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Zulu
Oi,
eu sou o Siri.
Sou mudo, mas mesmo assim fui escolhido para lhes contar a minha história.
Como a minha voz é telepática e eu tenho pleno domínio sobre ela, escolhi essa
voz maravilhosa que vocês estão ouvindo.
Bem, vamos ao que interessa.
Desde que me lembro, eu sou anão.
Fugi de casa ainda... e fui trabalhar na casa do Dr. Julio e Dona Lia.
Com eles, eu era como que da família.
Vem cá, Siri.
Vou te ensinar a nadar.
Vem cá, garoto.
Isso.
Sim, mexe os pezinhos e as mãozinhas. Não tem segredo. Tá vendo? É fácil.
Só que de não mexendo.
Mexe os pezinhos, as mãozinhas.
Tá vendo? É fácil, não é não?
Isso, assim mesmo.
Querido, seu suco.
Tá, obrigado.
Tchau.
Tchau, querida.
Tchau, amor.
Cuida bem dela, hein, garotão?
Ai, meu herói.
Ai, meu herói.
Ai, meu herói.
Ai,
meu herói.
Ai,
meu
herói.
Essa não é outra vez? Com capacete e tudo?
Oi, amor.
Chegou.
Trouxe um presente pra você. Ah, obrigada. Você é um amor.
E um pra você também, Siri.
Toda sexta-feira ele trazia um presentinho pra nós.
Pra Dona Lia, era perfumes, joias e outras coisas de valor.
Pra mim...
Eu queria jantar lá em casa uma amiga antiga da família.
Eu sabia que ia ter muito trabalho.
Silly, vá na cozinha buscar manteiga.
Ah, passa no cozinho da Claudinha.
Ela não é nenhuma Maria Chinade, mas eu vou lhe comer o rabo. Olha aqui, você
também não é nenhuma alombrando, viu?
Dá, pode ir descansar.
Vira logo.
Amor, pela viscosidade parece margarina.
Mas é margarina mesmo.
Nós estamos em Paris, e se no Brasil?
Só com manteiga.
Não tem cu, vai tu mesmo.
Vem cá, meu bem. Não fuja.
Volta aqui, Siri.
Volta aqui.
Abre essa porta, Siri. Abre essa porta.
Vamos, abra logo.
Vamos logo, Siri. Eu prometo que eu não vou te machucar. Valeu, passa um
pouquinho de manteiga.
Vamos lá, Siridinha, abre essa porta.
Vamos, abre logo essa porta, senão eu derrubo ela.
Abre logo essa porta.
Lá se foi meu cu pra merda, porra.
Eu bebo sim, estou vivendo.
Tem gente que não bebe, está morrendo. Eu bebo sim, eu bebo sim.
Estou vivendo.
Tem gente que não bebe e está morrendo.
Tem gente que já está com o pé na cova.
Uma por cento.
Assim não.
Pera aí.
Uma cova aqui.
Deixa eu ver. Eu vou mijar aqui mesmo.
Deixa eu tirar o barulho aqui.
Pera aí.
Opa,
assim tá gostoso.
Olha.
O beijadinho é gostoso.
Opa.
Tem gente que já está ocupando a cova.
Opa.
O que é isso aí?
Pera aí, rapaz. O que você quer, meu? Ô, meu guai da chuva, não.
Vem cá, meu guai da chuva, não.
Dá meu guai da chuva aí.
Socorro! O vento roubando meu guai da chuva.
Vem cá, daqui meu guai da chuva.
Vem cá, seu adeus, sem vergonha. Vem cá, ô.
Filha da puta.
Eu falei que o Tony Mel está fora.
Sim, sim.
trabalhando com o Cury.
O Carlinhos está com o Marinho e mais seis garotas lá no apartamento do
Marcos.
Fazendo o quê?
Não dá pra adivinhar, minha senhora.
Ó, falando de macumbos, pensa que vai aonde?
Merdinha.
Vou cair fora dessa casa.
Desculpe por que o doutor Júlio só me dava caralhos.
Era uma indireta. O puto tá afim de comer o meu cu.
Mas não vai não. Vou sumir pra bem longe.
Nunca mais ele vai me ver. Tá pensando o que? Eu sou viado? Não, doutor Júlio. Eu
sou é muito macho. E o cu do velho sirinho aqui foi feito pra pôr pra fora.
Não pra levar pra dentro.
Bate o pé, bate o pé, bate o pé, faz assim como eu.
Ai bate o pé, bate o pé, bate o pé, foi assim que meu amor me prendeu. Ai bate o
pé, bate o pé, bate o pé, faz assim como eu.
Ai bate o pé, bate o pé, bate o pé, bate o
pé, bate o pé, faz assim como eu.
Ai, bateu o pé, bateu o pé, bateu o pé.
Foi assim que meu homem me prendeu. Ai, bateu o pé, bateu o pé, bateu o pé.
Bateu o pé, faz assim, ó.
Caralho, isso que me fodam.
O que é isso, ó, pequeno?
Temos baga, sim.
Tem dinheiro?
Ô, ô, Amanda!
Amanda!
um quartito aqui pro gajo.
E cobra o adiantado, hein?
Aí bate o pé, bate o pé, bate o pé, bate o pé, assim como eu.
Aí bate o pé, bate o pé, bate o pé.
Ó, Fumaça, o seu novo parceiro de quarto.
Grande parceiro, grande.
A sua cama é aquela lá.
O negócio é o seguinte, meu irmão. O dono do pedaço aqui sou eu, falou?
E não quero brincadeira com a Portuga.
Não vai dar uma de espertinho pra cima dela, tá entendendo?
Mais uma coisa. Você ronca de noite?
Peida.
Porque se roncar, ó.
E se peidar, eu te fio o charuto no rabo.
Cadê o anão?
Está ali, fudeu-se, dormiu.
Olha aqui, ô gajo.
Quero que me ouças bem.
Isso não pode ficar assim. Não pode.
Dei-te um mês.
Não me pagaste.
Dois meses.
Não me pagaste.
Três meses.
Tu também não me pagaste.
Seis meses.
Tu não me pagaste.
Rua.
Fora daqui.
Rua.
É, o negócio é arrumar a trouxa.
Já tinha acabado há muito tempo.
E emprego, vocês sabem como é que é, não é?
O que pode fazer num país do terceiro mundo um cara que é anão, preto, semi
-analfabeto, mudo e sem vontade de trampar?
Oh, pequenino, hoje nos vamos conversar a sério.
Senão, meu maridinho vai ficar muito zangadinho.
Arrumaste o dinheiro?
Ora, pois bem, vamos ver o que tens para empenhar em garantia.
Afinal de contas, são três meses de atraso que tens cá na pensão. Vamos ver
o que tens de valor aí na geladeira.
Ah, não, seu anão. Esse anão, tu não vais fugir de mim.
Venhas cá, venhas cá.
Vamos ver o que tens aqui.
Pois era isso, seu safadito. E não querias me mostrar.
Vamos deixar a garantia para lá que com o Manoel eu resolvo.
Ouviste, seu Lula de Vassa? Ou digo, seu cirizinho sacana.
Amanda! Caralhos que me fodam, o Manuel chegou.
Pega os teus paus e entra debaixo da cama.
Senão, o Manuel come o meu e o teu cu.
Amanda!
Onde raios essa mulher se meteu?
Oh, Amanda!
Estou aqui, Manuel.
Ainda bem.
Caralhos que me fodam se não estás mesmo a insultar.
Ai, caralho, que afinal de contas arrumei a bomba para matar as baratas.
Não quero que elas comam o ciri... Enquanto esse gajo... Mal me pagar.
Ideiazita porreira.
Estou a pensar cá uma coisa.
Será que veneno para barata não mata não, não?
Penso que não.
Ah, não sei não. O gajito tão físico de merda.
É tão fraquito.
de cuidar de ti até que saias.
Meu sirizinho de seis caralhos.
O que é mau é essa tosse de mudo.
Sim, son.
Como poderei avaliar a gravidade da infecção pulmonar?
Ah, vejo que saraste.
Vais fazer xixi, escovar os dentinhos pra tomar café.
Puta que os pariu!
Que caralhada de topada que desse nesse dedo!
Tu
tens
que tratar dessa topada. Eu já vi muito gajo perder o pé por causa de uma topada
assim.
Manuel, passa o bife melhor pro menino, porque o gajo não gosta de bife mal
passado.
Caralho, isso que me fodeu, não.
Ah, e porra, ainda lhe passo os colhões.
Bate o pé, bate o pé, bate o pé, bate o pé, faz assim como eu.
. . .
Bate o pé, bate o pé, bate o pé.
Bate o pé, mas assim como eu.
Bate o pé, bate o pé, bate o pé.
Foi assim que meu amor me troleu.
Bate o pé, bate o pé, bate o pé.
Querais que me fodam.
Mais uma vez eu fui obrigado a cair no mundo.
Direta ou indiretamente, eu fui o culpado pela morte do Portuga.
Fiquei com medo da polícia entrar no caso.
Eu até que gostava do seu Manuel.
Ele era legal comigo.
Coitado. Morreu sem conseguir morder a caneta atrás da orelha.
Pai, pai, no banheiro que o senhor fez lá tem um anãozinho dormindo com o
negócio pra fora.
O quê?
É isso mesmo, pai. E duro.
Vamos logo, vamos logo e rápido, senão vai todo mundo pra merda.
O que é que é, rapaz?
Você tá pensando que eu tenho pinta de viado? Que conversa é essa? Que porra é
essa, seu puto? Olha aqui, aqui é macho.
Porra.
O monstro já foi?
Ai,
eu estou tão nervosa. Eu quero um sorvete.
Ai, você é nervosa, né, santa?
Olha uma barata.
Nossa, que anãozinho safado.
Vem cá, gracinha.
Eu vou te levar pra casa.
Olá, pessoal!
Olha o que eu trouxe. Meu amiguinho.
Solange, prepare comida para ele.
Vai cantando a essa hora?
Vem cá.
Eu vou te levar para tomar café.
Tarde. O que você está vendendo aí, ô baixinho?
Bianco, lê para mim aí que eu não estou enxergando nada daqui.
Está escrito porno, choque ambulante e som analfabeto. Eu lá sei o que é isso
aí. Vira para o outro lado.
E agora, Bianco, lê aí o que está escrito para mim. Você acabou de ficar
uma besta dessa.
Tudo para uma boa sacanagem, já preços do olho do cu.
Bom, muito bom, mas o preço está um pouco alto.
E agora, Bianco, o que está dizendo lá?
Para homens e mulheres de todas as idades e para viados, bichos tradestinos
e entendidos.
Caramba!
Pois é, baixinho, eu e Bianco estávamos precisando de fazer uma boa sacanagem,
mas fica para a próxima oportunidade.
Tá estupro, hein, malandro?
Até mais, baixinho.
Olha que belo peixito que acabei de piscar.
Se fosse um pouco mais branquito, seria um bacalhau.
Ah, não, seu anão. Punheta, não.
Toma logo esse banho e lava bem esse cozito.
Pessoal, quero apresentar para vocês o Siri. A partir de hoje, será o nosso
novo leão de chacra.
Essa é a Sangueira. É uma ótima menina da terra de Galdel.
Melhor seria se fosse uma fadista.
Olá, como você vai, Chiquitito?
Bem, o fumaça você já conhece.
Continuo mesmo.
Agora ele é o gerente da casa.
Prazer em revê-lo.
Bem, aquela é a Linguinha. O nome já diz tudo.
Aquele é o seu Ambrósio, ex-sócio da casa.
Vai, não sei se é da casa ou se é do bairro, mas de qualquer forma é ex-sócio
do negócio.
Bom dia, boa tarde, boa noite.
É, te conheço, te conheço, te manjo.
Bem, agora que todos se conhecem, vamos tomar um sorvete de bucereja para
comemorar.
Tarde, senhor.
É aqui que é a casa do doutor massagista?
Não?
Uai, senhor.
Tô com puta torcicola aqui no pescoço. Dá um jeito, senhor.
Tarde. Boa tarde.
Eu queria falar com o doutor massagista. Pode escolher.
Escolher o quê?
Qualquer uma das três.
Mas é tudo doutora mesmo?
Melhor do que isso. Somos todas massagistas.
Então eu quero essa doutora aí.
Entra.
Saca-te a roupa. Acosta-te aí.
Não te sacaste a roupa ainda?
Dona, precisa mesmo tirar a roupa, só vim fazer massagem no pescoço. Certo,
querido. Por que não aproveitamos e fazemos uma massagem geral?
Me diga, tá gostando? Tá danado de bom. Tá danado de bom.
Tchau, queridinho. Viva sempre.
Puta massagem, dona.
Puta massagem, dona.
E aí
Agora vocês vão ver a descida da nave que veio do planeta Conas para aprender
comigo, que fui o escolhido, tudo sobre sexo e sacanagem.
O departamento de efeitos especiais deu uma mancada, mas agora vai.
Deu merda novamente, mas o problema já foi resolvido. Agora a nave desce de
qualquer maneira.
Pegou fogo. Vocês sabem como é cinema brasileiro. Se não for merda, dá merda.
E se for merda, a cagada tá feita.
Mas a produção se virou. E no dia seguinte, lá estava a grande nave no meu
quarto. Se comunicando comigo, telepaticamente.
E colhendo grandes informações sobre o nosso mundo.
Pênis, igual a pinto, pau, folha, caralho e outras.
Masturbação, igual a punheta.
O que é punheta?
Bem, cunheta, não dá pra te explicar.
Vou te mostrar.
Não é meu chandais, não. Afinal de contas, isso aqui não é novela da Globo.
Tá bom, eu coço.
Tá certo, vou coçar a cabine.
Tá bom aqui?
Não tá passando a coceira?
Fique tranquilo, vou continuar coçando.
Se eu não me engano, eu já te conheço em algum lugar.
Eu te manjo.
Vamos lá.
Ô, Amanda, acabei de encontrar a rodoviária. Chegou agora no interior.
Vai trabalhar aqui com nós.
Ô, Fumato!
Sim, grande chefe.
Acomoda a menina e dá-lhe um trato. Precisamos prepará-la para o trabalho.
Está bem.
Você vai ter uma aula prática.
O que é que você quer aqui?
Amanda não mandou preparar você para o trabalho?
Pois é, eu vou preparar.
Isso aí é uma chupeta.
Uma tocada de flauta.
É isso aí, capricha, que você já está passando na primeira aula.
Isso aí?
Bem, isso aí é uma chupada de buceta, uma minete.
Agora é uma punilingua. Ou punete.
Me ter, trepar, comer, pisar.
Não, não é tudo isso de uma vez só.
É tudo a mesma coisa.
Eu sei que é complicado.
É por isso que eu prefiro a punheta. É mais higiênico.
Pariu, baixinho, você não cresceu nem pra cima e nem pra baixo, mas pra frente
você cresceu pra caralho.
A história
termina aqui.
A nave, depois que aprendeu tudo sobre as sacanagens da Terra, voltou ao
planeta Conas.
Em agradecimento, ela me deu 100 mil litros de porra espacial, que eu
engarrafei em vidrinhos como estes, e vendo em dólar ou RTN, pras pessoas que
sofrem de frigidez sexual.
É o maior afrondisíaco que existe, com ele até cadáver trepa.
E eu que sempre fui um fudido, agora estou numa muito boa.
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