Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Alô. Onde falam?
220-4107.
Da residência do Sr. Rogério?
Sim. Boa noite.
Boa noite.
Aqui é da polícia rodoviária.
Gostaríamos de falar com algum parente próximo do Sr. Rogério ou da Sra. Ana.
É a filha deles.
Senhorita, sentimos informar um grave acidente com seus pais.
Precisamos da sua rápida presença no hospital central.
Obrigado.
Você quer baixar isso aí, por favor?
Você quer baixar isso aí, por favor?
Não há Cristo que aguente tudo isso.
Estou até com dor de cabeça de tanto ouvir essas porcarias.
Faz uma semana que papai e mamãe morreram e você pelo menos deveria ter
um pouco de consideração.
Põe o modo Steve Wonder bem baixinho.
Não tem regras.
Ei, Santonio, eu vi uma senhora roubando alguma coisa.
Onde? Lá embaixo.
Vamos lá.
Vamos lá.
A
senhora
não está esquecendo nada, não? Não entendi o que o senhor quer dizer.
Será que a senhora não guardou alguma coisa no bolso e esqueceu?
Estou testando que eu sou o quê, hein?
Eu sou de respeito. Ah, a senhora é de respeito. Muito bem.
Vamos verificar se a senhora é uma pessoa de respeito.
Silvia, examina essa senhora.
Põe a mão em mim.
Vai ser verificada, minha senhora.
Olha o que eu grito, hein? Eu faço escândalo, hein? Tenha calma, minha
senhora. Acalme-se, minha senhora. Eu grito. A senhora não vai gritar nada.
Que larga! Nós vamos examiná-la, minha senhora.
Socorro! Taroto, deixa eu me pegar!
Taroto! Polícia!
Calma, senhora, calma. Nós estamos insaminados, senhora.
Eu grito.
Não vem que não tem. Não vem que não tem.
Socorro!
Polícia! Tarato!
Minha, calma.
Polícia!
Me deixa passar. Me deixa passar.
Olha que eu estou mexendo. E não vem, hein? Está pensando que eu sou o quê?
Tarato!
Polícia!
Safadinha, né, seu Antônio? Olha só.
Deixa pra lá.
Deixa pra lá. Não vamos criar problemas por causa disso.
É uma mulher de respeito, sabe?
Sabe, é o seguinte.
De agora em diante, nós temos que cuidar melhor das coisas.
Você vai bem, meu rapaz. É, muito obrigado.
E de agora em diante, não se fala mais disso, tá bom? Tá.
Ô, meu. Fala aí, meu. Essas coisas acontecem.
Tô até cansado de ver isso. O que tem de ladrão hoje em dia não tá escrito em
gibi nenhum.
Puta que pariu, rapaz. Essa aqui já é a terceira remarcação, olha só. Um carimbo
em cima do outro.
Você também vai puxar saco de primeira, hein?
Deixa a mulher roubar à vontade, rapaz.
O dono dessa birosca aqui tá podre de rir.
A pobre coitada fica aí roubando pra comer. E perfume se come, cara.
Ah, isso é maneira de dizer.
Você também fica puxando o saco de patrão que te paga uma merda desgraçada,
senhor.
Olha, eu já vi gente roubar aqui e não faço nada.
Fico só olhando assim, ó.
Não faço porra nenhuma.
Eu não, pô.
Olha, quem tá roubando é um fudido.
Eu sou um fudido.
E um fudido não pode trair um fudido. Você me entende como é?
Tão me pagando pra eu trabalhar. E eu procuro fazer tudo direitinho.
Ah, fala de uma vez que você quer puxar o saco do patrão, rapaz.
Que nada.
Você tá certo.
Quer subir na vida, tá com todo direito, né?
O negócio é isso mesmo. Acho bom você parar com isso, tá?
Não tô afim de papo furado, não.
Tá bom, tá bom, você manda.
Eu não quero brigar com você, não. Eu te acho um cara legal.
Legal mesmo.
Você é um cara que tem lealdade.
Hoje em dia poucas pessoas são assim, viu?
Ó, eu quero ser seu amigo.
Se quiser ser meu amigo, é só não ficar falando desse jeito aí que você costuma
falar. Aí tudo bem.
Tá bom, tá bom, você manda.
Ei, o que é que você vai fazer hoje à noite, hein?
Sei lá, nada.
Você não quer sair?
Vamos sair um pouco.
Você sai comigo, a gente se diverte.
Assim você esquece um pouco o que te aconteceu.
O negócio lá dos seus pais.
Tudo bem.
Olha aqui, ó. Tem um negócio legal pra te mostrar.
Puta cara.
Aqui tem coisa boa, rapaz. Mas não deixa ninguém ver, hein? Ah, tudo bem, tudo
bem.
Dá até pra bater uma punhetinha.
A proprietária, por favor.
Obrigada.
Bom dia.
A senhora é a proprietária?
É, sou sim.
O que é que você quer?
Bem, eu estou precisando trabalhar.
Ah. E eu gostaria que a senhora me arranjasse um emprego aqui no salão.
Sim. Eu posso fazer qualquer coisa. Eu não me importo. Só que eu não sei fazer
muita coisa.
Ah.
Então, eu... Mas eu tenho muita boa vontade. E eu poderia aprender logo,
fácil, fácil.
Olha, moça.
Eu preciso de gente mais com prática, viu?
Porque eu não tenho ninguém para ficar aqui ensinando você.
Olha, aqui a casa está sempre ocupada, né? Isso aqui não para.
E eu não tenho ninguém disponível para treinar você.
Mas eu preciso trabalhar.
O meu pai e a minha mãe morreram num acidente de carro.
E eu... Ah, os meus pais também morreram. Mas não num desastre, viu?
Ai!
Tirou um bife, hein?
Aliás, eles continuam vivos. Eles morreram pra mim. Eu odeio eles. Eu
odeio. Eles me mataram. Ai!
Eles me mataram e eu odeio eles. Só de pensar nisso me dá um troço.
Obrigada mesmo assim.
Obrigada? Mas obrigada por quê, menina?
Não sei.
Não sei.
Cada uma que me aparece.
Aí, faz aqui, ó. Assim.
Ah.
O senhor precisa de um balconista?
Não.
Obrigada.
O senhor é o dono daqui?
Sim, sou o dono.
Eu gostaria de saber se o senhor precisa de uma garçonete ou ajudante de cozinha.
Já trabalhou em algum restaurante?
Eu nunca trabalhei.
Então o que você está fazendo aqui?
Eu sei servir.
Aqui só usamos garçons, homens.
Quem sabe eu poderia ajudar na cozinha.
Eu ajudava minha mãe e aprendi muita coisa.
Escuta aqui, mocinha.
Uma coisa é cozinhar em casa.
Outra coisa é cozinhar no restaurante.
Aqui na hora do almoço vira um inferno.
Logo, logo eu pego prática.
Desculpa, mocinha, mas eu não estou precisando de ninguém no momento.
Obrigada.
Então por que está chorando?
Eu quero trabalhar.
Já andei para cima e para baixo e não encontro.
Eu preciso trabalhar.
O meu pai e a minha mãe morreram num acidente de carro.
Eu preciso arranjar um emprego.
Não adianta ficar chorando. Isso não resolve nada.
Sabe, eu acho que eu estou ficando velho.
Esqueço as coisas com a maior facilidade.
Eu esqueci que mandei embora um ajudante de cozinha que só sabia fazer fofoca.
E como você me disse que sabia cozinhar bem, eu pensei que talvez, se
quiser trabalhar, eu arrisco com você.
Quer tomar alguma coisa?
Um copo d'água.
Agora eu quero ver um sorriso nesse rosto bonito.
Isso. Assim está bem melhor.
Não me faça ficar nervosa tendo que chamar a toda hora.
Hoje eu tenho que voltar logo para casa.
Oi, tia, tudo bom? Oi, querida.
Frango? É, frango assado, feijão, arroz, salada. Frango assado. Cadê o Marcelo?
Ainda não desceu.
Sabe de uma coisa?
Eu arranjei um emprego.
Emprego? É.
Aonde?
Aonde? No restaurante. No restaurante? Para fazer o que no restaurante?
Ajudar na cozinha, lavar pratos, eu não sei.
Lavar pratos?
Meu Deus, que vergonha, que humilhação.
Se seu pai e sua mãe ouvissem isso.
A gente não está tão na miséria assim.
Será que você não podia arrumar um emprego melhor?
Ai, tia, isso é só pra... Sabe, eu não ficar tão sem grana.
Se eu não trabalhar, onde eu vou arrumar dinheiro?
Olha, minha filha, eu não sou contra você trabalhar.
Mas essa história de lavar pratos é que eu não estou gostando.
Posso saber quem que arrumou isso aí?
Eu.
Fui no restaurante.
E quando eu cheguei lá, ele disse que não precisava de ninguém, né?
Aí eu comecei a chorar.
Ele ficou com dó de mim.
E começou a me tratar como se fosse filha dele.
Pediu pro garçom me trazer um copo com água.
Me mostrou todo o restaurante.
E disse pro pessoal da cozinha e os garçons que era pra me tratar como filha
dele.
Veja lá, hein?
Não estou gostando muito dessa história.
Eu já sei como é que são esses velhos.
Ai, tia.
Oi, tia. Como a senhora é venenosa.
Se eu... Vamos comer logo que eu tenho que sair.
Onde é que você pensa que vai? Tenho que sair.
Eu sei aonde você vai vestido desse jeito.
Não faz nem um mês que seus pais morreram.
E você, você já vai pular a cerca pra pegar umas galinhas por aí.
Vê se para de ficar falando nisso o tempo todo, tia.
A gente tá aí procurando esquecer e a senhora lembrando o tempo todo.
É dózio, viu?
Tá bem.
Tá bem.
Vocês dois façam o que bem quiserem.
Olha que falta que faz um chefe de família.
Tá tirando a camisa pra quê? É, pra não manchar.
E hoje em diante...
Eu não falo mais nada nesta casa. Vou ficar de pico calado que dá mais certo.
Cada ideia que vocês têm.
Lavar pratos.
Olha aqui, você vai me fazer o favor de não contar pra ninguém que você está
trabalhando no restaurante como ajudante de cozinha.
Parece até que a gente está morrendo de fome.
Principalmente pra sua tia Tereza, que é uma fofoqueira.
Seu tio Valdir, sua tia Anastácia e a Maricota.
São os mexeriqueiros.
Olha, você diz a elas... diz que você está trabalhando como secretária.
Secretária do diretor-presidente de uma multinacional.
Você já sabe, hein?
Ninguém pode ficar sabendo de nada.
Tá bem.
De hoje em diante, eu não falo mais nada nesta casa.
Jura que você vai fazer isso, tia?
Moleque atrevido.
Ô, Marcelo, é a primeira vez que você vai trepar, ô, meu? Que isso, cara.
Já trepei de montão.
Pô, meu, eu gosto de trepar com mulher madura.
Elas me enlouquecem, rapaz. Na cama elas são mais experientes, entendeu?
Sabem chupar gostoso. Elas sabem trepar, rapaz, que nem ninguém.
Essas menininhas novas, não. Eu não. Eu prefiro as gatinhas mesmo.
Escuta, essa tal de lua aí, ela não é coroa não, né?
Não, ela não é coroa não.
Ela é meio passadinha, mas é muito gostosa.
Eu já trepei com ela, rapaz. Ela faz de tudo na cama.
E tem uns peitinhos gostosos, desse tamaninho assim, ó. Durinho.
Opa, tá pra mim.
Olá.
Olá. Tudo bem? Tudo.
Trouxe o meu amiguinho pra você.
Oi. Tudo bem?
Tudo bem.
Antes de mais nada, você tem dinheiro?
Claro que a gente tem.
É, porque eu tô cansada de levar calote de garotada como vocês.
Eu sempre te paguei direitinho. Eu sei que você sempre me pagou direitinho.
Mas eu posso levar um cano pela segunda vez.
Você tem alguma tara?
Não. É, porque é mais caro.
Bem, eu tenho manteiga, chicote, botas...
roupas de couro e até velas para fazer um velório.
E eu vou te contar um lance legal. Outro dia veio um velho aqui, rico podre, e me
deu uma grana altíssima. Sabe o que ele quis que eu fizesse? Que eu ficasse como
um morto.
Aí ele ficou trepando em cima de mim.
E eu não aguentei e respirei. E não é que o velho bruxou?
Bem, mas tudo bem deixar para lá. Vocês querem trepar aqui na sala mesmo?
Tudo bem. Então vão tirando a roupa.
Eu prefiro a gente ficar sozinhos. Num quarto.
Está bem, vamos entrar.
Ei, mocinha, vem cá.
Peguei isso pra você hoje.
Até já.
Olá.
Ei, aqui é tudo ótimo. Nem maçaneta tem.
Tudo bem.
Você é muito bonito, sabia?
E tem um cheiro tão gostoso.
Ai, eu adoro homem bonito e que cheira bem como você.
Eu gosto de homem, sabia?
Sou como certas putas por aí que viraram paraíba de tanto pegar homem.
Já está duro?
Espera aí, espera aí. Sai de cima. Sai de cima. Dá um tempo.
Calma, poxa. Se eu tirar meu vestido, vai rasgar todo.
Sai, calma. Dá um tempo.
Pô, depois tem que dar mais umas 30 trepadas para comprar outro.
Esse cara.
Estou na minha casa, meu chapa.
Você que é sapo aqui.
Se já trepou, acho bom ir dando fora, tá?
Olha aqui, estou pagando e vou ficar quanto tempo eu quiser, viu?
É, mas seu tempo já esgotou.
Quanto é que ele te pagou? Para ficar a noite inteira, tem que pagar pela noite
inteira. Ele está pagando a noite inteira. Bem, pagando tudo bem.
Ai, estava tão ruim na rua.
Não tinha homem nenhum. Como é? Trouxe o dinheiro, é?
Ah, olha, espera mais um pouco. A rua está muito ruim. A polícia está pegando
muito no pé da gente.
Faz mais de dois meses que você não paga pra gente. Quem está segurando toda a
barra aqui sou eu, tá?
Olha, olha, eu sei. Mas você tem que me entender.
Eu já falei pra Lulu que eu vou pagar tudo o que eu estou devendo. Que Lulu?
Quem cuida disso aqui sou eu.
Enquanto você não pagar a gente, você não vai entrar mais aqui, meu.
Olha, eu não vou sair daqui.
Já fazem cinco anos que eu moro aqui e você não é o primeiro capitão da Lilo.
Ainda tá botando banca, cara? Vai saindo daqui, tá? Não, não. E você que vem com
essas mulheres e ficou aqui de graça, por que eu não posso ficar?
Pô, tira a mão da menina, hein? Quem sacanagem é essa comigo? Sabe que eu sou
um viado? A caça fez uma coisa e vai cair no jato. Não! Fala com isso! Não
põe amor em mim, pô! Eu não vou sair!
Fala comigo! Ah, eu não sinto!
Para, tia! Para!
Ah!
Eu vou chamar a polícia!
Eu vou chamar a polícia! Eu vou chamar a polícia!
Seu viado! Eu vou chamar a polícia! Você me paga!
Logo que o cara lá vai chamar a polícia... Espera aí, não vai se
arrancar coisa nenhuma.
Aquele viado não vai chamar ninguém.
Toda noite essa mesma confusão aqui.
Não aguento mais, já estou de saco cheio.
Ah, mas tudo bem. Eu vou sair dessa vida logo mais. Eu fui convidada para fazer
cinema nacional, ser atriz. É? É.
Boa, né?
Você fica uma gracinha com esse cigarro no canto da boca.
Você acha?
Ei, o que é isso aqui?
É para me proteger. Proteger de quê?
Sei lá, contra desgraças.
E desde quando Deus vai te proteger contra desgraças?
Com tanta desgraça que tem nesse mundo, ele não consegue resolver.
E se ele quisesse acabar com a desgraça, não pode.
Então ele é impotente. E se ele é impotente, ele não é Deus.
E se ele pode acabar com a desgraça e não quer...
Ele é mau.
E se ele é mau, ele também não é Deus.
E se ele não pode e não quer, ele é impotente e mau. E isso, para mim,
também não é Deus.
E se ele pode e quer, por que ele deixa esse mundo tão ruim assim?
Ah, eu não acredito em Deus, não.
Ah, eu não sei.
Às vezes eu acredito, às vezes não.
Mas é melhor acreditar do que não acreditar.
Porque se ele existe realmente, a gente não tem nada a perder, né?
Sabe que você falou uma coisa muito certa.
Você tem razão.
Ah, não vamos falar mais em Deus não. Vamos dar mais uma rapidinha.
E eu quero a Lulu.
A Lulu não pode te atender hoje, mas eu posso te agradar no lugar da Lulu.
Não, não. Eu quero a Lulu.
Mas o que a Lulu tem de mais gostoso que eu não tenho?
Mas eu quero.
Eu quero. Finge que eu sou sua Lulu. Eu serei sua Lulu hoje.
Tá bem.
Você está ganhando bem.
Eu estou gostando de você, viu, Norma?
Ah, Ben, para com isso. Está machucando o neném.
Vem cá, Ben. Vem.
Onde é que está a salada que foi pedida faz um tempão? O freguês já reclamou
duas vezes.
O prato quente já foi e a salada ainda está aqui. Eu já estou quase terminando.
Ah, se eu vou acabar perdendo todos os meus fregueses.
Apreste só aí, vai.
Bom, ela é nova aqui, né, seu Roberto?
Não tem prática ainda. Ah, aqui não tem esse negócio de ter prática ou não.
Entrou aqui, tem que trabalhar como manda a casa.
Esse cara aí, ó.
Nojento pra burro.
A gente só aguenta ele aqui porque ele é o filho do patrão.
Está com calma, minha filha. No começo também era assim.
Hoje em dia, não esquenta a cabeça com mais nada.
Um dia desse ainda atira na esportiva. Eu vou mandar esse cara para aquele
lugar, ó.
Você vai ver o que eu vou falar para ele.
Deixa comigo, minha filha.
Deixa comigo, deixa.
Que que é isso, rapaz? Quer dizer que eu te levo lá no porteiro e você se
apaixona pela piranha?
Tá ficando louco, rapaz? Pensa bem, quer estragar sua vida, pô. Fica frio, cara.
Não te mete, não.
A Lulu é uma mina muito legal, tá?
Tá legal.
Depois não vai falar que eu não te avisei. Que eu não sou seu amigo.
Tudo bem.
É importado? Não, nacional mesmo.
Ah.
Eu adoro ganhar presentes.
É tão difícil alguém me dar um presente.
Mas você também vai ganhar um presente hoje.
Eu? É. O quê?
Eu vou dar para você de graça.
Boa noite.
Oi, espere um pouco.
Queria falar com você.
Queria te pedir desculpas.
Acho que fui rude com você hoje à tarde.
Não faz mal.
Eu já esqueci.
Então quer dizer que você tem memória curta.
Não é que eu tenha memória curta.
Pelo contrário, a minha memória é boa.
Eu só esqueço o que eu quero esquecer.
Então quer dizer que eu estou perdoado.
Eu já te falei que já esqueci.
Ótimo. Eu estava muito nervosa com toda aquela agitação.
Eu não estou acostumada com isso. Eu nunca trabalhei em um restaurante.
E o que você fazia antes?
Nada. Eu nunca fiz nada.
Eu não precisava trabalhar.
De repente, houve um desastre e meus pais morreram. Aí a situação piorou e eu
tive que trabalhar.
Eu sinto muito.
Sente muito por quê?
Você não conhecia eles?
Ah, eu digo eu sinto muito porque todo mundo diz isso.
Você queria que eu dissesse o quê?
Parabéns? Esquece.
É sempre perigoso uma moça bonita e nova como você andar sozinha à noite.
Eu preciso me acostumar.
Eu posso te levar em casa.
Não precisa.
Eu pego o ônibus logo ali.
Deixa eu te levar.
Pelo menos hoje.
Está bem, já que você insiste.
Só que a gente vai ter que voltar.
Deixei o carro lá atrás.
Mas esse não é o meu caminho de casa.
Eu sou um monstro, estuprador.
Eu vou te levar para o mato e vou te deflorar.
Para de falar besteira e me leva para casa.
Não é nada disso.
Eu vou te levar para um lugar legal.
A gente toma um drink.
E depois eu te levo para casa.
Eu não bebo. Você toma um guaraná.
Não confia em mim?
Hein?
Gostou?
com medo do monstro estuprador?
é o seguinte.
Você tira minha roupa.
Eu tiro a sua.
Assim a gente se excita.
Uma boba.
Eu sempre choro quando estou feliz.
Dá pra você dar uma força pra nós?
Nosso carro atolou na areia, nós estamos em quatro, mas mesmo assim tá difícil de
tirar. Dá pra você dar uma força pra gente?
Tudo bem.
Falou. Espera um pouquinho.
Vamos lá.
Você viu só?
É foda, né? Parece que atolou mesmo. Oba, tudo legal? Esse aí é um chegado
nosso. Oba, tudo bem? Como é que é? Vamos lá? Então vamos lá, moçada.
Oba. Vamos lá.
Vamos lá.
Tá legal, só que eu vou botar o shortinho, porque chegar lá assim não
dá, né?
Não.
Eu gosto do mar.
A mim faz.
Eu me sinto atraída pelas águas.
Então eu sinto que uma voz está me chamando e que eu tenho que ir.
Quando eu era pequena...
Os meus pais me trouxeram para a praia.
Aí eu comecei a andar, andar.
Juro que nem sabia o que estava fazendo.
Aí o meu pai me tirou da água.
Quase que eu morro afogada.
Levei uma surra depois e nunca mais vim aqui. Nunca mais.
Sabe aquele pessoal que eu ajudei a desenterrar o carro?
Eles nos convidaram para ir na barraca deles.
Se você quiser ir, vamos.
Se não quiser... Mas eu preciso voltar para a cidade.
Amanhã eu tenho que trabalhar.
E eu não quero dar uma mancada logo de cara.
Você esqueceu que eu sou o patrão?
Se eu digo que podemos ir, podemos.
Olá pessoal, tudo bem? Tudo bom.
Senta aí.
E aí?
Aí a gente tava falando sobre swing.
Os meus pais frequentam um clube de swing, sabe?
Eles vão lá toda semana.
Aí eu transo com ela, com ela.
Ele transa com a minha, eu com a dele.
E aí tudo bem. Ah, legal.
Aí se meus pais souberem dessa transa, eles me matam. Esse negócio aí de minha
mulher, só eu posso meter, isso já era.
Por que as mulheres não podem transar com outros caras se os homens podem?
Cara, quando minha mãe descobriu que o meu velho tinha uma amante, sabe o que
foi que ela fez?
Pegou um moleque de 18 anos, levou pra casa, deu pra ele só pra ele dar fogo
pro velho, mano.
É fogo, hein?
Vocês pensam que eles estão separados? Que nada, malandro. Se curtem mais
ainda, mano. Eu acho que eles transam um clubinho de swing por aí. Só pode
transar, falou? Se eles toparem, nós podemos fazer uma troca.
Marina! O que você acha que eu sou? Me entregar para esses loucos?
Puxa o cobertor para mim.
Eu estou com frio.
Marcelo, Marcelo, Marcelo, Marcelo, Marcelo, sabe que horas já são?
Seis e meia, menino, vamos.
Ah, Marcelo, eu não já te falei que eu não quero que você jogue essas roupas
pelo chão, Marcelo?
Ai, tudo suja, eu vou ficar louca.
Ai, ainda bem que essa está limpa.
Ah, Marcelo, Marcelo, anda, menino, colhe, eu vou embora e você vai ficar,
hein? Anda logo, vamos.
Ai, meu Deus do céu, anda, Marcelo.
O que foi?
Nada.
Aconteceu alguma coisa?
Estou lembrando de papai e mamãe.
Vamos apressar esses pedidos aí, ó.
Já tem gente reclamando, hein?
Já tá saindo.
Tá quente.
Volte sempre, tá?
Estou com nojo de você.
Por quê?
Não quero mais ver você aí metendo com o primeiro que te pagar.
Você queria que eu fizesse o quê?
Qualquer coisa.
Só não quero mais ver você aí metendo com o primeiro que te pague.
Você não é tão bobinho como eu pensava.
E também não está falando mais como garotão.
Olha aqui.
Eu não vou deixar ninguém dizer o que eu devo fazer ou não, tá legal?
É, mas o cafetão, Anne, você... Olha aqui!
Eu não vou deixar ninguém falar assim comigo, tá legal?
Eu não tenho cafetão nenhum.
E também sou uma mulher totalmente independente. Eu gosto dele e ele de
mim, só isso.
Tem muitas putas que gostaria de sair dessa vida.
Pra fazer o quê? Ser babá?
Empregada doméstica?
Eu já fui.
Na casa de um banqueiro.
O velho era viado.
Tinha uma filha que não regulava bem da cabeça.
O filho era maconheiro e roubava de todo mundo.
A mulher então falava mais palavrão do que todas as putas do mundo.
Só sabia falar por favor quando tinha visita em casa.
Um dia a maldita disse que eu roubei as joias dela.
Aí chamou a polícia.
Nunca fui tão humilhada na minha vida.
Mandaram que eu tirasse todas as roupas.
Porque a viada disse que eu escondia as joias aqui, ó.
Depois descobriram que foi o filho mesmo que roubou as joias.
Ah, mas eu fiquei tão feliz.
Fiquei tão contente que liguei para a casa dela só para me vingar.
Aí eu disse, ô dona Isaura.
A lazarenta desgraçada ainda tinha nome de empregada.
Eu disse assim, filho de ladrão, ladrão é.
Todo rico é ladrão.
Por isso quero ser pobre.
Pobre com dignidade.
Não tenho patrão e não vou ter nunca, por isso trabalho por minha conta.
Qual é, hein?
Eu arrumando freguês pra você aí fora e você batendo bala com esse moleque? Ah,
não amola você também, tá legal?
Vai, cai fora, Pivete. Espera aí, ele vai ficar aí sim. Qual é? Pô, vai
defender o Pivete agora?
Você precisa ganhar, não é? Deixa o saco!
Peraí, qual que é a sua? Você vai bater em mim? Deixa ele aí! Vai embora, cara!
Você ficou louco? Eu te dou o chão na cara, hein? Você me paga, tá legal?
Pago, é?
Merda, droga, cacetão de droga!
Merda! Você vai ver, sua faca, eu vou...
Onde você trabalha?
Trabalho em supermercado. Que saco! Estou cansada de conhecer pé de chinelo,
garçom, vendedor, office boy, gente que trabalha em supermercado. Ué, você tem
alguma coisa contra quem trabalha em supermercado?
Não, mas eu gostaria de conhecer alguém de televisão.
Por quê?
Porque eu gostaria de ser chacrete.
Chacrete?
Ai, como eu faria qualquer coisa para conhecer alguém de televisão que me
fizesse virar chacrete.
Você usa peruca? Claro, por quê? Olha, se eu soubesse que você usa peruca...
Ah, seu bobo, vá!
Calma, calma, calma. Você fica tirando o carro de mim, né? Você vai ver. Eu vou
ficar bem famosa e não vou nem ligar pra você, tá?
Tadinha. Ah, me ajuda a arrumar um nome artístico, vá.
Pra você?
É. Sabe, agora que eu tô ficando famosa no teatro, eu não posso usar esse nome
meu. Meu nome é tão cafona que...
É Marilyn Monroe.
E já tem. Ah, já tem? É. Então, Marilyn Monsi.
Monsi. É, mas Monsi com Y.
Com Y?
Por quê? Porque com Y fica bem americano.
Não demoraram muito para me mandar embora.
E sem direito a nada.
Disseram que sempre chego atrasado. De verdade foram só três ou quatro vezes.
Eu tive vontade de mandar o patrão para o inferno.
Mas deixa para lá.
Perguntei se você me ama de verdade.
É claro que eu te amo.
Então devemos pensar seriamente no nosso caso. Seriamente.
Como assim?
Seriamente?
No nosso casamento.
Casamento?
Olha, eu gosto muito de você.
Mas não para casar.
Mas eu quero me casar.
Os meus pais morreram faz pouco tempo.
Eu preciso.
Eu quero te amar.
Ficar com você.
Lavar suas roupas.
Cozinhar para você.
Ficar te esperando.
E quando você voltar para casa, eu quero estar te esperando com
um jantarzinho.
Só para você.
Eu quero ser uma boa esposa, como a mãe foi.
Olha, vamos tomar um drink para você refrescar sua cabeça, vamos?
Mas eu não quero drink.
Eu estou grávida.
Grávida?
Sim.
Eu estou grávida e o filho é seu.
Mentira.
se você não casar comigo eu falo pra todo mundo que eu estou grávida
e que o filho é seu
Espera um pouco.
Pai, faz muito tempo que eu tenho notado que tem sumido algumas coisas
aqui do restaurante.
Com licença, o senhor não quer dar uma olhada no que essa moça traz dentro da
sua bolsa?
Sabe o que é?
Nós somos muito honestos.
E gente honesta.
Nunca desconfie das pessoas.
Vamos, pai.
Veja o que essa moça traz dentro desta bolsa. Não, mas... mas não
fui eu.
Não fui eu.
Eu que confiava tanto em você.
Não posso acreditar.
Mas não fui eu.
Não sei quem colocou isso aí.
Foi você.
Foi você, seu canalha.
de extravasar o ódio que a gente carrega dentro de si.
Vamos. Continue chorando.
Isso faz bem.
Não liga pra mim.
Desculpe se atrapalhei.
Que noite tão bonita.
Você chorando desse jeito.
Bem, cada um tem seus problemas.
Você os seus.
Eu os meus.
Rodolfo é maravilhoso.
Acho que me apaixonei perdidamente por ele.
Ele é culto.
Fala muito de ecologia.
Ele me ensina tantas coisas.
E eu fico horas e horas ouvindo ele falar sobre tantas coisas que ignorava.
Ele me diz que o mundo está se transformando numa floresta venenosa.
Que quando um inseto mastiga uma folha de uma planta, está condenada.
Que uma pulga pode morrer se morder um cachorro.
Porque o sangue está contaminado.
que uma abelha pode transportar néctar venenoso para sua colmeia e produzir mel
venenoso.
Com ele, aprendi a viver e adquiri uma sede insaciável
de conhecer tudo o que existe no mundo.
A Lulu está aí? Não, ela não está. Quando é que ela volta?
Ela não volta mais.
Dizem por aí que ela e aquele cafetão barato andaram assaltando uma joalheria.
E que deram de pinote pro Paraguai ou pra Bolívia.
Qualquer lugar assim, aquela puta agora tá cheia da grana.
Tá, tchau.
Ei, benzinho, eu não sirvo.
Deixa pra outra hora, tá?
Olha, eu garanto que eu tenho um corpo bem melhor do que o dela.
Tá bom.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.