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ESTA É UMA SÉRIE DE FICÇÃO INSPIRADA EM UM CASO REAL.
PERSONAGENS, NOMES, DIÁLOGOS, SITUAÇÕES E LUGARES FORAM RECRIADOS.
QUALQUER SEMELHANÇA COM PESSOAS, MARCAS OU INSTITUIÇÕES REAIS
É MERA COINCIDÊNCIA.
ESTAÇÃO DE SERVIÇO
- Oi. - Oi.
- Desculpa a demora. - Não foi nada.
Clara.
Oi.
Obrigada por vir.
Não sei muito bem como começar.
Fica calma.
A gente vai aos poucos.
Posso gravar?
Sim, vamos começar.
CONFINADA
EPISÓDIO 6 "JUSTIÇA"
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Apaguem as luzes, desliguem as sirenes.
Desliguem tudo.
Venham comigo, por favor.
Por aqui.
Por aqui, doutor, por favor.
Qual é o nome dela?
Maria Teresa.
Maria Teresa.
Eu sou o Doutor Frías. Está me ouvindo?
Clara.
O outro nome dela é Clara, doutor.
Clara.
- Clara, me conta o que aconteceu. - Ela não se lembra de nada.
Clara.
Clara, siga o meu dedo.
O que aconteceu?
- Ela se machucou. - Caiu da escada.
E como ela caiu?
Não sabemos, a encontramos já caída no chão.
E aqui?
Não sabemos, Doutor.
Não, não pode fazer isso.
Temos que transferi-la. Traga a maca!
- Não, é impossível. - O quê?
O Dr. Menéndez é o responsável e sabe...
O Dr. Menéndez não trabalha no plantão.
Sou o responsável pela paciente.
Isso é um convento de clausura.
A Maria Teresa não sai daqui.
Traz a maca.
Rápido!
Alô.
Sim.
Doutor Menéndez.
Nós vos pedimos, Senhor.
Pela paz em nossas casas.
Nós vos pedimos, Senhor.
Pela paz no convento das carmelitas.
Nós vos pedimos, Senhor.
Pela paz em nossas famílias.
Nós vos pedimos, Senhor.
Pela paz em nossas casas.
- Nós vos pedimos, Senhor. - Nós vos pedimos, Senhor.
Pela paz em nossa cidade.
- Nós vos pedimos, Senhor. - Nós vos pedimos, Senhor.
- Pela paz em cada irmã do carmelo. - Nós vos pedimos, Senhor.
- Por nossas famílias. - Nós vos pedimos, Senhor.
- Pela paz para nosso povo. - Nós vos pedimos, Senhor.
- Pela paz em cada irmã do carmelo. - Nós vos pedimos, Senhor.
- Por nossas famílias. - Nós vos pedimos, Senhor.
- Pela paz em nossas casas. - Nós vos pedimos, Senhor.
Pela paz para nosso povo.
Saiam!
Saiam daqui!
Deixem a minha família em paz!
Vocês não têm mais o que fazer?
Saiam!
Não deem ouvidos a ela, não deem ouvidos.
Eu entrei lá querendo viver com Deus.
Eu acreditava na Virgem
e dizia a mim mesma:
"Isso parece bom, vou morar na casa da Virgem Maria."
Aquela para quem a minha avó cantava quando eu era criança.
E era isso que eu imaginava quando entrei.
Porque quando alguém te diz:
"Deus te escolheu antes mesmo que você soubesse."
Você pensa: "Isso é bom, não é?
Deus me escolhe entre tantas pessoas, como eu vou traí-lo?"
Mas lá dentro é outra coisa.
Você começa a pensar besteira.
E...
justifica tudo o que fazem com você ou te obrigam a fazer.
Porque primeiro vem Deus e depois eu.
Depois vinha eu.
E eles colocam isso na sua cabeça desde o começo.
E agora, eu penso nisso e...
como Deus vai impedir que os seus irmãos
ou a sua mãe te visitem?
Ou como ele vai nos deixar pensar
que a morte é melhor do que estar vivo?
Ou que sofrer traz paz!
Eu me perguntava isso às vezes.
Mas cada vez o fazia com mais culpa, mais medo,
porque a Madre se intrometia em tudo
e te fazia desistir do que estava pensando.
E aí, logo em seguida, você aceita que merece o castigo
por agir mal e tudo começa outra vez.
Dá para entender?
E aí você fica sozinha.
Como num limbo, em lugar nenhum.
Já não dói mais o cilício, a disciplina no corpo.
Você não dorme, não come.
E perde a fé.
Mãe.
Por favor, não se intrometa, tá? É uma decisão da Clara.
Eu sei que é uma decisão da Clara.
Eu posso ficar?
Não sei se é uma boa ideia você ouvir tudo isso, mãe.
Eu quero ficar com você.
Vamos continuar?
Em que momento você parou de achar que era culpa sua?
Ave Maria Puríssima.
Descansou bem?
A Madre me pediu para te acompanhar até a rodoviária.
Eu arrumei a sua mala.
Saímos em duas horas.
Para onde?
Para Chubut.
O Doutor Menéndez achou que é uma boa decisão.
Ele disse que vai te fazer bem mudar de ares, não se lembra?
Já vai, irmã?
Eu te ajudo.
Se cuida.
Se cuidem, irmãs.
Traz umas estacas do galpão.
Ajude-a, por favor.
- Isso é para irem à estação. - Obrigada.
- Onde ela está? - No refeitório.
E como ela está?
Bom, Madre...
Eu vou me despedir dela.
Irmã Maria Teresa?
E para mim, ir embora naquele caminhão...
foi recuperar a fé.
A fé em mim mesma.
Alô, aqui é a Martina Robles, preciso falar com o promotor.
Lembrando de nossos pais e de sua santa aliança.
É a salvação que nos livra dos nossos inimigos
e das mãos de todos os que nos odeiam.
Realizou assim a misericórdia que teve com os nossos pais,
lembrando a sua santa aliança
para nos conceder que, livres do temor,
arrancados das mãos dos inimigos
e das mãos de todos os que nos odeiam.
Realizou, assim, a misericórdia que teve com os nossos pais,
lembrando a sua santa aliança.
Parem com isso. É um ato de violência.
Nós não fizemos nada.
A única coisa que fizemos foi rezar pelas almas perdidas deste mundo!
Não perca a sua dignidade, senhora!
Por favor!
Há aproximadamente um ano,
o Convento das Carmelitas Descalças foi palco de um escândalo
que até hoje continua abalando a Igreja.
A irmã Maria Teresa da Eucaristia
foi a religiosa que quebrou o silêncio
e denunciou supostos abusos e torturas dentro do Convento.
O verdadeiro nome dela é Clara Barboza,
ela passou 14 anos trancada contra a sua vontade.
- Voltamos ao estúdio. - Muito obrigada, Mariano.
Na verdade, hoje, é a primeira audiência
em que ela vai se apresentar...
APÓS O DEPOIMENTO DE SILVIA ALBARENQUE RAUSCH
PERANTE O TRIBUNAL EM 2016,
A MADRE SUPERIORA LUISA TOLEDO FOI CONSIDERADA CULPADA
PELO CRIME DE PRIVAÇÃO ILEGAL DE LIBERDADE
COM USO DE VIOLÊNCIA E AMEAÇAS.
ELA FOI CONDENADA A TRÊS ANOS DE PRISÃO,
MAS APÓS ALGUNS MESES, CONSEGUIU A LIBERDADE CONDICIONAL,
ESTABELECENDO RESIDÊNCIA NUM CONVENTO NA CIDADE DE BUENOS AIRES.
DEPOIS DE UM PERÍODO DE VIDA CIVIL,
SILVIA ESCREVEU UMA NOVA CARTA AO VATICANO.
DESSA VEZ, ELA TEVE UMA RESPOSTA.
E FINALMENTE CONSEGUIU O ROMPIMENTO COM A ORDEM.
"TEM UMA FRASE QUE DIZ QUE O INFERNO É A FORMA COMO OS OUTROS TE OLHAM.
EU SINTO O OPOSTO:
DESDE QUE COMECEI A FALAR EM PÚBLICO,
A MINHA AUTOESTIMA, TÃO DESTRUÍDA, COMEÇOU A SE RECONSTRUIR.
QUANDO EU SAÍ DO CONVENTO, EU NÃO TINHA CABELO, NEM LEMBRANÇAS,
NEM FORÇAS, NEM IDENTIDADE.
HOJE TENHO PESSOAS QUE ME AMAM, UM DIPLOMA, PROJETOS, UMA CASA.
PARA MIM, O OLHAR DO OUTRO FOI O MEU PARAÍSO."
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