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HOLOCAUSTO (1933-45) Exterm�nio de judeus europeus e outros, pelo regime nazi vigente na Alemanha. A persegui��o nazi atingiu o auge, com a "Solu��o Final". Um programa de exterm�nio em massa, adoptado em 1942 e levado a cabo, com implac�vel efici�ncia, por Adolf Eichmann. In: World Encyclopedia
EICHMANN, Karl Adolf (1906-6) Executor-chefe do Terceiro Reich. Respons�vel pela execu��o da " Solu��o Final ", de Hitler. Dirigiu e administrou, os campos de concentra��o, onde foram exterminados 6 milh�es de judeus. Ap�s a guerra, escondeu-se na Argentina, evitando assim, ser julgado em Nuremberga. In: Dictionary of World History
EICHMANN A SOLU��O FINAL
Obrigado.
A embaixada da Argentina pediu um esclarecimento oficial hoje.
O Primeiro-Ministro, David Ben-Gurion, recusou-se a comentar, neste momento ...
mas participar� de uma reuni�o de emerg�ncia, no Knesset.
A discri��o ser� essencial.
N�o deves contar a ningu�m. Ningu�m.
-Senhor... -� agora. Vamos.
Numa reuni�o de emerg�ncia, do Knesset, esta tarde...
o Primeiro-Ministro David Ben-Gurion, anunciou que, Adolf Eichmann...
procurado pelo assassinato de 6 milh�es de judeus...
est� agora, sob cust�dia, em territ�rio israelita.
Ser� julgado por crimes contra a humanidade e o povo judeu.
POSTO DA POL�CIA DE RAMLEH, ISRAEL, 1960
EICHMANN CAPTURADO!
Eu sei.
Cuidado com a cabe�a.
N�o te atrases para a minha consulta.
- Alguma vez me atrasei?
Sim.
Apesar disso, amo-te.
- Bom dia, Benjamin. - Bom dia, Vera.
- Ol�. - Ol�.
Sou Ben- Gurion. Venha comigo.
SEDE DOS SERVI�OS SECRETOS ISRAELITAS
O ministro est� � sua espera.
Ol�, Vera.
Estas pessoas, est�o a ouvir testemunhos e a recolher depoimentos de sobreviventes.
Mas s� voc� ter� a vis�o completa.
Com base no material que receber,
decidir� que perguntas fazer a Eichmann e quando.
Conhecendo-o, como conhe�o, sei que reunir� rapidamente as provas suficientes.
N�o ser� amanh�, de certeza.
Hans.
Capit�o Avner Less, este � o incorrupt�vel Hans Lipmann.
- Como vai? - Bem, obrigado.
O Hans, ser� o seu assistente.
Por favor, senhor. Seja simp�tico, senhor guarda.
Merci. Gracias. Dankeschon.
Vai-te lixar.
Ali est� ele.
A maior amea�a viva, de sempre, para o povo judeu.
N�o se preocupe, nem voc�, nem a sua fam�lia correr�o quaisquer riscos.
Riscos?
J� passaram 15 anos. Queremos justi�a.
Deixa o passado, no passado. Esquece.
N�o, Sarah. Queremos que o mundo saiba o que aquele homem fez.
Vingan�a?
Se lhe quiseres chamar isso, querida.
Sim, quero.
N�o achas que ele deveria ser julgado, de acordo com a lei?
Avner, mesmo que seja considerado culpado, o que faremos com ele?
N�o ser� executado. Ent�o, de que adianta?
E quem far� o interrogat�rio? Temos algu�m que tenha sido treinado?
- Ningu�m.
Ningu�m. Sim, ningu�m.
Ent�o, � melhor enforc�-lo ou fuzil�-lo agora.
- Mata-lo? - Poupava-se dinheiro.
De qualquer maneira, a nossa Justi�a est� um caos.
O Governo n�o est� preparado para ratificar a pena de morte.
H� quanto tempo est�o a discuti-la?
Desde a cria��o de Israel.
- Sim, h� 13 anos.
12 anos.
12 anos, isso.
13 anos, acho eu.
Acho que � respeit�-lo demasiado, dar-lhe um julgamento.
- Com certeza. - Pensem nisso.
Ent�o damos-lhe um julgamento...
Que � o que ele quer.
Quer dizer, que novas informa��es, podem ser obtidas?
Que mais h� para saber? Ele � um assassino.
Qualquer judeu que pense, que ele merece um julgamento, � um traidor do seu pr�prio povo.
- Certo. - N�o concordas, Avner?
Eu acho...
que devemos beber mais um copo.
Est� tudo bem, amigo?
Sim.
Sim.
O que � que o m�dico disse?
Bem, oficialmente estou em remiss�o.
Isso � maravilhoso... n�o �?
Sarah, tenho poliomielite.
Sim, mas...
sempre tiveste energia que chegasse, para duas pessoas.
Talvez.
Mas j� n�o tenho.
O grande erro, segundo o m�dico, foi ter tido filhos.
Mas o Avner e eu, sempre quisemos ter uma fam�lia.
E eles t�m sido uma b�n��o.
S� n�o quero que me vejam, numa cadeira de rodas.
Entre n�s os dois, perdemos cerca de 60 pessoas da fam�lia.
Imagina...
Aquele homem � respons�vel...
por n�o estarem aqui, 60 familiares nossos.
Deviam pagar a algu�m, para lhe dar um tiro na cabe�a e acabar com isto.
E parecer�amos um bando de assassinos...
que merecem perder, este nosso peda�o de terra.
Mandem o Eichmann para o inferno! Mandem-no para o inferno!
Capit�o Less? As suas pastas, senhor.
Obrigado.
Sr. Eichmann, sou o Capit�o Avner Less.
Se me permitir, far-lhe-ei algumas perguntas.
Permiss�o concedida, capit�o.
Pode confirmar que assinou este documento, Sr. Eichmann?
Sim.
Est� escrito que vim para Israel de livre vontade, para responder...
pela minha participa��o na "Solu��o Final".
Capit�o, ver� que posso provar...
que fui apenas uma pequena pe�a, numa m�quina, terrivelmente, intimidadora.
Agora, claro, no caixote do lixo da hist�ria.
A inten��o do Terceiro Reich era mais do que intimidar.
Bem, � claro.
O Reich estava a ser pressionado, em tr�s fronteiras.
A nossa sobreviv�ncia, como na��o civilizada, estava em jogo.
Voc�s em Israel, devem saber o que �, estar rodeado de inimigos.
Sr. Eichmann, disseram-me que est� disposto a dar a sua vers�o...
do seu papel no chamado, Terceiro Reich.
Isso � verdade?
Sim. Vamos come�ar.
Ol�!
Tamb�m senti a vossa falta.
- O que � que aprenderam hoje? - Fal�mos sobre o pap�.
Podemos conversar?
Vera.
Vera.
Tinha ordens para n�o contar a ningu�m.
Como � que todos os judeus no pa�s, souberam antes de mim?
At� as crian�as! Sou a tua mulher!
O que � que est�s a fazer? Porque � que me est�s a tratar assim?
Uma ordem � uma ordem!
Se me dizem para n�o contar a ningu�m, n�o posso contar!
- Isso � uma estupidez! - Estupidez?
Qual � a sua f� religiosa?
Existe um criador, que n�o pertence ao universo material.
Mas acreditar, que Deus est� separado da Sua cria��o...
- como digo, frequentemente, aos meus filhos, �... - Tem 4 filhos.
O segundo mais novo...
Dieter...
tem o nome do seu amigo, Dieter Wisliceny.
Ele foi seu subordinado, testemunhou em Nuremberga e afirmou que voc�...
Eu sei.
Ele culpou-me, para tentar salvar o pesco�o.
REGISTOS DAS FOR�AS ALIADAS DO JULGAMENTO DE NUREMBERGA
N�o lhe serviu de nada.
O Wisliceny afirmou, que voc� disse que iria...
" Pular no t�mulo de tanto rir...
" porque tem a morte, de 5 milh�es de judeus na consci�ncia...
" facto que lhe d�, uma satisfa��o extraordin�ria ".
Eu n�o disse " judeus ", disse " inimigos do Reich ".
Capit�o, ser� poss�vel beber um copo de vinho tinto, para acalmar o est�mago?
Sabia que as bebidas alco�licas, eram usadas como anest�sicos na guerra?
Capit�o...
se me quer retratar como um nazi b�bado...
que enviava judeus para a morte, num �xtase provocado pela loucura alco�lica...
consigo perceber o valor publicit�rio disso.
Mas, aqui entre n�s...
a exactid�o das minhas memorias, profissionais e pessoais, de factos que ocorreram h� 20 anos atr�s...
v�o refutar a ideia de que houvesse perda de controle.
Alguma vez se arrependeu, da sua admira��o pelo Fuhrer?
O Fuhrer...
era o espelho que nos mostrava uma Alemanha maior.
Quando nos apaixon�mos por ele, era a grandeza que existia em n�s...
que ele reflectia.
E quanto aos judeus que admiravam Hitler?
Simpatizo com a sua posi��o, porque partilhava das suas ideias.
E o que � que os alem�es n�o partilham com os judeus?
A heran�a racial.
O desejo do Fuhrer, que nos ordenaram que cumpr�ssemos...
era o de limpar o sangue alem�o, de todas as impurezas.
Porque � que tiveram de matar judeus gregos ou h�ngaros, para purificar a Alemanha?
Eu sei. Nunca conheci um judeu grego, de que n�o gostasse.
Mas eram essas as ordens.
Como � que os vossos m�dicos, diferenciavam a ra�a alem� das outras?
Eles conseguiram demonstrar, que as deforma��es gen�ticas das outras ra�as...
eram quase sempre de origem sexual.
Queridos Klaus, Horst, Dieter...
e meu querido Ricardo.
Meus queridos filhos.
Os meus quatro filhos.
Sabem com o que � que tenho sonhado?
Com um dia feliz, h� muito tempo atr�s, est�vamos n�s todos, juntos.
Dias felizes de liberdade.
BUENOS AIRES, ARGENTINA
Lembro-me da noite em que chegaram, � Rua Garibaldi.
A vossa m�e, trouxe-os, para ficarmos todos juntos,
para recome�armos a vida, na Argentina.
De repente, voc�s tinham um pai, novamente.
Naquela noite, naquela casa humilde em Buenos Aires...
est�vamos todos juntos, de novo, em seguran�a.
A vossa m�e nunca perdeu a esperan�a.
Naquela mesma noite, o vosso irm�o mais novo foi concebido.
Isso fez-me muito feliz.
Ele sabe, que nunca mais ver� os filhos?
Isso deixa-me enjoada.
Ah, n�o.
Devias estar na cama.
Tu tamb�m.
Espero que estejas preocupado, com a nossa seguran�a.
Hei, rapag�o.
Vamos para a cama.
Sei que, talvez nunca recebam esta carta.
J� esperava a separa��o, dos que amo, h� algum tempo.
Uma das �nicas coisas, de que me arrependo,
� que, por causa das minhas viagens, entre a Pol�nia, Berlim e Budapeste,
passei muito pouco tempo convosco e n�o acompanhei o vosso crescimento.
Muitas vezes, � noite, quando voltava para casa, pensava...
" Eles podem estar l� ".
11 DE MAIO DE 1960
Mas, no fim, j� estava cansado.
- Ol�. - Ol�.
Porque � que o seu departamento, se chamava IV. B4?
O quatro romano era para a Gestapo, o "B" era a religi�o...
e o 4 ar�bico, era para os judeus.
Era um departamento de transporte,
por isso consegui manter, um certo anonimato...
at� os traidores de Nuremberga, terem despejado a culpa que t�m, sobre mim.
Voc� tinha a reputa��o de ser um tirano desp�tico, no departamento IV. B4.
O meu trabalho, n�o era ser amado.
Ao pensar no meu papel,
que, agora parece t�o distante, no passado.
e quase sem import�ncia, pois n�o foi bem sucedido...
pondero, frequentemente, sobre as li��es da hist�ria.
Claro que existir�o sempre, liga��es subtis...
Com os 5 milh�es, que sa�ram das chamin�s, transformados em fumo�
As part�culas tinham de cair nalgum lado.
Este aqui.
74 PESSOAS
Em 1942, o seu motorista foi condenado � pris�o.
Por roubo. Ele roubou...do meu escrit�rio.
Um metro quadrado de lin�leo...
que voc�, �nica testemunha, encontrou no carro.
Sim, foi um descuido dele, deix�-lo ali.
Ele foi condenado a 4 anos.
Que mais � que ele fez, para o irritar?
N�o sei o que quer dizer.
Voc� casou-se em 1935.
Mas de acordo com Dieter Wisliceny, voc� teve v�rias rela��es extraconjugais.
Isso tamb�m d� direito � pena de morte?
N�o sei a que rela��es se refere, Capit�o.
N�o sei. N�o sei mesmo.
Ajude-me.
Duas criadas, tr�s secret�rias, uma mulher de neg�cios.
E uma amante, numa fazenda roubada, na �ustria.
N�o foi roubada.
O Reich transferiu para si, todas as propriedades, legalmente.
Ela era judia.
Na verdade, tinha-se divorciado dum oficial das SS, por ser judia.
N�o me lembro de nada disso.
Deixe-me ajud�-lo.
O Reich requisitou a fazenda, a 10km de Doppl,
e quando, a Ann Marie Schmidt se mudou para l�,
voc� cedeu-lhe m�o-de-obra, do campo de concentra��o.
N�o, n�o, n�o...
Essa acusa��o de que eu teria...
um ninho de amor campestre, na �ustria, com uma judia...
� engra�ada.
DOPPL, �USTRIA, INVERNO DE 1942
Fora!
Ele � abusador.
- O que se passa? - Nada.
Vou ser transferido para a Hungria.
Para a Hungria?
Os documentos da fazenda, est�o no teu nome de casada.
Ficar�s aqui...
sem a m�o-de-obra.
Mas, e os animais? Os cavalos?
Mata-os.
Bem, entrem.
Vem.
Ol�, pap�.
- Ol�. - Ol�.
- Queres uma bebida? - Sim.
Obrigado.
Quanto tempo durou a sua rela��o, com a Condessa Ingrid Von Ihama?
Ingrid era uma baronesa, n�o uma condessa.
Junt�mo-nos no in�cio da evacua��o h�ngara...
e separ�mo-nos no fim.
Deve ter sa�do caro, a um humilde oficial do Reich, com fam�lia para sustentar...
impressionar uma mulher t�o fina.
Soube que satisfazia, todos os caprichos dispendiosos que ela tinha.
N�o sei o que quer dizer.
N�o ia falar nisso hoje, mas...
um dos itens que lhe ofereceu, custou 1.300 marcos.
"O material tem de ser fornecido, pelo cliente. "
300 Gramas de ouro, de obtura��es dentais.
- Onde o arranjou? - Desculpe?
Para mandar fazer, dois an�is de suic�dio, para si e para a baronesa...
mas, parece que nenhum de voc�s, tomou as c�psulas de cianeto.
Fui um parvo, naquela �poca de loucura, enquanto o Reich ru�a...
Pensava ter encontrado na Hungria...
a minha alma g�mea.
BUDAPESTE, HUNGRIA - 1943
Saiam.
Este vestido foi usado pela minha tetrav�,
no baile onde se comemorou, a liberta��o de Viena, do dom�nio dos turcos.
� usado sem nada por baixo.
A tua ancestral aprovaria a minha vit�ria, contra o Oriente.
Em seis meses, limpei Viena de todos os judeus.
O teu grupo n�o faz o suficiente, enquanto pode.
Eu n�o fa�o o suficiente?
Dos 900 mil judeus h�ngaros, mataste apenas meio milh�o.
�s descuidado.
Deixas que se escapem, por entre os dedos.
A Pol�nia tinha 3 milh�es de judeus.
Hoje, n�o resta nenhum.
- Nenhum? - Nenhum.
Somando a isso 120 mil alem�es...
- Judeus? - Judeus. Claro, que eram judeus.
- Mais? - Mais.
700 mil russos.
Mais.
- 75 mil franceses. - Mais.
- 100 mil holandeses. - Mais.
Mais?
Mais. N�o chega.
Mais de 4 milh�es de judeus, j� foram processados.
Assassinados.
Usa as palavras correctas, ou nunca pertencer�s � ra�a superior.
Obrigada, soldado.
Sim?
Este beb� tem uma doen�a sangu�nea heredit�ria.
Agora...
cumpre o teu dever, para o bem do Reich.
Nada restar� da tua decis�o.
A carne da crian�a alimentar� os teus c�es.
E os ossos que n�o comerem, ser�o mo�dos, para fazer fertilizante.
Dizes sempre que as couves de Auschwitz, s�o as melhores.
Mas n�o encontrei.
N�o encontrou o qu�?
A minha alma g�mea.
� isto? Ah, sim.
Muito bem...
"No in�cio, Deus criou o C�u e a Terra. "
Perd�o?
� o Primeiro Livro de Mois�s. G�nesis, Cap�tulo 1.
A B�blia come�a assim,
em hebreu.
Claro. Claro que sim.
Foi nomeado assistente do Fuhrer, para as quest�es judaicas...
por causa do seu conhecimento do idioma.
Posso ter exagerado, para poder proteger os judeus, que estavam sob o meu comando.
Considera-se um protector dos judeus?
Sempre que me era poss�vel... sem quebrar o meu juramento militar.
Continuamos depois.
Abram o port�o!
Ah, Capit�o, sim.
Disseram-me que o encontraria aqui e n�o na pris�o.
Tive de sair. Um procedimento de seguran�a, Ministro.
Est� tudo bem?
Sabe, quando inici�mos este processo...
todos os que foram afectados pelo genoc�dio, foram exclu�dos do recrutamento...
para o Departamento 06.
At� hoje...
Pens�vamos que o seu pai tinha morrido, de causas naturais...
em Theresienstadt.
- O que est� a dizer? - Estou a dizer, Avner...
que tem de ver isto.
Sente-se, sente-se.
Veja aqui, a assinatura do Eichmann.
� uma lista de passageiros para Auschwitz.
Olhe mais abaixo. A�.
O seu pai, Abraham Less.
Ele enviou-o, para a c�mara de g�s, com uma assinatura.
N�o tenho de lhe dizer o que isto significa.
Quando os m�dia descobrirem, est� acabado. Acabado!
Tem de conseguir uma confiss�o e tem de o conseguir rapidamente, Capit�o.
Tens de te demitir.
Deixa que sejam eles, a tratar desta confus�o.
Por que � que est�s t�o nervosa?
Os nazis tamb�m mataram a minha m�e.
Mas, estou nervosa
porque me preocupo contigo, Avner.
Vai saber-se mais cedo ou mais tarde. Eles n�o conseguem manter um segredo, sabes isso.
Este governo quer agradar a todos. Tu �s um pe�o.
Hoje n�o.
- Al�? - Al�. � o Capit�o Less?
Daqui � Miriam Frohlich, do "Jerusal�m Post".
Espero que n�o seja, uma altura inconveniente para si...
mas gostaria, que me desse alguns minutos.
- Ol�, Vera. - Ol�.
Pensava que era eu a levar, a Ruth e o Zackery.
Por enquanto, n�o queremos que leves as crian�as, Vera.
A Sarah n�o quer. Acha que � muito perigoso.
Porqu�?
�s um alvo.
Traidor!
Pensava que as nossas reuni�es tinham acabado, Capit�o.
Espero que n�o tenha sido, alguma coisa que eu disse.
Sabe o que � que tenho estado a pensar?
Se um acto de contri��o, satisfizer mais do que a minha execu��o...
permita que eu me enforque...
como exemplo para todos os anti-semitas.
Somos obrigados a fazer todos os esfor�os para mant�-lo vivo...
por enquanto.
Foi s� uma ideia.
Este � Al Husseini,
O Mufti de Jerusal�m e presidente do Conselho Supremo Mu�ulmano.
Ele advoga a extin��o de todos os judeus.
Conhece-o pessoalmente?
Conheci-o quando visitei a Palestina em nome do Reich, em 1938.
Mas n�o �ramos amigos. Ele admirava Hitler, n�o a mim.
N�o �...
N�o � verdade que...
convidou Al Husseini, a visitar os campos de concentra��o,
numa visita diplom�tica, que ele fez � Alemanha, em 1941?
Visitou?
De momento, n�o me recordo.
Recebeu algum presente dele, em nome do Partido Nazi?
Nunca. Nunca. Nunca.
Ele est� a mentir.
Sempre que se repete 3 vezes, mente.
Tem raz�o. Estes s�o os presentes que o Eichmann recebeu do Husseini,
correntes de ouro e moedas. E uma adaga com pedras preciosas.
Eu sabia.
Devolvi-as.
Vai para a cama.
Cama!
� incr�vel o tipo de informa��es, que t�m surgido nas nossas pesquisas.
N�o sabia que o "Mein Kampf", tinha sido traduzido para o �rabe.
Os factos s�o coisas estranhas.
Por exemplo...
Li num jornal, que a sua mulher se chama Vera.
Tamb�m � o nome da minha mulher.
� uma coincid�ncia incr�vel.
As probabilidades de ambos...
Talvez explique a empatia, que sinto consigo.
Diga-me, Capit�o...
quem o treinou, para ser interrogador?
Os brit�nicos?
Voc� deve ser um pol�cia justo.
� suposto os pol�cias ingleses serem justos, n�o �?
Deve ser melhor, do que ser cabeleireiro.
Quem lhe disse que fui cabeleireiro?
Tamb�m estava no jornal. Outro facto.
Ent�o, aqui estou eu, a partilhar os meus segredos com um barbeiro judeu.
Para me aceitar, a fam�lia da minha mulher, exigiu que eu tivesse um of�cio.
Tive de entrar para o Partido Nazi, para a Vera me aceitar.
Podem ir.
Hannah, espera por mim!
Mam�!
� uma encomenda de cr�nios.
Mas n�o me lembro.
Do Professor Hirt, da Universidade de Estrasburgo.
Devo ter encaminhado a encomenda, para o Departamento de Administra��o e Abastecimento.
Quer dizer...Onde poderia eu arranjar, os cr�nios que ele queria?
Na altura em que isto foi escrito, os esqueletos e os cr�nios ainda estavam vivos.
A mat�ria-prima era, seres humanos vivos.
Judeus.
Olhe...isto n�o tem nada a ver comigo.
Os m�dicos podiam ir, em qualquer altura, sozinhos, aos campos de concentra��o...
e escolher o que quisessem.
Eu era um oficial de transportes.
Se recebesse uma ordem de transporte e a executasse sabendo que morreriam pessoas,
isso n�o o torna respons�vel?
N�o me lembro de nada, sobre este assunto.
E n�o h� documenta��o que me envolva.
Pode ter dado ordens verbais.
Lembro-me de uma conversa, em que se discutiu esses itens...
mas a Sec��o IV, a minha sec��o, n�o se envolveu.
Ent�o porque o consultaram a si, sobre cr�nios, se n�o sabia das mortes,
ou que as cabe�as, eram depois levadas em caix�es individuais, para Estrasburgo?
Estou mesmo a tentar lembrar-me.
Mas, n�o fa�o ideia, Capit�o. N�o fa�o ideia.
Nunca tive medo antes.
Nem sequer, quando fugimos da policia, no kibutz, em Fran�a.
Lembra-se de ter acompanhado, um representante da Cruz Vermelha, a 6 de Abril de 1945,
numa visita a Theresienstadt?
Sim.
Mas n�o me lembro do nome dele.
Dubois?
O relat�rio dele diz,
" A 6 de Abril de 1945, visit�mos o gueto e reunimo-nos com Eichmann,
" o assessor directo do Comandante das SS,
" e especialista em quest�es judaicas. "
Dubois escreve, que lhe perguntou quem autorizava os transportes,
mas que n�o obteve resposta.
Nesta fase da guerra, estamos a ser pressionados, por todos os departamentos.
Todos est�o a mandar pessoas, para aqui, para Theresienstadt.
Quantos transportes seus, envolveram transfer�ncias para Auschwitz?
Ter� de falar com o Dr. Epstein a respeito dos n�meros.
Mas ele disse-me, que voc� � que tem os n�meros.
" O Sr. Eichmann est� a enviar judeus para as c�maras de g�s de Auschwitz. "
Pensou que era a melhor maneira, de resolver o problema populacional, em Theresienstadt?
Estava a cumprir ordens.
- Ordens de quem? - De Hitler.
Mas, eu pensava que recebia ordens do Himmler.
Onde quer chegar, Capit�o?
S� quero perceber, se estava a seguir ordens,
Ou o qu�?
Ou se estava a exercer a sua pr�pria autoridade.
N�o, n�o, n�o...
Ol�.
Se ele estava s� a seguir ordens, como um simples oficial encarregado dos transportes,
isto contradiz tudo o que ele afirma.
Por favor, continue, Hans.
Um Rabi, que vive em Saint Louis, diz que conheceu uma pessoa,
que viu o Eichmann disparar sobre um beb�.
E a testemunha principal?
- Ela est� morta. - Ent�o esque�a.
Ent�o, Capit�o, como est�?
Quero falar-lhe sobre a minha protec��o. Pintaram uma Cruz Su�stica na minha porta.
Sim, eu soube.
O policia de servi�o j� foi repreendido.
Quero assegurar-lhe, Avner,
que levamos, as amea�as � sua fam�lia, muito a s�rio.
Tamb�m eu.
Agora h� a pena de morte.
Preciso falar com os meus colegas. Vemo-nos amanh�.
- Muito obrigado. - De nada.
Quem � aquele?
- Capit�o Less? - Sim.
Muito prazer em conhec�-lo. Dr. Robert Servatius.
Advogado de defesa.
Meus senhores.
Ouviu as boas not�cias, Capit�o?
Estive a ler as transcri��es.
N�o h� o suficiente.
- O suficiente de qu�? - Suficientes provas s�lidas,
que o advogado dele, n�o possa refutar em julgamento...
ou que evitem a deporta��o dele, para a Alemanha.
N�o h� pena de morte na Alemanha.
O que � ir�nico.
Sabe, tive de enviar investigadores, pelo mundo inteiro,
o que custou muito dinheiro, para falarem com sobreviventes.
Mas � preciso que os depoimentos, sejam corroborados, com uma confiss�o.
Ele nunca confessar�.
Nunca admitir� que � culpado, seja do que for.
N�o quer uma confiss�o, Avner?
Est� a encarar isto, como um judeuzeco.
N�o quero saber, se ele teve uma d�zia de amantes judias.
Quero uma admiss�o de culpa.
Tamb�m eu, Mordecai.
Obrigado, caro senhor.
Estava a pensar que, temos muita coisa em comum.
Tal como voc�, eu era um pol�cia e obedecia a ordens.
Voc� era das SS, n�o da pol�cia.
� f�cil esquecer.
Voc� assistiu � execu��o de judeus.
Ao princ�pio, n�o sabia o que estava a acontecer.
Porque aquilo, n�o tinha nada que ver comigo.
Quando percebi, fiquei doente com o que estava a acontecer. Vomitei.
Mal conseguia falar, ante t�o grande desumanidade.
H� v�rios depoimentos, de que estava presente nos enforcamentos.
N�o era eu.
Lembrar-me-ia duma coisa t�o terr�vel.
De acordo com os nossos informadores, voc� foi um dos intervenientes.
E exigiu que as cordas fossem reutilizadas:
" porque, embora seja mais r�pido cort�-las,
" uma vida judia, n�o valia o desperd�cio da corda. "
� mentira. � uma inven��o.
N�o tive nada a ver, com a morte dos judeus.
Nunca matei um judeu! Nunca dei ordens para matarem judeus!
Talvez seja isso o que me d�, uma certa paz de esp�rito.
Posso ser culpado, porque ajudei na evacua��o.
" O mon�xido de carbono estava a ser ineficaz."
E tentou ent�o, arranjar outras maneiras de matar.
N�o s�o as suas capacidades como comandante, que est�o em causa,
mas a sua no��o do que � efici�ncia.
O Zyklon-B, foi usado com sucesso, na remo��o de piolhos de roupas
e dever� ser igualmente eficaz como vermicida humano.
Se o g�s for administrado correctamente neste espa�o,
n�o haver� necessidade de intervalos no ciclo.
Tinha, conhecimento oficial, na altura,
de que estavam a efectuar gazeamentos com Zyklon B?
Eu sabia. Claro que sim. Todos sabiam.
Ent�o, como � que "deporta��o" n�o � o mesmo que "assass�nio"?
� simples. O meu trabalho n�o era decidir,
quem seria ou n�o escolhido.
Wisliceny, nas suas "Mem�rias de Nuremberga", sugeriu a exist�ncia,
duma cultura da morte no seu departamento.
Deixe-me dizer-lhe, como s�o fi�veis as mem�rias dele.
Disseram que havia maneiras, de contornar as ordens de Hitler.
Mas s� havia uma maneira, uma �nica maneira.
pegar na pistola e matar-se.
Mas eu obedecia.
Fosse qual fosse a ordem que me dessem, eu obedecia.
N�o podia virar a casaca, Capit�o. Era essa a minha maneira de ser na altura.
Quando recebia uma ordem cumpria-a. Porque um juramento � um juramento!
E eu fiz um juramento de lealdade!
Recuso-me a ser respons�vel pelas ordens que recebi
e por coisas que n�o eram da responsabilidade, do meu departamento.
Tamb�m n�o sou como aqueles, que no fim da guerra disseram:
"Eu fui sempre contra".
E que tentaram salvar o pesco�o, com desculpas esfarrapadas.
N�o estou com fome, hoje.
Quantos judeus foram evacuados da Hungria, durante o seu primeiro per�odo l�?
J� falamos sobre isto tantas vezes, Capit�o...
Quantos?
Provavelmente, uns...450 mil.
� verdade que disse ao Conselho Judaico em Budapeste,
que s� poderiam salvar judeus, se cooperassem, completamente, consigo?
Quanto custava, cooperar consigo, Sr. Eichmann?
Nunca aceitei dinheiro para libertar judeus.
Tenho aqui um depoimento do Dr. Kastner,
Chefe do Conselho Judaico em Budapeste.
Eichmann disse e cito...
Kastner,
tenho de limpar esta merda judia, das prov�ncias
e nem reclama��es, nem l�grimas, me v�o ajudar.
N�o se preocupe, se todos os judeus h�ngaros forem para a c�mara de g�s.
D�-me os pacotes!
Entregar-lhe-ei, judeus polacos ou checos!
H� um pouco de verdade nisso
e muitas varia��es teatrais.
mas nem mesmo, o Kastner, menciona dinheiro.
"Merdas judaicas em troca de pacotes. "
Sim, palavras feias. Tenho a certeza, que n�o usei esse tipo de palavras.
- Ent�o, os pacotes eram dinheiro? - Sim, t�nhamos falta dele.
O Kastner tamb�m lhe pediu para reduzir a superlota��o na evacua��o,
dizendo que tinham sido colocadas
90 pessoas, num vag�o constru�do para 40.
Na verdade, a maioria desses casos, envolveu crian�as pequenas.
Para onde iam essas crian�as?
Dachau.
- Capit�o? - Sim?
Tem um minuto?
Quem � voc�?
Trabalho para o Post.
N�o posso falar consigo. Penso que isso ficou claro.
Sei sobre o seu pai.
- O que � que quer? - A sua hist�ria.
Eu, n�o sou a manchete. O Eichmann �.
� apropriado que o interrogador do Eichmann,
seja filho, de um dos muitos, que foram mortos em Auschwitz?
- � esse o �ngulo da sua reportagem? - Sim. � uma grande hist�ria.
Pode prov�-lo?
Capit�o, n�o estar�amos aqui, se eu estivesse a fazer bluff.
Como descobriu?
D�-me duas semanas.
Exclusividade?
Quero saber tudo.
Quero "Avner, o homem". Quem �, o que �, a fam�lia, a profiss�o.
Fam�lia? N�o. N�o.
Quer o tempo, Avner?
Preciso de duas semanas.
Dou-lhe uma.
Tenho de desligar.
Avner, em que posso ajud�-lo?
Para come�ar, pode parar de ser chupado, por jornalistas.
Tens mesmo de ir...esta noite?
Pareces cansado.
Nunca dormes?
Os nossos filhos t�m perguntado, onde est�s.
S� tenho mais 5 dias. 5.
A deporta��o de ciganos para os campos de morte,
foi feita pelo seu departamento?
Nem todos os ciganos. S� os da Alemanha.
Todos os ciganos apanhados, no chamado Grande Reich,
foram levados para Auschwitz e mortos com g�s.
Capit�o, os vag�es tinham de estar Dispon�veis, tinha de cumprir uma agenda...
Quais eram as orienta��es?
Orienta��es?
Para a extermina��o dos ciganos.
As orienta��es para os ciganos eram simples.
N�o havia nenhuma.
Ent�o, porque � que exterminaram todos os ciganos?
N�o sei.
Foi uma daquelas coisas. De repente,
chegou a ordem, e foi cumprida. Ningu�m questionou...
Meio milh�o de ciganos, apanhados e transportados,
para tratamento especial pelo IV.4. Assim de repente?...
Outro depoimento do Waneck, em Nuremberga,
"Eichmann veio a AuschWitz ver o Hess. Depois do Hess ter recebido ordens
do comandante, para exterminar os judeus.
N�o sei o que ele quer dizer.
Outro condenado, a tentar desviar as aten��es da sua pr�pria situa��o.
Esta carta � sobre a produ��o de g�s, n�o �?
Ele escondia sempre, os rastos. Porque, um dia, podia vir a ser acusado.
O seu departamento forneceu ajuda,
nos embarques, para os campos de exterm�nio, de Riga...?
Eu era o oficial dos transportes.
Nunca era consultado quando se faziam as pol�ticas.
N�o foi isso, o que descobrimos.
Disse que n�o teve nada a ver com isto.
Onde quer chegar, Capit�o?
O que � que pensava sobre, a destrui��o f�sica dos judeus,
e a estrutura da chamada, "Solu��o Final"?
N�o quero fugir �s responsabilidades, pelo que fiz.
Mas n�o sou e nunca fui, anti-semita.
Sim?
Meus queridos filhos, orgulho-me muito de voc�s.
Voc�s s�o os meus filhos e os filhos da nossa p�tria.
Rapazes alem�es, saud�veis.
O vosso pai, � o mesmo pai que sempre tiveram...
mas o mundo mudou.
E devemos tamb�m mudar.
Esqueceste-te de nos acordar, pap�.
Desculpem.
J� me vesti e vesti o David.
Muito bem, Hannah.
Muito bem.
Como � que te sentes?
Desculpa.
Desculpa, ter-te negligenciado.
Aquele homem separou-nos.
Est� a consumir a tua alma.
N�o trouxeste uvas?
Estou a brincar. Descasca-me uma laranja, por favor.
Lembraste dos laranjais dos kibutz, � tardinha?
Daquela hora m�gica, antes do p�r-do-sol, quando as laranjas brilhavam como pequenas luas?
Lembraste de nadarmos no mar?
Lembro-me.
N�o t�nhamos preocupa��es.
�ramos quase irrespons�veis.
E depois, fiquei doente.
Mas, no ano seguinte, foste apanhar laranjas.
Sim, porque cuidaste de mim.
Cuidarei de ti novamente.
Como quando mor�vamos em Haifa.
J� n�o volto, a apanhar laranjas.
Voltas, sim.
E o Eichmann?
Acabei com o Eichmann.
Disseste que tinhas mais dois dias.
Sim.
Cumpre os dois dias.
E depois, estar� acabado.
Deve conhecer o depoimento de Bruno Waneck, nos Julgamentos de Nuremberga.
Ele disse: " Ficou claro que, no processo de exterm�nio, s� o g�s pode ser considerado,
porque o Eichmann afirmou, que fuzilar pessoas em massa, era imposs�vel.
E tamb�m, muito dif�cil para os homens da SS,
porque tinham de matar mulheres e crian�as".
Eu n�o tive nada...nada... nada a ver, com o uso de g�s.
Ent�o quem deu as ordens?
O Fuhrer.
O Heinrich disse-me que Hitler, decidira exterminar os judeus.
E que os desejos do F�hrer eram uma ordem.
Bem, segundo diz o Waneck...
"Eichmann tinha uma posi��o dominante, at� absoluta,
e respondia directamente a Himmler".
Na verdade nunca fui, directamente, um subordinado do Himmler.
O depoimento de Waneck � extremamente rebuscado.
� corroborado pelo comandante de Auschwitz, Rudolf Hess.
Bem, o facto de eu negar as mentiras monstruosas do Hess,
n�o tem import�ncia alguma, pois n�o?
Pode n�o estar na Conven��o de Genebra,
mas o uso de lubrificante no dedo da inspec��o, seria bem-vindo.
Este � um cap�tulo glorioso, da nossa hist�ria.
Um que nunca foi escrito e que nunca ser� escrito.
Sabemos como seria dif�cil para n�s,
se os judeus ainda nos estivessem a sabotar, secretamente.
Ponzan, 4 de Outubro de 1943.
Himmler fez um discurso a oficiais superiores, das SS.
Lembra-se das palavras-chave que ele usou, sobre a quest�o dos judeus?
Nunca me contaram, que o Himmler tinha feito esse discurso.
Nunca. Nunca. Nunca.
Sabe, Capit�o, n�o era preciso fazer discursos, sobre aquilo em que o F�hrer acreditava.
No fundo, n�s sab�amos.
Outubro de 1943. Himmler visita soldados sovi�ticos capturados,
que esperam transporte, para os campos de concentra��o em Riga.
O seu assistente, Adolf Eichmann, que escaparia da acusa��o...
Ele ainda nega, qualquer liga��o ao Himmler.
Porqu�?
Todos, por favor. Ou�am. Parem com o que est�o a fazer.
Quero que revejam todas as comunica��es escritas,
entre o Himmler e o Eichmann. Agora!
Obrigado.
Consegui.
Muito bem.
A marcha for�ada dos judeus, quando sa�ram da Hungria,
entre Outubro e Dezembro de 1944, est� a intrigar os nossos investigadores.
Ainda?
Parece haver d�vidas, sobre qual era a sua posi��o.
E, se lhe foi ou n�o ordenado, que terminasse o trabalho.
Claro, que recebi ordens para o fazer.
A sugest�o de que foi volunt�rio �, sob todos os aspectos,
um insulto a mim e a todos os que foram transportados.
Um insulto...
A 17 de Outubro de 1944, voc� voltou a Budapeste,
para organizar a primeira marcha for�ada de deporta��o,
na qual, cerca de 3 mil pessoas, morreram durante a caminhada.
Como pode ver, Kastner, voltei.
E quero dizer-lhe, que o pior para a Alemanha, j� passou.
Uma nova arma est� a ser constru�da,
contra a qual, os aliados nada podem fazer.
Arma da vingan�a n� 3.
Por causa disto, preciso de mais
70 mil judeus h�ngaros.
20 mil oper�rios judeus, para a muralha sudeste, em Ostmark,
e 5 grupos, com 10 mil judeus cada um, para irem...
daqui para a �ustria, a p�.
A sua lista.
"Heil Hitler".
N�o acho, que tenham morrido muitos, Capit�o,
O normal...talvez... Alguns podem ter morrido.
Deve ter sido triste, ver os civis, a lutar nos �ltimos quil�metros.
Mas eu n�o podia fazer nada.
N�o podia fazer nada.
O m�ximo que poderia ter dito era: "Fiquem com os vossos judeus, n�o preciso deles".
Auschwitz estava sobrelotado.
Sim. Temos ordens de transporte,
de Theresienstadt at� Auschwitz, assinadas por si, at� ao fim.
E esses...
50 mil que partiram a p�, da Hungria...
Voc� sabia, que os estava a mandar para a morte, mesmo que sobrevivessem � marcha.
Asseguro-lhe Capit�o,
que n�o fazia ideia do sofrimento.
Temos uma testemunha, que na altura, pertencia a um grupo de oficiais alem�es,
ao qual o Comandante geral das Waffen-SS, Juttner, tamb�m pertencia.
"Quando o question�mos, de inicio, o Eichmann n�o admitiu nada.
Quando soube que �amos escrever ao Himmler,
ele retirou as ordens da marcha. "
� verdade. Suspendi as ordens de marcha.
Mas uma semana depois, as marchas recome�aram.
Foi? N�o me lembro disso.
Juttner continua...
"Eichmann, desafiando as novas ordens de Himmler,
para parar, o assass�nio de judeus,
reafirmou, que todos os judeus e os seus filhos com mais de 10 anos,
deviam ser enviados para Auschwitz e Dachau, para as c�maras de g�s. "
� imposs�vel. Eu jamais desobedeceria a uma ordem.
Aqui est�o as ordens de Himmler, �s quais desobedeceu.
Aqui est�o as ordens de marcha, assinadas por si.
Muito bem...
Acab�mos.
Pode fazer com que a carta seja enviada � minha fam�lia, Capit�o?
Envie a carta, Capit�o, imploro-lhe.
N�o � s� o Dieter.
Preocupo-me com o que acontecer�, ao mais pequeno.
Com 6 anos�� muito novo, para perder o pai.
Ele tem 6 anos?
Faz 7, brevemente.
Tem muito bom feitio.
Diria que � o seu preferido?
Amo-os a todos.
Gostaria de ter tido mais?
Claro. Adoro ser pai.
Adoro crian�as.
Mas voc� matou crian�as.
- Sinto falta deles. - At� mais novas que o seu filho.
- Sei disso, admito, Capit�o, mas... - 500 mil crian�as, em 4 anos!
- Eu sei, mas... - Mas o qu�?
Mas...o qu�?
Eram judeus.
Ol�.
� a nossa �ltima entrevista. Fui transferida para Berlim.
Obrigado, por n�o ter escrito, sobre a minha fam�lia.
Ent�o o Eichmann, foi considerado culpado?
Sim.
Sete meses de interrogat�rios, seguidos de um julgamento.
Valeu a pena?
J� para n�o falar, no dinheiro dos contribuintes.
Demos-lhe mais justi�a, do que ele alguma vez nos deu.
Este dia ficar� na hist�ria.
Adolf Eichmann foi executado ontem, ap�s ser julgado.
Foi enforcado logo ap�s a meia-noite.
1o. DE JUNHO DE 1962
Fui apenas uma pequena pe�a, numa m�quina, terrivelmente, intimidadora.
O meu trabalho, n�o era ser amado.
N�o tive nada�nada� nada a ver, com o uso de g�s.
Estava a cumprir ordens.
Nunca ordenei a morte de um judeu.
Posso ser culpado, porque ajudei na evacua��o.
Nunca fui anti-semita.
VOZ DE AVNER W. LESS
Centenas, talvez milhares de pessoas nunca ouviram falar de Eichmann...
e n�o sabem o que lhe aconteceu, que foi julgado e enforcado.
Muita gente, muitos jovens no mundo inteiro,
perguntam: "Quem foi o Hitler?"...
Muitos dir�o: "Nunca ouvi falar nele".
Quando se percebe o que realmente aconteceu aqui...
n�o foram apenas 6 milh�es de judeus que morreram no Holocausto...
houve milh�es de outros.
Eichmann, tamb�m foi respons�vel, pelas mortes deles.
Foi o trabalho da minha vida e mudou completamente,
a minha vis�o sobre muitas coisas. A cren�a na democracia,
� a �nica coisa, que pode salvar a humanidade, de pessoas como o Eichmann.
E h� muitos Eichmanns, lactentes, por a�.
Mas os Eichmanns, s� podem surgir, s� podem crescer, numa ditadura...
e as ditaduras, seja de esquerda ou de direita, s�o iguais.
Mas nunca surgir� numa verdadeira democracia.
Por isso temos de lutar pela democracia.
Defend�-la.
Temos de fazer tudo, para que isto nunca mais se repita.
Para evitar o aparecimento de novos Eichmanns.
TRADU��O -RPC-
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