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O que você acha?
Olha o Lula.
Obrigado.
Vai com Deus, meu filho. Amém, padre.
Até logo.
Ok, minha mala! Minha mala!
Minha terra dando água e absorvendo-me.
O que é isso?
Quer me roubar, ladrão?
Vem cá, peste! Vem cá!
Filho de uma égua, quer me roubar?
Vem cá, peste!
Vagabundo!
Mas olha aqui pra ele!
Vamos fazer neném, bem?
Tessão! Vem cá!
Oi, Benzinho. Tá duro? Esse cara não tá com nada.
Você gosta de uma linguiça do norte?
Linguiça? Tá boa. Benzinho, vai ali que a minha amiga adora isso.
E hoje isso daqui tá horrível. Ela parece ninguém.
Ah, que sorte. Ela pegou a Diana.
Vem cá.
A gente também quer comer.
Delícia. É, é gostosa mesmo.
Tchau. Nós vamos acabar de atender nossos clientes.
Apareça sempre, baiano.
Oh, gente, e eu não vou ganhar nada... Só da próxima vez.
Queridinho, aquilo lá tava fervendo, sabe? Uma delícia.
O que foi?
O recém-chegado.
Aquela coisa?
Tá, pra quem tá com teia de aranha, qualquer coisa, sério. Pois olha,
queridinho, isso aqui não foi achado no lixo, ouviu?
Eu vou pra desentupir. Então vai.
Você tá com sono, hein?
Ó, gente.
O que é que tu quer?
Você veio da Bahia? Não, eu vim do Ceará.
Você é cearista?
É, sou sim.
Você tem parentes aqui?
Tenho, não senhor.
Ah, eu ia passando por aqui e vi você dormindo.
Como é seu nome?
Meu nome é Severino. Você trabalha?
Trabalho.
Onde?
Em qualquer lugar.
Ah, que ótimo.
Sim, senhor.
Você tem onde ficar?
Tenho, não, senhor.
Você vai para um hotel?
Vou não. Então você pode ir lá para casa.
Fazer o quê?
Você pode passar lá esta noite.
É. É.
Ah, em tec eu aceito. Então vamos.
Deixe que eu te ajudo.
Obrigado. Pode deixar que minhas malas eu mesmo levo. Minhas malas sempre andam
comigo. Tá certo.
Vamos lá então.
O senhor mora muito longe? Não, é logo ali.
O que é que eles estão fazendo?
Ah, eles estão fazendo massagem.
Aff, mãe.
Este é o meu quarto.
O banheiro é ali. Pode tomar o seu banho.
Oxente, como é que tu sabe que eu quero tomar um banho? Eu não sabia, só falei.
Ah, pois.
Vou tomar um banho e depois eu vou dormir.
O
que
está acontecendo aqui?
Vamos fazer um amorzinho gostoso.
Ah, sai pra lá, peste. Eu sou lá de fazer essas coisas com homem. Eu sou é
macho.
Vem cá, bem. Eu só quero fazer um negocinho gostoso com você.
Vem. Volte. Sai pra lá, peste. Eu aqui não fico, não.
Bom dia.
Bom dia. Está chegando de viagem?
Sim, faz tempo.
Eu cheguei ontem.
Veio da Bahia? Não. Não, senhor.
Eu vim do Ceará.
Mamma mia.
Quer?
Não, não. Obrigado. Vai, não?
Não. Pega aí.
Puxa vida. Parece uma linguiça deliciosa. E é.
Faça a cerimônia, não, senhor. Pode pegar.
Eu vou aceitar.
Meu Deus, quase que eu não queria.
Onde você comprou essa linguiça? Não comprei.
Sou eu mesmo que faço.
Vai, vai. Você não acredita?
Sou eu mesmo que faço, sim, senhor.
Você faz a linguiça?
Então, você não quer trabalhar comigo no meu açougue?
Para falar a verdade, eu estou procurando trabalho mesmo.
Onde é que você mora?
Eu dormi ontem ali debaixo daquele pé de planta ali.
Coitado. Vamos fazer o seguinte.
Eu te levo para a minha casa.
Lá tem um quartinho nos fundos, você dorme lá.
E amanhã ele sai junto para trabalhar cedo.
É mesmo?
É. Então o senhor que sabe. Claro, eu que sei. Vamos. Então?
Vamos embora, vai.
Peraí.
Vem, Severino, vem cá. Fica na sua casa.
Pede, querida. Como está?
Esse aqui é o Severino.
Encontrei com ele na rua. Aí começamos a conversar, conversar e ficamos amigos.
Querido, ali tem uma linguiça divina.
Divina! E como eu preciso de um empregado no açougue, eu trouxe ele aqui
pra casa.
Faz o seguinte, Beth. Instala ele no quarto lá do fundo e deixa ele lá. Tá
bem? Vai.
Olha, este é o seu quarto.
Fique à vontade.
Licença.
O banheiro é ali.
E o nosso quarto fica em frente.
Tchau.
Ele insistiu tanto, tanto comigo, que eu acabei provando a linguiça dele.
Mamma mia, Betty. Se você visse a linguiça daquele baiano, só vendo pra
acreditar, querida.
Aí eu convidei ele pra vir trabalhar comigo lá no açougue, sabe?
Chega, meu amor.
Não vamos mais falar nesse baiano.
Eu quero fazer amor. Afinal, faz uma semana que não trepamos.
Hoje não, querida. Vai, eu tô cansado. Deixa eu dormir um pouco, vai. Boa
noite.
Será que ela é viado?
Ela está usando o dedo.
Ai, meu pai, eu insisto.
Eu vou ter que usar a mão.
Mas que linguiça.
O Flávio me
falou que você faz uma linguiça muito gostosa. Eu fiquei curiosa. E ontem à
noite, quando eu fui mexer nas suas coisas, o pedaço que eu vi parecia ser
muito gostoso.
Por que a senhora não comeu, Dona Betty?
Querida, você tem que experimentar a linguiça dele.
Pode ser até hoje à noite mesmo, sabe?
Agora nós vamos trabalhar no açougue e à noite quando ele voltar... ele vai te
trazer um pedaço de linguiça que você vai adorar.
Severino, vamos embora que nós já estamos atrasados, hein?
Tchau, Bella. Até de noite.
Tchau. Até logo, Dona Betty.
Esse aqui é o Severino. Ele vai trabalhar com a gente.
Eu quero que você apresente toda a freguesia pra ele, viu?
Outra coisa, arruma um avental e material pra ele fazer linguiça.
Vai bem, né? Tá bem.
Olha, você vai gostar de trabalhar aqui. É um lugar muito legal.
É, tá bom. Entendi. Tá.
Verino, você entendeu o caminho direitinho?
Acho que entendi, sim, senhor. É fácil. Segue em frente e dobra a quinta
direita, tá bom?
Dobra as cinco e quebra as direitas. Isso, isso mesmo.
José, não esquece de fechar tudo aí, hein? Até amanhã. Dobra as cinco e
quebra as direitas.
Está aqui as linguiças, Dona Betty.
Coloque na cozinha, Severino.
Coloque ali na mesa, sim?
Oh, Dona Betty.
Quem é aquela moça bonita do retrato ali na sala?
É a filha do Flávio que está viajando.
Por que você fica olhando para o chão? Olha para mim.
Será que eu sou tão feia assim?
É não, é não, dona Betty.
Eu posso tomar banho?
Pode e deve.
Mas antes, deixa eu pegar umas coisas minhas que estão lá.
Sim, senhora.
Água tem que dar teste.
Severino, está tudo bem por aí?
É, está.
Quer dizer, está não. O negócio aqui não quer funcionar, sabe?
Abre a porta.
Estou sem roupa.
Enrole uma toalha no...
Espera aí.
Está com algum problema aí?
Já sei, a água está muito quente.
Eu dou um jeito para você.
Não, foi só um chatozinho.
Mas já passou.
Dona Betty, seu padre pode chegar.
Ele pode chegar.
Dona Betty.
Flávio, tudo bem? Tudo bem.
Eu vim aqui comprar mais uma tonelada de carne.
Quer dizer que a linguiça é boa mesmo?
Nossa, Mário, está todo mundo achando uma maravilha.
Adoro linguiça.
Olha, então mande um pouco daquela linguiça para experimentarmos. Eu vou
mandar um especial para vocês.
Tchau, bonateira.
Tchau.
Amor.
Você viu a Leonor? Vi, vi.
Como é que ela está?
Ela está bem, sabe?
Até prometi mandar umas linguiças para ela.
Ah, então amanhã eu vou dar uma ligada para ela e vou dizer que é muito
gostosa. Amorzinho, para de falar. Será que você não percebe que eu estou
cansado? Eu quero dormir um pouco, né? Puxa vida.
Ah, mas você não vai fazer amor hoje?
A senhora vai bem? Tudo bem.
Alô, casa doutor Mário.
Leonor, aqui é a Betty.
Como vai?
Tudo bem, e você?
Ótima.
Ontem o Flávio esteve aqui.
Por que você não veio com ele?
Ah, é que agora nós temos um hóspede.
Hóspede? Que hóspede?
É um novo empregado do Flávio que está morando aqui em casa.
É especialista em linguiça.
Ah, é?
Você precisa conhecê-lo.
Ele é uma maravilha. Faz o seguinte.
Ligue para o Flávio e peça para ele mandar o Severino levar a linguiça que
ele prometeu.
Entendi, querida. Vou ligar agora mesmo.
Depois você me liga, falando se gostou.
Ligo sim, meu amor.
Muito obrigada pela informação.
Tchau. Um beijo.
Minha querida.
Que bom que você voltou. É, acabou a grana, né?
E aí, tudo bem?
É, tudo bem.
Como foi de viagem?
Tudo bem.
Foi legal.
E o papai? Tá no açougue.
Continua trabalhando que nem louco.
Eu nem sei pra que ele tem empregados.
Agora são dois.
Ele contratou outro, um baiano.
Olha, eu vou te contar.
Você precisa ver que figura.
Ele está morando aqui em casa.
Ah, é?
É, ele fica no quarto da empregada, já que ela não dorme mais aqui.
E como foi que o papai descobriu esse baiano?
Na rua.
Interessou-se por ele, porque ele faz uma linguiça que é uma delícia.
Obrigado. José?
Toma conta da sua que eu vou embora mais cedo pra casa hoje, sabe?
A minha filha chegou de viagem e eu tô morrendo de saudade dela.
Fica de olho nas coisas aí, hein? Pode deixar, seu Flávio.
A Betty me falou que a sua linguiça é deliciosa.
É muita bondade da dona Betty.
Então vem comigo que eu quero saber se ela falou a verdade.
Minha filhinha querida.
Oh, papai.
Estava morrendo de saudade.
Quanto tempo.
Senta um pouco aí.
Me conta, como é que foi de viagem? Foi legal.
Bela. Cadê o Severino?
Está entregando linguiça.
Amém. Amém.
Maria, me traz um cinzeiro, por favor.
Mais alguma coisa, Sr. Flávio?
Um cafezinho também.
Aproveita e faz o seguinte. Vê se o Severino já chegou e chame ele aqui pra
mim.
Sabe o que é, minha filha? Ele tem vergonha de sentar aqui na mesa junto
com a gente.
Oi, Severino.
Estava esperando você chegar para fechar isso aqui.
O seu Flávio já foi embora.
A filha dele que estava viajando chegou hoje. A filha dele chegou?
É, precisa ver que mulherão. Só que o velho tem um ciúme danado dela.
Como é que é? Entregou tudo aí? Ah, entreguei sim. Até a minha.
Como é?
Nada não. Estava só brincando.
Tá bom, vai indo, vai. Eu fecho tudo. Tá bom, Zé. Até amanhã. Tchau, hein?
Sabe, Suzy, fazia tempo que eu queria um empregado assim que nem o baiano.
Eu tô curiosa pra conhecer esse tal baiano.
Olha, ele vem vindo.
Boa noite.
Boa noite.
Boa noite.
Severino, você já conhece minha filha Suzy? Só pelo retrato, né?
Senta aí, vai.
Sirva-se como a vontade. Obrigado.
Tudo bem?
Tudo bem. E a senhora? Eu não sou senhora.
Sou mais nova que você.
Basta me chamar de Suzy.
Basta me chamar de Suzy.
Meu pai disse isso.
Me ajuda a tirar essa mulher da minha cabeça.
Isso não está certo.
Ele é um barato.
Que ingenuidade.
Que pureza.
Isso não está certo.
Eu prometi para Mariquinha que quando arranjasse emprego voltava para casar
com ela.
Eu não posso quebrar a jura. E essa mulher, não posso nem pensar.
Seu Flávio não pode nem sonhar que eu fiquei assim, doidinho.
Eu... eu...
Fiquei que nem um leso na frente dela.
Tem um rapazinho atrás de mim, tenta me segurar. Eu saí dele, saí, peguei minha
peixeira, corri atrás dele. Quem ia pegar? Ah, se eu pego, seu Flávio. Amor,
eu vou fazer algumas compras, viu? Severino podia ir comigo pra me ajudar.
Tá bem, Bela, tá bem.
Ô, Severino, vai com ela pra cidade, vai. Pode ir, vai.
E aproveita e compra umas roupas pra ele também, viu?
Tá certo, querido.
Vamos, Severino. Até mais, seu Flávio. Até mais, tchau, tchau.
Vai pela sombra.
Quer me dar um quilo de linguiça?
Quanto? Um quilo.
Dois quilos de linguiça do baiano.
O que será que tem essa linguiça que todo mundo quer? Eu acho que eu vou
experimentar.
Bom dia, pai.
Oi.
Vai tomar café?
Acontece que a Maria não chegou ainda. Você vai ter que preparar o café você
mesma. E a Betty?
Saiu com o Severino para fazer compra.
Agora o papai vai trabalhar.
Quando o Severino chegar...
Fale para ele ir para o açougue imediatamente. O Zé está lá sozinho.
Ela pode não gostar.
Olha a Dona Bete, menina.
Ô, baiano, você não vai pro açougue?
Até já ia me esquecendo do açougue. Já vou, Dona Bete.
Eu vim trazer a linguiça para a dona Clarice.
Linguiça?
Ah, sim. Ela está lá dentro na casa.
Pode entrar.
Obrigado.
Que tesão.
Pode entrar.
Sim, senhora. Obrigado.
Bem... Pensei que fosse o baiano.
Ele foi fazer uma outra entrega e eu vim no lugar dele.
Coloque ali.
Está bem.
Pensei que você já fosse homem.
Lógico que eu sou homem.
Ah, é?
Vamos ver se a linguicinha é gostosa como a do baiano.
Linguicinha, é?
A senhora já vai ver.
Bom dia, doutor Paulo. O que vai hoje?
A Marcia está meio adoentada. Você podia fazer uma gentileza para mim? Pois não.
Você podia mandar um pouco dessa linguiça para ela? Pode ficar tranquilo.
Eu vou mandar o empregado levar agora mesmo para a sua casa, doutor Paulo. Eu
agradeço. Até logo. Bom dia.
Combinados. Combinados. Até amanhã. Até amanhã.
Alô. Oi, amor. Sou eu.
Como você está?
Estou ótima.
O Flávio mandou a carne para o almoço?
Mandou sim. Uma linguiça deliciosa.
Você já provou, querida? Vou provar neste momento.
Proveu?
Estou provando.
O que você está achando?
Uma maravilha. Uma loucura.
Nunca provei nada igual.
Eu vou desligar. Se não... Aproveite bem, amor.
Uma bastante, amor.
Ah.
Obrigada.
Olha, o Severino já foi, viu?
Eu queria que o senhor deixasse ele ir comigo amanhã à casa de uma amiga.
É, lá pros lados de São Miguel. Eu tenho medo de ir sozinha.
É um assunto de escola.
Tá bom.
Ô, Baiano, vê se ataca lá na linguística. Acabou todo o estômago.
Amanhã tem muita entrega pra fazer.
Tá bom? Pode deixar.
Vai.
A CIDADE NOVA!
O que você está fazendo aí, seu cretino?
Seu
cretino, seu
filho de uma puta!
Acabou. Três quilos de linguiça. Não tem.
Sei.
Sei. Sei, sim.
Tá bom.
Não tem. Acabou. Não tem linguiça? Fazer o quê?
Pois é.
Precisa falar pro Severino fazer mais linguiça.
Sinto muito, dona Cláudia, mas pode ficar tranquila. Amanhã mando levar os
três quilos de linguiça pra senhora.
Por favor, seu Flávio, não esqueça. Fique sossegada.
Severino, me conta essa história direitinho.
Gente, estou falando a verdade.
Foi o diabo daqueles meninos que me derrubaram da bicicleta. Mas não tem
nada não. Eu vou prestar mais atenção quando eu for trepar.
Trepar? Com quem?
Quando eu for trepar no diabo daquela bicicleta.
Ah, bom.
E por falar em trepar, vamos sair hoje à tarde?
Olha, Suzy, seu pai não vai gostar disso.
Acho melhor a gente parar, hein?
Deixa comigo.
Mamma mia.
Parece um filé mignon cortado no meio.
Que beleza.
Querido. Faz tanto tempo que você não faz isso.
Não se pode fazer milagre todo dia, né?
Que gostoso.
Ei, Benzinho, espera um pouco. Eu vou no banheiro e já volto já. Estou com a
bexiga quase estourando, tá? Eu volto logo, tá?
Querida, espera, vai.
Filho da puta.
Eu toda feliz e ele com tesão de urina.
Mas amanhã eu vou comer linguiça.
Estive aqui para te agradecer. Agradecer o quê?
Depois que a Marcia comeu da tua linguiça baiana, ficou totalmente
curada. Não estou entendendo. Pois é. A Marcia andava mal da cabeça, né?
Foi a vários psicólogos. Andava mal-humorada. Não dormia. Mas agora está
totalmente curada.
Eu te agradeço pela bela notícia.
Não tem de que. Outra coisa. Ela pediu também pra você mandar dois quilos da
sua linguiça lá pra casa.
Pode ficar tranquilo. Vou mandar empregado agora mesmo. Ah, tudo bem.
Tchau. Obrigado.
Obrigado.
esses entregas aí.
Depois passa lá em casa que a Beth quer falar com você. Sim, senhor. Vai
depressa.
Mãe!
Você comeu muita linguiça do Severino, é? Eu acho deliciosa. O que foi, Suzy?
Você não está se sentindo bem?
Eu não sei o que está acontecendo.
Ultimamente, tudo que eu como me dá enjoo.
Você não andou tendo relações sexuais?
Suzy, você vai ter que encarar, minha filha. Me parece que você está grávida.
Mas como você pode afirmar isso? É que eu já tive os mesmos sintomas. Fiz os
exames e deu positivo.
Então você está grávida? Estou sim, mas... Por enquanto, faça segredo.
Acho melhor eu ir embora.
Para onde você vai, minha filha?
Eu não sei.
Mas se o papai souber... Ele vai ficar louco.
Nada disso, minha filha.
Deixa que eu falo com ele.
Meu amor, eu tenho duas notícias para te dar.
O quê?
A primeira, você vai adorar.
A outra, eu não sei.
Vai, vai, vai, Betty. Conta logo essa coisa. Estou morrendo de curiosidade.
O que você quer falar comigo?
Você promete que antes de tomar qualquer decisão, você vai pensar sobre o
assunto? Está bem.
Eu prometo. O que é?
Meu amor, depois de tantos anos juntos, finalmente eu fiquei
grávida.
Grávida, Betty?
É, meu amor, grávida.
Querida, quer dizer que eu vou ser pai pela segunda vez?
Ah, meu amor, você vê como eu caprichei dessa vez. Vai ser um machão que nem eu.
Betty, quanta felicidade você me dá.
Espere um pouco.
Você me falou que tinha duas notícias pra me dar. Qual é a outra?
É sobre a Suzy.
O que é que tem a Suzy?
Brigou com você?
Não, meu amor.
A Suzy agora já é mulher.
Ah, Bela, claro que ela já é mulher.
Ou você pensa que sou algum pato?
Com aqueles peitão e tudo assim?
Só tem que ser mulher mesmo? Ou você acha que é deixar ela viajar troco de
nada?
Você não entendeu.
O que eu estou querendo dizer é que ela também está grávida.
Que?
Minha filha Suzy também está grávida.
Eu vou querer saber quem foi o filho da puta que fez isso com ela.
Foi na viagem. Ela não conhece o rapaz.
Não, Betty, não. Você vai me desculpar. Mas eu vou botar na rua agora mesmo,
sabe? Senão como é que fica minha moral nessa história toda?
Ai, meu Deus. Meu Deus, você é demais.
Você já pensou o que os outros vão dizer se colocar na rua a sua filha grávida?
Só me faltava essa agora, Betty.
Eu vou ter que achar uma solução para esse problema.
Pode ficar tranquila.
Baiano, eu quero que você se case com a Suzy.
Ah, sim, senhor.
Claro, você é uma pessoa honesta, trabalhadora.
Obrigado, seu padre.
E eu sempre quis confiar minha filha a uma pessoa assim que nem você. De
confiança. Aceita? Aceito.
Posso marcar o casamento?
Casamento? Claro, o casamento seu com a Suzy. Mas, seu Flávio... Não, não, não,
me vê com conversa mole, que eu ouvi que você falou que aceitava.
Mas eu pensei que o senhor estivesse falando lá do açougue.
Ai, meu Deus, como você é burro, Severino. Que açougue? Eu tô falando do
seu casamento com a Suzy. Olha, seu Flávio, eu não fiz mal nenhum pra moça,
hein? Pelo amor de Deus, isso nunca me passou pela cabeça. Eu sei que você não
fez mal nenhum pra ela, sabe?
Se o seu Flávio souber...
Poxa, Severino, pare de pensar
bobagem. O importante é que eu gostei.
Suzy, não minta para mim.
É verdade ou não é verdade o que a Betty me falou?
É, sim, senhor.
E você nem conhece o rapaz?
Cala a boca!
Escuta o que vou falar para você.
Certo?
Eu achei uma solução para o seu problema.
Você vai se casar com o Severino.
E não me diga que não!
Porque foi a única forma que eu encontrei para levar minha moral nessa
história toda.
Agora vou chamar ele para vir aqui conversar com você.
E você, pelo menos, finja que gosta dele.
Está ouvindo?
Porque eu já falei para ele que você aceitava.
Aonde você vai, Sue?
Eu não sei. Só sei que aqui eu não fico mais. Calma que tudo se resolve.
Betty, você acha que eu estou errada?
É claro que não.
Ao menos você sabe quem é o pai?
É claro que eu sei.
Mas eu não posso dizer.
Eu tenho medo da reação do papai.
Então por que você não fala com o pai do neném antes de ir embora?
Acho que é isso que eu vou fazer.
A Betty contou para o meu pai que eu estou grávida. O quê?
Ele ficou louco.
Quer me casar com o Severino.
E o Severino aceitou? Mas é o meu pai que está impondo.
Tanto eu quanto ele não temos escolha.
Eu não vou deixar que ele faça isso com você.
Eu vou falar com ele.
Tchau, Suzy.
Você viu Severino? Deve estar fazendo linguiça. Seu Flávio, eu preciso falar
com o senhor.
Fala rapidinho que eu estou atrasado.
É a respeito da Suzy.
Suzy? O que é que tem a Suzy?
É verdade que eu ouvi dizer que ela vai casar com o Severino?
Claro. Ela gosta dele e ele gosta dela. E eles vão se casar.
Espere. Ela não gosta dele.
Mas como?
Por que você está falando uma coisa dessa?
Ei, Zé. Qual é o problema?
Ah, já sei.
Você está querendo livrar a cara do Severino, não é?
Mas, mas, não é isso.
Como não é isso?
Mas, seu Flávio, a Suzy gosta de mim.
Foi sempre comigo que ela saiu.
E eu também gosto muito dela.
Mas como?
Como?
Ai, meu Deus do céu, que burro. Mas que burro que eu fui não ter percebido uma
coisa dessas.
Claro, né? A saída que você dava todo dia do açougue é pra encontrar com a
minha filha, né, seu malandro?
Tá bem.
Então você casa com a Suzy?
Eu caso, sim.
Eu acho muito nobre o que você quer fazer, viu, Zé? Mas o baiano já falou
comigo e admitiu que ele é o pai da criança.
E a Suzy concordou.
Esse é o baiano da linguiça gostosa? É, sim. Estou louca para experimentar.
Meu bem, estou tão feliz.
Eu também, querida. Eu dei minha filha para o Severino e metade do açougue. E
você ganhou um filho meu.
Eu vou jogar o buquê, hein?
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