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POR ANOS, OS BANCOS ESPANHÓIS VENDERAM PRODUTOS FINANCEIROS COMPLEXOS
PARA PESSOAS COMUNS: POUPADORES, PENSIONISTAS, FAMÍLIAS.
RECEBERAM PROMESSAS DE SEGURANÇA. CONCORDARAM COM RISCOS QUE NÃO ENTENDIAM.
MUITOS PERDERAM SUAS ECONOMIAS. OUTROS, SUAS CASAS.
EM 2012, APÓS O COLAPSO DO SISTEMA,
O ESTADO RECUPEROU OS BANCOS COM MAIS DE 60 BILHÕES DE EUROS.
A Espanha continua presa a uma crise que começou há mais de cinco anos,
mas ainda afeta muitos lares.
Com uma taxa de desemprego de quase 26%
e mais de 5,5 milhões de desempregados,
a recuperação prevista por alguns indicadores ainda não chegou.
O ministro da Economia, Luis de Guindos,
garante que 2014 será o ano da virada, com crescimento lento, mas constante.
No entanto, os cidadãos continuam sofrendo com cortes na saúde,
na educação e nos serviços sociais,
enquanto os salários caem e os gastos estagnam.
Nas ruas, o descontentamento aumenta.
Esta semana, milhares de pessoas voltaram a se manifestar
para exigir mudanças nas políticas de austeridade.
Sindicatos e grupos sociais declaram
que os resgates bancários não resultaram em créditos nem empregos
e que a desigualdade aumenta.
Os espanhóis tentam sobreviver com hipotecas impagáveis,
empregos precários e benefícios sociais que diminuem ano após ano.
Canalha!
VENDE-SE
Bom dia, Paqui.
Bom dia, Lola.
Bom dia.
Dizem que um cara daqui ganhou. Comprou na lotérica ao lado.
Deve ser algum idiota.
Se eu ganhasse cinco milhões, não daria aviso prévio.
Desligaria o celular e "tchau".
Sem despertador, sem chefe e até sem esposa.
- Aqui está. - Ia sumir.
- Obrigado. - Obrigada. Que generoso.
BANCO CONDAL CRESCENDO JUNTOS
Senhor, me desculpe. Preciso fazer um depósito urgente.
Sinto muito, senhor. Ainda não abrimos. Volte em uma hora.
Espere só um momento. Deixe-me explicar. Ei!
Venha aqui, por favor.
Olhe.
Juro que não dormi a noite toda. São cinco milhões.
Espere aí.
Afaste-se da porta. Ela abre para fora.
- Muito obrigado. - Por aqui.
Eu estava com medo de guardar em casa.
Eu entendo.
Vamos ao meu escritório cuidar disso.
Os outros funcionários ainda vão demorar para chegar.
COLISÃO IMPLACÁVEL
Ei…
Código de acesso às caixas de segurança.
Não sei. Esse serviço foi automatizado há anos.
Não sei.
O que tem nas caixas não é sua responsabilidade.
Juro que não sei.
Ei…
- Com qual mão se masturba? - O quê?
Isso não!
Sete, três, dois, nove,
seis, cinco, oito, quatro, nove, um, zero, quatro.
É 73, 29, 65, 84, 91, 04.
Seis, cinco, oito, quatro,
nove, um, zero, quatro.
Incorreto.
Incorreto.
Ótimo. Não é à toa que estamos assim.
Seis minutos. E aí?
Sim… É sete, três, dois, nove,
seis, cinco, oito, quatro, nove, um, zero, três.
É 73, 29, 65, 84, 91, 03.
Correto.
Pedro. Como está indo?
Nada.
- Não estão aqui. - Como assim?
A 34 está vazia.
- Ele disse que estavam aqui. - Não tem nada.
- O que foi? - A 34 tá vazia.
- Como? - A 34 está vazia!
- Não estão aqui, merda! - E agora?
Continuamos abrindo as caixas.
Não vamos sair daqui só com alianças e pingentes de comunhão.
Ei! Você aí!
Onde estão?
Onde estão?
A faxineira chegou mais cedo.
Bom dia! Cheguei mais cedo hoje. Tenho consulta médica mais tarde.
Oi!
Venha comigo, senhora.
Tá, vamos embora. Chega.
- Doze minutos. Temos que ir já. - Vamos!
Puta que pariu.
Caixa 34 do caralho!
Cala a boca, porra! Vamos!
Vamos!
Raúl.
- Está limpo? - Esperem.
Parados.
- Agora. - Vamos.
O que houve?
- Arranca! - O que houve?
- Acelera de uma vez! - Não, devagar, Raúl.
Mas o que aconteceu?
Não levantem suspeitas. Certo? Calma, gente.
- Vão me contar? - Não estavam lá!
- Não estavam? - Acelera!
Não! Para!
Que cheiro é esse?
De merda, caraca.
- Merda. - Dizem que dá sorte.
Quer acelerar, estudante?
Não, espera.
Agora.
- Que merda. - Não é merda.
- Tem um milhão aí. - Um milhão?
- É avaliadora? - É idiota?
Comparado aos diamantes, não é nada.
Viemos pelos diamantes, certo? Ele mentiu pra gente.
Espera.
Ele estava sozinho?
O que está insinuando, moleque?
- Deixa eu ver! - Me solta, caralho!
- Mostra a roupa! - Chega!
- Eu sabia! - Agora não!
Mentiroso do caralho!
Psicopata!
Está mentindo!
Parem! Chega!
Você está bem?
Sim.
Não…
Não…
Pai!
Pai!
Pai! Pai, olha pra mim!
Não! Pai!
- Pai! - Temos que ir.
Pai!
Não.
Olha pra mim, pai!
Pai!
Pai! Fala alguma coisa! Olha pra mim!
- Pai! Me solta! - Raúl.
Temos que ir.
O que ele está fazendo?
Para!
- Não. - Larga isso!
Não vamos queimá-lo! Ei!
- O que está fazendo? - Larga isso!
Não…
- Não vamos queimar! - Está cheio de provas!
Raúl, pense na sua mãe.
Pense na sua mãe.
Bom dia.
Subinspetora.
Quero uma lista dos fatos o mais rápido possível.
- Desculpa o atraso. - Olá, Carla.
O que temos?
Entraram três. Achamos que tinha um lá fora.
O que levaram?
Dinheiro e joias. Arrombaram as caixas de segurança.
O protocolo foi ativado.
Se tentarem vender, ficaremos sabendo.
- Olá. - Como vai?
Como vai? Carla Mencía, subinspetora da Equipe 1 de Assaltos.
Prazer.
Vejamos. O primeiro era mais velho, tinha uns 60 e poucos anos,
barba, bengala… Ele estava usando…
um daqueles bonés de caça.
E os outros?
Os outros…
Havia mais dois, um homem e uma mulher, ambos jovens,
usando máscaras desde o início.
Notou algo estranho nos últimos dias?
Não, nada. Nada de estranho que eu me lembre.
- E chegou às 7h, certo? - Como sempre.
Gosto de começar sozinho. Se não, não dá pra fazer nada.
Nada. Ninguém no bairro ou no distrito ganhou na loteria.
Loteria?
A isca. A ganância é a raiz de todo mal.
Verifiquem as câmeras num raio de 100 metros.
Estamos nisso.
Quero enviar a investigação ao tribunal o quanto antes.
Certo.
Mande os donos das caixas pra delegacia.
- Certo. - Acha que estão envolvidos?
Você invadiria sem saber o que levar?
Nem o gerente sabe exatamente o que tem lá.
Só os donos. Isso não é intuição. É informação.
As mesmas pessoas vêm sempre, principalmente de manhã.
Nunca tinha visto essas pessoas antes.
Algum detalhe que chamou sua atenção? Qualquer coisa.
Não sei, eram bem comuns.
Trinta e poucos anos.
Um usava boné, com certeza,
e o outro tinha uma barba que era loira… Bem, castanha.
Nada de mais.
Eles saíram logo depois do gerente.
Mal tocaram no café. Deviam estar com pressa.
Ótimo. A perícia vai ligar pra fazer o retrato falado.
Sim. Só uma coisa, eles são perigosos?
Saio daqui sozinha, bem tarde. Se souberem que falei algo…
- Alô? - Tranquila.
Se vieram de cara limpa, sabiam que faríamos perguntas.
- Estamos indo. - Certo.
Sim. Estamos indo.
Tchau.
Eles me mandaram sair do carro. Um deles estava apontando a arma pra mim.
Vamos ver. Desgraçados e miseráveis!
Já sabem. Provas, sacolas, fotos, tudo passa por mim.
Sem exceções. Não respirem sem a minha permissão.
O que aconteceu?
- Como assim? - Seu rosto. Se cortou?
Sim. Diga pra sua mãe cortar as unhas.
Diria, mas ela está morta.
As unhas continuam crescendo.
Viu o que tem no chão?
Já temos alguma coisa?
Embaixo do banco.
Diamantes.
Talvez tenham caído ou não tiveram tempo de pegar.
E o da van?
Ignorou o pare. Colisão frontal. Está em estado crítico.
Como fugiram?
Roubaram outro carro. Estamos rastreando.
O dono disse que eram três: dois homens e uma mulher.
Os rostos estavam cobertos com máscaras brancas, como no roubo.
Raúl.
Temos as imagens do banco e do prédio ao lado.
Estamos esperando as outras.
Do prédio ao lado?
O interfone grava.
Sorte nossa que ninguém é honesto.
O que houve com você?
Nada, ferrei meu joelho fazendo besteira.
Coincidência? Ou sabiam que havia uma câmera?
Como iam saber da câmera escondida?
Porque é o trabalho deles.
Avança.
Para aí.
Algo deu errado.
Mude para a câmera externa.
Não dá pra ver o carro.
Sabiam que o interfone estava gravando.
Pode ter sido sorte.
Muito finos, mas depois…
Espera. Deixa eu voltar.
Vejamos.
Ali.
Olha só. Pela primeira vez, a merda vai ser útil.
Temos que chamar a perícia pra coletar a pegada.
Vão obter algo com isso?
Não faço ideia, mas pelo menos temos algo pro relatório.
Eu cuido disso.
- O que acha? - Bom.
Mas tenho que te dizer que, pensando bem,
a barba pode ter sido… Pode ter sido falsa.
Sei.
Terminamos? Quero ir pra casa, tomar banho, me trocar…
Nossa parte, sim. Obrigado pela cooperação.
Muito obrigado a vocês dois. Imagina.
Envie por e-mail para o endereço oficial.
Muito obrigado por tudo.
Obrigado. Tenha um bom dia.
Com licença? Você pisou nesse excremento?
Definitivamente não é meu dia, policial.
Continua a investigação do roubo ocorrido esta manhã
em Chamberí, Madrid.
As linhas de investigação seguem abertas,
incluindo o veículo queimado encontrado nos arredores de Pinto.
- Foi seu pai, e você sabia. - Não.
- Acha que somos idiotas? - Agora não.
Quando então? Quando vierem atrás de nós?
Fizemos tudo isso pelos diamantes. Sabe quanto valem?
Meu pai morreu. Tô nem aí.
Ótimo, uma parte a menos.
Tomás, precisava mesmo quebrar meu dedo?
Tinha que ser convincente.
E pode explicar o golpe?
Pergunte a eles.
Carla, por favor. O que aconteceu?
Um cara ignorou um pare, e não o vimos se aproximar.
- E? - E o Pedro já era.
E os diamantes também.
- O quê? - Ele disse que a caixa estava vazia.
Ele escondeu os diamantes.
E agora foram confiscados.
Quanto temos?
- Tipo um milhão. - Mais ou menos.
Merda, Raúl, sinto muito. Eu sinto muito.
Infelizmente, não podemos mudar o que aconteceu.
Então vamos seguir em frente.
"Seguir" com o quê?
Em um ou dois dias, vão identificar o corpo. Estamos ferrados.
Tomás, se entrarmos em pânico, estaremos acabados.
Vamos seguir o plano. O dinheiro fica aqui.
É um lugar seguro?
Está seguro há seis meses. Vai continuar seguro.
Não nos encontramos nem ligamos até a poeira baixar. Certo?
Tá.
Merda…
Certo, vamos.
Vamos. Vamos embora.
Sim, vamos.
Você e eu, agora.
O que você disse.
Que quando acabasse…
Eu sei, mas não acabou.
E não está indo como esperávamos.
Por isso mesmo. Temos que ir agora.
Não.
Se formos agora, não iremos muito longe.
Não posso voltar pra casa.
Claro que pode.
Se você quiser.
O que você disse pra ele?
Pra quem?
Pro estudante. Quando tentávamos queimar o carro.
- Sei lá, Tomás. - O que você disse?
Pra pensar ele na mãe dele. Pra…
Você estava lá. Eu disse…
que a mãe dele ficaria sozinha se ele fosse pego. Sei lá!
Só disse isso?
Qual é o problema, Tomás? Sério?
- Só estou perguntando. - Estou respondendo.
O cara perde a cabeça, aponta uma arma pra nós.
Eu resolvo, e você acha estranho?
- Só estou perguntando. - Tá. Estou respondendo, caramba.
Vou dormir.
Amanhã, quando identificarem o corpo, vai dar merda.
Por isso, vamos descansar, por favor.
Ai, meu Deus…
Pedro?
Não, mãe, sou eu.
Trouxe seus remédios. Temos que levar a receita amanhã.
Deixe no banheiro, querido. Tem notícias do seu pai?
Já é noite, e não tive notícias dele. Liguei o dia todo.
Ele me ligou. Disse que a bateria acabou
e que ia ficar na casa do Ramón porque iam caçar de novo.
Ele nunca carrega o celular. Tem tortilla.
Não quero agora. Não tô com fome.
Vou dormir. Tenho plantão depois.
INSTITUTO MÉDICO LEGAL
Oi.
Oi. Seu café.
- Duplo? - Duplo.
Tudo bem?
- Sim. - Dormiu bem? Não parece bem.
Lesão corto-contusa na região torácica,
penetrando entre a quarta e a quinta costelas direitas.
Atravessa o lobo superior do pulmão, perfura o pericárdio
e corta a aorta ascendente.
A hemorragia foi massiva, e a morte foi imediata,
em menos de 60 segundos.
- O pé de cabra? - Exato.
E as queimaduras?
São post-mortem.
Algo que nos ajude a identificá-lo?
Hoje é seu dia de sorte.
Ele tinha uma prótese com o número de série legível.
Obtivemos os registros médicos. Estavam no arquivo do fabricante.
Quem é ele?
Pedro Vilas, 65 anos.
E não vai gostar disso. Ele era policial.
Pedro Vilas?
Do nosso distrito.
Subinspetor. Divisão de patrulha. Aposentado.
- Temos o endereço dele? - Está aí.
Polícia!
Limpo!
Limpo!
Limpo!
Seguro!
Seguro. Podem entrar.
Aqui não mora ninguém.
Tem uma vizinha lá fora.
A casa deles foi confiscada há um ano.
Ele era policial. Pedro.
Um homem encantador. A esposa também.
Gente boa e tranquila.
Por que foi confiscada?
Não faço ideia. Só sei que foram morar com o filho.
- Sabe onde ele mora? - Deixe-me ver no meu celular.
Polícia. É a esposa do Pedro Vilas?
Sim. Aconteceu alguma coisa?
Lamentamos muito, de verdade.
Sei que é um momento difícil, mas precisamos fazer algumas perguntas.
Quando foi a última vez que viu seu marido?
Bem, ele saiu ontem de manhã.
Ele foi…
para Cuenca caçar com uns amigos, e ficou sem bateria.
Notou algo diferente nele?
Não. Ele estava mais nervoso. Mais calado do que o normal, mas…
Por quê?
Problemas.
Como todo mundo.
Ele não dormia bem há um tempo.
Sabe se ele estava vendo alguém, novos amigos?
Alguma visita?
Bom, ele passava mais tempo fora de casa do que de costume…
Seu filho é policial?
Sim, como o pai. Há seis anos.
Onde ele está agora?
Ele saiu há duas horas. Tinha plantão.
Por quê? Ele está envolvido?
Carla, ele não está de plantão. É mentira. Vamos.
Temos que avisar a Guarda Civil. Trens, portos, aeroportos…
Tudo que voe ou flutue.
Eu cuido disso. Nos vemos na delegacia.
- Tá. - Laura, caramba, cuide de tudo.
Estou a caminho. Até mais.
Atende, Raúl.
Você foi redirecionado para a caixa postal porque…
- Alô. - Tomás, o Raúl sumiu. Ele sumiu.
- Ele não atende. - Como assim "sumiu"?
Vou ligar para o Ernesto.
Tá.
Merda!
MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO
Quer uma mão aí, Raúl?
- Não se mexa! - O que está fazendo?
- Não se aproxime! - Abaixe isso.
- No chão! - No chão, o caralho!
Quer ir? Vá, mas devolva isso.
Não vai chegar muito longe.
- Não é problema seu. - É sim!
É nosso problema!
Ei! Ei, Raúl.
Raúl.
Abaixa a arma.
A culpa é toda sua.
- Não está pensando direito. Abaixa. - Não se aproxime!
Por que fez isso com a gente?
O assalto?
Sabe do que estou falando.
Não explicou ao meu pai a merda em que ele estava se metendo.
Você o empurrou!
- Sabe que eu não… - Não se mexa!
Eu não sabia, Raúl. Só estávamos seguindo ordens.
Mentira!
Se eu soubesse, acha que eu teria te oferecido isso?
Não fiz isso por você. Fiz pela minha consciência, Raúl.
Consciência? Você não tem consciência.
Você o matou antes do acidente.
Ele trabalhou a vida toda por mim e pela minha mãe.
Quando ia descansar, você o matou.
Que consciência é essa?
Tá, faz o que precisa fazer. Não vou te impedir.
CARLA: RAÚL, O QUE TÁ ACONTECENDO? ME ATENDE, TE AMO
- O que houve? - A caixa estava vazia.
- Deixa eu ver! - Sai!
- Deixa eu ver! - Para!
- Eu sabia! - Agora não!
- Mentiroso! - Psicopata!
Está mentindo!
- Parem! - Chega!
- Carla, você está bem? - Sim.
Raúl.
Filho. Raúl.
Raúl, olha pra mim. Respira.
- Raúl… - Temos que ir.
Raúl. Fala comigo, filho. Raúl!
Raúl. Fala comigo, filho.
- Vamos! - Não, Raúl…
Não! Espera!
Não!
- Raúl… - Larga isso!
Temos que queimar o carro.
- Larga o galão! - Sério?
Estou pedindo educadamente.
Carla!
Faz ele entender.
Tem impressões digitais… Não podemos fazer nada.
Quero que a mãe dele possa se despedir.
- Não tem saída. - Quer ser preso?
Tô nem aí!
Nós estamos! Se não queimarmos o carro, seremos pegos!
Para, caralho!
Chega! Vamos queimar! Mas primeiro, vamos tirá-lo daí.
- Primeiro, vamos tirá-lo. - O quê?
O que está dizendo? Merda!
Me ajudem. Vamos, rápido.
Pega ele. Puxa. Puxa com força.
A perna dele tá presa, e tem um carro vindo.
E agora?
- Vamos embora. - O quê?
- Vamos embora. - E isto?
- Vamos. - Não.
Tomás, cala a boca! Vamos embora! Agora!
Máscaras!
Eles irão atrás do pai dele.
Nada liga vocês ao meu filho.
Sabem que eram quatro. E eles…
Vão pressioná-lo a falar.
Não direi nada.
No começo. Mas, depois de 72 horas, todo mundo cede.
Eles te ferram pra você baixar a guarda. Somos idiotas.
Idiotas que vão acabar em Soto del Real.
- Não me fode. - Cala a boca!
Quando me disserem por que os diamantes não estavam na caixa.
Se está limpo, mostre a roupa.
O que foi? Não confia em mim?
Luis. O que foi?
Sim, estou indo. Até mais.
Vamos seguir o plano como era.
O plano já foi pro saco.
Afirmativo. Temos uma patrulha na Condal…
- Olá. - Subinspetora.
Desculpe o atraso.
Oi, Carla.
Oi, tudo bem?
O que temos?
Há muitos curiosos em frente à agência. Câmbio.
Viatura 12. Negativo após a Gran Vía. Trânsito intenso, câmbio.
Câmbio.
Bom dia. Tudo bem? Carla Mencía, subinspetora, Equipe 1 de Assaltos.
Prazer.
Eram três, com máscaras, e um deles estava apontando uma arma…
Víctor.
Tomás.
- O que houve? - Por quê?
Seu rosto. Se cortou?
É uma tatuagem da xoxota da sua irmã.
O perímetro é nessa linha. Tudo dentro deve ser marcado.
Fotografem tudo antes que a equipe de roubo chegue
e pise em tudo.
Puta merda, eu conheço ele.
O quê?
Raúl Vilas, da TI.
Não fode.
Ele é um dos nossos.
- Tem certeza? - Sim, caramba.
O pai dele era patrulheiro. Se aposentou há alguns anos.
Olhe bem. Não o reconhece?
Nunca vi antes.
Temos que avisar o inspetor.
Mas ninguém toca no carro.
Removam o corpo, levem o carro pra delegacia e verifiquem lá.
Entenderam?
Ótimo. A perícia vai ligar pra fazer um retrato falado.
Alô?
Só uma coisa, são perigosos?
Eu saio daqui sozinha…
Onde?
- Se souberem que falei… - Já vamos.
Se vieram de cara limpa, sabiam que investigaríamos…
Estamos a caminho.
Tudo bem?
Depois te conto. Vamos.
Merda. Um dos nossos, e é filho de um colega.
- Conhecia ele? - De vista.
Quando a notícia sair, pode preparar a pipoca.
Vou à casa dele e você ao local do acidente?
Não.
Seu marido e a equipe dele já estão lá.
Não vamos achar mais nada.
Bem…
Essas ou essas.
Eram assim, em forma de S.
- Calma! - Quero falar com o gerente.
Pare.
Quero saber se minha caixa foi roubada.
- Chefe! - Não me toque!
- O que houve? - Caixa 34.
Não pode ficar aqui. Saia.
Não vamos verificar.
- Pode verificar? - Você cruzou a fita.
- Saia. - Ernesto, pode me ajudar? É urgente.
- Se eu puder ajudar… - Não será necessário.
Só me diga se abriram a 34.
Quando pegarmos seu depoimento, informaremos. Certo?
- Sabe o que continha? - Levem-no.
Vocês nem imaginam.
Saia, merda.
- Pois não? - Polícia. Abra, por favor.
Sim.
- Pedro. - Oi, Luis. Quanto tempo.
Posso te ajudar?
Podemos entrar?
Claro.
Por que acha que seu filho teria participado do roubo?
Por minha causa.
Acho que foi por minha causa.
Depois que me aposentei, refinanciei a casa.
Queríamos comprar um apartamento na praia, em Conil.
Um lugar tranquilo onde… pudéssemos descansar, pescar…
O banco me ofereceu uma hipoteca em ienes.
No Japão, as taxas de juros eram menores, e eu pagaria menos por mês.
E, no começo, era verdade. Não pagávamos muito.
Parecia uma boa ideia, mas…
de repente, o euro foi pro saco, e o iene disparou.
Perdi tudo o que conquistei na vida.
Em 2012, não tínhamos dinheiro pra pagar nada.
Nenhuma das casas. O banco levou tudo.
Meu filho Raúl não teve escolha a não ser nos abrigar, a mãe dele e eu.
É muito humilhante para um pai.
Então… acho que ele fez isso por isso.
Não por ele. Por mim. Por nós.
Como se machucou na cabeça?
Tomo remédio pra dormir.
Acordei grogue e bati em alguma coisa.
Temos que revistar a casa.
Claro. Façam seu trabalho.
Notifique o tribunal.
Fique aqui enquanto vou à delegacia.
Certo.
Sinto muito.
Tomás, tem alguma coisa?
Luis.
Estamos coletando amostras dos bancos.
Vamos ver se encontramos suor, saliva ou sangue de algum dos suspeitos.
E o computador do carro?
Esse modelo não tem GPS.
Dados básicos, cintos, airbags, velocidade… Não vai ajudar.
Impressões digitais?
Nada útil. Ou limparam, ou usaram luvas o tempo todo.
E o carro? De onde veio?
Deram baixa há cinco anos.
Iam mandar para o ferro-velho, mas não mandaram.
- Quem processou a baixa? - Uma agência que faz tudo online.
A assinatura do dono é real. Não achamos mais nada.
Isso não foi obra de quatro amadores.
Que cheiro é esse?
Gasolina.
O banco de trás está encharcado.
E encontramos um galão meio vazio na estrada ao lado do carro.
Então, queriam queimar o carro.
- É o que achamos. - Por que não queimaram?
Algo os impediu. Ou alguém. Quem sabe?
Me avise se encontrar algo.
Raúl? Não pode ser…
Chamamos ele de "Diário Oficial" porque é muito certinho.
Sabe se ele tinha problemas?
Não.
Ao menos, nunca disse nada.
Por que acha que ele faria algo assim?
Não faço ideia. Não entendo.
E fora do trabalho?
Sabe… alguma coisa sobre ele?
Não muito. Ele morava com os pais. Quer dizer, os pais moravam com ele.
Fora do trabalho, ele só estudava.
- O quê? - Ele estava fazendo o curso de oficial.
E ele estava agindo de forma estranha ultimamente?
Não.
Não como alguém capaz de fazer algo assim.
Alguns colegas de Moncloa estão vindo.
Preciso que se afaste do caso.
Claro.
Mas quero te mostrar uma coisa antes.
O quê?
Olhe ali.
O que é isso?
Cocô de cachorro.
Muito obrigado por tudo.
Obrigado. Tenha um bom dia, senhor.
Antes? Não dava. Só me soltaram agora.
Como está? Foram te ver, né?
Na delegacia? Pra quê?
Certo.
Não. Escuta.
A gente faz o que combinamos e não fica nervoso. Só isso.
Filho da puta!
Eu também te amo. Muito.
Boa tarde, Paqui.
O plano é terminar com a sala de estar e a cozinha,
depois mover as caixas e os móveis do último quarto para cá.
Vamos verificar aqui. Certo?
Vamos listar tudo que levarmos.
Quando terminarmos,
mandamos uma cópia pro tribunal. Vocês sabem como é.
Pedro? Raúl?
- Isabel. - O que estão fazendo aqui?
Calma, querida.
- O que houve? - Me dá um abraço.
- Não, espera. O que houve? - Me dá um abraço, querida.
Me diz o que aconteceu.
- Por que não atendeu? - Estou ocupada. O que foi?
- A merda que o Pedro pisou. - E aí?
Estão analisando a pegada.
Pode ser de qualquer um. Cuidou do carro?
Sim. A joalheria em Badajoz, dois anos atrás. Lembra?
- Sim. - Usei provas desse roubo.
O DNA vai nos ocupar por duas semanas.
Então é isso. Estamos livres.
O que você tem?
O que acha?
Sim. O da esquerda, principalmente.
E o outro?
Bom, o outro pode ser ele. Sim.
Como eu disse, eles eram comuns. Não se destacavam.
Se lembrar de mais alguma coisa, nos avise.
A memória às vezes precisa de tempo,
mas a mente grava mais do que pensamos.
Bem, é só isso por enquanto.
- É só isso? - Sim.
Ótimo. Obrigada.
- Tchau, obrigado. - Tchau.
- Tchau. - Tchau.
Sara.
Conte o que descobriu.
Analisamos a pegada.
E aí?
É um calçado regulamentar.
Como assim, "regulamentar"?
Nossos. Da polícia.
Veja as câmeras. Talvez um de nós tenha pisado.
Já verificamos.
É um sapato antigo, fora de uso.
Falamos com o Almoxarifado, e confirmaram
que esse modelo foi distribuído entre 1998 e 2000.
Treze anos atrás.
E sabe o pai de quem usava esses sapatos naquela época?
Você está bem?
Sim, já vou.
Vamos, temos que ir.
Pronto.
O que está fazendo com isso?
Quando criança, ele adorava brincar com elas.
Vamos.
Sinto muito, filho. Eu falhei com você.
Senhor, receba Raúl em sua paz e deixe-o descansar em sua luz.
Aí está ele.
Como vai a academia?
Bem. Melhor do que ver idiotas saindo algemados.
Mas é mais chato.
Depende. Ganho o mesmo, mas durmo mais. Olha.
Aqui está o arquivo dele.
Notou algo de estranho nele?
Ele era um bom garoto.
Dedicado. Dos que não faltam nem com febre.
Sabe se ele era amigo de alguém aqui?
Ele não era muito sociável.
Ele sentava, prestava atenção e ia embora.
Pode me dar uma lista dos colegas dele?
Caso alguém saiba de algo.
Claro. Vou imprimir para você.
Ei.
Sua subinspetora não te contou nada?
O quê? Quem? A Carla?
Carla. Carla… Mencía.
Ela fez o curso de oficial aqui há alguns anos.
O que ela tem com o Raúl?
Não sei, mas algumas semanas atrás, depois das aulas,
fui buscar meu carro no estacionamento ao lado
e os vi conversando no carro do Raúl.
Tem certeza de que era a Carla?
Ora, ela ficou aqui por quase dois anos. Tenho certeza.
Lembra que dia foi?
ESTACIONAMENTO PÚBLICO 24 HORAS
Entendido. Vá tomando o depoimento e me espere chegar.
E a Carla? Então encontre-a.
Polícia Federal.
Essas câmeras gravam?
- Parabéns. - Pelo quê?
Pela prisão do assalto. Dois de quatro, só faltam dois.
Bom dia. Subinspetora Carla Mencía.
O Sr. Vilas se recusa a depor.
Então, registre e leve-o para a cela
antes de levá-lo ao tribunal.
Com licença. Posso falar com você em particular?
Eu não sirvo?
Pedro, você é policial.
Sabe que tudo que disser pode ser usado contra você.
Com ela.
Isso não faz sentido.
Não, não faz.
O que você quer?
Não se preocupe, nada disso estará no relatório.
Tem certeza?
Sim, vamos. Vai.
Vem comigo.
Turri! Onde está a Carla?
Com o suspeito. Ele pediu pra falar com ela.
- E por que deixou? Merda… - Por que não deixaria?
- Pode sair? - Claro.
Não. Você, não. Ele.
Vamos.
Sente-se.
Tomás.
E aí?
Você tem que vir com a gente.
Carla, você está presa como cúmplice do roubo
da agência 37 do Banco Condal.
Tem o direito de permanecer calada. O que disser pode ser usado contra você.
Tem o direito de consultar um advogado.
Se não puder pagar…
- Deixa eu ver! - Me solta!
- Deixa eu ver sua roupa! - Para!
- Eu sabia! - Não agora!
- Mentiroso! - Psicopata!
- Ele mente! - Pare!
Chega, porra!
- Está bem? - Sim.
Você está bem?
Temos que ir.
Querida. Vamos.
Não…
Não!
Carla! Não!
Não!
Então você nunca suspeitou de nada.
Você suspeitou de algo?
Ela passava mais tempo com você.
Também não suspeitei.
Tomás,
o roubo foi meticulosamente planejado.
Isso leva semanas de preparação. É impossível que não tenha notado.
A menos que você estivesse envolvido.
Nossos horários não costumam coincidir.
Não sei o que ela fazia enquanto eu trabalhava.
Ela foi promovida a subinspetora.
Trabalhou muito para chegar lá.
E ela gostava do trabalho. Com certeza.
Não faz sentido. A não ser que ela tenha feito por você.
Lá vamos nós de novo…
Tá, tudo bem. Digamos que você não esteja envolvido.
Ajude-nos a descobrir por que Carla se envolveu no roubo.
Desabafe, e então poderá lamentar por ela.
E nós também vamos poder…
…lamentar a morte dela.
Estamos tristes, fodidos e exaustos.
Ninguém quer estar aqui.
Ela era minha esposa. Vou lamentar quando sair daqui.
Vocês não têm nada contra mim.
Aqui está.
Obrigado.
Quando contou a ela sobre seu vício em jogos?
Quando confiscaram suas contas?
Sabia que esses microempréstimos
estavam vinculados ao banco que você assaltou?
Você escolheu esse banco por vingança.
Vingança de quê? Eu me meti nessa. O banco não teve culpa.
Tenho certeza de que não sabia os termos que estava assinando.
E se você pedir 5 mil euros? E depois mais 5 mil?
E continuar até chegar a 25 mil,
e acabar se tornando uma dívida de mais de 200 mil?
Talvez eles tenham um pouco de culpa.
E mesmo que tomem suas contas e seu salário,
a dívida continua crescendo. Certo?
- Sim. - Eu repito…
Como planejava sair dessa?
Nesse cenário, de repente, roubar um banco…
não é uma ideia tão louca.
Você cortou a bochecha no acidente, né?
Não, foi na academia.
Foi ideia sua, não foi?
Não podia ter sido da Carla.
Por que a envolveu nisso? Por que deixou ela fazer isso?
Defenda ela, porra!
Tenha um pingo de piedade e defenda ela!
Pelo menos teve a decência
de tirá-la do carro antes de queimá-lo.
Posso ir agora?
Nessas últimas semanas, não notou que a Carla estava nervosa,
indisposta?
Não.
Você não sabia, né?
Quantas vezes vou ter que dizer? Eu não sabia, Luis.
- Não. - Não sabia.
Não é isso que quero dizer.
Tomás.
O quê?
A Carla estava grávida.
O quê?
Não sabia?
Descobrimos na autópsia.
De quantas semanas?
Sete semanas.
Ela não te contou?
Não. Você está mentindo.
- Está mentindo. - A busca na casa.
- Achamos os exames ginecológicos. - Quero ver.
Quando colaborar.
Está mentindo, seu filho da puta.
Por que acha que ela não te contou?
Está mentindo.
Vocês tentaram ter filhos há alguns anos.
Ela teve um aborto espontâneo.
Tentaram de novo?
Não.
Seu vício em apostas começou antes ou depois do aborto?
Talvez ela não tenha contado porque você não era o pai.
É possível que ela visse outro homem?
O que você sabe?
Não chegue perto de mim!
Nem pense em chegar perto de mim. Nem pense.
Tomás.
Escuta. Sei que você a amava.
A Carla se foi.
Mas você ainda tem uma vida pela frente.
Coopere.
Se tem algo contra mim, me prenda. Não vou dizer mais nada, Luis.
Certo.
A de terça, que é muito em cima, podemos passar para quinta.
Ou podemos mudar para quarta.
No mesmo horário, das 11h às 12h.
O que houve, Raúl?
Machuquei o joelho fazendo besteira.
Melhoras.
- Obrigado. - Quarta…
Oi, pai.
Sim, acabei de sair da academia.
Sim.
Não se preocupe. Vou comprar pra ela no caminho.
Não estou te ouvindo. Está cortando.
O sinal está ruim. Estou no estacionamento.
Como vai a escola, Raúl?
O que faz aqui?
Desde quando?
Não sei do que está falando.
Desde quando?
Foi antes ou durante os preparativos?
Responde.
Durante.
Ela não estava procurando isso.
Nem eu.
Aconteceu.
- Vocês não estavam bem. - É mesmo?
Ela não estava bem.
Mas ela te amava muito.
Ela fez isso por você. Pelas suas dívidas com o banco.
Não deviam nos ver…
O que estavam planejando?
Iam fugir juntos?
Ela estava grávida.
O quê?
Não sabia?
- Não. - Sabia, sim.
- Não sabia. - Sabia, sim.
- Eu não sabia. - Não?
Se não me contou, era seu.
Talvez ela não quisesse um filho.
O quê?
Claro que ela queria. Era seu, Raúl.
Não era meu. Impossível. Não posso ter filhos.
Eu tenho cara de idiota?
Eu não posso ter filhos.
Eu sabia que tinha algo. Eu sabia desde o começo.
- Iam embora, não é? - Tomás…
Fala. Iam embora?
Iam embora juntos ou não? Raúl.
Responda.
Você não era o que ela queria.
AA PAPAI
Filho? Raúl?
Tomás!
O que fez com o meu filho?
Não ligo para o dinheiro! Fique com ele.
Mas me diga onde ele está. Diga!
- Deixa eu ver! - Me solta!
- Deixa eu ver! - Chega!
- Eu sabia! - Não agora!
Mentiroso!
Psicopata!
- Ele mente! - Parem!
Parem, porra! Chega!
O que aconteceu?
Tomás.
Tomás.
Tomás.
Tomás.
Tomás, não! Não, espera! Espera!
E hoje, quase dois meses depois do roubo ao Banco Jiménez Ruiz,
no distrito de Chamberí,
a polícia prendeu quatro cidadãos do leste europeu.
A quadrilha agiu com a ajuda de um membro da polícia,
cujo corpo foi encontrado dentro de um carro queimado
nos arredores de Madri.
O grupo está ligado
a uma rede criminosa presente em vários países,
especializada em roubos a bancos e joalherias,
além de jogos de azar ilegais e lavagem de dinheiro.
Foi essa ligação com o jogo ilegal
que ligou o policial falecido à organização.
Os bens e o dinheiro roubados não foram recuperados.
Seis partes. Duas pra você,
uma pra você,
uma pra você e duas pra mim.
E ainda não podemos saber quem é a sexta pessoa?
Não, não precisamos saber disso, nem mesmo hoje.
Quem "não precisa"?
Era esse o combinado, parceiro.
Mais alguma coisa?
Não?
Celulares na mesa, por favor.
Desejo boa sorte a todos.
Muito obrigado, Sr. Banqueiro.
- Que saudade de você. - Eu também estava com saudade.
Finalmente podemos ir.
Para o Vietnã.
Estou grávida.
Não sei de quem é.
Não faz mal.
Não preciso saber.
Sabe o que é uma banda proibida?
Não.
A banda proibida é…
Deixa pra lá, é um conceito complicado,
mas o diamante tem uma banda proibida muito larga.
E este não tem. É moissanite.
Uma boa imitação, mas vale 1% do que você imagina.
Não, isso é impossível. Tem certeza?
E esses?
Você pegou.
Sim.
Você é desprezível.
O que ia fazer com eles?
Que diferença faz? São todos falsos.
Arrisquei tudo por vocês, e você faz isso?
- Não é assim. - Então como é?
Como é então?
Me explica.
O que mais tinha na caixa?
Não tinha mais nada. Só a bolsa e essa merda de moissanite.
Tem certeza?
- Te dou minha palavra. - Sua palavra…
Sua palavra de merda.
É impossível, porque o Ernesto foi muito insistente.
E o dono apresentou notas, avaliações…
Estava no depoimento dele. Impossível.
- Eles nos ferraram. - Você nos ferrou.
- Olá, bom dia. - Bom dia.
Quero ver o gerente Ernesto.
Você foi ao banco há três dias.
Vou duas vezes por semana.
Pra quê?
Como assim, "pra quê"?
Amo aqueles diamantes mais que meus filhos.
A origem é legal?
Claro que a origem é legal.
Tenho as notas fiscais,
as avaliações, os laudos…
- O que faz aqui? - O de sempre.
Eu olho, toco, conto… Minha rotina.
Quem mais sabia que havia diamantes na caixa 34?
Oi, Raúl.
Ele não está aqui. Não veio trabalhar. Está doente.
Não gostei disso. Vou à casa dele.
Merda!
- Desculpe. - O que houve?
Nada. Te vejo lá?
Não, espera.
O que houve?
Os diamantes.
O dono tinha seguro particular. Eles estão assegurados.
Sim…
O perito forneceu o documento. Está aqui.
Quanto?
Cinco milhões de euros.
Aquele filho da puta.
Ele tirou, trocou,
vai receber o seguro e ficar com os diamantes.
- Ele sabia que íamos roubar. - Só tinha um jeito de saber.
Ernesto. Vou mandar seu pai passar lá no dono.
Alguns dos seus colegas foram à minha loja me dizer
que, se eu visse algo suspeito,
deveria contatar vocês, e por isso vim.
- Seu pedido. - Obrigado.
- Ele ainda está em casa. - Vamos entrar?
Não. Vamos ficar aqui. Esperar.
Seus colegas me avisaram há mais de um mês.
Depois do assalto ao banco. Caso eu visse algo suspeito.
E estou dizendo que os diamantes não eram reais.
Por que eu estaria aqui?
Mas ele achava que eram reais.
E se alguém tem diamantes e não sabe que são falsos,
então não são dele.
Digo eu.
Pode nos dar uma descrição detalhada do indivíduo?
Claro.
Mas é melhor verem o rosto dele diretamente.
- Aqui está. - Obrigado.
Como vai?
- Muito bem. E você? - Bem. Sente-se.
Obrigada.
Café?
- Perfeito. - Antonio.
Quem é?
Meu pai.
O que ele disse?
Deixa eu ver.
Merda, é a garçonete.
- Que garçonete? - A do bar.
Eram comuns, tinham uns 30 e poucos anos.
Um deles usava boné, com certeza,
e o outro tinha barba loira… Quer dizer, castanha.
Puta que pariu…
Aqueles filhos da puta…
Ela é a sexta pessoa.
Táxi.
Ele está com uma mala.
Ele está saindo.
Cuidado, ele está perto.
Aqui está. Metade.
Tudo certo?
Parece que sim.
Aproveite.
Vamos tentar.
- Boa viagem. - Foi um prazer.
Dê um abraço no Ernesto por mim.
Pode deixar.
Com licença.
Tem saída por lá?
Não, ali são os banheiros. A saída é pela porta principal.
Obrigado.
Polícia. Saia do carro.
Por aqui.
Cuidado com a cabeça.
Ele está indo para o aeroporto.
A Lucía agora?
- Sua parceira da TI? - Sim.
E aí, Lu?
Oi, desculpa incomodar.
Estou verificando o servidor do caso Mercúrio.
Sim.
Não acho os logs que subimos ontem. Você os moveu?
Os logs? Os que pegamos do proxy TOR?
Sim, esses. Só tem um dump parcial na pasta.
Mudei pra pasta NAS. Estavam pesados.
Droga… Tá bom.
Já achei.
- Desculpe, estou meio avoada. - Sem problemas.
Obrigada. Tchau.
Até mais. Tchau.
Com licença.
…por favor, verifiquem as telas de informações de voo
para possíveis mudanças de portão ou hora.
Atenção, passageiros,
o controle de segurança pode exigir inspeções adicionais de bagagem.
Oi, tudo bom.
Inspeções adicionais de bagagem podem ser necessárias
nos pontos de controle de segurança.
Muito obrigado.
Atenção, passageiros, para sua segurança, por favor…
Pode ir.
O voo da TEF Air está programado para…
Olá, minha linda.
Olá.
E aí? Você está com eles ou não?
Estou.
E estão bem guardados.
Finalmente, né?
Finalmente.
Parece que faz uma eternidade que não te vejo.
Pois é, mas era o que tínhamos que fazer.
E o banco?
Licença médica por depressão.
Não me recuperei do assalto e precisava de férias.
Tudo deu certo, como você disse.
Ainda falta a última parte.
Até estarmos no ar…
Muito obrigado, Lola.
Por quê?
Porque te amo muito.
- Vou ao banheiro. - Ei.
Cuidado pra não espirrar e deixar elas caírem.
Atenção, passageiros, para sua segurança,
não deixem suas bagagens sem supervisão.
Atenção, passageiros, para sua segurança,
por favor, não deixem sua bagagem...
Relaxa, estamos num aeroporto.
Onde ela está?
Quem?
Não nos faça de idiotas.
- Onde ela está? - Quem?
Você é um filho da puta.
Responda.
Respondo. Queriam pegar o dinheiro que o banco roubou de vocês, né?
E resolver seus problemas. Pronto, estão resolvidos.
O que mais querem?
Ernesto, quanto você pegou? Metade, né? Dois e meio.
Vamos dividir e pronto. Sem problema.
- Do que ela tá falando? - Nos dê nossa parte dos diamantes.
Não sei do que estão falando.
Não seja um filho da puta, Ernesto.
Com licença, é o meu grupo.
- Não vai embarcar. - Vai esperar por ela, né?
- Não vai a lugar nenhum, ouviu? - Me solta!
Com licença.
Tudo bem?
Tudo bem. Tudo bem, desculpe.
Eu vou entrar naquele avião.
Se não me deixarem, eles vão me prender.
Eu vou contar tudo… e todos nós vamos nos ferrar.
Vai fundo.
Não seja infantil, Carla. Se eu for, acaba aqui e agora.
Talvez você tenha menos do que esperava, mas…
será livre.
E vocês vão poder ficar juntos.
A escolha é de vocês.
Muito bem.
Considere-se sortudo. Há poucas mulheres como ela.
Bem-vinda.
- Bem-vindo a bordo. - Obrigado.
Bom dia, senhoras e senhores. Sou Paz Isán, chefe de cabine.
Em nome do capitão, da tripulação e da companhia aérea,
damos as boas-vindas a bordo.
Por favor, ocupem seus assentos, afivelem os cintos…
Embarque completo. Fechando portas.
- Embarque concluído. Fechando portas. - Ei!
Temos que esperar mais um pouco.
- O embarque terminou. - Falta minha amiga.
Por favor, sente-se.
- Sente-se. - Só um minuto.
Por favor, sente-se.
Ela estava lá fora comigo.
- O embarque foi concluído. - Com licença.
Amor, está tudo bem?
Sim.
- Está mesmo? - Sim, Ernesto, sim.
Onde você está?
No avião.
Onde? Não estou te vendo.
Não vou repetir. Volte ao seu assento.
Ernesto, não vou com você.
Por favor.
Não desligue.
Desculpe. Não desligue.
O que está dizendo? Do que está falando?
Achei que podia te perdoar,
que o que aconteceu com meu irmão não foi culpa sua.
Que você era mais uma vítima.
E eu vi você sofrer. Vi que se importava comigo e com todos.
Claro que me importava, Lola.
Por isso eu aceitei.
Eu me odiei por isso, mas aceitei.
Eu me iludi com você, Ernesto, com o plano, com a fuga, com…
Até você falar aquilo dos diamantes, de ficarmos com eles.
Lola, escuta, os diamantes…
Fiz por você.
Não. Você fez por você mesmo.
Queria que o tivesse conhecido. Ele era feliz.
O sonho dele era ter a própria construtora.
E ele confiava em você.
O que você dizia?
"Crescendo juntos." E você o arruinou.
Vocês.
- Nós? - Sim, vocês, seu banco.
Você viu ele se afogando e não fez nada. Não fez nada.
Estou te implorando.
Desce do avião. Vamos conversar…
Quero que me diga uma coisa.
Dói mais perder a mim ou os diamantes?
Desculpe pelo que vou dizer. No fundo, sabia que teria que te testar.
Me testar?
Fiz isso porque precisava saber se podia confiar em você.
Do que está falando?
Você sabe como somos.
Nós, bancos, sempre precisamos de garantias, Lola. Sempre.
Do que está falando?
Queria estar errado. Não era o que eu queria. Não é…
Com licença, senhor, mas tem que desligar o celular.
- Por favor, desligue o celular. - Sim.
Ernesto.
Ernesto.
Boa viagem, Lola.
Algo para beber?
- Algo para beber? - Água, por favor.
Sim, claro.
- Desculpe. - Não, tudo bem.
- Vou pegar outra. - Não se preocupe.
- Desculpe, senhor. - Não se preocupe, é só água.
- Vai me contar ou não? - Não estavam lá.
- Não? - A caixa estava vazia.
- Deixa eu ver! - Me solta!
- Deixa eu ver! - Chega!
- Eu sabia! - Não agora!
- Mentiroso! - Psicopata!
Está mentindo!
Chega, porra!
Vamos!
- Raúl. - Estou preso.
Espera.
- Espera! Estou indo. - Me ajuda!
- Vamos! - Levanta, Raúl, caralho.
Cuidado!
Puxa. Puxa.
Vamos, porra!
Um carro está vindo!
- Máscaras! Agora! - Vamos!
Máscaras, pessoal!
Você está bem?
- Vamos. - Raúl.
Vamos, Tomás, caralho!
Vamos!
Vamos agora!
Que fedor de merda.
Pode ir se acostumando.
Maldita seja minha sorte
Maldita é essa história sem fim
SEU DINHEIRO EM BOAS MÃOS
Mistura de vida e de morte
O sofrimento vive em mim
Maldita seja eternamente
A estrela sob a qual nasci
Que ela vá pro Inferno
E não saia mais dali
Não há pena que não me ronde
O sol também me faz sofrer
Até minha sombra se esconde
Eu sou o que estão vendo
Não há pena que não me ronde
COLISÃO IMPLACÁVEL
O sol também me faz sofrer
As ilusões se escondem
Eu sou o que estão vendo
Maldito o ano do porco
Janeiro, desgraçado mês
Daquele inverno perdido
Triste dia vinte e três
E que das listas do tempo
Não se esqueçam desta vez
De apagar aquele momento
Hora: as malditas seis
Não há pena que não me ronde
O sol também me faz sofrer
Renego até o meu nome
Eu sou o que estão vendo
E antes de eu ir para sempre
Te direi que até hoje
Fui muito louco e muito são
Eu sou o que estão vendo
Maldita seja minha sorte
Maldita seja minha sorte
Maldita seja minha sorte
Maldita seja minha sorte
Legendas: Gisele Garbin Guerra
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