Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Estou?
Estamos a caminho.
Estamos a chegar � festa.
Foram-se embora porqu�? Pensava que �amos a� ter convosco.
J� n�o h� bebidas?
Pronto, est� bem.
Ben!
Vou falar com elas e j� te ligo.
Falo com a Marion, que a Fleur tem a boca ocupada.
Mano!
Ent�o, meninas? O que fazemos?
Marion? Fleur?
- Ben! - O que foi?!
Voltaste a mudar a tua senha de rede?
- Mudaste a senha de rede? - Continuas a usar a minha?
- Ol�, Ben! - Ol�.
Diz l�.
C, V min�sculo, h�fen...
- Est�s fazer o qu�? - Estou no Tinder.
- Deixa ver. - Estava a conversar!
Benjamin...
Q, R, P mai�sculo, O.
N�o sabes que d� para mudar a senha?
Adoro a minha senha. Adoro a minha rede. Adeus.
- Que estranho. - O qu�?
- Sorri da mesma forma nas fotos todas. - Que esquisito.
- Acho suspeito. - Tem ar de vendedor.
Voc�s t�m � inveja.
Ou psicopata. Ou � vendedor ou psicopata.
Credo, m�e. Onde � que j� se viu? Usa a campainha.
� uma emerg�ncia. Nunca respondes.
O teu sobrinho desconfigurou o meu iPad.
N�o tenho tempo.
- Estava a fazer isto por voc�s. - Pronto, est� bem.
Estava a reservar o restaurante em Biarritz.
N�o achas um pouco rid�culo ter encontros virtuais?
N�o te est�s a entregar ao acaso?
Preferes as Caves Saint Jean ou o Chez Bibi?
N�o sei. � daqui a tr�s dias. Estou-me nas tintas.
- Vou perguntar ao teu irm�o. - Vai l� perguntar.
Arthur!
- Ol�, Nicole! - Ol�!
Onde querem jantar na ter�a-feira?
Vamos com o mi�do ao Courtepaille.
O qu�? Est�s a brincar?
� mais pr�tico. T�m uma piscina de bolinhas.
Nem pensar. Escolham entre as Caves Saint Jean e o Chez Bibi.
Vamos ao Courtepaille.
- Ao Courtepaille. - Sim.
Est� bem. Boa noite.
Ben?
AS PRIMEIRAS F�RIAS
Benjamin!
Marion?
Cuidado!
- Segura o barco! - Est� bem, est� bem.
- J� est�. - Obrigada.
Queres que fundeie o barco? Pego na ponta e fundeio?
- Se quero o qu�? - Fundear o barco. Amarr�-lo.
N�o, n�s vamos andando.
- O senhor � marujo? - Percebo umas coisas.
Cuidado com o buraco.
Que cavalheiro. Adoro.
Prazer em conhecer-te.
Bela t-shirt. O que diz? ESIC?
Sim, � uma escola de com�rcio.
� gira, gosto muito.
O que tens planeado? Para ficarmos com inveja.
N�o sei. Para j� vamos beber um copo e depois...
- Nada mau! Muito original. - Est� calado.
De qualquer forma, tens um sorriso lindo.
Est� calado, Romain!
N�o sei o que dizer, mas obrigado.
- V�, pessoal. Boa viagem. - Adeus!
- Adeus, ESIC. - Adeus.
- Ent�o, ol�. - Boa noite.
- Tudo bem? - Deixei a mala no bar.
Est� bem.
Est� fresquinho para Julho, n�o achas?
- Vamos falar sobre o tempo? - N�o, apenas...
Porque n�o?
� verdade, trouxe-te um presente.
- Um presente? - Sim.
Trouxe exactamente aquilo que pediste.
Trouxeste medicamentos?
Trouxe-te amino�cidos. Estavas a precisar.
Que simp�tico.
Queria que corresse tudo bem neste meu primeiro encontro do Tinder.
- � mesmo o teu primeiro? - Sim, �.
As pessoas costumam dizer isso, mas n�o �...
- N�o � verdade? - N�o.
Estou a ver. Tamb�m � o teu primeiro?
- N�o �, pois n�o? - N�o. Eu n�o te vou mentir.
Quantos j� tiveste?
Perdi a conta. Trinta, quarenta...
Trinta ou quarenta?
Costumo fartar-me ao fim de um minuto.
Est� bem. N�o sei se fico mais descansado.
- Obrigada. - � nossa.
Aos amino�cidos.
Tens sorte, que este � de lim�o. � o melhor.
Relativamente a qu�?
Relativamente aos de mentol, que s�o p�ssimos.
S�o horr�veis. Nunca provaste?
Horr�veis. Quase deixei de os tomar.
- �s farmac�utico? - N�o, trabalho em vendas.
Mas gosto de me sentir bem. Tenho sempre medicamentos.
Tenho paracetamol, se torceres o p�, tenho arnica.
Ando sempre precavido.
- E tu, o que fazes? - Desenho.
- Desenhas? - Escrevo bandas-desenhadas.
Que bom. E vives disso?
- N�o. - N�o?
Vivo de subs�dios enquanto procuro um gajo que me sustente.
Da� os encontros.
Estou a ver. Que chatice.
- Estou a brincar. - N�o me digas.
Desculpa, sou muito b�sico.
- Ainda bem, assim... - Estou � toa.
- Acho que temos de... ir embora. - Temos de ir.
Estamos de sa�da!
Acho que est�o a fechar. Vais ter de te separar da tua amiga.
J� nem me lembrava dela.
� como se fizesse parte de mim.
Deves estar confort�vel.
Parece o forro do ombro.
E tu...
Queres ir dar um passeio?
Adoraria, mas tenho outro encontro dentro de meia hora.
Ai sim?
- Ben. - O que foi?
Julgava que j� conhecias o meu sentido de humor.
Bolas! N�o apanhei, de todo.
Est�s bem?
Est�s a chorar?
Pareces um surdo-mudo quando te vens.
N�o quero incomodar a senhoria. Oh, meu Deus.
Meu Deus.
Porra.
Meu Deus.
Os teus encontros acabam sempre assim?
Nas escadas, s� contigo.
Ai �? Ainda bem.
Importas-te que v� � casa de banho
lavar as m�os?
- Queres ir mijar? - Sim.
Est� bem. � ao fundo, � direita.
- � a porta amarela. - Est� bem.
Porra, meu Deus.
Meu Deus.
Meu Deus.
Pe�o desculpa. N�o sabia que... Pe�o desculpa.
- Tudo bem, ESIC? - Tudo, ia s� � casa de banho, mas...
Podes ir, n�s n�o espreitamos.
N�o, deixa estar. N�o o vou fazer � vossa frente.
Vou indo. Desculpem.
Espera a�, vieste a calhar. Deves perceber de impostos.
Sabes o que s�o rendimentos tribut�veis n�o listados para PME-PPR?
� para preencher a declara��o.
�s accionista de uma empresa?
Uma PME ou PMI?
N�o?
N�o, ele � m�sico experimental.
Sendo assim, n�o vale a pena preencher.
- Vou andando. - Tens um cigarro?
N�o, n�o fumo. At� logo.
- Ben? - Estou aqui.
Vens comigo?
- Onde est�s? - Vem � cozinha.
Os teus colegas de casa est�o a... Onde vais?
Anda.
S�o um casal? Est�o juntos no banho.
�s vezes tomamos banho juntos entre amigos.
Est� bem.
Vem. Um passo de cada vez.
- � muito alto. - Um passo de cada vez.
Cuidado! N�o faz mal, acontece-me sempre.
- Raios partam! - Olha para mim.
- Odeio-te. - Tu adoras-me.
D�-me a m�o.
- Adoras-me? - Sim, realmente.
Estamos quase l�.
Para acabar bem a noite s� me falta cair do telhado e morrer.
- Ent�o vais de f�rias para Biarritz? - Sim.
Vou para Biarritz. Tr�s semanas.
Como desde h� 37 anos.
A s�rio?
�.
E tu, vais para onde?
Vou com aqueles malucos para Beirute.
- Beirute? - Sim.
Que bom.
N�o vale mais ir � S�ria nesta altura?
� uma excelente altura. At� se v�o aborrecer.
A S�ria � linda, mas j� l� estive.
Estou a ver.
N�o sabia que fazias parte das for�as de manuten��o de paz.
Isto sabe t�o bem.
Dormia aqui.
- Dormimos uma sesta? - Sim.
Ben, n�o acredito.
Trouxeste elixir bucal?
Espera.
N�o queria que visses isto. Estavas a dormir.
- Achei que seria oportuno. - N�o podes planear tudo.
N�o planeei nada.
N�o estava a contar passar a noite contigo
nem que fiz�ssemos sexo nas escadas.
Estou num telhado, como um Aristogato. N�o contei com isto.
Mas posso garantir que tenho o h�lito fresco de manh�.
Queres ir de f�rias comigo?
- Como assim? - O qu�?
- N�o percebi. - Diz?
Eu disse mesmo isto?
- Ouvi qualquer coisa. - Sim, pois.
Disse mesmo isso.
Mas queres?
- Segunda vez? - Pois, confirma-se.
Eu sei que cada um ir� para seu lado,
vamos conhecer pessoas e tu vais � tua vida.
Mas gostaria que isto continuasse por mais um bocadinho.
Esquece.
O que fica entre Beirute e Biarritz?
A meio caminho.
- Para a Bulg�ria? - Sim.
Porqu� a Bulg�ria?
Ela ia para Beirute com as amigas
e eu ia para Biarritz.
Fomos ver o que ficava a meio caminho entre as duas, e pimbas,
� a Bulg�ria.
N�o vais a Beirute para ir de f�rias
com o ESIC?
E ent�o?
Tens no��o de que ser�o f�rias em casal.
- Mas eu n�o estou comprometida. - Calma a�.
S�o dois. Dormem juntos. V�o viajar juntos. F�rias de casal.
Deixas-nos pendurados para ir com uma desconhecida para a Bulg�ria?
O meu irm�o passou-se.
Tenho fome. Este albergue tem um ar t�pico.
Ai, n�o posso! Vou ver os coment�rios no TripAdvisor.
- S� vais comer cozidos. - Ou iogurtes.
Ficas t�o gira ao lado dessa igreja. Espera, vou p�r um filtro.
Adoro! Escrevo o qu�? "F�rias de paix�o"?
Se fosse a ti, comia no hotel.
Decidimos n�o ficar em hot�is.
Preferimos alojamentos locais.
- N�o fa�as isso. - Com que tipo de gente?
Com gente simp�tica.
Num Airbnb, pronto.
Como � que ele se chama? Bibi?
N�o � o nome da pessoa. J� te mostro.
Ent�o vou ter de ir de f�rias sozinha com o...
- Conhecem-se h� quanto tempo? - Desde o fim-de-semana.
Eu sabia.
Ri-te, ri-te.
Viajar � a pior forma de testar um casal.
Acho estranho que comecem por a�.
- � uma loucura. - N�o faz sentido.
N�o faz sentido.
Enfim.
Preciso de os sincronizar.
Tenho v�deos neste que n�o est�o no outro.
Acho que � aqui.
- Ben? - Que foi?
Acho que j� cheg�mos.
� pena que tenhas adormecido. A vista era linda.
Estava completamente apagado.
� aqui.
Reconhe�o pela fotografia.
- Obrigado. - De nada.
V�s, � uma casa b�lgara t�pica.
Pois �. Que giro.
- N�o ficava � beira-mar? - Deve ser do outro lado.
Est� bem.
Espera, n�o. Fica do outro lado da estrada.
- L� ao fundo. - Ah, pois �.
- Marion! - Sim!
Sim, sim. N�o percebi nada. O qu�?
Venham!
- Sim, estamos a ir. - Obrigado.
- Queres ajuda? - N�o, est� tudo bem.
Bem-vindos � Bulg�ria!
Obrigada!
- Ol�. - Ol�!
J� estamos a dan�ar.
Chamo-me Svetlana Vaselino Vodgergou Vodcherba.
- Que nome longo. - Mas chamem-me Cucu.
- Sim, Cucu. - Sintam-se em casa.
Obrigado. � muito simp�tica.
- Que am�vel, n�o �? - Mesmo.
Obrigada pela hospitalidade.
Ol�.
Agora, vejam.
Muito bonito.
Raios partam. Porra.
- Gosta? - Gosto, pois! Ben?
Sim.
N�o � giro?
�, pois. Tem o seu charme.
O que � isto?
� o Todor, o meu filho.
Ele gosta de m�sica.
Todor!
Ol�.
� assim todos os dias?
Assim-assim.
N�o � bem uma resposta.
Onde fica a casa de banho?
Gaita. Da� o cheiro.
S� mais uma coisa.
N�o se esque�am de deixar bons coment�rios � Cucu.
Adeus.
Mas que s�tio � este?
� genial.
Sim, � excelente.
Excelente.
Vou mijar e vamos dar uma volta?
Desculpa!
Marion, espera.
Temos de escolher o momento.
A taxa de mortalidade nesta estrada deve ser alt�ssima.
- R�pido! - Espera!
Marion, a s�rio.
Vais-te passar. � fant�stico.
- Que horror. - O qu�?
Deve estar mar� vazia, n�o achas?
Estamos um pouco longe do mar. N�o achas?
Olha, h� um pont�o.
- Vamos dar um mergulho. - J� vou ter contigo.
- Espera por mim, estou a ir! - Vamos l�!
Vai com calma, h� ferrugem por todo o lado.
Esta porcaria � a Praia do T�tano.
N�o � fundo, cuidado!
Est�s bem? N�o te magoaste?
Estou bem. A �gua est� �ptima.
N�o vens?
N�o, � castanha de mais para o meu gosto.
At� h� lodo. � mesmo macio.
Que nojo.
Seis pontos!
N�o, n�o. Onde v�o eles?
Raios partam! Qual � o teu problema?!
� maluco ou qu�?
Bem-vindos � Bulg�ria.
Entrou na �gua! � um perigo! Toma, vai buscar!
Onde � que j� se viu?
- Tens medo de c�es? - N�o tenho nada.
- S�o c�es de ataque. - N�o s�o nada, s�o queridos.
Ent�o? Est�s satisfeito?
- O que fazes aqui? - Mas que bela aventura.
Tinhas raz�o, � espectacular. Espectacular.
A cor desta �gua
� o qu�, castanha?
Acinzentado?
Tinhas raz�o, Biarritz j� enjoa.
Escolheste muito bem.
Boas f�rias.
Vamos andando?
Ben? Vamos andando?
- Estava a dormir mesmo bem. - Vamos visitar a vila?
Raios partam. Pronto.
Onde andas? Est�s a fazer coc�?
N�o! Estou a tomar banho.
Est� bem.
Alguma dessas tomadas funciona?
Experimenta ao p� da cozinha.
Est� bem. Mas despacha-te, encontrei um restaurante brutal.
Foi a Cucu que o recomendou, mas s� servem at� �s nove.
Vou s� tirar o sab�o e j� des�o.
- Ben? - Sim, vou descer.
Pronto, j� encontrei o telem�vel.
Dobar vecher.
Estamos quase l�.
- Ent�o, n�o vens? - Estou s� a ver a ementa.
Tem bom ar.
- Aqui? - Sim.
H� salada de marisco, t�rtaro de atum, tataki. Parece ser bom.
Esquece, n�o vamos jantar aqui. � p�ssimo.
- N�o � nada. Tem bom ar. - � demasiado tur�stico.
Mas n�s somos turistas.
- Vou ver o que dizem no TripAdvisor. - V� l�, esquece isso.
Algu�m daqui recomendou-nos um restaurante t�pico.
- Certo. - V�s? A esplanada � coberta.
Se tem uma esplanada coberta deve ser bom.
Dobar vecher.
- Est�s a ver? Est�o a pescar turistas. - Desculpe, fica para a pr�xima.
Dobar den.
Certo.
- Como est�? - Bem, obrigado.
- Este � para si. - Muito obrigado.
Dobar... Enfim.
O tipo � simpatiqu�ssimo.
Deixou-me p�r o telem�vel a carregar na rulote.
�ptimo.
S�o todos daqui. � bom sinal.
J� reparei.
Pois, isto �...
- � delicioso. - A s�rio?
S�o batatas afogadas em �leo.
� delicioso, juro. Prova.
N�o consigo.
- Ficas a perder. - N�o me apetece nada.
Ficas a perder.
O que foi?
A minha m�e enviou-me fotos dela com os meus primos.
- Voc�s trocam imensas mensagens. - Sim.
S�o muito pr�ximos, tu e a tua m�e.
Vamos mantendo contacto, falamos, comunicamos.
Exacto, s�o uma fam�lia muito chegada.
Cuidamos uns dos outros. N�o sei, parece-me algo normal.
Sim, claro.
N�o tens essa rela��o com a tua fam�lia?
Somos poucos. S� me resta a minha m�e.
N�o somos propriamente pr�ximas.
A minha m�e n�o � um bom ponto de refer�ncia.
Mas est� tudo bem. Eu escolho a minha pr�pria fam�lia.
Ol�!
- Cucu! - Boa noite!
Est� na hora da rakia.
- Que simp�tica! - J� volto.
Est� bem. Gosto imenso dela.
Ainda bem que vamos passar cinco dias em casa dela.
Vamos ficar cinco dias em casa da...
- Sim. - Est� bem.
Na Bulg�ria, dizemos nazdrave.
Eu n�o bebo. Vou s� ali lavar as m�os.
Obrigada!
- Nazdrave. - Nazdrave.
Desculpe, desculpe.
- Anda! - Ben!
- O que foi? - Est� aqui o Todor!
Estou a ver.
N�o, obrigado. N�o tenho sede.
Ben! Ben!
Pronto, est� bem.
- Mais um. - Porra.
Acende a luz.
Espera.
- Aquela coisa era forte. - Muito.
Tira os sapatos, vou guard�-los.
Espera, Marion, n�o me fa�as for�a na barriga.
N�o me sinto bem.
- V� l�. - N�o consigo.
- O que foi? - Tenho dores de barriga.
- A s�rio? - Sim, a s�rio.
N�o vai dar. Sinto-me mesmo mal.
- Voc�s, homens, s�o mesmo chatos. - Ent�o?
N�o preciso que isso esteja a 90 graus.
Com 60 ou 65 j� d� para qualquer coisa.
Pois, mas deve estar a uns 15.
A dois, ali�s. A s�rio. Desculpa.
- N�o ficas chateada? - Fico.
V� l�, por favor. Pronto, j� apagaste a luz.
Porra.
Cara�as.
Raios partam.
Porra.
O que � que ele est� aqui a fazer?
O senhor est� bem? Est� bem?
Pelo menos, respira.
- Ben? - O que foi?
O que � que te aconteceu?
- O que � que se passou? - Bolas.
Pois foi.
Esbarrei de caras contra um ramo.
- Um ramo? Foste � rua? - Sim, sa�, fui...
Sim.
- De noite? - Sim, fui l� fora...
�s duas da manh�.
- Ouvi, sei l�, uma... - Uma sirene?
N�o.
Ouvi um gatinho a miar.
- Um gatinho? - Peguei nele.
Acalmei-o, e depois...
apareceu aquele, n�o me lembro do nome, o Todor.
- Sim, o Todor. - Apareceu, a gritar.
"Gato! Gato!"
- Em ingl�s? - N�o, em h�ngaro.
- Em b�lgaro. - Sim, em b�lgaro.
Eu assustei-me,
e quando ia a virar fui contra um ramo
e bati com a cabe�a.
Coitado, isso � horr�vel. O que � que ele andava a fazer?
N�o sei.
- E estava aos gritos porqu�? - Sei l�, estava b�bado.
- Estava b�bado. - Sim, completamente.
E tinha um chicote.
- Um chicote? - Sim, sim.
- Achas que ele faz mal aos gatos? - N�o sei se lhes bate.
O certo � que os come.
- N�o digas parvo�ces. - N�o estou a brincar.
Estou a dizer que ele os come. Passei pelo grelhador.
Sim?
E vi tufos de pelo de gato completamente carbonizados.
- Como assim? - Na grelha.
- Eles grelham gatos? - Sim.
- S�o malucos! - Pois, n�o sei. O que posso dizer?
- O que � que fazemos? - Vamos embora! Eu n�o fico aqui.
N�o tenho mais nada a dizer. N�o posso ficar aqui.
Claro, tens raz�o, mas eu j� paguei pelos cinco dias.
- Que se lixe. - Vou negociar com eles.
N�o, nem pensar. Vou eu negociar com eles.
� a minha �rea. Fa�o isto todos os dias.
Ainda por cima n�o respeitam as normas.
- � verdade. - N�o temos privacidade nenhuma.
�s sete da manh�, come�a ele a tocar guitarra.
Constitui uma viola��o de contrato e vou dizer-lhes.
Come�a a fazer as malas eu vou falar com ela.
Mas primeiro vou � casa de banho.
Pronto, acabou o circo.
Pe�o desculpa, mas vamos embora hoje.
A Marion n�o se sente confort�vel.
Precisa de mais calma e privacidade. Portanto vamos para um hotel.
Se gostam, gostam. Se n�o gostam, n�o gostam.
Muito obrigado. Eu sabia que iria compreender.
Em rela��o ao dinheiro, se nos pudesse reembolsar...
Se n�o gostam, o problema � vosso. O dinheiro � meu.
Est� bem, tanto me faz. Fique l� com o dinheiro.
Adeus.
Pronto, j� est� resolvido, vamos andando.
- A s�rio? - Sim, d� c� a mala.
- Ela devolveu o dinheiro? - Sim.
- Mas como? Por transfer�ncia? - Em dinheiro. Aqui est�, v�s?
Isso � um peda�o de papel.
Que se lixe. S�o 20 euros pelas quatro noites.
Como assim? N�o vou deixar nem um euro a gente que mata gatos.
- Apresentamos queixa em Paris. - N�o. Deixa-me falar com ela.
- Cucu. - Ol�, Marion.
Ol�. Ou�a, ou nos devolve o dinheiro ou espalhamos na Internet
que a sua fam�lia mata gatos.
O qu�?
O meu namorado viu o seu filho a fazer mal aos gatos esta noite.
- Al�m disso, sabemos que os comem. - N�o foi bem isso.
Vimos pelo no grelhador. Aqui est� a prova!
Todor?
Ele admite.
- Cagou no meu jardim? - O qu�?
Seus porcos franceses!
- Cagaste no jardim? - Eu n�o.
- Voc�s s�o malucos? - N�o, n�o. Ele est� a mentir.
Est� bem, est� bem.
- Vamos embora. - O que � que se passou?
N�o interessa.
- Queres �gua? - N�o, obrigada.
Que coisa � esta? Porra, � um rato!
Pisei um rato morto! Raios partam! Estou farto disto!
O que se passa? Vais amuar?
- Pisei um rato morto! - E depois?
- Est�vamos bem em casa da Cucu. - E a culpa � minha?
- N�o, espera, n�o est�vamos bem. - Est�vamos, sim.
Deixa de estar satisfeita com tudo. O quarto era nojento, p�ssimo.
Aposto que os gatos est�o todos l� sepultados.
N�o te rias. � verdade.
Desculpa l�, mas a praia era um pont�o ao lado da estrada.
Isso n�o s�o f�rias.
Para mim, f�rias implicam, areia limpa, e �gua que n�o pare�a Coca-Cola.
Vamos procurar um hotel com tomadas, porque isso at� te irritou a ti.
Pelo menos eu n�o fa�o coc� no jardim!
N�o consigo cagar atr�s de um cortinado. Percebes?
Estive a uma unha negra de ficar com pris�o de ventre.
Nem em pequeno era capaz de fazer coc� em casa de amigos.
- N�o conseguia. - Mas, Ben, toda a vida � coc�.
N�s n�o nos conhecemos.
S�o as nossas primeiras f�rias juntos. N�o quero falar de coc�.
- N�o quero mesmo. - Est� bem.
- Lidas com o teu coc� e eu com o meu. - Tu queres � ir para Sunny Beach.
- Para onde? - Sunny Beach.
� um resort cheio de iates, cocktails e praias artificiais.
- � mesmo o teu estilo. - N�o � isso que eu quero.
Tamb�m gosto de aventura, mas Sunny Beach parece-me bem.
Vamos.
Gaita.
- Francesa? - Sim.
Paris.
De onde v�m?
- Somos de Haifa, no norte de Israel. - Interessante.
- Eu chamo-me Almog. - Eu chamo-me Yuval.
- Marion. - Para onde v�o, amiga?
Vamos para Sunny Beach.
Qual � a piada?
Este autocarro n�o vai para Sunny Beach.
- N�o gozem. - Vai para R�dope.
- Sunny Beach � uma porcaria. - A s�rio?
N�s conhecemos os melhores s�tios.
- Venham connosco! - Porque n�o? Venham!
Tenho de falar com ele.
Ben?
Ben.
Tenho duas not�cias.
Uma � boa, a outra menos boa.
Por favor, deixa de me acordar dessa forma.
- � muito brusco. - Estamos no autocarro errado.
T�nhamos combinado ir para hot�is com jac�zis.
- Ben, Ben. - O que foi?
Ainda n�o te contei tudo. Fiz dois amigos.
O Almog e o Yuval. S�o aqueles.
Eles conhecem os melhores s�tios da serra de R�dope. N�o � �ptimo?
N�o. N�o gosto de andar com estranhos.
- N�o vamos com eles � toa. - Olha para mim.
Tenho um �ptimo instinto e eles parecem ser boa gente.
Uma f� terrivelmente cega nas pessoas.
Olha pare eles. N�o te parecem simp�ticos?
- Ol�. - Ol�.
N�o, desculpa, t�m ar de malabaristas.
Tranquilo.
Que se lixe. N�o querendo parecer burgu�s
nem fazer-te passar vergonhas, mas acho que vamos dormir em rulotes.
Desculpem l�. Os quartos s�o decentes?
S�o do melhor.
Ai �? Cinco estrelas?
- Seis estrelas. - No m�nimo.
Engra�ado.
Aposto que vamos ter de cagar no bosque.
- Marion! V� s�! - Diz!
Que para�so.
Para�so para cabras.
N�o estou nada habituado a isto.
Ben, olha � tua volta.
- Sim, � magn�fico. - N�o � bonito?
Muito bonito, mas n�o estou habituado.
Todos com mochilas e eu com esta mala de rodinhas.
- Tudo bem? - Tudo �ptimo.
Adoro este s�tio.
N�o posso. Franceses em Perelik?
� verdade.
- Ol�. Chamo-me Marion. - Sou o Philippe. Sou de Bruxelas.
- Benjamin. - � a primeira vez que v�m?
�ptimo. Os franceses est�o sempre prontos para aventuras.
- Achas mesmo? - N�o fazia ideia.
- Querem ver o espa�o? - Sim, com todo o gosto.
Aqui s�o as casas de banho.
Os chuveiros n�o s�o grande coisa. A �gua � morna, mas habituamo-nos.
Posso ir � casa de banho?
N�o, a toalha significa que est� l� algu�m.
Estou a ver.
- Marion, boas f�rias, adeusinho. - Espera. Vem c�.
- N�o gostas do m�todo da toalha? - Continuando.
A cozinha. Fant�stica.
Temos uma fam�lia b�lgara que costuma cozinhar.
Costumamos alternar, mas hoje s�o eles.
N�o � grande coisa, mas eles s�o muito simp�ticos.
Portanto, todos cozinham alternadamente?
Sim, vamos alternando.
- Sabem cozinhar? - N�o.
�ptimo! Assim, aprendem.
A melhor parte de viver em Perelik
� que acolhemos sempre quem n�o sabe nada.
- Exacto! - � �ptimo. Viemos � procura disso.
- Venham connosco. - J� vamos.
- Venham connosco. - Obrigada pela visita guiada.
- Ele � simp�tico, n�o achas? - Um bocado chato.
� aqui?
Bem-vindos!
- � este o nosso quarto? - Gostam? � excelente, n�o �?
- � �ptimo. - N�o � nada �ptimo.
- Bem vos disse. Seis estrelas. - Seis estrelas.
- Somos 25 em cada quarto. - � fixe. J� viste o tamanho da cama?
N�o estou em Erasmus. J� passei essa fase.
Onde ponho as coisas? Vou ter de esconder o dinheiro, o PC...
Ol�.
S�o os novos colegas de quarto? Muito gosto.
- �s t�o bonita! - Obrigada.
- Chamo-me Tania. Sou de Londres. - Ben.
Prazer em conhecer-te.
Sou de Paris.
Tudo bem?
Vamos ter de nos adaptar. N�o vamos ser desmancha-prazeres.
- Ser prom�scuo tem a sua piada. - Pois �.
O s�tio � incr�vel. V�o adorar.
S�o muito ecol�gicos.
Tudo o que cozinham � cultivado aqui, � incr�vel.
- A s�rio? - Adoro-te.
- Ben? - Adoro isto.
Adoro isto. Desculpa.
O �nico sen�o s�o as casas de banho. Est�o avariadas.
- As necessidades fazem-se l� fora. - Tem de ser l� fora?
Por n�s tudo bem.
- Olha s� para ti, todo relaxado. - � verdade, por n�s tudo bem.
F�rias s�o f�rias.
Onde estavam antes de vir para aqui?
Pass�mos um m�s em Tirana, na Alb�nia.
Ficamos aqui mais duas semanas, depois vamos para Belgrado
e depois Sarajevo, que � o sonho da Jeanne.
Porqu�?
Sarajevo � maravilhosa.
- � a minha viagem de sonho. - Que bom.
E para n�s � pouco.
- H� coisa de... dois anos? - Sim, dois anos.
- Fomos para a �sia 16 meses. - 16 meses?
Voc�s n�o trabalham?
N�o t�m empregos?
Claro que temos.
Viajar, conhecer o mundo, � quase um trabalho a tempo inteiro.
Acho esse estilo de vida fascinante. Uma loucura.
- � uma escolha de vida. - Exacto.
- O mundo � vasto. - Isso � verdade.
Apetece-me brindar � beleza do mundo.
- Isso mesmo. � beleza do mundo! - � beleza do mundo.
� beleza do mundo!
A energia da terra...
D�s e recebes de volta, d�s e recebes de volta...
N�o parece que estamos no "Hair"?
Est�-se mesmo bem aqui.
N�o achas?
Sinto-me muito melhor. A s�rio.
- O que est�s a fumar? � um charro? - �.
- Fuma-se bem. � natural. - Sendo assim...
O Philippe cultivou-a no quintal.
- O belga. - Foi o belga que te deu isto?
Sabe mesmo bem.
� mesmo boa.
O tipo deve ter um belo quintal.
Aqueles dois s�o um espect�culo. Vivem mesmo livremente.
Livremente, � como quem diz...
- � uma liberdade muito capitalista. - Como assim?
N�o os ouviste? Arrendam um apartamento car�ssimo numa grande cidade europeia
a gente muito rica, o que estimula a especula��o imobili�ria.
E viajam para s�tios baratos.
Depois, t�m aquele discurso humanista e vestem ponchos.
Portanto, � bem pensado, mas a liberdade n�o � isso.
Est�s orgulhoso dessa teoria?
� uma boa teoria. Bastante boa.
Aquela que eu realmente respeito
� a Tania.
Pois claro.
Ela viaja pelo mundo inteiro.
� mesmo corajosa. Admiro-a muito.
- Acima de tudo, � toda boa. - � mesmo boa.
- O que foi? � boa, isto �... - Isto puxa-te a l�ngua para a verdade.
Est�s a brincar? N�o olho assim para ela.
Ent�o, francesinhos?
- Prontos para amanh�? - "Perrontos" para amanh�?
- O que h� amanh�? - "O qu� h�?"
Canyoning!
- "C�nioningue! Adorro c�nioningue!" - J� chega, est�s a ser chato.
Ent�o, sa�mos daqui �s seis?
"Amanh� �s seix, clarro, n�?"
- N�o se atrasem. - "N� se aterrazem."
- At� logo. - At� logo.
At� amanh�.
Mas que dois.
Bastava que se assoassem para deixarem de falar pelo nariz.
Conhe�o um otorrino que os podia ajudar.
Com que ent�o �s apaixonado por canyoning?
O que � canyoning?
- Anda, Ben. - Mas que inferno! Porque � que eu vim?
- V� l�, tu consegues. - Porque � que eu vim?
- Inclina-te para tr�s. - N�o consigo! Vou morrer!
- Apoia os p�s na rocha. - Est�s a ocupar a melhor parte!
- For�a, Ben! - Pensava que era canoagem!
- Tu consegues! - A Marion safa-se melhor do que tu.
"C�nioningue!"
Estou farto de os aturar. A s�rio.
Estou na parte mais inclinada. Vou escorregar.
Tr�s, quatro...
Vou-me passar!
J� chega, n�o quero mais.
Fico aqui. Durmo aqui, que se lixe.
- Algu�m quer uma cerveja? - Sim!
Obrigada.
- Sabes abrir? - Claro, sou franc�s.
� a primeira coisa que aprendemos na...
- Porra. - Ele magoou-se.
- N�o faz mal. Deixa ver. - D�-lhe a m�o.
- Ele � israelita. Andou na tropa. - Tens de fazer press�o aqui, assim.
- Continua a pressionar. Est� bem? - Est� bem.
- Est�s bem? - O que foi?
- V�, despe tudo, mostra-lhes o rabo. - Ben, n�o tem mal nenhum.
- Tem, sim. - S�o eles, qual � o mal?
O que queres dizer com isso?
- Ben. - O que foi?
Eles s�o namorados. S�o gay.
Como � que sabes? N�o d� para perceber.
Pronto, est� bem, s�o gay.
Mesmo assim, n�o muda nada.
Basta algu�m ser gay e d�-vos um clique na cabe�a.
Mostram as mamas e falam de sexo como se estivessem entre amigas.
- S�o gajos na mesma. - Falafel!
- Adoro falafel! - Eu tamb�m.
A s�rio?
Em Paris, h� um restaurante chamado O �s do Falafel.
� um s�tio incr�vel em Marais.
- Conhecem Marais? - N�o.
V�o adorar. � um s�tio meio judeu, meio gay.
Judeu e gay.
- N�o? - Gay e judeu.
- � um bom s�tio. - Para voc�s.
- Est� bem. - Est� bem.
Mesmo.
- Le Chaim! - Sa�de!
E bom apetite.
- � nossa. - � nossa.
A Marion dan�a muito intensamente.
Pois �. Ela � incr�vel.
Tu nunca dan�as?
N�o. Dan�o, mas internamente.
- Internamente? - Exacto.
- � nossa. - � nossa.
J� estou a ficar tocado.
- Pois, n�s tamb�m. - Sa�de.
N�o te vou levar �s costas. Anda.
- Tenho sede. - Chiu!
- Est�o todos a dormir. - N�o quero saber.
Ningu�m dorme em Israel. Est�o sempre alerta.
V�o levantar-se �s seis da manh� para construir uma barraca.
- Porra. - O que foi?
- O que foi? - Porra.
- O que foi? - Espreita.
Est�o a fazer sexo.
- Querem juntar-se a n�s? - N�o, obrigado.
- Ent�o fechem a porta. - Est� bem. Desculpem.
� mesmo corajosa, a Tania.
Os israelitas gozaram connosco. N�o s�o gay.
Obviamente. Tu � que imaginaste que eram. N�o s�o nada gay.
- N�o acredito nisto. - O que fazemos?
Como assim?
- Queres ir? - O que � que te deu?
Eles perguntaram se nos quer�amos juntar.
Se queres ir, vamos.
- Queres mesmo? - Sim.
- Entra. - Um, dois, tr�s.
Eu sabia que querias dormir com eles!
Estou mesmo irritado!
Achas que te quero ver enrolada no meio do falafel?
A minha intimidade tem limites.
- Vamos. - Sim, sim.
Canyoning!
Est�s a comer?
Est�s mesmo.
Estou. Estou cheio de fome.
- Est� bom? - Est� �ptimo.
- D�-me um bocadinho. - Queres provar?
- Quero. - Toma, prova.
- � bom, n�o �? - � �ptimo.
- Tamb�m h� chouri�o. - D� c�.
- � t�o bom. - Adoro este chouri�o.
Mas � um pouco salgado.
- Um pouco. - Um pouco salgado.
� o meu primeiro acepipe em pleno sexo.
Assim, sim.
Comemos bem.
Quando � que isto acaba?
O qu�?
Em apenas 72 horas,
fomos expulsos de um Airbnb,
eu quase morri a fazer canyoning,
agora estamos a dormir num curral
porque dois estroinas israelitas a�ambarcaram o quarto.
- � muita coisa. - Muita.
Lembra-me o filme com o Grassman e o Trintignant, "A Ultrapassagem".
O Jean-Louis Trintignant faz de rapaz bem-comportado,
que se cruza com o Vittorio Grassman e decide ir atr�s dele.
E acontecem-lhe as coisas mais estapaf�rdias.
Sim, eu sei. J� vi o filme.
Era o filme preferido do meu pai.
Adoro esse filme.
Mas esqueceste-te de mencionar que o Trintignant morre no final.
- N�o me digas. - �.
- Tinha-me esquecido completamente. - Que engra�ado.
Sinto-me contente.
Eu tamb�m estou contente.
Venham.
Vamos.
N�s vamos por aqui.
Sigam esta estrada e a linha do comboio at� chegarem � esta��o.
- Est� bem. - N�o h� que enganar.
- � imposs�vel perderem-se. - Est� certo.
Chega aqui com a testa.
- Fecha os olhos. - Est� bem.
- O que � que ele est� a fazer? - Fecha os olhos.
- Est� bem. - Isso. E respira.
Sinto a tua energia.
Obrigado por tudo, amigo.
Obrigado. Nunca vos esqueceremos.
- Meu amor. - Amor? Est� bem.
Parem, parem!
Vamos convosco.
Vamos embora!
J� nem olham para n�s.
Adeus, pessoal! Fiquem bem!
Nunca vos esqueceremos!
Deram � sola um pouco de repente, n�o?
S�o gente que vive no presente, n�o s�o como n�s.
A mim, tocaram-me profundamente.
- Vamos andando? - Vamos.
- Ent�o? Est�s triste? - N�o, � suor.
H� imensa humidade aqui.
Sinto que nunca mais os vamos ver. � isso que me chateia.
- Eles ir�o a Paris. - N�o v�o nada.
Para a pr�xima entro numa orgia com eles.
� importante saber partilhar.
- Tira a� dinheiro para os bilhetes. - Est� bem.
- N�o sei da carteira. Guardaste-a? - N�o, e tamb�m n�o tenho a minha.
- Est�s a brincar? - N�o.
- J� viste na mochila? - Vou ver, n�o te preocupes.
- Estar� no bolso de fora? - Estou � procura.
Tinha-a antes de sairmos, guardei-a aqui.
N�o a pus aqui? Depois subimos o monte.
E despedimo-nos dos...
Porra.
O que foi?
- Porra! Porra! - O que foi?!
- Os israelitas roubaram-nos. - N�o roubaram nada.
- S� pode! - Achas mesmo?
Claro, quando nos abra�aram, e n�s feitos parvos.
- Raios partam, esses panascas! - Exacto, panascas!
- Mas adoro-os. � isso que me irrita. - Vem a� o revisor.
N�o temos documentos nem dinheiro. Vamos parar � pol�cia. Bela chatice.
- Levanta-te. - O qu�?
Levanta-te. Vamos esconder-nos.
Est�s maluco? Vamos falar com o senhor e vai correr tudo bem.
Nem pensar. N�o passo 15 anos numa pris�o turca a ser violado por turcos.
� pouco prov�vel, estamos Bulg�ria.
Confia em mim. Levanta-te e sorri como se nada fosse.
Est�s passado. Ben, est�s-te a passar.
- O que est�s a fazer? - A criar uma distrac��o.
Est�s a atrair aten��o.
V� se ele nos est� a seguir.
- O que est�s a fazer? - A criar obst�culos para o atrasar.
- Desculpe. - Desculpe.
- Est�s doido. - Ele vem a�. Anda.
Est�s doido? Ben!
- Anda! - Est�s doido!
- Estamos encurralados, est� ali outro. - Ben, acalma-te.
Vou falar com eles e vai correr tudo bem.
Temos de saltar. Vamos saltar.
Est�s louco? Fecha a porta!
- Vamos saltar! - Est�s doido?
N�o atires a minha mala! Est�s louco?!
- Anda! - Mas o que est�s a fazer?
Salta!
- Viste o salto que eu dei? - Que salto!
- Saltei! - Parecias o Jason Bourne!
- Merda para a pol�cia! - Isso mesmo!
- Somos bandidos! - Somos malucos! Nunca iremos pagar!
N�o queres dizer qualquer coisa? Parecemos um pouco mal-educados.
Falam ingl�s?
Riem-se de ti.
- F�rias? - Sim, estamos de f�rias.
Gostam do nosso pa�s?
- Adoramos. - A Bulg�ria � qualquer coisa.
- Excelente. - Bebam.
- � vodka? - N�o somos russos. � rakia.
Ra-ki-a.
- Parece chichi. - Bebe.
O que est�o a fazer?
Agora que estamos relaxados, vamos violar-vos.
V� l�, meu, por favor, n�o fa�am isso.
Estava a brincar!
- Era uma piada? - Claro que era.
Muito engra�ado.
Obrigado, pessoal.
- Bom salto. - Fant�stico.
Muito obrigado.
- Obrigado, Boyan. - De nada.
- Deixa-me ajudar-te. - Deixa, n�o � preciso.
- Um, dois... - Consegues?
Estou com dificuldades. Um, dois...
Perfeito. Obrigado.
N�s trabalhamos aqui. Qualquer coisa, perguntem pelo Boyan.
Obrigado, pessoal. Obrigado, Boyan.
Adeus, sexy.
A quem � que ele chamou sexy?
Obrigado, vida!
- Satisfeito? - Obrigado, vida.
- Finalmente um s�tio decente. - Aqui o tens.
Fica a�, vou falar com o recepcionista
e ver se o meu irm�o j� me transferiu dinheiro.
Marion! Estamos oficialmente no para�so! � tudo de m�rmore!
Sejam muito bem-vindos.
Era isto mesmo. Fant�stico.
Aqui � tudo muito simples.
Por exemplo, o ar condicionado.
Se quiserem na intensidade 1 p�em no 1.
Se quiserem no 2 p�em no 2.
E se quiserem no 3 p�em no 3.
Quanto � televis�o, tamb�m � muito simples.
Podem lig�-la carregando neste bot�o e carregam no mesmo para a apagar.
Ele vai explicar tudo?
O mini bar tamb�m � muito simples.
Abrem assim, tiram comida, comem, e voltam a fechar.
E se eu quiser acender a luz?
- Como � que se liga o candeeiro? - Boa pergunta.
Para acender a luz, carregam no bot�o e a luz acende-se.
- Se voltarem a carregar, desliga-se. - Fant�stico.
A casa de banho tamb�m � muito simples...
- Faz com que ele pare. - Obrigada, Stanislas.
Fic�mos a perceber tudinho. Muito obrigada.
- Ainda n�o acabei. - Obrigado, ajudaste imenso.
Obrigada.
Espera a�.
Agradecemos o espect�culo. S� mais uma pergunta.
Para abrir a porta, � assim?
- Ou aqui faz-se doutra forma? - N�o, abre-se assim e depois fecha-se.
Fant�stico. Obrigado.
- Tenham uma boa estadia. - Adeusinho. O tipo � doido.
- Deste-lhe 20 leva? - Sim.
- N�o � muito? - Estamos de f�rias.
� para esbanjar dinheiro. Tenho fome. Tu n�o?
Pedimos servi�o de quarto e ficamos na maior.
- Daqui j� n�o me mexo. - N�o queres fazer outra coisa?
- � t�o confort�vel. - Algo que querias fazer � chegada.
Ir ao parque aqu�tico?
N�o, deixa-me dormir uma sesta
e daqui a uma hora logo vamos ao parque aqu�tico.
Mas primeiro vou adormecer a ler um bom livro.
Belo programa.
Descobriram um meteorito na Austr�lia com 4500 milh�es de anos.
N�o � incr�vel?
N�o?
A rede sem fios � bem r�pida.
Estou estafado. Queres ir dormir, querida?
Querida � como quem diz... Queres ir dormir?
Vou ficar a desenhar e vou ter contigo mais tarde.
Est� bem.
Desenha bem, ao som da m�sica.
Vou levar uma garrafa de �gua para o quarto.
Aqui tens.
Magn�fico.
S�o ovos com azeitonas. Nada de especial.
"E" de equipa! "S" de solid�rios!
"I" de imortais! "C" de campe�es!
ESIC!
ESIC! ESIC! ESIC!
ESIC! ESIC!
ESIC!
- Que coincid�ncia! - Podes crer. �s de que ano?
- Sou de 96. - Eu sou de 98. J�r�me Lesture.
- Deves conhecer o meu irm�o? - Sim, quem �?
- Chama-se Arthur. - Arthur Dutour? Claro.
- Sabes quem �? - Sei, pois.
- Podemos sentar-nos? - Claro.
- Bom dia. - � a minha mulher, Pauline.
Muito gosto.
- E a minha princesinha, Naomie. - Mas que bonita. Ol�.
- Apresento-vos a Marion. - Muito gosto. J�r�me Lesture.
Bom dia.
- Que coincid�ncia. - Podes crer.
- Andaram todos na mesma faculdade? - Eu n�o, mas adoro a can��o.
- Claro. - ESIC! ESIC!
Pronto, canto s� eu.
Est�o c� h� muito tempo?
- Neste hotel, h� tr�s dias. - Est� certo.
- � a vossa primeira visita � Bulg�ria? - �, sim.
Engra�ado. � a segunda vez que vimos.
- Ai �? - Sim.
Gostam muito do pa�s?
N�o nos interessa particularmente.
Mas tem sido dif�cil encontrar destinos agrad�veis.
- Podes crer. - A Espanha est� cheia de boches.
A Gr�cia est� na mis�ria por causa da crise.
- � verdade. - Marrocos, Tun�sia...
N�o quero ser alvejado enquanto apanho sol.
Tem sido dif�cil.
Ainda por cima a 800 euros com tudo inclu�do. � rid�culo.
� incr�vel. Esta � a pulseira da felicidade.
Aqui custa tudo tuta-e-meia.
ESIC!
N�s plane�mos ir visitar Nessebar hoje � tarde. Querem vir?
- Nessebar n�o � o centro hist�rico? - Sim, exactamente.
Estamos sempre a falar disso. Querias ir visitar. Vamos?
Anda l�.
- Vamos todos juntos. - S� vem quem quiser.
- Claro, ent�o. - Com todo o gosto.
�ptimo.
"Os... tr�cios...
fun... daram a ci... dade..."
de... Me... sem... bria..."
- Est� a progredir. - "No s�culo Xis... I... I..."
"A... v�... j�... c�..."
- J.C. Quer dizer Jesus Cristo. - Ainda est� a aprender.
Por isso mesmo.
- Muito bem, Naomie. - Boa, querida.
Ainda n�o acabei!
Depois acabas. Devolve o guia � Marion, por favor.
- Leste muito bem. - N�o quero!
- D�-me l� o guia. - N�o!
- V� l�, querida. D� c�. - N�o quero!
D� c�, Naomi. D�-me o guia. Ent�o? D� c�.
Naomie, d�-me o guia. Olha! Gelados!
Enganei-te.
- Tamb�m olhei. - N�o havia nada.
A tua camisa � feia.
- Desculpa? - E a tua mala tamb�m.
�s feia e tudo o que tens � feio.
Esta n�o poupa palavras.
Escuta, Naomi, isso � s� a tua opini�o.
Por exemplo, essa tua pulseira cor-de-rosa em forma de espiral,
eu diria que � horr�vel, mas tu gostas, n�o �?
Foi a minha m�e que a comprou.
Ai foi?
N�o gosto de cor-de-rosa, mas tu, parece que adoras.
�s menina, achas que tens de te vestir de cor-de-rosa. Eu odeio.
- J� chega. - Vamos andando?
- Temos as duas raz�o. - �s m�!
- Diz? - N�o respondas.
� importante. N�o percebeste uma coisa.
Eu n�o sou m�. Tu � que �s. Muito m�, mesmo.
- J� chega. - Acabou!
- Est� tudo bem. - Espero que ela perceba.
J� percebeu. Vemo-nos mais logo?
- � melhor. - Sim, no hotel.
- ESIC! At� logo. - Adeus.
- Quero um gelado. - Acho que j� comeste que chegue.
Isso era escusado.
Que pesadelo.
P�es-te a discutir com uma mi�da de seis anos? �s doida?
N�o faz sentido.
Ter seis anos n�o lhe d� o direito de ser malcriada.
N�o discutes com ela. N�o faz sentido.
Para qu� passar tempo com esta gente chata e uma pirralha mal-educada?
� alguma obriga��o social por serem franceses?
Talvez porque me apeteceu e gostei de estar com eles?
T�o simples quanto isso.
- Gostaste de estar com eles? - Muito.
- Tudo bem, Boyan? - Ol�, Marion. Est� tudo bem.
Que � feito do teu marido? J� se fartou?
N�o, continua por c�.
N�o � meu marido. Deve estar no spa.
- Spa, jac�zi, sauna... - Exacto.
- Odeio este s�tio. - Tamb�m eu.
Esta gente vem � Bulg�ria para passar o dia no �trio de roup�o.
- � rid�culo. - Sem d�vida. Penso o mesmo.
- Ol�. - Olha o Benji.
- Tudo bem? - Acho que abusaste da sauna.
Est�s vermelh�ssimo.
- Estou? - Est�s.
Nem dei por isso. Foi �ptimo.
Pessoal, vamos sair logo � noite.
- Claro, vamos. - Desculpa, n�o vai dar.
Hoje vou levar a minha mulher a um restaurante incr�vel.
Chama-se Unami. Talvez conhe�as.
Est� bem. Divirtam-se.
- Fica para a pr�xima. - Claro. Talvez.
Adeus, sexy.
Come�o a ficar irritado com a mania do sexy.
Desde quanto � que dizes que sou tua mulher?
�s um pouco minha mulher.
O s�tio aonde te quero levar hoje � brutal.
� um restaurante japon�s. O Chef chama-se Mamachiko, ou sei l�.
Mamofokou, ou algo parecido. Tem cinco estrelas no TripAdvisor.
- Fleur! - Ol�.
- Que tal o pa�s dos iogurtes? - Est� tudo bem.
Estou h� dias a tentar falar contigo.
- Por onde andas? - Olha.
Que tal os Balc�s? Est�s a divertir-te?
S�o os maiores. Estou cheia de saudades.
- Ol�! Vamos andando. - J� vos apanho.
A s�rio, j� vou.
Querida, tenho algo estranh�ssimo para te contar.
- Primeiro, como vai isso com o ESIC? - Tudo bem, falamos depois.
- Ol�, pessoal. Tudo bem? - Ol�. Tudo bem?
Toma conta da Marion, sen�o rebento-te todo.
N�o te preocupes, est� tudo �ptimo.
Mas vou ter de vos cortar a conversa porque tenho uma surpresa para ela.
Deixa-me falar com eles.
N�o faz mal. Falamos depois, est� bem?
- Cumprimentos, meus amores. - Nazdrave. Adeus, pessoal.
Um grande beijo, at� breve.
- Pronto. - N�o me podias deixar acabar de falar?
N�o sejas assim. J� tinha terminado.
E tenho algo importante para fazer contigo.
- N�o, Ben. - O que foi?
N�o me apetece sexo quando acabaste de fazer coc�,
est�s para a� virado, e est�s bem besuntado.
- Um pouco brusco. - Agora irritaste-me.
Estava feliz por ver os meus amigos, porque tinhas de vir chatear?
Pronto, est� bem.
Vamos vestir-nos e vamos ao restaurante?
N�o me apetece.
Porqu�?
N�o me apetece comer Sushi na Bulg�ria. Entendes?
Tens com cada obsess�o, tu.
T�m de sair da�.
- Como assim? - Reservei essas cadeiras. S�o minhas.
Por isso, toca a andar daqui para fora.
- Qual � a dela? - Reservou as espregui�adeiras.
- Que forma de falar � essa? - Desculpe, n�o sab�amos.
- Vamos mudar-nos para estas. - Eu preciso de cinco.
Deixei uma coisa em cada uma delas.
O meu chap�u, a toalha, e os sapatos, debaixo da cadeira.
- Ai foi? - N�o vimos.
Primeiro, n�o vimos, segundo, n�o vejo cinco pessoas.
E desculpe l� n�o ter visto o que p�s debaixo da espregui�adeira.
Voc�s n�o sabem as regras. Venho c� todos os Ver�es.
Quais regras? Que porra � essa?
Qual � o seu problema? Somos cinco, precisamos de cinco cadeiras.
Voc�s n�o s�o cinco, s�o dois.
Um, dois. Onde est�o os outros?
H� tr�s pessoas invis�veis, � isso?
- J� percebi. - Sergei!
- N�o precisa de gritar. - Quem � o Sergei?
Chame a pol�cia das espregui�adeiras.
- Controle a sua mulher. - Controlar-me? N�o sou um c�o.
- Controle voc� a sua mulher! - � a minha m�e.
Com as pl�sticas, n�o se nota.
Calma, calma!
- Marion, chega. - N�o, isto � importante.
- Chega. - Larga-me.
Eu n�o disse que a sua m�e � uma bruxa velha, pois n�o?
- Marion, por favor. - Roubei alguma coisa � sua m�e?
Basta! Acalmem-se todos.
- Acabou. Est�s doida. - Ele insultou-me.
- Acalma-te. - Est� parvo ou qu�? Imbecil!
Saia da piscina.
Imbecil!
- Saia da piscina. - Ela est� a sair.
Vamos j� embora. Est� tudo louco.
- Marion, desculpa. - Vai-te lixar.
Por favor, volta.
Marion!
Est� calada, tu tamb�m.
M�ezinha!
Saiam j� todos da �gua, por favor.
ESTOU A FICAR PREOCUPADO POR FAVOR RESPONDE
- Ol�, Stanislas. - Boa noite, Sr. Dutour.
N�o est� uma noite linda?
Desculpe, mas n�o encontro a minha mulher.
Discutiram? Uma desaven�a amorosa?
Deve estar na piscina a ver as estrelas.
N�o, j� a procurei por todos os cantos do hotel.
Talvez tenha ido �s compras. H� lojas abertas � noite e as mulheres adoram...
- Stanislas, escuta. - Sim.
N�o est� no hotel.
Talvez tenha ido dar uma volta, apanhar ar fresco.
- Obrigado. Deixa estar. - Espere.
Saiu com o Boyan e os outros.
- Est� com o Boyan? - Sim.
- Foram ao Exit. - Onde fica isso?
- � muito simples. - Deixa. Chama um t�xi, por favor.
- � para j�. - Obrigado, Stanislas.
N�o, obrigado.
Querias viver a verdadeira Bulg�ria, n�o �?
Nazdrave.
Boa noite. Sabe onde fica o festival Exit?
N�o sabe? Obrigado.
Sabe onde fica o Exit?
Na praia? Obrigado.
Se quiseres, como-te por 100 euros.
O qu�?
Se quiseres, como-te por 100 euros.
N�o estou a perceber.
O que � que n�o percebes?
Voc�s pagam cocktails, v�o a restaurantes finos.
Querem quilhar a Bulg�ria? Eu sou a Bulg�ria.
E nada � gratuito.
Ben.
Marion...
O que foi?
Como pudeste fazer isto?
- Qual � o problema? - O problema?
Estou h� duas horas � tua procura!
Procurei-te por toda a parte, porra.
Fartei-me de te ligar, n�o dizes nada.
Esse tipo anda a fazer-se a ti desde o in�cio e tu entras no jogo dele?
N�o fizemos nada, o que est�s a dizer?
- E n�o preciso de me justificar. - Ai n�o?
- N�o estou aqui para te obedecer. - N�o quero obedi�ncia, quero respeito!
Est�s a ouvir o que dizes? Queres-me de trela?
Quem tem andado de trela sou eu.
- Faz isto, faz aquilo. - E n�o foram as tuas melhores f�rias?
Foram fant�sticas.
Trouxe-te para aqui tr�s dias para nos divertirmos.
N�o, foi porque tu gostas de hot�is de velhos est�pidos.
N�o gostamos das mesmas coisas e pronto.
Porque � que vieste?
Vim porque queria ouvir a tua justifica��o.
N�o te vou dar justifica��es.
Foi uma parvo�ce, sabes?
N�o sei do que estava � espera.
Vir de f�rias com uma desconhecida.
Boas f�rias.
DOIS MESES DEPOIS
N�o te ouvi entrar. Est�s bem?
- Ent�o, Christiane F? - Estou que nem posso.
J� est�o acordados? O que fizeram?
- Eu trabalhei um bocado. - Eu estive a ler.
- A ler? Tu? - Sim.
Rom, se n�o te importas...
- Desculpa. Realmente... - Omelete?
- N�o, obrigada. - Eu quero.
Podes p�r aquele presunto de que eu gosto?
- O do talho? - Sim.
- Queres ajuda? - A fazer uma omelete?
Safo-me sozinha.
- Se precisares de ajuda, diz. - Deixa.
- Vou p�r paprica. - �ptimo.
- N�o queres? - Voc�s andam a dormir juntos?
- Que ideia � essa? - Andaste a fumar coisas estranhas.
H� quanto tempo � que andam a dormir juntos?
- Duas semanas. - Dois meses.
Dois meses? Qual � a vossa? Porque � que n�o me contaram?
N�o te escondemos nada. Estavas de f�rias.
- Estou de volta h� dois meses. - N�o tem sido f�cil falar contigo.
Pois.
Tens andado muito calada. Andas muito fechada.
Um pouco passivo-agressiva.
Portanto tivemos algum medo
de te contar.
� verdade.
De me contar o qu�?
Que estamos juntos.
Realmente, isso dito assim...
Pronto, est� bem. Eu vou andando.
Preciso de digerir isto tudo. � muita informa��o.
- Espera, fala connosco. - Vou-me deitar.
- Podemos deitar-nos contigo, queres? - Isso j� � esquisito.
- � para a reconfortar. - H� limites.
� um presente.
Vibra.
- J� que est�s solteira. - �s t�o parva.
N�o ficas chateada?
� a ideia que passo?
Que sou uma grande ego�sta
que n�o aguenta ver os outros felizes?
- � horr�vel. - N�o tem que ver com isso.
Nem n�s percebemos bem o que isto �.
Estamos a falar do Rom.
Eu sei. Como � que o vais aturar?
N�o sei.
N�o sei mesmo.
Sei que ele nunca ir� mudar.
Nunca ser� capaz de preencher os impostos.
Sempre far� m�sica parva dizendo que � assim que ganha a vida.
No entanto,
acho que ele � um g�nio e gosto dele.
Estranho, n�o �?
Eu acho maravilhoso que voc�s estejam juntos.
Acho que sempre soube que havia algo entre voc�s.
Est� bem. Como se soubesses fosse o que fosse.
Est� calado.
Cuidado, isto � um instrumento musical.
Enfim. Vem connosco, larga o frango.
Vem � rua. Est�s p�lida, pareces a Myl�ne Farmer.
Libertina.
Espera.
- Espera, desculpa. - O que foi?
N�o sei, � um pouco...
- Estou a sufocar-te? - Sim.
Desculpa. Queres ir tu para cima de mim?
- Pode ser. - Assim d� para respirares.
Depressa.
Assim vais parti-la ao meio.
- Chega-te mais para... - Pronto, assim j� d�.
Assim, sim. Assim mesmo.
- N�o fa�as isso. - O que foi?
Tenho as mamas desca�das, n�o estou � vontade.
N�o. N�o, desculpa.
Agora que pensei nisso fiquei mesmo confort�vel.
Est� bem. O que queres fazer?
- Queres que me ponha por tr�s? - No rabo?
- N�o? - O qu�?
- Tu queres? - N�o.
Temos de decidir, isto est� a descer.
- Gostas em conchinha? - Adoro.
Isso faz c�cegas. Espera, tenho a n�dega entalada.
- Assim � bom. - Est� calada.
Sinto o teu umbigo. Faz c�cegas.
Pronto, assim, sim.
- Assim, sim. - Espera.
- O que foi? - Pronto.
- Assim? - Sim.
- Espera, espera. - O que foi?
N�o te venhas dentro de mim.
Odeio isso, � nojento. N�o gosto. Propaga-se tudo.
Fico com a sensa��o de que me vai consumir.
- Est� bem. - Desculpa.
- Lamento imenso. - Ora essa, � assim que nos conhecemos.
- N�o te apetece mais? - N�o, j� fechei a loja.
- A s�rio? - Sim.
Vou p�r creme. Acho que � da tua barba.
Que horror.
N�o, acho que estou a ficar com rugas.
Temos de tratar dessa barba. J� volto.
N�o gostas de barba e n�o gostas de esperma? Fixe.
Se pedir folga na segunda depois de 11 de Novembro, d� cinco dias.
- �ptimo. - Dar� tempo para aproveitar.
A caminho de Biarritz podemos passar por P�tini�re?
Queres? Conheces? A G�raldine falou-me do s�tio.
� um hotel de charme. Os pequenos-almo�os s�o �ptimos.
Mal posso esperar. Cinco dias s� para n�s.
- Acho que... - Parece-me bem.
Claro. Espera, n�o estou na mota!
Ben?
Ent�o e...
- Boa, est�s 25 minutos atrasado. - N�o faz mal.
- Faz, sim. - N�o comeces.
Est�s com mau aspecto.
Raios partam.
Devias dormir mais.
A s�rio, pareces um adolescente.
AS PRIMEIRAS F�RIAS O NOVO LIVRO DE MARION FERJANNE
- Ben, a s�rio. - Espera.
O MEU HER�I DE REGRESSO E EM PEDA�OS
Est�s aqui. O que fazes no ch�o?
Este sou eu.
- Como assim? - Sou eu.
Olha.
- Ela fez uma BD sobre as f�rias? - Sim.
Ela � doida.
� p�ssimo.
- O que � que � p�ssimo? - Os desenhos s�o uma porcaria.
- S�o maus. - J� chega.
N�o sabes do que falas.
- Ficaste comovido? - Claro que sim.
� amoroso.
� amoroso?
Sabes o que te chateia?
� que nunca ter�s algo assim.
Nunca escrever�o uma BD sobre ti para dizer que te amam.
Nunca.
Gente quadrada como tu tem te planear tudo.
Est� tudo tra�ado. Sabem quando v�o fazer amor, ter um orgasmo, dormir...
Fala baixo.
� um espa�o de leitura.
Pedimos desculpa. Quero levar este.
Paga tu.
Dezoito noventa.
- Dezoito euros e noventa? - Sim.
- Por isto? - Sim, por isso.
Rom? Rom?
Podes fazer isso quando n�o estamos na mesma sala?
Rom, larga essa porcaria.
Podes parar? Tamb�m estamos aqui.
Obrigada.
� chato que chegue ter de engomar.
- Ent�o porque � que fazes isso? - Fa�o o qu�?
Porque engomas se te chateia?
- Porque � que estou a engomar? - Ent�o...
Estou a engomar porque tenho um emprego.
Este gajo...
Levanto-me de manh�, tomo um duche, e visto-me.
Depois tenho de apanhar o metro e tenho reuni�es, sess�es fotogr�ficas,
apresenta��es...
Uma data de coisas que n�o posso fazer nua.
Tu, por outro lado, n�o tens esse problema.
Acordas �s onze, ao meio-dia, � uma, sei l�.
N�o tens grandes obriga��es. Vais do quarto para o est�dio
e passas a semana com as mesmas cuecas vestidas,
a brincar com rodinhas, a apertar patinhos de borracha,
porque �s livre, n�o tens compromissos, pronto.
Eu tenho de me chatear a engomar, feita parva.
� triste, mas � verdade.
- � isso mesmo, j� est�o no ponto. - O qu�?
S�o um casal normal que discute sobre as coisas parvas do quotidiano.
Tiro-vos o chap�u. Tenho inveja.
A s�rio que tenho inveja.
Por outro lado, est� na altura de mudar de casa
porque est� na altura de ficarem os dois sozinhos.
Preparem-se mentalmente. Vai acontecer tudo muito depressa.
- O que vai acontecer depressa? - N�o sei.
Marion?
Marion, por favor.
O que fazes aqui?
Vim ter contigo.
Estou h� 50 minutos � tua espera.
Porque n�o subiste se tinhas algo para me dizer?
Porque n�o sei o c�digo.
Nos filmes � que as pessoas sabem o c�digo da porta.
Tamb�m n�o tenho uma escada, n�o sou bombeiro.
Estou a ouvir.
Tenho saudades tuas.
Tenho saudades tuas!
Foste tu que me deixaste naquela praia nojenta.
Tenho mais uma coisa a dizer.
Comprei o teu livro.
N�o acho piada nenhuma.
� assim que tu me v�s? Eu mere�o isto?
Tenho os olhos colados um ao outro, desalinhados.
Horr�vel. Pare�o o Sarkozy quando era novo.
N�o � nada disso. Eu gosto de ti assim.
Eu amo-te assim.
Eu tamb�m te amo assim.
E agora, o que fazemos?
Lan�amo-nos � �gua?
- Que p�ssima met�fora. - Menos do que pensas.
Bem-vinda ao barco Sunny Beach.
- Se fizer o favor... - N�o acredito.
Bem-vinda a um mundo onde se combina luxo, sensualidade, conforto e gra�a.
Pe�o que me acompanhe, por favor.
Devagarinho.
Aten��o, vou fazer algo pouco habitual.
Vou come�ar a conduzir o barco.
Pr�xima paragem: aventura, mas com um m�nimo de conforto.
- Com certeza. Sabes conduzir um barco? - Sei, pois. E j� to vou provar.
- E agora, o que fazemos? - Sei l�. O que nos der na gana.
- Est�s t�o mudado! - Estou. At� tenho um canivete su��o.
Cuidado, assim vamos contra o muro.
Tradu��o e Legendagem Jo�o Lan�a de Carvalho
Ripadas e sincronizadas por: RicardoB/2020
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.