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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

-Pai. -Já sei, vou falar.

Só não sei quando.

Está bem. Lá vem ele, pai.

Lá vem ele.

Professor, quer um cafezinho?

Seria ótimo, obrigado.

Bom dia.

Aqui está o café.

Quer biscoitinhos?

Sim, obrigado.

Querem me falar algo?

Vejamos.

-Tem uma coisa. -É.

Uma pequena questão.

-Você tem irmãos? -Moscou, por favor.

Sem perguntas pessoais. É uma das primeiras regras.

É que tenho um amigo que é praticamente um irmão pra mim.

Ele estava comigo na mina, nos assaltos e na cadeia.

E esse é o problema.

Minha pena foi cumprida, mas faltam cinco anos pra ele.

Cinco anos, Professor.

Desculpem, mas não sei o que posso fazer

pelo seu amigo, irmão, o que seja.

Não, o filho dele.

-O filho dele? -Juanito, meu afilhado.

Ele é como um irmão pra mim.

Prometi que cuidaria dele quando saísse da cadeia.

Não o vemos há muito tempo, ficamos sabendo que não está nada bem.

Está desempregado, passando necessidades.

Pensei em colocá-lo no caminho certo e trazê-lo pra cá.

Um assalto é o caminho certo?

Mas este é um assalto decente.

Ele é prova viva. Nunca o vi tão concentrado na vida.

E sempre cabe mais um, não?

-Sinto muito... -Professor.

O cara é incrível. A gente se conhece desde criança.

Ele manja de tudo:

carros, arrombamentos...

Por que são chamados de Denver e Moscou? Questão de segurança.

Não podemos saber os nomes verdadeiros.

-Pois é. -Moscou.

Já abri uma exceção pro seu filho.

Isso aqui não é uma empresa familiar com primos e vizinhos...

O que está falando, otário?

-Como? -Ele é o Professor.

O cara está passando fome, pai.

Colocamos a mão no fogo pelo Juanito.

E ele vem falar de nome de cidade?

Sabe onde pode enfiar esse nome de "Denver", Professor?

No rabo! Meu nome é Dani, pai.

Sempre fui o Dani. Outra coisa:

esse plano infalível da Casa da Moeda

é uma boa merda.

Era só imprimir as cédulas. Sairia muito mais barato.

Obrigado pelo café.

Nunca mais fale assim com ele, entendeu?

Que vergonha! Não sabe que ele é um intelectual?

Cada um no seu quadrado.

Precisa confiar nele e, acima de tudo, respeitá-lo.

-Não o respeito? -Não.

Não, talvez o rapaz tenha razão.

Pouparemos muitos problemas imprimindo o dinheiro em casa.

Sem falar do custo do armamento,

da munição...

Denver, você traz a impressora. Nós baixamos as cédulas da internet.

Golpe de gênio.

Não, melhor ainda.

Eu desenho as cédulas, você colore.

Talvez façamos duas por dia.

Vejam como sou bom em desenhar.

O título é "Paixão por Juanito".

Vão continuar me zoando?

Se eu meter a porrada em vocês, o que vão imprimir são dentes novos!

Vão tomar no cu.

Denver, não fique bravo, é brincadeira.

Acordei refém no nosso próprio assalto.

Acorrentada, atordoada e com um louco na minha frente.

Meu espaço estava menor, mas o tempo também logo estaria.

Só quinze minutos depois de meus olhos abertos,

o Gandía já teria atirado em quase todos nós.

O que pretende?

-Não vou bater em você amarrada. -Me solte.

Vamos ver quem bate em quem.

Por que não me matou?

-Não sou um assassino. -Não é um assassino?

Tentou matar a Nairóbi e o Helsinki e não é um assassino?

Por que não me matou?

Você é minha cobaia.

E você?

Que merda pensa que é?

Eu sou o domador.

E você tem sorte.

Porque vou domar você.

Se me chutar de novo, vai apanhar tanto

que nem aquela enferma vai reconhecer você.

Fique quieta!

Preste atenção, vou explicar.

É muito simples.

Filho da puta.

Veja.

Minha primeira carta é você:

desaparecida.

Não terão escolha a não ser procurar você.

E já estão enlouquecidos.

Separados e nervosos.

Já estou ganhando.

A próxima carta:

desintegrar a equipe.

Não se perguntou como escapei?

Aqui é o Gandía,

chefe de segurança do Banco da Espanha.

Estou escondido,

são e salvo, pronto pra qualquer ação

necessária pra recuperar o controle e a segurança...

Ele quer matar um por um!

Fiquem juntos. Ele está vendo tudo!

E, como acabaram de ouvir, estou em ótima companhia.

Você tem que se comportar.

Do contrário, vai acabar imobilizada,

amarrada, amordaçada e vendada.

E então não poderemos nos conhecer melhor.

Certo?

Eu só queria agradecer ao Palermo.

A dica de deslocar o polegar pra escapar das algemas

me tornou um homem livre.

-Graças a ele, espero ajudar todos vocês. -Vai ser um deus nos acuda.

Isso é verdade?

Se quer acreditar num psicopata e não num companheiro, é com você.

Silêncio!

Só vai falar no julgamento, filho da puta.

-Preciso ir ao banheiro. -Agora, não.

Estou falando que...

minha barriga não está boa.

Preciso ir ao banheiro com urgência.

O que foi?

O museu é grande.

É difícil de supervisionar 60, 70 reféns.

A menor faísca pode causar uma rebelião.

Não.

Seria suicídio. Nesses casos, o instinto de sobrevivência prevalece.

Ou não. Medo.

Os reféns podem fazer qualquer coisa.

Como atacar um de nós, mesmo se estivermos armados.

-O que tem em mente? -Alguém infiltrado.

Que não terá contato conosco a menos que uma rebelião comece.

Se tudo der certo, vai agir como qualquer outro refém.

É um trabalho que qualquer um poderia fazer.

Até aquele tal de Juanito.

Lá vem.

É ele?

-Não. -Não.

-O ônibus era aquele? -Era.

Péssimo começo. Vamos embora.

Talvez ele tenha se confundido, Professor.

Ou desceu no ponto errado.

Isso, o ponto errado.

-E ele está lá... -Ele se confundiu?

Padrinho.

Meu Deus.

Sou eu.

Juanito?

Julia.

Há quanto tempo, não?

Você está linda, querida.

Bem...

você sempre foi bonito.

Bonita.

Estes olhos,

esta boca, este sorriso...

Você está lindíssima, Julia..

O que foi, Daniel?

É estranho, não?

Não. Nem um pouco. Achei maravilhoso.

Todos são livres pra fazer o que quiserem.

Então?

É que olho pra você e vejo o Juanito,

mas que delícia!

Venha cá, me abrace.

Caramba!

Seu pai sabe?

Eu o vi há um ano, mas ele não mencionou.

Meu pai me apoia totalmente.

Disse que sempre quis uma filha, ele é um amor.

E quem é esse?

O cara do plano, não?

Isso mesmo.

E como vai ser o trabalho?

O Gandía falou a verdade. O Palermo ajudou.

-Como sabe? -Eu o vi apontando pro polegar.

Estavam conversando, o Palermo chegou perto dele.

E não avisou?

Como eu ia saber que estava mandando o cara quebrar o dedo?

Chegando perto, estava livre.

Estou aqui pra vigiar os reféns, não vocês.

-A gente ouve muita merda aqui. -Eu sei.

-Como está a Nairóbi? -Ela está se recuperando como pode.

Com a Tóquio sequestrada, menos duas.

Estamos um pouco ferrados, não?

Julia.

O que quer?

Me dê uma arma, me coloque com vocês.

Minha bunda já está dormente.

Precisa ser refém pro caso de tudo piorar.

-Mais ainda? -Pelo amor de Deus! Volte pra lá.

Até o Matías está com uma arma que mal consegue segurar.

Não, ordens são ordens.

Precisa voltar pro seu lugar.

Você dá as ordens. Está no comando.

-Não estou no comando de nada. -Está, sim.

Com a Nairóbi e a Tóquio fora de cena, resta o Palermo. Dá pra confiar nele?

Você é o mais experiente.

-Ninguém mais. -Você está me estressando.

Comece a dar ordens.

Quero uma arma, um colete, o que seja.

E...

me chame de Manila. Sou a Manila, Dani.

Você ainda não é a Manila, porque é refém!

E não me chame de Dani, meu nome é Denver.

Vamos.

E outra coisa:

não fique me encarando, as pessoas estão percebendo.

Encarando?

Estava mandando sinais, idiota.

"Encarando."

É uma maldita sauna aqui.

Ligue o ar.

Se eu ligar, eles nos encontram.

Seria uma pena.

Claro. Temos tanto pra conversar...

Sem o ar, não tem muito oxigênio,

então é melhor racionar a respiração.

Não se preocupe comigo.

Os caras invadiram o cofre da reserva nacional.

O que vão fazer com esta salinha de merda?

Você está morto.

Está suando. Abro o macacão?

-Não vou permitir falta de higiene... -Se encostar em mim, arranco seu braço.

O que aconteceu com aquele rapaz?

O de cabelo cacheado. Não deixa você excitada?

-Como uma cadela no cio. -Acho que não. Um nerd tão infantil...

Armei este assalto por ele.

E a maior coisa que fizeram por você?

Uma furadeira no Dia dos Pais?

Precisa de um homem de verdade.

-Como você. -Como eu.

Claro.

Você até parou de me chutar.

Porque amarrou minhas pernas, imbecil.

Seja qual for o motivo,

o importante é que esteja mais receptiva.

Suas unhas dos pés estão pintadas.

Coisa linda.

É verdade que ajudou o Gandía?

Sim, senhor.

Sabia que ele quase matou a Nairóbi e o Helsinki?

Danos colaterais.

-Danos colaterais? Desgraçado! -Calma.

Por quê, Palermo?

Tóquio deu um golpe de Estado, senhor.

Me senti na obrigação moral...

de salvar o plano.

Minha lealdade é a ele.

Tive que restaurar a ordem estabelecida, porque você não me tirou do cargo.

Tirei na teoria.

E isso não tem nada a ver com o Gandía.

Claro que tem.

Tive que gerar o caos. Era óbvio que ele a atacaria.

Ele poderia tê-la matado.

-Ela deu um golpe, senhor. -Que mentira!

Ele ia escapar com os segredos de Estado.

O rapaz está equivocado.

Eu impedi você na porta com a maleta.

Ia negociar, filho da puta.

É mesmo? Com os documentos que roubei? A maleta está ali.

-Podem olhar. -Denver, abra a maleta.

O que tem aí dentro?

Bolinhos.

O conteúdo não faz diferença.

Você nos traiu.

Colocou todo mundo em perigo.

E agora o Gandía está com a minha comandante.

Preste atenção, você vai ter uma chance de se redimir.

Mas não vou esquecer.

E você não retoma o comando.

Então volto ao saguão com os reféns? O que devo fazer?

Primeiro, cale a boca.

E você não vai voltar.

Podem soltá-lo.

Não podemos brigar agora.

Quando tudo isso acabar,

decidiremos a sentença dele.

Todos escutem com atenção.

Com um lobo solitário por aí,

o lugar mais vulnerável é o saguão.

Precisamos evacuar.

Palermo, Estocolmo, Helsinki, reúnam os reféns na biblioteca.

Ele quer matar, não fugir. A porta não importa.

Não usem máscaras.

Ele pode fazer o mesmo e passar batido.

Bogotá, como está indo a fundição?

Desligaram os fornos, estão com medo.

Leve a Nairóbi à biblioteca e desça. A fundição não pode parar.

Denver.

-Fale. -Rio e você vão agir.

Comecem a caçar.

Serão os mais expostos, se protejam bem.

Capacete, munição, cartucho. O que precisarem.

Vasculhem o primeiro andar. Depois tranquem cada cômodo.

E os outros andares?

Ficam com o Helsinki e a Estocolmo depois de moverem os reféns.

Todos sabem o que fazer?

-Sim, senhor. -Sim.

Mais uma coisa.

Boa sorte.

E tenham cuidado.

Vamos!

-Como está, pequena? -Estou bem.

Meu enfermeiro é ótimo.

Você gosta do grandão?

Talvez.

Aguente firme.

Você também.

Aquela mulher está bêbada, Helsinki.

Sabe o que ela disse? "Você arranjou um pedaço de mau caminho."

Ou seja, você. Todos acham que somos casados.

O bom é que vamos passar despercebidos.

Mas assim a gente não vai pegar ninguém.

Esqueça isso, Nairóbi. Saúde.

Um dia ou dois, tudo bem. Mas daqui a pouco seremos virgens de novo.

A verdade é que formamos um casal espetacular.

Você e eu?

Somos família, com certeza.

Pra sempre.

Justamente por isso.

Não vivi com mais ninguém o que já vivi com você.

Helsi, isto...

é uma história de amor.

Uma daquelas lindas histórias de amor.

Não. Algum dia, alguém vai aparecer,

e aí sim será amor.

Mas isto não é.

Você tem que ser livre e corajosa.

Porque, acredite, é preciso mais coragem pro amor

do que pra guerra.

E você...

é corajosa.

Vista isso.

Vamos pra fundição.

Vamos pra biblioteca.

Essas são as ordens.

Bogotá.

Não faça gracinha.

Estão com medo?

Pois não duram cinco minutos contra o Gandía.

Preciso falar com eles.

Há quanto tempo não come?

Dois dias.

-Talvez três. -E há quanto não dorme?

Dormi por dois turnos de duas horas.

Mais alguma coisa?

Antes de comer, vou limpar essa ferida.

Fique parada.

O cabelo está todo grudado.

Bati com força, não?

-Biblioteca vazia. -Entendido.

Todos de pé formando quatro filas.

Queridos reféns...

estou de volta.

Como sabem, temos um lobo à solta. E vocês são os cordeiros.

Então vamos levá-los ao estábulo.

Vocês serão escoltados por meus colegas e pastores,

Helsinki e Estocolmo.

Vamos, rápido!

Subam todos! Vamos!

Fique aqui comigo.

É o melhor escudo contra o Gandía.

Vamos, rápido!

Tome. Isso faz maravilhas.

Não é muito forte?

Amanda, certo?

-Sim. -Você está bem?

Sim.

Tem certeza?

Bem...

estou um pouco tonta.

Devem ter sido os comprimidos que o Sr. Román me deu.

Olá, tudo bem?

Tudo.

Sou o Arturo.

Arturo Román.

Você estava muito tensa,

querendo ir ao banheiro, fiquei preocupado.

São os nervos. É difícil estar aqui.

Com esses terroristas, seria difícil em qualquer lugar.

Experiência própria.

Foi só ansiedade, mas estou bem. Obrigada.

Aqui só temos uns aos outros, temos que ficar juntos.

Confie em mim.

Certo.

Se ficar ansiosa de novo,

tenho algo que talvez ajude.

É mesmo?

O quê?

Privilégios de veterano.

Estão todos aqui.

Viemos à biblioteca porque, como diz o ditado,

conhecimento não ocupa espaço.

E também pode salvar a vida de vocês.

Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust.

Romance monumental.

Tenho certeza de que, quem encontrá-lo

e abraçá-lo contra o próprio peito,

vai conseguir bloquear as balas.

Estou brincando, relaxem.

Vamos ficar aqui por muito tempo.

Estas são as regras. Número um...

Bogotá, Nairóbi, onde estão?

Parados!

Vocês são idiotas? Abaixem as armas.

Estão com medo?

Tem um louco à solta armado até os dentes.

Também estou com medo.

-Bogotá, está com medo? -Tanto quanto qualquer um.

O Palermo, o Helsinki e a Estocolmo também estão com medo.

Mas estão levando os reféns à biblioteca.

O Denver e o Rio estão apavorados.

Porque estão procurando o Gandía.

E o Gandía...

é o mais apavorado, mas não vai parar até nos matar.

Por mim, tudo bem.

"Tudo bem."

Todos fazendo o próprio trabalho.

E vocês aqui morrendo de medo.

Escondidos atrás dessa merda.

-Não viemos aqui atirar nos outros. -Eu sei, amor.

Mas não há escolha.

Aqui é fácil de defender.

Aquela é a única entrada.

E qualquer um de nós pode matá-lo.

Mas o que vemos ao entrar aqui?

Só as cabecinhas do esquadrão covarde.

Não reconheço vocês.

Vocês são trabalhadores.

São soldadores.

Os caras mais durões que já conheci na vida.

Meus garotos de ouro.

Não são covardes.

Sabem o que também dá medo?

Andar sozinha de noite na rua.

Mas nós, mulheres, seguimos em frente.

Peguem o medo pela mão e continuem vivendo.

Porque temos que viver, senhores!

Temos que viver até o fim!

Puta que pariu, vocês.

Me fizeram voltar dos mortos pra passar um sermão.

O quê?

Não vão me dar um abraço?

-Tudo bem? -Não sei.

Entupida de remédios.

Cadê a música, Bogotá?

-Vamos trabalhar tristes? -Música, por favor.

Somos latinos ou alemães?

Veículo maneiro, é uma Harley?

Não comece a me irritar, hein?

-Bogotá, quantas toneladas derretemos? -Estamos em 43,5.

Vamos acelerar, quero os fornos ligados.

E turnos de duas horas pra pegar o resto dos lingotes.

Quero ver uma amostra.

Me deixe ver.

Aumentem a pressão do gás em dois quilopascais.

O diâmetro está um pouco grande.

E trabalhem como sempre!

Com ritmo e com alegria.

E você?

Eu, o quê?

Nada.

Vou falar de novo o negócio do último homem da Terra.

Porque, quando eu falava aquilo,

você flertava comigo.

Mas agora...

parece que tenho febre tifoide.

Não quero tirar vantagem, você está doente.

Certo.

Bem, sim.

Vamos esperar até eu melhorar,

aí saímos daqui, encontramos meu pai,

você pede minha mão...

Se o fogo se apagar, me avise.

Que beijinho foi esse?

Me ajude a levantar.

Melhor aqui.

Sim.

Está bem?

-Sim, você? -Sim.

-Bogotá, Nairóbi, onde estão? -Elevador de carga. Tudo bem.

E o Denver e o Rio?

-Biblioteca vazia. -Entendido.

O que falou da Maserati...

O que tem?

Quero falar algo.

Agora? O que você quer?

A Tóquio pode ser uma Maserati, mas você está se arrastando atrás.

Como as latinhas dos recém-casados.

É.

Rio.

O escritório.

Vai.

Você gosta dela?

-Do que está falando? -Da maldita Maserati.

Se quiser dar uma voltinha, é toda sua.

Escutou a merda que saiu da sua boca?

Em primeiro lugar, ela sente, pensa e decide.

E ela está muito magoada com o término.

Preste atenção.

A namorada de um amigo se respeita.

-Ex-namorada. -Dá na mesma.

Ex ou não, a namorada de um amigo é como uma cidade radioativa.

Mesmo depois de vinte mil anos, ainda é terra contaminada.

Você não apronta nem com a permissão do cara.

-Que besteira! -É ética.

O tipo mais sagrado de ética.

O que estava fazendo no sofá com a Estocolmo?

Estávamos conversando.

Descalços? Qual é, cara!

Sim, descalços. E isso importa?

Importa, sim.

Não tiro os sapatos quando falo com a Lisboa.

Seria estranho, me sentiria incômodo. Sabe por quê?

Porque é território do Professor.

É seu namorado. Quer falar alguma coisa pra ele?

Rio! Não é?

"Rio! Denver!

Socorro, por favor!

Estou presa! Meus amiguinhos!

Socorro!"

Isso é o trabalho de 70cm de concreto.

É como gritar num submarino no fundo do mar.

Terceira carta:

tirar sangue.

Vou sair por um momento.

Eu estava contando do meu estresse pós-traumático.

Não estava roubando sua mulher.

Falar com ela me acalma.

Com a Estocolmo?

Sim.

Ela é inteligente, simpática, escuta.

Tem empatia. Você pode contar qualquer coisa.

Também podia contar pra mim, mas você não quis.

Não estou dormindo.

Fecho os olhos e tenho pesadelos, ansiedade,

palpitações, ataques, cara.

Só consegui dormir sabendo que ela estava comigo.

Entende o que quero dizer?

E você vem me falar isso com a cara limpa?

Não dormi com ela, Denver.

Ela só me fez companhia.

Você é meu amigo ou não, droga?

Claro que sou.

Não parece.

Filho da puta!

Seu capacete! Seu colete!

Temos que fazer pressão!

Vamos, Denver, firme!

-Bogotá, Nairóbi, onde estão? -Elevador de carga.

Tudo bem. E o Denver e o Rio?

Denver, Rio.

-Denver, Rio. -Vou procurar.

Não, fique com os reféns.

Vamos, Helsinki.

Cuidado, o filho da puta está por aqui.

Bogotá, foi no elevador no primeiro andar.

Recebido.

Ele pode estar por perto. Vamos ficar aqui.

Vamos, gordo.

Fiquem calmos, estamos aqui!

-Vem. -Denver.

Você está bem?

Você está bem?

Rio, está bem?

Você está bem?

Pro chão!

Filho da puta!

Estamos sendo alvejados. Primeiro andar, elevador, reforços, agora!

Vai.

Vai.

A terceira é pra casar, vira-lata.

Legendas: Bruna Leôncio

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