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Original subtitles

Vamos, miúdas! Um pouco mais depressa.

Têm que pôr mais entusiasmo.

Não se pode obter mais partido disso?

- É difícil de melhorar. - Pois há que tentá-lo.

Abaixa-o daí. Sobe para o ajudares.

Passem raparigas. Que o ajudante as vejam.

São as raparigas eleitas para a cena da modelo.

Muito bem. Podes descansar um momento.

Alto. Alto! A música!

Deem meia volta devagar.

A volta completa.

Muito bem.

A jovem loura. Aproxima-te, por favor.

Tem isso presente, Parker. Necessitamos de uma autêntica sensação. Uma bomba.

Já a temos. É isto o que necessitamos.

Muito bem raparigas. As outras podem retira-ser.

Vai ao Departamento de Alfaiataria. Sabes onde é?

Sim, senhor.

É por ali.

Oh, obrigada. Muito obrigada.

Iludida.

Que cabelo!

E que corpo. Como se chama?

Jean Harlow.

Motor. Acção!

Vamos, abandonem a calçada.

Aqui não há nada que fazer.

Circulem. Abandonem a calçada.

Vamos. Tu não. Tu podes ficar onde estás.

- Obrigada, agente. - Não tem de quê.

Mas o que é isto?

Como me puseram!

Ouve!

Cortem!

Não te mexas, querida. Quieta. Vale a tomada.

Vamos ver...

Vale a tomada. Já o tinhas ouvido.

Toma um primeiro plano aqui.

Luzes. Preparados para um primeiro plano.

Silêncio. Quarta tomada.

Atenção! Luzes!

- Preparados? - Preparados.

Se rueda.

Motor!

Acção!

Bem. Cortem.

- Estás bem? - Sim.

- Sabem onde está o Sr. Hanson? - No seu camarim.

- Obrigada. - As tuas.

Eu sou só um ajudante de direcção,

não o director do estúdio.

Adeus.

Entra.

Olá.

Cerveja?

- A sério não queres? - Não, obrigada.

Tu és a da cena do embargo, não?

A que eles levam a cama em que estás deitada.

E o que estás a vestir?

Tira a bata. Não consigo ver através da roupa.

És das recatadas, eh?

Fecharei a porta.

Vira-te.

Vejamos como ficas deitada.

Não tenho muito tempo.

Quantas sessões tens na película?

Uma.

Gostarias que fossem cinco?

- Escute... - Escuta-me tu.

Se procurares ser amável comigo, dar-te-ei mais trabalho.

Não, obrigada.

Não queres fazer carreira nesta profissão?

Sim, mas pelo meu talento.

Tu não és a Sara Bernhardt, querida.

Tens que tirar partido de tudo o que

a natureza te deu.

Sempre foi assim.

Comigo não.

Pega ou larga.

Rogo-lhe que me solte.

Está bem.

Central, diga-me.

Ponha-me com a produção.

Produção. Fala o Teddy.

Fará falta outra rapariga para a cena da cama.

- Quem preferes? - Um momento.

Já pensaste?

Uma rapariga que não fique com vergonha de rodar essa cena.

Olá, querida.

Eh, jovem. Não me dás o teu pagamento?

Não me pagaram.

Tenho um cavalo que corre às três. O que faço agora?

Diz-lhe que não corra.

- Marino. - Diz-me, querida.

- Ocorreu alguma coisa? - Não te pagaram.

- Jean. - O que é mamã?

O que se passa?

A única coisa que querem de mim é que me exiba.

Tens uma boa figura.

Para eles sou só um corpo, sem rosto nem sentimentos.

O que se passou hoje?

Bem...

Estive no camarim do ajudante de direcção e...

- Ele não tentaria...? - Claro que tentou.

Cinco dias de trabalho ou nada.

Que iria pegar ou largar

- E tu deixaste-o. - No momento.

És demasiado joven para esta profissão.

É um mundo perverso e cruel.

Só para aqueles que pensan com maldade.

A ti quem te perguntou?

Nesta vida tem-se que engolir o amargo com o dôce.

O que sabes tu disso?

Tive as minhas experiências e desenganos.

- Não vês que estás a sofrer muito? - Não estou a sofrer.

Estou cansada de vocês não trazerem um dólar para casa.

- Que posso fazer eu? - E tu, príncipe Marino Bello?

Levá-las-ei à assolarada e rica Califórnia.

Viveremos nela com todo o luxo.

Colheremos com as mãos os frutos das árvores.

Asseguro-te que esse dia chegará.

Eres un vulgar soñador.

- É o teu pai. - É o meu padrastro.

- A nobreza corre por minhas veias. - Sim...

Rei do engano, príncipe preguiçoso, conde inútil e barão charlatão.

Vou dar-te uns açoites para te ensinar a respeitares-me um pouco.

Sou demasiado inteligente para não aprender nada de ti.

Chega. Que coisas te ocorrem.

Todos sabemos o que és, não?

Tens uma língua de víbora, pequena.

Mas és demasiado honesta para fazer carreira no cinema, eh?

Marino...

No dia que decida atirar-me na corrente fá-lo-ei porque quero, e não em teu benefício.

Antes morrer de fome.

- Não digas essas coisas, filha. - Deixa-me. Não me encontro bem.

- Queres que te prepare alguma coisa? - Só preciso de estar só.

Achas que deixaste esse trabalho definitivamente?

Não sei.

Espera que se acalme...

e convence-a para que volte.

Dás conta do que pedes?

Algum dia tem que mostrar que é uma mulher.

Mas não deste modo.

Damos demasiada importância a quando, a como e a onde.

Sim é o primordial na vida.

A mais lindo de tudo é que isso pode ser feito.

Nem toda a gente pensa o mesmo.

É uma miúda apaixonada.

Ferve-lhe o sangue.

Herdou-o de ti.

Marino...

Porque não trabalhas?

Trabalho sempre...

Trabalho, trabalho...

Como se isso fosse o único objectivo da vida.

Quero algo melhor para nós.

Quero fazer algo que mereça a pena.

Quero fazer algo que mereça a pena.

E se estou amarrado...

Mas devemos muito dinheiro.

E temos de comer.

Se a tua filha trabalhar ainda que só seja...

uma temporada...

estou certo de o conseguir.

Terás tudo.

Dinheiro, criados...

Mas ela não quer trabalhar ali.

Trabalhará. Mas ela não quer trabalhar ali.

Trabalhará.

Imagína que não quer.

Trabalhará. Não se resignará a não fazer nada.

Vem cá.

Vem.

Vem, meu amor.

Não te preocupes com a nossa pequena Jean.

Atrás desse frágil e delicado corpo...

esconde-se uma mulher tão forte como uma estátua de mármore.

Sim, mas tu não precisas de esperar.

Se eu aceitasse um emprego...

com quem te distrairias durante o dia?

Lamento. Hoje não há nada.

Outro dia será. Não pôde ser. Paciência.

Bem, miúdas. Coloquem-se numa fila a olhar para lá.

- Aquela com a blusa de bolinhas. - No plató, por favor.

E tu.

Betty.

Tu. Não, tu não. A rapariga que está atrás.

No plató, por favor.

E tu.

E tu. São suficientes.

Obrigado, miúdas. Chegam.

Lamento, raparigas. Não há mais nada.

Acção!

Cortem! Boa tomada.

Têm uma hora para almoçar.

- O que há, querida? - Olá.

Depressa. Só têm uma hora.

Toma, miúda.

Eh, um momento.

O que se passa, Jim?

Perdão.

- Aconteceu alguma coisa? - Sim...

- Tu não estás no elenco. - Eu trouxe-a para fazer um teste.

- A sério? - Sim.

É estranho. Não me disseram nada.

Mas asseguro-te que se esqueceram.

Sim, não duvido.

Vamos, não percamos tempo.

Queres um refresco?

- Laranjada, por favor. - Uma laranjada.

- Olá, Arthur. - Olá, Bob. Alegro-me que trabalhes.

Senta-te.

Senta-te.

Vamos, come.

- Está bom? - Sim.

Quem é você?

Ah...

Arthur Landau.

Agente.

Queres representar-me?

Pois não sei.

Acabo de a ver uma magnífica interpretação.

Digna de Chaplin.

Basta um quarto de dólar para te pagar?

Não.

Receava. Toma, fica com o resto

ou chama a polícia se preferires.

Acalma-te. Aqui sobra sempre comida. Vá lá, senta-te.

Vamos, vamos...

Come o frango, parece bom.

Eu já te havia visto trabalhar.

Por certo, bastante mais

aligeirada de roupa.

Ah, eu entendo.

Tu és da mesma espécie mas não tens tanta pressa em atacar.

Sabes como é a vida, ¿eh?

Sim, mas não por experiência.

Uma boa notícia.

Eu sei.

Toda a gente o proclama pelos estúdios.

A decente Jean não quer ceder.

Por tanto não haverá carreira no écran.

Quanto achas que vai resistir?

Se eu proponho sempre.

E se a fome te acorralar?

- Aonde quer chegar, senhor...? - Landau. Arthur Landau.

Sim. Agente.

Agente de quem?

Das estrelas da manhã.

Levo já dez anos de ofício.

Tenho bom olho.

Para as jovens louras e famintas.

Eu olho sempre para o futuro.

E dentro de um ano...

dentro de cinco anos...

não a vejo uma jovem loira e com fome.

Vejo uma estrela desejada por todos e muito rica.

Coberta de peles.

Num carro com chofer que a acompanha todos os dias até ao seu camarim.

Vejo que os dois sonhamos o mesmo a meu respeito.

Já sucedeu com outras e pode-se repetir.

Já tens agente?

Não roubaria a comida.

Aceite a minha oferta. Dar-lhe-ei trabalho e você dá-me dez por cento.

Passa o dia aqui para ver quem pica?

Represento doze actores.

Um trabalha neste filme.

Sou honrado. Tenho uma esposa encantadora e quero-lhe.

E por uns dez por cento posso oferecer-lhe o trabalho que tanta falta lhe faz.

De acordo?

De acordo.

Termine. Trabalhará dentro de dez minutos.

- A sério? Onde? - Aqui, neste filme.

Ah, esquecia-me de algo importante...

- De quê? - Como se chama?

Harlow. Jean Harlow.

Nem eu poderia inventar outro melhor.

- É autêntico. - Bom.

Tudo em mim é autêntico, Sr. Landau.

Muito melhor.

Não pense que esta profissão é fácil.

É de malucos.

Um jogo em que toda a gente engana.

Mas a partir do qual se pode retirar uma boa maquia.

- Vive só? - Com a minha mãe e o meu padastro.

- Não gosta dele, não é? - Eu não disse isso.

A sua voz disse.

Não se trata do que se diz, mas sim de como se diz.

Lembre-se. Eu estudo as pessoas.

Um produtor pode gritar comigo, insultar-me, e no entanto

sei que chegaremos a um acordo.

Se não estivesse interessado, diria um ressonante "não".

Há que saber, que os dois lados da câmera actuam de igual modo.

Não compreendo como você não é o melhor agente da cidade.

É tão difícil como ser um bom médico.

É trabalho de artesão.

Requer estudo, paciência, tempo e muito tesão.

É na próxima esquina.

Um montão de escombros junto a uma bôca de rega.

Não tente imitar-me.

- A imitação... - É o sinal mais evidente do fracasso.

Seja sempre você.

A única. A original Jean Harlow.

Pode-se comprar uma cópia da Mona Lisa por 10 centimos.

E não qualifique de montão de escombros a sua casa.

O aspecto de uma casa carece de importância.

O importante é o que ocorre dentro dela.

Pare antes do montão de escombros junto a uma bôca de rega.

De acordo.

Bem.

Nasceu na Califórnia?

Eu vim do Kansas. Sou de lá.

O nosso melhor gado vem do Kansas.

Como foi a da côr do seu cabelo?

- De onde sacou a ideia? - Nasceu comigo.

É sua?

Original de Jean Harlow.

Vê?

Se tivesse imitado Clara Bow, nunca teria reparado em si.

Quer os seus dez por cento?

Um dólar. Não é muito por toda uma tarde de trabalho.

Uma viagem de mil quilómetros...

começa com um passo.

Não dará nem para a gasolina.

Um dia atirar-me-á à cara os meus dez por cento.

Isso nunca.

A natureza humana.

- Amanhã ligar-lhe-ei. - Adeus.

Obrigada por tudo, Sr. Landau.

- Isso não era necessário. - Eu sei.

Mas não pude evitá-lo.

Ah, não se comprometa para sábado à tarde.

Porquê?

Passaremos o fim-de-semana no rancho do Jack Harrison.

Jack Harrison? Não será...?

O astro do écran, sim.

Boa tarde, náufragos.

Falas tu.

Acaba de chegar Landau com os salva-vidas.

- Olá. - Olá, Arthur.

Eh, cavalheiros.

Apresento-vos Jean Harlow.

- Que tal? - Encantado.

Aquele tão moreno e feio é o Jack Harrison.

Olá.

O que está sentado a teu lado é Rex Chambers.

O bêbado do charuto é o famoso director Dave Northcroft.

E o bonitão que bebe leite é o infame produtor Marvin Silver.

Que acaba de te apagar da sua lista.

- Cinco mais. - Que sejam 10.

Vou.

Aqui tens.

Salchichão, conservas, fruta...

É uma deferência de Landau e companhia.

- A20. - Ah, que pesado.

Marie!

Não grites tanto, homem.

Cartas.

Um copo?

Não, obrigada.

Queres tomar um banho?

O caso é que...

não trouxe fato de banho.

Querias alguma coisa, Jackie?

- Sim. Arranja-lhe um fato de banho. - De seguida, querido.

Segue-me, amor. Vamos lá acima.

- Divertes-te? - Acho que sim.

Nunca tinha estado num lugar tão bonito.

Diz-me...

Que programa há?

- Querida! - Chama-me Jean.

Jean. Está bem, Jean.

Isto não é um concerto. É a casa de Jack Harrison, que é muito diferente.

Esses indivíduos que viste são bons rapazes.

Mas são homens também.

Assim, se não quiseres problemas, vai antes que eles deixem de ser bons rapazes

e se sintam homens.

Não tenho nenhum mêdo deles.

Eu não temo ninguém.

Não os conheces. Não os conheces.

Sete.

Oito.

Nove.

- Dez. - Ah, muitas vezes um fracasso!

Dave, lembras-te daquela vez que te mandaram à piscina vestido?

Sim, mas vinguei-me bem.

Se tivesses visto como saiu...

Olá, encanto.

Jean.

Apetece-te um copo?

Não.

Como queiras.

Tens o cabelo molhado ainda.

Já secará.

Arthur...

Arthur...

- Escuta, boneca... - A sua casa é maravilhosa, Sr. Harrison.

Claro. Um lugar acolhedor onde pode isolar-se com um livro ou...

com pessoas agradáveis.

Arthur!

O que aconteceu?

Foi um prazer tomar um banho na sua piscina.

Alegro-me, mas espera um momento.

Por favor, não me toque. Arthur!

Arthur!

Arthur!

Arthur!

O que se passa?

O que ocorreu?

O que contaste sobre mim àquela miúda?

Jack... é nova na cidade.

É nova em todas as partes.

Viu-te na tela e tem mêdo de ti.

Oh, Arthur!

Deverias ter esclarecido que eu não sou como nos filmes.

Não esqueças o seu nome.

É Jean Harlow.

Tenho a certeza que não esquecerei.

Bem, é hora de ir para a cama.

Boa noite.

Boa noite, Jack.

Muito obrigada por tudo, Sr. Harrison.

Arthur.

Diz.

Vai desmaiar. As suas pernas tremem. Dá-lhe algo.

Água de Azahar.

Eu estraguei tudo, certo?

Pois sim.

Já não quer ser meu agente?

Não é isso.

Eu não sabia o que poderia acontecer.

Uma coisa que nunca farei é fornecer raparigas.

Tem corpo de mulher mas reacções de menina.

Sim. É certo.

Eu só queria que conhecesse os grandes do cinema no seu ambiente.

Para que não se desconcentre ao trabalhar com eles.

Nunca serei capaz de conseguir.

Sim consegui-lo-á.

Mas há que superar esse mêdo dos homens.

Mêdo dos homens?

Eu não tenho mêdo dos homens.

Tenho mêdo de mim.

Não quero que a minha carreira comece e acabe numa cama.

Não quero que a minha carreira comece e acabe numa cama.

Se chega a tocar-me sei que teria caído a seus pés...

vencida sem remissão.

Já o tenho.

O quê?

O seu lançamento.

Uma mulher dôce, linda, ingénua...

mas com fogo no seu interior.

Sente mêdo de si própria...

porque lhe arde a alma.

Provocativa e sensual até um ponto.

Então... pam!

Bata com a porta e ponha loucos os homens.

Represente você esse papel e terá mais trabalho do que pode realizar.

Não poderia consegui-lo?

Lamento, mas já sabe que o seu compromisso é às onze.

Eu sei, mas só resta um papel feminino neste filme

e tenho de entrar lá antes que chegue Travers com as suas raparigas.

- Não quer que o seu chefe perca isso? - Não quero ver-me numa confusão.

O que acha de dois bilhetes para a noite de boxe de sexta-feira?

Já vi combates melhores ali dentro.

Acabo de o receber, directamente, de Paris.

É o perfume da moda.

Mesmo que eu consiga esse papel, a sua comissão será insignificante.

Não interessa a comissão. Trata-se de iniciar uma grande carreira.

Esta é a cara que a América está a desejar ver.

Alto. Alto!

Disse-te para não o atirares no ensaio.

Lamento.

- Vai-te maquiar novamente, vamos repetir. - Sim, senhor.

Vá lá mexe-te, mexe-te. Mexe-te!

Pinky, necessitas de uma rapariga para o teu filme?

As raparigas encontro-as às dezenas.

Mas nenhuma como Jean Harlow.

- Não ouvi falar dela. - Vais ouvir.

Pinky.

Asseguro-te que tem um corpo de sonho.

E um sorriso que é o nascer-do-sol no deserto.

Um cabelo como tu nunca viste. Ouro branco.

- E um salário em consonância, suponho. - Trabalhará pelo mínimo.

E eu renunciu a minha comissão.

- Quinta tomada. - Motor.

- A rodar. - Acção.

Huevos frescos, señorita.

- Olá, Jean. - Bom dia, Arthur.

O pequeno almoço, madame.

Oh, tu pensas em tudo.

Oh, cinco da manhã.

Não me levantava tão cedo nem para casar.

Tenho dois trabalhos para si hoje.

Uhm... dois bôlos na minha cara?

Saias rasgadas ou cair em cimento fresco?

Acha que eu a faria fazer isso?

Não, porque algo pior te aconteceria.

Hoje vestir-se-á como uma senhora.

Acção!

Cortem! Boa tomada!

Toda a gente no plató doze, de seguida.

Sim, senhor. Já ouviram. Mexam-se!

Vamos, levar o que faça falta.

Vê como não era cimento, querida?

Jean.

Jean.

A tua casa.

Oh.

Amanhã é domingo e poderá dormir até tarde.

Segunda-feira começa a trabalhar às sete.

Isso se não tiver apanhado uma pneumonia e os meus ossos o permitam...

e as contusões que tenho em todo o corpo.

Não será sempre assim, querida.

O importante é que rode todos os metros de película que possa...

e se prepare para quando chegar o grande dia.

Começo a duvidar que esse dia chegue.

Chegará.

E todos reconhecerão a sua valia.

Boa noite.

Coragem.

Ponha-me um pouco mais de vinho.

Certamente. O vinho é a poesia deste mundo.

Acreditem amigos.

Há tesouros ocultos ou enterrados por toda a terra.

Milhões. Biliões...!

que só estão à espera que alguém chegue com alguns dólares e os descubra.

Tenho mapas.

Mapas que me deixaram os meus antepassados.

Boa noite, minha querida estrela do cinema.

Apresento-te aos meus amigos.

- Boa noite. Muito gosto. - Aqui têm a pequena Jean.

A que ensinei a falar...

e a comportar-se como uma senhora.

Vinho de importação.

Os vinhos da Califórnia não são apropiados para paladares selectos.

Três dólares a garrafa.

Eu tive que trabalhar duas horas por cada garrafa que está nesta mesa.

Oh, Jean...

Sim. Mas quem te deu a oportunidade para que ganhes dinheiro?

Marino Bello. Não é assim?

E vê se o teu agente encontra um papel adequado para mim em algum filme.

Ele só trata com pessoas.

Não há que lhe dar importância.

Uma boa actriz é sempre uma mulher temperamental.

Já se sabe, o rosto e a cruz...

da beleza.

Jean, filha.

Não deves ser tão cruel com Marino, pelo menos diante dos seus amigos.

Ganhar esse dinheiro custou-me muito.

Já o sei, mas...

Tive que deixar golpearem-me, que me destroçassem os vestidos...

que me dessem duche com mangueiras, me atirassem vestida a uma piscina...

encheram-me de lama.

Mas não para que esse gigolô beba vinhos de importação.

Não faz nada de práctico, eu sei, mas...

é um desaproveitado, uma sanguessuga.

É muito difícil para nós continuarmos a puxar, e ele

dá festas aos seus amigos.

Não o faz com má intenção.

Não suporto esta música.

Pensa que...

é o nosso aniversário.

O aniversário da nossa bôda.

Lamento, mamã.

Lamento de verdade.

Não tem importância.

Sei o que te ocorre.

"Não poderias tentar mudar?"

Sim poderias.

Mas não o fazes.

E é o homem com quem eu me casei, o homem que quero.

Algum dia isto sucederá a ti.

E compreenderás o que quero dizer.

Eu nunca poderia casar-me com um homem que não gostasse de mim.

Podes odiar um homem por muitas coisas.

E no entanto, podes também...

querer esse homem sem saber porquê.

Eu não poderia.

Há de ser por tudo ou por nada.

Oxalá suceda como tu o desejas.

Mas eu apaixonei-me dele...

sem o poder evitar.

É um bom homem.

Ainda que tudo na sua vida sejam sonhos.

Está bem, mamã.

Se tu o desejas, farei o possível por o entender.

Estou cansada.

Ser atriz é desgastante.

Eu não sou uma actriz, mamã.

Mais uma boneca. Um saco daqueles que os boxers golpeiam.

Uma boneca do Pim, Pam, Pum.

Não sou um ser humano, mas mais um objecto nos estudos.

Mamã.

Que gosto tem esse vinho de importação?

Prova-o tu e saberás.

Estás preocupado com essa miúda, verdade?

Achas prudente dedicar-lhe tanto tempo?

Trata-se de uma pergunta...

ou de uma reprovação?

Eu diria que de uma pergunta.

Estás apaixonado por ela?

Como te pode ocorrer isso?

Sabes que só tenho um amor e que lhe tenho sido sempre fiel.

Sim, eu sei.

- A tua agência. - Exacto.

Não. Tu sabes que és tu.

Só que agora...

preocupa-te essa rapariga de um modo especial.

Sim.

É certo.

É uma rapariga sem educação, de reacções imprevisíveis. Nada sofisticada.

É um exemplar único.

Original.

Uma autêntica revelação.

Em que sentido?

É a inocência junto à promessa sensual.

Reflecte

uma paixão clara e limpa, sem complicações.

Supondo que isso exista.

Existe.

Uma vez na vida de cada mulher.

Depois do seu primeiro amor, do seu primeiro homem.

Essa paixão limpa, clara e fresca...

transforma-se em algo parecido ao mêdo e surge a incerteza.

Falo da vida profissional, não da vida íntima.

Pode-se separar uma da outra?

Só sei que tenho um diamante por talhar nas minhas mãos

e tenho que vendê-lo como se fosse vidro.

Ninguém está disposto a pagar o seu preço.

Nesta pequena bobine estão todos os papéis que ela fez.

Sabes o que me custou, rodar estes metros?

Sim. Anos da tua vida.

Eu recorri a todos os truques da profissão.

Eu tive que lutar contra o indescritível para continuar a trabalhar.

Eu fiz isso por nada, perdendo dinheiro.

E o que eles usaram até agora?

De extra, um palhaço manda-lhe com um bôlo

ou, simplesmente, focam as suas pernas.

Que nojo de profissão!

Anda, deitar-te, querido.

Sim.

A única coisa que me consola é que...

se ela chega ao cume eu também triunfarei.

Ela pode fazer de mim o agente famoso que sempre sonhei ser.

Se eu conseguir transformá-la numa estrela deslumbrante.

Em toda esta bobine não diz uma frase.

Mas se algum produtor importante acedesse a vê-la...

quem sabe...

Faz tu porque a vejam.

Os grandes negam-se em receber-me.

Não sou ninguém para eles enquanto não representar uma estrela.

Manley roda um filme muito importante e ele precisa de uma rapariga.

Mas os seus ajudantes não me deixam chegar até ele.

Eles não dizem que gostam...

de caras novas?

E de novos corpos.

Se eu me apresenta-se com um vestido apertado...

e medisse noventa de busto...

tenho a certeza que me receberiam no acto.

É natural.

Dá essa bobine à tua protegida e ela que a apresente.

Sabes uma coisa.

Vou ter que me associar a ti.

Quando você queira, Sr. Landau.

Olhe isto.

Quando ela sorri parece que se ilumina o écran.

E quando caminha toda a gente se vira para a ver.

Veja, não podem evitá-lo.

- Senhor! Senhor... - Landau. Arthur Landau.

Permita-me que acabe de ver a mercadoria, não me assedie.

Eu apenas enfatizei os detalhes.

Não sou partidário disso.

Não é preciso elogiar a geleia do pequeno almoço para saber se eu gosto.

Certo.

Tem alguma cena rodada com diálogo?

Pues...

A verdade é que tive que reunir o material com tanta pressa que...

Não.

E como sei se sabe falar?

Pois claro que sabe falar. Jean, diz algo, qualquer coisa.

O juramento de bandeira, tu sabes isso?

Todos o sabemos, mas interessa-me a sua dicção num filme.

Bem, poderiamos fazer-lhe uma prova, porque não?

Uma prova completa custa-me três mil dólares.

Talvez eu possa contribuir com metade?

Não é essa a questão. É que se eu fizer um teste, e resultar bom

e depois não chegamos a acordo. Eu perco tempo e dinheiro.

Diga-me agora.

Quanto pede por Jean Harlow?

Quanto?

Um contrato por três anos sem opção para a reter.

$200 à semana quando não trabalhe.

250$ quando trabalhe.

E um aumento de 50$ ao segundo e terceiro ano.

Dentro de dez dias deve apresentar-se nos estúdios.

Agora, Sra. Bello, faça o favor de assinar aqui.

Um momento, por favor.

Considera prudente assinar esse documento?

Jean é menor de idade, tem que o assinar a sua mãe.

Escute-me primeiro. Sou um homem com experiência.

Para que te serve...

Quantos cinemas há, aproximadamente, na América?

O que tem isso a ver?

- Pois não sei. 14 ou 15 mil. - Exacto.

E se esse produtor obtiver só um dólar

e ponho uma quantidade ridícula por filme.

Um dólar, em cada cinema...

cobrará duas vezes por cada filme...

o dinheiro que vale esse contrato.

É surpreendente.

Agora, Sra. Bello, faça o favor de assinar aqui, por favor.

Agora, Sra. Bello, faça o favor de assinar aqui, por favor.

- Anda, mamã, assina. - Um momento, amor.

Quem te deu a vela neste funeral?

Esse homem fará uma fortuna com o trabalho da Jean.

E a nós atiram-nos nos uns quantos centimos, pouco valor.

A nós não. A mim.

200 dólares à semana é uma ofensa.

É mais do que tu ganhas em todo um ano.

O que pretende, Sr. Bello?

Pode ver?

Tu vês. Ele sim escuta-me.

1.000 dólares à semana seria mais justo.

Adicionando um aumento de 500 dólares ao ano.

Isso é ridículo.

- Acabou? - De momento sim.

Mas talvez possa ter novas ideias, mais tarde.

Deixe-me explicar uma coisa sobre este trabalho:

Ganhar dinheiro é o mais fácil nesta profissão.

Mas quando alguém já triunfou.

O difícil é conseguir a primeira oportunidade.

O que você e o Manley ignoram é que eu teria oferecido a Jean por nada.

Inclusive teria pago por um papel num grande filme.

Claro. Cala-te e deixa que a mamã assine.

Assino, Marino?

Não.

Mas se eu já tiver chegado a um acordo verbal com Manley. Dei-lhe a minha palavra.

Não tinha nenhum direito para o fazer.

Talvez o que faça falta seja um agente com novas ideias.

Tu és um parvo. Deixa a mamã assinar de seguida.

Se voltas a insultar o teu pai não assinarei este contrato.

Esqueceste-te que devemos 500 dólares?

O aluguer, a mercearia, as suas dívidas de jogo

Não tens sapatos decentes e há roupa por levantar na lavanderia.

Assina de uma vez, por favor.

Tendrás que buscarte otro agente, pequeña.

- Não. - Tira as mãos de cima de mim.

Chegar a isto costou-me um ano de trabalho sem ganhar nada.

A tua família pode fazer o que quiser da tua vida, mas não da minha.

Neste negócio, a única coisa que me garante é a minha palavra.

Dei-a, e não pretendo faltar a ela.

Poderiamos ter ido longe. Ser todos ricos, mas...

Arthur, por favor, não te vás embora.

Se pensas que vais arruinar também a minha vida, estás enganado.

Mamã...

Queres que te diga o que este monstro tentou fazer?

Sabes o que tem estado a pretender desde que entrou nesta casa?

- Queres que te diga? - Não.

Não. Não quero ouvir mais nada.

Nem uma palavra.

Sr. Landau, quer dar-me outra vez esses documentos?

Falaste demasiado, Marino.

Todos nos temos excedido.

Vamos, Jean...

Que vergonha, foi horrível.

Acalma-te.

Eu andei com mêdo, sorri de mêdo e eu falei com mêdo.

Mas os vestidos eram lindos.

O que significa isso?

Lágrimas pela noite, felicidade pela manhã.

Como os meus nobres ancestrais costumavam dizer.

- Cala-te, peço-te. - De acordo.

O filme teve boa crítica.

Mas ela não.

Eu lembro-me do primeiro filme que fez, Sr. Manley.

Acho que nem sequer chegou a estrear.

Eu jogo o meu dinheiro. Você pode fazer o mesmo por ela?

- Não. - Bem, não me interrompa.

Como disse, eles não veem uma actriz nela.

Só a vêem como mulher.

Como um símbolo.

Ela é uma actriz medíocre, mas levantou os homens nos assentos.

O corpo mais sensual que se tem visto no écran.

Considero a sua voz desagradável e a sua interpretação carente de talento.

Mas como homem, eu não paro de me repetir...

que mulher!

Fantástica.

Isto não é uma mulher, é um monumento.

Quem vai apanhar!

Tem uma silhueta sensacional.

Desde a cabeça até aos pés.

Farei com que se apresente pessoalmente ali onde eles exibem o filme.

Por um valor extra?

Para 250 à semana mais dietas.

Já investi muito e vou recuperá-lo embora deva viajar pelo país a fazer striptease.

Estará disposta a colaborar?

Claro, Sr. Manley.

Têm sido tão amáveis comigo...

que não sei por onde começar.

Pelos pendentes, e vá seguindo.

Um crítico desta localidade disse que eu não sou uma autêntica actriz.

Por acaso há algo em mim que não seja autêntico?

Não interessa o que ele diga acerca de mim.

Está enganado.

Alguém na sala, pergunta o que põe quando vai para a cama.

O despertador.

Menina Harlow, por favor.

O que acha que um homem procura numa mulher?

O que não encontra na sua mulher.

Gosta de Cleveland?

Eu só vi metade, os seus homens.

Acha que o mundo se tornou demasiado sensual?

Espere até o ano que vem e reveja a taxa de natalidade.

Acha que uma mulher pode viver só de olhares?

Se aquele que a olha é o homem que ela gosta...

E como a olha a si Richard Manley?

O que quer dizer com isso?

Circula o rumor de que a pediu em casamento.

Richard Manley não costuma pedir nada, toma.

Você aceitaria?

Casar com Richard Manley seria como beber uma cerveja.

Uma bebida frouxa e de muito pouco conteúdo.

- Estou bem assim? - Encantadora.

Só há tempo para mais uma fotografia.

Obrigado.

- Vamos, linda. - Obrigado por todo.

Por favor, senhores...

Obrigado, Menina, Harlow. Esperamos vê-la de novo.

Jean!

Arthur, alegro-me por te ver.

- Parece que passaram anos. - Deixa que te veja.

Mudaste. Estás irreconhecível.

Eu não poderia apresentar-me a meio milhão de homens sem me afectar.

Eu sei que foste muito bem. Tenho o escritório cheio de recortes.

Sr. Landau, como está?

Com um montão de facturas por pagar.

Sra. Bello.

Olá, Arthur.

Uma bengala com um cabo de ouro...

sapatos de 30 dólares.

Charutos habanos.

Gravatas de 10 dólares...

Esse brilhante é autêntico?

Desde sempre.

As jóias autênticas são o melhor investimento.

- Sr. Bello. - Vamos.

Quero saber o que aconteceu na minha ausência e o que devo fazer agora.

É teu?

Tu tens a culpa.

Obrigas-me a parecer que sou um agente com êxito.

Maravilhoso carro, mas...

Onde iremos nós?

Subam para esse táxi.

- E levem a bagagem. - Muito bem.

Por favor.

Vamos, amor.

Não te esqueças de dar uma boa gorjeta ao chofer.

Negligência.

Não deverias ter dito aquilo sobre Manley.

No guião não estava previsto.

Já sei.

Mas eu estava cansada de repetir as mesmas respostas

uma e outra vez e decidi agir por conta própria.

Mas chegou aos seus ouvidos.

E o que fez?

- Riu-se. - Riu-se?

Sim. E então disse: "Quando voltar, leve-a para minha casa ".

Que quiz dizer?

Tu achas?

E tu o que lhe disseste?

Bem, sim.

- Que sim? - Sim.

Em certa ocasião disseste-me que tu

nunca te dedicarias a proporcionar...

- Mulheres. - Exacto. Disseste isso.

Mas não disseste que dependia da importância de...

Queres escutar-me?

- Tenho direito a falar, incumbe-me. - Queres calar-te?

Manley não é nenhum homem vulgar.

- Não faz amor com mulheres vulgares. - Isso não interessa nada.

Isso fez-te fazer esta viagem não só por causa do filme,

mas para te proporcionar um nome, e ele conseguiu isso.

Vestidos, hoteis de primeira...

entrevistas, fotografias...

Tudo com um só fim.

Que eras suficientemente importante para fazer amor contigo.

- E tu sabias? - Claro que eu sabia.

Não é o melhor a que podes esperar?

És tu quem decide isso?

És igual ao Marino Bello, mas utilizass outra táctica.

O que interessa agora é renovar o teu contrato.

E para isso devo ir a sua casa?

Manley é um homem lento a rodar filmes.

Podem passar meses sem surgir outro papel para ti.

Tiveste um bom começo...

e quero que tu continues a aparecer nos écrans regularmente.

- Posso trabalhar noutro estúdio. - Ele não o permitirá.

Se não agilizas a mente apenas serás uma rapariga bem lançada.

Eu pensei que era o agente que tinha de agilizar a mente.

assim irão esquecer-te até que se volte a falar de ti.

Bonita perspectiva.

Estás decidida a jogar forte?

O que tenho que fazer?

Tens que ir para a casa dele.

Arthur...

asseguro-te que não te entendo.

Entender-me-ás.

Bem. Vais-me deixar mostrar a casa?

Claro.

Por favor.

Gosto da música.

Podes escolher: jazz, clássica...

- ópera. - Tudo menos ópera.

A sua galeria de troféus?

Umas quantas mulheres as que fiz famosas.

Gostaria que o teu retrato estivesse aqui um dia.

Preferia-o na capa de uma revista.

Tudo é possível nesta vida...

sim se sabes...

escolher o caminho adequado.

Espera.

Vou-te mostrar o meu quarto.

Gostas?

É real?

Sim é real?

Isto é só o princípio.

O closet.

É encantador.

O dela...

e o dele...

e a casa de banho.

E...

para uma ocasião...

que requeira um ambiente exótico...

reservo isto.

Gostas?

Não sei se estou no Céu ou no Inferno.

- Ficarias confortável aqui? - Quem não ficaria?

Comigo?

Isso já não, Sr. Manley.

Chama-me, Richard.

Não o conheço o suficientemente bem, nem acho que me convenha conhecê-lo.

Um homem que te lançou para a fama?

Que te pode dar um nome que nunca vai esquecido?

Sei qual é esse nome e não soa bem.

És rápida a responder.

E a correr também. Pare de me perseguir.

Vem aqui.

Não.

- Porque aceitaste o meu convite? - Para jantar juntos.

E não suspeitaste do que eu queria?

Sim, mas isso não me obriga a agradar-lhe.

Paguei por ti muito mais do que tu vales.

Isso é o que você acha.

Eras uma qualquer.

Não, ainda não sou.

Porque achas que és diferente das outras?

Porque eu sou a Jean Harlow e não mais um troféu na sua parede.

Asseguro-te

que quando saires daqui o serás.

Antes terá que me matar.

Antes terá que me matar.

Fora daqui!

Não sairei sem lhe dizer o que penso de si.

Já o disseste, fora!

Você é nojento, um verme.

Eu dou e exijo compensação.

Deveriam trancá-lo.

Não trabalharás mais para mim.

Nem eu quero.

Não eras nada quando te acolhi, mas menos serás quando te largar.

Tu nem sequer és uma actriz.

Não és nada mais que uma curiosidade física.

Mas quando quiser ser amada não terei que comprar ou forçar alguém.

Está bem?

Sim. Eu deixei intacto.

Nunca vi a um homem tão fora de si como Manley.

Mas acho que lhe disse tudo o que ele merecia.

Decidiu rescindir o meu contrato.

- Não te preocupes. - Leva-me para casa.

O que aconteceu?

A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa.

- Tu insultaste-o? - Isso parece errado?

Ele não me preocupa. Sabes porque é que eu te trouxe aqui?

Só tu me interessas.

Ele disse que eu não sou actriz.

Teria gostado de fazer uma cena no seu próprio quarto.

Ele levou-te para o quarto dele?

- E eu, Arthur... - O quê...

Eu não queria sair, tu sabes.

Como eu luto comigo própria?

Eu acho.

Tu disseste 60.000 dólares?

60.000 dólares, Sr. Landau.

Por 60.000 dólares posso comprar

todo o coro titular do teatro Roxy. Inclusive o teatro.

Eu não defini o preço, Sr. Redman.

Foi Manley em pessoa.

Pois é pouco razoável.

- Viu o filme? - Claro.

Leu as críticas da sua tournée?

Fiz mais que isso.

Vi-a actuar quando esteve em New York.

- Então interessar-lhe-á. - Tudo é interesante neste negócio.

Há que saber o que se tem que descartar...

e com o que se deve ficar.

- A miúda causou sensação. - En certo aspecto nada mais.

Olhe, Sr. Landau...

Aqui produzimos filmes para agradar a milhões de espectadores.

Olha bem. Milhões!

E não só da América.

Mas sim de todo o mundo.

Não.

Não podemos pensar só no nosso público.

Pessoas que vão ver uma mulher que usa um vestido tão apertado...

como a sua pele, faz comentários indecorosos.

Com ela ninguém fez isso.

Estiveram muito perto de o fazer.

Acredita-me...

Aqui produzimos filmes familiares.

Comédias musicais, filmes de aventuras

inocentes histórias de amor, películas do Oeste

e inclusive filmes protagonizados por cães.

Olha para essas placas, são todas prémios.

Olha ali. Já viste uma colecção como esta?

Significa alguma coisa, não?

Conheces algum prémio dado a uma mulher por se exibir em roupas íntimas perante o público?

Não, claro.

De todo o modo obrigado pela entrevista.

Só queria ofrecer-lhe a oportunidade de ter uma grande estrela.

Sente-se, não terminou.

Há alguém aí?

Sim, senhor?

Que venham a Sally Dune e...

o Paul Bern. Já de seguida, por favor.

Bem, Sr. Landau...

Os tempos mudam.

Não é assim?

E às vezes é necessário mudá-los.

A Menina Dune...

é responsável por oscultar a opinião pública.

E o Sr. Bern...

é um homem...

inteligente...

refinado...

justo.

E porém, é da profissão, você vê.

Felizmente para mim, acredite.

Vale o que pesa em ouro.

Menina Dune...

- apresento-lhe o Sr. Landau. - Muito gosto.

Como está?

Sente-se, por favor.

Sente-se, Menina Dune.

O que lê a América na actualidade?

Novelas de mistério com muita acção e sexo.

Novelas de guerra com violência e sexo.

Biografías do tipo psicológico e sexual.

Ya.

E que espectáculos prefere?

Comédias de "cama" e musicais com sexo.

E acredita que o sexo persistirá?

Refiro-me ao campo do espectáculo. Por exemplo nos filmes.

Esteve sempre presente, embora apenas na sua aparência agradável.

Que aspecto terá a outra?

Quer você dizer algo sexual, mas bom e limpo?

É uma pergunta difícil de responder.

Você vai entender que não lhe pago 500 dólares à semana para fazer perguntas fáceis.

Ah, o Sr. Bern.

Sr. Landau, apresento-lhe o Sr. Bern.

- Encantado, Sr. Landau. - O mesmo digo eu, Sr. Bern.

O tempo que você começa a perder a apertar mãos neste estúdio.

Sente-se, por favor. Paul...

o Sr. Landau oferece-nos uma miúda chamada Jean Harlow.

- Sim, eu já a vi. - Viste-a.

E que opinião te merece?

Acho que vai muito longe.

Porquê?

Porque é o que o público gosta hoje.

Dôce em certos momentos, de ingenuidade acentuada...

Apaixonada noutros até ao exagero.

Produz um grande impacto emocional.

É uma combinação pouco frequente. A perfeita esposa e amante.

Porque não me disseste tudo isso antes?

Não sabia que lhe interessava.

Não me interessa a mim. A única coisa que me interessa é o dinheiro.

Desde que as circunstâncias o comandam...

chegou o momento de produzir filmes

desse outro aspecto do amor que o público pede.

Sr. Landau, não pode negar que é um homem de sorte.

O meu desejo de ganhar dinheiro...

e as fraquezas do ser humano podem fazer-me muito rico.

É adorável.

Camarim de Jean Harlow, diga?

- Oh, Arthur. - Sim, acaba de chegar.

Sim.

Cozinha, chuveiro, estufa, tocador...

poderia viver aqui. Isto é melhor que a minha casa.

São da mamã e do Marino.

É de Redman, a sua própria caligrafia.

Arthur, és um encanto.

Paul Bern.

A mão direita de Redman. Já te falei sobre ele.

Esse que dizes que tanto me ama?

Eu amo-o ainda mais a ele.

Essa cesta é minha.

Sr. Harrison.

- Olá. - Olá.

São as minhas últimas poupanças. Nem sequer me ficou um cartão.

Muito obrigada.

- Bem-vinda a esta confortável prisão. - Obrigada de novo.

Desculpem se interrompo.

Uau, se és o ladrão de luvas brancas.

- Olá, feio. - Por fim deste o grande golpe, hein?

Pensei que se tu chegasses, com mais razão poderiam chegar outros.

Ligaste para Redman. Deveria ir ver o seu despacho de seguida.

Pedi-lhe que se afastasse com qualquer desculpa.

- Eu não fecho a porta ao acaso. - Tu saberás do que ela é capaz.

Vamos tomar uma bebida.

Não, não. Sem borbulhas.

Apetece-me algo que entre melhor que o champagne.

Trouxe isto para que possa dar um trago aqui quando me apetecer.

Bebe em pleno dia?

Tentei beber a dormir, mas foi um fracasso.

Onde está o seu camarim, Sr. Harrison?

Jack.

- É a porta contígua. Perdão. - Sim.

Conheces muito bem isto, hein?

Sim. Era o camarim de Irma Morelli.

Quem o diria? Irma Morelli.

O que foi feito dela?

Foi vítima de um ataque de senso comum. Despediu-se.

Foi-se quando ainda tinha um pouco de beleza, saúde e moral.

E isso é o que deverias fazer tu também.

Não chegares nem a sentar-te.

Dares meia volta e saires daqui.

- Isto parece um funeral. - E é: o teu.

Se te ficas aqui, vais-te enterrar em vida.

Tudo isso que dizes parece um guião de filme.

Sim. Dentro de em pouco já nada te parecerá real.

E não te sentes lisonjeada por este camarim.

É bonito, mas há um cão no estúdio que tem um muito melhor.

Pela miúda mais encantadora que pisou estes platós.

Obrigada, senhor.

Jack.

Pelo homem mais bonito e interessante que alguma vez conheci.

Bem, pelos dois.

Queres ser uma estrela do cinema, eh?

Bem...

Achas que já chegou a tua hora.

- Claro, que não. - Não.

Tudo o que fizeste para chegar até aqui...

não é nada comparado com o que vais ter que fazer agora.

No és mais que um pedaço de carne.

Passaram-te pelo triturador, condimentaram-te...

deram-te outra forma...

e logo...

farão pequenas almôndegas que vão atirar ao público e eles vão-te comer...

até deixarem somente os ossos.

Não sei, mas tu pareces ter sobrevivido.

Sim.

Mas no dia antes de entrar aqui, era duas vêzes mais homem que agora.

Embora me reste uma oportunidade.

Resta aos dois, se fizermos alguma coisa já.

O que é que devemos fazer?

Casa-te comigo e fujamos juntos para qualquer parte.

Posso fazê-lo já que não me casei com ninguém ainda.

Inclusive tenho poupado algum dinheiro.

Anda, vamos.

Suponho que não estaás a falar a sério.

Sim, a sério.

Há algo em ti que me apaixona desde o dia em que estiveste em minha casa a tremer.

Eu gostaria de casar contigo.

Sou Paul Bern.

- Passe por favor. - Obrigada.

- Como estás, Paul? - Olá Jack, que tal?

Apanharam-nos a celebrar a chegada de Jean.

É uma rapariga muito hospitaleira.

Obrigada pelas suas flôres, são lindas.

Foi um prazer, Menina Harlow.

Menos Senhor e Menina e mais chamada às portas antes de entrar.

Não se preocupe.

Na próxima vez não me esquecerei.

Assim gosto, se não for muito violento.

Menina Harlow, eu vim buscá-la para lhe mostrar os estúdios.

Eu estou indo para o México.

Para pescar.

Bem.

Sorte.

Não andes a distribuir sorte.

Pois quando necessitares, não vais ter.

Alto, não sigas.

Vamos ao princípio outra vez.

Jean...

Com mais desenvoltura desta vez.

Está bem.

Vamos, senta-os. por favor.

Quão difícil é fazê-lo compreender?

Cuidado, são pouco inteligentes estes animais.

Agora, por favor, sorria, Menina Harlow.

Menina Harlow, o seu carro está esperando-a.

O meu carro?

Sim. Comprá-mo-lo hoje.

Comprado? Com quê?

Parte com dinheiro e parte a crédito.

Tens que viver de acordo com a posição que hoje ocupas.

Sim, mal tenho tempo de viver.

Tê-lo-ás.

Chegará o dia em que serão recompensados os teus esforços.

Casaco novo, hein?

Claro. Um casaco novo para um novo negócio.

O meu cartão

E os meus respeitos.

Marino Bello. Assessor de Investimentos.

Vais ser um conselheiro.

Dentro de um ano não te rirás desse modo.

Esta é uma cidade nova, um novo Estado.

Será possível negociar com petróleo, com gasolina...

construir-se-ão edificios, haverá milhares de negócios.

Todos os investimentos que fizeste foram um completo fracasso.

Não todos.

A prova é que eu sempre acreditei em ti.

Está certo.

Verás a explosão que darei ao nosso dinheiro. Deixa-mo a mim.

De momento fiz um óptimo investimento

Oh, não.

A tua mãe e eu acordámos a gestão dos nossos negócios mútuos.

O que compraste?

- Uns terrenos. - Onde?

Onde, onde, onde?

Num lugar onde podes viver de acordo com a tua fama.

És muito popular, não deves esquecer.

- Dispões do meu dinheiro... - Por uma vez, dá-me uma oportunidade.

Eu tive azar, mas não foi por falta de bom senso.

E fui capaz de fazer a tua mãe feliz, certo?

Deixa-me que tente fazer-te feliz a ti também.

Está bem, tenta.

Ao fim e ao cabo...

não é mais que o meu dinheiro.

Jean, este é o amanhecer de um novo dia para nós.

"A mulher é móvel como uma pena ao vento...

sotaque silencioso e pensamento".

Por favor, senhora a cabeça um pouco mais à direita, Menina Harlow.

Um pouco menos.

Isso assim.

Quieta, quieta.

É só um minuto, Menina Harlow.

Quieta.

Já está.

Simplesmente adorável.

Vamos, pessoal, apressem-se.

Coloque-os daqui.

Atenção, aí chega.

Já a temos aqui, Jean Harlow.

A única, a incomparável Jean Harlow.

A mulher mais bela do mundo que chega acompanhada por Jack Harrison.

Significa que o meu fim está próximo já passaste à minha frente.

As senhoras primeiro.

Nesta profissão não. És a primera porque o conquistaste.

Agora, és a estrela mais solicitada.

Disposta a aceitar o desafio?

- Deixe-me respirar fundo. - Já pode. Vamos lá

Esta adoração frenética finalmente chega a um coração, certo?

Assusta-me. Se vir as cartas que me escrevem...

- Recebeste a minha? - Queimou-a a censura.

Pareces exausta.

E tu estás a ficar cinzento.

Dê-me um beijo, Menina Harlow!

Porque não passamos o fim-de-semana deitados ao sol na praia?

A minha mãe tem-me ditoe que é perigoso deitar-me.

Então podemo-nos sentar em minha casa, que acha?

Prometi a Paul Bern ir a um concerto e a jantar.

Daí só conseguirás câimbras e uma indegestão.

O mesmo que tu me oferecias, não achas?

Em que estás a pensar?

Perguntava-me em que é que estarias a pensar tu.

Nos filmes.

- Muito interessante. - E em ti.

Não, não te rias.

Os artistas influênciam a cultura dos povos.

Que influêncio eu na cultura?

Vestidos apertados...

banhos de espuma, habitações...

A vida não gira só à volta da filosofia.

Não, mas já sei que existem muitas outras coisas como

por exemplo o dinheiro...

- o mêdo do fracasso... - A paixão.

Os meus críticos a isso chamam-lhe pecado.

Pergunto-me se os críticos são capazes de se apaixonarem.

Os meus não.

Mas o teu público sim.

Às centenas, aos milhares.

Apenas a olhar para ti.

Vou ter que ir ver os meus filmes.

Se chegares a apaixonar-te por ti própria, retira-te.

E casa-te com um homem atractivo e inteligente.

Conheces algum?

Sim. Conheço um.

Eu.

- A sério, Paul. - Falo a sério, Jean.

Eu vi todos os teus filmes várias vêzes.

E tu conseguiste que eu acredite no cinema.

Achas que posso interpretar papéis de maior envergadura?

Acabo de te oferecer um.

- Obrigada, mas... - Jean.

Não o rejeites sem o meditares a fundo.

É o melhor papel que se escreveu para ti.

Terás que falar com o meu agente.

Ele trata de todos os meus assuntos.

À tua saúde.

Vamos, derruba-o de uma vez.

Dá-lhe. A esquerda, a esquerda.

Do que estás à espera?

Dá-lhe, dá-lhe forte.

Isso. No estômago, no estômago.

No estômago.

- Castiga-o. - Fez algo errado?

Não.

Tombou-o. Fora de combate!

Amigo Jack...

Eu não costumo dar conselhos às pessoas.

Grátis, queres dizer.

Quero dizer que o que um homem faz na sua vida privada, só é da sua incumbência.

Desde logo.

Contando que não tenha um contrato contigo.

Eu pedi alguma vez um favor pessoal?

Ainda não.

Pois tão pouco te vou pedir agora, pelo contrário.

Sou eu que vou fazê-lo.

- Isso é pior ainda. - Gostas da Jean Harlow?

- Gosto da Jean Harlow. - E tu gostas dela.

Excelente, porque não pões música?

Os dois são solteiros, os dois são estrelas.

São um para o outro. Autorizo que cases com ela.

A única coisa que me faz indeciso é conhecer a tua aprovação.

Aprovo de todo o coração. Isto mais ninguém deve saber.

Nunca me importou a tua aprovação, diz-me...

há algum motivo especial para este súbito acto de generosidade?

Desde já.

Claro que há um motivo, ele existe.

Paul Bern perdeu a cabeça por ela.

Não trabalha, não pensa e passa as horas a contemplar as suas fotografias.

Anda pelos estúdios como um cão perdido. No me s~erve para nada.

Porque não permites que se case com ela?

Bem, porque temos uma estrela...

com o corpo de uma corista, uma mente inexplorada

e uma atraente vulgaridade de modos e linguagem.

Em resumo, tu és o seu tipo.

Muito lisonjeiro.

Paul Bern impôs a titânica tarefa de a educar.

Até de a fazer ler livros.

- Inaudito. - Sim.

E recitar poesias e escutar quartetos de cordas.

- Aonde vai parar o mundo? - Não sei.

Mas verás em quanto tempo terá sotaque de Harvard,

e se vai recusar a entrar na banheira e beijar o canalizador.

Sim, ri. É muito divertido.

Mas acredita em mim. No dia em que se tornar a Sra. Harlow

perderá o favor do público.

- E eu perderei o dinheiro. - Ao menos és sincero.

Não totalmente.

Eu pensei que tu és um homem a quem não entusiasma os filhos,

o que me asseguraria dispôr da Jean seis meses a cada dois anos.

Gostaria muito que tu te casasses com ela.

Agradeço as tuas boas intenções,

mas tens que contar com o consentimento dela.

Isso não é problema.

Tu trabalhas com ela nos filmes.

E se necessitares de ajuda...

eu arranjar-te-ei um bom roteirista.

Foi um prazer conversar contigo.

Jean?

- Encontras-te bem? - Deixa-me, mamã.

Queres uma chávena de café?

Não, obrigada.

Julgámos que ficarias depois do jantar.

Pensávamos jogar uma partida de Parchís.

De repente, deu-me vontade de subir aqui.

Não acho que te divirtas muito aqui sozinha.

Diz-me.

Um quarto só com uma pessoa é a coisa mais aborrecida deste mundo.

Não queria dizer isso.

Porque tu nunca tiveste que pensar nisso, mamã.

Há muitos anos que o teu quarto não está vazio.

Que coisas dizes.

É a verdade, mamã.

No sabes a tristeza que se experimenta

e o que provoca a falta de um homem ao nosso lado.

Porque estás tão apaixonada por Marino?

É realmente tão interessante?

Filha, por favor. Não gosto de falar dessas coisas.

Não acho que haja nada de mal em falar dele.

Bem, eu não sei porquê.

Mas eu amo-o.

Dizes que não sabes?

Garanto-te que invejo o teu amor por Marino.

É a primeira vez que te oiço falar dele sem o insultares.

Mas não o posso suportar.

No entanto, dir-se-ia que está na posse de algum segredo especial de vida.

Sabes,

momentos antes de entrares,

estava a examinar o meu corpo frente a este espelho.

Tratava de averiguar em que se diferencia do das outras mulheres.

Porque enlouquece o público?

A mim parece-me vulgar e corrente.

É o modo como te comportas e como actuas.

Sim, mas... o curioso é que na realidade

não sei o que faço nem porque o faço.

Sai-te natural, é instintivo.

E não te esqueçass que as pessoas vêem em ti precisamente...

o que desejariam ver nelas próprias.

Isso é precisamente o que me assusta.

- Porquê? - Porque quero...

que o amor seja algo distinto para mim.

Isso desejam-no todas as mulheres.

Mas eu não quero nada que possa ser vulgar e corrente.

Quero que seja como...

o quarto de Richard Manley.

Cortinas, luzes de côres, flôres...

música, chuva tropical...

Quem sabe? Talvez o seja.

Oh, mamã!

O meu público morreria a rir se me ouvisse dizer tudo isto, certo?

Jean, minha filha...

Toda a gente...

homens e mulheres têm o mesmo problema.

Procura um homem a quem ames, casa-te com ele e deixa que a natureza siga o seu curso.

Falas como se isso fosse muito simples.

E é.

Harlow casa-te.

- Não posso acreditar. - Lamento muito, Jack, mas é verdade.

Eu fui o primeiro a pedir-te.

E ele foi o último.

E ter que saber pelos jornais...

Acredita que queria dizer-te pessoalmente.

Porquê, Jean?

Porque escolheste o Paul Bern e não a mim?

Porque não sou digno da tua confiança e ele é?

Porque não sou culto e ele é?

Porque eu tenho uma duvidosa reputação com as mulheres e ele não?

Porque ele te pode ajudar na tua carreira e eu não?

- Escuta, Jack... - É essa a verdade?

É pelo que te acabo de dizer?

Sim, mas não o deverias ter dito assim.

Garanto-te que sofri uma decepção.

Sinceramente, Jean...

lamento imenso perder-te.

Oh, Jack.

- Gostaria de te explicar, mas... - Não. Cala-te. É melhor que não digas nada.

Espero que me convides para a bôda.

A sério que gostarias de ir?

Sou prácticamente da família?

Bem, prometes que te manterás sóbrio e não causarás nenhum problema?

Prometo.

Se me deixarem beijar a noiva.

Oh, só diante de testemunhas.

Então será melhor que a beije agora.

Sr. Bern, quer voltar a beijá-la, por favor?

Quietos.

Muito bem, obrigado.

- Uma mais, por favor. - Já é suficiente, obrigado.

Paul, parabéns.

Levas uma mulher maravilhosa, não te ocorre trocá-la.

E só dois filhos, não mais.

Parabéns, Jean.

Comporta-te como a magnífica actriz que sempre és.

O homem mais decepcionado deste mundo felicita o mais feliz.

Obrigado, Jack.

E agora, a única razão porque estou aqui.

- Parabéns, Paul. - Obrigada, Arthur.

- Espero que sejas muito feliz com ela. - Agradeço-te.

- Até breve, querida. - Vemo-nos nos estúdios.

Felicidades, que sejas muito feliz.

Percorreste um longo caminho para chegar a isto.

Mas muito bonito graças a ti.

Eu só dirigi o trânsito. Sorte

Que sejas muito feliz.

Acabou de te casar com a realeza feita mulher

Trata-a como a uma rainha.

Procurarei fazê-lo.

E depois desta maravilhosa lua-de-mel...

espero que nos vejamos com mais frequência para falar de negócios.

Claro, com muito gosto.

Nunca te vi tão bonita, minha querida Jean.

Destroças o coração do teu padrastro, mas...

que vamos fazer? É a lei da vida.

Cortamos o bôlo?

- Parece o bôlo dos teus primeiros filmes. - Sim, é verdade.

Dos que me atiravam à cara?

Toma.

Quietos, por favor.

Gracias.

- Estás a tremer. - Eu acho que eras tu.

Amo-te.

Espero que dure sempre.

Dá-me um pouco de bôlo, estou faminto.

Tens razão.

Vivam os noivos! Vivam!

Boa viagem, felicidades.

Aonde vão em lua-de-mel?

Para sua casa. Eles têm que se apresentar a trabalhar na segunda-feira.

Tens um coração de pedra.

Não me censures, fracassado. Largaste-me a mão.

Estou envergonhado, garanto-te.

Jean, o que se passa? Que fazes aquí?

Arthur...

Arthur, desejaria estar morta.

- O que se passou? - Paul ter-me-ia matado.

Teria sido capaz, estou certa.

- Mas o que sucedeu? - Tem cuidado, magoaste-me.

Arthur.

Beatrice, dá-me algo de beber, por favor.

- Não necessitas beber. - Sim, necessito.

Trago algo de seguida.

Senta-te.

Nós lutámos.

- Na vossa noite de núpcias? - Bateu-me.

Porquê?

Não sei ainda o que aconteceu. Só sei que queria sair de lá.

Pôs-se feito um animal e tentou impedir-me.

O que te atingiu?

- Dói-me muitoo as costas. - Deixa-me ver.

Oh, Santo Deus!

Como pôde fazer uma coisa assim?

Caí de costas contra uma mesinha.

Mas diz de uma vez o que aconteceu.

- Nós lutámos. - Sim, e que mais?

Sucedeu tudo tão depressa...

Porque motivo?

Eu fui a causa de tudo.

- Enfureci-me contra ele. - Porquê?

Oh, Arthur, Beatrice...

Ele não quer uma mulher. O que quer é uma mãe, uma companheira.

Um simples objecto de decoração.

É...

É...

Bern não pode fazer amor.

Nunca na vida o poderá fazer.

O homem que eu esperava, o homem que tanto me excitava...

não me deseja.

Tinha rezado para que esse momento fosse lindo.

E foi horroroso. Foi uma coisa horrorosa.

Pôs-se de joelhos e beijou os meus pés.

Pediu-me que ficasse a seu lado e que eu o tentá-se compreender-me.

- Não digas mais nada. - Necessito de dizer tudo.

Então saí de casa e comecei a correr, mas ele alcançou-me...

e pôs-se a chorar e a suplicar.

Disse que não tinha que me preocupar...

que eu encontraria a paixão se assim o desejasse.

Tivemos uma terrível discussão.

Cheguei a dizer-lhe coisas vergonhosas.

Então, pôs-se como um louco e

atirou-me ao chão sobre vidro partido e

móveis virados.

Foi incrível.

Depois ficou parado, quieto, frio como o gelo.

Como se não entendesse o que tinha acontecido.

Então eu apanhei o meu casaco e saí a correr.

Não sei como consegui chegar até aqui.

Só sei que não parei de chorar.

Oh, Arthur, o que posso fazer agora?

Não sei.

Eu sim. Vou avisar o doutor.

Não.

Ainda não.

Não convém que se saiba.

- Precisas de um médico urgentemente. - Eu disse que não.

Oh, que horror.

O amável e educado Paul Bern.

É incrível.

O tribunal já decidiu?

E não me venhas com o pretexto do nosso dever para com o público.

Não te esqueças que devemos isso a ele.

O público alimenta-se mais das nossas debilidades do que das nossas virtudes.

E embora nos rejeite, nós continuamos a viver os nossos problemas.

Para que possamos focar as coisas ao nosso...

ponto de vista.

Quererás dizer ao teu.

Todos temos as nossas falhas.

Tu estás contaminado pela ganância comercial.

Jean pela vaidade.

E no que a mim respeita...

Deixemos a filosofia barata e vamos à realidade.

Tu és o causador desta situação.

- O que pensas fazer? - Achei que me ias dizer tu.

Está bem, eu to direi.

Vivereis separados um tempo razoável

e então, sem ninguém saber...

Os jornalistas descobrirão tudo em menos de dois dias.

¿No esperarás que ella viva aquí?

Não te esqueças que para o bem ou para o mal...

nos casámos.

E onde está o bem?

Não chegámos a averiguar.

A julgar pelo que se viu, não teria durado muito tempo ao teu lado.

Vou ter que tratar só com o teu agente?

Não.

Tu já disseste dez por cento Pertence-te, saia.

- Não vou sair porque tu dizes isso. - Eu disse para saires.

- Por fim. Isto é o que estava à espera. - Basta. Quietos os dois.

Cuidado, ele é dos que preferem bater mulheres

- Por favor, não, Paul. - Deixa-o, solta-o.

Queres parar de procurar discussões?

Estou ansioso para lhe dar uma lição.

Deixa-me que fale a sós com ele.

- Não ganharemos para médicos. - Por favor!

Está bem.

Tinha que desabafar.

Esperarei lá fora pelo que possa acontecer.

Porque te casaste comigo?

Porque te queria.

Queria-te já antes de te conhecer.

Fui eu quem te recomendou a Redman.

Como me podias querer sabendo...?

Não era um impedimento, nada o é.

Eu acreditei que me ajudarias.

Então porque me o ocultaste?

Porque sabia que tu me terias rejeitado.

Por favor, não me toques.

Jean, não fujas de mim.

Oferecer-te-ei todo o meu amor.

Exceptuando o que não podes.

Dá-me tempo.

Ajuda-me.

Cinquenta milhões de homens e fui casar-me contigo.

Posso fazer muito por ti, educar-te.

Posso comprar os livros e a música em qualquer loja.

Mas como ser companheira, mulher e mãe se não és meu marido?

Ajuda-me a superar isso.

O pior é que eu não posso ajudar-te.

Não dizem que tu és a deusa do amor?

Tudo isso tem sido publicidade.

Tu sabes bem que isso é falso.

Sou una mulher vulgar com problemas correntes.

Tenta então compreender o meu problema.

Eu disse correntes.

Só podemos fazer uma coisa, pedir a anulação.

- Depois dessas manchetes? - Eu não as escrevi.

-Eu serei a chacota de toda a gente. -Eu saberei superar isso.

- Mas eu não. - É o único meio. Terás que o fazer.

Procurarei ajuda. Irei ver um médico, um psiquiatra.

- Isso deverias ter feito há anos. - Dá-me uma oportunidade.

Dá-me tempo.

Jean, sabes que não posso...

viver sem ti.

É tudo tão repugnante...

Jean...

Não exponhas aos olhos do mundo o que sou.

Lamento muito, Paul.

Mas com o meu problema eu tenho o suficiente.

Diz?

O quê?

- Paul Bern atirou em si próprio. - Paul o quê?

- Paul Bern, o que se casou com a Harlow. - Quando, onde?

Ao que parece encontraram-no no seu quarto.

Quem se encarrega do caso?

Perkins e Thomason. Estão a caminho.

- Está morto? - Não sei.

- E onde está a Harlow? - Aonde está a Harlow?

Ninguém o sabe.

Esta vai ser uma grande reportagem.

Oxalá viva até que obtenhamos a informação.

Extra! Desapareceu Jean Harlow!

Extra! Extensa informação!

Extra!

Últimas Notícias!

Toda a Hollywood acompanha na sua dôr a Jean Harlow!

Jean...

Estão à espera de ti.

Jean...

- Mamã. - O que é, filha?

Não quero ir.

Tens que o fazer.

Porquê?

Porque era o teu marido.

Ontem eu estava no topo do mundo.

Hoje no mais baixo.

Isso não é verdade.

Lê as cartas e os telegramas e verás que não.

Hoje só tens que pensar no Paul...

e não em ti.

Pensou ele alguma vez em mim?

Desde que o conheci não fez mais do que pensar em si próprio.

Ten sensatez, Jean. Não fales assim de um morto.

Neste momento não há ninguém mais morto que eu.

Mas eu garanto a todos vocês...

que amanhã eu não estarei.

- Quem pensa agora em trabalhar? - Eu.

Tu és uma miúda que sofreu uma grande tragédia.

Necessitas de umas férias.

O público sofre por ti, compreende a tua desgraça.

Solidarizou-se contigo.

O único que lhes devo é um bom filme a cada quatro meses.

E quero rodar um agora, e outro e outro sem parar.

O que pretendes demonstrar com isso?

Que vivo. Que tudo em mim vive.

Isso não é necessário.

Pensa no muito que valho agora.

Sou um caso curioso.

- Tão apaixonada que o seu marido... - Não fales assim, por favor.

tirou a vida por não se sentir bastante homem.

Deixa em paz os mortos.

Não achas que já se alterou essa bilheteira que tens para o coração?

Nestas circunstâncias não, e não mereço esse juízo de ti.

Everett...

Só quer trabalhar para não pensar no sucedido.

Estás completamente equivocado.

Quero trabalhar porque isso é a única coisa que sei fazer neste mundo.

Vou para o meu camarim.

Quero ler alguns guiões.

Arthur...

O mal desta profissão é que a gente adjudica na vida real o papel que representa no écran.

Confiam no seu físico e crêem que sempre serão amados.

Nunca se cansam nem se desenganam.

Dá-lhes um papel princípal num filme e eles também vão querer isso na vida real.

Dá-lhes um bom papel uma vez e depois eles vão querer trabalhar todo o dia.

Nós fizemos uma estrela de Jean Harlow...

e somos responsáveis de que coma e de que viva.

A comida que ela necessita existe só nas películas.

Vai morrer de fome.

Seis meses.

Seis meses, duas películas...

E duas caixas de whisky.

Fabricaram-no para se beber, não?

Tudo neste mundo é para ser usado, não é?

Suponho que sim.

Tu, eu, o dinheiro, o tempo, os amigos, tudo.

Onde está a mamã?

Foi ao cinema.

Pobrezinha. Tenta fugir da vida.

É só uma ilusão. Nada pode escapar.

Tem cuidado. São mapas valiosos de terrenos petrolíferos.

O mais valioso neste mundo são as coisas vivas.

Como sei que tu já estás cansada de me manter, bem...

trato de ganhar o meu próprio sustento.

Não tentes ser o que não és.

Eu conheço-te bem.

Esta noite toca filosofar.

És um homem que vive das mulheres.

- Por favor... - Não, não te censuro.

Se as fazes felizes...

À mamã tens-la feito muito feliz segundo ela diz.

Seis meses.

O meu período de luto terminou, e com ele...

fiz o que a decência exige...

para guardar decentemente a memória do meu defunto esposo.

Eu antes agradava-te, lembras-te?

E continuas a agradar-me.

Marino, necessito de ajuda.

Esse tipo de ajuda em que tu pareces especialista.

Não te surpreendas, Marino.

Sei que estás a pensar que antes ridicularizava de ti.

Mas agora é tudo diferente.

Bem?

Tu nunca soubeste compreender-me.

Como não soubeste compreender-te a ti mesma.

Tentei ser teu companheiro, fazer de ti minha filha.

Mas tu correspondias-me odiando-me.

E leste nas minhas intenções as tuas próprias debilidades, não as minhas.

Reconheço que sou um homem vulgar.

Que sou apenas um sonhador.

Que sou apático, e sem sorte nem êxito na vida, mas...

também sou um homem de princípios.

Peco, é verdade, mas quase sempre por negligência.

Por descuído.

E peço-te que não voltes a sugerir-me nada parecido...

ou abandonarei esta casa imediatamente.

Oh, nunca chegarei a entender os homens.

Os que eu acho uns desavergonhados resultam ser bons.

E os que acho bons, resultam ser...

em fim...

Ajudas-me?

Marino...

- Afasta-te de mim. Não voltes a fazê-lo. - Hipócrita.

Se procuras alguma coisa, vai procurá-la a outro lado.

Não te preocupes.

Irei buscá-lo a outra parte.

A todas as partes.

Um costume que aprendi contigo entrar sem dizer.

- Olá, Jean. - Olá.

- O que me ofereces? - O que tu quiseres.

Isso dá azo a grandes possibilidades.

O que me ofereceres eu aceitarei.

E não tens que te limitar às bebidas.

- Jean apresento-te a Serena. - Olá.

Uma nova protegida?

Minha mulher.

Casámo-nos a semana passada em Tijuana.

- Apresento-te a Jean Harlow. - Eu reconheci-a. Como está?

Bem.

- Felicidades. - Obrigada.

Bem, eu tenho que ir.

- Por nós não o faças. - Gostariamos que ficasse.

É que me esperam uns amigos...

em alguma parte.

Vejo-te nos estúdios, Jack.

Na segunda pela manhã.

Diverte-te, Jean.

É, exactamente, o que tenho em mente.

Algo se passa com ela?

A todos nós se passa algo, querida.

E às vezes custa-nos muito averiguar o que é.

Boas noite.

Diga ao Sr. Manley que Jean Harlow está aqui.

Sim, Menina Harlow.

Sr. Manley...

creio que lhe devo alguma coisa.

Espero que tenha reservado espaço na sua galeria para o meu retrato.

O quarto é para a esquerda Se não me engano.

Exacto.

Nesse caso, não me custará encontrá-lo.

O que diabo se passa contigo?

Nada.

Uma aventura é perdoável, Jean.

Mas outra coisa é fazer isso toda a tua vida.

- A minha vida privada é da minha conta. - Contanto que não dês escândalos.

Se não fosse por mim, irias sair, diariamente, nos jornais sensacionalistas.

Só faço o que fazem as pessoas correntes e vulgar.

Desde que te converteste numa estrela deixaste de ser uma pessoa corrente.

- Quem disse isso? - Digo-o eu.

E os jornais, e os produtores dos teus filmes.

E os milhões de dólares que foram investidos em ti.

Assim, faz o favor de deixar de beber,

de deixar de ir a hotéis com desconhecidos,

e de fazer que me envergonhe de ti.

Tu trabalhas para mim. Eu darei ordens e tu cumpri-las-ás.

Eu trabalho para mim mesmo.

Tenho muitos clientes, e tu és só um deles.

- Eu só tento aconselhar-te. - Os teus conselhos tem o seu preço.

Eu já te disse que um dia me atirarias à cara os meus dez por cento.

Quando estás a subir, não.

Mas quando começares a cair, chamarás ladrões a todos os que te rodeiam.

- Quem disse que eu começo a cair? - Olha!

Olha este rosto.

Dás-te conta? Que olheiras, que rugas.

Dentro de um ano farás papéis de segunda categoria.

Depois, papéis sem nenhuma importância.

- E finalmente... - Cala-te!

Dá-me vontade de te despedir.

Fá-lo.

Há muitos agentes nesta cidade dispostos a mentir por um salário mínimo.

Imploro-te, vai e deixa-me em paz.

- Se eu te puder ajudar em alguma coisa... - Não! Vai e deixa-me em paz.

Não me atrevo a deixar-te só. Não sei o que és capaz de fazer.

Tenho direito a fazer o que queira da minha vida.

Eu tenho enriquecido todos vocês.

Tu tens casa, família, pessoas com quem viver.

Deixa-me descobrir por mim mesma o que me faz falta.

Vai-te e deixa-me, por favor.

Últimas informações!

Últimas informações. Jornal, senhor?

Leia as últimas informações dos sucessos do dia.

Últimas informações!

Tentei chegar ao mais alto.

Mas à medida que o ia conseguindo...

estava mais longe de ti...

e de mim.

- Mamã. - O que é, minha filha?

Tentarei fazê-lo melhor.

Prometo.

O público quere-me.

A sério que me quer?

A sério?

Adora-te. Toda a gente te adora.

Mamã.

Minha filha.

Prometo.

Serei uma boa rapariga.

Uma boa rapariga.

Mamã.

Mamã!

- Algo sucede. - Jean!

Jean!

Por favor, doutor.

Ajude-a.

Minha pequenina.

Jean!

Não.

Não.

Jean!

Já nada pode ajudá-la, Sra. Bello.

Lamento muito.

Tinha só 26 anos.

A pneumonia é algo que ainda não conseguimos vencer.

Ela não morreu de pneumonia.

Ela morreu da vida.

Deu tudo aos outros.

E não sobrou o suficiente para ela.

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