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Original subtitles

O filme que est�o prestes a ver

� o primeiro estudo cinematogr�fico sobre a prepara��o, chegada

e implementa��o de disfarces permanentes para agentes secretos.

Temos sorte em ter connosco para esta ocasi�o o Coronel Robinson,

Comandante de Escolas e Treino.

Coronel, antes de come�armos o filme,

n�o se importa de dizer algumas palavras?

Muito bem, Tenente.

Serei breve porque sei que est�o todos t�o ansiosos

por ver este filme quanto eu.

Gostava que fosse poss�vel conhecer-vos a todos pessoalmente.

Mas, n�o o sendo,

aproveito esta oportunidade para vos cumprimentar

e para dizer que estou grato por estarem connosco.

Muitos de voc�s ter�o trabalhos de secret�ria neste pa�s

ou ser�o colocados em pa�ses neutros,

onde provavelmente n�o ir�o enfrentar os problemas retratados neste filme.

Mas se o filme vos ajudar a perceber

os homens colocados em locais de perigo,

espero que isso vos ajude a fazer um melhor trabalho.

N�o se presume que o filme vos d� todas as respostas, como � �bvio.

Creio, no entanto, que proporcionar� uma base na qual

poder�o formar as vossas ideias.

Pois que nenhum servi�o de guerra fornece uma margem maior

para a iniciativa e imagina��o individuais

do que este para o qual se voluntariaram.

Muito bem, Tenente, pode come�ar.

Obrigado, Coronel. Muito bem, Al, p�e a rolar.

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Sim, este � um agente secreto.

Pelo menos, � esta a perce��o popular da imagem e comportamento de um agente.

Ele � discreto,

mistura-se com o seu meio.

�, em poucas palavras, o agente ideal.

Do ponto de vista do inimigo,

ele � o tipo de agente que o inimigo recebe de bra�os abertos.

E, por essa raz�o,

exatamente o tipo de agente que voc� n�o ir� ser.

EDIF�CIO DE INVESTIMENTOS �REA DE ABRIGO NO INTERIOR

A.T. ATKINSON CONTABILISTA P�BLICO

- Estudante Al? - Sim.

Ao que parece, causou uma boa impress�o nas escolas. Bom trabalho.

Obrigado, senhor.

Puxe uma cadeira.

Cigarro?

Obrigado.

Penso que lhe disseram algo sobre a sua miss�o

antes de ir a E. Foi assim, Al?

Sim. Teria de obter informa��o sobre a produ��o de avi�es

e sobre a posi��o de alvos fulcrais no distrito capital da �rea Inimiga.

Correto.

Dever� estabelecer uma organiza��o das secretas

que ir� recolher informa��o para uma opera��o dos SO.

J� decidiu sobre o disfarce?

N�o definitivamente. Reduzi as hip�teses a duas.

Como inspetor do governo ou como mec�nico-chefe.

Inspetor do governo...

Era melhor para um agente nativo do que para um infiltrado.

Nestes dias, em que a �rea Inimiga tem usado todos os homens abaixo dos 50 anos

no ex�rcito,

poder�o questionar-se sobre o seu poder de influ�ncia.

Tudo o que possa levantar quest�es, ainda que inocentes,

� um mau disfarce.

Ent�o acha que hip�tese do mec�nico � a melhor?

Se voc� for um bom mec�nico.

Nada o ir� expor mais rapidamente do que n�o saber o trabalho.

Bem, eu trabalhei sete anos na General Motors.

E se fizer uma pequena revis�o, penso que me sairei bem.

Um mec�nico numa f�brica de avi�es perto da capital.

Pode ser essa a hip�tese ideal.

N�s sabemos que eles precisam tanto de bons mec�nicos

que talvez n�o demore muito a estabelecer um disfarce bom e permanente.

Se eu conseguisse trabalho durante o turno da noite,

teria tempo suficiente para dedicar ao meu "hobby"

durante o dia.

�timo.

Gosto da sua forma de pensar.

Agora, toca ao trabalho.

O contexto �-lhe familiar

e poder� obter o �ltimo material na quinta.

As leis e restri��es locais mais recentes,

at� mesmo a g�ria mais recente que as nossas secretas descobriram.

�timo. J� fiz uma lista de coisas a realizar.

�timo.

Se n�o conseguir obter algo que ache que precisa,

a porta est� sempre aberta.

E j� agora,

vou tratar dos detalhes financeiros para si.

Espero concluir o seguro para a sua fam�lia

- antes de ir. - � muito simp�tico da sua parte.

N�o, n�o � simp�tico.

Trata-se de fazer tudo o que posso

para o ajudar a concentrar-se apenas no seu trabalho.

Bem, eu aviso-o assim que estiver pronto.

Certo.

J.P. BALDWIN ADVOGADO

- Bom dia. - Bom dia.

Eu sou o estudante Charles.

Com que ent�o, advogado? � um bom disfarce.

Obrigado. Sente-se.

Ando a ver a sua avalia��o, da escola.

Ah, isso...

J� passei tempo suficiente do lado de l� para perceber as coisas.

Isso foi o que lhes disse no E, logo ap�s lhe terem tirado as cal�as

na avalia��o de quinta � noite.

Se se tratasse de um s�tio real,

a hist�ria seria outra.

N�s estamos a consider�-lo para um s�tio real.

Estamos a tentar colocar um homem num dos portos importantes da �rea Inimiga

para observar a concentra��o naval

e descobrir se h� ou n�o uma base de submarinos nessa �rea.

Voc� poderia faz�-lo se abordasse a situa��o com a atitude certa.

Olhe, se acha que eu tenho capacidade,

n�o se preocupe com a minha atitude.

De que porto se trata?

- El Porto. - El Porto?

Um dos meus locais favoritos.

Era capaz de desenhar a costa de olhos fechados.

Bom, este trabalho � para ser abordado com os olhos abertos.

Voc� conhece o local, � verdade.

Mas isso n�o � o suficiente.

Agora, reflita sobre isto e volte quando estiver pronto a falar do disfarce.

Estou pronto agora.

El Porto, deixe-me ver...

J� sei! Comandante de um barco de pesca.

J� l� dei voltas suficientes para conhecer os canais de cor.

A pesca � uma possibilidade.

E temos l� muitos contactos com pescadores

que podiam olhar por si.

Ent�o est� tratado.

N�o, � apenas algo a ter em conta. Ora, se isto n�o o aborrecer,

gost�vamos de o despromover de capit�o para pescador normal.

Sabe, a patrulha da costa conhece todos os capit�es daquela zona,

mas se fosse apenas um membro de uma tripula��o,

tal como os milhares que h� em todos os portos mar�timos,

- talvez conseguisse desenrascar-se. - "Desenrascar-me"?

Eu falo a l�ngua como um nativo.

Conhe�o melhor aquelas �guas que a maioria deles.

- Como � que posso falhar? - Muito facilmente.

Procedendo tal como tem feito at� aqui,

presumindo que sabe todas as respostas antes mesmo de pensar nas perguntas.

N�s vamos dar-lhe toda a informa��o que precisar sobre a �rea de El Porto,

mas n�o se limite a ler, absorva-a.

Tudo bem, se quiser perder tempo.

Eu conhe�o El Porto como a um livro.

Talvez o inimigo tenha adicionado uns cap�tulos entretanto.

Sim, senhor.

Estudante Charles - Atitude Mental Impulsivo, presun�oso

e com tend�ncia a comportamento err�tico.

Mas � dotado de uma grande intelig�ncia,

alta motiva��o para o trabalho

e um excelente disfarce natural.

Ent�o j� decidiu a sua hist�ria, certo?

Bom, gostava de a experimentar consigo.

Muito bem. For�a.

Vejamos se se adapta bem � sua vida.

E n�o se esque�a,

estarei t�o atento a erros como um pol�cia inimigo.

Aqui vai...

O meu nome � Albert Horn.

Os meus pais nasceram na �rea Inimiga. Viviam em Detroit h� cinco anos

quando l� nasci em 1903.

Permaneci em Detroit at� 1913,

quando a minha m�e morreu.

E fui enviado para viver com os meus tios

na capital da �rea Inimiga.

Formei-me no Gymnasium em 1920

e fui trabalhar para a loja de bicicletas do meu tio.

Em 1924, voltei a Detroit

e trabalhei como aprendiz na f�brica da Ford.

Em 1926, mudei para a General Motors,

onde trabalhei como maquinista at� 1931.

Estive de licen�a de 1931 at� 1936,

tendo voltado ao meu antigo trabalho na General Motors.

Imediatamente antes do meu pa�s natal entrar em guerra,

senti que era o meu dever regressar l� e servir de qualquer forma que eu pudesse.

Chegado aqui com um passaporte de turista dos EU,

voluntariei-me para a corpora��o de Engenharia.

E depois...

... ap�s um ano e tr�s meses no ex�rcito,

fui dispensado devido a les�o nas costas.

- Alguma vez teve uma les�o nas costas? - N�o, mas achei que conseguia fingir.

Nunca diga nada que n�o consiga provar.

E que tal dizer que sofre de ci�tica?

� uma condi��o que nem o melhor m�dico do mundo conseguiria despistar.

Est� bem. Ci�tica.

Fico em convalesc�ncia por pouco tempo no pa�s

em casa de um amigo.

Essa ser� a casa de quinta a que o comit� de rece��o o ir� levar.

E depois, tendo sido orientado para arranjar emprego numa f�brica de aeronaves

devido � minha experi�ncia t�cnica,

venho � capital e combino uma entrevista

com o supervisor da f�brica dos Falcon.

Parece-me bem, Al.

Essa hist�ria deve aguentar.

� um bocado rebuscada, talvez, mas n�o � m�.

Voc� fala como um pescador.

Agora tem de aprender a ser um bom pescador.

A seguir, ir� passar duas semanas

com os pescadores comerciais na zona de pesca.

N�o vou feder o suficiente a peixe do outro lado

para serem precisas essas duas semanas?

N�o se trata de ficar a cheirar como um pescador,

embora isso tamb�m seja importante.

� preciso que "pesque" do assunto. Literalmente.

Mas h� muito tempo que sou pescador.

Eu vendi o maior peixe alguma vez pescado em �guas mexicanas em 1933.

Tinha oitenta e seis quilos.

Pode verificar no livro de registos.

Eu preferia ver o registo nas suas m�os. Deixe-me ver as suas palmas.

Bom, t�m bons calos.

Creio que um par de semanas

de �gua salgada e trabalho �rduo v�o p�-lo em forma.

Mas vou precisar de relaxar.

N�o vou para fora por causa da minha sa�de.

� a minha vida que est� em jogo.

A� � que est� enganado.

Assim que se juntar � nossa equipa,

h� outras quest�es que ganham relev�ncia.

O seu c�rebro � um ponto de liga��o vital

no nosso sistema de informa��es.

Quando um fus�vel rebenta,

apagam-se as luzes em toda a casa.

Portanto...

... n�s estamos t�o interessados quanto voc� em salvaguardar a sua vida.

Mantenha-o na rocha...

MERGULHO NO MAR

Vamos l�.

Quer seja examinado ou j� do outro lado,

o princ�pio � sempre o mesmo.

O detalhe menos importante pode ser o mais relevante.

Quando se corta o cabelo,

tem de ter a certeza que � ao estilo da �rea Inimiga.

As m�os t�m de ter aspeto de terem realizado trabalho.

Cada cicatriz deve condizer com a hist�ria de disfarce.

As roupas podem n�o fazer o agente, necessariamente,

mas seguramente podem expor o agente se n�o forem verificadas uma e outra vez.

Esse corte � da �rea do Inimigo, mas � demasiado caro para um mec�nico.

Bom, esse � o tipo de casaco a usar, mas n�o h� mais nenhum.

� verdade. O ex�rcito ficou com todas as gabardines no �ltimo inverno.

E que tal aquele?

Creio que este imperme�vel ser� melhor.

Verifica-se em cada pe�a de roupa se t�m as etiquetas certas,

as instru��es de lavagem certas

e o desgaste que seria de esperar.

Todos os artigos de higiene s�o examinados minuciosamente.

E esta m�quina de barbear?

Eles agora usam navalhas por l�, devido � falta de l�minas.

Mesmo que os documentos tenham sido falsificados por peritos

a partir dos documentos da �rea Inimiga mais recentes,

verifiquem-nos voc�s mesmos.

� s� um minuto.

Neste formul�rio de dispensa l�-se "Alfred Horn".

Em tudo o resto est� "Albert Horn".

Est� certo, Al. Era s� para ver se estava atento.

N�o tem de se preocupar com o resto dos documentos.

At� as marcas de fabrico foram duplicadas.

T�o importantes como os documentos oficiais,

e de sele��o mais subtil,

s�o os efeitos casuais.

Os pequenos detalhes que integra

que podem ser mais convincentes para a pol�cia da �rea Inimiga

do que a identifica��o ou o visto.

Os autocolantes na mala, uns quantos cigarros,

um bilhete de comboio, uma velha agenda de endere�os,

uma carta a si endere�ada quando era um soldado no ex�rcito

de uma rapariga da cidade para onde vai

e uma foto dela consigo, em que aparece vestido com um uniforme da �rea Inimiga.

Detalhes, cada um deles um fio tecido no padr�o da sua hist�ria de disfarce.

Quantos dos casos de exposi��o que estudou

ficaram a dever-se � neglig�ncia de um detalhe insignificante do disfarce

que parecia n�o valer uma segunda verifica��o?

Eu tenho seis centavos Bons, bons seis centavos

Eu tenho seis centavos Que v�o durar a vida toda

Eu tenho dois centavos para gastar E dois centavos para emprestar

E dois centavos para enviar para casa

Este � Agente Alem�o X.

Chegou ao Canad� de submarino h� dois dias atr�s.

At� aqui, tem-se dado bem.

A senhoria pensa que ele � um trabalhador da guerra vindo da Col�mbia Brit�nica.

Esta tarde, os documentos falsificados e as falas convincentes

garantiram-lhe emprego numa f�brica de alum�nio.

N�o admira que se sinta com vontade de se juntar � cantoria.

Da lua prateada

Feliz � o dia Em que nos d�o a maquia

E em casa vou ter estadia

Ena, nada mal. O que dizes de te juntares a n�s?

Obrigado. � com prazer.

Tenho quatro centavos Bons, bons quatro centavos

Tenho quatro centavos Que v�o durar a vida toda

Tenho dois centavos para gastar E dois centavos para emprestar

E nenhum centavo para mulher no lar Pobre mulher

N�o tenho preocupa��es...

Isso tem muita piada.

Vamos beber mais uma cerveja.

Obrigado, mas est� a tornar-se tarde. � melhor eu ir embora.

N�o sejas um desmancha-prazeres. Ainda agora come�amos a molhar o bico.

Eu bebia mais um copo convosco, rapazes,

mas pego ao trabalho ao cantar do galo.

- Boa noite. - Vemo-nos por a�.

- Adeus. - Quanto �?

- � um d�lar e 86 c�ntimos. - Assim � f�cil. Fique com o troco.

- Obrigada. Volte sempre. - Certo.

- Eh l�, o que � isto? - O que tens a�, Paige?

N�o � uma daquelas notas velhas que o governo recolheu antes da guerra?

Puxa, h� muito tempo que n�o via uma destas grandes.

Onde raios � que ele a ter� arranjado?

Sim, o Agente X estava a dar-se bem...

DOM�NIO DO CANAD�

... at� pagar com uma nota caduca,

um ter�o mais larga que a vers�o atual.

BANCO DO CANAD�

Meses de prepara��o foram pelo cano abaixo por falta de aten��o

ao que parecia ser um detalhe insignificante.

Descuido, conspicuidade, disfarce descoberto.

AGENTE ALEM�O PRESO EM TORONTO

Foram estes os tr�s fatores fatais que arrumaram com o Agente X.

O Agente Y estava bem dissimulado.

Este falangista espanhol

que tinha feito um bom trabalho para os Nazis no M�xico

antes de se mudar para Los Angeles

para instigar jovens mexicanos contra outros americanos

e recrutar os mais sagazes destes para uma organiza��o de espionagem.

Ele n�o est� em Los Angeles h� muito,

mas est� h� tempo suficiente para fazer amigos e influenciar jovens latinos.

Vamos l�, mi�dos. Recebi o ordenado hoje. Bebam mais um shot.

Mano, esta tequila � uma bomba.

Mas que raios.

O ex�rcito vem-te buscar para a semana, de qualquer forma.

O que tens a perder?

S� o est�mago dele, nada de mais.

Ol�, muchacho.

Andale. Mais uma rodada.

"Mais uma rodada." Est� a brincar? Sabe que horas s�o?

El azote. O bar est� fechado.

Tens aqui um d�lar para ti.

Ser� que assim o bar fica aberto para mais uma rodada?

Voc� quer-me matar, n�o �?

"Matar"?

Que quer dizer com isso, "matar"?

� em sentido figurado, est� a tentar comprar-me por um d�lar

mas a comiss�o estatal multa-me em 500 d�lares por vender depois da hora.

Ah, estou a ver. "Matar".

� uma express�o que usam, certo?

Diga-me, h� quanto tempo est� em LA?

N�o sei, tr�s ou quatro anos.

Onde vivia antes disso, juanito?

- Em S. Bernardino. V�, vamos embora... - Que nome d�o a S. Bernardino?

O que � isto, um teste?

Mas agora os clientes t�m de responder �s perguntas de empregados est�pidos?

Vamos, muchachos.

Todos os que tenham l� vivido sabem o nome que d�o a S. Bernardino, mano.

San Berdoo.

E quem � que ainda n�o ouviu falar da express�o "est�-me a matar"?

O empregado era antifalangista e antinazi.

A partir daquele momento, ele ficou de olho no Senhor Y.

Come�ou a reparar noutros lapsos idiom�ticos.

Quando as autoridades foram informadas das suas suspeitas,

estas foram rapidamente confirmadas.

E o inimigo perdeu um agente esperto,

mas n�o o suficiente para se lembrar que at� os detalhes da g�ria...

PROCURADO SABOTADOR ALEM�O

... s�o um elemento necess�rio para o seu disfarce.

Em que firma diz que trabalhou em Copenhaga?

Na Helsifor Dairy Company.

E qual � o seu cargo exato nesta firma?

Sou o Gestor Assistente de Filiais Externas na Alemanha.

O Agente Z brit�nico fez viagens recorrentes � Alemanha

sob um disfarce comercial convincente.

Mesmo quando o apanharam a fazer uma chamada algo suspeita para Copenhaga,

a sua hist�ria permaneceu firme.

E a forma como a apresentava estava at� a come�ar a influenciar

os inquiridores peritos das SS.

Christian Dairies Incorporative.

E qual � a morada desta empresa em Copenhaga?

Meus senhores, gostava de passar o dia todo a responder-vos,

mas tenho muitos neg�cios a tratar antes de deixar a cidade,

e tenho a certeza que t�m coisas mais importantes a fazer.

Um momento, por favor.

N�o temos interesse em perseguir leiteiros.

A pol�cia de seguran�a n�o � uma organiza��o de persegui��o.

� uma organiza��o que o protege dos inimigos do estado.

Se for culpado,

n�o nos escapar�.

Se for quem diz ser,

n�o tem nada a temer de n�s.

Ent�o tenho a sua permiss�o para sair?

Sim, pode.

Obrigado.

Desculpe, Capit�o.

Est� a ver? Brilhantina.

Se a minha mem�ria n�o me falha, n�o h� brilhantina no continente

desde o fim de 1940.

- Isto � um ultraje. - Sil�ncio!

Mande analisar uma amostra desta brilhantina... imediatamente.

Ficar� retido em pris�o solit�ria

at� chegar o relat�rio do laborat�rio.

Venha da�.

Com que ent�o n�o vai a Inglaterra desde 1938?

Ent�o como explica o facto de que esta brilhantina � um produto brit�nico

que foi aplicada...

Uma boa hist�ria de disfarce e um homem excelente

destru�dos por umas poucas gotas de um produto para o cabelo,

negligentemente aplicadas durante a sua �ltima viagem a Inglaterra

uns dias antes.

Meses de treino, semanas finais de instru��es exaustivas,

e os nossos agentes est�o prontos para a segunda parte da jornada.

No pa�s base.

Charles est� num bombardeiro sobre um disfarce militar tempor�rio,

enquanto Al faz a travessia como soldado raso num transporte comum.

Num apartamento moderno da capital do pa�s base de destino,

Al localiza a sua secret�ria.

Parece estar muito bem preparado, no seu todo.

Ter� uma sess�o de instru��o final assim que deixar de estar enjoado.

Obrigado.

Obtivemos algumas das �ltimas altera��es, nomeadamente os regulamentos locais,

que podem alterar a sua documenta��o um pouco.

Eu dormiria melhor se eles parassem de fazer novos regulamentos todos os dias.

Bem, do ponto de vista deles, eles acham que est�o a ser muito espertos.

Se mudarem as regras a cada cinco minutos

um rec�m-chegado n�o se pode esconder muito tempo,

teoricamente.

Mas descobrimos que se estivermos atentos

e formos inteligentes, podemos dar a volta a isso.

Por exemplo, n�o v� a um bar desconhecido

pedir a primeira coisa que lhe vier � cabe�a.

A sua bebida preferida pode estar no relat�rio deles nesse dia.

Olhe em volta e veja o que outros est�o a pedir.

Se se sentir bloqueado,

aparente estar indeciso o tempo suficiente

para o empregado lhe sugerir o que tomar.

Lembre-se, esta n�o � uma miss�o suicida.

� um trabalho cont�nuo, 24 horas por dia,

com as hip�teses todas a seu favor.

Para termos a certeza disso,

digo sempre aos meus homens para assegurarem a sua vida.

Acho que isso foi tratado em...

N�o, estou a referir-me � sua seguran�a pessoal.

Tendo alguma forma de escapar,

caso se veja numa situa��o complicada.

Examine as suas formas de escape t�o cuidadosamente como as de infiltra��o.

Conheci homens que eram condutores ex�mios com o prego a fundo,

mas que n�o sabiam usar o trav�o.

N�o se preocupe, eu n�o fa�o o g�nero de her�i.

Ainda bem.

Mas como � que se assegura de que se tem uma forma de escapar?

Bem, em primeiro lugar,

tem de criar uma hist�ria para essa sa�da de emerg�ncia.

Assim que poss�vel, esconda algum dinheiro algures.

E quando come�ar a criar a sua organiza��o, mantenha contactos

cuja �nica fun��o seja facilitar a sua fuga.

Por outras palavras, quando eu comprar este bilhete para a �rea Inimiga,

quer que eu me assegure de que � um bilhete de ida e volta.

Noutro pa�s base,

Charles concentra-se nos detalhes de �ltima hora da sua infiltra��o

na �rea Inimiga.

- Como se chama? - Sandford.

Sandford?

Ainda bem que eu sou apenas um secret�rio do pa�s base

e n�o um pol�cia da �rea Inimiga.

A partir de agora, o seu nome � Charles Santos.

A pr�xima vez que disser o seu nome verdadeiro,

poder� descobrir que os seus interrogadores n�o s�o t�o tolerantes.

- C�us! Isto � um raio de... - Ou�a.

H� menos probabilidade de ter o seu sono interrompido mais tarde

se ficar a conhecer o seu novo nome melhor que o seu antigo.

Agora � quase instintivo para mim. � s� que...

Amanh� � melhor que se concentre exclusivamente nesse nome.

Beba-o, mastigue-o,

carregue-o consigo at� o conhecer bem o suficiente

para ser a primeira coisa que diz ao acordar de um sono profundo.

Est� bem.

Boa noite, Charles Santos.

Bom, temos tr�s ou quatro formas distintas de enviar agentes para a �rea Inimiga.

Podem ir por terra, quer abertamente

sob um bom disfarce legal, quer secretamente

atravessando a fronteira � socapa com ajuda da resist�ncia.

Um agente a viajar abertamente

teria de passar por ser um cidad�o de um pa�s neutro

ao abrigo de algum tipo de disfarce comercial.

Ao atravessar a fronteira desta forma

n�o se deve apenas agir como se n�o houvesse nada a esconder,

na verdade n�o deve haver nada a esconder.

N�o passe com materiais ou mensagens comprometedoras

por estes postos de controlo.

Eles podem ser-lhe enviados por outros m�todos em maior seguran�a

assim que se estabelecer na �rea Inimiga.

Se atravessar a fronteira secretamente,

como o fazem milhares hoje em dia na Europa,

n�o tenha um mapa consigo.

N�o � "saud�vel".

A n�o ser que o tenha na cabe�a.

Memorize as principais refer�ncias

e a topografia b�sica da �rea que estiver a infiltrar

at� conseguir fazer o seu pr�prio modelo do pa�s numa maqueta de areia.

Se for necess�rio um guia, assegure-se que � de confian�a.

A sua melhor hip�tese s�o os membros da resist�ncia.

Profissionais que cobram pre�os exorbitantes

lutam apenas por uma causa,

o dinheiro.

E a estrada do inimigo pode ser t�o clara como a sua.

As fronteiras s�o um viveiro de agentes duplos

que lhe cobram 1000 d�lares pela travessia da fronteira

e, sendo ilustremente "justos",

cobram o mesmo valor ao inimigo para o guiar at� si.

Se est� preocupado em andar �s voltas, perdido,

use do seu engenho para improvisar um mapa do seu percurso,

camuflado... como rabiscos inofensivos.

MONTE - ESTRADA - VILA AUTO-ESTRADA - RIO - POSTO DE GUARDA

Ap�s atravessar a fronteira,

n�o se torne presun�oso em rela��o aos controlos fronteiri�os.

Voc� est� envolto num bra�o-de-ferro 24 horas por dia.

E o inimigo tem as suas pr�prias armas secretas.

Desloque-se pelo pa�s por caminhos sinuosos.

Mas a fronteira n�o � uma linha preta no mapa. � uma faixa.

Com pelos menos 24 km de largura.

Infestada de colaboracionistas, agentes de contraespionagem

e pol�cias especiais.

Minas humanas que se escondem entre a popula��o nativa

para expor o seu disfarce.

Finalmente,

quando chegar a uma cidade mais para o interior,

n�o entre do lado virado para a fronteira.

D� a volta e entre pelo outro lado

como se estivesse a vir do interior.

Mas pensava que ia de avi�o.

Sim. No seu caso, ser� mais seguro e mais r�pido larg�-lo de paraquedas.

Gostamos que os nossos homens percebam bem outros m�todos de infiltra��o.

E as aterragens de avi�o de que ouvi falar?

Obviamente, quando h� um campo onde podemos aterrar em seguran�a

sem sermos descobertos, � mais eficiente.

Podemos apanhar um agente de regresso ao mesmo tempo, por exemplo.

O �nico s�tio em que podemos aterrar em seguran�a agora

� territ�rio de guerrilha.

Qu�o baixo vai estar o avi�o quando eu saltar?

Seria uma boa ideia falar com o piloto que o vai transportar.

Ele vai-lhe dizer ao certo como vai ser.

E outra coisa. N�s nunca definimos uma data

at� termos a certeza que encontr�mos o s�tio de largada certo.

Como este que escolhemos para si, por exemplo.

� praticamente perfeito.

� um campo plano, grande o suficiente para poder ter condi��es de vento adversas.

E est� longe o suficiente de �rvores e de fios de tel�grafo

para que n�o o encontrem pendurado

como um enfeite numa �rvore de Natal.

Fica a 24 km das armas antia�reas mais pr�ximas

e os meus colegas v�o criar uma distra��o aqui

para que n�o se concentrem em n�s at� termos pousado.

H� um rio perto que eu posso seguir praticamente at� ao destino.

E um par de lagos do outro lado que s�o bons pontos de refer�ncia

para me ajudar a dar com o s�tio ao luar.

A cerca de 1,5 km do ponto de largada, h� um abrigo secreto

de um alde�o que trabalha para n�s.

O respons�vel de liga��o estar� l� � sua espera.

Est� tudo a postos.

Quanto tempo falta para chegarem?

Trinta e tr�s minutos.

Leva o r�dio l� para fora e enterra-o, Mary.

A c�psula que vai ser largada com Al

� uma prova volumosa da sua chegada,

a menos que seja enterrada r�pida e profundamente.

Pois c�psulas vazias n�o contam hist�rias.

Mesmo a tempo.

Vamos.

Ele vai saltar do outro lado do campo. Anda l�.

Ossos partidos?

N�o, acho que estou inteiro.

A quinta do nosso amigo � ali no monte, a 1,5 km daqui.

- Certo - Eu mostro-lhe o caminho.

E o meu equipamento?

Sem preocupa��es. Eles tratam disso.

Est� bem. Vamos.

Enquanto Al desfruta de um necess�rio descanso...

... Charles emprega outro m�todo de infiltra��o

para chegar � costa da �rea Inimiga.

Um barco de ensino de pesca neutro e um pescador de Tenerife,

ambos vis�es comuns nesta cidade costeira,

d�o � chegada de Charles o tipo de disfarce mais natural.

Consegue distingui-lo? N�o?

Infelizmente a patrulha costeira da �rea Inimiga conseguiria.

� a tua remada, Charles.

Vejam o outro.

Remadas curtas e bruscas.

N�o � a forma mais graciosa que existe,

mas est� mais bem-adaptada a ondas agitadas e a um barco pesado.

Agora, v� as tuas.

Remadas longas e amplas.

Onde � que pensa que est�, Charles?

De volta ao espet�culo Bureau Harvard?

Sim, � s� um detalhe.

Mas � esse tipo de detalhe que uma patrulha costeira inimiga procura.

Espere um minuto, Charles.

O que se passa com esse n�?

N�o me diga que se esqueceu

que os pescadores locais t�m o seu pr�prio m�todo particular de amarrar um barco.

Tenha os olhos e a mente aberta, Charles.

De outra forma, est� sujeito a dar um n� � volta do seu pr�prio pesco�o.

Assim que o recolher obrigat�rio cessa,

Al faz-se � estrada at� ao terminal ferrovi�rio mais pr�ximo.

Se lhe perguntarem de onde vem, ele diria:

"Da quinta onde estava em convalesc�ncia

ap�s ter sido evacuado da cidade bombardeada de Faubourg."

E para onde � que vai?

"Para a Cidade Inimiga visitar a minha noiva,

e para tentar arranjar trabalho em part-time at� estar bem o suficiente

para ir para uma f�brica de guerra."

Eh l�, se calhar d� para apanhar boleia at� � esta��o.

Espere a�, Al.

O que � que lhe disseram acerca dos carros na �rea Inimiga?

Nove em cada dez s�o de oficiais do estado.

O tipo de gente capaz de fazer perguntas embara�osas.

� melhor dar � sola, irm�o.

� melhor estragar um sapato do que estragar o seu disfarce.

� isso mesmo, assobie. Seja t�o natural quanto poss�vel.

Mas espere l�! O que � que est� a assobiar?

"Wait Till the Sun Shines, Nellie"?

Assim est� melhor. Uma valsa vienense.

N�o estavam a brincar quando lhe disseram nas escolas

que este era um trabalho para as 24 horas do dia.

Mesmo aquilo que assobia tem de estar adaptado ao disfarce.

At� aqui tudo bem, Al.

N�o apanha o autocarro

porque a pol�cia vigia os autocarros cuidadosamente nos dias correntes.

Em vez disso, logo que as restri��es na �rea Inimiga permitam viagens diurnas,

localizou a primeira esta��o rural na dire��o oposta

ao ponto de largada.

Vistos. Deixem-me ver os vossos vistos.

� isso mesmo, Al.

Relaxe e encare calmamente esta a��o de controlo.

Deixou para tr�s todos os materiais comprometedores,

que lhe ser�o enviados mais tarde para um endere�o combinado a priori.

E sabe que a sua hist�ria de disfarce tempor�ria para esta viagem � s�lida

porque testou se tinha falhas na casa de campo, na noite anterior.

- Como � que se chama? - Albert Horn.

- De onde vem? - De uma quinta perto de Faubourg.

De uma quinta?

- Voc� n�o parece um agricultor. - Isso � porque n�o sou.

Fui evacuado depois do hospital onde estava, em Faubourg, ser bombardeado.

Para onde vai?

Para a Cidade Inimiga.

Desculpe todas estas perguntas,

mas um avi�o n�o-identificado sobrevoou a regi�o ontem � noite

e n�o podemos correr riscos.

Por que vai para a Cidade Inimiga?

Posso mostrar-lhe.

Nada mau.

� a minha noiva.

Eu tamb�m n�o me importaria de ir para a Cidade Inimiga por isto.

� o meu dever patri�tico.

Dever patri�tico, �?

Quem me der que todos os nossos deveres patri�ticos fossem t�o agrad�veis.

Na Cidade Inimiga, a meio caminho entre o ponto de largada e a capital,

Al dirige-se � morada que o respons�vel de liga��o lhe deu.

GEORGE DURAND MAQUINISTA

- Sr. Durand? - Sim?

Disseram-me que procura um assistente.

Um assistente? Sim, dava-me jeito um assistente.

Que experi�ncia tem?

Fui mec�nico no ex�rcito, dois anos na divis�o de tanques.

�timo. Tenho estado � procura de um homem com a sua forma��o.

Ent�o encontrou-o.

- Tem roupas de trabalho consigo? - Aqui na minha mala.

�timo. Entre que eu ponho-o j� a trabalhar.

Obrigado, senhor.

Aproveitando o barulho das m�quinas,

Durand d� a Al as instru��es necess�rias para a �ltima etapa da sua viagem

para a capital.

N�o! Assim n�o. Est�s a desperdi�ar demasiado.

Hoje em dia eles tiram mais quintos da nossa apanha,

por isso usamos isto para sopa de peixe.

Se o chefe te vir a deitar isto fora,

pode perguntar-se onde estavas quando alertou para isto

h� quatro semanas atr�s.

Eu digo-lhe que estava fora nesse dia, no funeral da minha m�e.

D� para ver que �s muito corajoso.

Espero que n�o te importes que diga isto, mas �s demasiado animado.

Olha para os tipos � tua volta.

Est�o a morrer de fome e tristeza.

T�m de trabalhar o dobro para receberem metade.

Os filhos s�o-lhes levados.

E as suas crian�as morrem.

A sua vontade de viver � muito fraca.

Apenas homens como n�s � que ainda n�o est�o derrotados.

Mas tamb�m tens de parecer abatido...

... de forma a n�o te destacares dos outros.

Lembre-se do primeiro mandamento dos agentes secretos, Charles.

N�o ser vistoso.

Um bom disfarce n�o se resume a vestir as roupas certas.

Tem de adotar uma atitude nova, uma disposi��o nova

que combine com as cal�as largas mal-cheirosas e com as botas velhas.

A melhor hist�ria de disfarce do mundo n�o o ir� proteger

se n�o a conseguir encarnar.

Agora que Al esteve com o seu amigo na Cidade Inimiga o tempo suficiente

para acrescentar ao seu passado recente,

est� pronto para se estabelecer na capital da �rea Inimiga.

Aqui est�, a metr�pole.

Para onde vou agora?

Puxa, � melhor aparentar saber para onde vou.

Um quarto provis�rio.

O que � que me disseram sobre isto nas escolas?

Um quarto provis�rio.

Um hotel grande. Que tal isto?

Muita gente. � f�cil passar despercebido ali.

Seguir conversas soltas.

Talvez tenha a oportunidade de captar alguma informa��o.

Mas lembre-se do que lhe dissemos, Al.

� por essas raz�es que os informadores tamb�m gostam deles.

� por isso que os rececionistas, as empregadas, os gar�ons e os porteiros

s�o pagos pela pol�cia secreta.

E ent�o a conformidade com o disfarce? O que faz um mec�nico no melhor hotel?

Um visitante pagante com uma fam�lia.

� uma possibilidade.

� o tipo de situa��o que um tipo como eu est� � procura depois de sair at� tarde.

E se acontecer que a fam�lia seja solid�ria...

Ficar alojado com uma fam�lia � uma boa ideia se conhecer a fam�lia.

Se forem muito desconfiados,

ser� demasiado f�cil para eles controlarem o que anda a fazer.

E se forem demasiado amistosos,

podem restringir os seus movimentos.

N�o. � melhor continuar a andar, Al.

Mas tome nota para quando estiver pronto para ter uma resid�ncia permanente.

Uma estalagem. � o tipo de s�tio em que um mec�nico pode ficar.

E h� demasiadas na cidade para a pol�cia conseguir verificar todas.

... Eu quero que reconhe�a que dirijo uma casa respeit�vel.

O desplante! Trazer uma desavergonhada...

Esque�a a senhoria faladora, Al. Ela ir� vigi�-lo como um falc�o.

Independentemente da sua discri��o, ela encontrar� algo do que falar.

Eu dirijo uma casa respeit�vel, � por isso.

Se deixar que estas coisas aconte�am...

O desplante! Fiz-lhe saber das boas, pode crer!

Aqui est� uma hip�tese. O apartamento de uma prostituta.

A coisa mais natural do mundo.

Nenhum registo, sem levantar suspeitas.

Ora, � mesmo o que eu preciso para uma primeira noite nesta cidade estranha.

Desculpa ser desmancha-prazeres, Al,

mas lembra-te que todas as prostitutas s�o informadoras

ou potenciais informadoras.

E essa � uma boa raz�o para tamb�m evitar os bord�is.

Para al�m do facto de que l'amore � constantemente interrompido

por inspe��es imprevistas.

DESCANSO DOS MARINHEIROS CAMAS LIMPAS

E que tal isto? Pode servir temporariamente.

Uma clientela migrat�ria.

Marinheiros sempre a entrar e a sair.

Teria muita liberdade de movimento.

S� que a marinha mercante � um viveiro para a resist�ncia pol�tica,

atraindo provocadores de agentes e inspe��es imprevistas.

E, mais uma vez, conformidade ao disfarce.

Ser� que um artes�o respeit�vel escolheria uma espelunca destas?

Um hotel m�dio.

N�o � importante o suficiente para ser um quartel-general da pol�cia secreta,

nem t�o pequeno que implique ser observado minuciosamente.

Tem mais ou menos o tamanho certo...

Isto � capaz de servir.

N�o � poss�vel encontrar seguran�a perfeita na cidade, Al.

Mas esta � provavelmente a melhor hip�tese para os primeiros dias.

Por isso mais vale entrar e dormir um pouco.

Entretanto, voltamos � costa

para ver como se est� a dar o nosso velho amigo Charles.

Era suposto que Charles passasse duas ou tr�s semanas na vila piscat�ria

onde atracou, desenvolvendo o seu passado recente,

antes de come�ar a subir a costa em dire��o a El Porto.

Mas duas ou tr�s semanas para um agente normal

s�o s� dois ou tr�s dias para Charles.

Afinal de contas, ele � um desenrascado.

Posso acompanhar-te a casa depois do trabalho?

Talvez noutra ocasi�o.

Quando o meu namorado for destacado outra vez.

Ele est� ali agora.

No canto

Ele fica um pouco ciumento �s vezes.

Submarino?

Bem, o que � que ele te parece?

Isto deve ser um corte para ele, n�o?

� melhor beberes a tua cerveja.

Tudo bem.

Fazes ideia de quando � que ele vai partir novamente?

Em breve.

Para pescador fazes muitas perguntas.

Diz-me a verdade.

N�o gostavas que eu ficasse aqui quietinho.

Suponho que n�o.

Eu farto-me ao ver estes pescadores por aqui

com cara de azedume.

Mas tu �s diferente.

� melhor voltar agora para o meu marinheiro.

Ele est� de olho em mim.

Tudo bem. Fica com o troco.

Eh l�, o que � que te tem vindo � rede, peixes em ouro?

Aqui tens, Rudy. Outra cerveja.

N�o, deixa estar. Esta est� paga.

Com a gorjeta que aquele pescador me deu.

Gorjeta, �? Como � que um pescador pode esbanjar dinheiro assim?

Deve andar a vender coisas no mercado negro.

N�o sei. Parece-me que � honesto.

E � de facto um sujeito interessante.

Interessante? Deves ter bebido em demasia da tua pr�pria cerveja.

Estes pescadores est�pidos s�o todos iguais.

Este n�o. Parece ser bem mais esperto do que os outros.

Bom, espero que n�o se arme em esperto contigo.

Rapaz encontra rapariga.

Se isto fosse um filme de Hollywood, o princ�pio seria assim.

Mas aqui na �rea Inimiga, o mais prov�vel � que seja o fim.

O que se passa, Al?

Passou mal a noite?

Est� a ficar nervoso?

N�o deixe que isso o abata.

Mais cedo ou mais tarde acontece at� aos melhores.

Voc� d� conta do recado.

Bom, porque n�o tenta fazer algo acerca disso?

Ningu�m por aqui fica no seu quarto o dia todo a menos que esteja doente...

... ou com medo.

Parece estar tudo bem. Acho que vou sair e dar uma vista de olhos.

V� l�. Atenda.

Provavelmente � s� a criada.

Se a mantiver � espera ter� de falar.

Entre.

Bom dia, senhor. Posso limpar o quarto agora?

Claro. Estava s� a preparar-me para sair.

A noite passada foi um pouco melhor, n�o foi, senhor?

Mas ouvi dizer que destru�ram uma f�brica nos arredores.

� uma pena.

Sim, da forma como as coisas est�o, v�o precisar de todos os homens no pa�s.

Trabalha na cidade, senhor?

Bom, estou empregado na f�brica dos Falcon.

Na f�brica dos Falcon? Ora, � a� que trabalha o meu primo.

Em que departamento est�?

O que queria dizer � que tenho uma entrevista de emprego na f�brica.

Que bom para si. Ouvi dizer que t�m empregado muitos homens recentemente.

Olhe, � uma longa viagem de autocarro at� l�. � melhor eu ir.

- Boa sorte para si, senhor. - Obrigado.

Ser� que veem algo de estranho em mim?

Ai Jesus, um pol�cia!

Meu Deus, acho que ele me vai abordar.

N�o fique nervoso, Al.

Lembre-se do que aprendeu.

Se algo o assustar, n�o fuja.

V� ao seu encontro.

Com calma.

Perd�o, agente, podia dizer-me as horas ao certo?

- Dez e trinta e cinco. - Muito obrigado.

Foi assim t�o dif�cil?

A minha primeira manh� na cidade e tenho um pol�cia a comer da minha m�o.

Ora, a opera��o vai estar em andamento rapidamente.

N�o sabe que n�o devia atirar coisas para o ch�o?

Desculpe, senhor. Devo-me ter esquecido.

"Esqueceu-se"? Com sinais por toda a cidade a avis�-lo?

Deixe-me ver a sua identifica��o.

Apanhe isso.

De futuro, cumpra as leis.

Sim, senhor.

"Opera��o em andamento rapidamente." "Exposto rapidamente", isto �.

� verdade, Al.

Um agente presun�oso n�o precisa de procurar sarilhos.

Eles v�m ao seu encontro como acontece seguramente ao...

... estudante Charles.

TUDO PRONTO PARA REVELA��O SENSACIONAL CHARLES

"Tudo pronto para revela��o sensacional."

O maldito idiota! Que raios � que ele acha que est� a tentar fazer, exibir-se?

El Porto � uma localiza��o vital. Deviam examinar-lhe os miolos.

Se lhe sobrarem alguns depois da pol�cia secreta do inimigo tratar dele.

Quem �? Diga a senha.

Quem �?

Pare!

Pare!

Vamos l� ver. N�o era voc� o tipo que n�o precisava de estudar

porque conhecia o local de cor?

Voc� possui coragem, iniciativa

e, sentimo-nos tentados a diz�-lo, �gua no c�rebro.

Olhe para si, encharcado, sem f�lego, em perigo de vida.

Se fosse um bom agente em vez de ser apenas um agente audaz,

estaria em casa na cama como um cidad�o respeit�vel da sociedade da �rea Inimiga.

Parece estar tudo certo com os seus documentos.

Como qualquer outro membro respeit�vel da sociedade da �rea Inimiga,

Al arranja um emprego na �rea de produ��o para a guerra.

Apresente-se no port�o este no turno da noite.

Obrigado, senhor.

... aloja-se com uma fam�lia privada...

... faz amizade com os colegas de trabalho,

assiste ao com�cio de trabalho do governo,

ouve religiosamente todas as transmiss�es oficiais,

� elogiado pelo capataz por ser um trabalhador s�rio,

d� uma volta pelo parque a caminho do seu trabalho no turno da noite,

tal como qualquer outro membro respeit�vel da sociedade da �rea Inimiga.

- Importa-se que veja o seu jornal? - Fa�a o favor.

Obrigado.

Ou�a, pelos visto abatemos dois ou mais dos bombardeiros deles ontem � noite.

Sim, a situa��o parece estar a melhorar.

Espero que sim. As �ltimas semanas t�m sido dif�ceis.

� verdade.

Que ver a p�gina de desporto?

Obrigado.

Pelos vistos o campe�o vai tentar voltar ao ativo.

Pensei que estava acabado

depois de ter sido baleado na frente este.

S�o s� dois cidad�os da �rea Inimiga

a ter uma conversa insignificante num banco do parque.

Pelo menos � assim que parece a quem passa.

Mas esta conversa casual

� o primeiro encontro entre o nosso agente e o intermedi�rio

que levar� a primeira mensagem ao homem WT, para ser transmitida da �rea Inimiga.

ESTABELECIDO NA F�BRICA DOS FALCON COMO ORDENADO. SITUA��O SEGURA.

A PREPARAR RELAT�RIO DETALHADO DO PROGRESSO. AL

CREIO ESTAR A SER SEGUIDO. NECESS�RIO ABANDONAR TODOS OS CONTACTOS J� FEITOS

E SER DISCRETO AT� PR�XIMA COMUNICA��O. CHARLES

FIM

Bom, era isto.

Pode n�o vos tornar em super agentes,

mas pens�mos que podia estimular discuss�es interessantes.

O seu principal valor, parece-me,

est� em orientar-vos para o tipo de trabalho que ir�o realizar.

Como o Coronel Robinson vos disse,

n�o se trata de uma tentativa de vos ensinar t�cnicas espec�ficas,

mas somente de apresentar duma forma um pouco mais realista

os conceitos b�sicos e princ�pios gerais que se aplicam a todas as atividades

secretas e semissecretas, mesmo em pa�ses neutros

ou no Extremo Oriente.

T�cnicas muito espec�ficas seriam bastante diferentes

das que s�o aqui retratadas.

� claro que muitos poucos de v�s ter�o de ir em miss�es

como as que o Al e o Charlie tiveram de enfrentar.

A maioria de v�s ocupar-se-� de recrutar, treinar ou lidar com agentes,

ou de desempenhar os servi�os de rotina no OSS,

que aparentemente est�o pouco ligados

aos nosso agentes em territ�rio ocupado pelo inimigo.

Mas cada trabalho, de cozinheiro a instrutor de salto,

faz parte de uma linha vital que liga o agente no terreno

ao gabinete no pa�s natal.

Por muito distante que o vosso trabalho pare�a,

o vosso grau de rigor na manuten��o da seguran�a

pode ser a diferen�a entre o sucesso e o fracasso

no terreno, a milhares de quil�metros de dist�ncia.

E se este filme encurtou a dist�ncia

entre v�s e o homem no fim da linha,

ent�o serviu um prop�sito valioso.

Mas independentemente do vosso lugar neste esquema,

este filme, apesar do seu valor l�dico,

� na verdade um manual de instru��o sobre disfarce,

e o valor de qualquer manual de instru��o

est� na capacidade de cada um digerir a mat�ria para que n�o seja s� memorizada

mas seja, de facto, integrada nos vossos pr�prios processos mentais.

Uma discuss�o anal�tica deste filme

ir�, sem d�vida, cimentar e desenvolver muitas quest�es que n�o se adequavam

a um filme t�o generalizado quanto este.

A primeira quest�o que me veio � cabe�a, por exemplo,

foi se o homem da secret�ria estava certo

ao enviar o Charles para El Porto, em primeiro lugar.

Ele provavelmente justificaria a sua decis�o alegando

que o conhecimento extenso que Charlie tinha sobre a �rea

e a sua motiva��o subjetiva para a tarefa compensavam as suas falhas pessoais.

Ou podem, ao ver o filme outra vez,

testar a vossa capacidade de observa��o.

Repararam, por exemplo,

na cena em que Al estava ansioso no quarto de hotel,

na primeira manh� na capital,

que ele apagou no cinzeiro

um cigarro que ainda estava a meio?

Bem, num pa�s em que o tabaco se tornou um bem escasso e precioso,

n�o seria este desperd�cio visto como suspeito?

Bom, isto d�-vos uma ideia de algumas das coisas

que voc�s ou os vossos instrutores podem discutir.

E de cada vez que virem este filme,

acho que o ir�o achar mais instrutivo e provocador.

Muito bem. Agora � a vossa vez.

Traduzido por: Tiago Silva

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