Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Tradução, revisão e sincronia por Stirner
O JARDIM DOS FINZI-CONTINI
Olá! Tem alguém aí?
Verá que é tudo uma brincadeira. Micol é capaz disso
- Quem telefonou, Alberto ou Micol? - Micol.
- Que brincadeira sem graça! - Brincava bastante.
Acredita-se que sejam pessoas finas e educadas.
Educadas sim, mas aqui não tem ninguém.
- Tem alguém? - Sim, estou indo!
- Vamos ver quem chega primeiro? - Não me deixem sozinha!
Estou chegando.
Esperamos tanto, achava que tinham saído.
Impossível, os Finzi-Continis não abandonam nunca o seu reino.
Acredito que a casa está longe da entrada, por isso demoram tanto.
Entrem! Vamos.
Direto por aqui. Não tem erro.
- E isso, o que é? - Nossa, que cachorro!
Ele morde?
Como vai morder, com quatro dentes, pelo amor de deus...
não morde nem polenta.
- Que grande! - Parece um cavalo.
Pensava que somente você tinha sido convidado...
mas não, viemos todos.
Temos que agradecer aos fascistas por esses privilégios.
Vejo que estão apaixonados. Já estão noivos?
- E você, quando fica noivo? - Com quem?
Todos nós sabemos com quem.
Faz muito tempo que está em Ferrara?
Não, quase um mês...
Mas não saio muito, como Alberto.
- Micol, já a conhece? - Não. Como ela é?
É muito bonita. Alta, loira...
mas imprevisível.
Para lá!
Estamos chegando!
Venha, Alberto. Estão todos aqui!
Louca, assim você me faz cair!
Aqui está nossa Micol!
Meu irmão e eu pensamos em fazer um torneio entre amigos...
haja vista que o clube não nos quer mais.
- Será mais divertido! - Como aqui é lindo!
Parece que está no campo!
Me desculpo pelo campo. Parece uma plantação de batatas.
Precisa de mais terra vermelha e linhas bem marcadas.
Mas para papai, a terra que não serve para cultivar algo, é um desperdício.
Mas vamos esperar o próximo ano, talvez!
Desculpe. Você não conhece Adriana Trentini.
Carletto Sani.
e Tonino Collevatti.
- Quer trocar? - Então, vamos jogar ou não?
Deixaremos jogar primeiro os amadores, e depois os campeões.
- Você pode trocar no Hütte. - O que é isso?
A cabine. Não sabe alemão?
Muito mal. Aprenderá esta noite!
Você não quer jogar?
Depois. Agora não.
Gosta daquele?
- E você? - Imagina, não é meu tipo.
- Quem é? - Um amigo de Alberto.
Milão, Universidade, amores.
Trabalha na zona industrial.
- Como está? - Bem, e você?
Bem.
- Já se formou? - Em fevereiro. E você?
- Também. - Em Veneza?
- Sim, mas acha que deixarão nos formar? - Eu espero que sim.
Por que não me deixou te ver
Eu te vi quando foi à Veneza para o Editorial da Cultura
Te reconheci imediatamente. Não mudou nada.
Porque não respondeu o chamado? Eu teria gostado.
Não sei.
No final renunciei.
Sobre qual tema é sua tese?
Inglês. Sobre Emily Dickinson.
Uma poetisa americana do século dezoito.
Uma mulher incrível. Uma solteirona como eu.
Chegamos! Jor!
Bom cachorro!
Bela, mas talvez um pouco tonta.
Talvez sim. Mas, que importância tem isso?
Oh, para mim...
Eu sempre gostei de mulheres do tipo da Gladys
Bela, estúpida, e completamente...
Puta.
Gosta de Ferrara?
Não está tão morta como me disse
Encontrei uma cidade viva. Com muita gente interessante.
Sobretudo o proletariado...
na chamada classe operária.
Na burguesia, ao contrário não acredito muito.
Quase todos são fascistas.
Exceto os judeus...
se é que me entende...
Portanto...
Mas a maioria dos trabalhadores...
são quase todos antifascistas.
É lindo...
mas tem a intenção de permanecer sempre
Mas, você não sai nunca daqui?
Não, nunca. Por outro lado, para ir aonde?
Se fosse possível escolher as pessoas que vamos encontrar pela rua...
Aí, sim.
Mas, ao contrário. Uma vez que saí...
me senti vigiado...
observado.
Mas aqui, as pessoas é você quem escolhe.
É isso que quer dizer?
Não exatamente.
Aqui somos sempre poucos.
Nunca me sinto agredido.
Não sei se é o que pensa. Acha que me falta a alegria de viver.
Mas, quem pode me dar?
Aqui meus sete anciãos... sabem quem são?
- Palmeiras. - Sim! E de que tipo?
Não sei.
Granny Josette as trouxe do Jardim Botânico de Roma.
Washingtonia filifera.
Por que ri? É um grande ignorante!
Eu acho que não distingue um olmo de um roble.
Vamos, que árvore é aquela?
Para mim as árvores são todas iguais.
Eu detesto quem não ama as árvores!
Aquela, por exemplo...
poderia perfeitamente ter sido plantada por Lucrecia Borgia!
Imagine! Há uns 500 anos atrás.
Vamos.
O pneu murchou!
Quando era pequena, sempre fugia.
Alberto não. Sempre foi mais obediente que eu.
Um dia, que estive muito tempo fora...
fora do muro dos Anjos...
deixei-me levar pelo movimento das bicicletas de um grupo de rapazes...
Quando voltei pra casa, encontrei meus pais desesperados...
A partir de então, decidi me comportar.
- Não me escapa mais. - E eu pensava que era o único!
Nunca convidei outra pessoa para entrar nesse jardim.
- Sério? - Sim, é verdade?
Devo ficar aqui?
Lembra-se?
Dez anos atrás.
Como você era pequeno, Giorgio.
Realmente estou cego!
Que está fazendo?
Faz dez minutos que estou te esperando.
Dormi e acordei...
me perdoa.
Sinto muito.
Sente? Como? Por quê?
- Que horas são? - 3:00.
Deve estar com fome. Você não foi aprovado no exame?
E você, foi?
Ainda não sei.
Saberemos hoje.
Calma! Não é importante se levar uma matéria para outubro!
É importante, quando é pela primeira vez!
Mas está feito, e já não me importa mais
Sim? Então me explica por que não foi para sua casa comer?
- Como sabe? - Eu sei, eu sei.
Também tenho informantes.
Como fez para subir aí, como em uma janela?
Graças à minha corajosa escalada.
Por que não entra? Te ensino como pode fazer.
Parece muito alto.
Não, é fácil.
Use isto e estará dentro
E a bicicleta, onde deixo?
Senhorita Micol, que faz aí! É muito perigoso! Desça!
Sim, está bem, não grite!
O professor não quer que saia!
É perigoso, você sabe!
Deveriam se passar 10 anos para que abrisse o seu jardim.
- Alberto! - Então deixemos ele assobiar!
Não. Me espera!
Collevatti, é um campeão!
Hoje foi um dia lindo.
Sim, mas no fundo é mais bonito quando estamos sós
Reconhece?
Tem frio?
Sim, um pouco.
Gina, pode trazer, por favor, uma bolsa de água quente.
- Imediatamente. - Obrigada.
Para cama!
Não, não tenho vontade.
Como pensa que serei depois de velha?
Como vovó Josette?
Quem viver, verá.
Diário de hoje! Leia tudo sobre a reunião do Conselho Supremo!
Passamos para a liga B este ano?
Sim, podemos!
Diário de hoje! Leia tudo sobre a reunião do Conselho Supremo!
Esteve hoje à tarde na casa dos Finzi-Continis?
Sim.
E como são? Gentis?
Muito gentis.
Acredito que foram!
São gentis porque estão contentes com o que está acontecendo.
- Está totalmente claro. - Que disse?
Que dão as boas-vindas às leis anti-semitas.
Estão impacientes para que sejam aprovadas.
Convites, sorrisos, reverências...
e o jardim finalmente aberto a todos!
Convertido em um gueto sob sua liderança!
Nos guetos, que eu saiba, só vivem judeus.
Na casa dos Finzi-Continis, exceto Bruno Lattes e eu...
eram todos arianos.
Adriana Trentini, por exemplo!
Truques baratos para te convencer.
Sinto que está vindo o seu discurso preferido!
Qual?
Dizer que Mussolini no fundo, é melhor que Hitler...
e que o fascismo é melhor que o nazismo!
Bem, sim, é verdade!
Viu o noticiário de hoje?
Leia!
Que disse? Estou sem óculos.
Diz que desde hoje os casamentos "mistos" estão proibidos...
e que nossos filhos serão excluídos das escolas estatais.
E a graduação de Giorgio e Laura?
- A menos que... - A menos o quê?
A menos que um deles tenha grandes méritos patrióticos e fascistas.
- Você está inscrito no Partido. - Sim, eu sei, mas não basta.
Do que ri! Não entende que não pode ir à escola?
Venha!
Pode tirar.
Esqueci de dizer que não podemos ter empregadas...
de raça ariana.
Não podemos ter empregadas domésticas?
- Aparentemente não. - Como faremos?
Nos arranjaremos... De alguma forma...
- Posso? - Sim, papai.
O que é?
"Europa século 19" É interessante?
- Acho que sim. - Me empreste depois.
Olha, eu entendi, mas deve admitir...
não é que as coisas, aqui para nós, vão mal.
De acordo. Não mais casamentos mistos.
Isto atualmente não é tão...
Nada de telefone, Nada de escolas públicas...
Isto sim, admito, é grave.
Nada de serviço militar. Isso também é grave
Nada de avisos fúnebres nos jornais...
e agora, nada de serviço doméstico.
Mas o resto...
deve reconhecer que se pode viver, circular, ser proprietário.
- Em suma, um cidadão. - De terceira classe.
De terceira classe, se quiser, mas sempre um cidadão...
que pode gozar de seus direitos fundamentais.
Quais?
Nós sempre tivemos poucos direitos, pouco para todos
O que posso dizer é que não fomos os primeiros a ser perseguidos
Porque ficamos calados, enquanto não nos atingia.
Contudo...
não me parece justo viver assim, isolado...
recusando as chamadas telefônicas.
Faz mal, muito mal em não se misturar.
inclusive por seus irmãos...
que naturalmente te imitam.
Por que não vai ao clube de tênis? Eles não te expulsaram.
Como ninguém pensou em me explusar da Assembleia dos Comerciantes.
Não entende, que fazendo isto...
faz o jogo daqueles que não nos deixam ser...
Italianos!
Papai, eu fui expulso do Clube de Tênis.
E estas duas pessoas quem são?
Minha mãe e meu pai.
Por favor. Não se incomodem, lhes peço.
Continuem jogando.
Bom dia!
Que se passa? A outra vez não joguei!
Agora também não jogo. Vim para quê?
Sinto que no fundo você não se interessa pelos homens
Sim, é verdade. Por você, garanto que não.
O que não gosta em mim?
Que seja tão amigo de seu irmão?
Você me permite ser sincera?
- Por favor. A sinceridade... - É sua qualidade, eu sei.
Antes de mais nada, você é muito sincero...
e por isso, inevitavelmente, como direi...
- Mal educado. - Precisamente.
Segundo...
muito lombardo...
comunista...
e, finalmente...
muito peludo.
Bravo, Désirée!
Faz três horas que jogam. Quem ganhou?
- Désirée. - Quero falar uma coisa depois.
Depois, quando. Depois, quando estivermos sozinhos
- Quantos rapazes! - Meus tios e minha avó.
Micol, seus tios.
- Este senhor é um amigo de Alberto. - Prazer.
Alberto fala muito de você.
Venha, não deixe de nos visitar.
Tem transpirado muito?
Um pouco.
Deve ter cuidado.
Fazia calor em Bologna, tio?
Oh, se fazia!
Trinta graus à sombra.
Ah, aqui se respira.
Foi lá pra fazer uma consulta?
Sim, por uma consulta.
Como foi que te acompanhou o tio Federico?
Desde que o despediram da Ferroviária do Estado...
não tem nada que fazer, sortudo.
Diverte-se dirigindo.
- Como se sente? - Bem.
Um pouco cansado.
Dorme?
Não bem.
Não irá chover!
Quer vir comigo?
Vamos.
Micol! Está louca!
Vê ali?
É onde tinhamos nossas aulas de ginástica...
e a carroça que me levava à escola.
Reconhece?
Bem conservada, faltam só as flores.
Perrotti ainda as coloca dentro.
De vez em quando leva à avó pra dar uma volta pelo jardim.
Como fazem para ter a Perrotti com as leis que há?
Não é perigoso se os descobrem?
- Não, é um segredo. - Perdão.
Papai dá muito dinheiro para os fascistas.
Quem sabe onde termina?
Entra.
Parece que foi ontem, quando iam você e Alberto na carroça, ao templo.
Passou muito tempo!
Quando voltávamos sempre olhava te procurando.
Giorgio, não acha que é melhor agora?
Por quê?
Por quê? Agora podemos estar aqui sozinhos...
sem que ninguém nos reprima!
Quando criança se sente prisioneiro dos grandes.
Enfim...
Eu gosto de sentir-me mulher.
E você? Preferiria ser ainda menino?
Não, isso não mas...
Quantos "mas"!
- Micol, espera! - É muito tarde!
- Está chovendo! - Oh, só algumas gotas!
Conhece a saída até o portão?
Claro que conhece. Se entrou.
Me telefone de vez em quando.
Defende tua rainha!
É inútil. É muito bom!
- Por que ri? - Pensava...
No quê?
Pensava...
em Gladys de Milão...
e perguntava-me...
O quê?
Em suma, foi ou não pra cama com ela?
Passaram três anos.
Não, após tudo não gostava também não.
E então, porque se fazia de misterioso e enciumado...
por uma bailarina?
Assim...
E eu que tinha tantos escrúpulos!
Diz Maritain que com os judeus não se brinca.
Não deixa de ser verdade. São tão complicados.
Agora vamos.
Ao menos, ao bordel, tem ido?
- E você? - Eu? E me pergunta!
Micol que bela e chique!
Oh, se...
nossos tios ficam pra jantar e também dormir.
Também fica para jantar.
- E dormir? - Não, dormir não.
Eu telefonarei. Sim, amanhã de manhã.
Boa noite.
- Quem era? - Giorgio.
Perdoem-me, mudei de ideia não fico para jantar. Em outro momento.
- Como? - Boa noite.
Fique. Deixe Alberto contente.
Terei a oportunidade de desculpar-me.
Desculpar-se de quê? Boa noite.
- Me liga? - Sim, ligo.
Realmente irá me ligar?
Está na cozinha, passando a camisa.
- Rápido! - Querido, só tenho duas mãos.
Alguém chama!
- Quem é? - Sou eu, Maria.
- Alguém te viu? - Carlino.
Mas, é do tipo que não se intromete. Não se preocupem.
Disse-lhe que viesse mais cedo, mas mora longe.
- Sim, mas não é prudente. - Vem só por algumas horas.
Mas, vem aqui.
De qualquer forma, não diga nada a teu pai. Iria preocupá-lo.
Bom dia, posso entrar?
- A quem quer ver? - Ao senhor Alberto.
Não acho que o possa ver esta manhã.
Esta ainda na cama, tem febre. Se molhou com a chuva.
- E a senhorita? - Ela não está. Já se foi.
Já se foi?
- Aonde? - A Veneza, com seus tios.
Foram todos juntos, faz uma hora.
Não deixou nenhum recado para mim?
A última mesa está livre.
Desculpe, mas o diretor me disse que...
você não pode ficar aqui.
Devo...
mudar de mesa?
Que mesa. Deve partir.
- Por quê? - Não me pergunte!
O diretor está? Quero falar-lhe.
- Não posso! - Vamos!
Diga que quero vê-lo!
Sinto muito, querido. Sinto muitíssimo.
Mas, não depende de mim.
As disposições são disposições.
- Se fosse por mim... - Se fosse por você...
Pessoalmente, estaria orgulhoso que um jovem com seu talento...
e pela velha amizade com seu pai...
Uma esperança para a literatura futura...
A propósito, como vai a poesia? Está escrevendo?
Escuta.
Tem paciência. Eu...
Sim, eu sei. Você tem família.
Toda Itália tem família.
Me desculpe. Mas você tem família.
Entendo-o bem. Pobre amigo. Não depende certamente de você.
- Alberto como está? - Mais ou menos.
- Vem aqui estudar. - Muito bem!
- Que vem fazer? - Estudar.
Bem, bem.
- O que vem fazer? - Estudar, mamãe.
Aqui estamos: tua mesa, teus livros.
Sobre que tema é a tese?
Devo fazer um trabalho sobre a poesia de Enrico Panzacchi.
Lindo tema. Muito interessante.
Um da escola de Carducci.
Pensou que encontraria tudo, igual na biblioteca...
Somos mais seletivos.
Os trabalhos principais estão todos aqui.
Obrigado.
Disseram-me que você tem inclusive alguns trabalhos inéditos de Carducci...
Sim, algum dia irei mostrá-los.
Eu estarei aqui.
Se precisar de algo... café, limonada...
um conselho inclusive... Me chame.
- Têm sorte! - Quem?
Os estudantes particulares.
Reconhecem-se rapidamente. São diferentes.
Que ocorre em Ferrara?
A quem está vendo?
Quando voltarei? Por mim, amanhã.
Mas devo terminar a tese.
Na páscoa, certamente. Quando cai nossa páscoa deste ano?
Não, antes não posso.
Parece-me que faz num século que não te vejo.
Que há de errado?
Não nada, Micol. Estou bem, te garanto.
Não vejo a hora de te ver aqui.
Isso sim, mas não há razão para que se preocupe.
Fiz a radiografia.
Não há nada de novo.
Disse que não há nada novo.
Quer que te ligue amanhã?
Se quiser.
Bem. Prometo.
- Estes soldados, onde vão? - Ao regimento. Depois, quem sabe?
Quer alguns jornais?
Esperarei e lerei os franceses amanhã.
Parece-me que por aqui há um lugar.
Não, por aqui!
Ernesto!
Trate de dormir esta noite, por favor.
Não, quero estar acordado quando cruzar a fronteira francesa.
Trate de economizar. Lembre-se que não podemos mandar muito dinheiro.
Coloque-o em lugar seguro e tenha muito cuidado.
Vamos, vou estudar, não à guerra!
- Tem tudo? - Sim, tudo.
Quem pode dizer, quem sabe bem
Qual é o significado de um?
Um Deus que mora no céu
Quem pode dizer, quem sabe bem
Qual é o significado de dois?
Dois, as tábuas de Moisés
Um foi, Um é
Um para sempre Um será
Um Deus que mora no céu
Quem pode dizer, quem sabe bem
Qual é o significado de três?
Nossos patriarcas são Três
Abraham, Isaac e Jacob
Dois, as tabelas de Moisés
Um foi, Um é
Um para sempre Um será
Um Deus que mora no céu
Quem pode dizer, quem sabe bem
Qual é o significado de quatro?
Alô.
Quem fala?
- Quem era? - Ninguém.
Também comigo acontece, de noite.
Toda a noite. Atendo o telefone e não há ninguém.
Que querem? Quem são?
Perdão, foi você quem acaba de chamar sem responder?
Porque, chamaram e não respondia ninguém.
Como? Uma surpresa?
Que tipo de surpresa?
Me perdoe, não pode antecipá-la?
Vamos! Quanto mistério!
Está bem, vou em seguida.
Um Deus que mora no céu
- Estou tão contente de te ver! - Desde quando está aqui?
Desde esta tarde, vim com meus tios.
- Perdão. - Por que perdão?
Sou eu que não deveria ter te procurado. A culpa é minha.
Quanta neve!
Em Veneza nada, nem um centímetro.
Se soubesse que aqui tinha tanta...
- Que é isso? - Fiquei noiva. Não sabia?
Não!
Brincadeira. É um presente de Alberto para a páscoa.
Vem, devem estar sentindo nossa ausência.
Aguarde.
- Nada. - Gostou da surpresa?
Gostou?
É muito gentil, veio imediatamente. Talvez tenha adivinhado.
Fui curioso, isso sim.
Mas tenho outra surpresa.
Essa eu adivinho.
Ela se formou. Bravo Micol!
Não devem fazer elogios. Me graduei, mas sem honras.
O professor alemão, um feio nazista, não quis me dar.
Imagine que aplicava os exames em uniforme fascista!
Temos convidados.
Feliz Páscoa!
Sente-se perto de mim.
Giorgio, finalmente! Por que não vem mais vezes?
Alberto está sempre sozinho.
Estou encantado de passar a páscoa contigo.
Professor, não pode imaginar quanto gostei do convite de Alberto.
E não sabia que Micol tinha voltado.
Felizmente, Micol voltou
Sem ela estamos tristes.
Comportem-se, rapazes! aqui não posso respirar!
Alberto falou tanto de você.
São amigos da infância.
E tua tese, como vai? Faz muito tempo que não te vejo na biblioteca.
Após a páscoa voltarei novamente.
Pensa terminar a tese para junho?
Quem sabe.
Deve terminá-la...
antes que emitam um decreto que diga que a literatura também...
é ariana.
Que linda copa. Para que serve?
Minha filha me trouxe de Veneza.
Serve, segundo ela...
para prever o futuro... é uma brincadeira!
E o que diz?
Todo tipo de coisas.
Primeiro perguntamos se irei me graduar, e disse que não.
Segundo...
se Micol iria se casar.
Sobre isto não se entendeu bem.
Terceiro, disse que terá guerra.
Uma guerra longa...
dolorosa para todos, não só para nós...
Negro.
Mas finalmente...
terminará com a vitória...
das forças do bem.
Sim?
O senhor está aqui.
Entre.
Não tenha medo da gripe.
Só tenho um resfriado.
Sente-se aqui. Devemos falar.
Que está lendo?
Cocteau. Muito chique!
Mas, nada comparado a esses livros que líamos na infância...
quando estávamos de repouso com gripe!
Os três mosqueteiros, Vinte anos depois...
Guerra e Paz.
Esses sim que eram romances!
Ainda que não sejam chiques, eram melhores.
Este quarto é muito diferente do que imaginava.
Como está?
Mais ou menos.
Escuta, Giorgio...
Me incomoda te fazer sofrer.
Me dói muito.
Mas por outro lado...
tentemos não arruinar as lembranças da infância que temos em comum.
Fiz o que me parece melhor.
Tão cedo me dei conta do mau rumo que estava tomando nossa relação...
que estava crescendo sobre mentiras...
equívocos, muito perigoso...
você tem que concordar, não?... Escapei.
Então, se fiquei mais tempo em Veneza...
foi por você.
Pra não te enfrentar.
Não, não é possível!
Mas, por quê?
Por que não é possível?
Pare!
Te imploro, não!
Pare! Pode vir alguém!
Seja bom! Não.
Levante-se, por favor, assim não posso respirar.
Por que é assim?
De qualquer forma é inútil.
Inútil? Por que inútil?
Por que não vai para lá? Está todo vermelho.
Lave o rosto.
Quem é?
É Jor. Abra.
Deite-se. Seja um bom cão!
Quem estava ao telefone?
Agora vá, por favor.
- Nos telefonaremos amanhã? - Não, não devemos nos telefonar.
E é melhor que não venha mais aqui.
Nunca mais?
Por favor.
É melhor para os dois. Acredite.
Adeus?
Adeus.
- Acordado? - Sim, papai.
Esta noite também me deito tarde.
Tenho vontade de dar um passeio.
De dia há muita gente.
Por que está aí deitado?
- Sente-se mal? - Não, nada.
Leu a carta de Ernesto?
Gostaria de visitá-lo em Grenoble, por alguns dias.
Teria que lhe levar dinheiro, antes que seja tarde.
Tarde para quê?
Nada. Quando se decide algo deve se fazer cedo.
Por mim, posso partir amanhã.
Não, levará uns dias para obter o visto francês.
Depois para conseguir o dinheiro...
deverei vender alguns títulos.
Devemos ter precaução. Não precisa muito para me acusarem.
- Imaginação não lhes falta. - Visto francês não é problema.
Mas me deixarão ir?
Por que não?
Não chegamos esse ponto, ainda.
A viagem te fará bem, mudar de ar, se afastar um pouco de Ferrara.
- Boa noite. - Boa noite, papai.
Têm os rapazes de 1916, 17, 18, 19 e 20 para recrutar...
por que nós?
Eu fiz minha parte.
18 meses na África, contraí malária e disenteria.
- Tragam alguém mais agora! - Trate de dormir um pouco
- Onde estamos? - Passamos Novara.
Você, trabalhando na Fiat está seguro.
- Alguém deve fazer as armas? - Não, garanto que não
Não, não estamos a salvo. Alguns colegas receberam a convocação.
Eu me conformo em ficar na Itália.
Para África, não quero voltar após o que vi.
Chega para o lado.
Me diga a verdade. Usamos gás tóxico na África?
Sei que usamos!
Ei "Macaroni", viva a liberdade!
Que barba magnífica! Como está?
Muito bem! E vocês, como estão? Mamãe, Papai, Fany..
Bem! Todos bem.
Quantos soldados aqui! Que dizem, terá guerra?
Sim. Aqui, somos todos italianos.
Um Levi de Torino, um Piperno de Roma.
Todos estudantes da Politécnica. Irá conhecê-los cedo.
Na Itália, todos pensam que França e Inglaterra...
no último instante, terão outro comportamento.
Na Itália não se sabe nada. É difícil pensar algo quando não se sabe nada.
A esta altura, o que devemos esperar?
Falam muito deste tal Stuka.
Chamam "O avião da vitória"
Serão aviões como qualquer outro.
Passa o sal?
Perdão, que é este número no braço?
Depois falamos Giorgio.
Fizeram em Dachau.
Fala de Dachau, na Itália?
Não? Que pena.
Que é Dachau?
É um hotel no bosque.
Uma centena de barracas, todas sem banheiro...
com uma latrina comunitária...
rodeado de arame farpado.
O pessoal de serviço é da SS.
Em vez de colocar uma identificação na mala,
marcam um número sobre a pele...
como uma lembrança de sua hospitalidade..
Os convidados em Dachau são judeus, comunistas...
socialistas como eu, opositores de várias cores.
Em outras palavras...
aqueles que os nazistas chamam de escória da raça humana.
Eu saí vivo...
porque sou um covarde.
Declarei que me converti ao nazismo.
Desculpe meu irmão, não podia imaginar, não sabia destas coisas.
Agora já sabe também.
Realmente quer voltar?
Estou unido a muitas coisas Não posso trazer tudo comigo.
- Adeus. - Adeus Ernesto
Giorgio, quanto tempo! onde estava?
Esperava te encontrar nos Finzi-Continis.
Não, não vou mais.
E Micol? Que faz?
Não mudou nada. Sempre cheia de vitalidade e confiança.
Alberto não. Não joga mais, está sempre em seu quarto.
Iria gostar de te ver.
E Adriana? Como está?
Não a vejo mais.
Os casais mistos estão proibidos.
Comprometeu-se com um rapaz de Bologna. Assim me disseram.
Seguramente é melhor para os dois.
Verdade. Mais para ela que para mim.
- Nos veremos. - Sim, nos veremos.
A propósito faz muito tempo que não vem. Como está?
- Mulheres? - Perguntaram por mim?
Alberto. Algumas vezes.
E Micol? Que faz Micol?
Traduz Inglês.
Joga tênis, não faz outra coisa.
Como se fora do jardim perdesse a segurança.
Como seu irmão.
Então, que fazemos? Damos uma volta?
Prefere o bordel ou o cinema?
- Palhaços! - Canalhas!
Não sei o que te parece tão engraçado!
- Filhos da puta! - Fora daqui, judeu sujo!
Se eu pego...
É um idiota.
Deve dar graças a teu deus...
que aquele porco desprezível só estava adivinhando!
Surpreendente como atira!
Tua pontaria é tão boa...
- Quer provar? - Deixe-me tranquila!
Meu povo diz...
"Nariz grande e pele negra...
você não pode dizer o que há embaixo".
Vamos, quanto é?
Sorte de principiante! Tente de novo.
Por favor, certifique que esteja bem e com nível.
- Giorgio. - Desculpa Micol.
Perdoe-me ter te desobedecido.
Mas desta vez sou eu quem quer falar.
Todo este tempo tem estado em Ferrara?
Mais ou menos.
Uma vez passei de bicicleta, perto do muro.
Vi que jogava tênis.
Estavam você e Malnate.
Sabe, ele e eu ficamos amigos.
Que bom.
Então, disse que tinha que falar comigo.
Que tem para me dizer?
Queria simplesmente te ver.
Isso é tudo.
Te amo.
Nunca tinha me acontecido uma coisa assim.
e sinto que não pode acontecer de novo em minha vida.
Mas sou eu. Sou eu que não te amo!
O amor é coisa para pessoas decididas a oprimirem-se.
Mas não para nós. Somos iguais em tudo, como duas gotas de água...
Poderíamos alguma vez irritar-nos e nos fazer em pedaços?
Fazer amor contigo seria como fazer com um irmão.
Sim, com Alberto.
Você e eu não somos gente normal.
Para nós dois...
mais que a posse das coisas, aquilo que conta...
como te dizer?
é a lembrança das coisas...
a memória das coisas.
Não é assim?
Quem sabe?
Talvez seja mais simples...
talvez não goste de mim fisicamente.
Isso é tudo.
Não diga besteiras.
Não há conexão.
E como se encontra!
E você sabe muito bem.
A não ser que...
A não ser que coisa?
A não ser que já esteja com outro.
Não estou com nenhum outro.
E quem seria?
A mim pergunta?
Tudo pode ser.
Que mais posso te dizer, Micol?
Não posso te persuadir para que se deixe ser amada por mim.
Estou indefeso.
Se te acontecesse qualquer coisa...
a culpa seria minha.
Não me verá mais.
Não verei mais este jardim.
O Duce falará em uma hora...
para toda a Nação.
Italianos...
Fascistas...
escutarão o anúncio de um acontecimento histórico.
Duce! Duce! Duce!
Chega! Chega!
Que aconteceu? Que houve?
Festejam a entrada da Itália na guerra!
Bem, diga algo!
Giorgio? É você? Não sabia se estava vivo?
Que aconteceu?
Sim, temos que nos ver. Não, no domingo será tarde.
Sim, porque devo partir.
Fui convocado.
Eu sei, é um pecado.
No momento vou a Bologna. Depois, quem sabe?
Só espero que não me mandem para a Rússia.
Bom. Nos veremos depois.
Por que não os visita logo?
- Por que não vai buscá-lo? - Porque não viria.
As coisas estão mal com Micol?
Sinto um amor incrível.
Se soubesse que te ama...
cuidado pra que ninguém fale mal de você.
Alberto também gosta muito de você.
Não sei o que fazer...
por seu afeto ou sua estima.
Eu penso que se engana.
Qualquer coisa que aconteça entre você e Micol
a amizade e o afeto devem salvá-la.
Desculpa a pergunta...
Chegou a beijá-la pelo menos?
Uma vez, só uma vez.
É melhor não falar disso.
Com tudo o que acontece...
sinto-me ridículo com meu sofrimento amoroso.
Agora você também vai.
Vai me escrever alguma vez?
Nos veremos novamente.
Quando estiver em Bologna, no domingo virei a Ferrara.
É meia-noite, já vou, senão não consigo acordar!
Boa sorte!
- Também para você! - Sim, eu também precisarei.
Coragem!
Aqui Londres.
as tropas soviéticas lutam magnificamente...
em defesa de Moscou.
As tropas nazistas encontraram uma dura resistência.
Stalin...
É você, Giorgio?
Sim, papai.
Sabe que hora é? 2:25.
Estava passeando.
Com teu amigo de Milão?
Que notícias tem?
Os alemães estão nas portas de Moscou.
Acha que podem mandá-los de volta? Eu duvido.
Eu acho que sim.
Mas se eles fracassarem...
então, será o fim.
Olha, Giorgio...
como vai tua relação com Micol?
Perdoe-me se me permito te falar de certas coisas...
mas tua mãe e eu...
estamos preocupados.
Pior que tudo...
não pode ser pior.
Terminou.
Sinto muito.
Mas depois de tudo, é o melhor.
Você, realmente queria namorar?
Namorar, quer dizer, casar-se depois...
nestes tempos?
Desculpe-me, mas...
como família, ainda, os Finzi-Continis não são para nós.
Eles não são de nossa classe. São diferentes.
Nem parecem judeus.
Micol... Eu sei, ela gostava de você, talvez por isso.
Porque era superior a nós, socialmente.
Vai passar.
Vai passar.
E bem antes do que imagina.
Creio que é o que sente neste momento.
Mas te invejo um pouco.
Na vida, se quer entender...
realmente como são as coisas deste mundo...
deve morrer pelo menos uma vez.
Então, melhor morrer jovem, quando tem tanto tempo...
para olhar à frente e ressuscitar.
Velho, é bem mais difícil, entenda.
Como se faz?
Não tenho tempo para começar do zero.
E nossa geração cometeu tantos erros.
Em alguns meses, nem se lembrará que isso te aconteceu.
Estará, talvez, contente.
Irá se sentir mais rico.
Mais maduro.
Esperemos.
Estou feliz que tenha arrancado...
tudo isto que trazia dentro.
Vá dormir. Precisa.
Também vou ver se consigo fechar os olhos por um momento.
Boa noite.
Vá ver o Alberto.
Não. Não saberia mentir.
Ataque aéreo!
Jovem, tente sua sorte!
Não, obrigado.
Ei, eu te conheço!
Antes desta guerra de merda...
vinha com teu amigo.
Malnate?
Morreu na Rússia.
E você... Como fez para escapar?
Não me quiseram porque sou judeu.
Judeu!
- Vai! Foge! - Por quê?
Eles te prendem. Mandam para qualquer lugar!
Vai!
Oito horas de patrulha é muito!
Senhor Lattes?
Lamento incomodá-lo.
- Polícia? - Só formalidade. Alguns minutos.
Por favor.
Alto! Pare!
Vão por aqui! Pelo outro lado!
Alto!
Abra.
Por aqui!
Vejam nos outros cômodos.
Finzi-Contini, Prof. Ermanno.
Sou eu.
Finzi-Contini, Olga.
Arton, Regina Herrera.
Finzi-Contini, Alberto.
Morreu faz 6 meses.
Finzi-Contini, Nicole.
Micol.
- Ascoli, Levi. - Presente.
- Lattes, Magda. - Presente.
Lattes, Luigi.
Ancona, Olga.
Ascoli, Elisa.
Pegue esta Montanari.
Mova-se. Deixe-me passar.
Todos os que responderam ao chamado e são recém chegados...
tome esta Montanari.
Venham comigo. Alinhem-se.
Por favor.
Vamos!
Rápido! Rápido!
Adiante.
Alto.
Tomem lugar.
Entrem, por favor.
Finzi-Contini, já terminou?
Bom dia.
Você também está aqui?
Estamos todos aqui, mas nos separaram.
Fui preso ontem à noite.
Não Giorgio, só eu.
Giorgio deve estar longe com minha esposa e minha filha, agora...
devem ter conseguido.
Graças a deus!
- Onde nos levarão? - Quem sabe?
Imploremos a Deus que nos permita ao menos seguirmos juntos, Micol...
nós, de Ferrara.
Este filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1972, e o Urso
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.