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Original subtitles

Um filme sendo feito, mas diferente de qualquer outro.

Quando estiver pronto, nenhuma pessoa vai aparecer na tela...

pois um novo mundo foi criado.

O mundo de O Cristal Encantado.

Habitado só por criaturas estranhas e mágicas.

Ah, espetacular. Ótimo. Claro.

Depois de cinco anos de trabalho, o filme está quase pronto...

nos estúdios Elstree, na Inglaterra.

As filmagens de uma das cenas do clímax vão começar...

trata-se de uma batalha entre as forças do bem e do mal.

Entre os gentis corredores das terras e os mortais Garthim.

E aí eu volto e passo.

Oi, mãe.

Um, dois, três, ação.

-Kira, você está bem? -Sim, mas temos que tirá-los daqui.

Depressa!

Estão aproximando-se!

Segure-se.

Quando iniciamos o projeto, eu quis criar o universo antes.

JIM HENSON PRODUTOR/DIRETOR

Queria começar com um visual, como seriam os personagens...

e como era o lugar.

Plantas, árvores, pedras, tudo isso.

Comece com isso antes, aí a história cresce.

Então, foi isso o que fizemos.

Sabe, começamos a pensar nisso e, ao mesmo temo...

em que pensávamos nisso, eu vi obras de Brian Froud...

e amei na hora.

Achei que seria o tipo de coisa...

perfeito para esta ideia em especial.

As ideias dele, visualmente. eram o tipo de coisa...

que poderíamos fazer em três dimensões.

Uma das coisas que me atraiu ao filme foi...

que esses monstros criados por ele em especial...

eram coisas que se tornariam...

monstros que viviam e respiravam.

Com isso em mente, fui procurar Brian.

Jim veio me visitar em Devon, fomos passear.

Tinha árvores torcidas e limo...

e ele queria que o filme tivesse esse clima.

Jim queria um clima rico e orgânico no filme todo.

Ele se reflete na paisagem que me cerca em Dartmoor.

Nós pesquisamos muito.

Fizemos muitas pesquisas, em várias religiões e filosofias...

BRIAN FROUD DESIGNER CONCEITUAL

...e formas de arte.

Queríamos dar vida a esses personagens..

para que existissem no próprio mundo, não pelo tempo...

que nós os vimos no filme.

Queremos saber que quando os deixarmos no fim do filme...

eles ainda vivem. Ainda têm suas vidas.

Jim imaginava como seriam os principais monstros...

e algumas de suas características.

Era minha função mostrar como eles eram.

Sempre começo com o olho.

O olho é o foco de todos os personagens.

E os Skeksis precisavam ter um olhar penetrante.

Os Skeksis são a raça do mal, são o centro do filme.

São em parte répteis...

em parte aves predatórias, em parte dragões.

Para os Mystics, que são aves gentis...

que criaram Jen, a Gelfling...

são em parte magos e em parte algum animal estranho.

Os Gelflings, acho, são nosso herói e heroína.

É com eles que nos identificamos. Eles nos conduzem no filme.

A ideia original do povo do lago...

é de que eles fazem parte da Terra em si...

então nós os baseamos em batatas.

Estou acostumado a ser o mestre do mundo que crio no papel.

Às vezes, é difícil criar um mundo para outra pessoa.

Tentar fazer as visões coincidirem.

Mas acho que conseguimos. Acho que fomos bem-sucedidos.

Brian veio a Nova York e entrou para um grupo...

que, na época, era bem pequeno.

Acho que éramos entre seis e oito pessoas...

que tinham começado a brincar com algumas ideias.

Trabalhando a partir de seus desenhos e ilustrações...

nós levávamos esboços dos personagens aos nossos designers...

que começavam a fazer o personagem tridimensional.

Trabalhavam neles por um tempo e chegavam ao ponto...

em que podíamos operá-los como bonecos.

E então, por nosso turno, às vezes bolávamos um jeito...

de operar alguma coisa, o modo como um personagem...

seria movimentado e tal...

pegávamos isso e mostrávamos ao Brian, dizendo...

"É isto aqui. É assim que se mexe.

Dá para fazerem e nos mostrarem como fica?"

Aí, ele transformaria aquilo num animal, num monstro ou o que fosse.

Era um processo de idas e voltas, onde fazíamos um esboço...

construíamos o monstro, gravávamos em vídeo...

Geralmente, nós só fazíamos uma gravação inacabada no estúdio.

E aí nós dávamos uma olhada, conversávamos um pouco...

destruíamos tudo e recomeçávamos.

Então, os personagens finais que estão em O Cristal Encantado...

são gerações posteriores.

Foram construídos e reconstruídos, alterados, modificados.

Cada personagem é o resultado de várias gerações de crescimento.

Acho que os Gelflings foram os personagens mais difíceis de criar...

pois eles... Tínhamos decidido que seriam os mais humanos.

São nossos personagens condutores, através dos quais...

o público entra neste universo.

Assim, poderíamos abordá-los de várias formas diferentes.

Várias opções diferentes.

Comecei esculpindo cabecinhas em Plasticine.

WENDY MIDENER FROUD SUPERVISORA DOS GELFLINGS

E eu trabalho muito rápido, não parava de esculpi-las...

e entregá-las.

Sabe, Jim e Brian me diziam...

"Sim, gostei disso, mas mude os olhos e a boca."

E passamos por várias fases dos desenvolvimentos...

desde um rosto bem parecido com um bicho para cada um deles...

até um rosto bem mais humano.

E foi muito difícil...

fazer com que uma monstrinha ficasse bonita o bastante...

para desenvolvermos tudo a partir dela.

Finalmente, depois do que pareceram anos...

eu consegui fazer duas cabeças.

Jim, Frank e Brian vieram olhá-las.

Finalmente, eles disseram...

"Sim, acho que é isso. Acho que esses serão os Gelíflings."

Você é um Gelfling, como eu?

Bem, sim.

Mas eu pensava que era o único.

Eu pensava que eu era a única.

Os Gelflings são um belo exemplo de desenvolvimento de criaturas...

GARY KURTZ PRODUTOR

...que foi realizado por todos os grupos de criaturas...

antes do desenvolvimento da história, e esse é o contrário...

do que normalmente se tem num filme.

Do desenvolvimento dos monstros cresceu a história que Jim formulara...

e depois veio o roteiro, de David Odell.

E o roteiro foi, então, desenvolvido...

tornando-se uma série de storyboards complexos.

Milhares, na verdade. Porque num filme como este...

o visual tem que ser trabalhado...

com muito cuidado nos storyboards, tomada por tomada...

especialmente quando se tem movimento restrito de certas criaturas.

Então, em vários casos, fizemos sequências inteiras de storyboards...

que foram rejeitadas e refeitas, porque o movimento...

não era obtido, ou por alguma outra dificuldade técnica.

Isso nos poupou muito tempo durante as filmagens.

Imagens do Fragmento têm de ser verticais.

Essa é a forma que vamos usar.

-Não três, sem dúvida. Não dois. -O Fragmento também...

A história de O Cristal Encantado é a de um Gelfling, chamado Jen.

Ele viveu com criaturas chamadas Mystics, que são gentis, a vida toda...

FRANK OZ DIRETOR

...mas ficou órfão. E eles o salvaram.

Agora, ele vai iniciar uma busca.

Os Skeksis mataram a minha mãe e o meu pai.

A história tem mais importância do que você imagina...

e você faz parte dela.

Não entendo.

Os Skeksis vão jurar...

destruí-lo...

porque a profecia diz...

que você deve encontrar o Fragmento...

o Fragmento do Cristal.

O Fragmento do Cristal?

Para salvar o mundo, Gelfling...

você deve encontrar o Fragmento...

O fragmento é uma parte do Cristal.

O fragmento foi quebrado há mil anos.

E ele precisa consertar o Cristal.

Essa é a história.

É uma história do bem e do mal, do crescimento de Jen...

de quando ele conhece um universo novo.

A coisa mais difícil de O Cristal Encantado, eu acho...

foi o desenvolvimento das criaturas.

Elas carregariam o filme.

Uma vez determinado como seriam os tipos de criaturas...

fizemos muito trabalho de engenharia...

para formular todos os movimentos.

Fizemos muitos testes nos primeiros 18 meses...

de todos os aspectos de movimentos, visuais, expressões...

até mesmo antes de chegarmos ao ponto da textura da superfície...

e nos detalhes dos figurinos e dos rostos.

Todas as texturas finais que se vê no filme pronto...

foram feitas nesta fase.

Quando desenvolvemos os protótipos, muita gente...

que trabalhava no Departamento de Criaturas...

determinaram grupos de design para criaturas em especial.

Trabalhar nos Skeksis, sabe, os malvados do filme...

Um dos personagens é o Chamberlain, que Frank fez.

Ele tinha uma ideia definida do que queria, desde o início.

LYLE CONWAY CO-SUPERVISOR DOS SKEKSIS

Ele queria um personagem Sujo e desagradável...

em quem você não confiasse.

Então o queria esculpido com um sorriso.

Mas achamos que seria melhor mecanizar seu sorriso...

para que ele parasse de sorrir e fizesse uma carranca se quisesse...

e depois sorrisse de novo.

Originalmente, quando nós criamos os Skeksis pela primeira vez...

partimos dos sete pecados capitais.

Eles foram a base de alguns personagens...

apesar de termos nove Skeksis. Repetimos dois pecados capitais...

ou talvez tenhamos inventado os nossos. Não sei.

Use a mão esquerda. Garanta que faz alguma coisa.

Eu fazia o mestre de rituais, que é uma espécie de sacerdote.

Muito pomposo, arrogante. E eu gostei disso.

Acho que deve haver uma parte de mim que seja assim...

que aflora quando eu faço isso.

Bom.

O mestre Garthim que Dave Goelz fazia...

era o general. Militar. Forte.

E Dave fez coisas maravilhosas com ele.

O próprio Dave é um artista muito engraçado.

No fim das tomadas, muitas vezes o general fazia algo...

que era muito engraçado, que nós... Claro, não podíamos usar no filme.

Próxima emoção.

A cozinheira, Louise Gold interpretava.

Nunca soubemos se esses Skeksis eram homens ou mulheres.

Sempre gostamos da ideia deles serem...

uma mistura, algo desconfortável no meio.

Mas o designer, sem dúvida, é mais feminino ou afeminado...

e transmite isso.

O design e fabricação das criaturas foram feitos de forma única.

Normalmente, uma pessoa faz algo e essa obra é executada por outros.

Na maioria dos casos aqui, o designer original...

faria sua própria escultura, passaria ao próprio molde...

e até trabalhava na textura final...

e, em alguns casos, até costurava as criaturas.

Com a ajuda de várias outras pessoas, claro.

Eu supervisionei o projeto, do começo ao fim.

Acabou sendo mais gratificante para os designers individuais...

e sua equipe.

Quanto à confecção dos bonecos, usamos várias habilidades diferentes.

Usamos ourives, fabricantes de perucas...

pessoas que trabalhavam em látex, couro e madeira.

O que você pensar, nós usamos.

Moldes em plástico, moldes em bronze.

Todos esses... Usávamos muitas artes.

Embora a maior parte dos olhos tenham sido feitos de vidro...

fizemos alguns de plástico, que fizemos e pintamos.

Mas fizemos vários testes com olhos diferentes...

para chegar ao olho certo para cada criatura.

O movimento do olho foi criado e operado de várias formas.

Parte dele era controlada por rádio. Parte era operada por cabos.

Normalmente, eles iam de um lado a outro.

Fizemos uma piscadela, o olho abria e fechava.

Muito da personalidade depende disso.

Dava para ver as mudanças da emoção pelos olhos.

Vários grupos de pessoas Se ligaram às criaturas...

e houve uma certa rivalidade entre os grupos.

Não só pelas criaturas...

mas às vezes por quanto tempo eles tinham para acabar.

Houve ciúme, porque um grupo era necessário...

antes de outro grupo, e eles não tinham certeza...

se teriam tempo de acertar os últimos detalhes antes da filmagem.

Estavam muito preocupados com como seus monstrinhos apareceriam.

Fazemos os Garthim.

Os Garthim são uma tropa de soldados brigões...

FRED NIHDA SUPERVISOR DOS GARTHIM

...que trabalham com as criaturas do mal neste filme.

Eles precisam caçar os camponeses e transformá-los em escravos.

Precisam acabar com os obstáculos.

São brigões dos Skeksis.

Começamos a criar isso há dois anos...

e as criaturas tinham que evoluir à medida que o roteiro mudava.

Como o Garthim é inspirado nos crustáceos...

animais marinhos...

tivemos de criar finalizações muito duras...

e usamos muita fibra de vidro.

As cascas tinham de articular.

Temos braços duros que devem parecer cascas.

Não podem ser derrotadas por nenhum outro personagem no filme.

Os figurinos dos Garthim eram muito pesados.

Acho que tinham mais ou menos 32 kg.

E os artistas não podiam andar com as roupas sempre...

então, em algum momento, tivemos de fazer prateleiras para elas...

para que, quando saíssem do set, pendurassem as roupas...

e pudessem respirar.

Mais ou menos um ano antes de começarmos a filmar...

fizemos uma sessão de elenco e escolhemos um grupo de artistas.

Eram principalmente dançarinos, mímicos, palhaços, acrobatas.

Tudo isso foi dirigido por Jean Pierre Amiel...

que é um mímico suíço. E ele mesmo é um ótimo artista.

Ele trabalhou com um grupo nos oito meses seguintes...

imaginando o modo como cada tipo de personagem se moveria...

e como andariam.

Procurávamos quem pudesse expressar...

a atuação toda com o corpo.

Procuramos a mesma coisa em bonequeiros...

Pessoas que atuam com as mãos, sabe?

Esses caras tiveram de atuar com o corpo todo.

Atravesse. Gire.

Agite a água. A água cal.

Vire. E suba.

Acabamos aí.

Tentamos desenvolver novos movimentos para as criaturas...

e personagens no filme, porque eles estão em outro mundo.

Queríamos torná-los estranhos...

tanto no visual quanto no movimento.

-Corra. Bem rápido. Bem rápido. -Corra, corra.

Certo. Existe o risco de você tropeçar se for muito rápido?

Não corre o risco de tropeçar sozinho? Certo.

Vamos nos virar e fazer o mais rápido que puder, como uma experiência?

Vamos ver o que acontece. Sem tropeçar, Kiran.

Certo. Pode ir.

-Para a frente? -Hein?

O mais rápido que puder. Isso mesmo.

Bom. Bom, bom.

Vamos tentar com sua cabeça mais erguida.

Não é isso, mas é...

É isso. É assim que parece.

Bom.

Sem dúvida, as criaturas mais difíceis de interpretar foram os Mystics...

porque a posição da operação é muito difícil.

O artista, praticamente, fica nas coxas.

Anda apoiado nas coxas, com o braço direito estendido...

Se for destro, e a mão fica na frente do seu...

E tem todo o peso da cabeça nelas.

Então, é realmente... Fiquei assim uma vez...

e só suportei a posição por cinco ou 10 segundos. É muito difícil.

E esses caras faziam cenas que tinham...

dois ou três minutos.

E aqui, longe do castelo...

a raça dos Mystics chegou para viver um sonho de paz.

As suas tradições são gentis, como os feiticeiros.

Mas agora, só restam dez.

Uma raça moribunda...

ensaiando tradições antigas, em uma névoa de esquecimento.

Mas hoje...

o ritual não traz conforto.

Hoje, o mais sábio dos Mystics faz moribundo.

Hoje, invocam aquele que deve salvá-los.

Um dos nossos mímicos, chamado Robbie Barnett...

era um palhaço e andava de pernas de pau.

E ele chegou no ensaio um dia com as pernas de 3 m.

E ele estava... Ele subia lá e mostrava às pessoas...

como se movia.

Acho que foi Brian Froud quem o viu lá em cima...

e, de repente, percebeu tudo.

Disse: "Aha."

Na hora, ele começou a inventar o que poderia ser feito com 4 pernas de pau.

Ele pôs pernas de pau nas mãos e nos pés.

A sombra delas formou algo.

E ele começou a criar o corredor das terras.

Os corredores das terras foram criados como um meio de transporte.

Sabíamos que eles tinham de correr como o vento.

Fiquei com essa frase na cabeça.

Como fazer uma criatura que pudesse andar rápido?

Vimos que alguém com pernas de pau andaria por uma grande área...

esforçando-se pouco.

E o momento foi mágico.

Lá estava nossa criatura. Lá estava o princípio dela.

Lá estava uma criatura que correria como o vento.

Do visual básico de um homem com pernas de pau,

criamos o corredor das terras.

Aqui está.

Foi um problema saber como colocá-lo dentro deste corpo.

Depois, uma vez dentro do corpo...

Se ele caísse, quebraria o pescoço.

Precisávamos de um cabo de segurança sempre.

Estão usando um equipamento suspenso, com um cabo só, subindo...

com uma grua enorme, com um braço enorme que saía para fora.

Mas aí eles tinham de andar muito rápido.

Para andar muito rápido...

precisávamos de um cabo que fosse rápido em cima...

e uma roldana que corria acima dos corredores das terras.

A profecia não dizia nada sobre isto.

Os profetas não sabem tudo.

Quando se cria um universo inteiro...

Nosso universo já tem todos os tipos de coisas nele.

Tem muito... Tem texturas maravilhosas...

e profundidade neste mundo.

Se você o filmasse, filmaria a ação principal...

mas, ao fundo, teríamos problemas em coisas e partes da vida...

das quais não sabemos.

Mas isso indica profundidade.

Então, ao criar esse mundo, criamos a profundidade do início.

DARK CRYSTAL ESTOQUE AMBIENTAL

Então, trabalhamos bem mais do que talvez precisássemos...

quanto a planejar a História dos povos todos...

as construções, as plantas ea...

Na ideia original, buscávamos plantas...

que estivessem entre plantas e animais.

Tínhamos animais com raízes num lugar...

e plantas que andavam.

Buscávamos misturas interessantes entre os dois.

Tivemos de bolar todos os tipos de panos de fundo...

atrás das coisas, das imagens.

Conhecíamos a paisagem.

Tínhamos mapas dela, sabíamos o que tinha do outro lado da montanha.

Os esquemas de cores de todas essas áreas diferentes...

e os diversos animais e plantas que viviam lá.

Pouca coisa disso acaba no filme...

mas temos que saber disso para acreditar que este mundo...

Para que tudo funcionasse como uma realidade.

E mesmo que só mostremos uma parte disso no filme...

estamos lidando com algo que tem substância.

Quando queríamos mostrar uma grande extensão...

da paisagem do outro mundo...

nem sempre era possível construí-la no estúdio.

Confiamos num dos efeitos especiais mais eficazes nos filmes...

a pintura de máscara no vidro.

O material da ação foi filmado no estúdio...

e um artista especial pintou a maior parte da paisagem em vidro...

para combinar com a parte anteriormente filmada.

As duas imagens foram então juntadas no filme.

Brian Froud fez todos os esboços originais.

Ele desenhava aproximadamente como cada área do filme seria.

Depois, Harry Lange... Ele era o designer de produção.

Era função dele converter os esboços em planos...

que virariam cenário.

Sei que estão todos em cavernas...

e não sabia ao certo Se os diretores queriam...

dentro ou fora da caverna. Mas indiquei que poderia ser fora.

-Acho adorável, sabe... -Dentro.

Jim pode olhar e dizer: "Bem..."

Harry trabalhava com diretores de arte, cada um deles...

trabalharia numa área em especial do set.

...por trás e saindo daqui e indo para uma taça ou algo assim.

Harry Lange fez uma ótima conversão dos desenhos de Brian...

em cenário.

Ainda falta muito, não?

Num dado momento, tinhamos 80 gesseiros nos sets.

E esses caras são... Não são só gesseiros, são artistas.

E escultores. E o trabalho que fizeram foi fantástico...

para que as pedras parecessem reais mesmo...

como as pedras de dentro do castelo.

O trabalho em Mystic Valley, onde criaram o visual externo...

todo num estúdio de som foi fantástico.

O castelo foi o único set não construído em tamanho real.

Tivemos as partes internas do castelo nas várias fases...

mas todas as vistas externas eram miniaturas.

A paisagem ao redor do castelo foi feita num estúdio de som...

um deserto vasto e desolado, com montanhas ao fundo.

Então, com a iluminação certa e um pouco de fumaça...

tudo começou a ganhar vida.

Certo, pode entrar, senhor.

Cinco minutos para julgar o... Tragam suas luzes.

Certo, dez minutos, pessoal. Dez minutos.

Cenógrafos de volta, por favor. Voltem, cenógrafos.

-Vamos filmar agora. -Certo.

Tivemos muita sorte de podermos convencer Ozzie Morris...

a filmar este filme. É seu último filme antes da aposentadoria.

Ele é um dos grandes diretores de fotografia da Inglaterra.

Ozzie filmou tudo por uma Lightflex...

um aparelho que fica em frente à câmera...

e dá uma coloração esmaecida a cada cena.

-Pergunte de novo. -Dave...

isso está ligado?

E Ozzie achava...

legal criar uma noção de magia, de conto de fadas.

Deixando as cores mais fracas, no geral...

ele achava que tudo ficaria mais parecido com as pinturas de Brian.

Close de Amiel... Do rosto de Robbie aqui.

-Claro. -Cheque seu som.

-Precisa de um sininho. -É aí que vocês julgam...

Vamos direto à tomada dois, quando cortarmos aqui...

voltaremos à primeira.

Virem-se sem conferências, etc.

Vamos direto à tomada dois. Vamos lá. Preparar, por favor.

Diretores, liberar o set. Ligar máquina de neve, por favor. Ligar neve.

E corta.

Co-dirigir é sempre uma coisa meio complicada...

porque geralmente os filmes são dirigidos por uma pessoa.

Uma unidade toda não é acostumada a se ligar a duas pessoas.

Eles se ligam a uma pessoa.

Quando Frank e eu dirigíamos, tínhamos de garantir...

que manteríamos contato, e se eu dissesse algo a alguém...

Frank precisava saber disso e... Para não me contradizer...

ou geralmente demonstrávamos união ao resto da unidade.

Basicamente, na co-direção, nós dois fizemos tudo.

Mas acho que meu forte está no lado visual.

Gosto de compor tomadas e pensar em como a câmera...

deveria se mover e tal.

Acho que o forte de Frank está no desenvolvimento de personagens...

nas personalidades, nas interações, na dinâmica da cena.

Qual é seu canto? É...

Duvido que muita gente pudesse dirigir um filme junto.

Mas nós nos conhecemos tão bem e sabemos...

que queremos... O que queremos, principalmente, é um bom filme.

Não há problemas de ego.

Foi, essencialmente, a visão de Jim...

mas concordamos quanto à ideia geral.

Acreditei nessa visão, e...

Às vezes, nós discordávamos muito, o que é muito bom.

Acho isso saudável. Ajuda o projeto.

Está bem, liguem as câmeras.

Um, dois, três, ação.

Esquerda, direita, esquerda.

Jen deve ter sido o personagem mais difícil que já manipulei...

pois ele era muito humano, muito real.

Tudo o que eu fiz com ele teve de ser muito sutil.

Coisinhas mínimas, se parecessem típicas de marionete...

entregariam o jogo e não poderíamos usá-las.

Descobri que, por exemplo, quando eu queria fazer o personagem andar...

Nos Muppets, se Caco atravessa o palco...

ele atravessa assim. Sabe, é muito fácil.

Você faz...

Mas o único jeito de eu tornar o andar de Jen verossímil...

seria tê-lo acima da minha cabeça...

e aí eu andaria. Eu daria uns passinhos.

Porque aí, quando a cabeça do personagem se mexesse...

para se abaixar, seria de forma precisa.

Só assim eu consegui fazer isso.

E se tivesse que trabalhar abaixado, o andar não seria tão realista.

Era incrível, a sutileza dos movimentos...

que entregaria tudo.

Passávamos horas para saber como ele levantava...

desde quando estava ajoelhado até quando estava em pé.

E quando a cabeça se endireita e olha em volta?

Quando ele olha para cima?

Quando você corta os olhos em relação à sua cabeça girando?

Todas essas coisas que você faz automaticamente, sem pensar...

temos de analisar e saber como fazer.

Depois, temos de transmitir isso à mecânica do boneco.

O próprio boneco tem a cabeça operada por coisas mecânicas...

os olhos, os ouvidos e tudo isso.

Então traduzir tudo isso naquilo...

criou uma tarefa monumental.

Pode olhar para baixo, Jim?

-Corta. -Corta. Checar a janela.

Para fazer os planos gerais de Jen correndo ou andando...

tivemos de usar um cara do tamanho do personagem de Jen.

E acho que fizemos isso bem. Acho que você não pensa nisso.

Vira parte do personagem de Jen.

Porta.

Para que serve?

É isso o que quer saber? Quer saber para que é isto tudo?

É isso, Gelfling? Você não sabe?

Você nunca olhou para os céus.

Tudo o que está nos céus está aqui...

movendo como os céus se movem.

Isto é para saber quando, é para isso.

Sóis, luas, estrelas.

Sim, o ângulo da eternidade.

A essência do tempo.

De que outra forma poderia profetizar?

Acho que Aughra é uma ótima personagem, não só porque a fiz...

mas porque ela é linda.

Ela é uma criatura lindamente planejada.

E é uma mulher, o que ajuda muito...

porque ajuda muito o filme...

dando um toque diferente a ele.

Ela é tão feia e tão linda. Eu a amo.

Acho que fiz um bom trabalho.

Mas foi fácil depois que tinha um design como esse.

E a escultura era maravilhosa.

Cuidado com as cabeças, por favor. Lá vou eu de novo.

Fique onde está, Frank. Fique onde está, Dave.

Ação, Jim!

Senti que o corpo, a massa monstruosa na qual andávamos...

era muito assustadora, do lado de fora.

Mas ela tem muita força e muito calor, como personagem, espero.

Isto aqui...

Além de mim, tinha de três a quatro pessoas operando Aughra.

Eles faziam os mecanismos dos olhos e as contrações, o resto do corpo...

e algumas outras características.

Então eles olhavam nos seus monitores e eu, no meu...

e estava com o microfone ligado.

Estava falando com Jim e Dusty, nosso gerente de chão.

Ficou muito complicado.

Tudo isso e eu não me abaixei ainda. Por favor, me machuque, eu peço.

E corta.

Com os bonecos... Com um boneco, trabalha-se simbolicamente.

Um boneco é um símbolo do que quer que queira retratar.

Portanto, se tiver um vilão, ele pode parecer realmente mau.

Pode ser o mal encarnado.

Se você tiver, como nós, personagens velhos e sábios...

eles podem ser totalmente assim.

Você não está lidando com uma pessoa real...

um ator que imagina naquele papel.

Só tem o personagem e tem uma certa pureza nisso.

Também, uma das coisas legais sobre os personagens do filme...

é mudar a forma da criatura.

Então, se você for entrar num mundo de fantasia...

as coisas lá não deveriam ser como são neste mundo.

Portanto, podemos ter...

os Skeksis, criaturas altas e que lembram répteis...

personagens de quatro braços. Tudo isso.

Nós podemos, quando começamos do zero...

criar algo como quisermos que seja.

E um personagem pode parecer qualquer coisa.

Está bem. A reação dele batendo na pedra...

-deve ser legal. Deve ser... -Temos todas essas reações suas.

Pete, vamos fazer a parte onde ele bate mesmo?

Ótimo. Muito bem.

Temos duas missões muito importantes hoje.

Já vamos, Mike.

E um, dois, três, ação.

AÍ, Frank.

Grande golpe, Lorde Chamberlain!

Lorde Chamberlain!

Golpe fraco! Golpe fraco.

General!

O general está mesmo furioso.

-Força, general! -Atenção.

Aqui vai.

Corta e respirem.

Respirem, por favor.

Respirem.

Expirem.

Inspirem.

Relaxem, artistas. Relaxem.

Com o passar do tempo, trabalhamos com vários tipos de criaturas...

dentro das quais tem que haver artistas.

E sempre achamos muito importante...

poder tirar as pessoas.

Se você cria um personagem que leva...

de 10 a 15 minutos para entrar...

e mais 10, 15 minutos para sair...

vai ficar lá a manhã toda.

As pessoas não vão sair até a hora do almoço.

Mas se você entra num monstro desses...

em um minuto e meio e sai dele em 30 segundos...

e dá para tirar quando quiser, tem um intervalo de 10 minutos.

Facilita muito mais para o artista.

Aquele deve ser o equipamento atrás.

Sempre trabalhamos com monitores, com monitores de TV.

É assim para vermos exatamente O que a câmera está gravando.

Então, criamos monitores bem leves...

que os artistas poderiam usar dentro dessas criaturas.

E quando eu era o mestre dos rituais...

vivia com um monitor no peito.

E eu estou lá dentro, assistindo TV.

Passavam bebidas para mim e coisas assim.

Mas sem a TV, não conseguíamos atuar.

Não poderíamos ter feito um filme assim sem elas.

-Sim, está confortável, Dave? -Eu diria que sim.

Agora, de acordo com a lei, ele deve pagar.

Parem. Detenham-no.

Adoro a cena onde o Chamberlain fica sem roupa.

Ele perde a batalha e, consequentemente, é banido.

E se pensar que todos os Skeksis que tem de tirar a roupa dele...

e bani-lo do reino têm...

além das suas atuações...

também tem três a quatro pessoas, ou de duas a quatro pessoas...

Temos a Grand Central Station em andamento.

Foi incrível ter todos se mexendo.

Temos um pequeno exército em movimento.

Acho que é uma cena ótima, porque adoro a ideia que...

Como Jim, Brian e eu falamos...

esses Skeksis têm camadas e mais camadas de roupa.

Essencialmente, são as joias deles. É a hierarquia deles.

Quanto mais renda, joias e coisas, mais eles se orgulham.

-Tirem a roupa dele! -Agora, deixem-no ir!

O Chamberlain está banido.

-Fora! -Fora!

A maior desvantagem de se trabalhar com personagens inumanos...

é a percepção de quão difícil é filmar tudo.

Com atores humanos, dá para colocá-los em frente às câmeras...

dizer-lhes para onde ir e como ficar e eles fazem.

Eles contribuem com sua habilidade e talento...

com sua atuação.

Com atores inumanos, temos de orquestrar cada momento...

cada virada de cabeça, movimento do olho, movimento de lado a lado.

Então, Lou, vou olhar para a câmera.

KATHRYN MULLEN ARTISTA

Vire à esquerda de leve. Direita.

Para mim, acho que a pessoa mais importante...

deve ter sido a pessoa que fez os olhos do boneco...

porque sem os olhos funcionando, ele não tem vida.

Quando olham para o olho nojento de Stevie.

Está bem, reúnam-se.

E ação.

Venha para mim, Natasha. Continue.

Foi preciso que seus assistentes de bonequeiros...

Que eles sentassem, nas laterais do set...

com um monitor na frente e um controle remoto...

e assistiriam seus movimentos no monitor...

e seguiam com você, fazendo os olhos...

olhar para a direita e esquerda. Coreografamos tudo antes.

Mas ainda havia aquela distância.) E era muito difícil.

E corta.

Replay do vídeo, por favor.

Usamos um sistema de apoio muito complicado durante o filme...

que podia gravar e reproduzir tudo para que eles vissem...

cada tomada e decidissem como sua atuação...

e as dos outros apareceriam no filme.

Eu só queria conseguir isso, para dar mais um...

Acho que está bem, Jim.

-Sim. -Acho que está bem.

Certo. A câmera entra no túnel.

Qual será o caminho?

Quero voltar para trás. Sinto o cheiro da morte aqui.

Eu sei, mas não temos escolha.

-Skeksis! -Sabia que viriam.

Não tenham medo. Estou aqui para ajudar. Sim.

Vamos mostrar-lhes. Gelflings e Skeksis podem viver em paz.

Por favor.

-Não. Não! -Larque!

Eu lhes mostro.

O Rio Negro deveria ser um interlúdio calmo.

Era uma hora onde havia uma pausa.

Precisávamos filmar o pôr-do-sol, então fomos até lá...

e filmamos em pouquíssimo tempo...

porque não temos muito tempo para filmar no crepúsculo.

Mas operávamos os bonecos e deitávamos...

num barco de fundo plano, com outro barco em cima...

que era o que nós filmávamos.

Tudo vai devagar, com as luzes na cena.

Foi uma operação aparentemente bem boba.

Depois, pegamos partes da coisa toda...

a margem ettal, e trouxemos para o estúdio...

filmamos todos os closes lá para podermos controlar...

as criaturas, as plantas, esse tipo de coisa.

-Está bem, Dusty. Podemos? -Achei que George tivesse feito isso.

Sim, fique à vontade.

Está bem.

E...

E ação.

Devagar, Michael.

Dezesseis, 21, 27 e 29.

O roteiro exigia que um castelo fosse destruído.

Então, fizemos vários modelos grandes e complicados...

dos vários aposentos do castelo...

com o gesso cobrindo a estrutura cristalina por baixo.

Centenas de pequenos explosivos destruíram a superfície...

e causaram a queda de tudo.

Quando forem... Começam quando eu contar três.

Está bem, prontos?

Voltem ao começo.

Foi filmado em três câmeras de alta velocidade...

e tinha que dar certo de primeira, senão levaria vários dias para refazer.

-Certo. -Está bem? Está bem.

Billy S., você está aí.

Todos os outros, silêncio.

Vamos lá. Girar.

Fazer um filme como O Cristal Encantado é muito difícil.

Qualquer filme é difícil. Sei que sou igual a todo mundo.

Vou ver um filme que passaram um ano ou dois fazendo...

com toda a energia e o tempo que foi gasto nele...

Depois, você sai do cinema e diz...

"Está bem, o que tem para jantar?" Sou igual a todo mundo.

Mas as pessoas não percebem que é um esforço imenso.

Foi muito alegre também, e empolgante.

Um, dois, três, ação!

Um, dois, três, ação.

De lado! Vá para a direita, agora!

Vire, vire.

No sentido horário!

Um, dois, três, agora!

Um, dois, três, já!

Queixo erguido, se puder.

-E corta. -Acho que estou satisfeito...

com o que aconteceu, mas ainda há coisas aqui...

que eu queria que estivessem lá.

Mas, tudo bem. Acho que estou feliz com o filme.

Encontrem o Gelfling!

Garthim!

O Gelfling!

Tragam-no para o castelo!

Garthim, morte ao Gelfling!

Espero que o público reaja aos personagens...

como reagiria a personagens humanos...

que estão lá na tela, que talvez tenham ido...

para outro planeta e filmado atores que moravam lá.

E não se preocupar com o lado técnico...

de como foi difícil dar vida a eles.

Gosto de pensar em O Cristal Encantado como uma obra de arte.

Para mim, parece que é. Mas não é uma obra de arte pessoal.

Não é só algo que eu fiz, mas é algo que Frank, Brian...

Gary e todos os artistas...

Centenas de pessoas criaram isto.

E, como uma obra, acho que sempre vamos gostar dele.

Ao todo, passamos mais de cinco anos trabalhando no filme.

Deve ser o trabalho mais difícil que eu já fiz.

Deu mais trabalho. Foi o mais difícil.

Mas foi o mais divertido. Foi o mais recompensador.

Dos projetos que já fiz, este é o que mais me orgulha.

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