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Ainda não me acostumei que esta é sua mesa agora.
Nem eu.
Nem que Lisa é a chefe e você o produtor do Bill.
A gente se afasta uma semana, e tudo muda.
Eu sinto muito. Ainda dói, não é?
Não, mas leva tempo para se acostumar.
Que bom.
- Eu não estou bem! - Tem certeza? Você parecia bem.
Aquele antigo Dave estaria bem.
Dave, o bem-intencionado, tranqüilo, calmo, ele sim.
Mas eu não. Sabe por quê?
Porque esse Dave, infelizmente, a partir de hoje, morreu.
- Não morreu, Dave. - Morreu, sim. Preste atenção.
A partir de hoje, nasce o novo Dave.
Um Dave que, por falta de palavra melhor...
é a maldade em pessoa.
- A maldade em pessoa? - A maldade... em pessoa.
Dave, me empresta cinco pilas?
Claro. Minha carteira está na mesa. Pegue o que precisar.
Onde eu estava?
A maldade em pessoa.
Maldade... em pessoa.
E ao incorporar a maldade, como faço agora...
em só uma semana, terei meu emprego devidamente restabelecido.
- Vai fazer a Lisa ser demitida? - Nossa, não.
Isso não seria justo. Não é culpa dela.
Eu não deveria fazer dela o alvo da minha...
- Maldade. - Sim.
Coisa que ainda estou aprendendo.
- Continue. Uma hora você aprende. - Obrigado.
Pegue um refrigerante para mim. Obrigada, querido.
Esse é um bom começo. Manda brasa.
- Vamos. Mais! Mais! - Pegue seu próprio refrigerante!
Sim, sim!
Está bem. Vamos.
Por enquanto, é só.
Que horas são?
- O que você está fazendo aqui? - Eu estava dormindo.
Matthew. Não deveria estar aqui. Você não trabalha mais aqui.
Depois que fui demitido, fui despejado também.
Dave disse que eu poderia ficar aqui até encontrar um lugar.
- Ele não disse isso. - Eu adoraria conversar...
mas chegarei atrasado no trabalho, se eu não correr...
- O que foi? - Não vai se trocar?
Faço isso enquanto o elevador desce. Já tenho tudo arrumado.
O que tem a dizer sobre isso, Sr. Presidente?
Eu gostaria de dizer...
Eu gostaria de dizer... "Feche a matraca, Sr. Presidente".
Sr. McNeal, queria ter uma resposta para isso.
Você ganhou. Você me pegou.
Obrigado.
O que ele está fazendo?
É um segmento novo, "Entrevistas Hipotéticas de Bill McNeal".
- É uma idéia horrível. - Não é?
Sim, é... Puxa.
A maldade em pessoa, hein?
Mas para quê, Dave?
Que tipo de produtor deixa o Bill fazer papel de idiota?
Alguém que não deve ser o produtor do Bill.
Um péssimo produtor, mas um ótimo diretor...
como já foi uma vez e será novamente.
Mas e se oJimmy mandar você embora? Já pensou nisso?
- Quem produzirá o show do Bill? - A Lisa.
- E quem será diretor de noticiário? - Acho que podem arrumar outro.
Por que arrumar outro quando já há um bom candidato?
- Você está bem? - Não tenho dormido bem.
Pronta para sua primeira reunião, chefe?
Sim, estou. Pode reunir o pessoal, por favor?
Lembre-me de reorganizar as listas, pois nem sei o que estou fazendo.
Claro que sabe. Você se preparou cinco anos para este dia.
- Do que está falando? - Vi seus gráficos e diagramas.
No papel fica bom, mas e se eu não for a chefe perfeita?
- Ninguém espera que seja perfeita. - Você é tão ingênua.
E se ninguém me der ouvidos? Como ouviam o Dave?
Eu nunca dei ouvidos para o Dave.
Bem, nem eu.
E se eu mandar alguém fazer algo e não fizerem?
E todo mundo resolver que não precisa fazer o que eu mando.
A anarquia se incide, milhões de pessoas correndo nuas, saques?
Sim, exatamente. Eu não posso arcar com tamanha responsabilidade.
Ninguém vira chefe de repente. Você tem tempo para provar quem é.
- Quanto tempo? - Uma semana.
- Só isso? - Bem, nem pense nisso.
Concentre-se em hoje, porque hoje é a premissa do resto da semana.
- E se hoje não der certo? - Nem pense nisso.
Concentre-se na primeira parte de hoje, que é a reunião.
- E se a reunião não der certo? - Nem pense nisso.
- Concentre-se na primeira metade. - Entendi.
Se a primeira coisa que eu disser na primeira metade não for perfeita...
Você será a culpada pela epidemia de saques nus...
de 1997.
Sr. Presidente, muita gente pensa que isto é um truque de rádio...
com um cara imitando sua voz, mas...
Queria que fosse, mas não é.
Sou eu mesmo, e queria eu ser tão inteligente quanto você.
Por favor, senhor.
Sejamos francos, Bill. Sou seu prostituto.
Dave, o que ele está fazendo?
É a entrevista presidencial falsa com mentiras e obscenidades.
- É uma boa idéia? - Não. É uma idéia horrível.
- Mas não sei como controlá-lo. - Malvado.
Entendo que seja engraçado, mas é legalmente correto?
- Provavelmente não. - Entendi.
Está quebrando todas as regras, não é?
Usei de toda habilidade e recurso manipulador ao meu alcance.
Assim que se faz. Esse é meu garoto.
Se der encrenca, me esqueça. Nunca tivemos esta conversa.
Na verdade, eu não sei quem você é.
- Senhor. - Não conheço você. Não posso falar.
Eu não conheço você. Sou um estranho.
Por que não começar com uma piada?
Uma piada! Que ótima idéia.
Sabe de uma coisa?
Tenho um livro de piadas para pequenos executivos.
Claro que tem.
"Piadas de co-educação, hippies...
minorias, alcoolofóbicos, Sputnik...
solteiros swingers, polacos".
De quando é esse livro?
Foi publicado em 1967. Era do meu pai.
Que legal. Meu pai também era fanático.
Atenção, pessoal. A Lisa já vai sair.
É a primeira reunião dela como chefe. Vamos recebê-la calorosamente.
Certo. Assim, Lisa!
- Sem exagero. - Sinto muito.
A palavra é sua, chefe.
- Bom dia a todos. - Bom dia.
Respire fundo.
Se não disser nada, será difícil contradizê-la.
Estamos tentando fazer uma reunião.
Ela estava engasgando. Você está bem?
Acabou a festa. Vamos continuar com a reunião?
Um padre, um rabino...
Ei, espere um pouco. Um padre e um rabino o quê?
- Eu conheço essa. - Está bem.
Um padre, um rabino e um astronauta estão num bote, e só têm um sanduíche.
Acorde.! O sol já raiou.!
Obrigado. Que dia é hoje?
Terça-feira.
O tempo voa, não é, colega?
O que eu disse de dormir no escritório?
Você perguntou para o Dave?
O Dave e eu não estamos conversando muito.
Matthew, minha mesa não é sua cesta de roupa suja.
- Você está bem? - Estou bem.
- Está relaxada. - Estou relaxada.
- Vai arrasar hoje. - Eu sei.
- Como? - Trouxe salgadinhos.
O quê?
Logo a seguir, a Casa Branca com uma declaração...
condenando os chamados locutores de rádio...
que forjam entrevistas com o presidente por puro sensacionalismo.
Eu não sei como lidar com este problema.
Eu não sei do que está falando. Não estou envolvido...
pois nunca falamos disto. Bom trabalho, seja você quem for.
- Bom dia a todos. - Bom dia.
Temos muitos assuntos em pauta hoje.
- O que é isto? - Quase me esqueci.
São umas coisinhas que trouxe para vocês.
- Nossa! - Vamos comendo.
Está tão lindo, nem quero pôr a mão.
Para isso estão aqui.
Bem, acho que precisamos falar da agenda do programa.
- Deve ter custado uma nota. - Não, eu mesma os fiz. Então...
- Eu não sabia que cozinhava. - Não.
Ontem à noite, comprei seis ou sete livros de culinária...
resumi a informação relevante, e aperfeiçoei as receitas.
Então, quanto ao programa...
Lá vou eu. Alguém me dê um garfo.
- Você mesma fez isso? - Queria que ficassem perfeitos.
Isto que é "tentar não dar na vista, mas dando na vista".
- O que devo fazer, não tentar? - Sim!
Uau! Ela até infundiu o merengue com uma pitadinha de raspa de limão.
Você é uma "Márcia" Stewart.
O que está fazendo perdendo tempo aqui como...
O que você faz aqui mesmo?
O porta-voz da Casa Branca, Mike McCurry, disse...
"Brincadeira é uma coisa, mas certos radialistas foram longe de mais...
com a sátira dos superiores da nossa nação."
Com licença. Alô.
Oi, Bill. Sou eu, o presidente dos Estados Unidos.
Oi, Sr. Presidente, soube que está zangado comigo.
Eu nunca ficaria zangado com você.
Na verdade, estou aqui sentado na Sala Oval, totalmente nu, claro...
e pensei, "Aposto que Bill McNeal pode fazer o maior alarde com isto".
Dave, se você não consegue controlar esse pessoal...
terei que fazer sérias mudanças por aqui.
Eu tento, tento, mas...
Disse isso por motivos legais. Eu nem estou aqui agora.
- Nem diga nada. - O quê?
Eu ia perguntar como pode desistir de uma mulher...
que faz bolos tão deliciosos!
É bom mesmo. É raspa de limão?
É isso, cara.
Então me ligue de volta quando pegar o recado. Obrigada.
Matthew, é hora de levantar.
Mais cinco minutos.
Eu já dei mais cinco minutos pelo menos sete vezes.
Vamos, levante. Preciso do meu escritório.
Por que fomos para o Havaí juntos?
Foi um sonho.
Não, eu tenho certeza que fomos para o Havaí juntos.
- Como foi? - Não muito divertido.
Eu sinto muito.
Conosco na rádio hoje temos meu convidado especial...
o agente do Serviço Secreto, Ed Clooney.
Ed, o presidente está mesmo zangado comigo?
Está, Bill. Está mesmo.
Na verdade, ele me mandou aqui para assassiná-lo.
Você não faria isso, não é?
Ora. Como eu poderia assassinar o grande Bill McNeal?
É muita gentileza.
Fiquei sabendo que 95% dos homens no Serviço Secreto são gays.
Isso mesmo, amiga.
- Estão prontos para a reunião. - Cancele.
Quem manda é você. Você precisa ir lá. Precisa.
Já tentei duas vezes, e só provei...
que sou ótima anfitriã e não faço duas coisas ao mesmo tempo.
Esse é um bom começo. Vamos.
- Precisa. - Não dá. Estou nervosa demais.
- Estou fazendo isto para o seu bem. - Beth, eu não vou.
Isso é tudo por hoje. Reunião dispensada.
Foi boa, mas eu realmente esperava comer mais bolo.
Lisa.
Vamos acordando!
- Que horas são? - 80:30.
Obrigada por me deixar usar seu apartamento ontem à noite.
- Você dormiu no meu apartamento? - Sim.
Você dormiu aqui, então achei que era isso que queria.
E eu estava acompanhado.
Levou alguém para o meu apartamento?
Levei, e obrigado. Vamos parar por aí.
Vou trabalhar, você está acordada?
- Sim, estou. - Está bem.
Você tem certeza?
Estou acordada.
Você está sozinha hoje.
Aí ouvi um pessoal no metrô hoje de manhã...
citando coisas que o Bill inventou nas entrevistas do Clinton.
Na minha fábrica de químicos pediam fotos autografadas do Bill.
Nossa. Eu criei um monstro.
Não. Ele já era um monstro.
Você só fez dele um monstro muito popular.
Eu bem que queria estar aqui para curtir isso.
- O que está fazendo acordado? - Jogando cartas no computador.
Obrigado. Que dia é hoje?
- Sexta-feira. - Graças a Deus. É ou não é?
Eu que o diga.
O que eu criei?
O que criou fez de Bill uma celebridade nacional, seu geninho.
Não dá para ouvir.
E quando eu imito o presidente...
não faço isto por mim.
Faço isto pelo povo americano.
E garanto que eles apreciam, Sr. McNeal, mas...
Então, os membros do senado dos Estados Unidos...
estou aqui hoje e me recuso a ser censurado.
Eu me recuso a fechar o zíper.
E para provar que não estou aqui sozinho...
quero ler uma breve carta do presidente.
"Prezado Bill, eu sei que é uma época difícil para você...
mas quero que se lembre de uma coisa...
não deixe esses balofos idiotas do senado colocarem você para baixo".
Podem me ouvir? A Lisa teve uma semana dura como chefe.
Dave, está ouvindo? Que seja.
Sejam amáveis com ela, um tapinha nas costas...
ou um "Bom trabalho, Lisa", realmente ajudaria.
- Está bem. - Bom trabalho, Lisa!
Obrigada, senhor.
Obrigada, senhor.
Bem, mesmo com o Bill ainda em Washington...
insultando o presidente em cadeia nacional de televisão...
O que é demais.
Quero dar os parabéns a ele e ao Dave pela maior audiência desde 1987.
Eu não fiz de propósito.
E agradeço a todos pela paciência enquanto me ajusto a este cargo.
Sei que não fiz um trabalho muito bom, por enquanto...
mas mesmo assim...
Isso não é verdade.
- O que significa? - Não é verdade.
Está fazendo um bom trabalho. Está fazendo um ótimo trabalho.
Você é muito, muito boa, e eu sou muito, muito ruim.
Dave, já é duro realizar este trabalho idiota...
sem seus comentários sarcásticos.
Ao contrário de você, tento não abandonar minha integridade...
e não me transformar em um Blablablá Júnior!
O que foi isso?
Você ficou totalmente e completamente malvado, não?
Eu estava sendo sincero.
É, é. Sinceramente malvado.
Temos os índices para provar, mas não ouviu isso de mim.
Estou andando de barco em Burma.
Só quero ser uma boa chefe.
Você é uma boa chefe.
Uma chefe que grita com quem está tentando ser legal com ela.
Sinto falta do meu cargo anterior.
Eu sei. Mas está indo tão bem com o novo.
Obrigado, senhor, mas não é verdade.
É verdade, pois a audiência está ótima.
E se a audiência está ótima, a chefe fica feliz.
E se a Lisa está feliz, eu estou feliz.
Bill, esta é a Cindy. Ela quer um autógrafo seu.
Ora, seria um prazer, Cindy.
Eu me orgulho de ser americana por sua causa.
Eu também, Cindy. Eu também.
Poderia assinar o meu peito?
Eu não sei se posso...
mas talvez o Bill Clinton possa tentar.
Vamos.
Ei, eu não esperava ver você aqui.
- Nem você. - Acertou.
Dave. Não quero...
Fale.
Dave, peço desculpas por ter me exaltado hoje.
Tudo bem.
Está fazendo um bom trabalho. Um bom trabalho, e...
queria que ainda fosse meu, mas não é.
Cuide bem dele.
- Eu cuidarei. - Ótimo.
Isto é tão bom, Dave... eu e você falando, falando, falando.
Como gente normal.
Mas não vou me lembrar de nada amanhã.
Nem eu.
Mas é um bom começo. Desculpe.
Bem...
Boa noite, Lisa.
Boa noite, Dave.
Boa noite, vocês dois.
Boa noite.
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