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Alô? Quem está lá?
Ora, quem está? Eu? Sei muito bem que és tu. Mas como é que tu te chamas, ó seu
pedaço de asno?
Que história é essa?
Quem é você?
Por que deseja saber meu nome?
Ó, Mariola, o assunto é muito sério. Diz logo o teu nome.
O meu nome é Ricardo.
E vieste de São Paulo?
Brasil?
Acertou. Então vamos nos encontrar.
Mas encontrar onde? Quem é você?
Não fiques tão apressadinho. Dá tempo ao tempo.
Mas como é que nós vamos nos encontrar?
Nós vamos.
Podes estar certo disso, meu querido.
Estás bem?
Estou.
Estou.
Tu és débil mental?
O quê?
Vamos ficar assim?
Olha bem para mim. Tenho cara de estátua?
Bem... Desculpe-me.
Vamos sentar, por favor.
Então és o Ricardo.
E você é? Rose.
Conheces a voz?
A mulher misteriosa.
Podemos conversar e resolver esse mistério.
Aqui não.
É perigoso.
Perigoso para quem? Para você?
Para você.
Está escorrendo perigo.
Vamos
sair,
então. Um momento.
Olha, eu tenho um compromisso. Nos falamos amanhã. Tchau, beleza?
Até agora você não me disse nada a respeito desse mistério todo.
Tem tempo.
O que você sabe a meu respeito? Muito.
Sei que no Brasil você exporta soja e importa azeite português.
E o que acha disso tudo?
Fala, o que acha disso tudo?
Muito prosaico e pouco poético.
Mas ninguém corre perigo por isso.
Tu corres. Muito perigo.
Mas por quê?
Aqui não.
Aqui
estamos
seguros.
Podemos falar.
O que tem a dizer?
Um momento.
O que é isso?
Coisas. Os tiros no castelo São Jorge não me deixaram escrever.
Escrever o quê?
Coisas. Olha, eu não tenho nada a ver contigo. Apenas soube que serias vítima
de um atentado.
Por quê?
Tu não sabes?
Será que a concorrência anda tão brava assim?
Mas que raio de coisa você tanto escreve?
Assunto meu.
Bem, o que é que nós vamos fazer agora?
Tu estás perguntando mesmo?
Claro que estou.
De verdade que não sabes o que vamos fazer?
Não sei, gostaria de saber.
Bem, é simples, muito simples.
Como se diz no Brasil, vamos dar uma trepada.
Que?
Porque eu espanto.
No Brasil se faz isso diferente?
Certo, certo.
Entendi.
Quantos escudos?
O que é isso, ô gajo?
Vamos ou não vamos?
Ou te falta competência?
Que é isso?
Pra cima de mim, não.
Nasci em Mato Grosso.
E daí?
Talvez tu não tenhas competência.
Olha, meu querido, tamanho não é documento.
Diz isso porque ainda não vi o tamanho.
Então és um bem servido?
Até agora nenhuma reclamou.
Aqui ou lá?
Lá, porque aqui ainda não tive oportunidade.
Vais ter.
Vais ter.
É pra valer mesmo?
Pra valer. Das duas, uma.
Ou tu me comes, ou eu te como.
É chegado?
É chegado, ô gajo?
É o que eu mais gosto.
Deixa um pouquinho.
Não, isso não. Vai, vai.
Quieta.
Você precisa ser mais atento.
Vá para a merda!
Por que quer me matar?
Te matar?
Mas, seu burro, só estou querendo salvar a tua vida. Me atropelando.
A culpa é tua. És muito extraído.
Olha, essa história está mal contada. Não vejo ninguém me seguindo e as coisas
só acontecem quando estou com você. Só com você.
É, cachopo, tu não és de perceber nada mesmo. Vai, vai, tá. Toque esse carro.
Vai, vamos. Vai.
Outra vez esse negócio?
É preciso.
Sou uma mulher muito organizada.
É sobre mim que você está escrevendo aí, é?
Talvez.
Olha, eu tenho muito o que fazer. Não posso ficar bancando turista por aí.
O que prefere? Ser um defunto?
O quê? Quer parar de brincar?
Fala sério.
Não acredito mais.
Não? Não.
Calma, calma, calma. É só um tiro.
Vai, Leandro. Vamos.
Rápido.
Que palácio é esse? O da ajuda.
Puxa, os portugueses têm um palácio só pra isso?
Pra quê?
Pra ajudar.
Não precisa ser tão cretino.
Olha, está bem.
O passeio está muito agradável, o seu carro é ótimo, mas eu parei por aqui.
Vou descer.
Tchau. Vais me abandonar? Vou.
Agora e já. Vai mesmo?
Eu quero ficar rápido.
Pra onde?
Não interessa, eu te ensino o caminho. Vai, vai, em frente.
Vamos rezar um pouco? Acho que precisamos, né? Na nossa profissão não
fazemos isso.
Na nossa não, na sua. Mas qual é mesmo a sua profissão?
Adivinha. O que eu pareço?
Quer saber mesmo?
Uma espiã.
Uma espiã portuguesa.
Pois nem portuguesa eu sou.
Logo vi.
Você tem cara de pizza napolitana.
Paneleiro!
Tchau.
Você quer me explicar porque está andando assim de um lado para o outro?
Estamos à espera.
À espera do quê?
Da hora.
De que hora está falando?
Da hora final.
Estranho.
Estranho o quê?
Aqui no cais deveria haver um sinal avisando.
Não entendo.
Avisando o quê?
Nada. Nada. Vamos.
Aqui está bom.
Bom para quê?
Para a nossa despedida. Tu não vais hoje para o Brasil?
Vou. Então, vamos dar a despedida.
E aí
Que ideia maravilhosa em passar uns dias aqui em Lisboa.
Estou adorando. E você?
Eu também, boneco. Mas está na hora de acertar as nossas contas.
Contas? Mas que contas?
São... deixa eu ver.
Pontos turísticos, fodinhas no hotel, correrias, gasolina,
praias... Auto-fodinha, etc, etc, etc.
Para você, que é um gajo bonitinho, só 50 mil escudos.
50 mil escudos?
Eu não tenho.
Tá, aceito em dólar. Menos cruzeiro. Nada de cruzeiro. Você deve estar
brincando. Eu não vou te pagar porra nenhuma, sua portuguesa fajuta.
Tá, tá bom.
Calma, não precisa ficar nervoso. Estava só brincando.
Olha.
Vamos dar uma corrida na praia? Ah, com esse frio?
E daí?
Não importa.
O último que chegar na praia é um bobo. Topa?
Topa. Vamos. Vamos ver quem chega primeiro. Eu? Vamos.
Vai,
vai, me pega. Vamos.
Vai.
Otário.
Duvido você me pegar, viu?
Ei!
Ei! Espera aí! Vai! Espera! Espera! Espera aí! Sua... Sua... Sua...
Capivara portuguesa!
Puta que pariu.
Saí do Brasil pra me fuder em Portugal.
Ô gajo, tu não podes ficar no cano pra ela.
Puta que pariu.
Se tu cato, espera, ô gajo. Porra.
Ô gajo, cato come de graça.
Não é o dia. Fez razão, ô fraga.
Puta que pariu.
Viado.
A bicha nesse...
Alô? Sim, sou eu, Juliana.
Não precisa dizer que sei quem é você.
O que eu quero é simples.
Quero que você vá à merda!
Você tirou mesmo o dia pra me encher o saco, hein?
O quê?
Você, meu homem?
Olha, meu bem, eu vou lhe dizer o que vou fazer.
Vou sair e provar pra você que já disse um chega entre nós.
Como? É simples.
Vou sair e dar primeiro o homem que encontrar.
Porra!
Saco!
Olha, meu querido.
Alguém já lhe mandou pra puta que eu pariu?
Se não mandou, aproveita. Vá agora!
Obrigado.
Aposto que aquela vaca vai fazer tudo isso aí.
Que vaca?
Nada. Eu tava pensando numa dona que eu conheço.
Ela é especialista nisso aí?
Vai levar?
Isso é pra comprar.
Não é pra ficar folhando, não.
Esse não é?
Vai ser corno.
Uma alarejada, por favor.
Que diabo de coisa eu estou fazendo aqui?
Chato.
Desse jeito eu não vou resolver meu problema.
Perdão.
Pelo que eu vi, a senhora está com um problema.
Problema? Eu?
Foi o que eu vi.
Ah, bem, não é o tipo de problema que você está esperando.
Sei lá.
Não se acanhe por isso. Eu tenho problemas.
Todo mundo tem problemas.
O meu é falar sozinha. O meu também.
Costuma falar sozinho?
Muitas vezes.
Já temos uma coisa em comum.
Como vem a primeira vez que nos encontramos e não somos estranhos um
para o outro.
Meu nome é Ricardo.
Juliana.
Jurema.
Jurema? Isso, meu bem. Qual é o seu?
Paulo. Paulo.
Gostei. É um nome romântico.
O que é que você faz, Jurema?
Estou por aí, estou por aqui, estou na vida, estou no mundo.
Um tanto filosófico isso, não? É, filosofia esse troço.
Pra onde é que você vai?
Pra lugar nenhum, e você?
Também pra lugar nenhum.
Que interessante. Isso quer dizer que estamos indo juntos, não é?
Pra onde?
Pra lugar nenhum.
É incrível.
A gente com todos esses pontos em comum, perdidos nesse mundão de cidade.
Sem se encontrar.
Sem um saber que o outro existia.
Mas os iguais sempre acabam se encontrando.
Me diz uma coisa, o teu marido... Eu não tenho marido.
Ah, noivo?
Também não.
Claro, tô bancando o bobo. O teu namorado?
Olha bem pra minha cara.
Já que você disse, o teu amante?
Sem compromisso.
Estamos progredindo.
Não, não estamos progredindo.
Eu vou me mandar.
Já? Pra onde?
Sei lá, eu vou por aí.
Eu topo, eu vou junto.
Espera aí, eu não te convidei pra vir comigo.
Se esperar convite, ficou a ver navios. Toma, fica com o troco.
Se pensa que eu faço a vida ou coisa assim, está enganado.
Eu tenho do que viver.
Desculpe, mas eu não disse nada sobre isso. Mas pensou.
Pensei em nada.
Eu estava apenas querendo chegar a uma conclusão.
Eu sou uma mulher liberada, dona do meu nariz.
Senhora do meu destino e você?
Eu estou solto por aí.
Sem ninguém?
Bem, eu tive uma mulher na minha vida. O nome dela é Juliana.
Mas ela não está mais na minha vida. Ela me encheu o saco e eu mandei passear.
Então, está solito agora?
Completamente. E você?
No momento, estou desocupada.
Eu gosto tanto daqui.
Eu também gosto.
Aliás, me traz ótimas recordações.
Olha, esse negócio de andar passeando assim é coisa romântica, de namorados.
Bem, eu... eu sempre faço isso.
Você e ele sempre faziam isso. É o que ia dizer? Tá bem, era.
Dor de cotovelo, dor de corno, paixão recolhida. Nada disso.
Acabei com ele e acabei mesmo.
Certo. Acredito que acabou com ele porque eu estou querendo que comece
comigo.
Ok?
Está se comportando como uma criança.
Ou eu, ou ela. Você não está transando comigo.
Está com essa Juliana na cabeça.
Me perdoa, vá.
Eu te quero.
Tenho que te dizer uma coisa.
Não precisa dizer nada.
Preciso, sim.
Senão vou estragar tudo.
Fala.
Eu sempre vim aqui com o Paulo.
Então o nome dele era Paulo?
Foi por isso que você me trouxe aqui?
Foi. Você não liga, né?
Olha, vamos reduzir a história.
Se você transar comigo, eu não ligo.
Mas a gente nem se conhece. É uma questão de tempo.
Somente uma questão de tempo.
Onde? A essa hora não podemos ir pra minha casa.
Eu tenho um lugar.
Não gosto de hotel.
É um apartamento aconchegante.
Seu? É. Mora lá?
Não. Ah, já sei. É o tal lugar onde você levava a Juliana.
Mas isso te incomoda? Me enche o saco, sim.
Eu acho besteira. O quê?
Você se incomodar.
É, você diz isso porque não está no meu lugar, não é?
Espera. Por que tanta pressa?
Não vamos fazer isso aqui, vamos?
E vamos fazer onde?
Jure que isso não te aborrece?
A gente viu o apartamento que você se encontrava com ele?
É apenas o lugar. É gostoso. Só isso.
Não pensa que é algum grilo meu, não.
Meu bem, para transar com você agora até o inferno serve.
Ora, você é uma mulher adulta. Vamos lá.
Você não tem outro lugar ou apartamento de um amigo?
Mas tem que ser lá.
Eu preciso.
Quero enfrentar seus fantasmas.
Não sei.
Pense o que quiser, mas tem que ser lá. Eu pago.
Pega o teu dinheiro e enfia.
Estás me entendendo? Não sou mulher de mexer.
Desculpe.
Mas você ia me fazer um grande favor.
Roubar homem das outras não faz o meu gênero. Mas você está tão aflito.
Mas eu estou gostando de você.
Juro.
Está bem.
Vamos lá.
Eu já enfrentei barras piores.
Calma, nada de pressa, tá?
Calma.
Eu disse para ir devagar.
Vamos trocar palavras de amor.
Palavras de amor?
E daí?
Você é contra um pouco de romantismo?
Jura que está falando sério?
Eu sou uma mulher muito romântica, meu bem. Adorável.
Tem certeza que é seguro?
O que é isso?
O lugar é sério. O prédio é familiar.
Eu estava falando de outra coisa.
Ela não vai aparecer por lá?
Que nada.
Ela não teria coragem.
De agora em diante, eu vou ver Juliana nunca mais.
Mas nunca mais mesmo.
Isso é paixão recolhida.
Espera. Esperar o quê? Vamos nos conhecer melhor.
Muito prazer, Ricardo Casal.
Não é nada excepcional, mas serve.
Você tem sócio no matadouro?
Eu já lhe disse que não é um matadouro.
Então, meu bem, você é muito relaxado.
Por quê?
Fica tirando suas roupas por aí.
Mas essas roupas não são minhas.
Então, meu bem, tem gente que andou na nossa frente.
Porra, alguém tem que dizer alguma coisa.
O que você está fazendo aqui?
E você?
Ah, não tá vendo?
Foi só lidar o fora pra você arrumar uma piranha por aí, hein? E você? Foi
arrumar o quê?
Era o meu direito!
Que direito? Banco a vaca! E daí?
Você não tem nada com minha vida!
Eu devia te meter a mão na cara, tá?
Essa não, que ela tem um homem aqui pra defender.
Não te mete nisso que vai sobrar pra ti, hein? Além de comigo, eu resolvo no
braço. Que isso, meus queridos?
Olha o escândalo!
Pô, eu tenho bom nome nesse prédio, né? Então deixa de ser valente. E você
queria o quê, se fosse corneado desse jeito?
A corna que sou eu. Eu acho que está tudo empatado. Você é muito folgada.
Benzinho, não facilita comigo, senão eu te dou uma porrada.
Está degringolando. Olha, gente, vamos por civilização nesse cocô. De que
jeito? Muito simples. Vocês dois vão conversar na sala e eu e ela nos
entendemos aqui.
É justo.
Justo uma merda. Quem está levando o chifre sou eu. E eu? Como ficamos?
Tá bom.
Vamos lá.
Que barra, hein, meu bem?
Veste essa roupa que o homem nu na minha frente não dá pé, hein? Já viu que eu tô
nessa de alegre. Eu não pensei que ela fosse fazer isso.
Pensou? Você pensou que ela ia fazer o quê?
Que fosse curtir uma dor de cotovelo e viesse correndo atrás de mim.
E quebrou a cara.
Você foi meio boba vindo pra cá. Eu não esperava isso do Paulo.
Ele fez a mesma coisa que você.
Ele é um bom sacana. Isso que ele é.
O que é isso?
Vamos dar uma lição naqueles dois?
Eu não transo essa.
Deixa de ser boba.
Nossa!
Tudo isso?
Entendeu agora.
Como vamos fazer?
Um papo leal, sincero. A gente conversa, explica, passa lábio nas duas.
Você fica com a Jurema e Juliana volta pra mim, tá?
Sobrando uma pra eu comer, tá tudo bem.
Mas vamos com classe.
Sem afobar.
Vem cá.
O que foi?
Você acredita em assombração?
Elas sumiram? Não. Dá uma olhada.
Você entendeu? Claro que entendi.
Pois eu não. Você pegou um travesti.
Ah, essa não.
E daí?
Vai me dizer que não sabe o que estou fazendo?
Alguém já te mandou?
Se não mandou, aproveita.
Vá, merda!
Cuidado com os gordinhos. Eles são sinistros.
Não pense que você vai entender essa merda, porque não vai.
Era uma vez uma égua pedreja.
Que fez cocô para todos vocês.
Vocês sabem o que quer dizer FMI?
FMI? Rodamos o mundo!
Como é que é? Ninguém fala nada?
Enquanto estou chupando, está tudo bem para mim.
O negócio é o seguinte.
Deste jeito, a gente não resolve nada.
Vamos mostrar para esse povo o mesmo que Stalin mostrou?
E o que foi que esse cara mostrou?
Isso.
Isso é besteira.
Pomba, mas ninguém pensa nada?
O negócio é botar para quebrar.
Como?
E se a gente pegar nos caras?
E daí?
A única coisa que pode fazer com esses caras é trepar.
Já é uma ideia.
Mas isso é o de sempre? Não muda nada?
Por que vocês não dão uma chupadinha, hein, gente? Sempre resolve.
Bebe um pouco.
Pensando?
Sim. Somos um bando de putas baratas.
Somos livres.
Estamos na nossa.
E quando a barra pesa, ninguém foge. Todo mundo topa e briga.
Que nada.
O que a gente faz mesmo é dar feito cadela no cio. O resto é lorota.
Você não aprendeu nada mesmo, hein?
E você aprendeu o quê?
Eu sou livre.
Nós somos livres, não somos?
Aí que está o galho. Nós estamos por fora.
E ninguém é livre por fora. A gente tem que ser livre por dentro.
Eu não estou te entendendo.
Liberdade de marginal não é liberdade.
Tá pensando fino e você não é disso.
Quem te ensinou esse troço? Um cara aí.
Onde isso?
A gente tava metendo e ele ia explicando que pra gente ser livre como deseja,
precisa ter a cabeça feita politicamente.
Bela metida.
Pois tá aí. Ele dizia que meter também é um ato político.
Vida fodida.
Oi?
Lá vem você outra vez? Tá bronqueada por quê? Sabe por quê. Ah, deixa de ser
chata. Tá bom.
Gosto é gosto.
Pra fazer isso, não precisa ficar nua, hum?
Eu gosto assim.
De outro jeito, não funciona.
Lisa! O que é?
Você sabe.
Ainda não aprendeu a fazer essa merda sozinha?
Se alguém não ajudar, isso não funciona.
Te vira. Não sacaneia, vá.
Não tô aqui pra segurar pau pra ninguém.
Dá uma ajudinha só.
Eu pago.
Você tem dinheiro?
Tenho 200 pratas. Dou 100.
Quero as 200.
Devia ser mais colega.
Dou 100.
200.
Piranha.
Agora você tem direito.
Que delícia.
Que
delícia.
Você gosta, não é, sua vaca? Que delícia.
Ai, esfrega.
Goza.
Goza.
Delícia.
Aí, mijão.
Porra, o que você tá fazendo aqui?
É, eu moro aqui.
Mora? Moro.
Lugar bom, grande e livre.
Ah, tô por dentro.
Você deve ser uma dessas hippies, punks, ou um troço assim, né?
É, um troço assim.
E não faz nada?
Faço, sim.
Eu sou uma chupadora.
Chupadora? Você não entendeu.
Eu gosto de estar sempre chupando alguma coisa.
Balas, chiclete, picolé, sorvete.
Tem um chiclete aí?
Não. Uma bala? Não.
Quer comprar um sorvete pra mim?
Vá você mesma.
É melhor eu me chupar?
Só se for... Deixa pra lá.
Espera. Onde vai?
Vou embora.
Só queria dar uma mijadinha.
Não vai, não.
Tchau.
Não tem nada pra eu chupar aí, não?
Não.
Então, você vai ficar bem quietinho, tá?
Se não, eu te arrebento de porrada, tá?
Tá.
Quietinho, pivete.
Vou
te
chupar bem gostoso.
Feia pra caralho, mas uma espadinha é uma espadinha.
Esse é o negócio.
Temos de descolar uma grana de qualquer jeito.
É o tal negócio.
Duro não tem vez nem na Bíblia. O negócio é caçar uns caras aí pela rua.
Ser puta é fácil.
Tava pensando outra coisa.
A gente escolhia uns tipos meio burgueses, trazia pra cá. E então?
E então seria a mesma coisa.
Não dou por dinheiro.
Eu acho que a Suzy tá bolando outra jogada.
Ela não me deixou falar.
O negócio é o seguinte.
A gente atrai os caras pra cá e depois desapropria algum. A força mesmo.
Na violência?
Você já viu o burguês soltar a grana no cena porrada?
E nem vai precisar muita porrada.
Eles são cagões. Uns catiripapas, eles já soltam a grana.
É. E quem vai caçar esses caras?
Nós, claro.
Ah, eu não vou. Esse negócio de bancar piranha não é comigo, não.
Se for pra dar, eu dou. A hora que eu quiser e pra quem eu quiser.
Mulher só não tira lucro em todas as vezes que faz sexo porque é trouxa.
Foi uma delícia.
Depois eu quero mais.
Onde achou isso?
Ali.
Venho fazer xixi.
Ele é teu?
Não, é nosso.
Se vocês quiserem, podem usar.
O que vou fazer com merdinha desse?
Ei, que papo é esse? Te manca. Te manco uma porra.
Esse careta sabe quem a gente é?
Sabe sim, já mostrei pra ele.
Coitadinho. Não vamos abusar do mais fraco.
Sem esse papo. Se folgar comigo, eu vou levar porrada.
Segura.
Levanta. Joga uma merdinha na cama.
Tem no dedo do meu cu, porra.
Joga.
Calma aí, garizete.
Olha que abampatoce, olha.
Não, isso não.
Ou isso, ou porrada.
Porrada. Porrada! Ai!
Socorro! Ai!
Socorro!
Elas pegaram alguém?
Ou pegaram ela? Vamos! Vamos, rápido!
Vamos lá, rápido!
Corre!
O que é
isso?
Rapaz, por quê?
Vocês são muito burras. Quando o rapaz acordar, vai chamar a polícia e nos
arranja uma cana. Cana porra nenhuma.
Não vai, não. Vai ficar aqui até concordar e ir numa boa.
Ele pode dizer que sim e depois ir à polícia. Deixa comigo.
Eu cuido dele.
Bom, nós vamos à caça. Ele tem dinheiro?
Opa!
500 pratas. Acabamos cedo.
O que nós vamos fazer agora?
Voltar pro hotel, arrumar as malas e dar no pé.
Eu tava pensando em outra coisa.
Ficar aqui?
É. Não, dá muita despesa. Não, nada de boate, teatro, essas coisas.
A gente podia topar uma aventurazinha por aí.
Pegar uma mulher?
É.
Dá despesa do mesmo jeito.
Não, vamos tomar um choppinho, a gente conversa, vamos?
Tudo bem.
É isso aí, rapaz.
Numa cidade como essa, tem tanta mulher precisando de homem como homem de
mulher. Mas quanto vai custar isso?
Uns aperitivos, um jantar, coisa pouca.
O hotel, a companhia tá pagando o mesmo, hein?
É.
Três médias.
Ei, esses dois aí têm caras de bolhas.
É disso que a gente precisa.
Eles olharam pra gente interessados.
Essas donas são doidas.
O que é que tem isso?
É disso que a gente precisa.
Mulher comportada tem nem casa, meu. E se a gente pegar uma gonorréia?
Ah, não precisa ser tão babaca, não.
Essas mulheres não são puta, não, pô. Eu já li na revista sobre elas.
Tá pensando que eu sou cretino, é?
Eu sou apenas cauteloso, pô. Vai por mim, eu manjo esse negócio de mulher. Eu
manjo.
Não te falei?
Estão olhando.
Eu não disse? São os otários mesmo.
Vamos lá. Vamos.
Vamos fazer isso numa boa? Sem bronca?
Sem bronca. Esquece da gente e desse lugar?
Quero que eu jure.
Jurar pra quê? Pode sair daqui e direto à polícia.
Não me interessa isso.
Seria passar esse tipo de burro. Tive uma ideia.
Se a gente sacar uma mais íntima, tudo pode ficar numa boa.
De que jeito?
Uma transada.
Quer transar comigo?
Daí eu posso ir?
Quer transar comigo?
Sim, isso ajuda.
Primeiro você tem que querer.
Quer?
Quero. Então fica no hinho aí.
Você primeiro.
Nada disso.
Você primeiro.
Que bicho.
O que vai fazer com a minha roupa?
Guardar em lugar seguro. Você não quer ser roubado. Quer?
Nisco da mãe. Você vai ver.
Segura isso aí. Vai comer o guri? Não acha boa ideia?
Diver me pagar algum.
Fui eu quem achei o pivete.
Já tomou o dinheiro do garoto, não tomou?
Chupadeiro.
Delícia. Que
delícia.
Onde é que achou esse banquete?
Na padaria. O Portuga tá afim de mim.
Só isso?
Ainda não dei pra ele.
Vou levando.
Quando não der mais pra papiar, vou pensar numa outra coisa.
Põe, merdinha.
Põe, merdinha.
Põe merdinha gostosa.
Estão gostando?
Mas é aqui?
É. O que tem? É meio esculhambado, mas é todo nosso.
Pra não sujar a roupinha, o melhor é ficar nu.
Isso não.
Paulo, vambora. Tá comendo o quê, pô?
Aqui ninguém é ladra, não.
Tá bem, nós começamos.
Vamos.
O que estão querendo, então? Não querem participar?
Paulo, melhor a gente ter no pé e perder essa boca rica.
Não vou voltar atrás.
Eu prefiro a velhinha do que trepar com quem não gosto.
Pois é.
Eu também.
Não estou aguentando mais.
Eu também.
Amor, estou gozando.
Onde está minha roupa?
Lá com a Lili.
Pega pra mim, pega.
Desistiu? Não há mais condições físicas.
Você é um merdinha mesmo.
Agora vou chupar um pirulito duplo.
Que vela besta!
Parou! Ai, meu saco!
Manda trazer a roupa e a mala, senão te arrebentamos tudo, hein? Mas elas
estavam só brincando!
Mas eu não tô!
Olha aqui, gente. Olha aqui, ó.
Ih, vamos levar a Lili.
tinha muita grana?
fudemos.
Acho que elas foram embora.
Preciso achar minha roupa.
Eu só queria dar uma mijadinha.
Que cagada.
O que eu vou dizer lá em casa?
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