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"TARDE DEMAIS"
POR VOLTA DE 1850...
PRA�A WASHINGTON
- Bom dia. - Bom dia.
- Aqui est� o vestido da Srta. Sloper. - Obrigada.
Srta. Cathy, � o seu vestido novo!
Maria, por favor, tire da caixa e o guarde.
Sim, senhorita.
Bem, isso � tudo, creio.
- Estarei na casa do Harrison. - Sim, doutor.
Talvez eu n�o v� � cl�nica hoje.
- Bom dia, Lavinia. - Bom dia, Austin.
- Catherine come�ou outro? - Ela borda lindamente.
Espero que isso n�o se torne seu objetivo de vida.
Austin, ontem tive uma experi�ncia extraordin�ria!
- O qu�? - Conheci duas pessoas de Poughkeepsie.
Oh, certid�es de nascimento!
Foram membros da congrega��o do meu marido.
Contei-lhes que moro com meu irm�o...
Dr. Sloper, na Pra�a Washington. Ficaram muito impressionados.
Isso s� fez valer minha visita!
Lavinia, gostaria de passar o inverno aqui?
O inverno? Com muito gosto!
Bom. Pensei que, se ficasse, ajudaria Catherine.
Ajud�-la? Mas como, Austin?
Por exemplo, na festa de Elizabeth hoje � noite.
Pode persuadir Catherine a se integrar com os jovens.
Divertir-se um pouco.
- Mas � claro que ela far� isso! - Eu espero.
Ah.
Tr�s quilos. S�o 30 centavos.
- Pode cortar a cabe�a? - Sim, senhorita.
- A� est�. - Obrigada.
Certo, madame. Peixe fresco!
- Bom dia, pai. - Bom dia, Catherine.
Comprei um peixe �timo para a sopa que o senhor gosta.
Bem pensado.
Da pr�xima vez, deixe que o homem carregue para voc�.
- Sim, pai. - Estou indo!
Que manh� bonita! Por que n�o convida Tia Lavinia ou uma amiga...
para almo�ar com voc�. Ou pode ir a um concerto no parque.
N�o posso. Tenho um bordado para terminar.
Ah, sim. Bem, vou v�-la � noite.
Sim, pai. At� logo.
- Catherine? - Entre, tia Penniman.
Precisa se apressar, querida.
Demorou muito no comit� do hospital.
- Muito mesmo. - N�o gostou?
Algumas senhoras do comit� s�o t�o f�teis, t�o in�teis.
Acham de mau gosto saber algo sobre comida ou cozinha.
Tanta arrog�ncia.
Quando era mo�a, t�nhamos orgulho de nossas prendas dom�sticas.
A mesa que arrum�vamos para o Reverendo Penniman...
que ele descanse em paz!
- Ent�o, me enganou, tia. - Por qu�?
A senhora me fez acreditar que voc�s viviam s� de amor.
Um coment�rio desses faria sucesso com os jovens esta noite.
Seria uma boa maneira de come�ar.
O que quero dizer �: N�o se isole esta noite, est� bem?
Fique conosco e aproveite a festa.
Andou falando com papai.
Bem, sim, querida. De certa forma.
- Seu pai... - Papai queria que eu fosse ajeitada...
- e participativa. - Sim.
- N�o consigo, tia Lavinia. - Talvez n�o tente o bastante.
Eu tento! Tento mesmo! Faria tudo para agrad�-Io.
Nada significaria mais para mim.
Fico sentada aqui no quarto...
anotando coisas que poderia dizer e como diz�-las.
Mas, quando converso, parece que ningu�m quer me ouvir.
Bem, Catherine. Se ficar ao meu lado esta noite...
ver� que o que digo nem sempre � de muita import�ncia.
Mas, querida, isso n�o me impede de falar.
Sim, tia.
Agora vou acabar de me arrumar e a encontro l� embaixo.
Pai!
Entre, Catherine.
Boa noite, pai. Incomodo?
Voc� nunca incomoda, minha querida.
Gosta do meu vestido?
Ser� poss�vel que esta mulher magn�fica seja minha filha?
Est� luxuosa, opulenta.
Parece ganhar 80 mil d�lares por ano.
- Achei que gostaria da cor. - Sim.
- � vermelho cereja. - Que seja.
Acho que mam�e costumava us�-la.
Em seus la�os de cabelo, Austin.
Ah, sim.
Mas, Catherine, sua m�e era elegante.
Ela dominava a cor.
Bem, vou me trocar.
Vou tentar n�o faz�-las esperar.
Ainda tenho que embrulhar nossas ta�as de prata para a tia Elizabeth.
Acha apropriado eu ir � festa de minha irm� Elizabeth?
- Claro! Por que n�o? - Afinal, ainda estou de luto.
Lavinia, sei que carregar� sua dor com a mesma integridade...
seja onde for.
� verdade. Afinal, sinto-me triste em todos os lugares.
Voc� � maravilhosa!
Sua tia Penniman fez uma conquista.
Sim.
- Divertindo-se, Catherine? - Muito, tia Elizabeth.
- Jefferson tamb�m. - Oh!
Austin, algu�m doente, algu�m morreu? A quem anda cortando?
Quando sua gota aperta, voc� me respeita mais.
- Vai fazer o an�ncio? - Sim, querida.
- Ent�o v�! Ent�o v�! - Est� bem! Est� bem!
Se n�o fizer agora, s� vai fazer debaixo da mesa.
Meus caros vizinhos e amigos...
estou prestes a perder a mais amada...
a mais linda filha...
uma menina muito amada...
para um excelente rapaz, Arthur Townsend.
Sou, ao mesmo tempo, um pai triste e muito afortunado.
Gostaria que todos brindassem ao que perco...
e ao que ganho.
- Ao feliz casal. - Ao feliz casal.
Oh, mam�e!
N�o fique t�o feliz. Estarei em casa em todas as refei��es. Tio Austin.
Marian, minha querida, muita felicidade para ambos.
Obrigado, senhor.
Cathy, n�o � maravilhoso? N�o � uma festa ador�vel?
Venha, Arthur. Vamos dan�ar!
- Desculpem-nos. - Desculpem-nos.
Quintus!
- N�o est� dan�ando? - N�o, senhora.
Lembra-se de Catherine Sloper, minha sobrinha?
Sim, com certeza.
Daria-me o prazer, Catherine?
Obrigada, Quintus. Com licen�a, pai.
- Com licen�a, Catherine. - Obrigada, pai.
Acredita que exista outro Arthur em algum lugar desta cidade?
- Catherine encontrar� um marido. - Acredita mesmo nisso?
Ela tem uma renda de trinta mil d�lares por ano.
Vejo que gosta dela.
N�o estou dizendo que este seja seu �nico m�rito.
Mas voc� sempre fala dela como se ela n�o fosse se casar.
Falo da mesma forma gentil que voc�, Liz.
Acredita que Jefferson deixou sobrar conhaque franc�s?
Vamos ver.
Posso pegar uma ta�a de vinho para voc�?
Sim. Obrigada.
Ela frequentou as melhores escolas da cidade.
Teve a melhor educa��o que pude pagar, aulas de m�sica e dan�a.
Conversamos por noites a fio.
Tentei ensinar-lhe conversa��o, dar-lhe estofo social.
Dei-lhe liberdade sempre que pude. O resultado � o que v�.
Uma criatura med�ocre e indefesa sem nenhum porte.
Austin, voc� � t�o intolerante! Espera demais dela.
Lembra-se da m�e dela, Liz?
Ela tinha tanta gra�a e alegria.
Esta � sua filha.
Austin, nenhuma filha pode competir com a imagem que voc� tem da m�e.
Idealizou tanto essa pobre morta que a deixou irreconhec�vel.
N�o tem o direito de dizer isso.
S� eu sei o que perdi quando ela morreu.
E o que recebi em seu lugar...
Catherine, o que faz aqui?
Espero por Quintus Seabra Foi buscar uma bebida.
Ora, n�o espere aqui, querida. Fa�a com que ele a procure.
A dan�a era a �nica coisa sobre a qual eu e o reverendo discord�vamos.
Acha que ele est� me observando esta noite?
Isso depende de onde ele esteja, tia.
- Boa noite, Sra. Penniman. - Boa noite.
Catherine, este � o Sr. Morris Townsend.
Como vai, Srta. Sloper?
O Sr. Townsend � primo de Arthur, e acaba de chegar da Europa.
- Como vai, senhor? - Quer dan�ar, Srta. Sloper?
Acho que ela ainda tem uma valsa para dan�ar.
Desculpe, querida. L� est� o Sr. Abeel.
Posso me sentar?
Sim.
Qual ser�?
Oh! Sim...
A quinta?
A quinta? Obrigado.
Dois "R" no Morris...
Srta. Sloper, me concede uma grande honra.
Como v�, sou seletivo tamb�m.
Catherine... Sloper.
Catherine Sloper.
Catherine Sloper, Catherine Sloper.
Sabe, n�o precisamos esperar at� a quinta.
- N�o? - N�o.
Srta. Sloper, precisamos fazer um acordo.
Eu n�o piso em voc� se n�o pisar em mim.
Oh, querido! Sou t�o desastrada.
Estou usando o sapato de Arthur e ele � p�ssimo dan�arino.
Oh!
Agora, um, dois, tr�s.
Um, dois, tr�s.
- N�o olhe para os p�s! - Por que olharia?
- Olhe para mim. - Oh.
N�o.
Muito bem.
Quando �ramos crian�as, chamavam Arthur de "Cabe�a de Mingau".
Podemos nos sentar?
Enquanto eu estava na Europa...
ele se tornou um promissor homem de neg�cios.
E agora, Srta. Sloper, � hora de voc� dizer algo.
Humm...
Vai ficar em Nova York agora, Sr. Townsend?
Que pergunta agrad�vel.
Bem, eu n�o estava muito certo do que iria fazer.
Mas agora decidi.
Sim, Srta. Sloper, agora vou ficar em Nova York.
Est� com calor?
- Vou buscar uma ta�a de vinho. - Oh, n�o!
Faz parte da Liga das Mulheres Crist�s?
- Sim, acho que sim. - Oh.
Bem, eu n�o. Com licen�a, volto j�.
Oh, Sr. Abeel, n�o aguento mais!
Tenho que descansar.
Catherine querida, sua velha tia est� exausta.
Termine esta polca por mim, querida.
- O Sr. Abeel � um excelente dan�arino. - Bem, eu...
Ser� um prazer, Srta. Sloper.
Sr. Townsend, estava procurando minha sobrinha?
Sim. Ela deve ter se sentido cercada.
- Me consolaria? - Ela deve voltar logo.
� a sexta dan�a em seguida. Ele n�o deve aguentar mais.
Sabe, posso vencer muitos desses moleques na dan�a.
Lavinia.
Austin, apresento-lhe o Sr. Morris Townsend?
- Sr. Townsend, meu irm�o, Dr. Sloper. - Estava ansioso por conhec�-Io.
- � uma honra. - Obrigado.
- Est� se divertindo? - Tive uma noite excelente.
E olhe que tivemos muito trabalho para convenc�-la.
Todos os cavalheiros aqui devem agradecer-lhe, doutor.
Vamos embora daqui a pouco. Pode avisar Catherine?
- � a melhor parte da festa. - Realmente, Austin.
� que voc� estava acostumada a estas festas na casa do reverendo.
J� eu tenho que me levantar cedo amanh�.
- Boa noite, Sr. Townsend. - Boa noite, senhor.
Oh, Catherine, tenho m�s not�cias. Vamos embora.
Sim, tia.
- Onde est� Sr. Abeel? - Teve um sangramento de nariz.
Oh, coitado!
- Boa noite, Sr. Townsend. - Boa noite, Sra. Penniman.
Queria me desculpar, senhor.
Devia mesmo, Srta. Sloper. Se o Sr. Abeel estivesse com sa�de...
eu o desafiaria para um duelo.
Bem, eu...
vou pegar meu xale.
- Acabei de conhecer seu pai. - Sim, eu vi.
Ele saiu antes de eu poder perguntar quando poderia visit�-Io.
Ele atende os pacientes de manh�. N�o se sente bem, Sr. Townsend?
Estou �timo. � a voc� que quero visitar.
Oh!
Oh.
- Bom dia, Sr. Townsend. - Bom dia.
- A Srta. Sloper n�o est� em casa. - N�o est�?
Sr. Townsend!
- Bom dia, Sra. Penniman. - Por favor, entre.
Vim por que a Srta. Sloper me disse que estaria em casa.
- Ela saiu mesmo? - Sim.
Ela escapou na sua terceira visita desta semana.
- Gostaria de saber a raz�o. - N�o posso trair uma confid�ncia.
- Precisa perguntar isso a ela. - Quando?
Bem...
- Acho que ela n�o vai demorar. - Obrigado, madame.
A par�quia era uma verdadeira colm�ia...
com os torneios de soletrar, nossos caramelos.
No inverno, as corridas de tren� nas colinas de Poughkeepsie...
Sra. Penniman, acha que Catherine, quero dizer, a Srta. Sloper...
- N�o se constranja comigo. - Sim, obrigado, mas...
- Ela vai voltar para casa! - Sim, mas quando?
Sr. Townsend, voc� me lembra tanto o Reverendo Penniman.
O mesmo ardor a mesma natureza apaixonada.
Gostaria de t�-Io conhecido. Fale-me sobre o doutor, madame...
que tipo de...
- Catherine, � voc�? - Sim, tia.
- Voc� tem visita, mocinha. - Bom dia.
A manh� est� linda para mim agora, Srta. Sloper.
Fiquei com medo de que n�o voltasse.
Eu teria que voltar em algum momento. Moro aqui.
Sei que sim, Srta. Sloper. Por isso estou aqui.
O Sr. Townsend queria saber se suas flores chegaram bem.
Sim, obrigada. Estavam lindas.
- Enviei-lhe uma carta pelo correio. - Vou guard�-la, Srta. Sloper.
Apesar de n�o ter mandado as flores para que agradecesse.
- Mandei para lhe agradar. - Obrigada.
Ah, trouxe aquela m�sica que encontrei em Paris.
Com licen�a, madame, vou busc�-la.
- Vou deix�-Ios a s�s. - Eu vou falar o qu�?
N�o precisa falar nada. Ele veio cortej�-la!
- Cortejar-me? - Bem, certamente n�o foi a mim.
Mas seja bastante gentil com ele!
Sr. Townsend, com licen�a. Tenho muitas tarefas para fazer.
- Espero que nos vejamos de novo. - Estou � sua disposi��o, madame.
Catherine, n�o se esqueceu desta noite?
N�o, tia.
Nossa menina vai a mais uma dessas festas intermin�veis.
Fico muito triste de saber disso.
Por qu�?
Por voc� ser t�o requisitada. Torna tudo mais dif�cil para mim.
N�o estou indo a uma festa.
Meu pai e eu vamos jantar com o Sr. E a Sra. Holme, s� isso.
� isso que gosto em voc�. � t�o honesta.
Diga-me uma coisa...
voc� saiu esta manh� por que achou que eu viria?
Sim.
N�o gosta de me ver?
Sim, eu gosto de v�-Io, Sr. Townsend...
mas veio tantas vezes nesta semana...
- Eu lhe deixei cansada. - Oh, n�o!
Considera minha conduta inapropriada?
Eu n�o sei.
Estou confusa.
Bom. Gosto disso.
Se est� confusa, est� pensando em mim.
- Esta � a m�sica? - Sim.
- Pode toc�-la para mim? - N�o sei tocar.
Posso?
Juro que n�o vou estrag�-Io.
Consegue me escutar da�?
Sabe, em minha d�cima visita, voc� poderia se sentar aqui.
Sr. Townsend, � muito atrevido.
- Sabe o que quer dizer? - N�o.
As alegrias do amor...
duram pouco tempo.
As dores do amor duram toda a vida.
Toda a vida.
� uma linda can��o.
Sabe, penso sempre em voc�.
N�o sou boa para este tipo de conversa.
Nem eu.
Acho que esse � nosso problema. N�o sei falar bem, Srta. Sloper.
Acho que fala muito bem.
N�o quando mais preciso.
Com a Sra. Penniman, ou em meu quarto...
penso em muitas coisas maravilhosas para dizer.
- Entende isso? - Sim, entendo.
Mas aqui, com voc�, pare�o um bobo.
Eu n�o acho.
N�o? Bom, se alguma vez achar isso...
se eu parecer exagerado ou falso, por favor me detenha.
- Eu vou tentar. - E... tenha pena do meu estado.
Que estado?
Srta. Sloper...
Eu me apaixonei por voc�.
Apaixonou-se?
- Ah, Catherine. Tem visita? - Sim, pai. Tenho.
Bom dia, minha querida. Como vai, Sr. Townsend?
- Bom dia, Dr. Sloper. - Seu primo est� aqui com voc�?
N�o. Estou sozinho.
- Espero que n�o se importe. - Fico encantado.
Tomei a liberdade de vir visitar uma dama muito cativante.
- E seu cativante pai. - Ora, n�o somos t�o cativantes!
Quero meu xerez e meus biscoitos.
Talvez o Sr. Townsend queira compartilh�-Ios comigo.
Ficaria honrado.
A lo��o que est� usando � excelente, Sr. Townsend.
Trouxe da Fran�a. Permita-me dividi-la com o senhor.
Obrigado. Muito gentil. Mas n�o posso permitir.
Bem, saiu esta manh�, minha querida?
- Catherine? - Oh!
Sim. Parei para ver o Sr. Rutini ap�s o caf� da manh�.
Oh, sim, sobre as li��es. O que ele disse?
Que � preciso muito bom ouvido para tocar harpa.
Parece que n�o tenho bom ouvido.
Bobagem. O ouvido de sua m�e era impec�vel.
Sim, pai, eu sei.
Ela mesma costumava a afinar o piano.
A Srta. Sloper � uma grande apreciadora de m�sica.
Isso, por si s�, j� � um talento.
Ah.
O joelho da cozinheira est� melhor, Maria?
Um pouco, doutor.
Vou v�-la daqui a pouco. Tome. D� isso ao Sr. Townsend.
� muito gentil, senhor.
A maioria dos grandes doutores est� ocupada demais...
para ver a doen�a debaixo de seus narizes.
� cheio de observa��es lisonjeiras, sobre Catherine e eu.
� assim que os vejo. J� disse a Srta. Sloper: Sou muito sincero.
Sim, � mesmo. Muito sincero.
Quanto tempo pretende ficar em nossa cidade, Sr. Townsend?
Ainda n�o decidi, senhor.
Jantaria conosco numa dessas noites?
- Seria um prazer. - Poderia ser na quinta �s seis?
- Obrigado, senhor. - Ah!
Fiquei ali bastante tempo. N�o tanto quanto eu gostaria.
- Penso que achar� Paris mudada. - Espero que n�o.
Gostaria que estivesse exatamente igual.
O Dr. Sloper viajou para l� em sua lua-de-mel.
Nesse caso, Paris jamais mudar� para o senhor, doutor.
Qual � o seu trabalho desde que voltou a Nova York, Sr. Townsend?
Estou procurando emprego.
Seus estudos no exterior devem lhe abrir muitas portas.
Se eu tivesse realmente me dedicado a esses estudos, Sra. Penniman.
Mas s� desperdicei meu tempo.
Sabe, ganhei uma pequena heran�a e a gastei rapidamente.
Que tipo de emprego prefere?
Para que eu sirvo? Receio que para muito pouco.
S� tenho meus bra�os, como dizem nos melodramas.
� muito modesto. Al�m dos bra�os tem tamb�m uma �tima cabe�a.
Pelo que vejo, � extremamente inteligente.
Sim.
Muito obrigado. Aconselha-me a n�o se desesperar?
Ficaria muito triste se admitisse que...
um homem robusto e bem disposto precisa se desesperar.
Se n�o der certo em um neg�cio pode tentar outro.
Apenas deve escolher discretamente.
Sim, discretamente.
O senhor teria alguma proposta para me ajudar?
N�o. N�o tenho uma proposta espec�fica para fazer.
Dizem que a costa oeste est� prosperando.
Muitos jovens est�o voltando seus olhares nessa dire��o.
Receio n�o ser capaz de fazer o mesmo.
Veja, tenho liga��es aqui. Minha irm�.
Ah, sim. A Sra. Montgomery, Austin.
Liz a conhece. Encontraram-se em um bazar beneficente.
Ela � vi�va. Agora que voltei, hospedo-me com ela.
- Ela depende muito de mim. - Naturalmente.
O Sr. Townsend tem cinco sobrinhos pequenos.
Est� ajudando a cri�-Ios.
Sim, dou aulas para eles. Sou uma esp�cie de tutor.
Isso � muito adequado. Esp�rito familiar � muito adequado.
- Mas n�o chega a ser uma carreira. - N�o. N�o far� minha fortuna.
N�o se prenda muito a fazer fortuna.
Gostaria muito de passar a noite em casa...
mas a comiss�o hospitalar re�ne-se hoje e preciso estar presente.
- Entendo, senhor. - Lavinia, espero que me desculpe.
Claro.
Catherine, fa�a as honras da casa ao Sr. Townsend.
Muito agradecido por seu interesse, senhor.
Sim. Sim, claro.
Ele n�o gosta de mim.
- N�o gosta nem um pouco de mim. - N�o sei como pode saber.
- Sinto. Percebo isso rapidamente. - Talvez tenha se enganado.
Pergunte a ele e ver�.
- Ent�o prefiro n�o perguntar. - Certo.
- Mas voc� n�o o contradiz. - Eu nunca o contradigo.
Austin, ele n�o � um mo�o encantador?
Jamais imaginaria que fosse se interessar tanto por Catherine.
- Nem eu. - � t�o agrad�vel. T�o elegante.
Ele deve achar muito dif�cil manter a eleg�ncia sem trabalhar para isso.
Mas ele est� buscando um emprego honestamente.
Fico pensando se ele n�o est� procurando por isso aqui, Lavinia.
Ser� que ser marido de uma mo�a indefesa com muito dinheiro...
n�o seria perfeito para ele?
- Como pode ter essa suspeita? - Suspeita? � um diagn�stico, querida.
Voc� n�o est� na cl�nica. Morris seria o sonho de qualquer mo�a.
Voc� apenas olhou com os olhos, que s�o t�o bons quanto os meus.
- Melhores. - Austin...
deveria incentivar e agradecer o que est� acontecendo.
Muito bem. Enquanto eu agrade�o...
espero que n�o se esque�a de seus deveres de dama de companhia.
- Boa noite, minha querida. - Boa noite, Austin.
Tem alguma pedra de c�nfora? Estou com outra enxaqueca.
- Enxaqueca? - Desculpe.
Aparecem como ladr�es durante a noite.
- Permitam que eu me retire. - Fique � vontade.
- Tia! - N�o costumo me entregar, querida...
mas �s vezes lutar � loucura. Boa noite, querida.
- Boa noite, Sr. Townsend. - Boa noite.
Pobre Sra. Penniman.
Posso lhe oferecer um vinho do Porto na sala de estar?
Viu?
O qu�?
Sua tia est� do meu lado. Ela n�o deixar� seu pai me maltratar.
Meu pai n�o o humilhar�. Ele ainda n�o o conhece bem.
Sabe...
gostaria de ouvi-la dizer:
"Se meu pai n�o gosta de voc�, o que isso importa?"
"O que isso importa?" Eu jamais diria isso!
Fazemos qualquer coisa pela pessoa que amamos.
Minha querida...
precisa acreditar no quanto gosto de voc�.
Voc� � tudo o que sempre desejei em uma mulher.
Mas eu sou...
sou t�o...
Oh, Catherine...
- Voc� quer se casar comigo? - Sim.
Voc� me faz muito feliz.
- Voc� me ama? - Sim.
Oh, Catherine...
Eu... te... amo.
Vou cuidar de voc� para sempre.
Temos que falar com o meu pai.
Farei isso esta noite. Voc� falar� amanh�.
� gentil de sua parte falar primeiro.
Normalmente � o rapaz quem fala.
Mulheres tem mais tato. Convencem melhor.
Voc� precisar� de todo o seu poder de persuas�o.
Naturalmente seu pai deseja um casamento brilhante para voc�.
- Eu sou pobre. - Meu pai n�o se importa com isso.
Deveria. Deveria ter medo de eu ser um mercen�rio.
Mercen�rio? Oh, n�o!
Ele pode dizer isso.
Bem, eu apenas vou dizer que ele est� errado.
Voc� deve frisar isso, Catherine.
Por qu�?
Porque o fato de voc� ter dinheiro...
pode ser nossa maior dificuldade.
Oh, Morris!
Tem certeza mesmo que me ama?
Minha querida...
duvida disso?
Catherine.
Depois de sua tia ter nos deixado a s�s...
n�o � correto que eu fique mais tempo.
Sim, Morris.
Virei pela manh� falar com o seu pai.
- A que horas? - �s onze em ponto.
Eu direi a ele. Por favor, Morris, prometa-me.
Voc� ser� muito gentil, muito respeitoso ao falar com meu pai.
Claro! H� algo que voc� tem que me prometer.
Caso seu pai se opuser, ser� fiel a mim haja o que houver.
Sim, Morris, haja o que houver.
Sabe que tem idade suficiente para ser sua pr�pria dona.
Eu te amo.
- Eu sempre te amarei. - Minha amada garota!
- Oh, pai! - Voc� est� me esperando?
- Sim. Tenho algo para lhe dizer. - Tem?
- Sim! - Bem...
Vamos at� a sala dos fundos e l� a escutarei.
Agora, minha querida, n�o acha que precisamos nos sentar?
- Bem, ent�o... - Fui pedida em casamento.
Faz bem em me dizer.
E a quem deu a honra de sua escolha?
O Sr. Morris Townsend.
- Voc�s foram ligeiros. - Sim, acho que fomos.
O Sr. Townsend devia ter esperado e falado comigo.
Ele quer falar com o senhor amanh� �s onze da manh�.
N�o � a mesma coisa, minha cara.
N�o devia pleitear por ele. Ele � quem devia pleitear por voc�.
Sim, pai, mas achei que ele tem um pouco de medo do senhor.
- Medo? - Teme que o senhor n�o goste dele.
Bem, eu mal o conhe�o, Catherine.
Mas n�o � importante eu e ele nos gostarmos.
O importante � ele amar voc�.
Ele ama. Ele me ama e eu o amo.
Foi maravilhoso para mim Morris aparecer em minha vida.
Pai, n�o acha que ele � o homem mais bonito que j� viu?
Bem, ele � muito bem apessoado, minha querida.
N�o deve deixar que isso lhe suba � cabe�a.
Ah, n�o! Mas isso � o que � t�o maravilhoso para mim...
que ele seja tudo o que uma mulher pode desejar...
e, ainda assim, deseje a mim.
- Eu o verei amanh�. - Sabia que o senhor o viria!
E o senhor � t�o bom que ser� gentil e sincero com ele.
Serei t�o gentil e t�o sincero quanto ele � com voc�.
Obrigada, pai, isso � tudo o que precisamos.
Tia Penniman.
Tia Penniman.
- Catherine. - Ele me pediu em casamento.
- Seu pai sabe? - Sim.
- O que ele disse? - Ele ver� Morris amanh�.
Eureka!
- Como est� sua enxaqueca, tia? - Enxaqueca?
Bom dia, minha querida.
Este � meu irm�o, Dr. Sloper, Sra. Montgomery.
A Sra. Montgomery foi muito gentil em vir.
- Estou muito agradecido, madame. - Estou feliz por vir.
- Ela deixou tudo por fazer. - Eu deveria t�-la visitado...
mas � minha manh� na cl�nica. N�o me atrevi a faltar.
Eu entendo, doutor.
- Elizabeth... - Claro. Com licen�a.
- Fique � vontade. - Vou ver minha irm�.
Poderia ir comigo at� o escrit�rio para conversarmos?
Sim, senhor.
Entenda minha situa��o, Sra. Montgomery.
Seu irm�o deseja se casar com minha filha.
Ent�o, gostaria que me falasse sobre seu car�ter.
Que tipo de cavalheiro ele �?
Bem, doutor, ele � inteligente, encantador.
- �tima companhia. - Sim, sei disso.
Mas � confi�vel? � honesto? � respons�vel?
Se quer saber se � financeiramente seguro, ele n�o �, doutor.
- Mas sei que deve saber isso. - Sim, ele mesmo me contou.
H� outra coisa sobre Morris, ele � honesto.
�? Ent�o � honesto em seus sentimentos por minha filha?
Isso eu n�o sei, doutor.
Nunca soube o que se passa no cora��o das pessoas. O senhor sabe?
Bem, eu tento.
Ele me contou que gastou uma pequena heran�a.
- Ele a administrou bem? - Provavelmente o senhor n�o acredita.
Mas, pelo seu ponto de vista, fez um grande neg�cio com ela.
Visitou a Europa, conheceu muita gente interessante.
Aumentou seus conhecimentos.
- Ele a ajudou, madame? - N�o.
- N�o deveria? - N�o penso assim.
A senhora � vi�va e com filhos. Eu penso assim.
Mas eu sei que se precisasse, ele me ajudaria.
Tem certeza?
Quer que me queixe dele, senhor, mas n�o farei isso.
Eu o criei como se fosse meu filho...
e eu aceito o que h� de bom e mau nele...
como aceito em meus filhos.
Eu a irritei, madame. Pe�o desculpas.
Acho, doutor, que exige muito dos outros.
Se assim o fizer, sempre se desapontar�.
Quero que conhe�a minha filha.
- Com licen�a. - Claro.
- Catherine. Catherine. - Sim, pai.
Pode vir ao escrit�rio?
Sim, pai.
- � ela? - N�o, � um retrato da minha mulher.
- Oh, ela � muito bonita. - Sim, era. Muito bonita.
Oh.
Catherine, esta � Sra. Montgomery, irm� de Sr. Townsend.
Srta. Sloper.
- Como vai? - Estou muito feliz em conhec�-la.
Obrigada. Morris veio?
Seu encontro � �s 11 h, Catherine.
Ah, sim.
- Tudo bem com seus filhos? - Tudo bem, obrigada.
Espero que Morris a leve a minha casa em breve.
Sim.
Meu irm�o me contou que tem uma tia de visita, Srta. Sloper.
Sim.
� excelente ter algu�m a quem mostrar Nova York.
Ah, sim, � verdade.
Ela gosta de nossa cidade?
Sim.
Catherine, podia oferecer uma ta�a de vinho a Sra. Montgomery.
Sim, claro. Com licen�a, madame.
- Ela... ela � muito t�mida. - Sim, � verdade.
Talvez seja menos t�mida com Morris.
Disse que acabaram de se apaixonar. Est� certa com rela��o a Catherine.
Estar� com rela��o a seu irm�o?
Bem, apenas posso supor...
que Morris est� mais maduro em seus sentimentos do que supus.
Desta vez, procurou mais do que a beleza superficial.
Talvez tenha notado o car�ter gentil por tr�s da apar�ncia.
- Est� sendo honesta? - Acho que sim.
Bem, acho que o dinheiro dela seja seu maior atrativo.
- Que dinheiro? - Ela � uma herdeira.
- Seu irm�o n�o lhe contou? - N�o, n�o contou.
Ela recebe 10 mil d�lares por ano da m�e...
e, com minha morte, ter� duas vezes mais.
- Ela ser� muito rica! - Sim, claro que ser�.
Se ela se casar com algu�m que eu n�o aprove...
deixarei minha parte para a cl�nica.
- Sim, mas continuar� com os 10 mil. - Sim, continuar�.
Ainda assim � muito dinheiro, doutor.
Sim, mas considere como ele se comportou com dinheiro.
Satisfez cada desejo dele. Ele a ajudou com as crian�as?
N�o!
Ele aumentou seus conhecimentos na Europa.
Ele deixou suas luvas aqui ontem, de fina camur�a. Veja as suas!
Ser� que ele a ajudar� com a fortuna que pretende desposar?
Aposto minha vida que n�o!
Deve seguir seus pr�prios princ�pios, doutor.
Diga-me que ela n�o � uma v�tima de seu ego�smo e que estou errado.
Preciso ir agora.
- Bom dia, doutor. - Bom dia, madame.
A Sra. Montgomery j� foi? Queria que Lavinia a visse.
- Sim, Liz, j� foi. - Gostou dela?
- Muito. - Que bom.
Catherine acabou de pedir a Elizabeth que Marian seja sua dama de honra.
Catherine est� radiante. Nunca a vi assim antes.
Ela ter� que superar isso. Ele � um in�til.
- O qu�? - O homem � um ca�a-dotes.
S� est� interessado no dinheiro dela.
Vai contar isso a Catherine?
- N�o. - Mas, Austin...
Catherine, a Sra. Montgomery j� foi.
Demorei demais. Quis deixar a bandeja muito bonita.
N�o foi sua culpa, minha querida. N�s terminamos a conversa.
Terminaram?
A Sra. Montgomery lhe disse algo ruim, pai?
- N�o, Catherine. - Eu n�o a agradei.
Por Deus! N�o se menospreze tanto.
Estava atrapalhada. N�o ficarei de novo.
- � melhor ir para seu quarto. - Sim.
Pai, fale de mim para ele. Conhece-me t�o bem...
N�o ficaria mal se o senhor me elogiasse um pouco.
Como � poss�vel proteger uma v�tima t�o espont�nea?
Voc� vai mat�-la se lhe negar este casamento.
Esquece que sou um m�dico. Ningu�m morre disso.
Seja muito cauteloso, Austin.
Ele pode cuidar bem de Catherine, de seu dinheiro e faz�-la feliz.
- Ele pode. Sei que pode. - Mas ela est� sendo manipulada.
Ela est� apaixonada.
O Sr. Townsend est� no sal�o principal, senhor.
Bom dia, Sr. Townsend.
Como vai, senhor? Estava me esperando?
Sim, estava. Foi muito pontual.
Dificilmente me atrasaria para uma ocasi�o t�o importante.
Sim. Catherine me contou ontem o que h� entre voc�s dois.
- N�o quer se sentar? - Obrigado.
Andei a manh� toda. Senhor, achei Nova York...
t�o linda quanto qualquer cidade da Europa nesta �poca.
Sim. Deve me permitir dizer, Sr. Townsend...
que teria sido apreci�vel se tivesse vindo me falar de suas inten��es...
antes de ter avan�ado tanto.
Catherine o conheceu h� poucos dias.
N�o demoramos para chegar a um entendimento.
Meu interesse pela Srta. Sloper come�ou assim que a vi.
N�o teria inclusive precedido seu primeiro encontro?
Claro que j� havia ouvido dizer que era uma mo�a graciosa.
Uma mo�a graciosa. � o que pensa dela?
Se fosse diferente, n�o estaria aqui.
Meu caro rapaz, como pai de Catherine...
acho que conhe�o a exata medida de suas muitas qualidades.
Mas nunca a vi sob essa luz.
N�o sei o que acharia dela se fosse seu pai.
Falo de meu pr�prio ponto de vista.
Voc� fala muito bem. Por favor, sente-se.
Acredita mesmo que eu jogaria minha filha em seus bra�os?
N�o, achava que n�o gostava de mim.
- O que lhe fez pensar assim? - O fato de eu ser pobre.
Talvez n�o soe bem, mas � verdade.
N�o tem profiss�o, meios. Por favor, sente-se.
Recursos vis�veis ou perspectiva...
e assim est� numa categoria onde n�o se escolhe um genro.
Principalmente para minha filha que � uma mulher fraca com grande fortuna.
N�o penso que seja fraca.
Mesmo que n�o fosse, voc� ainda � pobre.
Sim, esta � minha fraqueza e por isso me considera um mercen�rio.
- Eu n�o disse isso. Voc� disse. - Mas � o que quer dizer.
H� muitos homens pobres, Sr. Townsend...
mas que n�o proclamam n�o ser ladr�es...
especialmente quando ningu�m os acusa.
Apenas disse que est� na categoria errada.
Mas sua filha n�o se casa com uma categoria. Casa-se com um homem.
Um homem que ela tem a bondade de amar.
Um homem que n�o oferece nada em troca?
Ser� poss�vel oferecer mais que afei��o e devo��o eterna?
Devo��o eterna � medida depois do fato.
� comum oferecer alguma seguran�a material.
Qual � a sua? Um rosto bonito, porte e boas maneiras.
Todas s�o excelentes enquanto duram, n�o v�o muito longe.
- Considera-me um in�til? - N�o interessa o que eu penso.
Apenas n�o o vejo como um genro.
- Acha que gastarei seu dinheiro? - Ah, disso me declaro culpado.
Talvez porque tenha gastado o meu.
S� gastei porque era meu. N�o tenho d�vidas.
Quando acabou, parei. N�o devo um tost�o a ningu�m.
Permita-me perguntar. Do que vive hoje?
Do que resta de meus bens.
Deixou suas luvas aqui ontem.
Obrigado.
Doutor, n�o deseja agradar sua filha?
Fica feliz com a id�ia de v�-la infeliz?
Conformo-me por ela me considerar um tirano durante alguns meses.
- Alguns meses? - Por toda a vida ent�o.
Ela pode ser infeliz tanto assim como ao seu lado.
- N�o est� sendo educado, senhor. - Voc� me obriga.
- Discute demais. - S�o muitas coisas em risco.
Eu sei, mas o senhor as perdeu. Fim.
N�o estou t�o certo disso, senhor.
Voc� � impertinente.
Dr. Sloper, se n�o fosse pelo que sinto por Catherine...
eu n�o teria aguentado as indignidades que me lan�ou.
Voc� s� precisa sair da minha casa para fugir delas.
Bom dia, Sr. Townsend.
- Bom dia. - Morris, espere!
Morris! Voc� me prometeu, Morris.
Disse que seria respeitoso quando falasse com meu pai.
- Catherine. - O que houve, pai?
Catherine, voc� n�o tem dignidade.
Por que est� zangado? Por que brigaram? Diga-me, por favor.
- Falarei quando estivermos a s�s. - Seu pai n�o me aprova.
- Quer que eu desista dele? - Sim, quero.
Por qu�? O que ele fez? O que a Sra. Montgomery lhe disse?
Minha irm�, falou com ela?
A meu convite, ela me procurou hoje pela manh�.
Percebe o quanto isto � doloroso para mim, pai.
Acho que quer que eu saiba suas raz�es.
- Ele � um ego�sta pregui�oso. - Minha irm� nunca disse isso.
- N�o, eu digo. - Pai, eu sei que ele me ama.
Eu sei que n�o.
Em nome de Deus, pai, por que tem tanta certeza?
Minha pobre crian�a, n�o posso lhe dizer. Apenas acredite em mim.
Pai, n�o posso.
N�o posso.
Eu o amo.
Prometi me casar com ele, ficar com ele haja o que houver.
Ent�o, ele se garantiu com uma promessa dessas?
- Voc� � mais que desprez�vel. - N�o o ofenda, pai.
Vamos nos casar logo.
Isso j� n�o me diz respeito.
- Lastimo. - Dr. Sloper.
N�o podemos nos casar sem sua aprova��o.
Vai trazer infelicidade a todos.
- Acredita nisso, senhor? - Sim.
Ent�o, o senhor esperaria, Sr. Townsend, por seis meses?
Gostaria que Catherine fosse � Europa comigo.
- Europa? - Gostaria muito que fosse.
- Por que, pai? - Ele acha que voc� me esqueceria.
Eu ainda o amaria quando voltasse.
Est� muito segura de seu amor, Catherine, mas aceitaria testar o dele?
- O senhor o subestima. - Eu n�o acho.
Catherine, v� para a Europa.
V� para a Europa com seu pai.
Por aqui, senhor.
J� volto.
Bom dia, doutor. Bom dia, madame. Catherine.
Vim porque tinha certeza que n�o me negaria a oportunidade...
de lhes desejar boa viagem.
- Muito obrigado. - Morris, estou feliz que veio.
Trouxe um pequeno presente para a Srta. Sloper, senhor.
N�o � normal para mo�as na situa��o de minha filha...
receber presentes de cavalheiros.
Sim, doutor, eu sei, mas � um presente humilde.
� apenas um pequeno aquecedor de m�os.
Pai, gostaria de t�-Io.
� s� colocar carv�o em brasa nele, Catherine.
- Eu o dou com todo o meu amor. - Morris!
Ficarei pensando em voc�, Catherine.
Bom dia, madame. Boa viagem, doutor.
Nunca pensei ouvir um serm�o desses em Nova York.
Quando o Reverendo Penniman falava sobre p�es e peixes...
era como se estivessem l�. Quase se podia sentir o cheiro.
- Olhe, Sra. Penniman, perdeu. - Por que sempre ganha?
Trapaceio.
Se n�o fosse por seus convites...
estes �Itimos meses teriam sido insuport�veis.
Gosta desta casa, n�o �, Morris?
Sim, madame, gosto.
Sabe, o doutor � um homem de bom gosto.
Apesar de n�o nos gostarmos, parece que gostamos das mesmas coisas.
Isso pode ser um la�o entre voc�s no futuro.
Eu espero. Ele conquistou tudo isto com seu trabalho.
Ele acredita que todo homem deve fazer o mesmo.
O problema � que alguns de n�s n�o conseguem.
- Sente falta dela, n�o �, Morris? - Muita.
- O jantar est� servido, Sra. Penniman. - Sim, Maria.
E o vinho est� na temperatura ambiente.
Obrigado, Maria.
- Espero n�o t�-Io feito esperar. - N�o, querida.
- N�o prefere ir para dentro? - Gosto desta mesa.
O senhor costumava vir aqui com minha m�e?
Sim, Catherine. Quer chocolate?
N�o, muito obrigada.
- Oh! L� est� o Caf� Riche. - Sim. Por qu�?
Tia Penniman o mencionou em sua �Itima carta.
Lavinia?
Ela disse que as melhores pessoas de...
Paris o frequentam.
Um inverno de solid�o lhe deu um sexto sentido.
- Algo para "mademoiselle"? - N�o.
"Bien, monsieur".
Voc� desistiu dele?
N�o, pai.
Quer dizer que em todo este tempo n�o mudou de id�ia?
N�o, pai.
N�o vejo raz�o para prolongar esta viagem. Voc� v�?
Pensei que gostaria de ver a Inglaterra.
J� vi a Inglaterra.
O navio est� contornando a ba�a. Aportar�o em uma hora.
Estamos quase prontas.
- Maria, achou minhas luvas? - Vou procurar de novo.
Geier, temos que estar no porto em meia hora.
Sim, madame.
Que hora desagrad�vel para atracar!
Agora, tenha cuidado para n�o esquecer nenhum detalhe.
- Eles s�o muito importantes. - Claro.
Voc� estar� numa carruagem fechada na esquina da Rua McDougal...
amanh� � noite, assim que escurecer.
- Amanh� �s 21 h. - Sim, �s 21 h.
Oh, aqui est�o elas!
- Conte-lhe tudo. - Contarei.
- Diga-lhe que a amo. - Direi.
Espere nas estrebarias por meu sinal, Morris.
Catherine!
Catherine, est� t�o francesa!
Bem, n�o importa o quanto o exterior seja fascinante...
� sempre bom voltar para casa, n�o �?
Peguei um resfriado, Lavinia.
Pode me fazer a gentileza de pegar �gua quente para um xarope?
Claro, Austin.
� bom estar em casa, n�o, pai?
Voc� vai se sentir melhor agora que voltamos.
Eu... eu espero que me deixe cuidar um pouco do senhor.
- Aqui est�, Austin. - Obrigado, Lavinia.
Sua garrafa de conhaque est� logo ali.
Bem...
Come�ou a beber, Lavinia?
Meu cora��o, achei que seria bom para meu cora��o.
Ah, sim.
Sei que n�o deveria perguntar, Catherine, mas me trouxe algo?
- Trouxemos uma sombrinha de seda. - Exatamente o que eu queria.
Venha me mostrar.
Seu cora��o melhoraria, Lavinia, se parasse de fumar charutos.
Quando chego em casa e acho um c�lice vazio de conhaque...
e uma marca espec�fica de charutos, s� posso pensar numa pessoa.
Bem, o que ter� acontecido ao Sr. Townsend?
- Estaria l� em cima, em minha cama? - Austin, esqueci de lhe contar.
- Ele passou por aqui hoje � noite. - Hoje � noite?
- Esteve aqui hoje, tia? - Sim, sim.
- Fez de minha casa seu clube. - Voc� devia estar na cama.
Agora percebo que tudo deve estar esperando por mim.
Em que posi��o rid�cula eu me encontro!
Bem, creio que vai embora com ele agora a qualquer momento.
Sim, se ele quiser.
Por que n�o? Voc� � a companheira perfeita.
- Tentarei ser. - Com sua alegria e intelig�ncia...
ele n�o notar� a diferen�a entre os 10 mil d�lares por ano que tem...
e os 30 mil que ele espera.
Ele n�o espera nada. Ele n�o me ama por isso.
N�o? E por que, ent�o?
Sua gra�a, seu charme, sua prosa e intelig�ncia sutil?
Ele me admira.
Por meses, tentei n�o ser desagrad�vel.
Mas agora � hora de voc� saber a verdade.
Quantas mo�as acha que ele poderia ter tido nesta cidade?
- Ele me acha agrad�vel. - Claro, estou certo que sim.
H� centenas de mulheres mais belas, milhares mais espertas.
Mas voc� tem uma virtude que nenhuma tem.
- Qual? Qual �? - Seu dinheiro!
- Pai! - Voc� n�o tem mais nada!
Oh.
� uma coisa terr�vel o que me diz.
N�o espero que acredite. Eu a conhe�o por toda a vida...
e ainda n�o a vi aprender nada.
Com uma �nica exce��o, minha querida. Voc� borda divinamente.
Morris.
Morris!
- Ainda n�o consegui falar com ela. - Onde ela est�?
L� em cima, com Austin. Ele est� de mau humor. � melhor voc� ir.
- Eu vou dizer tudo a ela. - Eu mesmo quero dizer.
- Vou esperar at� ele dormir. - N�o, por favor, v�.
- Se Austin o vir... - N�o ver�. Vou ficar aqui.
N�o, eu a levo �s compras pela manh� e voc� nos encontra na pra�a.
Por favor, v�.
Morris. Morris!
Morris!
Morris, Morris, estou t�o feliz.
Cathy.
Estava me esperando! T�o ansioso quanto eu.
Oh!
- Cathy. - Oh, Morris.
- Voc� me foi fiel? - Sim!
Sim. Voc� n�o mudou de id�ia?
N�o, n�o! E voc�?
Espere at� ouvir meus planos.
- Planos? - Sim.
Para o nosso casamento.
- Para a nossa fuga. - Oh, nossa fuga.
� para amanh� � noite.
N�s nos casaremos numa capela afastada, em Murray's Hill.
O Reverendo Lispenard conhece nossa hist�ria. Ele nos ajudar�.
Est� me ouvindo, Catherine?
Oh, eu te amo tanto.
Diga-me o que fazer.
Aluguei uma carruagem fechada.
Vou peg�-la na esquina da pra�a, amanh� �s 21 h.
Vamos at� a capela.
Depois do casamento, passaremos a noite num hotel rio acima.
No dia seguinte, vamos para Albany em lua-de-mel.
Oh, Morris!
Meu marido!
- Gosta do meu plano? - Oh.
E eu lhe trouxe uma linda capa de seda.
- Deve us�-la no casamento. - Minha querida crian�a!
Trouxe-lhe um jogo de bot�es de Paris.
- Bot�es? - Com rubis e p�rolas.
- S�o muito bonitas. - Querida, como seremos felizes.
- Morris? - Sim?
- Leve-me esta noite. - Esta noite?
- N�o h� tempo? - � preciso.
Mais tarde, quando todos estiverem dormindo.
Podemos fugir em sil�ncio e ningu�m perceber�.
Mas, Catherine, � s� mais um dia.
- Morris, eu lhe pe�o. - Para onde iremos?
- At� o Reverendo Lisp... - Lispenard.
Sim! Ele n�o nos mandar� embora por chegarmos um dia antes.
- Eu te imploro! - Catherine.
Se voc� me ama...
- Est� certo, eu concordo. - Oh!
Vou buscar uma carruagem. S�o quase dez e meia.
Vou estar de volta meia-noite e meia em frente � sua casa.
Deve estar pronta me esperando. Far� isso?
Posso fazer tudo, meu querido.
- Deixe uma carta para seu pai. - Uma carta?
- Sim. Quer que a escreva para voc�? - N�o.
Pense com cuidado o que dir�. Precisa derreter seu cora��o.
- N�o vou escrever para ele. - Claro que precisa escrever.
- Queremos que ele nos perdoe. - Ele n�o nos perdoar�. Sei disso.
Agora eu sei. Tenho boas raz�es para saber.
- Que raz�es? - Meu pai n�o gosta de mim.
Que coisa triste para se dizer. Claro que gosta.
- N�o. - Ele deve am�-la muito...
ou n�o teria tentado tanto proteg�-la de mim.
N�o, Morris, estou certa disso.
Eu n�o diria se n�o tivesse certeza.
Entendi isso hoje, pela primeira vez na vida.
Pode-se perceber quando uma pessoa fala com voc� como se... como se...
- Como se o qu�? - Como se desprezasse voc�.
Desprezasse?
Temos que ser muito felizes juntos e nunca me despreze, Morris.
- Catherine. - Nunca devemos pedir-lhe nada...
ou depender dele para qualquer coisa.
Temos que ser muito felizes e n�o esperar nada dele.
N�o.
Tentarei ser a melhor esposa do mundo.
- Sei que ser�. - Ficarei pronta logo.
Catherine, querida.
Ele n�o pode detest�-la tanto. Ele est� quase cedendo.
N�o, Morris, n�o est�. Mas, mesmo que estivesse, eu n�o estou.
Entendo.
Tentarei ser pontual, Morris. Sei que gosta disso.
- Ent�o, meia-noite e meia. - Corra, querido!
Catherine.
- O que est� fazendo? - Preferia que voltasse para a cama.
Mas quero saber o que est� fazendo.
Estou fugindo com Morris.
Isso � imposs�vel, ser� amanh�.
N�o, voc� entendeu errado.
Veja, Morris estar� aqui amanh� � noite.
N�o, ele estar� aqui nos pr�ximos dois minutos.
- Voc� o viu? - Sim.
Catherine, passar� a noite com ele sem se casar?
Vamos diretamente at� o Reverendo Lispenard em Murray's Hill.
Se ele nos casar, talvez possamos ficar com ele.
Sen�o, viajaremos durante a noite. N�o me importo.
Catherine. Que rom�ntico...
- Morris � t�o corajoso. - Acho que ouvi uma carruagem.
- N�o. - Quer que me vista e v� com voc�?
N�o h� tempo. Morris j� vai chegar.
Mas eu preciso. Voc� tem que ter uma madrinha.
- Seu pai ficar� chocado. - Ele merece.
Meu pai me acha uma pessoa med�ocre.
Vai se surpreender quando esta med�ocre desgra�ar seu nome.
Catherine, � mesmo voc�?
Foi s� uma porta batendo.
Pense nisso, pode ser a �Itima vez que olho por esta janela.
Talvez eu nunca mais veja a Pra�a Washington numa noite de abril.
Por que n�o?
Porque nunca mais eu vou voltar a esta casa.
Bobagem. Voc� e Austin far�o as pazes em menos de um ano.
Eu nunca mais voltarei a v�-Io.
O qu�?
Estou indo hoje ao inv�s de amanh�...
para n�o ter que olhar para ele por mais tempo...
ou ele para mim.
N�s nos detestamos demais, tia.
Meu Deus, crian�a. Voc� ser� deserdada.
- Sim. Completamente. - Contou isso ao Morris?
Claro. Eu lhe conto tudo. Ele vai ser meu marido.
Deveria ter esperado. Ele... Ele entendeu?
Ele chegou. Adeus, tia. Vou escrever-lhe.
- Tia? - Sim, querida?
Por que eu n�o deveria ter contado para Morris?
Minha querida, por que n�o foi mais esperta?
Esperta? Como assim?
Catherine.
Por que n�o deveria ter contado para ele?
Morris poderia n�o querer ser a causa...
da perda de sua heran�a.
Poderia n�o querer v�-la empobrecida.
Empobrecida? Recebo dez mil d�lares por ano!
� muito dinheiro.
N�o quando se espera trinta.
Voc� pensa o mesmo que meu pai.
Pois est� errada. Morris me ama.
Tenho tudo o que ele procura numa mulher.
- Catherine. - Tenho. Tenho. Ele me disse.
Ele me acha bonita. Ele me quer.
Ele n�o p�de esperar at� amanh�. Quis ir hoje.
N�o, fui eu que disse isso, n�o foi? Mas ele concordou. Ele tamb�m queria.
Ver� por voc� mesma. Ele tamb�m queria.
Bem, ent�o talvez ele venha.
Talvez!? Ele precisa vir.
Ele precisa me levar. Precisa me amar. Ele precisa.
Por favor, controle-se.
N�o, n�o. Morris precisa ficar comigo.
Morris vai me amar por todos aqueles que n�o me amaram.
Morris! Morris! Morris!
Desculpe, o consult�rio do doutor est� fechado.
Soube que ele voltou da Europa h� uma semana.
Voltou, mas est� de cama. Tente o Dr. Isaacs na Rua Great Jones.
Obrigado.
- Doutor. N�o devia ter se levantado. - Por favor, n�o me paparique.
- Doutor, volte para a cama. - Cuide de suas coisas.
Sim, senhor.
Ah, Catherine. N�o a vi desde que voltamos.
N�o, pai.
Claro, se ele estiver doente, n�o poderia escrever.
Talvez devesse lhe mandar uma carta.
- N�o, tia. - Eu poderia levar para voc�.
Fique fora disto, tia.
S� quero ajudar, se puder.
Poderia traz�-Io de volta da Calif�rnia?
Calif�rnia?
Fui at� a casa da Sra. Montgomery para v�-Io.
Foi?
Ela me contou.
Pediu emprestado o dinheiro da passagem para o primo Arthur...
e partiu.
� melhor a senhora ir ao mercado.
- Ah, um momento, Maria. - Sim, doutor?
Se pudesse interromper seu bordado por um momento, Catherine.
Acho... acho que as duas precisam saber uma coisa.
Estou doente.
N�o tenho uma simples gripe, s�o meus pulm�es.
Vou precisar de muitos cuidados.
Talvez n�o volte a me recuperar...
mas quero que tudo seja feito como se voltasse.
- Detesto quartos de hospital. - Talvez o senhor se restabele�a.
Bem, em alguns dias v�o precisar de um m�dico. Chamem o Dr. Isaacs.
Se o ru�do da rua me cansar, fechem as janelas.
Catherine, n�o quero que sua tia Lavinia suba ao meu quarto.
A menos que eu entre em coma.
Quanto � comida, n�o exagere. D�-me sopa, caldo de carne e mingau.
Sim, senhor.
Encontrem-me uma lamparina. Ponham mechas novas para que n�o cheire.
- Doutor. - Agora...
poderia arrumar a cama para mim? Subirei num momento.
Sim.
- Eu a ajudo, Maria. - Poderia ficar um minuto, Catherine?
S� posso presumir que sua partida � iminente.
� para logo? Nesta semana?
N�o.
Ele pediu que me guardasse segredo quanto a seus planos?
Eu n�o estou partindo.
- N�o est�? - Com licen�a, pai.
Venha aqui um momento.
Aqui, na luz.
Voc� est� p�lida. Seus olhos parecem doentes.
Voc� andou chorando.
Voc� rompeu seu noivado.
Se foi isso, eu devo lhe dizer Catherine...
que a admiro muito por isso.
Sei do esfor�o que deve ter feito.
- Sabe, pai? - Mas a dor passar� com o tempo.
Nem sei como dizer o quanto estou orgulhoso de voc�.
- Est�? - Muito. Muito orgulhoso.
Ele me abandonou.
Como?
Morris me abandonou.
- Ainda me admira, pai? - Oh, Catherine.
N�o seja gentil comigo. Isso n�o lhe cai bem.
Est� me acusando por que tentei proteg�-la?
- Sim. - Algum dia vai entender...
que lhe fiz um grande servi�o.
Posso lhe dizer j� o que o senhor fez. O senhor me depreciou.
Pensou que qualquer homem simp�tico, inteligente...
se aborreceria comigo tanto quanto o senhor.
N�o foi o amor que o fez me proteger, foi o desprezo.
Morris Townsend n�o a amava, Catherine.
Sei disso agora, gra�as ao senhor.
Melhor saber agora que daqui a vinte anos.
Por qu�? Vivi com o senhor por vinte anos...
antes de descobrir que o senhor n�o me amava.
Morris n�o poderia ter me ferido ou...
privado mais de seu amor do que o senhor fez.
J� que o senhor n�o conseguia me amar, devia ter deixado outro tentar.
Finalmente encontrou sua l�ngua, Catherine.
Apenas para dizer essas coisas terr�veis para mim.
Sim. Esta � uma �rea em que n�o poder� me comparar com minha m�e.
Eu deveria t�-Io deixado arruinar sua vida?
Voc� vai encontrar um homem honesto, decente.
- Tem tantas qualidades. - E 30 mil por ano.
Sim. Isso deveria t�-la feito escolher com discri��o.
Se era para comprar um homem, eu preferia ter comprado Morris.
N�o diga isso. Sabe que ele era um canalha.
Eu o amo. Isso humilha o senhor?
Prometa-me que terminou com ele!
- N�o prometo. - Ent�o, alterarei meu testamento.
Pois devia. Devia fazer isso imediatamente.
"Eu, Austin Sloper...
cirurgi�o da Pra�a Washington, n�. 16..."
Seria melhor me dizer como quer o texto.
- Preciso considerar melhor as coisas. - N�o h� nada a considerar.
Quer que seu dinheiro seja gasto de uma maneira que aprove.
Deixe para a cl�nica. Eles far�o do jeito que deseja.
Catherine, estou doente.
"Assim redijo meu �Itimo desejo e testamento."
Eu n�o quero isso! N�o quero deserdar minha �nica filha!
Sei que n�o.
Prefere pensar em mim sentada dignamente nesta bela casa...
rica, respeitada e sem amor.
Mas posso pegar seu dinheiro, correr atr�s de Morris e gast�-Io com ele.
Eu n�o posso saber o que far�, Catherine.
� isso, pai. Nunca saber�, n�o �?
Srta. Catherine.
O Dr. Isaacs diz que deve vir agora. Seu pai est� muito fraco, senhorita.
Ele a chama, senhorita.
Sei que chama.
� tarde demais, Maria.
Sim, senhorita.
Diga a Lavinia que lamento n�o t�-la visto.
- Direi, tia Elizabeth. - Venha. Arthur est� esperando.
- Est� bem. Estou indo. - Diga at� logo para tia Catherine.
- At� logo, tia Catherine. - At� logo, Andrew.
Mam�e, pegue Andrew. At� logo.
Est� bem. Por que n�o nos visita em agosto?
Vai amar Newport. Jefferson e eu alugamos uma casa enorme este ano.
Pode ser.
N�s a convidamos todos os anos desde que seu pai morreu.
Voc� sempre diz, "Pode ser." E nunca vai.
Gosto da pra�a.
- At� logo, Catherine. - At� logo.
- Diga "at� logo", Andrew. - At� logo, tia Catherine.
At� logo.
Oh, Srta. Catherine. P�s um dos vestidos que trouxe de Paris.
- Fica muito elegante com ele. - Obrigada.
Est� uma noite t�o quente.
Posso passear pela pra�a depois de cozinhar?
Maria, � t�o livre nesta casa quanto eu.
Quanto quiser me pedir um favor, n�o precisa me bajular.
Mas... mas, Srta. Catherine, eu falei s�rio.
Foi o vestido mais fresco que encontrei.
Sim, senhorita.
- Tia Penniman, chegou cedo. - Sim, querida. Sim.
Viu seus amigos de Poughkeepsie?
N�o, querida, n�o vi. Mas tenho uma grande surpresa para voc�.
Que bom, gosto de surpresas.
Bem, ent�o...
Vi Morris Townsend.
Encontramo-nos por acaso.
Ele chegou h� apenas uma semana.
Catherine, ele est� t�o elegante.
E fez tantas perguntas sobre voc�, querida.
Soube que voc� ainda n�o se casou. Pareceu bastante interessado.
Ele teme que voc� jamais o compreenda e o julgue mal.
Como a senhora pode dizer isso para mim?
Estava nesta sala na noite em que ele me abandonou.
Se pudesse ouvi-Io...
e tentasse entender seu lado, Catherine.
Ele agiu de maneira nobre. De verdade.
D� para perceber que esteve com ele.
Ele a seduziu novamente. A senhora fala como uma tola.
N�o importa o que pensa de mim.
Tenho certeza que ficaria mais feliz se falasse com ele.
Poupe seu f�lego, tia Penniman. Eu n�o vou v�-Io.
Tia Penniman, a senhora n�o teve coragem?
Ele veio comigo. Implorou que falasse com voc�.
S� quero sua felicidade, Catherine.
V� at� a porta, tia, e diga ao Sr. Townsend que n�o estou em casa.
- Por favor, Catherine. - Eu n�o estou em casa.
Ela n�o est� em casa, Morris.
Sinto muito.
Deu-lhe meu recado?
Sim, mas ela n�o est� em casa.
Entendo.
J� se passou muito tempo desde que estive aqui.
Eu sei.
Bem, sinto muito.
- Boa noite, Sra. Penniman. - At� logo, Morris.
Entre, Morris.
- Boa noite, Morris. - Boa noite, Catherine.
Eu a ofendi vindo aqui?
N�o devia ter vindo.
Eu precisava. Precisava te ver, Catherine.
- Podemos nos sentar? - Melhor n�o.
Podemos ser amigos de novo?
N�o somos inimigos.
N�o sabe como me faz feliz por ouvir isso.
Nunca deixei de pensar em voc�.
Se n�o consegue ser honesto comigo, n�o temos mais nada a conversar.
Mas � verdade, Catherine! Desde... a noite em que parti...
queria que entendesse quais foram meus motivos.
Tive anos para pensar neles, Morris.
E entendo agora. Ent�o, n�o temos mais nada para falar.
Desejo-lhe boa noite.
Mas eu vim da Calif�rnia para v�-la.
Para explicar-lhe isso.
- � tarde demais para explica��es. - N�o, Catherine.
Eu teria vindo correndo...
mas tive que implorar e pedir emprestado o dinheiro da passagem.
Foi muito dif�cil chegar at� aqui.
Entre Nova Orleans e Charleston trabalhei como um simples marinheiro.
Agora que estou aqui, voc� tem que me dar a chance de me justificar.
Precisa me ouvir, Catherine. Precisa.
Em nome do que j� fomos um para o outro.
O que voc� quer explicar?
Muitas coisas, Catherine.
Podemos nos sentar agora?
Catherine, foi por am�-la que desapareci naquela noite.
Sei o que pareceu. Meu comportamento foi p�ssimo.
Mas eu sabia que se retornasse naquela noite...
teria lhe causado um grande dano.
Nenhum homem que ama realmente uma mulher...
permitiria que ela abrisse m�o de uma grande fortuna por ele.
S� em livros de hist�ria.
Meu pai n�o me deserdou, Morris. Fez a amea�a para test�-Io.
Mas eu n�o podia ter certeza disso na noite... em que parti.
N�o, n�o podia.
Tente me entender, Catherine.
Tente n�o pensar no que pareceu e sim no que foi.
Eu tinha que escolher. Escolhi seu bem estar em lugar do meu.
- N�o consegue pensar assim? - Tentarei.
Sabe que nunca mudei.
Acredito que voc� ainda se importa um pouco comigo.
Sim, Morris, � verdade.
Catherine, voc� me perdoa pelo sofrimento que eu lhe causei?
J� o perdoei h� muito tempo.
Oh, Catherine, minha querida.
Apenas tivemos que esperar e agora estamos livres.
N�o h� mais nada entre n�s, Catherine.
Quer dizer que voc� me ama?
N�o ouso dizer isso.
- Por que n�o? - N�o sei se acreditaria em mim.
J� acreditei uma vez, n�o foi?
Catherine, vamos fazer o resto de nossas vidas ser feliz.
Como?
Bem... retomando de onde paramos.
Nos casando, Catherine.
Gostaria disso, Morris?
Isso me faria o homem mais orgulhoso e feliz do mundo.
E eu tentaria ser um bom marido para voc�.
Estou mais velho... mais s�bio agora.
E sei que me ama.
Preciso disso. Preciso disso mais que tudo.
Quando quer se casar comigo?
Oh, Catherine.
Ent�o, voc� aceita? Logo, logo. No m�s que vem.
J� n�o � mais t�o impetuoso quanto antes, Morris.
Impetuoso? Por qu�? Casar-me-ia contigo ainda esta noite.
Venha comigo agora, podemos achar uma carruagem na pra�a.
Acha que o Reverendo Lispenard ainda est� esperando?
Podemos dizer para ele que adiamos.
Morris, pensei tantas vezes naquele hotel rio acima.
Minha querida.
Teremos a mesma lua-de-mel?
Precisar� me dar um tempo para fazer a mala.
Sim, claro.
Minhas coisas est�o com minha irm�. Eu... pegamos tudo no caminho.
Por que n�o pega agora, Morris, e volta para me pegar?
Est� certo. Podemos chegar a Murray's Hill em uma hora.
Podemos estar l� �s dez.
Lembra-se dos bot�es que lhe comprei em Paris?
- Bot�es? - Espere, vou peg�-Ios.
Oh!
Estou em casa.
Realmente estou em casa.
O que foi, Morris? O que foi?
- Ela � maravilhosa. - Sim.
- Ela � soberba. - Sim.
- Ela tem tanta dignidade agora. - Conte-me.
- Vamos nos casar esta noite. - Esta noite? Catherine, minha crian�a!
Aqui est�o, Morris. Seu presente de casamento.
Obrigado, minha amada.
Catherine, s�o rubis. Olhe, Sra. Penniman.
Estou vendo. Brilham tanto. Ficam bem em voc�, Morris.
Sim, ficam.
S�o a coisa mais bonita que j� tive.
Catherine, voc� n�o guarda rancor.
At� as nove, ent�o.
Catherine, n�s o temos de volta. Sabia que terminaria assim.
Voc� n�o tinha a mesma certeza, mas tenho f� em um amor assim.
Espero continuar sendo rom�ntica.
Sabe, Catherine, � muito mais rom�ntica do que pensa.
Morris sentiu isso. N�o se incomode com isso, querida. Eu fa�o.
Como foi bom ter guardado aquela lingerie de Paris.
Vou empacotar isso para voc�. Borrifarei com lavanda.
Catherine, quer que eu v� com voc�?
Venha, querida, temos que fazer as malas.
Catherine, n�o h� tempo para isso.
- N�o falta muito. - Mas pode terminar depois.
Tenho que acabar agora, e nunca mais farei outro.
N�o?
Ele voltou com as mesmas mentiras.
As mesmas frases baratas.
Como... o que est� dizendo?
Ele ficou mais ganancioso com os anos.
Da primeira vez, queria meu dinheiro. Agora quer meu amor tamb�m.
Bem, ele bateu na casa errada, e duas vezes.
Vou providenciar para que n�o bata de novo.
Catherine, sabe o que est� fazendo?
Sim.
Pobre Morris.
Como pode ser t�o cruel?
Sim, posso ser muito cruel.
Aprendi com mestres.
Bem aqui!
Espere!
- Deixe que eu atendo. � para mim. - Sim, senhorita.
Tranque, Maria.
- Trancar? - Tranque a porta, Maria.
Sim, senhorita.
Boa noite, Maria.
Boa noite, senhorita.
Catherine!
Catherine!
Catherine!
Catherine.
Catherine!
Catherine!
Catherine!
Catherine!
Catherine!
Catherine! Catherine! Catherine!
Catherine!
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