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Original subtitles

No capítulo anterior.

Vai ficar tudo pra gente.

Você aceita casar comigo?

Eu não quero que ninguém dessa família ponha a mão em

nada. Seria a união entre dois amigos.

Nenhum envolvimento romântico.

Doutor Arthur pediu Adriana em casamento.

Aconteceu alguma coisa com o nosso filho?

É isso?

Filho? Não tem filho.

Fique agora com o capítulo de hoje.

Por que você mentiu pra mim?

Por que você mentiu pra mim que você estava grávida?

Pedro, deixa eu te explicar, meu amor.

Não podia ter mentido pra mim sobre isso.

Não. Não me perdoe.

Você sabia que o meu sonho era ser pai. Eu sempre falei disso com você.

Pedro... Por que você mentiu pra mim?

Você queria me prender? Qual era a sua... O que você tava pensando? Eu tava

te sentindo distante. E eu... Me bateu em segurança.

Mas eu juro... Eu juro que eu... Não fui eu que inventei essa história. Eu juro.

Eu imagino que não foi sua. Deve ter sido da sua mãe.

Ela que foi me contar a notícia.

Mas Bruninha, quem foi que... Pô, meu, você me deixou botar a mão na sua

barriga. Pedro, meu amor. Esperando o filhinho que eu queria conhecer.

Pedro, meu amor.

Falou que ficava sonhando em me ver com o neném no colo. Meu amor.

Porque isso é muito... Eu não podia ter feito isso comigo.

Eu te amo.

Sabe o que é o mais louco de tudo?

Eu tô sentindo...

Eu tô sentindo... Eu tô sentindo como se eu

tivesse... Eu tô sentindo como se eu tivesse perdido meu filho.

Eu tava soprando com ele.

Se eu entrei, se eu embarquei nessa mentira que a minha mãe inventou, foi

por culpa sua também.

Eu... Eu tava te sentindo distante.

Cada vez menos interessado em mim. Eu... Eu tava insegura, meu amor.

Desculpa.

Mas quando eu te vi... Chegando na minha casa... Feliz. Eu tava

grávida.

Eu não tive coragem.

Eu vi de novo ali na minha frente... O Pedro do início do nosso relacionamento.

Eu tava ali e você não. Você que tava mentindo em mim.

Para não te perder.

Agora acabou.

Agora acabou.

Acabou.

Pedro.

Pedro, por favor, meu amor.

Pedro, não vai.

Pedro, Pedro!

Te acordei. Desculpa te acordar. Eu não resisti. Olha o seu colo.

Filha.

Meu colo tá aqui pra você. Sempre que você quiser e precisar.

Eu sei que você é uma mulher forte.

Que carrega o mundo. Que luta por nós.

Sua família.

Por vocês, mãe, eu sou capaz de fazer até o impossível. Eu arrumo forças onde

não tem.

Mas mesmo a pessoa mais forte do mundo tem que se deixar cuidar também, sabe?

Um colo de mãe é sempre bom, né?

Hoje eu tô mais precisada do que nunca. Eu sei, meu amor, eu te conheço.

Desde que você entrou por aquela porta eu vi que você tava tensa.

Aí você me disse que tinha uma coisa pra me falar.

Eu passei mal, você desconversou.

A senhora tá melhor? Você tá se sentindo bem?

Tô. Mas não muda de assunto, não.

Qual o problema, filha? É o doutor Arthur que... Oi, vô. Olha só essa

menina em casa.

Que coisa boa, viu?

Que bom te ver. Deixa eu olhar essa menina aqui. Olha que surpresa boa.

E aí eu tava tirando um cochilo que agora à noite eu vou pegar no serviço,

não tem jeito, né? Você tem que dar uma descansadinha, né, velho? É.

E se eu soubesse que você tava aqui, poxa, eu já tinha descido. A gente quis

deixar você descansar, pai. Ah, tudo bem. Porque trabalhar melhor de noite,

né? Virar à noite não é fácil, não. Como é que tem sido lá, avô? Como é que tá?

Segurando a onda firme? Tá gostando? Ah, você conhece teu avô, né? Tamo lá.

É um trabalho tranquilo, minha filha. É um tranquilo.

E o que eu tô gostando mesmo é de ganhar esse dinheiro, porque você vai ver só,

daqui a pouco a gente vai conseguir alugar um lugar pra gente, nosso

cantinho, só nosso, sem ter que depender de favor, entendeu? É isso mesmo.

Eu não quero ficar devendo favor pra aquele lá, aquele doutor Arthur, não

quero. Pai, ele tem ajudado tanto a gente.

Por isso mesmo, minha filha.

Não adianta.

Desculpa, mas eu não confio em gente rica.

Vai te ajudando, você vai aceitando, ajuda. Quando você vê, o lado de lá já

se acha dono da gente.

Doutor Arthur é um homem bom, pai. Tá fazendo tudo isso sem pedir nada em

troca. É?

Mas será que não vai pedir?

Hein?

Bom.

Bora. Vamos pro serviço, minha filha. Beijo.

Meu Deus te abençoe. Aqui, ó.

Mamãe fez. Tava esquecendo. Pois é. Não, não. Mas tá aqui.

Filha, fique em paz, viu? Você também. Deus te abençoe.

Deus te abençoe. Agora, não tô esquecendo nada, não. Tá, não. Nem a

cabeça.

Bom trabalho, vô.

Amém.

E aí, minha filha?

O que você ia me falar?

O doutor Arthur.

Me pediu em casamento.

Adriana. Não tira conclusões precipitadas, mãe. Eu vou... Eu vou te

explicar tudo.

O Enéas... O Enéas...

Calma, calma. Acorda, acorda.

Você falou que uma vez a dona Elza brigou com você porque você tava tirando

uma soneca aí. Não tem sentido. Eu não tenho nada contra a tua soneca. É melhor

você levantar antes que ela passe por aí. Começa a dar bronca na gente, vai.

Ah, meu amigo. Vamos lá, agita aí.

Meu amigo Antônio, a vida tá dura.

Sim. A vida tá dura. Olha, eu fico o dia inteiro dirigindo aquele táxi.

É de noite ainda.

O expediente aqui tem hora que é difícil.

Amor, não. Eu sei de tudo isso.

A gente tem que vender o almoço pra comer a janta, né?

Vai lá. Pera aí. Faz o seguinte. Tô sem café aí, né?

Dá um pulinho ali na cantina.

Compra café pra nós, vai.

Enquanto isso, eu vou guardar minha comida.

Tô com o meu suco aqui. Ou é vitamina, não sei o que eles fizeram hoje.

A cantina já fechou. Eu vou ali no bar da esquina.

Se alguém aparecer, você segura o caixa aí, tá? Tá bom. Vai lá.

Sucesso.

Você entendeu, né, mãe? Você entendeu por que o seu Arthur quer que eu case

com ele?

Sim, entendi.

Pra não deixar nada do que é dele pra família, né? Nem dinheiro, nem bens.

Nada.

Se casando, ele deixaria tudo pra você.

Tudo? Essa casa, a casa dele, a joalhinha, Deus sabe lá mais o que.

Porque esse homem tem muito dinheiro, meu Deus do céu.

Mas, filha, os irmãos dele, os sobrinhos não vão deixar você em paz.

Basta ver o que essa irmã dele tá fazendo.

É, se até a polícia já chamou aqui pra casa, né?

Foi ela mesmo?

O doutor Arthur acha que sim.

Vem cá, Adriana, o doutor Arthur tá tão doente assim que... Pra dar tanta

importância pra essa herança... Eu acho que ele nem dá importância pra dinheiro

não, mãe. Sei lá, ele se importa com amor mesmo.

Ele tá magoado demais com a família dele, entendeu? Por isso que ele tá

pensando nisso.

Sim.

Minha filha... Ai, meu Deus. Eu vou te falar uma coisa.

Não tenho como dar uma opinião, Adriana.

Você que vai ter que decidir, filha.

Porque mesmo que ele diga que é uma relação de amizade, sem sexo, mesmo

assim é um casamento.

Sabe, você vai deixar de cuidar dele como paciente pra cuidar dele como

marido.

Vocês se dão bem?

Muito.

Ele é um amigo maravilhoso, mãe.

Ai, filha, você vai ter que seguir seu coração.

Vou seguir meu coração.

Ele já tá aqui palpitando, me falando não.

Me alertando, inclusive.

Pra eu ir lá agora mesmo naquela casa e pedir minha demissão.

Porque essa briga de família não vai acabar bem.

Ô, minha meninada.

Vamos lá?

Hora de se alimentar um pouquinho.

A água sempre é bom, né?

Vem cá, minha menina, vem cá.

Isso aqui, aqui.

Boa noite.

Misericórdia, Jesus.

Meu Deus do céu, o que é isso? Desculpa. A senhora de novo?

Eu não queria te assustar. Eu ouvi você falando e eu achei que você estava...

Enfim, não sabia que você estava assim. Estou falando, estou falando com as

flores. Eu converso, converso com árvores, com plantas em geral.

Adoro natureza. E as flores estão aqui no meu dia a dia. Converso, converso. Eu

vou dizer uma coisa para a senhora.

Olha aqui.

Flores são melhores que muita gente por aí.

Tem razão. É. Tem razão.

E elas são tão bonitas, cheirosas.

A verdade é que elas são as nossas únicas companheiras no momento

derradeiro. Derradeiro. Que assunto é esse? Coisa triste. Eu não gosto de

assunto triste, não.

Eu gosto de coisa mais alegre. A gente tem que ser alegre nessa vida.

Não é bem assim, Otoniel.

A vida ainda vai te pregar muitas peças.

Toma cuidado.

O que que é? Vira essa boca pra lá. Não faz isso não. Conversa estranha isso.

Fala umas coisas.

Tá esquisito isso. E além de tudo, como é que a senhora sabe o meu nome?

Ô, Daniel.

Se nem da primeira vez que a senhora apareceu aqui, eu me apresentei e não

falei nada, como é que a senhora sabe?

Digamos que você seja famoso aqui no cemitério.

Eu tenho amigos que gostam muito de você, sabia?

Amigo?

Amigos aonde?

A senhora, por acaso, vem do além?

Eu pareço assombração?

Sou tão feia assim?

Não, moça, não, desculpa, não falei isso. Pelo contrário, a senhora é uma

das moças mais elegantes e bonitas que eu já vi. Mas é que, de repente, ela

surge, ou Toniel, não sei o quê, e a senhora voltou aqui pra quê?

Desculpa, mas...

Perdeu outra pessoa?

Ah, sim. Então, pouco tempo.

Vim comprar flores. Mais flores.

Você pode me vender aquela, por favor?

Essas aqui? Sim. Poder, eu posso.

Mas, bem, a senhora tem que comparecer com o dinheiro agora. Porque da última

vez, a senhora me deu tudo em nota antiga, que não valia nada.

Eu tomei o maior prejuízo. É que eu me confundo com o dinheiro vivo. É?

Que não dá pra receber dinheiro morto, né?

É verdade.

O senhor está coberto de razão. Deixa eu pegar aqui. Está pingando, está

fresquinho aqui.

Vou fazer um arranjo para a senhora. Não precisa anotar. Assim mesmo? Assim

mesmo. Aqui tem suficiente, mas pode conferir se quiser. Não, não vou

conferir. A senhora está falando aqui. É claro. Estou olhando para a senhora. A

senhora falou que está certo, então pronto. Pode confiar. Então está bom. É

bom receber moeda aqui, porque serve para troco depois.

Se bem que hoje em dia, vou lhe dizer, a maioria só quer comprar mesmo é no

cartão. Deixa eu botar isso aqui.

Pronto. Se a senhora... Moça!

Desculpa a demora. Estavam limpando a máquina de café. Vem cá, vem cá.

Cadê o moleque que estava aqui?

Aqui. Vai começar com esse papo de novo, Daniel. Você que não começa de novo.

Ela tava aqui falando comigo.

Tava aqui, me pediu até pra vender flor. Eu falei que tinha que ser dinheiro

vivo, que da outra vez ela deu prejuízo. Ela falou, não, tá aqui o suficiente, só

pode ver, confia em mim. Eu peguei, dei a flor pra ela pegar aqui, ó, botou

direito. Olha ele aí.

Como é que é? Aí ela sumiu.

Ué? Isso aqui?

Ué?

O que que é isso?

Daniel. Hã?

Isso aqui é tudo moeda antiga, meu amigo. Ah, vá, vá. O quê? Não tem

validade nenhuma. Olha direito, rapaz. Ó.

Meu amigo, você levou o calote de novo.

Pelo amor de Deus. Toma aqui o seu café.

Vamos trabalhar, vamos? Vamos trabalhar pra repor esse prejuízo, tá?

O que que tá acontecendo, meu Deus?

Não é possível isso.

O que que é isso?

Claro que foi retaliação, Sil.

O Arthur demitiu a Ingrid pra atingir a Pilar. Isso também?

Ela tá acabando com ele?

Fábia, a Pilar tá defendendo os direitos da nossa família. Ela tá certíssima. Ela

só quer saber do dinheiro do Arthur, né? E o pior é que essa ganância toda dela,

ela acaba manipulando o Uli, sabe?

Querida, sabe o que eu acho engraçado?

Que você fala como se não tivesse nada a ver com isso.

Essa herança ainda vai ser de vocês, Fábia. Ué, meu marido nunca precisou do

dinheiro do Arthur. Ele tem seu próprio negócio, desculpa.

Acorda, Fábia.

Acorda! A gente tá falando de um patrimônio milionário.

Se o Arthur não tem condições de cuidar de si mesmo, se não tem condições

psicológicas de dar conta de si, alguém tem que dar.

A Pilar, o Ulisses, os dois que são irmãos. O Tiago, que é meu filho e

sobrinho do Arthur.

Aliás, o Tiago é a pessoa que mais entende de negócios nessa história.

Amiga, eu vou te dar um conselho que, aliás, foi o mesmo que eu dei para o

Uli.

Fica fora dessa briga.

Porque essa história não vai acabar bem.

Ô, minha querida, é tarde demais.

Eu já tô enfiada nisso até o pescoço e eu não tenho vergonha.

E nem medo de defender o que é do meu filho.

Mas é dele mesmo que eu tô falando.

Hoje o Arthur demitiu a Ingrid.

Amanhã pode ser o Tiago.

Tem certeza de que a informação tá correta? O cara trabalha perto do

cemitério? Uma banca de flores.

A Dinah conseguiu essa informação com a Rosa, sim. Com quem não quer nome. Que

Rosa? A Rosa, empregada do Arthur.

Essa Rosa é amiga do velho. Entendi.

Vira aqui, ó.

Esquerda, esquerda, esquerda.

Vem cá, você acha mesmo que esse tal de Otoniel vai encrencar com o pedido de

casamento do Arthur pra neta dele?

Eu tô te achando muito ingênua, Pilar. Não é o seu normal.

Sempre tão esperta.

Eu não sei, eu não sei se ele vai encrencar ou se ele vai querer vender a

neta pro primeiro milionário que apareceu. Mas vamos lá, ó, estatística.

Uma chance em mil dele ser uma pessoa de princípios, né? Assim, as pessoas falam

que pobre é tu que é foda, né?

Fica falando em princípios, caráter.

Mas dessa vez eu vou dar meu empurrãozinho, assim, eu vou inventar

umas coisinhas a mais, seu Eduardo.

Tur, que tipo de coisinhas?

Ora, eu invento e você confirma, mas faz cara de certeza.

Hein, Ulisses?

Concentra, tá bom?

Olha ali, a loja do velho. Para, para, estaciona, estaciona.

Desculpe.

Desculpe, e que posso ajudar?

E que a senhora é aqui?

O que vieram fazer aqui no meu trabalho?

Calma. Calma, calma. A gente veio conversar. Aqui?

Conversar? No meu trabalho?

E quem é esse cara aí? Meu nome é Ulisses.

Sou irmão da Pilar e do Arthur.

E daí? Vieram até aqui conversar comigo?

No meu serviço? Eu não posso me atrapalhar aqui. Aqui é meu serviço. Eu

tenho uma coisa séria pra falar sobre a sua neta e o meu irmão. O que? Meu irmão

Arthur.

Aconteceu uma coisa que eu e o meu irmão Ulisses, que é esse aqui, a gente não tá

gostando nada, nada.

E acho que você também vai achar chocante. Nós só viemos conversar com o

senhor porque estamos muito preocupados. Preocupado com o quê?

Fala direto logo.

Tá sabendo que meu irmão pediu a sua neta em casamento?

Aquela joalheria era tudo pra mim.

Eu amo aquele lugar e eu... Eu tinha tantos planos, Bri.

Não fica assim não, Ingrid.

Quem sabe o tio Arthur não volta atrás.

Eu acho muito difícil.

Ele tá com muito ódio da nossa família. Ele me demitiu só pra implicar com a

nossa mãe.

Mas olha, você é muito talentosa.

Quem sabe você não consegue algum outro emprego.

Em algum outro lugar.

Não.

Entende uma coisa.

Eu quero trabalhar na empresa da nossa família.

Quem é que tá ligando pra você?

Ai, ninguém importante. Eu não vou atender, não.

Não é muito frio isso.

Deixar a pessoa esperando na linha atende? Não vou atender, Brigitte. É o

Guilherme. Aquele boy que eu saí outro dia. Não para de me ligar. Chato. Não

vou atender. Aquele gatinho no aplicativo?

Atende ele, boba. Vai te fazer bem. O que me fazer bem?

A última coisa que eu quero agora é ouvir voz de macho no meu ouvido. Não

tem condição.

Mas vai te fazer bem. O que me fazer bem, Brigitte? Mas voz de...

Ai. Qual será a sua

senha? Do aniversário? Tô acreditando.

Oi, Guilherme.

Estou disposta a tudo.

Vou te passar meu endereço.

Hoje tem, Guilherme.

Brigitte!

Cadê meu celular?

Ingrid! Olha quem chegou.

O que você está fazendo aqui?

Eu estou aqui porque você me chamou.

Eu gosto assim.

Ela mandou e você obedeceu.

Não, não, não. Eu não te chamei.

Você está bem louco.

Desculpa, eu acho que está meio louquinho aqui. Você, você...

Me chamou, você mandou endereço, horário, tudo. Falou que queria me ver.

Muito fofo, olha só.

Rostinho bonito, peitinho de frango, abdômen duro.

A bunda realmente... Para. Ainda não achei. Para.

Foi você.

Você pegou o meu celular e... Ai, você mandou mensagem pra ele? É sério isso,

Bridite? Depois você vai me agradecer, tá? Depois eu quero um presentinho.

Agora advirtam-se, hein?

Não tem um juízo.

Para em alto, eu tô acompanhando do quarto.

Garota insuportável.

Bom, então foi... Sua irmã que mandou a mensagem?

Foi. E você tá irritada que eu tô aqui?

Uhum.

Ok.

Vou nessa.

Guilherme... Espera, é...

Já que você veio de

delivery... Faz a entrega.

Mãe! Mãe! Calma, meu amor. Enquanto que o Pedro tá, eu quero falar com ele.

A enfermeira disse que ele já teve alta e já deve ter ido pra casa, meu amor.

Fica calma.

O que vai ser da minha vida sem o Pedro?

Eu não sei viver sem ele. Meu amor, não fala assim, filha. Você é tão linda. A

sua. Claro que não é. A sua, sim!

Bruna, a gente tá num hospital. Minha filha, para com isso.

Parou agora.

Para. Engole esse choro. Acabou.

Acabou. Não foi culpa minha.

A culpa foi desse acidente que atrapalhou tudo. Você tem que fazer

exames e pronto.

Descobriram. Mas olha, meu amor...

Tudo tá perdido, filha. Eu vou falar com o Pedro.

Eu vou dizer que fui eu que inventei a história. Eu vou dizer que você é

inocente. Me culpa por essa mentira que você inventou.

Não tem problema, então. Eu invento uma desculpa. Eu digo que eu te obriguei.

Sai daqui!

Sai daqui!

Sai dessas suas histórias mirabolantes que só me atrapalham a vida.

Fica sozinha.

Tudo bem, Bruna.

Eu faço tudo pela sua felicidade e só recebo patada.

É isso, né?

Tudo bem, se é assim que você quer.

Você que sabe da sua vida.

Por

mim,

você sabe.

Eu sei, pai. Ah, então.

A gente nem tinha vindo pra cá. Eu sei. Ia direto pra minha casa, pra nossa

casa, ficava lá, pelo menos por essa noite. Eu sei, pai.

Mas eu tô bem, cara. Eu falei pra você. Tudo certo. Eu quero ficar aqui mesmo.

Quero ficar sozinho. Quero... Vamos fazer assim. Se eu tiver um problema, eu

ligo. Se eu te sentir mal, eu ligo pra vocês. Acabou. Eu nunca vi teu pai tão

abalado assim.

Não, aqui.

Se tivesse acontecido alguma coisa com você, eu não... Aconteceu, meu pai.

Aconteceu.

Um abraço.

Foi tudo bem.

Tudo certo.

Tá.

Agora é descansar, dormir um pouquinho, tentar assimilar tudo isso que

aconteceu, essa loucura aí que a Bruna inventou, cara. É inacreditável, né?

Como é que inventa uma gravidez pro cara?

Imagino o quanto deve ser difícil pra você. Desde pequeno ele falava da

vontade de ser pai.

Não, tá doendo.

Tá doendo.

Por tudo, né? Pela mentira, pelo sonho que nunca vai acontecer.

Enfim, bora.

Deixa eu descansar um pouquinho.

Obrigado, pai.

Fica bem. Eu acho que eu realmente posso ficar aqui. Aqui? Sim, sim, sim. Ah,

claro. Ou posso dormir nesse sofá, não tem problema? Com certeza. Suelen é de

disco. Amanhã eu quero ver como você vai estar.

Haja doutor Jurandir pra salvar depois.

Leva, leva.

Vai lá. Tá bom, tá bom. Vai lá, vai lá. Tá, te amo.

Te amo, pai.

Ó, vocês dois, hein? Olha.

Se cuida. Qualquer coisa liga, então, né? É, liga. Que lindo, cara.

Não pode falar. O doutor Arthur está te esperando na sala.

Ah, mas está tarde para a gente fazer o exercício agora?

Não, ele não está com roupa de treino. Diz que quer falar com você.

Entendi.

Vamos lá.

Não, não.

Quero a obra completa dele. Gostei muito desse autor.

Obrigado.

Será que a gente pode conversar um pouco?

Podemos, mas aqui mesmo, o senhor não prefere ir lá no seu escritório, tomando

licor, ouvindo uma ópera?

Vamos imaginar um espaço onde nós sejamos mais vulneráveis.

Eu, pelo menos, né?

Vamos esquecer aquele lugar do grande empresário Arthur Brandão e a sua

funcionária. Não, é o paciente e a sua fisioterapeuta.

É um lugar onde você é quem manda. Nossa!

Mas a gente também tem se divertido muito aqui.

Não? Só se for você, porque eu sinto muitas dores com alguns exercícios.

É, mas tá fazendo efeito, que eu tô de olho no senhor, essa locomoção tá bem

melhor. Você.

Já tá na hora de você começar a me chamar de você.

Afinal, eu te pedi em casamento.

Eu tenho uma resposta pra te dar.

Já?

Você não quer pensar mais um pouco?

Não, Arthur.

O que você me pediu, eu não dou conta, não.

Não dá conta?

Sim, você tá me pedindo pra entrar num mundo que não é meu.

Tá me pedindo pra comprar uma briga que não é minha.

Por mais que eu confie muito na nossa amizade.

Eu tenho um certo medo de você estar confundindo as coisas e acabar me

cobrando amor em algum momento.

Então a resposta é não?

É não.

Tem também uma outra coisa, Arthur.

Eu acho que eu não devo mais continuar te atendendo. Você não pode mais ser meu

paciente. Você vai parar de me atender?

Deus, o que é que eu fiz?

Você me perdoa, mas depois dessa história do casamento, eu acho que eu

não ia conseguir continuar me sentindo à vontade pra trabalhar aqui, sabe?

E aquele avô lá da aproveitadora deve tá falando poucas e boas pro Arthur, sabe?

Porque...

Eu duvido que aquele velho lá leve numa boa tudo isso, porque ele é careta.

Abre, abre, abre, abre, abre.

Queria eu estar lá naquela sala agora, vendo os desaforos que meu irmão está

ouvindo. Não acredito, meu irmão.

Depois do cenário que você pintou... Dá aqui, dá aqui que eu abro. Eu abro, eu

abro. Você não exagerou não, Pilar. O quê?

Tu desconfiou de mim.

Serve. Vai.

Você não exagerou, não? Do quê? Não, porque o Arthur tem muitos defeitos,

mas... Ele sempre foi um cavaleiro, sempre respeitou as mulheres.

Ah, que bonitinho.

Mas o vovozinho lá não precisa saber o que é. Olha isso, que estranho. Você tá

querendo me mostrar o quê? Que você é bom samaritano? É bom samaritano, você.

Imagina, ó. Se tudo sair como eu tô imaginando, esse casamento aí já

era.

Mas olha, o Arthur tá cheio de saúde, tá em forma, pode casar com outro.

É, mas cada candidata que aparecer, eu vou tirando do caminho.

Eu não quero que ele morra.

Não quero mesmo.

Eu sou uma pessoa boa, Liz.

Mas quando o Arthur morrer... Sério.

Eu não quero que a fortuna dele fique lá com uma fulaninha qualquer, não.

Seria muito, muito injusto.

Seu Tony... Cadê ele? Cadê ele? Cadê o doutor Arthur? Cadê ele? Cadê ele?

Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele?

Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele?

Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele? Cadê ele?

Cadê ele?

Cadê ele? Cadê ele?

Cadê ele?

Cadê ele?

Cadê ele?

Cadê ele?

Cadê ele?

Cadê ele? Cadê ele?

Cadê ele?

Cadê ele? Eu sempre soube que você não estava ajudando a gente sem segundas

intenções. O que você está falando, Vô? Eu exijo que o senhor me diga do que

está me acusando. Você estava de olho na minha neta o tempo todo.

Só que você não vai encostar um dedo na Adriana ou eu mato você.

Oi, Dinan. Eu não sei o que a senhora fez, mas deu certo.

Acho que esse casamento aí não vai mais acontecer, não.

Eu entendo que o senhor está chateado com a sua família, mas eu temo pela

minha. Eu só vou ficar em paz quando eu souber que ninguém vai herdar nada do

que é meu.

O que aconteceu?

Chama o médico. Chama o médico. A documentação da casa que vocês perderam

na enchente, eu consegui.

Finalmente.

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