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Original subtitles

Você tá nessa casa há muito menos tempo do que esses objetos e quer mandar eu

tirar a mão das coisas que foram minhas desde criança?

Isso tudo aqui tá emantado com a memória dos meus pais.

Tem afeto. Se bem que...

Você não tem vocabulário pra entender o que eu tô falando, né, menina? Ah,

Pilar, pelo amor de Deus. O Arthur jamais teria nessa casa objetos

pertencentes à família de vocês.

Porque vocês cobrariam por cada um deles.

Da forma que cobraram por cada um deles lá naquela casa que o Arthur emprestou

pra gente, minha querida. Exatamente. Quando foram lá e fizeram uma lista de

item por item, eu tava lá e ainda ajudei. E o Arthur me contou que ele fez

um cheque gordo pra cada um de vocês. Pra você, pro seu irmão, pra sua

cunhada. Pagando por cada coisinha, por cada pedaço. da casa que ele emprestou

pra nós. E isso tudo, Pilar, ele fez na noite do nosso noivado. É, ele pagou.

Pagou pelas coisas da casa antiga, né? Mas por essas coisas aqui, claro que ele

não pagou, porque é tudo nosso, é tudo meu. Vamos levar, filho, o máximo que a

gente puder. Isso aqui é pesado. Pega as coisas menores. Isso não era o desejo do

Arthur. Eu vou honrar o desejo do meu amigo. Bom dia, seu Otoniel.

Vamos, vamos, vamos.

Levanta, seu Otoniel, e veste logo o seu hobby de chambre. Rolê o quê, rapaz?

Fodido. Hobby. Eu trabalhei a noite inteira. Deixa eu dormir.

Vai, sai daí. Seu Otoniel, é sério, é sério. A dona Pelara invadiu a sala e

ela já tá lá com a sua neta. Minha neta? O bate-boca já deve ter começado. Você

não falou logo isso. Eu tô tentando falar com o senhor. Falasse isso pra

mim. Vamos, vamos, vamos. Pera aí. Deixa eu botar a chanela aqui. Deixa eu botar

o seu hobby de chambre.

Por favor, seu Otoniel. Bota esse negócio de mulher aí, rapaz.

Passa um vestido, rapaz. Não é um vestido, senhor. É um hobby de chave.

Por favor, veste. Você não pode passar.

Por que eu ainda tinha esperança de ele ter alguma elegância? Dá licença,

garota. Dá licença. Opa, opa. Opa.

Opa.

Se a Adriana está dizendo que daqui não sai nada, é porque não vai sair nada

dessa casa.

Que que é isso?

Criticou tanto esse casamento, velho?

Se tá vestindo esse pijama horroroso é porque você tá morando aqui, né? Ó, a

Ratazana, velha, é mais interesseira do que a Ratazana 9. Tá toda, ó, com os

camundongos. Presta atenção aqui, ó, moça. Aqui, ó, ninguém vai entrar nessa

casa pra ofender minha meta.

Não vai ofender minha família, não vai me ofender. Você vai fazer o quê?

Vocês vão me atirar pela janela como vocês fizeram o Quartura.

O que é isso que você está falando?

Você vai fazer o quê? Vai bater em mulher ou espécie da outra geração? É

isso que você vai fazer?

Tira a mão de mim.

Não faz perder a cabeça, não.

Larga de mim.

Larga de mim, não passa a mão nada.

Dá uma olhada nisso aí.

Epa, cebosa.

Sem vergonha. O que é isso?

Calma, calma.

Pô, vocês estão vendo?

Sim. Vai embora. Eu não vou sair daqui sem as minhas coisas. Você não vai levar

nada. Não chega perto da minha irmã.

Você é muito debochada, né?

Você não vai falar com meu irmão assim. Você não vai tratar ele desse jeito. Eu

não falei nada.

É, mas você tá rindo.

Sua sonsa.

Sua sonsa!

Peraí, Zena. Peraí, peraí. Eu vou chamar a polícia. Isso. É a melhor coisa.

Chama. Ninguém vai chamar a polícia.

Deixa essa mulherzinha levar o que ela quiser.

Ai, ai, ai, ai.

A treta tá formada. Eu vou lá. Eu vou lá.

Vai, vai, vai. Você fica. Você fica.

Tá. Ah, olha só, você deve saber o que era da família do doutor Arthur, que foi

o que ele comprou depois. Pode ajudar a Adriana, vai. Sim, eu sei tudo o que tem

nessa casa, garfo, faro. Sabe quantos elefantinhos de cerâmica chinesa tem

nessa casa?

Não, quantos? 82.

Pra que, gente? É, pra isso. Mas eu vou lá, mas eu vou lá. Eu vou também.

Não, você fica aqui.

Tá, tá, mas vai lá logo então ajudar a Adriana. Tá, tá, eu vou, eu vou, mas eu

vou ajudar a Pilar, tá? Eu vou. Fica aí.

Que ranço.

Eu vou assistir de camarote.

Mãe, era pra você estar descansando. Ah, de que jeito? Você acha que eu não tava

ouvindo a briga de lá de dentro, a voz dessa mulherzinha? É, eu tava falando

alto que nem gente pobre pra poder ser escutada nessa favela que se instaurou

aqui na casa da minha família. O que mais tem na favela é gente educada. É, é

isso aí.

Olha aí!

A educação dela. A rainha da educação. Se tivesse educação, não teria aparecido

aqui na casa sem ser avisada. Essa casa é do meu irmão. É ela do seu irmão.

Um homem maravilhoso. Eu queria ver você nunca mais de perto. Sabe por quê?

Porque ele falava que você, Pilar, era a pior pessoa do mundo. E agora, por mais

que você grite, espreneie e se rasgue toda, essa casa é minha!

E eu quero você fora!

Isso daí.

Chega. Vamos embora. Não, não, não.

Eu vou embora porque eu quero.

E eu não quero nada daqui.

Porque isso aqui só foi uma demonstração do inferno que vai virar a vida de

vocês.

Filha, pega minha bolsa, pega o retrato do papai e da mamãe, deixa essa tralha

aí que isso aí não vale nada. Ah, olha aqui. Vou levar essa fotografia do meu

irmãozinho querido pra me lembrar de...

Ah, não.

Você sabe que... Não vou levar.

Eu não tinha visto que tem uma assassina na foto.

Vamos, filho.

Desculpa, pai. Você se machucou? Não, não.

Por isso que eu falei pra você, mãe. Melhor você ir embora dessa casa pra

você descansar. Devagar. Olha esses carros. Tem carro aí.

Senta aí, minha filha. Senta aí.

Procura descansar, ficar quieta. Gente, vamos ter calma agora.

E vamos raciocinar. O Enéas já me falou que o sítio dele é bom pra você ficar.

Tá bom?

É, mãe. Vamos,

mãe. Por favor, eu também quero ir. Vamos pro carro. Só vamos fazer o

seguinte.

Vamos tomar nosso café primeiro, todo mundo junto, tá? Claro, todo mundo

junto. Vamos tomar o café, nós vamos pensar na gente, vem cá.

É tomar o café junto, me dá essa mão aqui.

Escuta aqui, nós temos que ficar assim, unidos, juntos.

Vamos tomar esse café juntos, juntos vamos continuar, passar por tudo isso,

juntos!

Estou até tarde.

Está estranho, hein?

Só tenho audiência à tarde.

Deixei a pessoa do escritório cuidando de tudo.

Fiquei ontem à noite estudando o caso.

O caso do Arthur?

É.

O caso da morte do meu grande amigo.

O caso que eu vou ter que enfrentar o Pedro.

É. É difícil tudo isso.

Eu sei, eu sei.

Você acha que a Adriana vai ser indiciada?

Sei. Pra polícia, ela é a única suspeita.

E qual a sua opinião? Você acha que foi ela?

Amor, eu... Ó, eu li os laudos da perícia. Não tem sinal de que ninguém

mais tem entrado no apartamento.

Bom, se bem que as câmeras de segurança estavam desligadas, teve um apagão

naquela noite. Pois é, o que é estranho, né? Sim. Mas tinha outras pessoas na

casa. Tinha uns empregados e dois familiares dela.

Que não se beneficiam com a morte dele.

Ai, mas olha só.

Se a Adriana quisesse realmente se livrar do Arthur, ela teria arquitetado

um plano mais inteligente.

Ah.

Adriana é herdeira universal dele.

Garanto que você pode ter falado mais alto. É óbvio. Bom dia.

Obrigada, Fátima.

Olha, eu me lembro de casos seus que pareciam óbvios, mas no fim descobriram

culpados que ninguém imaginava. Meu amor, eu não fiquei a noite pensando,

imaginando quem matou ou não matou o Arthur. Fiquei pensando em como não

enfrentar o Pedro no tribunal.

E você chegou a alguma conclusão?

Você vai desistir do caso ou passar pra outra pessoa do escritório?

Não.

O caso é importante demais pra isso, não vou.

Mas já encontrei uma maneira de tirar o Pedro do caso.

Vai me odiar por isso?

Não. Não, não, não.

Antes disso tudo acontecer, vocês estavam se aproximando.

Tomara que apareça um outro suspeito, que a Adriana seja inocentada, pra que

vocês não tenham que se enfrentar no tribunal.

Eu não conto com isso.

Posso o café, por favor?

Já passei. Ela tá aqui?

Não, nem vi.

Eu sou rápida, meu amor.

Eu sei tudo que você gosta.

A Adriana vai ver o que vai acontecer com ela.

Eu vou acabar com essa mulherzinha. Sabe o que me dá vontade, minha filha? De

esfregar a cara dela no chão.

Não vou precisar fazer isso, porque ela vai apodrecer na cadeia, essa mulher.

Eu não me chamo Pilar Brandão!

Isso não está nas suas mãos, dona Pilar. Não está nas minhas mãos. Se ela matou o

meu tio, quem tem que provar é a polícia. Ah, é, meu amor? Você acredita

que não é isso que vai acontecer?

Ou você acha que ela não matou o seu tio?

Ela matou o seu tio! Ela matou o seu tio! Eu que vou matar vocês!

Me deixa dormir? O que é isso? O que você tá fazendo aqui? Qual criatura? Sai

daqui. Me deixa dormir. Sai daqui.

Sai daqui. Vai dormir na sua cama. Não vou devolver.

Salto alto, arrumadinha. O que você fez? Me conta agora.

Eu tava com o amor da minha vida.

Ah, olha aí.

Arranjou outra vítima, essa aí. Só pode. Não, não. Me conta. Conta direito.

Onde você conheceu? Quero saber. Vai.

Não importa quem ele é.

Não importa o que ele faz.

O que importa é que a gente tá junto.

E a gente vai seguir junto.

Agora, em nome do amor.

Por isso, não me acorde.

Me deixa sonhar.

Com o amor da minha vida.

Chorando.

Mãe... Eu tô ficando preocupada.

Tá numa crescente...

Sabe... Até quando você acha que isso vai durar?

Ah, minha filha, isso aí com a sua irmã dura até ela estragar tudo de novo, né?

Como ela sempre fez isso, desde criança que ela é assim. Deu pra ouvir o que

você falou. Ah, é, meu amor?

A vida sempre estraga tudo.

Mas não dessa vez.

Não dessa vez. Tá toda suja. Sem moral nenhuma. Toda suja falando de mim. Eu tô

suja? Vem. Não, fala. Você não gosta de ficar suja.

Bom, Bruna, a Adriana esteve aqui, mas eu não consegui falar a respeito de você

ser contratada pra joalheria.

Obrigada. O que você tinha dito pra mim que você ia tentar?

Eu sei, eu sei, mas foi muito confuso, sabe? A Adriana chegou aqui fazendo mil

perguntas difíceis sobre um assunto que ela não entende. Ela não entende nada

sobre pedras, lapidações, cravejamento. Ela não entende nada disso.

É isso que eu já tô desistindo. É isso.

Sei lá, posso tentar emprego numa das lojas que a gerente já me conhece.

Porque eu era cliente. A situação na sua casa tá tão ruim assim?

Tá. Eu não posso mais depender da minha mãe, não, Thiago.

Preciso ser dona da minha própria vida.

Mas, obrigada.

Oi, Inês.

Bruna.

Espera mais um pouco.

Eu prometo que quando eu ganhar autonomia aqui na joalheria, eu vou te

contratar na hora.

Eu não vejo a hora desse dia chegar.

Mas, Miss, é muito injusto. Essa fulaninha que não sabe de nada tá num

lugar que deveria ser seu. Eu sei, Bruna, mas mesmo sem contrato, vem aqui

de vez em quando. Vem.

Vem.

Combinado. Aliás, Bruna... Você não quer jantar comigo essa semana?

Ah... Acho que a gente pode ir desse lado.

Pedro. E aí, Bruninha. Tudo bem?

E aí, Tiago. Tudo certo? Tudo certo. E você?

Tudo bem. Eu queria conversar um pouquinho com você.

Claro.

Então eu vou indo.

Bom te ver.

Vamos lá no escritório?

Vamos.

É isso, amor.

É isso, amor.

É isso.

Tinha que ser, porque ela vai descansar, vai ser melhor.

Olha, presta... As malas já estão no carro, estão aqui prontas pra gente ir.

Eu tô com o meu celular aqui, junto comigo o tempo inteiro. Por favor,

qualquer coisa você me fala. Deixa eu te falar uma coisa.

Eméas me falou que lá é bem grossa. E às vezes, sinal ruim, vai pegar celular só

muito perto da estrada. Mas o telefone fixo tá lá. Mas então, eu já vi

direitinho que tem um hospital lá pertinho. Mas se você sentir qualquer

coisa, você fala com o Maurício que ele vai te levar.

Tudo anotado. Eu tô indo pra descansar, não vou sentir nada. Eu tenho certeza

que não vou sentir nada. Por favor, descansa. Fica em paz.

Deus te abençoe, minha filha.

Qualquer coisa eu te ligo.

Você também.

Fica bem. Por favor, mãe. Vai, minha filha.

Deus te abençoe. Tá tudo bem aqui, mãe.

Tá tudo bem, tá?

Tá tudo bem. Prefeita pra você descansar. Você tem que ficar bem.

Vamos lá, vamos lá.

O motorista do Arthur vai ficar com vocês.

O motorista dele, qualquer coisa que ele precisar, não fica com vergonha. Não,

não vou chamar. Não,

eu tô falando sério. Não me deixa preocupada.

Preocupada, você tem que tirar da cabeça tudo.

Aproveita.

Maurício, ajuda ela.

Tranquilo. Vamos lá, vamos lá. Vamos pensar positivo.

Vai com Deus.

Deus te proteja, minha Nossa Senhora. Vamos lá.

Tomara, né? Que ela consiga descansar um pouco. Vai conseguir, vai conseguir.

Eu vou lhe dizer, tudo preocupa a gente, mas vai pra lá, lugar sossegado.

Fica quieta, tá lá com o menino. Eu sei que ela fica preocupada. Eu conheço bem

minha filha, mas pelo menos tá lá, longe dessa confusão.

Tomara que Deus proteja nós, né?

Deus tá com a gente sempre, filha. Em todos nós, Deus é pai.

É.

Quando você pensa que tá tudo errado e negativo e que ainda vai piorar,

piorar Pra todo mundo a vida é difícil, mas todos

fazem seu sacrifício pra melhorar, pra melhorar

Lá vem o sol

Para derreter as nuvens negras Para iluminar o fim do túnel E a luz

do céu Para inspirar os seus desejos Pra fazer

você encher o peito e cantar

Bom, Pedro, você já está sabendo da discussão que teve aqui na joalheria da

Adriana com o Tchepilar, não?

Sim, a Adriana comentou comigo o que aconteceu.

É, então, só pra te dizer que eu lamento tudo isso, viu? Eu não concordo com nada

do que minha tia tá fazendo, porque a Adriana agora é a dona de tudo e ela

merece ser respeitada. Eu conheço bem sua tia, Pilar, viu, Thiago? Eu sei como

é que ela é, sei o quanto ela é ambiciosa, o quanto ela não vai sossegar

enquanto não colocar a culpa na Adriana pela morte do Arthur.

É, então, mas nisso eu tenho que concordar com a minha tia, sabe? Porque

eu quero justiça. Ah, eu também quero justiça, Thiago. É. Todos nós queremos,

né? Então, quem mais lucraria com a morte do tio Arthur?

Bastante gente, para pra pensar.

Tem gente que lucraria com a morte do meu padrinho.

Você conhece a Adriana?

Você acha que ela seria capaz de empurrar meu padrinho lá de cima da

varanda? Eu não sei, Pedro, eu não sei.

O que eu sei é que ela foi a última vez que eu a convido, não foi? Foi, foi.

Mas eu sei também que ela é uma peça conveniente, né?

Justamente pra quem quer colocar a mão na herança do meu padrinho.

Quer dizer que ela é culpada.

Então, você tá...

Falando que pode ter sido alguém da família que matou o senhor? Não, não.

Imagina. O que é isso, Tiago?

Tô falando que foi ninguém. Não sei. Não faço ideia.

Como é que eu vou saber?

Mas ela é suspeita perfeita, né, Tiagão?

Porque se ela for condenada, o dinheiro da herança do meu padrinho, que não é

pouca coisa, você sabe disso, vai direto pra mão dos irmãos dele.

E, consequentemente, pros sobrinhos dele. É o que a lei determina, não é,

Pedro? Ele não queria o padrinho. Você sabe disso. Sim?

Ele não queria isso e ele tinha um motivo pra isso.

Você sabe qual.

Mas nem era isso que eu vim fazer hoje aqui, Tiagão. Ah, não? Não, acabei

entrando nesse assunto com você, né?

Eu vim saber da joalheria, eu tô precisando de umas informações. Ninguém

é melhor do que você pra me ajudar. Claro.

Mas não vou te atrapalhar mesmo. Não. Seu dia tá mais, é? Tá tudo tranquilo.

Posso te perguntar umas coisinhas aí. Vamos entrar?

Vamos entrar. Você quer um cafezinho? Eu quero um cafezinho.

Encontrei com o Pedro agora, ele foi super frio comigo.

Ah, filha, o Pedro ainda tá muito magoado. Você precisa ter um pouquinho

mais de paciência.

Não é só isso.

Então tá passando, ele tá cada vez mais apaixonado por essa Adriana. Bom, se for

isso mesmo, ele tem um péssimo gosto.

Não fala besteira, mãe, porque essa Adriana pode ser qualquer coisa, tudo.

Menos feia, infelizmente.

Você que é linda.

Linda, linda, linda. Devia esquecer esse Pedro um pouco.

Mãe, eu amo o Pedro.

Amor não serve pra nada, filha. Só atrapalha.

Você devia dar chance pra conhecer outras pessoas.

Você é jovem, você é bonita.

Mãe, você... Deixa pra lá.

Não, o que foi?

Não, deixa pra lá. Fala, filha.

Eu acho que o Tiago tá dando em cima de mim.

O Tiago?

Ele me chamou pra jantar.

Tá aí.

Gostei dessa aproximação.

Você aceitou?

Não, eu...

Nem tive tempo de pensar.

Pedro chegou bem na hora.

Pois eu acho que você devia aceitar esse convite.

Licença. Tem alguém pelado aí, não?

Não, não sei.

Pelo amor de Deus. Tem alguém trabalhando feliz, com a pele boa, eu tô

achando. Você tá com a cara... Você tá com a cara boa.

Você tá diferente, Claudinho.

Onde é que você foi, hein?

Eu não falei pra você onde é que eu fui? Quem falou?

Eu fui na joalheria tentar descobrir o funcionamento de tudo lá pra ajudar no

caso da Adriana, né, Clebinho?

Ela vai precisar de muita ajuda.

A gente tá aqui pra isso, né? É, eu sei.

E o depoimento, como é que foi?

Não foi fácil. As pessoas não tão aliviando pra ela, o delegado não tá

aliviando pra ela. Ele quer saber cada detalhe. Mas isso é ótimo que ele saiba

de todos os detalhes. É ótimo. Mas vem cá, e a Adriana?

Como é que ela foi? Foi mal, foi bem. Mas no primeiro momento ela respondeu

bem, assim.

Falou a forma que ela conheceu o Arthur, falou que ele emprestou a casa pra

família dela e pra ela.

Falou que os irmãos do Arthur só pensam no dinheiro dele, que eu achei bom, que

é verdade.

Então foi bom, foi legal. Ela fez, ela fez bem.

Se foi assim, por que eu tô te achando diferente,

preocupado? O que foi?

O delegado conseguiu colocar a Adriana numa situação complicada em vários

pontos, assim, dependendo do que ele perguntava.

Que pontos?

Quando ele perguntava se ela era apaixonada pelo marido, se ela amava o

Arthur. Aí, eu já sabia que você ia fazer essa cara.

Nessa hora, ela dizia que o amor tem muitas maneiras de amar.

Ah, que desamizade, que é muito amigo.

Agora, quem é que casa com um amigo, né?

Não é?

Eu não caso, você não casa. Pelo jeito o delegado também não casa com amigo.

Ninguém casa com amigo.

Mas a Adriana falou que casa com amigo. Vou tomar um banhozinho.

Vem cá, peraí. Você tá achando que ela vai ser iniciada? É isso?

Cara, eu tô achando que tem essa possibilidade. Tem várias

possibilidades. Essa é uma delas. Agora eu quero saber o seguinte.

E Brigitte, cara? Você conhece a Brigitte? Você já conhecia ela? Sai

dessa rua escura. Não, sai dessa rua escura não, cara. Eu tô perguntando. Eu

sei que tava com ela.

Amor, é só, foi só a curtição, tá bom? Isso aí não vai render nada, Pedro. Ah,

é? É. Você acha?

Encontrei o amor da minha vida.

Outro? Já?

Ué, mas e o gringo? Que gringo? Não, imagina, gringo não.

Esse é pra valer, amor de verdade.

Brigitte, quantos amores você já teve só esse ano, hein? Para de me julgar.

Parece a minha família que fica me criticando o tempo todo.

Cadê aqueles garções que eram só terapeutas e só viam a gente, sabe?

Está bom, não está mais aqui quem julgou. Falou.

Então, com o Kleber rolou uma conexão muito forte.

Ele quer alguma coisa séria mesmo comigo.

Mas o Kleber disse alguma coisa nesse sentido? Não, absolutamente.

Ele não falou nada.

Por isso que eu sei que ele está apaixonado por mim.

O que você pretende fazer?

Eu quero ligar para ele. Não.

Mandar alguma mensagem. Você tinha que esperar um pouco.

Deixa o Kleber te ligar.

Você acha que uma mulher não pode tomar iniciativa? Não, não foi isso que eu

disse. Eu acho que é muito cedo, por favor. Eu acho que é muito cedo. Vocês

estiveram juntos ontem à noite.

Meu tio ia se casar com a mulher da vida dele.

E nem raiou o dia ele morreu.

Eu quero aproveitar cada segundo da minha vida. Eu não posso mais perder

tempo. Nesse ponto você tem razão. Eu mesmo estou de olho numa garota que eu

conheço. Me ajuda a mandar mensagem pra ele.

Ajuda. Eu pensei em dizer assim.

Quero te ver. Estou com saudade.

Gatinho. Não, não, assim o cara vai fugir, vai afastar o canal.

Sem saudade, sem gatinho.

Eu vou mandar uma mensagem em branco pra ele? Calma, coloca aí.

Foi bom ontem, que tal repetir? Não, porque eu sei que foi ótimo.

Sabe quando um homem tá apaixonado por você, tem 1,92m, fica tão molinho,

parece uma tartaruguinha na sua mão?

Foi assim que ele ficou.

Queria alguma coisa picante, sabe?

Eu tenho um poema.

Eu sou o sol, você a lua.

No eclipse do amor.

Minha boca beija a sua.

Tá solteiro, né?

Ai, aproveitem, aproveitem.

Respirem, respirem fundo.

Ai, que delícia.

Como essa casa ficou leve depois que parte dessa família saiu daqui. Aliás,

vou te contar uma coisa. Podia todo mundo sair daqui de uma vez, viu?

Ai, chega de lá. Tá chato essa conversa já. Tá mesmo, eu tenho que concordar com

a Tilde, viu, Dinah? Você tá um saco. Eu não tô nem aí com o que vocês acham ou

não acham, mas só vou sossegar quanto Adriana pagar pelo crime que ela

cometeu. Mas que crime, mulher?

Adriana não cometeu crime nenhum, tá maluca?

É, se bobear, foi até a família do doutor Arthur que fez isso. Querida,

querida, olha que a polícia está investigando, ela já é considerada

suspeita, entendeu? Daí pra cadeia, um pulo.

Eu, eu estou de olho nessa menina. Que cadeia, o quê? Tá maluca? Adriana não

cometeu crime nenhum, vira essa boca pra lá.

Tá gostoso o cafezinho? Tá gostoso?

Tá confortável? Tá bom? Tá bom? Então vamos saindo trabalhando. Que isso?

Porque a Adriana não põe ordem nessa casa, mas eu ponho. Rapidamente.

Prepara aquele omelete pra mim, Rosa. Aquele omelete.

Meu Deus.

Cadê meu café, Rosa?

Café pra você por quê? Não tá merecendo, não. Olha, que isso.

Fogadas.

Vão trabalhar, gente.

Aqui não, pra cá.

Aqui escuridão não, aqui pra... O negócio complicado que é isso

aqui, gente.

Impressionante. Ó, filha, não tô me perdendo aqui nessa casa.

Desculpa, eu tô atrapalhando, né? Mas aqui é tudo muito grande.

Quase que eu peço uma condução pra me levar.

Tô brincando, mas é grande, né, filha? Troco de quê?

Olha só, tava aqui agradecendo, né, avô? Que a mãe vai lá descansar um pouquinho.

Não estava dando tempo nem de rezar, viu?

Conta com isso que aconteceu, né? Deixa a vela acesa aí para ela. Vamos embora.

Tomara que ela consiga descansar. Não, vai dar sim.

Eu só fiquei pensando. Eu acho que eu devia ter ido com eles. Não sei lá.

Ué, mas seu emprego na banca? Não, eu falava com a dona Elza, a dona da banca.

Explicava tudo. Ela gosta de mim. Eu tenho certeza que ela não ia me implicar

com isso, não. Vô, o senhor sabe que se o senhor não quiser mais trabalhar, não

precisa, né? Ah, não. De novo esse assunto.

Não, eu só tô falando. Você sabe que eu não vou ficar dependendo de você mais de

jeito nenhum.

E eu gosto de pagar minhas coisinhas. Desde que eu sou muito organizado. Eu

sei fazer isso. Pronto?

Além do mal, eu gosto de estar lá, gosto de trabalhar, me faz bem trabalhar.

Aí me fale. Eu tô morrendo de saudade de cuidar dos meus pacientes, sabe? De ver

a evolução deles. Preciso cuidar do senhor também. Tá bom. Depois a gente vê

tudo isso. O importante agora, minha filha, o importante é você cuidar de

você. Você sabe o que tem.

Enfim, tem muita coisa aí pela frente, né? O senhor tem razão.

Peraí. Ah, vê lá.

Ué, número desconhecido?

Alô?

Mau, mau?

Calma. O que houve? Você está muito nervoso.

O que é?

A mãe passou mal.

Chegando no sítio, então.

Certo.

Levaram ela para o hospital.

Você se acalma. Nós vamos para lá.

Eu só vou preparar umas roupas.

Eu tenho endereço aqui.

Fica calma, meu irmão. Você fez o certo.

Um beijo.

Deixa que eu ajudo. Deixa que eu ajudo, Adriana.

Aqui está a chave do carro, já está abastecida. Eu sempre me encarrego de

deixar ele funcionando muito, muito bem. Obrigado, Ivone.

Agora eu vou levar.

Não pode deixar que eu levo. Minha filha, olha só.

Fala para a Elisa para ficar bem, tá? Que eu desejo melhoras e que vai dar

tudo certo.

Tá bom, Rosa. Estou muito nervosa. Eu vou te dar notícias assim que a gente

tiver. Tá bom. Obrigada, minha amiga. Eu vou descer com vocês.

Isso, isso. Podem ir, viu?

Podem ir despreocupados, que eu cuido de tudo.

Tá bom?

Até logo.

Fala, Gina.

Alguma novidade importante pra você me ligar assim?

Direto, sem me mandar uma mensagem. Antes, desculpe, dona Pilar, mas o

Toniel e a Adriana saíram daqui de carro.

Foram atrás da mãe da Adriana, que resolveu passar uns dias num sítio em

Botucatu. Como assim? Eles pegaram estrada, Gina?

Saíram aqui de mala e cuia. Pensei que a senhora fosse gostar de saber, mas...

Você tem certeza disso que você tá falando?

Tenho, tenho. A dona Elisa saiu aqui de manhã. Aí ela passou mal. E a Adriana e

o avô estão indo pra lá.

Essa foi a melhor notícia que eu poderia ter recebido de na...

É... É Botucatu.

É isso? Botucatu?

Interessante.

Indo de São Paulo pra Botucatu, dá pra ir pro Paraguai

via Mato Grosso do Sul.

Acabou pra você, Adriana.

Não tô conseguindo falar com o Maurício. Vou ao celular dele.

Ou dá fora de ar ou fala que tá desligado. Mas insiste, vai insistindo

aí. Deve ser, às vezes, problema de sinal aqui de ar.

Caixa postal de novo, vô. Vai tentando, vai tentando.

Atende, Maurício. Atende, pelo amor de Deus.

Eu vim fazer uma denúncia.

A senhora não quer se sentar?

Não precisa.

Eu vim dizer que a Adriana Brandão, investigada pela morte do meu irmão

Arthur, ela está fugindo do Estado nesse exato momento.

A Adriana Brandão tá fugindo?

Com base em que a senhora tá fazendo uma acusação dessas?

Uma funcionária da casa me falou.

Ela tá indo pra Botucatu com o amor.

E lá eles vão encontrar a mãe e o irmão, que já estavam naquela região.

Ana Pilar, a senhora há de convir que ninguém pensa em fugir da lei indo pra

Botucatu.

Acontece, delegado, que a cidade é só passagem. O plano é sair do país e ir

para o Paraguai via Mato Grosso do Sul.

A senhora tem certeza do que está falando?

Se não é isso, por que todos eles estariam indo de malas, hein? Malas

carregadas. É para passar muito tempo. É fuga.

Os depoimentos que colhi realmente colocam a Adriane em uma situação

complicada. Viajar agora, nesse momento, em plena investigação...

Me parece suspeito. É mais do que evidente que ela está querendo sumir do

mapa.

Ela está acuada.

Ela... Ela percebeu que é só uma questão de tempo até descobrirem que ela...

Que ela matou o meu irmão.

Ele está levando as malas e saindo juntos da cidade.

Há sim uma chance de ser uma fuga.

Enquanto a gente está aqui conversando, né, delegado?

Ela e o avô estão ganhando a estrada. Estão indo. O senhor precisa agir

rápido. Eu só posso impedir essa viagem por um momento de prisão preventiva.

Vou providenciar.

Engraçado. Eu não sabia não que o ator gostava de um carro assim, mais

antigo.

Milionário que nem ele era, achei que gostava só do carro zero quilômetros.

Esse carro não é do Arthur não, vô. Não?

Não, esse carro era do filho falecido dele, Heitor.

Entendi. O Edivaldo mantinha esse carro todo ano em dia, cuidando, fazendo a

manutenção a pedido do Arthur, entendeu?

Ela teve outro pico de pressão, mas já foi atendida, está tomando soro, está

tudo sob controle.

E o que os médicos falaram?

Então, como ela tá tendo essas variações o tempo todo, eles acharam melhor ela

ficar em observação um pouco.

Ô Maurício, pelo amor de Deus, você tá falando a verdade pra mim? Não tem nada

sério acontecendo com a minha mãe, né? Nada de perigo acontecendo aqui.

Manda ele falar direito. O que foi?

Tá, tá tudo bem. Tá tudo sob controle.

Na hora foi um susto. Eu não sabia o que fazer, mas agora já tá bem. Tá tudo bem.

Tá tudo bem. Ela tá lá sem olhar, ela tá tomando um soro. Tá bom, Maurício, tá

bom. Olha só, você fez o certo, tá?

Você levou ela no médico direitinho, aí do lado, era isso mesmo que tinha que

fazer.

A gente tá...

Tá correndo aqui pra chegar com vocês logo aí junto e a gente se fortalecer.

Tá bom, meu irmão? Aguenta firme aí, tá bom? Tá bom. Te amo. Beijo.

Tchau, tchau. É isso que me deixa desesperado. Sabe uma coisa que tá aqui,

ó? O que que eu cato com isso?

É que não encontro. Não dão esse diagnóstico do que é que a Elisa tem.

Por que que ela ficou assim?

Como é que vai começar esse tratamento, gente?

Pois é. Sem diagnóstico não dá pra tratar, né? Vai começar como? Vai

começar por onde?

Mas vamos, vamos ficar firme, vó. Vamos ficar firme.

Lembrar que não é uma mulher forte.

É uma mulher guerreira.

E que ela vai sair dessa. Vai ficar tudo bem.

Deus quiser.

Estamos juntos. Deus quer.

Deus quer.

Pronto. O pedido de prisão preventiva já foi protocolado.

Que ótimo.

Agora é só chamar os guardas, né? Para eles irem atrás da Adriana.

Essa...

Essa criminosa não pode fugir.

Ainda não, dona Pilar.

Temos que esperar a decisão do juiz de plantão da vara criminal.

Ele tem que deferir a minha solicitação.

E até lá, a gente faz o quê?

A senhora tem como conseguir os dados do carro que ela está?

Claro. O modelo, claro. Sim, sim, claro.

Eu vou falar com a funcionária da casa, vou pedir para ela me mandar tudo por

mensagem. Mas e depois?

O que acontece?

A gente espera.

Tudo conforme a lei.

Ademir?

Ademir? Eu estou te ligando assim porque eu preciso falar urgente com você.

O que está acontecendo aqui é muito, muito, muito, muito grave.

Sua voz deve ser mesmo. Parece aflita. O que houve?

A Adriana.

Ela está fugindo com a família.

Eles estão indo para Motucatu.

E de lá, muito provavelmente, eles vão para o Paraguai.

Você tem certeza?

Quem te deu essa informação?

A Dinah.

Ela inclusive me deu os dados do carro.

Olha, a golpista fugiu com a vô de mala e cuia. Eles não

fizeram segredo pra ninguém. Tanto é que todo o prédio do Arthur viu.

Eles foram com o carro que foi do Heitor. Ademir.

A Adriana não tá impedida de viajar.

Mas assim, com mala e tudo?

Eu tenho certeza. A certeza que ela quer escapar.

Tanto é que assim que eu soube, eu vim correndo aqui pra delegacia pra

denunciar a fuga.

O delegado já pediu a prisão preventiva dela.

Ótimo. Agora esse pedido tem que sair o mais rápido possível.

Esse mandado de prisão preventiva é pra ontem.

Ademir, cada segundo conta.

Por favor, por favor, aciona teus contatos.

Conversa com alguém.

Eu vou tentar descobrir para que vara criminal o pedido foi. E quem é o juiz

de plantão. Eu não garanto nada.

Mas vou tentar agilizar as coisas.

Tentar não.

Você vai conseguir.

Caso contrário, a assassina do meu irmão vai sumir do mapa.

Livre, leve e impune.

E a senhora, mãe, está se sentindo melhor?

Sim, graças a Deus.

Aquela tontura horrível passou. Hoje eu tô me sentindo até mais disposta.

Os médicos pediram pra senhora ficar só mais um tempinho aqui em observação, tá?

Eles querem entender melhor esses seus sintomas.

Você não dá pra entender mesmo.

Eu fico bem.

Daqui a pouco eu fico zonza e minha pressão vai lá pra cima. Depois despenca

sem explicação.

O avô e a Adriana tão vindo pra cá já.

Não precisava ter tirado eles de casa. Daqui a pouco eu vou estar melhor.

Aí a gente pode ir pro sítio ou até voltar pra casa. O motorista não tá aí.

Tá, mãe. Tá, mas eu achei melhor eles virem. Eles também quiseram vir. Tá bom?

Se acontece alguma coisa, eu não sei o que fazer.

Amor, querido.

Você tá fazendo tudo direitinho, viu? Eu que não queria estar te dando esse

trabalho.

Te amo, mãe.

Vai dar tudo certo, tá?

Pedro, que surpresa você aqui essa hora. Eu marquei com a Adriana de ter uma

conversa com ela sobre umas coisas que eu preciso sobre o caso dela.

Marquei com a Adriana? Tudo bem, tio? Tudo bem.

Sem beijinho, pode... Marcou com a Adriana, mas ela teve um imprevisto.

Teve uma viagem de última hora, saiu daqui desesperada. Por que desesperada?

O que aconteceu?

A mãe dela, a dona Elisa, passou mal.

Tinha acabado de chegar no sítio em Botucatu, teve uma tontura e... Não,

a...

A Adriana foi pra Botucatu?

Olha o cafezinho.

Obrigado, tio.

Deu, deu, deu.

O seu Toniel conseguiu um sítio para a Dona Elisa passar os dias no interior

para ela se acalmar e se afastar dessa confusão. Mas ela não podia ter viajado

sem me avisar, Ed. Não.

Não. Não. Mas é que foi tudo, aconteceu tudo muito rápido, entendeu?

Deixa eu ligar para ela, ver se ela está precisando de alguma coisa.

Os dias estão bem confusos por aqui. Tilde!

Bom, nem chama. Ah, não.

Você acha que tem algum... Não, o seu lado deve estar fora de área na estrada,

né? Ah, agora eu fiquei preocupado, Pedro.

Eu também.

Esse Pedro é um gato, né?

Menino, passou duas vezes na feira pra ser bonito.

É, eu conheço ele desde pequeno. É.

Tem que foi assim, vinha por aí, correndo atrás, padrinho.

Pro seu virou um tipão, né?

Nossa! E a Adriana tem moral godó mesmo, né?

Primeiro conquistou a doutoratura, agora tá aí que esse príncipe é atrás dela.

Para de besteira, tio.

Pedro não tem nenhum interesse na Adriana, não.

Eu? Eu sou o advogado dela.

Contar outra, Rosa?

Qualquer um repara o jeito que ele olha pra ela, todo apaixonado. Eu nunca

reparei nada. Não, nunca reparei nada, tá? Nunca vi o Pedro de conversa fiada

pra cima da Adriana. Não reparou? Porque ele é discreto, ele é respeitoso, né?

Olha, tá aí.

Sabe o que você me deu uma boa ideia com o conteúdo?

O quê? A sua maluquice?

Não, Rosa, tô falando de como o rico é quando se apaixona, que é diferenciado.

Como assim? Não, pensa comigo, o rico, ele não dá bandeira assim, ele não se

emociona, ele não manda um carro de som, ele não picha um muro. Volta pra mim,

crente, eu sempre te amei.

Aquilo foi só uma aventura.

Eu te amo, eu sempre te amei, para todos sempre, entendeu?

E como é que o Rico faz?

Ah, o Rico, ele espera a hora certa de se declarar, pra não levar um toco,

assim, pra não ficar no vácuo, sabe?

Ele é menos emocionado, ele é mais pressão baixa, sabe?

Que nem o Pedro com a Adriana, deixando acontecer naturalmente.

Para,

só vamos.

Boa tarde, mandando.

Boa tarde.

Você pega lá atrás pra mim. Boa tarde.

Desculpa.

Dona Pilar.

Ah, delegado. E aí?

Saiu o mandado de prisão preventiva, Adriano?

Acabou de ser expedido em regime de urgência. Já foi até difundido

eletronicamente.

Tá, mas... Isso quer dizer exatamente o quê?

Que o mandado já está no sistema geral da polícia.

Essa prisão pode acontecer em qualquer estado ou cidade desse país.

Óbvio.

Que notícia boa.

Eu já avisei a polícia de Botucatu e já passei os dados do carro também.

A qualquer momento a Adriana vai ser encontrada e presa.

E presa?

Com licença.

Eu?

Vou ficar aqui pra ver você chegar no gelmada,

Adriana.

Muito bom.

É que enfim você chegou, hein? Nossa, você morou demais. Eu moro mais rápido

do que pude. O que aconteceu de novo, gente?

Eu soube, pela dinar, que o irmão da Adriana levou a mãe pra um sítio lá

em Botucatu.

Pra ela descansar um pouco, porque parece que ela tá assim, sei lá, tá

doente, tá com uma doença, uma coisa assim.

É mesmo?

O que que ela tem?

Ulisses!

Pouco me importa o que ela tem. O fato é que a mãe da Adriana passou mal por lá.

E a fulaninha e o avô, o que eles fizeram? As malas.

E foram pra onde?

Outro catu.

Interior de São Paulo.

Você sabe?

Sim. O que isso tem a ver com a gente?

Eu vim aqui e denunciei a Adriana.

Falei que ela tava fugindo com a família.

Não, você não fez isso.

Lógico que eu fiz.

E aí o delegado imediatamente soltou aquele pedido de prisão, como é o nome?

Prisão preventiva. Preventiva.

Soltou a prisão. Está todo mundo nas estradas atrás da Adriana agora.

Isso é sério isso, Pilar?

É sério.

O que? A gente vai de camarote olhar a Adriana entrando por aquela porta ali

como...

Batira!

A porta.

Gente.

Oi.

Oi.

Estou toda suada.

Tudo bem.

Acabei de receber do Uli.

Parece que a Adriana vai ser presa. Adriana presa por quê?

Preciso de água.

A Pilar descobriu que ela estava fugindo com a família dela.

Fugindo? Mas fugir seria praticamente a confissão do crime. Exato. Como é que

pode alguém fazer uma coisa dessas?

Matar o Arthur.

Meu batimento está lá em cima.

Oh, mulherzinha horrível.

Não, mas olha.

Fala, não vamos tirar conclusões precipitadas.

O que o Ademir acha?

É o Ademir que está...

Defendendo a nossa família. É, o Ademir, ele... Ele acha que a Adriana matou o

Arthur. Mas eu não tenho tanta certeza assim. Aliás, não tenho mesmo.

Mas ele entende. Ele sabe das coisas.

Não, ele entende. De defesa. Mas saber... Não tem como saber. Assim.

Minha neta, minha neta.

Vamos ficar calmas agora.

Sempre que a tua mãe...

A gente já sabe, o Maurício falou, ela está lá, atendida, melhorou. Está em

observação agora.

Eu sei, bom, mas é que eu só vou conseguir me acalmar mesmo quando eu

estiver do lado dela.

Como é que a gente devia ter feito isso, de levar ela para descansar lá nessa

casa, longe daqui? E agora a situação, bom?

Você tem que ficar pensando nisso, não.

Agora vai pensar mais nisso, acabou.

Senão você vai ficar mal.

Pensa que daqui a pouco a gente vai estar junto de novo.

E se Deus quiser, vamos voltar pra casa.

Juntos. Que tanto problema, meu Deus.

Se acontecer alguma coisa com a minha mãe, se nem que eu faço, vô. Cabeça pra

frente, pensar positivo, até porque... Elisa, minha filha, tua mãe querida,

tá bem, tá lá, acabou.

Tá bem que eu tenho a força do senhor aqui do lado.

É o que aparenta, né, minha neta?

Mas aqui por dentro...

Tô fingindo que eu tô normal, mas eu tô... Tô a 200 por hora aqui por dentro.

Nem sei como é que eu tô dirigindo direito.

Não é fácil, não. O que passa a cabeça da gente.

Mas a gente tá junto.

E a gente vai passar por isso. É isso.

Graças a Deus eu tenho o senhor do meu lado. Eu não sei o que seria de mim se

não fosse você.

É isso aí.

Oi, mãe. Por que você tá se divertindo tanto? Tá sentindo alguma coisa?

Cadê sua irmã? Cadê sua irmã? Por que você não chegou ainda?

Calma. A última vez que eles ligaram, eles estavam na estrada, vindo pra cá.

Eles já estão chegando. Não foi uma boa ideia ter vindo pra longe. Não foi.

Ó, eles já estão vindo pra cá, tá bom?

Você quer que eu peça uma água, alguma coisa?

Não, eu... Não tô legal, sabe?

Não tô legal. Eu tô sentindo alguma coisa, uma angústia, um peso no peito.

Tô aqui com você, tá bom?

Vai ficar tudo bem.

Sossega, Pilar. Essas coisas não são rápidas. Não aguento mais esperar.

Não aguento mesmo. Chega.

Se seu plano der certo, foi um golpe de mestre.

Lógico que vai dar certo.

Eu não jogo pra perder, não. Eu quero ver aquela

golpistazinha baixar.

Trista dela.

Onde é que já se viu? Onde é que já se viu me enfrentar desse jeito?

É só uma prisão preventiva.

Não. Não é.

É só o começo da derrocada da Adriana.

Ela vai ser julgada.

Ela vai ser condenada.

E aí, meu irmão?

E aí?

Olha.

A herança do nosso querido irmãozinho.

Que Deus o tenha.

Vai vir parar aqui.

Nas nossas mãos.

Tem uma polícia ali atrás, não sei se aconteceu, tem uma polícia aqui, não sei

se aconteceu um acidente, mas está tranquilo o trânsito, né?

Estou dando um sinal aqui, com a gente aqui não é.

Estou dando passagem, já falei.

Mas quase bateu. O que está acontecendo aí? Vem. Meu Deus.

Adriana de Moraes Brandão?

Sim, sou eu mesma. Temos um mandato de prisão preventiva contra a senhora.

Olha

lá

quem chegou. O defensor dos fracos e oprimidos.

O que você aprontou para a Adriana?

Você acha que eu vou ficar muito tempo aqui?

Eu vou brigar com todas as minhas forças pra você sair daqui o quanto antes. Mas

eu não posso garantir nada.

Foi você que acordou na noite do casamento, envenenada pelos seus ciúmes,

e empurrou o doutor Arthur da varanda.

Eu disse pra você não se meter comigo, menina.

Você não tem cacife pra bater de frente com uma brandão de verdade.

Para derreter as nuvens negras, para iluminar o fim do túnel, virar luz

do céu.

Para inspirar os seus desejos, para fazer você encher o verde

cantar.

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