter o telefone dela ou a morada na ficha de inscri��o...

Sim. Porque quer saber?

Combin�mos encontrar-nos e ela n�o apareceu. Fiquei um bocado inquieta.

D�-me um segundo.

Mougins.

N�o tenho nenhum telefone, mas ela mora na Rue St. Maur, n� 76.

Fica aqui mesmo ao lado.

Obrigada e adeus. Tenha um bom dia.

Posso ajud�-la?

Procuro uma senhora que mora aqui, a Sra. Mougins.

A Monique... coitadinha...

� da fam�lia?

N�o, sou uma amiga.

Caiu pelas escadas abaixo ontem e morreu instantaneamente.

Lamento.

Come��mos a plantar ali.

Olha a Nathalie.

O que fazes aqui?

N�o posso dizer que estava aqui perto...

N�o tenho muito tempo. O que queres?

Dei-me conta que a minha reac��o foi...

... excessiva.

Achas que sim?

Eu n�o estava bem...

... e misturou-se tudo na minha cabe�a.

Tu podias achar a minha filha bonita sem isso ter qualquer mal.

E � verdade, ela � muito bonita.

Fico contente por admitires, mas o que � que isso altera?

N�o sei.

Na verdade...

... vim para te pedir outra coisa.

Vais achar doido, mas tenho uma amiga que morreu.

Enfim, n�o a conhecia muito bem, mas...

... o funeral � amanh� e n�o tenho coragem de ir sozinha.

Queria perguntar-te se podes vir comigo.

Nem sei o que dizer.

Eu compreendo.

Expulsaste-me de casa a chamar-me os piores nomes

e agora apareces para me propor ir contigo a um funeral?

Precisamente.

- Tu n�o ser�s meia louca? - De maneira nenhuma.

Pelo contr�rio.

� amanh� �s 10h, no cemit�rio de Montparnasse.

V� l�, Mathilde!

Glissade, assembl�.

Estica os bra�os! E outra vez!

Mant�m, mant�m! Muito bem!

E novamente, glissade, assembl�l

- Continua! - N�o consigo, Marco.

Senta-te.

Respira fundo.

N�o te preocupes, tens um m�s para te preparar.

Eram amigos da Monique?

Eu conhecia-a mal, and�vamos juntas na piscina.

Ela adorava nadar!

Sou a sobrinha dela.

� triste, t�o pouca gente...

� medida que envelhecemos, vamos perdendo os amigos...

Quero dizer, j� morreram muitos.

Adeus.

Fiquei com tanta pena dela...

N�o te basta um sinistro segundo encontro num cemit�rio,

ainda por cima vais ficar deprimida?

Muito obrigada por teres vindo.

Espera, quero ver � frente de que t�mulo nos beij�mos.

Madeleine Pinchot, 1918-1995.

Madeleine, assistiu ao nosso primeiro beijo.

N�o nos t�nhamos beijado j�?

Sim, mas esse n�o contou.

Baixem a cabe�a...

... em homenagem � actividade.

Levantem a cabe�a.

Podem abrir os olhos.

E proponho que aplaudamos a Nathalie que hoje n�o adormeceu.

Bebi dois caf�s antes de vir.

� o teu filho?

Que querido!

Espera, espera!

Tenho uma coisa para te dizer.

O que �?

N�o pensei nisso quando nos beij�mos no cemit�rio.

Podia ter-te dito naquela altura, mas...

N�o posso fazer amor contigo sem te dizer.

Encontraste algu�m?

- Eras solteiro e eu estraguei tudo. - N�o!

Ent�o o que �?

Est�s doente? Vais morrer?

N�o � nada disso.

Ent�o conta-me.

Vou para o Jap�o. Daqui a uma semana, vou por um ano.

- N�o acredito...! - N�o sabia que �amos voltar a ver-nos.

Est� tudo combinado, e a m�e do meu filho deixa-o vir tamb�m.

- O que queres que eu fa�a? - Nem sei o que dizer...

Mas isto n�o altera nada, um ano passa depressa.

Um ano, na nossa idade?

Equivale a cinco anos!

N�o.

- Sim. - N�o...

Vamos fazer amor, depois logo pensamos nisso.

Est� bem.

Madeleine, como est�?

Fui ver a campa da Monique e decidi vir dizer-lhe ol�.

Ele foi-se embora.

N�o para sempre, mas...

Estou contente por te ver de volta.

Eu tamb�m.

C� est� ela!

Surpresa!

- � t�o bom ver-te! - Obrigada, Catherine.

Seja bem-vinda.

Isto foi sinistro sem si, n�o tive com quem discutir...

- Quer beber um copo? - Sim.

Est�s com �ptima cara! Maravilhosa!

Olha os meus alunos! Thomas!

- Est�s bem? - Sim, sim.

V�o fazer-me chorar!

Tivemos tantas saudades tuas!

Obrigada, Tak.

Isto fez-me imenso bem!

Francamente!

- S� corremos 8 minutos! - S�?

Pareceu-me uma hora!

Vamos sentar-nos.

Excelente ideia!

H� novidades?

Falamos pelo Skype.

Mas sinceramente...

Estou a pensar parar.

Isto n�o vai dar em nada.

Porqu�?

Ele partiu por um ano, � muito tempo.

Aquelas japonesas todas angustiam-me.

Nos meus pesadelos, elas atiram-se a ele aos molhos.

Ri-te, mas aquelas geishas sonsas s�o do piorio!

Que disparate!

Sim! Olha a Yoko Ono! O Lennon passou-se completamente.

O Sebastien n�o � o Lennon.

Sabes que falei com a Mathilde pelo telefone?

E s� me contas agora?

Preferias que te contasse quando est�vamos a correr?

De que falaram?

Foi muito tranquilo, muito agrad�vel.

Ela n�o quer ver-me antes da audi��o.

� compreens�vel.

Mas foi... foi terno.

Estou t�o nervosa por ela!

Vai correr bem.

Desde que n�o lhe d�s jantar...

Est�pida!

P�ra!

Anda, v�!

Marcha-atl�tica.

Estou mesmo em forma!

Pr�xima candidata. Mathilde P�cheux.

Bom dia. Vou fazer uma varia��o do "Quebra-Nozes".

Muito bem, menina.

Menina P�cheux,

apesar da qualidade da sua perfomance,

o j�ri decidiu

que n�o cumpre os requisitos para ingressar no nosso corpo de bailado.

Agradecemos a sua participa��o.

N�o compreendo...

Foste maravilhosa!

Com licen�a!

Voc�s n�o t�m vergonha? Como podem n�o a aceitar?

Est�o a� a julgar, tranquilamente,

mas d�o-se conta dos sacrif�cios que ela fez?

- Minha senhora, acalme-se. - Acalmar-me, eu? Mas porqu�?

Como manter a calma, perante tanta incompet�ncia?

A vossa amargura � tal, j� n�o veem a beleza e a eleg�ncia!

E nem vos digo aquilo por que ela passou!

Porque, se querem saber, eu ia-a matando. Sim, eu, a m�e dela.

Poupo-vos aos pormenores, mas n�o imaginam a coragem dela.

E passa-vos tudo ao lado?!

Aposto que se a Aur�lie Dupont viesse fazer uma audi��o,

voc�s dir-lhe-iam que n�o tinha talento. Mas quem n�o tem talento s�o voc�s!

� preciso ser frustrado para julgar os outros.

Chefezinhos com poderzinhos... � isso que voc�s s�o!

- J� chega, minha senhora. - Deixo-vos na vossa mediocridade.

Deviam ter vergonha!

M�e!

O que est�s a fazer? Vais constipar-te. Est�s doida?

Fizeste-me passar uma vergonha!

Eles � que deviam ter vergonha por n�o te ter seleccionado.

Eles � que escolhem, � assim mesmo. N�o tinhas nada que te meter.

Eu sei que n�o sou uma m�e perfeita,

mas posso avaliar o que vejo.

E eles s�o uns broncos.

- Tu n�o percebes nada. - Talvez.

Tu n�o queres ver-me, mas n�o podes impedir-me de te amar e defender

e ouvindo-os falar-te assim... N�o consegui ficar calada.

Seja como for, mesmo que me odeies um pouco mais, que diferen�a faz?

J� acabaste?

N�o ficaste muito desiludida?

Estou destru�da.

Queres que eu fique?

N�o � preciso, o Pai e o F�lix est�o ai.

Compreendo.

- Liga-me, quando quiseres. - Sim.

- Anda c�, querida, est�s enregelada. - Obrigada.

- S�o uns prepotentes. A tua m�e tem raz�o. - S�o umas n�doas!

Eu � que n�o fui suficientemente boa.

- Seja como for, vou parar. - N�o digas isso!

Dizes isso agora, no calor do momento...

N�o aguento mais. S�o sacrif�cios a mais.

Gosto de dan�ar, mas n�o a este ponto.

Posso sempre fazer como tu, Marco.

Como eu?

Sim, dar aulas.

N�o podes abandonar tudo agora.

Ensinar.

Como a tua m�e.

#Se n�o te importares, vou passar uns dias a casa na pr�xima semana.#

Tens tudo?

Sim. S�o s� uns dias, para ver como corre.

Volta quando quiseres, esta casa � tua.

Obrigada.

Estou contente por o meu pai ter algu�m como tu.

Ainda me fazes chorar...!

� o F�lix. Tenho de ir.

Bom ser�o, diverte-te.

- N�o te importas mesmo? - Claro que n�o, vai divertir-te.

Boa noite, M�e.

N�o te deites muito tarde.

Boa noite.

Venho em m� altura?

Porqu�?

Talvez devesse ter ligado por causa dos aperitivos?

Era esta noite?

N�o propriamente, mas como falamos disso h� muito tempo...

Trouxe-vos sal.

Sal?

Sim!

Da �ltima vez, enfim, a primeira, precisavam de sal...

portanto pensei que...

Se precisarem de sal ou de qualquer outra coisa...

Tamb�m tenho pimenta. E outras especiarias, caso cozinhem.

Se precisarem de mim, sabem onde me encontrar.

N�o fica longe e � pr�tico.

N�o compreendo.

Discut�amos �s vezes, como todos os casais,

mas �ramos felizes.

Talvez eu fosse um bocado ciumento demais...

Ela sentia-se sufocar...

Disse-mo muitas vezes, mas eu n�o quis ouvir.

Agora � tarde demais.

- N�o consigo perdoar-me. - N�o fique assim.

Faz certamente parte do amor.

A s�rio? Acha que sim?

E a Nathalie?

� ciumenta?

Ciumenta, eu?

N�o.

Acho que n�o.

Realiza��o

Produ��o

Argumento

Fotografia

Montagem

M�sica

Tradu��o: SARA DAVID LOPES

Ripadas e sincronizadas por: RicardoB/2018

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