All language subtitles for The Bombing of Pan Am 103 - 1x04 - Episode 4.WEB.CAKES.pt

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Original subtitles

ESTA SÉRIE BASEIA-SE EM PESQUISAS E ENTREVISTAS A INVESTIGADORES,

FAMILIARES DAS VÍTIMAS E MORADORES DE LOCKERBIE.

O CASO ENVOLVEU CENTENAS DE INVESTIGADORES DE AMBOS OS LADOS DO ATLÂNTICO,

AQUI REPRESENTADOS POR PERSONAGENS-CHAVE.

FORAM CRIADAS E FUNDIDAS PERSONAGENS, BEM COMO ADICIONADAS CENAS,

PARA EFEITOS DE DRAMATIZAÇÃO.

Começámos a investigação depois de Lockerbie,

ao dar a um investigador nosso uma nova identidade.

Bem, obviamente, não há ali segurança nenhuma.

Não fizeram verificações.

Já tenho acesso total ao Aeroporto de Heathrow.

Stewart entrou às 16h da passada segunda-feira,

com o pacote na mala.

Duas horas após o início do turno, ligou-me para o Terminal 3.

Já colocara a bomba falsa.

Disse-me que estava escondida sob o lugar 33A

do voo 402 da Japanese Airlines para Tóquio.

Se fosse uma bomba,

estes passageiros seriam as últimas vítimas de um atentado.

Chiça penico!

Eu sei.

Acabámos pouco após ires para a América.

29 DE AGOSTO DE 1989

Cum caraças.

251 DIAS APÓS O ATAQUE

Viste nas notícias aquilo da bomba falsa no avião?

Sim, ouvi dizer que o Orr ficou furioso.

As companhias aéreas e os aeroportos têm de começar a mexer o cu.

Quando haverá outro?

Quando a minha mulher liga a TV, tenho medo de olhar,

não vá outro avião…

É uma tolice, eu sei.

Vem-me à cabeça o que encontrámos, sabes?

Aqueles corpos todos.

É melhor tirares isso da cabeça.

Concentra-te no trabalho.

Certo.

Por falar nisso, é melhor voltarmos.

O ATENTADO AO VOO PAN AM 103

ILHA DE MALTA

MAR MEDITERRÂNEO

Senhor motorista, não podemos ir por outro caminho?

Nem posso acreditar.

Semanas à espera desta reunião, e chegamos atrasados.

Temos de ter muito cuidado com o vice-primeiro-ministro, sim?

- Não deve estar feliz por virmos cá. - Porquê?

Porque acha? É óbvio.

Qualquer ligação a terrorismo terá impacto no turismo.

Com peso na economia deles.

Exatamente.

Este avião,

o Pan Am 103, foi bombardeado sobre a Escócia,

ia para Nova Iorque e tinha partido de Londres.

O que tem Malta a ver?

Bem, sim, tem razão. O avião partiu de Londres.

Os voos de ligação tinham passageiros e bagagens doutros sítios,

incluindo uma mala desacompanhada do Aeroporto de Luqa.

Têm a certeza disso?

Infelizmente, temos.

Eis a lista de bagagens de Frankfurt.

Se vir aqui, viajou uma mala do Aeroporto de Luqa para Frankfurt,

e depois seguiu para o Pan Am 103.

A nossa teoria é que é a mala que continha a bomba.

Querem acesso ao Aeroporto de Luqa?

É um dos locais a investigar para ver como a mala entrou no sistema.

Há mais? Que mais?

Temos tentado identificar o bombista através dos itens na mala da bomba.

Como este babygro azul,

produzido em massa e vendido internacionalmente.

E, portanto, não muito útil para limitar a busca.

Ainda estamos a ver outros itens.

Achamos que isto é um casaco de tweed, mas não conseguimos rastreá-lo.

No entanto, os resquícios destas calças

tinham uma etiqueta Yorkie.

Não conseguimos encontrar nenhuma fábrica Yorkie senão em Malta.

Estão a investigar calças?

Se forem da fábrica, poderemos saber onde o bombista as comprou.

Entende?

Podem conduzir aqui a vossa investigação, mas com duas condições.

Primeira: não divulgarem nada à imprensa.

Senão, acaba a investigação aqui.

Segunda: podem trabalhar sob a supervisão do inspetor Scicluna.

- É necessário? - São as minhas condições, detetive Bell.

Posso levar-vos ao aeroporto amanhã.

Planeávamos ir à fábrica primeiro.

Mas pode ser ao aeroporto.

Obrigada por voltar a reunir-se comigo. Sei que deve andar ocupado.

Claro.

Sabe que o meu chefe gosta de manter o seu feliz.

Só queria informá-lo de que vou a Lockerbie.

A sério?

Porquê?

Quero ver como estão a fazer as coisas.

A forma como repatriam corpos e pertences.

A forma como comunicam.

Acho que podemos aprender imenso.

Pelos vistos, deve ir. Não que precise da minha permissão.

Eu sei, mas não faz muito sentido eu falar de partilha de informações

e depois não praticar o que apregoo.

- Certo? - Claro.

Por falar nisso…

A comunicação com as famílias. Há progressos?

É como eu disse. Estamos concentrados em resolver isto.

- Não somos responsáveis pelas famílias. - Aí é que está. Ninguém é.

- Estão a organizar-se oficialmente. - Boa. Estão no seu direito.

Estão organizados, são bem financiados e têm bons contactos.

E, como há mais a moverem ações cíveis contra a Pan Am,

seria bom sentirem que vocês estão do lado deles.

Lado?

Aqui não há lados. Todos querem o responsável. Até a Pan Am.

Se a segurança da Pan Am é parcialmente culpada,

não querem que se saiba.

Não digo que sejam os bons da fita, mas estão a cooperar.

Reunimo-nos amanhã, a pedido deles.

As famílias não sabem de nada.

Não duvido que seja bom no seu trabalho, Dick.

Mas isto é mais do que isso para eles. É a vida deles.

HOTEL QAWRA PALACE

Bom dia.

Sempre nos encontrou.

Pode explicar o processo de como as malas entram num voo?

CHECK-IN DE PASSAGEIROS

Os passageiros vêm aqui fazer check-in e largar as malas.

Dou-lhes uma etiqueta que corresponde ao bilhete,

e as malas vão para o voo.

É possível uma mala viajar sem passageiro?

Não, nem por isso.

A menos que seja bagagem perdida.

Bagagem perdida?

E qual é o protocolo nesse caso?

Se tiver de ser enviada para o dono,

atribuímos uma etiqueta urgente e a mala segue logo no próximo voo.

Tem aí etiquetas urgentes que eu possa ver?

Ficam no escritório, por razões de segurança.

Precisamos de ver uma.

Se a bomba tivesse essa etiqueta,

o bombista nem precisaria de bilhete, certo?

- Não sabia que era assim. - A maioria não sabe.

Ou seja, quem fez isto conhecia o sistema.

Ou tinha alguém cá dentro.

Vieste jantar?

A que devo este raro prazer?

Não vim só jantar.

Trouxe jantar.

Meu herói.

As miúdas?

Foram dormir a casa da Rachel. Porquê?

Estamos sozinhos em casa?

Bem, sabes o que isso significa.

Não temos de partilhar batatas fritas.

Lembras-te daquela Kathryn que conheci nos Estados Unidos?

Vem cá, e o Orr pediu-me para lhe mostrar as redondezas por uns dias.

Acabaste de voltar de lá e agora és guia turístico?

- Alguma vez trabalhas a sério, McCusker? - Cala-te.

Vamos a isto.

O teu: sal e vinagre extra.

Sabes tratar de uma mulher.

POLÍCIA

Lauren, viu o Sandy?

- Acha que o bicho o apanhou? - Que bicho?

Anda aí um mal. Metade do pessoal das provas não veio.

- Talvez o Sandy também? - Deve ser.

Também queria uns dias na cama.

É mau sinal, quando temos inveja dos doentes.

Agente Marquise.

Thomas Plaskett, CEO da Pan American World Airways.

Boa noite.

- Tem fome? O entrecôte é excelente. - Não, só café, obrigado.

Eu quero o mesmo.

O que posso fazer por si?

O meu gabinete não especificou porque quis ver-me.

Pedimos um relatório sobre o sucedido. Uma espécie de investigação.

Acharam-nos inaptos?

Nada disso. O seguro exigia. Não esperávamos muito.

Mas há descobertas convincentes.

Monzer al-Kassar.

O nome diz-lhe algo? É um traficante de armas sírio.

Gere a rota de tráfico de droga Europa-EUA que usa mulas em voos comerciais.

Como o Pan Am 103?

Precisamente.

Há anos que gere a rota.

É muito tempo sem ser apanhado, certo? Mas a nossa investigação descobriu porquê.

A CIA sabe o que ele faz e deixa-o gerir a rota,

desde que ele passe informações.

- É informador da CIA? - Exato.

Certo.

O que tem isto a ver com o ataque? Esteve envolvido?

Não propriamente, mas deixou outros usarem a rota,

sabendo que a CIA paga pela vista grossa no aeroporto.

Traficantes de droga.

Grupos terroristas.

Foi um grupo palestiniano que bombardeou o Pan Am 103,

usando a rota de al-Kassar

e Khaled Jaafar como mula.

Lamento desapontá-lo, Sr. Plaskett, mas…

O Jaafar foi descartado como suspeito.

Completamente?

Porque veio cá hoje, Sr. Plaskett?

Achei que era meu dever partilhar o que os investigadores descobriram.

Seria muito conveniente, se isto fosse verdade,

o que é impossível, já agora, dadas as provas,

que a Pan Am não fosse responsável pelo que sucedeu.

Mas sim o governo americano.

Ou seja, não teriam de pagar às famílias um único cêntimo

em nenhuma ação cível.

A questão não é essa.

Não é?

E depois vem apontar o dedo às agências que tentam resolver isto?

Admito que estou impressionado.

Por ter a lata de vir fazer isto na minha cara.

Leia o relatório.

Vai achá-lo convincente.

Se pagou mais de um dólar por isto, foi demasiado.

E, pelos vistos, pagou bem mais.

Só a conta, por favor. Ele paga.

Quantos mais funcionários interrogaremos?

Hoje, não há aeroporto. Vamos à fábrica.

Não, tenho de continuar no aeroporto e falar com pessoal de terra com urgência.

Sim, depois voltamos.

Não, acho que seria mais eficiente se terminássemos lá tudo primeiro.

Tudo bem. Hoje, é a fábrica.

ROUPAS YORKIE

Bom dia.

Inspetor Scicluna. Estes são investigadores da Escócia.

- Por favor, responda às perguntas deles. - Está bem.

Estas calças, achamos que foram fabricadas aqui.

Vê a etiqueta Yorkie?

Parece a nossa, sim.

Então, foram feitas cá?

Bem, fazemos imensas coisas.

Este padrão…

Reconhece-o?

É difícil dizer.

Posso ver nos registos, mas leva uns dias.

Voltamos amanhã, logo de manhã.

Perdão.

Só um minuto, Lauren.

Podem dar-me a vossa atenção, por favor?

Recebi uma má notícia.

Acabei de ser informado que…

Que o Sandy

foi encontrado morto esta manhã no carro.

Mesmo…

Junto à floresta, perto de casa.

O que aconteceu?

Não sabemos.

Mas não estão à procura de ninguém relacionado

com a morte dele.

Sinto muito.

Hoje, as famílias reuniram-se à porta da Casa Branca,

para recordar as vítimas do atentado da Pan Am

e exigir mais informações sobre o que sucedeu aos entes queridos.

Vieram a Washington insistir num inquérito independente

ao atentado da Pan Am 103,

convencidas de que não lhes contam a história toda.

Numa reunião longe das câmaras,

quatro familiares estiveram com o presidente.

É um forte indício da preocupação do presidente.

E esperamos que reflita o seu compromisso

em estabelecer um contraterrorismo eficaz…

Dick Marquise.

Viu as notícias? As famílias protestaram na Casa Branca.

Protestaram?

Porquê?

Queriam uma reunião com o presidente Bush. E conseguiram-na.

Cara a cara.

A sério?

Eu disse-lhe que era a sério, Dick.

Estão a fazer acontecer.

Sim, parece que sim.

Só para que saiba,

um dos pedidos deles são atualizações regulares pelo FBI.

Imagino de quem foi a ideia.

Bem…

Estou só a avisá-lo.

… exercendo a sua liderança

e pelos atos que esperamos e rezamos para que se sigam.

Vê aquele carro ali?

O preto?

Seguiu-nos até aqui.

Também os vi ontem.

É a mesma matrícula.

Quem faria isso?

Vamos ver, sim?

É pessoal seu?

Para quê eles? Eu estou aqui.

Quem mais nos seguiria até aqui?

No melhor dos casos,

a CIA,

o BKA,

agências amigas de inteligência à espreita.

No pior dos casos, quem bombardeou o avião ainda pode estar na ilha.

Chiça! Oxalá não tivesse perguntado.

Creio que é este o tecido da vossa foto.

Assim parece.

E fizeram calças com este tecido?

Sim, cinco pares, como parte de um pedido maior,

para a loja Mary's House.

Eis aqui a nota de entrega.

Novembro de 1988.

A loja é na ilha?

Sim, a uns 20 minutos daqui.

Acham que pode ser uma fachada?

Pode ser mais do que isso.

- Uma fábrica de bombas. - Calma.

Pode ser. Calças do caso da bomba foram encomendadas dali um mês antes.

Podem tê-las revendido. E se não o fizeram?

Vamos.

- Bom dia. - Como está?

Esta loja é do senhor?

Minha? Sim, claro.

É o Edward Gauci?

Sim, sou o Edward.

Este é o meu filho Tony.

Detetive Bell, da Polícia de Strathclyde, Escócia.

O inspetor Scicluna.

Gostaríamos de falar de uma encomenda do ano passado.

Encomendaram calças com este padrão, certo?

Sim, parece a nossa encomenda.

Pois é.

Lembra-se de vender algumas e a quem as vendeu?

É difícil dizer.

Bem, venderam algumas?

Não tenho a certeza.

- Importa-se que veja se encontro algumas? - Não.

Reconhece este tecido?

Achamos que pode ser de um pijama.

Lamento.

E este babygro?

Não.

Lamento.

Já vendemos esse tipo de babygro.

Lembra-se…

Lembra-se de vender um?

Sim. Lembras-te do tipo do ano passado?

Que conversa é essa?

Comprou muitas coisas que não combinavam.

O babygro, as calças, o pijama.

Lembra-se de vender o babygro juntamente com as calças?

Sim, até foram dois pares.

As calças tinham este padrão?

É possível, sim.

E esta t-shirt branca? Ele…

Ele comprou uma destas?

Não.

- Mas comprou um casaco. - Era…

Era um casaco de tweed?

Como este?

Tínhamos o casaco aqui. Esteve cá cinco anos.

E ninguém lhe tocou. Mostrei-lho, ele nem o experimentou.

- Comprou-o. - E que mais comprou ele?

Um guarda-chuva, pois estava a chover, e eu disse:

"O tipo está a gastar dinheiro. Por isso, vai levá-lo."

E levou.

Um daqueles.

Este?

Vamos ter de levá-lo.

Sr. Gauci, parece lembrar-se disto tudo muito bem.

Devem ter muitos clientes, mas lembra-se dele.

Foi a caixa de uma semana em dez minutos. Como esquecer a melhor venda de sempre?

Detetive Bell, veja isto.

São as calças Yorkie.

Foram estas as calças que vendeu a esse cliente?

- É possível, sim. - Pode descrever-me esse cliente?

Um tipo grande, líbio.

- Bom fato, sem barriga, mas grande. - Era mesmo líbio?

- Sim. - Mas mesmo? Como…

Como sabe?

Parecia líbio e falava com sotaque líbio.

Sabe que é líbio só por causa do sotaque?

Chega para dizer que você é escocês e não inglês, não?

Se voltasse a vê-lo, reconhecê-lo-ia?

Sem dúvida.

E diga-me: quando teve lugar esta compra?

Acho que foi no fim do ano passado. Havia luzes de Natal.

Deve ter sido em dezembro.

- McCusker. - Ed…

Há guarda-chuvas nas provas?

Guarda-chuvas? Deve haver alguns. Porquê?

Ótimo, pois encontrámos um lojista que achamos

que vendeu vários itens Cat. 1 a um tipo no ano passado: calças, babygro…

Certo.

E um guarda-chuva preto. Há algum?

Temos aqui quase 30.

Se estivesse na mala, teria os danos dos outros itens Cat. 1.

Portanto, há alguma coisa?

É… Só um segundo.

Pronto, acho que é este.

"Tecido e cabo,

rasgado e parcialmente caído, indicando proximidade de uma explosão."

Isto confirma o que nos disse, Ed.

É a primeira ligação a uma pessoa envolvida nisto.

Pensei que ficaria mais empolgado.

Harry, ninguém lhe contou?

O quê? O que se passa?

O Sandy morreu.

A sério?

Foda-se.

Como?

Foi um acidente?

- O que sucedeu? - Não sabemos bem, mas…

Não há envolvidos, portanto…

O quê? Assim…

Assim do nada?

Vá lá, Harry. Por favor.

Se tivéssemos notado algo de errado, teríamos agido, certo?

Certo.

Eu sei.

Desculpe.

Estou só a tentar perceber.

Certo. Olhe…

Eu ligo para o laboratório e peço que verifiquem os guarda-chuvas.

Envie os detalhes do guarda-chuva ao RARDE.

Verifique se é mesmo igual.

Certo.

POLÍCIA DE MALTA

Encontraram algo na base de dados na Escócia?

Um guarda-chuva com uma potencial correspondência.

Então, o lojista disse a verdade.

Não nos empolguemos até se confirmar que o guarda-chuva também estava na mala.

Não é bom? O vosso chefe vai gostar.

A Casa Branca quer saber porque não os avisámos do protesto.

Sabia disso?

Não, não sabia.

As famílias querem o Sessions na próxima reunião.

- A falar da investigação. - Certo.

Quer que atualize o Sessions com o ponto de situação?

Na verdade, ele acha que faz mais sentido ir lá o Dick.

Ai acha?

Admito que seja duro.

Querem respostas que não pode dar.

Entendido.

Agradecido.

Há mais uma coisa.

Ouvi falar de uma vaga em Albany.

- Na filial? - A sua mulher não é de lá?

Sim, é. Nós…

Falámos em mudar-nos para lá uns tempos.

Podia ter um escritório seu.

Odiaria perdê-lo, mas falaram em si.

Tinha de avisá-lo.

Qual é o prazo?

Um par de semanas para pensar.

Posso recomendá-lo.

Mas contrariado,

claro.

O fax com os resultados do RARDE.

Confirmaram um guarda-chuva equivalente na mala.

E não só.

O guarda-chuva levou com fibras do babygro e das calças Yorkie.

Parece que bateram todos uns nos outros, quando a bomba explodiu.

Isto confirma a versão do lojista.

Exatamente. O cliente deve estar ligado ao bombista.

Ou é o bombista.

Espero que juntem o nome do Sandy à lista de mortes de Lockerbie.

Nada mais justo.

Não sei se teve a ver com isso.

Só pode tê-lo afetado.

Afetou-vos a todos.

Quer dizer, é o trabalho

que todos escolhemos.

Não foi um homicídio.

Nem um acidente de viação.

Foram 270 mortos numa noite.

Levantar.

Em frente.

Prazer em vê-la, Moira.

Claro.

Perguntei se podia trazer uns favoritos dele.

- Desculpe, é a Moira? - Sou, sim.

Que grande trabalheira. Obrigado.

O meu Ed tem-me falado tanto dos seus bolos.

Já estou a ver porquê.

Deve ser a June.

O Ed já nos falou imenso de si.

- Falou? - Sim.

Tem ali um bom homem.

É o que me dizem.

Ele diz que também estão na lavandaria a limpar pertences.

Sim, disseram que levaria semanas, mas já estamos nisto há quê?

Mais de seis meses?

Sim, exato.

Sei que estão todos muito gratos.

Eu sei que sim, mas…

Não o fazemos por eles. Fazemo-lo pelas famílias.

Claro.

Olá, Moira.

Olá, querida.

Olá.

Que scones lindos.

- O Sandy não se fartava deles. - Pois era.

Conhecia bem o Sandy?

O bastante para saber que era um bom homem.

Um grande homem.

Pois era.

Lembro-me de quando eles chegaram, todos com olhos brilhantes e determinados.

Olhe para eles agora.

Todos de rosto sombrio, como se tivessem estado na guerra.

Achei que não haveria mais caixões, mas vão continuar a aparecer, não vão?

ESTABELECIMENTO REAL DE INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE ARMAMENTO (RARDE)

INGLATERRA

Este fragmento da placa de circuito cravou-se no colarinho

de uma camisa cinzenta Slalom encontrada num campo

junto à Floresta de Kielder,

a cerca de 40 km de Lockerbie.

O colarinho sofreu danos consistentes com envolvimento na explosão.

O tecido também está cravejado

de fragmentos do rádio Toshiba e do manual,

o que significa que a camisa devia estar na mala do explosivo quando este detonou.

Achas que pode ser outro pedaço do rádio Toshiba?

Foi a minha primeira ideia, mas…

Olha aqui.

Vê-se que esta placa PCB tem sete camadas.

Comparei-a com a Toshiba, e essa tem cinco.

Não pode ser do rádio.

Há mais alguma coisa eletrónica na mala do engenho explosivo?

Nada.

Exceto, claro, elementos da própria bomba.

E só uma parte precisaria duma placa de circuito.

O temporizador.

AEROPORTO DE GLASGOW

Escusava de vir, Ed. Eu podia apanhar um táxi.

Não seja tola.

Quer ir diretamente para Lockerbie, ou precisa de dormir um pouco primeiro?

- Diretamente, acho eu. - Certo. Ótimo.

Iremos ter com uns voluntários a Sherwood Crescent.

Foi aí que o avião…

Sim.

Podemos fazer algo menos intenso, se preferir.

Não.

Quero ver tudo o que as famílias veem.

Certo.

Esperar-se-ia que ficasse mais fácil.

Mas ainda não consigo acreditar, por mais vezes que venha cá.

A Moira e a Ella são fantásticas a mostrar isto às famílias.

Quem decidiu que fariam isso?

Vimos apenas que era algo que tinha de ser feito, e fizemo-lo.

Juntámo-nos logo no início,

nós, os locais,

para ajudar no que pudéssemos.

Criámos o Grupo da Amizade, para contactar famílias que queriam vir.

Isso é espantoso.

Bem, também nos ajudou.

Ter algo para fazer.

Encontrámos o Frank aqui mesmo.

Só que não sabíamos o nome, na altura.

Chamávamos-lhe "o nosso rapaz".

Era quase como se estivesse a dormir. Lembra-se, Ed?

Sim.

Esteve cá naquela noite?

Estava de serviço quando o avião caiu.

Respondi a muitas chamadas sobre passageiros caídos.

Velámo-lo a noite inteira.

À vez.

Odiava a ideia de ele estar aqui sozinho, sabe?

Quer dizer, não sou tola. Eu sabia que ele estava morto, mas…

Mas só pensava:

"E se fosse um dos meus?"

Não.

Não podia deixá-lo sozinho.

A família do Frank já cá veio?

Não, mas adoraríamos conhecê-los.

Acho que os confortaria virem cá.

Conhecer-vos.

Um dia, espero que venham.

"… sinceras descul…"

Não, "lamenta".

"… lamenta sinceramente…"

É aqui?

- Aqui tem. Muito obrigado. - Obrigado eu.

Bom dia.

Sou o agente Dick Marquise.

Estou à frente da investigação ao caso PA 103.

O diretor Sessions lamenta sinceramente não poder estar aqui hoje.

Pois sim.

Mas vou dar o meu melhor para vos atualizar.

Devo esclarecer desde já que há muitos detalhes

de que não poderei falar, dada a investigação em curso,

mas acredito que, quando acabar hoje,

concordarão que estamos a avançar de forma satisfatória.

Agente Marquise…

O meu nome é Joe Horgan.

O meu cunhado, Michael Doyle, morreu no ataque.

Lamento a sua perda.

O mais engraçado é que ele nem devia ir naquele avião.

Pediram-lhe ajuda em Londres, e ele apanhou um voo mais tarde.

É típico do Mikey.

Olhe, eu fui à Escócia logo que pude.

Fui recebido com tanta abertura.

Compaixão.

Tanto cuidado por parte dos funcionários e da Polícia.

Sim, tem toda a razão. Eles… Provaram ser colegas admiráveis.

De certeza que sim.

Mas tudo isso mostrou-me

como as coisas têm sido tão mal geridas cá.

E como temos sido tão mal tratados pelo Departamento de Estado

e pelo FBI.

Têm de perceber que, sobretudo no início, andávamos todos à nora.

Não, a sério. Adoraríamos ter e partilhar mais informações, mas não as tínhamos.

A minha filha Alexia vinha lá.

Vinha passar as férias a casa.

Porque havia tantos lugares vazios,

tantos bilhetes, mesmo antes do Natal?

- Bem… - Devido à ameaça de bomba

enviada à embaixada dos EUA em Helsínquia, a 5 de dezembro,

alertando para uma bomba num voo da Pan Am de Frankfurt.

Não foi partilhado com o público. Porquê?

É uma ótima questão.

E é por isso que está a ser investigada

não só pelo FBI como agora pela Comissão Presidencial.

Que raio de resposta é essa?

"Fiquem atentos"?

É graças a nós que a Comissão Presidencial existe.

- Sim. - Certo.

- Certo. - Exato.

Sim, eu percebo isso.

A sério, eu percebo. Eu…

A embaixada dos EUA publicou o aviso,

para os funcionários do governo, o FBI, a CIA, mudarem de companhia aérea.

Lembrem-se de que havia pelo menos um agente da CIA a bordo.

- E é isso que vos importa. - Não.

Não, perdão. Não foi isso que quis dizer. Só digo que há…

A minha filha Alexia tinha 20 anos.

Uma fotojornalista em formação.

Foi assassinada.

O futuro promissor dela jamais se realizará.

E tenho um vazio no coração

que jamais será…

Que jamais será preenchido.

O que aconteceu foi uma tragédia.

Uma coisa má.

Mas o rescaldo?

Como todos fomos tratados?

- É um ultraje. - Sim!

Têm razão.

Têm toda a razão.

Não foram tratados como deviam por nós nem pelo Departamento de Estado, e…

Sinto muito por isso.

A verdade é que…

O que passaram…

O que todos passaram é…

É inimaginável.

E estou…

pasmado,

não só pela vossa persistência, mas…

… pela vossa coragem

perante isto tudo.

Posso prometer-vos que as coisas irão mudar.

Vocês merecem melhor.

Agora, vejo isso. E…

Farei tudo o que puder para garantir que o têm.

Obrigado.

Obrigada pela visita guiada.

Sei que deve fazê-lo reviver muita coisa.

Não me importo.

Desde que tenha sido útil…

Sim, foi.

Vou voltar para os EUA com uma melhor perceção do que passaram.

Os locais e as famílias passaram por muito.

E você também.

Não. São ossos do ofício, não é?

Não significa que não sofreu.

Nem significa que não sofra ainda.

Não da mesma forma.

Não tenho vergonha de dizer

que chorei mais desde que o avião caiu do que alguma vez chorara.

E só ouço coisas por interposta pessoa.

O Ed estava cá.

E isto também lhe aconteceu a si.

É a última vez.

Neil, tem um minuto?

Está tudo bem?

Sim, só queria atualizá-lo pessoalmente.

- Há progressos em Malta. - O que descobriram?

Um lojista que vendeu roupas da mala da bomba.

Quero enviar já o Phil Reid. Precisamos de alguém lá.

Um avanço, finalmente.

- É importante. - Pois é.

Também quero marcar uma reunião nossa com a Kathryn Turman.

Tem boas ideias de como trabalhar melhor com as famílias.

Porquê?

Passei um mau bocado.

Sim, já pressentia que sim.

Podemos fazer melhor.

Se marcar uma reunião com ela, pode lá estar?

Está bem.

Ótimo.

Espere, Dick.

Sim?

Pensou no emprego em Albany?

Sim.

Sim, não vou para Albany.

Tenho de levar isto até ao fim.

Boa.

Folgo em sabê-lo.

Vou para a cama.

Vens?

Vou só ficar aqui um pouco.

Como assim? Está um gelo.

Estás bem?

Ed…

Está tudo bem. Tu estás bem.

Estás bem.

Está tudo bem, amor.

Tu estás bem.

Não tem sido fácil achar uma placa correspondente.

Quer dizer que não sabemos donde isto veio?

Não corresponde a dispositivos registados nem a partes do avião.

É extremamente invulgar.

Que opções temos?

Tentar identificar a fonte

das matérias-primas dos fragmentos, do metal da solda,

do laminado da placa.

E, a partir daí, podemos localizar o fabricante?

É possível.

E tem a certeza de que isto faz parte do temporizador?

- Tenho. - Certo.

Não a encontrar não é opção.

- Parece o seu cliente? - Não.

O nariz era maior na ponta e as sobrancelhas eram mais arredondadas.

Maiores, desculpe.

Pois é.

Não peça desculpa, sim? Leve o tempo de que precisar.

O detetive Bell tem razão, Sr. Gauci.

Tem de ficar bem, por mais que demore.

Sim, mas o que não entendo é: porque o procuram?

Deve estar morto, como os outros no avião, não?

Não lhe contaram?

A que se refere?

Este homem não era um passageiro.

Não entrou no avião.

É um dos que podem tê-lo deitado abaixo.

Acabadinho de chegar de fax de Malta.

O nosso cliente-mistério.

Sabendo o que sabemos,

é seguro presumir que ou ele próprio fez a mala com o engenho explosivo,

ou estava muito próximo da pessoa que o fez.

E, se este homem for líbio,

isso mudará muito o curso desta investigação,

sobretudo entre os colegas americanos.

É agora mais do que provável que já não andemos atrás

de uma única célula terrorista, mas…

… de um agente a soldo do Estado.

Pode tratar-se de um agente da ESO, a equivalente líbia da CIA,

a Organização de Segurança Externa.

O coronel Khadaffi usou a ESO em atos de terror contra muitos países,

mas, nos últimos anos, ficou mais hostil para com a América.

Terroristas líbios puseram uma bomba na discoteca La Belle, em Berlim,

reduto de tropas americanas. Três mortos, 200 feridos.

A América foi forçada a retaliar.

Entra a Operação El Dorado Canyon.

Em 1986, um atentado em Trípoli e Benghazi,

montado por 14 jatos A-6E da Marinha e 18 bombardeiros FB-111.

Alegadamente, a filha de 15 meses de Khadaffi foi morta

e dois dos filhos ficaram feridos.

Ou seja, os líbios tinham motivação mais do que suficiente

para deitar abaixo o avião americano Pan Am 103.

- Kathryn? - Mary Lou?

Sim.

- Bem-vinda. - Olá.

- Obrigada por vir. - Prazer em conhecê-la.

- Obrigada por me receber. - Certo.

Por aqui.

Como foi a viagem?

Vim de Washington. Por isso, não é nada mau.

Ótimo.

Quando soube que queria ver-me, pensei que tinha algo para eu assinar.

Não percebi que tinha ido aonde o Frank…

Queria dizer-lhe pessoalmente.

Parecia mesmo que ele estava a dormir?

Foi o que a Margaret me disse.

Fui à quinta dela.

Os miúdos vão ficar felizes por ter sido bem tratado.

A noção de felicidade muda, quando acontece algo assim.

A Margaret queria que eu lhe dissesse que são todos bem-vindos em Lockerbie.

Quando quiserem.

Não, eu…

Acho que seria muito difícil para os miúdos.

Para… Para mim.

Claro.

Mas, francamente, estar lá e falar com famílias que foram lá…

Muitos encontram lá uma forma de recuperação.

A amabilidade dos habitantes locais…

Dá para senti-la.

Não quero pressioná-la.

Se mudar de ideias,

posso pô-la em contacto com outras famílias que foram lá.

- Obrigada. - Certo.

Faz isto muitas vezes?

Faço o que posso no meu trabalho.

Isto não é o seu trabalho?

Tecnicamente, não.

Mas disseram-me recentemente:

"Quando vemos algo que tem de ser feito,

fazemo-lo."

"Desastre de Lockerbie leva a Polícia a Malta."

Sabem tudo o que vocês andam a fazer. Tudo.

Não falámos com ninguém.

E como sabe a imprensa disto?

Garantiram que isto não sucederia.

Harry, o carro que nos seguiu. Devia ser um jornalista.

O De Marco não está nada contente.

- Faz parecer que permitimos o terrorismo. - Deixe-me falar com ele. Posso explicar.

Já falei com ele, e ele foi claro: para já, a investigação escocesa para.

Não, temos de ir ao aeroporto e ver como a mala passou.

O FBI pode ficar.

O agente Reid pode continuar, mas…

Lamento, não está nas minhas mãos.

Tudo bem, chefe?

Como está a equipa?

Bem. Tentam não dar nas vistas.

Podemos falar?

Claro.

O vosso trabalho com o HOLMES revolucionou tudo, McCusker.

Bom trabalho. Exemplar.

Estamos a dar o nosso melhor.

Não, bem, tem sido notado.

Vão abrir um departamento, Proteção de Testemunhas, e querem-no.

Mas…

E deixo Lockerbie?

Não posso fazer isso.

Quero ficar cá.

Temo que não dependa de si.

Acha que não aguento a pressão, é isso?

Não, não estou a dizer nada disso.

Não entendo. Há uma testemunha. Precisamos de todos.

Não podemos largar isto.

Ninguém vai largar nada.

Encontrámos o bombista, e vai tirar-me do caso?

Este trabalho é assim.

Avançamos.

Ou, no seu caso, sobe.

É uma promoção, McCusker.

Dê graças.

Tudo bem?

Certo.

Últimas notícias sobre o acidente do avião francês no Saara,

um avião de passageiros DC-10, com 171 pessoas a bordo.

O avião despenhou-se pouco depois de deixar Ndjamena, a capital do Chade.

A companhia aérea francesa UTA disse hoje que deverá ter sido uma bomba a causar…

O que é isto?

Deitaram abaixo mais um avião.

As 171 pessoas a bordo, incluindo sete americanos, morreram todas.

À noite, há mais, com Jim Bittermann, da NBC.

Os destroços espalharam-se por uma área de 40 km2 do deserto do Níger.

As companhias aéreas dizem suspeitar de uma bomba.

É pouco provável haver sobreviventes.

Legendas: Paula Amaral

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