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Antes de bater de porta em porta,
preciso que entendam uma coisa:
isso não é só sobre cadastrar eleitores.
Já espancaram gente por menos. Alguns foram mortos.
O jovem de cabelos escuros sentado no centro do grupo
era Andrew Goodman.
Nesta noite, Goodman e os voluntários
Michael Schwerner e James Chaney
são motivo de preocupação em todo o país.
Eles estão desaparecidos desde domingo.
Chaney, Goodman e Schwerner estavam no Mississippi
pelo projeto de direitos civis Verão da Liberdade,
trabalhando no cadastro de eleitores negros.
O delegado adjunto Cecil Price diz que os deteve por dirigir
a 105 km/h numa zona de 50 km/h.
Foram soltos naquela noite.
Pagaram a multa e eu os soltei.
Entraram no carro e foram embora.
Foi a última vez que vimos qualquer um deles.
Às vezes os casos se resolvem rápido,
outras vezes exigem um trabalho prolongado.
Este pode exigir um trabalho prolongado,
mas vamos continuar até resolvê-lo.
Até encontrarmos os corpos daqueles três homens
que desapareceram e os possíveis responsáveis
pelo desaparecimento.
Quem é você?
Por que está fazendo isso comigo?
Onde estão os corpos, Eddie?
Sou um homem de Deus.
Por favor.
Onde estão os corpos, Eddie?
Tô ficando bem cansado de perguntar.
Eu... eu... eu não sei de nada.
- Certo. Não sabe de nada? - Nada.
Certo, lá vem o arremesso.
É a segunda metade da nona entrada.
As bases estão cheias.
E quem vem rebater, pessoal, é a Morte.
A Morte interrompe a rebatida.
Não gostou daquela bola.
Você não é igual àqueles agentes do Hoover, né?
Você é diferente.
É. Eu rebato.
- Lá vem o arremesso. - Espere, espere...
- Uma bola rápida! - Espere, espere, espere...
Espere, espere, espere, espere...
Espere, espere, espere...
Espere, espere, espere...
Tudo bem.
Na antiga... fazenda... Jolly... do Burrage...
- Enterrados. - Quem está enterrado, Eddie?
Vamos, fala logo.
Olha, não vou te soltar até você desembuchar.
Vamos ter que começar tudo de novo.
Você não quer começar tudo de novo.
Dois judeus de merda!
O crioulo.
Bom garoto.
Sabe, podia ter se poupado desse desconforto
se tivesse contado isso aqui fora, né?
Ufa.
NO LIMITE DA JUSTIÇA
Dois anos depois.
Departamento Federal de Investigação (FBI) Escritório local
Departamento de Justiça dos EUA Jackson, Mississippi
Novato tentando parecer ocupado.
Ah, qual é, cara. Não faz isso comigo.
Só estou tentando me informar
sobre o que acontece por aqui.
É um caso atrás do outro, todos sem solução.
Me pergunto por que Hoover contratou negros pro FBI.
Porque ele é negro.
O avô dele era traficante de escravos.
A mãe dele era meio negra e choctaw.
Por isso deixa aqueles brancos matarem à vontade.
Não quer que descubram aquela gota de sangue crioulo
que ele tem.
Cara, é melhor parar com esse papo
antes que ele persiga a gente feito o McCarthy.
Com licença. Agente Moore?
Wayne Strider, senhor.
- De Chicago? - Sim, senhor.
Mas sou... sou do Mississippi. De Hattiesburg.
Gostaria de ajudar na investigação da Klan.
Por que entrou no FBI, agente Strider?
Porque acredito na justiça.
E acredito que os negros precisam ajudar a conquistá-la.
Hum.
Bom, preciso voltar ao trabalho se eu quiser ter alguma chance
de ver minha esposa antes que ela vá dormir.
Boa noite.
Boa noite, senhor.
Você voltou ao Mississippi pra fazer a diferença,
e está fazendo.
Só por estar aqui.
Pelo menos em Chicago eu trabalhava em casos.
Não arrombava portas, mas eu...
Eu participava das investigações.
Aqui não é Chicago, Wayne.
Você está pronto pro mundo, amor.
Este mundo não está pronto pra você.
Ainda.
Mas vai estar.
E quando estiver...
é bom eles se cuidarem.
Estar aqui me ajuda a entender você
de um jeito que eu não entendia antes.
O Mississippi faz você se esforçar.
Este lugar não perdoa os tolos.
Você está aqui há três semanas e já entendeu a gente?
Não. Espero nunca te decifrar, Wayne Strider.
Nossa luta é uma luta tipicamente americana.
É a luta pela liberdade, pela justiça.
É a mesma luta sobre a qual este país foi fundado.
E temos uma arma poderosa no nosso arsenal.
É o voto, meus irmãos e irmãs.
Escutem.
Não estou dizendo que o voto resolve tudo.
Mas ele nos dá voz.
E se não vale tanto assim, por que fazem tanta questão
de nos impedir de votar?
É uma declaração de que estamos aqui.
De que temos valor.
Então vou fazer o seguinte.
Sou um homem abençoado.
Vocês compram na minha loja.
Trabalham na minha terra.
Permitem que eu sustente minha família.
Então digo que, quando um homem tem o suficiente, é seu dever
devolver uma parte.
Digam a todos que conhecem
que, se não puderem pagar a taxa eleitoral,
Vernon Dahmer vai pagar por eles.
Porque vocês sabem no que acredito.
- Se você não vota... - Você não conta.
- Eu disse: se você não vota... - Você não conta.
Muito bem, encrenqueiros.
- Bom ver você. - Ótimo ver você.
Menos de 40% da população negra
está cadastrada para votar.
E, em alguns distritos, são obrigados a pagar uma taxa de dois dólares
para fazer isso.
É importante levarmos os negros
às urnas em grande número.
A união do voto negro com o voto
dos brancos moderados tornará possível um Novo Sul.
Como ele convenceu você a deixar a chique Chicago
e vir até essa cidadezinha poeirenta?
Ele mentiu pra mim.
Prometeu uma casa enorme pra gente encher de filhos.
Papai, posso pegar mais dois biscoitos?
Claro que pode, meu bem.
- Pega um pro seu irmão. - Sim, mamãe.
Bem assim.
Não compra uma casa grande demais.
Vai precisar ter filho demais pra encher a casa.
É, você entende disso, né?
E você escolheu voltar.
Ele nunca foi embora de verdade.
Pelo menos no coração.
Ele sempre disse: "Os Estados Unidos só vão se acertar
quando o Mississippi se acertar."
É isso que eu sempre digo?
Esse aí é poeta, hein?
- São eles de novo. - Bom, é só...
desligar na cara deles.
Esse telefone não para de tocar desde que Vernon
começou a pagar as taxas eleitorais do pessoal.
É, recebemos ligações de ódio o tempo todo.
Deixem a gente em paz!
Ele vai continuar ligando, Vernon.
Se tocar de novo, tiro da tomada.
Ah, qual é. Não vamos nos preocupar com essa bobagem.
Estamos aqui pra comemorar a volta do filho pródigo,
Wayne Strider. Nosso próprio Eliot Ness.
- Isso. - É!
Isso mesmo.
Algo assim.
Olha só pra você.
Só o fato de você ser um agente de verdade
do FBI, nada menos...
Bom, isso é importante.
E quero que saiba que temos orgulho de você.
Obrigado.
Isso.
Bom, obrigado pelo convite.
E lembrem-se: se você não vota, você não conta.
Esse foi o empresário de Hattiesburg,
Vernon Dahmer, que está fazendo sua parte
ao se oferecer para recolher a taxa de dois dólares
para os negros que se cadastrarem para votar.
Quem não puder pagar, o próprio senhor Dahmer vai...
Não bastava ter sua própria máquina de descaroçar algodão.
Não, ele ganha mais dinheiro que qualquer um de nós,
enquanto uma família branca deste condado não sabe
de onde vai tirar a próxima refeição.
Isso... É verdade...
Houve uma época, nem faz tanto tempo,
em que um crioulo nem sussurrava a palavra voto.
E agora esse filho da puta está no rádio
comprando votos.
É uma vergonha o que deixamos nosso país virar.
Uma maldita vergonha.
Nós tomamos esta terra primeiro.
Transformamos uma nação selvagem no maior país
que o mundo já conheceu.
Somos o povo escolhido por Deus.
Amém.
Os pais dos nossos pais derramaram sangue para que esta terra
pudesse alimentar nossos filhos para sempre.
Pode apostar.
Esse Vernon Dahmer é um ladrão.
- Tira da tomada. - É.
Alô?
Das páginas sagradas
da nossa amada Bíblia vem a história
da rude, porém santa, cruz do Calvário.
Vou ficar acordado mais um pouco, querida.
Esta cruz é o símbolo
da religião cristã, santificada e consagrada
há quase 19 séculos pelo sofrimento
e pelo sangue de 50 milhões de mártires que morreram
em nossa mais santa fé.
A cruz inspirou os cruzados em sua perigosa tentativa
de resgatar a Terra Santa dos pagãos e está sendo usada
nesta noite para unir as forças do cristianismo
contra uma horda cada vez maior de anticristos
e em defesa do verdadeiro americanismo.
Hattie, acorda! Acordem, todos!
- Vernon! Foi atingido? - Vai pros fundos.
Vai cuidar da Bettie. Eu pego o Eulah.
Agora!
Opa!
- Vamos, garoto! - Papai!
Quebra! Quebra logo!
Sai que eu passo eles pra você!
Abaixa, Eulah! Abaixa!
Eu te seguro. Tô aqui, meu bem.
Vamos, meu bem! Vamos.
Vamos!
Vamos, meu bem!
Vamos, Vernon!
Vai pra casa dos Harrison. Corre.
- Vem, Vernon! - Vou conter eles!
- Vou logo atrás. - Papai, vamos!
Vou logo atrás.
Eu te amo.
Porra!
Abaixa!
Vai, vai, vai!
Mais um dia triste nos Estados Unidos.
Vernon Dahmer, presidente da NAACP no condado de Forrest
e empresário, morreu aos 57 anos.
Sua casa foi atacada com bombas incendiárias de madrugada.
Até o momento, a polícia se recusa a...
Sinto muito, amor.
Mas continuaremos acompanhando o caso.
O deputado negro Julian Bond foi impedido de assumir sua cadeira
na Câmara dos Representantes da Geórgia,
apesar da vitória expressiva nas urnas.
Os deputados estaduais votaram para impedir a posse de Bond...
Obrigado.
Senhor amado, agradecemos pelo seu filho
e oramos para que a alma dele esteja com o Senhor.
Nunca conheci uma pessoa melhor.
E sabemos que, ainda que andemos pelo vale
da sombra da morte, não temeremos mal algum,
pois o Senhor está conosco.
O Senhor nos trouxe aqui por uma razão.
Amém.
Meu Deus.
Espera aqui. Já volto.
Que porra acha que está fazendo, moleque?
FBI.
Não é, não.
Está vendo isto?
Não tô vendo porra nenhuma.
Agora suma daqui, moleque.
Com licença, senhora. Podemos fazer umas perguntas?
Não tenho nada pra dizer. Não. Não.
Descobriu alguma coisa?
Nada que a gente já não soubesse.
Senhor, pode dizer ao presidente que estamos empenhados.
É nossa prioridade máxima.
Nossos homens estão em campo em peso neste momento.
Eu... eu entendo, senhor. Vou mantê-lo informado.
Hoover.
Que acabou de falar com Johnson.
Parece que o presidente acha que esses caras estão
fazendo pouco caso da lei dele sobre o direito ao voto.
Que a segregação acabou.
Fala alguma coisa.
Ninguém fala com a gente em Hattiesburg, Roy.
Nem negros, nem brancos.
Todos têm pavor de represálias da Klan.
Não importa quantos agentes tenhamos
fazendo perguntas por lá.
Ninguém vai nos contar nada.
Pelo menos por vontade própria.
Então, o que quer fazer, Roy?
¶ Gosto de me sentir livre... Eu gosto... ¶
Por que tenho que comer espinafre?
Porque eu mandei. Come seu jantar.
Oi. Cheguei.
Aah!
Eca!
Papai! Papai!
Cadê o Júnior?
Está no quarto desde que voltou da escola.
Quer dizer, ele sabe que é hora do jantar.
Gregory!
Mexe essa bunda antes que eu vá te buscar!
Júnior!
Não desrespeita sua mãe. Vem sentar.
Meu Deus.
O que houve?
Quem fez isso com você?
Uns caras da escola.
- Não foi nada. - Nada?
Nomes. Agora.
Tommy Russo.
O Tommy da Eleanor?
Amanhã...
Acha o Tommy e manda ele pro hospital, ouviu?
Deixa ele dez vezes pior que você.
Racha a porra da cabeça dele de orelha a orelha.
- Alô? - Você é um bom menino.
- Eu te amo, filho. - Greg, é pra você.
Come seu jantar.
Quem é?
É.
Tô jantando.
Com meus filhos.
É.
É, tá bom.
Tô indo.
Vamos acabar logo com isso. Tô com minha família.
Precisamos de você no Sul.
Vai voltar pra Hattiesburg.
Pra quê? Mais judeus desaparecidos?
Um negro.
Ativista pelo direito ao voto. Assassinado pela Klan.
Já ouvi essa. Quem se importa? Não vou.
Não é um pedido.
Escute com atenção.
Vai se foder. Não vou.
A menos que queira que Joe Colombo saiba pra quem trabalha...
vai pegar um avião.
Entendeu?
Está tudo aí.
Passagem, motel em Mobile. Faça o check-in e espere contato.
O mesmo acordo.
Arquivo. Agente especial Strider falando.
Sim, senhor.
Sei.
Sim, senhor. Imediatamente.
Quem era?
Deixe-nos a sós.
Obrigado.
Agente especial Strider, pode haver uma oportunidade
para ajudar na investigação do assassinato de Dahmer.
Sua origem e familiaridade com a região
e com as pessoas daqui fazem de você o candidato ideal.
Isso é totalmente extraoficial.
Ninguém sabe. Ninguém pode saber.
Você teria interesse?
Muito.
Você trabalhará com um investigador especial
com qualificações únicas para este serviço.
Vai buscá-lo neste hotel em Mobile.
Vai levá-lo ao Highway Host Motor Lodge,
nos arredores de Hattiesburg.
Vai entregar esta maleta a ele.
Não vai abrir a maleta
e fará exatamente o que esse homem mandar.
Vai encontrar testemunhas e obter depoimentos assinados.
Não vai discutir este caso com ninguém.
Alguma pergunta?
Samuel Bowers está por trás disso, certo?
Identificar os responsáveis é a missão dele.
Você só vai ser o contato dele.
Mais alguma coisa?
- Não, senhor. - Então pode ir.
Só quero um pouco mais de tempo.
Vou te dar esse tempo. Relaxa.
Merda.
Não, espera por mim.
Quem porra é você?
Agente especial Wayne Strider, FBI.
Vamos trabalhar juntos.
Só pode estar de sacanagem.
Um agente federal de cor?
Mandaram trazer isto pra você.
Fala oi, querida.
Oi, querido.
Entra. Não fica com vergonha.
É trabalho, amor. Eu avisei. Tenha dó.
Tudo bem.
Deixa eu cuidar dos negócios.
O que foi, amor?
Vocês do FBI são bem minuciosos.
É só isso? Ou vai me levar também?
Não sou seu motorista. Sou seu contato.
Bom, vamos precisar levar ela
ao aeroporto antes que o marido fique preocupado.
Vamos colocá-la num táxi.
A viagem até Hattiesburg é longa.
Se veste, amor. O agente vai chamar seu táxi.
- Não, ainda não terminei. - Jesus.
Nossa.
Vai me esperar em Miami, hein?
- Tira isso. - Tira você.
Encontro vocês lá fora.
Não quer assistir?
- Vai sentir minha falta? - Vou sentir sua falta.
Segura isso, amor.
- Aeroporto. - Sim, senhor.
Oi, amor.
Deixa ela quentinha pra mim.
- Pode deixar. - Tá bom.
Parece que você é meu motorista.
Quando Hoover começou a aceitar crioulos no FBI?
Crioulos? É assim que chamam os negros lá em...
Onde? Nova Jersey?
Ei, não sou da porra de Nova Jersey.
Sou de Bensonhurst, filho da puta.
- Brooklyn. - Hum.
Mas você deve ser o primeiro, né?
Hein? Não me diga que estou sentado
ao lado da porra do Jackie Robinson do FBI.
O que foi? O gato comeu sua língua?
Sei que sabe falar, porra. Alô?
James Wormley Jones.
- Quem é? - O primeiro agente especial negro,
nomeado em 1919.
James Amos, em 1921.
Earl Thomas e Thomas Leon Jefferson, em 1922.
Já houve vários.
Tem outros dois trabalhando no meu escritório agora.
Você é o primeiro que eu vejo.
Merda.
Porra.
Parece que vai se cagar todo.
Fala logo que é do FBI, pelo amor de Deus,
pra gente sair daqui.
Estamos numa estrada vazia à noite, no Alabama,
e sou um agente negro do FBI.
A única coisa que esses caras odeiam mais que gente como eu
é gente que trabalha onde eu trabalho.
Que se foda ele.
De que crime vocês estão fugindo?
De nenhum, senhor.
Aonde vão?
Hattiesburg, senhor.
O que tem em Hattiesburg?
Um motel na rodovia 49.
Hum. Um motel, é?
Sim, senhor.
Vocês são bichas?
Ei. Achou graça?
De onde você é?
Nova Jersey.
Quero os documentos dos dois agora.
Não tô dirigindo. Não precisa de porra nenhuma minha.
Você não diz do que eu preciso!
Documento.
Agora...
FBI.
Que diabos é isto?
O que é isto?
Trabalho pro governo. Só estou...
levando ele pra casa, só isso.
Sem problemas.
Sem problemas.
Se fazendo passar por agente federal.
Saia do carro. Agora.
Ah, amigo. Vou me divertir com você essa noite.
- Não, espere. - O que está fazendo?
Espere.
Não. Não.
Tem razão. Foi divertido.
Você atirou num policial.
Estamos fodidos.
Não, ele está fodido. Vamos.
Largue a arma.
Só pode estar de brincadeira.
Largue a arma.
Você não faz a menor ideia da merda que está fazendo,
Jackie Robinson.
Vou falar mais uma vez. Largue a porra da arma!
Ei. Imbecil.
Olha em volta. Não tem testemunhas.
Não tem armas. Não tem crime.
Vamos sair daqui.
Já prendeu alguém antes?
Imaginei que não.
É você que devia estar algemando, porra.
É inacreditável, porra.
Tá bom, me pegou. Me pegou, porra.
Porra.
Ei.
Que porra está fazendo?
Sei que não vai comunicar isso.
Se contar pra alguém, vou dizer que foi você.
Em quem acha que vão acreditar?
Esse cara, porra.
Puta que pariu.
É seu primeiro dia, porra?
Ei, ei, ei. Limpa isso.
Você tocou nessa porra. Limpa agora.
Porra.
Tá bom, chega.
Podemos sair da porra daqui agora?
Está com fome?
Tô morrendo de fome, porra. Vamos.
Aposto que nunca viu isso.
Faço a porra que eu quiser. Não tem regras.
Ou não te contaram?
Contaram o quê?
Não sou novato nisso, Jackie.
Estive aqui há dois anos fazendo isso.
- Fazendo o quê? - O que eu faço. O que acha?
MIBURN? Os assassinatos do Verão da Liberdade?
Fui eu.
Fui eu que resolvi aquilo.
Vocês acharam aqueles estudantes mortos graças a mim.
Igual à porra do James Bond.
- Vamos. - Hum.
Foi bom.
Tão bonito.
Tá bom.
Entendi. Tá bom.
As duas mãos, por favor.
Hum. Tá bom, não sei se consigo.
Está atirando como se estivesse com medo.
Precisa ficar assim, com uma base firme.
Me mostra.
- Põe o pé esquerdo... - Sei.
...um pouco à frente do direito.
Sei.
- Presta atenção. - Tô prestando.
Pé esquerdo um pouco à frente do direito.
Como se fosse dar um soco em alguém.
Nunca dei um soco em ninguém na vida.
Não sei do que está falando.
Precisa se proteger, meu amor.
De quem?
De todo mundo.
Isso. As duas mãos. A mão dominante por cima.
Puxa o gatilho. Não aperta.
Tá bom.
Uhu!
Uhu!
Temos uma Annie Oakley aqui.
O que está acontecendo com você?
Acabei de receber uma missão especial.
Amor, que incrível.
É exatamente o que a gente queria.
É.
Entre.
É, eu falei.
Não aposta contra a porra dos Yankees.
Que porra você tem na cabeça?
Mickey Mantle é o melhor de todos os tempos.
É, tem que apostar num vencedor.
Ah, vai à merda.
Os Yankees ganharam a World Series sete vezes em 11 anos.
É, 51, 52, 53, 56, 58, 61 e 62.
É.
Se continuar apostando assim, sua mulher vai embora.
Vai fugir com a porra do leiteiro.
Ou pior, vai ficar na porra da cama
com aquele seu corretor de apostas de cor, porra.
É seu chefe, o agente Rhodes.
É, quer falar com você.
Espera. Ele está levando uma eternidade, porra.
Alô, quem é?
Agente Rhodes.
Não tem nada pra contar a ele?
Nada a relatar?
Vamos, Barney Fife, conta pra ele
o que fizemos naquela noite.
Não quer contar?
Não, senhor. Nada a relatar.
Tá bom.
Tá bom? Eu disse que não tenho regras, porra.
Vamos, Jackie. Dá um sorriso, porra, por favor.
Pra onde, cara?
Loja de armas Gilmer. Conhece?
O revólver encontrado na casa de Dahmer não estava registrado,
mas foi vendido aqui.
Parece que Bobby Gilmer quis deixar a venda sem registro.
Vamos.
Entrar com você viola o protocolo.
Isso não faz parte da minha missão.
Protocolo?
Que porra é isso?
Olha, se eu mandar, você faz.
A menos que queira ser transferido.
Liga pro seu chefe.
Você faz o que eu mando.
Vamos. Vem, você vai entrar.
Olha, cara, eu moro nessa cidade.
Não posso simplesmente entrar numa loja de armas.
Não é assim que funciona no Mississippi.
Entrar numa loja de armas pra meterem uma bala na minha cabeça
e ainda ganharem um prêmio? Não. Vai sozinho.
Sei como as coisas funcionam, tá? Me escuta.
A gente entra, faz umas perguntas,
consegue informações, se diverte um pouco
e vai embora. Vamos.
O que vocês querem?
Vamos. Faz as honras.
Vamos.
Consegue?
Senhor Gilmer. Sou o agente especial Strider, FBI.
Como é que é?
Está vendo?
FBI.
Ora, vejam só.
Um agente federal de cor.
Um revólver Rohm .22 Magnum,
encontrado na casa de Vernon Dahmer,
incendiada pela Klan,
foi vendido na sua loja.
O problema é
que não registrou para quem vendeu.
Como uma arma sem registro vendida na sua loja
foi parar numa cena de crime?
Bom, eu...
Ei!
Põe isso de volta agora, porra!
Põe de volta!
Está na hora de sair da minha loja.
Você também.
Agora está ficando bom.
Saiam, ou eu abro um buraco
nesse crioulo.
Vai em frente.
Pode enterrar ele nos fundos.
- Não faça isso. - Tô falando sério.
Atiro em você também, seu filho da puta engordurado.
Meu Deus do céu!
Fala pra quem vendeu a arma e a gente vai embora.
Vendi milhares de armas.
Não posso lembrar cada número de série!
Meu sobrinho idiota, William, trabalhou aqui no verão retrasado.
Vivia fazendo besteira, confundindo números e letras.
Deve ter etiquetado errado.
Por favor, senhor. Se a arma foi etiquetada errado,
não tenho como dizer de quem é.
Jackie, vai acreditar nessa merda?
Não, tô falando a verdade.
Por favor.
- Vamos. - É. Me dá um minuto.
Tudo bem? Vem cá, deixa eu te perguntar.
Tudo bem?
- Ei, ei! - Quem comprou a arma, Bobby?
Não sei.
Pare.
Ouviu o que eu disse, porra?
Pare!
Deixa comigo. Deixa comigo.
Me dá a porra de um nome.
Pra quem vendeu a arma?
Não mente pra mim.
Seu caipira filho da puta.
Me dá um nome, Bobby.
Última vez: pra quem vendeu a arma?
Por favor. Por favor, não sei de nada.
Tá bom, tá bom, tá bom.
Porra.
Bom, tá certo.
Quer fazer mais umas perguntas?
Ele não sabia de nada. Era óbvio.
Que porra tem de errado com você?
Precisava ter certeza.
Conversa fiada.
Aqui não é Bensonhurst,
e você não veio se divertir.
Esta é uma investigação oficial,
e você não vai me impedir de fazer cumprir a lei.
Entendeu, filho da puta?
Suas regras não valem merda nenhuma.
Por isso me trouxeram aqui, idiota.
Quer mesmo ser o negro que deixa esses
caipiras filhos da puta saírem impunes?
A porra do Jackie Robinson.
Não vou engraxar a porra de sapato nenhum.
Vou rachar cabeças, porra.
Martin Luther King, hein?
Esse aí tem um puta alvo nas costas.
Jesus Cristo, porra.
A fila pra matar ele dá a volta na porra do quarteirão.
Largue isso.
Sabe, gosto mais daquele Malcolm X.
O que sabe sobre Malcolm X?
Sei que ele não leva desaforo pra casa.
Pessoalmente, tô cagando pro seu povo.
Mas ele tem razão.
Dar a outra face.
Não está dando muito certo, né?
Ah, está dando certo.
Tô aqui de férias, por acaso?
Você não sabe de nada, cara.
Como vou explicar racismo pra alguém como você?
Só estou dizendo: arranjem umas armas
e resolvam seus problemas bem rápido.
Por todos os meios necessários.
- Gostei disso. - É, mais matança.
É exatamente o que precisamos.
Vai dar muito certo pra gente.
Bela ideia.
Sabe de uma coisa? Pensando bem,
talvez devesse ler esse livro. Aprender alguma coisa.
Não sei por que não vamos logo à casa
desse Bowers de merda e apagamos ele,
em vez de ficar de palhaçada nessa porra de cidade de caipiras.
Porque sumir com as pessoas não resolve o problema.
Vamos reunir provas e prendê-los por violar a lei.
E tornar isso público.
Mostrar a esses branquelos as consequências.
- Branquelos? - É, branquelos.
Nunca ouviu isso?
Não. O que quer dizer?
Biscoito de água e sal.
Branco.
Salgado.
Sem graça.
Homem branco.
E quadrado. Certo?
E você?
O que é? Você é o quê?
Chocolate. Delicioso.
Tipo uma bala Tootsie Roll, né?
Ah, vai à merda.
É.
Sabe que passou da entrada da rodovia, né?
Sei, espera. Tive uma ideia.
Que porra estamos fazendo aqui?
Vou falar com uma possível testemunha.
E você vai ficar bem aqui.
Por quê?
Porque não preciso que rache a cabeça dela.
Ela não vai falar com branco mesmo.
Olá, minha velha amiga.
- Quem vem subindo minha escada? - Oi...
- Olha só como cresceu. - É bom estar em casa.
Soube que levou uma moça bonita da cidade
à casa do Dahmer outro dia.
É minha esposa, Allison.
- De Chicago. - Chicago?
- Isso. - Sabe cozinhar?
Sim, senhora.
Hum.
O que viu naquela noite, dona Rebecca?
Na noite em que incendiaram a casa do Vernon.
Você não quer se meter nessa confusão.
Trabalho pro FBI, dona Rebecca.
Confusão é meu trabalho.
É mesmo?
Mataram o Vernon, dona Rebecca.
Não podemos deixar isso sem resposta.
Eram duas caminhonetes.
A azul estava com uma lanterna traseira quebrada.
Ela saiu e fez a volta no escuro,
parecendo... um olho maligno. Disso me lembro.
Tenho quase certeza de que o senhor Dahmer atirou nela algumas vezes
enquanto ela ia embora.
Contou isso ao FBI?
Não conto nada praqueles brancos de terno.
Eles aparecem por aqui,
mas não tenho nada pra dizer pras autoridades.
Não quero minha casa incendiada também, entende?
Ei.
Já terminou?
Quem é esse?
É meu motorista.
Conseguiu alguma coisa?
- Talvez. - Bem esperto.
Você conhece as velhinhas da vizinhança.
São sempre elas que veem tudo, né?
Tô morrendo de fome.
Conheço um lugar.
O escritório está procurando nas oficinas a caminhonete azul
com lanterna quebrada e marcas de chumbo.
Sabe, da última vez que vim aqui comi o melhor bacon
da minha vida, porra.
Ninguém frita essas merdas melhor que vocês.
Bacon é bacon, babaca.
Quero saber uma coisa.
Manda.
Como resolveu o caso?
Eles não te contam porra nenhuma mesmo, né?
Digamos que todo mundo acaba falando.
Então não foi trabalho policial de verdade?
Tenho cara de polícia, porra?
Eles me trouxeram aqui da outra vez.
Fiz o que sei fazer e achei aqueles pobres garotos.
E não rezei, nem fiz passeata,
nem sentei na porra de um balcão de lanchonete.
Dei umas porradas e resolvi o caso.
Você é livre, Jackie.
Livre pra foder com qualquer um que foda com você.
Tem sua arma, tem seu distintivo.
Agora precisa criar culhão.
Se der tudo certo, isso pode te render muita coisa.
Pode até conhecer o Hoover.
Ter sua foto na parede.
Que tal, hein?
De nada.
Vão querer alguma coisa pra beber?
- Café. - Como prefere?
Preto.
Podemos fazer na quinta?
Acho que vai aparecer mais gente.
Certo.
Ligo de volta.
Meu marido acabou de chegar.
Isso.
Parece que teve um dia daqueles.
Oi, dona Hattie.
Oi, Wayne. Está com fome?
Vou fazer um prato pra você.
Hum, é...
O que é tudo isso?
Estamos organizando uma passeata depois do funeral do Vernon.
Agora sou daqui, né? Vou participar.
Tem certeza de que quer fazer tudo isso, dona Hattie?
Não devia se sobrecarregar desse jeito.
Meu Vernon não morreu à toa.
Então vou trabalhar, muito obrigada.
Obrigado.
Vai me contar o que está acontecendo?
Não é nada.
Ei.
Não faça isso.
Senhor.
Sou eu.
Já passou pela sua cabeça que talvez
eu não queira você envolvida?
Aqui é perigoso demais.
Tá bom.
Você é que está no FBI.
Você me convenceu a vir pra cá.
Se há perigo, foi você que nos trouxe pra ele.
Agora estamos aqui.
Você está nessa.
E tô nessa com você.
Quem é você, cara?
Você é da máfia, né?
Esse sou eu. Dezoito anos.
Jovem e burro.
Do lado certo da lei, igual a você.
A Marinha Mercante fez de você um assassino?
Não, porra.
Nunca entrei em combate.
Meu irmão começou a seguir o caminho errado.
Se envolveu com um chefão local e começou a trabalhar pra ele.
Meu contrato acabou. Meu pai implorou
que eu voltasse e colocasse meu irmão no caminho certo, como eu.
Eu estava sem um tostão, carregando carvão com meu pai,
me matando de trabalhar todo dia.
Quer falar de ser maltratado? Meu pai é um WOP.
- Sabe o que é? - Não.
Sem documentos.
Os negros entre os brancos.
Um degrau acima da porra daqueles irlandeses imundos.
Enfim, meu irmão disse que tinha um jeito
de eu ganhar 200 dólares. Em uma hora.
Eu não ganhava 200 num mês carregando carvão.
É claro que aceitei.
Quando vi, o mafioso me entregou uma arma
enrolada num guardanapo. Começou assim.
E foi indo, até chegarmos aqui.
Tem muito orgulho de si mesmo, hein?
Orgulhoso ou não, quem dá a mínima?
Não faz diferença.
Vocês acham que estão fazendo alguma coisa.
Só estão carregando aquele carvão, cara.
Votem, não votem, tanto faz. É tudo uma merda mesmo.
E o que faria se fosse negro?
Mataria todos eles.
Até o último.
Seus colegas acharam rápido, hein?
É.
O dono desta oficina é um membro conhecido da Klan,
então é melhor eu ficar de fora.
Ah, essa eu não esperava.
Ei.
Não encoste em ninguém.
Já estamos chamando muita atenção.
Não é tudo na bala.
Também sei ter jogo de cintura.
Ser educado.
Olá.
Posso ajudar?
É, tô procurando essa caminhonete o dia todo.
Fui eu que quebrei a lanterna.
Bati nela quando me distraí.
Precisa de alguma coisa, senhor?
Bom, não sei se posso contar.
Pode falar o que quiser.
É, eu estava passando por uma lanchonete, suando em bicas,
e resolvi tomar uma Coca gelada e descansar um pouco.
Entrei e lá estava ela, atrás do balcão.
Uma beleza de mulher. Uma garota de cor.
Preta como a noite.
Suave como uísque e com um corpo de sonho proibido.
Não conte pra ninguém, hein?
Não vou contar nada pra ninguém.
Então cheguei ao balcão, cheio de pose.
Ela se inclinou, abriu aquele sorriso e disse:
"O que vai querer, querido?"
E na hora pensei: caramba, talvez o mundo não seja tão
complicado quanto dizem.
Talvez seja só eu, ela
e essa Coca.
Aí ela viu minha aliança.
É, me deu aquele olhar.
- Conheço esse olhar. - Eu sei, eu sei.
Droga, eu...
Que bobeira esquecer da patroa.
É.
Saí dali, entrei na caminhonete e bati direto
num carro estacionado do outro lado da rua.
Arranquei a lanterna inteira.
Que história, hein?
É, só que aquela caminhonete...
Aquela caminhonete se envolveu em outro tipo de acidente.
É justamente aquela que estou procurando.
Sabe, faço questão de compensar sua ajuda.
Me dá um minuto, tá?
Vai participar desta?
Ei, precisamos dele vivo.
E falando.
Como quiser.
Você vai falar. É só questão de tempo.
Não?
Hein?
Tá bom, tá bom.
Já chega.
Vamos conversar, Billy Roy.
Sabemos que você se envolveu no assassinato
de Vernon Dahmer.
Quem mais estava com você naquela noite?
Quem porra vocês pensam que são pra invadir minha casa
desse jeito?
Não vou contar nada.
Pra você é que não conto mesmo.
Vou ligar pra porra do xerife.
Até que enfim.
Você não vai ligar pra porra de ninguém.
Porra!
Escute, Billy.
Uma testemunha viu sua caminhonete no local.
Isso mesmo.
Então essa é sua chance.
Ei, ei. Não seja burro.
Sabe o que fazem com branquelos magrelos em Yazoo City?
Reduza sua pena, Billy Roy.
Entregue Bowers e o resto e reduza sua pena.
Ouviu o homem falando com você?
Está começando a se abrir um pouco, né?
É,
está querendo conversar, hein?
Vão te enforcar na ponte de Shubuta, moleque.
Não.
O cachorro lá fora é seu?
Sabe de uma coisa?
Não vou mais ouvir essa porra de cachorro.
Não, não, não, espera!
Você matou meu cachorro.
Você matou meu cachorro.
E você é o próximo se não falar.
Vai se foder.
Ah.
Está me dando sinal verde agora?
Tá bom, pare.
Tá bom, pare.
Precisamos dele vivo.
Eu disse pra parar. Já chega.
- Porra, chega. - Ei, não...
Eu disse que vamos levar ele preso.
Seu psicopata de merda.
Ele estava quase falando.
Que porra tem de errado com você? FBI. Está preso.
Vamos levar você.
E vai contar o que precisamos saber.
É, agora é com você.
Faz seu trabalho.
Qual é, pessoal.
Não vão ficar só olhando, vão?
FBI! Sou agente federal.
E o senhor Pitts está preso.
Voltem para suas casas.
Ei, esse crioulo está armado.
FBI. Eu disse FBI, porra.
Vem aqui, seu filho da...
Peguei ele!
Cuidado!
Chuta ele!
Ah, merda.
Crioulo de merda.
Preto de merda.
Fica no chão, moleque.
Abaixa!
Cuidado!
Vamos.
Ei, pra trás, porra.
Porra! Eita! Caralho.
Seu desgraçado preto. Salvei sua vida.
- Você me deve essa. - Por deixar eles me espancarem?
Hein? Que porra tem de errado com você?
Estava deixando você fazer do seu jeito.
Eles iam colocar mais um
crioulo morto no currículo. Você estaria pendurado
numa árvore agora, se não fosse...
Seu filho da puta.
Vamos.
Vou arrancar suas pernas pela porra da sua cabeça.
Porra.
Você e suas regras de merda.
Agora temos que pegar aquele cara de novo.
É, como se você não tivesse regras.
Vai dizer isso pro Joe Colombo,
pro Vito Genovese ou pra qualquer filho da puta
- que você trabalhe! - Olha a porra da sua
boca, está me ouvindo?
Você não sabe do que está falando, porra.
Sabe de uma coisa? Você é pior que a porra da Klan.
Podem ser demônios, mas pelo menos acreditam em algo.
- No que você acredita? - Em mim, filho da puta.
Hein? Omertà?
Código de silêncio?
É tudo mentira.
Fica andando por aí com a porra dos seus ternos chiques,
seus palitinhos, se achando o fodão.
Você é só um rato de merda.
Do que porra me chamou?
Mais um dedo-duro trabalhando pro governo.
Não sou um rato de merda.
Tô aqui ajudando você e seu povo.
Fazendo o serviço que você se caga de medo de fazer.
- É, cansei. - É, tô tentando fazer
- de você um homem, porra. - Cansei.
Você e seu distintivo de merda.
Acha que eu me importo? Hein?
Filho da puta.
- Tudo bem. - Sam.
Estou com você.
Deixe eu dar uma olhada. Venha aqui. Vamos.
O FBI matou meu cachorro...
Vamos tirar essas algemas.
- Mataram o Boone. - Vai ficar tudo bem.
Vamos cuidar dele.
Estão vindo atrás de todos nós, Sam.
- Sabem quem somos. - Todos a postos.
Suas ordens eram deixá-lo em paz.
Deixar que trabalhasse.
Mas escolheu abandoná-lo na beira da porra da estrada.
Estamos afastando você de suas funções, agente Strider.
Preciso da sua arma e do seu distintivo.
Desculpe. Me desculpe.
Não gosto disso.
Me desculpe.
- Levou um tiro? - Não.
Vai! Vai! Vai!
Vai, vamos!
Peguei vocês!
Hein? Peguei vocês!
Peguem ele!
Vamos, garoto!
- Ei, ei! - Ah, merda!
Peguei vocês, filhos da puta!
Vamos. Vamos.
Ah, porra! Anda! Anda!
Vai, vai, vai.
Porra.
Vamos.
Vamos!
Hein? Vamos!
Deixa isso, vamos!
Vamos!
Volte pra dentro!
Vamos, vamos...
Lawrence Byrd.
Te peguei, desgraçado.
Vamos. Archie vai te levar pra...
- Não vou... - ...Edward Lee, em Jackson.
...a lugar nenhum.
Allison, agora não dá pra conversar.
Wayne, me escuta.
Aonde você for, eu vou.
Nisso que vou fazer, você não entra.
Não é seguro.
Também não é seguro pra você.
Podem te matar.
Aqui é nosso lar. Vai ser o lar dos nossos filhos.
Não podemos deixar esses animais tirarem isso da gente.
Jesus, que teimosa, porra!
Não podemos fugir pra sempre.
Eu te amo.
Também te amo.
O que você quer?
Entra no carro.
Você me abandonou. Acabamos, lembra?
Você não decide quando acaba.
Eu digo quando acaba.
Vieram atrás de mim...
e da minha esposa.
Pega suas coisas e entra na porra do carro.
Vamos acabar com isso, aí você pode ir pra casa.
Era isso que eu estava esperando.
Vamos.
Foi esse filho da puta que atirou na minha casa.
E agora?
Agora esperamos.
Uma chatice do caralho, se quer minha opinião.
Não pedi.
Quando era criança, queimei o carro de um policial.
Você? O policial exemplar?
Uma viatura?
Não, o carro de um policial.
Queria o carro dele, não o do condado.
Meu amigo roubou um chiclete no mercado.
Um daqueles policiais estava bem lá fora.
Correu atrás da gente...
a uns oitocentos metros daqui, por aquela estrada.
Consegui escapar.
E seu amigo não?
Não.
O policial quebrou o braço dele.
Quebrou o maxilar dele.
Ele largou a escola.
Nunca mais vi ele depois daquele verão.
Descobri onde o policial morava.
Taquei fogo na porra do carro dele.
Ótimo. Ele mereceu.
E o que aconteceu?
Nada.
Saí impune. Sem punição nenhuma. Que tal essa?
Não sei por que tô te contando.
Esse cara, porra.
O único que sai impune de alguma coisa
e fica puto com isso. - É, bom.
Não gosto que as pessoas saiam impunes.
Me acorda quando acontecer alguma coisa, tá?
O que está acontecendo?
É ele?
Não sei. Vamos.
Olá.
Se der um pio, porra, te mato aqui mesmo.
Entendeu?
Ei, garoto.
Você fez merda, garoto.
Você fez merda.
Olha só você. Cheio de surpresas.
Sei quem você é.
É aquele maluco de Nova York, né?
É.
Não pense que vai fazer comigo o que fez com Edgar Ray.
Não sou um pastor frouxo.
Parece um desafio.
Adoro desafios.
Pare.
O que disse?
Disse alguma coisa?
Quem matou Vernon Dahmer?
Quem matou Vernon Dahmer?
Quem matou Vernon Dahmer?
Por que se importa? Por que se importa?
Sabe, eu não me importo. Mas meu amigo aqui se importa.
Só vou receber se contar o que ele quer saber.
Vai se foder.
Vai se foder também, seja lá quem for aí atrás.
Gostei desse.
Stiles.
Clive Stiles.
Diz aqui que tem mãe. Mora em Natchez.
Vai acontecer o seguinte.
Amanhã vou acordar.
Vou até Natchez.
Vou encontrar sua mãe.
E vou retalhar ela.
Pedaço por pedaço, feito um peru de Ação de Graças.
O que acha disso?
Esse babaca.
Esse babaca nem vai salvar a própria mãe.
Nada ainda?
Aquele ali,
berrando feito uma vadia de merda.
Venha aqui.
Vem aqui.
Pare. Pare. Pare.
Vamos.
De joelhos.
- Não. - Na frente do seu namorado.
Que porra vocês pretendem com tudo isso?
Acham que vamos nos meter em encrenca?
São crioulos, pelo amor de Deus.
Aqui é o Mississippi.
Abaixe o short dele.
Abaixe a porra do short dele agora.
- Tire o pau dele pra fora. - Ah, qual é.
Abaixe a porra do short dele agora, caralho.
Tá bom, tá bom.
Tire.
Me mate logo.
Ah, não, não. Você vai sentir.
Cada corte, seu filho da puta.
Pare. Pare. Pare.
Por favor, eu conto. Eu conto.
Foi Sam Bowers.
Só não corte ele.
Pare.
Fale.
Sam...
Bowers?
Ele mandou a gente pegar aquele crioulo, o Dahmer.
Fui eu. O Clive.
Billy Roy Pitts.
Cecil Sessum.
William Smith.
Bowers mandou garantir que pegássemos Dahmer.
Aquele crioulo do FBI.
E a outra casa.
Que outra casa?
Aquela velha crioula de boca grande
que morava do outro lado da rua.
Não, não, não...
Aí está, Jackie.
Pare! Pare! Por favor. Tenha piedade.
Tenha piedade. Tenha piedade...
Por favor, tenha piedade.
Por favor, tenha piedade, por favor.
Está vendo onde está?
Está vendo seu amigo ali?
Quer ver meu rosto de novo algum dia?
Não, senhor. Nunca.
Então fica de boca fechada sobre isso e testemunha.
A menos que queira ficar pendurado na ponte.
Sim, senhor.
Liga o gravador.
Quem mais?
Bem alto e bem claro.
Charles Noble.
Melvin Martin.
Clifton Lowe.
Catorze nomes.
Assinados e selados.
Nada mal.
Que porra tem de errado com você?
É um grande dia.
Você é o único negro do mundo que pode matar
um branco e sair impune.
Olha, não é por nada, mas os chefes sempre vão
precisar de caras como nós pra fazer essas coisas.
Eles não vão fazer. Por isso são os chefes.
Bom, está na hora de ir.
Até mais, Jackie Robinson.
O empresário de Hattiesburg Lawrence Byrd
assinou uma confissão de 22 páginas,
detalhando seu envolvimento e o de outros treze
no assassinato de Dahmer.
Esta confissão foi resultado do trabalho incansável
das autoridades policiais locais e federais.
Proteger os direitos civis de todos os cidadãos é prioridade
para o FBI.
¶ Regras, alguém tem que criar ¶
¶ Mas alguém sempre tem que quebrar ¶
¶ E é você
¶ Você...
Quatorze presos pelo assassinato de Vernon Dahmer.
Apenas cinco foram condenados.
¶ Você é o escolhido
¶ Quando mandam você ir embora, você vai pelo outro lado ¶
Em 1978, todos já haviam sido soltos.
¶ Pois não segue outro código além do seu ¶
Sam Bowers só foi condenado 32 anos depois,
graças à persistência da família Dahmer.
Ele morreu na prisão em 2006.
¶ Podem criar as regras que quiserem ¶
¶ Não vamos deixar essas regras nos atrapalhar ¶
Investigação detalhada e depoimentos de testemunhas
confirmam que Sr. Gregory Scarpa, capo da família Colombo,
¶ Leis não foram feitas pra te dar o que precisa ¶
foi contratado pelo FBI em missões secretas ligadas aos assassinatos
do Verão da Liberdade (1964) e de Vernon Dahmer (1966).
¶ Às vezes o que tem que fazer, tem que fazer por qualquer meio ¶
¶ Por qualquer meio, uou ¶
O FBI nunca reconheceu isso.
Greg Scarpa Sr. tornou-se um dos matadores de aluguel
mais notórios da história da máfia americana.
Ele é suspeito de ter matado mais de sessenta pessoas.
¶ Por qualquer meio
¶ Deixe que pensem que podem te mudar ¶
¶ Quando você não tem medo, não podem te conter ¶
¶ Tem que fazer o que precisa fazer ¶
Depoimentos da família Scarpa confirmam
a existência de um agente negro do FBI,
sem nome divulgado, envolvido com Greg Scarpa
Sr. e com as missões dele no Mississippi.
¶ Você causa algum estrago, mas vale a pena ¶
¶ Só existe um caminho que vai seguir, o seu ¶
¶ Não podem criar as regras que quiserem ¶
¶ Não vamos deixar essas regras nos atrapalhar ¶
¶ Leis não foram feitas pra te dar o que precisa ¶
¶ Às vezes o que tem que fazer, tem que fazer por qualquer meio ¶
¶ Por qualquer meio
¶ Por qualquer meio, o que precisa ¶
¶ Ah
¶ Por qualquer meio
¶ Pode gritar, eles não vão ouvir ¶
¶ Não pode parar, está numa missão ¶
¶ Não podem te conter, você não vai recuar ¶
¶ Algo começou, agora não tem como parar ¶
¶ Não podem criar as regras que quiserem ¶
¶ Não vamos deixar essas regras nos atrapalhar ¶
¶ Leis não foram feitas pra te dar o que precisa ¶
¶ O que tem que fazer, tem que fazer por qualquer meio ¶
¶ Por qualquer meio, por qualquer meio ¶
¶ Ah, por qualquer meio ¶
¶ Por qualquer meio, por qualquer meio ¶
¶ É, é
¶ Pegue o que precisa
¶ Pegue o que precisa, por qualquer meio ¶
¶ Hum, por qualquer meio ¶
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