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Original subtitles

Seu primeiro contato com o Arthur Brandão foi por um acaso na rua, bem no

dia que você estava indo da casa dele para a vaga de fisioterapeuta.

Sim.

Foi uma coincidência.

Nós até rimos disso depois.

No seu primeiro depoimento, você falou que o Arthur chegou ao abrigo onde você

e sua família estavam alojados.

Por que ele foi até lá?

Porque eu tinha sido demitida injustamente.

Então, ele foi até lá para pedir desculpas e para me recontratar.

Injustamente.

Por qual motivo?

Eu pedi um adiantamento do meu salário.

Você mal tinha começado a trabalhar e já queria pedir dinheiro?

Não, desculpa, vou precisar interromper a Adriana.

Ela não queria dinheiro, ela queria um adiantamento para poder começar a

trabalhar.

A Adriana e a família dela passaram por um problema muito sério. Depois da

enchente, foram desabrigados.

Até para ela poder se locomover até o local de trabalho, ela precisaria... Eu

respondi essa pergunta, se você me permite.

Eu não contei para o Arthur da minha situação de desabrigada, porque eu

achava que isso poderia atrapalhar a minha contratação.

Então, quando eu pedi o adiantamento do salário, ele imaginou que eu poderia

pegar o dinheiro e cair fora.

Ah, ele não achou você uma pessoa confiável. Assim que o Arthur viu com os

próprios olhos a minha situação...

Ele não só compreendeu como ele me ajudou muito, e eu vou ser eternamente

grata a ele por esse gesto. Ele não só ajudou, como recontratou imediatamente a

Adriana, disponibilizou uma casa dele que estava vazia para a Adriana morar

com a família dela.

O senhor vai me desculpar se isso não é uma sinalização de confiança.

Eu não sei mais o que é.

Tchau, tchau.

Ih, saíram todos.

Ó, Edivaldo foi no banco, Diná não disse onde ia, né, claro.

E a Rosa disse que a senhora deu permissão pra ela ir em casa.

Imagina, permissão? A Rosa é minha amiga.

Tem nem nada pra eu dar permissão pra ela. Não, Dona Elisa, pelo amor de Deus,

larga isso aí. Deixa que eu faço o meu serviço. Por favor. Por favor, por

favor. Eu tô muito ansiosa demais, sabe? Isso melhora a minha ansiedade. Senta

aqui. O que foi? O que foi?

Tô muito nervosa com essa situação da Diná de condo lá na delegacia.

Fica tranquila.

Vai dar tudo certo. Sua filha é rica. Já viu dar ruim pra quem é rico?

Minha filha não é rica. A tia de ela tá rica.

É diferente.

É? Por que é diferente?

Diferente por quê?

Porque aqui dentro eu sinto que isso tudo é... Tudo é uma ilusão, sabe?

Mas uma ilusão boa, né?

Eu queria uma ilusão dessa no vômito.

Desculpa. Desculpa.

Elsa.

Oi, Daniel.

Ué, nessa hora você aqui?

Você sabe que é meu horário aqui na banca, né?

Ah, sei, claro.

É que eu vim comprar umas flores.

Ah, pra quem?

Alguém especial?

Não,

é pra alguém que passou desta vida pra uma outra.

E queria uma coisa assim, branca.

Não, não, assim mesmo. Assim? É, tá dedicado. Isso, tá bonito.

Fazer uma cama com isso por baixo vai ficar bonito. Tá bonito?

Por favor.

E como é que anda a sua vida?

Bom... Eu soube que você...

Saiu daquela pensão e agora tá num apartamento chique, morando num bairro

nobre. Quero saber quando é que você vai me convidar pra conhecer.

Infelizmente eu não posso, Elza.

Eu moro lá, no apartamento da minha neta.

Tá certo.

Então eu vou aguardar o convite dela pra conhecer.

Mas você não vai deixar de trabalhar para mim, não, né?

Deixar? Como é que é isso? É claro que eu vou continuar trabalhando.

Inclusive, hoje à noite eu vou estar aqui, firme. Pode escrever.

É preciso o serviço.

Essa coisa de depender de família, não. Não quero depender de família, nem de

ninguém.

Faz favor, quanto é que deu aí?

Doutor Arthur, eu espero que o senhor esteja num bom lugar, viu?

Eu sei que eu falei, que eu fiz coisas que eu não devia.

E eu quero que o senhor saiba que eu estou arrependido, mas eu estou aqui

para falar da minha neta. Pedir para o senhor, para ajudar a minha neta. Daí,

de onde o senhor estiver, por favor, proteja a Adriana.

Ela não merece.

Ela não merece o que estão fazendo com ela.

O que você está fazendo aqui?

Eu só me senti confortável para ir morar no trabalho quando o Arthur ofereceu

essa casa que estava fechada, emprestada para a minha família.

Porque eu não ia conseguir ficar dormindo no serviço, lá no bem bom,

enquanto minha família estava no abrigo, entendeu?

O Arthur fazia questão que você dormisse no trabalho?

Sim, fez questão.

Porque todos os funcionários dele dormem no trabalho.

A Rosa, a Tilde, o Edivaldo e a Dinah. Os funcionários, como é que eles te

receberam lá na casa do Arthur?

Ah, bem, normal, na verdade.

Quer dizer, menos a Dinah.

A Dinah sempre me tratou mal, pra ser sincera.

Inclusive, no dia do casamento, ela veio me pedir pra eu não casar com o Arthur.

Ela fez isso e eu tava pronta.

Pronta pra me casar.

É, parece que tinha muita gente contra esse casamento.

Sim, com certeza. Com certeza, muita gente.

Principalmente os parentes dele, né? Que se preocupavam e ainda se preocupam

muito com o dinheiro do Arthur.

Aliás, a Pilar, que é irmã dele, tentou interditar o Arthur pra poder assumir o

controle de um patrimônio que era dele.

Que ele construiu.

E isso deixou o Arthur destruído.

É, mas será que o Arthur estava com suas faculdades mentais preservadas quando

resolveu se casar com a fisioterapeuta? Uma moça bem mais jovem. Como é que é?

Não, desculpa. Não, desculpa. Vou ter que entender.

Não estou entendendo onde o senhor quer chegar. Não estou entendendo onde isso

ajuda a gente aqui.

É claro que ele estava pleno de suas faculdades mentais, por isso não foi

interditado. E essa sua pergunta para além de desculpa, descabida, ela ofende

a minha cliente sem necessidade nenhuma.

O Arthur era um homem bom.

Um homem generoso, que se sentia usado por todos os parentes.

E eu vou te dizer uma coisa, seu delegado.

Quando eu conheci o Arthur, eu tive a impressão de que ele tinha praticamente

tudo.

Só que faltava o mais importante.

Amor. E você amava seu marido?

Por que você está me olhando assim?

Eu que estou estranhando você aqui de dia. Você só aparece lá na banca de

flores da noite.

É que a noite é mais fácil para eu sair.

Mas hoje eu consegui dar uma escapadinha.

Você está ainda mais bonita iluminada pelo sol.

Obrigada.

Eu já fiz o que eu vim aqui.

Fazer, eu já... Tinha que pedir uma proteção pra minha neta.

Pra esse aí?

É. Por causa dele que minha neta Adriana tá complicada a vida dela.

Mas que doutor Arthur Brandão mexa os pauzinhos dele lá em cima pra ajudar

minha neta. Não, ele não pode.

Por quê? Ele acabou de chegar.

Ele ainda tá se acostumando com a ideia da morte.

Escuta, vou mudar um pouco de lugar, sair daqui para passear em outro lugar.

Não posso.

Eu tenho que ir antes que deem falta de mim.

A gente se vê outro dia. Espera, espera um pouco. Olha, deixa eu só te falar.

Espera.

Espera aí.

Escuta, para que essa correria?

Francesca, espera.

Deixa eu falar contigo.

Ô, Francesca.

Escuta, o que... Francesca, o que...

Amor é cuidado, é cumplicidade, é querer o bem do outro.

Então eu te digo que eu e o Arthur nos amávamos sim.

Mas você ama mais a sua família, certo?

Essa pergunta não faz o menor sentido.

Além do mais, o Arthur e a Adriana foram casados.

Sendo assim, eles são família um do outro. Então essa pergunta, não sei onde

é que ela pode levar a gente. Lógico.

Eu digo a família de origem.

Eu amo o Arthur.

Eu amo o Arthur em memória, como eu amo todas as pessoas da minha

família.

A senhora pode afirmar que foi apaixonada pelo seu marido?

Há muitas formas de amar.

A paixão é só mais uma delas.

Você está afirmando que não houve paixão? O que eu posso afirmar,

delegado, é que eu e o Arthur já vivíamos como uma família.

Família essa que não durou um dia inteiro após o casamento.

Infelizmente, por conta dessa tragédia horrorosa que aconteceu.

Eu espero de verdade que o senhor encontre quem matou meu marido, quem

tirou a vida dele. E que essa pessoa pague pelo que fez.

Nossa. Foi muito difícil isso, reviver de novo a perda do Arthur. Foi péssimo

pra mim. Eu imagino. Pra mim também não foi fácil.

Desculpa.

Olha, em termos práticos, eu diria que foi um bom depoimento.

Nossa, Pedro, esse jeito que você está falando não está me convencendo. E do

delegado também não. Fiquei preocupada com as coisas que ele disse. Estou

desanimada. Eu vou te dizer o que aconteceu.

Você respondeu muito bem.

Mas... Na maioria das respostas, você respondeu muito bem. Mas... Quando ele

te pergunta sobre amor, sobre paixão... Não convence, Dri.

Porque as pessoas não são capazes de entender que amizade e

amor podem unir duas pessoas de uma forma muito mais verdadeira do que

paixão. Que muitas vezes pode ser só uma atração sem sentido.

Vamos?

Para de estudar com esse celular na mão.

Mas é que eu tô pegando a matéria. Oi, gente, cheguei. Oi, filha.

E aí, meu amor, como é que foi lá?

Ah, foi muito difícil, mãe.

Nossa, filha. Que situação, viu?

Exaustivo, ficar lembrando tudo, falando lá de cada etapa da minha relação com o

Arthur.

E tem um ponto sensível nessa história toda, né, mãe?

Qual? Ah, porque as pessoas estão acostumadas com o amor romântico, né?

Com a paixão.

Eu falo que o que a gente tinha era uma relação de companheirismo, de amizade,

assim, verdadeira, que pra nós isso era suficiente, porque isso é amor.

As pessoas não acreditam.

Tem jeito, eu vejo isso no olhar delas.

Elas quem?

De todo mundo.

Do delegado, do escrivão que tava lá, do Pedro também.

Pedro?

É, mãe, eu acho que às vezes ele fica bagunçado com os sentimentos dele.

O Pedro acredita na sua inocência.

Isso é muita coisa perto da família do doutor Arthur, que só quer te acusar. Eu

sei. A família Brandão é capaz de fazer tudo, né?

Até de inventar coisa contra você.

O que eles querem é pegar toda a propriedade do Arthur pra eles.

Só que pra isso eles precisam me ver presa. Ela nem fala uma coisa dessa,

Adriana.

Mãe, calma.

Mãe, calma, calma.

Eu vou ligar pro médico.

Mãe, ela desmaiou. Pega sal, alguma coisa. Não, mãe.

É,

dona Elisa, sua pressão tá bem alta.

Eu vou receitar um remédio para controlar, mas só isso não resolve.

O que eu tenho que fazer, doutor? A senhora precisa repousar e evitar

aborrecimentos. Isso é muito importante.

Mas como? De que jeito? Com essa gente horrível acusando minha filha. Eu sinto

muito por toda essa tragédia.

Imagino como deve ser difícil.

Eu sei o quanto o Arthur gostava de vocês, especialmente da Adriana, e como

ele estava preocupado com a saúde da senhora.

O Arthur era mesmo um homem extraordinário, né, doutor? É.

Olha, conta comigo pra falar o que eu presenciei, Adriana. Muito amor e

carinho entre você e o Arthur.

Muito obrigada, doutor.

Bom, enquanto a dona Elisa, é bom que ela fique longe de tudo isso, né? Seria

o recomendado.

Tá vendo?

A filhota, mãe.

Que bom te ver.

É, eu tive que vir porque eu precisava pagar o seu Clemente, né?

Por conta da obra que ele fez lá no muro.

Mas primeiro eu preciso ver se tá tudo certinho, né?

A Dina te deu essa colher de chá? Claro que não, né, minha filha? Foi a Elisa

que me liberou.

Mas eu preciso voltar ainda hoje, porque com essas acusações sobre a Adriana, as

coisas lá estão pegando um pouquinho. Mas vem cá, que alegria é essa?

Ai, mãe, não consigo nem disfarçar, né? Não consegue mesmo.

Eu e o Tom, a gente se acertou. Ai, o traste do seu marido. Ai, mãe, é sério.

Você tinha que ver. Ontem ele falou pra mim coisas maravilhosas.

O problema é que são dias mansinhos e depois só Jesus na causa, né, minha

filha? Dessa vez vai ser diferente.

Mãe, eu sinto.

Filha, olha só, você sabe muito bem o que eu penso sobre isso, né? Então vamos

fazer o seguinte.

Vamos lá pra casa?

Que aí eu faço a verificação do muro, pago o seu Clemente, faço aquele

cafezinho gostoso pra gente. Ótimo. Vamos, vamos.

Ô,

mãe. Oi.

Eu achei o muro ótimo. Você gostou? Aham. Eu só achei que o seu Clemente

cobrou caro demais, né? Aham.

Mas o valor do material já tava incluso, minha filha. Ah.

Agora vem cá, me diz uma coisa.

O que que o Tom fez que te deixou assim tão felizinha, hein?

Mãe, primeiro ele reconheceu que ele foi um grosso. E aí ele me pediu desculpas.

Até aí nada demais, né? Não fez mais com obrigação. É, mãe, mas não foi só isso

não. Presta atenção, para um pouco. Olha pra mim. O que que é?

Ele disse que ele vai parar de beber.

Ele prometeu pra mim, mãe.

E você acreditou, filha?

É claro que eu quis acreditar, mãe.

Pro Tom é muito difícil, imagina. Os amigos dele sempre saem do trabalho e

vão pro bar e chamam ele. Pra ele é difícil falar, não, não vou, vou pra

casa. Nossa, que batalha desse guerreiro, né?

Ah, para de debochar, dona Rosa.

Eu tô falando sério.

Eu não sei também por que eu tô te contando, né? Você nunca gostou dele?

Não.

Não, não faz isso não, minha filha. Isso é mentira. Eu gostava dele, sim. No

início, eu gostava até bastante. A gente se dava bem, ele era amoroso, carinhoso.

Mas aí, né, começou a mostrar as garrinhas.

Você precisava ver, mãe, ontem? Não precisava, não. Não, isso aí eu

dispenso, tá? Não precisava mesmo. Não, realmente, não precisava, não.

Mas, nossa, ele tava tão carinhoso, assim. Ele chegou tão fofo, sabe?

A gente viveu uma noite muito romântica, mãe. Como a gente não tinha muito tempo.

Parecia casal apaixonado, sabe? Muito apaixonada.

Meu café, garota!

Oh, meu amor.

Você sabe que o sonho de toda mãe é ver a filha assim, né?

Feliz, que nem você tá hoje.

Mas o problema, meu anjo, é que a gente sabe que são dias, assim, de pura lua de

mel pra meses de um verdadeiro inferno.

Dessa vez vai ser diferente.

Você vai ver. Dessa vez vai ser diferente. Dona Rosa, eu tô sentindo.

Tá?

Tô sentindo.

Como é que é, Toninho?

Você conversou com a mulher de preto de novo?

Tempão. Conversamos um tempão, rapaz.

E dessa vez ela apareceu em plena luz do dia.

Essas suas visões estão ficando cada vez mais evoluídas, hein? Olha, sei lá, acho

que era... Era bom você buscar uma ajuda espiritual.

Vai que você é médium. Para de falar bobagem, ô Enéas. Não tem nada a ver.

Não tem nada de espírito, não, homem.

Essa mulher é ali, ó. Ela é real, ali.

Ah, sei.

Então me responde uma coisa.

O quê?

Onde que ela mora? De onde que ela vem? Rapaz, isso aí eu não sei.

Ela aparece, some, assim, do nada.

Mas dessa vez eu fui atrás, ó.

Fui atrás pra tentar saber, mas...

Perdi ela de vista.

Como assim, perdeu ela de vista?

Perdeu ela de vista onde, homem? Ué, perdi lá dentro do cemitério.

Desconjura, homem.

Sai pra lá, Toniel.

Viu, hein?

Não fica pensando besteira não, rapaz.

Dia que essa dona chegar aqui, você vai ver como ela é de carne e osso.

Ô, Toniel.

Me deixa fora disso. Esse encosto é coisa tua, meu amigo.

Se esse fosse o meu único problema, a vida ficava

fácil. Ih, pelo seu tom, pela sua cara, rolou mais B.O. na sua família, hein? O

que foi dessa vez? Tá complicado, viu, Inês? Uma coisa chata. Minha neta

Adriana agora há pouco mandou uma mensagem e falou que o depoimento dela

lá na delegacia...

Foi mais ou menos.

E pior é que a minha filha, Elisa, passou mal.

O que ela teve?

Pico de pressão.

O médico examinou, aquela coisa toda, mas ele falou pra ela. A senhora tem que

ficar quietinha, descansando, não pode ter aborrecimento. Tá bom.

Como é que não vai ter aborrecimento com tudo que tá acontecendo com a gente?

É.

Ô, Toniel.

Aqui.

Minha família tem um... um sitiozinho no interior.

Putucatu.

Não tem ninguém lá agora.

É um lugar simples, não tem luxo nenhum, mas tem muito verde, mato, longe da

cidade. Se vocês quiserem, talvez, pode ser uma boa.

Pô, Ernesto.

Você é um cara bom mesmo, viu, velho? Que isso. Vem cá, me dá um abraço.

Vem cá.

Rapaz, que coisa boa.

Não acredito. Você falando assim é uma ótima ideia mesmo.

Minha filha poder ir pra lá.

Um lugar sossegado, como você tá falando, né?

Descansar, não ter aborrecimento.

Isso. Cuidar da saúde dela.

Fala com ela.

Quem sabe ela se anima. Fala lá.

Brigadão, hein, Inês?

Vou falar agora.

É, ideia boa sim, vô.

Tá, eu vou falar com ela.

Fica tranquilo, tá bom? As coisas já estão sob controle.

Pode deixar.

Ó, mandando beijo aqui pra vocês, ó, avô.

Beijo. Beijo, avô. Tudo bem? Até já. Tchau, tchau.

Esse povo falou.

Então, Enéas, que trabalha lá com o avô, a família dele, tem um sítio e eles

ofereceram pra senhora ir pra lá descansar. Mas tem graça, né? Eu ficar

viajando, descansando, relaxado e vocês aqui.

Mas você é no meio de uma investigação, filha.

Eu vou com você, mãe. Não, você tem aula.

Não, mãe. Não tem problema eu faltar. Não tô em semana de prova.

E outra, eu posso pegar matéria com os meus amigos depois pela internet. Não

tem problema nenhum.

Mãe, eu ia ficar mais sossegada se vocês fossem mesmo.

A senhora não tá bem, mãe. Não adianta ficar aqui doente.

Né? Tem que descansar.

Eu vou pensar.

Pensa com carinho, hein?

Lembra do que o médico falou?

Adoro essa parte, ó.

Olha aí.

Parece eu e Brigitte.

Nossa,

você vai comer minha pipoca toda?

A gente devia ter feito uma pra mim, né, Ingrid?

Só pra mim. Essa daqui era a última. Aliás, tá tudo acabando nessa casa.

Impossível. Impossível com a venda do Lalique, que eu peguei lá na casa do

Arthur. Eu enchi essa dispensa de coisa boa. Eu tinha comprado até um

caviarzinho, filha.

Só que você esquece que nós somos quatro, que valem por cinco.

Brigitte, meio metro de altura, como mais que o Rafael.

Faz massagem.

Não me lembra disso, que é um martírio pra mim pensar que essa... Essa aqui

também é a última.

Ela enche o prato de coisa boa, de coisa cara, sabe?

Eu, como mãe, não posso proibir.

Mas eu deveria. Não sei quem ela puxou.

Foi ela que raspou toda a lata do caviar. Eu sei que foi ela.

E eu já falei pra essa menina. Já falei, mas ela é burra, não entende.

Gente fina, come pouco.

Nossa, você me deixa sem folhas, entendeu?

Eu sou assim, eu sou muito embrança.

Quando eu nado, eu nado muito. Quando eu corro, eu corro muito.

Quando eu como, eu como muito. Então eu amo.

É pra valer.

Vamos saber, porque se isso aqui virar novo, eu já sei o que pode dar.

Como assim pode dar?

Já deu, né?

Já deu.

A gente tá tendo uma noite maravilhosa.

O que pode dar errado?

Você acha de dar uma pausa, hein? Vou dar pausa. Vamos dar uma pizza.

O que você quer?

Eu adoro. Eu adoro, quero tudo isso.

Tudo o quê? Quero tudo.

O que é isso?

Rapaz, eu acho que ele é só um, né?

Então, deixa eu ver.

Eu quero você.

Desculpa. Desculpa.

Desculpa. Desculpa.

Pedro,

não era nem pra gente estar aqui. Tudo bem, Clebinha. Tudo certo, Clebinha.

Tudo bem, Brigitte? Tudo bem. Boa noite.

Boa noite. A gente tá indo comer uma pizza com sushi.

Ah, tá.

Recheio de sapiocas. Se vocês não querem ficar, eu posso sair pra comer uma pizza

com sushi e vocês ficam.

Tem certeza, Clebinho? Tenho certeza, irmão.

Vamos indo lá, né?

Fica tranquilo, Clebinho. Vamos com calma. Não, tranquilo. Ô, Pedro.

Amanhã eu troco ideia com você sobre o nosso lado, Adriano.

Tá bom, tá bom. A gente tá muito feliz, né?

A gente tá, a gente tá.

Eu tô com saudade de você.

Saudade? Saudade de você.

Eu também.

Vai lá, vai lá, vai lá, Clarice.

Eu te amo.

Como você tá se sentindo? Meu Deus, eu tô muito nervosa. Minha mão tá até

gelada.

Ah, amor.

Não, calma, calma, calma.

Deixa eu ver.

Tem que pensar que você tá do lado da verdade, né?

Isso que vai ajudar a gente.

Respira, respira.

Vai dar certo.

Vai dar certo.

Fugir do paraíso.

Você me faz o que eu sou.

Caça e caçador.

Sete.

Dezoito. Vamos. Vamos. Sem reclamar. Dezenove. Vai, vai.

Vinte. Meu glúteo.

Ai.

Ai, ai, ai.

Vamos.

Calma, calma, calma.

O Brigitte não dormiu em casa, né? Você viu? Eu vi.

Mora que ela tenha pelo menos arrumado alguém legal.

A gente sabe que as coisas não dão certo pra Brigitte porque ela perde a mão, né?

É.

Ela se passa. Se passa um pouquinho.

Ela sofre com isso, né, Rafael?

O que vocês estão fazendo?

Malhando?

Malhando? Bom dia, dona Pilar. Bom dia. Não tem bom dia. Sai daqui, minha filha.

Vem que a gente tem uma coisa importante.

Eu tô no meio do meu... Eu tenho uma coisa importante pra resolver hoje de

manhã e você vai comigo.

Vamos pegar uma roupa. Vamos pegar uma roupa pra você. Vamos pra casa do seu

tio Arthur.

Na casa da Adriana, se você quiser.

Nem me lembro de uma coisa dessa, minha filha. E essa situação aí vai mudar

rapidinho. Ó, isso aqui. Veste isso aqui.

Você pode pelo menos me explicar o que a gente tem que fazer lá?

É que de onde saiu aquele Lalique, pode vir muito mais.

Mãe, e se você for pega roubando a casa do tio Arthur?

Roubando? Meu filho, ele falou roubando.

Eu não vou roubar.

Não vou.

Eu vou buscar umas coisas que eram da mamãe. Eu não sabia que tinham coisas da

vovó lá.

Pois é, tem.

Mas a Adriana também não sabe.

Ó. Te dou um minuto pra você trocar de roupa e ficar pronta. Isso é ótimo esse

jeito.

Adriano, meu filho.

Rosa? Adriano, bom dia.

Oi, querida. O que foi?

Vem comigo, vem comigo que a coisa não tá boa. Aconteceu alguma coisa com a

minha mãe? Sua mãe tá bem, graças a Deus. Ela tá dormindo e seu avô também.

Eu fico doida se acontece alguma coisa com ele, você sabe. Mas eu tô ficando

nervosa. O que aconteceu?

A dona Pilar.

Ela tá lá na sala. Ela e aquela filha dela.

Sim, o Mau Mau já tá lá discutindo com as duas.

Tá fazendo o que aqui, pelo amor de Deus, Rosa?

Eles estão pegando todas as coisas.

Por isso que eu fui te chamar.

Como é que é? É isso mesmo, filha.

Eu quero esse.

Filha, pega esse aqui. Olha essa foto. Que coisa mais linda.

Esse aqui eu vou colocar na sua bolsa.

As estatuinhas. Para com isso. Essa casa não é sua. Olha, isso aqui era do papai

da mamãe. Nossa, que lindo.

Pode ir largando isso aí.

Vocês não vão levar nada dessa casa.

Você vai desistir do caso ou passar para outra pessoa do escritório?

Não, mas já encontrei uma maneira de tirar o Pedro do caso. Porque se ela for

condenada, o dinheiro da herança do meu padrinho vai direto para a mão dos

irmãos dele. Ele não queria isso, ele tinha um motivo para isso. O que houve?

Você está muito nervoso. A mãe passou mal. Nós vamos para aí, então. Claro que

a gente vai. Eu só vou preparar uma roupa, algumas coisas.

Eu vim fazer uma denúncia.

Eu vim dizer que a Adriana Brandão...

Ela está fugindo do Estado nesse exato momento.

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