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Por que disse para todo mundo que dei o fora em você?
- Não disse para todo mundo. - Estou atrapalhando?
Dave me deu o fora. Pronto.
- Agora é todo mundo. - Não dei o fora na Lisa.
Eu sei o que significa "é melhor darmos um tempo".
- Foi o que você disse? - Sim.
Se alguém mais souber disso, vai ter encrenca.
- Beth... - Brincadeira. Ninguém está nem aí.
Peguei você.
É que a sua amiga, a mestre em eficiência...
- Ela não é minha amiga. - Já mandou seis pessoas embora...
e seria melhor nos concentramos no trabalho nessas próximas semanas.
Talvez você possa me explicar...
como canalizar a energia que eu gastava transando com você...
para a revisão das matérias.
Ela já mandou seis pessoas embora, inclusive o Matthew.
Matthew não podia ir ao banheiro sozinho.
- Podia, sim. - Não podia.
- Não podia? - Não.
Mesmo assim, a idéia ainda é válida.
Eu entendo ser trocada por outra...
ser trocada por motivos nobres ou patrióticos...
em tempos de guerra ou revolta civil...
mas levar um pontapé por um motivo vago...
sobre o amor afetando a performance no trabalho...
Eu ouvi direito? Vocês dois são namorados?
Sim, éramos namorados.
Sim.
- É tão difícil de acreditar? - Não.
Bem, não a parte da Lisa ter um namorado, mas...
NO AR
Por que não me contou? Achei que fôssemos amigas.
Acho que prefiro resolver isto com o Dave.
Bem, então, analisarei...
as ramificações profissionais que pode ter, certo?
- O quê? - Devo seguir...
o procedimento para relação amorosa no trabalho...
com uma investigação completa e relatório.
Isso seria desnecessário...
Não estávamos tentando deixar você de fora.
Ninguém sabe de mim e do Dave.
Ótimo, estão vestidos.
Posso pegar um refrigerante?
Não houve comentários de Alan Greenspan.
Noticiário da WNYX, 10:42. Daqui a dois minutos...
"Tudo Real com Bill McNeal"
Bill, já levou um fora de alguém?
Vamos. Claro que já. Todo mundo já levou.
Vamos ver. Pontapé, pontapé, pontapé...
- Tudo bem. - Espere.
Levei um fora há muito tempo. Muito doloroso.
- Viu, não é? - Espere. Foi um filme que eu vi.
Oi, Bill, Lisa.
Já que não foi honesta comigo, quando éramos amigas...
preciso fazer umas perguntas sobre seu relacionamento com o Dave.
Eu também.
Há quanto tempo estavam juntos antes de...
Mais importante, o Dave grita alguma coisa específica...
durante o auge do prazer?
Estou falando de quando ele ganha de você no jogo Scrabble.
Sabe de uma coisa? Eu lamento muito. Com todo respeito...
não vejo o que isso tem a ver com meu trabalho.
Obviamente tem a ver com o exemplo que dá aos seus colegas.
- Lisa dá exemplos ótimos. - Obrigada.
Só porque não seguimos o exemplo dela e dormimos com Dave...
Estou só brincando.
Poderia deixar as brincadeiras para o seu noticiário.
Está ficando frio aqui, ou está usando sutiã anatômico?
Eu ouvi isso, e vai entrar para o relatório.
Para o meu também.
O "Tudo Real" de hoje para sua aprovação.
- Não se queime. É quente. - Qual é o assunto?
Diplomatas estrangeiros que não pagam multas de trânsito.
Este assunto não foi quente nem quando era quente.
É apenas um esboço. Quer que eu dê um jeito...
de botar mais pimenta no caldo?
Algum dia...
alguém deu o fora em você antes de você dar o fora.
Eu ganho uma multa e eu pago. Você ganha uma multa e você paga.
Eles ganham multa, eles não pagam.
Por isso estes aproveitadores... os diplomatas estrangeiros...
devem ser arrancados de seus carros e surrados...
como fazem com bandidos foragidos.
Oi, Dave. Justamente quem eu queria ver.
Agora preciso resolver um assunto.
O seu relacionamento com a Lisa está me perturbando.
A mim também, mas agora estou mais preocupado por...
Bill ter dito para bater nos diplomatas estrangeiros.
Não deveria ter sido editado antes de ir ao ar?
- Sim. Geralmente, a Lisa faz isso... - É culpa da Lisa...
- Eu não disse isso. - Não se desculpe.
É a resposta esperada de um homem que levou um fora...
- Não levei um fora. - Você deu o fora nela.
E agora duvida da performance dela.
- Entendi. - Podemos falar disto depois?
Acorde, Manhattan. Acorde, Brooklyn.
Acordem os outros três bairros.
Esse pessoal com nomes que só se pronunciam com calculadora...
meteram a mão no seu bolso...
e digo que está na hora de cortarmos os pulsos deles.
Agora, vamos a estas mensagens.
Bill, venha aqui.
Eu queria fazer umas perguntas sobre o Dave e a Lisa.
- Você está bem? - Estamos sendo vigiados.
- Por quem? - Aja naturalmente.
Estou agindo naturalmente.
Se é o melhor que pode fazer.
A relação de Dave e Lisa já atrapalhou seu trabalho?
Não fale virada para a janela. Podem saber ler os lábios.
- Quem sabe ler os lábios? - Não fale assim!
Fale assim, "Quem sabe ler os lábios? Quem saberia ler os lábios?"
Ótimo. Agora vá avisar os outros.
- Beth, o seu computador... - Não fale, Joe. Estamos sendo vigiados.
- Eu sei. - Você sabe?
Claro. Somos como ratos em uma gaiola para eles.
- Somos? - Parte de um experimento...
tão complexo que nossos míseros cérebros não podem compreender.
Não estou falando de alienígenas, Joe.
As pessoas estão nos vigiando?
Você está paranóica.
Tem um doido do outro lado da rua nos vigiando de binóculo.
Como sabe que tem um doido nos vigiando de binóculo da rua?
Porque eu o peguei no flagra...
vendo as pessoas do outro lado da rua com meu binóculos.
Deixe-me ver.
- Copos de papel para quê? - Camuflagem.
Bem em frente, e dois andares acima. Você o vê?
Não, mas quem é a gata...
com a camisa transparente pondo água nas plantas?
Uma fantasia da sua imaginação.
É, você tem razão.
Tem alguém lá.
Eu avisei que estavam nos vigiando.
- Não estava brincando. - O que vamos fazer?
Não sei. Vou ter que usar a cabeça agora.
Precisamos botar as duas cabeças para pensar.
Desculpe, só tenho uma.
Entendo que esteja tentando ser provocativo...
mas não lhe dá o direito de ser descaradamente irresponsável.
- Não grite comigo através do Bill. - Não gritei com você através do Bill.
- Ele não gritou? - Parece que sim.
- Fique quieto. - Está gritando de novo.
- Fique quieta você também. - Viu como é mais eficiente...
tirando o intermediário?
A questão é que o Bill, em seu editorial...
defendeu arrancar e espancar diplomatas estrangeiros...
- Você disse isso? - Sim, ele disse.
Você me mandou botar mais pimenta no caldo.
- Você? - Que caldo?
O embaixador francês foi levado para o Centro Médico de NY...
onde se encontra estável.
Ainda não se sabe a identidade da pessoa...
que o arrancou do carro e o golpeou violentamente.
A WNYX trará informações com o desenrolar dos acontecimentos.
Pelo menos sabemos que alguém anda ouvindo a rádio.
- Sr. James... - Chega, chega.
É uma falta de profissionalismo. Quem manda aqui?
Com o "Tudo na Real", sou eu mesmo.
Isso mesmo. Mas gostaria de dizer que assumo...
toda a responsabilidade pelo que aconteceu aqui hoje.
É muito nobre de sua parte, Lisa, mas não estamos na Baía dos Porcos.
E o Bill não é o presidente Kennedy.
Tomarei como um elogio, pois se eu fosse ele, estaria morto agora.
Muito bem, chega. Temos uma situação crítica aqui.
Vamos analisar por partes os componentes primários...
ver o tamanho do bicho que estamos enfrentando.
- Boa idéia, Jim. - Que eu saiba...
um doido saiu na rádio...
mandando milhões de pessoas arrancar diplomatas de seus carros e bater neles!
- Isto chamaremos de Componente "A". - Bem aqui.
E esta é a melhor parte. Um outro doido resolveu seguir o conselho dele.
Isto chamaremos de Componente "B".
Está bem. Isto nos deixa com Componentes de "A" a "B".
- Certo. - Que significa...
Eu não faço idéia.
Nossa melhor defesa é alegar que são dois incidentes isolados.
A Lisa tem razão. Os franceses apanham o tempo todo.
Eu repito que assumo toda a responsabilidade...
- Ninguém está nem aí. - Dave tem razão.
Nada que dissermos ou fizermos trará aquele francês de volta.
- Ele não está morto, Bill. - Nós temos que bater neles...
em sentido figurado, e nos desculparmos no rádio.
Dane-se. Acho que devemos morrer na praia e de botas.
- Sobre o que está falando? - Nada.
Só queria que notassem minhas botas novas.
Vamos escrever um pedido de desculpas e colocar no ar em seguida.
Lisa, não se esqueça como funciona o "Tudo Real".
- Eu escrevo, você produz. - Certo.
Eu escrevo um pedido de desculpas, e você coloca no ar?
- E quem tem poder de vetar? - Você, Bill.
- Andréa, era você que eu queria. - Sim, Bill.
Quem tem poder de vetar o segmento "Tudo Real com Bill McNeal"?
Você. Eu acabei de dizer isso.
- Você. - Viu?
- E quem é chefe de quem? - Você...
- Tecnicamente, ele é seu chefe. - A promotoria pára aqui.
Lisa, quando éramos amigas...
eu teria tentado ajudar um pouco.
Mas agora acho que eu não sei como ficamos.
Com licença.
Achei.
Matthew?
Louco!
E aí, galera?
Matthew, sabemos que você estava nos espiando.
Como? Como sacaram?
Porque eu vi com meu binóculo.
Pensei que fossem copos de papel.
Caras, sinto muito. Sinto tanta falta de vocês.
E se não posso estar lá pessoalmente, pelo menos posso...
Você tem que parar com isso.
- Eu sei. - Anime-se e siga sua vida.
Você tem que arrumar um emprego, arrumar novos amigos.
- Não são mais meus amigos? - Claro que somos seus amigos.
- Joe? - Claro que ainda somos seus amigos.
- Eu não entendi direito. - Não force a barra.
Nós sempre seremos seus amigos...
mas você tem que parar de ficar nos vigiando.
- E que lugar é este? - Um consultório dentário.
Se quiser, acompanho você até o seguro desemprego.
Um amigo meu morreu em 1987. Pode receber os dois cheques dele.
É muita gentileza, Joe, mas já tenho emprego.
- Eu já arrumei emprego. - Estão prontos agora.
Abra bem, por favor.
Olhe só. Alguém anda usando bem o fio dental.
Pode pegar o raio-X da Sra. Barnes?
- Sim, doutor. - Obrigado.
Não faça isso. São de couro normal.
- Não me diga. - Sim. Ei, Lisa.
Por que a Andréa pergunta de você e o Dave para todo mundo?
Bem, é porque a Andréa é basicamente maluca.
Não é uma coisa boa de dizer sobre sua melhor amiga.
Ela não é minha melhor amiga. Pensa que é, por isso é doida.
A maioria de meus amigos também é doida.
- Boa tarde. Eu sou Bill McNeal com... - o pedido de desculpas "Tudo Real';
Hoje cedo, eu afirmei que as pessoas...
devem pagar suas multas de trânsito sejam elas quem for.
Mencionei que quem não paga deve ser punido...
e um doido quis resolver este assunto sozinho.
Eu declaro enfaticamente que o que este homem fez foi errado...
e que os diplomatas estrangeiros não devem, eu repito...
não devem ser arrancados de seus carros e surrados.
Se alguém deve ser arrancado do carro e apanhar...
certamente seria um elemento feio da nossa sociedade...
que usa o nome deJoe Vigilante.
- Mais uma vez, quero dizer... - Desculpem-me.
Fiz curso de odontologia...
e abri meu próprio consultório em 1992.
Vamos fazer um implante transósseo no número três.
E acho que as coisas não poderiam ser melhor.
Ou assim parecia. Abra bem. Vire-se para mim. Ótimo.
Os meus pais ficaram felicíssimos. Eles disseram...
Eu estava muito triste.
Pode verificar no raio-X a cárie do distal número sete?
Sim.
Resumindo, odontologia é minha habilidade...
mas rádio AM é a minha paixão.
Como eu ia saber que existe um Joe Vigilante?
Isso é estranho. É muito estranho.
Conheci um cara chamado Joe Calça-comprida.
Era um cara e tanto. Uma figura.
Ele sempre usava calça comprida.
Como está o Sr. Vigilante?
Está em situação estável no Hospital de Queens.
Nós vamos fazer o seguinte. Você vai ler...
o que eu acabei de escrever verbatim, depois do intervalo.
- O que diz? - "Recentemente, atos de violência...
têm acontecido na cidade, e dizem...
que foram provocados por uma coisa que eu disse.
Se há um pingo de verdade nisso, peço desculpas.
Porém, a questão é outra, a de responsabilidade individual.
Talvez seja hora de tentarmos...
em vez de ouvir o rádio, ouvir o nosso coração."
Não sei. Não é melhor não mexer no vespeiro?
De jeito nenhum. Tenho tanto advogado fazendo fila para me ver...
que pensaria que tenho tabaco vazando dos implantes de seio.
Lisa? Você por acaso viu os gráficos que fiz hoje de manhã?
- Não sei onde eu coloquei. - Eu não vi nada.
Queria que soubesse que estou muito zangada...
Para que mentir? Não sei me zangar com você.
Não sabe?
Você hoje levou um fora do Dave.
Deve estar se sentindo inútil e humilhada.
- Na verdade, não. - Não diga mais nada.
É nesse dia que precisa de uma amiga de verdade.
Eu não estou pedindo ajuda.
Tudo bem. Não precisa pedir. Assim que funciona a amizade.
Eu achei que teria a gengiva macia, rosada, e você tem.
Obrigada.
- Como vai a vida na mina de sal? - Está bem.
Abra bem.
Eu ouvi. Eu sei disso.
Não precisa dizer isso.
Consegue entender uma palavra do que estou dizendo?
Então por que continua me fazendo perguntas?
Porque estou entediado.
Eu só consigo pensar em rádio, rádio, rádio!
Abra bem!
Não ouça o rádio, ouça o seu coração.
- Bill McNeal dizendo... - Perdão.
Outra vez.
Você ouviu isso?
- Sim, ouvi. - E?
Eu achei bom. Os dois devem se orgulhar.
Obrigada. Prova o que posso fazer quando me concentro.
- Eu gostaria de me desculpar. - Gostaria?
Sim, eu gostaria.
Acho que muita coisa que eu disse hoje de manhã...
não soou como deveria.
Não me orgulho do meu comportamento tampouco.
É totalmente compreensível.
Então porque não esquecemos que essa conversa aconteceu...
e podemos apagar este dia?
- Acho que não devemos fazer isso. - Nem eu.
- Não, Lisa... - Sabe qual é seu problema, Dave?
- Não. - Você é como...
um peixe doente na loja de animais...
que tem que ficar sozinho, em um tanque separado.
O único problema é que ainda está com os outros peixes.
Desculpe, essa eu perdi.
Não, você me perdeu.
Manchete. "Um paciente mental de 29 anos...
no Hospital Municipal suicidou-se esta tarde...
arrancando o próprio coração e colocando-o perto da orelha.
A nota suicida dizia que uma voz disse para ele:
Pare de ouvir este rádio e comece a ouvir o seu coração.
Os psiquiatras do hospital dizem que ele há muito tempo...
Mais detalhes a seguir.
Eu disse para deixar quieto, mas não! Não!
Tinha que dar uma de maioral! Agora um homem feliz...
e saudável, com um futuro brilhante está morto!
Ele obviamente era doente mental!
Você obviamente sofre de doença mental!
Dave, precisamos falar sobre a Lisa.
Tem que ser agora? Esse assunto já me saturou por hoje.
Eu acho que os talentos dela podem ser mais bem usados em outro lugar.
Ela está tendo um dia ruim, um dia muito ruim.
Certo. Mas ela não sabe como lidar com o Bill.
Ninguém sabe. Eu sou o único que quase consegue...
e não sei o que fazer com ele.
Não é um modo justo de julgá-la.
Com ela é preciso analisar a pessoa como um todo.
Ela é muito analítica, muito inteligente.
Foi essa a minha avaliação desde o início.
Então não está pensando em mandá-la embora.
Acho que devemos dar a ela o seu cargo.
Quem é?
Só um segundo.
- Entre, Dave. - Alô.
- Em que posso ajudá-lo hoje? - Nada.
Vim buscar o resto das minhas coisas. Deixou AArte da Guerra na sua mesa.
Obrigada. E você deixou uma foto da sua mãe na gaveta.
Fique com ela.
Dave, sei que nos desentendemos antes, mas vamos esquecer tudo.
Serei o melhor chefe que você já teve.
- Bill, isto é apenas temporário. - Claro, Dave.
Claro que é.
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