Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Danish
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
ESCÂNDALO (1952)
Sei como se sente, senhora...
Fique à vontade e conte-me o que aconteceu...
Levava esse machado totalmente ensanguentado
Meu cunhado a levava. Tinha sangue nas mãos e na camisa.
Não posso falar sobre isso, senhor policial.
Sei que é duro, senhora, mas tenho que conhecer os fatos.
Ele cambaleou pelo corredor e disse: eu fiz isso!
Então, ele...
Depressa, "capitão". O tenente Davis acaba de chegar.
Que quer fazer, policial?
- Não sou um tira. - Mas você disse...
Só disse que queria lhe fazer umas perguntas.
Sou do "New York Express"
E me fez passar por isto! Você é um indecente, não é humano!
- Sinto muito, mas é meu trabalho. - Olá, tenente.
- Isto tem cara de homicídio. - Olá, tenente, espere até ouvir!
- Isto é um assunto sujo. - Continue por esse caminho, McCleary
e espero que seja a última vez, ou irei lhe prender! É um aviso!
Ouça, aqui é K-L, 75263. Ligue-me com Plaza-5299.
A senhora não era feia. Pena que o cara tenha usado um machado na sua cabeça.
Fez-me perder algumas boas fotos.
Ei, Mark, Já calçou as luvas para essa reunião?
Não, irei com as mãos descobertas.
Diga que temos outro crime sangrento. Com machado.
Em um prédio de apartamentos da zona F.
Tenho uma entrevista exclusiva com uma testemunha.
Tem fotos?
Sim, Biddle pôde fazer duas fotos.
O cadáver de uma mulher, e um primeiro plano de sua irmã histérica.
Já temos a manchete da foto: "eu o vi com o machado ensanguentado".
Bom, isso vende.
Leve o artigo para publicar. Espere. Que quer?
O Sr. Madison voltou a telefonar da sala de reunião.
Ouviu? Estão se cozinhando em seu próprio caldo.
Que não se queimem. Gosto deste trabalho.
Até agora não tem acontecido nada de errado comigo.
Se sairmos daqui será para um lugar melhor. Até logo.
Sou uma das maiores acionistas desta empresa...
Gostaria de saber por que o New York Express,
que já foi um jornal de respeito,...
converteu-se em uma publicação barata e depravada.
Por que autorizaram o diretor a converter um...
...jornal decente...
nesse tabloide repugnante, destinado a apoiar...
as paixões das mais imbecis.
Exijo uma explicação, Sr. Madison.
Sra. Rawley, em defesa de Mark Chapman...
Sr. Madison, eu mesmo faço minha defesa, se me permite.
Como quiser, Mark.
Sra. Rawley, creio que sabe que me contratou...
...como diretor executivo com plenos poderes...
para transformar este jornal.
E por uma simples razão: somente havia perdas.
Por que o Sr. Madison me contratou?
Porque se deu conta que havia chegado o momento para o Express...
superar seus antigos enfoques negativos.
New York Express M. Dewey derrotado.
Mas quem ganhou?
Agora é um jornal positivo. É um negócio, senhores,...
...que satisfaz a fome de emoção, de fugas, de notícias
Aqui é onde eu tomei as rédeas do jornal.
Em vez de falar da ONU, uma história de crimes,
que é o que as pessoas querem.
Em vez de compromissos presidenciais...
...os assassinatos do homem gorila.
Resultado: 40.000 novos leitores.
Em um ano a tiragem aumentou 110%.
E quando alcançarmos os 750.000 exemplares...
Teremos que lhe pagar uma boa quantia. Eu não gosto disso...
Mas gostaram...
dos ganhos do mês passado.
Eu não gosto disso. Que jornalismo é este?
"BAILE PARA OS CORAÇÕES SOLITÁRIOS"
Um jornal patrocinando um baile barato e vulgar...
...com o fim de atrair os mais idiotas da cidade.
As pessoas que irão esta noite ao baile dos solitários,
esses que você chama idiotas,
compram e leem este jornal.
Sua lealdade é o que enche o bolso de vocês.
É inadmissível o fato de que um de seus repórteres
seja preso por ocultar informações à polícia.
Como se chama... McCleary?
As coisas que escreve... deveria ser despedido!
McCleary é o melhor repórter que conheci em minha carreira.
Antes de despedi-lo, eu deixaria o "Express"...
e iria a trabalhar para quem soubesse apreciar um profissional
- Bem, Mark... - Mais uma coisa.
Meu contrato foi só um aperto de mãos entre o Sr. Madison e eu.
Então se não me vão dar liberdade total,
vou embora depois da última edição de hoje.
E agora sinto muito, mas já vou. Tenho um jornal para tomar conta.
- Já terminou seu artigo? - Estará pronto em um minuto, Joey.
Sr. Chapman...
Obrigado.
Quer o artigo de McCleary, Bax?
Como se foi na "sala de torturas"?
Está bom. Dê-lhe espaço. McCleary escreverá mais amanhã.
- E isto? - Fotos para os do corações solitários.
- Não as quero. - Mas...
diga a Peters que não se ocupe mais disto.
Ele os retrata com se fossem uma lista de sopas...
em vez de provocar excitação.
- Está certo, mas... - Sim?
Sim, Sr. Madison.
- Procure um machado e o cubra de sangue. - Ah, sim? E de quem?
Seu. Se não encontrar use chocolate.
Genial. E quando terminar poderei preparar uma merenda.
Merece um artigo uma mulher com vinte filhos?
Acho que merece a primeira página.
Seu instinto maternal me assusta.
Aonde me leva para jantar esta noite?
Se não despediram Chapman...
Pagarei o jantar chorando pela aposta perdida.
Será melhor que tome bicarbonato, princesa...
...vai precisar.
Não conte com o ovo antes de a galinha por.
Olá, que aconteceu? Já é um "ex"?
Não são tão idiotas para despedir um ganhador.
Parabéns. Sabia que iria os convencer.
Eu disse que você também iria embora,
e que então teriam problemas.
Prefeririam lhe despedir a lhe dar a gratificação,
que é o que lhe preocupa de verdade.
Vou lhe dar...
...uma parte dessa gratificação.
Que quer, que me aposente?
Penso em fazer um trato com Madison...
...para comprar ações.
Acabaremos sendo os donos deste jornal.
- É uma grande oferta. - Vou lhe fazer outra...
Convido-lhe para jantar. Escolha o lugar.
Proponho algo melhor. Convide uma moça. Perdeu uma aposta.
Outra vez a "grã-duquesa"? Bem, creio que hoje aguento tudo.
- Eu não sei se ela poderá. - Diga que se prepare
Temos que estar no baile oito horas.
Não dissimule sua satisfação Estou vendo que continua em seu posto...
- Não ficou contente - Já tentei tudo.
Cruzar os dedos, acender velas, rezar...
- Quem faz seus vestidos? - Saiamos daqui...
Já vi a cara de Chapman demais.
Além disso tenho que escrever um artigo.
Pelo menos, olhar para você durante uma hora, será uma boa troca.
- Se vamos jantar, vamos logo. Como vamos?
A aposta era entre você e eu.
A aposta era um jantar. Não dissemos para quantos.
- Steve, você é um trapaceiro. - E você é uma boa perdedora.
Lembra-me de um dia lhe falar sobre as meninas.
Trata-se de conseguir que um par de infelizes...
...anunciem seu casamento.
Se às nove horas tivermos um casal,
onze horas poderemos ter uma dúzia de artigos...
...cheios de felicidade matrimonial.
- McCleary, "Cupido de Brooklyn" - McCleary,"homem exclusivo".
Ei! Julie!
- Olá, Charlie. - Como vai, Charlie?
- Bem, Mark. Está com ótimo aspecto, McCleary.
Obrigada.
Que é isso? Faz-se de "escritor fantasma" para Alysson, Charlie?
Está me ajudando a conseguir uma documentação
para essa série de monumentos históricos.
Não podia escolher ninguém melhor.
Lembra-se dos velhos tempos, Mark?
Quando cortei os fios do telefone no julgamento de Lindbergh?
Sua exclusiva... Quase me custa o emprego.
Ganhei de você, do telégrafo, e de todos. Foi o ano que...
o ano que ganhou o prêmio Pulitzer.
Sim. Ouça, Mark, a propósito do que disse para Julie...
acho que ainda posso trabalhar. - Ótimo. Alegro-me com isso!
Que me diz, Mark? Vai me dar trabalho?
- Por que não? - Obrigado...
- Charlie, estou orgulhosa por você. - Mas isso requer algumas providências
e não posso fazer nada agora mesmo.
Estamos com pressa. Depois irei lhe telefonar.
Claro, Mark, conheço o ofício, sempre correndo...
- Tomaremos café amanhã? - Sim, estarei lá, Julie.
Eu pensava que você era um...
- Quanto lhe deu? - Dez dólares.
Dez dólares?
Isso dá para muito uísque.
- Logo estará bêbado. - Mas, espere um momento...
É um alcoólico. Não lhe deve dar...
...mais de um dólar de uma vez.
Pode matá-lo. Com 10 dólares pode tomar banho de uísque.
Quando trabalhar tudo mudará para ele, eu acho.
Trabalhar? Não quero nem vê-lo no meu escritório.
Suba no carro. Aonde vai?
Não vou deixar que tenha ilusões.
- Quer cortar seu coração? - Eu? O que você acha que está fazendo?
Estou lhe dando uma esperança, um sonho. Eles vivem disso.
- Assim ele é feliz, deixe-o. - Feliz como os corações solitários?
Esperando o amor que os haviam prometido?
- O único amor de Charlie é a garrafa. - Entre!
Biddle, que sua câmera não pare.
Já fiz mais de 100 fotos Sr. Chapman! Estou com o braço em nada!
Quero fotos de gente de todos os Estados. Ao trabalho!
Como vai, princesa?
Com um grande esforço tento não começar a gritar.
Durante o jantar esteve muito bonita.
Por que não relaxa um pouco.
Está muito bonita sem suas plumas.
Por favor, Steve, não estou para brincadeiras.
- Que dançar? - Acha que isso iria me relaxar?
Tenho uma ideia. Pegue um desses corações solitários...
e diga que é do clube. Faça que lhe conte sua vida, e já tem...
...seu artigo para amanhã. - Mark Chapman Júnior.
Esqueceu-se de dizer: "isso vende".
Boa caça, cupido. Não abandone seu chefe.
Pelo menos me reserve uma dança, princesa.
CORAÇÕES SOLITÁRIOS PRESENTES DE CASAMENTO - GRANDE PRÊMIO
CAMA COM TELEVISOR INCORPORADO.
FORNOS GELADEIRAS
FREEZERS ASPIRADORES
Cada vez que enfoco o objetivo sobre alguns desses zumbis
lembro-me quando cobri o concurso de Miss América.
Um pouco mais e choro.
McCleary, eficácia comprovada. Nove horas e já temos um casal.
Mary e Joe. Conheceram-se no estande de gastronomia de Arkansas.
Foi amor à primeira vista, não foi?
Claro, eu sou do Texas, mas gosto da comida de Arkansas.
- Você a ama, não é? - Sim, claro, acho.
- Mary, você o ama? - Ah... sim.
- Amam-se, é evidente. Fantástico. Edwards!
Já temos um casal. Prepare a reportagem.
- Felicito-lhes. - Vamos, ponha-se a trabalhar.
- Pegue o microfone e anuncie. - Sim, Sr. Chapman.
Por favor, pessoas de sorte, acompanhem-me.
Ei, não vá se esquecer da cama com televisão acoplada...
Vai passar a lua de mel contemplando-a.
- Bom trabalho, Steve, continue. - Mandarei um fotógrafo.
- Já tem o tema para seu artigo? - Não tenho nem me interessa.
Subornar uns ignorantes para que se casem em público...
é um truque cruel e repugnante.
Este espetáculo é ridículo, e não quero ter nada a ver com isso.
Senhorita Alysson, restam-lhe seis meses de contrato.
Quem me contratou foi o Sr. Madison antes que você estivesse no Express.
Se não gosta como o dirijo,
proponho-lhe algo que satisfará aos dois.
Férias pagas durante seis meses!
Obrigada, Sr. Chapman, mas eu fico. Gosto do que escrevo.
E existem pessoas que gostam também...
mas esse tipo de gente cada vez compra menos o Express. Boa noite!
Quietas... muito bem!
Amigos e amigas do Clube dos Corações Solitários
tenho que lhes dar uma notícia maravilhosa.
Uma prova de que este clube é algo mais que um nome.
Apresento-lhe o homem que criou este fantástico clube.
O Sr. Mark Chapman, diretor do New York Express.
Luzes, por favor. Lá está ele!
E agora a boa notícia. Apresento-lhe Mary e Joe.
Duas pessoas felizes que se conheceram aqui, esta noite.
Conheceram-se, apaixonaram-se e vão se casar.
George?
- Por ser o primeiro casal... - George Grant!
... eles receberão... - É você!
... do Express... - Charlotte.
... uma noite em um hotel... - Eu lhe encontrei.
... um lindo jogo de café... - Pensei que tinha morrido!
... e uma lavadora... - George Grant morreu.
... completamente automática. - Sim, eu ouvi.
- E você é... - Não podemos falar aqui.
Podemos falar em minha casa.
Temos muito que falar.
Saia, e espere-me na porta.
Os anos lhe trataram bem.
Quanto tempo faz? 19? 20? Dá no mesmo. Já perdi a conta.
Vá ao assunto. Que quer de mim?
Pode me dar um?
- Vamos, sem preâmbulos. - Como estão lhe chamando? Mark?
Chapman.
Quando mudou de nome? Quando me abandonou?
Para que não lhe encontrasse?
Sabia que eu estava louca por você,
que iria lhe procurar por todo lugar, não é Joe?
Vamos, Charlote, que quer?
Ainda tem pressa, hem? É o que mais me lembro de você.
O homem que queria chegar primeiro em todo lugar.
E já chegou a algum lugar, não, George?
Quer dinheiro? Tome este, por enquanto.
Dinheiro? Um suborno, George?
Quanto por cada ano?
Quanto pelo coração rasgado, a angústia e o medo?
- Oh, cale-se! - Isto poderia pagar o médico...
Então eu era 20 anos mais jovem, levava as coisas mais a sério.
Não posso calcular quanto.
Você aborrece como sempre me fez.
As pessoas sempre lhe aborrecem...
...quando já não lhe servem mais.
Só deixei para trás o aborrecimento.
Sim, da mesma maneira que me deixou.
Meu advogado vai lhe procurar...
...um divórcio discreto, com uma pensão generosa.
Agora é um homem importante, hem?
Diretor do New York Express.
Nunca pensei que seria a mulher do diretor de um grande jornal de Nova York.
E não é. Não pense que está nessa posição.
Não tem nada a ganhar negando-me o divórcio como fez há vinte anos.
Nessa época eu era jovem e apaixonada e necessitava me agarrar a você.
Quando jovem eu cometi muitos erros e você foi o maior deles.
Deixei-me fisgar por um corpo atraente.
Agarrou-se a mim, mas me estrangulava.
Asfixiei-me com você!
Eu lhe devolverei a pancada. Quando me deixou foi minha morte.
Quando sair daqui será a sua.
Tudo aquilo por que lutou, tudo vai morrer.
Você é uma louca neurótica!
Vou contar sua história. Mark Chapman, o grande diretor!
Abandonou sua esposa, e viveu 20 anos com nome falso.
Que mais oculta sob esse nome falso?
O editor vai ficar encantado!
E os outros jornais. Vou lhe destruir com essa informação!
Loja de Penhores Pete - Empréstimos. 325 Bowery Lane, Nº. 39684
NEW YORK EXPRESS CLUBE DE CORAÇÕES SOLITÁRIOS
PRIMEIRO BAILE ANUAL DO CLUBE DE CORAÇÕES SOLITÁRIOS
Alô, querida. Ligue-me com informações.
Sou Elkins. Se precisar de mim, estou no Skinners.
Que? Se ainda não tomei café? Sim, ainda não tomei café...
Sim, Julie. Depois do feliz encontro com Mark ontem...
tive dificuldade para conciliar o sono.
Isso explica esses olhos tão vermelhos.
Bem, também bebi um pouco com os rapazes...
Uma espécie de comemoração de despedida.
Deveria ter feito há muito tempo.
Um homem que ganhou um lugar de honra no Skinners
é muito importante para morrer na rua, não acha?
Não lamento nada, Julie. Minha aliança temporal com a periferia
deu-me uma visão melhor da natureza humana.
Além disso, está demonstrado que quando um organismo recebeu
estimulantes de modo continuado,
uma redução brusca poderia trazer efeitos negativos.
Evidentemente.
Mas estou deixando. Quando Mark me chamar
vou me converter em um defensor da água mineral.
Charlie, não confie muito em Mark Chapman.
Ele nunca me abandonará. Logo que lhe pedi trabalho
ele me deu, não está certo?
- Senhor Coração Solitário... - Gentileza do Express, Myrtle.
Vejo que está lendo. Você, não fique longe do rádio.
McCleary, li seu artigo.
Eu também. Do machado assassino aos corações solitários...
Tenta demonstrar que é versátil?
E vocês... por que o leem?
Para inteirarmos do que acontece ao seu redor...
Bom dia, dupla. Como vamos?
Mal, pelo menos eu.
Irradiando felicidade, princesa?
Baile dos corações solitários. O jornalismo mudou muito.
Que aconteceu ontem à noite? Deixou-me plantado.
- Deixou-me de modo diferente? - Precisava de sua proteção.
Algumas de nossas premiadas fizeram uma bagunça...
e me ofereceram congeladores e aspiradores.
- E por que os recusou? - E você que sabe...
Ampla cobertura de amores não correspondidos.
É um jornal dirigido ao amor. Até nas palavras cruzadas.
Exceto a seção de Alysson.
O amor não lhe interessa, Julie?
Não o que nasce pelo presente de um fogão ou uma televisão.
- Respeito os corações solitários... - Steve, o rádio.
- Julie. Charlie. - Olá, Biddle.
Encontraram uma mulher morta na 3ª avenida. Interessa-lhe?
Pelo menos será uma mudança.
Estou ficando frio pelo trato da senhorita ao lado
Depois dos espantalhos da noite passada, cairia bem mudar.
Mesmo que morta, esta mulher deve ter mais classe, com certeza.
Vamos ver.
Obrigado pelo café.
Outro espantalho. Não temos sorte, rapaz.
As mulheres causam problemas, até depois de mortas.
Sim, está tudo cheio de água, por todos os lados.
Talvez quisesse uma casa com piscina.
Que está fazendo aqui, tenente?
Queria comprovar se posso chegar antes que a imprensa.
Assassinada?
Temos um vizinho neste distrito...
...com tanta imaginação quanto você.
Viu um buraco em sua cabeça e pensou que tinham atirado.
E você que acha, tenente?
Que dever ter sido feito por ela mesma?
Sim, sabidão, exatamente isso.
Escorregou na banheira, e quebrou o crânio com a torneira.
Como se chamava? A proprietária disse Jane Jones.
- Acredita? - Sim, acredito.
Acabei de sair do jardim de infância.
Jane Jones, mulher desconhecida. Você é extraordinário.
Ouça, atrevido, se continuar andando por aqui
ponho-lhe na banheira com o presunto.
Creio que se equivoca. Foi assassinada, está claro.
Assassinada por dinheiro.
Pelo menos gastava em roupa 7 ou 8 dólares por ano.
Vá para casa, McCleary.
Aqui não tem nada de interesse para um grande jornalista como você.
Ouça-me. Cuide de suas coisas ou lhe prendo por obstrução,
suspeita e vagabundagem. - Claro, tenente.
Procurava alguma coisa que nos ajudasse a identificá-la.
Não ha malas, hem?
- Rapazes, já está pronto? - Claro, Steve. Já tenho tudo.
Obrigado, Dave.
- Não, outra vez você? - Como faz?
Sabe antes que o comunique à polícia?
Costumes da cidade. Há uma senhora na banheira.
- Telefone antes de entrar... - Com licença, por favor...
- Por que pegou isso? - É familiar?
Eu estive vendo toda a noite.
Claro! São as medalhas do baile dos solitários.
Sim, quantas fotos tirou no baile?
Trezentas ou quatrocentas.
Leve-as ao laboratório
e as compare com as outras.
- Vamos ver se a vemos no baile - Claro, senhor...
bastará uma semana... - Sim, mas é melhor em uma hora.
- Vamos nos ver. - E você aonde vai?
Ao necrotério. Se encontrá-la telefone para mim.
Leva-me ao necrotério, Pete?
Olá, Nellie! Há alguém em casa?
Ei, Steve...
- Como vai, querida? - Muito bem, lindo.
Venha me dar um beijo.
- Como vai o trabalho? - Morto.
O negócio está morto.
- Alegro-me muito em lhe ver. - E eu de lhe ver.
Fazia muito tempo.
Necessito de um conselho de mulher com experiência.
Com minha idade já não pode dizer. Diga.
Se só tivesse um vestido bonito...
colocaria algo como um bom broche...
...e se tivesse pressa...
Abriria ou arrancaria o broche?
- Está brincando? - Falo sério.
Ainda que tivesse 10 vestidos e a casa pegando fogo eu o tiraria.
Como qualquer mulher.
Imaginava isso. Só queria que me confirmasse.
Eu a amo, Nellie!
- Mas aonde vai? - Quero ver o médico.
Vai ter muito trabalho.
MEDICO LEGISTA CHEFE
Recebeu as entradas que lhe mandei?
Steve! Sim, boa luta!
Deram uma boa surra em Haybelly, hem?
Tinha tanto sangue nos óculos que não pude ver o golpe de nocaute.
Doutor, acabam de trazer uma morta em acidente,
- Está na geladeira. - E daí?
Devolva o favor a ela. Faça-lhe a necropsia.
Não me ocupo dos acidentes, e você sabe.
Logo começa o campeonato de beisebol...
Sim.
Suponho que você não estaria interessado em ver a festa de um camarote?
Está tentando subornar um funcionário público?
Tudo certo bem atrás da primeira base, doutor.
Faça cópias. Creio que temos uma primeira página.
Certo, vou fazer agora. E cuidado com os dedos.
Vamos, abra a porta para mim.
Não se esqueça que fumo bons charutos.
- Para quando as quer? - Para antes de amanhã.
Voltará a sorrir se lhe convidar a jantar?
- Vai haver outra comemoração. - E o que se comemora?
Uma exclusiva. Vamos jantar?
Jantar para dois ou convidou outro amigo seu?
Só nós sozinhos.
Então voltarei a sorrir. De quem são essas fotos?
De violência. Uma mulher ensanguentada.
- Joey, abra a porta para mim. - Estou indo.
Há tempos que procurava algo assim.
- Para as impressoras. - Alguma história dos...
...casais que se formaram ontem à noite?
A de uma mulher que foi ao baile dos corações,
mas não encontrou marido. Encontrou a morte.
- Sabe quem é ela? - Jane Jones, mas não é seu nome verdadeiro.
A polícia acha que se machucou na banheira.
E você tem uma versão melhor.
Vi os resultados da necropsia.
Ela não morreu na banheira, não havia água nos pulmões.
Uma boa história...
Sabe de algo mais?
O assassino era de meia idade pele clara e cabelo castanho.
Poderíamos fazer seu retrato falado...
E tem certeza que foi ao baile ontem à noite?
Sim, encontrei algo enganchado em seu vestido,
Tinha este broche. Eu o reconheci logo.
Essa é a primeira página. O coração solitário do baile. Que diz?
Isso... vende, ou não vende?
Baxter, Jordan, Allison, venham à minha sala logo.
Não se sabe o seu nome?
Chama-se Jones, mas fazia-se chamar de Jane Dough.
Quero que trabalhe em uma exclusiva
que conseguimos.
Conte-lhe tudo.
Vai se chamar "coração solitário" Estava só na cidade.
Sem amigos. Foi à festa, e talvez tenha encontrado alguém
que não devia ver.
Suponhamos que saiu logo. E pouco antes das doze,
um homem de cabelo castanho, idade mediana, e de pele branca,
deu-lhe uma surra em sua casa.
Bom trabalho de investigação.
Nosso assassino é frio, como o gelo.
Arrastou-a ao banheiro, tirou sua roupa e colocou o corpo na banheira.
Não. Primeiro a pôs em pé, depois a soltou,
Então bateu na cabeça. Um crime quase perfeito.
Um trabalho com imaginação, feito com cuidado.
Tira suas roupas, as meias, lava tudo.
Limpa suas impressões.
Desfaz-se de tudo aquilo que possa o identificar.
Depois tira um anel, provavelmente uma aliança.
- Como sabe disso? - Pela marca no dedo.
- O'Hanlon viu no necrotério. - Continue, continue.
Põem em uma mala os objetos pessoais que possam
identificá-la e desaparece.
- Sabe que tinha uma mala? - Todas as mulheres possuem.
Mas na casa não havia nenhuma.
Isto fará subir as vendas.
Faremos uma edição extra. Steve fará a história.
Jordan a foto da mulher no baile, e 3 colunas.
Allison, escreva uma história triste.
"Coração solitário não voltará a ficar só".
Bom trabalho, Steve.
Sim, é, mas vamos superá-lo.
Como?
- Enterrando-a. - Enterrando-a?
Minha melhor história não lhe parece boa.
Cinco horas "coração solitário" estará vendendo jornais...
...em cada esquina de Manhattan. E agora vamos trabalhar.
CORAÇÃO SOLITÁRIO ASSASSINADO!
Assassinada depois do baile.
O Express enterra a vítima.
Pete. Loja de penhores.
PETE LOJA DE PENHORES.
Até logo, Pete.
Já lhes mostrei todas da loja, rapaz.
Mark!
- Mark, rapaz! - Olá, Charlie.
Diga-me, o que lhe traz por essas bandas?
Só estou dando uma olhada.
Agora sempre estou atrás de una mesa.
Está trabalhando no do coração solitário, não é?
Tenho uma equipe que o faz por mim.
Não pode enganar um velho jornalista...
...continua a velha fórmula de procurar as casas de penhores...
Não quer saudar esses tiras, hem?
Disse-lhe que não estou aqui por trabalho. Não se faça de sabido.
Quero demonstrar que conservo o instinto de sempre
para seguir uma pista. - Vai me contar depois.
- Quando voltar a trabalhar. - Tem medo que fique bêbado
eu deixei de beber, Mark. - Fantástico. Vou lhe telefonar.
Deixe-me trabalhar com você. Conheço muito bem o distrito.
Pete, o dono da loja, é um grande amigo meu,
- Sim, sim. - Poderia trabalhar para mim.
- Olá, Charlie! - Vá embora!
- Tome, um adiantamento. - Não quero esmola,
quero trabalhar. - Vai me devolver. Eu telefono.
Mark, deixe-me lhe ajudar!
Guarde-as, Pete,
Voltaremos no fim do mês para dar outra olhada.
Esses rapazes deveriam usar óculos.
Muito para olhar, mas para comprar, nada.
Procure isto, Pete.
Olhe, vem tirar algo ao invés de empenhar!
Admito que seja novidade.
- Mas não foi empenhado por você. - É um favor para um amigo.
Esses tiras... no dia que me comprarem algo...
Não. Não pode ser.
Sabe, Charlie? Deveria me dedicar a outro negócio.
Encontra-se com uma classe de pessoas realmente pobres.
Não tenho nada contra elas,
Mas sempre tenho que lidar com pessoas problemáticas.
Gente que vem empenhar alguma coisa, o que quer comprar barato.
Não gosto do barato. E nunca gostarei.
Deveria ter me dedicado a vender peles, ou joias.
Então teria lidado com gente rica.
Esse é o tipo de gente que gosto de lidar.
- Quanto custa o bilhete? - Dois dólares.
Tome, assine aqui.
Tem gente que diz que o dinheiro não traz felicidade.
Isso é uma coisa que eu não entendo.
Obrigado Pete. Obrigado por este negócio.
Muito obrigado.
Um gole, Heeney.
Qualquer um diria que seu sangue ferve. Que houve, Charlie?
Ironias da vida.
Charlie, um alcoólico, sacudirá o mundo da imprensa
como o fez em seus dias de sobriedade.
- Para imprimir. - Sim, senhor.
Sim, senhora. Posso lhe dar duas respostas.
Primeira: Não fale com desconhecidos nos bares.
Segunda: O fato de que pediu para casar com ele
e o golpeara com o prato ao lhe negar,
não é uma prova de que seja o assassino.
Mas obrigado por telefonar. Adeus...
Aceite ou não, é assunto da polícia.
Quando você vai parar de acreditar que tem um distintivo?
Olá, Charlie. Como vai?
O assassino?
Deve vir agora. Tem que decidir como levar o assunto.
Já sei quem é o assassino. Isto é dinamite pura.
Nesse caso o leva McCleary. É melhor que fale com ele.
Não, não, Julie, quero dizer a você.
Quero agradecer tudo o já fez por mim.
Isto é tão grande, que pode nos levar às alturas.
Como? Julie?
Ah, sim, que venham os dois me ver.
Necessitamos alguém como McCleary.
Charlie tem informação sobre o assassino,
e está muito alterado. - Será pelo uísque, acho eu.
Sim, Charlie, que houve?
Eu queria que Julie viesse, mas ela quer que você venha.
Ela prefere que você fique sabendo.
- Olá, Charlie, que está havendo? - Oh, vá embora.
- Está com raiva? - Vá embora.
O que descobri?
O assassino do Coração Solitário.
Fantástico. Vai o embebedar para que confesse...
Não está aqui. Mas eu sei que é!
Como?
Fale bem claro, estou em um bar. Mas não bebi.
Acabo de tirar a história do século de uma casa de penhores...
Está alucinado. Vê o que faz com seus dez dólares?
Chega de tratá-lo como uma criança. Escute-o.
- Por alguma coisa estará excitado. - Sabes como está? Delirando.
Charlie, cheio de álcool,
encontrou a solução um uma espécie de morte piedosa.
Continua aí, Charlie? Comecemos de novo.
Ouça, A única razão de eu ter ligado é Allyson.
Mas antes de dar a história a um cachorro insolente como você
eu daria ao "Daily Leader".
Está bêbado. Diz que venderá a história ao Leader.
- Desligue de uma vez. - Julie? Acaba de sair.
Leremos sua história amanhã no Daily Leader.
- Adeus, amigo. - Quer me dar isto?
- Charlie? - Não seja boba, Julie.
Poderia levar toda a noite com suas fantasias.
- De onde telefonava? - Do manicômio.
Seus dez dólares...
- Pode guardar isto? - Pois não.
Só por poucas horas.
Dê-me mais um trago para o caminho.
Olá, Charlie.
Mark. Pensava que continuava no jornal.
Ouvi falar que tem uma notícia.
Onde ouviu isso,
disse alguma coisa a McCleary... - Ora, só conversamos.
Só falávamos de brincadeira.
Eu lhe dei dinheiro. Que fez com ele?
Não encontrou por acaso um bilhete de empenho...
entre as notas? - Um bilhete?
Gastou o dinheiro para tirar do penhor alguma coisa, Charlie?
Pois o que tirou é meu. Onde está?
É claro que se dirigia ao "Daily Leader"
Onde está, Charlie? Onde está?
É uma boa história, Charlie.
Você queria ser importante, Mark.
Isto vai lhe fazer mais famoso do que nunca pôde sonhar.
Esperei toda minha vida para ter uma história como esta.
Já tem, mas não vai escrever.
Está louco, Mark. Leva 20 anos cobrindo estas noticias,
e sabe que não funciona.
Já sabemos de Charlie. Um vil assassinato.
Há 22 anos que o conhecia. É duro.
E eu há vinte e cinco.
Não esperava que algum dia o veria aqui, sobre a mesa.
É verdade que o encontraram perto do Daily Leader?
Sim, está certo.
No Daily Leader. Ele tinha uma história.
E seguindo seu conselho de rapaz sabido e inteligente, ele ia
dar a história. - Ele estava bêbado, Julie!
Nunca esteve tanto para não reconhecer uma boa notícia
ou para tentar vender uma bobagem a um jornal.
Mas você não quis o ouvir.
Você e esse seu herói, o genial Mark Chapman.
Não pensará que acreditávamos
que tinha alguma informação verdadeira sobre o assassinato.
Ainda não sabemos se teria.
Se você e esse ambicioso e convencido Mark Chapman,
tivessem o mínimo de respeito por Charlie,
ainda estaria vivo.
Talvez tenha razão e a morte de Charlie seja por culpa minha,
sinto muito, Mas o que posso fazer?
Não seja hipócrita. É igual a Mark Chapman.
Pelo menos faça um bonito funeral.
Grande manchete: "O Express enterra seus mortos"
Charlie merecia.
Acabo de receber o total da edição de ontem, Mark.
696.000. Está subindo.
O Express terá que lhe pagar um bônus.
E espero que seja logo.
Isso é só o começo.
Eu gosto assim.
Quando for diretor, lembre-se de uma coisa,
Só é um herói com emprego fixo enquanto as vendas subirem.
- O que lhe traz aqui? - Algo que fará subir a tiragem.
A notícia de Charlie.
De que se trata?
Charlie não estava perto do Leader por acaso.
Tinha algo para publicar.
Não encontrei nada entre seus pertences no necrotério,
mas sim no bar de Henney, de onde nos telefonou à noite.
Uma maleta que tirou com um bilhete...
dos vários empenhos de Pete. Comprovei isso lá.
Charlie esteve ontem lá para um resgate.
Disse que era por parte de um amigo.
E que havia? Nome e endereço do coração solitário?
Melhor que isso, Mark. Muito melhor que isso.
Uma fotografia do cara que a matou.
Fotografia. Mas se não se vê seu rosto.
Bem, é a primeira pista que temos.
Pensava que tínhamos resolvido!
É uma pista, mas muito pobre. A que nos leva?
Sabemos que a mulher se casou em 1931 em Connecticut.
- O marido é o assassino. - Como sabe?
Ela tinha marca de uma aliança no dedo.
A inscrição poderia delatá-lo.
E se levou o bilhete com ele havia algo comprometedor.
Tem sentido, sim.
O próprio assassino deu a Charlie o bilhete.
Deve ter estado com ele ontem em algum momento, em algum lugar.
Muita gente pode tê-los visto, correto?
Pode ser.
Publique esta foto na primeira página.
Ofereça alguma recompensa por qualquer informação.
"O assassino do Coração Solitário ataca de novo".
Quando escrever a crônica, diga que Charlie...
trabalhava no caso para o Express.
Que esteve perto do assassino e que morreu cumprindo seu dever.
Mark, eu não sei.
Ninguém pode negar, e isso vende. Ofereceremos cem dólares.
Mas não espere que ninguém possa reconhecer o cara da foto,
a não ser que tenha olhos com Raios X.
Charlie estabeleceu uma relação entre o cara da foto...
...e o que lhe deu o bilhete. Vou rastrear o bairro.
Lá é onde Charlie deve ter se encontrado com nosso homem.
Boa sorte, rapaz.
O ASSASSINO ATACA DE NOVO. US$1.000 POR ESSE HOMEM
- Todos seus, McCleary. - Obrigado, Heeney.
Olhe que caras. Prometo que não voltarei a beber em minha vida.
Alguns beberam,
mas ainda se mantêm de pé.
- Conheciam Charlie? - Sim, todos.
Se não der as informações a McCleary, meto o braço.
Ou ainda pior.
Não darei de beber quanto estiverem vendo aranhas.
Quem viu Charlie no dia que morreu? Que levante a mão.
Vamos, levantem a mão. Quem viu Charlie anteontem?
Bem.
- Onde o viu? - Aqui.
- Este fala sempre com os espelhos - Charlie Barnes.
Eu o vi sair do local onde dormia, de manhã.
E você, onde o viu?
- No bar de O'Dougal. - A que horas?
Pela tarde, pela tarde. Ele estava num porre...
Estava com alguém?
Claro que estava com alguém.
Charlie não bebia nunca só, se tivesse dinheiro.
- Com quem estava? - Mas, ainda não sabe?
- Quem era? - Eu. E me pagou três drinques.
Quando você o viu?
- Esta manhã. - Tire-o daqui.
- Vamos, fora. - Mas... por quê?
- Há mais engraçados no salão? - Eu o vi.
Sim? Bem, continue. Onde o viu?
Na rua, perto da loja de penhores.
- Continue. - Nada... estava com um cara.
- Pareceu-me que eram amigos. - Vamos, pense...
Lembra-se do cara? Lembra-se como era?
- Pode ser. - Que quer dizer?
- Que pode ser... por uns US$50. - Maldito...
US$1000, se lhe refrescariam a memória?
Quem o reconheceria?
Descreveria o que estava com Charlie nesse dia?
E se fizer, vai me dar esses 1.000 dólares?
Claro. Assim que o encontremos.
- Claro, posso descrevê-lo. - Continue.
- Mas quem vai pagar? - Meu chefe.
- Claro, eu direi a seu chefe. - Está bem. Vamos.
Mande imprimir.
Kenny, arranje um bom título.
Connie! Telefone!
Espere aqui.
Olhe, tenente, direi ao capitão que está se queixando...
do melhor dos seus homens.
Se não o vê assim é porque está cego.
Sim, não tenha medo de exagerar, Chapman...
Mas da próxima vez que montar outro truque publicitário assim,
eu encano todos.
Está certo, tenente, dou minha palavra.
Davis está furioso porque lhe demos a maleta depois de publicar.
Pois aqui temos outra coisa que o fará feliz outra vez.
Não será outra maleta...
Alguém que sabe quem deu a Charlie o bilhete do empenho.
Ei, Bailey, entre.
Não quis descrevê-lo para mim. Queria falar com o chefe.
Você... é o chefe?
Não quero perder tempo. Onde o viu com Charlie?
Na rua, junto da loja de penhores de Pete.
Poderia descrevê-lo?
Vamos, descreva-o.
Pode se levantar?
Sim, é o que imaginava.
Que imaginava?
Tinha sua estatura,
sua constituição,
sua mesma idade.
- Nada mais? - Bem, eu descrevi, não?
Isso não serve. Nesta cidade pode haver um milhão assim.
- Poderia até ser eu. - E os mil paus?
Tome, apresente isto no caixa e vão lhe dar cinco dólares.
- Ensine a ele a saída. - Vamos, Bailey.
Onde está Julie?
Veio esta manhã, escreveu isto...
e me pediu que entregasse a Chapman.
- Que é isto? - Sua demissão.
Pensava em ficar com isso um dia ou dois, pode ser que se arrependa.
Fez bem. Cuido disso, certo?
Baxter... Obrigado.
- Olá, Sra. Allyson. - Olá, Steve. Entre.
Obrigado.
Estou com o café no fogo. Vou ver como está.
Posso falar com você...
...sem que jogue nada em minha cabeça?
Solte o verbo e termine o quanto antes.
Soube da má notícia...
...disseram-me que saiu.
Imagino que deve ter chorado muito, não é verdade?
Sim, mas não serviu para nada.
Com sua demissão perdi muitos apoios.
Não posso acreditar vindo de você, Steve.
Como quiser. Mas não acho que seu aborrecimento possa mais...
que a vontade de averiguar o que aconteceu na morte de Charlie.
Não me tome por idiota, Steve,
Seu único interesse, como Chapman, é explorar a morte dele...
para aumentar as tiragens. - Julie, eu não escrevo a história...
...só pela ambição de ver meu nome sob uma grande manchete.
É verdade que o fiz muitas vezes.
Mas agora estou trabalhando sério no caso de Charlie.
Bem, não posso acreditar no que ouço. Aqui temos o novo McCleary.
Trabalhei dia e noite,
mas não encontrei nenhuma boa pista.
Só resta um resquício. Esta foto, de seu casamento em Connecticut
É difícil que a pessoa que os casou não os tenha reconhecido.
A não ser que esteja morto, ou que não haja visto a foto.
Vejo assim também, mas teria que ter muita memória
para se lembrar de um rosto depois de 21 anos.
Conte o que aconteceu com você na 5ª Avenida há quatro anos.
Íamos andando pela rua, quando de repente...
um desconhecido me parou.
Era o padre que casou o pai de Julie e eu,
em Portland, há 23 anos.
- E a reconheceu? - E note que ganhei peso...
Há pessoas que jamais se esquecem de um rosto.
Está bem, não perderemos nada.
Levaremos esta fotografia,
a todos os padres e juízes de Connecticut.
- Acho que vale a pena. - É trabalhoso. Fazer listas,
comprovar pistas... - Pode-se fazer.
Se formos nós dois, sim.
Gostaria, Steve, mas pedi demissão.
E não quero pedir a Chapman que volte a me admitir.
- Oh, mas que porco... - Guardei por acaso.
A lista de igrejas não é problema.
A lista de juízes podemos pegar do guia de Hartford.
Faça sua mala para duas semanas.
Eu vou à redação para que imprimam...
...uma centena de folhetos.
E se Chapman não quiser que trabalhe com você?
Não direi até que estivermos prontos para ir.
Esta mesma noite.
Mamãe, acha que será prudente que viaje de noite com ele?
Desde que não interprete mal isso da... liberdade de imprensa.
Você é maravilhosa. Vamos nos ver no jantar.
VOCÊ CASOU ESTE CASAL?
O NEW YORK EXPRESS OFERECE US$5.000 DE RECOMPENSA
Steve, isso é como atirar no escuro.
Às vezes, ideias mais disparatadas têm dado resultado.
Sua pista mais confiável deve estar aqui na cidade.
Sim, tinha uma boa pista, mas terminou morta na rua.
O que procura é fora de série.
Um cara capaz de reconhecer alguém que viu por 15 minutos
em um casamento que celebrou há 21 anos.
Como sabe que só os viu 15 minutos?
Talvez fossem fieis de sua paróquia...
Ou talvez os casassem um juiz da sua própria cidade.
É como procurar uma agulha em um palheiro.
Se puder encontrar a agulha, se pensar bem.
Não vai pensar em ficar nesse caso indefinidamente.
Uma semana bastará.
Julie Allyson vai comigo. Tudo sob controle.
Tudo controlado. E também os 5.000 da recompensa...
Não, isso você fará. Que há com você, Mark?
Vamos atrás de todas as pistas possíveis.
Não se preocupe mais com isso.
Se esta história não der mais
é melhor que deixemos como está.
Deixar como está? Esquece que Charlie Barnes morreu...
Talvez encontremos o assassino.
Sempre me disse que não desistisse nunca,
e isso é precisamente o que farei.
Estarei no Hotel Lennox, em Hartford.
Interurbano.
Preciso de uma informação.
Um telefone de Middlebury.
É de um juiz chamado Hacker, mas não me lembro do primeiro nome.
Quer fazer alguma ligação?
Não, ainda não. Só gostaria de ter o número.
Um momento, por favor.
Alô, no guia não aparece ninguém.
Ninguém?
Talvez a telefonista da cidade saiba algo do juiz Hacker,
se faleceu ou já não mora mais lá.
Um momento, por favor.
Alô, a telefonista disse que só está há cinco anos em Middlebury,
e não conhece nenhum juiz que se chame Hacker.
É tudo o que pode me dizer.
Obrigado.
ESTADO DE CONNECTICUT DIRETÓRIO LEGAL
JUÍZES DA CORTE CONDADO DE ROCHEMONT.
NEW HAVEN CATÁLOGO TELEFÔNICO
CAPELAS DE CASAMENTO CAPELA DE ARMAND
CATÁLOGO DE IGREJAS
CIDADE DE HARTFORD CATÁLOGO
Não, reverendo acho que, não é nosso casal.
Sim, provavelmente estará equivocado.
A mulher da foto está morta.
Obrigada por ter telefonado.
Vejo que lhe sobram palavras.
Vejo em seu rosto resplandecente.
300 Km para que um estúpido me diga
que os dois da foto morreram há um ano.
Alguns têm muita memória. Todos os rostos se parecem.
Alô? Ah, sim. Um minuto, Steve está aqui.
Chapman. Como todos os dias.
Pensará que vamos manter em segredo o que descobrirmos.
Sim, Mark.
Nada, dor nas costas e encontros com pessoas confusas.
Dez dias são suficientes. Admita que esteja equivocado...
Dois dias mais. Voltaremos no final da semana.
Saia do palheiro. Será mais fácil encontrá-lo na cidade.
Acabe logo.
Mais dois dias. Nem sei por onde continuar.
Você tem algo interessante?
Leio um exemplo. De um juiz de paz de Waterbury.
"Enviem-me os 5.000 e lhes direi alguns nomes".
Eu iria lhe mandar uma cabeça nova.
Estou com dor de cabeça. Vou deitar um pouco.
Por que não fica aqui?
Prefiro meu quarto.
McCleary, sim passe.
Um cara de Franklin.
Alô? Sim, está certo.
O que sabe?
- Tem certeza? - Que houve?
- Um momento. - Tenho a outra foto na minha frente.
Sim, os casei em 19 de Julho de 1931, em Middlebury.
Que coincidência. Como?
Juiz Elroy Hacker.
Estaremos aí em duas horas.
Não saia daí e não fale com ninguém sobre isso.
Adeus.
Vamos. Podemos voltar a qualquer momento.
SAÍMOS DE HAYSTACK. ESPERE NA SUA SALA PARA INFORMAÇÃO COMPLETA
CHEGAREMOS ATÉ NOVE HORAS DESTA NOITE. STEVE.
FRANKLIN. CONNECTICUT
Para um homem que está aumentando seu sucesso dia a dia
parece muito preocupado.
Sempre há pequenos problemas que requerem atenção.
Falemos agora de boas notícias.
Lembra-se que falamos sobre sua compra de ações?
Sim...
- Pensei no que se pode fazer. - Excelente...
Ao que parece não há dúvidas de que alcançará os objetivos.
Será um prazer ter-lhe como sócio no jornal.
Obrigado.
- Boa noite. - Boa noite.
Perdoe pelo atraso,
mas havia muito tráfego.
Seu telegrama parecia importante.
Encontrei a agulha.
Juiz Elroy Hacker, Mark Chapman, o diretor.
- Prazer em conhecê-lo, juiz. - Como vai, Sr. Chapman?
- Sente-se, juiz - Obrigado.
A agulha do juiz ligou as peças?
Digamos que juntou muitos fios,
se bem que nem todos.
Que descobriu?
A identidade do Coração Solitário e de seu marido.
O juiz Hacker os casou em Middlebury.
Chamam-se Charlotte e George Grant.
Você percebe, Mark?
O nome do assassino é George Grant.
Eu ouvi. Continue.
O juiz acha que poderia identificar George Grant,
se o visse de novo.
Olhe, eu mesmo fiz a foto.
Um pequeno serviço extra que o juiz propunha aos casais.
Sim, dava uma a eles e a outra ficava comigo.
Inclusive punha a inscrição de recém-casados.
Disse que os casou em Middlebury,
mas Steve o localizou em Franklin. - Aposentei-me há sete anos.
Sou aficionado da pesca, e me mudei para a costa.
Foi lá onde vi seu folheto por acaso.
Na sala de um juiz de paz amigo meu.
Sempre disse que havia nascido com estrela.
Sim, os McCleary nasceram em camas de trevo.
Juiz, por que está tão certo de poder identificá-lo hoje em dia?
Porque pouco tempo depois de tirar a foto, esse tal Grant...
teve problemas com sua mulher por alguma coisa.
Ainda me lembro de sua voz falando com maus modos. Sua cara ruim.
Sei o que está pensando. Ainda há que encontrar Grant.
Uma agulha é inútil, se não houver nada para costurar.
Precisaremos do pano.
Imagino que o encontraremos aqui, em Nova York.
A polícia convocará todos os Grant, para que o juiz os veja.
É Julie. Contou a Davis o que descobrimos.
Davis está fervendo como uma panela de pressão.
Isso vai passar.
Como você a sua ideia de reconhecimento.
Davis não fará nada enquanto Hacker não for à polícia.
Calma, boneca. Depois ele irá.
Esta noite não. O juiz é uma exclusiva nossa.
Ninguém falará com ele até que o jornal saia amanhã.
Não confio nos tiras.
Você e Julie comecem a escrever.
Enquanto eu levarei o juiz a um hotel aqui perto.
Vamos, Sr. Hacker.
Prefiro esperar o Sr. McCleary
Ele disse que ia me levar para sua casa.
Esse é o primeiro lugar que a polícia irá.
É melhor que venha comigo.
Não creio que seja sensato ir com você, SENHOR GRANT.
- Senhor Grant? - Chapman, senhor juiz. Não Grant.
Creio que deve descansar, precisa disso.
Se chama Chapman agora,
há 21 anos, quando os casei, era George Grant.
Também era jornalista.
Agora me lembro. Trabalhava no jornal de Waterford.
Connecticut é a cidade que não podia me lembrar,
mas sabia que reconheceria essa voz.
Seu rosto... mudou. Mas é o mesmo homem.
Vai pela recompensa, não é assim, senhor juiz?
Juiz, é impossível. Está confundido.
Para mim parece que sabe muito bem o que diz.
Isto é absurdo, incrível! Uma loucura sem sentido!
Esse é o tipo de testemunho que dará ao juiz, Steve.
A polícia encontrou alguns restos de cabelo
sob as unhas da vítima.
Creio que será melhor chamar Davis.
Não chame, Allyson.
Julie lhe viu bem logo. Em vez disso, eu, um estúpido,
confiava cegamente em você.
Eu o tinha num pedestal. O grande jornalista. O grande cara!
Mereceria o prêmio Pulitzer para o maior imbecil do mundo.
McCleary, outro de seus escravos estúpidos.
São coisas que passam,
a morte de minha mulher foi um acidente.
E Charlie? Ele nunca fez mal a ninguém.
Um bêbado inútil, que não tinha motivo para viver,
contra uma carreira que estava a ponto de acabar.
Agora sim, tem uma grande carreira.
Tudo foi por água a baixo. Terei que fazer novos planos.
Devia começar a correr quando recebeu meu telegrama.
Quando a aposta é forte, não se deixa correr
a não ser que não reste mais remédio.
Não tente, rapaz.
Steve!
Conhecemo-nos demais.
Sabia que os encontraria aqui. Que é isto, uma festa?
Steve, uma vez lhe disse
que algum dia teria uma grande história.
Esse dia chegou.
Sim, estou vendo.
Então comece...
"O arisco assassino do Coração Solitário
foi pego esta noite depois de quinze dias,
em uma sala do New York Express.
"Foi capturado graças à persistência de um repórter
que aprendeu o ofício com o próprio assassino."
"O assassino acaba por ser Mark Chapman,
diretor do N.Y. Express".
- Escreva bem, isso vende. - Solte a arma, Chapman.
O DIRETOR DO EXPRESS, ASSASSINO DO CORAÇÃO SOLITÁRIO
Por Steve McCleary.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.