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Original subtitles

Amém.

E aí

O que é isso?

Para dormir.

Para dormir.

Esse é o mundo.

E esse é o mundo.

Quando caminho por essa cidade, eu penso

que eu odeio essa cidade.

Que além de odiar essa cidade, eu odeio

este mundo.

Porque o mundo e a humanidade

se tornaram tão pavorosos que em breve será impossível

suportá-los.

Pelo menos para uma pessoa como eu.

Temos o governo mais repugnante que se pode conceber.

O mais hipócrita, marinho, o mais ordinário e assassino e, ao mesmo

tempo, o mais burro e atrasado.

E somos obrigados a ver-nos tornar-se cada vez pior e mais insuportável.

Mas não é só o governo que é mentiroso, e civil e vulgar.

Também o Congresso.

Por vezes me parece que o Congresso é ainda mais hipócrita e mentiroso que o

próprio governo.

E como é, por fim, hipócrita e ordinária a justiça nesse país.

E a imprensa nesse país.

E aí é a classe média.

Igualmente hipócritas, vulgares e assassinas.

Chegamos agora ao fundo do curso absoluto.

Esse país acabou.

Um jornal atento para reconstruir.

Ouça, me deram a entender que minha pronúncia deixa a desejar.

Como invariavelmente vou ter que pronunciar umas palavras, principalmente

se a coisa for política, decidi ter umas aulas.

Que senhor?

Um espelho.

Primeiro andar.

Como é que vocês andam no teatro?

Eu acredito que o senhor esteja se referindo a essa coisa mais

clássica, um Shakespeare da vida, esses grandes personagens, conhece, não é?

Hamlet, Júlio César, Romeu, mas muito bem, você está falando com a pessoa

certa.

Aliás, a desgraça da minha vida foi Shakespeare, para lhe confessar.

Depois do Shakespeare, nunca mais consegui ser...

digamos assim, que é o mesmo, porque aquilo me marcou de uma forma tão

profunda.

Eu penso sempre que esses personagens, eles contêm dentro deles

uma grandeza e uma coisa que nos obriga a ter, na verdade, esse porte que a

gente chama de personagem clássico, de forma clássica, de interpretar.

O Shakespeare mesmo é uma desgraça.

Porque se eu não tivesse feito tanto Shakespeare hoje, seguramente eu

estaria, sei lá, na Broadway, pelo menos, meio pelado, fazendo um musical

qualquer, ia me divertir muito mais. Não tendo que suportar alguns que acham que

Shakespeare e o romantismo alemão, sei lá, Kleister ou

Goethe, ou ainda que misture com Ibsen, enfim.

O senhor está falando com a pessoa certa, vamos lá.

O senhor pode andar para eu ver?

Claro.

Eu observei na sua entrada que o senhor já deve ter tido algumas aulas de teatro

e com bom ator, porque a questão toda sempre é o problema do apoio.

Sabemos a questão do apoio, a gente está apoiado na coluna, certo?

Saber passar o peso de uma perna para a outra, a gente vai equilibrando isso e a

cabeça vai chunco.

A ideia... A ideia

é um pouco... Imagine que todos esses personagens usavam uma

espada, por exemplo.

Então, esse objeto que está aqui, ele fica apoiado, ele está preso aqui e a

mão está colocada aqui.

Então, isso é que dá o porte.

Veja.

Esse é o porte, como se a gente estivesse segurando uma espada. Nada

mal. Não se esqueça, e não se esqueça também, de manter a sua cabeça um pouco

altiva.

Esses personagens são personagens altivos. Não está relacionado

necessariamente com uma coisa de nobreza ou de arrogância.

A gente observa isso, mesmo eu diria hoje, se nós pensamos dentro da

realidade brasileira, um bom... vamos pegar um

Gil, por exemplo.

Observe a postura eterna da cabeça de Gilberto Gil. É uma coisa onde o pescoço

está ligeiramente, digamos assim, pareceria uma coisa falsa, mas não.

É uma coisa que se dá, que se entrega, que se olha, que se faça.

Pode andar para eu ver?

Faço? Veja.

Como é que isso faz?

Um pé atrás do outro, calcanhar, calcanhar e passa o peso para a

ponta do pé.

Sempre imaginando que a gente está com uma coluna, que é isso aqui, e essa mão.

Esta mão eterna é como se a gente tivesse, aqui no caso eu estou usando a

bengala como referência.

É a mesma coisa, aliás, que o uso dessa bengala. Por que essa bengala faz

aquelas imagens que a gente tem, século XVIII, rei da França, etc.

Essa coisa apoiada que está aqui, que não está fazendo força nenhuma.

É um problema de equilíbrio e de passe.

de equilíbrio dentro do corpo.

Soa um pouco artificial, mas hoje em dia quem é que anda natural, né?

Quando eu andar eu quero que todo mundo me note.

Vejo se é isso. Mas faça isso.

Faça isso.

Não, não, não.

A ponta do pé nunca.

Como a ponta do pé?

Sempre é uma questão de apoio. É aqui.

É o calcanhar que vem.

E o peso passa, e o peso passa, e o peso passa.

Não é falso, isso está certo.

Ou aqui, sei lá, o que me vem na cabeça, por exemplo, uma passista de escola

de samba, observe como o peso está inteirinho aqui.

É isso aqui que está funcionando.

Isso não soa falso?

Não sei porque que se diz que isso é falso. Não, não disse falso, disse

artificial. Não, não parece artificial, é uma coisa que... Não, eu gosto do

artifício. Eu gosto.

Então busque. Muito bem, faça.

Muito bem.

Sentiu?

Bem. E agora o sentar?

O sentar é exatamente a mesma coisa dentro do mesmo processo, sempre...

A postura da coluna, fixe tudo na sua coluna.

Outro dia, descobri que Shakespeare teria escrito de quarentena algumas de

suas melhores peças.

Por causa da peste, os teatros londrinos passaram a maior parte do tempo

fechados, em pleno período elizabetano.

Os

pregadores

da época.

Diziam que a causa da peste era o pecado, e a causa do pecado as peças de

teatro.

Em

tempos

sombrios, estamos sempre entre os primeiros atingidos.

Dessa vez não foi diferente.

Foram nos teatros, na perseguição aos grupos e aos artistas, que os primeiros

sintomas se manifestaram.

O palco tinha voltado a ser o lugar do pecado e dos excessos.

Para os pregadores da vez.

Enquanto isso, o verdadeiro teatro, um teatro da peste,

acontecia nas TVs.

Aquela velha teatralização da política típica do fascismo,

desse liberal macho fascismo de hoje em dia.

O Bu estava no poder.

E alguns de nós estavam entre os traidores.

Girando, girando a volta as crescentes.

Falcão já não escuta mais o vapor.

Tudo se desagrega.

O centro já não se sustenta mais.

Está solta no mundo a simples anarquia.

O rito da inocência e do sufocado.

Os melhores.

Autoconvicção.

Enquanto os piores estão cheios de ódio.

ou de armar-se contra o rio de corvões e,

ao opor-se a eles...

Para morrer.

Para dormir.

Para dormir.

Por chance de sonhar.

Essa é a raiva.

Porque nesse... ...sleep da morte...

...um sonho se torna calmo.

Quando você tem sepultado esse mato-coelho, você percebe que há um

respeito que faz a calamidade de uma vida tão longa.

E,

afinal, perder

o nome.

Eu odeio essa palavra.

Agir.

O que é isso?

Meu Deus do

Céu!

Vai, vai, vai, vai, vai!

Atum. A tempestade.

É noite de fins de maio do ano de 1720.

antes da peste negra chegar na Célia, a bordo de um navio mercante.

O rei tem um sonho particularmente aflitivo.

Em seu sonho, ele se vê pestífero e vê a peste alastrar-se por seu corpo, assim

como pelo corpo social da nação.

Sob a ação do flagelo, os quadros da sociedade se desfazem. A ordem

desmorona. Não há mais limpeza pública, nem exército, nem polícia.

acendem-se fogueiras para queimar os mortos

a madeira, o lugar e o fogo escasseiam.

Há lutas ao redor das fogueiras, logo seguidas por uma fuga generalizada.

As ruas, uma verdadeira orgia de excitação ao ódio.

Muitos anti-censurados agora são liberados.

Lugares comuns e frases feitas precipitam a catástrofe.

Liberados de tudo, o poder se dedica provisoriamente à carne de si.

Uma onda destruidora atravessa a cidade.

Personagens. Tussam Caliban.

Charlotte Cavala.

E o Homem Sem Qualidades.

Silcorax e Mamum, o Próspero.

Mamum foi aventureiro, desbravador dos sete mares, conquistador do novo

mundo.

Fim do século XV.

Mamum aporta em uma ilha do Atlântico Negro e rouba o trono de Silcorax, a

bruxa.

Amaldiçoado como rei peste, Mamum condena seu Gorax a morrer na fogueira e

adota seu filho, batizado Caliban.

Escravizado pelo rei Peste, obrigado a trabalhar em seu exército,

Caliban promete vingar a morte da mãe.

Criatura abominável, tive piedade de ti.

Não poupei esforços para te ensinar a falar.

Então, como selvagem, não sabias nem sequer o que querias.

E metias grunhido, como os brutos.

A falar, me ensinastes.

É verdade.

Minha vantagem com isso é ter ficado sabendo como amaldiçoar.

Que a peste vermelha vos carregue por ter me ensinado vossa

linguagem.

Filho de feiticeira.

Vais cortar madeira.

E não demore.

Você não me ensinou nada.

Velho, pode.

A não ser, é claro, a usar sua linguagem para compreender suas ordens.

Corte a madeira, lave as vasilhas, limpe o peixe, plante os legumes.

Mas por que você é muito preguiçoso para fazer essas coisas você mesmo?

Quanto à tua ciência, me ensinou alguma coisa?

Tua ciência está toda guardada só pra você, trancada naqueles livros.

O que seria de ti sem mim, Caliban?

Sem você?

Sem você eu seria o rei, que é o que me cabe.

Rei da ilha que herdei de minha mãe, Silcorax, e que você roubou de mim.

E o que você faria sozinho nessa ilha do diabo, pobre criatura?

Me livrar de você?

Te vomitar?

Você, suas pontas, suas obras, sua toxina branca?

E de ti, sozinho, o que seria, velho câncer?

O que faria sem mim nessas terras desconhecidas?

Eu te mostrei as árvores, as frutas, os pássaros, as estações e agora me trata

assim, como um monstro.

Ingrato.

É isso que você é.

No dia em que me der na avenida, pego aquele barril de pólvora e mando essa

ilha pelos ares.

Agora chega, Caliban.

Preste atenção.

Se continuar reclamando, vai apanhar.

E se enrolar, fizer greve ou sabotar o trabalho, apanha mais ainda.

MÚSICA Há quem não chora, não chora, não chora, não

chora.

E aí

A gente diz no teatro, tem uma coisa que contam no teatro para a gente, que

é assim, a mistura, a tua vida, com a vida

do personagem.

É, mistura.

Onde começa uma coisa e onde vai até a outra.

Não sei.

Aí tem mais uma coisa.

Sabe, eu já te falei, assim, a coxia, né? Aquela coisa que está ali atrás,

escondida.

Lá atrás da coxia, a gente não é o personagem?

Será que a gente já é o personagem?

O que você acha?

A gente é o personagem.

Por quê?

Porque a gente já vem de trás daquilo.

Já vem o quê? De trás daquilo.

Já vem de trás daquilo, né?

Mas acontece que tem uma cena.

que eu amo de paixão.

E a explicação dela é a seguinte.

No Hamlet tem uma moça que

se chama Ofélia.

E aí o pai da Ofélia chama por homens e

ele diz para o rei que a...

Hamlet, na verdade, ficou louco porque ele está apaixonado pela Ofélia.

E aí, faz

uma armadilha e manda o

Hamlet conversar com a mãe deles.

Aí o Hamlet chega.

O único que está escondido atrás do negócio se mexe, né? Aí ele vê.

A tapeçaria está se mexendo. Se tem alguém escondido, pode ir atrás.

Aí tem uma fala famosa de um menino que diz assim, ratos, ratos, ratos.

Tira a espada e... E mata o cara.

Você pode imaginar o drama que vira, porque vai virar um

quipocó total na história.

E aí a gente brinca que em

cena a gente não pode sair dos limites.

Se você se esconde, você está...

Pronto para mover?

Tchau.

E aí, meu irmão?

Morri.

Não,

gente.

piorou, piorou, piorou piorou, piorou,

piorou piorou, piorou, piorou

É o senhor?

Atravessei a cidade por milagre.

Há sangue e fogo por toda parte.

Lá fora não há mais seres humanos.

Apenas estranhas máquinas que batem umas contra as outras.

Ele veio porque a humanidade estava podre,

decomposta.

Só ele podia salvar o mundo. Ele, o bispo, ia

conduzir a razão.

A razão está em que tudo nós,

Os nossos pensamentos são os nossos nervos.

A nossa alma são nervos. Nervos extintos, cada um tem

uma função.

Uns nervos pensam, outros nervos sentem,

outros nervos raciocinam.

Nós somos...

Nervos.

Nervos de Deus.

Só que Deus tem nervos mais sublimes.

E esses nervos são múltiplos.

Eles têm múltiplas funções. Eles nos separam a nossa decadência,

a nossa condição humana, enfim.

É o fato de que os nossos nervos não são sofisticados

como os de Deus.

Nós estamos em um vestíbulo, em um vestíbulo

do céu. Deus, Deus ele está no céu

e nós, nós estamos sobre a terra.

Aqui nós sofremos essas calamidades porque os nossos nervos,

eles só pensam, eles só

sentem, eles só servem para caminhar.

Eu vou...

eu vim eu

vim pra

purificar esses nervos

me foi dada a missão de a

missão de purificar esses nervos

Eu devo perder a minha condição de homem.

Eu quero me mescular.

Eu tenho que me mescular.

Eu vou poder engendrar um

novo homem.

É simples.

Este mundo fecha de nervos.

Lenta! Meu corpo é a origem do mal que vai se espalhar pelo mundo.

Todos os males que assombram a terra de todos.

tem sua origem no meu corpo.

No mal, no mal que estou gestando aqui nas

entranhas agora mesmo.

De todos os males que assolaram a Terra, todos

têm sua origem no meu corpo.

no mal que estou gestando aqui nas entranhas. Agora mesmo,

agora mesmo, no meu corpo estou cometendo um

genocídio. Um crime que vai se propagar

para todos sempre.

A partir de agora, não haverá...

O único instante da minha vida, mesmo quando eu estiver dormindo, em que eu

não seja a causa da desordem, de um distúrbio tão

vasto que leva, pouco a pouco, a uma corrupção e

devastação generalizadas.

Um caos tão absoluto que...

Muitos anos depois da minha morte, ainda, seus efeitos serão

sentidos por toda parte.

Gesto, minha culpa, a peste dos últimos dias.

À noite, eito e ouço a minha matéria em

decomposição e gestão.

Mal.

assolará o mundo.

Uma infinidade de crimes gestados no meu corpo.

Música Música Música

I'm happy again I'm happy again

Eu estou cantando e dançando.

Acho bem do fake news.

Bomba take 10.

Ato 2 A Peste Branca

Heleno,

o pequeno.

O general que não quer ser grande.

Seu plano é, antes de tudo, rebaixar o país inteiro.

É toda a nação que deve se apequenar para estar à altura de Heleno, o

pequeno.

Acampado em frente à casa de pequeno, minúsculo, aguardo um sinal.

Ele espera.

Um dia...

Pede uma audiência com o general.

Ele vem perguntar a Helena quando será o momento para entrar em ação.

Dominaré esta terra!

Botarei estas histéricas tradições em ordem!

Pela força!

Pelo amor da força!

Pela harmonia universal dos infernos!

Chegaremos a uma finalização!

A cabeça posta em vaso e exposta durante três dias na Praça da República.

Para onde se convocará o povo ao som incessante dos sinos?

No meu funeral, quero uma guarda de honra composta de

cavaleiros jovens.

De vez em quando é preciso forçar a porta no general.

Agir puro e simplesmente.

Isso já não é ação.

É um ato de autoexibição.

A ação não é simplesmente o fato de fazer... algo no jovem.

É um modo de pensamento, uma estrutura de racionalidade,

de unidade poética.

A ação precisa de um mundo finito, de um saber circunscrito,

de formas de causalidade calculáveis e de atores

selecionados.

de heróis. O problema com o chamado homem de ação

é que ele quase nunca nasce do pensamento,

da reflexão, mas de um

balaio de ideias precárias e falsas que o fazem entrar

às pressas no campo de batalha.

Por isso, por isso você está sendo submetido à disciplina da espera.

Encare isso como um treinamento, meu jovem, um

laboratório.

Quando chegar a hora de vocês entrarem em cena, vocês estarão prontos.

No ponto para explodir.

Aguardem.

Simplesmente aguardem.

que a hora exata para agir está para chegar.

É tudo o que eu posso te dizer no momento.

Existem outras instâncias, outros círculos, outros generais, generais da

ativa.

Aguardemos, meu caro, aguardemos as ordens.

Elas chegam sempre de cima e acima de mim existem

muitos.

Demais.

Aguarde.

Mas um ator atua.

Ele não pode ficar permanentemente num processo.

Uma hora tem que entrar em cena.

Quando nós entrarmos em cena, meu caro, será preciso agir como se cada

gesto nosso servisse de regra na caverna dos ladrões.

Entende?

Cada um dos seus gestos deverá inspirar o horror nos outros e em ti mesmo.

É como se fosse, como se levasse

a peste consigo.

Aí sim estaremos atuando, entende? Para despertar

o horror.

Sim.

O horror.

O grande circo do horror.

Música Música Música

E avante, oh raça barulheira, mostremos

ao mundo a grandeza do Brasil.

Todo o Brasil, diante de seu pavilhão, todo o Brasil luta com seu

coração, pela vitória a luta começou.

O meu cabelo, o meu marido cabelo, o meu cabelo, o meu

cabelo.

A grandeza do...

Aceitem a liberdade do crime, que é a única liberdade racional,

e entrem para sempre na insurreição, assim como se

entrem em estado de graça.

É tarde demais para querer ser razoável e instruído.

É tempo de abandonar o mundo dos civilizados e sua luz.

O homem escapou de sua cabeça como o condenado da prisão.

Encontrou para ele mesmo, não Deus, que

é a proibição do crime, mas um ser que ignora a proibição.

A vida humana...

está exausta de servir de cabeça e de razão no universo.

Eu nunca fui no teatro, né? Deus me livre.

Mas diz que no teatro deles tem pinto pra fora, você tá pra fora, a gente

chupando gente, a pegação é plenária. Isso, isso, isso, isso, isso, isso,

isso, isso, isso, isso, isso, isso,

isso.

E aí uma pessoa vai e pensa, seu filho, seu adolescente vai ficar com essas

coisas. Aí vira tipo aquela menina que matou os pais. Que isso, eu ouvi. Eu

ouvi dizer que eles querem acabar com a Bíblia.

Que eles querem acabar de... Não, não.

Ouve!

Ouve!

É, cara, olha o que é bom. Eles querem tirar pra mim de novo, ver a arma.

Tá aparecendo o quê? Aí, meu irmão! Pode filmar!

Filma! Filma!

Vai!

do passado tira a

mãe preta do cerrado

bota o rei gongo no

congado Brasil

Felicia, terrivelmente desolado por um flagelo sem

precedentes, vindo da Ásia.

Todos deviam perecer, exceto alguns eleitos.

Um vírus, até então desconhecido, se

introduziu no organismo humano.

Os indivíduos afetados tornam-se imediatamente

desequilibrados e loucos.

Contudo, coisa estranha, nunca os homens haviam

se julgado tão sábios e seguros de si, possuidores da

verdade.

Nunca haviam tido tamanha segurança na infalibilidade de seus

juízos, de suas teorias científicas, de seus

princípios morais.

Aldeias, cidades, povos inteiros eram

atingidos pelo mal e perdiam a razão.

Estavam todos cheios de desespero e no estado de não se compreenderem uns

aos outros.

Cada qual julgava-se o único na posse da verdade.

Cada qual batia no peito, torcia as mãos e

chorava.

Não podiam entender-se sobre as sanções.

a adotar sobre o bem e o mal e não sabiam a

quem condenar ou absolver.

Matavam-se uns aos outros numa espécie de

absurdo frenesi.

Reuniam-se e formavam imensos exércitos para

marcharem uns contra os outros.

Porém, uma vez começada a campanha, as tropas dividiam-se,

rompiam-se as fileiras e os homens trucidavam-se e

devoravam-se mutuamente.

Nas cidades, todos eram chamados às armas.

Mas para quem?

Para quem?

Ninguém conseguia dizer e o pânico se propagava.

Formavam-se grupos aqui e ali.

As pessoas juravam não se separarem e um minuto depois esqueciam do juramento

e começavam a acusar-se e a matar-se.

Por toda parte, irrompia a fome, os

incêndios. Tudo perecia, tudo.

Homens, animais.

E o flagelo devastava cada vez mais.

Só podiam ser salvos no mundo inteiro.

alguns homens eleitos, puros, destinados a

começar uma nova raça humana, a renovar e a purificar

a Terra.

No entanto, ninguém sabia quem eram.

Ninguém tinha visto algum eleito, nem tinha ouvido as

palavras,

ou o som de sua voz.

Sou um homem de bem, cidadão de verdade.

Prezo sempre pelos valores morais e da família.

Sou contra o aborto em qualquer circunstância, até mesmo em caso de

estupro.

Sou a favor da redução da maioridade penal.

As crianças têm que ser educadas com severidade.

A vida é uma guerra.

em que às vezes é preciso dar um chute no saco, uma dedada no olho.

Sou contra a política de cotas, casamento gay.

Homem veste azul, mulher veste rosa.

A mulher que não cumpre a sua obrigação conjugal deve ter uma boa explicação.

Ato 3.

O capital.

Essa coisa que tem aqui nos mapas, o que é?

Um oceano.

Tem uma ideia de nome de oceano aqui?

Esse, por exemplo, aqui?

Que é aqui?

Brasil. Que oceano é esse aqui?

Oceano Atlântico. Muito bem.

E esse daqui que está do outro lado?

Aqui é assim, escondidinho aqui.

Pacífico.

Nossa, que maravilha. Estou gostando.

E aqui tem os continentes, né? Então, isso aqui.

Esses três, porque são três, né?

Aqui tem um piquinho, um estreito aqui e aqui em cima.

Esse aqui.

A... América do Sul.

E depois tem o fininho aqui no meio, a América... Latina.

Sim, vai ser Latina, mas ela é central.

E a América do... Norte.

Então, a gente está aqui no Brasil, na América.

Muito bem.

Aí você tem aqui o Oceano Atlântico, e aqui tem...

Uma coisa super importante para nós, certo?

Que é a Europa.

A Europa é tudo, né?

Aqui embaixo você tem a América,

a América do Norte.

E a Ásia? A Ásia é o que continua, que vem depois da Rússia para cá e que vem

tudo para cá, que é onde está a China, certo?

A Índia, tudo isso aqui é a Ásia.

Aí você tem essas coisas que a gente chama assim de Oriente Médio.

Por que a gente diz assim Oriente Médio? Justamente porque tudo

começa e tudo só existe aqui na Europa.

Só que é o berço de tudo.

Aqui é que as coisas se desenvolvem.

que existe ser humano, o ser humano é a Europa.

A Grécia, a Roma, tudo aquilo, é tudo nesse pedacinho que está

aqui. Só esse que está vindo daqui. Isso aqui é o berço de tudo.

Então a gente vai trabalhar exatamente aquilo que importa, que é a Europa.

O que importa aqui é Portugal, Espanha, a França, a Itália, a Alemanha.

Antes tinha a Grécia, ok?

Cristo, por exemplo. Onde é Cristo, você sabe?

Na Turquia.

Não, na Turquia que você está vendo grande aqui.

Não, está aqui.

No Egito, assim, né?

Hã? Perto do Egito. Perto, mais ou menos perto do Egito, mas um pouquinho mais

para o norte.

Como é que chama aqui?

Israel.

Israel.

Na verdade, aqui é toda uma briga, tem uma guerra eterna aqui, porque tem, já

tem um outro estado, que é a Palestina, mas não importa, importa Israel.

Bom, vamos voltar para Portugal.

E a África?

Então, a gente volta para Portugal.

Lá em Portugal... Então, por que é importante Portugal?

Porque ele descobriu o Brasil.

Porque ele descobriu o Brasil.

O que os portugueses fizeram? O que eles eram muito bons em fazer?

Em invasão de terra.

Invasão de terra, não.

Como invasão de terra? Eles pegavam as terras dos brasileiros.

Não, pegavam a terra de brasileiro.

pegava e vinha e descobria, porque aqui... Mas eles roubavam o Brasil.

Ah, não, aqui só tinha índio, isso aqui não era importante, certo?

Aí pegava aqui, vinha, ia vender as coisas, comprava as coisas aqui, tirava

tudo aqui e levava.

Então, eles roubavam o Brasil praticamente, né? Mais ou menos, não é

bem um roubo, né? Porque eles também traziam tudo o que eles pensavam, eles

traziam aqui para o Brasil.

Por isso que o Brasil ficou tão bom.

Então, aí você tem do lado de Portugal, você tem esse outro país aqui que

chama... Espanha. Muito bem. Nossa, tá sabendo tudo.

Tá sabendo bem as coisas, hein? Tá legal.

E depois?

Esse país aqui?

França. Muito bem.

E esse aqui?

Alemanha. Muito bem.

Você sabe o nome da capital de Portugal?

Capital de Portugal?

É... Lisboa.

E da Espanha?

Da Espanha, não sei.

Não sabe?

Não. Aquele time de futebol... A Real Madrid.

Madrid.

E a França?

Paris.

E da Alemanha?

Berlim. Berlim. E aqui você tem a...

Europa. Sim, na Europa, mas um país que é da Europa. Esse aqui.

Ah, não sei.

Não conhece isso?

Não. Aquele que faz macarrão.

Itália. Itália.

E a África do Sul? E a África? Então, aqui... Aqui, então...

Gente importante.

E a África?

Aqui. Deixa eu falar das coisas importantes primeiro.

Então, Itália.

Mais perto da gente, teve um cara importantíssimo chamado Benedito

Borsolini.

Estrupício.

Miltre.

Moçal.

Carnalha.

Lefasso.

Pérfimo.

Pogta.

Procha, faça gesto, pula,

se esqueça pela arma.

Cotinho, cápula, não me

botes, me pula, me desco.

Ah, eu até aceito que ele seja racista, cruel, genocida, cínico, corrupto,

mentiroso, ladrão, vagabundo, preguiçoso, miliciano, ah,

golpista, burro, misógino, desonesto, sei lá, pedófilo, canibal, mas

maçom, maçom não.

... ... ...

...

Mas de repente

estamos à beira

do prado. Sim.

As suas coxas estão mornas, você comprime meu flanco. Pois.

Há mortes. Sim.

Mas de repente... E de repente?

De repente, há morte com a vida ao silêncio e polidamente.

A morte atenciosa.

E de repente?

Agora, eu te falarei da destruição. Pois.

Eis a palavra.

Destruir, destruir, destruir.

Destruir em ti, em torno de ti.

Destruir todo o bem, todo o mal.

Você, general, destruir as bases da sociedade e reduzir as instituições às

suas fachadas.

Destruir as bases das sociedades e as instituições às suas fachadas. Espalhar

a fome, a miséria, a opressão.

Fome, opressão.

Espalhar o caos, o ódio, a violência, a serviço.

Violência, serviço... Saudar, tortura, violência... Tortura,

violência... Posso bater?

Não! O assassinato em praça pública.

General, descobri tudo para construir em cima das ruínas do clima.

Eu vim para separar pais, filhos, maridos, esposas... Pai, filhos,

maridos, esposas. Avós, netos.

Abaixo a verdade. Abaixo o bom senso. A verdade e o bom senso. A razão.

A razão. Ficaram todos velhos. Ficaram todos velhos.

Ficaram de ponte.

Ficaram de ponte. Ficaram de ponte. Ficaram de ponte.

Ficaram de ponte.

A raiva é reprimida nas classes médias. Exatamente. Dar vazão às forças

devastadoras da inveja, do infortúnio, a cobiça e o ódio. Dó.

Desencadear a corrente irresistível.

Sim, claro.

Irresistível a corrente. Da violência humana, general.

Da violência humana. General, de novo, da violência humana. Da violência

humana.

Nós não esqueceremos até que ponto essas pessoas são capazes de ir. Essas pessoas

quiseram nos exterminar. A nós e a maioria.

Se elas não conseguem nos submeter, nos dominar.

Dominar ou submeter?

É dominação total depois, né?

Dominação total.

Se elas não conseguem nos submeter totalmente, dominação total.

Elas estão dispostas a pisar até a morte.

Nós não esqueceremos até que ponto essas pessoas são capazes de viver.

Essas pessoas quiseram nos exterminar a nós e a maioria.

Se elas não conseguem...

Se elas não conseguem submeter, se elas não conseguem submeter totalmente,

dominação total, elas são capazes de pisar até a morte. Mas não são

capazes.

É isso? São capazes, né?

Mas são capazes?

Estão dispostas, não. Estão dispostas.

Estão dispostas.

Vamos começar?

Nós não esqueceremos.

Só pensa em música. Vai,

vai.

Nós não esqueceremos do que essas pessoas... Sai

fora! Nós não esqueceremos até que ponto essas pessoas são

capazes de ir.

Elas pessoas quiseram nos exterminar.

Essas pessoas quiseram os exterminar, nós e a maioria.

faz a guerra.

Mamum carrega a guerra qual nuvens carregam tempestades.

Evaste seu arsenal pra ensurdecer, pra cegar,

pra adoecer.

Desde que uma mão faz a guerra, ela nunca mais teve fim.

Tudo que é vivo, ele transforma em coisa inerte.

Seu mundo é uma grande loja de departamentos.

Sua guerra é uma espécie de usura do existente.

Foi assim que o império de Mamumã atravessou os séculos.

A falocracia é uma mistura de comédia e violência.

O falo e o patriarcado representam os dois lados de um mesmo poder que

devemos chamar de orgástico.

Trata-se de um poder habitado por um espírito cão, um espírito porco,

um espírito...

O pânico genital da falocracia decadente em fim de mandato

produz catástrofes permanentes, possivelmente

irreversíveis.

Por que vocês, homens, precisam tanto do poder?

Porque sem ele vocês se veem reduzidos ao que de fato são.

Inúteis, presunçosos, folgados, verdadeiros

encostados. Por isso vocês preferem levar tudo consigo, destruir o mundo

inteiro se for preciso. Preferem isso a ter que cair na real. Que vocês, homens

falidos, já não tenham a menor ideia do que é ser homem.

E fazem da masculinidade uma fantasia tóxica e homicida. E

arrastam esse espetáculo ridículo e mortal pelas ruas. Vocês

que escondem a própria impotência, incapacidade e confusão atrás de uma

arma. E alardeiam a sua virilidade artificial através de

todo tipo.

de abuso e violência.

Vocês contaminam tudo.

Ruas, rios, floresta com seu veneno de chumbo.

Vocês são a escória do mundo.

A humanidade falida.

Por isso vocês preferem matar...

Tudo à sua volta.

Para não ter que admitir que vocês não têm mais a remota ideia do que é ser um

homem. Muito menos um humano.

Obrigado.

o mundo todo é a grana o mundo está totalmente envolvido o mundo

inteiro é a grana então o mundo só vai ficar legal depois que terminar o

dinheiro

MONEY MONEY MONEY MONEY MONEY MONEY MONEY MONEY

Mamum é a origem de uma religião monoteísta que tem nele mesmo o único

Deus.

As práticas dessa religião não conhecem pausa nem feriados.

Seus ritos dominam a vida das pessoas da manhã à noite.

Da primavera ao inverno, do berço ao túmulo.

Não há nenhum dia que não seja de festa religiosa e de pompa sagrada.

A subida e descida das cotações e dos preços.

A angústia dos adoradores.

A ostentação dos eleitos.

Estou rindo com a roupa em rosto escuro.

Mamum aprendeu a governar dividindo.

semeando a discórdia e a mentira, destruindo o senso comum.

Com o passar dos anos, seu poder foi se tornando mais sedutor e inteligente.

Mamonja não governa por proibição, mas por fruição.

Deixou de se opor à liberdade e passou a explorá-la.

seu poder adquiriu, pouco a pouco, as características de uma droga.

Em vez de fazer as pessoas obedientes, ele passou a fazê-las dependentes.

Tenho pensado muito naquilo que você me disse.

De que sua arte, em especial o teatro, pode ser mais excitante do que o crime.

Mais poderosa do que a morte.

Eu adorava aquelas peças que a gente fazia.

no dia da morte do seu irmão.

Foi morto um artista, você dizia.

E que aquelas facas não iam cortar a fertilidade dos seus trabalhos.

Acho que é por isso que você fazia teatro.

Eu agora estou fazendo justamente o papel daquela que mata.

Da assassina.

E eu não tenho pudor em fazer esse papel.

Na verdade, eu acho que foi você que me ensinou a não ter esse pudor.

Aliás, eu não faço o papel só de uma assassina.

Mas de duas.

Claro que as duas assassinas são diferentes.

A segunda, a bolsonarista, me dá um pouco de vergonha.

Então eu tento lembrar da fala de uma outra personagem que diz eu

vou fazer o papel de um bufão.

Eu faço o papel de um bufão porque todos, absolutamente todos, são mais

ganadas do que eu.

Eu faço o papel de um bufão por vergonha.

É como dar uma gargalhada em um precipício.

Você ficava chateado quando um ator desistia de fazer uma peça?

E decidi sair de cena.

E eu às vezes me sentia cansada das temporadas larguíssimas que a gente

fazia com a companhia.

Depois da sua morte, eu tenho pensado nas vezes que eu saí de cena.

Tem gente que fala que uma companhia de teatro como a nossa é como uma facção,

uma comunidade exótica.

E eles falam como se os que estão por fora de uma companhia de teatro não

fizessem os seus pactos e alianças em pequenas comunidades.

Na verdade, eu acho muito difícil...

Alguém está por fora de algo, isento a algo.

Por isso o papel do público me assusta.

Acho que o público pode ser mais sático do que os atores que se prestam a fazer

os papéis do bufão.

Então eu prefiro pensar que eu estou sempre do seu lado.

com esses figurinos empurrados e espelhafatosos.

Tudo no mundo transpira a crime.

Tudo.

Os jornais, as paredes, os homens.

Tudo.

O mundo é a escola da morte.

A guerra começou na escola.

O campo de batalha para onde são enviadas as crianças, com seus corpos

delicados, seus futuros em branco, que são suas únicas armas.

O

campo

de batalha onde se trava uma guerra entre o passado e a

esperança.

O primeiro fronte da guerra.

O lugar onde vencedores e vencidos são marcados com um signo que

se transforma em rosto aos poucos.

Que importância os idiomas ensinados se a única língua que se fala lá

da violência secreta e surda da norma.

Como já disseram tantas vezes, o mundo é um cenário

onde a gente está continuamente ensaiando.

Se a gente olhar ao nosso redor, é um contínuo aprender a falar,

aprender a ler, aprender a morrer,

aprender a estar morto, que toma todo o nosso tempo.

Eu acho que as pessoas estão sempre representando pra gente algo que a gente

já conhece, sabe?

Seres que aprendem um papel.

Cada ano que a gente aprende um papel

que a gente nem sabe pra que ou pra quem.

E esse cenário é uma tormenta, porque ninguém que tá nele sente prazer com

qualquer coisa que acontece nele.

Mas ao mesmo tempo, ele acontece de forma tão natural.

Continuamente se busca por um diretor de cena.

Quando sobe o plano, tudo já terminou.

A vida é uma escola onde a gente aprende a morrer.

E o mundo é a escola da morte.

O mundo é a primeira escola primária da morte.

Depois se torna a escola secundária da morte.

Depois o ensino superior da morte.

Os homens...

São professores e alunos ao mesmo tempo dessa escola.

E o único objetivo alcançável dela é a própria morte.

Dentro da cabeça de cada pessoa tem a catástrofe

humana própria.

de cada pessoa.

E a gente não precisa abrir a cabeça de ninguém pra saber que lá só tem

catástrofe.

Porque é a catástrofe que faz a gente existir.

O sujeito deseja seu desastre.

Porque quando passa um instante sem a sua angústia, sai em busca

dela. Quando a gente olha uma pessoa assim na rua, a gente tá vendo

um indivíduo se afundando na sua angústia.

Ou então procurando por ela.

Fecha os percos!

Grande,

grande...

todos os brancos estão mortos

o

grande rei branco

Todos os prédios estão mortos.

Malditos sejam!

Todos os prédios.

Mamu?

O Deus do dinheiro?

Vai desaparecer da face da Terra.

Morte lenta aos brancos.

Morte lenta aos brancos.

Essa esmeralda maravilhosa, estrutura de um diamante de cinco

pedras preciosas que totalizam três quilates. 48 diamantes de um ponto cada

e 64 safiras de qualidade espetacular, liquidade

extra, que totalizam quatro quilates.

1.150 na parcela.

Quem pediu cruz fixo? Chegou, chegou, chegou.

Vendido mais uma chambala de safira, parabéns Morra bem, viva

rápido Morra bem, viva

Rosas em jerry, férias em pita É sim, no estilo Nef, vida Esse mundo tem cores

tão vivas Porque teus sonhos são todos tão cinza E eu ofereço rimas tipo

Shandong, tão bom Elblon, Babylon, campeões Essa noite eu não tenho nem

trinta Ainda ouço aquela voz tão viva. Ninguém explica, a fênix brilha. Vem

Hiroshima, as flores tão vivas. Eu pensando que ia naquele dia. Um, dois,

respira.

Pronto pra morrer, eu tava na ativa, eu sei, deveria dar valor à vida.

Deveria ter um bom valor aqui, mas tipo 100 mil ia dar valor à minha.

Pensando onde eu posso chegar, com as joias dessa vitrine que eu não posso

comprar ainda.

As joias de topaz e o azul combina, mas roda como carro azul, piscina.

Faço meu negócio virar, os dólar espera me imprimir, eu não posso esperar.

Eu uso meu cigarro, minha nicotina, misturo com o trago, minha cafeína. Com

dose de drenos, meus neurônios, eu procuro ideias que expulsem meus

demônios. E aí eu quero algo que venda, tipo gasolina, e não me tenha treta,

tipo cocaína.

E a 120 na avenida, eu via modelos sorrindo pra mim, igual te dou brilho.

Cê não entende a fita Nós tudo vive pra morrer Mas luta pela vida Morra bem,

viva rápido

Como

vai ser?

Ei guerreiro, sinta como vai ser?

Cê não tem agora, mas crê Vai chegar a hora e a vitória vai ter

Como vai ser?

Você imagina tudo de bom Já que brilha tudo que eu sinto no som E espera que

você negou

Quem chegou agora não sabe a maluquice que fizemos. Quem chegou agora vai

realizar um sonho.

Se a gente ainda tem uma chance de sair pra

passear, então vamos ao teatro. Acho o

melhor lugar para encontrar, para

abraçar nossos amigos que ainda

podem.

nos representa.

Em cada ato, uma verdade

que cada ator nos

aponta

A gente encontra a realidade

Que aqui fora nem

deu conta E aquele

palco tão estranho Limitou o nosso cantar

Não por culpa de tamanho, sim por medo do falar.

Mas o elenco sempre atento

sobrevive e ainda pode

nos representar.

Em cada ato uma verdade

Que cada ator nos

aponta A gente encontra

a realidade Que aqui

fora nem deu conta

E aquele palco tão estranho limitou o nosso

cantar. Não por culpa de tamanho, sim por medo

do falar. Mas o elenco sempre atento

sobrevive e ainda pode

nos repreender.

E ainda pode nos

representar.

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